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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Dee Snider: Uma Declaração de Amor ao Heavy Metal




Mudanças e novidades trazem apreensões naturais, e podem vir independente da classe ou patamar que uma determinada banda ou artista se encontra. Afinal, a música não para de trazer surpresas, mas quando se trata de alguém renomado e com o qual crescemos ouvindo suas canções, o nível de expectativa é totalmente diferente de qualquer outro. Essas referencias cabem em um artista lendário como o vocalista Dee Snider (Twisted Sister), que está lançando seu terceiro disco solo (ou quarto, se contarmos o inusitado "Dee Does Broadway"), “For The Love Of Metal”.

Conhecemos este grande ícone do Hard Rock e do Heavy Metal por grandes hinos da década de 80, como “We’re Not Gonna Take It” e “I Wanna Rock”, os quais trouxeram o sucesso comercial mundial do  Twisted Sister. Só que, nos últimos anos, foram aparecendo novos desafios que, às vezes, iam contra a sua identidade, mas neste novo álbum ele coloca pra fora toda sua agressividade, com um disco de Heavy Metal intenso, pesado e de canções que são verdadeiros hinos.


Todos os votos acima se devem também a produção, que com a ajuda do vocalista Jamey Jasta (Hatebreed), entregou uma sonoridade resistente, com timbres bem escolhidos e um aspecto moderno, não faltando peso na sonoridade do disco. E a sensação que dá ao ouvir o disco é que a banda parece estar tocando ao vivo, o que torna o trabalho bastante puro.
A arte, criada pelo brasileiro Marcelo Vasco, mostra a atitude harmônica do disco, ficando explicito na postura do vocalista e no clima tenso em sua volta.

Que o fim chega pra todo mundo isso todos nós sabemos, mas enquanto uns vão parando, Dee Snider mostra que continua cada vez mais jovem e pronto pra tudo! Os backing-vocals pulsantes e os riffs ganchudos fazem de “For The Love Of Metal” o álbum mais consistente da carreira solo dele, e provavelmente o mais "Metal", diferenciando-se de outros trabalhos do vocalista. Pra chamar um pouco a atenção, Mark Morton (Lamb Of God) e Joel Grind (Toxic Holocaust) preenchem a seleção de convidados.


As faixas são uma melhor que a outra, o que dificulta a escolher a melhor de todas. Pra quem gosta de deixar o pescoço dolorido de tanto bater cabeça, indico as rápidas “Lies Are a Business” e “I’m Ready” (que solos de guitarra!), os riffs contundentes de “Tomorrow’s No Concern”, a junção de melodia e peso na “I am The Hurricane” e a pegada Rock N’ Roll de “America Made” evidencia a identidade da obra em todos os detalhes. 

O groove de “Roll Over You” e a densidade da “Running Mazes” colocam ainda mais vigor no disco, flertando pontos de Hard ‘n’ Heavy na enérgica “Become The Storm”. Outros que emprestam suas colaborações são os vocalistas Howard Jones (ex-Killswitch Engage), na agressiva “The Hardest Way”, e Alissa White-Gluz (Arch Enemy), na balada “Dead Hearts (Love Thy Enemy)”. Pra terminar, não podia deixar de citar a faixa-título, que faz jus ao seu nome, e que poderia ser facilmente a música de abertura.


Pra você que passou boa parte da vida gritando “I Wanna Rock”, chegou a hora de mudar isso para “For The Love Of Metal”.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Dee Snider
Álbum: For The Love Of Metal
Ano: 2018
Estilo: Heavy Metal
País: Estados Unidos
Gravadora: Hellion Records (Nac.) / Napalm Records (Imp.)

Track-List
1.    Lies Are a Business
2.    Tomorrow’s No Concern
3.    I Am The Hurricane
4.    American Made
5.    Roll Over You
6.    I’m Ready
7.    Running Mazes
8.    Mask
9.    Become The Storm
10. The Hardest Way
11. Dead Hearts (Love Thy Enemy)
12. For The Love Of Metal

Contatos

       

domingo, 18 de dezembro de 2016

Dee Snider: Virando a Página

 

O inquieto, contestador, e certamente um dos maiores frontman da história do Rock, o absolutamente carismático Dee Snider construiu um elogiável e reconhecido legado à frente do Twisted Sister, e tanto o vocalista como a sua banda são o que podemos chamar de ícones, com seu Hard/Heavy enérgico e cativante, aliado às performances insanas e visual debochado. O grupo, que anunciou sua última tour (ainda sofrendo com o falecimento do baterista original A.J. Pero, que foi substituído por Mike Portnoy no restante da tour, que encerrou-se no México em novembro passado) deixou 5 grandes álbuns e mais algumas coletâneas, regravações (como o "Still Hungry", em 2004), raridades ("Club Daze") álbuns ao vivo, e uma legião de admiradores e fãs que sabem que um show do grupo vale cada centavo!

