Mostrando postagens com marcador Beyond The Black. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beyond The Black. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Entrevista - Jennifer Haben (Beyond The Black): Metal, Emoção e Conexão Global

Por Paula Butter

Beyond The Black, a banda de Metal Sinfônico alemã que tem agitado os palcos ao redor do mundo nos últimos anos, está na expectativa do lançamento de seu novo álbum, intitulado “Break the Silence”. Então, começamos 2026 com um grande presente para os headbangers, uma entrevista com Jennifer Haben, onde a simpática vocalista esclarece alguns pontos sobre o conceito desta obra, que já está disponível, pela gravadora Nuclear Blast, no dia de hoje (09/01/26).

Paula: É um prazer ter você aqui conosco para esta entrevista. Como você está hoje?

Jennifer: Estou bem. Tive uma semana muito corrida na semana passada. Fizemos algumas coisas ótimas com muitas das músicas captadas do Wacken e também outros projetos, e isso foi muito bom para poder contar um pouco mais sobre o álbum.

Paula: Ah, sim, estou muito animada. O lançamento é no dia 9 de janeiro, eu acho. É logo no começo do Ano Novo, então acredito que todo mundo esteja bastante ansioso pelo álbum.

Gostaria de começar com algumas perguntas sobre as três primeiras músicas, que foram lançadas como singles antes do álbum. Esses singles contam com várias participações, incluindo o Lord of the Lost e também com a cantora japonesa Asami. Acho isso muito interessante, adorei o álbum!

Essas três músicas parecem representar capítulos diferentes do disco, cada uma com uma identidade própria. Elas representam a variedade de Break the Silence?

Jennifer: Até agora, ainda não contamos a história completa. Ainda falta um single que, sim, vai apresentar o final deste capítulo.

Como eu já disse antes, todos esses videoclipes, do começo ao fim, funcionam quase como um pequeno filme, porque pensamos em um conceito completo para explicar às pessoas sobre o que estamos falando. Indo além, Break the Silence é um álbum sobre comunicação.

Desde o início, quando começamos a pensar no que escrever, percebemos que todos estávamos mais ou menos na mesma sintonia: as pessoas não estão mais conectadas — ou pelo menos não o suficiente. Elas estão mais divididas do que nunca, pelo menos é assim que sentimos.

Ao mesmo tempo, temos a internet, que nos deixa hiperconectados, mas sem conversas realmente profundas. Parece que as pessoas apenas expressam suas opiniões, sem ouvir o outro lado. Elas não querem entender de verdade o que o outro tem a dizer, apenas expor seu próprio ponto de vista. Acho isso muito perigoso. Acredito que poderíamos nos reconectar se tentássemos compreender o que o outro quer dizer com o coração, e não apenas pelas palavras.

Edu Lawless - @edulawless

Paula: Sim, concordo totalmente com você. Break the Silence é um álbum muito forte, e o título também é muito impactante. A capa do álbum é linda e chama muita atenção logo de primeira.

O que tudo isso significa para você e para a banda neste momento? Vocês estão tocando em muitos festivais e já estiveram no Brasil este ano, no Bangers Open Air (obs.: entrevista realizada em dezembro de 2025). O que esse álbum representa para você pessoalmente e para a trajetória da banda?

Jennifer: Acho que todo álbum revela um pouco mais sobre a personalidade da banda e sobre a fase em que estamos vivendo. Desde Beyond the Black, o álbum anterior, tudo estava mais relacionado à confiança. Já era possível sentir que estávamos mais seguros do que antes, que sabíamos melhor o que estávamos fazendo e o que queríamos.

Desta vez, foi um desenvolvimento em direção a algo mais profundo, no qual realmente quisemos expor nossas preocupações sobre como o mundo está evoluindo. Queríamos mostrar às pessoas o que sentimos. É empolgante ver isso finalmente se concretizando. Agora faltam alguns meses… não, na verdade, só um mês.

Paula: Nem isso, na verdade.

Jennifer: Exatamente, está muito perto. Há outras músicas no álbum das quais eu realmente me orgulho, então mal posso esperar para que as pessoas as escutem.

Paula: Preciso dizer que já ouvi o álbum. Agradeço à Nuclear Blast pela oportunidade. Acho que ele reúne muitos sons e culturas diferentes. É um disco muito diverso: cada música é diferente, cada uma conta uma história. Há elementos culturais de várias partes do mundo, de diferentes países e tradições. É como se muitas culturas estivessem reunidas em um único álbum.

