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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Cobertura de Show: Timo Tolkki – 12/09/2025 – Rooftop Galeria do Rock/SP

O nome Timo Tolkki é um daqueles nomes que normalmente se dividem entre a parcela que o desconhece completamente e aqueles que não só o conhecem, como entendem sua importância para o que temos hoje do power metal melódico. Isso porque, juntando-se em 1985 ao Stratovarius, o guitarrista (que também desempenhou a função dos vocais nos primeiros anos) ajudou a sedimentar, pelos 23 anos seguintes, todo um subgênero, sendo creditado ao lado de grandes como o Helloween, como pertencente a esta primeira geração.

Riffs rápidos, melodiosos e cheios de personalidade sempre foram características do músico, que já figurou em listas entre os guitarristas mais rápidos do mundo, deixando sua clara marca pelo Stratovarius através dos anos, até sua saída em 2008. Mas engana-se quem pense que o mesmo fica “apenas” creditado às obras de sua banda passada, tendo construído distintos projetos como o Revolution Renaissance e o Avalon, projetos que trouxeram diferentes participações como Michael Kiske, Tobias Sammet, Russell Allen, Tony Kakko e por aí vai.

Tudo isso para dizer que, ao refletir sobre o nome do músico, é inegável o impacto e a ligação deste com sua antiga banda mais icônica, mas que o tempo e suas outras produções contribuíram também para o reconhecimento como essa figura celebrada pela sua contribuição e contínuo desenvolvimento para a cena do metal. E não é absurdo compreender também o quanto esta história não só é reconhecida, como celebrada pelo brasileiro, especialmente dada a ligação com o gênero.

Desta forma, uma passagem do artista pelo nosso solo parecia um momento oportuno para celebrar sua história e possibilitar o contato do público com essa figura, algo que, inicialmente, acabou por sofrer contratempos e frustrações, uma vez que a turnê marcada para meados de março havia sido cancelada devido a problemas de saúde enfrentados pelo músico, especialmente em sua luta contra a diabetes tipo 2, que traz diferentes desafios, incluindo de mobilidade.

Com o tempo e recuperado, a turnê que parecia não ocorrer ganhou novas datas e lugares, espalhada por treze cidades brasileiras, cobrindo do sul ao nordeste do país. Falando especificamente de São Paulo, o show ficou marcado para acontecer na emblemática e histórica Galeria do Rock, dentro de seu recente espaço Rooftop Galeria do Rock, promovendo não só uma experiência única pela vista, mas também uma proposta diferente que contou com open bar para os pagantes e uma estrutura que propiciava um momento mais íntimo.

A grata surpresa da noite se deu pela abertura, a cargo de um super time que contou com Gus Monsanto nos vocais, Cesário Filho na guitarra, Bruno Sá no teclado e backing, Cristiano Gavioli no baixo e Rodrigo Martinho na bateria. Digo surpresa pois, apesar dos nomes de Gus e Cesário serem creditados no flyer como “participação especial”, não havia se deixado claro que haveria uma apresentação completa previamente ao show, o que inclusive acabou confundindo algumas pessoas sobre os horários reais de seu início.

Pois, pouco após as 20h, horário programado para o início, subiam ao palco do Rooftop os músicos, em um clima realmente pouco usual: um público até então espalhado, sentado entre conversas e bebidas, que ia se enfileirando pelo espaço, onde, para além do palco, era possível contemplar a bela vista para os arranha-céus, prédios antigos e o movimento da cidade que nunca dorme.

O repertório foi instantaneamente bem aceito, inflamando o lugar à medida que gerava crescente aprovação. De Yngwie Malmsteen a Scorpions, Black Sabbath, Deep Purple, entre outros, a banda reunida foi esperta ao mesclar diversas músicas de grandes hits a lados B que não só passaram voando, como serviram para o público aquecer o vocal junto a Gus, que aproveitou também para intercalar músicas de seu projeto solo e álbum mais recente, lançado em 2024, Dandelions, trazendo Hipnotized e Unbroken, ambas marcantes, cheias de ginga, do mais puro hard n’ heavy, destacando-se pela voz potente e um pouco mais “rasgada”, que chama a atenção.

E quando o assunto é chamar a atenção, impossível não mencionar talvez o destaque da noite, Cesário Filho, pela impressionante velocidade das palhetadas e riffs em sua interpretação das músicas, que eram verdadeiramente de deixar o queixo cair. Aproveitaram também para tocar uma música do guitarrista, prestes a ser lançada, chamada Tarot Cards. Não havia uma pessoa que, passando ou simplesmente parada, não fosse hipnotizada pelo som e não tecesse um elogio à proeza do músico. Nesse sentido, os elogios são importantes a serem deixados também para Bruno Sá, em todo seu carisma e a boa parceria que fazia com Cesário, fosse nos solos de teclado ou nos momentos de “conversa” entre guitarra e teclados, que eram simplesmente divertidíssimos.

Cristiano não ficava para trás, junto a Rodrigo promovendo aquele peso, profundidade e constância que permitiram à banda como um todo se sobressair e se elevar em tamanhas músicas de grande relevância na história, mas deixando claro que, para além de uma banda reunida para interpretações, estávamos claramente vendo competentes e experientes músicos que, ainda que talvez inesperados para alguns (eu incluso), pareciam simplesmente a atração principal, deixando todos satisfeitos com a performance.

Mas, encerrada a apresentação, era o momento de nos lembrar de que ainda havia a grande estrela da noite, para nos conduzir aos primórdios do power metal através das eras douradas do Stratovarius. Pouco a pouco, o palco começou a ser montado novamente, onde subia o Galaxie, banda de apoio de Timo no Brasil, formada por amantes do Stratovarius que nomearam a banda justamente em homenagem, e que curiosamente mantém também um projeto voltado ao universo do rock japonês e célebres músicas de tokusatsus e animes, de nome Banda KameRider, formada por Chico Saga (vocais), George Rolim (baixo), Thiago Bruno (teclado) e Ge Costa (bateria). 

