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domingo, 22 de julho de 2018

Ministry: Mais Um Capítulo da Louca Mente de Al Jourgensen



Do Pop Eletrônico ao peso do Thrash/Industrial, o Ministry de Al Jourgensen teve seus altos e baixos, pois nem sempre suas “mutações” surtiram efeito ou caíram no gosto do público. Eu fui prestar atenção na banda quando esta iniciou sua fase mais Metal, com “Psalm 69” (1992), e descobri o grupo através dos vídeos de “Just one Fix” e da insana “Jesus Built My Hot Rod”, onde Ministry também estreava o guitarrista Mike Scaccia (também do Rigor Mortis, e falecido em 2012). Aquele peso e loucura era algo que valia a pena em meio a tanta coisa, digamos, estranha que surgia nos anos 90.

Passado o tempo, o grupo seguiu entre altos e baixos, sem, em minha opinião, jamais chegar a chegar perto da revolução que foi “Psalm 69”. Jourgensen imerso em problemas com substâncias ilícitas e a perda do parceiro de longa data, Paul Barker, que deixou a banda para dedicar-se a outros projetos, até chegou a trazer o peso e agressividade de volta, mas nada de excepcional foi criado. Vez por outra, cheguei a conferir os novos trabalhos, mas nada que realmente empolgasse, inclusive o show no Rock in Rio, foi um tanto quanto chato.


“Amerikkkant”, é o mais novo trabalho de Al, e mais uma vez trata de atacar duramente a política dos EUA, além de abordar outros assuntos/problemas da sociedade norte americana, como racismo e elitismo. Com uma excelente produção do próprio Jourgensen e músicos de competência, como Roy Mayorga (bateria), Sin Quirin (Guitarra) e Burton C. Bell (vocal convidado em algumas faixas), o álbum, que também traz bastante sarcasmo, mostra-se muito interessante. Ao final, sumindo, podemos ouvir "I Want You...Get Out" (Eu quero Você...Fora Daqui).

O peso do Thrash/Industrial em passagens caóticas, pesadas e atmosféricas está bem pulverizado, e já traz a sensação de que o álbum não é mais do mesmo, como poderás perceber em destaques como a irada e metálica “We’re Tired of It”, que nos incita a uma revolução contra a opressão. Outra coisa positiva, é, se você der uma passada de olho nas letras, vai perceber um sendo de humor bem ministrado, como em “I Know Words”, onde pode ser ouvida a voz do atual presidente dos EUA falando em construir um muro.


Burton C. Bell, do Fear Factory, faz as vozes em “Wargasm”. Os efeitos eletrônicos, guitarras ultra distorcidas e batidas do industrial seguem sendo elementos constantes, e em faixas mais longas como em “Twilight Zone”, podem causar certo desinteresse aos ouvidos menos acostumados, face à dezenas de samples, além do uso de Cello e Dj Scratchs, mas o vídeo é muito legal! “Victims of a Clown”, também uma faixa mais longa, as estruturas mais atmosféricas e as camas de teclado e guitarras distorcidas, trazem uma variação mais interessante, me lembrando muito os melhores momentos da banda. Destaque para o final, onde há o sampler do discurso de Chaplin no filme “O Grande Ditador”.

A épica “Amerikkka”, a faixa títulos, tem de ser destacada, e claro, você percebeu a referência nos 3 “K’s”. Jourgensen vocifera que “isto é como os nazistas em 39, como os romanos à beira do declínio, como os russos em 68, como isto supostamente pode fazer a América grande?”, atacando o governo atual, em meio ao peso dos riffs, da bateria (sendo que temos batidas programadas e também o peso da mão de Mayorga) e samples, os mais de 8 minutos são digeridos com tranquilidade, graças às criativas variações e a liderança das guitarras.


