segunda-feira, 18 de maio de 2026

Moonlight Haze: O poder da melodia sob uma estética cinematográfica (Also In English)

Scarlet Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

A italiana Moonlight Haze retorna com Interstellar Madness, EP que reforça sua posição entre os nomes mais consistentes da atual geração do symphonic power metal europeu. 

Apostando em uma combinação de grandiosidade cinematográfica, melodias de forte apelo emocional e refinamento técnico, o grupo liderado pela vocalista Chiara Tricarico amplia a identidade construída ao longo de sua trajetória sem perder o senso de acessibilidade melódica que sempre caracterizou sua música. Produzido por Sascha Paeth, o trabalho mergulha em atmosferas cósmicas e emoções intensas com uma abordagem mais madura, dinâmica e sofisticada.

A abertura com “Moonlight Legion” entrega exatamente o que o público do power metal melódico espera — mas com execução acima da média. Guitarras velozes, bumbo duplo pulsante e linhas de teclado expansivas sustentam uma faixa construída para soar grandiosa sem cair no excesso caricatural que frequentemente compromete bandas do gênero. O diferencial está justamente na interpretação de Chiara Tricarico: ao evitar o exagero operístico típico de parte do symphonic metal, a cantora privilegia uma abordagem mais direta e rock’n’roll, conferindo personalidade e fluidez à composição. Os coros monumentais e os arranjos sinfônicos ampliam o impacto épico da faixa sem sufocar sua estrutura melódica.

Na sequência, “Lost in Moonlit Symphonies” mantém a intensidade elevada enquanto evidencia ainda mais as influências clássicas da banda. O diálogo entre o vocal principal e os corais funciona de maneira extremamente eficiente, criando uma atmosfera quase teatral sem perder o senso de urgência característico do power metal europeu. A seção rítmica segue impulsionada em alta velocidade, enquanto guitarras e teclados dividem protagonismo de forma equilibrada. Mais uma vez, Chiara se destaca pela capacidade de alternar delicadeza e potência sem soar artificial ou excessivamente técnica.

A terceira faixa reduz parcialmente a velocidade para explorar novas nuances dentro da proposta do EP. Embora os elementos sinfônicos permaneçam presentes, eles cedem espaço para guitarras mais pesadas e uma base rítmica mais agressiva, aproximando a sonoridade de territórios contemporâneos do metal melódico. A introdução de vocais guturais acrescenta contraste e profundidade à composição, enriquecendo a dinâmica do álbum sem descaracterizar a essência da banda. É justamente nesse momento que Interstellar Madness demonstra maior ambição artística, evitando a armadilha da repetição estrutural que frequentemente limita lançamentos do gênero.

“Shine” recoloca o EP em uma abordagem mais tradicional, mas com um refinamento composicional superior. A introdução construída sobre guitarras e linhas vocais melódicas estabelece imediatamente um clima envolvente, enquanto os arranjos distribuem protagonismo entre todos os instrumentos de forma orgânica e inteligente. O trabalho vocal impressiona não apenas pela técnica, mas pelo controle emocional e pela maneira como cada camada é utilizada para ampliar a carga dramática da música sem transformá-la em algo excessivamente pomposo. Há um equilíbrio raro entre exuberância e contenção.

A faixa-título, “Interstellar Madness”, representa o momento mais ambicioso e teatral do EP. A introdução carregada de mistério rapidamente evolui para uma combinação de guitarras pesadas, teclados atmosféricos e arranjos corais que remetem diretamente às raízes mais cinematográficas do symphonic metal. Aqui, o lirismo vocal aparece de maneira muito mais evidente, inclusive com trechos interpretados em italiano, reforçando o caráter dramático da composição. Elementos como o cravo emulado nos teclados, os corais grandiosos e as passagens instrumentais ajudam a construir uma experiência quase narrativa. Ainda assim, a banda demonstra inteligência ao quebrar constantemente a densidade da música com mudanças de dinâmica, inserções mais agressivas e até passagens com vocais extremos, evitando que a faixa se torne excessivamente indulgente. É o ponto em que Moonlight Haze revela maior maturidade na construção de atmosferas.

O encerramento com “Interstellar Madness: Finale” funciona mais como epílogo cinematográfico do que como composição essencial. Embora a instrumental tenha utilidade na ambientação conceitual do EP, sua inclusão transmite certa sensação de apêndice, como se servisse mais para ampliar artificialmente a duração do lançamento do que para acrescentar algo verdadeiramente indispensável à experiência.

Ainda assim, Interstellar Madness confirma o excelente momento vivido por Moonlight Haze. O EP evidencia uma banda cada vez mais segura de sua identidade, capaz de equilibrar virtuosismo, emoção e acessibilidade sem soar previsível ou excessivamente formulaica. Para fãs de symphonic power metal moderno, trata-se de um lançamento forte, elegante e artisticamente mais maduro do que grande parte das produções recentes do estilo.

