![]() |
| Benjamin Gabbert |
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Molly Hatchet: Espalhando Os Ventos do Sul (Also In English)
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Seventh Wonder: Nova Voz, Mesma Proposta (Also In English)
Por Flavio Borges
Após um período de silêncio desde The Testament (2022), os suecos do Seventh Wonder retornam com VII, seu sétimo álbum de estúdio e o primeiro a apresentar Mattias Olofsson nos vocais, substituindo Tommy Karevik. Com lançamento previsto para janeiro de 2027 pela Frontiers Music Srl, o trabalho inaugura uma nova fase na trajetória do grupo, que preserva os elementos fundamentais de sua identidade: arranjos sofisticados, virtuosismo instrumental, mudanças de andamento e, acima de tudo, um apurado senso melódico. A mudança de vocalista, contudo, não representa uma ruptura, mas uma oportunidade para explorar novas nuances dentro de uma sonoridade construída ao longo de mais de duas décadas.
A escolha de Memories, primeiro single do álbum, para abrir o repertório é bastante representativa. Desde os primeiros compassos, os timbres e as construções rítmicas remetem imediatamente à sonoridade característica do Seventh Wonder. O metal progressivo está presente em toda a sua complexidade, mas são as melodias, especialmente as linhas vocais, que conduzem a composição. O refrão é marcante e oferece a primeira oportunidade de perceber as diferenças entre Karevik e Olofsson. Mais suave e menos incisiva que a de seu antecessor, a voz do novo integrante imprime uma personalidade distinta à música sem comprometer sua força. Pelo contrário: a execução é impecável, e a adaptação à identidade do grupo soa bastante natural.
Em Riverside, o Seventh Wonder mergulha ainda mais fundo em seu universo progressivo. Uma introdução de piano estabelece o clima antes que os demais instrumentos introduzam um andamento pouco convencional, sobre o qual Olofsson desenvolve linhas vocais melódicas. O refrão, mais direto, ganha dimensão com os bem elaborados backing vocals, enquanto a interação entre baixo e piano proporciona um dos momentos mais interessantes da faixa. Os arranjos vocais merecem destaque à parte, tanto pela riqueza de detalhes quanto pela maneira como se integram à instrumentação. É um exemplo de como a banda consegue equilibrar complexidade e acessibilidade sem sacrificar nenhuma das duas.
Com pouco mais de sete minutos, The Villain and the Whisper amplia consideravelmente o leque de possibilidades do álbum. A familiaridade dos timbres de guitarra e baixo convive com elementos menos habituais, como passagens vocais próximas do gutural, que contrastam com a abordagem limpa e suave de Olofsson. A duração permite à banda desenvolver uma sucessão de mudanças e texturas, explorando diferentes caminhos sem perder a coesão. Até aqui, é a composição que melhor sintetiza o lado mais intrincado do disco, com os músicos demonstrando pleno domínio dos recursos técnicos e criativos à disposição. O resultado acrescenta novas cores à sonoridade do Seventh Wonder e evidencia que a progressividade do grupo vai muito além das mudanças de compasso.
Com Evermore, o álbum assume contornos de balada, embora a classificação não faça justiça à variedade de caminhos percorridos pela composição. Piano e cordas estabelecem uma base elegante para a interpretação de Olofsson, enquanto o baixo ocupa posição de destaque na sustentação harmônica e rítmica. As guitarras também merecem atenção, tanto pelo trabalho de arranjo quanto pela contribuição para a dinâmica da música. Mais uma vez, os backing vocals são empregados com precisão, conduzindo a um refrão de forte apelo melódico, próximo do hard rock melódico. Ao longo de seus mais de sete minutos, a faixa transita entre diferentes territórios, incluindo passagens que remetem ao metal tradicional e ao melodic metal. Essa diversidade não soa como um exercício gratuito de estilo, mas como uma extensão coerente da proposta do álbum.
