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domingo, 22 de março de 2026

Cobertura de Show: All Metal Stars Br – 15/03/2026 – Audio/SP

All Metal Stars na Audio: Uma Celebração de Amor e Legado ao Maestro Andre Matos

Nem a chuva de domingo, 15 de março, foi capaz de afastar o público fiel de Andre Matos da Audio, em São Paulo. A casa, que já se tornou um porto seguro para os fãs ao sediar momentos históricos como a Shaman Reunion e o projeto Shamangra, provou mais uma vez por que é um dos principais palcos do metal no Brasil. Desta vez, a atmosfera era ainda mais especial: o show serviu de cenário para a gravação do DVD oficial do All Metal Stars (Arena Produções). Vale pontuar, no entanto, que em certos momentos da noite o volume do vocal parecia estar um pouco abaixo dos instrumentos, um detalhe de mixagem que, embora perceptível, não tirou o brilho da grandiosidade do evento que está rodando o país.

Com duas bandas de respeito para a abertura dos shows, a noite começou pontualmente com os goianos da Krakkenspit. Formada por Márcio Cruvinel, Aldo Guilherme, Julian Stella e Bruno Dias, a banda apresentou o repertório do elogiado álbum Tides of Armageddon (2024). Com uma mistura impecável de metal moderno e tradicional, guitarras afiadíssimas e letras apocalípticas, o grupo conquistou a plateia. O carismático Márcio ainda brincou: "Vocês achavam que em Goiânia só tinha sertanejo?", provando que o metal do Centro-Oeste ruge muito alto. 

Na sequência, a Phornax trouxe o peso direto de Porto Alegre. Liderada pelo vocalista Cristiano Poschi — com sua nítida influência de King Diamond — e pelo baterista Mauricio Dariva, a banda mostrou a garra do metal gaúcho. A presença do lendário guitarrista Eduardo Martinez (ex-Hangar) foi um diferencial à parte, desfilando técnica refinada entre clássicos e as novas composições do álbum Hellforge.

Quando o supergrupo subiu ao palco, a Audio veio abaixo. O início foi com "pé no peito": "Carry On", o hino do metal nacional, seguido por "Here I Am" (fase Shaman) e a poderosa "Carolina IV", encerrando a primeira parte com a banda — formada por Aquiles Priester, Edu Ardanuy, Thiago Bianchi, Guilherme Torres e Saulo Xakol — em total sintonia. 

O momento mais emocionante de todos começou com a entrada de Dani Matos, irmão de Andre. Bianchi  comoveu a todos ao anunciar que D. Sonia, mãe de Dani e Andre, estava na plateia assistindo ao filho pela primeira vez. Sob um clima de nostalgia e gratidão, Dani tocou a belíssima "Wuthering Heights" (Angra) e, em seguida, cantou e tocou o clássico do Viper, a primeira banda de Andre, a "Living for the Night" (Viper), seguidas das poderosas "Stand Away" e "Make Believe" (Angra). Ainda com Dani no palco, Bianchi liderou uma comoção coletiva com "Fairy Tale". A plateia, em meio a lágrimas, cantou cada verso da música, selando um dos registros mais bonitos do DVD.

Após esse bloco, o palco recebeu mais dois convidados que engrandeceram a noite de forma contínua e emocionante. Guy Antonioli, vocalista do Tierramystica, trouxe sua voz potente para interpretar a densa e introspectiva "Letting Go". Visivelmente comovido, Guy dedicou a canção à D. Sonia, revelando que a perda recente de sua própria mãe tornava aquele momento sagrado. Logo depois, foi a vez de Chris Poschi, da Phornax, retornar ao palco para uma interpretação de arrepiar de "Lisbon", honrando a fase clássica do Angra. Entre as músicas, Aquiles Priester assumiu o microfone para apresentar a banda com muita descontração e carinho, chamando Edu Ardanuy de seu "padrinho de casamento" e celebrando o fato histórico de finalmente ter convencido o mestre da guitarra a tocar Power Metal.

O grand finale foi o encerramento do set principal com "For Tomorrow", cantada a plenos pulmões. Para o bis, o All Metal Stars reservou as icônicas "Nothing to Say" e "Angels Cry", levando a Áudio ao delírio absoluto. Foi, como Bianchi ressaltou, um show feito com o coração, de fã para fã, honrando todas as fases da genialidade de Andre Matos.

Fica apenas uma reflexão para essa noite maravilhosa, em pleno mês das mulheres sentimos falta de mulheres no palco. Temos muitas cantoras e instrumentistas incríveis que admiram a genialidade de Andre e que certamente ficariam honradas em participar e abrilhantar ainda mais essa homenagem.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Arena Produtora

Press: TRM Press


All Metal Stars Br setlist:

Carry On

Here I Am

Carolina IV

Time

Wuthering Heights

Living for the Night

Stand Away

Make Believe

Fairy Tale

Letting Go

Lisbon

For Tomorrow

Bis

Nothing to Say

Angels Cry

sábado, 1 de dezembro de 2018

Entrevista: Luís Mariutti - A Reunião do Shaman, Um Pouco de História e Planos Futuros



Luís Mariutti é uma das figuras mais queridas e expressivas do Metal brasileiro, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho principalmente como o Angra e depois Shaman, André Matos Band, e claro,  outras bandas relevantes como Henceforth, About 2 Crash e Motorguts. A nova empreitada, o Sinistra, e também a mais festejada novidade, a reunião do SHAMAN, são os principais acontecimentos da carreira do baixista neste 2018. (English Version)

São mais de 3 décadas de carreira, onde além dos grupos citados acima, Mariutti gravou com alguns dos principais nomes em termos de produção no cenário Metal, como Chris Tsangarides, Roy Z, Charlie Bauerfiend e Sascha Paeth. Reconhecidos por diversas publicações como um dos melhores baixistas do Heavy Metal mundial, como na japonesa Burrn, e no Brasil chegou a ser escolhido o melhor baixista por 12 anos consecutivos. Além do Metal, Luís também é um aficcionado por esportes, como futebol e artes marciais. Falando em futebol, quem não lembra do apelido "jesus", que recebeu no saudoso programa MTV Rock e Gol, onde Mariutti mostrava seus dotes como zagueirão!

