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terça-feira, 19 de julho de 2022

Carniça: “Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal”

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Mauriano Lustosa (vocal) – Banda: Carniça de Novo Hamburgo/RS

 

“A New Medium Ages” nasceu ao meio de um turbilhão pandêmico. Como foi lidar com isso para o processo de gravação?

O lance da pandemia de uma certa forma até nos ajudou. Como toda a banda respeitou o isolamento social, ficamos em nossos estúdios compondo e gravando. Tivemos tempo de sobra para a elaboração do álbum.

Para o novo álbum também tivemos a estreia do novo baixista, Kaue Muller. Que diga-se de passagem fez um excelente trabalho. A Carniça está com a sua melhor formação até o momento?

O Kaue é um excelente músico e baita parceiro. Seria injusto com os membros que passaram dizer que estamos com a melhor formação de nossa carreira. O justo é dizer que o Kaue se encaixou perfeitamente com a proposta da banda e é um músico muito, mas muito talentoso.

 


A Carniça sempre buscou trazer em suas letras o seu posicionamento contra um sistema e um país falho como o nosso. Porém em “A New Medium Ages” temos isso ainda mais forte e latente. Foi proposital ou surgiu naturalmente?

O contexto atual de país nos levou naturalmente a isto. Estamos vivenciando coisas surreais tanto na política, cotidiano, costumes sociais e religiosos. Nunca nos calamos ou tomamos partido para A ou B. Continuaremos firmes expondo a podridão e hipocrisia do ser humano.

Passados dois anos de pandemia enfim os shows retornaram e vocês voltaram aos palcos. A ansiedade estava a mil?

Estava!!!! Muito tempo longe dos palcos. Porém nos adaptamos e partimos para as lives, entrevistas online, etc. E vale ressaltar que nossas lives eram tocadas mesmo, LIVES DE FATO. Não "dublagens" que muitas bandas fizeram por aí… O retorno foi grandioso. Já fizemos muitos shows e o público está respondendo muito bem!

Musicalmente, a Carniça vem evoluindo a cada lançamento. As estruturas soam cada vez mais solidas e características. Tendo o que poucos conseguem: ouvir e sacar logo de cara de quem se trata. E vocês fazem isso com maestria. O quanto as referências musicais de cada um influenciam na hora de compor?

Não nos amarramos a fórmulas.  Não somos uma banda de Death, Thrash, Power ou qualquer subgênero. Na minha visão estes subgêneros somente enfraqueceram o Heavy Metal. Até “brincamos” que somos "Heavy Rotten Metal. Mas isso é um conceito criado justamente para exorcizar estes subgêneros. As influências ajudam muito, pois, cada integrante curte diversas VERTENTES do Heavy Metal.

 


“A New Medium Ages” seria o melhor disco da banda até agora?

Não digo que seria o melhor, pois cada álbum reflete uma época, uma situação da banda. Em todos nossos álbuns eu vejo músicas de grande potencial. “A New Medium Ages” é o álbum da vez, e nele colocamos muita energia e dedicação.

Referente a shows, o que a Carniça pretende para 2022?

Já realizamos diversos shows, inclusive em SC. Estamos planejando shows em SP e RJ. Porém com todas as adversidades que o underground tem, tudo deve ser muito bem planejado.

Uma curiosidade bastante interessante são os covers que fecham cada álbum. Venom, Slayer, Wasp, Sarcofago e agora Iron Maiden (“Powerslave”). Sabemos da importância da banda principalmente para você que é vocalista e um grande fã do Bruce Dickinson. Como surgiu a ideia e como foi esse desafio?

Isso mesmo! Sempre homenageamos bandas que gostamos em nossos álbuns e não poderia faltar NUNCA o Maiden!!!! Já tínhamos tocado a “Powerslave” em inúmeros shows no começo dos anos 2000. Sendo assim, o processo foi muito fácil e o resultado nos deixou muito, mas muito satisfeitos.

 


É sempre um prazer conversar com uma das melhores bandas de Metal do Brasil e do mundo. Que a Carniça tenha mais 100 anos de atividade e continue nos brindando com sua música verdadeira, agressiva e pesada. Obrigado e o espaço final é todo de vocês!

Primeiro muito obrigado pelo elogio. Não posso dizer que somos uma das melhores bandas, mas posso dizer que fazemos essa porra andar a 31 anos e sempre com muito prazer e satisfação! É graças a grandes parceiros como vocês que ainda nos dá gosto de seguir em frente! Muito obrigado pelo espaço sempre presente e à atenção dedicada pela Road To Metal!!!!


