segunda-feira, 20 de julho de 2026

Motionless In White: Vinte anos de evolução sem abrir mão da própria identidade (Also In English)

Roadrunner Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Celebrar duas décadas de carreira é um privilégio reservado a poucas bandas dentro do metal moderno. Desde sua formação em 2005, na Pensilvânia (EUA), o Motionless In White construiu uma identidade própria ao combinar metalcore, industrial, nu metal, metal alternativo e elementos eletrônicos sob uma estética inspirada no horror, no gótico e na cultura pop sombria. Ao longo dos anos, o grupo liderado por Chris Motionless refinou sua sonoridade sem abandonar a agressividade que conquistou sua base de fãs. Em Decades, lançado pela Roadrunner Records para celebrar os 20 anos da banda, o quinteto apresenta um trabalho que revisita sua trajetória enquanto aponta para o futuro, reunindo peso, melodias marcantes e participações especiais que ampliam ainda mais a experiência do álbum.

O conceito de Decades funciona como uma homenagem à própria história do Motionless In White. O encarte reforça esse caráter comemorativo com uma direção artística impecável, repleta de referências visuais à estética sombria que acompanha a banda desde seus primeiros lançamentos. É um material que dialoga diretamente com os fãs de longa data, mas que também serve como porta de entrada para quem está conhecendo o grupo.

Na parte técnica, a produção assinada por Drew Fulk e Justin DeBlieck é um dos grandes triunfos do álbum. Ambos encontram um equilíbrio admirável entre brutalidade e acessibilidade, entregando uma mixagem extremamente limpa, poderosa e moderna. Cada instrumento ocupa seu espaço sem comprometer a intensidade das composições, enquanto os elementos eletrônicos são incorporados de forma orgânica, enriquecendo as músicas sem jamais ofuscar o peso das guitarras.

Chris Motionless vive um dos melhores momentos de sua carreira. Sua interpretação é intensa e convincente, transitando naturalmente entre vocais limpos extremamente melódicos e guturais rasgados carregados de emoção e agressividade. A dinâmica vocal acrescenta dramaticidade às composições e reforça o caráter cinematográfico presente em boa parte do repertório.

As guitarras entregam riffs encorpados, grooves impressionantes e uma quantidade generosa de camadas que tornam cada faixa rica em detalhes. São aqueles grooves que fazem qualquer headbanger bater cabeça naturalmente. O baixo aparece firme, preenchendo a sonoridade com profundidade e sustentação, enquanto a bateria alterna precisão técnica, peso e criatividade, acompanhando perfeitamente as constantes mudanças de atmosfera do disco.

O grande mérito de Decades está justamente em sua capacidade de fundir diferentes estilos sem soar exagerado. Nu metal, industrial, metal alternativo, metalcore e música eletrônica convivem em perfeita harmonia, resultando em um álbum extremamente envolvente, energético e moderno. Os refrões são explosivos, memoráveis e fáceis de assimilar, tornando o trabalho acessível inclusive para quem normalmente não acompanha o metalcore. O Motionless In White demonstra maturidade artística ao refinar sua técnica sem sacrificar a essência que definiu sua carreira.

A faixa-título, "Decades", sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. Combinando peso, melodias marcantes e uma atmosfera grandiosa, ela funciona como uma verdadeira declaração de identidade da banda e representa com competência o espírito comemorativo do trabalho.

Em "R.I.P.", a participação de Skylar Grey acrescenta uma dimensão emocional impressionante. A introdução conduzida por sua voz delicada cria um contraste marcante antes da explosão instrumental comandada pelo Motionless In White. O resultado é uma das músicas mais cinematográficas do álbum, alternando momentos de vulnerabilidade e intensidade com enorme eficiência.

"Fight Like Hell" aposta fortemente na influência do nu metal, trazendo grooves pesados, refrão explosivo e uma energia contagiante. Chris Motionless conduz a faixa com autoridade, transformando-a em um dos momentos mais empolgantes do disco.

"Playing God", com a participação especial de Corey Taylor, certamente figura entre os grandes destaques de Decades. A química entre os dois vocalistas é impressionante. As alternâncias entre vocais limpos e guturais elevam ainda mais a intensidade da composição, enquanto Corey entrega uma performance agressiva, raivosa e extremamente carismática, acrescentando ainda mais peso ao resultado final.

Em "Blood Rave", com participação de Anthony Martinez, a banda surpreende ao explorar uma atmosfera de balada gótica moderna. Hipnótica, envolvente e bastante diferente do restante do repertório, a música aposta em sintetizadores, batidas eletrônicas e um refrão dançante que permanece na memória após poucas audições. Aqui, os elementos eletrônicos assumem o protagonismo, demonstrando a versatilidade do grupo.

"Love At First Bite" mergulha de vez na temática vampiresca que sempre permeou parte da estética do Motionless In White. A composição incorpora influências da música dos anos 1980 sem abrir mão da produção moderna, criando uma atmosfera elegante, sedutora e divertida.

Em "Afraid Of The Dark", a banda entrega um dos momentos mais emocionantes do álbum. A abertura com guturais rasgados estabelece imediatamente um clima dramático que logo dá lugar a passagens melódicas extremamente marcantes. O refrão é envolvente, grandioso e reforça o equilíbrio entre agressividade e sensibilidade que caracteriza o disco.

A atmosfera retrô retorna em "Sunglasses At Night", que flerta com o AOR e o synth rock dos anos 1980 sem perder o peso contemporâneo. O resultado é uma faixa divertida, nostálgica e surpreendentemente dançante, capaz de agradar tanto aos fãs de metal quanto ao público que aprecia a estética das tradicionais baladas góticas.

Fechando a edição com uma energia extra, a bonus track "Fight Like Hell", desta vez com participação do Outlier, oferece uma nova leitura para uma das músicas mais fortes do álbum, encerrando Decades com a mesma intensidade que acompanha toda sua execução.

Decades não é apenas uma celebração dos 20 anos do Motionless In White, mas também uma demonstração clara de maturidade artística. A banda encontrou um equilíbrio raro entre agressividade, melodia, experimentação e apelo comercial, entregando um álbum que respeita sua identidade enquanto amplia seus horizontes musicais. Com produção impecável de Drew Fulk e Justin DeBlieck, performances inspiradas e composições repletas de refrões marcantes e grooves irresistíveis, o disco reafirma por que o Motionless In White continua sendo uma das principais forças do metal moderno.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of a band's career is a privilege reserved for only a handful of acts in modern metal. Since forming in 2005 in Pennsylvania, USA, Motionless In White has forged a distinctive identity by blending metalcore, industrial, nu metal, alternative metal, and electronic elements under an aesthetic inspired by horror, gothic culture, and dark pop culture. Over the years, the band led by Chris Motionless has refined its sound without sacrificing the aggression that won over its loyal fanbase. With Decades, released through Roadrunner Records to commemorate the band's 20th anniversary, the quintet delivers a record that honors its past while looking firmly toward the future, combining crushing heaviness, memorable melodies, and high-profile guest appearances that elevate the listening experience.