Com tudo aparentemente ajustado, incluindo uma bandeja com três caipirinhas dispostas para o músico em sua cadeira, tivemos um breve discurso de Flavio, responsável pela agência e produtora Breakdown Media, comentando sobre os desafios enfrentados até aquele momento e até mais recentes, com uma queda sofrida por Timo, que o estava fazendo tocar sentado, tendo essa preocupação de transparência para com o público.

De longe, já era possível ver chegando a grande figura do músico que, após se sentar, entre os constantes gritos dos fãs, iniciou da melhor forma possível, com Hunting High and Low, principal “hino” do Stratovarius de seu álbum Infinite (1999), que em um primeiro momento, abafada pelo cantarolar do público em frenesi, escondeu as primeiras aparições do que viria a ser o grande vilão da noite: problemas técnicos.

Em Paradise e Cold Winter Nights, as coisas começaram a soar frustrantes, principalmente entre os próprios músicos e Timo, que comentava sobre problemas com os retornos, instrumentos cujo som simplesmente sumia e exigências técnicas que demandaram tempo para se entender o que estava ocorrendo, até pouco a pouco se chegar ao melhor possível para entregar uma apresentação satisfatória ao público, que, por sua vez, entre um mix de sentimentos, parecia bem compreensivo e solidário, especialmente a Tolkki, que se mostrava desconfortável com os imprevistos.

Vale a nota de que até então, não havíamos tido quaisquer problemas do tipo (vide a apresentação anterior) e muitos dos entraves e ajustes realizados ao longo da apresentação  aparentaram ser pedidos de Timo em relação ao seu próprio instrumento, fato este que em alguns momentos contou ainda com a ajuda de Cesário Filho para ajudar o guitarrista a deixar seu som o mais próximo de seu objetivo.

Curiosamente, em Stratosphere as coisas pareciam engrenar, onde o claro brilho e foco da apresentação estava na possibilidade de acompanhar o guitarrista fazendo sua arte em momentos que pareciam fazer desaparecer todo o resto. Houve espaço para surpresas também, como o retorno de Gus aos palcos para tocar duas músicas que fugiam do acervo do Stratovarius e batiam no do Revolution Renaissance, banda esta da qual Gus integrou, e revelou sobre aquele ser o primeiro encontro em 15 anos de ambos, fazendo daquele um momento cheio de significado para todos. Do repertório, fica o destaque para Age of Aquarius, autointitulada do álbum que traz esse lado mais progressivo e melódico do que um power propriamente dito, mas que, considerando a proposta do setlist, acabou dando um grande contraponto, com, claro, direito a um baita solo.

Houve sim, nesse meio tempo, mais alguns probleminhas aqui e ali, mas que não impediram o show de continuar, passando por outros hinos como Speed of Light e a música que fechou a noite, Black Diamond, no que, dentro da perspectiva do público, parecia satisfatório, mesmo que somado aos contratempos e à apresentação mais enxuta. Vale mencionar o próprio apoio da banda Galaxie que, a todo momento, buscou celebrar Timo, e parecia que a presença do mesmo os fazia entregar tudo de si para estar à altura da célebre obra do guitarrista.

Timo, do seu jeito, parecia também agradecer e interagir com o público, mesmo sendo mais reservado e se retirando assim que finalizada a apresentação. Aqui vale também comentar sobre o som que, apesar de ter encontrado seus desafios, quando em comparação à banda de abertura, ainda assim, pensando em um espaço aberto e de, em tese, zero eficiência em termos de propagação sonora, esteve muito bom ao longo da apresentação como um todo.

Ainda que marcado pelos desafios, colocado na balança o significado para o gênero e o legado incontestável, tivemos em primeira mão uma noite única na capital paulista, em que, para o futuro, fica guardada a expectativa de uma próxima vinda em que as estrelas se alinhem ainda mais e que o sentimento aparente seja exclusivamente o de satisfação.


Texto: Pedro Delgado (Rato de Show)

Fotos: Rita Zuini e Luciano Silva Rodrigues do Pega Essa Novidade

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 




Timo Tolkki – setlist: 

Hunting High and Low

Paradise 

Cold Winter Nights

Stratosphere 

Age of Aquarius

Speed of Light 

Black Diamond

terça-feira, 3 de junho de 2025

Rising Nymph: Opera Rock Fora da Curva

 


O preço da vanguarda pode ser o reconhecimento tardio de uma obra, mas a arte e a inovação são para os destemidos, os que se desafiam constantemente em busca de evolução e novos caminhos.

Para Alex Voorhees, vanguarda não é um campo estranho, tendo em seu currículo álbuns sempre desafiadores com o Imago Mortis, como o seminal “Vida”, e com o Dust From Misery, onde fundiram o Metal com música indiana, só para citar alguns exemplos, pois o músico e produtor não para de criar música de diversos estilos, em projetos próprios e para outros artistas, passando pelo Metal, Pop, Synth, Clássico e outros.


A mais recente obra a qual Alex Voorhees novamente buscou desafios, deixando a arte falar por si, sem temer as armadilhas do vanguardismo, é a inovadora ópera rock "RISING NYMPH". 

A Ópera Rock vem sendo desenvolvidas desde 2020, e foi concebida para abordar a urgência das mudanças climáticas, essa obra pioneira oferece uma jornada emocionante através da história de Yanisse, uma figura alegórica que se transforma em uma guardiã da natureza, unindo poderes sobrenaturais à sua existência.

Desenvolvida como o primeiro projeto de ópera rock no mundo utilizando a inteligência artificial , "RISING NYMPH" foi dividida em 12 videoclipes, os quais estão sendo disponibilizados aos poucos no canal do YouTube da cantora Julia Crystal. 

