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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Phornax – A fornalha mais viva do que nunca!

Resenha por: Renato Sanson

Algumas bandas parecem simplesmente nascer no momento certo. Outras, no entanto, precisam atravessar anos de silêncio até encontrarem a formação ideal e a maturidade necessária para entregar aquilo que sempre foram capazes de fazer. É exatamente esse o caso da gaúcha Phornax, de Porto Alegre, que retorna após um longo hiato com "Hellforge", seu aguardado álbum de estreia, e o resultado não poderia ser mais convincente.

Depois do promissor EP "Silent War", lançado em 2012, a banda permaneceu longe dos holofotes por um bom tempo. O retorno aos palcos veio acompanhado de uma nova formação e de um disco que não apenas justifica a espera, como coloca a Phornax entre os grandes nomes do Metal Tradicional nacional da atualidade.

Um dos pilares desse trabalho está na produção impecável assinada por Renato Osório. O músico e produtor entrega um som encorpado, cristalino e pesado na medida certa. Cada instrumento encontra seu espaço na mixagem, permitindo que a riqueza dos arranjos seja percebida sem sacrificar o impacto das músicas. É uma produção moderna, mas que preserva a essência orgânica do Heavy Metal.

Musicalmente, "Hellforge" caminha com segurança entre o Heavy Metal Tradicional e o Speed Metal, incorporando discretos elementos progressivos que enriquecem as composições sem torná-las excessivamente complexas. O álbum flui de forma natural, alternando momentos de velocidade, peso e melodias marcantes, sempre com excelente senso de construção.

A chegada do guitarrista Eduardo Martinez representa um enorme salto qualitativo para a banda. Seus solos são criativos, extremamente inspirados e carregados de personalidade, demonstrando técnica apurada sem cair no exibicionismo. Martinez ao lado de Deivid Moraes (mestre dos riffs por trás dos pilares) acrescentam novas cores ao som da Phornax e transformam cada faixa em uma experiência dinâmica, fazendo do álbum um verdadeiro desfile de grandes momentos para os amantes da guitarra.

Outro destaque absoluto é o vocalista Cristiano Poschi, que apresenta uma evolução impressionante em relação ao EP de 2012. Sua interpretação ganhou maturidade, confiança e controle. 

O drive continua sendo sua principal marca registrada, mas agora aparece muito mais refinado, alternando com passagens limpas sempre que a música exige. O resultado é uma performance intensa, convincente e cheia de personalidade, sem recorrer a exageros.

As músicas originalmente presentes em "Silent War" também merecem destaque. Longe de serem apenas reaproveitadas, elas receberam uma nova roupagem que evidencia toda a evolução técnica e artística da banda. Soam mais pesadas, mais maduras e perfeitamente integradas ao restante do repertório, mostrando que a espera realmente valeu a pena.

A cozinha da Phornax também impressiona. A bateria dispara verdadeiras metralhadoras de viradas e levadas, sempre variando sem perder a precisão, enquanto o baixo constrói linhas marcantes que reforçam o peso das composições e dialogam constantemente com as guitarras. O resultado é uma base sólida que impulsiona cada música com enorme competência.

Mais do que um simples álbum de estreia, "Hellforge" demonstra uma banda plenamente consciente de sua identidade. As composições exibem estruturas inteligentes, mudanças de dinâmica muito bem executadas e um nível de maturidade que normalmente se espera de grupos com vários discos na bagagem.

No fim das contas, a Phornax não apenas retorna: ela retorna em grande estilo. "Hellforge" é um trabalho consistente do início ao fim, repleto de riffs memoráveis, excelentes performances individuais e composições inspiradas. Para quem aprecia Heavy Metal, Speed Metal e pequenas nuances progressivas, este é um lançamento obrigatório.

Sem exagero, "Hellforge" já figura entre os grandes lançamentos do Metal brasileiro em 2026 e certamente merece um lugar na lista dos melhores álbuns do ano. Se este disco representa o novo ponto de partida da Phornax, o futuro da banda promete ser tão sólido quanto o aço forjado que dá nome ao álbum.

Site Oficial 



domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 17/06/2026 – Blood Rock Bar/CWB

Uma noite de metal melódico e memória: Roland Grapow em Curitiba

Em turnê pela América Latina, Roland Grapow, que desde 2001 segue com o grande Masterplan. Entretanto, nesta vinda ao Brasil, o foco passa a ser sua fase áurea no Helloween, mais especificamente a comemoração dos 30 anos de The Time Of The Oath. E desta vez, Curitiba não ficou de fora, Roland e banda desembarcaram na capital paranaense para uma única apresentação no Blood Rock Bar, localizado no centro histórico de Curitiba. Inclusive, o Blood Rock é reduto de bandas nacionais autorais e covers da melhor qualidade, e não é raro, talentos brasileiros que tocaram lá, serem exportados para o mundo. Exemplo da noite, a segunda banda de abertura, o Royal Rage, que recentemente fez uma turnê na Europa.

Um show no meio da semana acabou não animando o curitibano, mas aos poucos a casa foi dando espaço ao público, que aguardou para dar as caras durante o show principal da noite. Uma pena pois as duas bandas de abertura foram muito competentes no esquenta da noite, contornando com muito jogo de cintura alguns problemas técnicos aparentes. Quando cheguei ao local, alguns minutos após a abertura das portas, a banda Evil Politicians já estava com tudo no palco, e sem cerimônia destilou seu som para os poucos presentes na pista principal. 

Já o Royal Rage ganhou um pouco mais de público, entretanto ainda havia muitas pessoas aproveitando o happy hour com muita comida e bebida, coisa que o Blood Rock se sai muito bem, diga-se de passagem. A casa noturna com decoração voltada para o cinema de horror, que parece um calabouço moderno, conta com vários ambientes, inclusive um segundo andar e área aberta, tudo com mesas, sofás e poltronas (sim, sofás!!!), cadeiras e área gamer com máquinas clássicas dos anos 90. Enfim, fica fácil se entreter em um local assim.