The concept behind Decades serves as a tribute to Motionless In White's own legacy. The album booklet reinforces its commemorative nature through impeccable artistic direction, packed with visual references to the dark aesthetic that has accompanied the band since its earliest releases. It is a package that speaks directly to longtime fans while also serving as an inviting gateway for newcomers.

From a technical standpoint, the production by Drew Fulk and Justin DeBlieck stands as one of the album's greatest strengths. The duo achieves an admirable balance between brutality and accessibility, delivering a mix that is exceptionally clean, powerful, and modern. Every instrument occupies its own space without compromising the intensity of the compositions, while the electronic elements are seamlessly integrated, enhancing each track without ever overshadowing the crushing guitar work.

Chris Motionless delivers one of the finest vocal performances of his career. His interpretation is both powerful and convincing, moving effortlessly between soaring clean vocals and raw, emotionally charged screams. This dynamic vocal approach adds dramatic weight to the compositions and reinforces the cinematic atmosphere that defines much of the album.

The guitars unleash thick riffs, infectious grooves, and multiple layers that make every song feel rich and detailed. These are the kind of grooves that naturally make every headbanger bang their head with a smile. The bass provides a solid and commanding foundation, adding depth and fullness to the overall sound, while the drums combine technical precision, power, and creativity, perfectly complementing the album's constant shifts in mood and intensity.

Decades truly shines in its ability to merge different musical styles without ever sounding forced or excessive. Nu metal, industrial, alternative metal, metalcore, and electronic music coexist in remarkable harmony, resulting in an album that feels energetic, immersive, and refreshingly modern. The choruses are explosive, instantly memorable, and highly accessible, making the record appealing even to listeners who are not typically fans of metalcore. Motionless In White demonstrates remarkable artistic maturity by refining its craft without sacrificing the essence that has defined its career.

The title track, "Decades" perfectly encapsulates the album's overall vision. Combining crushing heaviness, memorable melodies, and a grand cinematic atmosphere, it serves as a powerful statement of identity while capturing the celebratory spirit of the record.

On "R.I.P." Skylar Grey brings an impressive emotional dimension to the song. Her angelic vocal introduction creates a striking contrast before Motionless In White unleashes its instrumental intensity. The result is one of the album's most cinematic moments, effortlessly balancing vulnerability and sheer power.

"Fight Like Hell" fully embraces its nu metal influences through heavy grooves, an explosive chorus, and infectious energy. Chris Motionless commands the song with confidence, turning it into one of the album's most adrenaline-fueled highlights.

"Playing God" featuring Corey Taylor, is undoubtedly among the standout tracks on Decades. The chemistry between both vocalists is undeniable. Their interplay between clean vocals and guttural screams elevates the song's intensity, while Corey delivers a fierce, aggressive, and emotionally charged performance that adds even more weight to the final result.

On "Blood Rave" featuring Anthony Martinez, the band surprises listeners by exploring the atmosphere of a modern gothic ballad. Hypnotic, immersive, and unlike anything else on the album, the song relies on lush synthesizers, electronic textures, and a danceable chorus that lingers long after it ends. Here, the electronic arrangements take center stage, highlighting the band's impressive versatility.

"Love At First Bite" fully embraces a vampiric atmosphere that has long been part of Motionless In White's artistic identity. The song incorporates clear influences from 1980s music while maintaining a thoroughly modern production, resulting in an elegant, seductive, and highly entertaining composition.

With "Afraid Of The Dark" the band delivers one of the album's most emotionally impactful moments. The opening guttural screams immediately establish a dramatic tone before giving way to soaring melodic passages. Its captivating chorus reinforces the balance between aggression and emotion that defines the record.

The retro influences return on "Sunglasses At Night" a track that flirts with AOR and 1980s synth rock without sacrificing contemporary heaviness. The result is an irresistibly fun, nostalgic, and danceable song that is likely to appeal not only to metal fans but also to listeners who appreciate the atmosphere of classic gothic club anthems.

Closing the special edition with an extra burst of energy, the bonus version of "Fight Like Hell" featuring Outlier, offers a fresh interpretation of one of the album's strongest tracks, bringing Decades to an intense and satisfying conclusion.

Decades is far more than a celebration of Motionless In White's twenty-year career; it is a compelling demonstration of artistic maturity. The band has achieved a rare balance between aggression, melody, experimentation, and mainstream appeal, delivering an album that remains faithful to its identity while confidently expanding its musical horizons. Backed by the outstanding production of Drew Fulk and Justin DeBlieck, inspired performances, unforgettable choruses, and irresistible grooves, Decades reaffirms why Motionless In White continues to stand among the leading forces in modern metal.



Dominum: O Horror Nunca Foi Tão Contagiante (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Em poucos anos de existência, o Dominum conseguiu algo que muitas bandas levam uma carreira inteira para alcançar: criar uma identidade facilmente reconhecível. Liderado pelo irreverente Dr. Dead, o grupo alemão transformou o imaginário dos filmes de horror em sua principal assinatura, misturando power metal moderno, hard rock, elementos cinematográficos e uma estética inspirada em monstros clássicos do cinema. Em The Night Is Calling, a banda não reinventa sua fórmula — e nem precisa. O grande mérito do terceiro álbum está justamente em aperfeiçoá-la, entregando o trabalho mais refinado, coeso e envolvente de sua discografia.

Essa evolução fica evidente logo na produção. O álbum apresenta um equilíbrio muito maior entre o peso das guitarras, os arranjos orquestrais e os elementos eletrônicos, criando uma atmosfera cinematográfica sem perder a agressividade característica da banda. A mixagem é limpa e encorpada, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço com naturalidade. As guitarras alternam riffs pesados, harmonizações melódicas e solos muito bem construídos, enquanto baixo e bateria sustentam as composições com precisão e impacto. Nos vocais, Dr. Dead continua sendo o grande diferencial do Dominum, explorando timbres limpos, passagens rasgadas e uma interpretação extremamente teatral, capaz de dar personalidade a cada faixa. O resultado é um disco que soa maior, mais confiante e tecnicamente mais sólido do que seus antecessores.

Se os trabalhos anteriores já mostravam uma banda com enorme facilidade para criar refrões memoráveis, The Night Is Calling demonstra que o Dominum também evoluiu na construção das músicas. Os arranjos são mais ricos, as transições acontecem de forma mais natural e existe um cuidado maior em desenvolver as atmosferas antes de explodir em refrões gigantescos. Tudo parece pensado para transformar cada faixa em uma pequena experiência cinematográfica.

