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sábado, 24 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Apocalyptica – 16/10/2026 – Carioca Club/SP

Apesar da sexta-feira chuvosa, o Carioca Club, em São Paulo, recebeu um bom público no último dia 16 para acompanhar o retorno do Apocalyptica ao país com a turnê Apocalyptica Plays Metallica Vol. 2. Formado pelos violoncelistas Eicca Toppinen, Perttu Kivilaakso e Paavo Lötjönen, o grupo finlandês contou com Mikko Kaakkuriniemi na bateria. A proposta de unir a música clássica à intensidade do heavy metal ganhou novos contornos nas mãos dos violoncelistas finlandeses, que revisitaram clássicos do Metallica e reservaram algumas surpresas para os fãs.

A introdução com “The Ecstasy of Gold”, composição de Ennio Morricone imortalizada na abertura dos shows do Metallica, preparou o clima para uma noite em que a força das cordas assumiria o protagonismo, sem deixar a agressividade das versões originais em segundo plano.

“Ride the Lightning” abriu a apresentação com peso e precisão, enquanto o público demonstrava entusiasmo e cantava o refrão. Na sequência, “Enter Sandman” elevou a temperatura do ambiente. Antes de começar, Eicca Toppinen saudou os presentes e pediu que todos cantassem junto, antecipando uma noite dedicada ao repertório do Metallica. A resposta veio de maneira arrebatadora: os fãs cantaram praticamente a música inteira, criando um daqueles momentos memoráveis da apresentação.

“Creeping Death” manteve a intensidade, com as vozes tentando acompanhar alguns versos até explodirem no refrão, enquanto “For Whom the Bell Tolls” reforçou a capacidade do Apocalyptica de reproduzir a atmosfera monumental dos clássicos sem depender de guitarras distorcidas para impor respeito.

Em seguida, “The Call of Ktulu” trouxe um dos momentos mais especiais da noite. Perttu Kivilaakso comentou que o público teria uma experiência incrível, e Eicca destacou a importância da faixa, gravada pelo Apocalyptica com a linha original de baixo de Cliff Burton. A lembrança do saudoso músico, cuja contribuição foi fundamental para a identidade sonora do Metallica, acrescentou um significado especial à execução.

Na sequência, veio uma das surpresas do repertório: “St. Anger”, faixa-título do controverso álbum lançado em 2003. Apesar da curiosidade despertada pela escolha, foi o momento que menos empolgou o público. Ao final, Perttu perguntou quem conhecia o disco e identificou um fã que demonstrava entusiasmo. Em tom bem-humorado, aproveitou para brincar com a possibilidade de ele também gostar de outro trabalho que dividiu opiniões: Lulu, colaboração do Metallica com Lou Reed lançada em 2011.

A reação mais morna, porém, ficou para trás quando “The Four Horsemen” recolocou a apresentação nos trilhos, seguida pela devastadora “Blackened”, que voltou a provocar uma resposta explosiva dos presentes. Sem grandes anúncios, o Apocalyptica emendou “Master of Puppets” e fez o Carioca Club praticamente vir abaixo.

A combinação entre a execução precisa dos violoncelos e a participação dos fãs mostrou como essas composições continuam poderosas mesmo quando reinterpretadas por instrumentos tradicionalmente associados à música erudita. A apresentação não se limitou a reproduzir melodias conhecidas: o grupo soube preservar a agressividade, as mudanças de andamento e a dramaticidade das composições, explorando as possibilidades de seus instrumentos para conferir novas nuances a cada arranjo.

Depois de tanta intensidade, “Nothing Else Matters” ofereceu uma pausa emocional e se transformou em um dos pontos altos da noite. A interpretação delicada, conduzida pelas cordas, encontrou no público um coro afinado e espontâneo. Perttu comentou que os fãs haviam transformado a casa no “Karaokê Club”, classificando aquele momento como o mais bonito de toda a turnê.

A observação fez sentido diante da participação calorosa, que deu à canção uma atmosfera particularmente emocionante. Na sequência, “Seek & Destroy” agitou o público, mas a surpresa ainda não havia terminado: o grupo também homenageou o Sepultura com “Refuse/Resist”, aproximando dois universos fundamentais do metal e arrancando uma reação especial dos fãs brasileiros. A homenagem demonstrou que a conexão com o público brasileiro vai além do tributo ao Metallica, passando também pelo reconhecimento do Sepultura como um dos maiores nomes do metal sul-americano.

Para encerrar a noite, “One” funcionou como uma escolha certeira, reunindo dramaticidade, peso e passagens de grande intensidade musical, com os versos de James Hetfield ganhando destaque na interpretação instrumental. A faixa coroou uma apresentação que mostrou como a música do Metallica permanece aberta a novas interpretações sem perder sua essência.

Mesmo com a chuva e o caráter tradicionalmente exigente de uma sexta-feira à noite, o bom público do Carioca Club participou ativamente de uma experiência que alternou momentos de pura agressividade, passagens emocionais e surpresas bem escolhidas. Com a turnê Apocalyptica Plays Metallica Vol. 2, os finlandeses reafirmaram sua identidade singular: transformar o violoncelo em instrumento de combate e provar que a fronteira entre a música clássica e o heavy metal pode ser muito mais estreita do que parece.

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: André Tavares


Realização: Overload Brasil

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Apocalyptica – setlist:

The Ecstasy of Gold

Ride the Lightning

Enter Sandman

Creeping Death

For Whom the Bell Tolls

The Call of Ktulu

St. Anger

The Four Horsemen

Blackened

Master of Puppets

Nothing Else Matters

Seek & Destroy / Refuse/Resist

One

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