Após o show do Royal Rage, o próprio Roland Grapow apareceu entre o público para trocar uma ideia e tirar fotos, tudo com a máxima cortesia que só o curitibano consegue (kkkkk contém ironia). Inclusive, na minha tentativa de pedir uma foto educadamente, acabei "chupando dedo", mas tudo bem, o show iria ser muito intimista mesmo, pois não há separação entre público e banda, somente o palco um pouco mais elevado. Portanto, a experiência da plateia é a melhor possível.

O show começou no horário correto, com uma banda pouco à vontade, e ainda tentando acertar os detalhes técnicos. Mas os anos de estrada do guitarrista deram a ele o jogo de cintura para conversar e brincar com o público presente. Inclusive, era o único dentre os músicos com uma cerveja em mãos, motivo para mais entretenimento ao estilo "good vibes". Acredito que seja uma característica herdada dos tempos de Helloween, pois nunca vi músicos tão animados como eles. Falo com propriedade de quem esteve presente em 1996, no Couto Pereira para assistir o "Monsters Of Rock" curitibano, que contou ainda com Iron Maiden (com Blaze nos vocais), Motorhead e Skid Row. Após este dia, nunca mais perdi uma turnê no Helloween.

A banda de apoio do guitarrista alemão contou com um escalão de músicos de primeira do cenário nacional, são eles Marcos Dotta na bateria, Fabio Carito no baixo, Affonso Junior na guitarra e João Luiz nos vocais. Com o time formado, o show foi se desenrolando em um misto de euforia do público, piadas do carismático Roland, que ficou sem o microfone (sim, isto aconteceu devido a um problema técnico, que não foi solucionado) mas nada que tirasse o bom humor do alemão, que de tempos em tempos pegava o instrumento dos colegas de palco, para falar com os fãs. Inclusive, a pista ficou lotada rapidamente e os fãs de metal melódico, principalmente de Helloween, são muito apaixonados, era um desfile de tatuagens personalizadas, gritos, choros e aspirantes a vocalistas em todos os cantos.

Agora, vamos falar da parte mais técnica da apresentação, não há que se negar que foi um ótimo show, mas pecou em vários aspectos, em vários momentos o som e os equipamentos não estavam em sincronia, o vocalista, apesar de ter uma voz impecável, não conseguiu o mesmo efeito ao interpretar o estilo melódico. Inclusive, achei que eram coisas da minha cabeça, mas algumas músicas foram bem prejudicadas em sua interpretação. Só para esclarecer, no final do show, consegui trocar uma ideia com algumas pessoas que também acompanham a banda e tiveram a mesma percepção. Mas o carisma e postura de João Luiz compensaram, conseguiu uma ótima pegada no hino Power e sabemos de sua competência, então, tudo deu certo.

Destaque para a participação especial do músico curitibano Cassiano Chamma, que interpretou as músicas Mr. Torture, Eagle Fly Free e I Want Out em perfeita sintonia com a banda, especialmente com Roland Grapow, que o aplaudiu algumas vezes. A participação também gerou uma espécie de nostalgia, onde em alguns momentos relembrou a química de outrora.

Por fim, apesar das trapalhadas, a competência dos músicos, o fervor dos fãs e o amor ao Heavy Metal tornaram a noite de quarta-feira um sucesso. “Happy Happy Helloween”.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake up the Mountain

Power

Forever and One

Before the War

Million to One

The Departed

The Dark Ride

The Chance

Mr. Torture

Eagle fly free

I Want Out

Cobertura de Show: Nazareth – 21/07/2026 – Manifesto Bar/SP

Após sete anos de espera, o Nazareth finalmente voltou a São Paulo para um aguardado reencontro com os fãs paulistanos. A apresentação aconteceu no Manifesto Bar e mostrou, logo de cara, que nem mesmo uma terça-feira foi capaz de impedir a presença do público para prestigiar uma das bandas mais tradicionais do hard rock mundial. A casa ficou completamente lotada, com uma fila que andava do lado de fora a passos de tartaruga. A demora foi tanta que muitos, incluindo este repórter, acabaram perdendo a apresentação da banda de abertura, Phornax, evidenciando que a organização da entrada merecia um planejamento melhor diante da procura pelo evento.

Muito se discute nas redes sociais sobre a continuidade do Nazareth após a morte de Dan McCafferty, em 2022. Para muitos, a banda teria perdido sua essência. No entanto, bastaram os primeiros acordes de "Telegram" e "Miss Misery" para que Gianni Pontillo demonstrasse por que foi escolhido para assumir os vocais. Sem tentar imitar seu lendário antecessor, o cantor entrega personalidade, técnica e uma presença de palco contagiante, respeitando o legado da banda enquanto imprime sua própria identidade. Ao lado dele, Jimmy Murrison (guitarra), Pete Agnew (baixo) e Lee Agnew (bateria) mostraram uma sintonia impecável, sustentando um show de alto nível do começo ao fim.

O repertório privilegiou diferentes fases da carreira da banda e manteve o público envolvido durante toda a noite. "Razamanaz" e "Shanghai'd in Shanghai" incendiaram a pista logo no início, enquanto "Love Leads to Madness" ganhou um momento especial quando Pontillo dedicou a canção ao público paulista, descrevendo São Paulo como uma "cidade grande e maluca". Em meio à execução da música, ergueu uma taça de vinho para brindar os presentes, arrancando aplausos da plateia. Logo depois, "Dream On" transformou o Manifesto Bar em um grande coro, com praticamente todos os presentes acompanhando a canção do início ao fim.

A interação entre banda e público permaneceu intensa durante toda a apresentação. Antes de "Light Comes Down", Gianni perguntou se os fãs gostariam de ver o Nazareth novamente no Brasil em 2027. A resposta veio em forma de um ensurdecedor coro positivo. Visivelmente emocionado, o vocalista agradeceu o carinho recebido e afirmou que todos estavam extremamente felizes por voltar ao país depois de tantos anos, classificando São Paulo como uma verdadeira cidade do rock. Em "Whiskey Drinkin' Woman", colocou novamente os fãs para trabalhar, testando sua capacidade vocal em um divertido duelo de vozes, que foi vencido com facilidade pelos fãs brasileiros. Já "Changin' Times" apareceu em uma versão estendida, oferecendo espaço para um excelente solo de guitarra de Jimmy Murrison.

