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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Matéria Especial: Passado e Futuro se Colidem nos 15 anos da NERVOSA Em Uma Coletiva de Imprensa na Galeria do Rock

Selma Alves

Por Bruno França 

Prestes a concluir uma turnê de sucesso que comemora os primeiros quinze anos de existência da banda, a NERVOSA retorna ao seu país de origem - o Brasil - para o fechamento de um ciclo, ao mesmo tempo que inicia um novo.

A Galeria do Rock, um dos maiores templos do Rock e do Metal não só do Brasil, mas da América Latina, hospedou uma coletiva de imprensa na noite que antecedeu o último show do ano da banda (marcado para o dia 5), no teatro do Sesc Bom Retiro.

A coletiva aconteceu no espaço recém-aberto da Arena Galeria, localizada no 5º andar, ao passo em que as integrantes estavam visivelmente governadas por uma animação com o evento.

Tendo iniciada precisamente às 19:27, Prika Amaral (guitarra e voz; líder), Helena Kotina (guitarra), Emmelie Herwegh (baixo) e Gabriela Abud (bateria) cumprimentaram todos os presentes e responderam várias perguntas dos jornalistas dos mais variados veículos, abordando sobre temas como a diversidade cultural ao redor do mundo, o poder da cena brasileira, o consumo da música nos dias atuais, as influências ao redor das composições dos álbuns, entre outros tópicos.

Abaixo, estão alguns dos temas abordados.


JANEIRO MARCA O ALVO: UM NOVO ÁLBUM

Passadas as devidas formalidades, a coletiva se iniciou não com um sussurro, mas sim com um estrondo: o anúncio oficial de que o próximo álbum está a caminho. A composição do sucessor de "Jailbreak" (lançado em 2023) está em níveis avançados, e é garantido que tenhamos novidades sobre ele já em janeiro do ano seguinte, na forma do primeiro single.

A canção mais recente, "Smashing Heads", foi feita como comemoração neste momento tão especial que o quinteto multinacional passa atualmente, sendo a primeira participação oficial da holandesa Emmelie Herwegh como integrante nas atividades do baixo e da brasileira Gabriela Abud assumindo a bateria, após a partida da búlgara Michaela Naydenova no começo do ano passado.

Carregando a característica de um zeitgeist, a faixa não estará presente no novo álbum, conforme confirmado pela fundadora e líder Prika Amaral.

Uma segunda bomba foi lançada em sequência: não haverá nenhuma participação especial.

Traçando um paralelo com as suas origens, o primeiro álbum da sua discografia, "Victim of Yourself", é o único que não possui participação especial de nenhum(a) outro(a) musicista. E tal característica será repetida no próximo lançamento.

Uma vez mais, a produção conta com o argentino Martin Furia, peça importante no patamar que a NERVOSA se encontra atualmente, seja pelos seus conhecimentos como guitarrista do DESTRUCTION, seja pela sua experiência como produtor que guia as integrantes enquanto mantém uma qualidade sonora mais polida do que a anterior.

Bruno França

DUAS CABEÇAS PENSAM MELHOR DO QUE UMA

Uma característica um tanto incomum que envolve a NERVOSA é o fato dela possuir duas baixistas. A grega Hel Pyre nem sempre pode estar participando dos shows por duas razões centrais: a mesma virou mãe recentemente, e as suas responsabilidades familiares entram em rota de colisão com as performances e as atividades da banda. 

Não obstante o fato dela ocasionalmente ser convidada para participar dos shows da lenda viva KING DIAMOND, como aconteceu numa turnê europeia recente, onde ela assume as tarefas de backing vocals e do teclado. Adicionalmente, a grega ainda realiza shows com a sua banda de Black Metal W.E.B., cantando enquanto também toca baixo.

A fundadora Prika se pronunciou ao se certificar de que, apesar das imagens promocionais recentes mostrarem tanto ela quanto Emmelie juntas, não é a intenção ter ambas simultaneamente no palco. Há um pouco mais de dois anos, Emmelie esteve disponível para preencher essa lacuna diante da indisponibilidade de Hel Pyre.

Considerando que não é desejo da mesma sair, e respeitando esta decisão, Prika então decidiu que ambas fazem parte da família NERVOSA, tornando Emmelie Herwegh como também uma integrante efetiva.

