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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Issa: Melodia em Alta (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após consolidar seu nome como uma das vozes mais consistentes do AOR contemporâneo, a norueguesa Issa Oversveen retorna com Fire And Ice, um álbum que reafirma sua posição de destaque dentro do melodic rock europeu. O trabalho ganha relevância ao evidenciar o quanto sua proposta permanece atual: uma combinação cuidadosamente equilibrada entre a grandiosidade melódica dos anos 1980 e uma produção moderna, limpa e cinematográfica.

Com todas as composições assinadas pelos irmãos Tom Martin e James Martin, "Fire And Ice" não tenta reinventar o gênero. Seu objetivo é outro: aperfeiçoar uma fórmula clássica através de arranjos refinados, refrães memoráveis e uma atmosfera que transita naturalmente entre o AOR tradicional, o hard rock melódico e discretas influências synthwave.

A abertura com "The Call Of Love" estabelece imediatamente as coordenadas do álbum. Teclados envolventes, guitarras elegantes e uma produção cristalina criam o cenário ideal para que Issa apresente uma interpretação segura e carregada de personalidade. É uma faixa que não surpreende pela inovação, mas pela eficiência com que executa cada elemento característico do gênero.

"Stranded" eleva a intensidade logo em seguida. Sustentada por uma linha de baixo particularmente inspirada, a música combina peso e melodia de forma exemplar. O refrão surge com força avassaladora, cercado por camadas de teclados e backing vocals que ampliam sua dimensão radiofônica. É uma daquelas composições construídas para permanecer na memória após poucas audições.

A faixa-título mantém o alto nível. "Fire And Ice" aposta numa arquitetura musical mais elaborada do que seu refrão aparentemente simples sugere. O trabalho de teclados conduz a narrativa da música, enquanto guitarras e seção rítmica oferecem a sustentação necessária para que a voz de Issa brilhe. O resultado é um dos momentos mais sofisticados do álbum.

Com "Sea Of Desire", o disco desacelera para apresentar sua grande power ballad. Piano, guitarras emotivas e uma interpretação vocal particularmente sensível criam uma atmosfera que remete diretamente à era dourada das baladas do melodic rock. A música evita excessos sentimentais graças à elegância dos arranjos e ao equilíbrio entre emoção e contenção.

"All Or Nothing" devolve o protagonismo às guitarras. Mais direta e orientada ao hard rock, a faixa aposta em riffs robustos e um refrão menos açucarado que a média do álbum. A presença marcante do baixo e o excelente solo central reforçam seu apelo mais roqueiro.

"The Shadow Of Night" mergulha sem reservas na estética oitentista. Os timbres clássicos de sintetizadores são utilizados com inteligência, funcionando como parte essencial da composição em vez de simples elemento nostálgico. A combinação entre teclados exuberantes, guitarras melódicas e uma interpretação vocal segura transforma a música em mais um dos pontos altos do trabalho.

"Bullet On The Road" apresenta uma das composições mais elegantes do repertório. Sua introdução quase épica conduz a uma construção gradual que culmina num refrão contagiante e emocionalmente eficiente. É uma faixa que demonstra a maturidade dos compositores ao equilibrar acessibilidade e sofisticação.

Se existe uma música capaz de sintetizar a proposta estética de Fire And Ice, essa música é "Pay The Price". A influência dos anos 1980 aparece em cada detalhe: dos sintetizadores exuberantes aos riffs cristalinos e ao refrão monumental. Ainda assim, a produção moderna impede que a faixa soe como mera reprodução do passado. É nostalgia reinterpretada com competência.

"One Step To Paradise" aposta numa abordagem mais simples e direta. Sem grandes floreios, a composição cresce gradualmente até atingir um refrão eficiente e envolvente. Sua força está justamente na objetividade e na capacidade de manter a dinâmica do álbum sem comprometer sua coesão.

A influência synthwave retorna em "Running From The Night". Os teclados assumem papel de destaque ao lado das guitarras, criando uma atmosfera que remete tanto ao AOR clássico quanto às releituras modernas do gênero. O resultado é uma faixa vibrante e extremamente agradável.

Encerrando o disco, "The Waiting Game" funciona como uma síntese de tudo o que foi apresentado anteriormente. Não oferece grandes surpresas, mas reafirma as qualidades que sustentam o álbum: melodias fortes, refrães marcantes e uma produção impecável. É um fechamento seguro e coerente para uma obra construída com atenção aos detalhes.

Fire And Ice não busca revolucionar o melodic rock nem romper fronteiras estilísticas. Sua força reside justamente na compreensão profunda dos códigos do gênero e na capacidade de executá-los com excelência. A química entre as composições dos irmãos Martin e a interpretação carismática de Issa produz um álbum extremamente consistente, repleto de refrões memoráveis e arranjos sofisticados.

Mais do que uma simples celebração da nostalgia oitentista, Fire And Ice demonstra como o AOR ainda pode soar relevante quando executado com talento, bom gosto e convicção. Um trabalho que confirma Issa como uma das principais representantes da atual cena melódica europeia e que merece ser redescoberto por uma nova geração de ouvintes.

***ENGLISH VERSION***

Having firmly established herself as one of the most consistent voices in contemporary AOR, Norwegian singer Issa Oversveen returns with Fire And Ice, an album that further cements her standing within the European melodic rock scene. The record remains remarkably relevant, showcasing a carefully balanced blend of 1980s melodic grandeur and a modern, polished, cinematic production.

With every song penned by brothers Tom and James Martin, Fire And Ice does not seek to reinvent the genre. Instead, its mission is to refine a classic formula through sophisticated arrangements, memorable hooks, and an atmosphere that effortlessly moves between traditional AOR, melodic hard rock, and subtle synthwave influences.

Opening track "The Call Of Love" immediately establishes the album’s sonic identity. Lush keyboards, elegant guitar work, and crystal-clear production provide the perfect backdrop for Issa to deliver a confident and characterful vocal performance. It may not surprise through innovation, but it excels through the sheer effectiveness with which it executes every hallmark of the genre.

"Stranded" raises the intensity from the outset. Driven by a particularly inspired bass line, the song masterfully balances weight and melody. Its towering chorus arrives with undeniable force, surrounded by layers of keyboards and backing vocals that enhance its radio-friendly appeal. This is the kind of song designed to linger in the listener’s mind long after the first spin.