A experiência começa em clima de espetáculo com "The Circus Is In Town", que abre o álbum como se as cortinas de um circo macabro estivessem se abrindo diante do ouvinte. Entre riffs marcantes e uma ambientação digna de um filme de terror, a música entrega um dos refrões mais fortes do disco logo de cara. 

Na sequência, "Doctor Doctor" mantém a energia em alta com uma pegada contagiante e mais um refrão que permanece na cabeça muito depois que a música termina. Aliás, essa talvez seja a maior qualidade de The Night Is Calling: praticamente todas as faixas possuem melodias incrivelmente grudentas, daquelas que fazem o ouvinte voltar ao álbum assim que ele termina.

Em "Nosferatu", o Dominum presta homenagem a um dos maiores ícones do horror com uma composição que equilibra peso, melodia e atmosfera de maneira muito eficiente. 

Já a faixa-título "The Night Is Calling" ganha um brilho especial com a participação da brasileira Marina La Torraca da banda Beattle Beast. Sua interpretação acrescenta um contraste melódico muito bonito à voz de Dr. Dead, tornando a música ainda mais grandiosa e emocional.

Outro dos grandes momentos do álbum é a releitura de "Thriller", clássico imortal de Michael Jackson. Em vez de simplesmente reproduzir a versão original em formato metal, o Dominum faz a música parecer parte de seu próprio universo. A homenagem é divertida, pesada, cheia de personalidade e combina perfeitamente com a proposta estética da banda, tornando-se uma das versões mais criativas do disco.

O encerramento com "Hey Living People (Acoustic)" mostra uma faceta diferente do grupo. Ao reduzir o peso e apostar em uma abordagem mais intimista, a banda evidencia a força da composição e encerra o álbum de maneira elegante, provando que suas músicas continuam funcionando mesmo sem toda a grandiosidade da produção.

The Night Is Calling talvez não seja um álbum revolucionário, mas também nunca teve essa pretensão. Seu objetivo é divertir, transportar o ouvinte para um universo inspirado no horror clássico e entregar uma coleção de músicas que permanecem na memória graças aos refrões explosivos e às melodias extremamente viciantes. Mais refinado que seus antecessores, com produção impecável e uma execução segura de toda a banda, o novo trabalho confirma que o Dominum encontrou sua identidade e continua evoluindo sem perder a essência.

The Night Is Calling é daqueles discos que recompensam cada nova audição. Quanto mais se ouve, mais detalhes aparecem — e mais difícil fica tirar seus refrões da cabeça.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

In just a few years, Dominum has accomplished something many bands spend an entire career striving for: creating an instantly recognizable identity. Led by the irreverent Dr. Dead, the German outfit has turned the imagery of classic horror films into its defining trademark, blending modern power metal, hard rock, cinematic elements, and an aesthetic inspired by legendary movie monsters. With The Night Is Calling, the band doesn't reinvent its formula—and it doesn't need to. The album's greatest strength lies in refining every aspect of it, resulting in the most polished, cohesive, and engaging release in the band's discography.

That evolution becomes apparent from the very beginning with the album's production. It achieves a far more balanced interplay between crushing guitar work, orchestral arrangements, and electronic elements, creating a cinematic atmosphere without sacrificing the band's trademark heaviness. The mix is clear, powerful, and well-balanced, allowing every instrument to breathe naturally. The guitars shift effortlessly between heavy riffs, melodic harmonies, and expertly crafted solos, while the bass and drums provide a solid, impactful foundation throughout the record. On vocals, Dr. Dead remains Dominum's greatest asset, moving seamlessly between clean singing, gritty passages, and an intensely theatrical performance that gives each song its own unique personality. The result is an album that feels bigger, more confident, and technically stronger than anything the band has released before.

While the previous albums already proved Dominum's remarkable ability to write unforgettable choruses, The Night Is Calling also showcases significant growth in songwriting. The arrangements are richer, transitions flow more naturally, and there's a stronger emphasis on building atmosphere before exploding into massive, arena-ready refrains. Every track feels carefully crafted to deliver its own miniature cinematic experience.

That experience begins spectacularly with "The Circus Is In Town" which opens the album as though the curtains of a sinister carnival are rising before the listener. Driven by memorable riffs and a horror movie-worthy atmosphere, the song immediately delivers one of the album's strongest choruses.

Next comes "Doctor Doctor" keeping the momentum alive with infectious energy and yet another chorus that lingers long after the song ends. In fact, this may be The Night Is Calling's greatest strength: nearly every track features irresistibly catchy melodies that make listeners want to start the album all over again as soon as it finishes.

On "Nosferatu" Dominum pays tribute to one of horror's greatest icons with a composition that masterfully balances heaviness, melody, and atmosphere.

The title track "The Night Is Calling" shines even brighter thanks to the guest appearance of Brazilian singer Marina La Torraca from the band Battle Beast . Her performance creates a beautiful melodic contrast with Dr. Dead's voice, making the song even more grandiose and emotionally compelling.

Another standout moment is the band's reinterpretation of Michael Jackson immortal classic "Thriller". Rather than simply transforming the original into a metal version, Dominum makes the song feel like a natural part of its own universe. The result is fun, heavy, full of personality, and perfectly aligned with the band's horror-inspired aesthetic, making it one of the album's most creative highlights.

The record closes with "Hey Living People (Acoustic)" revealing a different side of the band. By stripping away the heaviness in favor of a more intimate approach, Dominum highlights the strength of the songwriting and brings the album to an elegant conclusion, proving that its compositions remain compelling even without the full weight of the production.

The Night Is Calling may not be a revolutionary album, but it never sets out to be one. Its mission is to entertain, immerse listeners in a world inspired by classic horror, and deliver a collection of songs that remain unforgettable thanks to explosive choruses and irresistibly addictive melodies. More refined than its predecessors, backed by impeccable production and confident performances across the board, the band's latest effort confirms that Dominum has found its identity and continues to evolve without losing the essence that makes it so distinctive.

The Night Is Calling is one of those albums that rewards every repeat listen. The more you hear it, the more details emerge—and the harder it becomes to get its massive choruses out of your head.

Divulgação


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Seven Spires: Uma Obra Ainda Maior (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

A celebração definitiva de um dos grandes álbuns do metal moderno

Por Michelle F. Santana 

Desde sua formação em 2013, em Boston, Massachusetts (EUA), o Seven Spires consolidou uma identidade singular dentro do metal contemporâneo. Sem se prender às convenções de um único estilo, o quarteto construiu uma sonoridade que transita naturalmente entre o metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo. Essa identidade musical é conduzida por composições grandiosas, mudanças dinâmicas constantes e uma escrita extremamente rica, capaz de equilibrar técnica, intensidade e emoção. Em A Fortress Called Home (Master Key Edition), a banda não apenas revisita um de seus trabalhos mais importantes, como oferece a forma mais completa de apreciá-lo.