Fotos: Everson Krentz


Links:

https://www.facebook.com/CarnicaOfficial

https://www.instagram.com/carnicaofficial/

 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carniça: evolutivo e despejando a podridão de um país

Resenha por: Renato Sanson 

Após cinco anos de seu último lançamento, eis que os gaúchos da Carniça nos brindam com seu 5° álbum de estúdio o poderoso “A New Medium Ages”. Produzido pela própria banda tendo a mixagem feita no From Hell Studio, por Henrique Fioravanti temos uma produção apurada e atual ainda que a veia old school possa imperar, a Carniça não se limita e nos apresenta um Thrash/Death Metal mais evoluído e não parado no tempo.

As composições soam enérgicas e cheias de estruturas marcantes, principalmente as melodias que se destacam da guitarra de Parahim Neto. Sem contar os riffs animalescos e pesados, que fazem dupla perfeita ao trator chamado Marlo Lustosa na bateria e ao estreante Kaue Muller nos graves, que segura muito bem a bronca. As vocalizações de Mauriano soam mais diversificadas não perdendo a agressividade, dando um toque a mais ao som.

Em termos gerais, a Carniça estabeleceu nesses 31 anos de estrada uma sonoridade bem peculiar é apertar o play e identificar logo de cara de quem se trata e isso é para poucos. Entre os destaques posso citar: “Dogs of War” (brutal), “País Sem Salvação” (com uma letra atemporal e marcante), “A New Medium Ages” (prestem atenção nesses riffs) e “Sexual Perverted” (uma letra soturna em volta de criminosos pervertidos soltos, com a dupla Mauriano e Marlo despejando raiva em seus instrumentos).

Um dos melhores lançamentos do estilo em 2022 e pode-se ser considerado o melhor trabalho da Carniça até o momento, pois os gaúchos não param de evoluir e sempre nos apresentam materiais de extrema qualidade.

Ainda há tempo de mencionar a bela intro que abre os trabalhos -“Intro The Dark”- dando um clima mais que especial a destruição apocalíptica que viria, com teclados muito bem colocados de Ramon Oliveira (Doc Jones) e a bela arte gráfica que permeia o material criada pelo excelente artista Alcides Burns. Um material gráfico de alto nível com uma capa que merecia um vinil!

Sem mais delongas, adquira sua cópia, ouça nas plataformas digitais e aprecie uma das melhores bandas do Metal nacional.

 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Entrevista - Carniça: "Não queremos copiar ninguém, apenas fazer o que gostamos com nossa identidade"


Na ativa desde 1991, a Carniça já se tornou um estandarte para o Thrash metal nacional e um sinal vivo dentro do underground. É uma destas bandas da casa que nos trazem muito orgulho, e que demonstram a verdadeira identidade de quem está nesse caminho pelo amor a arte. Viver da arte em nosso País não é uma tarefa muito fácil para quem não se rende a pressão do sistema, agora imaginem essa situação para quem confronta diretamente o monstro, cara-a-cara. Trocamos algumas ideias com o baterista Marlo Lustosa em busca de relembrar momentos importantes da carreira e de como funciona o mecanismo que move a banda, confira:

RtM: Durante os vinte e cinco anos de existência da Carniça, muitas situações foram vividas. Entre o lançamento do Rotten Flesh (1999) e Temple's Fall... Time to Reborn (2011), o que aconteceu com a banda?  

Marlo Lustosa: Pós lançamento do “Rotten...” fizemos muitos shows, naquela época festivais com muita gente mesmo... daí depois surgiu o convite para participar do tributo ao Running Wild, gravamos e mandamos para a gravadora (seria a Sanctuary Records) o próprio Rock and Rolf gostou e nos respondeu por e-mail... tudo estava dando certo, haveria dois shows na Alemanha para lançar o tributo, mas daí a gravadora decidiu lançar o tributo apenas com bandas que faziam parte de seu cast e o tributo conosco e outras bandas do mundo acabou saindo apenas no formato para download, está lá ate hoje na Page dos caras para baixar. Ficamos bem frustrados na época, um dos membros teve questões lances pessoais e no fim em 2005 fizemos uma parada. Para em 2008 retomamos e 2011 lançamos o “Temple’s...”

RtM: No trabalho mais recente, Nations of Few, a música escolhida para ilustrar toda fúria do disco em um videoclipe foi a Corruption. Por que ela foi escolhida?  

