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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 18/07/2026 – Tokio Marine Hall/SP

MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL

Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido. 

Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.

Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.

Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.

A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite. 

Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele. 

Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.

Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina. 

Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.

A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.

Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.

Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.

O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music


Setlist - Velvet Chains

War

Ghost in the Shell

Dead Inside

Stuck Against the Wall

Wasted

Suspicious Minds

Wide Awake

Hurt Me

Sins

Dead in the Dead

How The Story Ends


Set List - Eric Martin

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Green-Tinted Sixties Mind

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush


Set List - Tim Ripper Owens

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Set List - Edu Falaschi

Acid Rain

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth(Angra cover)

Play Video

Heroes of Sand


Set List - Jeff Scott Soto

One Love

Separate Ways (Worlds Apart)

Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


All Singers

Living After Midnight (Judas Priest cover)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 11/07/2026 – Santo Rock Bar/SP

Quatro vozes históricas do rock dividem o mesmo palco em noite memorável no Santo Rock Bar

Em meio ao frio intenso que tomou conta de Santo André na noite de 11 de julho e à disputa das quartas de final da Copa do Mundo entre Suíça e Argentina, o público do Santo Rock Bar mostrou que havia espaço para duas paixões simultâneas: o futebol e o rock. Enquanto os televisores da casa exibiam a partida, fãs lotavam o tradicional palco do ABC Paulista para testemunhar um encontro praticamente impossível de acontecer há alguns anos.

Idealizado pela Top Link Music, o Masters of Voices reúne quatro vocalistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da história do hard rock e do heavy metal mundial: Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest, Iced Earth e atual KK's Priest), Jeff Scott Soto (Talisman, Journey, Yngwie Malmsteen, Sons of Apollo e W.E.T.) e Edu Falaschi (ex-Angra e Almah). O projeto percorre repertórios que marcaram diferentes gerações do rock, acompanhado por uma verdadeira seleção de músicos brasileiros formada por Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa e Leo Mancini (guitarras) e Edu Cominato (bateria).

Mesmo com um evento esportivo de enorme apelo acontecendo simultaneamente, a casa recebeu um excelente público. Durante boa parte da noite era comum ver fãs alternando olhares entre o palco e as televisões espalhadas pelo ambiente. Como diz o velho ditado, era literalmente "um olho no peixe e outro no gato".


ERIC MARTIN

Pontualmente por volta das 22h30, a banda subiu ao palco e recebeu o primeiro dos quatro convidados da noite. Eric Martin foi o responsável por abrir os trabalhos e apostou em uma decisão certeira: apresentar um repertório formado exclusivamente por sucessos do Mr. Big.

A abertura aconteceu em alta velocidade com "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)", cartão de visitas perfeito para mostrar o nível técnico da banda brasileira. Os famosos duetos originalmente executados por Billy Sheehan e Paul Gilbert foram reproduzidos com extrema precisão por Felipe Andreoli e Leo Mancini, arrancando os primeiros aplausos mais entusiasmados da noite.

Na sequência veio uma das grandes joias escondidas da discografia do Mr. Big. Na opinião deste que vos escreve, "Take Cover", do excelente álbum Hey Man (1996), continua sendo uma das melhores composições da banda. Outro destaque foi o trabalho de Edu Cominato, que reproduziu com absoluta fidelidade a levada criada pelo saudoso Pat Torpey. Não por acaso, o baterista atualmente integra a própria formação do Mr. Big nas turnês da banda, mostrando que a escolha para substituir Torpey foi mais do que acertada.

Enquanto isso, o público seguia dividido entre o espetáculo musical e a partida da Copa. A cada movimentação perigosa da Argentina, alguns olhares rapidamente migravam para as telas, mas bastava Eric voltar a interagir com a plateia para que a atenção retornasse imediatamente ao palco.

Naturalmente, não poderiam faltar as baladas responsáveis por transformar o Mr. Big em um fenômeno comercial durante os anos 1990. A primeira delas foi "Wild World", releitura do clássico de Cat Stevens que muitos ainda acreditam ser uma composição da própria banda — ou, como brincam alguns brasileiros, até mesmo da dupla Pepe & Neném. O refrão foi cantado praticamente em uníssono, com Martin deixando diversas vezes que a plateia assumisse os vocais.

A energia voltou a subir com "Colorado Bulldog", mais uma demonstração do impressionante nível técnico dos músicos brasileiros. A execução não deixou absolutamente nada a dever às versões originais do quarteto americano.

Quando um violão foi entregue a Eric Martin, praticamente ninguém teve dúvidas sobre o que viria a seguir. Bastaram os primeiros acordes de "To Be With You" para transformar o Santo Rock Bar em um enorme coral. É impossível imaginar quantas milhares de vezes Eric já interpretou esse hit ao longo de sua carreira, mas o mais impressionante é perceber que ele continua cantando a música com o mesmo entusiasmo de quem a está apresentando pela primeira vez. Não havia uma única pessoa na casa que não conhecesse aquele que talvez seja um dos maiores clássicos do hard rock dos anos 1990.

O encerramento veio com "Addicted to That Rush" e "Green-Tinted Sixties Mind", concluindo um set impecável para qualquer fã do Mr. Big. Em pouco mais de meia hora, Eric Martin entregou exatamente o que o público esperava: uma coleção de clássicos interpretados por uma voz que, mesmo após décadas de estrada, continua surpreendentemente preservada.

Antes de deixar o palco, Martin apresentou o próximo convidado da noite: Tim "Ripper" Owens. A temperatura já era baixa do lado de fora, mas dali em diante o clima dentro do Santo Rock Bar mudaria completamente.