Selma Alves

GOSTOS PLURAIS TORNAM A VIDA MAIS PRAZEROSA

Prevendo que a Prika seria bombardeada com a maioria (quase unânime) das questões, este repórter se prontificou em providenciar uma variada para que as outras membras também pudessem se expressar. Sendo assim, a primeira das duas perguntas realizadas foi direcionada à Emmelie (a primeira pergunta realizada em Inglês na conferência). Ao ser questionada sobre a visão estreitista a qual muitos possuem de que quem gosta de Metal "só pode gostar disso", a holandesa se pronunciou (em verbatim):

"Na minha opinião, as pessoas podem gostar daquilo que preferem. Então se é apenas Metal, tudo bem. Só que para mim, a música é mais do que isso. O Metal é o meu gênero preferido, é o que mais gosto de tocar, amo a comunidade como um todo e tudo a respeito.

Mas eu também recebo inspirações de muita música Pop, especialmente de artistas femininas. Para mim, elas são muito empoderadoras. Há também mulheres no Metal, mas tenho também ídolas na música Pop, as quais eu adoro e tenho como referência.

Por mim, cada um escolhe o que preferir. Não importa em abstrato o que cada um gosta, todos são livres para apreciarem aquilo que os agradam.

Não é uma luta ou uma competição, música se trata de ouvir tudo o que existe nela".

Bruno França

AS FERRAMENTAS DO TRABALHO: UM RESUMO SOBRE COMO OCORREM AS COMPOSIÇÕES

Durante o momento para a composição de material novo, Prika deixou claro que não é interessante ficar numa visão linear de apenas um "Thrash Metal cru".

Adicionalmente, acrescentou que todas as integrantes são muito bem-vindas para darem os seus pontos de vista e que possuem boa liberdade no ato da composição em si.

"Então a gente trás outros elementos, outras ideias, outras coisas. E não se fechar, não direcionar a sua inspiração, sabe?

Fazer a arte é você liberar ali a sua expressão, a sua... é não ter medo! Se eu quero cantar limpo, eu vou cantar limpo. Se eu quero soltar uma gutural, eu vou cantar gutural", explicou a líder.

Elaborando sobre a sua parte do processo, Gabriela se manifestou (em verbatim): "Eu espero que as pessoas realmente se conectem do jeito delas - não do jeito que a gente quer -, mas que chegue nelas. A letra. Tipo... a música tá foda, mas a letra... eu acho que ela tá mais foda".

Ou seja, a própria também está fazendo parte da escrita das letras do próximo álbum.

Ato contínuo, a baterista revelou que, por vir de uma escola mais moderna, traz algumas das suas influências vindas de GOJIRA e de LAMB OF GOD, por exemplo.

Selma Alves

UMA DÉCADA E MEIA EM RETROSPECTIVA

Quando Prika Amaral foi questionada sobre o show final que fecha a atual turnê, se teremos alguma participação especial, talvez a aparição de alguma integrante antiga, a membra fundadora revela que só percebeu a chegada dos quinze anos no final de 2024.

"Fiquei muito feliz que a gente conseguiu fazer o primeiro show de comemoração de quinze anos em São Paulo" (N. da R. = na primeira edição do DARK DIMENSIONS FEST, coincidentemente no aniversário da cidade, cuja cobertura foi feita por este repórter, disponível aqui na ROAD TO METAL).

Após contar que cinco shows foram realizados no Japão com setlists diferentes e que rolou a ideia de fazer shows em ordem cronológica, ela continua, (em verbatim):

"E aí casou de a gente fazer o último show deste ano (e último show da turnê) em São Paulo. Eu falei: 'vamos fazer esse show, só que bem elaborado e tal'. A gente vai estudar melhor como que a gente vai fazer, o que vai falar e tal. A gente construiu isso... e a gente vai tocar em um teatro, né? E lá no Sesc Bom Retiro é todo mundo sentado. 

Então fez muito sentido a gente fazer esse tipo de formato. A galera não vai poder ficar agitando muito (o que é uma pena), mas eu vou estar ali para a gente tocar as músicas, fazer um 'revival' da NERVOSA e contar a história também".

Finalizando a pergunta, a natural de Bragança Paulista revela que teve um disco gravado nos Estados Unidos, além de outros pedaços de informações que o público talvez nem saiba: “vai ser meio que isso: um stand up, mas não 'comedy' [risos de todos].”