Na reta final, o clima atingiu seu ápice. A introdução de bateria de "Hair of the Dog" bastou para provocar uma explosão do público, preparando terreno para aquele que talvez tenha sido o momento mais emocionante da noite: "Love Hurts". O clássico foi cantado em uníssono, emocionando público e banda em uma interpretação digna da história da música. Infelizmente, foi justamente após esse momento que um problema alheio ao espetáculo começou a comprometer a experiência. Como o sistema de comandas do Manifesto exige que o pagamento seja realizado antes da saída, muitos espectadores deixaram a pista ainda durante "Turn On Your Receiver" para enfrentar as enormes filas nos caixas. O resultado foi uma quantidade considerável de espaços vazios em frente ao palco, justamente quando a apresentação caminhava para sua reta decisiva.

O bis evidenciou ainda mais esse problema. Já passava das 23 horas, em plena terça-feira, e centenas de pessoas preferiram garantir um lugar na fila para deixar a casa a acompanhar as últimas músicas. Assim, "Where Are You Now" e "Go Down Fighting" acabaram sendo executadas diante de uma plateia visivelmente menor do que a que lotou o Manifesto durante quase todo o show. Ainda assim, o Nazareth saiu de São Paulo com a missão cumprida. A banda mostrou que continua em excelente forma, sustentada por músicos extremamente competentes e por um vocalista que honrou a memória de Dan McCafferty sem viver à sombra de seu legado. Se depender da reação daqueles que permaneceram até o último acorde, o convite para um retorno em 2027 já foi aceito muito antes de a última nota ecoar pelo Manifesto Bar. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music



Nazareth – setlist:

Telegram

Miss Misery

Razamanaz

Shanghai'd in Shanghai

Love Leads to Madness

Dream On

Holiday

This Flight Tonight

Light Comes Down

Whiskey Drinkin' Woman 

Beggar's Day

Changin' Times 

Hair of the Dog

Love Hurts

Turn On Your Receiver

Where Are You Now

Go Down Fighting

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Domino Drive: Além das Estrelas (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após um promissor álbum de estreia com Smoke and Mirrors (2023), o Domino Drive retorna com Cosmic Theater, um trabalho que demonstra uma evolução evidente tanto na composição quanto na identidade sonora da banda sueca. Sem abandonar suas raízes no hard rock melódico, o quinteto amplia significativamente seu horizonte musical ao incorporar uma produção mais moderna, texturas atmosféricas e uma abordagem quase cinematográfica, resultando em um álbum sólido, ambicioso e surpreendentemente coeso.

A chegada do guitarrista Jonatan Berg (Lipz) acrescenta ainda mais consistência ao conjunto, cuja proposta gira em torno de uma viagem entre diferentes dimensões emocionais e temporais. O conceito jamais se sobrepõe às canções; pelo contrário, serve como fio condutor para um repertório que alterna peso, melodias marcantes e refinamento instrumental com naturalidade.

A abertura, "Time for Change", estabelece imediatamente o nível da produção. A base permanece relativamente linear, mas os detalhes fazem toda a diferença: guitarras, teclados e backing vocals são distribuídos com inteligência, criando uma faixa envolvente e bastante eficaz. Em seguida, "Dancing on Water" assume uma postura mais pesada e moderna, sustentada por riffs inspirados e um excelente diálogo entre guitarras e teclados, culminando em um dos refrães mais fortes do disco.

Um dos momentos mais criativos surge em "Dandy Cool", que combina elementos barrocos — incluindo cravo e violão clássico — com uma estrutura contemporânea de hard rock. O contraste funciona perfeitamente e evidencia a disposição da banda em explorar novas possibilidades sem comprometer sua identidade.

Na sequência, "Together Apart" e "Terra Utopia" reforçam o equilíbrio entre tradição e modernidade. As influências de Van Halen aparecem principalmente nos teclados, enquanto o trabalho das guitarras ganha ainda mais protagonismo. Já "Terra Utopia" adiciona referências ao heavy metal clássico dos anos 1980, mostrando um Domino Drive confortável em transitar entre diferentes vertentes do rock melódico.

"Femme Fatale" mantém o alto nível ao unir peso, velocidade e melodias acessíveis, enriquecidas por discretos vocais femininos e arranjos que ampliam a riqueza sonora da composição. Em contraste, "Heart to Heart" entrega a indispensável power ballad do álbum. Longe de soar previsível, a faixa impressiona pela qualidade dos arranjos, pela interpretação vocal de Jonas Tyskhagen e pelo excelente equilíbrio entre emoção e sofisticação musical.

A reta final mantém a consistência. "The Ocean at the End of Time" evidencia influências que remetem tanto ao Van Halen quanto ao Europe, enquanto "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" representa o ponto mais ousado do trabalho. Com elementos progressivos, referências ao hard rock setentista e uma construção musical mais elaborada, a composição demonstra a maturidade alcançada pela banda sem sacrificar a acessibilidade.

Encerrando o álbum, "Wondermaker" opta por uma abordagem mais direta e descontraída. Após toda a complexidade apresentada anteriormente, a simplicidade da faixa funciona como um fechamento eficiente e deixa uma última impressão positiva.

Embora algumas músicas sigam estruturas relativamente convencionais do hard rock melódico, a riqueza dos arranjos, a excelente produção e o cuidado na construção das melodias impedem qualquer sensação de repetição. O Domino Drive demonstra personalidade suficiente para dialogar com suas influências sem soar derivativo, encontrando um equilíbrio raro entre técnica, peso e apelo melódico.