Esse equilíbrio entre melodia, emoção e intensidade sempre esteve presente no Beyond the Black. Essa visão já existia desde o início ou foi se desenvolvendo ao longo do tempo?

Jennifer: Você diz de modo geral ou especificamente para este álbum?

Paula: Para este álbum.

Jennifer: Certo. A visão surgiu já no início do processo criativo, quando começamos a pensar no novo álbum. Desde o começo sabíamos qual seria o tema central: comunicação. Acho que foi a primeira vez que isso ficou definido antes mesmo de começarmos a compor as músicas.

Ter isso em mente ajudou muito no conceito geral, inclusive no que você mencionou sobre idiomas e culturas diferentes. Comunicação não é apenas alemão ou inglês, é algo global. Queríamos nos conectar com pessoas do mundo inteiro, por isso escolhemos diferentes idiomas e exploramos essas ideias.

Por exemplo, em “Rising High”, tivemos aquela voz africana antes mesmo de pensarmos em criar uma música do Beyond the Black ao redor dela. Foi quase um recomeço para nós. O mesmo aconteceu com os vocais búlgaros, japoneses e outros.

A ideia era nos inspirar nesses elementos e criar algo a partir deles, sem forçar a música a ser algo que ela não é. Queríamos criar algo harmônico a partir do que já existia na identidade do Beyond the Black.

Edu Lawless - @edulawless

Paula: Este álbum é muito verdadeiro. Tenho uma pergunta: se você tivesse que apresentar o Beyond the Black e Break the Silence para alguém que não conhece a banda, como descreveria?

Jennifer: Eu diria que é possível encontrar muitas emoções diferentes, elementos bem metal, mas também partes orquestrais, eletrônicas e com uma pegada de rock. No conjunto, há muitas dinâmicas diferentes.

Paula: Ótimo! E como foi trabalhar com outras bandas, como o Lord of the Lost e a cantora Asami (obs:. vocalista da banda de Metal japonesa Lovebites)? São duas vertentes muito fortes. Como foi essa colaboração?

Jennifer: Foi incrível. Eu sou apaixonada pelo Japão, então para mim estava claro que eu queria ter um vocal japonês neste álbum, além de letras em japonês. No início, pensei em cantar eu mesma (risos), mas percebi que talvez não fosse a melhor escolha, então precisávamos de outra pessoa. Fiquei muito feliz que a Asami tenha aceitado participar.

A ideia de “Can You Hear Me” é mostrar que sentimos as mesmas coisas, mesmo estando tão distantes no mundo: solidão, a tentativa de alcançar o outro, de ter conversas e emoções profundas.

Já com o Chris Harms, do Lord of the Lost, foi algo muito especial. Ele é um cantor incrível. Não conversamos muito antes de gravar juntos, mas senti que encontrei um novo amigo nele, porque compartilhamos um nível emocional parecido. Quando ele gravou e me enviou as partes vocais, foi como se tivesse acrescentado uma dimensão totalmente nova à música. Isso não acontece com frequência em colaborações, então foi realmente especial.

Edu Lawless - @edulawless

Paula: É muito emocionante e tocante. Em “Can You Hear Me”, há um contraste muito forte entre os vocais. Como foi, para você, essa experiência de contrastar a sua voz com a dela?

Jennifer: Para mim, é sempre importante trabalhar com uma voz diferente da minha. Esse contraste permite alcançar diferentes níveis emocionais e torna a música mais interessante para quem ouve. Acho que essa faixa é um ótimo exemplo disso.

Paula: Tenho muitas perguntas, estou até um pouco nervosa (risos). Como fundadora do Beyond the Black, hoje é mais fácil separar seus papéis como líder da banda, compositora e cantora?

Jennifer: Você pode repetir a pergunta? Desculpe.

Paula: Claro. Existe uma divisão clara de responsabilidades dentro da banda? Como funciona o processo quando vocês estão compondo e gravando, considerando que você também é compositora e líder?