Agora em 2018 os fãs receberam uma notícia esperada há tempos, o retorno do Shaman. E o que seria apenas um concerts, foi ganhando proporções maiores, com a reunião transformando-se praticamente numa tour e abrindo a possibilidade de um retorno definitivo, com álbum novo e tudo! Conversamos com Mariutti para falar sobre essa reunião, o futuro do Shaman, um pouco de história e outras novidades! Confira:              


"Os shows estão sendo incríveis, o que torna a convivência cada vez melhor, e é daí que saem as decisões futuras."
RtM: Olá Luís, obrigado por arrumar um tempinho pra nos responder! Sobre esse retorno com a formação original do Shaman, algo que muitos fãs esperavam e pediam. Conte um pouco para nós como foi surgindo e amadurecendo essa ideia?
Luís Mariutti: Eu já tinha conversado separadamente com todos os outros integrantes, sobre essa possibilidade, mas só com a ajuda dos fãs as coisas se desenrolaram. Acho que isso fez com que tivéssemos a dimensão do quanto eles queriam essa reunião, dando um sentido pra tudo isso.

RtM: E como vocês estão se sentindo atualmente? Para muitos, o rompimento da banda deixou um vazio, uma obra inacabada, pois se esperava uma longevidade do grupo. Você sente que é possível vocês voltarem a fazer músicas novas juntos, e quem sabe seguir de onde pararam e lançar um trabalho novo com essa formação?
LM: As coisas estão acontecendo naturalmente. A primeira ideia era um show, que viraram oito e, na minha cabeça eu gostaria de fazer bem mais. Se esses outros shows se concretizarem, teremos muito tempo juntos para pensar em um futuro para a banda.

"A ajuda dos fãs fez sentirmos a dimensão, dando um sentido para tudo isso"
RtM: Quando uma banda como o Shaman anuncia um retorno, criam-se muitas expectativas. Como tem sido o feedback dos fãs? E a demanda por shows? O que era para ser um show, se transformou numa tour praticamente. Isto pode se tornar algo maior? Acredito, inclusive, que tenha chamado a atenção de selos e gravadoras.
LM: Como disse anteriormente as coisas estão acontecendo naturalmente e de uma forma muito positiva. Temos a FreePass trabalhando conosco, e tenho a total confiança que tudo está sendo planejado da melhor maneira para todos.  Os shows estão sendo incríveis, o que torna a convivência cada vez melhor, e é daí que saem as decisões futuras.

RtM: “Ritual” foi lançado pela Universal, e inclusive emplacou um sucesso comercial que atingiu um público fora do Metal, com a balada “Fairy Tale”, que virou até tema de novela. A banda lançou um DVD e também teve uma extensa tour.  Mas apesar desses resultados houve rompimento com a Universal, e também era sinalizada uma mudança de direcionamento na sonoridade. Conte pra gente o porquê dessas mudanças e a troca de gravadora?
LM: O direcionamento musical foi uma mudança natural, foi o que saiu da banda naquele momento, não teve nada a ver com troca de gravadora. Que por sua vez foi feita, pensando em ter uma gravadora que estivesse mais próxima do Rock.

RtM: Gostaria que você comentasse um pouco sobre o “Ritual”, que foi a estreia de vocês. Luís, Ricardo e André, após a saída do Angra, e contrariando algumas expectativas, pois para muitos seria até mais confortável seguir por um caminho parecido ao da sua banda anterior, mas vocês buscaram uma sonoridade e uma cara bem própria.
LM: É um disco que me orgulha muito. Penso sempre nos discos que gravei como uma continuidade natural da minha música. Naquela época apostamos nos climas, no peso, sem esquecer das características que nos levaram ao sucesso com o Angra, inovamos. O Shaman tem muito disso, sempre buscamos dar o melhor de nós, sem fórmulas, apenas permitindo as ideias fluírem.


RtM: O “Reason” foi um disco que dividiu, e ainda divide, muitas opiniões (eu achei e acho uma baita disco! Soa mais pesado e mais “dark”, trazendo novos elementos ao som da banda). Como você avalia e vê esse trabalho agora, 13 anos depois do seu lançamento? Provavelmente muitas pessoas demoraram um pouco a entender esse disco, e mudaram de opinião.
LM: O "Reason" é um disco muito bom de tocar, eu particularmente gosto muito e, acho que as execuções nos shows tem sido surpreendentes, acho também, que isso ajuda a quem tem uma certa dificuldade em compreende-lo.

RtM: Lembro de um músico, inclusive de uma banda bem conhecida de vocês, que em uma entrevista criticou o “Reason”, dizendo que era um álbum aquém do que vocês poderiam ter feito, e que o fato de declararem ter partido para um direcionamento mais direto e pesado, era uma desculpa porque vocês haviam se transformado em músicos desleixados. Na época me pareceu também haver sido criada, por parte de imprensa e até fãs, uma certa “disputa” entre Angra e Shaman.
LM: Acho que ele deve ter ficado com inveja de termos gravando um ótimo disco com poucas notas! (risos)

RtM: De “Reason”, quais as suas faixas preferidas e as que você acha mais fortes?
LM: A "Reason" é a minha preferida, apesar de gostar de todas as composições desse disco.