“Amerikkkant” mantém o Ministry no jogo, se mostrando novamente uma experiência musical interessante, com seu Metal Industrial, com boas variações, transitando por passagens pesadas, sombrias, frenéticas e caóticas. Al Jourgensen mostra aqui que sua mente ainda é capaz de produzir música carregada de peso e fúria, e se seu discurso já não é tão chocante, com certeza ainda é relevante, trazendo à tona todas essas agruras e podres do cenário político e do caos social atual.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Ministry
Álbum: "Amerikkkant" 2018
País: EUA
Estilo: Thrash Metal, Industrial Metal
Produção: Al Jourgensen
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Curtiu? Adquira o álbum AQUI


Tracklist:
1. I Know Words
2. Twilight Zone
3. Victims Of A Clown
4. TV5-4 Chan
5. We’re Tired Of It
6. Wargasm
7. Antifa
8. Game Over
9. AmeriKKKa



              



             

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Project46: De Peito Aberto!



Desde os anos 80, o Metal brasileiro revela nomes destacados em todos os subgêneros do estilo, partindo de contrastes mais agressivos aos melódicos e ásperos. Os famígeros nomes, claro, continuam escancarando níveis altos de relevância, com o seu lugar eternizado dentro da cena, e num futuro já não tão distante, darão lugar aos ascendentes grupos. Já não tão novo, sendo uma realidade, o Project46 é hoje talvez um dos nomes mais proeminentes do momento em solo nacional, convindo novamente das suas qualidades no seu terceiro disco, denominado “TR3S”.

Novamente o quinteto não oculta as características que definem sua identidade, com elementos de Thrash contemporâneo e Crossover, destacando a brutalidade indomável, temperada de velocidade e de coerções agressivas, propagando uma energia extrema e condensada. Melhor definindo, “TR3S” é um meio do caminho entre o “Doa A Quem Doer” (2011) e o “Que Seja Feita Nossa Vontade” (2014), conectando paulada, tapa na cara, rodo e cotovelada sem piedade, mas inovando as ideias sem ferir sua identidade, surpreendendo com a adição de excelentes melodias e fascinantes linhas vocais limpas.


A produção contou mais uma vez com a coordenação de Adair Daufembach, responsável por moldar a sonoridade do grupo desde o primeiro álbum e de orientar a banda a cantar em português, e se deram no estúdio do próprio, agora localizado em Los Angeles (USA), as gravações. E o resultado, tanto na mixagem e masterização, soa absurdamente perfeito, atribuído de um instrumental abrasivo e das melodias sendo executadas de forma distinta.

A arte, desenvolvida pelo artista Billelis, é focada em tons pretos e dourados, com três crânios, sendo o que está ao meio com o seu topo aberto, e os números 4 e 6 em algarismos romanos.
“TR3S” consegue demonstrar que a musicalidade do Project46 pode passear por variantes nuances, podendo ter a liberdade de arruinar paredes e destruir tudo o que há pela frente, sendo capaz de hipnotizar e agitar com direções asseadas e abertas. Refletindo sobre a realidade atual na parte lírica, dando a solução para os problemas que foram retratados no álbum antecessor. E as novidades no line-up ficam por conta do baixista Baffo Neto e do baterista Betto Cardoso, que deram mais peso e sustância na parte rítmica.

Debutando o disco, “Terra de Ninguém” inicia com agudas melodias de guitarra, não demorando muito pra demolir tudo com riffs certeiros e pausados, evidenciados pelo poder rítmico, que mostra variação e técnica no devido tempo; a rápida “Corre” é vultada de guitarras ganchudas, e de um andamento intenso e curto; “Pânico” firma direções furiosas, instalando harmonias azedas e riffs trincados, além do trabalho rítmico dinâmico e coeso; “Rédeas” engloba passagens cadenciadas, sinalizado de desconcertantes notas e o refrão cantado de maneira limpa; “Realidade Urbana” é outra que é conduzida por andamentos frenéticos, assimilando bem as influências de Thrash e Death Metal, completada por solos altamente elaborados.