Originalmente lançado em 2024, A Fortress Called Home já demonstrava uma banda em plena maturidade artística. O álbum aborda temas como pertencimento, identidade, perda, esperança e reconstrução, transformando a ideia de uma "fortaleza" em um refúgio emocional diante das adversidades. A Master Key Edition amplia essa experiência ao reunir três discos: o álbum original, incluindo a versão acústica de "House of Lies", lançada anteriormente na edição deluxe; um segundo disco inteiramente instrumental; e um terceiro dedicado a versões orquestradas e registros ao vivo gravados durante turnês recentes, incluindo apresentações em Tilburg e Montréal. Mais do que um relançamento, esta edição funciona como uma celebração do encerramento do ciclo de A Fortress Called Home e da evolução artística do Seven Spires.

Grande parte da força da banda está na impressionante performance de Adrienne Cowan. Poucas vocalistas transitam com tanta naturalidade entre vocais limpos, guturais extremos e técnicas oriundas do teatro musical. Sua impressionante extensão vocal e o controle absoluto da dinâmica permitem que percorra diferentes registros com absoluta fluidez, passando da delicadeza quase etérea à agressividade mais extrema sem perder precisão ou expressividade. Sua versatilidade impressiona, mas jamais soa como uma demonstração gratuita de virtuosismo. Cada escolha interpretativa serve à narrativa das músicas, carregando diferentes nuances emocionais conforme os arranjos evoluem. Adrienne entrega uma performance impecável, alternando delicadeza, dramaticidade e agressividade com naturalidade, consolidando-se como uma das vocalistas mais completas da atualidade.

Nas guitarras, Jack Kosto entrega riffs inspirados, harmonizações sofisticadas e solos tecnicamente brilhantes, sempre a serviço das composições. Sua execução amplia o caráter épico das músicas sem jamais soar excessiva. O baixo de Peter de Reyna acrescenta profundidade às harmonias e fortalece a base melódica do álbum, enquanto Chris Dovas demonstra enorme versatilidade na bateria, conduzindo com precisão as constantes mudanças de andamento e dinâmica que caracterizam o repertório.

Entre os destaques, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" permanece como uma das faixas mais enérgicas do álbum. A intensidade dos riffs, a bateria pulsante e a constante sensação de movimento fazem dela um dos momentos mais explosivos do disco, equilibrando agressividade e melodias marcantes com impressionante naturalidade.

"Almosttown" evidencia uma das grandes virtudes composicionais do Seven Spires: a capacidade de construir melodias memoráveis sem abrir mão da complexidade dos arranjos. A faixa alterna momentos de introspecção e explosão de maneira orgânica, criando uma narrativa dinâmica que mantém o ouvinte completamente envolvido do início ao fim. É uma composição que sintetiza com precisão o equilíbrio entre peso, emoção e refinamento característico da banda.

"Love's Souvenir" apresenta uma das experimentações mais interessantes do álbum ao incorporar elementos de jazz à identidade musical do Seven Spires. A fusão entre harmonias sofisticadas e a intensidade do metal acontece de forma extremamente natural, conferindo personalidade única à faixa. O resultado é uma composição elegante, imprevisível e rica em nuances, reforçando a disposição da banda em expandir seus horizontes sem perder sua essência.

"Architect of Creation" representa um dos momentos mais pesados e grandiosos de A Fortress Called Home. Os riffs agressivos, a bateria intensa e a alternância entre vocais limpos e guturais transformam a faixa em uma demonstração da capacidade do Seven Spires de unir brutalidade e sofisticação em uma mesma composição.

Por sua vez, "Emerald Necklace" revela um lado mais contemplativo do álbum. Adrienne conduz a música com vocais limpos, emocionais e extremamente equilibrados, enquanto os arranjos crescem gradualmente até culminar em um solo de guitarra inspirado e emocionante. Trata-se de uma balada grandiosa, sensível e cuidadosamente construída, capaz de emocionar sem recorrer a excessos.

"Where Sorrows Bear My Name" inicia de forma atmosférica, envolta por elementos característicos do metal sinfônico. A interpretação de Adrienne começa delicada e melódica, mas evolui progressivamente para seus guturais característicos, intensificando a dramaticidade da composição e reforçando o contraste entre beleza e brutalidade que permeia toda a obra.

Entre todas as composições, "House of Lies" talvez seja a que melhor sintetize a essência emocional de A Fortress Called Home. Sua versão original já impressiona pela interpretação intensa e pela profundidade de sua construção melódica. Já a versão acústica, lançada anteriormente na edição deluxe e incorporada a esta edição, reduz os arranjos ao essencial e evidencia ainda mais a sensibilidade da composição e da interpretação de Adrienne, tornando sua carga emocional ainda mais impactante.

Um dos maiores méritos da Master Key Edition está justamente na maneira como ela convida o ouvinte a redescobrir A Fortress Called Home sob diferentes perspectivas. O segundo disco, composto integralmente por versões instrumentais, vai muito além de um material complementar. Ao retirar os vocais do centro da experiência, o Seven Spires permite que toda a arquitetura de suas composições seja apreciada em primeiro plano. Guitarras, baixo, bateria e teclados revelam camadas que muitas vezes passam despercebidas na audição tradicional, evidenciando não apenas o virtuosismo técnico do quarteto, mas também o cuidado na construção dos arranjos, na produção e na riqueza de detalhes que sustentam cada música.

É justamente nesse contexto que o trabalho de Jack Kosto, Peter de Reyna e Chris Dovas ganha ainda mais destaque. As harmonizações de guitarra, as linhas de baixo cuidadosamente elaboradas e a precisão da bateria demonstram que a força do Seven Spires não depende exclusivamente da impressionante performance vocal de Adrienne Cowan. Pelo contrário: cada integrante desempenha um papel fundamental na construção dessa identidade sonora sofisticada, em que cada elemento ocupa seu espaço sem comprometer a coesão do conjunto.

O terceiro disco amplia ainda mais essa experiência ao apresentar versões orquestradas e registros ao vivo. As releituras sinfônicas de "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" e "Architect of Creation" reforçam a grandiosidade das composições, destacando melodias, contrapontos e texturas que dialogam naturalmente com a linguagem da música orquestral. Longe de parecerem meros exercícios de rearranjo, essas versões evidenciam o quanto as composições do Seven Spires já nasceram com uma estrutura profundamente cinematográfica e narrativa.