Cada um dos vídeos conta uma parte crucial da narrativa, retratando a crua realidade das adversidades ambientais.  



Os vocais de Julia Crystal foram previamente gravados, preservando sua autenticidade e organicidade. As guitarras, conduzidas com maestria por Luke Oliveira (Imago Mortis) e pelo norte-americano Warren J. Maniak, enriquecem a composição com profundidade e expressão. 

Os demais instrumentos foram cuidadosamente arranjados por Voorhees, um verdadeiro mestre das sequências MIDI e dos VSTis, garantindo uma sonoridade sofisticada e envolvente.

A parceria de Alex Voorhees e a emotiva performance da cantora Julia Crystal cria uma simbiose visceral entre música e imagens, fundindo elementos reais e CGI para oferecer uma experiência audiovisual imersiva e inesquecível. 

Rising Nymph prova que a IA pode ser usada como elemento complementar, mesmo que jamais poderá substituir a criatividade e feeling humanos, elementos os quais afloram nesta obra.



O projeto, além de entreter, busca educar e catalisar mudanças positivas na relação da sociedade com o meio ambiente.

Já estão disponíveis os seis primeiros capítulos no canal do YouTube de Julia Crystal, além de um resumo fazendo um apanhado da história até aqui, e você confere os links no final desta matéria.

Esta obra destaca o patrimônio artístico e cultural de nosso país, incorporando elementos da cultura brasileira e mundial, incluindo influências das religiões de matriz africana e
entidades folclóricas globais. 

A convergência entre inovação tecnológica e patrimônio cultural promove um diálogo transformador, estimulando reflexões sobre a sustentabilidade ambiental.


Acompanhe essa jornada única! Seja parte desse movimento que une música, arte e conscientização ambiental para um mundo mais sustentável.


Veja o que alguns jornalista e artistas já disseram sobre Rising Nymph:

Sensacional, Julia Crystal canta muito…Projeto do grandíssimo Alex Voorhees, tenho certeza que vocês vão gostar muito.” Ederson Leão (Canal YouTube Ederson Leão)

Alex Voorhees sempre mostrando sua qualidade como compositor, um artista que não se impõe limites quanto a estilos ou estéticas. Ópera Rock que traz melodias elaboradas e cativantes, nuances de música brasileira e World Music, momentos introspectivos e de peso. Acompanhem, é uma ótima surpresa.” Carlos Garcia (site Road to Metal)

Alex Voorhees é um artista fora da curva e um grandíssimo compositor.Heleno Vale (Soulspell)

"Letras interessantes com temas existenciais e crítico…encadeamentos melódicos e harmônicos inusitados para sons pesados. Os vocais estão ok quanto a expressividade e afinação, assim como a produção e mixagem. 

Gostei muito dos arranjos…embora eu preferisse analisar essa canção não isoladamente, mas no contexto todo. Certamente ganha mais força se contextualizada dentro do álbum completo.” Régis Tadeu, sobre a canção “Nobody Believes Me"



(Para fãs de Ayreon, Within Temptation, Enya, Sabrina Carpenter, Charlotte Wessel’s Phantasma, Soulspell)

Informações: 
A Moon Productions
amoonproductions@gmail.com



Texto: Caco Garcia e Alexandre Machado 






quinta-feira, 24 de abril de 2025

Entrevista: Dynazty - Nils Molin Fala Sobre o Novo Álbum e a Vinda ao Brasil



Formado em 2008, o Dynazty evoluiu ao longo dos anos de suas origens humildes, enraizadas na cena de hard rock escandinava, para ganhar destaque na cena moderna de metal melódico.

Com trabalhos de destaque como  "The Dark Delight", que recebeu disco de ouro na Suécia, país natal da banda, e na vizinha Finlândia. Com singles como "Heartless Madness", alcançando disco de platina, e "Presence of Mind" sendo destaque nos quadrinhos da DC e na série Peacemaker da HBO.

Turnês nos últimos anos, juntamente com bandas como Sabaton, Powerwolf, Battle Beast, Pain e Kissin Dynamite ajudaram a consolidar a banda no continente europeu como um dos artistas ao vivo mais proeminentes de sua geração.

E a banda busca mais, com o mais recente trabalho lançado início deste ano, “Game of Faces”, o Dinazty mostra que não tem medo de evoluir. Falamos com o vocalista Nils Molin, que nos contou mais a respeito do novo álbum, e claro, sobre a vinda ao Brasil para o festival Bangers Open Air.



RtM: Para iniciarmos, gostaria que você comentasse o que este novo álbum tem de diferente com relação aos seus antecessores.

Nils Molin: Este álbum é definitivamente um reflexo do período em que o escrevemos, o que sempre torna as coisas um pouco diferentes do álbum anterior, “Final Advent”, por exemplo. “Final Advent” foi escrito durante a pandemia do COVID, um período em que estávamos apenas escrevendo o álbum, o que era a única coisa que podíamos fazer na época, então foi o que fizemos

E com este álbum, embora tenhamos saído mais ou menos constantemente em turnê desde o lançamento de “Final Advent” e termos escrito “Game of Faces” entre as turnês e entre outras responsabilidades e sempre que há tempo para isso, então o processo foi um pouco mais disperso do que o normal.

Mas também pelo fato de termos feito muitas turnês você pode perceber no nível de energia do álbum, se preferir, eu acho que ele tem um pouco de energia extra e talvez até mesmo agressividade.



RtM: Uma característica única para este álbum em particular, é que ele é mais pesado e mais agressivo do que, digamos, “Final Advent" e soa um pouco menos experimental do que “The Dark Delight”. É uma boa coleção, de tudo o que vocês fizeram até agora ao longo de toda a sua carreira como banda. É um ótimo álbum.