***ENGLISH VERSION***

Italian outfit Moonlight Haze return with Interstellar Madness, an EP that further solidifies their place among the most consistent names in the current European symphonic power metal scene.

Blending cinematic grandeur, emotionally charged melodies, and refined musicianship, the band led by vocalist Chiara Tricarico expands upon the identity they have built throughout their career without sacrificing the melodic accessibility that has always defined their sound. Produced by Sascha Paeth, the release dives into cosmic atmospheres and intense emotions with a more mature, dynamic, and sophisticated approach.

Opening track “Moonlight Legion” delivers exactly what fans of melodic power metal expect — but with execution that rises above the genre’s average standards. Fast-paced guitars, relentless double bass drumming, and expansive keyboard arrangements sustain a song designed to sound massive without falling into the exaggerated caricature that often undermines bands within the style. The key difference lies in Chiara Tricarico’s performance: by avoiding the overly operatic tendencies common to parts of symphonic metal, she opts for a more direct and rock-oriented delivery, giving the composition greater personality and fluidity. Monumental choirs and symphonic orchestrations amplify the track’s epic impact without overwhelming its melodic core.

Following that, “Lost in Moonlit Symphonies” maintains the EP’s high intensity while further highlighting the band’s classic influences. The interplay between the lead vocals and layered choruses works exceptionally well, creating an almost theatrical atmosphere without sacrificing the urgency that defines European power metal. The rhythm section continues at full speed, while guitars and keyboards share the spotlight in a balanced and organic way. Once again, Chiara stands out for her ability to shift between delicacy and power without sounding artificial or excessively technical.

The third track partially slows the pace in order to explore new textures within the EP’s framework. Although the symphonic elements remain present, they make room for heavier guitars and a more aggressive rhythmic foundation, pushing the sound toward more contemporary melodic metal territory. The inclusion of harsh vocals adds contrast and depth to the composition, enriching the EP’s dynamics without compromising the band’s essence. It is precisely here that Interstellar Madness reveals greater artistic ambition, avoiding the structural repetition that often limits releases within the genre.

“Shine” brings the EP back toward a more traditional direction, albeit with a noticeably more refined compositional approach. Its introduction, built around melodic guitar lines and expressive vocal arrangements, immediately establishes an engaging atmosphere, while the instrumentation distributes prominence among all members in a natural and intelligent way. The vocal performance impresses not only through technical ability, but through emotional control and the careful use of layered harmonies to intensify the song’s dramatic weight without becoming overly pompous. There is a rare balance between exuberance and restraint.

The title track, “Interstellar Madness”, represents the EP’s most ambitious and theatrical moment. A mysterious introduction quickly evolves into a blend of heavy guitars, atmospheric keyboards, and grand choral arrangements that directly evoke the cinematic roots of symphonic metal. Here, the vocal theatricality becomes far more pronounced, including passages sung in Italian that reinforce the composition’s dramatic character. Elements such as harpsichord-like keyboard textures, majestic choirs, and extended instrumental sections help shape an almost narrative experience. Even so, the band demonstrates intelligence by constantly breaking the song’s density through dynamic shifts, heavier passages, and even moments featuring extreme vocals, preventing the track from becoming self-indulgent. It is the clearest example of Moonlight Haze’s growing maturity in atmosphere-building and songwriting.

Closing piece “Interstellar Madness: Finale” works more as a cinematic epilogue than as an essential composition. While the instrumental serves a purpose within the EP’s conceptual atmosphere, its inclusion carries a slight sense of redundancy, as though it exists more to extend the release’s runtime than to add something truly indispensable to the overall experience.

Even so, Interstellar Madness confirms the excellent creative phase currently enjoyed by Moonlight Haze. The EP showcases a band increasingly confident in its identity, capable of balancing virtuosity, emotion, and accessibility without sounding predictable or excessively formulaic. For fans of modern symphonic power metal, this is a strong, elegant, and artistically mature release — one that stands above much of the genre’s recent output.

Beatrice Demori

Cobertura de Show - Maestrick - 17/05/26 (Gravador Pub - POA/RS)

Por: Renato Sanson

Fotos: Cristiano Cruz/Renato Sanson

 

No último domingo, Porto Alegre recebeu o encerramento da turnê gaúcha da banda paulista Maestrick, promovendo o excelente “Expresso Della Vita: Lunare” (3° álbum da carreira). Depois de passarem por Pelotas e Caxias do Sul, a capital foi responsável pelo fechamento dessa sequência de apresentações no Rio Grande do Sul, em um show realizado no Gravador Pub.

E que experiência foi finalmente assistir o Maestrick ao vivo.

Mesmo já conhecendo os integrantes pessoalmente há algum tempo, essa foi minha primeira oportunidade de acompanhar a banda no palco, e a impressão não poderia ter sido melhor. O grupo entregou exatamente aquilo que os fãs esperam: técnica absurda, musicalidade refinada, peso, emoção e uma execução praticamente impecável do começo ao fim.