Jennifer: Obrigada por esclarecer. A composição no Beyond the Black é feita principalmente por mim e pelo nosso guitarrista, Chris. Fazemos grande parte do trabalho juntos. Quando se trata de decisões gerais, nós quatro decidimos em conjunto, mas cada um tem responsabilidades específicas, como merchandising ou outros aspectos. Ninguém faz tudo sozinho, e eu também não faço tudo sozinha. Cada um tem suas funções.

Edu Lawless - @edulawless

Paula: Hoje em dia, vemos muitas bandas na mídia por conflitos internos, e isso não é bom para o heavy metal (risos).

Jennifer: Estou tentando manter meus caras unidos.

Paula: E você consegue, isso é incrível.

Jennifer: Para mim, é muito importante que o tempo que passamos juntos seja bom. Se você não estiver se divertindo, não faz sentido ser músico. Na turnê, ter a equipe certa e boas pessoas por perto também é fundamental.

Paula: Eu vi vocês em São Paulo e senti uma energia muito positiva. Dá para perceber que vocês são uma banda de verdade. Foi incrível assistir ao show.

Jennifer: Muito obrigada.

Paula: Posso fazer mais uma pergunta? Como está o seu tempo?

Jennifer: Acho que ainda tenho uns cinco minutos antes da próxima entrevista.

Paula: Após o lançamento do álbum, vocês pretendem fazer uma turnê específica para Break the Silence?

Jennifer: Sim, teremos uma turnê pela Europa em janeiro e fevereiro. Vamos tocar algumas das músicas novas, claro. A turnê começa por volta de 15 de janeiro, logo após o lançamento do álbum, então estaremos bem ocupados.

Paula: E vocês pretendem voltar ao Brasil em 2026 ou 2027?

Jennifer: Ainda não sabemos, mas quando estivemos aí e vimos o público incrível, dissemos: “Precisamos voltar”. A energia foi maravilhosa, e tocar para pessoas assim é algo que amamos. Com certeza voltaremos, só não sabemos quando.

Paula: No Brasil, a banda é muito querida. Eu sou uma grande fã — adoro sua voz, seu estilo e o som moderno da banda. Posso fazer uma pergunta pessoal?

Jennifer: Claro!

Paula: O que você gosta de fazer quando não está no palco?

Jennifer: Boa pergunta (risos). Gosto de assistir a séries. Mas, sinceramente, minha vida gira muito em torno da música. Também gosto de estar com minha família. Tenho uma afilhada, e passar tempo com ela realmente ilumina meu coração.

Paula: Que bonito. Eu também sou mãe, e a família é muito importante para mim.

Jennifer: Eu não sou mãe, sou “apenas” a tia.

Paula: Mas hoje em dia é quase como ser mãe.

Jennifer: De certa forma, sim.

Paula: Muito obrigada pelo seu tempo.

Jennifer: Muito obrigada pelo seu tempo e pelo seu interesse. Espero voltar ao Brasil muito em breve.

E atenção aos amantes do Metal Sinfônico: Não deixe de conferir a obra de arte musical “Break the Silence”! Em tempo, ainda no mês de janeiro de 2026, o Beyond The Black dará início à sua próxima turnê europeia como atração principal, Rising High, coincidindo com o lançamento de seu aguardado sexto álbum de estúdio, lançado hoje, dia 9 de janeiro.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Beyond The Black: Quebrando o Silêncio Em Um Mundo Fragmentado

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Por Paula Butter

Mais um lançamento de peso para este início de ano. Estamos falando da banda alemã Beyond The Black, que chega em 2026 com seu sexto álbum de estúdio, Break The Silence.

Inicialmente, convém dizer que se trata de uma obra bastante conceitual, com várias nuances ao longo das faixas. Conforme a própria banda divulgou, Break The Silence possui raízes no metal melódico e influências étnicas, explorando temas como comunicação, força interior, resiliência e a necessidade urgente de reconexão em um mundo dividido. Novamente vemos o caos mundial como parte de uma obra musical, mas esta, em particular, foge do óbvio, pois nos apresenta o caos apenas como uma peça de um quebra-cabeça, em que cada parte vai se encaixando ao longo da audição.

A primeira faixa, “Rising High”, já mostra uma mistura de sons e riffs enérgicos, com pausas características na melodia, para um retorno dos vocais em força total, trazendo uma mensagem clara de superação e renascimento. Logo na sequência, chega a faixa-título, “Break The Silence”, que entrega exatamente o que promete: elementos bem característicos do metal sinfônico, com os vocais poderosos de Jennifer Haben, que reforçam a identidade da banda e comprovam tratar-se de uma canção atemporal.

