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domingo, 9 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Shawn James – 07/08/2026 – Cine Joia/SP

A seleção do Blues-Rock jogou em casa: Shawn James incendeia o Cine Joia 

Era para ser mais uma sexta-feira fria (graças à mudança maluca de tempo) em São Paulo, se não fosse por um detalhe: era dia de show do Shawn James no Cine Joia. Inicialmente, todo o meu conhecimento sobre ele vinha da minha paixão pelos games e da voz inconfundível e absurdamente inacreditável, que saía da trilha de The Last of Us Part II. Mas, para minha sorte, ele me faria ficar de boca aberta inúmeras vezes ao longo daquela noite.

Para quem ainda não conhece a fundo essa figura, Shawn James é um cantor e compositor americano, nascido em Chicago, que transita com perfeição entre o blues, o folk, o soul e o rock pesado. Com um alcance vocal impressionante e letras cruas que parecem sair direto da alma, ele vem construindo uma carreira sólida e visceral desde meados de 2012. E o público paulistano estava com saudade: fazia dois anos que Shawn não pisava em solo brasileiro, o que só ajudava a acumular a energia represada daquela noite.

Mas, vamos começar do início. Cheguei à casa de shows, localizada no coração da Liberdade, pontualmente para o credenciamento. Enquanto aguardava a pulseira, vi parte dos músicos descendo e pude sentir uma animação que de pronto me contagiou. Entrei, peguei um bom lugar, vi fãs devotos com camisetas de diferentes modelos e tipografias e aguardei o início. Deu 21h e, pontualmente, a introdução começou. Aos gritos, os músicos subiram ao palco e, logo em seguida, sob uma ovação que eu nem achava possível para o tamanho daquele local, Shawn apareceu e mandou logo Curse of the World.

Em anos de shows e coberturas, poucas vezes na vida vi fãs cantarem tão alto a ponto de me fazer sentir em um festival para mais de 50 mil pessoas. Eles sabiam cada letra e vibravam como se a seleção brasileira estivesse fazendo um gol na final da Copa. E, de fato, era. A seleção deles estava bem ali, na frente de cada um. Na sequência, ele emendou I Want More e Burn The Witch, com um público que simplesmente não parava de cantar.

Aliás, vale fazer uma pausa obrigatória aqui para falar de Sage, o violonista da banda. Eu simplesmente não consegui tirar os olhos dele o show inteiro. A entrega, a animação e o amor visível pelo que faz são coisas das quais nunca vou me esquecer, principalmente no momento em que ele perdeu totalmente a cabeça e se jogou no público, caindo nos braços da galera. Foi épico!

No intervalo para a próxima música, Shawn comentou que estavam filmando o show e que o motivo de terem escolhido São Paulo era justamente por sermos a melhor plateia do mundo. Fomos o experimento mais legal do projeto, já que era a primeira vez que faziam um registro audiovisual desse tipo.

Na sequência, tivemos Icarus, Orpheus, Flow e Thief And The Moon. Após o final dessa última, os músicos deixaram o palco, dando lugar ao momento acústico de Shawn. Foi quando ele contou que um fã foi ao meet & greet e fez uma "pinky promise" (aquela promessa de dedinho) para convencê-lo a tocar uma música que ele pedia há anos, intitulada When I’m Gone. Shawn brincou que, se ele errasse tudo, a culpa seria desse fã (o que ele disse caindo na risada, claro, já que tocou e cantou majestosamente). Na sequência, contando um pouco sobre como surgiu o convite da produção para vir ao Brasil, engatou American Hearts e The Guardian.

Então, chegou a hora da catarse. Shawn começou a falar sobre a época em que tocava em bares e que, naqueles dias, compôs uma música que teve de deixar de lado para tocar mais covers e sons que mantivessem a atenção das pessoas, já que ninguém queria ouvir baladas. Isso o chateou bastante na época, pois era algo muito visceral dele. Até que, quando o procuraram para inserir uma faixa em The Last of Us Part II, pediram justamente a menos popular: Through The Valley. Nesse momento, o Cine Joia veio abaixo. Todo mundo cantando ainda mais alto, mãos para cima, preenchendo cada centímetro do espaço com uma energia surreal.

Depois desse momento mágico, veio o restante do setlist: Headed for the End, Peace of Mind e My Juliet, entre muita animação, um Shawn extremamente grato e bem no estilo "mestre cervejeiro" que chegou até a provar o drink de uma pessoa da plateia.

Mais à frente, ele compartilhou que, pelo bem da sua saúde mental, teve que dar uma pausa no ano passado para respirar e sair da correria das turnês, o que lhe fez um bem enorme. Contou que, no México, perguntaram se ele estava bem por conta da música forte que cantaria a seguir, e ele respondeu que sim, pois a música era a sua terapia, o lugar onde ele colocava as dores e as deixava ir. Veio então Tired Of Trying, seguida por No Blood e Haunted, na qual ele dividiu a plateia para cantar junto, provando mais uma vez por que a gravação tinha que ser ali.

Em Devil’s Daughters, ele anunciou que seria a última música, arrancando na hora um coro demorado de "Eu não vou embora!" do público. E não foram mesmo. Shawn e a banda voltaram para o bis com Muerte Mi Amor e Let Me Go, encerrando uma noite simplesmente inesquecível.

Saí do Cine Joia com a certeza de que uma troca pura e honesta de energia entre artista e público. O frio de São Paulo ficou do lado de fora; do lado de dentro, Shawn James e sua banda provaram que a música feita com a alma ainda tem o poder de lavar a nossa. Que ele não demore tanto tempo para voltar!





Realização: Move Concerts

Press: ForMusic 


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

When I'm Gone

American Hearts

Son of the Wolf

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Bis

Muerte mi amor

Let Me Go

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