“Marginal” desfila por trilhas mais tenebrosas e meio arrastadas, aliada a vocais sinistros, que são perceptíveis quando chega o refrão; “Pode Pá” é um dos pontos mais admiráveis do disco, que cativa pela eficiência vocal do Caio, transitando por vocais urrados e opressivos, com o Vini e o Jean ligando peso e melodia num só tempo nas 6 cordas (além do baixo estar soando cavernosamente bem), encantando os ouvidos com um solo envolvente e uma letra que te coloca pra cima.

 “Anônimo” traz módulos alternados, integrando timbres técnicos de guitarra e uma performance rítmica movimentada; “Um Passo a Frente” cativa de início com lindas melodias de violão, que logo já crescem com as levadas de bateria (puxando um baião) e com o groove das guitarras e do baixo, dão brilho ao refrão limpo e claro; a faixa-título, “TR3S”, fecha o trabalho de um jeito cheio, pregando toda a logística sonora numa só música: peso, melodia, solos fascinantes e vocais alternados.

O Project46 vem mostrando que o amadurecimento é o principal objetivo para a banda continuar alcançando vôos cada vez mais altos, e o “TR3S” é uma excelente resposta para encarar as futuras jornadas de peito aberto, faltando o mínimo para internacionalizar a marca do grupo.
“CORRE” pra adquirir o seu!

Texto: Gabriel Arruda
Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Project46
Álbum: TR3S
Ano: 2017
Estilo: Metal, Modern Thrash Metal
País: Brasil
Gravadora: Independente
Assessoria de Imprensa: Hoffman & O’ Brian

Formação
Caio MacBeserra (Vocal)
Vini Castellari (Guitarra)
Jean Patton (Guitarra)
Baffo Neto (Baixo)
Betto Cardoso (Bateria)

Track-List
1.    Terra de Ninguém
2.    Corre
3.    Pânico
4.    Rédeas
5.    Realidade Urbana
6.    Marginal
7.    Pode Pá
8.    Anônimo
9.    Um Passo a Frente
10. TR3S


     

terça-feira, 29 de março de 2016

VETOR – Novos ares no Metal Nacional

                                                                    
Metal moderno, calcado nas influências mais extremas. O VETOR lança uma sonoridade pesada e na cara, uma espécie de murro certeiro, esbanjando riffs e mais riffs. Torna-se árdua a tarefa de classificar a banda em algum gênero (caso alguém prefira desta forma), pois são várias as referências aqui encontradas. Têm-se Heavy Tradicional, Power Metal, Thrash Metal e até mesmo algumas blast-beats, vez por outra.  (READ THE ENGLISH VERSION)

O fato é que a dupla de guitarristas Pedro Bueno e Ricardo Lima lança mão de um vasto catálogo de riffs intrincados; enquanto a bateria de Afonso Palmieri é um trator avassalador, trazendo uma pegada precisa e um belo trabalho de bumbo duplo; já o baixo de Luiz Meles mantém o peso necessário com maestria e garra; ao passo que os vocais de Eduardo Junior alternam-se em urrados e melódicos (algo na linha Matt Barlow, ex-Iced Earth) dando devida diversidade às músicas, uma vez que são bem colocados e com um timbre forte e marcante.


É nítida a preocupação da banda em apresentar um trabalho de qualidade em todos os sentidos. Como exposto acima, a qualidade instrumental da banda é latente, e isso somente consegue-se com bons e experientes músicos. E pela variedade de estilos aqui apresentados nas oito faixas a audição de “ChaosBefore The End” é nada cansativa, ao contrário, prende a audição do ouvinte pela peculiaridade de cada música. Mas a primeira música (pós Intro) ‘ReligiousFalsehood’, juntamente com ‘MyTorment’ e ‘Vetor’ merecem menção especial.

O disco foi produzido por Anibal Pontes (ex-integrante da banda Rygel, e hoje residente no Reino Unido); enquanto a mixagem e masterização ficaram a cargo do sempre requisitado Fredrik Nordström (que já produziu bandas do naipe de In Flames, DarkTranquillity, DimmuBorgir). A bela arte do CD foi feita pelo artista brasileiro Jean Michel.