Cry Wolf recupera uma abordagem mais direta, sem abrir mão dos atributos que definem o Seventh Wonder. Em determinados momentos, a interpretação de Olofsson remete a James LaBrie, uma das referências vocais mais reconhecidas do metal progressivo. O refrão é imediato e bastante melódico, sustentado por camadas de backing vocals que ampliam sua dimensão. A integração entre baixo e bateria também merece destaque: a seção rítmica trabalha em perfeita sintonia com os demais instrumentos, mantendo a precisão necessária mesmo diante da riqueza de detalhes dos arranjos. A mixagem permite distinguir com clareza as diferentes linhas instrumentais e vocais, um aspecto fundamental para que a complexidade da música seja apreciada em toda a sua extensão.
A produção de VII merece um parágrafo próprio. Em uma banda cuja proposta depende tanto da interação entre instrumentos, vozes e camadas de arranjos, o equilíbrio entre definição e impacto é essencial. Aqui, a mixagem permite que os detalhes sejam percebidos sem exigir do ouvinte sucessivas audições para identificar os elementos que compõem cada música. O resultado valoriza tanto o virtuosismo individual quanto o trabalho coletivo, preservando a clareza mesmo nos momentos de maior densidade instrumental. É uma produção à altura das ambições musicais do Seventh Wonder.
A opção por The Storm é particularmente corajosa para um álbum que também funciona como apresentação de um novo vocalista. Sem guitarras, baixo ou bateria, a faixa se sustenta exclusivamente em piano, orquestrações e voz. Olofsson assume uma interpretação teatral, explorando as possibilidades expressivas de sua voz em uma composição essencialmente melódica. Os arranjos de piano e cordas são bem construídos, enquanto os backing vocals surgem nos momentos certos, reforçando a dramaticidade sem sobrecarregar a música. A ausência da instrumentação habitual permite que o vocalista demonstre outras facetas de sua interpretação e acrescenta uma pausa bem-vinda à sequência do álbum. É um momento diferente, elegante e bastante agradável.
A guitarra, o baixo e a bateria voltam a ocupar o primeiro plano em Silver Lining, composição que retoma as mudanças de andamento e a arquitetura progressiva características do grupo. Os diferentes segmentos são organizados com cuidado, sem que a música perca o direcionamento melódico. O refrão, que ganha intensidade em relação aos versos, é o principal destaque e demonstra novamente a capacidade da banda de conciliar sofisticação instrumental e apelo imediato. Trata-se de uma faixa que poderia facilmente figurar em qualquer um dos trabalhos anteriores do Seventh Wonder, reafirmando a continuidade de sua identidade musical e oferecendo aos fãs os elementos que esperam encontrar.
Na reta final, Echoes funciona como uma breve vinheta de pouco mais de um minuto, reduzindo o arranjo a voz e violão. A simplicidade da passagem coloca novamente Olofsson em evidência e prepara o terreno para Ad Infinitum, encerramento épico que ultrapassa os nove minutos. Após preservar inicialmente a atmosfera acústica, a composição se transforma gradualmente em uma extensa jornada pelo universo do rock e do metal progressivo.
A introdução evoca, em determinados momentos, os grandes nomes do rock progressivo, enquanto o desenvolvimento vocal e instrumental aproxima a faixa de referências mais associadas ao Dream Theater. O refrão, de forte apelo melódico, ganha proporções épicas com um amplo conjunto de backing vocals e arranjos vocais particularmente grandiosos. Os timbres de teclado também merecem destaque, contribuindo decisivamente para a atmosfera cinematográfica da composição.
Como não poderia deixar de ser, Ad Infinitum oferece espaço para que todos os músicos demonstrem suas habilidades. Há solos de baixo, guitarra, piano e teclado, integrados à estrutura da música sem comprometer seu desenvolvimento. A bateria é igualmente irrepreensível, acompanhando as sucessivas mudanças de levada com precisão e versatilidade. Longe de se transformar em uma simples demonstração de técnica, a faixa utiliza o virtuosismo como parte de uma construção maior, na qual melodias, arranjos e dinâmica trabalham em conjunto para produzir um encerramento à altura do repertório.