Para esta turnê, a banda contou também com a presença do guitarrista convidado Gabriel Veloso (Storia), agregando ainda mais peso e consistência às apresentações ao vivo. O entrosamento no palco foi evidente durante toda a noite, reforçando ainda mais a riqueza musical das composições executadas.

Ao vivo, o Maestrick consegue elevar ainda mais a proposta musical apresentada em estúdio. Cada integrante demonstra domínio absoluto do instrumento, mas sem transformar a apresentação em algo frio ou excessivamente técnico. Existe sentimento em cada passagem, em cada dinâmica e principalmente na interpretação de Fábio Caldeira, que conduziu o show com presença e proximidade com o público presente.

Um dos grandes momentos da noite aconteceu durante a música “Pescador”, que ganhou uma interpretação especial com a participação do vocalista Jonathas Pozo (Rage In My Eyes) dividindo os vocais com Fábio. A performance ainda contou com a participação do guitarrista Alexandre Tellini, tornando a execução uma das mais marcantes da noite e arrancando ótima reação do público presente.

Infelizmente, o evento contou com um público abaixo do que uma banda desse nível merece. Ainda assim, os presentes fizeram valer a noite, acompanhando atentamente cada música e criando um clima bastante respeitoso e caloroso dentro da casa. Foi uma apresentação que claramente merecia um alcance maior.

Outro ponto que acabou impactando parcialmente a experiência foi a sonorização do local, que em alguns momentos não conseguiu entregar toda a clareza necessária para uma banda com tantos detalhes e camadas musicais quanto o Maestrick. Soma-se a isso a limitação de horário da casa, que encerra atividades às 22h, obrigando a banda a encurtar o setlist e retirar cerca de duas músicas da apresentação.

Mesmo assim, o encerramento aconteceu de forma especial. Já nos momentos finais do show, Fábio perguntou ao público qual música deveria fechar a noite. A escolhida foi “Ethereal”, faixa do novo álbum, e sinceramente, não poderia existir encerramento melhor. A música trouxe aquele clima épico, emotivo e grandioso que resume perfeitamente a essência da banda atualmente.

Apesar das limitações da noite, o saldo final foi extremamente positivo. Ver o Maestrick ao vivo foi uma experiência marcante, daquelas que reafirmam o quanto ainda existem bandas nacionais produzindo material de altíssimo nível dentro do Prog Metal mundial.

Que o grupo retorne em breve ao Rio Grande do Sul, e que da próxima vez encontre o público que realmente merece.


Maestrick Spotify 
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Cobertura de Show - Fest Ruído Macabro - 18/04, Apucarana PR

 

Dia 18/04/2026, a cidade de Apucarana (PR) recebeu o evento de Metal Extremo Ruído Macabro.

Desde já citaremos o ambiente No old's kustom bar acolhedor e extremamente bem decorado e com um palco no lado de fora, e um estúdio de ensaios e lanchonete dentro. É bem acessível e com um clima bem despojado.

O cast do evento foi composto pela Vazio, de São Paulo, e três bandas Paranaenses: Christophobia, Infected Morchirium, e Sulphuratus.

Com seu som que segue uma linha que remetem ao Mayhem, a Infected Morchirium deu o pontapé inicial da massa sonora,  promissora e reta, cumpriram sua proposta com competência.

Setlist:

 1 - Morning Star

2- Profano Sepulcro

3- DogWolf

4- The Hanging Tree

5- Mysterious Ways of Satan

6- God of Nothingness

7- Days of Armageddon 

8- Lake of Mud

9- Let it Bleed


Continuando seguimos com Sulphuratus, e seu Black metal sinfônico. Super interessante a apresentação. Destaques para o uso de violino, e uma presença bela com seus vocais líricos e por vezes brutais de Thais.

Setlist:

1 Alien Intervention 

2 Eternity 

3 Prometheus 

4 Nightfall symphony 

5 Opposite Voids


Agora entramos no show do Christophobia com um Black metal ríspido e com destaque para o baterista que também canta e é um grande músico junto ao demais membros. 

Setlist:

1- Desgraça

2- Rogo ao Caos

3- Carne de Caça

4- Necrochorume 

5- Antidogma

6- O Canalizador da Podridão

7- O Anticristo

8- Lágrimas de Sangue

9- Natimortos

10- Crociffigere ill Bastardo


Entramos agora em transe com o "Necrocosmos" da banda Vazio. Formada em 2016, em São Paulo, São Paulo, é conhecida por sua sonoridade obscura, ritualística e temática centrada em quimbanda, necromancia e ocultismo. O grupo vem em uma crescente, sendo uma dos nomes proeminentes do estilo no Brasil.

Sem dúvidas o vocalista Renato Gimenez, juntamente com os outros integrantes conseguem nos transportar para uma imersão transcendental, e Renato com seus vocais guturais característicos, que parecem cânticos, dão ênfase à atmosfera ritualística.