Nils: Bem, é como você disse, quero dizer, "Dark Delight" talvez eu não o chamaria de um álbum experimental por si só, mas definitivamente tinha muita dinâmica e muitas músicas entraram em territórios diferentes, etc., mas o plano de jogo com este álbum era torná-lo muito coeso e conciso. 

Tipo, este é o álbum, serão 10 ou 11 músicas e será mais ou menos a todo vapor até o final, embora tenhamos algumas músicas um pouco mais suaves no final, o que fez muito sentido quando estávamos escrevendo uma música Como "Dream of Spring", que é a penúltima música, foi na verdade uma das últimas músicas que escrevemos para o álbum, onde sentimos que precisávamos de algo um pouco mais suave, para complementar e completa-lo.



RtM: Certo. E sobre "Dream of Spring", talvez eu esteja errada,  mas para mim há um pouco daquela canção do John Lennon e da Yoko Ono nela, me lembra um pouco de "Merry Christmas" (The War is Over), não sei, talvez os coros ou algo assim. Foram intencionais ou apenas coincidência?

Nils: Hum, não acho que seja intencional, não acho que seja consciente, hum, não sei exatamente, hum, é a música de Natal com John Lennon e Yoko Ono a que você está se referindo?  Não me lembro como é.  

Não acho que tenha sido intencional, nós só queríamos escrever uma música de uma forma que não tínhamos feito, uma música mais suave, então estávamos procurando uma maneira de fazer esse tipo de canção, mas de uma forma que não tínhamos feito antes, então isso nos levou a algumas experimentações com arranjos e coisas assim. 

Mas sim, em geral, a música ou o tema lírico do álbum é muito reflexo do que vem acontecendo na Europa nos últimos anos, uma situação que não tivemos ou que nossa geração não vivenciou, que é, na verdade, uma guerra, uma situação de guerra real na Europa, então eu simplesmente tinha que escrever algo sobre tudo isso.



RtM: Talvez você esteja particularmente orgulhoso dessa música por causa dos seus
temas líricos ou algo assim, ou há alguma outra música da qual você particularmente se orgulhe de ter escrito para este álbum? 

Nils: Não acho que me orgulhe mais de uma música em particular do que de qualquer outra. Acho que são sempre peças individuais que completam o todo, por assim dizer. Considero, neste caso, “Dream of Spring” como parte integrante do ato final do álbum, por assim dizer, uma peça que estava faltando até que a escrevêssemos.

Então, com certeza, eu realmente gosto dessa música. Acho que ficou ótima, mas, novamente, é isso que penso em quase todas as músicas, ou até mesmo em todas as músicas do álbum.



RtM: Certo, e é uma ótima maneira de apresentar a próxima música, “Mystery”, que é uma ótima música também. Eu gosto dela. 

Nils: Sim, então essa música eu ia mencionar, já que estávamos falando sobre as músicas, que essa música também foi uma das últimas músicas escritas para o álbum e parecia que algo era necessário para o final do álbum, e  que talvez fosse ainda mais edificante do que “Dream of Spring”, para que ainda terminasse com o mesmo tipo de nota com que o álbum é apresentado. Essa era a ideia desse tipo de música. 



RtM: Ok! Bom, vamos falar um pouco sobre o vídeo que vocês gravaram usando inteligência artificial, e que é uma nova tecnologia  que muitas pessoas gostam, algumas pessoas não gostam, e você já tinha falado sobre tecnologia, mas de uma maneira diferente, sobre mídia social e esse tipo de coisa. Mas nós fale como você se relaciona com a tecnologia em geral e especialmente sobre o que você pensa sobre inteligência artificial e arte e esse tipo de coisa?

Nils:  Bom, para mim, antes de tudo, sei que este é um tópico controverso, e minha opinião sobre tudo isso é que não há como, neste momento, e eu não acho que provavelmente em algum momento, essa tecnologia de inteligência artificial possa substituir um artista humano.
E é uma questão filosófica, se é que algum dia poderia.

Mas definitivamente, neste momento, não há como, a principal razão pela qual usamos isso para este vídeo foi porque queríamos fazer algo visualmente diferente para a banda e porque a música em si, o tema de “Game of Faces”, é basicamente o que é real, o que é um rosto real, o que é um rosto falso e o que é uma opinião subjetiva. 

E essa coisa de vale misterioso que toda essa tecnologia de IA tem, se encaixaria em tudo muito bem nesse sentido, de que se você não consegue realmente dizer com certeza se algumas das coisas que você vê são falsas, mas, novamente, você tem essa sensação de que também é real, sim, é muito confuso, se encaixa exatamente com os temas das letras. 



RtM: Um tema delicado, mas encaixa na música.

Nils: É definitivamente algo que se encaixa com o tema da música em geral, acho que se encaixa tanto na letra quanto é um vídeo lindo para ser honesto, não se opõe à inteligência artificial e tudo mais, não acho que isso possa substituir o trabalho humano ou possa substituir qualquer coisa que possamos  fazer, mas é uma ferramenta valiosa de qualquer maneira, você sabe, é uma ferramenta, e vamos ver como vamos usá-la, e espero que não de maneiras ruins ou estúpidas, o que acontece com muita frequência. 



RtM: Sim, eu sei disso, mas, com certeza, ela não consegue competir com a criatividade humana.

Nils: Neste ponto, de fato, eu ouvi música feita por inteligência artificial e, sinceramente, não parece natural, você não consegue dizer exatamente o que é, mas não é natural, sim, há algo inerentemente errado com ela.
Mesmo que não haja nada que você não possa apontar como incorreto.

Mas seu cérebro percebe isso, então, com certeza vai levar muito tempo até que esse tipo de tecnologia se assemelhe a algo realmente humano. E, filosoficamente, não acho que possa.