RtM: Lembro que antes da separação, a banda chegou a anunciar que estaria preparando um EP com músicas novas. Existem composições que ficaram prontas? Vocês chegaram a definir o direcionamento do que seria o trabalho seguinte?
LM: As músicas que ficaram prontas saíram no disco do Andre Matos "Time to Be Free" (2007), uma delas é a "RIO".

"No Shaman sempre buscamos dar o melhor de nós, sem fórmulas, apenas permitindo as ideias fluírem."

RtM: Do alto de sua experiência, como músico, se pudesse voltar no tempo, que conselhos você daria ao jovem e iniciante Luís?
LM: Nenhum. As coisas aconteceram naturalmente na minha carreira e, tive grandes pessoas que me deram conselhos que me fizeram chegar até aqui. Consegui tudo na minha carreira através de muito esforço pessoal, me orgulho disso e não mudaria nada.

RtM: Além desses shows com o Shaman, sobre seus projetos pessoais em bandas, o que você tem de novidades para adiantar aos fãs?
LM: Estou gravando para a banda Sinistra (foto abaixo) que conta com Edu Ardanuy (guitarra), Nando Fernandes (vocal), Rafael Rosa (bateria), e é uma banda com uma pegada Sabbath, cantado em português. Está ficando muito bom e, será lançado ano que vem, fiquem ligados! Mantenho também a banda Dirty Dogz com o atual vocalista do Viper, o Leandro caçoilo, onde fazemos clássicos do Metal e hard rock. Fora o meu canal no youtube que tem quase 20000 inscritos e tenho me dedicado semanalmente a ele.


Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

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Interview: Shaman - Luís Mariutti talks about the group's reunion and future plans.



Luís Mariutti is one of the most beloved and expressive figures of Brazilian Metal, recognized worldwide for his work mainly as Angra and later Shaman, André Matos Band, and of course, other relevant bands like Henceforth, About 2 Crash and Motorguts. The new venture, the  brazilian supergroup Sinistra, and also the most celebrated novelty, the return of the band SHAMAN, are the main events of the bassist's career in this 2018.  (Versão em Português)

Mariutti has recorded with some of the top names in terms of production in the Metal scene, such as Chris Tsangarides, Roy Z, Charlie Bauerfiend and Sascha Paeth. Recognized by several publications as one of the best bassists of the world Heavy Metal, as in the Japanese Burrn, and in Brazil was named the best bass player for 12 consecutive years. In addition to Metal, Luís is also a sports fan, such as football and martial arts. Speaking of football, who does not remember the nickname "jesus", who received in the late program on MTV Brazil, the "MTV Rock and Gol" (a football tournament with musicians), where Mariutti showed his skills as a defender!

Now in 2018 fans finally had their prayers answered with the Shaman's reunion. And what would only be one concert, was gaining greater proportions, with the reunion turning almost into a tour and opening the possibility of a definitive return, with new album and everything! We talked to Mariutti to talk about this return, the future of the Shaman, a bit of history and other news! Check out:

"The shows are being incredible, which makes coexistence better and that's where future decisions come from."
RtM: Hello Luís, to start the interview, let's talk about this return of the Shaman's original lineup, something that many fans expected and asked for. Tell us a little bit about how this idea came out and maturing?
Luís Mariutti: I had talked separately with all the other members, about this possibility, but only with the help of the fans things unfolded. I think that made us measure the size of how much they wanted this return, giving a sense to all of this.

RtM: Great! And how are you feeling right now? For many, the breakup of the band left a void, an unfinished work, because they expected a longevity of the group. Do you feel that it is possible for you to start making new songs together, and maybe a new album?
LM: Things are happening naturally. The first idea was a show, which turned eight, and in my head I would like to do much more. If these other shows come to fruition, we'll have plenty of time together to think of a future for the band.

RtM; When a band like the Shaman announces a return, there are many expectations. How has feedback from fans been? And the demand for shows? What was meant to be one show, had turned in more dates. Can this become something bigger? I even believe he has caught the attention of labels and labels.
LM: As I said earlier things are happening naturally and in a very positive way. We have FreePass management working with us, and I have the complete confidence that everything is being planned in the best way for everyone. The shows are being incredible, which makes coexistence better and that's where future decisions come from.

"...The help of the fans made us measure the size of how much they wanted this reunion"
RtM: "Ritual" (2002), the first album, was released by Universal Music, and even had a commercial success that reached an audience outside of Metal, with the ballad "Fairy Tale", which turned to the theme of the novel. The band released a DVD and also had an extensive tour. But despite these results, there was a break with Universal, and a change of direction in sound was also signaled. Tell us why these changes and the change of record company?
LM: The musical direction was a natural change, it was what left the band at that time, had nothing to do with change of record. Which in turn was made, thinking of having a label that was closer to Rock.

RtM: I would like you to comment a little more about the album "Ritual", which was your debut. Luís, Ricardo and André, after the departure of the Angra, and contrary to some expectations, for many it would be even more comfortable to follow a path similar to that of his previous band, but you looked for a sound and a face of your own.
LM: It's a record that I'm very proud of. I always think that all the albums I recorded are a natural continuity of my music. At that time we bet on climates, weight, not forgetting the characteristics that led us to success with Angra, we innovate. The Shaman has a lot of it, we always try to give the best of ourselves, without formulas, just allowing ideas to flow.

RtM: The  album "Reason" (2005) was an album that divided, and still divides, many opinions (for mi it's a great album! It sounds heavier and more "dark", bringing new elements to the sound of the band). How do you rate and see this work now, 13 years after its release? Probably many people took a while to understand this album, and they changed their minds.
LM: "Reason" is a very good album to play, I particularly like it a lot and I think the performances at the shows have been surprising, I think, too, that this helps those who have a hard time understanding it.


