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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Cobertura de Show – Edu Falaschi & AttrachtA: Uma Noite Nostálgica! (23/07/2017 – Carioca Club – SP)

 

Quando o vocalista Andre Matos anunciou a sua saída do Angra, no começo de 2000, somada também pelo desligamento do baixista Luis Mariutti e do baterista Ricardo Confessori, gerou fortes incertezas para uma das maiores potencias do Heavy Metal nacional, provido de um ponto de interrogação que causou receios tanto nos fãs quanto ao destino da banda, que naquela altura colecionava os melhores hits nos álbuns “Angels Cry” (1993) e “Holy Land” (1996). A restruturação não divergiu no seu ponto criativo, que de 2001 a 2004, com os álbuns “Rebirth” e “Temple Of Shadows”, contagiou gerações com um repertório amplo, estabelecido pela ideia do vocalista Edu Falaschi. 

Após 5 anos desde de seu egresso, finalizando a jornada que perdurou 12 anos, Edu deslindou relembrar aquele passado glorioso, revertida da mega turnê “Rebirth Of Shadows”, exterminando a saudade dos fãs provectos e concebendo, aos mais novos, a oportunidade de conferir o vocalista interpretando (ao vivo) os seus clássicos no Angra, contando, ao seu lado, dois membros que viveram aquela fase: Aquiles Priester (bateria) e Fabio Laguna (tecladista), e completando o line-up desta tour, Diogo Mafra (guitarra), Raphael Dafras (baixista), ambos do Almah, e do novato guitarrista Roberto Barros, que  enfrentou um Carioca Club abarrotado de gente. 

AttracthA Aquecendo as Turbinas


A fila era larga ao chegar a casa por volta das 17h, ainda havia muita procura de ingressos, o que quase resultou num incrível "sold-out", ocorrido apenas no show do Rio de Janeiro, que antecedeu ao de São Paulo. E as 18h em ponto as portas do Carioca foram abertas, recrutando quietamente a entrada dos fãs, podendo curtir as músicas do último disco do Almah, “E.V.O” (2016), enquanto a banda de abertura não aparecia em cena. Sem muitas delongas, o AttracthA aparece no palco, às 19h15, para incendiar a noite e o público, que já era grande.

Formado por Cleber Krichinak (Vocal), Ricardo Oliveira (Guitarra), Guilherme Momesso (Baixo) e Humberto Zambrin (bateria), o quarteto vem promovendo a divulgação do ‘debut’ disco, “No Fear To Face What’s Buried Inside You” (2016), que teve produção do próprio Edu Falaschi. Exibindo um pouco do melhor deste trabalho, “Bleeding In Silence” abre o show com toda disposição, alcançado por aplausos depois do remate, mesclado por toques de Thrash e Prog Metal.


As viradas de bateria de Humberto foram preparadas pra iniciar “231”, que é marcada pela técnica (Guilherme e Humberto expondo domínio) e do refrão confrontante que funcionaram bem ao vivo. “Move On” e “Victorius” esbanjam dinamismo, controlando a qualidade sonora (volvida de peso) e vocal cantado de forma autêntica (Cleber administrando muito bem suas atitudes, tendo uma postura remetida ao Eric Adams, do Manowar).

Regressando no fim, Cleber aproveitou para agradecer o apoio de todos pela casa cheia, com Humberto esquentando a bateria para próxima música, que possui clip dirigido pelo tecladista Junior Carelli, da Noturnall, o qual estava presente na festa. E foi com a explosiva “Pay Back Time” que deu continuidade a apresentação, possuindo um andamento rápido pra bater cabeça e o refrão swingado. 


Os agradecimentos finais foram novamente direcionados ao público, com Cleber enfatizando a todos que fazer Heavy Metal no Brasil é um trabalho duro, não esquecendo, claro, de credenciar o Edu Falaschi (responsável por convida-los a abrir a noite) e a produção do evento, vindo das batidas de bumbo, atraindo os presentes, para terminar o rápido set com a pesada “Unmasked Files”. 





Depois da agonia e demora, a Rebirth Of Shadows Tour foi instaurada numa noite histórica!


Os minutos que antecederam o começo do show causaram aflição e impaciência aos que aguardavam inquietamente. Passaram-se 10, 20 e 30 minutos de espera, e nada de sinal da banda dar as caras no palco, resultando em mais inquietude, e ainda vaias e urros vindos de vários setores da casa. Pra dissolver todo o nervosismo, eis que, às 20h40, a intro “Deus Le Volt!, do “Temple Of Shadows”, retumba nos PAs, estourando tudo com a eletrizante “Spread Your Fire”, propiciando regalias com “Acid Rain”, do “Rebirth”, que colheu pulos e cantiga de todos. E o Edu vem mostrando que está em plena forma, trovando cada verso da música igual a original gravada em estúdio, encerrando a primeira trinca com a aclamada “Running Alone”. 