Marlo: Cara, esse som era o mais “calmo” do disco e tem uns riffs de guita dobrados, batidas cadenciadas que nos remetem a uma espécie de baile (risos) mas a letra é direta, um soco na cara de todos políticos corruptos (99%) desse país e mundo podre.

Assista ao videoclipe AQUI    

"A Carniça sempre procurou e procura fazer seu som próprio! Não me lembro de alguma vez tenhamos procurado seguir uma tendência ou moda da época... "
RtM: Como a banda enxerga a relação entre o consumo da música e os fãs atualmente?

Marlo: Hoje em dia somos muito conhecidos pelo Brasil e até fora, graças a internet. Temos uma galera que nos segue. Mas os tempos são outros, material das bandas já foi mais vendido... 

RtM: Percebe-se que a Carniça mantém a formação desde o nascimento, o que não é muito comum em bandas. Pessoas diferentes trazem opiniões diferentes até em grupos mais próximos (como família, por exemplo). Algum segredo especial é utilizado como catalisador na hora de manter o trio unido?

Marlo: Cara... (muitos risos) a banda tem muitas brigas internas na hora de compor, gravar, ensaiar e etc. Mas somos uma família realmente, Mauriano e eu irmãos e Parahim nosso primo... nos criamos juntos e a amizade está acima de tudo! Hoje em dia você pode pegar os melhores e mais virtuosos músicos e formar uma banda... mas o lance de amizade e parceria dificilmente vai existir. 


RtM: A Carniça continua de olho no que acontece dentro do Thrash Metal e ouvem bandas mais recentes?

Marlo: Cada um de nós escuta coisas diferentes um do outro, mas temos muitos gostos parecidos... não seguimos tendências, como se vê por aí... essa ou aquela banda que soam exatamente iguais, tanto nos riffs como na gravação. Você fecha os olhos e soa igual. Tem muita banda foda por aí, aqui no Sul, no Brasil e fora também. Eu particularmente tenho escutado muito metal anos 80, 90, mais recentes black, thrash, death. Sem rótulos! Se o som é bom, eu escuto.

RtM: Quais as lembranças do processo de gravação da demo World Putrefation?

Marlo: Gravação tosca, na corrida, com poucos recursos financeiros e técnicos hehehe mas foi massa porque faz parte da nossa história!


RtM: Considerando que os fãs sempre sustentam uma opinião de como a banda deve soar, vocês levam isso em consideração na hora de compor ou é um processo mais orgânico?  

Marlo: A Carniça sempre procurou e procura fazer seu som próprio! Não me lembro de alguma vez tenhamos procurado seguir uma tendência ou moda da época... tem muita banda foda por aí... rápidas, ou técnicas ou muito pesadas e agressivas... não queremos copiar ou competir com ninguém... queremos mostrar o nosso trampo e fazer o que gostamos com a nossa identidade.


Entrevista por: Uillian Vargas
Edição/revisão: Renato Sanson


Links Relacionados:
https://soundcloud.com/carnicaband


sábado, 14 de maio de 2016

Carniça: 25 anos de história!


Carniça e carne assada não são palavras sonantes, porém na quinta-feira do dia 21/04, foram sinônimos de festividade e comemoração (e bom apetite, claro). Neste singelo feriado do dia 21/04 aconteceu uma comemoração, entre os amigos mais próximos, dos 25 anos de atividade da banda Carniça, (que aconteceu no Studio Chronos Sound em Novo Hamburgo) assim como a comemoração de um quarto de século do lançamento do disco Rotten Flesh (1999), que por sinal, acaba de ser relançado. Digamos que foi uma “pequena” festa, com comemorações polivalentes e recheada de motivos de comemoração.

Na ocasião, numa parceria entre Road To Metal e Chama Vídeo Independente (os “Renatos” que movimentam o underground gaúcho), aconteceu a gravação de uma entrevista, também comemorativa, onde os integrantes comentaram um pouco sobre a situação da banda: Passado, presente, projetos futuros, desafios, dificuldades e sobre a motivação de se manter ativos: o amor pelo que fazem, amor pela música!