RtM: I remember a musician, including a well-known band of yours, who in an interview criticized "Reason", saying that it was an album short of what you could have done, and that declaring that the reason you had departed for a more straight and heavy sound, it was an excuse because you had turned into sloppy musicians. At the time it seemed to me that a certain "dispute" between Angra and Shaman had also been created by the press and even some fans.
LM: I think he must have been envious of having recorded a great record with few notes! ha ha ha

RtM: From "Reason", which are your favorite tracks and which do you think are the strongest?
LM: The title-track "Reason" is my favorite, although I like all the compositions of this album.

"Shaman always try to give the best of , without formulas...
                        just allowing ideas to flow."
RtM: I remember that before the split, the band even announced that it would be preparing an EP with new songs. Are there compositions that are ready? Have you ever defined the direction of what would be the next album?
LM: The songs that were ready came out on the album of Andre Matos "Time to Be Free" (2007), one of them is the song "RIO".

RtM: From the height of your experience, as a musician, if you could go back in time, what advice would you give to young and novice musician Luis Mariutti?
LM: None. Things happened naturally in my career and I had great people who gave me advice that made me come here. I have achieved everything in my career through a lot of personal effort, I am proud of it and would not change anything.

Mariutti's new project in a Black Sabbath vein: with Rafael Rosa, Fernando Fernandes, Edu Ardanuy and, of course, Luís.
RtM: In addition to these shows with the Shaman, about their personal projects in bands, what you have of news to postpone
LM: I'm recording for the Sinistra band that counts with Edu Ardanuy (guitar), Nando Fernandes (vocal), Rafael Rosa (drums), and is a band with a Sabbath footprint, sung in Portuguese. It's getting really good and it will be released next year, stay tuned! I also keep the band Dirty Dogz with the current Viper vocalist, Leandro Caçoilo, where we do Metal Classics and Hard Rock. Out my channel on youtube that has almost 20,000 subscribers and I have devoted myself weekly to it.

Interview by: Carlos Garcia




Shaman are:
Andre Matos: Vocals
Luís Mariutti: Bass
Hugo Mariutti: Guitars
Ricardo Confessori: Drums
Fábio Ribeiro: Keyboards (guest musician)

       

       

       

 

domingo, 12 de novembro de 2017

Cobertura de Show – Rock Na Praça 5: (08/10/2017 – Vale do Anhangabaú – SP)



Andre Matos, Supla, Krisiun, Malta, Claustrofobia, Kiara Rocks, Oitão, Sioux 66, Pomparça, Trayce e Screams Of Fate

O mês de setembro foi movimentando de grandes shows pelo Rock In Rio e na São Paulo Trip, realizado no Alianz Parque. Sem perder o ritmo da coisa, só que mais diferente, o mês de outubro iniciou pesado com mais uma edição do Rock Na Praça, mantendo a tradição, desde 2015, de promover shows de grandes nomes do Rock/Heavy Metal nacional em caráter gratuito e ao ar livre, marcando a sua 5º edição de grandes renovações perceptíveis e elevadas.

Pra edição desse ano, o idealizador Fabricio Ravelli e o vocalista Marcello Pompeu (Korzus) resolveram ampliar o conceito do evento tanto na parte de produção e do casting de bandas participantes, que nas edições anteriores, eram concentradas apenas 4 bandas num só palco. Mas esse número cresceu, trazendo 11 bandas reunidas em 2 palcos, novamente realizado no Vale do Anhangabaú e apontando um feito inédito ali pelas redondezas, já que nem a Fifa Fan Fest, na Copa Mundo de 2014, conseguiu impor tal logística.

O mais interessante nessa tentativa é a união de grupos de diferentes estilos, o que nos leva a ter respeito com os diversos gostos musicais. E a seleção de bandas partia de nomes do underground até o mais ‘main-stream’, podendo conferir de tudo e pouco em apresentações que duravam em torno de 1h30. E pra quem esteve presente, não teve do que reclamar, sabendo lidar com as diferenças de um e de outro numa civilidade orgânica, fator que sempre chama atenção em se tratando de Rock Na Praça.

Screams of Fate
Agraciados por um favorável e sem qualquer ameaça de chuva, Fabricio deu a largada na festa às 13h55, chamando ao palco os caras do Screams Of Fate, sendo a surpresa do dia. Formado por Clayton Bartalo (vocal), Alexandre Bovo (guitarra), Vicente Moreno (baixo e vocal) e Marcelo Toselli (bateria), o quarteto, de Guarulhos, agradou o publico (que já era grande) através de groove e peso, onde o repertório foi baseado no mais recente trabalho, “Neorganic” (2016), com as faixas “Evil” e “Spilling Hate”. “Depression”, do EP “Corrupted”, animou todos, contando com a participação do vocalista Marcelo Carvalho (ex-Trayce).

Pulando rapidamente para o palco Anhangabaú, Glauber Barreto, vocalista e guitarrista do Válvera, anunciou a próxima atração do dia: o Trayce, vencedora da seletiva que o evento organizou para as bandas terem oportunidade de tocar no dia, subindo ao palco às 14h25. A apresentação pecou um pouco pela baixa qualidade de som, mas que não comprometeu no aspecto intenso e vigoroso, destacando as faixas “Réus”, “Corpo Fechado” e “Domadores”. O mais legal foi ver o quarteto vestido com as camisetas das bandas que participaram da seletiva, atitude bastante respeitosa por parte da banda.