Recuperando rapidamente o fôlego, Edu comentou que estava sendo muito bom em poder fazer o show completamente lotado, significando que ali era um ciclo muito importante, que apesar de todas as brincadeiras, declarou amor aos seus fãs. Voltando mais uma vez no tempo, a banda fez mais uma do álbum “Temple Of Shadows”, entoada então, a atraente “Wishing Well”. 


A primeira surpresa da noite vem de forma redentora, pegando muitos de surpresa com a inclusão de “Caça e Caçador”, do EP “Hunters And Prey”, que foi poucas vezes executada ao vivo nos tempos de Angra, recepcionada  calorosamente, provavelmente até por quem torcia o nariz, ou afirmava de que ela nunca mais seria tocada por algum membro daquela fase. “Angels And Demons” adicionou mais lenha na fogueira, elevando o clima em total calor e adura. 

Perguntando se todos estavam cansados, no contravir de um "NÃO", Edu franqueou (apesar de ser domingo) que tinha planos de um show longo, pois o mesmo esperou muito tempo pra poder fazer a respectiva apresentação, e que já passou o jogo do Corinthians e o que o time já é campeão. E para efetuar mais uma do “Rebirth”,  “Heroes Of Sand”, onde o vocalista pediu a ajuda dos fãs, sendo correspondido à altura com todos cantando referto de força e vontade, completando a metade do set com a única do “Aurora Consurgens” (2006): a harmoniosa “Breaking Ties”. 


Antes prosseguir com o restante das obras, Edu aproveitou para anunciar o ganhador de uma guitarra numa promoção feita pela rádio Kiss Fm, onde o felizardo, chamado Vanderson Martins da Silva, subiu ao palco para receber o instrumento das mãos do vocalista e da banda. 

Tendo o palco só pra si, a próxima faixa, vindo de coros de ‘Saint Seya’ e ‘Pegasus’, simboliza um ícone dentro da carreira do vocalista, não tendo a mínima noção que fosse convertida num sucesso e rodado mundo a fora, como foi observado na sua última passagem pela Itália. E essa música, no fim das contas, mudou a vida de muita gente, alegando que muitos passaram a curtir Rock e conhecer os seus trabalhos através dela, alegrando todos, em formato acústico, com a clássica trilha sonora de abertura do Os Cavaleiros dos Zodíaco, “Pegasus Fantasy”. O engraçado, antes de canta-la, é que após o Rock In Rio com o Almah, em 2015, Edu recordou que recebeu o convite pra cantar no desenho do Bob Esponja, rejeitado imediatamente por não ter ligação ou algo a ver com o Heavy Metal. 


Na mesma linha, “Trem das Onze”, originalmente gravada por Adoniran Barbosa, teve boa receptividade, notabilizado por uma etapa ilustre da noite. Voltado ao formato convencional, era chegada a hora da total ajuda dos fãs, que ficou explicito pela enigmática “Late Redemption”, onde ao vivo fica ainda mais requintada, minuciada pelo baixo volume do violão de Roberto. E o Edu não deixou de registrar o momento épico em vídeo no seu celular.

A pausa para o rápido descanso foi culminada pelo tradicional solo de bateria do Aquiles, que até hoje encanta os olhos dos admiradores pelo instrumento. 


“The Temple Of Hate” ganhou uma entrada calorosa, vendo muitos cantando cada verso e o refrão a exaustão, com a banda agitando junto com o público. “Bleeding Heart” mexeu com os corações apaixonados, lembrando-se da romântica apresentação que o Edu realizou, em comemoração ao Dia dos Namorados (10/06), no Manifesto Bar (SP). O ar melodioso só durou até os primeiros versos de “Millennium Sun”, mas que voltou com toda carga nos traços mais frenéticos. 

Vale ressaltar que os músicos que acompanham o Edu nessa turnê se sentem bem familiarizados com as músicas, principalmente o Aquiles, que depois de quase 10 anos sem tocar Angra, ainda consegue imprimir as suas linhas de bateria compostos nos álbuns que participou da melhor maneira possível, além, claro, do guitarrista Roberto Barros, que soube executar muito bem os solos e riffs feitos pelo Kiko Loureiro.


