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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Cobertura de Show: Gutalax – 12/03/2025 – La Iglesia/SP

Um dos maiores - se não o maior - nomes do goregrind mundial, os tchecos do Gutalax finalmente responderam às orações dos fãs ao anunciar a “Diarrhea Invasion South America Tour 2025”, sua volta às terras latinas após fazer 2 shows pelo Brasil (São Leopoldo, RS e Duque de Caxias, RJ) em 2018. O início da turnê seria na capital paulista, em uma quarta-feira de chuva, dia 12 de março. Por algumas horas, a La Iglesia se tornaria um antro da escatologia; tudo indicava que começariam a turnê com os pés na porta.

Por conta das chuvas que atingiram a cidade, uma árvore caiu e simplesmente derrubou a energia da rua inteira, então a casa que estava marcada para abrir às 19:00 só foi abrir por volta das 22:00, mas mesmo assim, a esperança era a última que morria, e os fãs permaneceram na fila, esperando para ver a tão querida banda. A Iglesia liberou os fãs com o Trachoma já no palco. Banhados por um véu de luz vermelha, a dupla de Thales Gory (vocal, baixo) e Rafaela Begore (bateria, vocal) enfileirou uma pedrada atrás da outra, totalizando mais de 24 músicas em apenas meia hora. O microfone de Thales estava baixíssimo, praticamente inaudível, então boa parte das vozes vieram de Rafaela, que já conseguia extrair um “growl” de respeito, e armada com um pedal de efeito, tirava um som que só pode ser descrito como as portas do inferno de abrindo. Fizeram um show rápido e objetivo, que dentro da medida do possível, foi incrível, um ótimo aquecimento para o caos que viria.

Os tchecos subiram no palco, primeiro com suas roupas normais, sem estarem vestindo os tão característicos uniformes, apenas para passar o som. Ficaram uns 10 minutos no palco, interagindo brevemente com os fãs, que já abriam inúmeras rodas, tendo certeza que estaria tudo certo para a aula de “vocal de porco” que viria. O plano era que o Gutalax subisse no palco às 21:00, e com uma hora de repertório, acabariam por volta das 22:00, mas pelos imprevistos com a energia, só foram subir às 23:00, ao som do tema de “Ghostbusters”, que realmente ornava com as coisas estranhas que estavam acontecendo. Com um vórtice humano em sentido anti-horário já tendo dominado a pista, quantidades obscenas de papel higiênico voando pelo ar e até um cavalinho de borracha marcando presença no mosh, começou “Assmeralda”, ateando fogo naqueles que estavam presentes.



Passaram por “Shitpendables” com “Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky”, e àquela altura, o caos já estava completamente instaurado. Rolou também “Shit of It All”, do mesmo split com o Spasm que veio “Assmeralda”. Maty Matoušek (vocal) aproveitou para interagir com a galera antes de resumir, dizendo que às vezes nos sentimos mal, mas sempre que nos sentimos mal, podemos nos abrir (ele dizia enquanto se dobrava) e falar com alguém que mora ali (apontando para seu orifício circular corrugado), sendo este elemento o carismático Buttman, protagonista da dançante música do mesmo nome.

Maty seguiu dizendo que pela Europa, estavam celebrando 15 anos de banda, como se fosse sua festa de aniversário. Depois, disse aos fãs paulistas que aquela noite era como se fosse a festa de aniversário exclusiva deles em São Paulo, agradecendo a presença de todos, colocando “Celebration” para tocar pelo PA. “Šoustání prdele za slunné neděle” e “Robocock” vieram, sendo elas de “Telecookies” e “Shit Beast” respectivamente. Quiseram mostrar um lado diferente, mais técnico com a próxima música, anunciando um cover do Meshuggah, mas ao invés de “Demiurge” ou “Bleed” veio ”Kocourek Mourek podráždil si šourek” (o gato malhado irritou seu saco), que impressionando a tudo e todos, não era do Meshuggah.