Cosmic Theater representa um salto artístico significativo em relação ao álbum de estreia e confirma que o Domino Drive é um dos nomes mais promissores da nova geração do hard rock escandinavo. Um disco consistente do início ao fim, capaz de agradar tanto aos fãs mais tradicionais do gênero quanto aos ouvintes que procuram uma abordagem contemporânea do hard rock melódico. Tem todos os ingredientes para figurar entre os lançamentos de maior destaque de 2026.

***ENGLISH VERSION***

Following the promising debut of Smoke and Mirrors (2023), Domino Drive return with Cosmic Theater, an album that clearly showcases the Swedish band's artistic growth. While remaining firmly rooted in melodic hard rock, the quintet broadens its musical horizons by embracing a more modern production, atmospheric textures, and a cinematic sense of scope, resulting in a record that is both ambitious and remarkably cohesive.

The addition of guitarist Jonatan Berg (Lipz) further strengthens the band's chemistry, while the album's concept—an emotional and temporal journey through different dimensions—serves as an effective narrative thread rather than overshadowing the music itself. Instead, it enhances a collection of songs that effortlessly balances heaviness, memorable melodies, and refined musicianship.

Opening track "Time for Change" immediately establishes the album's high production standards. Although its structure remains relatively straightforward, carefully layered guitars, keyboards, and rich backing vocals add depth and sophistication. It is followed by "Dancing on Water", which adopts a heavier, more contemporary approach, driven by infectious riffs and an excellent interplay between guitars and keyboards, leading to one of the album's strongest choruses.

One of the record's most creative moments arrives with "Dandy Cool", where baroque influences—including harpsichord and classical guitar—are seamlessly woven into a modern hard rock framework. The contrast feels natural and highlights the band's willingness to experiment without losing sight of its melodic identity.

"Together Apart" and "Terra Utopia" continue this balance between classic and contemporary influences. The former evokes echoes of Van Halen through its keyboard work and dynamic twin-guitar interplay, while the latter introduces touches of traditional '80s heavy metal, proving that Domino Drive is equally comfortable exploring the heavier side of melodic rock.

"Femme Fatale" keeps the momentum alive by combining speed, weight, and infectious melodies, enhanced by subtle female vocal harmonies and elegant arrangements that add further depth to the composition. In contrast, "Heart to Heart" delivers the album's obligatory power ballad, but avoids cliché thanks to its tasteful arrangements, emotional vocal performance from Jonas Tyskhagen, and a carefully crafted balance between power and sensitivity.

The final stretch remains equally compelling. "The Ocean at the End of Time" blends subtle hints of Van Halen and Europe into another memorable melodic rocker, while "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" stands as the album's most adventurous composition. Progressive flourishes, classic '70s hard rock influences, and a more elaborate musical structure reveal a band confidently expanding its creative boundaries without sacrificing accessibility.

Closing track "Wondermaker" opts for a more direct and uplifting approach. After the complexity of the preceding material, its straightforward nature provides an effective conclusion, leaving the listener with a lasting positive impression.

Although several songs follow familiar melodic hard rock structures, the richness of the arrangements, the pristine production, and the band's melodic craftsmanship prevent the album from ever feeling formulaic. Domino Drive successfully embraces its influences while establishing a distinctive personality of its own, striking an impressive balance between technical proficiency, musical weight, and commercial appeal.

Cosmic Theater represents a significant artistic leap from the band's debut and firmly establishes Domino Drive as one of the most exciting emerging names in the current Scandinavian melodic hard rock scene. Consistently engaging from beginning to end, it is an album that should satisfy longtime fans of the genre while also appealing to listeners seeking a fresh, contemporary take on melodic hard rock. It has every ingredient needed to secure a place among the standout rock releases of 2026.

Divulgação 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 18/07/2026 – Tokio Marine Hall/SP

MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL

Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido. 

Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.

Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.

Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.

A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite. 

Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele. 

Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.

Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina. 

Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.

A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.

Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.

Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.

O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music


Setlist - Velvet Chains

War

Ghost in the Shell

Dead Inside

Stuck Against the Wall

Wasted

Suspicious Minds

Wide Awake

Hurt Me

Sins

Dead in the Dead

How The Story Ends


Set List - Eric Martin

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Green-Tinted Sixties Mind

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush


Set List - Tim Ripper Owens

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Set List - Edu Falaschi

Acid Rain

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth(Angra cover)

Play Video

Heroes of Sand


Set List - Jeff Scott Soto

One Love

Separate Ways (Worlds Apart)

Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


All Singers

Living After Midnight (Judas Priest cover)

Madball: Fiel Às Origens

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Quase quatro décadas depois de surgir nas ruas de Nova York, o Madball continua provando que autenticidade pesa mais do que reinvenção. Em Not Your Kingdom, seu décimo álbum de estúdio, a banda entrega um trabalho que honra a tradição do NYHC sem soar presa ao passado.

Por Guilmer Da Costa Silva - @guilmer_metal

Oito anos separaram For the Cause (2018) de Not Your Kingdom, o maior intervalo entre dois discos da carreira do Madball. Nesse período, muita coisa mudou: o hardcore ganhou novas tendências, o metalcore se aproximou ainda mais do metal extremo e a própria banda passou por mudanças importantes, principalmente com a saída do baixista Jorge "Hoya Roc" Guerra. Ainda assim, Freddy Cricien e seus companheiros optam por seguir um caminho diferente do de muitos veteranos: não tentam modernizar sua identidade, mas refiná-la.

O resultado é um disco de pouco mais de trinta minutos que equilibra agressividade, groove, melodias pontuais e uma produção robusta, sem perder a essência construída desde clássicos como Set It Off (1994) e Demonstrating My Style (1996).

A abertura com "Tethered" deixa isso evidente desde os primeiros segundos. Os riffs carregados de groove, a bateria pulsante e a interpretação sempre intensa de Freddy Cricien funcionam como uma declaração de intenções: o Madball continua sendo o Madball. Logo em seguida, "Flammable" reduz tudo à essência do hardcore, explodindo em menos de um minuto com velocidade, agressividade e um breakdown que certamente encontrará seu lugar nos shows.