Emoção Pelos Rencontros, e a Satisfação de Mais um Acerto

Regressando nas partes finais, Edu agradeceu a presença de todos e alguns músicos importantes na cena que estavam ali para conferir o show, entre eles o Alirio Netto, Bruno Sutter, Marcello Pompeu, Tiago Mineiro (pianista do álbum “Moonlight”) e o já citado Junior Carelli. E durante essa pausa, foram apresentados cada membro da banda, e repentinamente, o Aquiles tomou a frente do palco, confessando que estava com muita saudade dos fãs do Angra, e o que estava acontecendo nessa turnê é algo muito especial, não tendo a menor ideia que iria ocorrer novamente nessa vida, agradecendo ao Fabio Laguna pela reconciliação dele com o Edu, apresentando, grandemente, o causador de tudo de maneira eufórica, com os dois dando um forte abraço. Enquanto emitia seu discurso, a filhinha do Edu, Mikaela, roubava a cena no palco para dar um abraço no pai. 


O Bis foi procedido com a empolgante “Waiting Silence” e “Live And Learn”, mais uma libertada faixa e que cortejou todos os saudosistas. Não parando por aí, a noite nostálgica foi concluída com as indispensáveis “Rebirth” e “Nova Era”, que encerraram a longa exibição da banda e já deixando uma forte saudade, mas que irá ficar marcado na história do Metal nacional pelo simples fato da música reaproximar não só as pessoas, e sim os músicos que ajudaram a construir trabalhos tão importantes dentro do Heavy Metal. 

Mais um gol de placa do senhor Edu Falaschi. 

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Dener Ariani
Edição e Revisão: Carlos Garcia

AttracthA
1. Bleeding In Silence
2. 231
3. Move On
4. Victorious
5. Payback Time
6. Unmasked Files

Edu Falaschi
1.    Spread Your Fire
2.    AcidRain
3.    Runnig Alone
4.    Wishing Well
5.    Caça e Caçador
6.    Angels And Demons
7.    Heroes Of Sand
8.    Breaking Ties
9.    Pegasus Fantasy (Solo Acoustic)
10.  Trem das Onze (Solos Acoustic)
11.  Late Redemption
Drum Solo
12.  The Temple Of Hate
13.  Bleeding Heart
14.  Millennium Sun
15.  Waiting Silence
16.  Live And Learn
Bis
17.  Rebirth
18.  Nova Era

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Entrevista - Attractha: Metal Destemido!


Formada em 2007, tendo um breve hiato para voltar reformulada em 2012, o grupo paulista ATTRACTHA surgiu com a intenção de fazer um Metal livre de rótulos, imprimindo personalidade, reunindo as influências de cada integrante.  O nome da banda foi  inspirado em uma santa da Irlanda, ligada á igreja católica e que possuía uma estalagem na beira da estrada,  reza a lenda que todo soldado ferido que passava por lá saía curado. (English Version)

Após um bem recebido EP, o grupo passa por mais alterações no line-up, e finalmente, sob a produção de Edu Falaschi (ex- Angra, Almah), o grupo então entra em estúdio no primeiro semestre de 2016, a fim de registrar o primeiro álbum completo, resultando em "No Fear to Face What's Buried Inside You". O álbum, lançado em parceria com os selos Dunna Records e Shinigami Records, foi mixado em Los Angeles por Damien Rainaud, recebeu excelente críticas, e traz uma sonoridade mais encorpada e pesada, aliada as influências mais tradicionais.


Para falar mais sobre esse álbum e outras questões, conversamos com o fundador Humberto Zambrin (Bateria), confira a seguir:


RtM: Saudações pessoal, antes de mais nada, parabéns pelo excelente trabalho, que além da parte musical, apresenta uma arte gráfica linda!
Humberto Zambrin: Opa, obrigado!! Fico feliz em saber que gostaram!

RtM: Bom, falando nessa arte gráfica, gostaria que vocês falassem um pouco sobre ela, e também a respeito desse conceito apresentado no título do álbum.
Humberto: Bom, a arte nasceu da complexidade do álbum e etc…quando estávamos escrevendo as letras, percebi que havia uma ligação entre elas, um senso comum, que são os sentimentos mais profundos que temos dentro de nós…daí veio o título do álbum! A partir dai terminei de escrever o que faltava das letras e vi que poderia trabalhar algo próximo a um álbum conceitual. Mas com tantos álbuns conceituais ai, resolvemos pensar numa forma mais ampla, com a arte incluída no contexto. Dai eu tive a ideia, fiz os rascunhos, mostrei pro pessoal da banda, eles curtiram, e eu fui desenvolver isso com o João Duarte. A arte seria muito complexa pra caber no formato de cd, então busquei, tanto nas capas quanto no encarte o formato do vinil, que nos dava muito mais possibilidades de detalhes. O resto é a obra em si, o digipack, suas opções e tudo mais. Quero encorajar as pessoas a verem e pegarem o álbum em suas mãos…olhar os desenhos, detalhes e mensagens escondidas ali!