Com “The Art Of Being Alone”, que conta com a participação do grupo Lord Of The Lost, também em ascensão no mainstream, o tom se torna mais sério. O início é belíssimo, quase onírico, porém carregado de melancolia. A junção musical das duas bandas alcança um alto nível, agradando tanto aos fãs quanto àqueles que ainda não conheciam o trabalho do Beyond The Black. Inclusive, esta foi uma das faixas escolhidas como single e ganhou videoclipe de divulgação do novo álbum.

Após essa pancada espiritual, chega “Let There Be Rain”, com a belíssima participação do grupo vocal feminino The Mystery of the Bulgarian Voices. O folk tradicional da Bulgária torna a música bastante peculiar, sem que ela perca peso ou melodia. A faixa funciona como um respiro para o ouvinte, deixando o disco ainda mais interessante e adicionando um novo elemento cultural à construção de Break The Silence. Além disso, evidencia como a música pode quebrar barreiras ao unir estilos distintos de forma assertiva.

Até este ponto, já é possível perceber que o disco representa um marco na carreira da banda. Apesar do ótimo antecessor, que ampliou significativamente o público do Beyond The Black e levou o nome do grupo a grandes festivais mundiais, este novo lançamento consegue superá-lo. Em tempo, dentre tantas diversidades, surge “Raven”, uma das minhas faixas favoritas do álbum. Além das participações especiais de diversos artistas, nesta música em particular, a banda resgata momentaneamente suas raízes, lembrando-nos de que, apesar das mudanças, o conforto ainda habita o âmago de sua essência.

Na sequência, temos mais uma peça importante: “The Flood”, que incorpora elementos industriais ao som da banda, transmitindo uma sensação de imperfeição e indiferença. Para equilibrar as forças, surge “Can You Hear Me”, um pedido carregado de emoção e um nó na garganta, com a excelente participação vocal da cantora Asami, da banda japonesa Lovebites. A união de sua voz com a de Haben resulta em uma faixa intensa, repleta de sentimentos à flor da pele, reforçando mais uma vez o contraponto cultural presente no álbum.

Quase ao final do disco, vale uma licença poética para comentar a oitava faixa, “(La vie est un) Cinéma”, que em português significa “(A vida é um) cinema”. Trata-se de uma verdadeira pérola, tanto na letra quanto no instrumental. Não é de hoje que o francês exerce forte apelo quando bem inserido na música pesada, e aqui o resultado é um deleite para os ouvidos. A canção carrega uma mensagem poderosa de união e entrega pessoal, que se manifesta em momentos cruciais, tanto na vida quanto nos filmes. A penúltima faixa, “Hologram”, é muito boa, embora não se destaque tanto quanto as demais.

Por fim, o álbum se encerra com “Weltschmerz”, termo alemão que, segundo o Dicionário Cambridge, expressa uma tristeza profunda e um desalento em relação ao mundo, sendo frequentemente citado como exemplo de sentimentos complexos sem tradução direta para o inglês. A proposta musical aqui se aproxima do metal sinfônico, mas incorpora elementos sonoros e instrumentais que remetem a uma atmosfera digna de “Senhor dos Anéis”, fazendo o ouvinte sentir parte da melancolia à qual o termo se refere. Um encerramento bastante assertivo.

Assim, vale sair da zona de conforto e apreciar Break The Silence, novo álbum do Beyond The Black, com lançamento marcado para o dia 9 de janeiro de 2026. Tudo indica que este trabalho tem grande potencial para figurar entre os melhores lançamentos do ano.

Heilemania

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 04/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

O último dia de festival chegou com um sentimento ambíguo: alegria e tristeza. Alegria porque muitas das bandas escaladas para este dia eram consideradas verdadeiras lendas, e a ansiedade para ver nomes como W.A.S.P, Blind Guardian, Kerry King (Slayer), Avantasia e Destruction era palpável. Por outro lado, a melancolia do último dia já pairava no ar, antecipando a saudade e a expectativa pela próxima edição, confirmada para os dias 25 e 26 de abril do ano que vem.

