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terça-feira, 7 de abril de 2026

Cobertura de Show: D.R.I. + Ratos de Porão – 22/03/2026 – Cine Joia/SP

Se o termo “Crossover” existe desde 1982 é exatamente por conta dessa duas bandas: DRI e Ratos de Porão! Eles foram determinantes para que o Thrash Metal ficasse bem mais pesado ao vivo, forçaram as ban das a usarem cabeçotes e equipamentos melhores, irem para estúdios melhores! Algumas dessas bandas de Thrash Metal a seguir, fizeram uma vez só um disco de Crossover na carreira no final dos anos 80: Exodus, Sepultura, Metallica, Metal Church, Testament, Forbidden, Vio-lence, Kreator, Sodom, Anthrax, Sadus, Slayer, Pestilence, Annihilator, Megadeth, Nuclear Assault, Dark Angel, Possessed, Razor e Death, poderiam ter criado o Crossover mas foram os que se aproveitaram do impacto quando chegou no Thrash. As gravações analógicas com riffs variando velocidade, peso de uma batera nunca vista antes e baixo pesado sem médio/agudo é culpa do DRI e RDP.

O último show turnê das duas bandas que se despedia no domingo na Liberdade, centro de SP, mostrou a força do estilo: uma fila gigante já se formava do lado de fora, e por outro lado, dentro do Cine Joia, um clima de exaustão que desaguou no palco.

A abertura do Imflawed e Questions teve mais disposição em relação as bandas principais. Em sua primeira passagem por SP, o Imflawed de Recife/PE fez uma apresentação curta com 7 sons muito honrosa com público chegando ao chamado do vocalista e guitarrista Arthur Santos para aproveitarem a noite. A mistrura de groove com Thrash rendeu uma boa recepção do público; destaques para “Fear, “Inner War”, “Slave New World” (cover do Sepultura) e “Fuck Your Pride”. O baixista Martin mandou muito bem mesmo escala do de última hora pra cobrir dois shows em SP.

O Questions entrou empolgado e rapidamente e fez valer seus 26 anos de estrada. Muita personalida de, som redondo, com carisma de Edu Revolback sempre agradecendo conversando com a galera, deixaram uma reperório bem agressivo. Destaque para “The Same Blood” e “The Victory Speech” com excelente de sempenho do baterista baterista Eduardo Sasaki e excelente desempenho do guitarrista Pablo Menna.

Em seguida, era a vez do RDP fazer sua parte; tocou os clássicos (quem conhece o RDP sabe o repertório) e manteve a energia de 45 anos no palco. Desta vez, com a ausência de Jão (fora dessa turnê por conta de um acidente de moto), que foi substituído por Maurício Nogueira (ex-Torture Squad) para segurar os shows. Maurício fez uma apresentação muito boa, com muita atenção nos riffs, e deixou a banda à vontade para colocar o público na roda.

Era perceptível o cansaço da turnê mencionado pela banda. Por exemplo, os perrengues com refeição estragada no Rio de Janeiro deixaram João Gordo debilitado, somados aos contratempos em Minas Gerais, ou seja, um caldeirão de incômodos antes de se despedirem da turnê e irem para casa, o que em alguns momentos também refletiu no público.

Mesmo assim, João Gordo não tirou o mérito de entregar um vocal matador aos 64 anos, junto à garra do Boka na bateria e à força da banda no evento como um todo. Destaque para músicas que não aparecem com frequência nos shows, como “Homem Inimigo do Homem”, “Colisão” e, em ano de eleições, “Alerta Antifascista”.

Pra fechar, o DRI cumpriu o repertório da turnê com a apresentação sonora arrebatadora, como sempre fez no Brasil em tempos passados, passando pelos discos Dirty Rotten, Dealing With It, Crossover, 4 of a Kind, Thrash Zone, Definition e Full Speed Ahead. Mas os bastidores para começar o rolê não saíram como o Crossover pede.

Tiveram muitos problemas, a começar pelo atraso de quase uma hora desde a retirada da bateria principal do palco para montar outra totalmente do zero, até posicionar os microfones das peças e pratos, passar o som e regular tudo. Isso quebrou o bom andamento que o RDP havia deixado. Os caras estavam sem roadies, não havia uma equipe de apoio com eles, o DRI fez tudo na raça.

O Spike usa dois cabeçotes de guitarra, um de cada lado do palco, justamente para sustentar o peso que a banda proporciona quando ele abafa o riff e produz aquele impacto que só o Crossover consegue. Mas ele fez tudo sozinho, andando de um lado para o outro com a guitarra, regulando, afinando e timbrando o som. O baixista Greg Orr também teve dificuldades de regular o baixo. Kurt subiu no palco, ele mesmo plugou seu microfone, sacado da mochila, e nada da banda começar.

