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sábado, 18 de abril de 2026

Matéria Especial - Orquídea Negra: 40 Anos de Resistência

 

Alguns anos atrás, em uma entrevista com Robson Anadom do Orquídea Negra, destaquei como título a frase: "Somos frutos de muita teimosia, de muitos sonhos", e ela segue resumindo muito bem a história e batalhas do Orquídea, que além de ser uma das bandas pioneiras do Metal Brasileiro, possui também o marco histórico de ser a primeira banda de Heavy Metal do estado de SC.

Formada em Lages (SC) em 1986, o Orquídea Negra completa 40 anos de existência e resistência neste 2026, então vamos lembrar aqui alguns capítulos marcantes dessa história, segue o fio!

O debut “Who’s Dead” foi lançado em LP originalmente em 1992, pelo selo Acit, e na época vendeu cerca de 5 mil cópias. A banda ensaiou exaustivamente todas as noites na casa do vocalista Boca, para se preparar para a gravação, que aconteceu em São Paulo e teve a produção dos irmãos Mário e Wally Garcia, da banda Garcia & Garcia.

A formação que gravou o álbum foi: André "Boca" Graebin (vocais), Fernando Tavares (baixo), Vinícius Porto (guitarras), Robson Anadom (guitarras) e Marcelo Menegotto (bateria).


O baixista Robson conta que a banda ficou hospedada em um quarto, com duas camas somente, as refeições muitas vezes eram feitas no estúdio mesmo, alguns sanduíches e pronto. 

As guitarras não foram gravadas com amplificadores, e sim com um pedal de efeitos Zoom do guitarrista Vinícius Porto, que era acionado por um controlador grudado ao corpo da guitarra, e serviu como um pré-amp.


 "Miss You", "Surrender" e "It´s Easy to Remember" foram alguns dos destaques do debut, inclusive tocando bastante nas rádios rock.

O Orquídea provavelmente foi uma das primeiras bandas de Metal a ter seu próprio ônibus, batizado carinhosamente de “Orquidão”.

O segundo trabalho, auto intitulado, foi gravado em 94, em uma época complicada para o Heavy Metal no mercado musical, não teve apoio de um selo, e demorou dois anos para ser lançado de forma independente. 


Esse período marcou também a saída do vocalista André “Boca”, e a banda no geral desanimou perante as dificuldades.  

Robson também recorda detalhes desse segundo trabalho, quando a banda já trazia uma nova formação, pois o baixista Fernando Tavares havia saído: “Deixei a guitarra e assumi o posto de baixista. Nas gravações ainda fiz algumas partes de guitarra e violão. Nosso som estava um pouco mais trabalhado e pesado que no primeiro disco, a banda evoluiu bastante musicalmente.”


Robson lembra que foram com o ônibus da banda para Porto Alegre, e estacionaram ao lado do estúdio Eger, com o “Orquidão” servindo de hotel. 

A formação que gravou o segundo álbum foi: André "Boca" Graebin (vocais), Vinícius Porto (guitarras, guitarra solo), Robson Anadom (baixo e guitarras) e Marcelo Menegotto (bateria).

Entre idas e vindas e alterações na formação, em 2003, com Jean (vocais) e Menegotto (bateria) o Orquídea fez o show “More Live Than Never”, marcando 19 anos da banda, a fim de mostrar que o Orquídea seguia firme e resiliente. Após muitos pedidos de fãs, foi lançado em 2005, na primeira edição do Orquídea Rock Festival, o CD com a gravação daquele show.

A formação nesse álbum foi: Jean Varella (vocais), Vinícius Porto (guitarras), Robson Anadom (baixo) e Marcelo Menegotto (bateria).


Em 2012, já com André “Boca” de volta à banda, o Orquídea iniciou as gravações de “Blood of the Gods”. Sobre o retorno do vocalista original Robson é enfático: “A volta dele nos deu um grande ânimo, pois é um grande compositor. Ele não pode nos ouvir fazendo algum riff que já vem com uma letra e já começamos a compor algo novo, o que é algo natural para nós. O que acontece praticamente em todos os ensaios.”

