Symphony X celebra 30 anos com repertório abrangente e casa cheia em São Paulo
O Symphony X voltou a São Paulo na noite de 20 de março para um Tokio Marine Hall lotado, em uma apresentação que funcionou como um panorama consistente dos 30 anos de carreira da banda. A passagem faz parte da turnê latino-americana organizada pela Top Link Music, com datas também no México, Chile, Argentina, Curitiba e Rio de Janeiro.
Com mais de três décadas de atividade, o grupo norte-americano ocupa um lugar específico no metal progressivo, especialmente pela forma como ajudou a consolidar uma vertente que aproxima o virtuosismo técnico do peso do power metal e de estruturas sinfônicas. Discos como The Divine Wings of Tragedy e V: The New Mythology Suite continuam sendo referências quando se fala na expansão do progressivo para além das estruturas mais tradicionais do gênero.
Em São Paulo, a resposta do público deixou claro como essa trajetória construiu uma base fiel no Brasil. A casa cheia e a recepção intensa desde os primeiros minutos indicavam um público que não estava apenas pela nostalgia, mas pela relevância contínua do Symphony X no metal técnico.
A abertura com Of Sins and Shadows já estabeleceu o tom da noite, com a banda soando coesa e precisa. Na sequência, Sea of Lies manteve a energia alta, enquanto Out of the Ashes trouxe o equilíbrio entre melodia e peso que marca a fase mais recente do grupo.
Um dos primeiros grandes momentos veio com The Accolade, recebida com entusiasmo e reforçando o quanto o material clássico ainda ocupa um lugar central na relação da banda com o público. Na parte intermediária do show, Smoke and Mirrors e Evolution (The Grand Design) reforçaram a dimensão mais técnica do repertório, com destaque para a execução segura e a dinâmica entre os músicos.
Communion and the Oracle e Inferno (Unleash the Fire) mantiveram a intensidade da apresentação, mostrando como a banda transita bem entre fases diferentes da carreira sem que o repertório pareça fragmentado. Já Nevermore funcionou como um dos pontos de maior resposta coletiva do público antes do encore.
No retorno ao palco, a banda apresentou Without You, em um momento mais direto e emocional, também utilizado para as apresentações individuais dos integrantes. O encerramento com Dehumanized e Set the World on Fire (The Lie of Lies) consolidou a proposta da turnê: revisitar diferentes momentos da discografia sem transformar o show apenas em um exercício de nostalgia.
Liderado por Michael Romeo e Russell Allen, o Symphony X demonstrou porque permanece como um dos nomes mais respeitados do metal progressivo: consistência técnica, repertório sólido e uma identidade musical que continua reconhecível mesmo após décadas de atividade.
O show em São Paulo mostrou uma banda ainda funcional na cena, com um público que acompanha essa trajetória não apenas pela memória, mas pela permanência de sua relevância no progressivo contemporâneo.
Texto: Patrícia Araújo
Fotos: Roberto Sant'Anna
Edição/Revisão: Gabriel Arruda









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