O primeiro momento de respiro chega com "Rebelude". O breve interlúdio, de atmosfera quase dub, quebra a sequência de pancadas sem parecer deslocado e prepara o terreno para "Rebel Kids", provavelmente a música mais emblemática do disco. Lançada como primeiro single, ela sintetiza boa parte da proposta do álbum. O refrão foi claramente concebido para ser cantado em coro, enquanto a letra recupera o espírito inconformista que sempre definiu o hardcore. Em uma época em que parte da cena parece cada vez mais preocupada em seguir tendências, Freddy relembra que o gênero nasceu justamente da contestação. 

A partir daí, o disco alterna momentos de violência absoluta com pequenas variações que enriquecem a audição. "Don't Misstep" acelera novamente com riffs de forte influência metálica e uma bateria devastadora, mostrando que a produção moderna acrescenta peso sem diluir a essência da banda. Já "What Say You", cuja temática dialoga diretamente com o título do álbum, aposta em um andamento mais cadenciado, privilegiando o groove e a construção dos riffs. É uma das composições mais marcantes do trabalho e evidencia o quanto o Madball domina a dinâmica entre peso e controle.

Essa aproximação com o metal aparece de forma ainda mais evidente em "Stab Wounds", impulsionada pelas guitarras de Mike Gurnari e pela sólida estreia de Paul Delaney no baixo. A nova cozinha demonstra enorme entrosamento ao longo de todo o disco, oferecendo uma base consistente para que os riffs ganhem ainda mais impacto. Em seguida, "Sunrise" surge como mais um breve interlúdio atmosférico, reorganizando o ritmo do álbum antes de uma sequência em que o lado mais melódico do Madball ganha espaço.

"Life's a Mural" mostra que groove e refrões fortes podem conviver naturalmente dentro do hardcore nova-iorquino. A música preserva toda a energia característica da banda, mas abre espaço para linhas vocais mais acessíveis, algo que também acontece em "The Ride", uma das faixas mais cativantes do repertório. Sem abandonar a agressividade, ambas revelam um Madball confortável em explorar melodias sem comprometer sua credibilidade. 

No centro emocional do disco está "Family First". Mais do que uma música, ela funciona como uma reafirmação dos valores que moldaram toda a cena hardcore de Nova York. A alternância entre passagens cadenciadas e explosões de velocidade reforça a mensagem de união, lealdade e responsabilidade que acompanha o grupo desde seus primeiros trabalhos. É impossível ouvir a faixa sem lembrar da influência de nomes como Agnostic Front, Cro-Mags, Sick of It All e Biohazard na construção dessa filosofia.

A reta final mantém o nível elevado. "Clockwork" retoma a velocidade com riffs secos e breakdowns precisos, enquanto "IWI" surpreende ao iniciar com um breve violão antes de explodir em menos de meio minuto de pura violência, mostrando que até pequenas experimentações encontram espaço quando fazem sentido dentro da proposta do álbum.

O encerramento fica por conta de "Chase a Dream", que foge do formato explosivo predominante e aposta em uma construção gradual. Para os padrões do Madball, trata-se de uma composição quase épica, encerrando o disco com um sentimento de perseverança que dialoga perfeitamente com a trajetória da banda.

Embora Freddy Cricien tenha afirmado que este seja o álbum mais diverso da carreira do Madball, ninguém deve esperar mudanças radicais. A diversidade aparece em detalhes: interlúdios atmosféricos, maior presença de melodias, influências metálicas mais evidentes e uma dinâmica mais trabalhada entre velocidade e peso. Ainda assim, tudo permanece absolutamente reconhecível como Madball.

A produção moderna valoriza cada instrumento sem sacrificar a crueza característica do hardcore, enquanto Mike Gurnari entrega alguns dos riffs mais inspirados da fase recente da banda. A estreia de Paul Delaney e o trabalho de Mike Justian consolidam uma base rítmica poderosa, mostrando que a saída de Hoya Roc foi assimilada de maneira convincente.

No fim das contas, Not Your Kingdom não pretende revolucionar o hardcore nem reinventar o Madball. Seu maior mérito está justamente em compreender que poucas bandas carregam tanta autoridade para executar essa fórmula. Em pouco mais de trinta minutos, o grupo entrega um álbum consistente, pesado, repleto de refrões memoráveis e músicas que nasceram para ganhar vida nos palcos. Quase quarenta anos depois de sua formação, o Madball continua soando relevante, inspirado e, acima de tudo, fiel àquilo que sempre representou.

Dave Causa
 




segunda-feira, 20 de julho de 2026

Motionless In White: Vinte anos de evolução sem abrir mão da própria identidade (Also In English)

Roadrunner Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Celebrar duas décadas de carreira é um privilégio reservado a poucas bandas dentro do metal moderno. Desde sua formação em 2005, na Pensilvânia (EUA), o Motionless In White construiu uma identidade própria ao combinar metalcore, industrial, nu metal, metal alternativo e elementos eletrônicos sob uma estética inspirada no horror, no gótico e na cultura pop sombria. Ao longo dos anos, o grupo liderado por Chris Motionless refinou sua sonoridade sem abandonar a agressividade que conquistou sua base de fãs. Em Decades, lançado pela Roadrunner Records para celebrar os 20 anos da banda, o quinteto apresenta um trabalho que revisita sua trajetória enquanto aponta para o futuro, reunindo peso, melodias marcantes e participações especiais que ampliam ainda mais a experiência do álbum.

O conceito de Decades funciona como uma homenagem à própria história do Motionless In White. O encarte reforça esse caráter comemorativo com uma direção artística impecável, repleta de referências visuais à estética sombria que acompanha a banda desde seus primeiros lançamentos. É um material que dialoga diretamente com os fãs de longa data, mas que também serve como porta de entrada para quem está conhecendo o grupo.

Na parte técnica, a produção assinada por Drew Fulk e Justin DeBlieck é um dos grandes triunfos do álbum. Ambos encontram um equilíbrio admirável entre brutalidade e acessibilidade, entregando uma mixagem extremamente limpa, poderosa e moderna. Cada instrumento ocupa seu espaço sem comprometer a intensidade das composições, enquanto os elementos eletrônicos são incorporados de forma orgânica, enriquecendo as músicas sem jamais ofuscar o peso das guitarras.

