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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Myrath: Entre Espelhos e Fórmulas

earMUSIC (Imp.)

Por Rosano Matiussi 

Salve, pessoal do Road to Metal. Eu sou o Rosano e essa é a minha primeira review aqui pro site. 

O álbum da vez é o Wilderness of Mirrors dos tunisianos do Myrath, lançado no dia 27 de março de 2026. O nome já me remeteu ao álbum “Vigil in a Wilderness of Mirrors” do Fish, primeiro vocalista dos gigantes do NeoProg, Marillion, mas isso é discussão para outro texto. 

Confesso a vocês que o Myrath nunca foi uma banda que me chamou muita atenção, então esse foi o álbum que eu dei mais atenção até agora. Talvez esse som que remete à uma atmosfera meio “Oriente Médio” não seja particularmente do meu gosto, mas longe de ser ruim ou mal-feito. 

O disco abre com The Funeral, uma faixa bem felizinha que poderia muito bem tocar num casamento (irônico, por tratar-se de uma música que chama-se THE FUNERAL). A produção do álbum já chega na cara, gostei bastante dos timbres usados e dos arranjos. Tudo soa bem no lugar. Agora, uma opinião impopular que pode até irritar alguns dos fãs da banda, mas isso é um tema que vai ser bem recorrente: Tudo é certinho demais, sabe? Eu acho que, em alguns momentos, falta aquele edge que deixa o disco um pouco mais sombrio. Falta um pouco de experimentação. 

Após a abertura, vem Until The End, que novamente traz, logo no começo, essa vibe bem Oriente Médio, que é a proposta do som. Essa música é mais interessante, tem um Hook bem legal e pegajoso, com um feat. Da Elize Ryd, que já passou pelo Amaranthe. É uma faixa cheia de energia e com um ritmo bem dinâmico. 

Breathing Near the Roar vem em sequência. Já é uma faixa que usa alguns clichês do gênero com mais frequência. Essa música poderia estar em algum disco do DGM ou do Circus Maximus. Felizinha demais pro meu palato, todavia, é bem executada como todo resto do disco. As linhas de baixo são bem interessantes e o timbre metálico ajuda a carregar a faixa.

Les Enfant Dus Soleil abre com um coral que, aparentemente, é cantado por crianças. O coral acompanha a melodia inicial do vocalista Zaher Zorgati que fez um trampo impecável no disco. A proposta da intro é bem legal e chama bastante atenção, desaguando posteriormente numa levada meio disco que foi bem inesperada. Eles apostaram bastante nos refrões pegajosos nesse disco, mais uma faixa com um Hook que gruda bem forte.

Still the Dawn Will Come abre com um riff que remete a o que algumas bandas de Metal Moderno estão fazendo. Curiosamente, me lembrou até algumas coisas do Caligula’s Horse. Uma pena que o riff morre nos primeiros segundos da música. Algo que me incomodou um pouco nesse disco é a falta de guitarra mais na cara. Parece que o guitarrista Malek Ben Arbia se escondeu um pouco atrás dos arranjos de teclado. Entendo que é isso pode ocorrer em bandas que têm uma presença bem forte de teclado, mas isso não impede de causar um certo grau de frustração, porque, nos momentos em que a guitarra tá bem na cara, o som tem bastante vida. 

The Clown começa com um riff que provavelmente todas as bandas de metal já fizeram na vida em algum momento. Algumas coisas nessa faixa não clicaram comigo. O Refrão passa um pouco do ponto com a tentativa de criar um hook pegajoso. Sabe quando você come aquele pudim doce demais? Essa faixa me deu essa sensação. Até o solo que fecha a faixa é bem sem graça. Pra ser honesto, os leads desse álbum deixam bastante a desejar. 

Soul of the Soul é a mandatória Power Ballad do álbum. Agora, tenho que ser muito sincero, eu já não sou fã de Power Ballads. Ela tem que ser MUITO boa pra funcionar pra mim, e definitivamente não é o caso dessa faixa. Um pianinho bem brega acompanha uma linha de vocal que poderia encerrar qualquer comédia romântica B-Side gravada nos anos 90. Tudo nessa faixa grita “forçação de barra”. Só de ter que escutar essa faixa repetidamente pra fazer essa review já me deixou deprimido. A faixa não vai pra lugar nenhum e acaba meio que do nada. Terrível. 

Edge of the Night já é uma track mais interessante, com uns ritmos bem diferentes. Algo que poderia ter sido explorado mais nesse disco. A vibe tunisiana nessa faixa tem uma atmosfera bem natural, é legal. Eu consigo escutar o que pareça uma Kalimba acompanhando o riff do verso. É uma faixa divertida. O som de batera desse disco tá animal, isso não posso negar. O som de bumbo tá afiado o suficiente pra cortar pela mix, mas ainda tem o grave que sustenta o som e não dá aquela impressão de artificialidade que tá tão comum nas produções de metal moderno da atualidade. 

A próxima track Echoes of the Fallen vem com um riff muito legal com, o que me parece, o uso de uma escala bizantina. Faltou mais isso no disco, músicas que abrem com um riff forte e com muita identidade. Os vocais aqui me lembraram bastante do que o Kamelot fazia no começo dos anos 2000, com o Roy Khan, à época. É uma faixa que possui bons momentos, provavelmente o trampo mais legal de guitarra do disco inteiro. Talvez a harmonia usada no refrão tenha jogado no seguro demais, mas tirando isso, é uma faixa legal. 

Through the Season é a saideira. Começa com uma bela melodia do que me parece ser um instrumento de sopro, depois desaguando com uma cama de strings digna de trilha sonora de cinema, acompanhada de um violão que dá uma atmosfera bem interessante. As linhas de teclado de Kévin Codfert ganharam bastante destaque no disco, no geral. Os arranjos são o ponto forte do álbum no geral, apesar de sentir que alguns momentos acaba caindo um pouco no brega. 

O disco, no geral, é bem competente no que se propõe. Os músicos são impecáveis e o álbum tem seus momentos altos, como também tem seus momentos baixos. Quando peguei esse disco para ouvir, confesso que um pouco do meu preconceito com esse tipo de Prog Metal (certinho demais) fez eu pensar que eu ia odiar cada segundo do disco, mas confesso que me surpreendi. 

O álbum definitivamente tem umas coisas legais, a produção tá bem interessante e tudo soa muito no lugar. Definitivamente, pra quem curte essa linha do Prog mais limpinho, vai gostar bastante do álbum! Vale dar uma conferida.

Nota Final: 7/10

Divulgação 


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