“Blood of the Gods” foi lançado em 2014 no Brasil pela Dies Irae, e Europa através dos selos Secret Service e Metal Soldiers, o que inclusive também viabilizou o relançamento dos primeiros álbuns em CD com edições especiais, incluindo faixas bônus, slipcase e poster.


Sobre as gravações de “Blood of the Gods” Robson relembra algumas peculiaridades: “Foi curioso, pois o estúdio em que gravamos, ‘Olho da Lua’, mudou três vezes de lugar, por isso que demorou um pouco mais para terminarmos tudo. Sem falar que ele foi mixado e remixado umas 3 ou 4 vezes, até que o produtor, também tecladista, Daniel Dante Finardi e nós estivéssemos totalmente satisfeitos com o resultado final.”

A formação em "Blood of the Gods" foi: André "Boca" (vocais), Vinícius Porto (guitarras), Robson Anadom (baixo) e Raphael Marini (bateria)

Durante o período da pandemia, sem poder fazer shows, Robson compôs e gravou seu álbum solo “...and a New Story Begins”(2021). Em entrevista para o Road to Metal na época, Robson falou o seguinte sobre o trabalho: “O título já diz tudo, o início de uma nova história que estou escrevendo com este lançamento, pois certamente, será o primeiro de muitos. 

Não podemos ficar estagnados, temos que fazer algo a mais, mostrar que o mundo precisa de música.”


O Orquídea seguiu compondo e retomando a estrada logo que foi possível, com shows solo e em festivais, como mais uma apresentação marcante no tradicional Otacílio Rock Fest, em 2023, com Boca nos vocais, Robson no baixo, Vinícius na guitarra e Marco Antônio na bateria.
 
Em fevereiro de 2025 lançaram o vídeo para a inédita “Sacrifice”.  


A banda fala sobre a faixa: “Essa música foi gravada provavelmente em 2017, e estava guardada até agora. Felipe Holmack fez alguns shows com a banda em momentos em que o vocalista André Graebin não pôde se apresentar. Achamos que seria muito interessante, e como forma de eterna gratidão, ter o Felipe cantando em uma de nossas músicas.

Quando "Sacrifice" foi gravado, a banda também contava com o baterista Raphael Marini.

As Imagens do vídeo foram retiradas de arquivos pessoais de amigos, da própria banda, da internet, incluindo trabalhos realizados pelo amigo Maurício Garcia da Infinity Produtora.”

Em agosto de 2025 o Orquídea teve uma participação marcante na 12° Orquestra de Baterias de Florianópolis, e o vídeo emocionante com “Surrender” sendo tocada junto com a orquestra pode ser visto no YouTube ou no Instagram da banda, e contou com Gabriel Giotti nos vocais, já que André "Boca" afastou-se das atividades.


Em 2026, a banda vem fazendo shows comemorativos aos seus 40 anos, destacando as apresentações no Pauleira Rock Fest III e recentemente, dia 11/04/2026, no II Brothers of Rock, em Luzerna (SC), onde se apresentaram como um trio, com Robson assumindo os vocais, após a saída de Gabriel Giotti - que estava com a banda desde o final de 2024 - e esse formato trio permanecerá por enquanto.


A banda também disponibilizou merchandising alusivo aos 40 anos, o qual pode ser adquirido no link na bio do perfil do Orquídea no Instagram.

Muitas novidades ainda estão sendo trabalhadas para marcar esses 40 anos de resistência e amor ao Metal, como uma nova edição do Orquídea Rock Fest e a conclusão e lançamento do documentário com a história da banda.

A história do Orquídea Negra é de perseverança, sobrevivência e não desistir apesar das dificuldades, e eles seguem escrevendo páginas vencedoras, e muito reconhecimento ainda é merecido, e ele virá.

Como diz a música “Surrender”: 

“ I know what I have to do
I never surrender
I've made my own story
I never give up
So I never give up
So I never surrender”


Texto e Edição: Carlos Garcia 
Fotos: Arquivos da banda


O Orquídea Negra é:
Robson Anadom: baixo e vocais 
Vinícius Porto: guitarra e voz
Marco Antônio Alves Filho: bateria

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