Selma Alves

A POTÊNCIA DO BRASIL DIANTE DA COMUNIDADE INTERNACIONAL

Ao ser questionada sobre a cena nacional e a importância do nosso país ao redor do globo, a resposta de Prika foi (em verbatim):

"A gente sabe que aqui tem lugares para tocar. É possível viver de música no Brasil, sim. É difícil - pra caralho - sim. Mas é possível. Porque a gente tem exemplo disso, né? Agora a gente tem festivais aqui. O BANGERS tem uma representatividade e uma importância enorme para a nossa cena. O que eles estão fazendo não é fácil, entendeu?

Eu sei que tem muitas coisas a melhorar e tal, tudo mais. Mas eu admiro todo mundo envolvido que fez isso acontecer, os que estão ali tentando segurar... Isso tem uma importância enorme, eu bato palmas e sou agradecida eternamente a eles, porque é uma coisa muito importante. É o maior festival de Metal que a gente tem atualmente no Brasil. Na América Latina, eu te digo, porque tem muitos festivais que a gente já tocou que não existem mais, sabe?

Então, assim... é muito importante isso. O Brasil tem uma importância na cena Metal enorme. Não só pelas bandas, sabe? Mas porque é referência.

Gente, o maior público do IRON MAIDEN é aonde?

[Todos]: 'No Brasil'.

Então. A gente tem um poder absurdo e a gente é admirado pelo mundo inteiro".

Selma Alves

O CONSUMO DA MÚSICA NO PASSAR DAS GERAÇÕES

Mantendo a mentalidade de fazer com que as outras integrantes possam compartilhar melhor os seus pensamentos, este repórter fez a sua segunda e última pergunta à grega Helena.

Considerando que a forma como consumimos música mudou drasticamente desde o período da adolescência (N. da R. = devido ao fato deste repórter e da guitarrista serem basicamente da mesma geração) até os dias de hoje, a grega foi questionada sobre o que ela acha deste "rito de passagem".

Helena então elaborou que existem aspectos positivos e negativos da época de outrora, assim como dos dias atuais. Poder pegar no celular e ter acesso a uma biblioteca quase interminável de discografias possui o fator "conveniente" ao entrar em determinados aplicativos para este fim, e é ótimo para poder expandir a sua biblioteca particular.

No entanto, ela admite possuir uma nostalgia de quando ia para as lojas de discos para poder interagir com outras pessoas de gostos similares, porque além de sair conhecendo uma banda nova, ela também voltava para casa com um amigo em potencial, então ela lamenta que o aspecto da socialização entre as pessoas teve uma grande queda atualmente.

Similarmente, ela confessa adorar os discos físicos. Ao estar com ele nas suas mãos, poder pegar nele, ver o encarte e a materialização do trabalho dá uma alegria diferenciada do que apenas escutar o som no seu aplicativo preferido, o que está gradualmente se tornando uma arte perdida, mas que ainda assim consegue viver na era moderna.

Bruno França 

TODAS AS COISAS BOAS NÃO PRECISAM CHEGAR AO FIM

Com a coletiva chegando ao seu fim, junto com o agradecimento vindo da Arena Galeria, pudemos perceber que a NERVOSA respeita o seu passado, seus antecessores e um amadurecimento profissional visível.

A noite estelar deixou uma leve chuva para acompanhar o terraço da Galeria do Rock, e a longa sombra do palco reflete a longa estrada a ser percorrida, ficando o desejo de que mais quinze anos sejam comemorados no futuro previsível.

Viver de banda autoral numa indústria que requer mudanças imediatas introduz o conceito do desafio constante, mas pela vivência na prática, as integrantes exalam confiança e segurança em suas falas e através da linguagem corporal, honrando o gênero que fazem parte e garantindo não só agradar quem já as acompanha, mas também fazendo com que os ouvintes novos se sintam confortáveis em casa.


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Dr. Sin, Medjay e Armiferum compartilham as surpresas que terão no show em SP em coletiva de imprensa realizada no The Metal Bar

No dia 18/08 (sábado) ocorreu a apresentação do Dr.Sin, banda lendária do Hard Rock nacional, ao lado das novatas Medjay e Armiferum no Fabrique Club, em SP. E para entrar no clima desse show, o The Metal Bar, localizado na região de Pinheiros, organizou, na última quinta-feira (09), um meet & greet com as três bandas, que também reuniu outras personalidades do Metal nacional como Jack Fahrer (vocalista do Nite Stinger), Anderson Bellini (diretor e produtor do documentário Andre Matos – O Maestro do Rock), Amilcar Christofaro (baterista do Torture Squad) e Alexandre Grünheidt (Ancesttral).