Chris Motionless vive um dos melhores momentos de sua carreira. Sua interpretação é intensa e convincente, transitando naturalmente entre vocais limpos extremamente melódicos e guturais rasgados carregados de emoção e agressividade. A dinâmica vocal acrescenta dramaticidade às composições e reforça o caráter cinematográfico presente em boa parte do repertório.

As guitarras entregam riffs encorpados, grooves impressionantes e uma quantidade generosa de camadas que tornam cada faixa rica em detalhes. São aqueles grooves que fazem qualquer headbanger bater cabeça naturalmente. O baixo aparece firme, preenchendo a sonoridade com profundidade e sustentação, enquanto a bateria alterna precisão técnica, peso e criatividade, acompanhando perfeitamente as constantes mudanças de atmosfera do disco.

O grande mérito de Decades está justamente em sua capacidade de fundir diferentes estilos sem soar exagerado. Nu metal, industrial, metal alternativo, metalcore e música eletrônica convivem em perfeita harmonia, resultando em um álbum extremamente envolvente, energético e moderno. Os refrões são explosivos, memoráveis e fáceis de assimilar, tornando o trabalho acessível inclusive para quem normalmente não acompanha o metalcore. O Motionless In White demonstra maturidade artística ao refinar sua técnica sem sacrificar a essência que definiu sua carreira.

A faixa-título, "Decades", sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. Combinando peso, melodias marcantes e uma atmosfera grandiosa, ela funciona como uma verdadeira declaração de identidade da banda e representa com competência o espírito comemorativo do trabalho.

Em "R.I.P.", a participação de Skylar Grey acrescenta uma dimensão emocional impressionante. A introdução conduzida por sua voz delicada cria um contraste marcante antes da explosão instrumental comandada pelo Motionless In White. O resultado é uma das músicas mais cinematográficas do álbum, alternando momentos de vulnerabilidade e intensidade com enorme eficiência.

"Fight Like Hell" aposta fortemente na influência do nu metal, trazendo grooves pesados, refrão explosivo e uma energia contagiante. Chris Motionless conduz a faixa com autoridade, transformando-a em um dos momentos mais empolgantes do disco.

"Playing God", com a participação especial de Corey Taylor, certamente figura entre os grandes destaques de Decades. A química entre os dois vocalistas é impressionante. As alternâncias entre vocais limpos e guturais elevam ainda mais a intensidade da composição, enquanto Corey entrega uma performance agressiva, raivosa e extremamente carismática, acrescentando ainda mais peso ao resultado final.

Em "Blood Rave", com participação de Anthony Martinez, a banda surpreende ao explorar uma atmosfera de balada gótica moderna. Hipnótica, envolvente e bastante diferente do restante do repertório, a música aposta em sintetizadores, batidas eletrônicas e um refrão dançante que permanece na memória após poucas audições. Aqui, os elementos eletrônicos assumem o protagonismo, demonstrando a versatilidade do grupo.

"Love At First Bite" mergulha de vez na temática vampiresca que sempre permeou parte da estética do Motionless In White. A composição incorpora influências da música dos anos 1980 sem abrir mão da produção moderna, criando uma atmosfera elegante, sedutora e divertida.

Em "Afraid Of The Dark", a banda entrega um dos momentos mais emocionantes do álbum. A abertura com guturais rasgados estabelece imediatamente um clima dramático que logo dá lugar a passagens melódicas extremamente marcantes. O refrão é envolvente, grandioso e reforça o equilíbrio entre agressividade e sensibilidade que caracteriza o disco.

A atmosfera retrô retorna em "Sunglasses At Night", que flerta com o AOR e o synth rock dos anos 1980 sem perder o peso contemporâneo. O resultado é uma faixa divertida, nostálgica e surpreendentemente dançante, capaz de agradar tanto aos fãs de metal quanto ao público que aprecia a estética das tradicionais baladas góticas.

Fechando a edição com uma energia extra, a bonus track "Fight Like Hell", desta vez com participação do Outlier, oferece uma nova leitura para uma das músicas mais fortes do álbum, encerrando Decades com a mesma intensidade que acompanha toda sua execução.

Decades não é apenas uma celebração dos 20 anos do Motionless In White, mas também uma demonstração clara de maturidade artística. A banda encontrou um equilíbrio raro entre agressividade, melodia, experimentação e apelo comercial, entregando um álbum que respeita sua identidade enquanto amplia seus horizontes musicais. Com produção impecável de Drew Fulk e Justin DeBlieck, performances inspiradas e composições repletas de refrões marcantes e grooves irresistíveis, o disco reafirma por que o Motionless In White continua sendo uma das principais forças do metal moderno.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of a band's career is a privilege reserved for only a handful of acts in modern metal. Since forming in 2005 in Pennsylvania, USA, Motionless In White has forged a distinctive identity by blending metalcore, industrial, nu metal, alternative metal, and electronic elements under an aesthetic inspired by horror, gothic culture, and dark pop culture. Over the years, the band led by Chris Motionless has refined its sound without sacrificing the aggression that won over its loyal fanbase. With Decades, released through Roadrunner Records to commemorate the band's 20th anniversary, the quintet delivers a record that honors its past while looking firmly toward the future, combining crushing heaviness, memorable melodies, and high-profile guest appearances that elevate the listening experience.

The concept behind Decades serves as a tribute to Motionless In White's own legacy. The album booklet reinforces its commemorative nature through impeccable artistic direction, packed with visual references to the dark aesthetic that has accompanied the band since its earliest releases. It is a package that speaks directly to longtime fans while also serving as an inviting gateway for newcomers.

From a technical standpoint, the production by Drew Fulk and Justin DeBlieck stands as one of the album's greatest strengths. The duo achieves an admirable balance between brutality and accessibility, delivering a mix that is exceptionally clean, powerful, and modern. Every instrument occupies its own space without compromising the intensity of the compositions, while the electronic elements are seamlessly integrated, enhancing each track without ever overshadowing the crushing guitar work.