Os registros ao vivo funcionam como a celebração perfeita para o encerramento desse ciclo. As performances de "Succumb", clássico de Emerald Seas (2020), além de "Love's Souvenir", "Wanderer's Prayer" e "Gods of Debauchery", originalmente presentes em Gods of Debauchery (2021), capturam toda a intensidade que o grupo desenvolveu nos palcos durante as últimas turnês. Gravadas em apresentações realizadas em Tilburg e Montréal, essas versões acrescentam espontaneidade, energia e emoção, demonstrando como o repertório evoluiu naturalmente diante do público.

Mesmo dois anos após seu lançamento original, A Fortress Called Home permanece surpreendente. Poucos álbuns recentes conseguem oferecer uma experiência tão recompensadora a cada nova audição. Suas composições continuam revelando detalhes antes despercebidos, os arranjos apresentam uma riqueza impressionante de informações e a fusão entre metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo permanece orgânica, equilibrada e extremamente sofisticada. O Seven Spires evita soluções fáceis, refrões excessivamente previsíveis e estruturas convencionais, preferindo investir em narrativas musicais densas, atmosferas cuidadosamente construídas e ganchos melódicos inteligentes que recompensam o ouvinte mais atento.

A Fortress Called Home já nasceu grandioso. A Master Key Edition busca reafirmar a força de uma obra que continua surpreendente a cada audição. Ao reunir o álbum original, versões instrumentais, releituras orquestrais e registros ao vivo, o Seven Spires demonstra que suas composições mantêm a mesma intensidade independentemente da roupagem que recebem. Mais do que uma edição expandida, este lançamento celebra o encerramento de um ciclo criativo brilhante e reafirma o quarteto como um dos nomes mais inventivos, ambiciosos e tecnicamente refinados do metal contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

The Definitive Celebration of One of Modern Metal's Finest Albums

Since their formation in 2013 in Boston, Massachusetts, Seven Spires have established a singular identity within contemporary metal. Refusing to be confined by the conventions of any single subgenre, the quartet has crafted a sound that seamlessly blends symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal. Their musical identity is driven by grandiose songwriting, constant dynamic shifts, and remarkably intricate compositions that balance technical prowess, intensity, and emotional depth. With A Fortress Called Home (Master Key Edition), the band not only revisits one of its most significant works but also offers the most comprehensive way to experience it.

Originally released in 2024, A Fortress Called Home already showcased a band operating at the height of its creative maturity. The album explores themes of belonging, identity, loss, hope, and renewal, transforming the concept of a "fortress" into an emotional sanctuary amid life's adversities. The Master Key Edition expands this experience by bringing together three discs: the original album, including the acoustic version of "House of Lies," previously available only on the deluxe edition; a second disc featuring entirely instrumental versions; and a third dedicated to orchestral arrangements and live recordings captured during recent tours, including performances in Tilburg and Montréal. Rather than a simple reissue, this edition serves as a celebration of the closing chapter of A Fortress Called Home and Seven Spires' remarkable artistic evolution.

Much of the band's strength lies in Adrienne Cowan's extraordinary performance. Few vocalists transition so effortlessly between pristine clean vocals, ferocious harsh vocals, and techniques drawn from musical theater. Her remarkable vocal range and exceptional dynamic control allow her to move seamlessly across vastly different registers, shifting from ethereal delicacy to uncompromising aggression without ever sacrificing precision or expressiveness. Her versatility is astonishing, yet it never feels like an exercise in virtuosity for its own sake. Every interpretative choice serves the songs' narrative, conveying a wide range of emotional nuances as the arrangements unfold. Adrienne delivers a flawless performance, effortlessly balancing tenderness, drama, and aggression while firmly establishing herself as one of the most complete vocalists in modern metal.

On guitar, Jack Kosto delivers inspired riffs, sophisticated harmonies, and technically dazzling solos, always in service of the compositions themselves. His playing enhances the music's epic character without ever becoming excessive. Peter de Reyna's bass adds depth to the harmonic foundation while reinforcing the album's melodic core, and Chris Dovas demonstrates remarkable versatility behind the drum kit, navigating the constant tempo changes and dynamic shifts that define the band's songwriting with absolute precision.

Among the album's highlights, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" remains one of its most energetic moments. Driven by crushing riffs, relentless drumming, and an ever-present sense of momentum, the track stands as one of the record's most explosive offerings, balancing aggression and memorable melodies with impressive ease.

"Almosttown" showcases one of Seven Spires' greatest compositional strengths: the ability to craft unforgettable melodies without sacrificing the complexity of their arrangements. The song moves organically between introspective passages and explosive climaxes, creating a dynamic narrative that keeps the listener fully engaged from beginning to end. It perfectly encapsulates the band's signature balance between heaviness, emotion, and musical sophistication.

Meanwhile, "Love's Souvenir" presents one of the album's most intriguing experiments by incorporating elements of jazz into Seven Spires' musical identity. The fusion of sophisticated harmonies and metallic intensity feels entirely natural, giving the track a distinctive personality. The result is an elegant, unpredictable composition filled with subtle nuances, further demonstrating the band's willingness to expand its musical horizons without compromising its core identity.

"Architect of Creation" represents one of the heaviest and most monumental moments on A Fortress Called Home. Crushing riffs, relentless drumming, and the interplay between clean and harsh vocals turn the song into a powerful demonstration of Seven Spires' ability to merge brutality and sophistication within a single composition.

By contrast, "Emerald Necklace" reveals the album's more contemplative side. Adrienne guides the song with emotionally rich, impeccably controlled clean vocals, while the arrangements gradually build toward an inspired and deeply moving guitar solo. It is a majestic, heartfelt ballad, carefully constructed to evoke emotion without relying on excess.

"Where Sorrows Bear My Name" begins with an atmospheric introduction steeped in symphonic metal textures. Adrienne's performance initially unfolds with delicate, melodic vocals before gradually evolving into her signature harsh delivery, heightening the song's dramatic impact and reinforcing the constant interplay between beauty and brutality that permeates the album.

Among all the compositions, "House of Lies" perhaps best encapsulates the emotional essence of A Fortress Called Home. The original version already stands out through its powerful vocal performance and profound melodic development. The acoustic version, previously exclusive to the deluxe edition and now included here, strips the arrangement down to its essentials, further highlighting both the song's emotional depth and Adrienne's deeply affecting interpretation.

One of the greatest strengths of the Master Key Edition lies precisely in the way it invites listeners to rediscover A Fortress Called Home from entirely new perspectives. The second disc, consisting exclusively of instrumental versions, goes far beyond serving as bonus material. By removing the vocals from the forefront, Seven Spires allows the full architectural complexity of its compositions to shine. Guitars, bass, drums, and keyboards reveal countless layers that often remain hidden during a traditional listening experience, highlighting not only the quartet's remarkable musicianship but also the meticulous craftsmanship behind every arrangement, production choice, and musical detail.