Assim como na jornada anterior, iniciei o dia no Sun Stage, acompanhando a apresentação do Black Pantera. A banda vem solidificando sua crescente base de fãs no Brasil com uma poderosa fusão de Hardcore, Punk e Heavy Metal. Esse crossover explosivo, aliado a letras que abordam conflitos sociais e a luta antirracista, cria uma experiência única. A oportunidade de tocar no Bangers Open Air representou mais um marco na trajetória de mais de uma década do Black Pantera.

O trio – formado pelos irmãos Charles Gama (guitarra/baixo) e Chaene da Gama (vocal), e Rodrigo “Pancho” Augusto (bateria) – incendiou o público com faixas como “Perpétuo”, “Fogo nos Racistas” e “Sem Anistia”, esta última agraciada com o mosh das minas Outro momento emocionante foi a “Tradução”, composta em homenagem à mãe dos irmãos Gama e já indispensável em qualquer apresentação da banda.

Black Pantera – setlist:

Candeia

Provérbios

Padrão é o Caralho

Seleção Natural

Ratatatá

Mosha

Perpétuo

Fogo nos Racistas

Sem Anistia

Tradução

Revolução é o Caos

Boto pra Fuder




No Hot Stage, a primeira banda que consegui prestigiar foi a alemã Lord of the Lost, seguida pela apresentação do Beyond the Black, que despertou grande curiosidade, especialmente por conta da carismática vocalista Jennifer Haben.

Sobre o Lord of the Lost, a banda já havia marcado presença na primeira edição do festival, ainda sob o nome Summer Breeze. Conhecidos por sua versatilidade sonora, que mescla elementos do industrial e do gótico e pelo visual impactante, os alemães entregaram uma performance cativante, contrastando a energia da música com a estética sombria de seus integrantes.

Lord of the Lost – setlist:

The Curtain Falls

The Future of a Past Life

Loreley

Destruction Manual

For They Know Not What They Do

Raining Stars

Six Feet Underground

Born With a Broken Heart

Live Today

Die Tomorrow

Drag Me to Hell

We're All Created Evil

Blood & Glitter



Mesmo sob o calor intenso do início da tarde, similar ao dia anterior, o som denso e melancólico dos americanos do Paradise Lost ecoou pelo festival. Considerada uma das pioneiras do Doom Metal e dona de três álbuns que considero clássicos do gênero – Draconian Times, One Second e Symbol of Life – a banda presenteou os fãs com as memoráveis "Enchantment", a faixa-título "One Second", o cover de "Small Town Boy" (Bronski Beat) e "The Last Time", apesar de eventuais problemas de equalização que fizeram o som soar estourado em alguns momentos.

Certamente, foi uma apresentação que gerou muitos comentários e elogios, especialmente por marcar o retorno da banda ao Brasil após cerca de sete anos, o que explica a calorosa recepção.

Paradise Lost – setlist:

Enchantment

Forsaken

Pity the Sadness

Faith Divides Us - Death Unites Us

Eternal

One Second

The Enemy

As I Die

Smalltown Boy (Bronski Beat cover)

The Last Time

No Hope in Sight

Say Just Words


Mais uma vez no Sun Stage, palco onde aconteceram os shows mais intensos do dia, o Vader, uma das maiores forças do Death Metal europeu, deixou os fãs completamente empolgados. 

Durante a apresentação, houve rodas de pogo e moshes bem animados a cada música do repertório, incluindo "Wings", "Triumph of Death" e "Unbending". No mesmo palco, o lendário Nile também fez uma apresentação inesquecível, embora eu tenha perdido por causa de um conflito de horários. Antes deles, também teve uma banda nacional importante tocando no mesmo palco: o Dorsal Atlântica.






O Kamelot voltou, dessa vez no Hot Stage, ao palco para substituir o I Prevail, que cancelou sua participação no festival com apenas duas semanas de antecedência. Dessa vez, eles não fizeram o mesmo show do dia anterior, trazendo algumas mudanças no setlist, como a inclusão de músicas como "Opus of the Night (Ghost Requiem)", "The Human Stain" e a clássica "Center Of The Universe". 

A abertura foi com "Phantom Divine (Shadow Empire)", que contou com a participação de Adrienne Cowan, que mais tarde cantou com o Avantasia.