Setlist:

01 - Escuridão Seja Minha Guia

02 - Cerimônia dos Espiritos Primordiais

03 - Chamado dos Mortos

04 - Eterno Aeon obscuro

05 - Necrocosmos

06 - Oráculo de ossos

07 - Sombras de Um Passado Antigo

08 - Monumentos da Decadência

09 - Elementais da Matéria Escura

10 - Eterno Vazio



Tudo nas apresentações foi extremamente bom, real e eficiente, e mesmo com equipamentos simples as bandas literalmente tiraram o sumo de suas propostas.

Texto e fotos: Fernanda Luísa

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The 69 Eyes: Os Vampiros de Helsinque Reafirmam Sua Essência Gótica (Also In English)

BLKIIBLK (Imp.)

Por Michelle F. Santana

Desde os anos 90, o The 69 Eyes construiu uma identidade praticamente inconfundível dentro do gothic rock e do chamado “goth’n’roll”. Entre riffs carregados de hard rock oitentista, estética vampiresca e melodias melancólicas, a banda finlandesa nunca pareceu interessada em seguir tendências e talvez justamente por isso tenha mantido uma base de fãs tão fiel ao longo das décadas. Em I Survive, novo EP da banda, essa proposta permanece intacta, mas com um detalhe importante: este é o primeiro lançamento do grupo pelo selo BLKIIBLK, divisão voltada ao rock e metal do Frontiers Label Group. Essa nova fase parece refletir diretamente na sonoridade do trabalho, que aposta em uma abordagem mais direta, encorpada e fortemente apoiada no hard rock sem abandonar a identidade gótica que sempre acompanhou a banda.

Outro ponto que chama atenção é a produção e a ambientação sonora do EP. A mixagem assinada por Barry Pointer, conhecido por trabalhos ao lado de Ozzy Osbourne, reforça uma atmosfera ampla e quase cinematográfica, especialmente perceptível na faixa-título. Existe um senso de profundidade e dramatização nas camadas instrumentais que ajuda a potencializar essa estética noturna, melancólica e decadente que o The 69 Eyes domina tão bem.

Muito se fala hoje sobre inovação constante dentro do rock e do metal, mas existe uma diferença importante entre estagnação e coerência artística. Para um EP, especialmente vindo de uma banda com uma estética tão consolidada quanto o The 69 Eyes, faz muito mais sentido apostar no refinamento da própria fórmula do que em uma ruptura artificial. I Survive entende exatamente isso: não tenta reinventar a banda, apenas reforçar aquilo que ela sempre soube fazer bem.

A faixa-título “I Survive” deixa isso claro desde os primeiros minutos. O clima sombrio e melancólico remete diretamente à influência do "pós-punk", especialmente nas linhas vocais arrastadas e na atmosfera noturna quase cinematográfica. Ao mesmo tempo, a música mantém aquele peso acessível entre gothic rock, hard rock e glam decadente que sempre caracterizou o som do grupo. Há ecos evidentes do álbum "Wasting the Dawn" (1999) na construção da ambiência, principalmente no contraste entre sensualidade sombria e guitarras mais encorpadas.

Tecnicamente, a faixa trabalha riffs simples, porém extremamente eficientes, sustentados por uma cozinha sólida e um andamento cadenciado que favorece o clima melancólico sem perder o apelo de refrão. A participação de Steve Stevens, conhecido por seu trabalho com Billy Idol, adiciona ainda mais personalidade à música, especialmente nos detalhes de guitarra que reforçam esse lado hard rock clássico presente em toda a faixa.

O vocal de Jyrki 69 merece destaque especial em todo o EP. Sua interpretação soa confortável, madura e segura dentro da proposta da banda. Há uma dramaticidade característica do gothic rock clássico em sua performance, mas sem soar artificial ou exagerada. Pelo contrário: sua voz continua sendo uma das peças centrais da identidade construída pelo The 69 Eyes ao longo das décadas.

Em “Cold Sweat”, clássico originalmente lançado pelo Thin Lizzy e já revisitado por nomes como Megadeth e Helloween, o The 69 Eyes opta sabiamente por preservar a essência hard rock da composição. Em vez de transformar completamente a música, para encaixar em um molde gótico exagerado, a banda prefere incorporar pequenos elementos da própria identidade sem descaracterizar o espírito original da faixa. O resultado é um cover sólido, com guitarras vibrantes e uma interpretação que respeita a energia clássica da composição.

"In the Misery” talvez seja o momento em que o EP mais explicita o DNA da banda. Toda a decadência vampiresca, o romantismo sombrio e a estética urbana noturna aparecem de forma quase emblemática, principalmente na atmosfera melancólica construída pela faixa. Musicalmente, diferente das faixas mais cadenciadas do EP, aqui as guitarras surgem mais marcadas e presentes, conduzindo a música de maneira firme enquanto o instrumental mantém uma aura obscura e melancólica. O solo carrega uma pegada clássica de hard rock, adicionando ainda mais personalidade à faixa sem quebrar o clima decadente que define sua identidade. É justamente esse equilíbrio entre peso, melancolia e teatralidade vampiresca que transforma “In the Misery” em um verdadeiro retrato da essência do The 69 Eyes.