The title track maintains the album’s high standards. "Fire And Ice" reveals a more sophisticated musical architecture than its seemingly straightforward chorus initially suggests. Rich keyboard textures guide the song’s narrative, while the guitars and rhythm section provide a solid foundation for Issa’s voice to shine. The result is one of the album’s most accomplished moments.

With "Sea Of Desire," the pace slows to deliver the record’s quintessential power ballad. Piano, emotive guitar work, and an especially heartfelt vocal performance create an atmosphere that recalls the golden era of melodic rock balladry. The song avoids descending into sentimentality thanks to the elegance of its arrangements and its careful balance between emotion and restraint.

"All Or Nothing" places the spotlight firmly back on the guitars. More direct and hard rock-oriented than much of the album, the track relies on muscular riffs and a chorus that is less sugary than the record’s average. A prominent bass performance and an excellent central guitar solo further enhance its rock credentials.

"The Shadow Of Night" embraces the aesthetics of the 1980s without hesitation. Classic synthesizer tones are employed intelligently, functioning as an essential component of the composition rather than mere nostalgic decoration. The combination of lush keyboards, melodic guitars, and another assured vocal performance makes this one of the album’s standout tracks.

"Bullet On The Road" ranks among the most elegant compositions in the set. Its near-epic introduction leads into a gradual build-up that culminates in a contagious and emotionally resonant chorus. It is a song that highlights the composers’ maturity, balancing accessibility with genuine sophistication.

If there is one track capable of encapsulating the album’s overall aesthetic, it is "Pay The Price." The influence of the 1980s is present in every detail, from the expansive synthesizers and crystalline guitar tones to its monumental chorus. Yet the contemporary production prevents the song from feeling like a mere recreation of the past. Instead, it is nostalgia reinterpreted with skill and conviction.

"One Step To Paradise" adopts a simpler and more direct approach. Without unnecessary embellishments, the song gradually builds toward an effective and engaging chorus. Its strength lies in its straightforwardness and its ability to maintain the album’s momentum without compromising overall cohesion.

The synthwave influence returns on "Running From The Night." Keyboards take center stage alongside the guitars, creating an atmosphere that draws equally from classic AOR and modern reinterpretations of the genre. The result is a vibrant and immensely enjoyable track.

Closing the album, "The Waiting Game" serves as a summary of everything that has come before. It offers few surprises, yet successfully reinforces the qualities that define the record: strong melodies, memorable choruses, and impeccable production. It is a safe but satisfying conclusion to an album crafted with great attention to detail.

Fire And Ice does not seek to revolutionize melodic rock or push stylistic boundaries. Its strength lies in its profound understanding of the genre’s core principles and its ability to execute them with exceptional confidence. The chemistry between the Martin brothers’ songwriting and Issa’s charismatic vocal delivery results in a remarkably consistent album filled with memorable hooks and sophisticated arrangements.

More than a simple celebration of 1980s nostalgia, Fire And Ice demonstrates how AOR can still sound fresh and relevant when performed with talent, taste, and conviction. It is an album that confirms Issa’s status as one of the leading figures in today’s European melodic rock scene and one that deserves to be rediscovered by a new generation of listeners.

Alison Martin

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Kaasin: Riffs Densos, Musicalidade Refinada e Autenticidade (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

A banda norueguesa Kaasin retorna em 2026 com The Underworld, álbum que representa uma evolução natural — e significativamente mais ambiciosa — de sua proposta musical. Explorando atmosferas mais densas e sombrias sem abandonar as bases clássicas do hard rock melódico, o grupo liderado pelo guitarrista Jo Henning Kaasin reafirma sua identidade artística através de composições maduras, forte senso melódico e uma produção orgânica que privilegia peso, dinâmica e musicalidade acima de excessos modernos de estúdio.

Após o excelente debut Fired Up, a impressão que fica é a de que o KAASIN compreendeu exatamente quais elementos tornam sua sonoridade especial: a fusão entre o hard rock setentista de escola britânica e uma abordagem contemporânea que evita tanto a caricatura nostálgica quanto a artificialidade excessivamente polida que domina parte do gênero atualmente. The Underworld surge, assim, como um disco mais confiante, coeso e artisticamente refinado, consolidando a banda entre os nomes mais interessantes do hard rock escandinavo contemporâneo.

“The Real World” abre o álbum com impacto imediato. Construída sobre uma base sólida de hard rock europeu clássico, a faixa impressiona pela coesão instrumental e pela forma como os teclados dialogam com guitarras mais pesadas e ásperas do que normalmente se espera do hard melódico tradicional. A cozinha formada por baixo e bateria sustenta tudo com precisão quase orgânica, enquanto o vocal de Jan Thore Grefstad adiciona agressividade sem comprometer o apelo melódico. As influências setentistas aparecem de maneira evidente, mas nunca limitam a personalidade da composição.

A estética setentista domina completamente “Two Hearts”. Os versos remetem diretamente à escola clássica britânica, especialmente pelo trabalho de teclados inspirado em nomes como Deep Purple. Ainda assim, o KAASIN evita soar datado graças a um refrão extremamente melódico e moderno dentro do contexto da faixa. O grande mérito está justamente no equilíbrio entre reverência e atualização estética, algo que poucas bandas conseguem executar com naturalidade.

Mantendo a mesma identidade sonora, mas privilegiando velocidade e dinamismo, “We Speed at Night” apresenta uma abordagem mais direta. O riff principal é extremamente eficiente, enquanto o baixo assume papel fundamental na condução rítmica da música. As referências a Rainbow, Dio e ao próprio Deep Purple aparecem em diversos momentos, porém sem transformar a faixa em simples exercício de nostalgia. O KAASIN demonstra personalidade suficiente para absorver influências clássicas sem perder identidade.

 “Iron Horse” talvez seja uma das faixas que melhor sintetizam a essência do álbum. A introdução construída sobre voz, piano e guitarra cria tensão antes da entrada definitiva do hard rock clássico, claramente influenciado pela fase setentista do Deep Purple. O destaque, porém, está no refinamento dos arranjos: mudanças sutis de dinâmica, linhas de baixo extremamente vivas e teclados com timbres vintage autênticos — especialmente os Hammond — enriquecem a composição sem torná-la excessivamente técnica. Há sofisticação musical aqui, mas sempre a serviço da canção.