TIM "RIPPER" OWENS

Se Eric Martin ficou responsável por aquecer o público com uma sequência impecável de clássicos do hard rock, Tim "Ripper" Owens assumiu o palco disposto a elevar a temperatura de vez. E conseguiu.

Sem qualquer introdução mais longa, o ex-vocalista do Judas Priest entrou "com os dois pés no peito", abrindo sua apresentação com "The Hellion" seguida da clássica "Electric Eye". Embora ambas pertençam à era Rob Halford, são músicas que Ripper incorporou ao seu repertório durante os anos em que esteve à frente do Judas Priest, entre 1996 e 2003, período em que gravou os álbuns Jugulator (1997) e Demolition (2001). Desde então, sua interpretação dessas canções tornou-se uma marca registrada de seus shows.

A reação da plateia foi imediata. Se durante o set de Eric Martin ainda havia parte do público alternando a atenção entre o palco e a partida da Copa do Mundo, bastaram os primeiros gritos de Owens para que praticamente todos voltassem seus olhos para o espetáculo.

Na sequência, Ripper fez uma escolha que certamente agradou aos fãs mais dedicados da sua passagem pelo Priest. "Burn in Hell", do excelente Jugulator, apareceu no repertório e representou um dos grandes acertos da noite. Muitos dos presentes jamais tiveram a oportunidade de ouvir essa música ao vivo durante a passagem da banda pelo Brasil em 2001, tornando sua inclusão um presente para aqueles que acompanham a carreira do vocalista desde aquela época.

A apresentação prosseguiu com dois dos maiores clássicos da história do heavy metal: "Painkiller" e "Breaking the Law". Além da performance vocal impressionante de Owens — que continua alcançando os agudos característicos da fase Priest com notável segurança —, chamou novamente a atenção o desempenho da banda brasileira.

Edu Cominato merece um destaque especial. Quem acompanha sua trajetória sabe que o hard rock é muito mais frequente em sua carreira do que o heavy metal tradicional. Ainda assim, sua execução em "Painkiller", considerada uma das músicas mais desafiadoras para qualquer baterista, foi praticamente irretocável. Técnica, velocidade, resistência e precisão apareceram em abundância durante toda a música, comprovando mais uma vez o nível dos músicos escolhidos para acompanhar o projeto.

Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Leo Mancini também demonstraram enorme entrosamento ao reproduzir arranjos que fazem parte da história do metal mundial. Em nenhum momento houve a sensação de estarmos diante de uma banda de apoio. Pelo contrário: o quarteto brasileiro tocou com personalidade, mas sempre respeitando as versões originais.

O encerramento do set, entretanto, foi o único momento em que, particularmente, acredito que o repertório poderia ter sido melhor aproveitado.

Ripper optou por interpretar dois grandes clássicos do rock: "Highway To Hell", do AC/DC, e "Heaven and Hell", do Black Sabbath. São músicas irretocáveis e que, obviamente, funcionam em qualquer show de rock. A resposta da plateia foi positiva, com o público cantando e vibrando durante ambas as execuções.

Ainda assim, considerando o curto tempo disponível para cada vocalista, penso que essa era uma oportunidade perfeita para explorar um pouco mais da própria carreira de Tim Owens. Durante vários momentos era possível ouvir pessoas na plateia pedindo músicas de sua passagem pelo Iced Earth, fase extremamente respeitada pelos fãs do power e do heavy metal, ou até mesmo outro clássico do Judas Priest como "The Ripper", faixa que, inclusive, acabou se tornando responsável pelo apelido que acompanha o cantor há mais de quatro décadas.

É uma observação que não diminui em nada a qualidade da apresentação, mas fica aquela sensação de que havia material suficiente para tornar um set excelente em algo ainda mais memorável.

Seja como for, o saldo foi amplamente positivo. Para muitos presentes, Tim "Ripper" Owens entregou a performance mais intensa da noite até aquele momento. Sua presença de palco continua impressionante, a voz permanece extremamente potente e, sobretudo, ele demonstra o mesmo entusiasmo de quando assumiu uma das missões mais difíceis da história do heavy metal: substituir Rob Halford no Judas Priest.

Depois de uma verdadeira aula de heavy metal, o palco estava preparado para receber um artista de perfil completamente diferente, mas dono de uma das vozes mais versáteis do rock melódico: Jeff Scott Soto.

JEFF SCOTT SOTO

Se Tim "Ripper" Owens foi responsável pela descarga de adrenalina da noite, Jeff Scott Soto assumiu o palco representando o lado mais melódico do hard rock. Dono de uma das carreiras mais versáteis do gênero — com passagens por Yngwie Malmsteen, Talisman, Journey, W.E.T., Sons of Apollo, Trans-Siberian Orchestra e inúmeros projetos paralelos —, Soto talvez fosse o artista cujo repertório oferecia mais possibilidades para um set curto. E sua escolha para abrir a apresentação mostrou exatamente isso.

Quando os teclados de "One Love" começaram a soar, boa parte do público pareceu não reconhecer imediatamente a música. Se você que está lendo este review também não sabe de qual canção estou falando, vale a recomendação: trata-se de uma das mais belas composições do hard rock melódico moderno. Lançada no álbum de estreia do W.E.T., em 2009, ela reúne tudo aquilo que consagrou o estilo AOR: um refrão gigantesco, melodias marcantes e uma interpretação vocal impecável de Soto. Se ela ainda não faz parte da sua playlist, pare tudo quando terminar esta leitura e vá ouvi-la.

A entrada tinha tudo para ser apoteótica. Infelizmente, um problema técnico no microfone do vocalista interrompeu completamente o impacto daquele início. Durante os primeiros versos, simplesmente não havia voz alguma saindo no sistema de som. A banda precisou interromper a execução e reiniciar a música poucos instantes depois.