VII confirma que o Seventh Wonder não precisa renunciar à própria identidade para iniciar um novo capítulo. Mattias Olofsson se integra à banda com uma naturalidade surpreendente, oferecendo uma abordagem vocal distinta sem descaracterizar as composições. Ao mesmo tempo, o grupo amplia seu campo de exploração, aprofundando o diálogo entre o metal progressivo, o rock progressivo e passagens de forte apelo melódico. O resultado é um álbum consistente, tecnicamente refinado e repleto de arranjos cuidadosamente elaborados, no qual a complexidade nunca elimina a importância das melodias. VII representa a reafirmação de uma banda que, após mais de duas décadas de carreira, ainda encontra espaço para evoluir sem perder aquilo que a tornou reconhecível.
Segue a versão em inglês, com adaptação editorial para soar como uma resenha originalmente escrita em inglês, seguindo a linha de publicações como Metal Hammer e Classic Rock. Mantive suas impressões sobre cada faixa, as comparações musicais e os destaques instrumentais, preservando o conteúdo da versão em português.
***ENGLISH VERSION***
After a period of silence following 2022’s The Testament, Swedish progressive metal veterans Seventh Wonder return with VII, their seventh studio album and the first to feature new vocalist Mattias Olofsson, who takes over from Tommy Karevik. Due for release in January 2027 via Frontiers Music Srl, the record ushers in a new chapter for the band while retaining the key ingredients that have defined their sound for more than two decades: sophisticated arrangements, instrumental virtuosity, shifting time signatures and, above all, a keen melodic sensibility. Rather than representing a radical departure, the change behind the microphone provides an opportunity to explore fresh nuances within an established musical identity.
Opening with lead single Memories is a statement of intent. From the opening bars, the familiar Seventh Wonder sound is unmistakable, from the instrumental tones to the rhythmic twists and turns. The progressive metal framework is firmly in place, but melody remains at the heart of the composition, particularly in the vocal lines. The chorus is immediately memorable and offers the first opportunity to appreciate the differences between Karevik and his successor. Olofsson’s voice is softer and less forceful than that of the former frontman, bringing a fresh character to the band without diminishing the song’s impact. His performance is assured throughout, and his integration into the group’s sound feels remarkably natural.
Riverside takes a more overtly progressive approach. A distinctive piano introduction sets the scene before the rest of the band enters with an unconventional rhythmic pattern, over which Olofsson delivers another melodic vocal performance. The chorus is more direct, its impact enhanced by carefully arranged backing vocals. The interplay between bass and piano provides one of the track’s most compelling moments, while the vocal harmonies deserve particular praise for their precision and attention to detail. It is a fine example of Seventh Wonder’s ability to balance instrumental complexity with accessibility without compromising either.
At just over seven minutes, The Villain and the Whisper expands the album’s musical palette considerably. Familiar guitar and bass tones are joined by less expected elements, including near-growled vocal passages that contrast sharply with Olofsson’s clean, understated delivery. The extended running time gives the band ample room to explore a succession of changes and textures, yet the composition never loses its cohesion. It is the album’s most overtly progressive track so far, showcasing the musicians’ command of their instruments while adding new dimensions to the Seventh Wonder sound. More than simply demonstrating technical prowess, the arrangement reveals a band willing to push its established formula into more adventurous territory.
Evermore initially suggests a ballad, although such a straightforward label hardly does justice to the range of ideas contained within its expansive structure. Elegant piano and orchestral arrangements provide the backdrop for another accomplished vocal performance, while the bass takes a prominent role in shaping the song’s rhythmic and harmonic foundations. The guitar work is equally noteworthy, contributing both texture and dynamics to the arrangement. Once again, the backing vocals are expertly handled, leading into a chorus with a strong melodic pull and a distinctly melodic hard rock flavour. Across its seven-plus minutes, the track moves between different musical territories, incorporating elements of traditional metal and melodic metal without losing sight of the band’s progressive foundations. The stylistic variety feels entirely organic, serving the composition rather than distracting from it.