 “Invisible” amplia levemente o horizonte sonoro do disco ao incorporar elementos mais contemporâneos em sua estrutura. Após uma introdução atmosférica conduzida pelos teclados, a faixa explode em um refrão extremamente melódico sustentado por ótimos backing vocals. O baixo novamente merece destaque pelas linhas elaboradas e pelo protagonismo nos versos, enquanto Jan Thore Grefstad entrega uma de suas melhores performances do álbum. Sua interpretação confere profundidade emocional à faixa sem recorrer a exageros dramáticos.

 “Over the Mountain” reforça a influência do hard rock clássico dos anos 70, mas talvez seja uma das músicas mais elaboradas do álbum em termos estruturais. As mudanças de andamento e as pequenas variações rítmicas adicionam dinamismo constante à composição. Ao mesmo tempo, elementos modernos surgem discretamente para impedir que a faixa se transforme apenas em homenagem ao passado. Mais uma vez, chama atenção a impressionante coesão instrumental da banda, que executa arranjos relativamente complexos com enorme naturalidade.

Após uma introdução claramente inspirada em sonoridades orientais, “Arabian Night” inevitavelmente remete a clássicos épicos como “Stargazer”, do Rainbow. A influência de Ronnie James Dio também aparece com força nas linhas vocais e na construção melódica, mas o KAASIN demonstra inteligência suficiente para evitar qualquer sensação de cópia. A música possui personalidade própria, especialmente graças ao excelente trabalho de baixo e ao solo melódico extremamente bem encaixado dentro da narrativa da faixa.

“The Descent of Souls” funciona como uma breve vinheta instrumental que prepara o terreno para o encerramento do disco. Guitarras sintetizadas e teclados criam uma atmosfera futurista, sombria e quase cinematográfica, reforçando a identidade conceitual do álbum.

A faixa-título encerra o disco em altíssimo nível. “The Underworld” soa como um encontro improvável entre Motörhead e Deep Purple: veloz, pesada e impulsionada por uma seção rítmica incessante. Baixo e bateria trabalham quase em estado de urgência permanente, permitindo que guitarras e teclados alternem riffs agressivos e passagens melódicas com enorme fluidez. Os teclados, aliás, brilham especialmente aqui, transitando entre timbres modernos e vintage sem perder unidade estética. É um encerramento forte, energético e extremamente eficiente.

The Underworld é um disco denso, pesado e musicalmente sofisticado, feito para fãs do hard rock europeu de orientação setentista, mas suficientemente inteligente para dialogar com ouvintes contemporâneos sem soar preso ao passado. Mais do que apenas reverenciar gigantes como Deep Purple, Rainbow ou Dio, o KAASIN demonstra compreender a essência artística daquele período: composições fortes, musicalidade orgânica e personalidade acima de tendências passageiras. Em um cenário onde grande parte do hard rock atual parece satisfeita em reciclar fórmulas, The Underworld se destaca justamente por soar genuíno, inspirado e artisticamente relevante.

***ENGLISH VERSION***

Norwegian band Kaasin returns in 2026 with The Underworld, an album that represents a natural — and significantly more ambitious — evolution of its musical vision. Exploring darker and denser atmospheres without abandoning the classic foundations of melodic hard rock, the group led by guitarist Jo Henning Kaasin reaffirms its artistic identity through mature songwriting, a strong melodic sense, and an organic production that prioritizes weight, dynamics, and musicianship over modern studio excesses.

Following the excellent debut Fired Up, it becomes clear that KAASIN fully understands what makes its sound distinctive: the fusion of ‘70s British hard rock with a contemporary approach that avoids both nostalgic caricature and the overly polished artificiality that dominates much of the genre today. The Underworld therefore emerges as a more confident, cohesive, and artistically refined record, firmly establishing the band among the most compelling names in contemporary Scandinavian hard rock.

“The Real World” opens the album with immediate impact. Built upon a solid foundation of classic European hard rock, the track impresses through its instrumental cohesion and the way the keyboards interact with guitars that are heavier and rougher than what is typically expected from traditional melodic hard rock. The rhythm section provides an almost organic precision throughout, while Jan Thore Grefstad’s vocals inject aggression without sacrificing melodic appeal. The ‘70s influences are unmistakable, yet they never overshadow the band’s own identity.

The ‘70s aesthetic completely dominates “Two Hearts.” The verses strongly evoke the classic British school of hard rock, particularly through the keyboard work inspired by bands such as Deep Purple. Even so, KAASIN avoids sounding dated thanks to an extremely melodic and modern-sounding chorus within the context of the track. The true achievement lies in the balance between reverence and reinvention — something very few bands manage to execute naturally.

Maintaining the same sonic identity while emphasizing speed and dynamism, “We Speed at Night” delivers a more direct approach. The main riff is remarkably effective, while the bass takes on a fundamental role in driving the song forward. References to Rainbow, Dio, and Deep Purple surface throughout the track, though never to the point of reducing it to a mere exercise in nostalgia. KAASIN demonstrates enough personality to absorb classic influences without losing its own voice.

“Iron Horse” may well be the track that best encapsulates the essence of the album. The introduction, built around vocals, piano, and guitar, creates tension before the definitive arrival of classic hard rock clearly inspired by Deep Purple’s ‘70s era. The true highlight, however, lies in the sophistication of the arrangements: subtle dynamic shifts, highly expressive bass lines, and authentic vintage keyboard tones — especially the Hammond textures — enrich the composition without making it unnecessarily technical. There is undeniable musical sophistication here, but always in service of the song itself.

“Invisible” slightly expands the album’s sonic horizon by incorporating more contemporary elements into its structure. Following an atmospheric keyboard-driven introduction, the song erupts into an extremely melodic chorus supported by excellent backing vocals. Once again, the bass deserves recognition for its intricate lines and strong presence throughout the verses, while Jan Thore Grefstad delivers one of his finest performances on the album. His interpretation adds emotional depth without resorting to theatrical excess.

“Over the Mountain” reinforces the influence of classic ‘70s hard rock, yet structurally it may be one of the album’s most elaborate compositions. Tempo changes and subtle rhythmic variations provide constant movement, while modern elements discreetly emerge to prevent the song from becoming merely a tribute to the past. Once again, the band’s remarkable instrumental cohesion stands out, particularly in the effortless execution of relatively complex arrangements.