"Quero encorajar as pessoas a verem e pegarem o álbum em suas mãos…olhar os desenhos, detalhes e mensagens escondidas ali!"
RtM: Ouvindo o álbum, senti bastante personalidade, sendo o Attractha uma banda que desde seu início, lá em 2007, tinha como meta fazer Metal livre de rótulos.  Como você vê essa proposta hoje em dia? Vocês sentem que conseguiram atingir o que buscavam? Principalmente agora depois do full lenght já com um certo tempo de lançamento.
Humberto: Com certeza!! Estamos muito felizes com o que este album traz! Tudo está ali…do Hard Rock ao Thrash Metal, refrãos, riffs, linhas de bateria e baixo, solos…tudo é independente de rótulos, de tendências e outras travas. Pra nós soa tão livre quanto queríamos que soasse.

RtM: E que bandas você citaria como inspiração, que possuem essa personalidade livre de rótulos que o Attractha colocou como meta?
Humberto: É difícil falar uma banda que esteja no mesmo ponto, mas fomos muito influenciados por Adrenaline Mob, Stone Sour, Five Finger Death Punch…isso como coletivo, como banda…porém, individualmente as influencias são muito peculiares e distintas.

RtM: As mudanças de formação atrapalharam um pouco os planos da banda, que pretendia ter lançado o primeiro trabalho já em 2015. Mas por outro lado, você acredita que talvez isso tenha contribuído para somar ainda mais experiência e influenciando diretamente no resultado final?
Humberto: Com a máxima e absoluta certeza. Não só pela troca de vocalistas, mas também pelo tempo…nesses curto espaço de tempo a banda amadureceu muito, crescemos como músicos e ficamos ainda mais entrosados em todos os aspectos. Ter trabalhado continuamente no álbum também ajudou muito, enfim, cada tempo adicional, soma experiência no processo…agora entendo porque o Metallica fica 5 anos gravando um CD!!! (hahahahaha).


RtM: Gostaria que você falasse também sobre a escolha de Edu Falaschi para a produção, e também de Damien Rainaud para a mixagem e masterização.
Humberto: Em 2014 e 2015 eu conheci o trabalho do Almah e gostei muito…sempre achei que era uma banda tão diversificada quanto o que queríamos fazer, porém muito mais técnica. Lendo e assistindo entrevistas, descobri que o Edu era o responsável por 99% das composições, arranjos e melodias e me rendi ao talento dele. Quando achávamos que era hora de começar a trabalhar focadamente no álbum, eu sugeri que contratássemos ele para nos produzir, já q era um dos serviços que ele vende através do site dele. Marcamos de nos reunir, discutimos os pontos e fechamos a parceria. Já a Damien veio depois. Um dia, na casa do Edu, ele mostrou uma música finalizada do que viria a ser o E.V.O do Almah. Eu disse que gostava mais do som do Unfold e ele rindo disse q era o mesmo cara, um “gringo” que havia feito as mixes e masters do Unfold e do que seria o E.V.O e eu achei fantástico. Dai ele passou o contato e fomos negociando com o Damien. Fechamos com ele no dia que começamos a gravação de bateria! Foi uma indicação acuradíssima!

RtM: Além da personalidade, gostaria de elogiar também o quanto vocês conseguiram dosar muito bem o peso, um Metal contemporâneo, mas com melodia e nuances mais tradicionais aqui e ali, e já na abertura com “Bleeding in Silence”, temos um bom exemplo.
Humberto: Ela foi a última música composta pro álbum! Nos 47 min do 2º tempo! Kkkkkk Hoje é uma das mais pedidas e elogiadas nos shows…a prova de que transpiração vale tanto quanto inspiração!

RtM: “Move on” é uma que gostei bastante também, inclusive a parte lírica, que remete de imediato ao título do álbum, falando sobre seguir em frente, de evoluir com relação a si mesmo, encarar os medos. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ela.
Humberto: A "Move On" foi composta em 2015…foi uma das primeiras músicas que fizemos pra esse álbum. Boa parte da letra foi inspirada no Ayrton Senna e no Anderson Silva, quando fraturou a perna. Tanto que a ilustração do encarte que simboliza a Move On é a de um atleta. Os atletas tem esse espirito latente de auto superação, não importando a adversidade. Acho q isso falta nas pessoas em geral, e é disso que a música fala. Gosto muito dela, principalmente de tocar…acho q é um dos arranjos de bateria mais complexos do álbum.

 "Os atletas tem esse espirito latente de auto superação, não importando a adversidade. Acho q isso falta nas pessoas em geral."
RtM: Gostaria que você falasse mais sobre a No More Lies, também é uma das que eu aponto como destaque, daquelas que ouvimos e já dá vontade de ouvir de novo. Melodiosa, estilo Power Ballad.
Humberto: A "No More Lies" nasceu de uma inspiração inicial em Led…só que quando o Ricardo trouxe a música e nós começamos a colocar nossas influências, ela ficou muito diferente do que era. Ganhou mais peso do que uma power ballad normal, eu acho. A letra fala de assumir sentimentos mais profundos como amor, que às vezes pode ser difícil, dependendo da pessoa. Convidei uma amiga cantora talentosíssima, a Maitê Gondim para fazer uma participação especial nos vocais, criando um clima interessante.