RtM: Você trabalhou com Jona Tee, do Heat , no álbum “Conquerors”. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre isso. Eu sei que já faz um tempinho desde que foi lançado, mas já que estamos aqui, vamos aproveitar esta oportunidade. Como foi trabalhar com ele nesse álbum?

Nils: Foi ótimo, resumindo, eu conheço o Jona há muitos anos e, ao longo do tempo nós conversamos um pouco aqui e ali sobre fazer algo juntos e finalmente aconteceu, e para mim isso foi simplesmente muito divertido, há uma ótima química entre ele e eu. Ficamos apenas sentados lá e trabalhando juntos, experimentando músicas, experimentando composições, vocais e tudo mais, e foi um processo muito, muito despreocupado e divertido.



RtM:  E vocês escreveram as músicas juntos, certo?

Nils: Nem todas, havia algumas, talvez metade do álbum ele já tinha escrito antes, mas na verdade reescrevemos muitas delas e então escrevemos muitas das coisas juntos também.


RtM: E quando você estava colaborando com ele, como você sabia, por exemplo “Ah, eu tenho uma ideia, mas isso é melhor para o Dynazty” ou “Ah, não, isso é melhor para o New Horizon”.  Como você diferencia e separa essas coisas? Como você mantém uma identidade artística distinta para cada um?

Nils: As coisas que eu e o Jona fizemos, nós apenas sentávamos  no estúdio dele para compor, então, não era como se eu estivesse em casa tendo ideias, porque então, pode ser mais confuso, tipo, isso é uma ideia para este álbum ou é uma ideia para o Dinazty? 

Então, nós estávamos no estúdio simplesmente gravando e escrevendo simultaneamente, de forma mais espontânea, muito, muito espontânea, na verdade. Então nunca houve qualquer dúvida se esta ou aquela seria uma música para qualquer outro álbum, seja de nossas bandas ou seja lá o que fosse, só estávamos fazendo o que estávamos fazendo na época e isso seria o álbum do New Horizons.



RtM: E o que podemos esperar do New Horizon no futuro? Há algum plano para um novo álbum ou algo assim?

Nils: Neste momento, não há um plano real para nada neste momento, quero dizer, eu e Jonah temos um milhão de responsabilidades.

E isso aconteceu de ser um momento em que poderíamos realmente fazer isso e funcionou bem e eu espero que possamos fazer outro álbum juntos em algum momento, sim, mas eu simplesmente não sei.



RtM: Você é considerado um dos melhores vocalistas da sua geração, e você explora diferentes aspectos da sua voz, você tem uma voz clara, você explora tons mais graves, mais agressivos, e às vezes um pouco de blues aqui e ali.  Como foi o processo de definir sua identidade vocal ao longo de sua carreira?

Nils: Essa é uma ótima pergunta. Eu acho que não é algo que acontece da noite para o dia, não é como você simplesmente decidir um dia “Eu serei esse tipo de cantor e/ou amanhã eu farei esse tipo de vocal”, é algo que já existe organicamente dentro de você como cantor, e eu me considero um cantor muito versátil e há ainda mais estilos de canto que eu nunca gravei ainda,  e que eu sei que poderia explorar se eu quisesse ou se eu tivesse a oportunidade, mas ao mesmo tempo eu também gosto de manter o foco no que eu quero fazer e não me dispersar muito também.

Em geral, meu princípio como cantor é sempre servir à música primeiro. O que eu quero dizer é que gostaria de fazer algo vocalmente que fosse interessante para mim, da minha perspectiva de vocalista puro, isso pode nem sempre ser a melhor coisa para a música, e isso vale para qualquer tipo de músico.

Você sabe, um bom exemplo de você é você experimentar na música sem realmente beneficiá-la, então esse tem sido meu princípio fundamental como cantor, pois sempre tento servir à música primeiro e garantir que faço justiça à música antes de fazer a mim mesmo.

Eu adoro experimentar com meus vocais, adoro ver até onde posso levar as coisas e, no que diz respeito à minha identidade como cantor, é algo que desenvolvo ao longo dos anos, não acho que você possa forçar ou empurrar em nenhuma direção específica, ou acontece ou não, conforme você experimenta, você se conhece melhor e experimenta um pouco mais, e você se desenvolve espontaneamente. 

No início da carreira é definitivamente uma questão de encontrar  seus pontos fortes
e descobrir o que você pode fazer e se desafiar a todos os tipos de limites para ver até onde poderia ir. Sim, eu fiz muito disso ao longo dos anos.



RtM:  Ok, e o que você acha o mais importante em um vocalista. Você acha que é um timbre único? A sua técnica vocal? A performance de palco?

Nils: No melhor dos mundos, uma mistura de todas essas coisas, mas eu acho que o mais importante é um bom timbre, expressão e criatividade, e eu, quero dizer, técnica é inútil se você não tiver um bom timbre. 

Técnica é inútil se você não tiver expressão, se você não tiver criatividade, então, hum, eu acho que os princípios básicos devem ser sempre um bom timbre, porque é isso que soa bem,  e expressão e criatividade, e então, se você tiver a possibilidade de explorar e ter uma ótima técnica vocal, vá em frente, certo?



RtM: Bom, estamos chegando ao final da entrevista, vocês se apresentarão aqui no Brasil pela primeira vez no Bangers Open Air em 3 de maio, quais as expectativas de vocês  para o show? 

Nils: Bem, eu tenho feito entrevistas por três horas com o Brasil agora, e todo mundo tem falado, obviamente, muito sobre este festival, e eu ouvi muito sobre ele, então, na verdade, neste momento, temos expectativas bem altas para isso, mas sim, com certeza, é um show muito difícil para nós fazermos, na verdade, teremos apenas cerca de uma hora.