Within this context, the contributions of Jack Kosto, Peter de Reyna, and Chris Dovas become even more evident. The intricate guitar harmonies, carefully constructed bass lines, and exceptionally precise drumming demonstrate that Seven Spires' strength extends well beyond Adrienne Cowan's astonishing vocal abilities. On the contrary, every member plays an indispensable role in shaping the band's sophisticated sonic identity, where each musical element occupies its own space while contributing to the cohesion of the whole.

The third disc further expands the experience by presenting orchestral reinterpretations alongside live recordings. The symphonic versions of "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" and "Architect of Creation" reinforce the grandeur of the original compositions, emphasizing melodies, counterpoints, and textures that naturally lend themselves to orchestral language. Far from feeling like simple rearrangements, these versions reveal just how inherently cinematic and narrative-driven Seven Spires' songwriting has always been.

The live recordings provide the perfect conclusion to this celebration. Performances of "Succumb" the standout track from Emerald Seas (2020), alongside "Love's Souvenir" "Wanderer's Prayer" and "Gods of Debauchery" originally featured on Gods of Debauchery (2021), capture the intensity and confidence the band has developed on stage throughout its recent tours. Recorded during performances in Tilburg and Montréal, these versions bring an added sense of spontaneity, energy, and emotion while demonstrating how naturally the material has evolved in front of live audiences.

Even two years after its original release, A Fortress Called Home remains a remarkable achievement. Few recent albums offer such a consistently rewarding experience with every revisit. Each listen reveals previously unnoticed details, the arrangements continue to impress with their extraordinary depth, and the fusion of symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal remains organic, balanced, and exceptionally refined. Seven Spires avoids easy solutions, predictable choruses, and conventional song structures, instead embracing dense musical narratives, meticulously crafted atmospheres, and intelligent melodic hooks that richly reward attentive listeners.

A Fortress Called Home was already a monumental achievement upon its original release. The Master Key Edition reinforces the enduring strength of an album that continues to surprise with every listen. By bringing together the original record, instrumental versions, orchestral reinterpretations, and live performances, Seven Spires demonstrates that its compositions retain their emotional and artistic power regardless of the form they take. More than simply an expanded edition, this release celebrates the conclusion of a brilliant creative chapter while reaffirming the quartet as one of the most inventive, ambitious, and technically accomplished bands in contemporary metal.

Jeremy Saffer

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cobertura de Show - Brazilian Metal Forces: A celebração da força e do peso do Metal Brasileiro!

 


Texto e Fotos: Vinny Vanoni
Edição/Revisão: Caco Garcia 

No dia 28 de Junho de 2026 foi realizado no Bar Opinião e, Porto Alegre a terceira apresentação do festival Brazilian Metal Forces, produzido pela Arena Produções com intenção de mostrar que o Metal e suas vertentes estão mais fortes do que nunca! 

O festival realizou três apresentações que englobaram o sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contando com as excelentes apresentações de grandes nomes do Metal Brasileiro como Phornax, Viper e Korzus, além da banda de abertura, Xakol, projeto do baixista Saulo Xakol da já consagrada banda brasileira Noturnall. 

O Brazilian Metal Forces chegou para mostrar aos fãs brasileiros que além das bandas que se apresentaram, o nosso Metal Nacional tem muito fôlego, potência  e cada vez mais força não somente no cenário local como no mundial, provando que temos muita capacidade e técnica para confrontar as bandas gringas!

Mas chega de “lero lero” gurizada até porque vocês querem saber sobre as bandas e como foi o show de cada uma, então, bora pra matéria! 


*****Xakol*****


Começando com a banda de abertura, Xakol! Esta é uma daquelas bandas que podem ser consideradas “uma gema rara” dentro do cenário nacional, já que são tantas bandas boas que às vezes passam despercebidas a nível nacional mesmo com integrantes altamente qualificados, já que em muitas situações são conhecidas mais regionalmente principalmente pelos compromissos dos músicos que a integram. 

Para dar um contexto, Xakol é um projeto catarinense de Metal Melódico e Progressivo idealizada e concebida por Saulo “Xakol” Castilho, atual baixista da renomada banda Noturnall. 

Iniciou suas atividades com o Xakol em 2013 e contatou ninguém menos do que Edu Falaschi, vocalista que ficou famoso por entrar no lugar de Andre Matos no Angra e já integrou bandas como Mitrium, Venus, Symbols e Almah, e atualmente está em atividade com seu projeto solo Mi’Raj, para produzir seu álbum chamado “Chaos Lit A Soul”.

Em 2015 convidou amigos de longa data para comemorar seu aniversário, momento este que seria o embrião da banda Xakol e em 2016 entram para a banda Gil Lima, Thiago Moser e André Freitas. 

Também já colaborou com outros vocais e músicos famosos na cena do metal Brasileiro, como Bruno Sutter (Detonator, Massacration), Thiago Bianchi (Noturnall, ex-Shaman), Aquiles Priester (Hangar, All Metal Stars, W.A.S.P, Midas Fate, ex-Angra, ex- Primal Fear). 

Atualmente a banda possui em sua formação Rafael Azevedo (Guitarra), André Freitas (Guitarra), Gil Lima (Bateria), Thiago Moser (Baixo), Thiago Gonçalves (Teclado) e Saulo Xakol (Vocais). 

O Xakol se apresentou com cinco músicas próprias, "Runaway", "Rise of a New Sun", "Murdering My Heart", "Restless Hunter" e "Eternally". Destas, "Runaway" e Murdering My Heart" foram lançadas apenas de forma digital, enquanto "Rise of a New Sun" e "Metal for Demons," quarta música lançada que não foi tocada no Brazilian Metal Forces (e contou com a participação de Bruno Sutter, o nosso famigerado Detonator) foram lançadas também em formato físico. 

Estas quatro iniciais foram produzidas por conta própria em estúdio em Florianópolis, todas em formato de singles. Já a Restless Hunter e Eternally são inéditas e irão fazer parte do álbum com músicas inéditas (Du-uh, sério que músicas inéditas em um álbum de músicas INÉDITAS são inéditas pangaré???) que mencionei acima, o “Chaos Lit a Soul” e que está sendo produzido por Edu Falaschi (O cara produzir um disco de uma banda da parte Sul do continente merece aplausos, na real! Valeu “tio Edu”!!!). 