Durante o hiato do grupo, Dee Snider seguiu produzindo trabalhos relevantes em carreira solo e bandas como Desperado e Widowmaker, além do SMF (banda tributo ao Twisted Sister) e se arriscando como diretor de cinema e ator, com o filme "Strangeland" ("Mórbido Silêncio"), que na trilha teve uma composição inédita do Twisted Sister, "Hereoes are Hard to Find", que também já serviu de estopim para o grupo voltar a trabalhar junto, destacando a versão revisitada de "Stay Hungry" o "Still Hungry", além de grandes apresentações registradas em vídeo, como no Wacken e a histórica apresentação após o atentado nas torres gêmeas.

O Twisted Sister na tour de adeus, já com Portnoy na bateria
O Twisted novamente encerra as atividades, e parece ser definitivo, mas Dee não para, se a cabeleira já não é tão vasta como outrora, a inquietude não diminuiu um pouco sequer, e já saiu lançando e divulgando o novo solo, "We are the Ones", lançado aqui no Brasil pela parceria earMusic/Shinigami Records, e conforme o próprio explica, ele nunca foi de viver do passado, que é algo que com certeza se orgulha e pode desfrutar, mas está aí para mostrar este novo trabalho, que traz o vocalista e suas marcas registradas, como a sua inconfundível voz e sua capacidade de construir melodias e refrãos cativantes, porém com uma sonoridade diferente da que o consagrou no Twisted Sister, pois "We are the Ones" soa mais contemporâneo, com nuances mais modernas e atuais, do Alternative/Pop Rock, Power Pop e Modern Hard Rock, com similaridades com grupos como Foo Fighters, Imagine Dragons e até Faith no More, e essa virada de página também se deve a mão do produtor e co-compositor do álbum, o vencedor do Grammy Damon Ranger.

A faixa de abertura e também que dá título ao álbum, "We are the Ones", tem um início em que imediatamente remete ao passado, principalmente pela linha vocal e alguns trechos mais Hard Rock, mas já entrega que  a sonoridade é mais voltada à essas nuances mais contemporâneas, e obstante algum susto inicial, caso você estivesse esperando algo na linha da sua antiga banda, Dee entrega mais uma música vibrante e com refrão pra lá de cativante; "Over Again" é um Pop Rock de melodias agradáveis e mais um refrão muito legal; "Close to You" soa bem alternativa, um clima dark, com alguns efeitos de orquestração, bem anos 90, lembrando algo de Grunge; "Rule the World" possui suaves e agradáveis melodias Pop, destacando os coros, que lembram o Pop Rock atual de bandas que citei acima, como o Imagine Dragons.


Logo em seguida, um elo com o passado, uma versão emocional de "We're Not GonnaTake It" ao piano e voz, que me passou um ar de saudosismo, de transição...imaginei até um final de filme, o momento em que as luzes se apagam e vão passando os créditos...; "Crazy for Nothing" é simples e direta e de melodias fáceis e o mesmo posso dizer da semi-balada "Believe", agradável e de clima positivo; temos ainda o cover para "Head like a Hole", uma dos maiores hits do Nine Inch Nails (um dos precursores do Metal Industrial), em uma versão bem fiel à original.

Chegando as duas últimas, temos "Superhero", outro Pop Rock com vocação "radiofônica" e com refrão e melodias fáceis, e a "balada" com letra no melhor estilo Dee Snider, "So What", com orquestrações e guitarras acústicas ao fundo, Dee manda sua mensagem: "E daí! com seus dedos do meio no ar, cantando 'não estamos nem aí!'...", a voz áspera e anasalada de Dee, sua marca registrada, a "rebeldia inteligente", o cara de opinião forte, engajado em causas sociais e políticas, que manda seu recado e te convida a contestar e não ficar calado quando você acredita na sua opinião e em o que você quer! Impossível não lembrar aquele episódio de Dee confrontando o PMRC contra a censura, com um discurso épico no tribunal. (veja aqui o vídeo).


Dee Snider sempre foi sinônimo de vida inteligente no Rock, demonstrando que não precisa se prender ao legado que construiu, nem mesmo seguir o mesmo estilo que consagrou o Twisted Sister,  e "We are the Ones" é um álbum que não deve ser ouvido com a expectativa de encontrar algo semelhante à sua icônica banda, ou que tenha pretensão de marcar época, aí então você poderá apreciar um trabalho muito bem feito, de um Rock e Power Pop mais contemporâneo, e constatar que Dee continua com sua incrível capacidade de construir grandes refrãos e músicas cativantes, e claro, seu timbre vocal inconfundível.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Artista: Dee Snider
Álbum: "We are the Ones" 2016
País: EUA
Estilo: Hard Rock, Pop Rock, Power Pop
Produção: Damon Ranger
Selo: earMusic/Shinigami Records

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Assista ao lyric vídeo "We are the Ones"

Track-List  (clique nos links das músicas em destaque para assistir os vídeos)
We Are The Ones
Over Again
Close To You
Rule The World
We’re Not Gonna Take It (2016, Accoustic Recording)
Crazy For Nothing
Believe
Head Like A Hole
Superhero