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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Headhunter D.C.: A Ascensão dos Amaldiçoados em Rise of the Dammed... (Also In English)

Mutilation Records (Nac.)

Por Roberto "Bertz"

Sérgio Baloff escolheu uma data muito propícia para o lançamento do novo álbum: 6/6/26, bem em um feriado cristão, para mandar um grande foda-se a todas as religiões do globo terrestre, a começar pela espetacular capa do disco. É por isso e por tantas outras conquistas e audácias que o Headhunter D.C. é o maior representante do Death Metal no Nordeste.

Desde 1987, a banda é reverenciada em um alto pilar ao lado de Sarcófago, Vulcano, Dorsal Atlântica, Sepultura, Mutilator, Overdose, Chakal e The Mist, entre outros nomes que compõem esse patrimônio histórico do underground nacional e internacional. O novo álbum, “Rise of the Damned...”, celebra 40 anos de sangue e luta em uma cena que resiste fortemente no país. Trata-se do sexto álbum da carreira, sucedendo ...In Unholy Mourning... (2012), encerrando uma espera de 14 anos por material inédito.

O disco carrega tudo o que foi construído nessas últimas quatro décadas: Death Metal Old School. Lançado pela Mutilation Records, o trabalho apresenta uma produção acima da média, com gravação sólida e cada composição dedicada a cultuar a agressividade sem abrir mão da técnica. 

Há também uma clara preocupação em agradar os ouvintes mais saudosistas: riffs marcantes, peso constante e passagens bem construídas que mantêm a identidade da banda do início ao fim.

Algo que sempre diferenciou o Headhunter D.C. é justamente essa capacidade de criar álbuns que os próprios integrantes, como cultuadores do estilo, gostariam de ouvir. Sem contar os vocais de Sérgio Baloff, extremamente entregues à maldade, à desgraça e à calamidade, elevando ainda mais o nível do disco aos seus 54 anos de idade.

Entre os destaques está “Unblessed by the Unsacred”, que entrega mais de seis minutos de hostilidade sem soar saturada, com solos muito bem encaixados, especialmente na parte final. Em “No Salvation from Above”, surge uma fusão que remete a Vader, Monstrosity e Deicide — influências perceptíveis ao longo de todo o álbum.

Na sequência, “Burn the Book of Lies” figura entre as melhores faixas do trabalho, com um refrão certeiro e memorável. Depois vêm “Gospel of Doom”, “The Dysangelist”, “One Thousand Apocalypses”, “Praeludium ad Ascensionem Haereticorum” — excelente instrumental que faz a transição para “Rise of the Damned” —, “Possessed, Obsessed” (totalmente Deicide) e, para fechar, “In Death Metal We Trust”, uma verdadeira aula de Death Metal.

É um encerramento digno, honesto e brutal para celebrar os 40 anos do Headhunter D.C., deixando um legado tanto para os veteranos quanto para as futuras gerações do underground e do metal da morte.



***ENGLISH VERSION***

Sérgio Baloff chose a very fitting date for the release of the new album: 06/06/26, right during a cristian holiday , to send a massive “fuck you” to every religion on the planet, starting with the album’s spectacular cover artwork. It is for this and so many other achievements and audacious moves that Headhunter D.C. stands as the greatest representative of Death Metal in Northeastern Brazil.

Since 1987, the band has been revered on a lofty pedestal alongside Sarcófago, Vulcano, Dorsal Atlântica, Sepultura, Mutilator, Overdose, Chakal, and The Mist, among other names that make up the historical heritage of both the Brazilian and international underground scenes. The new album, *Rise of the Damned...*, celebrates 40 years of blood and struggle within a scene that continues to resist and thrive in the country. It is the sixth full-length album of the band's career, following *...In Unholy Mourning...* (2012) and bringing an end to a 14-year wait for new material.

The record carries everything that has been built over the last four decades: pure Old School Death Metal. Released by Mutilation Records, the album features production that rises above the average, with a solid recording quality and compositions dedicated to worshipping aggression without sacrificing technical proficiency. There is also a clear concern for pleasing longtime fans: memorable riffs, relentless heaviness, and well-crafted passages that preserve the band's identity from beginning to end.

What has always set Headhunter D.C. apart is precisely this ability to create albums that the members themselves, as devoted followers of the genre, would want to listen to. Not to mention Sérgio Baloff’s vocals, utterly committed to evil, misery, and calamity, elevating the album even further at 54 years of age.

Among the highlights is “Unblessed by the Unsacred,” which delivers more than six minutes of hostility without ever feeling excessive, featuring exceptionally well-placed guitar solos, especially in its closing section. On “No Salvation from Above,” listeners will find a fusion reminiscent of Vader, Monstrosity, and Deicide— influences that can be felt throughout the entire album.