Foi um contratempo daqueles que acontecem em apresentações ao vivo e que, inevitavelmente, quebram o clima cuidadosamente construído para uma abertura de show. O momento perdeu parte da força que certamente teria se tudo funcionasse desde o primeiro acorde. 

Mas Jeff Scott Soto é um veterano de estrada. Longe de se deixar abalar pelo problema técnico, retomou a apresentação com o bom humor e a energia que sempre marcaram sua relação com o público brasileiro. Frequentador assíduo do país há mais de três décadas, Soto parece sentir-se em casa sempre que toca por aqui. Seu carisma continua sendo um diferencial, assim como a descontração no palco — incluindo as já tradicionais caipiroscas que frequentemente aparecem durante suas apresentações em terras brasileiras.

Na sequência veio um clássico absoluto do Journey: "Separate Ways (Worlds Apart)". Embora sua passagem pela banda tenha sido relativamente curta, entre 2006 e 2007, Soto sempre interpretou a música com enorme propriedade. A execução ganhou um ingrediente especial com a participação do excelente vocalista brasileiro BJ, integrante da banda de apoio de Jeff, responsável pelos teclados e backing vocals. A combinação das duas vozes funcionou perfeitamente e foi um dos pontos altos do set.

Em seguida, Soto revisitou sua banda mais emblemática, o Talisman, com "I'll Be Waiting". Curiosamente, uma das maiores composições de sua carreira acabou não encontrando a resposta esperada do público. Em praticamente todos os shows, Jeff costuma transformar o refrão em um enorme coro coletivo, conduzindo a plateia no tradicional trecho: "If you need somebody... call out my name... I'll be waiting... right by your side..."

Desta vez, porém, a interação simplesmente não aconteceu. Ficou evidente que boa parte dos presentes não conhecia a música, fazendo com que Soto rapidamente desistisse da tentativa de dividir os vocais e seguisse normalmente com a apresentação.

Foi um daqueles momentos que evidenciam um desafio inerente a um festival como o Masters of Voices. Reunindo artistas de carreiras tão distintas, é natural que parte do público conheça profundamente alguns repertórios e tenha menos familiaridade com outros.

A viagem pela carreira do cantor prosseguiu com uma homenagem aos tempos em que dividiu os palcos com o virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. O medley formado por "I Am a Viking" e "I'll See the Light Tonight" trouxe novamente à tona toda a capacidade técnica da banda brasileira, que executou duas das composições mais exigentes do neoclássico com enorme competência.

Até aquele momento, tudo funcionava muito bem. A única escolha de repertório que, na minha opinião, não encontrou espaço dentro do contexto do show foi "Coming Home", do Sons of Apollo.

É importante deixar claro: trata-se de uma excelente música. O problema não está na qualidade da composição, mas sim na ocasião. Em um set relativamente curto, voltado principalmente para grandes clássicos e canções capazes de estabelecer conexão imediata com um público bastante heterogêneo, a faixa acabou esfriando um pouco o andamento da apresentação. Ficou evidente que poucas pessoas conheciam a música, e isso diminuiu consideravelmente a resposta da plateia.

Talvez esse espaço pudesse ter sido ocupado por outro clássico do Talisman, alguma faixa do próprio Journey ou até mesmo por uma música da fase com Yngwie Malmsteen. São escolhas que provavelmente teriam provocado um impacto maior no público presente.

O encerramento, por outro lado, recolocou a apresentação nos trilhos. Jeff fechou seu set com "Stand Up", música eternizada no filme Rock Star (2001). A faixa, atribuída à banda fictícia Steel Dragon e interpretada no longa pelo personagem Chris Cole, vivido por Mark Wahlberg, tornou-se um verdadeiro hino entre os fãs de hard rock desde o lançamento do filme. Era impossível escolher uma despedida mais apropriada.

Mais uma vez, Jeff Scott Soto demonstrou por que é considerado um dos vocalistas mais completos de sua geração. Sua voz permanece extremamente consistente, o carisma continua intacto e sua presença de palco faz parecer que ele está se divertindo tanto quanto o público.

Era a deixa perfeita para a entrada do último vocalista da noite. E, para os fãs brasileiros de metal melódico, talvez aquele fosse o momento mais aguardado do espetáculo.

Edu Falaschi estava prestes a assumir o comando do palco.


EDU FALASCHI

Depois de uma viagem pelo hard rock norte-americano e pelo heavy metal britânico, coube ao único representante brasileiro do evento encerrar a sequência individual de apresentações. E Edu Falaschi fez exatamente aquilo que a maioria dos presentes esperava.

Sempre extremamente comunicativo e bem-humorado, o vocalista entrou no palco saudando o público antes de abrir sua participação com "Acid Rain", primeiro grande sucesso de sua trajetória no Angra e também o cartão de visitas de sua estreia na banda após a difícil missão de substituir o saudoso André Matos.

Passados mais de vinte anos desde o lançamento de Rebirth (2001), impressiona como essas músicas continuam funcionando ao vivo. Não apenas pela qualidade das composições, mas pela identificação que uma geração inteira de fãs criou com esse repertório.

Na sequência vieram "Heroes of Sand", "Millennium Sun" e "Bleeding Heart", formando um verdadeiro desfile de clássicos daquele álbum que, para muitos fãs — entre os quais este que vos escreve —, representa o ponto mais alto da fase de Edu Falaschi no Angra. Entre todas elas, "Bleeding Heart" acabou proporcionando um momento curioso e bastante divertido.

No Brasil, a música ganhou uma vida completamente diferente quando foi regravada em ritmo de forró sob o título "Agora Estou Sofrendo", tornando-se um sucesso muito além do universo do heavy metal. Não foram poucos os presentes que, em tom de brincadeira, cantaram trechos da versão em português durante a execução da música, arrancando sorrisos do próprio Edu e mostrando o tamanho que sua composição alcançou ao longo dos anos.