Following an introduction clearly inspired by Middle Eastern sonorities, “Arabian Night” inevitably recalls epic classics such as “Stargazer” by Rainbow. The influence of Ronnie James Dio is also strongly present in both the vocal lines and melodic construction, yet KAASIN shows enough intelligence to avoid any sense of imitation. The track possesses its own identity, especially thanks to the outstanding bass work and a beautifully crafted melodic guitar solo seamlessly integrated into the song’s narrative.

“The Descent of Souls” functions as a brief instrumental interlude that prepares the listener for the album’s finale. Synthesized guitars and keyboards create a futuristic, dark, and almost cinematic atmosphere, reinforcing the conceptual identity of the record.

The title track closes the album on an exceptionally high note. “The Underworld” sounds like an unlikely collision between Motörhead and Deep Purple: fast, heavy, and driven by a relentless rhythm section. Bass and drums operate in a near-constant state of urgency, allowing guitars and keyboards to alternate between aggressive riffs and melodic passages with remarkable fluidity. The keyboards, in particular, shine throughout the track, shifting between modern and vintage tones without losing aesthetic cohesion. It is a powerful, energetic, and highly effective conclusion.

The Underworld is a dense, heavy, and musically sophisticated album crafted for fans of ‘70s-oriented European hard rock, yet intelligent enough to resonate with contemporary listeners without sounding trapped in the past. More than simply paying tribute to giants such as Deep Purple, Rainbow, or Dio, KAASIN demonstrates a genuine understanding of the artistic essence of that era: strong songwriting, organic musicianship, and personality above fleeting trends. In a landscape where much of modern hard rock seems content recycling formulas, The Underworld stands out precisely because it feels genuine, inspired, and artistically relevant.



domingo, 1 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Satyricon – 13/11/2024 – Carioca Club/SP

Satyricon no Brasil: uma noite épica de Black Metal no Carioca Club

Após sete anos de espera, a icônica banda norueguesa de Black Metal Satyricon retornou ao Brasil para uma apresentação arrebatadora em São Paulo. Com um setlist que transitou entre clássicos de sua carreira e momentos mais recentes, Satyr, Frost e companhia entregaram um espetáculo memorável, repleto de energia, interação com o público e uma produção impecável.

Quer saber como foi essa noite histórica e quais músicas fizeram o Carioca Club tremer? Confira nossa resenha completa e mergulhe na experiência única que marcou o retorno do Satyricon ao Brasil!

Após sete anos, a lendária banda norueguesa de Black Metal SATYRICON finalmente retornou ao Brasil para dois shows. Em São Paulo, o tão aguardado evento ocorreu no dia 13/11/2024 no Carioca Club. Apesar de ser uma quarta-feira, a casa estava bem cheia.

As portas da casa se abriram às 19h30, e o público continuou chegando até o início do show, que começou por volta das 20h35. 

Sob uma intro sombria, Satyr e Frost subiram no palco com muita euforia pelo público, acompanhados dos músicos de apoio Anders Hunstad (teclados), Steinar "Azarak" Gundersen e Ben Ash (guitarras) e do baixista Phil Pieters. No fundo do palco havia uma imagem com corvos em volta, parecida com a capa do EP My Skin Is Cold, mas com um toque visual remetendo à capa do Deep Calleth Upon Deep, seu álbum mais recente de 2017.

Abriram com “To Your Brethren in the Dark”, do “Deep Calleth Upon Deep”. Apesar de ser uma música mais cadenciada, encantou o público, e a bateria de Frost soava poderosa como um tanque de guerra. 

Daí então partiram para a destruição sonora, com o clássico “Nemesis Divina”, faixa título de 1996, empolgando os fãs old school na plateia. Nesse momento a pista já estava bem cheia, e o jogo de luzes do palco estava sensacional, contribuindo para a intensidade da apresentação.

Frost faz um pequeno drum solo carregado de ritmo e groove na introdução de “Now, Diabolical”, faixa título de 2006. Esse som mescla elementos do Black Metal e Rock’n roll, o qual virou sua marca registrada, e que tem sido muito prestigiado pelos fãs, levando a galera à loucura logo nos primeiros acordes.

Logo após, Satyr – visivelmente alegre – faz um discurso cativante, chamando todos da plateia de amigos e falando sobre quando perguntam sobre qual é o seu país e cidade favorita da América Latina nas turnês, ele diz que “nunca é sobre restaurantes ou natureza, e sim o encontro com as pessoas”, arrancando aplausos e gritos da plateia. Ainda diz: “então, na verdade, eu não posso dizer a vocês qual vai ser o melhor show nesta tour latino-americana, porém o que eu posso prometer é que toda noite quando entramos no palco nós damos o nosso melhor, é o que nós fazemos sempre! E isso cabe a vocês a julgar, mas quando nós voltarmos para o outro lado do mundo, a impressão que nós levaremos conosco é o que acontece aqui e agora, então este é o meu pequeno desafio amigável a vocês! Nós já tocamos em Bogotá, Santiago, amanhã Brasília e em 2 dias tocaremos no México, então este é o meu desafio a vocês, vamos fazer desta noite a melhor da tour. E vocês entendem que uma grande parte disso vem do palco, mas a maior parte vem de vocês, então nós podemos fazer nosso melhor, se vocês fizerem o seu melhor.” E então tocam impecavelmente o clássico “Black Crow on a Tombstone”, do álbum “The Age Of Nero”, de 2008, com um público mega animado que respondia prontamente e cantava junto. 

Ao final da música, Satyr diz que essa intensidade do público era exatamente o que ele procurava, e agradeceu a todos. E então o pessoal “corta” ele batendo palmas e gritando “Ole, ole ole ole, Satyricon”, o que deixa os músicos extremamente satisfeitos. E ele continua a falar que a cada  álbum que eles fazem, são conquistas importantes na vida dele. Quando ele pensa na vida dele, ele não pode deixar de pensar nesses álbuns, e que essa “jornada” que envia eles ao redor do mundo também está conectada a estágios importantes de suas vidas que são os álbuns, e na última vez que estiveram aqui, em 2017, promoveram o álbum “Deep Calleth Upon Deep”. E então executaram essa faixa-título. Ao fim da música, Satyr agradece – visivelmente feliz – com a interação do público. 