Mas o principal é que estamos muito, muito animados para finalmente vir e tocar no Brasil, estamos ansiosos e sabemos que temos muitos fãs que querem nos ver há anos, estou muito animado para finalmente fazer isso e, o que é ainda melhor, é que ouvi dizer que esse festival é incrível, tem muita gente falando muito positivamente sobre ele, há uma programação fantástica de bandas este ano também.

Então, eu não sei, nós provavelmente não poderíamos estar mais animados para tocar em um festival específico este ano, como é nosso primeiro e único show até agora no país.



RTM: E considerando as diferentes fases musicais do Dynazty, como vocês montam o set list para ocasiões como esta?

Nils: Sabe, tipo, será nosso primeiro show nesse lugar e temos esses públicos diferentes, sabe, pessoas que gostam mais da fase hard rock da banda, do power metal, do metal melódico mais moderno. 



RtM: Vocês tentam misturar tudo ou é mais, eu não sei, tipo, espontâneo?

Nils: Sim eu acho que é, vai ser mais ou menos a mesma coisa que fazemos aqui, quero dizer, quando tocamos em festivais de verão europeus, por exemplo, você sempre tem que levar em conta o fato de que haverá muitas pessoas que talvez nunca tenham ouvido a banda antes, então você precisa construir um set list que funcione para os seus fãs que estão lá e para as pessoas que nunca ouviram a banda antes, e vindo ao Brasil agora, definitivamente queremos montar um set list que seja o que consideramos o melhor do Dinazty e aproveitar ao máximo o tempo que teremos no palco. 



RtM: É um tempo relativamente curto.

Nils: Sim, é difícil colocar muitas coisas em apenas uma hora, claro que é, mas vamos tentar e, claro, temos um novo álbum lançado nesse momento, então haverá algumas músicas do último álbum e então tentaremos colocar nossas músicas mais fortes e tornar o nosso set list mais forte.



RtM: Então é isso, então obrigado novamente pelo seu tempo, deixe-me dar as boas-vindas antecipadas ao Brasil,  e claro, deixe uma mensagem para seus fãs aqui.

Nils: Sim, claro, não se esqueçam de conferir nosso novo álbum, “Game of Faces”, lançado em 14 de fevereiro e nos vemos no Bangers Open Air em 3 de maio. E como eu disse antes, estamos muito, muito animados para finalmente vir e tocar no Brasil.


RtM: Obrigado novamente, Nils. 

Nils: Obrigado, tchau, tchau.


Entrevista por: Renata Carvalho 
Transcrição/Tradução e Edição: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 
Agradecimentos: Nuclear Blast Brasil 

O álbum do Dynazty está disponível no Brasil através da parceria Nuclear Blast e Shinigami Records 





domingo, 21 de janeiro de 2024

Cobertura de Show: ShamAngra – 14/01/2024 – Audio/SP

Luis Mariutti, lenda do baixo nacional e conhecido pelos seus trabalhos no Angra, Shaman e entre outros projetos que participou ao longo de suas quatro décadas de carreira, fortificou seu nome nos últimos anos depois que criou o seu canal no Youtube. 

Anualmente, junto com sua esposa, Fernanda Mariutti, (cérebro do Mariutti Team) promovem a “Festa da Firma”, que tem como intuito de premiar os melhores do ano de cada categoria com rápidos shows dos novos nomes do Metal nacional.

Diferente dos últimos anos, o evento dessa vez foi abrigado em uma das casas de mais movimentadas de São Paulo, a Audio, que recepcionou um grande público num domingo bastante quente e reuniu os membros do Shaman e do Angra para o ShamAngra, ideia já antiga e que, finalmente, se tornou realidade no último dia 14 de janeiro. 

Mas antes desse grande momento acontecer, o dono da festa, pontualmente às 18hrs, aproveitou o dia para tocar (na integra) o “Unholy”, álbum que é voltado apenas para o som de baixo, bateria e com um pouquinho de guitarra. Ao lado do excelente baterista Rodrigo Oliveira (Korzus, Oitão), Luis - com toda sua empatia - agitou os poucos presentes com sua performance e as músicas altamente caprichadas.

Seguindo a mesma roupagem do disco, o show contou com a participação do vocalista - e um dos componentes do ShamAngra - Thiago Bianchi em “The Eye Of Evil” e “Addicted”, essa última o ‘front-man’ fez questão de se despedir saudando o Luís de joelhos. Outra participação foi a do vocalista Alessandro Bernard, da Kill For Nothing, em “God Of War”, que encerrou o show de forma agressiva com os seus berros.

A noite contou com três bandas de abertura, duas delas vindo da região norte e nordeste. Os baianos do Auro Control foram os primeiros a entrar em cena. Com forte influência do Power Metal dos anos 90, o quinteto, na ocasião, promoveu o primeiro show da carreira diante de um público volumoso, que se empolgaram com as músicas que estarão no primeiro álbum, a ser lançado em breve. O grande destaque ficou para o guitarrista Lucas Barnery, que destilou muito bem suas habilidades no instrumento com perfeição.

Diretamente de Tocantins, a Vocifer também ganhou muitos votos pela ótima presença de palco, um dos pontos que mais chamou atenção da maioria. Com dois álbuns lançados - “Boiuna”, “Jurupary” - que abordam os contos folclóricos do Brasil, a banda também se escora no Power Metal, só que puxando mais a linha oitentista e não tão melódico quanto a atração anterior. E eles também saíram com um saldo positivo, rendendo até gritos de “mais um”.

Encerrando a trinca de aberturas, o FireWing, fundado durante a pandemia pelo guitarrista Caio Keyayan, não recebeu tantos holofotes quanto as outras bandas. 

Por mais que sejam ótimos músicos, o show acabou pecando muito pela qualidade do som, deixando as guitarras, voz e orquestrações (pré-gravadas) com pouca nitidez. De especial teve a presença do Bill Hudson, atual guitarrista da Rainha do Metal, Doro Pesch, em “Obscure Minds”, faixa do único álbum,“Ressurection”.