Quando a banda finalmente começa, durante o repertório, por várias vezes entre as músicas, Spike recorre aos amplificadores para ajustar o som da guitarra, enquanto Kurt liga até um ventilador no palco. Era o DRI, mas não o mesmo que vi no Carioca Club em 2011, que tinha mais brilho e entusiasmo para dizer “nós estamos aqui de volta, pós-pandemia, segurando essa bandeira”.

Existe um cansaço natural após mais de quatro décadas tocando, além do desgaste de deslocamentos constantes de um lugar para outro. Se no final deu tudo certo, o público fez sua parte e participou de tudo. Ainda assim, a história da banda, cravada em eventos de grande porte pelo mundo todo, não justificava passarem por aquilo, justamente pela ausência de colaboradores para fazer o evento funcionar.


Texto: Roberto "Bertz"


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Powerline



Ratos de Porão – setlist:

Alerta antifascista

Morte ao rei

Igreja Universal

Máquina militar

Sofrer

Homem inimigo do homem

Amazônia nunca mais

Farsa nacionalista

Colisão

Expresso da escravidão

Descanse em paz

Paranoia nuclear

Não me importo

Beber até morrer

Crucificados pelo sistema

Pobreza

Caos

Conflito violento

AIDS, pop, repressão


D.R.I. – setlist: 

Who Am I

Beneath the Wheel

Couch Slouch

Thrashard

The Application

Argument Then War

Nursing Home Blues

Dry Heaves

Dead in a Ditch

Suit and Tie Guy

The Five Year Plan

Mad Man

I Don't Need Society

Syringes in the Sandbox

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Agnostic Front: Os Ecos Eternos do Hardcore

Reign Phoenix Music (Imp.)

Os pioneiros do NYHC reafirmam sua força em um disco que transpira orgulho, resistência e autenticidade

Por Guilmer Silva

Mais de quarenta anos separam o Agnostic Front de seus primeiros dias nos porões de Nova York. Ainda assim, o espírito que moveu Roger Miret, Vinnie Stigma e companhia desde Victim in Pain (1984) segue intacto em Echoes In Eternity, novo álbum dos criadores do New York Hardcore. Longe de soar nostálgico ou cansado, o disco é um grito de resistência, um tributo à vida nas ruas, à irmandade hardcore e à própria história da banda.

Gravado com produção de Mike Dijan, o álbum captura a essência crua e suada dos primeiros tempos, mas com uma pegada atual e vigorosa. O resultado é um registro que equilibra o peso metálico de Cause for Alarm com a energia punk de United Blood, criando uma ponte entre passado e presente.

O álbum se inicia com “Way of War” abre o campo de batalha com guitarras em marcha militar, bateria seca e o vocal áspero de Miret comandando o ataque. Em menos de dois minutos, a banda prova que ainda sabe incendiar qualquer roda de mosh, em “You Say” mantém o pedal no máximo: punk direto, frenético e cheio de r aiva. O refrão gritado em coro é puro espírito CBGB, agressivo e libertador.

Em “Matter of Life & Death”, o grupo surpreende ao convidar Darryl McDaniels (Run-DMC). O groove é denso e urbano, lembrando o Biohazard dos anos 90. Um hino sobre sobrevivência e lealdade, duas marcas eternas do AF.

Já na faixa “Tears for Everyone” vem com pegada thrash e vocais duplos, evocando o Suicidal Tendencies da fase Lights… Camera… Revolution!, um petardo que mistura peso e caos. O álbum segue com “Divided” traz um inesperado solo de guitarra melódico e quase noventista. A canção fala sobre fragmentação social e pessoal, e o contraste entre melodia e brutalidade reforça essa mensagem.

Uma das faixas mais emocionantes é a “Sunday Matinee”, que é o coração do disco: uma homenagem nostálgica aos lendários shows de domingo no CBGB e Lower East Side. Dijan mantém a sujeira do hardcore viva, mas com produção moderna e vibrante. Enquanto isso a música “Turn Up the Volume” é puro combustível hardcore, lembrando o clássico Cause for Alarm (1986). Um refrão de arena que sintetiza a essência da banda: barulho, união e autenticidade.

O play é encerrado com uma pedrada, na rápida “Art of Silence”, com apenas 40 segundos, é uma explosão punk digna de Dead Kennedys e The Exploited,  caos puro, rápido e essencial.

