sexta-feira, 12 de junho de 2026

Strigah: Quando o Metal Vira Arte

Coffinjoe Records (Nac.)

Zoetia: O álbum que vai mudar o que você pensa sobre o metal brasileiro  

Por Paula Butter

Confesso que, após pesquisar sobre a proposta da banda paulistana Strigah, me peguei ansiosa para iniciar a audição cuidadosa de Zoetia, pois a qualidade dos músicos e a proposta disruptiva das faixas é interessante demais para gerar comparações.  

Vamos lá: antes de mais nada, vale elogiar todo o processo de lançamento da obra, com interações dos artistas com o público e explicações a respeito dos conceitos das músicas, a fim de não gerar especulações errôneas por parte dos haters de plantão.  

O som da banda é de uma qualidade excepcional, com destaque para a coesão perfeita entre letras e instrumentos. As composições em português são cuidadosamente elaboradas, com mensagens e gritos direcionados à realidade extrema que a sociedade está vivenciando. Entretanto, existem momentos de calma e pacificação da alma, com melodias de pura musicalidade brasileira. A dicotomia de Zoetia deu muito certo e conseguiu fugir do “lugar comum” com muita facilidade.  

A explicação que encontrei para esta perfeita viagem musical foi: "é como ser a Alice no País das Maravilhas". Em meio ao caos necessário, encontram-se a beleza, a força interior e o misticismo levado a sério. Atualmente, no cenário nacional, este álbum é uma preciosidade, diferente de tudo o que já estamos acostumados a ouvir. São aquelas obras que podemos apreciar mil vezes e sempre encontraremos nuances antes não percebidas, pérolas escondidas, acordes que falam sem palavras.

É necessário destacar também a arte do álbum, da artista Jennifer Erny. Em meio ao mundo ditado pelas inteligências artificiais, o talento humano ecoa ainda mais forte.   

Por fim, é uma obra necessária para o cenário nacional atual e uma lição de casa para todos os amantes de boa música, pesada ou não. Acredito que os paulistanos do Strigah já estão mais do que prontos para voos maiores. 

A banda é formada por Kaio Felipe nos vocais, Samanta Tica no baixo, Eleonardo de Paula na bateria e Matheus Figueredo na guitarra. O álbum foi lançado pela CoffinJoe Records.

João Miguel - @_jmiguelr_


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