Seguiram com “Our World, It Rumbles Tonight”, uma das mais emocionantes do álbum “Satyricon” de 2013. 

Logo após tocaram a energética “Repined Bastard Nation”, do álbum Volcano (2002), atiçando a galera que interagia espontaneamente, principalmente nas partes mais rápidas.

Ouvimos agora uma nova intro, que nos prepara para a vigorosa “Black Wings and Withering Gloom”, do Deep Calleth Upon Deep (2017). Destaque para os blasts e bumbos matadores de Frost. A partir desta música, Satyr começou a tocar guitarra em alguns momentos, contribuindo para a intensidade sonora. Devo dizer que o som vindo do palco estava realmente impecável.

Nesse momento rolou um pequeno bloco nostálgico, começando com a intensa “Hvite Krists Død”, do The Shadowthrone (1994), agradando os fãs desta fase em que tocavam um Black Metal mais tradicional. Inclusive alguém ao meu lado gritou “Isso é que é Satyricon car*lho!!”

Em seguida rolou “Walk the Path of Sorrow”, do “Dark Medieval Times” (1994), que começa com uma intro arrepiante. O público parecia em transe, prestando mais atenção e agitando menos.

Então rolou “Filthgrinder”, do Rebel Extravaganza (1999), em que Satyr introduziu essa música contando uma história sobre como eles fizeram uma sonoridade mais direta e agressiva desse álbum, indo ao contrário de muitas bandas da época no fim dos anos 90, em que o Black Metal era feito com excesso de teclados, afirmando que aquilo soava muito gótico e que odeia esse tipo de som gótico, falando que o Black Metal de verdade não é sobre besteiras de vampirinhos e tecladinhos – claramente se referindo a uma certa banda inglesa que sempre flertou com o Gothic e o Black Metal.

Seguiram então com a intensa “Die by My Hand”, do The Age Of Nero (2008). Saíram do palco e retornaram rapidamente para tocar o clássico “To The Mountains”, do “Now, Diabolical”. Satyr também fez a terceira guitarra nessa. “The Pentagram Burns”, ainda com Satyr na terceira guitarra, foi outra paulada do mesmo álbum. O público não parava de interagir com gritos e palmas. Ao fim, pessoal gritou sem parar “Ole, ole ole ole, Satyricon!” enquanto Frost acompanhava no ritmo com a bateria. 

Satyr segue tocando guitarra e fala que se divertiram muito em Bogotá, Santiago e agora em São Paulo, mas que nunca imaginou que teria duas noites seguidas sem um mosh pit decente e que ele espera que role o mesmo nesta terceira noite. E ele continua: “se vocês não estiverem afim de fazer mosh pit, talvez seja a hora de irem se refrescar no bar ou ver o merchan no fundo ou algo do tipo, mas vamos fazer isso!”. E então rolou uma das mais conhecidas e animadas, “Fuel For Hatred”, do Volcano (2002). Ao final o público gritava e aplaudia muito.

Satyr diz que isso foi tão bom quanto o samba que ele gosta, arrancando risos da plateia.  Continua: “Ok, houve um mosh pit, mas agora vocês conseguem cantar?”. E o pessoal responde gritando “Yeahh!” Então começa “Mother North”, um clássico absoluto do álbum Nemesis Divina (1996). Sem dúvidas um hit que fez a banda despontar em sua carreira nos anos 90 com o icônico clipe na MTV e um dos pontos altos da noite, com o público fazendo um grande coro emocionante. 

O público estava em êxtase completo ao final, gritando novamente “Satyricon” sem parar, enquanto Satyr chega a se sentar no PA, assistindo com extrema satisfação e até manda beijo para os fãs. 

E fala: “Lembrem-se, há muitas bandas no mundo todo com certeza, mas a porcentagem de bandas que vem pro Brasil da Noruega é muito pequena, e nós temos feito isso por um longo tempo, então a minha respeitosidade por fazer parte deste pequeno grupo privilegiado é sem fim.“ E ele diz que vai continuar a fazer isso por mais alguns anos, enquanto estiverem fazendo isso de forma bem feita. Então ele não sabe ao certo quando virão novamente, mas ele afirma que virão novamente ao Brasil, e diz ainda: “queremos voltar no ano que vem...eu espero que sim”. Então agradece e anuncia a última música do show, “K.I.N.G.”, mais um clássico do Now, Diabolical (1996), encerrando este espetáculo com chave de ouro às 22h35.

Portanto vamos aguardar e torcer para que voltem mais uma vez em breve, e com mais um novo álbum!




Fotos: Roberto Sant'Anna (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Estética Torta



Satyricon  setlist:

To Your Brethren in the Dark

Nemesis Divina

Now, Diabolical

Black Crow on a Tombstone

Deep Calleth Upon Deep

Our World, It Rumbles Tonight

Repined Bastard Nation

Interlude (Black Wings and Withering Gloom intro)

Black Wings and Withering Gloom

Hvite Krists død

Walk the Path of Sorrow

Filthgrinder

Die By My Hand

Bis 

To The Mountains

The Pentagram Burns

Fuel For Hatred

Mother North

K.I.N.G.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Cobertura de Show: Enslaved – 14/11/2024 – Fabrique Club/SP

Provando que Black Metal não precisa ser cru e nem de corpse paints

Os noruegueses do Enslaved são um dos nomes mais proeminentes do enorme - e muitas vezes polêmico - cenário do Black Metal no país. Mas, diferente de muitas bandas que ganharam fama por suas atitudes questionáveis, e até condenáveis, o que os torna um ponto fora da curva é sua qualidade técnica nos instrumentos, o som mais limpo, e seu flerte com a parte mais progressiva da música. Por isso, o que se esperava, e o que se teve no show na fria quinta-feira de novembro foi exatamente o que se teve: um show musicalmente incrível, com uma atitude muito positiva por parte de público e banda.


BAIXO VOLUME NA FILA ENGANOU! SHOW FOI SUCESSO DE PÚBLICO:

As portas do Fabrique Club estavam previstas para abrir às 19h30, e pouco antes das 19h, com o céu ainda escurecendo, havia algum movimento de fãs no entorno. Pessoas com suas camisetas de consagradas bandas do Black e Death Metal, coletes e jaquetas cheias de “patches” de bandas bebendo e conversando. Nos bares, ao redor, poucos clientes, mas se divertindo ouvindo sons do próprio Enslaved e outras bandas do gênero. Pontualmente, as portas se abriram e aos poucos esses fãs foram entrando na casa. O ambiente era tranquilo, sem filas, sem confusões.