Naturalmente, Temple of Shadows também não poderia ficar de fora. Representando aquele que é considerado por muitos um dos maiores álbuns da história do metal brasileiro, Edu escolheu "Waiting Silence", mais uma interpretação segura de uma música que permanece entre as favoritas dos fãs.

Um detalhe bastante interessante dessa apresentação era observar quem dividia o palco com Falaschi. No baixo estava Felipe Andreoli, músico que participou das gravações originais de todas essas canções nos álbuns Rebirth e Temple of Shadows. Na guitarra, Marcelo Barbosa, atual integrante do Angra, completava essa curiosa conexão entre passado e presente da banda.

Em tom de brincadeira, pode-se dizer que o "Angraverso" estava “ON” naquela noite.  O encerramento veio com chave de ouro através da emocionante "Rebirth".

Enquanto os últimos acordes ecoavam pelo Santo Rock Bar, a Argentina confirmava sua classificação sobre a Suíça e avançava para as semifinais da Copa do Mundo. Mais uma vez, futebol e rock dividiram espaço na mesma noite, mas naquele momento era difícil encontrar alguém prestando mais atenção às televisões do que ao palco.

Edu encerrou sua participação sob fortes aplausos, concluindo uma apresentação que reafirmou por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do heavy metal brasileiro.

O GRANDE ENCONTRO

Se a proposta do Masters of Voices era reunir quatro grandes cantores da história do rock em um mesmo palco, ainda faltava um último capítulo. E ele veio da melhor forma possível.

Com os quatro vocalistas reunidos diante do público, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi dividiram os vocais em "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Mais do que uma simples jam de encerramento, aquele momento simbolizava exatamente o espírito da turnê.

Ver artistas que construíram carreiras tão diferentes compartilhando o mesmo palco, trocando sorrisos entre si e demonstrando um respeito mútuo evidente foi um privilégio para quem esteve presente. São encontros raros, daqueles que dificilmente se repetem com a mesma formação.

Foi, literalmente, uma conjunção de astros.

Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

Take Cover

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush

Green-Tinted Sixties Mind


Tim "Ripper" Owens – setlist:

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Jeff Scott Soto – setlist:

One Love

Separate Ways

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


Edu Falaschi – setlist:

Acid Rain

Heroes of Sand

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth


Todos

Living After Midnight (Judas Priest cover)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Edu Falaschi: A Coroa da Trilogia (Also In English)

Por Flavio Borges 

Após revisitar suas raízes no heavy metal melódico com Vera Cruz (2021) e expandir sua proposta conceitual em Eldorado (2023), Edu Falaschi encerra sua ambiciosa trilogia narrativa com "MI'RAJ", um trabalho que consolida não apenas uma saga iniciada há cinco anos, mas também uma das fases mais criativas de sua carreira solo.

Ambientado no Oriente Médio do século XVI, o álbum acompanha o capítulo final da jornada de Jorge, protagonista que atravessa continentes em busca de Janaína, sequestrada pela misteriosa Ordem da Cruz de Nero. Ao longo da narrativa, temas como fé, identidade, sacrifício, amor e transcendência são explorados através de uma mitologia própria que combina elementos históricos, espirituais e fantásticos. Mais do que uma simples conclusão de enredo, "MI'RAJ" funciona como uma reflexão sobre destino, autoconhecimento e redenção.

Musicalmente, Falaschi amplia ainda mais o escopo apresentado nos dois discos anteriores. O power metal segue sendo a espinha dorsal da obra, mas é constantemente enriquecido por elementos de rock progressivo, música sinfônica, heavy metal tradicional e influências orientais que ajudam a reforçar a identidade do álbum. A produção aposta em uma abordagem cinematográfica, repleta de camadas orquestrais e arranjos minuciosamente construídos, sem sacrificar o peso e a energia característicos do gênero.

A presença de convidados como Roy Khan, Veronica Bordacchini e Rafael Bittencourt acrescenta novas cores à experiência, enquanto a estreia do baterista Jean Gardinalli e a crescente importância criativa do guitarrista Victor Franco ajudam a renovar a dinâmica da banda de apoio.

A abertura de "MI'RAJ", "Watchers of the Light", cumpre perfeitamente sua função de transportar o ouvinte para o universo da obra. Introduzida por elementos musicais inspirados no Oriente Médio, a faixa rapidamente evolui para um power metal grandioso e cinematográfico. A combinação entre riffs velozes, orquestrações exuberantes e corais imponentes cria uma atmosfera de aventura que remete aos melhores momentos do gênero. O refrão possui força suficiente para permanecer na memória logo na primeira audição, enquanto as passagens progressivas demonstram a preocupação da banda em equilibrar técnica e narrativa. É uma introdução impactante que estabelece o tom épico do álbum.

Se a faixa anterior aposta no impacto imediato, "Here I Stand" mergulha em uma construção mais elaborada. Os arranjos progressivos ganham protagonismo, especialmente através da interação entre baixo e bateria, que conduzem mudanças de dinâmica constantes sem comprometer a fluidez da composição. Edu Falaschi entrega uma interpretação segura e expressiva, evitando excessos e priorizando a força melódica. O refrão funciona como ponto de equilíbrio entre complexidade e acessibilidade, mostrando que a sofisticação estrutural não precisa sacrificar o apelo emocional.

A faixa-título "MI'RAJ" é, em muitos aspectos, a síntese da proposta artística do álbum. As influências musicais do norte da África convivem naturalmente com elementos de power metal e rock progressivo, resultando em uma composição rica em detalhes e constantemente mutável. A participação de Veronica Bordacchini acrescenta profundidade e contraste às linhas vocais, ampliando o alcance dramático da música. O trabalho instrumental é igualmente impressionante, alternando momentos de virtuosismo técnico com passagens focadas na construção atmosférica. Não por acaso, trata-se de uma das peças centrais da obra.