Next comes “Burn the Book of Lies,” one of the album’s finest tracks, driven by a sharp and memorable chorus. It is followed by “Gospel of Doom,” “The Dysangelist,” “One Thousand Apocalypses,” “Praeludium ad Ascensionem Haereticorum”—an excellent instrumental piece that transitions into “Rise of the Damned”—“Possessed, Obsessed” (completely Deicide-inspired), and finally “In Death Metal We Trust,” a true masterclass in Death Metal.

It is a worthy, honest, and brutal conclusion to celebrate Headhunter D.C.’s 40-year journey, leaving behind a legacy for both veteran fans and future generations of the underground and death metal scenes.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Resenha de Show: III Profana Aliança Nacional - São Paulo (20/10/2012)

3º edição do festival reúne grande snomes do underground nacional


Fomos gentilmente recebidos nesse evento que já está na sua terceira edição, sentindo-me extremamente bem atendida pelo organizador Flávio da Horda Torqverem e deixo de antemão os agradecimentos.

Começamos a “saga” com a chegada na Fofinho. Com o cast dessa terceira edição estava matadora, estava ansiosa para conferir pessoalmente cada uma das bandas. Acompanhe com expectativa.

Com atraso grande que creio ter sido por conta do público (vindo de vários estados) para entrar no show começa a banda de abertura Eminent Shadows (DF). Fiquei boquiaberta com a qualidade do Death Metal executado brilhantemente pelo grupo divulgando seu último trabalho “In the Fog of the Night... We Burn This Kingdom” (2011). Nem parecia a banda de abertura, sinceramente estávamos diante de um entrosamento e musicalidades fora de sério.

Terminado o show de abertura, pude conferir mais de perto na parte inferior do local (o palco fica localizado na parte de cima) dos materiais à venda e bati um papo informal com alguns expositores como o Chris da Criminal Records e constatei um fato interessante: estamos tendo uma qualidade muito grande de material nacional (CDs, LPs, camisetas, DVDs, fitas K7 e etc.) à disposição. Fiquei sem saber o que adquirir devido à quantia de expositores. Mas vale ressaltar que hoje em dia graças ao esforço de vários guerreiros estamos tendo muito mais facilidade para termos acesso aos materiais.

Público prestigiando desde a primeira banda

No palco entra em poucos minutos, após problemas nos teclados, a banda Eternal Sacrifice (BA) com seu Black Metal furioso. Naberius (vocal) trouxe com seus urros e gutural o público da casa mais próximo do palco para conferir sua apresentação teatral. Show completamente bem estruturado e nota-se que as quase duas décadas de estrada fizeram muito bem para a banda. Procurem conferir a discografia da banda e comprovem por si mesmos.

E quando começou a terceira banda tive o sentimento de estar abrindo o sétimo portal para o inferno... Entra no palco a banda Mythological Cold Towers (SP), veterana banda que iniciou suas atividades em 1994.

Já estabelecida dentro do underground e mesmo sentindo nitidamente uma mudança no estilo musical da mesma (ouçam “Sphere of Nebaddon”, álbum de 1996 e comprovem por si mesmos) notei com bons olhos o refinamento das músicas do álbum “Immemorial” (2011).

Em muitos momentos a camada densa me lembrou Paradise Lost e My Dying Bride. O Show foi basicamente calcado no “Immemorial”. Aprovado! Instrumental fantástico.

Lendário grupo Baiano Headhunter D.C. divulgou seu novo álbum 

Agora entrando novamente na fúria subi ao palco para acompanhar na íntegra e mais de perto o show de uma das lendas do Metal extremo nacional: Headhunter D.C. (BA).

Com vinte cinco anos de estrada e álbuns sensacionais como “Born... Suffer... Die”  (1991), “...And the Sky Turns to Black...(The Dark Ages Has Come)” (2000); os “caçadores de cabeças” entram no palco ao som da intro cavernosa “Funeral March” e já emendam com “Dawn of Heresy”. O caos estava instalado e muitas cabeças balançavam na velocidade máxima... Baloff (vocal) deu uma aula de simpatia e postura mostrando o porquê da banda hoje com seu novo álbum lançado (“In The Unholy Mourning”, deste ano) continuar sendo referência de qualidade no Metal extremo brasileiro.

O show, infelizmente, devido ao horário avançado não pode ser tão extenso, mas os petardos executados como “God Spreading Cancer” e “And The Sky Turns to Black” foram ovacionados e cantados em uníssono por todos os presentes mostrando que a banda caminha sim mais do que nunca para figurar como “essencial” (isso se já não é) quando o termo Death Metal brasileiro for citado por algum banger do Brasil (ou fora dele). 

O encerramento veio com o já proclamado hino do novo álbum “Hail the Metal of Death”. Nessa hora tive a certeza que saíram do palco com a missão cumprida.