Enquanto na sala rolava a entrevista e algumas fotos, na área externa alguns convidados já davam início aos trabalhos festivos. O sortudo que levou o disco relançado Rotten Flesh estava no ambiente e logo após a entrevista, ele iria ganhar o CD das mãos dos integrantes da banda. Mas até lá, teve muito trabalho pela frente, o Mike (ganhador da promoção que participou da comemoração) ficou responsável por espetar o que estava para se transformar em churrasco! Após a gravação da entrevista era chegada a hora da festa: churrasco a pino, Iron Maiden rolando na vitrola, abraços e risadas. Tudo regado com muita cerveja. Durante uma conversa com Parahim (guitarrista do Carniça), perguntei qual era o sentido de ter escolhido CARNIÇA para o nome da banda. Nas palavras dele:

- “Para melhor traduzir nosso ideal, a Carniça é algo que está aqui para incomodar, apontar o que está errado, criticar más atitudes. Sabe? Carniça incomoda pelo cheiro, pela presença, acusa que algo de podre está acontecendo. E ao mesmo tempo, é algo que se recicla e depois de alimentar os vermes, ela traz vida novamente!”.



Uma belíssima definição, aliás, se levarmos em conta o disco “Nations of Few” e a música e videoclipe de “Corruption” (assista ao videoclipe clicando AQUI), ilustra com perfeição a nossa situação política atual!


Mas assim seguiu a tarde, num clima festivo e divertido, amigos relembrando momentos do passado e contando suas aventuras pela música e pela estrada.  É momentos como esse que sempre trazem uma ponta de orgulho e esperança para a música que acontece em nosso território. Vida longa à Carniça, que venham muitos anos de atividade pela frente. Muito obrigado pela oportunidade de podermos estar por perto!

Aproveite e veja agora mesmo a entrevista realizada com a Carniça: https://www.youtube.com/watch?v=K6V817G_D9A&feature=share

Texto e fotos por: Uillian Vargas
Revisão/edição: Renato Sanson



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Roadtube mantendo sua estrada para o Metal ainda mais ativa!

Programa Roadcast #01

Com o mundo tecnológico ao nosso favor, nada mais justo que utilizarmos uma das ferramentas de maior abrangência no mundo, o Youtube.

Onde vamos aos poucos inserindo entrevistas, resenhas e matérias especiais, saindo um pouco da rotina de textos e trazendo um material atrativo e interessante para os nossos leitores.

Entrevista com Serguei

Já faz algum tempo que estamos investindo em entrevistas pelo canal do Youtube, tanto com um redator presente ou só com as respostas da banda, tendo uma edição de qualidade e de fácil assimilação.

Agora estamos em uma nova jornada chamada ROADCAST, o primeiro programa do site Road to Metal, onde teremos entrevistas, resenhas comentadas (em muitos casos com a banda presente), quadro “indicações” e mais algumas surpresas pelo caminho.

Entrevista com a banda Warsickness

Então convidamos a todos para conhecerem e apreciarem nosso Roadtube, confira nossas entrevistas, vídeos de shows e muito mais novidades que virão pela frente.

Entrevista com a banda Brutal Morticínio

Dentre os destaques mais recentes temos a estreia do Roadcast (que contou com a participação da banda Carniça), entrevistas com Brutal Morticínio, Warsickness e com o ícone do Rock brasileiro Serguei!

Aproveite e inscreva-se em nosso canal:


Texto: Renato Sanson

terça-feira, 7 de julho de 2015

Entrevista - Carniça: 24 anos de resistência em nome do underground!

24 anos de história, 5 Demos gravadas, três discos lançados e um grande reconhecimento no underground nacional. Essa é a Carniça de Novo Hamburgo/RS, que se mostra cada dia mais forte e relevante na cena underground.

Conversamos com o baterista Marlo Lustosa, onde o mesmo fala do começo da carreira, planos futuros e muitos mais!

Confira agora mesmo:


Road to Metal: Já são 24 anos de banda. Olhando lá para o início, em 1991, de onde surgiu a ideia para formar a Carniça? E quais eram as influências do grupo naquela época?

Marlo Lustosa: A Carniça surgiu de uma banda já existente em NH chamada Sacrament, pelo Mauriano Lustosa e o antigo baixista Marcio Veeck... Parahim Neto e eu tocávamos juntos já, mas não tínhamos banda e o Mauriano nos convidou e em 1991 surgiu a Carniça. Tínhamos nossas influências de Iron Maiden, Kiss, Whitesnake, WASP, Slayer, Destruction, Sarcófago e Sepultura que estava estourando no exterior na época. 

RtM: Em 1998 o álbum “Rotten Flesh” foi lançado de forma independente. Quais as recordações que vem a mente dessa fase? E qual foi a sensação de ter em mãos o primeiro trabalho?