“Tá, tu falou das músicas que irão entrar no álbum, mas e as outras quatro???” Acalmem os coraçõezinhos e a ansiedade gurizadinha medonha. Runaway, Rise of a New Sun, Murdering My Heart e Metal for Demons não estarão no Chaos, porém segundo Saulo, mesmo que elas estejam no “banco de espera” por enquanto por não se encaixarem no conceito deste álbum, há a forte chance de serem utilizadas em um futuro disco (para não repetir a palavra álbum, again and again). Enquanto o Chaos Lit a Soul não é lançado, vocês podem conferir o trabalho da Xakol no Youtube e no Spotify!

Estes hiatos de tempo entre apresentações, tours e poucas músicas lançadas se devem a Saulo, e demais integrantes da banda Xakol, estarem com diversos compromissos, principalmente a partir de 2019 por Saulo ter assumido o posto de baixista na Noturnall, porém, mesmo com estes contratempos, o Xakol continua ativa no tempo disponível e mesmo que tenha tocado apenas suas quatro músicas já lançadas até 2019, fez um show excelente de abertura para as bandas Phornax, Viper e Korzus! 

A banda consegue trabalhar bem com os estilos melódico, progressivo e até mesmo com uma pegada heavy metal em suas musicas, mesmo que por enquanto sejam poucas, porém, existe a intenção de ainda lançar um álbum completo e alçar o Xakol ao sucesso, segundo a conversa que ocorreu com Saulo em meio ao show da Phornax, onde estava um som alto (é o Opinião, qualidade e volume de som é o que não falta) e em alguns momentos, mal conseguíamos nos entender.

Mas mesmo assim conseguimos trocar uma ideia, onde me foi revelado que mesmo que demore 10 anos (por causa dos compromissos pessoais dos integrantes) este álbum será lançado! E desejo boa sorte e sucesso para o Xakol! Batia banda gurizada, baita banda!

Spotify 



*****Phornax*****


Já a Phornax que fez o segundo show da noite teve um detalhe especial, muito especial na verdade, já que após um hiato de mais de 14, quase 15 anos, a banda volta não somente com uma nova formação com Eduardo Martinez na guitarra e Sfinge Lima no baixo (dois monstros do metal nacional com carreiras consolidadas e técnicas poderosas) mas também pelo lançamento de seu novo álbum, “Hellforge”, que será lançado neste mês de julho! 

No show, a banda tocou as músicas Silent War, Dare of Destruction, Ghosts from the Past e Final Beat de seu álbum lançado em 2011, Silent War, juntamente com as músicas Forged in Metal, Hell’s Paradise, Seeds of Strife, Blood for Blood, A Matter of Time e Between Fear and Hope que integram o "Hellforge". 

E gurizada, eu tenho que ser sincero, que show! QUE SHOW! A impressão que tenho, sem desmerecer os integrantes antigos que não estão mais na banda, com esta nova formação a Phornax  está mais... técnica, afiada por assim dizer. O primeiro álbum é muito bom, mas o "Hellforge" minha gente, é sensacional! 

O som parece que ganhou uma profundidade e peso maiores, os instrumentos mais trabalhados, a conexão entre os integrantes está mais, intima dentro do palco, eu não sei explicar exatamente, porém o que eu vi e escutei no Brazilian Metal Forces foi algo que me surpreendeu muito em relação a qualidade técnica e musical desta nova fase, a qual também agradou e muito não somente aos fãs da banda como também a todos que estavam presentes no Bar Opinião! 

E tem mais um detalhe, a banda agora conta com uma mascote, a “Phornaceia” uma feiticeira mística que encanta a todos e captura os olhares e almas com sua dança do ventre nas apresentações da Phornax, interpretada pela estonteante e talentosa Aline Mesquita, pois segundo o vocalista Cristiano Poschi “Se o Iron tem o Eddie, nós temos a Phornaceia”!


É com grande satisfação que digo, a Phornax está novamente no jogo e com uma qualidade ABSURDA para voar além das fronteiras brasileiras e alcançar as “Big Leagues”! 

Spotify 



*****Viper*****

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A banda que tocou antes do Korzus foi a Viper. Como muitos, ou ao menos quase todos que gostam de Metal Melódico, Power Metal e Heavy Metal brasileiros sabem, Viper foi a banda criada pelo nosso eterno Maestro do Metal, Andre Matos, Pit Passarel, Yves Passarel, Felipe Machado e Marcos Kleine em 1985 e que já lançou álbuns icônicos para o Metal Nacional, inclusive ouso dizer que alguns deles, como Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate inclusive ajudaram a moldar o metal melódico e (me permitam utilizar esta expressão) “Óperatico” Brasileiro. 

Inclusive com muitos de nós tentando cantar imitando os agudos e falsetes de Matos e falhando miseravelmente (momento gargalhada em alto e bom som lembrando de experiências próprias!)

Após a saída de Matos por divergências musicais, Pit Passarel assumiu os vocais e em 1992 lançam o álbum mais vendido até agora da história do Viper, “Evolution”, onde com Pit nos vocais a direção musical se alterou um pouco, do melódico e orquestral que foi o Theatre of Fate, Evolution adotou uma linha mais... crua, por assim dizer, onde é possível notar a identidade pessoal de cada música, umas mais puxadas para um metal melódico, mas de leve, outras já vão para um caminho Heavy Metal e outras possuem aquela pegada Rock’n’Roll, além de acordes com outras influencias. 

Porém admito, na época em que descobri Viper, nos idos anos 2000, eu acompanhei até o Theatre of Fate e fiquei um tempo sem escutar e voltei em 2020, começando com o álbum "Coma Rage", o qual no início por ter uma pegada mais “Punk Hardcore” acabei estranhando devido a mudança bruta de estilo em relação ao Fate porém um álbum fantástico! 

E foi uma grata surpresa ao descobrir que continuavam na ativa e mais fortes do que nunca com Leandro Caçoilo nos vocais (descobri apenas este ano que ele já era vocal desde 2017 no Viper), dando não somente um suspiro novo para a banda, mas um oxigênio muito necessário para esta nova fase.

Mas, nem tudo são rosas, em 2019 perdemos nosso eterno Maestro do Metal. Não somente para mim que era um fã quase fanático de Viper, Angra, Shaman e carreira solo de Matos, mas para todos o que o conheciam, seja apenas como artista, seja como pessoa, amigos, familiares, colegas de banda e de trabalho e parcerias, ficamos em choque ao saber da morte prematura de Andre Matos.

E para o Viper o choque foi ainda maior, já que haviam voltado a conversar frequentemente com Andre inclusive realizando parcerias em álbum, musicas e shows em diversos períodos como 2004, 2007, 2017, além de ter retornado a banda no período de 2012 a 2016, e planejavam até mesmo a gravação de um álbum inteiro novamente com o ex-vocalista. 