Headhunter D.C. 
A única ressalva da noite ficou pelo fato de não só eu, como muitos colegas de imprensa, terem ido embora devido ao horário da apresentação da última banda, Patria (RS); mas pelos comentários que obtive de amigos e amigas presentes no show, a banda fez um set coeso e trouxe amostras de ódio e misantropia com hinos presentes nos seus álbuns já lançados “Hynms of Victory and Death” (2009),  “Sovereign Misantropy” (2010) e “Liturgia Haeresis” (2011).

De modo geral, estou satisfeita com o andor do festival e espero poder acompanhar mais de perto a grande e profana celebração do caótico underground brasileiro.

Hail the Metal of Death!

Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Road to Metal

Bandas:
Headhunter D.C. (BA)
Mythological Cold Towers (SP)
Eternal Sacrifice (BA)
Eminent Shadow (DF)
Patria (RS)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Headhunter D.C: Massacre Sonoro à Serviço do Metal da Morte

Grupo baiano de Death Metal lança novo álbum



Quando o assunto é Death Metal furioso, obscuro, rápido e denso, um dos nomes que os verdadeiros headbangers lembram é Headhunter D.C., banda de Salvador, Bahia, que traz na sua trajetória mais de duas décadas de dedicação ao Death Metal, mesmo que tenha buscado, ao longo dos seus poucos álbuns lançados, uma evolução constante, não oferecendo um disco igual ao outro.

E após cinco anos desde seu último disco completo, a banda lança este ano seu 5º álbum completo, denominado “...In Unholy Mounring...” (2012) e, como se já não bastasse o massacre sonoro encontrado ao longo dos 53 minutos do disco, a banda, através da parceria entre a Mutilation Productions e a Eternal Hatred Records, disponibilizou um digipak de luxo para os fãs brasileiros, com direito a patch exclusivo nacional, além de dois encartes, um com as letras originais e outro com as mesmas traduzidas, oferecendo até para quem pouco entende de inglês a possibilidade de compreender as letras que, diga-se de passagem, precisam ser vetadas aos mais religiosos.

São 10 faixas que se você já havia conferido o single já lançado de “Deny the Light”, pode ter uma ideia do que lhe espera, ou seja, Death Metal pesado, por ora arrastado, sem deixar cair o ritmo e tudo dentro de uma atmosférica negra, que deixa o som soar, sem exagero, verdadeiramente brutal.

Massacrando os ouvidos desde 1987
Ao abrir o digipak, fica clara a preocupação de um material de alto nível e, mesmo que a arte do espanhol Juanjo Castellano não inove, é de uma beleza macabra das artes mais incríveis que já vi. Mas um álbum nada é se não possui uma ótima gravação e mixagem, esta a cargo Jera Cravo, do Studio 60 (Salvador) e a produção do próprio vocalista Sérgio “Baloff” Borges.

Aliás, o que esse cara faz com seu vocal é digno de nota, afinal, sabemos que um dos estilos mais difíceis de se destacar como vocalista é o Death Metal e a qualidade técnica deste brasileiro o coloca como uma das grandes vozes do Death Metal mundial, e não corro o risco de soar bairrista, pois basta ouvir petardos como “Hail The Metal Of Death!” (verdadeiro hino!) e “Cursed By Thou”, provavelmente a mais agressiva (e longa) do disco e que Sérgio oscila entre o gutural grave ao rasgado, como poucos são capazes de conseguir, arrepiando até o ouvinte mais exigente.

Mas a banda como um todo parece que tem os músicos perfeitos para cada instrumento, algo fruto das composições refinadas e com grande qualidade, como as já citadas e também “A Dream of Blasphemy”, com um solo e riffs empolgantes na cara com Paulo Lisboa e George Lessa, formando uma dupla massacrante.


Zulbert Buery (baixo) e Daniel Brandão (bateria) fecham esse quinteto infernal que oferece um dos melhores discos do gênero que um fã de Metal extremo pode desejar, sendo forte candidato a clássico da banda e, disparadamente, um dos melhores álbuns de 2012.

Stay on the Road

Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Headhunter D.C.
Álbum: ...In Unholy Mourning...
Ano: 2012
País: Brasil
Tipo: Death Metal
Selo: Eternal Hatred Records/Mutilation Records
Assessoria: MS Metal Press

Formação
Sergio 'Baloff' Borges (Vocal)
Paulo Lisboa (Guitarra)
George Lessa (Guitarra)
Zulbert Buery (baixo)
Daniel Brandão (Bateria)




Tracklist
01. Rotten Death Prayer
02. Dawn Of Heresy
03. Cursed Be Thou
04. Deny The Light
05. A Dream of Blasphemy
06. Hail The Metal Of Death!
07. Into The Nightmare (ThrashMassacre cover)
08. Unexorcised (Haunting Your Exorcist)
09. In Unholy Mourning
10. Lightless…

Acesse e conheça mais sobre a banda


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Ouça "Deny the Light"