RtM: Grande destaque para mim, Victorioustambém sintetiza bem o som da banda, Metal pesado, contemporâneo, refrão forte e melodias marcantes, e também tem uma bela mensagem: A cura está dentro de você, só derrote a dor, nós seremos vitoriosos.
Humberto: Sim, essa é nossa homenagem para as pessoas que superaram o câncer e tomara, uma inspiração para aqueles que estão enfrentando!!

RtM: Mesmo com a redução da venda de CDs, muitas bandas seguem investindo, e vocês, como uma banda nova, mesmo que talvez seja um investimento de, digamos, maior risco atualmente, apresentaram um material magnífico em termos gráficos e sonoros. Vocês acreditam que, mesmo com uma certa crise, se não houver um investimento em um trabalho de alto nível, mais difícil ainda seria. Como vocês avaliaram essas questões?
Humberto: Ah, isso com certeza! Hoje, a aquisição de CD’s é algo que fica relegado ao último plano nos investimentos dos jovens em geral. Para podermos recuperar parte do dinheiro que foi investido, a melhor solução é ter o que chamamos de produto “Premium”, algo que realmente as pessoas queiram ter…e a única forma de se fazer isso é apresentando um produto com as melhores musicas que pudemos fazer, com a melhor gravação que pudemos pagar e a melhor arte que foi possível criar pra isso.No nosso caso, por ser um primeiro álbum, não conseguimos pensar num lançamento puramente virtual. Precisávamos de algo concreto nas mãos para mostrar para as pessoas, então apesar de “n" análises, optamos pelo CD físico!


RtM: E como vocês estão sentindo a questão de retorno financeiro e vendas do álbum,  agora aqui no País com essa certa instabilidade.
Humberto: Está rolando, bem devagar, mas está rolando.As vendas pelo site são boas, mas a maior quantidade de CD’s é vendida mesmo nos shows! Não só CD’s, mas o merchan em geral. É nossa maior fonte de retorno, sem sombras de dúvidas!

RtM: Estes dias comentando com alguns outros jornalistas, surgiu a questão que, com a aposentadoria, ou iminência dela, de várias das grandes bandas ou das mais tradicionais, poderia ser um fator positivo, fazendo com que o  público quem sabe volte mais a atenção aos novos nomes. O que você pensa a respeito?
Humberto: Eu discordo parcialmente. Se pensarmos num cenário mundial e de “mainstream” isso é válido, mas se você se voltar ao mercado Brasileiro ou ao underground, eu realmente não concordo. Hoje, no Brasil, só temos nas grandes arenas espaço para os dinossauros e com a aposentadoria das grandes bandas, em “arenas” temos uma grande tendência a vermos somente artistas do mainstream pop, que é um dos poucos nichos onde a indústria fonográfica ainda faz dinheiro. Existe renovação no pop mainstream, mas não no Metal. Tanto que muitas bandas antigas voltaram a ativa para pegar um pouco desse mercado.

RtM: Como você vê o futuro para as bandas de Metal?
Humberto: Para o Metal, o futuro está nos grandes festivais, combinando públicos diferentes dentro do estilo, para atrair grandes quantidades e ter retorno do investimento necessário para um show de arena. Já o underground, está fadado ao nível que está. Na falta de investimento em larga escala das gravadoras, as bandas underground podem até lançar bons álbuns e excursionar bastante, como algumas bandas tem feito, mas sempre estarão fadadas ao circuito menos glamouroso de casas de shows. Lembrem-se sempre que, mesmo no Metal, quem colocou grandes nomes lá onde estão, como Kiss, Iron Maiden, Metallica, AC DC, Black Sabbath e Ozzy (pra citar alguns que ainda podem encher - não lotar - estádios sozinhos) foram as gravadoras. Sejam gravadoras que cresceram junto com os artistas, ou as que foram compradas por gravadoras maiores…enfim, são várias teorias e só quem viver, verá!

"Para o Metal, o futuro está nos grandes festivais, combinando públicos diferentes dentro do estilo" 
RtM: E quanto à distribuição e divulgação no exterior? Quais as principais dificuldades que vocês sentem para atingir um mercado mais amplo?
Humberto: Hoje o limitante maior é a disponibilidade de capital para investir nisso. Mesmo quando tem-se gravadoras fora que se propõem lançar o material, em geral elas são pequenas e não tem condições de dar um suporte maior. Algumas bandas daqui, finalmente estão conseguindo isso, após 10 a 12 anos de trabalho, mas o limitante de qualquer hiper-exposição hoje, é capital.