Mas é em “Devil’s Rose” que o EP encontra seu ponto mais alto. Muito mais puxada para o hard rock do que as demais faixas, a música encerra o trabalho de maneira energética sem abandonar a identidade gótica da banda. A participação do lendário guitarrista norte-americano Ed Mundell, ex-Monster Magnet, traz ainda mais força à composição. Suas guitarras brilham ao longo da faixa, incorporando elementos característicos do stoner rock com riffs encorpados, solos marcantes e muito feeling, mas sempre respeitando o universo sonoro do The 69 Eyes. As guitarras de Bazie também merecem destaque, funcionando em perfeita sintonia com a participação de Mundell e criando uma das construções instrumentais mais fortes do EP. Enquanto isso, Jyrki 69 entrega uma interpretação carregada de carisma sombrio e presença, reforçando ainda mais a personalidade da banda. O resultado é uma faixa intensa, energética e extremamente eficiente para encerrar o EP.

No fim, I Survive não é um trabalho revolucionário e nem precisa ser. O EP funciona porque entende exatamente a identidade da banda e não tenta fugir dela. Entre melodias sombrias, riffs acessíveis e uma atmosfera decadente que parece saída diretamente de clubes góticos dos anos 80 e 90, o The 69 Eyes entrega um trabalho sólido, tecnicamente consistente e fiel à própria identidade. Para os fãs antigos, é um reencontro confortável com aquilo que sempre tornou a banda especial. Para novos ouvintes, talvez seja um convite interessante para mergulhar nesse universo entre o hard rock e a escuridão romântica do gothic rock.

***ENGLISH VERSION***

Since the 1990s, The 69 Eyes have built an almost unmistakable identity within gothic rock and the so-called “goth’n’roll” scene. Blending ‘80s-inspired hard rock riffs, a vampiric aesthetic, and melancholic melodies, the Finnish band has never seemed particularly interested in following trends and perhaps that is precisely why they have maintained such a loyal fanbase throughout the decades. On I Survive, the band’s new EP, that approach remains fully intact, though with one important detail: this marks the group’s first release through BLKIIBLK, the rock and metal division of Frontiers Label Group. This new chapter seems directly reflected in the sound of the record, which embraces a more straightforward, fuller-bodied approach heavily rooted in hard rock while still preserving the gothic identity that has always defined the band.

Another element that stands out is the EP’s production and sonic atmosphere. The mix, handled by Barry Pointer known for his work alongside Ozzy Osbourne reinforces a broad and almost cinematic ambiance, especially noticeable on the title track. There is a sense of depth and dramatization in the instrumental layers that amplifies the nocturnal, melancholic, and decadent aesthetic that The 69 Eyes have mastered so well over the years.

There is constant discussion nowadays about the need for innovation within rock and metal, but there is an important difference between stagnation and artistic coherence. For an EP, especially from a band with such a consolidated aesthetic as The 69 Eyes, refining their own formula makes far more sense than forcing an artificial reinvention. I Survive understands this perfectly: it does not attempt to reinvent the band, but rather reinforces everything they have always done well.

The title track, “I Survive,” makes that clear from its very first moments. Its dark and melancholic atmosphere strongly recalls post-punk influences, especially through the drawn-out vocal lines and the nearly cinematic nocturnal mood. At the same time, the song maintains the accessible balance between gothic rock, hard rock, and decadent glam that has always characterized the band’s sound. There are even clear echoes of "Wasting the Dawn" (1999) in the way the atmosphere is constructed, particularly in the contrast between dark sensuality and heavier guitar textures.

From a technical perspective, the track is built around simple yet highly effective riffs, supported by a solid rhythm section and a steady pacing that enhances the melancholic atmosphere without sacrificing its hook-driven appeal. The participation of Steve Stevens best known for his work with Billy Idol adds even more personality to the song, particularly through guitar details that strengthen its classic hard rock edge.

Jyrki 69’s vocals deserve special recognition throughout the EP. His performance feels comfortable, mature, and fully confident within the band’s musical proposal. There is a dramatic quality typical of classic gothic rock in his delivery, though it never sounds artificial or exaggerated. On the contrary, his voice remains one of the central pillars of the identity The 69 Eyes have built over the decades.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

“In the Misery” may be the moment where the EP most explicitly showcases the band’s DNA. The vampiric decadence, dark romanticism, and nocturnal urban aesthetic all emerge in an almost emblematic way, particularly through the melancholic atmosphere built around the song. Musically, unlike some of the EP’s slower and more restrained moments, the guitars here are sharper and more prominent, driving the track firmly forward while the instrumentation maintains an obscure and melancholic aura. The solo carries a distinctly classic hard rock feel, adding even more personality without disrupting the decadent atmosphere that defines the song’s identity. It is precisely this balance between heaviness, melancholy, and vampiric theatricality that turns “In the Misery” into a true portrait of The 69 Eyes’ essence.