Após a intensidade das primeiras faixas, "Echoes of Vows" surge como um dos momentos mais emocionais do álbum. A introdução conduzida pelo piano e pelas orquestrações cria uma atmosfera melancólica e contemplativa que serve de base para uma das interpretações mais sensíveis de Falaschi. Embora se aproxime da estrutura de uma power ballad tradicional, a composição evita clichês ao incorporar uma seção final acelerada que eleva a carga dramática sem soar artificial. Os corais, os arranjos sinfônicos e o excelente solo de guitarra contribuem para transformar a faixa em um dos pontos altos do disco.

Com "Unchained", o álbum mergulha mais profundamente em sua vertente progressiva. A composição desafia constantemente as expectativas do ouvinte através de mudanças rítmicas, arranjos sofisticados e uma construção menos previsível. O protagonismo compartilhado entre baixo, teclados e guitarra reforça a sensação de movimento contínuo, enquanto o refrão oferece um raro momento de estabilidade melódica em meio à complexidade instrumental. 

A participação de Wagner Barbosa no saxofone é particularmente inspirada, acrescentando novas texturas sem comprometer a identidade metal da faixa. É uma composição que recompensa audições repetidas.

Provavelmente a maior surpresa de MI'RAJ, "Intuição",  rompe momentaneamente com a linguagem predominante do álbum ao incorporar influências da música brasileira e apresentar letra integralmente em português. Longe de soar deslocada, a faixa funciona como um importante momento de introspecção dentro da narrativa. 

A participação de Rafael Bittencourt reforça a conexão histórica entre os músicos e adiciona um toque especial ao arranjo. A riqueza melódica do refrão, aliada ao cuidado com os vocais e às contribuições de Thiago Mineiro ao piano, transforma a canção em um dos momentos mais autênticos e emocionantes do disco. É uma ousadia artística que encontra plena justificativa dentro do contexto da obra.

Depois da atmosfera contemplativa de Intuição, "Circle of Dust" devolve ao álbum sua energia mais agressiva. Trata-se de uma das composições mais diretas de "MI'RAJ", construída sobre uma base rítmica veloz e extremamente precisa. O trabalho de Jean Gardinalli merece destaque especial, sustentando a intensidade da faixa sem comprometer sua clareza. A participação de Roy Khan agrega valor emocional ao refrão e cria um interessante contraste entre os timbres vocais. Mesmo dentro de uma estrutura relativamente tradicional, a composição demonstra refinamento suficiente para evitar qualquer sensação de repetição.

Em contraste com a velocidade da faixa anterior, "On Your Own" aposta na emoção e na construção atmosférica. As orquestrações assumem papel central desde os primeiros instantes, criando um cenário ideal para uma interpretação carregada de sentimento. O refrão, impulsionado por um belo coral de inspiração gospel, figura entre os momentos mais memoráveis do álbum. Há uma elegância evidente em todos os aspectos da composição, desde os arranjos até a produção, reforçando a capacidade de Falaschi de construir baladas grandiosas sem recorrer ao sentimentalismo excessivo.

O encerramento da trilogia não poderia acontecer de outra forma. "Wrath Into the War" reúne praticamente todos os elementos que definem o álbum: velocidade, melodias marcantes, corais grandiosos e uma forte carga épica. Desde os primeiros acordes, a composição assume o papel de clímax narrativo e musical da obra. 

O refrão é poderoso, os arranjos instrumentais mantêm a tensão elevada durante toda a execução e a sensação de urgência permanece intacta até os momentos finais. Como conclusão, a faixa entrega exatamente o que se espera de um desfecho dessa magnitude: intensidade, emoção e um sentimento de encerramento genuinamente satisfatório.

Ao longo de seus pouco mais de sessenta minutos, "MI'RAJ" demonstra uma rara combinação de ambição artística e capacidade de execução. Poucos músicos do metal brasileiro contemporâneo possuem a confiança necessária para construir uma trilogia conceitual dessa magnitude e, menos ainda, conseguem encerrá-la de maneira satisfatória.

Se "Vera Cruz" representava o início de uma nova fase e Eldorado expandiu seus horizontes narrativos, "MI'RAJ" surge como a obra que une todas as peças do quebra-cabeça. O álbum não apenas entrega alguns dos momentos mais inspirados da carreira solo de Edu Falaschi, como também reforça sua posição entre os principais compositores do heavy metal latino-americano, e mundial, porque não?

Embora a abundância de elementos sinfônicos e progressivos possa exigir mais dedicação do ouvinte em comparação aos trabalhos anteriores, é justamente essa riqueza de detalhes que transforma "MI'RAJ" em uma experiência recompensadora. Trata-se de um disco que valoriza audições repetidas, revelando novas camadas a cada retorno.

Mais do que o encerramento de uma trilogia, "MI'RAJ" representa a consolidação de uma visão artística. É um álbum grandioso, tecnicamente impecável e emocionalmente envolvente, destinado a ocupar lugar de destaque entre os lançamentos mais relevantes do power metal em 2026.


***ENGLISH VERSION***

After reconnecting with his melodic heavy metal roots on Vera Cruz (2021) and expanding his conceptual ambitions with Eldorado (2023), Edu Falaschi brings his epic narrative trilogy to a close with MI'RAJ, an album that not only concludes a saga five years in the making but also cements one of the most creative periods of his solo career.

