terça-feira, 16 de junho de 2026

Venom: "Nós somos todos roqueiros e amamos o que fazemos"

Entrevista por: Renato Sanson

Lendas do metal mundial passando pelo nosso site!

Recentemente tivemos a honra de conversar com Dante, baterista da icônica banda de Black/Thrash Metal Venom, um dos nomes mais influentes e importantes da história da música pesada.

Em um bate-papo descontraído e repleto de histórias, falamos sobre a trajetória da banda, o momento atual e diversos assuntos que certamente irão interessar aos fãs do Metal extremo.

Se você é apaixonado por música pesada e quer conferir uma conversa exclusiva com uma verdadeira lenda do underground mundial, não perca esta entrevista.

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Como é tocar as músicas clássicas que ajudaram a moldar o heavy metal e manter o legado do Venom vivo?

É fantástico! Já faz 17 anos que estou na banda. Esta é a formação que está junta há mais tempo. Então, subir ao palco desde aquele primeiro show que fiz no México, em 2009, até o nosso próximo show, que será daqui a algumas semanas, na Suécia, é algo incrível. 

É sensacional tocar essas músicas que, como você disse, ajudaram a moldar o metal, e realmente moldaram. É uma honra, e é muito gratificante. Além disso, nós as misturamos com as novas músicas, e o repertório acaba ficando realmente épico.

Como você compara o Venom de hoje com o legado da banda no passado?

O legado do Venom e a forma como o Venom é. É uma banda de black metal, o que basicamente significa que é rock and roll, e rock and roll é um sentimento que você experimenta ao tocar. Nós somos todos roqueiros e amamos o que fazemos. Coloque a gente junto em um palco, é algo praticamente imparável. 

Então, essa paixão, desde os primeiros dias do Venom, desde o início da banda até agora, não mudou. São pessoas que querem subir ao palco e dar tudo de si, fazer o público enlouquecer, escrever músicas legais, gravar discos e lançar grandes álbuns. No fim das contas, é disso que tudo se trata.

Venom lançou um novo álbum este ano o excelente "Into Oblivion". Como tem sido a recepção até agora?

Tem sido fenomenal. E, sim, obviamente foi algo que levou muito tempo para acontecer, especialmente por causa de alguns contratempos que enfrentamos pelo caminho. Mas absolutamente tudo o que vi, li, ouvi das pessoas e acompanhei na internet ou em qualquer outro lugar foi nada menos do que um retorno incrível. Então, estamos muito, muito, muito satisfeitos com a recepção.

O que o símbolo do Venom significa para você?

É pura energia, música feita com o coração. Estamos falando de uma banda que existe há muito, muito tempo, e há uma razão para isso: nós amamos o que fazemos, e as pessoas amam o que fazemos. Então, é isso que o Venom significa.

Qual é o seu álbum favorito do Venom com você na banda? E existe algum álbum mais antigo que você não recomendaria?

Sobre a primeira parte da pergunta: meu álbum favorito do Venom em que participei... Não estou dizendo isso apenas porque é o disco mais recente, mas acredito que Into Oblivion (2026) captura essencialmente os nossos 17 anos juntos como esta formação. Esses 17 anos representam a formação mais duradoura da história do Venom desde o início da banda. Acho que, quando você escuta o álbum, percebe uma variedade muito grande de elementos. As músicas são bem diferentes entre si.

 Obviamente, você tem aquelas faixas mais típicas do Venom logo no começo, que fazem você pensar "uau!", mas depois o álbum segue por caminhos distintos. Há diferentes atmosferas, um toque mais progressivo em alguns momentos, um pouco de blues em outros, além de passagens que resgatam a sonoridade clássica do Venom. E ainda tem aquela música épica no final, "Unholy Mother". Também há canções que incluem vocais em estilo latino. Além disso, foi a primeira vez que eu e Rage, o guitarrista, cantamos em um álbum da banda.

Fizemos backing vocals em cerca de cinco músicas, algo que nunca havia acontecido antes. Então, sim, acho que este disco é muito especial. E acredito que a produção e o som em geral ficaram incríveis. Ele ainda mantém aquela essência clássica do Venom, mas a produção é mais limpa e definida, sem perder a agressividade e tudo aquilo que caracteriza a banda. Para mim, este álbum é fantástico. Eu adoro o que fizemos. Não estou falando isso apenas por obrigação. 

Claro que o primeiro álbum em que participei sempre terá um lugar especial, porque foi meu primeiro trabalho com a banda. Depois veio From the Very Depths (2015), que me impressionou muito pela força das músicas. E Storm the Gates (2018) também tem material excelente. Mas, sinceramente, acredito que Into Oblivion (2026) é um álbum extraordinário. É o meu favorito.

E a outra parte da pergunta… Eu não sei bem. Cada álbum tem a sua própria identidade em qualquer banda. Você pensa em qualquer banda, e cada álbum tem suas próprias características. Ele traz músicos diferentes de épocas diferentes, de momentos diferentes. 

Então, se você olhar o catálogo do Venom, vai ver coisas da formação original, depois mudanças de guitarristas, pessoas entrando e saindo ao longo do tempo. Mas todo mundo acaba trazendo a sua própria contribuição, algo único. E eu realmente não sei, essa é uma pergunta que me pegou de surpresa (risos).

Qual é o seu favorito: Welcome to Hell ou Black Metal?

Black Metal!


Welcome to Hell fantastico, Black Metal lendario! (risos)

Não me entenda mal: Welcome to Hell é um clássico absoluto. É o álbum de estreia e, na época, o black metal era algo bem diferente. Eles conseguiram reservar um horário e fazer a gravação quando o Welcome to Hell basicamente foi feito durante a noite. O Cronos estava trabalhando em um estúdio e, basicamente, o dono do estúdio disse: 'podem ir, vocês podem gravar um pouco'. 

Então eles foram fazer uma espécie de demo durante a noite, e o que o mundo inteiro conhece como Welcome to Hell veio daquela noite, daquela demo que eles fizeram. E eu acho que a vibe disso foi algo que o mundo nunca tinha ouvido antes. O som que eles criaram, e também a arte e a imagem da banda, tudo isso caminhou junto. E é isso que tornou o Venom tão único e especial. Mas sim, é ótimo. Ainda assim, eu prefiro Black Metal. 

Para encerrar, uma pergunta polêmica: eu gosto tanto da era Cronos quanto da era do Demolition Man. E você?

Para mim, obviamente, o Cronos.

Eu prefiro o Cronos, mas também gosto do Demolition Man. Ambos têm bons álbuns.

Sim, eu acho que só ouvi uma faixa... Toda banda tem pessoas que entram, saem e vão embora. Mas a questão é: quando você pensa em Venom, em quem você pensa?

Venom é igual a Cronos (risos).

Isso não é desrespeito a ninguém, mas simplesmente é assim. Quando a gente está montando as músicas, algumas das músicas que escrevemos podem ser um pouco diferentes, então o Cronos vai para o microfone, canta e aí pronto, é Venom. Ele tem aquela voz inconfundível. É como uma assinatura, é como o carimbo do Venom. É isso.

Obrigado! Venom é fantástico! É uma honra para mim essa entrevista.

Valeu, cara! Foi bom falar com você, Renato!

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