Antes de rolar o encontro, que aconteceu às 20hrs, houve uma coletiva de imprensa organizada pela Som Do Darma. A coletiva teve seu início às 18hrs, mas por conta da forte chuva em SP, eu, Gabriel Arruda, não consegui chegar a tempo para pegar as primeiras palavras dos irmãos Andria e Ivan Busic e do guitarrista Tiago Melo, trio do Dr. Sin. Mas cheguei a tempo para pegar os primeiros dizeres do Samuka, da Medjay, e do Augusto Cardozo, do Armiferum.

Vários assuntos foram abordados durante a coletiva. O primeiro a revelar as surpresas do show foi Samuka, baixista/fundador da Medjay, que prometeu um show completo com as participações da cantora Ana Mafra e da Mayara Puertas (vocalista do Tortures Squad), que estão no último trabalho da banda, “Cleopatra VII” (2022) e das bailarinas da Tribo de Dana, que faz uma mistura com a dança do ventre tradicional com a tribal fusion.

Vai ser um show com a proposta da Medjay, que é a ideia de áudio visual com a música e o visual carregado nessa questão do Egito”, falou sobre o show, que será o segundo em SP depois que abriram para o Angra, ano passado, no Tokio Marine Hall. “A gente devia um show aqui em São Paulo trazendo o que a gente oferece, que é essa imersão na música, no Power Metal e da cultura egípcia. Então podem esperar que vai ser um show completo”.

A banda, que além do Samuka conta com Phil Lima (vocal/guitarra), Freddy Daniels (guitarra) e Riccardo Linassi (bateria), ganhou destaque por carregar a cultura egípcia nas suas músicas. Essa influência é muita vinda do fundador. “Sou um historiador de profissão e professor de história há vinte anos. O Egito sempre esteve presente na minha vida e no meu corpo”, explicou Samuka, que também aproveitou para explicar sobre a sonoridade, que traz um Power Metal mais simples, direto e mais palatável. O conceito lírico vem do Egito antigo e de suas mitologias. “A nossa base é o Power Metal, diferente do Myrath, por exemplo, que é uma banda árabe fazendo Metal. Nós somos uma banda de Metal trazendo a influência. O nosso som é mais direto, valorizando muito a questão dos riffs em nossas músicas. Mas a intensão é ser uma banda que, em tudo que ela trabalha e fala nas letras, remete a história do Egito antigo”.

A jovem cantora carioca Ana Mafra, de apenas 16 anos, ao lado da Mayara Puertas – que também chegou atrasada para a coletiva – também estiveram presentes para responder as perguntas dos jornalistas. A Ana, que vem tendo seu nome muito ventilado no Heavy Metal nacional, contou como conheceu a banda e falou sobre a felicidade de poder participar do show.

Eu conheci a Medjay através de um festival, e depois disso eu fui querer conhecer um pouco mais sobre a banda. Eu adoro conhecer tudo que é ligado ao Heavy Metal nacional, a gente tem muita banda boa por aqui. Eu me apaixonei pelo “Sandstorm” (2020), gravei uma música desse disco, fiz um vídeo e marquei a Medjay. Estou muito feliz de estar participando desse show, porque vai estar trazendo toda essa imersão do Egito antigo”.

A cantora também aproveitou para falar sobre a nova geração de cantoras da sua idade que estão surgindo e que estão tendo grande ascensão por cantarem Rock e Heavy Metal. “Tem muitas meninas e meninos da minha idade que ama Rock N’ Roll e ama Heavy Metal. Eu acho que, quanto mais tiver pessoas da minha idade colocando o Rock e o Heavy Metal para frente, será melhor”, comentou.