Set in the Middle East during the 16th century, the album follows the final chapter in the journey of Jorge, a protagonist who crosses continents in search of Janaína, kidnapped by the mysterious Order of the Cross of Nero. Throughout the story, themes such as faith, identity, sacrifice, love, and transcendence are explored through a rich mythology that blends historical, spiritual, and fantastical elements. More than a simple conclusion to a storyline, MI'RAJ serves as a meditation on destiny, self-discovery, and redemption.

Musically, Falaschi further expands the scope established on the previous two albums. Power metal remains the backbone of the record, but it is consistently enriched by elements of progressive rock, symphonic music, traditional heavy metal, and Middle Eastern influences that reinforce the album’s unique identity. The production embraces a cinematic approach, filled with orchestral layers and meticulously crafted arrangements without sacrificing the power and energy that define the genre.

The presence of guest musicians such as Roy Khan, Veronica Bordacchini, and Rafael Bittencourt adds new colors to the experience, while the debut of drummer Jean Gardinalli and the growing creative influence of guitarist Victor Franco help revitalize the dynamic of Falaschi’s backing band.

Opening the album, "Watchers of the Light" perfectly fulfills its role of transporting the listener into the world of MI'RAJ. Introduced by Middle Eastern-inspired musical motifs, the song quickly evolves into a grandiose and cinematic power metal statement. The combination of blazing riffs, lush orchestration, and imposing choirs creates a sense of adventure reminiscent of the genre’s finest moments. The chorus is memorable from the very first listen, while the progressive passages demonstrate the band's commitment to balancing technical prowess with storytelling. It is a powerful opening statement that establishes the album’s epic tone.

If its predecessor relies on immediate impact, "Here I Stand" takes a more intricate approach. Progressive arrangements take center stage, particularly through the interaction between bass and drums, which drive constant shifts in dynamics without disrupting the composition’s flow. Falaschi delivers a confident and expressive performance, avoiding excess in favor of melodic strength. The chorus serves as the perfect meeting point between complexity and accessibility, proving that structural sophistication does not have to come at the expense of emotional resonance.

The title track, "MI'RAJ", is in many ways the definitive statement of the album’s artistic vision. North African influences coexist naturally with elements of power metal and progressive rock, resulting in a composition rich in detail and constantly evolving in scope. Veronica Bordacchini’s guest appearance adds depth and contrast to the vocal arrangements, broadening the song’s dramatic reach. The instrumental work is equally impressive, alternating moments of technical virtuosity with passages focused on atmosphere and mood. Unsurprisingly, it stands as one of the record’s central pillars.

Following the intensity of the opening stretch, "Echoes of Vows" emerges as one of the album’s most emotional moments. The piano-led introduction and sweeping orchestral arrangements establish a melancholic and contemplative atmosphere that supports one of Falaschi’s most heartfelt vocal performances. While the song approaches the structure of a traditional power ballad, it avoids cliché through a climactic accelerated section that elevates the drama without feeling forced. The choirs, symphonic arrangements, and outstanding guitar solo all contribute to making it one of the album’s highlights.

With "Unchained", the album dives deeper into its progressive side. The composition continuously challenges expectations through shifting rhythms, sophisticated arrangements, and a less predictable structure. The shared spotlight between bass, keyboards, and guitar reinforces a sense of perpetual motion, while the chorus provides a rare moment of melodic stability amid the instrumental complexity. Wagner Barbosa’s saxophone contribution is particularly inspired, adding fresh textures without compromising the song’s metal identity. It is a track that reveals new details with every listen.

Arguably the album’s biggest surprise, "Intuição" temporarily breaks away from the prevailing musical language by incorporating Brazilian influences and featuring lyrics sung entirely in Portuguese. Far from feeling out of place, the song functions as an important moment of introspection within the narrative. Rafael Bittencourt’s participation reinforces the long-standing connection between the musicians while adding an extra layer of significance to the arrangement. The richness of the chorus, combined with carefully crafted vocal harmonies and Thiago Mineiro’s elegant piano work, transforms the song into one of the album’s most authentic and emotionally rewarding moments. It is a bold artistic choice that finds full justification within the broader context of the record.

After the contemplative atmosphere of "Intuição", "Circle of Dust" restores the album’s more aggressive energy. One of the most straightforward compositions on MI'RAJ, it is built upon a fast and exceptionally precise rhythmic foundation. Jean Gardinalli deserves special recognition for sustaining the song’s intensity without sacrificing clarity. Roy Khan’s guest appearance adds emotional weight to the chorus while creating an intriguing contrast between the vocal timbres. Even within a relatively traditional structure, the song displays enough refinement to avoid any sense of repetition.

In contrast to the speed of its predecessor, "On Your Own" places its focus firmly on emotion and atmosphere. Orchestral arrangements take center stage from the outset, creating the ideal backdrop for one of Falaschi’s most heartfelt performances. Driven by a beautiful gospel-inspired choir, the chorus ranks among the album’s most memorable moments. There is a clear elegance in every aspect of the composition, from the arrangements to the production, further demonstrating Falaschi’s ability to craft grandiose ballads without descending into sentimentality.

The trilogy could hardly have ended in a more fitting fashion than with "Wrath Into the War". The closing track encapsulates nearly everything that defines the album: speed, memorable melodies, towering choirs, and a strong epic sensibility. From its opening moments, the song assumes the role of both narrative and musical climax. The chorus is powerful, the instrumental arrangements sustain tension throughout, and the sense of urgency remains intact until the final note. As a conclusion, it delivers exactly what one would expect from a finale of this scale: intensity, emotion, and a genuinely satisfying sense of closure.

Across its slightly more than sixty-minute running time, MI'RAJ showcases a rare combination of artistic ambition and execution. Few figures in contemporary Brazilian metal possess the confidence required to build a conceptual trilogy of this magnitude, and even fewer manage to bring it to such a convincing conclusion.