However, it is on “Devil’s Rose” that the EP reaches its strongest moment. Leaning much more heavily into hard rock than the other tracks, the song closes the record in an energetic fashion without abandoning the band’s gothic identity. The participation of legendary American guitarist Ed Mundell, formerly of Monster Magnet, adds even more power to the composition. His guitar work shines throughout the track, incorporating characteristic stoner rock elements through thick riffs, striking solos, and a strong sense of feel, while still respecting the sonic universe of The 69 Eyes. Bazie’s guitars also deserve praise, working in perfect synergy with Mundell’s contributions and creating one of the EP’s strongest instrumental moments. Meanwhile, Jyrki 69 delivers a performance filled with dark charisma and presence, further reinforcing the band’s personality. The result is an intense, energetic, and highly effective closing track.

In the end, I Survive is not a revolutionary release nor does it need to be. The EP succeeds because it fully understands the band’s identity and never tries to escape from it. Between dark melodies, accessible riffs, and a decadent atmosphere that feels pulled directly from gothic clubs of the ‘80s and ‘90s, The 69 Eyes deliver a solid, technically consistent work that remains completely faithful to its own identity. For longtime fans, it is a comfortable reunion with everything that made the band special in the first place. For newer listeners, it may serve as an intriguing invitation into this world suspended between hard rock and the romantic darkness of gothic rock.

Marek Sabogal


sábado, 16 de maio de 2026

Phantom Star: Single "Witch Hunt" dá mais uma excelente prévia do debut

 

Formada em Curitiba (PR) no ano de 2004, o Phantom Star surge como uma das ótimas novidades do Heavy Metal brasileiro. 

Com uma sonoridade e visuais inspirados no Heavy Metal Clássico e Hard Rock 80's,  mas com uma pegada atual,  traz nuances épicas e dramáticas, por vezes densas e progressivas, imprimindo uma identidade a banda, a qual possui músicos com experiência, e que mostram que sabem onde querem chegar. 

Referências? Eu poderia citar King Diamond, Grave Digger, Virgin Steele e Savatage, bandas que primam por essas atmosferas épicas e dramáticas que encontramos no DNA da Phantom Star.

Neste terceiro single, "Witch Hunt", o último antes do lançamento do full-lenght de estreia em 20/06, a banda traz como tema a inquisição na idade média, perseguição movida por fanatismo religioso, medo e repressão, que levou à fogueira muitas mulheres acusadas de bruxaria. 

E a banda ressalta que é um tema que pode ser considerado assustadoramente atual, pois muitas mulheres continuam sendo julgadas e perseguidas por não seguir padrões impostos e entranhados na sociedade.

O single também marca a consolidação da banda como um sexteto, agora com um tecladista fixo, solidificando ainda mais a massa sonora e melódica da banda.

A capa do single, ilustração por Nelson Fontella, busca transmitir essa atmosfera, lembrando bastante a estética de cartazes de filmes e HQs clássicas de terror, assim como capas de álbuns de bandas que inspiraram o Phantom Star.

"Witch Hunt" portanto traz essa aura mística e épica, por vezes sombria, iniciando com um teclado que já anuncia esse clima. É Heavy Metal vigoroso, de cozinha pulsante, melodias e riffs marcantes da dupla de guitarras, sempre amparadas pelas linhas dramáticas do teclado.

Os vocais são carregados de teatralidade, e explodem em um refrão com coros retumbantes (naquele estilo que o Accept consolidou), e os solos encaixam perfeitos, com melodia e toques dramáticos.

"Witch Hunt" aumenta em muito a expectativa pelo full-lenght do Phantom Star, e a viagem do Heavy Metal Cósmico está apenas começando.

Texto: Caco Garcia 
Fotos: divulgação 

Phantom Star Instagram 

Spotify 




sexta-feira, 15 de maio de 2026

Kaasin: Riffs Densos, Musicalidade Refinada e Autenticidade (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

A banda norueguesa Kaasin retorna em 2026 com The Underworld, álbum que representa uma evolução natural — e significativamente mais ambiciosa — de sua proposta musical. Explorando atmosferas mais densas e sombrias sem abandonar as bases clássicas do hard rock melódico, o grupo liderado pelo guitarrista Jo Henning Kaasin reafirma sua identidade artística através de composições maduras, forte senso melódico e uma produção orgânica que privilegia peso, dinâmica e musicalidade acima de excessos modernos de estúdio.

Após o excelente debut Fired Up, a impressão que fica é a de que o KAASIN compreendeu exatamente quais elementos tornam sua sonoridade especial: a fusão entre o hard rock setentista de escola britânica e uma abordagem contemporânea que evita tanto a caricatura nostálgica quanto a artificialidade excessivamente polida que domina parte do gênero atualmente. The Underworld surge, assim, como um disco mais confiante, coeso e artisticamente refinado, consolidando a banda entre os nomes mais interessantes do hard rock escandinavo contemporâneo.

