- Olá Sandro. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do álbum “Crossing”, pois o material ficou de primeira.
Eu que agradeço o interesse da Road To Metal pelo Dicentra. Todos nós ficamos sempre muito honrados.
- Como você pode descrever o trabalho na composição deste tipo de sonoridade?
Bom, em minha opinião, lançamos um genuíno álbum de Heavy Metal, carregado de influências oitentistas e que procura trazer toda essa essência em cada composição. No caso do “Crossing” nos reunimos duas vezes por semana para compor as canções com nossas influências. Essa junção da vivência de cada integrante ficou bem interessante e os sons foram saindo naturalmente. Temos no “track list” canções com “riffs” pesados e solos marcantes, bem como, as melodiosas baladas que caracterizavam a época. Vocais que variam do “clean” ao rasgado, com a bela contribuição das backing vocals Cintia Paiva e Sissi Maués e, linhas de baixo e bateria bem construídas em cada faixa. No final do álbum apresentamos o Dicentra em uma canção com elementos acústicos chamada “Aluminium”, para tentar mostrar também um pouco da versatilidade das bandas dos 80’. A meu ver ficou um disco bem completo e estamos muito orgulhosos dele.
- Eu escutei o material diversas vezes e, só após várias tentativas, consegui captar parte das suas ideias. Os fãs têm sentido este tipo de dificuldade também?
Acredito que cada pessoa que ouvir o “Crossing” vai interpretá-lo de forma diferente. Isso é mais um fator que deixa o trabalho, no mínimo, curioso. Os temas têm uma forte inclinação para a preservação ambiental, principalmente, a proteção aos animais. Várias canções falam disso em suas letras. Uma mágoa crescente do planeta para com seus algozes humanos também fica bem evidente. Recentemente, lançamos o “lyric video” da canção “Sweet Look” que, deixa claro a ideia da letra e um pouco do tema principal abordado pela banda. Acho que as pessoas que nos acompanham estão curtindo bastante o álbum e, se tiverem dificuldades de entender qualquer canção, podem conversar conosco. Quando eu começo a falar sobre uma letra específica, não quero mais parar. (kkk)
- Existem planos para o lançamento de “Crossing” através da MS Metal Records, atual gravadora de vocês, no formato físico? Tivemos contato até agora, apenas o formato digital.
O álbum foi lançado no formato físico também com o apoio da MS Metal Records e da TerrorZone Produções. Prensamos 400 cópias do “Crossing” e, entre as vendas naturais em shows e eventos, procuramos por uma distribuição que seja viável e que nos traga bons resultados. Seria uma honra enviar uma cópia para a Road To Metal.
- Adorei o fato de trabalharem com o inglês, mas isso não pode vir a atrapalhar vocês no mercado nacional?
O Underground é feito de obstáculos e dificuldades intensas. Desde o início da estrada temos que enfrentar todas as barreiras que surgem e, confesso que, a língua é a menor de todas. Como banda Autoral lutamos muito para que as casas de shows abram espaço para que, simplesmente, possamos mostrar nosso som. Atualmente, os donos de casas de shows preferem as cópias do que os originais, se é que você me entende. Não desmereço o trabalho de ninguém mas, não podem me forçar a reconhecê-los como parte do Underground. Se dermos importância a isso, chegaremos apenas à frustração. Portanto, buscamos fazer nosso som autoral, nos concentramos em melhorar cada vez mais e, aceitamos que, as pessoas que nos acompanham, apesar de poucas, são pessoas fiéis que cantam junto conosco a nossa própria música nos nossos shows. Isso é o pagamento que recebemos por todo o nosso trabalho e, te garanto, é gratificante demais! Como disse, temos que enfrentar problemas bem maiores que a barreira da língua para conquistar o mercado nacional.
- Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A aceitação está sendo positiva?
Com certeza. Fizemos o lançamento do álbum na Woodstock Rock Store em São Paulo e foi sensacional. A agenda se estende por algumas cidades do interior como Campinas, Paulinia, Sumaré e Americana, além da participação em alguns “podcasts” e programas de rádio onde lançaremos o disco analisando cada canção. A aceitação do álbum está sendo surpreendente. Muitas pessoas estão entrando em contato conosco para elogiar o trabalho e ressaltar a evolução do Dicentra de um disco para o outro. Muito legal!
- Quem assinou a capa do CD? Qual a intenção dela e como ela se conecta com o título?
Trabalhamos desde o primeiro álbum “Bloody Heart” com a designer Kell Cândido e, se ela quiser, pretendemos trabalhar com ela por muitos e muitos álbuns. Suas sacadas são bem a cara do Dicentra e isso torna o trabalho de construção de artes bem tranquilo e satisfatório. A capa do “Crossing” mostra um mundo destruído e no centro da imagem, um portal para um lugar bem melhor, sem injustiças ou atrocidades, pelo qual, nenhum ser humano será capaz de passar. A letra da canção “Crossing” fala, justamente e de forma poética, dessa suposta passagem entre a vida e a morte. É a tal travessia que, a partir do entendimento da temática da banda, percebe-se impossível para a raça humana.
- “Crossing” foi todo produzido pela banda, confere? Foi satisfatório seguirem por este caminho?
Não foi bem desta forma pois, assim como a Kell no comando das artes, também trabalhamos, desde o “Bloody Heart” com o produtor Fábio Ferreira (Sangrena) no MixMusic Studio em Amparo-SP e, sim, seguiremos por este caminho pois, a nosso ver, está dando muito certo. Apesar da distância que, termos que percorrer para chegar ao estúdio, cerca de 90 km, procuraremos manter o produtor por sua competência e total responsabilidade com os trampos que assina. A troca de ideias que temos durante todo o processo de gravações é fundamental para que a produção fique sempre coesa e satisfatória.
- Imagino que já estejam trabalhando em novas composições. Se sim, como está se dando o processo e como ele está soando?
Sim, já temos cinco novos sons para o próximo álbum. Continuamos nos reunindo duas vezes por semana e, entre uma cerveja e outra (um fardo e outro?), de forma bem descompromissada estamos construindo nosso terceiro álbum de estúdio. Devemos, dessa vez, compor mais faixas que o normal e depois escolher as mais marcantes para compor o álbum. Posso adiantar que as canções estão soando mais diretas e pesadas. Talvez esteja nascendo o disco mais pesado do Dicentra e, em 2026 quando entrarmos no estúdio, vamos colocar toda essa garra e honestidade em mais um álbum.
- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao DICENTRA.
Muito obrigado e Vida Longa ao Road To Metal!!!
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