Kamelot – setlist:

Phantom Divine (Shadow Empire)

Rule the World

Opus of the Night (Ghost Requiem)

Insomnia

Sacrimony (Angel of Afterlife)

The Human Stain

Center of the Universe

New Babylon

Forever

March of Mephisto






Uma grande expectativa pairava sobre o Ice Stage, onde o público aguardava ansiosamente por Kerry King e sua nova banda, um dos shows mais aguardados do dia e de todo o festival.

Apesar do hiato do Slayer, o icônico guitarrista não permaneceu inativo e formou um novo grupo com nomes de peso do Thrash Metal, como o vocalista Mark Osegueda (do Death Angel), o baixista Kyle Sanders (do Hellyeah), o guitarrista Phil Demmel (ex-Machine Head) e seu ex-companheiro de Slayer, Paul Bostaph, na bateria. Foi com essa formação estelar que Kerry lançou o álbum From Hell I Rise.

O álbum, que considero superior aos últimos trabalhos do Slayer, foi executado quase integralmente. As músicas levaram um breve tempo para engajar completamente o público, mas, no geral, a apreciação em vê-las ao vivo foi notável. Os clássicos do Slayer vieram em seguida: "Disciple", seguida por "Killers" do Iron Maiden em homenagem ao saudoso Paul Di'Anno, elevaram ainda mais a energia do show. Outros hinos como "Raining Blood" e "Black Magic” proporcionaram o ápice do caos na apresentação. Insano, em resumo.

Kerry King – setlist:

Where I Reign

Rage

Trophies of the Tyrant

Residue

Two Fists

Idle Hands

Disciple (Slayer)

Killers (Iron Maiden cover)

Shrapnel

Raining Blood (Slayer)

Black Magic (Slayer 

From Hell I Rise






Mal houve tempo para respirar e a multidão se dirigiu em massa para o Hot Stage, onde o Blind Guardian se preparava para subir ao palco. A banda alemã integrou a programação juntamente com seus compatriotas do Destruction, após o cancelamento do Knocked Loose e do We Came as Romans. Essa mudança inesperada se revelou uma ótima surpresa, sem desmerecer as bandas que tiveram imprevistos em suas agendas, naturalmente.

A recepção não poderia ter sido mais efusiva, demonstrando o profundo apreço do público brasileiro pelo grupo. O vocalista Hansi Kürsch exibiu sua habitual gentileza, enquanto o restante da banda demonstrou uma sintonia impecável e uma entrega impressionante. O show também reservou um momento especial, com o público cantando parabéns para o guitarrista André Olbrich, que celebrou mais um ano de vida no dia anterior.

Comparado à primeira edição, o setlist passou por alterações significativas. Naquela ocasião, o grupo executou o álbum Somewhere Far Beyond na íntegra. Desta vez, apenas a icônica “The Bard's Song - In the Forest” foi mantida, e cantada em uníssono pela plateia. Além dela, foram resgatadas “Mordred's Song” e “Tanelorn (Into the Void)”, ausentes dos shows da banda por quase uma década, além das indispensáveis “Imaginations from the Other Side” – que frequentemente abre suas apresentações –, “Valhalla” e “Mirror, Mirror”, músicas que reafirmam o status do Blind Guardian como uma das bandas mais importantes do gênero.

Blind Guardian – setlist:

Imaginations From the Other Side

Blood of the Elves

Mordred's Song

Violent Shadows

Into the Storm

Tanelorn (Into the Void)

Bright Eyes

Time Stands Still (At the Iron Hill)

And the Story Ends

The Bard's Song - In the Forest

Mirror Mirror

Valhalla





Após seis longos anos de espera, finalmente uma das maiores bandas de Hard Rock da história, o W.A.S.P., estava de volta ao Brasil.

Apesar dos comentários sobre a performance vocal de Blackie Lawless – em parte justificáveis, dado o uso ocasional de playback em algumas músicas –, isso não diminuiu a intensidade da apresentação, que, sem dúvida, foi o ponto alto não apenas do dia, mas de todo o festival. E o motivo? A banda entregou tudo, absolutamente tudo o que os fãs ansiavam. O primeiro álbum, um dos pilares do Hard Rock, foi executado quase integralmente com maestria. De "I Wanna Be Somebody" a “The Torture Never Stops”, não houve um sequer espectador que não cantasse junto e demonstrasse reações de incredulidade, o que resume a magnitude do momento.