O caos continuou com a introdução do mais novo super herói de todos, o “Diarrhero” e “Vaginapocalypse”, que foi dedicada aos homens presentes naquela noite. Veio “Polykání semena z postaršího jelena” e “Fart and Furious” antes de “Total Rectal”, cujo o vocalista dedicou a “todos aqueles que fizeram esta turnê ser possível”, com a produção do show sendo recebida calorosamente por uma chuva de aplausos. Tentaram continuar com “Vykouření dařbujána vietnamského veterána”, mas Petr “Mr. Free” Svoboda e suas mãos leves simplesmente estouraram a pele da caixa de sua bateria, algo que se repetiu no segundo show.

Para “Shitbusters”, chamaram um amigo de longa data, Thiago Monstrinho, vocalista do Worst. Da primeira vez que a banda dele foi fazer turnê na Europa, ele ficou alojado na casa de Maty, ocasionando uma forte amizade. Monstrinho ganhou um óculos em forma de privada e soltou alguns elogios à banda, finalizando a música com um stagedive realmente monstruoso. O show como um todo fechou com “Strejda Donald”, cantada em uníssono pelo povo.

No geral, foi um show que tinha tudo para dar errado, era data extra, ficou sem luz, atrasou - e vale ressaltar que nada foi culpa da produção. O Gutalax começou sua turnê de maneira incrível, com uma apresentação exclusiva e intimista, que certamente será lembrada por anos e anos por vir.





Texto: Daniel Agapito


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Underground Produções / Caveira Velha Produções


Trachoma - setlist:

WE CAME FROM THE FILTH

MICROSTOMIA TREATMENT

ADIPOCERE CORPSE WAX

THE BODY TURNS FROM GREEN TO RED...

SUPPLIES FOR YOUR OWN OSTOMY BAG

BRAIN EATING AMOEBA

HOSPITAL PURGE

THE TASTE OF HUMAN FLESH

NEUROCYSTICERCOSIS

MEDICAL WASTE

HUMAN SLAUGHTER

SPASMODIC MOVEMENTS

SURGICALLY DIVERTED

IDIOPATHIC OSTEONECROSIS

CYSTIC FIBROSIS

MYIASIS CAVITARY

T.D.I

CADAVERINE PUTRESCINE

DELIRIUM TREMENS

HISTOPATHOLOGICAL TECHNIQUES

GRUESOME CANNIBALISTIC

POST-OPERATIVE DELIRIUM

LIQUEFACTIVE NECROSIS

BONUS: MEDLEY MDK E DFC / ULCERRHOEA


Gutalax - setlist:

Assmeralda

Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky

Shit of It All

Buttman

Šoustání prdele za slunné neděle

Robocock

Kocourek Mourek podráždil si šourek

Diarrhero

Vaginapocalypse

Polykání semena z postaršího jelena

Fart and Furious

Total Rectal

Vykouření dařbujána vietnamského veterána

Shitbusters (part. Monstrinho)

Strejda Donald

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

CROTCHROT: Nem o Kid Bengala Escapou!


O que um fã de Goregrind gostaria em uma banda: nojeira, podridão, violência sonora e letras românticas. E é isso que você encontra no EP de estreia dos curitibanos do CROTCHROT, isso mesmo CROTCHROT: “Aroma pungente oriundo da região do púbis genital característico de quem tem doença venérea em progressão”.

Seguindo a linha clássica do Goregrind “Pata De Camelo” é diversão garantida, letras bem humoradas (e claro pútridas), instrumental seco e direto, com direito a d-beats e alguns blasts que tornam a sonoridade bem agressiva.


Formado atualmente por Muringa (vocal), Cynthia (guitarra), Angela (baixo) e Leonardo (bateria) - (sendo que as baterias do EP foram gravadas por Magno Vieira), o grupo não economiza em soar repulsivo, basta ouvir “Orgia de Crackudo”, “Molho Madeira”, “Kid Bengala” ou “Cachorro Transante” trazendo vocais sob efeitos e grunhidos atormentados com um instrumental coeso e simples, despejando temas líricos bem humorados e proibidos para menores de 18 anos.