Do lado de dentro, o pouco volume aglomerado de fora mostrava-se diferente. Gradualmente, o local foi enchendo. Contra todas as probabilidades por conta da “semana caótica” de shows em São Paulo, e por ser uma quinta-feira, já próximo das 20h30, meia hora antes de começar o show - que não teria banda de abertura -, a casa estava já com mais de metade de sua capacidade, e a última camiseta da banca de merchandising havia sido vendida. Para um show de Black Metal, isso é algo notório.


SHOW PESADO, TÉCNICO E AGRESSIVO NA MEDIDA CERTA:

Se a imagem de músicos de Black Metal com seus “corpse paints”, som cru e letras “malvadas” é um estereótipo do gênero, o Enslaved prova que isso não é necessário! A música da banda é técnica, com toques progressivos, uma atitude positiva por parte dos membros e letras completamente focadas na mitologia nordico-germânica. De cara limpa, e com um teclado e sintetizador analógico no palco, os noruegueses abriram o show às 21h10, mais ou menos, ao som de “Kingdom”, single do álbum Heimdal de 2024, o qual estão divulgando no momento. 

O vocalista e baixista Grutle Kjellson, sentindo o público um pouco quieto, falou algumas palavras para tentar agitar. “Isso aqui é um show de rock, de metal, não uma porcaria gospel ou algo assim”, disse o vocalista levando todos a gritar, finalmente. “Homebound” seguiu, e depois “Forest Dweller”, músicas muito longas, mas que nunca perdem a intensidade. Funcionam perfeitamente ao vivo, e demonstram a capacidade técnica do quinteto.

As partes de vocais limpos, para quem olhava de longe, parecia até playback. Mas, na verdade, eram feitas magistralmente ao vivo pelo baterista Iver Sandøy, que impressionantemente tocava de forma rápida, muitas vezes quebrada, e cantava ao mesmo tempo. Outro ponto a se destacar, o vocalista e baixista Grutle muitas vezes parava de tocar e cantar e tocava um sintetizador analógico, fazendo sons curiosos e atmosféricos graves, que não apenas cobriam o que seria o baixo, mas também davam o clima pagão da apresentação. Além disso, a dupla de guitarristas Ivar Bjørnson e Arve Isdal é provavelmente uma das mais entrosadas e harmônicas que se pode ter no gênero mais extremo do metal.

Após a apresentação bem-humorada da banda, até tirando algumas risadas pela diferença de idade do tecladista Håkon Vinje, de 32 anos, em relação aos outros membros, tocaram a climática Congelia. Seguiram com “The Dead Stare”, “Havenless”, e a surpresa da noite, a excelente “Fenris”.

A banda saiu do palco com o público pedindo mais, e o baterista Iver voltou sozinho, tomando a frente, e pedindo para todos agitarem. Fez um curto e bem encaixado solo de bateria, que precedeu a volta dos outros membros ao palco, para tocarem “Isa”, e finalmente, encerraram com chave de ouro a apresentação com Allfǫðr Oðinn. O show relativamente curto, com pouco mais de uma hora e dez minutos de apresentação, foi suficiente para valer a noite e a semana.


SOM BAIXO E PÚBLICO TÍMIDO, MAS BANDA CARISMÁTICA E CLIMA NÓRDICO COMPENSAM, E SALDO DA NOITE É MUITO POSITIVO:

Uma parte estranha, digna de menção, foi a frieza do público. Mesmo numeroso, não dá para se dizer que houve um grande barulho por parte do público. Mesmo quando Grutle pedia para todos animarem, o faziam por apenas alguns instantes, mas longe de ser uma plateia calorosa. Para um show de metal extremo, isso é algo curioso.

O som também teve seus problemas. Instrumentos um pouco baixos, especialmente levando em conta o local, conhecido por ter uma acústica que deixa mais alto, e muitas vezes a bateria encobria o resto. Os vocais, por sua vez, todos na medida!

Apesar dessas adversidades, quem foi ao Fabrique Club curtir boa música, saiu completamente satisfeito - em alguns casos, até surpreendentemente satisfeito. Uma banda afiada, um set-list matador, e musicalidade acima do peso, com músicas muitas vezes atmosféricas de oito, nove e dez minutos de duração, mostraram, de uma vez por todas, que Black Metal não precisa ser cru, não precisa ser algo com temática violenta, e o sucesso do show, e da banda, provam que há espaço para a finesse no som extremo.


Texto: Fernando Queiroz 

Fotos: Belmilson Santos (Roadie Crew)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Powerline

Mídia Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Enslaved – setlist: 

Kingdom

Homebound

Forest Dweller

Congelia

The Dead Stare

Havenless

Fenris

Isa

Allfǫðr Oðinn

sábado, 17 de setembro de 2022

Jorn Lande: Mantendo o Nível Alto em "Over The Horizon Radar"

 


O norueguês Jørn Lande é sem dúvidas um dos melhores vocalistas do Metal na atualidade, um legítimo representante de grandes vozes de gerações anteriores como Ronnie Dio, David Coverdale ou Bruce Dickinson. 

O norueguês possui uma carreira prolífica, com participação em inúmeros projetos e bandas, destacando o Avantasia, Allen/Lande, a Ópera "Dracula" e grupos como Masterplan, The Snakes, Ark e Millenium. 

E claro, tem sua carreira solo, tendo 14 álbuns lançados, inclusive os volumes Heavy Rock Radio I e II, onde interpreta clássicos do Rock e até Pop dos anos 80, de artistas como Kate Bush. O cantor também foi além do meio Hard e Heavy Rock,  sendo convidado a fazer voz de um personagem do jogo League of Legends. 


Jørn está em divulgação de seu novo disco, "
Over the Horizon Radar", lançado mundialmente pela gravadora italiana Frontiers Records, e distribuido aqui no Brasil pela Shinigami Records. 

O álbum vem sendo muito elogiado pela mídia especializada, e traz o cantor em grande forma, mostrando o porque é considerado uma das grandes vozes atuais da música pesada, com uma carreira já consolidada.

Ao lado do parceiro de muitos anos já, o guitarrista Tore Moren, Jorn nos traz um disco que soa familiar aos ouvidos de quem acompanha sua carreira solo. 