Trayce
Novamente ao palco Rocks, chegou à vez da exclusividade do festival entrar em cena, às 14h50. O Pomparças, formado por conhecidos nomes da cena, entre eles Marcello Pompeu (vocal, Korzus), Heros Trench (guitarra, Korzus), Marcelo Soldado (guitarra, Coração de Heroi, ex-Korzus), Fabio Romero (baixo, Threat) e Henrique Pucci (bateria, ex-Project46), desfilaram clássicos do Rock e Heavy Metal que balançaram todo o Vale do Anhangabaú, indo de “HighwayToHell” (AC/DC), “War Machine” (Kiss), “Orgasmatron” (Motörhead, participação de Milena Monaco, Sinaya) e de hits do Slayer, como “South Of Heaven” e “Raining Blood”.

Pomparças
O Thrash Metal deu lugar para o Hard Rock, e quem teve a missão de cumprir esse dever foi do Sioux 66, às 15h20, no palco Anhangabaú. Recebendo a benção de Victor Guilherme (Mattilha), o quinteto, montado por Igor Godoi (vocal), Mika Jaxx e Bento Mello (guitarras), Fabio Bonnies (baixo) e Gabriel Haddad (bateria) se mostraram estáveis e convictos, cativando quaisquer tipos de fãs de Hard Rock ali presentes, evidenciando às memoráveis “Porcos”, “O Calibre” (releitura do Os Paralamas do Sucesso) e “Outro Lado”.

Sioux 66
Chegando à metade do casting, às 15h55, Vini Castellari (Project46) convocou o pessoal do Oitão, sucedido por uma das apresentações mais quentes da tarde, lançando o foda-se em tudo com músicas de puro protesto e revolta contra o governo. E Henrique Fogaça (vocal, conhecido também por ser "chef" e da comissão de jurados do programa MasterChef Brasil), Ciero (guitarra), Ed Chavez (baixo) e Marcelo BA (bateria) não deixou fúria e raiva em falta com os resquícios de Thrash Metal, Crossover e Hardcore, salientando a paulada “Tiro na Rótula”, a violenta “Trevas” e a frenética “Chacina”, tendo a participação de Marcão (ex-Lobotomia), ultimando dignamente com “Imagem da Besta” e “Podridão Engravatada”.

Oitão
Às 16h30, o Kiara Rocks reativou os falantes do palco Anhangabaú, que ainda apresentava um som bem abaixo do esperado. Voltando de um hiato que quase resultou no fim da banda, Cadu Pelegrini (vocal/guitarra), Bruno Carmo (guitarra), Raul Barroso (baixo) e Junior Van Loon, demonstraram uma aparição meio morna, mas sólida, demostrando uma volumosa carga em músicas como “Marcas e Cicatrizes”, “Sinais Vitais” e “Não Vai Adiantar”, com Marcelo de Carvalho roubando mais uma vez a cena, além do cover de “Ace Of Spaces” (Motörhead).

Kiara Rocks
Quase impossível de se locomover e mudar de lugar, o Claustrofobia implantou uma peleja que arruinou as extremidades do palco Rocks, colidindo todos os que estavam perto do outro palco para formar fustigas rodas. E o trio, formado por Marcus D’Angelo (guitarra e vocal), Daniel Bonfogo (baixo) e Caio D’Angelo (bateria) correspondeu com o calor do publico por intermédio do ‘Metal Maloka’, jargão inventado pela banda, executando momentos mais recentes da carreira como “Generalized Word Infection”, “Paulada” e “Pino da Granada”, e ainda uma versão mais pesada de “Rapante”, dos Raimundos.

Claustrofobia
Encarando qualquer tipo de ironia e superando os obstáculos, o Malta entrou no palco no fim da tarde com um set de poucas músicas próprias, apostando num repertório praticamente montado de covers do Rock mundial e nacional, passando por “Highway To Hell” (AC/DC), “Killing In The Name” (Rage Against The Machine), “In The End” (Linkin Park), “Até Quando Esperar” (Plebe Rude) e “Que País é Esse?” (Legião Urbana), realçado das exclusivas “Igual a Ninguém” e “Indestrutível”. Vencedora do reality show global “Superstar”, o quarteto, que da formação original estão presentes Thor Moraes (guitarra), Diego Lopes (baixo) e Adriano Daga (bateria), vem atravessando uma nova fase, com Luana Camarah assumindo o posto de ‘front-woman’ da banda.

Malta
Enquanto o Malta tocava no palco Anhangabaú, o Krisiun dava os últimos ajustes pra, logo em seguida, infernizar o palco Rocks. O clamor do público era forte, vindo de ovações e delírio. E o trio, composto por Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne, inaugurou a noite atirando brutalidade e energia, mostrando que hoje é o nome mais pertinente do Death Metal, abrangendo toda intensidade para as clássicas “Combustion Inferno”, “ViciousWrath”, “Blood Of Lions”, “Killing of Killing” e “Ace Of Spades” (Motörhead).


Krisiun
O Punk Rock fechou as atividades do palco Anhangabaú com uma apresentação pra lá de festiva e animada, surpreendendo com a produção de palco e do time coeso que vem acompanhando o Supla, que tem nomes conhecidos como Bruno Luiz (guitarra, Command6, Storm Sons), Henrique Baboom (baixo, Storm Sons) e Ed Avian (bateria, Tales From The Porn). O set foi recheado de clássicos, tendo no repertório “Garota de Berlin”, “Green Hair (Japa Girl)” e “O Charada Brasileiro”, além de releituras de “Imagine” (John Lennon) e “Pet Sematary” (Ramones), destacando também a irrelevante “TripScene”, que fez parte do projeto Psycho 69.


Tristemente, o fechamento do festival causou certa decepção e deslizes, e Andre Matos, ao lado de Hugo Mariutti (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Rodrigo Silveira (bateria), encerrou a 5º edição do Rock Na Praça com um show muito abaixo do esperado, vendo o vocalista não tão disposto e fora da sua forma ideal de voz, além do som ruim, culminando com uma falha geral durante uma das músicas. Já que a parte técnica transgrediu de maneira esdruxula, o set pelo menos era interessante, com clássicos do Angra, como “Nothing To Say” e “Lisbon”. “Fairy Tale” e “Time Will Come”, relembrando a fase áurea do Shaman; “I Will Return” e “Liberty”, salientando a fase solo do Andre, e “Inside” e “Sign Of The Cross”, presentes na Opera Metal Avantasia, encerrando com a magistral “Carry On”.