As demais faixas, curtas, diretas e intensas, eguem o mesmo espírito. O disco é todo pautado pelo lema “força e lealdade”, e cada riff soa como um manifesto contra a apatia. Mesmo com cerca de 30 músicas, nenhuma soa desnecessária; cada uma captura uma emoção específica, um desabafo, uma fagulha de vida, uma cicatriz das ruas.

Há quem diga que o Agnostic Front se repete, mas essa é justamente a beleza do hardcore: não se trata de inovação técnica, e sim de honestidade. Echoes In Eternity é um reflexo fiel de uma banda que criou um som próprio e continua defendendo-o com unhas, dentes e coração.

Com "Echoes In Eternity", o Agnostic Front não tenta reinventar a roda, eles a mantêm girando, veloz e furiosa. É um disco que mistura fúria, experiência e paixão de uma forma que poucas bandas com mais de quatro décadas de estrada conseguem.

Cada faixa soa como um chamado à união, um lembrete de que o hardcore ainda pulsa nas ruas, nas cicatrizes e na alma de quem nunca desistiu. O Agnostic Front não apenas sobreviveu, eles ainda lideram o exército.

An Maes


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Cobertura de Show: Cro-Mags – 08/10/2025 – Burning House/SP

Cro-Mags incendeia o Burning House e transforma São Paulo em templo do hardcore

Na quarta-feira, 8 de outubro de 2025, o Burning House em São Paulo se tornou o epicentro do hardcore mundial. A lendária banda Cro-Mags subiu ao palco em uma apresentação histórica, crua, intensa e absolutamente arrebatadora, daquelas que fazem o público sair com a garganta rouca, o corpo suado e a alma em chamas.

A noite começou em alto nível com a apresentação de Paura, banda veterana que há anos carrega a bandeira do hardcore nacional com autenticidade e peso. O set foi uma explosão de energia e abriu as rodas de mosh logo nos primeiros acordes, aquecendo a plateia para o que viria a seguir.

*Raíssa Corrêa (Raro Zine)

Entre os fãs, a presença ilustre de Supla adicionou ainda mais brilho ao evento, quando subiu ao palco para apresentar o Cro-Mags. Seu carisma e atitude elevaram a expectativa para o que estava por vir, unindo gerações em um mesmo frenesi sonoro.

Monise Bianchi

Liderados pelo icônico Harley Flanagan nos vocais, os nova-iorquinos incendiaram o Burning House com um setlist que revisitou décadas de clássicos, incluindo “We Gotta Know”, “Show You No Mercy”, “Apocalypse Now”, “No One’s Victim”, “Hard Times”, “My Life”, “World Peace”, “Days of Confusion” e “These Streets”, entre outros. Cada música era recebida como um hino, com coros poderosos e mosh pits incansáveis.

Monise Bianchi

O clima dentro da casa era quase físico, calor humano e energia concentrada transformaram o espaço em um forno pulsante. Enquanto lá fora a quarta-feira gélida de São Paulo lembrava que o mundo seguia em seu ritmo frio e urbano, dentro do Burning House, riffs e vocais criaram uma sensação térmica de 45 graus, suor, adrenalina e emoção em estado bruto, como se cada acorde fosse capaz de derreter o concreto da cidade.

Monise Bianchi

A performance foi impecável, riffs cortantes como navalhas, bateria esmagadora e o vocal rasgado de Flanagan guiando a multidão como um maestro de caos controlado. Os fãs, imersos nesse ritual sonoro, colidiram nos mosh pits, gritaram e cantaram cada verso, formando uma comunhão que transcendeu o simples formato de show.

Monise Bianchi

No fim, restaram gargantas roucas, corpos exaustos e corações em chamas, mas também a certeza de terem testemunhado algo maior do que música, uma experiência quase mística, intensa e inesquecível, onde o hardcore mostrou toda sua força, energia e relevância, décadas após ter surgido.

Monise Bianchi

Com casa lotada e uma atmosfera incandescente, a apresentação reafirmou por que o Cro-Mags segue sendo um nome sagrado no hardcore mundial.

Monise Bianchi

Texto e Fotos: Monise Bianchi (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Xaninho Discos / Caveira Velha Produção / Solid Music Entertainment 

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Cro-Mags – setlist:

We Gotta Know

My Life

Crush the Demoniac

Malfunction

Show You No Mercy

World Peace

Hard Times

The Only One

Down but Not Out

Apocalypse Now

Then and Now

These Streets

No One's Victim

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Clearview: "Absolute Madness" - Hora de Ir Mais Longe!