É Hard e Heavy Metal, com flertes de Melodic Rock,  traz ótimos "ganchos", o timbre e estilo que são inconfundíveis, e as letras, as quais mostram que o vocalista é um bom contador de histórias, trazendo coisas do cotidiano da música, como na cadenciada "My Rock and Roll", tem aquela pegada que lembra a principal inspiração de Jorn, Ronnie James Dio. 


Falando de alguns dos destaques mais, a faixa título, "
Over The Horizon", abre o disco tem logo de cara melodias e riffs marcantes, linhas vocais cativantes e refrão que gruda na mente.

"One Man War", de andamento moderado, é um Metal com bastante melodia e mais um refrão marcante; "Black Phoenix" mostra um lado um pouco mais Dark e pesado.

"Ode to the Black Nightshade", com seu andamento cadenciado, traz bem clara a inspiração na sonoridade do trabalho solo de Ronnie Dio em seus riffs e melodias, e claro, linhas vocais. A mesma pegada Dio, nesse estilo pesada e cadenciada, de aplica a "Dead London", que lembra músicas naquele estilo do álbum "Dream Evil" 


"
Faith Bloody Faith", que foi a primeira música divulgada, aparece aqui em versão estendida, e traz mais evidente o lado Melódico Rock de Jorn, com seu estilo de hino e refrão ultra-melódico, e até me remeteu a algo de Slade, daquela fase de hits como "My Oh My".

Resumindo, um álbum muito bom de Hard/Heavy e Melódico Rock, sem grandes surpresas, entregando o que os fãs esperam de Jorn, trazendo sua assinatura musical e mantendo o nível alto dos seus trabalhos. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: Jorn
Álbum: "Over The Horizon Radar" 2022
Estilo: Hard Rock/Heavy Metal, Melodic Rock
Pais: Noruega
Selo: Frontiers Records/ Shinigami Records

Adquira o álbum no site da loja/selo Shinigami.

Tracklist: 
1. Over The Horizon Radar
2. Dead London
3. My Rock And Roll
4. One Man War
5. Black Phoenix
6. Special Edition
7. Ode To The Black Nightshade
8. Winds Of Home
9. In The Dirt
10. Believer
11. Faith Bloody Faith (Extended Album Version





segunda-feira, 30 de abril de 2018

Dimmu Borgir: Ligando Novamente a Máquina Criativa




A rotina de ficar dentro do estúdio gravando um disco e fazer uma turnê como parte do trabalho lançado gera diferentes ações e reações. partindo desde o trabalho de composição, gravação e promoção e longas viagens, o fatídico cansaço pela longa estadia na estrada. É claro que o descanso para repor esses gastos é de total necessidade, mas quando o prazo é largamente estendido, surgem muitas especulações. Ms, finalmente, depois de 8 anos em hiato, o Dimmu Borgir estabelece sua volta com o tão aguardado novo disco, “Eonian”.


Tratando-se de um álbum inédito após longo tempo, a expectativa por “Eonian” é quase obsessiva, pois à distância dele entre o “Abrahadabra” é bastante assombrosa, e sondando todo contorno das músicas, percebemos que no novo álbum predominam dimensões mais diretas, e não tão técnico e polido quanto o antecessor, apresentando mais peso, agressividade e outros cursores – bases que fundem seu poder sinfônico com a crueza do Black Metal no mais perfeito equilíbrio.


Na parte de produção, o grupo demonstra uma sonoridade mais contemporânea, trabalhando ao lado do respeitado Jens Bogren pra dar o conselho final na engenhosidade da banda. E tudo aqui está sublime, zelando por todo o conjunto de elementos da sonoridade do grupo, os arranjos orquestra, melodia, coros e rispidez típica do estilo. A arte faz referência ao contexto das letras, que é baseado no conceito filosófico da ilusão do tempo.

É certeza que “Eonian” irá surpreender muitos, pois algo que a banda não abre mão, é de buscar evolução a cada trabalho, e na opinião deste autor, trata-se do álbum mais rico em questão de harmonia e melodia da banda, atingindo o ápice de criatividade e ousadia, onde a experiência de 25 anos conspirou a favor de Shagrath, Silenoz, Galder, Daray e Gerlioz, valendo a espera (de muitos anos) por esta maravilha vir à tona.


Certas canções nos remetem aos discos “Enthroned Darkness Triumphant” e “Spiritual Black Dimensions”, mas o ponto mais fértil aparece em “Interdimensional Summit”, que emana peso, ótimas melodias e grandes arranjos orquestrais e de corais, além do trabalho rítmico volumoso. A enérgica “ÆTheric” se mostra homogênea, intercalando timbres destrutivos e acessíveis nas guitarras. Traços atmosféricos aparecem na melódica e soturna “Council of Wolves and Snakes” (prestem atenção nos elementos percussivos), enquanto “Lightbringer” acata nuances obscuras e um peso absurdo vindo dos riffs. Os vibrantes corais e orquestras dão uma forte luz na carregada “I Am Sovereign”, seguindo as derradeiras etapas com a tirânica “Archaic Correspondence” e da harmoniosa “Alpha Aeon Omega”.

Grande retorno desta lenda do Metal norueguês, não restando dúvidas que “Eonian” estará presente, não só minha, mas na lista de melhores do ano de muita gente.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

 Ficha Técnica
Banda: Dimmu Borgir
Álbum: Eonian
Ano: 2018
Estilo: Symphonic Black Metal
País: Noruega

Gravadora: Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Formação
Shagrath (Vocal)
Silenoz (Guitarra)
Galder (Guitarra)
Daray (Bateria)
Gerlioz (Teclado)

Track-List
1.    The Unveiling
2.    Interdimensional Summit
3.    ÆTheric
4.    Counci of Wolves and Snakes
5.    The Empyrean Phoenix
6.    Lightbringer
7.    I Am Sovereign
8.    Archaic Correspondence
9.    Alpha Aeon Omega
10. Rite of Passage


Contatos



     


     

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Legend of Valley Doom: Power/Symphonic Com os Melhores Elementos o Estilo




Saudade de álbuns de Power/Symphonic Metal daquela época de ouro do estilo? De álbuns grandiosos como os primeiros do Rhapsody e Avantasia? Se sim, “Legend of Valley Doom”, projeto do norueguês Marius Danielsen tem tudo para lhe agradar.