O Rock Na Praça vem se tornando obrigatoriedade no calendário cultural e Rock In Roll de São Paulo, garantindo, pelo Fabricio Ravelli, a 6º edição para o ano que vem. E em conversa com este redator, o próprio revelou que o evento pode se espalhar em mais cidades paulistanas. Aguardemos as surpresas para 2018...

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless / Dener Ariani

Edição Revisão: Carlos Garcia 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Cobertura de Show - Turnê de "Angels Cry" Retorna à Porto Alegre/RS em grande estilo!


No dia 09/11 (domingo) a capital gaúcha recebia mais uma vez a maior voz do Heavy Metal nacional, Andre Matos, que retornava ao Sul para parte final da tour de comemoração dos 20 anos do disco “Angels Cry”.

Em 2013 Andre tinha aportado em Porto Alegre para primeira parte da turnê, mas como tem uma grande identificação com o povo gaúcho retorna para os shows finais, em um formato ainda mais especial e completo conforme o próprio vocalista nos relatou em entrevista exclusiva  (leia  AQUI).

Desta vez o local escolhido para o show foi o Bar Opinião e para abertura tivemos os gaúchos da Daydream XI, que fizeram um ótimo show, onde estavam divulgando seu disco de estreia “The Grand Disguise”, e mostraram que estão bem afiados, pois a proposta é um Prog Metal bem pesado, mas com bastante virtuose e vocais mais rasgados.


A precisão da banda impressiona, além de serem bem carismáticos com o público, aquecendo de forma competente os fãs.

Então era hora da banda Andre Matos entrar em cena, marcado para as 21h, o show teve um pequeno atraso, cerca de 20 min, tempo para o modesto público se aglomerar na pista. O primeiro a subir no palco foi o baterista Rodrigo Silveira, que levou a galera aos gritos e logo em seguida Hugo Mariutti (guitarra), Bruno Ladislau (Baixo), Andre Hernandes (guitarra) e por fim a lenda Andre Matos, abrindo o set com “Liberty”, faixa esta de seu ultimo disco “The Turn of The Lights”.

De primeiro momento não tivemos nenhuma alteração em relação ao set do show do ano passado, sendo que as músicas mais recentes foram as que menos empolgaram, deixando o destaque para “Lisbon” (da era Angra, mais precisamente do disco “Fireworks”), “Farytale” (da sua época com o Shaman), “Rio” (única faixa de sua carreira solo que realmente empolgou os presentes) e claro a infalível “Living For The Night” (do clássico “Theatre of Fate”).


Andre se demonstrou bem comunicativo e a vontade, falando que eles iriam tocar o quanto quisessem e que teríamos surpresas e neste meio termo alguns da plateia gritaram Helloween, Hugo disse que não tinham ensaiado, mas Andre foi lá e fez uma bela versão "a capela" de “Eagle Fly Free” com todos os presentes cantando junto. A banda que o acompanha também é de altíssimo nível, seja pela precisão das músicas executadas ou pela técnica individual de cada músico.

Mas de fato o que todos aguardavam era o “Angels Cry” na integra que Andre ressaltou que é uma tour que deixara saudade, pois chegaram no amadurecimento que queriam, onde executam as faixas desse grande disco com total maestria, deixando todos os fãs satisfeitos.

Então o grande momento chega quando “Unfinished Allegro” ecoa nas caixas, e “Carry On” explode, transformando a casa em um caldeirão, e vale destacar a ótima forma vocal de Matos, cantando facilmente. Sem tempo de respirar “Time” (execução perfeita), “Angels Cry” (gerando euforia em todos os presentes) e “Stand Way” (com Andre soltando o vozeirão) deixam os fãs extasiados, pois a perfeição que eram executadas era digno de aplausos.


Eis uma das mais aguardadas da noite: “Never Understand”, com seu clima folclórico, mostrando muita precisão e com os fãs cantando a plenos pulmões. Após os solos de guitarra de Hugo e Hernandes, “Whutering Heights” toma forma e mostra porque Andre Matos é considerado um dos melhores vocalistas do mundo.

Como falado no começo do show Andre tinha falado que teríamos algumas surpresas, e ao repetir isso deixa o palco e Hugo assume os microfones, e “Enter Sandman” do Metallica entra em cena, em uma bela versão, sendo bem fiel a original.

Chegando na parte final do show, “Streets of Tomorrow” e “Evil Warning” chegam para causar comoções mútuas, e prova que “Angels Cry” é mais que um clássico, mas sim faz parte da vida de muitos como trilha sonora.


Fechando já três horas de show, e antes de fechar com “Lasting Child”, “Nothing to Say” chega fazendo os fãs berrarem seu refrão mostrando que sim, Andre tem que fazer a tour de 20 anos do álbum “Holy Land”.

Com tudo que tivemos a banda Andre Matos não precisaria tocar mais nada, pois era notória a satisfação dos que os viam, mas não foi assim que a banda pensou e presenteou os fãs com versões matadores de “Painkiller” do Judas Priest e “Wasted Years” do Iron Maiden.

Para deixar a apresentação ainda mais intimista Andre pede para o público cantar o hino Rio-grandense, e declara todo seu carinho pelo Sul, e informando em primeira mão que iremos receber um dos primeiros shows da nova turnê em 2015.


Após esse momento marcante “Breaking the Law” do Judas entra em cena e enfim “Lasting Child” finaliza essa apresentação que pode ser considerada épica e mais do que satisfatória.