Chris Motionless delivers one of the finest vocal performances of his career. His interpretation is both powerful and convincing, moving effortlessly between soaring clean vocals and raw, emotionally charged screams. This dynamic vocal approach adds dramatic weight to the compositions and reinforces the cinematic atmosphere that defines much of the album.

The guitars unleash thick riffs, infectious grooves, and multiple layers that make every song feel rich and detailed. These are the kind of grooves that naturally make every headbanger bang their head with a smile. The bass provides a solid and commanding foundation, adding depth and fullness to the overall sound, while the drums combine technical precision, power, and creativity, perfectly complementing the album's constant shifts in mood and intensity.

Decades truly shines in its ability to merge different musical styles without ever sounding forced or excessive. Nu metal, industrial, alternative metal, metalcore, and electronic music coexist in remarkable harmony, resulting in an album that feels energetic, immersive, and refreshingly modern. The choruses are explosive, instantly memorable, and highly accessible, making the record appealing even to listeners who are not typically fans of metalcore. Motionless In White demonstrates remarkable artistic maturity by refining its craft without sacrificing the essence that has defined its career.

The title track, "Decades" perfectly encapsulates the album's overall vision. Combining crushing heaviness, memorable melodies, and a grand cinematic atmosphere, it serves as a powerful statement of identity while capturing the celebratory spirit of the record.

On "R.I.P." Skylar Grey brings an impressive emotional dimension to the song. Her angelic vocal introduction creates a striking contrast before Motionless In White unleashes its instrumental intensity. The result is one of the album's most cinematic moments, effortlessly balancing vulnerability and sheer power.

"Fight Like Hell" fully embraces its nu metal influences through heavy grooves, an explosive chorus, and infectious energy. Chris Motionless commands the song with confidence, turning it into one of the album's most adrenaline-fueled highlights.

"Playing God" featuring Corey Taylor, is undoubtedly among the standout tracks on Decades. The chemistry between both vocalists is undeniable. Their interplay between clean vocals and guttural screams elevates the song's intensity, while Corey delivers a fierce, aggressive, and emotionally charged performance that adds even more weight to the final result.

On "Blood Rave" featuring Anthony Martinez, the band surprises listeners by exploring the atmosphere of a modern gothic ballad. Hypnotic, immersive, and unlike anything else on the album, the song relies on lush synthesizers, electronic textures, and a danceable chorus that lingers long after it ends. Here, the electronic arrangements take center stage, highlighting the band's impressive versatility.

"Love At First Bite" fully embraces a vampiric atmosphere that has long been part of Motionless In White's artistic identity. The song incorporates clear influences from 1980s music while maintaining a thoroughly modern production, resulting in an elegant, seductive, and highly entertaining composition.

With "Afraid Of The Dark" the band delivers one of the album's most emotionally impactful moments. The opening guttural screams immediately establish a dramatic tone before giving way to soaring melodic passages. Its captivating chorus reinforces the balance between aggression and emotion that defines the record.

The retro influences return on "Sunglasses At Night" a track that flirts with AOR and 1980s synth rock without sacrificing contemporary heaviness. The result is an irresistibly fun, nostalgic, and danceable song that is likely to appeal not only to metal fans but also to listeners who appreciate the atmosphere of classic gothic club anthems.

Closing the special edition with an extra burst of energy, the bonus version of "Fight Like Hell" featuring Outlier, offers a fresh interpretation of one of the album's strongest tracks, bringing Decades to an intense and satisfying conclusion.

Decades is far more than a celebration of Motionless In White's twenty-year career; it is a compelling demonstration of artistic maturity. The band has achieved a rare balance between aggression, melody, experimentation, and mainstream appeal, delivering an album that remains faithful to its identity while confidently expanding its musical horizons. Backed by the outstanding production of Drew Fulk and Justin DeBlieck, inspired performances, unforgettable choruses, and irresistible grooves, Decades reaffirms why Motionless In White continues to stand among the leading forces in modern metal.



Dominum: O Horror Nunca Foi Tão Contagiante (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Em poucos anos de existência, o Dominum conseguiu algo que muitas bandas levam uma carreira inteira para alcançar: criar uma identidade facilmente reconhecível. Liderado pelo irreverente Dr. Dead, o grupo alemão transformou o imaginário dos filmes de horror em sua principal assinatura, misturando power metal moderno, hard rock, elementos cinematográficos e uma estética inspirada em monstros clássicos do cinema. Em The Night Is Calling, a banda não reinventa sua fórmula — e nem precisa. O grande mérito do terceiro álbum está justamente em aperfeiçoá-la, entregando o trabalho mais refinado, coeso e envolvente de sua discografia.

Essa evolução fica evidente logo na produção. O álbum apresenta um equilíbrio muito maior entre o peso das guitarras, os arranjos orquestrais e os elementos eletrônicos, criando uma atmosfera cinematográfica sem perder a agressividade característica da banda. A mixagem é limpa e encorpada, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço com naturalidade. As guitarras alternam riffs pesados, harmonizações melódicas e solos muito bem construídos, enquanto baixo e bateria sustentam as composições com precisão e impacto. Nos vocais, Dr. Dead continua sendo o grande diferencial do Dominum, explorando timbres limpos, passagens rasgadas e uma interpretação extremamente teatral, capaz de dar personalidade a cada faixa. O resultado é um disco que soa maior, mais confiante e tecnicamente mais sólido do que seus antecessores.

Se os trabalhos anteriores já mostravam uma banda com enorme facilidade para criar refrões memoráveis, The Night Is Calling demonstra que o Dominum também evoluiu na construção das músicas. Os arranjos são mais ricos, as transições acontecem de forma mais natural e existe um cuidado maior em desenvolver as atmosferas antes de explodir em refrões gigantescos. Tudo parece pensado para transformar cada faixa em uma pequena experiência cinematográfica.