Evocando os anos 80 e início dos 90, lembremo-nos da ascensão do Heavy Metal e Hard Rock com uma grande carga de lançamentos que particularizou constituições de maltas. Mas vale frisar que, em meio a esse período de propagação, o Hardcore em Nova York dava seus atributos e queixas atacando sem dó a poluída politica da cidade americana, e revelava importantes bandas. Aqui no Brasil, a tradição sempre foi seguida a risca, e um dos nomes que entendem do assunto são os paulistanos do Clearview, lançando, depois de 3 anos, “Absolute Madness”. 

Subsistindo nos cosmos do underground, o quinteto não suspende as suas experiências sem deixar nenhuma brecha, pondo seus bons hábitos na mais extrema facilidade e conduta em 15 anos de atividade. E em “Absolute Madness” é possível sumariar toda a crueldade e ignorância numa índole grossa, tendo como principais influências como Cro-Mags, Madball, Suicidal Tendencies e entre outros. Vale ressaltar também o volúvel que a banda possui, com elementos de Thrash Metal e Old School em autêntica energia. .


A produção foi intensificada por um velho amigo da banda, o produtor Nick Jett. E a sonoridade borda a mais precisa integridade, conduzindo vigores destrutivos e maciços na mais extrema proficiência, regulando, em perfeita cautela, as pesadas notas que são transmitidas em cada faixa, causando a sensação de estarmos sentindo a banda tocar ao vivo, já que a mixagem e a masterização pulsa essa impressão. Na ilustração percebemos o que o ser humano pensa nos dias de hoje, guiando uma arte bem estimulante e altiva, num estilo HQ.

Não há do que reclamar! “Absolute Madness” nos concebe a invadir qualquer mosh pit e mergulhar nos triviais slam dancing. E o álbum tange uma musicalidade totalmente moderna e apurada, não se acorrentando as feições primitivas, procurando sempre progredir em gradações vigentes com 11 canções animalescas, arrebentando tudo sem remissões e pesares. 


Conduzido de resistentes 22 minutos de esganação, o álbum abre com a corrosiva “Living on Your Knees”, espetada de backing-vocals elevados. “SP Stomp” emerge em sinuosa rispidez e tirania, ascendendo tumultos nas flexíveis “Dirty Deeds”e “No Good Game”, tendo a participação especial de Scott Vogel. 

O ritmo arrastado aparece em “Depression”, realçando bem a singularidade do Hardcore em uma letra depressiva. A raiva é jogava pra fora em “Make It Right”, integrado de mais um convidado, que dessa vez é o David Wood. “No Trust in Love” mostra um trabalho vocal mutável, transitando em harmonias limpas e agressivas, fugando em riffs pesados com “Upside Down World”.

Que a banda perdure por muitos anos e que não deixem a poeira descer. Vale a pena conferir e ter o material em mãos!

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Divulgação
Edição/Revisão: Carlos Garcia 

Ficha Técnica 
Banda: Clearview
Álbum: Absolute Madness
Ano: 2017
Estilo: Hardcore
Selo: Caustic Records/Agência Samsara
Assessoria de Imprensa: Hoffman & O’ Brian 

Formação
Rick Pellario (Vocal)
Caio Turim (Guitarra)
Felipe Gila (Guitarra)
Thiago Dantas (Baixo)
Henrique Pucci (Bateria)

Track-List
1. Living onYourKness
2. SpStomp
3. Dirty Streets
4. No Good Game (feat. Scott Vogel)
5. Valley oftheDead
6. Depression
7. Break theTrap
8. Make It Right (feat. David Wood)
9. Concrete Jungle
10. No Trust in Love
11. Upside Down World 

Contatos

        


       

domingo, 20 de agosto de 2017

Tumulto: indicado aos fãs de Municipal Waste, RDP & Cia

Resenha: Renato Sanson


Surgidos no começo dos anos noventa, os paranaenses do Tumulto já faziam muito barulho na cena underground local com seu Punk/Hardcore raivoso e sem papas na língua, que acabou rendendo na mesma época um lançamento junto a banda Morthal, que colocavam a rodar nos sebos do underground a fora “Conflitos Sociais”.

Pois bem, passados aí mais de vinte e cinco anos, o Tumulto retorna a ativa e traz a regravação de “Conflitos Sociais” (2016), que ganhou um novo ar, pois se antes a banda investia em um som Punk/Hardcore mais cru, com o passar do tempo sua sonoridade foi moldando e se transformando em um Thrash/Crossover de respeito.