De forma rápida para não atrasar o último ato da noite, Terry Painkiller, (vocalista do Facing Fear), ao lado da Maná Mendonça, comandaram a premiação dos “Melhores do Ano” de 2023. O Black Pantera, banda que vem ganhando cada vez mais credibilidade na cena, foi a que saiu de mãos cheias com três troféus, sendo o de melhor baixista, single e melhor álbum.

Enfim, às 21h50, o ShamAngra apareceu no palco já com a Audio completamente cheia. Os irmãos Hugo e, claro, Luis Mariutti, dividiram, pela primeira vez, o palco com o grande Aquiles Priester. 

Mais que isso, também foi a primeira vez que o baterista, que é uma verdadeira máquina, tocou as músicas do Shaman ao vivo. A sua pegada encaixou puramente nas linhas criadas pelo Ricardo Confessori com uma dose a mais de técnica, velocidade e brutalidade, logo sentido de começo com “Here I Am” e “Time Will Come”, do álbum “Ritual” (2002).

Do Angra só teve músicas do “Angels Cry” (1993), “Holy Land” (1996) e do “Fireworks” (1998), álbuns que o Luis gravou na época que integrava a banda. “The Shaman”, “Carolina IV”, “Never Understand” e “Streets Of Tommorow” - músicas que não tem status de hit, mas que tem um valor absurdo - foram as mais aclamadas da noite. 

É muito interessante ver o Hugo, que vem de uma escola totalmente diferente, tocando elas no mesmo nível que está no disco. Fora a ótima performance, ele interagia com todos de forma animada, diferente da novata guitarrista Helena Nagagata, que esteve concentrada até o último minuto.

Para as vozes contou com a experiência do Thiago Bianchi e da talentosa Hanna Paulino, onde os dois optaram em cantar as músicas em dueto, sendo uma e outra de forma solo. Com um visual estilo Rob Halford, Thiago, que fez parte da segunda formação do Shaman e atualmente na Noturnall, provou que está na sua melhor forma vocal e cantando muito bem.

Já a cantora amapaense segurou muito bem a bronca em interpretar as obras do saudoso Andre Matos, principalmente na dificílima “Wuthering Heights”, onde muitos (e muitas) não têm a audácia de cantá-la.

O restante do show foi marcado por alguns convidados especiais, que são a nova geração de vocalistas que surgiram antes e depois da pandemia. A primeira a puxar o carrossel foi a Juliana Rossi, que emprestou sua voz em “Make Believe”; Kaka Campolongo (de praxe) fez “Speed”; Vanessa Lockhart (a dona do shopping, segundo a Hanna) em “Mystery Machine”; Victor Emeka (Hibria) em “Pride” e Mayara Puertas (Torture Squad) em “Over Your Head”.

Antes da “Carry On”, Thiago e Hanna apresentaram os integrantes. Aquiles, como de costume, roubou a cena com suas palavras. Além dos elogios direcionados a Fernanda, definindo-a como um verdadeiro “tanque a serviço do Metal”, ele relembrou da conversa que teve com o Luis e com o Hugo a respeito da opinião que ele tinha do “Ritual”, que não deve ter sido das boas. “Eu confessei para eles dois, dentro do ensaio: ‘Cara, o “Ritual” é um puta disco! Me desculpa eu ter falado merda no passado”, falou.

O bis proporcionou emoção e adrenalina. A emoção não poderia ser de outra forma a não ser com “Fairy Tale”, que o Aquiles nunca imaginava em tocar. As lágrimas eram vistas nos rostos da maioria, até mesmo do Thiago e da Hanna. E foi muito bonito ver todos gritando “Andre, Andre” no final; a adrenalina veio com “Angels Cry”.

Alguns que dependem de transporte público, infelizmente, tiveram que ir embora antes do encerramento para conseguirem voltar para as suas casas. O show terminou faltando 10/5 minutos para meia noite, o que não é normal para um show de domingo à noite, mas no final valeu a pena!

Realmente a ideia deu liga, sendo a melhor saída para manter vivo o legado do Shaman, que encerrou as atividades no começo do ano passado, com a adição dos clássicos da primeira fase do Angra. Que as demais capitais possam ter a experiência de vê-los futuramente, pois como o Thiago disse, “será o primeiro de muitos”.

 

Texto: Gabrie Arruda 

Fotos: Belmilson Santos (@bel.santosfotografia)

 

Produção/Realização: Mariutti Team

Assessoria de Imprensa: Hell Yeah Music Company

 

ShamAngra

Ancient Wings / Here I Am

Time Will Come

The Shaman

Carolina IV

Never Understand

Wuthering Heights

Streets Of Tommorow

For Tomorrow

Make Believe

Speed

Mystery Machine

Pride

Over Your Head

Carry On

***Encore***

Fairy Tale

Angels Cry

sábado, 28 de maio de 2022

Moonlight Haze: Criatividade em Alta


F
ormada no ano de 2018, os italianos da Moonlight Haze, mostram que a criatividade continua em alta e apresentam seu terceiro álbum “Animus”. 

Embora tenha sido fundada há poucos anos, a banda é formada por músicos veteranos, como o baterista Giulio Capone (ex-Temperance), o baixista Alessandro Jacobi (Elvenking), os guitarristas Marco Falanga (ex-Hammered) e Alberto Melinato (ex-Teodasia) e a vocalista Chiara Tricarico (ex-Temperance, ex -Teodasia).

“Animus” inicia com a impressionante e cativante “The Nothing”, com direito à um coral, samples de orquestra e vocal lírico no final. 