“The Real World” abre o álbum com impacto imediato. Construída sobre uma base sólida de hard rock europeu clássico, a faixa impressiona pela coesão instrumental e pela forma como os teclados dialogam com guitarras mais pesadas e ásperas do que normalmente se espera do hard melódico tradicional. A cozinha formada por baixo e bateria sustenta tudo com precisão quase orgânica, enquanto o vocal de Jan Thore Grefstad adiciona agressividade sem comprometer o apelo melódico. As influências setentistas aparecem de maneira evidente, mas nunca limitam a personalidade da composição.

A estética setentista domina completamente “Two Hearts”. Os versos remetem diretamente à escola clássica britânica, especialmente pelo trabalho de teclados inspirado em nomes como Deep Purple. Ainda assim, o KAASIN evita soar datado graças a um refrão extremamente melódico e moderno dentro do contexto da faixa. O grande mérito está justamente no equilíbrio entre reverência e atualização estética, algo que poucas bandas conseguem executar com naturalidade.

Mantendo a mesma identidade sonora, mas privilegiando velocidade e dinamismo, “We Speed at Night” apresenta uma abordagem mais direta. O riff principal é extremamente eficiente, enquanto o baixo assume papel fundamental na condução rítmica da música. As referências a Rainbow, Dio e ao próprio Deep Purple aparecem em diversos momentos, porém sem transformar a faixa em simples exercício de nostalgia. O KAASIN demonstra personalidade suficiente para absorver influências clássicas sem perder identidade.

 “Iron Horse” talvez seja uma das faixas que melhor sintetizam a essência do álbum. A introdução construída sobre voz, piano e guitarra cria tensão antes da entrada definitiva do hard rock clássico, claramente influenciado pela fase setentista do Deep Purple. O destaque, porém, está no refinamento dos arranjos: mudanças sutis de dinâmica, linhas de baixo extremamente vivas e teclados com timbres vintage autênticos — especialmente os Hammond — enriquecem a composição sem torná-la excessivamente técnica. Há sofisticação musical aqui, mas sempre a serviço da canção.

 “Invisible” amplia levemente o horizonte sonoro do disco ao incorporar elementos mais contemporâneos em sua estrutura. Após uma introdução atmosférica conduzida pelos teclados, a faixa explode em um refrão extremamente melódico sustentado por ótimos backing vocals. O baixo novamente merece destaque pelas linhas elaboradas e pelo protagonismo nos versos, enquanto Jan Thore Grefstad entrega uma de suas melhores performances do álbum. Sua interpretação confere profundidade emocional à faixa sem recorrer a exageros dramáticos.

 “Over the Mountain” reforça a influência do hard rock clássico dos anos 70, mas talvez seja uma das músicas mais elaboradas do álbum em termos estruturais. As mudanças de andamento e as pequenas variações rítmicas adicionam dinamismo constante à composição. Ao mesmo tempo, elementos modernos surgem discretamente para impedir que a faixa se transforme apenas em homenagem ao passado. Mais uma vez, chama atenção a impressionante coesão instrumental da banda, que executa arranjos relativamente complexos com enorme naturalidade.

Após uma introdução claramente inspirada em sonoridades orientais, “Arabian Night” inevitavelmente remete a clássicos épicos como “Stargazer”, do Rainbow. A influência de Ronnie James Dio também aparece com força nas linhas vocais e na construção melódica, mas o KAASIN demonstra inteligência suficiente para evitar qualquer sensação de cópia. A música possui personalidade própria, especialmente graças ao excelente trabalho de baixo e ao solo melódico extremamente bem encaixado dentro da narrativa da faixa.

“The Descent of Souls” funciona como uma breve vinheta instrumental que prepara o terreno para o encerramento do disco. Guitarras sintetizadas e teclados criam uma atmosfera futurista, sombria e quase cinematográfica, reforçando a identidade conceitual do álbum.

A faixa-título encerra o disco em altíssimo nível. “The Underworld” soa como um encontro improvável entre Motörhead e Deep Purple: veloz, pesada e impulsionada por uma seção rítmica incessante. Baixo e bateria trabalham quase em estado de urgência permanente, permitindo que guitarras e teclados alternem riffs agressivos e passagens melódicas com enorme fluidez. Os teclados, aliás, brilham especialmente aqui, transitando entre timbres modernos e vintage sem perder unidade estética. É um encerramento forte, energético e extremamente eficiente.

The Underworld é um disco denso, pesado e musicalmente sofisticado, feito para fãs do hard rock europeu de orientação setentista, mas suficientemente inteligente para dialogar com ouvintes contemporâneos sem soar preso ao passado. Mais do que apenas reverenciar gigantes como Deep Purple, Rainbow ou Dio, o KAASIN demonstra compreender a essência artística daquele período: composições fortes, musicalidade orgânica e personalidade acima de tendências passageiras. Em um cenário onde grande parte do hard rock atual parece satisfeita em reciclar fórmulas, The Underworld se destaca justamente por soar genuíno, inspirado e artisticamente relevante.