A nova roupagem nas composições fez toda a diferença, ainda mais contando com a produção de Emerson Pereira (Embrio) que soube deixar o som limpo, mas com a sujeira necessária do estilo, onde os timbres soam bem orgânicos e transbordando energia.

As letras casam perfeitamente com o cenário atual do país, mostrando que pouco se mudou em termos políticos e sociais de 1991 para cá, trazendo todo o protesto e ferocidade em temas líricos que superaram o teste do tempo. A arte gráfica é uma releitura da original, que mesmo se mantendo simples, soa direta e bem a calhar com a proposta do grupo.

No mais temos um trabalho enérgico, empolgante e que pode agradar tanto os fãs de Municipal Waste quanto aos fãs de Ratos de Porão e Cia. Ouça no talo, pois a diversão é garantida!


Links:

Tracklist:
1. Realidade
2. Massacrados
3. Corrupto
4. Conflitos Sociais
5. Humanidade
6. Sociedade é uma Prisão
7. Meu Filho (Câmbio Negro HC)
8. Desconstrução (Ação Direta)
9. Medo (Cólera)

Formação:
Germano Duarte - Vocais, guitarras
Rafael Feldman - Baixo
Marcio Duarte - Bateria

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Discharge: Ainda Muita Gana e Energia




Uma das mais influentes bandas do Punk Rock, os ingleses do Discharge (formado em 77 em Stoke-On-Trent) também são ovacionados pelo público Metal, sendo citados e "coverizados" por diversas bandas (Metallica, por exemplo, que incluiu músicas dos ingleses em seu "Garage Inc"), e também tem um estilo que por vezes se assemelha ao Mötorhead,  segue fazendo praticamente o mesmo Punk, Hardcore, e não raramente, com aquele pé no Thrash e Grind.

A ordem é velocidade, pegada e "sujeira", recados dados rápidos e rasteiros em canções que pregam contra as desgraceiras da sociedade, e o crossover dos britânicos não dá muitos espaços à melodia, praticamente somente aparecendo alguns resquícios nos curtos solos de guitarra, ou seja, seguem fiéis à proposta iniciada no final dos 70, e, embora "End of Days" traga uma produção mais cristalina, onde pode-se ouvir mais claramente os instrumentos, mas Peter Tägtgren teve o mérito de manter grande parte da pegada e sujeira do som da banda.


Desde o retorno com a formação clássica em 2001, este é o terceiro álbum (e sétimo full-lenght) dos ingleses, e os fãs da banda ficarão satisfeitos com o material, que, conforme comentei cima, apesar da produção mais polida, mantém um nível de sujeira e pegada "na cara", o qual é absolutamente necessário para o Discharge. 

Não dá para apontar destaques, é um álbum que soa bem uniforme, e quem conhece o som dos caras sabe o que estou falando, não há muita variação, com as músicas seguindo praticamente a mesma, porém eficiente fórmula, mas mesmo assim a abertura com "New World Order", que foi a faixa título do EP que precedeu o álbum, traz aquela pegada que se aproxima do Thrash veloz e sujo que com certeza, ao lado do Motörhead, influenciou muitas bandas de Thrash e Speed Thrash, se você lembrar de músicas como "Whiplash" do Metallica, não é à toa, assim como "Broken Law" e "Hatebomb", e "Infected", que traz um andamento e variações interessantes, e até aqueles resquícios de melodia que falei, acabam conseguindo se sobressair.

Então temos músicas diretas e sujas, com aquela massa sonora Punk/Thrash/Hardcore, que em vários momentos traz a lembrança dos seus conterrâneos do Motörhead, em 15 faixas e pouco mais de meia hora de destruição insana, músicas fadadas ao pogo, slam dancing, hendbanging e outras práticas! Enérgico, veloz, sujo e pesado, mostrando que estes pioneiros ainda possuem muita gana e energia.


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Discharge
Álbum: "End of Days" (2016)
País: Inglaterra
Estilo: Punk/Thrash/Hardcore
Produção: Peter Tägtgren
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Line-Up:
JJ: Vocais
Bones: Guitarra
Rainy: Baixo
Tezz: Guitar
Dave: Bateria


Track List:
    New World Order
    Raped And Pillaged
    End Of Days
    The Broken Law
    False Flag Entertainment
    Meet Your Maker
    Hatebomb
    It Can’t Happen Here
    Infected
    Killing Yourself To Live
    Looking At Pictures Of Genocide
    Hund Drawn And Quartered
    Population Control
    The Terror Alert
    Accessories By Molotov (Part 2)