RtM: Pessoal, obrigado pela atenção, mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho, fica o espaço para a sua mensagem final.
Humberto: Queremos agradecer de coração a todos  que nos têm dado apoio, prestígio e nos acompanhado por ai. Agradecemos imensamente a vocês por nos abrirem esse espaço e expor nossa realidade de forma honesta e sincera! Sigam as bandas locais e apoiem realmente o Metal Nacional!!


Entrevista: Carlos Garcia

Attractha are:
Cleber Krichinak (vocals)
Humberto Zambrin (drums)
Ricardo Oliveira (guitars)
Guilherme Momesso (bass)

Contatos: 


   


   


Interview - Attractha: Metal Without Fear


Formed in 2007, with a brief hiatus to come back reformulated in 2012, from São Paulo (Brazil) ATTRACTHA group came up with the intention of making a Metal free of labels, impressing personality, bringing together the influences of each member. The band's name was inspired by a saint from Ireland, who owned an inn by the side of the road, the legend goes that every wounded soldier who passed by the place was cured.  (versão em português)

After a well received EP, the group undergoes more changes in the line-up, and finally, under the production of Edu Falaschi (former Angra, Almah), the group then enters the studio in the first half of 2016 in order to register The first full-length, resulting in "No Fear to Face What's Buried Inside You." The album, released in partnership with Dunna Records and Shinigami Records, was mixed in Los Angeles by Damien Rainaud, received very good reviews, and brings a more heavy sound, coupled with more traditional influences.

To talk more about this album and other issues, we talked to the founder Humberto Zambrin (Drums), check below:


RtM: Hello Humberto, first of all, congratulations for the excellent work, which besides the musical part, presents a beautiful graphic art!
Humberto Zambrin: Hey, thank you!! Glad to know you liked it!

RtM: Well, speaking of this graphic art, I'd like you to talk a little about it, and also about that concept presented in the album title.
Humberto: Well, the art was born of the complexity of the album and etc ... when we were writing the lyrics, I realized that there was a connection between them, a common sense, which are the deepest feelings we have inside us ... hence the title of the album! From there I finished writing what was missing from the lyrics and saw that I could work something close to a concept album. But with so many conceptual albums there, we decided to think in a broader way, with art included in the context. 

Than, I had the idea, I did the drafts, I showed to the people of the band, they liked it, and I went to develop it with João Duarte (very known brazilian designer, who creates cover arts to band like Circle II Circle, Angra, Almah). The art would be very complex to fit in CD format, so I searched, both in the covers and in the booklet the format of the vinyl, which gave us much more possibilities of details. The rest is the work itself, the digipack, its options and everything. I want to encourage people to see and get the album in their hands ... to look at the drawings, details and hidden messages there!

"I want to encourage people to see and get the album in their hands ... to look at the drawings, details and hidden messages there!"
RtM: Listening to the album, I felt a lot of personality, Attractha being a band that from its beginning, back in 2007, had as goal to make Metal free of labels. How do you see this proposal nowadays? Do you feel that you have achieved what you were looking for? Especially now after your first full lenght finally released.
Humberto: Absolutely !! We are very happy with what this album brings! Everything is there ... from Hard Rock to Thrash Metal, choruses, riffs, drums and bass, solos ... everything is independent of labels, trends and other locks. For us it sounds as free as we wanted it to sound.

RtM: And what bands would you cite as inspiration, that have this style, free of labels that Attracta put as its goal?
Humberto: It's hard to tell a band that is in the same spot, but we were very influenced by Adrenaline Mob, Stone Sour, Five Finger Death Punch ... this as a collective, as a band ... but individually the influences are very peculiar and distinct.

RtM: The changes of formation made some difference to the plans of the band, which intended to have launched the first work as early as 2015. But on the other hand, do you believe that maybe this has contributed to adding even more experience and directly influencing the final result?
Humberto: With the utmost and absolute certainty. Not only for the exchange of vocalists, but also for the time ... in these short time the band matured a lot, we grew as musicians and we became even more involved in all aspects. Having worked continuously on the album also helped a lot, finally, each additional time, adding experience in the process ... now I understand why Metallica take 5 years recording a CD, hahahahaha.



RtM: I would like you to also talk about choosing Edu Falaschi for the production, and also for Damien Rainaud for the mixing and mastering.
Humberto: In 2014 and 2015 I got to know Almah's work and I really liked it ... I always thought it was a band as diverse as what we wanted to do, but much more technical. Reading and watching interviews, I discovered that Edu was responsible for 99% of the compositions, arrangements and melodies and I surrendered to his talent. When we thought it was time to start working hard on the album, I suggested that we hire him to produce us. We scheduled to meet, discuss the points and close the partnership. Damien came later. One day, at Edu's house, he showed a finished song of what would become the album E.V.O (Almah). I said that I liked the sound of "Unfold" more and he laughing said that was the same guy who had done the mixes and masters of both CDs, and I found it fantastic. From there he passed the contact and we were negotiating with Damien. We closed with him the day we started recording the drums! That was a very accurate statement!