Em 2020, em meio a pandemia, o Viper lança uma regravação da musica The Spreading Soul, do álbum Evolution de 1992 reintitulada como "The Spreading Soul Forever", com vocais de Andre Matos, em sua homenagem. Em 2024, outro integrante infelizmente se vai antes da hora, Pit Passarel vem a óbito por complicações de um câncer no pâncreas, novamente deixando o Viper, familiares, amigos e fãs devastados.

A banda possuía um show em Bogotá que decidiu manter, chamando o irmão de Andre, Daniel Matos no baixo, o qual logo após foi confirmado como baixista oficial do Viper. 

E neste show, neste festival que ocorreu no Bar Opinião, Brazilian Metal Forces, a banda com a formação contando com Felipe Machado (Guitarra, acústica, violão e backing vocals), Guilherme Martins (bateria desde 2012), Kiko Shred (Guitarra, desde 2021), Daniel Matos (Baixo desde 2024) e Leandro Caçoilo nos vocais desde 2017, o Viper realizou um mais do que belo show, realizou para os fãs, para mim, o melhor show que já tive a honra de assistir em minha vida.

O Viper grandes sucessos de toda sua carreira como Soldiers of Sunrise (Soldiers of Sunrise), To Live Again, Prelude to Oblivion, A Cry From the Edge e Living for the Night (Theatre of Fate), Evolution em homenagem à ao grande e saudoso Pit Passarel, Dead Light, Rebel Maniac e The Spreading Soul Forever em homenagem à Pit e Matos (Evolution), Coma Rage (Coma Rage), Under the Sun e Timeless (Timeless). 

Durante o show admito cantei junto (se alguém pudesse me escutar teria me expulsado do Opinião a pancadas por estar assassinando as músicas), me emocionei, só não me esbugalhei em lágrimas em alguns momentos por ter que trabalhar (fotografar com olhos marejados não funciona nem um pouco). 

Viper entregou uma performance tanto de presença de palco quanto técnica instrumental e vocal impecável! A galera cantou junto, chorou junto, e penso que não havia quase ninguém dentro do Opinião que não tenha se emocionado, principalmente durante as homenagens realizadas a estes dois gigantes e magníficos músicos que se foram cedo demais. 

Porém o Viper conseguiu fazer algo que poucas bandas conseguem em momentos que perdem algum integrante, que é encontrar músicos a altura dos que já não se encontram mais na banda. 

Dani Matos e Caçoilo não somente estão à altura como estão carregando o legado de Pit e Andre com perfeição absoluta! Talvez por eu ser nostálgico e saudosista, me chamou a atenção que Caçoilo ao cantar ao vivo consegue se aproximar muito, mas MUITO mesmo de Matos nos vocais, tom, timbre, alcance, potência, tudo! 

Claro que temos que considerar que na época, o Maestro era adolescente e Caçoilo hoje já é mais experiente, porém é difícil encontrar alguém que se aproxime tanto dos músicos anteriores como o Viper conseguiu, e posso dizer com certeza, embora nunca tenham deixado de existir apesar dos hiatos, com esta formação que honra o legado e os “calçados” das duas lendas do rock e metal brasileiros, o Viper se encontra mais do que pronto para conquistar, novamente, seu espaço na cena do Rock e Heavy Metal  mundiais! GO AND SHRED THE WORLD APART “MA GUYS”!   


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*****Korzus*****


Finalmente a atração principal da noite, Korzus! Senhores, senhoras, rapazes e senhoritas! Que show FODA! Primeiro que a Korzus é uma das potências e lendas do thrash metal nacional e juntos com Sepultura e Sarcófago foram os responsáveis por mostrar ao mundo que no Brasil também sabemos tocar e fazer Thrash Metal e dos bons! 

Em 2026 a banda passou por duas mudanças de integrantes, Antônio Araújo anunciou o desligamento da banda em 2024 após dezesseis anos de atuação por motivos de questões logísticas já que iria retornar para Recife, além de focar de forma integral em sua outra banda, Matanza Ritual. 

Já em 2025, Heros Trench também se desligou banda por querer buscar uma renovação criativa e artística e por mais que as duas saídas tenham ocorrido de forma amigável, deixaram um vácuo no Korzus que agora precisava buscar novos integrantes para ocupar os papeis de guitarra solo e guitarra base.

Em 2026 outras duas feras do metal nacional passam a integrar a banda, Jean Patton (Ex-Project46) e Jéssica Falchi (ex-Crypta) que trouxeram a renovação harmônica que o Korzus estava buscando, principalmente agora que estão em processo de produção de seu novo álbum que está sendo divulgado através da turnê “Flesh Machine Era” através do single “No Light Within”, o qual foi tocado no Bar Opinião juntamente com alguns dos maiores sucessos da banda que já conta com mais de quatro décadas de história, existência e correrias. 

A performance desses gigantes do Thrash Metal Brasileiro, e mundial, foi arrebatadora, simplesmente SENSACIONAL! 

Como todos que já estiveram presentes em um show do Korzus bem sabem, o carisma e presença de palco de Marcello Pompeu é fantástico, pois além de apenas cantar e performar, ele chama a galera para participar do show cantando junto, fazendo comentários até mesmo cômicos em relação a muitas situações.

Sim! é quase um show de metal misturado com show de comédia stand up em alguns momentos), responde a algumas falas, ou berros, dos fãs, principalmente os que se declaram para Falchi! Inclusive foi revelado por Pompeu que Jéssica recebe de 3 a 5 pedidos de casamento por show, o que levou o publico a gargalhadas e destruiu sonhos de outros (risadas internas). 

“Mas vem cá o pangaré, tu não vais falar da performance dela e do Patton não, ô arrombado???”. Acalmem o coraçãozinho jovens padawans, irei sim! Como não poderia deixar de ser, ambos são experientes e excelentes no que fazem, tanto que apenas pela “No Light Within” todos os presentes, inclusive “moizinho” (momento mistura de francês com brasileiro debochado) aqui, perceberam o peso e a tempestade harmônica que chegaram ao Korzus com a entrada de Patton e Falchi. 


Todas as músicas da carreira são excelentes, porém nesta nova fase o Korzus parece que está com sangue nos olhos para trazer a vida o que talvez  possa vir a ser considerado o seu melhor álbum! 

Porém não irei fazer suposições tão cedo, afinal de contas, existem mais diversos processos, risadas e talvez tretas a serem realizadas para que chegue o novo álbum, e podem ter certeza de que nós enquanto fãs estamos ansiosos para que o Korzus não dê à luz, mas sim um curto-circuito (“No Light WIthin”, captaram? Hein, hein?) a este novo álbum que aguardamos com ansiedade! CHEERS GUYS (and girl) AND KEEP ROCKING!



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