O projeto vem sendo desenvolvido há um tempo pelo guitarrista, vocalista e compositor Marius Danielsen (Darkest Sins), e contando com uma base, formada pelo seu irmão Peter (sintetizadores), sua esposa Anniken (baixo), Esa Ahonen (guitarra) e Ludvig Pedersen (Bateria), além de mais de 30 convidados especiais (veja o line up completo no final da resenha), destacando Tim Ripper Owens, Mark Boals, Edu Falaschi, Elisa C. Martin, Chris Caffery e Alex Holzwarth, criaram um história épica, que também será transformada em comic book.

A sonoridade de “”The Legend of Valley Doom, Part 1” gira em torno do Epic Metal e Symphonic Power Metal, com arranjos orquestrais, pedais duplos velozes e coros grandiosos, mas elementos do Metal tradicional, narrativas e trechos acústicos também aparecem, dando uma diversificada e uma clima de trilha sonora em alguns momentos.

Já na introdução e na abertura com “The Battle of Bargor-zun” você já tem a tônica: Power Metal épico, com bases e bumbos velozes, coros grandiosos e melodias cativantes, além de um trecho quase bluesy no meio, seguida por excelentes solos, o que dá uma mudança de rirmos bem legal a canção. Excelente abertura.


Os elementos mais tradicionais do Metal estão presentes, inclusive com guitarras dobradas no melhor estilo NWOBHM, e isso é um elemento bem legal, pois Marius não esquece o peso e punch que o Metal precisa, e faixas como ”Prophecy of the Warrior King”, destacando os grandes vocais de Tim Ripper, traz ao lado dos elementos do Power Metal, riffs marcantes, punch e grandes melodias e solos de guitarra; “Haunting my Dreams”, uma das minhas preferidas, e candidata a hino, também traz riffs bem marcantes, além de arranjos de gaita de fole que ficaram muito legais junto ao riff principal, e além dessas melodias e ritmo cativantes, possui um excelente refrão. Aliás, como falei, esses elementos do Metal Tradicionais (podemos citar Iron Maiden aí), e de Power/Symphonic Metal de grupos como Rhapsody, Avantasia e Gamma Ray são muito bem mesclados, trazendo uma dinâmica muito boa para o álbum.

“Mirror of Truth” também se destaca pelas variações, alternando trechos mais épicos com andamentos mais tradicionais, contando também com um dos melhores refrãos do álbum; “Lost in a Dream”, com Elisa C. Martin (Ex-Dark Moor) é outra candidata a hino, com seus riffs seguindo uma linha Hard/Heavy bem melódica, e um refrão épico, lembrando-me bastante aquelas faixas mais Hard e mais comerciais do Avantasia e Gamma Ray. 


Destaco ainda a balada épica “Fallen Heroes”, num estilo Blind Guardian, com corais sensacionais ao final, fechando o álbum com aquele ar de trilha de final de filme mesmo; e claro, antes disso, a grandiosa “The Legend of Valley Doom”, com seus mais de 14 minutos de Symphonic/Power Metal, cheia de variações, virtuosismo e melodias de muito bom gosto. As trocas de andamento, ora soando mais épica, ora mais Metal tradicional, mantém o interesse do ouvinte, fazendo com que você nem perceba que a faixa tem uma duração mais longa.

Um excelente trabalho, que dá uma renovada e revigorada no cenário do Power/Symphonic Metal, e Marius e seus companheiros são mais um grupo (ou banda), que prova que nenhum estilo pode ser considerado desgastado ou ultrapassado, o que existe é música boa e música ruim, e com “The Legend of Valley Doom”, Marius Danielsen começa a despertar mais atenção, nos deixando curiosos para a continuidade deste projeto, que se tivesse um grande selo por trás, dando-lhe suporte para um investimento em produção e distribuição, já teria alcançado patamares maiores em nível mundial. O Álbum será lançado no Brasil pela Hellion Records, e a segunda parte já está sendo produzida.
Rate: 9  

Texto: Carlos Garcia


Site Oficial 
Adquira o álbum

Cast Completo de participantes:


Vocalists:

Marius Danielsen (Darkest Sins)

Edu Falaschi (ex-Angra, Almah)
Tim Ripper Owens (ex-Judas Priest, ex-Iced Earth, ex-Yngwie Malmsteen)
Mark Boals (ex-Yngwie Malmsteen, Iron Mask, Royal Hunt)
Jonas Heidgert (Dragonland)
Elisa C. Martin (Hamka, ex-Dark Moor, ex-Fairyland)
Alessio Garavello (ex-Power Quest, A New Tomorrow)
Kai Somby (Intrigue)
Artur Almeida (Attick Demons)
George Tsalikis (Zandelle)
John Yelland (Disforia, Judicator)
Simon Byron (ex-Crystal Empire, Sunset)
Mikael Holst (Timeless Miracle)

Guitarists:
Timo Tolkki (ex-Stratovarius, Avalon)
Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra)
Ross the Boss (ex-Manowar, DeathDealer)
Robb Weir (Tygers of Pan Tang)
Tobi Kersting (Orden Ogan)
Jimmy Hedlund (Falconer)
Marco Wriedt (Axxis, 21Octayne)
Olivier Lapauze (Heavenly)
Felipe (Twilight Force)
Alex TheKing Mele (Kaledon)
Esa Ahonen (Cryonic Temple)
Kristian Tjelle (ex-Nocturnal Illusion)
Gard Austrheim (My Decending Ark, ex-Fatty Sunroad)
Marius Danielsen (Darkest Sins)
Sigurd Kårstad (Darkest Sins)

Synth:
Peter Danielsen (Eunomia, Darkest Sins)
Alessio Lucatti (Vision Divine, Etherna)

Bassists:
Barend Courbois (Blind Guardian)
Mike LePond (Symphony X)
Anniken Rasmussen (Darkest Sins)
Ignacio Lopez (Skiltron)
Giorgio Novarino (ex-Crystal Empire, ex-Bejelit)
Marius Danielsen (Darkest Sins)

Drummers:
Alex Holzwarth (Rhapsody of Fire)
Ludvig Pedersen (Darkest Sins)

Choirs:
Marius Danielsen
Peter Danielsen
Elisa Martin
Simon Byron
Matthäus Krais