ML: Cara na época tínhamos já 5 fitas Demo gravadas, e só bandas grandes conseguiam ter seu trabalho em LP, logo em seguida CD... Apareceu a oportunidade de gravar em Curitiba 2 faixas em uma coletânea, e fomos... Gravamos no mesmo estúdio que o Amen Corner foi dukaralho! Depois a coletânea não saiu e conseguimos ficar com as duas faixas e o restante gravamos no estúdio Live em POA. Lançando oficialmente em 99 o “Rotten Flesh”, que foi um marco para o Vale dos Sinos e para nós.


RtM: Como surgiu o convite para participar do tributo ao Running Wild? E o que isso trouxe de retorno para a banda?

ML: Ficamos sabendo do tributo e estavam convocando bandas de todo mundo para mandar um cover do Running para a gravadora, e o próprio Rock and Rolff estava selecionando, nosso som foi aprovado pelo cara e elogiado por mensagem num e-mail que ele próprio nos enviou... Estávamos vibrando com a ideia! Sairia um CD duplo pela Sanctuary Records com distribuição para todo mundo, e se falava em 2 shows na Alemanha de lançamento... Tivemos um grande reconhecimento nacional e internacional. 

RtM: Em 2004 a Carniça encerrou as atividades. 4 anos depois houve o retorno. O que levou o grupo a essa parada? E a ideia do retorno partiu de quem?

ML: A parada se deu pelo cancelamento do CD tributo ao Running Wild, ficamos muito frustrados na época e um integrante da banda pediu um tempo para resolver problemas pessoais... Nesse meio tempo eu continuei trabalhando com outras bandas, e cheguei a ensaiar com o Mauriano em uma outra banda de covers... Muita gente aqui do Vale dos Sinos nos perguntava e nos instigava pela volta. Um dia marcamos um churrasco na minha casa e Mauriano, Parahim e eu decidimos voltar e fazer história novamente...  


RtM: Após o retorno, em 2010, o grupo lançou o álbum “Temple’s Fall... Time to Reborn”. Com esse trabalho a banda tocou pela primeira vez na Argentina. Como foi a recepção dos bangers de lá?

ML: O “Temple’s...” nos abriu muitas portas, tocamos no maior fest de Brasília com RDP, Motorocker e outras bandas para umas 2 mil pessoas, e logo depois fomos convidados para fazer uma mini tour na Argentina, que foi fantástica! Os caras respiram Rock e Metal, estrutura, equipamento, tratamento vip... Até mesmo nos lugares mais underground... Galera literalmente quebrou tudo nos nossos shows lá!

Carniça + Claudio David (Overdose)
RtM: No fim de 2012 “Nations of Few” foi lançado. Um trabalho mais maduro e que contou com a participação de um grande nome do Metal nacional. Cláudio David, do Overdose. De onde pintou a ideia da participação dele?

ML: Estávamos pensando em convidar um cara de renome para participar, Mauriano deu a ideia de chamar o Cláudio, e eu conversei com ele através do Facebook que foi muito receptivo e aceitou o convite. Baita honra, influência e ídolo da banda, acabou vindo tocar conosco no show de lançamento aqui em NH no C3 Rock Bar. Cara fantástico, muitas histórias sobre o Metal mineiro, muita ceva e churrasco.

RtM: O álbum traz um tema bastante atual e que parece nunca se resolver em nosso país. Inclusive, vocês lançaram o vídeo da faixa “Corruption”. Qual a opinião de vocês sobre este tema?

ML: Lançamos antes dessas manifestações que vem ocorrendo, e acredito que será sempre um álbum atual... Infelizmente. Nosso país está corrompido desde a criança pequena que tem maus exemplos de seus pais a os governantes gananciosos e corruptos que temos. O videoclipe de “Corruption” retrata bem isso. 


RtM: A Carniça fará o encerramento do 3° União Extrema Fest e que de quebra comemora os 7 anos do Road to Metal. Qual a importância de festivais como esses para o Heavy Metal underground? E de veículos como o Road to Metal?

ML: Cara o Road to Metal é um puta veículo de divulgação do som pesado underground, de suma importância para nossa “cena”, bandas e público! Hoje em dia há muita merda entre bandas, festivais, shows internacionais, produtores e etc. O União Extrema é um fest totalmente transparente e honrado, dignidade com as bandas e público, assim como outros tantos por aí... Não podemos generalizar.    

CONFIRME SUA PRESENÇA AQUI
RtM: Olhando para trás e já observando uma perspectiva de futuro, o que vem pela frente para a Carniça?