RtM: Besides the personality, I would also like to praise how much you managed to weight very well, a contemporary Metal, but with melody and more traditional nuances here and there, and in the opening with "Bleeding in Silence", we have a good example.
Humberto: It was the last song composed for the album! In the 47 min of the 2nd time! ha ha ha! Today is one of the most requested and praised in the shows ... the proof that perspiration is worth as much as inspiration!

RtM: "Move On" is another song that I really enjoyed as well, including the lyric part, which immediately goes back to the album title, talking about carry on, to evolve and face your fears. I wish you'd tell us a little more about it.
Humberto: "Move On" was composed in 2015 ... it was one of the first songs we did for this album. Much of the lyrics were inspired by Ayrton Senna and Anderson Silva, when he fractured his leg. And the illustration of the booklet, that symbolizes the song "Move On" is of an athlete. Athletes have this latent spirit of self-overcoming, no matter adversity. I think this is missing from people in general, and that's what music is about. I like it a lot, especially playing ... I think it's one of the most complex drum arrangements on the album.


"Athletes have this latent spirit of self-overcoming, no matter adversity. I think this is missing from people in general."
RtM: I would like you tell us more about "No More Lies" too, it is also a kind of song  that we listen to, and  immediately have that will of listen to it again. Melodious, Power Ballad style.
Humberto: "No More Lies" was born from an initial inspiration in Led ... but when Ricardo brought the music and we started putting our influences, it was very different from what it was. It gained more weight than a normal power ballad, I think. The lyrics speak of taking on deeper feelings like love, which can sometimes be difficult, depending on the person. I invited a very talented friend, Maitê Gondim, to make a special guest appearance on the vocals, creating an interesting mood.

RtM: Another highlight for me, "Victorious" also well synthesizes the band's sound, Heavy Metal, contemporary, strong chorus and striking melodies, and also has a beautiful message: "The healing is inside of you, only defeat the pain, we will be victorious".
Humberto: Yes, this is our tribute to the people who overcame the cancer and it will take, an inspiration for those who are facing!!

RtM: Even with the reduction in CD sales, many bands are still investing, and you, as a new band, even if it is perhaps an investment of higher risk today, presented a magnificent material in graphics and sound. You believe that, even with a certain crisis, if there is no investment in a high-level product, it would still be harder. How did you evaluate these issues?
Humberto: Oh, that's for sure! Today, the acquisition of CDs is something that is relegated to the last level in the investments of young people in general. In order to recover some of the money that has been invested, the best solution is to have what we call a "Premium" product, something that people really want ... and the only way to do it is by presenting a product with the best songs we could do, With the best recording we could afford and the best art that could be created for that. In our album, because it was a first album, we could not think of a purely virtual release. We needed something concrete on the hands to show to the people, so despite many analysis, we opted for the physical CD!


RtM: And your feelings about the question of financial return and sales of the album, now here in our Country with that certain instability.
Humberto: It's rolling, very slow, but it's rolling. Sales through the site are good, but the biggest amount of CD's sold even in the shows! Not only CD's, but the merchan overall. It is our greatest source of return, without a shadow of a doubt!

RtM: These days commenting with some other journalists, the question arose that, with the retirement, or imminence of it, of several of the big bands or the most traditional, could be a positive factor, making the public, maybe,  to pay more attention to the new names. What do you think about?
Humberto: I disagree partially. If we think of a world-wide and mainstream scenario this is valid, but if you go back to the Brazilian market or the underground market, I really do not agree. Today, in Brazil, we only have space in the big arenas for dinosaurs and with the retirement of great bands, in "arenas" we have a great tendency to see only mainstream pop artists, which is one of the few niches where the music industry still does money. There is renewal in mainstream pop, but not in Metal. So much so that many old bands came back active to get some of that market. 

RtM: And How do you see the future to the Heavy Metal?
Humberto: For Metal, the future is at the big festivals, combining different audiences within Metal to attract large quantities and get the return on the investment needed for an arena show. Already the underground, is doomed to the level that is. Lacking large-scale investment from record labels, underground bands can even release good albums and tour quite a bit, as some bands have done, but will always be doomed to the less glamorous circuit of concert venues. Always remember that, even in Metal, who put great names where they are, such as Kiss, Iron Maiden, Metallica, AC DC, Black Sabbath and Ozzy (to name a few that can still fill up - not crowded - stadiums alone) Recorders. They are record companies that have grown up with the artists, or those that have been bought by major record companies ... well, there are several theories and only those who live will see!

