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| Frontiers Records (Imp.) |
Por Flavio Borges
Com Reckless, a cantora britânica Chez Kane reafirma sua posição como um dos principais nomes do hard rock contemporâneo com forte influência oitentista. O álbum é uma verdadeira celebração da estética sonora dos anos 80, combinando guitarras vibrantes, teclados marcantes e uma produção orgânica que valoriza cada elemento instrumental — tudo embalado por uma performance vocal segura e carismática.
A faixa-título, “Reckless”, abre o disco transportando o ouvinte diretamente para a era de ouro do hard rock. Os timbres de guitarra e teclado, aliados à sonoridade natural da bateria, estabelecem a identidade do trabalho logo nos primeiros segundos. O refrão explosivo reforça o apelo radiofônico da composição, enquanto o inesperado solo de sax adiciona personalidade e frescor à faixa.
Em “Personal Rock And Roll”, a energia é elevada. Direta e dinâmica, a música carrega forte potencial cinematográfico, remetendo às trilhas sonoras clássicas da década de 80. Com menos de três minutos, entrega um refrão memorável e um solo de guitarra eficiente, consolidando-se como um dos momentos mais vibrantes do álbum.
Já “Night of Passion” apresenta uma abordagem mais sofisticada, com forte influência do AOR. Os teclados assumem protagonismo, ampliando a paleta sonora e acrescentando uma camada mais madura ao repertório. Chez explora nuances vocais mais sutis, enquanto o sax e o solo de teclado reforçam o caráter melódico da composição.
O hard rock retorna com força em “Strip Me Down”, marcada por riffs imediatos e um refrão de fácil assimilação. A base sólida sustenta a interpretação versátil de Chez, enquanto o solo de guitarra figura entre os destaques técnicos do álbum.
“Tongue of Love” mantém a atmosfera oitentista com elegância. O baixo conduz a introdução, preparando o terreno para um refrão bem construído e melodicamente envolvente. A coesão instrumental evidencia o entrosamento da banda, resultando em uma das faixas mais cativantes do trabalho.
Mais acelerada e intensa, “Love Tornado” se destaca como a música mais pesada do disco. Com abordagem mais crua e menor presença de teclados, privilegia o peso das guitarras e a entrega vocal de Chez. A construção do refrão reforça sua vocação para performances ao vivo.
Em “Bad Girl”, após uma introdução que remete ao metal clássico, a faixa evolui para um hard rock consistente e pulsante. A bateria ganha protagonismo, com timbre preciso e impactante, contribuindo para a dinâmica do arranjo.
“Street Survivor” mantém o alto nível do repertório, apresentando backing vocals bem trabalhados e uma sólida interação entre baixo e bateria. A guitarra assume espaço para solos expressivos, enquanto Chez conduz a faixa com segurança e brilho.
“Too Dangerous” resgata a essência mais crua e energética do gênero. Simples, direta e eficiente, a música destaca a agressividade vocal de Chez, demonstrando amplitude e intensidade raras dentro do estilo.
Encerrando o álbum, “Bodyrock” aposta na estética clássica do hair metal. Com refrão direto, equilíbrio entre guitarras e teclados e uma base rítmica consistente, a faixa finaliza o disco mantendo a energia elevada e deixando a sensação de continuidade.
A produção de Danny Rexon (Crazy Lixx) é um dos pilares de Reckless, equilibrando modernidade e fidelidade à sonoridade clássica do gênero. Influenciada por nomes como Pat Benatar, Lee Aaron e Vixen, Chez Kane entrega seu trabalho mais sólido até o momento — um álbum coeso, vibrante e com forte apelo junto ao público do hard rock melódico.
Reckless não é apenas uma homenagem aos anos 80; é a reafirmação de que o estilo permanece vivo, relevante e capaz de dialogar com novas gerações.
***ENGLISH VERSION***
With Reckless, British vocalist Chez Kane further solidifies her status as one of the leading voices in contemporary hard rock with a strong ’80s-inspired edge. The album stands as a vibrant celebration of the decade’s sonic identity, blending soaring guitars, prominent keyboards and an organic production approach that allows each instrument to breathe — all anchored by Kane’s confident and charismatic vocal performance.
The title track, “Reckless” immediately transports listeners back to the golden age of hard rock. From its opening moments, the guitar and keyboard tones — combined with the natural punch of the drums — establish the album’s aesthetic direction. The explosive chorus delivers undeniable hook appeal, while an unexpected saxophone solo adds personality and a refreshing twist to the arrangement.
On “Personal Rock And Roll” the energy intensifies. Direct and dynamic, the track carries strong cinematic potential, evoking classic ’80s film soundtracks. Clocking in at under three minutes, it delivers a memorable chorus and a sharp, efficient guitar solo, making it one of the album’s most immediate highlights.
“Night of Passion” shifts gears with a more sophisticated AOR-driven approach. Keyboards take center stage, expanding the album’s sonic palette and adding a layer of maturity to the material. Kane explores subtler vocal nuances, while the presence of saxophone and a keyboard solo reinforces the song’s melodic depth.
Hard rock returns in full force with “Strip Me Down” built around punchy riffs and an instantly accessible chorus. A solid rhythmic foundation supports Kane’s versatile delivery, while the guitar solo stands out as one of the album’s technical high points.
“Tongue of Love” maintains the record’s ’80s atmosphere with elegance. The bass-driven introduction sets the tone before unfolding into a well-crafted, melodically engaging chorus. The band’s cohesion is particularly evident here, resulting in one of the album’s most captivating cuts.
Faster and heavier, “Love Tornado” emerges as the album’s most intense track. With a rawer edge and reduced keyboard presence, the song emphasizes driving guitars and Kane’s commanding vocal performance. Its anthemic chorus structure makes it a natural contender for live setlists.
Opening with a nod to classic metal, “Bad Girl” evolves into a solid, pulsating hard rock anthem. The drums take a prominent role, delivering precision and impact that enhance the track’s dynamic flow.
“Street Survivor” sustains the album’s high standard, featuring well-layered backing vocals and a tight interplay between bass and drums. Space is given for expressive guitar work, while Kane once again commands attention with a radiant vocal performance.
“Too Dangerous” captures the genre’s raw, high-energy essence. Stripped-down and straightforward, the track highlights Kane’s vocal intensity and range — qualities that set her apart within the melodic hard rock landscape.
Closing the album, “Bodyrock” leans confidently into classic hair metal aesthetics. With a direct, hook-driven chorus, balanced guitar and keyboard arrangements, and a steady rhythmic backbone, the track wraps up the record on an energetic note while leaving listeners wanting more.
Produced by Danny Rexon (Crazy Lixx), Reckless strikes an effective balance between modern clarity and faithful adherence to classic hard rock traditions. Drawing inspiration from artists such as Pat Benatar, Lee Aaron and Vixen, Chez Kane delivers what may well be her most cohesive and compelling work to date — a vibrant, hook-laden album poised to resonate strongly with fans of melodic hard rock.
Reckless is more than a nostalgic tribute to the 1980s; it is a confident statement that the genre remains alive, relevant and capable of connecting with new generations.
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| Danny Rexon |


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