“Chaos Before The End” traz participações especiais de Luiz Carlos Louzada (ChemicalDisaster/Vulcano), Bil Martins (Hellish War), Anibal Pontes e Flavio Matheus.
O Vetor faz sua estreia da melhor maneira possível, lançando um trabalho de qualidade musical, visual e de produção, e que, sem qualquer dúvida, agradará quem aprecia um Metal bem tocado em boas composições. E é apenas o debutda banda.

Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia

Official Channels:
Lançamento: Shinigami Records

Line-Up:
Eduardo Junior – vocals
Ricardo Lima – guitar
Pedro Bueno – guitar
Afonso Palmieri – drums (recentemente Bruno Conrado assumiu as baquetas)
Luiz Meles – bass

Tracklist:
1-Intro/Religious Falsehood
2-Strike Command
3-Chaos Before The End
4-My Torment
5-New Limits Within Procreation
6-In The Sound Of The Wind
7-Vetor
8-Endangered Species


Teaser de ‘Chaos Before The End’:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Maverick: Thrash Moderno e Com Ênfase nos Riffs



O álbum de estreia destes thrashers de São José do Rio Pardo (SP), "The Motor Becomes My Voice" traz uma boa produção sonora, apresentando um Thrash Metal vigoroso, direto, com riffs e cozinha apresentando doses de groove, nuances modernas numa linha próxima ao Pantera, menos no quesito solos, pois o Maverick não os possui em sua música, e em alguns momentos parece que algumas faixas pedem um solo, ou algo mais que a preencha, apesar de haver dois guitarristas, mas são detalhes que aos poucos a banda vai ir encaixando e evoluindo. Não que solos sejam imprescindíveis, apesar de característica bem marcante no Metal, mas também me refiro a outros elementos, amadurecimento da proposta, entrosamento, etc.

Alguns detalhes da produção, como em alguns momentos um ou outro instrumento fica mais alto que o restante, mas nada que comprometa o vigor e garra do Thrash produzido pela banda, que nessa sonoridade mais direta e voltada aos riffs, produz uma boa estreia em 8 faixas, alternando momentos com mais cadência e groove, a passagens mais rápidas, onde o vocal animalesco de Gabriel, detalhe que mais uma vez me lembrou o Pantera, traz a agressividade necessária para a proposta.


Estreia convincente, uma banda que mostra futuro, indicado a fãs de Pantera, Sepultura e Thrash direto, com groove e pegada, destacando as faixas "Upside Down", que começa com um peso demolidor, tem boas variações e riffs indicados a bater cabeça, com bastante groove, alternando para partes mais rápidas, "The Motor Becomes my Voice", que começa bem na manha, com peso cavalar, destacando também as trocas de andamento e "Disorder", que inicia pesada e cadenciada, para após um riff regado a flanger, entrar em um ritmo frenético, daqueles de abrir rodas de slam dancing, alternando cadencia, peso, velocidade em interessantes trocas de andamentos e muitos riffs. Confira sem medo.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Maverick
Álbum: The Motor Becomes my Voice
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal/Groove/Modern Thrash Metal
Selo: Shinigami (acesse o site e adquira o álbum)

Canais oficias da banda:
Facebook
Soundcloud


A nova formação, com  Cesar "Cesão" Perdão
Line-up

Gabriel Sernaglia (Guitarra/Vocal)
Caio Henrique (Guitarra)
Lucas Silva (Baixo)
Gustavo Polississo (Bateria)

Cesar Perdão: Guitarrista (desde dezembro 2015, substituindo Caio Henrique)

Track List:
1 – V8
2 – Upsidown
3 – Motor Becomes My Voice
4 – Shadows Inc.
5 – Disorder
6 – Karma Extinction
7 – Dehumanized
8 – Scarecrow