"For Metal, the future is at the big festivals, combining different audiences."
RtM: What about distribution and disclosure abroad? What are the main difficulties you feel in reaching a market out from Brazil?
Humberto: Today the biggest limitation is the availability of capital to invest in it. Even when there are record companies outside that intend to release the material, in general they are small and can not give a greater support. Some bands here are finally achieving this after 10 to 12 years of work, but the limiting of any hyperexposure today is capital.

RtM: Thanks for the attention, once again congratulations for the excellent work, the last space is for your final message.
Humberto: We want to thank all those who have given us support, prestige and accompanied us there. We thank you immensely for opening this space and exposing our reality in an honest and sincere way! Follow the local bands and really support the brazilian Metal!!

Interview: Carlos Garcia

Attractha are:
Cleber Krichinak (vocals)
Humberto Zambrin (drums)
Ricardo Oliveira (guitars)
Guilherme Momesso (bass)

Contacts: 



   


   






sábado, 8 de abril de 2017

Attractha: Personalidade e Potencial


Formada em 2007, o Attractha surgiu com a intenção de fazer um Metal livre de rótulos, imprimindo personalidade, reunindo as influências de cada integrante. Devido a problemas de line-up, o grupo chegou a interromper as atividades em 2011, retornando em 2012 com nova formação, lançando em 2013 o EP "Engraved", que obteve críticas muito boas. O próximo passo seria o full lenght, o qual tinham planos de lançar em 2015, e novamente por alterações na formação esse passo foi adiado, pois o vocalista deixou a banda, e após a busca por um novo vocal, o grupo encontra em Cleber Krichinak o cara certo para o posto.

Sob a produção de Edu Falaschi, o grupo então entra em estúdio no primeiro semestre de 2016, a fim de registrar a esperada estreia, resultando em "No Fear to Face What's Buried Inside You".

Há de se elogiar a produção como um todo, pois se nota que o grupo trabalhou muito no álbum, buscando entregar o melhor de si. Timbragem mixagem excelentes, letras inteligentes, qualidade de gravação e gráfica (a capa é linda, e é tipo uma dobradura, você vai abrindo e o título completo vai aparecendo). Não pode errar na apresentação do produto, face a dificuldade do mercado, e o Attractha apresentou um produto de alto nível. 


O amadurecimento e consequentemente mudanças na sonoridade, em uma roupagem mais pesada que antes, trouxe muita personalidade para a música do grupo. É um Metal contemporâneo, onde podemos notar as influências clássicas, com uma sonoridade sóbria e doses de dramaticidade. A música do grupo tem peso, com destaque para a cozinha poderosa formada por Humberto e Guilherme, e Ricardo se encarrega de mandar riffs e bases com peso, mas traz doses de melodia quando a canção pede.

A abertura com "Bleeding in Silence" mostra bem o peso e tensão da música do grupo, assim como em "Unmasked Files",  que ganhou versão mais encorpada no álbum, e mais com a cara da sonoridade atual da banda, destacando o peso dos riffs carregados de harmônicos. É um álbum bem uniforme, e como falei, nota-se que eles procuraram colocar aqui o melhor de si, as composições mais fortes. Mas o bicho pega mesmo é nas canções em que a banda arrisca mais, transitando por linhas pesadas, climáticas e com doses de melodia, como a balada sóbria e  pesada "No More Lies", com trechos acústicos. Em alguns momentos eles me lembram a dramaticidade do Savatage (claro, sem todas aquelas nuances de música clássica) e também algo de grupos como Adrenaline Mob.

Continuando, além de "No More Lies", "Holy Journey" e "Victorious" são também canções que exprimem o potencial da banda, música de personalidade, poderosa, mostrando não só a capacidade como instrumentistas, mas a de criar canções realmente interessantes.


Uma estreia em que o grupo demonstra já muito personalidade, uma sonoridade contemporânea sem esquecer as nuances clássicas do estilo, e nota-se que foi colocada muita dedicação em toda a produção, a fim de entregar um trabalho de nível, e que também podemos perceber que eles não chegaram no seu máximo. É um grupo com potencial para mostrar ainda muito mais.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Attractha
Álbum: "No Fear to Face What's Buried Inside You" (2016)
País: Brasil
Estilo: Heavy Metal
Produção: Edu Falaschi. Co-Produção Attractha
Selo: Dunna Records/Shinigami Records



Line-Up
Cleber Krichinak: Vocais
Humberto Zambrin: bateria
Ricardo Oliveira: Guitarras
Guilherme Momesso: Baixo

Track List:
Bleeding in Silence
Unmasked Files
231
Move On
Mistakes And Scars
No More Lies
Holy Journey
Victorious
Payback Time