***ENGLISH VERSION***

Norwegian band Kaasin returns in 2026 with The Underworld, an album that represents a natural — and significantly more ambitious — evolution of its musical vision. Exploring darker and denser atmospheres without abandoning the classic foundations of melodic hard rock, the group led by guitarist Jo Henning Kaasin reaffirms its artistic identity through mature songwriting, a strong melodic sense, and an organic production that prioritizes weight, dynamics, and musicianship over modern studio excesses.

Following the excellent debut Fired Up, it becomes clear that KAASIN fully understands what makes its sound distinctive: the fusion of ‘70s British hard rock with a contemporary approach that avoids both nostalgic caricature and the overly polished artificiality that dominates much of the genre today. The Underworld therefore emerges as a more confident, cohesive, and artistically refined record, firmly establishing the band among the most compelling names in contemporary Scandinavian hard rock.

“The Real World” opens the album with immediate impact. Built upon a solid foundation of classic European hard rock, the track impresses through its instrumental cohesion and the way the keyboards interact with guitars that are heavier and rougher than what is typically expected from traditional melodic hard rock. The rhythm section provides an almost organic precision throughout, while Jan Thore Grefstad’s vocals inject aggression without sacrificing melodic appeal. The ‘70s influences are unmistakable, yet they never overshadow the band’s own identity.

The ‘70s aesthetic completely dominates “Two Hearts.” The verses strongly evoke the classic British school of hard rock, particularly through the keyboard work inspired by bands such as Deep Purple. Even so, KAASIN avoids sounding dated thanks to an extremely melodic and modern-sounding chorus within the context of the track. The true achievement lies in the balance between reverence and reinvention — something very few bands manage to execute naturally.

Maintaining the same sonic identity while emphasizing speed and dynamism, “We Speed at Night” delivers a more direct approach. The main riff is remarkably effective, while the bass takes on a fundamental role in driving the song forward. References to Rainbow, Dio, and Deep Purple surface throughout the track, though never to the point of reducing it to a mere exercise in nostalgia. KAASIN demonstrates enough personality to absorb classic influences without losing its own voice.

“Iron Horse” may well be the track that best encapsulates the essence of the album. The introduction, built around vocals, piano, and guitar, creates tension before the definitive arrival of classic hard rock clearly inspired by Deep Purple’s ‘70s era. The true highlight, however, lies in the sophistication of the arrangements: subtle dynamic shifts, highly expressive bass lines, and authentic vintage keyboard tones — especially the Hammond textures — enrich the composition without making it unnecessarily technical. There is undeniable musical sophistication here, but always in service of the song itself.

“Invisible” slightly expands the album’s sonic horizon by incorporating more contemporary elements into its structure. Following an atmospheric keyboard-driven introduction, the song erupts into an extremely melodic chorus supported by excellent backing vocals. Once again, the bass deserves recognition for its intricate lines and strong presence throughout the verses, while Jan Thore Grefstad delivers one of his finest performances on the album. His interpretation adds emotional depth without resorting to theatrical excess.

“Over the Mountain” reinforces the influence of classic ‘70s hard rock, yet structurally it may be one of the album’s most elaborate compositions. Tempo changes and subtle rhythmic variations provide constant movement, while modern elements discreetly emerge to prevent the song from becoming merely a tribute to the past. Once again, the band’s remarkable instrumental cohesion stands out, particularly in the effortless execution of relatively complex arrangements.

Following an introduction clearly inspired by Middle Eastern sonorities, “Arabian Night” inevitably recalls epic classics such as “Stargazer” by Rainbow. The influence of Ronnie James Dio is also strongly present in both the vocal lines and melodic construction, yet KAASIN shows enough intelligence to avoid any sense of imitation. The track possesses its own identity, especially thanks to the outstanding bass work and a beautifully crafted melodic guitar solo seamlessly integrated into the song’s narrative.

“The Descent of Souls” functions as a brief instrumental interlude that prepares the listener for the album’s finale. Synthesized guitars and keyboards create a futuristic, dark, and almost cinematic atmosphere, reinforcing the conceptual identity of the record.

The title track closes the album on an exceptionally high note. “The Underworld” sounds like an unlikely collision between Motörhead and Deep Purple: fast, heavy, and driven by a relentless rhythm section. Bass and drums operate in a near-constant state of urgency, allowing guitars and keyboards to alternate between aggressive riffs and melodic passages with remarkable fluidity. The keyboards, in particular, shine throughout the track, shifting between modern and vintage tones without losing aesthetic cohesion. It is a powerful, energetic, and highly effective conclusion.

The Underworld is a dense, heavy, and musically sophisticated album crafted for fans of ‘70s-oriented European hard rock, yet intelligent enough to resonate with contemporary listeners without sounding trapped in the past. More than simply paying tribute to giants such as Deep Purple, Rainbow, or Dio, KAASIN demonstrates a genuine understanding of the artistic essence of that era: strong songwriting, organic musicianship, and personality above fleeting trends. In a landscape where much of modern hard rock seems content recycling formulas, The Underworld stands out precisely because it feels genuine, inspired, and artistically relevant.