ML: Sempre seremos verdadeiros... Nunca cedemos a modas, nunca pagamos para tocar e sempre fomos honestos com o público, produtores e etc...

Seguimos fortes lutando pelo nosso lugar ao sol, sabemos das dificuldades que uma banda de Metal tem para sobreviver. E enxergando o futuro temos o projeto de relançamento do “Rotten Flesh” em formato LP com bônus e material da época, aguardem!  Estamos prontos para mais 24 anos com certeza!!!

Gravação do clipe de "Corruption"
RtM: Obrigado pela entrevista e fica o espaço para a banda deixar sua mensagem e considerações.

ML: Agradecemos o espaço e divulgação, assim como o convite do Renato Sanson para fechar o 3º União Extrema Fest ao lado de grandes bandas do under gaúcho! Grande abraço a todos seguidores da banda e a vocês da ROAD!

HEAVY ROTTEN METAL!!! \\m//


Entrevista por: Sergiomar Menezes
Revisão/edição: Renato Sanson


Acesse e conheça mais a banda:



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Krisiun: Aportando em NH para destruir pescoços! (Realização: Ablaze Productions, Produtora Galaxy 23 e Rock and Roll Sinuca Bar 3)


E a maior banda de Death Metal do Brasil chega à Novo Hamburgo/RS para dar continuação a tour de divulgação do aclamado “Great Execution”.

O evento ocorre no dia 12/12 no Rock And Roll Sinuca Bar, e os ingressos já estão à venda a partir de R$20.

Além da lenda Krisiun, o evento contará com três grandes nomes do Metal gaúcho abrindo os portais do inferno, são elas: Carniça, Malévola e Syphilitic Abortion.

Saiba o restante das informações no evento: https://www.facebook.com/events/797839810282467/?fref=ts


Texto: Renato Sanson


Curta a página das bandas e das produtoras:








Rock And Roll Sinuca Bar 3https://www.facebook.com/Rockshownh?fref=ts


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Resenha de Show - VII RS Metal Fest: Satisfação Garantida!


Capitulo I – Chumbo Grosso

Calibre grosso carregado do mais puro Heavy Metal, a Zerodoze pisa no palco com pontualidade. Tocaram para um público bem restrito e aqui poderíamos discorrer sobre uma gama de motivos (chuva, horário, domingo, etc.), mas enfim, não vamos deter energias nisto. Alias energia é uma palavra interessante a ser usada para ilustrar a apresentação da banda, André Lacet inicia a festa com o baixo bem marcado de “Ninguém”:

 - “Vou embora desse lugar, não quero encontrar mais ninguém...” Tá mais do que na cara que eles não estavam falando do Opinião, pois a imagem vista, mostrava três músicos em perfeita sintonia e demonstrando gostar muito de estar no lugar que nasceram para estar: -  O Palco!


Pra brindar o começo da festa, o trio emenda na épica “Symphony Of Destruction” do Megadeth e pronto, era como se estivem dizendo:

- Oficialmente, declaramos que o VII RS METAL FEST começou!

Apresentação sóbria, mas nem um pouco contida. A Zerodoze mostrou experiência e deixou evidente que, os anos (de estrada) de palco ensinaram que, pouco importa o número do público (claro que quanto mais pessoas, a festa fica mais bonita). Seja uma platéia de 100 pessoas ou 10 000, uma coisa é certa: A explosão musical será a mesma!

Parabéns fizeram bonito e empolgaram a galerinha colada na grade. Mas só pra deixar bem claro, já vimos o Opinião lotado pra aplaudir o (Power) trio. Logo abaixo segue o link do clipe de “Essa Mulher”, sonzera que também compôs o set da noite.


Aproveitaram muito bem cada segundo do tempo que foi destinado, e pra encerrar desferiram um pataço em cheio no meio da turma, chamado “Da Onde Veio”. Nessa noite, quem assumiu a batera foi o Jean Montelli, ainda em fase de testes na banda, vamos torcer para que tudo se acerte e que, se for melhor para a banda, o Jean possa permanecer.

A Zerodoze é:
Cristiano Wortmann (Voz e Guitarra)
André Lacet (Baixo)
 Jean Montelli (Bateria)

Set Zerodoze:
 Ninguém
Symphony Of Destruction (Megadeth cover)
Essa Mulher
Wrathchild (Iron Maiden cover)
Horas Vagas
Black and Gray
O Gole
Da Onde Veio





Capitulo II – Um Atentado

Após alguns minutos de silêncio, o telão começa sua elevação novamente e revela a segunda banda da noite, que daria continuação no embalo iniciado pela Zerodoze. Em ritmo de comemoração dos seus 20 anos de estrada, assume o palco a Grosseria, com muita história pra contar, letras irreverentes e muita atitude. Este era um dos shows mais curiosos da noite, considerando a faixa etária do público, um número pequeno apenas já havia visto a Grosseria ao vivo.