Agora é aguardar a próxima tour, pois certamente teremos algo tão especial quanto o que presenciamos nesse show. Parabéns a Abstratti Produtora por mais um grande evento na capital gaúcha!


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas
Edição/revisão: Renato Sanson







quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Entrevista - Andre Matos: O Rei Nunca Perde a Majestade


Certamente o maior vocalista brasileiro dentro do Metal, esse é Andre Matos, carismático, batalhador e muito atencioso com seus fãs. São mais de 20 anos de carreira, e por onde passou deixou sua marca com grandes sucessos, como: Angra, Viper, Shaman e etc.

Atualmente comemorando os 20 anos do álbum que o projetou para o mundo “Angels Cry”, que chega na parte final da turnê com saldo extremamente positivo.

E é com essa lenda que batemos um papo, onde Andre fala de seus planos futuros, de “Angles Cry” entre outras coisas de sua carreira de grande relevância.

Confira agora mesmo:


Road to Metal: Em 2013 você retornava a Porto Alegre/RS para primeira parte da tour de 20 anos do disco “Angels Cry”. E uma semana antes do show os ingressos já estavam esgotados. Como foi aquela apresentação para banda?

Andre Matos: Foi um grande reconhecimento. E serviu também de alavanca para continuarmos firmes na proposta da turnê, pois a resposta do público foi fantástica. Tenho um carinho especial pelo público Rio-grandense, que acompanha minha carreira desde sempre e nunca falta a qualquer apresentação no Estado. E olha que já fiz apresentações de vários tipos: com as bandas anteriores, projetos paralelos e até mesmo os inesquecíveis concertos junto à Orquestra da Ulbra. Algum tempo atrás, estivemos em Torres; não sabíamos o que esperar. Me tocou bastante o fato de que, além do público local, houve gente que cruzou o Estado viajando 400, 500 quilômetros apenas para nos ver. Essa é a grande satisfação de se ter um público extremamente fiel.

RtM: E qual expectativa para essa nova volta onde divulga a segunda parte da tour de comemoração de “Angels Cry”?

AM: É o retorno depois de tanto tempo passado daquele primeiro show, e também um tipo de despedida. Esta turnê se estendeu bem além do planejado; não sabíamos que havia tanta gente querendo ver, e tivemos de nos desdobrar para chegar aos lugares onde não tínhamos ido ainda. Ao mesmo tempo, os que já viram queriam ver mais uma vez. E, de fato, depois de incorporar bem este repertório, posso dizer que nos sentimos bem mais à vontade e que neste momento chegamos à plenitude em termos de execução das músicas. Na minha opinião, o show está perfeito; se pudesse, não pararia tão cedo - porém tem de haver uma renovação a cada ciclo e é hora de irmos nos despedindo deste formato, que certamente deixará saudades.

RtM: Teremos alguma surpresa no setlist?

AM: Desde aquele primeiro show em POA muita coisa mudou; a própria dinâmica da apresentação está "turbinada". Teremos surpresas, sim. Normalmente, não tocamos menos de 2h30 - mas há casos em que, dependendo do público e do clima, chegamos a ultrapassar às 3 horas de show. Que todos se preparem, pois isso pode perfeitamente acontecer.


RtM: Outro disco que em breve estará completando 20 anos será o clássico “Holy Land”, você planeja algo dessa mesma intensidade para comemorar?

AM: Há muitos e muitos pedidos neste sentido. Chegamos a um ponto na carreira em que não se pode negligenciar os marcos definitivos. Estamos começando a planejar os passos para o ano que vem, e é lógico que isto vem à tona. Se fizermos, será para fazer à perfeição. Aguardem as novidades.

RtM: Em contrapartida a banda Andre Matos continua a divulgação de “The Turn of the Lights” (2012), como está sendo a aceitação do público? E teremos material novo em breve?

AM: Considero o The Turn of the Lights um dos melhores álbuns de minha carreira como um todo (seria injusto escolher "o melhor"). Vimos apresentando as músicas deste álbum durante toda esta turnê. Porém ainda não tocamos todas elas ao vivo. Um disco normalmente tem um tempo de maturação, tanto para os músicos quanto para o público. E o "The Turn of the Lights" está alcançando este ponto exatamente agora, dois anos após seu lançamento. Ou seja: ainda há muito o que mostrar ao vivo de todo esse material, e pretendemos continuar trabalhando nisso, seja nesta ou numa futura turnê. Quanto a material novo, já começamos a desenvolver ideias, mas resolvi não me impor qualquer prazo definitivo. Há muitos projetos em pauta e vamos dando forma a eles na medida em que os mesmos forem amadurecendo naturalmente.



RtM: Andre gostaria que nos fala-se um pouco da importância de “Angels Cry” em sua carreira e de como surgiu a ideia de fazer a tour de 20 anos.

AM: Começando pela ideia, esta surgiu depois da turnê de reunião do Viper, onde executamos na íntegra os dois primeiros álbuns. Aquilo foi algo que nos trouxe bastante satisfação, principalmente ao ver o tipo de reação e emoção que provocava em boa parte do público. Não estou no Angra há tempos, porém como um dos fundadores da banda e dos criadores do "Angels Cry", resolvi assumir a tarefa de reproduzir a mesma experiência.

Tenho a sorte de contar com uma banda de primeira categoria, que soube executar e interpretar o álbum com perfeição. Talvez até melhor do que o que fazíamos na época - dada a nossa falta de experiência então. Além disso, a presença do André Hernandes e do Hugo Mariutti na banda - que são músicos que, de certa forma, vivenciaram de perto todo aquele período , ajudou ainda mais que o resultado final soasse 100% original. O "Angels Cry" foi minha primeira experiência internacional, trabalhando junto a produtores renomados e estúdios lendários. Muito do que sei hoje, aprendi naqueles meses de preparação e produção.