Depois que o baterista Ivan Busic respondeu uma pergunta sobre a falta de bandas brasileiras em grandes festivais, Samuka lembrou da importância de as bandas estarem fazendo seus próprios festivais, coisa que já acontecia há muito tempo na Europa e no Sertanejo Universitário. “Recentemente tocamos no festival chamado Into The Dark, que até aconteceu aqui em São Paulo e depois foi para Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Eles juntaram três bandas, que também leva uma outra banda convidada, e faz seu próprio festival com uma estrutura legal e tudo mais. E a gente vem começando a fazer isso com as bandas headliner também. E para gente é uma oportunidade imensa estar participando de um evento onde o Dr.Sin está”, falou o também produtor de shows, Samuka, que está cuidando de toda a produção do show com a sua produtora, BH Hell’s Produções.

O guitarrista Augusto Cardozo falou da honra de dividir o palco ao lado de uma banda lendária que é o Dr. Sin e de outra que está caminhando para se tornar uma lenda que é a Medjay com o Armiferum, que fara o primeiro show da carreira. “O show não terá uma megaestrutura, mas iremos entregar um show bom com elementos cenográficos”.

Recentemente a banda, formada em 2020, passou por um processo de reformulação, que agora conta com seis integrantes na formação. Por conta disso, a dificuldade de conseguir espaço devido à grande quantidade de membros aumentou. E sobre a questão do retorno, Augusto foi realista ao dizer que não espera muita coisa por agora. “É um pensamento que estamos tendo a longo prazo. Foi um investimento para fazer esse show do dia 18 em questão de merchandising, estrutura de palco e equipe que vamos levar. Então não será um show que vai ser rentável agora, mas que estamos plantando nossos frutos para mais frente colher”. 

O Dr. Sin também prepara grandes surpresas com um repertorio que vai remeter as músicas do primeiro álbum – que esse ano completou 30 anos de lançamento – e que poucas vezes foram tocadas ao vivo. Além, claro, de outros lados B da carreira da banda.

E já que será um show comemorativo ao lançamento do primeiro álbum, Andria e o Ivan relembram a época que tiveram que largar tudo o que tinham aqui no Brasil para poder ir ao Estados Unidos conseguir contrato com uma grande gravadora e gravar o disco, que para o Ivan, é “revolucionário”. “Pela opinião de todo mundo, e do nosso sentimento, é o trabalho mais importante da nossa vida. Quem viveu aquela época com a MTV, rádios como a 89 e das pessoas de fora da banda, viu que é um disco que mudou o jeito de outras bandas a encarar a carreira musical”, dize Ivan, que também revelou uma grande novidade a respeito desse trabalho que vai deixar os fãs e os colecionares felizes.  “Vai ter relançamento do álbum, na versão original, da Warner, em CD e LP, ainda esse ano”.

Recentemente o trio lançou CD/DVD acústico, que foi gravado ano passado, no Teatro J. Safra, em SP, com as participações do ex-guitarrista, Edu Ardanuy, Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra, e também do vocalista/guitarrista Bavini, a orquestra regida pelo maestro Bartolomeu Vaz e da pianista Juliana D’Agostini.  O Edu [Ardanuy] tinha que participar de qualquer jeito, ele fez parte da banda durante vinte e cinco anos. Não tinha como negar a participação dele. Então isso foi importante e vital para o DVD existir de uma forma correta”, falou Andria sobre a participação do Edu. “Quanto ao Rafael Bittencourt, ele foi um dos caras que ajudou muito na volta do Dr. Sin. Inclusive ele que deu o nome do nosso último disco de estúdio, “Back Home Again” (2019). É um cara que mora no coração da gente também”, falou Andria sobre o membro/fundador do Angra.

O Andria também fez questão de falar sobre como foi o processo de ter que arranjar os principais clássicos da carreira da banda em formato acústico. O mesmo se inspirou muito nos acústicos do Kiss e do Alice In Chains para que o do Dr. Sin ficasse bem feito. “Quando fizemos os arranjos, eu quis tocar baixolão. Poderia fazer uma coisa só com violão, mas eu quis fazer um formato que conversasse com tudo o que a gente estava pensando, tendo uma pessoa a mais para cantar e tocar – que foi o Bavini – enquanto eu estivesse solando, e algumas músicas com orquestra e piano”, explicou Andria.

Chegando ao final, os membros de cada banda relembraram os tempos difíceis que tiveram na pandemia. Samuka falou que as bandas devem valorizar muito o trabalho da imprensa, que ajudou muito na questão de divulgação e resenhas no momento em que a Medjay não poderia fazer shows para promover seu primeiro trabalho, “Sandstorm”, que foi lançado no período que começou a pandemia. A banda também passou por um momento desagradável com o lançamento do “Cleopatra VII”, que teve a distribuição sendo feita na Ucrânia, mas que todas as cópias foram perdidas por conta da guerra contra a Rússia.