Cry Wolf returns to a more direct approach while retaining all the hallmarks of Seventh Wonder’s sound. At times, Olofsson’s delivery recalls James LaBrie, one of progressive metal’s most recognisable vocalists. The chorus is immediate and highly melodic, with layered backing vocals adding depth and impact. The chemistry between bass and drums is another highlight, the rhythm section working in perfect synchronisation with the instrumental arrangements. Despite the density of the music, every element remains clearly audible, from the individual instrumental lines to the intricate layers of lead and backing vocals. That clarity allows the listener to appreciate the detail without losing sight of the song’s overall impact.
The production deserves special mention. For a band whose music relies so heavily on the interplay between instruments, vocal layers and intricate arrangements, achieving the right balance between definition and impact is essential. VII succeeds on that front, allowing individual details to emerge without requiring repeated listens to uncover the elements buried within the mix. The result highlights both the musicians’ individual abilities and their collective chemistry, maintaining clarity even during the album’s densest passages. It is a polished production that serves the music’s ambitions without sacrificing its energy.
The decision to include The Storm is a particularly bold move on an album that also introduces a new vocalist. Dispensing entirely with guitars, bass and drums, the track relies solely on piano, orchestration and voice. Olofsson delivers a theatrical performance, exploring the expressive possibilities of his voice within an essentially melodic framework. The piano and orchestral arrangements are beautifully constructed, while the backing vocals appear at precisely the right moments, enhancing the drama without overwhelming the composition. Stripped of the band’s customary instrumentation, the song allows the new singer to reveal another side of his abilities and provides a welcome change of pace. Elegant, engaging and refreshingly different, it is one of the album’s most distinctive moments.
Guitars, bass and drums return to the foreground on Silver Lining, a track that revisits the shifting time signatures and intricate structures associated with the band. Its various sections are carefully assembled, yet the music never loses its melodic direction. The chorus, which builds in intensity from the verses, is the main attraction, demonstrating once again Seventh Wonder’s ability to reconcile progressive sophistication with immediate appeal. This is a track that could comfortably sit alongside material from any of the band’s previous albums, reaffirming the continuity of their musical identity and delivering precisely the qualities long-time fans will be hoping to hear.
As the album approaches its conclusion, Echoes serves as a brief, little-over-a-minute interlude built around nothing more than voice and acoustic guitar. The stripped-back arrangement once again places Olofsson firmly in the spotlight, setting the stage for Ad Infinitum, an epic closing statement that stretches beyond the nine-minute mark. Initially retaining the acoustic atmosphere established by its predecessor, the composition gradually unfolds into an expansive journey through progressive rock and metal.
The opening passages occasionally evoke the genre’s classic pioneers, while the vocal and instrumental development brings Dream Theater to mind. The chorus is strongly melodic, elevated by a broad ensemble of backing vocals that gives the track an unmistakably epic character. The vocal arrangements are particularly grand, while the keyboard tones contribute significantly to the composition’s cinematic atmosphere.
As expected, Ad Infinitum also provides ample room for each musician to shine. Bass, guitar, piano and keyboard solos are woven into the song’s structure without disrupting its momentum. The drumming is equally impressive, navigating the successive rhythmic shifts with precision and versatility. Rather than becoming a mere showcase for technical ability, the track uses its instrumental fireworks in service of a larger musical vision, bringing melody, arrangement and dynamics together for a finale worthy of the album.
VII confirms that Seventh Wonder can embrace a new chapter without abandoning the qualities that have made the band distinctive. Mattias Olofsson settles into his role with surprising ease, bringing a different vocal character to the material without compromising its identity. At the same time, the band broadens its musical horizons, exploring the relationship between progressive metal, progressive rock and more overtly melodic passages. The result is a cohesive, meticulously crafted album in which technical sophistication never comes at the expense of memorable songwriting. VII represents the reaffirmation of a band that, after more than two decades, continues to evolve while remaining unmistakably itself.
![]() |
| Tallee Savage |
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Cobertura de Show: Iron Maiden – 27/10/2026 – Nubank Parque/SP
Começar o texto falando o que achou do show é algo anormal, pois, logo que saí do show do Iron Maiden na última terça-feira, 27/10, uma amiga minha perguntou o que eu achei do show. Há dois motivos especiais para tal pergunta: o primeiro é que foi a primeira vez que ela viu a banda ao vivo, e o segundo é que foi justamente no dia do seu aniversário. Que presentão, não é mesmo? Não tem uma resposta específica, pois, com certeza, ela sentiu a mesma sensação que eu senti na primeira vez que os vi, em 2008. E quem me conhece já há bastante tempo sabe que sou suspeito para falar de Iron Maiden, então a minha resposta é mais do que óbvia.