A formação atual conta com os talentosos Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo) e o baterista brasileiro Aquiles Priester (bateria). A convite de Blackie, Aquiles foi ao centro do palco para um breve bate-papo com o público em vez de fazer um tradicional drum solo. Foram poucos minutos, mas suficientes para testemunhar sua felicidade em tocar em seu país natal com uma das bandas mais lendárias da história.

Após a execução quase completa do álbum de estreia, a banda presenteou o público com mais alguns clássicos, como "Forever Free", “The Headless Children", "Wild Child" e "Blind in Texas", adicionando ainda mais emoção a um show pelo qual todos esperavam há anos.

W.A.S.P – setlist:

I Wanna Be Somebody

L.O.V.E. Machine

The Flame

B.A.D.

School Daze

Hellion

Sleeping (in the Fire)

On Your Knees

Tormentor

The Torture Never Stops

The Real Me

Forever Free / The Headless Children

Wild Child

Blind in Texas






As duas últimas atrações do dia vieram diretamente da Alemanha. O caos retornou ao Sun Stage com o Destruction, banda seminal do Thrash Metal alemão, ao lado de outros gigantes do "Big 4" teutônico como Kreator, Sodom e Tankard. Ainda fresco na memória dos fãs brasileiros, já que se apresentaram aqui há menos de um ano, o Destruction preparou uma apresentação especial no Bangers, executando na íntegra seu álbum de estreia, Infernal Overkill, além de sucessos como “Nailed to the Cross”, “Mad Butcher” e “Thrash ‘Til Death”. Não há palavras para descrever a energia que Schmier (vocal, baixo e único membro original) – acompanhado por Damir Eskic e Martin Furia (guitarras) e Randy Black (bateria) – emanou, contagiando a todos.

Para não deixar passar a oportunidade, assisti a uma parte da apresentação do Avantasia, a ópera metal idealizada pelo vocalista do Edguy, Tobias Sammet. A banda cresceu significativamente nos últimos anos, tanto musical quanto visualmente. Seus shows costumam apresentar cenários elaborados, que reforçam a narrativa lírica de cada tema abordado nos álbuns – sendo o mais recente Here Be Dragons, lançado neste ano.

Além disso, o grupo é acompanhado por músicos e cantores de excelência, incluindo participações de artistas que já haviam se apresentado no festival, como Tommy Karevik (do Kamelot), que cantou “The Witch”; Ronnie Atkins (do Pretty Maids), que emprestou sua voz a “Twisted Mind”, “The Scarecrow” e “Let the Storm Descend Upon You”, e Eric Martin (do Mr. Big) em “Dying for an Angel”. A novidade ficou por conta da presença de Jeff Scott Soto, que substituiu Kenny Leckremo, ausente devido a compromissos com o H.E.A.T na América Latina.

O setlist incluiu ainda a inédita “Creepshow”, “The Toy Master”, a belíssima “Farewell” e “Death Is Just a Feeling”, preparando o terreno para o bis com as icônicas “Lost in Space”, “Sign of the Cross” e “The Seven Angels”, com todos os vocalistas reunidos no palco em um momento apoteótico.

Enfim, mais uma edição inesquecível chega ao fim. Assim como nas anteriores, os elogios e a satisfação, tanto pelo line-up, organização e todos os demais aspectos envolvidos foram evidentes, o que nos deixa ainda mais animados e ansiosos pela quarta edição no ano que vem. Que 2026 nos reserve mais uma experiência incrível, repleta de emoção, pois o Bangers Open Air não é apenas um festival, é a válvula de escape para os verdadeiros amantes da música pesada.






Texto: Gabriel Arruda 

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga


Avantasia – setlist:

Creepshow

Reach Out for the Light (com Adrienne Cowan)

The Witch (com Tommy Karevik)

Devil in the Belfry (com Herbie Langhans)

Dying for an Angel (com Eric Martin)

Twisted Mind (com Ronnie Atkins e Eric Martin)

Avalon (com Adrienne Cowan)

The Scarecrow (com Ronnie Atkins)

The Toy Master

Shelter from the Rain (com Jeff Scott Soto)

Farewell (com Chiara Tricarico)

Let the Storm Descend Upon You (com Ronnie Atkins e Herbie Langhans)

Death Is Just a Feeling

Bis

Lost in Space

Sign of the Cross / The Seven Angels