A seguir, a melódica “It’s Insane” tem um refrão marcante. Chiara canta lindamente em Kintsugi, variando entre um vocal mais angelical e algo mais operístico. Enfim, a faixa título, “Animus”, com um coral cantando em Latim (um ingrediente clássico do metal sinfônico) e Chiara arriscando no gutural. 

Por fim, “The Thief and the Moon”, com riffs fortes e um arranjo divertido, do tipo que te coloca para cima. Em “Midnight Haze”, eu sinto como se a voz de Chiara me levasse para uma jornada de aventuras, é uma das minhas favoritas desse álbum. 

A melodia da faixa “Tonight” é extremamente cativante e a de “Never Say Never” inspiradora. Não há o que contestar em “We’ll Be Free”, é uma música alto astral, daquelas perfeitas para se ouvir quando estamos entediados. Em seguida temos a épica Ritual of Fire”, forte e dinâmica, mas ao mesmo tempo sem exageros.



E finalmente “Horror & Thunder”, que me surpreendeu com seu breve solo de baixo, eu simplesmente não estava esperando por algo assim, fiquei realmente surpresa. 

Das bandas que surgiram recentemente, Moonlight Haze se tornou uma das minhas favoritas, apesar de ter todas as características do estilo, é perceptível que eles conseguiram criar uma identidade própria.

A interpretação de Chiara é brilhante é a sinergia com os outros músicos é perfeita. Eu não consigo botar nenhum defeito em “Animus” e prevejo que esse será um dos meus top 3 desse ano.

Texto: Raquel de Avelar
Fotos: Divulgação

Banda: Moonlight Haze
Álbum: "Animus" 2022
Estilo: Symphonic Metal/Melodic Metal
País: Itália
Selo: Scarlet Records




Track Listing:
1.) The Nothing
2.) It’s Insane
3.) Kintsugi
4.) Animus
5.) The Thief And The Moon
6.) Midnight Haze
7.) Tonight
8.) Never Say Never
9.) We’ll Be Free
10.) A Ritual Of Fire
11.) Horror & Thunder



 

 

sábado, 12 de março de 2022

Anette Olzon: Em Sua Melhor Forma


A vocalista suéca Anette Olzon ficou conhecida mundialmente após ser escolhida para substituir a vocalista original do Nightwish, Tarja Turunen, e com um estilo vocal diferente da antecessora, dividiu a opinião dos fãs dos gigante finlandeses do Symphonic Metal.

Gostos pessoais a parte, Anette fez um bom trabalho na banda no período em que esteve na linha de frente, entre 2007 e 2012, sendo demitida de maneira polêmica em meio a uma turnê mundial e substituída às pressas pela holandesa Floor Jansen (que foi efetivada e permanece na banda até hoje).


Mas a exposição com o Nightwish trouxe bons frutos a cantora, que foi contratada por gravadoras de destaque da Europa, lançando trabalhos em bandas em projetos, como o The Dark Element, Hear Healing, Allen/Olzon, além de participações em álbuns de outros artistas, como The Rasmus e Secret Sphere.

Em 2014 a cantora lançou "Shine", seu primeiro álbum solo, e ano passado chegou a hora de trazer a luz do dia seu segundo trabalho, "Strong". E como o nome sugere, é um disco com muito mais pegada e peso do que "Shine", que era mais suave e introspectivo.

"Strong" mostra uma Anette com versatilidade vocal, mostrando diversas facetas de sua voz, sendo hoje uma cantora mais evoluida, experiente e segura. Seu marido Johan Husgafvel (Pain) também participa do álbum fazendo vocais guturais em algumas faixas, dando um tom mais agressivo nas músicas e dando ainda mais diversidade.

Johan Husgafvel

A produção e composição foi dividida entre Anette e Magnus Karlsson (Primal Fear). A sonoridade transita pelo Melodic Metal, Symphonic e Power Metal, resultando em um Metal moderno, pesado, sinfônico e cheio de refrãos e melodias marcantes. 

Destaques para a poderosa faixa título "Strong", um hino de Melodic Metal moderno, sinfônico, com peso  melodia, vocais enérgicos de Anette, culminando em um refrão grandioso; a cativante e de refrão explosivo "Catcher of My Dreams", onde Anette ataca com tons altos nos vocais.

Magnus Karlsson

"Sick of You", que tem elementos sinfônicos e dark, e toca num tema muito sério, sobre mulheres que sofrem abuso, mas tomam coragem de acabar com isso; "Fantastic Fanatic", com um trabalho de peso nos riffs e bateria, e elementos sinfônicos, remete a algo de sua antiga banda, aquela da finlândia.

E ainda o peso de "Parasite", com seus riffs agressivos, alternando vocais guturais, que aparecem no início, e com Anette mandando bem em tons ora mais suaves, ora mais altos, como na frenética parte final da música; e  "I Need to Stay", com suas nuances sinfônicas, alternando tempos cadenciados e velozes.


Um ótimo trabalho de Anette, que mostra que ela tem personalidade e talento para mais voos solo, 
mostrando um tracklist diversificado, com identidade definida e coeso.

O álbum saiu no Brasil via parceria Shinigami Records e a gravadora italiana Frontiers. Ótima pedida para os fãs Melodic/Symphonic Metal.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Artista: Anette Olzon
Álbum: "Strong" 2021
Estilo: Modern Metal, Melodic Metal
País: Suécia
Selo: Frontiers/Shinigami Records

Confira no site da Shinigami

Tracklist
Bye Bye Bye
Sick of You
I Need to Stay
Strong
Parasite
Sad Lullaby
Fantastic Fanatic
Who Can Save Them
Catcher of My Dreams
Hear Them Roar
Roll the Dice

Lineup
Anette Olzon – vocals
Magnus Karlsson – guitars, bass
Anders Köllerfors – drums
Johan Husgafvel – growling vocals

Anette Olzon Instagram