Em breve a banda vai começar a gravar o terceiro disco junto com o produtor/baterista do Korzus, Rodrigo Oliveira, no Dharma Studios, localizado em SP. O disco irá abordar sobre a trajetória do rei do Egito, “Saladino”, título do vindouro trabalho. 

Os membros do Dr. Sin, que vieram de uma outra geração e que estão acostumados a tocar ao vivo, também tiveram que lidar com os novos hábitos durante os tempos de pandemia. “Quando chamaram a gente para fazer um collab da música “Lost In Space”, eu gravei com fone do Iphone”, riu Ivan. “Cada show que temos feito depois da pandemia tem sido inigualável, porque teve um momento que a gente achou que não ia mais voltar. E graças a Deus a gente está podendo pisar nos palcos novamente, que é aonde a gente se sente mais vivo do que nunca”.

O Ivan e o Samuka também apontaram que o momento pandêmico foi uma oportunidade dos artistas mais jovens a se juntarem para fazer trabalhos com músicos e bandas que já tem um grande nome no mercado e apoio que tiveram delas. Sintetizando tudo o que o Ivan e o Samuka falaram, a Mayara falou das coisas positivas que aconteceram na sua carreira durante essa fase. “Se não houvesse a pandemia, talvez eu não tivesse tido a chance de gravar com o Sepultura, Luis Mariutti, Aquiles Priester... Só que foi uma situação que os músicos, de certa forma, precisaram se unir para produzir conteúdo não apenas por entretimento, mas de manter a esperança nas pessoas de que a música não ia morrer”.

 

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Bel Santos @bel.santosfotografia

Edição/Revisão: Renato Sanson

 

Agradecimentos: Eliton Tomasi e Susi dos Santos, da Som Do Darma, pelo convite.

sábado, 13 de março de 2021

Confira como foi a Coletiva de Imprensa com o Epica referente ao álbum “Ômega”!

Matéria por: Uillian Vargas

Representante na Coletiva: Uillian Vargas

Perguntas criadas por: Renato Sanson

O Epica acaba de lançar “ÔMEGA” (2021), oitavo álbum de estúdio. Um disco carregado de poesia, letras impactantes sobre a essência dos sentimentos e muita, mas muita, musicalidade. A melodia nunca abandonou as composições da banda, mas o “Ômega” parece aquela respirada profunda que renova as energias, antes de apanhar o sol da manhã. Na campanha de divulgar as novidades e curiosidades sobre o novo trabalho, Mark Jansen (guitarra e vocal gutural) e Simone Simons (vocal) receberam profissionais da imprensa brasileira, na tarde do dia 12 de março de 2021.

A coletiva aconteceu por videoconferência e foi mediada por Fernando, que recebeu todos os reportes minutos antes dos artistas entrarem na sala virtual. Momento quando passou uma rápida instrução de como aconteceria a mecânica da entrevista. Comentou que as perguntas ocorreriam através de chamada e de forma ordenada, avisou que os microfones somente seriam abertos no momento oportuno. Profissionalismo de encher os olhos que deixa a brigada da comunicação com sensação de tranquilidade e conforto.

Mark e Simone chegaram pontualmente as 16h e num instante o Fernando explicou como aconteceriam as perguntas, divididas em duas rodadas. Uma rodada de uma pergunta para cada entrevistador, e na sequência se iniciaria a segunda rodada. Road To Metal teve, também, a oportunidade de lançar dois questionamentos. Um primeiro momento sobre um som específico do novo disco e no segundo momento, algo mais abrangente sobre a banda e seu tempo de carreira.


Primeira pergunta foi direcionada ao Mark Jansen:


Mark, em “Freedom – Wolves Within”, a letra do som descreve em forma de analogia, uma briga interna de dois lobos, um representando nosso lado malvado e melancólico e o outro lobo representando alegria e perseverança. Coincidentemente li algo parecido no livro “A coragem de não agradar” há pouco tempo, que me fez lembrar muito desse som. A pergunta é: quão importante a literatura e filosofia é para o Epica?