A banda exibiu uma apresentação enérgica, também para um público restrito, mas a casa já dava sinais de despertar, a hora já estava se avançando e era chegado o momento dos bangers deixarem as tocas para ir até o Bar Opinião. Neste mesmo palco, em 2013, a Grosseria esteve ao lado da gringa Biohazard. Apresentação solidificada e calcada no Thrashcore, com certeza de curiosidade satisfeita.


O que foi visto e ouvido agradou olhos e ouvidos dos iniciados. A banda se preparava para o encerramento da apresentação, e o rufar dos tambores chega ao som do trio “Carro Bomba”, “Degradação” e “Porrada!”. O que era novidade para alguns, para outros significava matar saudades. Saudades de ouvir Grosseria e outros matando saudades do palco. Vida longa Grosseria e obrigado pela bela noitada!

Grosseria é:
 Leandro Padraxx (Vocal)
 Guga Prado (Guitarra)
 Rick Santos (Guitarra)
 Daniel Lobato (Bateria)
 Guilherme Carvajal (Baixo)

Set Grosseria:
1 Desossar
2 Sem Controle
3 Cidade Obscura
4 Mordaça
5 Demente
6 Carro Bomba
7 Degradação
8 Porrada!




Capitulo III – Morte da Carne

Hora de começar a desgraceira, tudo acertado para a terceira banda da noite e o palco recebe mais um trio, o Clã Lustosa havia chegado. Demonstrando claramente na expressão do olhar, a sede de estar no palco mais uma vez. O público atingiu contingente mínimo para que se formassem os primeiros indícios de mosh.

They´re stealing you
While you smile
They´re raping you
As you celebrate your carnival
Few cultures know
Appreciate themselves…” – The Protester

Sem muita conversa mole, saíram disparando todo o poder de fogo disponível. Abriram com “The Protester” e “Liars” na sequencia. Mauriano impulsionando a destruição pela imposição do vocal poderoso e manobrando o baixo em formação de combate, Parahim conduzindo os solos e riffs no flanco direito do palco e na contenção, Marlo brandindo baquetas ao fundo, caso alguém conseguisse passar ileso pelo primeiro pelotão.  

Particularmente falando, este era a grande expectativa da noite, foi à primeira vez ante a Carniça ao vivo. Não poderia ser diferente, assim como muitas outras bandas gaúchas, a Carniça se mostrou muito digna do respeito adquirido. Além das músicas extremas, com letras contundentes e chamadas para a realidade, o trio vestia-se com o que há de melhor.

Mauriano estava homenageando a Torvo, Marlo estava com a camiseta da Krisiun e Parahim era Carniça de corpo, alma e sentimento. Pois é, coisa melhor não há e é “tudo nosso” (Torvo e Krisiun... seriam pedidos de inclusão no próximo Fest? Quem sabe!).


Som do Opinião já é famoso pela competência em segurar o tranco, alias um salve para a turma da equipe técnica de som e luz, sempre executando com maestria. Normalmente passam despercebidos, mas isso é sinal de que tudo correu bem. Se você sai de um show lembrando-se da equipe de som ou de luz, algo não saiu como deveria! Ainda que houvesse muito mais gás a ser queimado pela Carniça (e estou certo que sim), a apresentação deveria encerrar para que se cumprisse a profecia do tempo determinado anteriormente.

E assim como nas vestimentas, o carinho pelo que é nosso se mostrou em notas musicais também, o show chegou ao fim e foi em sentimento de homenagem aos mineiros da Sarcofago ao som de “Midnight Queen”.

Carniça é:
Mauriano Lustosa (Baixo e Voz)
Marlo Lustosa (Bateria)
Parahim Neto (Guitarra)

Set Carniça:
1 - The Protester
2 – Liars
3 - Nations Of Few
4 - Rotten Flesh
5 -  Oil War
6 - Prayers before the death
7 - Midnight Queen – (Tributo Sarcofago)




Capitulo IV – A Negligência Infernal

Com o público a pino, a Distraught chega “metendo o aríete na porta”, nada de novidade, pois não se podem esperar muitos afagos da banda quando estão no palco. Não condiz com a personalidade da banda. Veja bem que, estou falando em questão de atitude e agressividade no desempenho e sonoridade, já que pessoalmente são verdadeiros lordes e sempre atenciosos com os fãs.