If Vera Cruz marked the beginning of a new chapter and Eldorado expanded its narrative horizons, MI'RAJ is the work that brings every piece of the puzzle together. Not only does it contain some of the finest moments of Edu Falaschi’s solo career, but it also reinforces his standing as one of the leading composers in Latin American heavy metal—and arguably on the global stage as well.

While the abundance of symphonic and progressive elements may demand greater attention from the listener compared to its predecessors, it is precisely this wealth of detail that makes MI'RAJ such a rewarding experience. This is an album that benefits enormously from repeated listens, revealing new layers and nuances with each return.

More than simply the conclusion of a trilogy, MI'RAJ represents the consolidation of an artistic vision. Grand in scope, technically impeccable, and emotionally engaging, it stands as one of the most significant power metal releases of 2026.

Divulgação 



terça-feira, 29 de julho de 2025

Cobertura de Show: Edu Falaschi – 05/07/2025 – Tokio Marine Hall/SP

Em clima de muita nostalgia, Edu Falaschi trouxe novamente a São Paulo, no último dia 5 de julho, o show da Temple of Shadows In Concert, celebrando 20 anos do aclamado Temple of Shadows, do Angra. Junto com ele, o renomado vocalista norueguês Roy Khan relembrou sua bem-sucedida passagem pelo Kamelot, tocando boa parte do incrível The Black Halo. 

O clima nostálgico estava no ar, pois seriam executados 2 dos grandes álbuns que estavam completando seus 20 anos, ano em que o Heavy Metal Progressivo estava em alta entre os fãs do estilo. Se notava isso pela enorme quantidade de faz usando camisetas do Angra e do Kamelot, antigas bandas dos dois vocalistas principais da noite. 

A abertura dessa noite mágica ficou por conta da banda baiana de metal Auro Control. O primeiro trabalho da banda, The Harp, foi lançado em maio de 2024 e contou com participações de peso, como Aquiles Priester e Jeff Scott Soto. A banda fez uma apresentação curta, com apenas cinco músicas, que foram muito bem executadas, apesar de algumas falhas técnicas, que voltariam a se repetir no show seguinte. 

Mesmo com o público ainda chegando ao Tokio Marine, eles conseguiram esquentar a galera para o que ainda estava por vir. Um show curto, direto ao ponto, que com certeza rendeu novos fãs para a banda.

Logo em seguida, tivemos o show da Noturnall, que já nos primeiros momentos demonstrou muita personalidade e experiência de palco. Infelizmente, a banda enfrentou sérios problemas técnicos, que voltaram a acontecer com mais intensidade. Logo no início, o vocalista Thiago Bianchi teve dificuldades com o microfone, chegando a precisar trocar o equipamento em alguns momentos.

Esses contratempos acabaram impactando diretamente o setlist, que precisou ser reduzido e adaptado com improvisos. Ainda assim, a banda se manteve firme, contando com o carisma e a bagagem de Thiago para manter o público conectado.

Vale também destacar o guitarrista Guilherme Torres, novo integrante da banda, que mesmo sendo jovem demonstrou grande maturidade ao lidar com os problemas que, infelizmente, recaíram sobre ele.

No final, a banda mostrou carisma e bom humor para lidar com a situação, e o público reconheceu o esforço com muitos aplausos e gritos de apoio. Apesar das dificuldades, foi uma apresentação marcante, que deixou a galera ainda mais animada para o que viria nessa noite especial em São Paulo.

Quando os músicos da ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DE ARTUR NOGUEIRA começaram a se posicionar no palco, já era possível perceber que estávamos prestes a presenciar uma noite muito especial.

Eis que surge Roy Khan, abrindo o show com a poderosa “When the Lights Are Down”. Já nas primeiras estrofes, ficou claro o quanto sua voz continua impactante e como o tempo longe dos palcos parece ter feito bem ao vocalista. Vale lembrar que Edu Falaschi foi o principal responsável por essa nova fase da carreira de Roy - incentivando-o a lançar-se em carreira solo -, e São Paulo foi a cidade escolhida para esse recomeço.

Roy esteve impecável nas sete músicas escolhidas para compor o setlist, todas retiradas do aclamado álbum The Black Halo. O mais impressionante foi ouvi-las ao vivo com acompanhamento orquestral, o que deu um peso e uma grandiosidade ainda maiores ao show. A orquestra, regida pelo maestro Adriano Machado, teve papel fundamental nessa atmosfera épica. Também é preciso destacar a excelente performance da banda brasileira Maestrick, que acompanhou Roy durante todo o espetáculo, executando com maestria - fazendo jus ao nome da banda - cada canção do Kamelot. Mencionamos aqui os vocais de apoio de Juliana Rossi e do vocalista do Maestrick, Fabio Caldeira, que brilharam especialmente em diversos momentos da apresentação. 

Os arranjos orquestrais para “Moonlight”, “Soul Society” e “The Haunting (Somewhere in Time)” foram de tirar o fôlego – com destaque para essa última, que contou com a participação da versátil vocalista Adrienne Cowan, que também se apresentaria mais tarde com Edu Falaschi. Adrienne interpretou com perfeição as partes originalmente cantadas por Simone Simons (Epica).

O show seguiu com os belíssimos duetos de Adrienne e Roy em “Abandoned”, “Memento Mori” e, para fechar com chave de ouro, “March of Mephisto”. Essa última evidenciou por que Adrienne é considerada uma das vocalistas mais versáteis do heavy metal atual, executando com maestria os vocais guturais originalmente gravados por Shagrath, da banda de black metal sinfônico Dimmu Borgir. Nessa música, tivemos ainda a participação especial do guitarrista brasileiro Bill Hudson.