A experiência começa em clima de espetáculo com "The Circus Is In Town", que abre o álbum como se as cortinas de um circo macabro estivessem se abrindo diante do ouvinte. Entre riffs marcantes e uma ambientação digna de um filme de terror, a música entrega um dos refrões mais fortes do disco logo de cara. 

Na sequência, "Doctor Doctor" mantém a energia em alta com uma pegada contagiante e mais um refrão que permanece na cabeça muito depois que a música termina. Aliás, essa talvez seja a maior qualidade de The Night Is Calling: praticamente todas as faixas possuem melodias incrivelmente grudentas, daquelas que fazem o ouvinte voltar ao álbum assim que ele termina.

Em "Nosferatu", o Dominum presta homenagem a um dos maiores ícones do horror com uma composição que equilibra peso, melodia e atmosfera de maneira muito eficiente. 

Já a faixa-título "The Night Is Calling" ganha um brilho especial com a participação da brasileira Marina La Torraca da banda Beattle Beast. Sua interpretação acrescenta um contraste melódico muito bonito à voz de Dr. Dead, tornando a música ainda mais grandiosa e emocional.

Outro dos grandes momentos do álbum é a releitura de "Thriller", clássico imortal de Michael Jackson. Em vez de simplesmente reproduzir a versão original em formato metal, o Dominum faz a música parecer parte de seu próprio universo. A homenagem é divertida, pesada, cheia de personalidade e combina perfeitamente com a proposta estética da banda, tornando-se uma das versões mais criativas do disco.

O encerramento com "Hey Living People (Acoustic)" mostra uma faceta diferente do grupo. Ao reduzir o peso e apostar em uma abordagem mais intimista, a banda evidencia a força da composição e encerra o álbum de maneira elegante, provando que suas músicas continuam funcionando mesmo sem toda a grandiosidade da produção.

The Night Is Calling talvez não seja um álbum revolucionário, mas também nunca teve essa pretensão. Seu objetivo é divertir, transportar o ouvinte para um universo inspirado no horror clássico e entregar uma coleção de músicas que permanecem na memória graças aos refrões explosivos e às melodias extremamente viciantes. Mais refinado que seus antecessores, com produção impecável e uma execução segura de toda a banda, o novo trabalho confirma que o Dominum encontrou sua identidade e continua evoluindo sem perder a essência.

The Night Is Calling é daqueles discos que recompensam cada nova audição. Quanto mais se ouve, mais detalhes aparecem — e mais difícil fica tirar seus refrões da cabeça.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

In just a few years, Dominum has accomplished something many bands spend an entire career striving for: creating an instantly recognizable identity. Led by the irreverent Dr. Dead, the German outfit has turned the imagery of classic horror films into its defining trademark, blending modern power metal, hard rock, cinematic elements, and an aesthetic inspired by legendary movie monsters. With The Night Is Calling, the band doesn't reinvent its formula—and it doesn't need to. The album's greatest strength lies in refining every aspect of it, resulting in the most polished, cohesive, and engaging release in the band's discography.

That evolution becomes apparent from the very beginning with the album's production. It achieves a far more balanced interplay between crushing guitar work, orchestral arrangements, and electronic elements, creating a cinematic atmosphere without sacrificing the band's trademark heaviness. The mix is clear, powerful, and well-balanced, allowing every instrument to breathe naturally. The guitars shift effortlessly between heavy riffs, melodic harmonies, and expertly crafted solos, while the bass and drums provide a solid, impactful foundation throughout the record. On vocals, Dr. Dead remains Dominum's greatest asset, moving seamlessly between clean singing, gritty passages, and an intensely theatrical performance that gives each song its own unique personality. The result is an album that feels bigger, more confident, and technically stronger than anything the band has released before.

While the previous albums already proved Dominum's remarkable ability to write unforgettable choruses, The Night Is Calling also showcases significant growth in songwriting. The arrangements are richer, transitions flow more naturally, and there's a stronger emphasis on building atmosphere before exploding into massive, arena-ready refrains. Every track feels carefully crafted to deliver its own miniature cinematic experience.

That experience begins spectacularly with "The Circus Is In Town" which opens the album as though the curtains of a sinister carnival are rising before the listener. Driven by memorable riffs and a horror movie-worthy atmosphere, the song immediately delivers one of the album's strongest choruses.

Next comes "Doctor Doctor" keeping the momentum alive with infectious energy and yet another chorus that lingers long after the song ends. In fact, this may be The Night Is Calling's greatest strength: nearly every track features irresistibly catchy melodies that make listeners want to start the album all over again as soon as it finishes.

On "Nosferatu" Dominum pays tribute to one of horror's greatest icons with a composition that masterfully balances heaviness, melody, and atmosphere.

The title track "The Night Is Calling" shines even brighter thanks to the guest appearance of Brazilian singer Marina La Torraca from the band Battle Beast . Her performance creates a beautiful melodic contrast with Dr. Dead's voice, making the song even more grandiose and emotionally compelling.

Another standout moment is the band's reinterpretation of Michael Jackson immortal classic "Thriller". Rather than simply transforming the original into a metal version, Dominum makes the song feel like a natural part of its own universe. The result is fun, heavy, full of personality, and perfectly aligned with the band's horror-inspired aesthetic, making it one of the album's most creative highlights.

The record closes with "Hey Living People (Acoustic)" revealing a different side of the band. By stripping away the heaviness in favor of a more intimate approach, Dominum highlights the strength of the songwriting and brings the album to an elegant conclusion, proving that its compositions remain compelling even without the full weight of the production.

The Night Is Calling may not be a revolutionary album, but it never sets out to be one. Its mission is to entertain, immerse listeners in a world inspired by classic horror, and deliver a collection of songs that remain unforgettable thanks to explosive choruses and irresistibly addictive melodies. More refined than its predecessors, backed by impeccable production and confident performances across the board, the band's latest effort confirms that Dominum has found its identity and continues to evolve without losing the essence that makes it so distinctive.

The Night Is Calling is one of those albums that rewards every repeat listen. The more you hear it, the more details emerge—and the harder it becomes to get its massive choruses out of your head.

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