A produção dessa “patada” ficou a cargo de Fabio Gorresen e pode-se dizer que fez um excelente trabalho, deixando a banda espumando raiva.


Um trabalho consistente, divertido, agressivo e indigesto, se você é fã do bom e velho Goregrind com pitadas de Porn aí está há banda CROTCHROT, certamente arrancará seu pescoço do lugar!

Resenha por: Renato Sanson


Conheça mais a banda:



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cobertura de Show - Krisiun, Carniça, Malévola e Syphilitic Abortion Juntos em Novo Hamburgo/RS (Rock And Roll Sinuca Bar 3, 12/12/14)


Um pouco mais de quinze anos se passaram desde a primeira passagem do Krisiun por Novo Hamburgo/RS, sendo que a quinze anos atrás a banda estaria conquistando seu nome entre os grandes, e passado esse tempo retornam como um dos grandes nomes do Death Metal mundial.

O local escolhido para destruição foi o Rock And Roll Sinuca Bar 3, até então desconhecido pelo público das redondezas (Porto Alegre, Canoas e etc), mas que se demonstrou uma grata surpresa e uma ótima opção para shows undergrounds.

Para completar esta festa em mais um sábado quente no Sul (12/12) as bandas Carniça, Malévola e Syphilitic Abortion se encarregariam da abertura, abrindo de vez os portais do inferno.


Começando a destruição a primeira banda a subir ao palco foi os veteranos da Malévola, que retornam a cena depois de quinze anos inativos. Sendo aquele o primeiro show oficial desde o retorno, porém o que vimos foi uma banda muito bem entrosada e disposta a causar muito headbanging.

Seu som é calcado num Thrash/Crossover no melhor estilo norte-americano, empolgante, visceral e enérgico, com composições curtas, mas na medida certa que agradaram em cheio o público que ainda chegava ao local.


Seguindo o baile era hora dos pútridos do Syphilitic Abortion entrarem em cena com seu Goregrind de extrema violência. Letras românticas e canções progressivas, além de um vocal lírico belíssimo. Brincadeiras a parte a banda mais parecia um rolo compressor sonoro, onde gerou as primeiras rodas da noite, para um público que já tomava boa parte da casa.


Passados da meia noite o Carniça toma seu lugar ao palco e quebra pescoços com seu Thrash/Death Metal de primeira, onde continuam a divulgação de seu mais recente disco “Nations of Few”. A banda destilou sons de todos os seus discos, e encerrou aquela apresentação emblemática com “Midnight Queen” do Sarcofago, levando o público ao êxtase, e mostrando que sim, temos uma das melhores bandas de Thrash/Death do país.

Após uma rápida troca de palco era hora da lenda do Death Metal nacional entrar em cena e deixar os bangers ensandecidos, agora com a casa totalmente tomada pelos deathbangers, o Krisiun fez um show competentíssimo, seja pela individualidade musical de cada um ou pelo conjunto, que esbanjam simpatia, humildade e muito amor ao Metal.


Seguindo a tour de divulgação do aclamado “The Great Execution” o Krisiun mesclou seu set com clássicos e sons mais novos (sendo que muitos também se tornaram clássicos), do disco mais recente tivemos “The Will To Potency” e “Blood Of Lions”, já dos clássicos mais antigos “Vengeance's Revelation” e “Descending Abomination”.

Também figuraram em seu set vasto clássicos atuais como “Combustion Inferno” e “Bloodcraft”. O Krisiun também nos brindou com a excelente versão de “Black Metal” do Venom, assim como a matadora e indispensável “Black Force Domain”.


Uma verdadeira aula de Metal Extremo seja na parte musical ou pessoal, pois Alex, Moyses e Max são a prova viva que se pode ganhar o mundo sem deixar de ser underground.

Fica os parabéns a Ablaze Productions pela produção e organização, e claro pela bela escolha do local. E que venham muitos outros!


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Felipe Pacheco