 Apesar de ter sido um período intenso, tenho boas lembranças de tudo - e obviamente tudo isso transparece ao vivo. As músicas também são especiais e tenho um prazer especial ao cantá-las novamente cada vez, e também compartilhar esses momentos com o público que, assim como eu, também considera muitas dessas músicas como uma espécie de "trilha sonora" de algum momento em suas vidas. Importante ressaltar que, nada disso faria sentido se não executássemos o álbum na íntegra. Esse foi o grande desafio no início da turnê. Agora, no final da turnê, além de empolgante, passa a ser especial: sentiremos bastante falta, quando acabar. Quem sabe daqui a 10 anos, novamente? (risos)

RtM: Nessas, quase, três décadas de profissão na música, o que mais mudou positiva e negativamente?

AM: Praticamente nada. Mudam os desafios, muda a velocidade, muda a tecnologia. Mas, na essência, a busca é a mesma. E a motivação também. Poderia elencar uma série de diferenças - não mudanças - que surgiram em três décadas; mas temos a sorte de lidar com algo imponderável que é a música, levando-se em conta todos os altos e baixos. Feliz ou infelizmente (depende do ponto de vista), a música não pode ser replicada artificialmente - e, sob esse aspecto, o fato de se excursionar e tocar ao vivo hoje mais do que antes, é extremamente positivo. Pois é somente aí que se tira a prova dos nove: e os bons realmente sobressaem. Portanto, a busca pela perfeição e pelo fator surpresa da música (como em qualquer forma de arte) permanece a mesma. Dos tempos de Bach até os dias de hoje.


RtM: Como você administra o relacionamento música e vida pessoal, quando está trabalhando no processo criativo? Você deixa outras pessoas de fora da banda ter contato com as composições, ou prefere isolar-se?

AM: É exatamente ao contrário. Considero que necessito das ideias e opiniões dos meus companheiros - e também de terceiros - para que não me perca numa suposta bolha criativa que pode acabar engolindo somente a mim e a ninguém mais. Temos de pensar esse processo como um diálogo: de nada adianta criar um monólogo que vai apenas em uma direção sem saber se isto reverbera do outro lado.

Composição é de fato um tipo de doação, onde se expõe muito de um universo próprio; porém não se pode deixar de lado o caráter de comunhão com o resto do mundo, senão de nada vale. A função do artista é reinterpretar e reapresentar uma realidade - ou as fantasias surgidas dela - numa visão essencialmente subjetiva. Se isto não encontra eco nas outras pessoas, não é arte. Mesmo que este eco demore tempos para retornar... Muitas vezes as obras estão à frente de seu tempo. Mas é esta certeza de que se pode ajudar a "acender uma luz" na alma dos outros que nos move pra frente. 


RtM: Sobre o álbum ao lado de Timo Tolkki, como você se sente a respeito desse trabalho, sobre o qual havia uma expectativa grande, porém não obteve a repercussão esperada. E também gostaria que você comentasse sobre as declarações de Timo, que ficou descontente quanto aos shows aqui no Brasil, reclamando da infraestrutura, logística e shows em lugares menores do que os esperados.

AM: Eu não comento essas declarações, porque são exclusivamente de responsabilidade dele. Para mim, estava tudo indo muito bem. Foi uma surpresa, não apenas para mim, como para todos os demais que faziam parte do projeto, o momento em que o Timo anunciou que interromperia tudo até então, e que tinha inclusive planos de deixar a própria carreira musical.
 Nos coube apenas respeitar a sua decisão. Obviamente, lamentamos, pois a banda era muito boa. Para mim foi uma honra ter feito parte deste projeto junto a músicos incríveis - incluindo o próprio Timo - e prefiro me ater aos bons momentos que passamos juntos. De qualquer forma, era claro para mim que minha prioridade era a carreira solo e o Symfonia uma banda paralela. Talvez a última na qual tenha me aventurado.

RtM: Depois de tantos anos na música, ter um reconhecimento no Metal mundial, para essa geração mais recente que conselhos você daria e que elementos você acredita que são essenciais para uma banda se diferenciar no cenário, consolidar-se e ter uma longevidade?

AM: Fazer música pela paixão que se tem pela música apenas - e excluir quaisquer outros motivos fúteis. Isto não é receita de sucesso (pois este depende de uma série de fatores, alguns até desagradáveis) - mas é um segredo de longevidade: evoluir fazendo o que se gosta e se acredita, independente de "dar certo" ou não. Não se pode medir o verdadeiro sucesso pelo acúmulo material, nem em função do "status". O verdadeiro sucesso é saber que você fez alguma diferença com a sua obra, e este é um prazer bastante subjetivo que, na minha opinião, não deve ser ostentado por ninguém.


RtM: Gostaria de saber os seus planos futuros, se você tem em mente algum trabalho buscando, quem sabe, elementos fora do Metal, como no Virgo, ou, quem sabe nem saindo fora dos seus trabalhos mais aclamados, mixando Metal, música clássica e elementos da música brasileira e latina, como no Angra e Shaman. Quem sabe uma Opera Rock/Metal?

AM: Sempre houve tais planos. E enquanto eu estiver na ativa, sempre haverá. Como disse anteriormente, aguardem as novidades. Elas virão certamente. Tive muitas experiências novas e interessantes nos últimos anos que também me influenciaram e trouxeram novas ideias. É praticamente impossível ficar parado no tempo; certamente muitos desses projetos serão os que nortearão minha carreira daqui pra frente. Obrigado!


Entrevista por: Renato Sanson/Carlos Garcia/Uillian Vargas
Edição/revisão: Renato Sanson
Imagens: Divulgação