Roy Khan prometeu e cumpriu. Escolheu a dedo o repertório para entregar exatamente aquilo que os fãs desejavam ouvir. O show só reforçou que ele é um artista completo, pronto para desbravar sua carreira solo, assim como Edu fez em 2017 ao revisitar seu legado no Angra. Que Roy não se esqueça de nós, fãs brasileiros, nas próximas turnês que certamente virão.


22h30 em ponto, a Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira, juntamente com seu maestro Adriano Machado, volta ao palco e se posiciona. As luzes se apagam e a introdução "Deus le Volt" anuncia o início do show e do disco Temple of Shadows.

Logo em seguida, com a empolgante "Spread Your Fire", Edu surge no palco e o Tokio Marine Hall vem abaixo. "Glorious" é cantada em uníssono por todos os fãs no refrão, como se estivessem lavando a alma. "Angels and Demons" dá sequência à catarse nostálgica e mostra que Edu está na sua melhor fase vocal – muitas críticas negativas e problemas com a voz no passado cairam por terra.


Em "Waiting Silence", Edu coloca o lugar inteiro para pular. Os excelentes arranjos para orquestra, executados sob a regência de Adriano Machado, caíram perfeitos na balada "Wishing Well".

O primeiro convidado – e um dos mais esperados da noite – sobe ao palco na apoteótica "Temple of Hate": Mr. Kai Hansen, o "inventor do Power Metal", como o próprio Edu o apresentou.


O que incomodou parte do público foi o fato de Kai ter ficado preso a um canto do palco, lendo a letra em quase toda a música. Alguns comentaram que parecia um karaokê. Como sua participação foi curta, muitos acharam que ele poderia, ao menos, ter decorado a letra. Puxões de orelha à parte, a presença de um ícone como ele numa noite tão emblemática foi a cereja do bolo.


A apresentação seguiu com a maravilhosa "Shadow Hunter", em que se notou certa dificuldade do guitarrista Victor Franco nas partes de violão: muitas notas não saíram e os dedilhados soaram atravessados e fora do tempo. Talvez pela falta de experiência com violão, nervosismo (ele está na banda há apenas quatro meses), ou ambos. Ainda assim, Edu brilha, mostrando uma voz poderosa e empolgante aos 53 anos.

"No Pain for the Dead", uma das músicas mais bonitas de toda a carreira de Edu e do Angra, contou com a participação de Adrienne Cowan, que interpretou as partes originalmente gravadas por Sabine Edelsbacher. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Adrienne colocou sentimento e técnica nas partes solo, mostrando 100% de profissionalismo com toda a letra decorada. Ela permaneceu no palco para cantar as partes de Hansi Kürsch em "Winds of Destination".


Mais uma vez, "Sprouts of Time" teve problemas técnicos nas partes de violão, com notas que insistiam em não sair, mas isso não tirou o brilho dessa música incrível. A sequência continuou com "Morning Star", que teve pequenos desencontros de andamento entre os músicos, prontamente corrigidos pela competência da banda.

O disco se encerra com a emocionante "Late Redemption", em que Edu convida o público a cantar as partes originalmente gravadas por Milton Nascimento. Um lindo coro tomou conta do Tokio Marine, um grande acerto de Edu.

Temple of Shadows finalizado, Edu apresenta sua nova era com “The Ancestry”, do excelente disco solo Vera Cruz. Infelizmente, a música ainda é pouco conhecida entre os presentes, que estavam lá principalmente para celebrar o álbum lançado há 20 anos.

Um dos momentos mais surpreendentes do show foi a execução de "Bleeding Heart", música originalmente composta para o Angra, que foi regravada em português pela banda de forró Calcinha Preta. Edu cantou alguns trechos da versão nordestina em português, que foi entoada em alto e bom som pelo público.

Durante uma pausa no show, Edu agradeceu aos fãs que vieram de várias partes do mundo para assistir à apresentação – Japão, Guatemala, Chile, Estados Unidos, Argentina e Peru –, mostrando que esse foi realmente um show lendário.

Na hora de apresentar Pegasus Fantasy, Edu fez uma pegadinha com o público: “Vamos tocar uma música nova para vocês. Sempre bom tocar música nova ao vivo.” Quando a introdução começou, o público veio abaixo. Para quem não sabe, essa é a música de abertura do anime japonês Cavaleiros do Zodíaco, na qual Edu é a voz da versão brasileira.

Perto do final, não poderiam faltar os clássicos "Rebirth" e "Nova Era", hinos absolutos da fase de Edu no Angra.


A maior surpresa ficou para o encerramento: Edu chamou todos os convidados para tocar um clássico do Heavy Metal mundial: "I Want Out", do Helloween. Subiram ao palco Kai Hansen, Adrienne Cowan, Roy Khan e o próprio Edu nos vocais. Bill Hudson também retornou para dividir as guitarras com Kai, Diogo Mafra e Victor Franco.

Edu Falaschi levou o Tokio Marine Hall de volta à era de ouro do Power Metal no Brasil. Uma noite que ficará para sempre na memória dos fãs. Foi uma verdadeira viagem no tempo até 2005, com certeza.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Live Stage / Agência Artistica 

Press: TRM Press


Edu Falaschi – setlist: 

Spread Your Fire

Angels and Demons

Waiting Silence

Wishing Well

The Temple of Hate (com Kai Hansen)

The Shadow Hunter

No Pain for the Dead (com Adrienne Cowan)

Winds of Destination (com Adrienne Cowan)

Sprouts of Time

Morning Star

Late Redemption

The Ancestry

Bleeding Heart

Pegasus Fantasy

Bis

Rebirth

Nova Era

I Want Out (com Roy Khan, Kai Hansen, Adrienne Cowan, Bill Hudson)