Mark: Olha, boa pergunta! São muito importantes. Ambos, Simone e eu, escrevemos a letra dessa música juntos. Ambos estamos muito interessados também na mitologia antiga e nos ensinamentos da filosofia. Está é uma daquelas histórias em que tropecei quando escavei numa velha história sobre um Cherokee ensinando esta lição a seu neto. Fiquei tão emocionado com o que li e me lembrei desse sentimento, sobre esses lobos, eles estão dentro de nós. E alguns de nós estamos um pouco envergonhados com o “Lobo escuro”, mas é parte de nós e não há como termos vergonha do que somos, é quem somos, humanidade, todos nós temos esse “lado negro” e, ao empurrá-lo para longe, ele vem à tona mais rápido. Mas quando você alimenta mais o lobo positivo que o negativo, pelo menos esse se torna o dominante e então você se torna um ser humano com quem as pessoas gostam de estar cercadas em vez de uma pessoa negativa que alimenta mais o lobo escuro e, portanto, é tudo parte de uma escolha para cada um de nós, que queremos ser, que lobo queremos alimentar mais do que o outro.

Na fala sobre a letra da música, Mark trouxe uma reflexão muito presente nos dias atuais. Principalmente com toda essa situação de isolamento, muitos de nós tivemos que aprender a conviver com nossos lobos. Nós do Road To Metal, que também somos adeptos de leituras filosóficas, ficamos extremamente contentes com a resposta e nela nós enxergamos muito sentido e equilíbrio total com a música em questão.

Já na segunda rodada de perguntas, fomos chamados novamente (e tínhamos preparado 15 perguntas, já pensando que havia possibilidade de algum dos colegas da imprensa abordar alguma de nossas questões, então não faz nenhum mal ter material extra na manga), acabamos optando por uma pergunta para além do álbum “Ômega”, amplamente explorado pelos colegas. Mas agora era a hora de falarmos com a Ladie Simone Simons, e para ela foi perguntado:

Daqui dois anos O Epica completará 20 anos de atividade! Para a comemoração dos 10 anos, vocês lançaram um material incrível, particularmente considero “Retrospect” (2013) um dos maiores momentos da carreira da banda. Para a comemoração da esperada segunda década de atividade, o que podemos esperar?

Simone: Sim, já são 20 anos e parece realmente muito, muito, tempo. Isso me faz me sentir velha (risos). Como se começasse aos 17, agora eu me sentisse com 70. Dizer que o Epica tem rodado “por aí” há 20 anos, mas a verdade é que eu comecei muito jovem. E sim, a “Retrospect” (2013) é definitivamente um marco em nossa carreira, 10 anos de Epica, agora em breve serão 20 anos.  Mas a pandemia meio que arruinou muitas coisas, para muitas bandas e para nós, e quando fazermos 20 anos, é justo voltarmos em turnê para promover “Ômega” (2021), esperamos. E tudo está parecendo que foi colocado em pausa, mas adoraríamos comemorar assim que pudermos. Sabe, agradecer a nossa incrível família Epica, dizer obrigado! Quero dizer, como quando “Design Your Universe” (2009) teve o aniversário de 10 anos (foi lançado um álbum com algumas versões acústicas do disco, chamado “The Acoustic Universe” – 2019). Certamente gostaríamos de fazer algo muito especial.  Mas não temos nada de concreto por agora, mas isso pode mudar, no momento está muito complicado para planejar algo por causa da pandemia, por isso temos que ser flexíveis, temos que ser um pouco espontâneos, é muito difícil planejar com muita antecedência no futuro e isso é algo com o qual não tivemos nenhum problema no passado, é uma situação muito estranha e única agora, mas não vamos deixar esse momento passar em silencio, de qualquer maneira.

De forma muito coerente Simone Simons conduziu uma resposta sem muitas certezas, em função da pandemia, que tomou todos profissionais do ”show business”, de assalto. É uma crise que se estende para além do palco! Impressionante mesmo foi a paciência, delicadeza e educação que a dupla apresentou para responder todas as perguntas. Deu para sentir muita entrega nas respostas. Atitude que deixou claro que a expressão usada pela Simone “Epica Family”, não é só uma expressão. Vida longa ao Epica, que logo passe esse período difícil e que o Road To Metal possa estar presente em tantas forem as comemorações da banda.

Obrigado especial a Shinigami Records que intermediou essa oportunidade e ao Costábile Salzano que, como assessor de imprensa, operacionalizou esse encontro.