A banda sobe no palco com ares de “dever cumprido” em relação ao The Human Negligence is Repugnant (seu trabalho mais recente), e a intenção é despedir-se da tour do disco, pois novas ideias e composições estão brotando. Hora de deixar o “Human...” descansar em paz, por um tempinho.


Já que é pra ser assim “Gates of Freedom” foi à eleita para promover o abalo sísmico inicial. Show foi equilibradamente linear o tempo todo, mantendo o calor sempre. André (vocal) e Nelson (Baixo) iniciaram uma sequencia “headbangs” que foi de dar inveja, isso elevou ainda mais o clima Thrash da noite. A surpresa chega à quarta música, uma prova cabal de que, coisa nova está por vir. “Lost” era o nome da destruição, que será parte integrante do novo trabalho da banda, digamos que aconteceu uma “degustação”.

Uma noitada que entrará para o hall da fama dos shows em Porto Alegre. Resta-nos agora aguardar para saber o que a banda nos trará de novidades. A apresentação encerra com o famoso Wall Of Death, em “Insane Corporation”. E emenda na finaleira destruidora ao som de “Reflections Of Clarity e “Hellucinations” (ambas do Unnatural Display Of Art).

Distraught:
André Meyer (Vocal)
Nelson Casagrande (Baixo)
Everton Acosta (Guitarra)
Ricardo Silveira (Guitarra)
Dio (Bateria)

Set Distraught:
1 Gates of Freedom
2 Psycho Terror Class
3 The Human Negligence Is Repugnant
Lost
5 Justice Done By Betrayers
6 Borderline
7 Insane Corporation
8 Reflections Of Claraty
9 Hellucinations.




Final – A Vingança Anunciada

Fechando a noitada com uma grande “chave de ouro”, com o cabo cravejado de diamantes, chega a Hibria e toda sua ira em forma de vingança silenciosa (que de silenciosa não tem nada, e o Opinião que o diga). A proposta era a seguinte: Rodar o Silent Revenge na integra sem dó nem piedade! Pois, senhores, que seja cumprido o seu desejo, certamente só temos a agradecer.

Durante a apresentação, conforme a proposta, claro que o público contou com a participação especial do André Meyer (vocalista da Distraught). Ainda seguindo nesta proposta, o público que lá esteve naquele domingo, presenciou algo único. Algumas das músicas do atual trabalho da Hibria foram executadas, ao vivo, pela primeira vez (sim, presenciamos um momento histórico para a banda), a exemplo da “The Place That You Belong”. Ainda que alguns fãs tenham notado um semblante mais sério e menos entrosado, a banda fuzilou o disco na íntegra com muita energia.


A sincronia da banda é cada dia mais visível, e por motivos óbvios, a Hibria acabou tendo mais tempo em palco, e todo tempo é pouco. Após a execução do Silent Revenge, a banda retorna para relembrar algumas faixas dos trabalhos anteriores.

Hibria é:
Iuri Sanson (Vocal)
Abel Camargo (Guitarra)
Renato Osorio (Guitarra)
Benhur Lima (Baixo)
Eduardo Baldo (Bateria)

Set Híbria:
Silent Revenge
Lonely Fight
Deadly Vengeance
Walking To Death
Silence Will Make You Suffer
Shall I Keep Burning?
The Place That You Belong
The Scream Of An Angel
The Way It is

…Mais Encore!


Cinco bandas, uma noite e um ciclone de energia. Após encerrar a apresentação, encerram também o Fest deixando os fãs de alma e coração lavados. Todos descem do palco e ficam trocando ideias e fotos com amigos e fãs. Parabéns a Pisca Produtora e Opinião Produtora, ainda teremos muita estória pra contar, graças a vocês. 

O ponto Negativo da noitada ficou por conta de uma falha de comunicação entre os seguranças do Opinião. 
Aconteceu um impedimento do nosso redator, ao tentar acessar o brête frontal, local onde ele permaneceu tranquilamente até o terceiro show. Um dos seguranças havia dito que era ordem da chefia dos seguranças, porém outro segurança falou que a chefia já havia se retirado do local. Apenas um fator a ser analisado com cuidado, afinal de contas estamos sempre do mesmo lado trabalhando em conjunto.


Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Uillian Vargas
Revisão/edição: Renato Sanson