Batizada Run For Your Lives, a turnê celebra os 50 anos de história da Donzela, o que já é padrão nas últimas décadas de atividade, pois turnês de clássicos são comuns quando a banda volta de uma turnê promovendo algum álbum inédito. E, falando em clássicos e por celebrar cinco décadas de estrada, conforme falado há pouco, a banda focou na sua fase de ouro, de 1980 a 1992, ou seja, somente músicas do álbum homônimo até o Fear Of The Dark (1992). A única exceção foi não terem incluído coisas do No Prayer For The Dying (1990), disco que, além de marcar a estreia do guitarrista Janick Gers, é disperso pela banda. Até pode ser um disco abaixo da média, mas dá para fazer proveito dele e merecia a inclusão de alguma música.
O Brasil foi contemplado com três datas, que começaram em pleno domingo de eleição (25/10), no Nubank Parque, em São Paulo, com um sold out, seguido de um quase sold out na terça-feira (27/10, data em que estive presente), e concluindo em Curitiba, na quarta-feira (28/10). O mais legal de estar em um show do Iron Maiden é ver a quantidade de gerações reunidas para prestigiá-los, principalmente crianças e adolescentes acompanhados de seus pais, tios e avós, o que comprova que a experiência vai muito além da música: é também uma reunião entre familiares e amigos.
O que é legal também de lembrar foram as ações feitas semanas antes dos shows, incluindo uma loja oficial com produtos oficiais, corrida de rua, bar em homenagem a banda e bandas tributos tocando nos principais pontos de São Paulo, que, como a maioria sabe, é a terceira cidade que mais ouve Iron Maiden no planeta, segundo dados do Spotify, uma das principais plataformas de música.
Mais uma vez, igual às três vezes anteriores, o Iron Maiden contou com uma banda de abertura. Dessa vez, quem assumiu a responsabilidade foram os americanos do Alter Bridge, que seguem uma proposta mais moderna e diferente da dos donos da festa. Dessa vez, a banda conseguiu atrair o bom público com suas composições, que carregam bastante peso. No domingo, segundo relatos e comentários nas redes sociais, o público não deu muita importância à apresentação da banda, com a maioria preferindo acompanhar a apuração das urnas para saber quem seria eleito presidente.
Confesso que não sou seguidor assíduo da banda, mas reconheço a força que os músicos possuem, principalmente por parte de Myles Kennedy. Conhecido por integrar a banda do Slash, o talento do vocalista vai muito além dentro do Alter Bridge, que, além de assumir os microfones, também assume a tarefa de tocar guitarra com extrema maestria, assim como seu parceiro Mark Tremonti, que merecia mais reconhecimento do que tem e que reteve toda a atenção também para si por meio de seus impactantes riffs e solos.
Infelizmente, não foi possível mostrar muita coisa em uma hora de show, mas souberam escolher os melhores momentos da carreira. O último álbum, o homônimo lançado em janeiro, por exemplo, é um disco que me chamou muita atenção. Não à toa, escolheram “Silent Divide” para abrir o show com seus riffs poderosíssimos, assim como “Addicted to Pain”, do também aclamado Fortress (2013), que mantém o mesmo nível da primeira.
A surpresa ficou para “Ghost Of Days Gone By”, que não havia sido tocada no show anterior e que chama a atenção pelo equilíbrio entre peso, melodia e refrão dramático. “Isolation”, que encerrou o show de forma agressiva, também foi outra surpresa, mas o grande destaque ficou para “Blackbird”. Longa e emotiva, foi a que teve maior recepção por parte do público, o que era de se esperar, pois é um dos principais clássicos da trajetória da banda.
Antes de assisti-los, tive o pensamento de que houvesse dispersão por parte do público, não pelo estilo ser diferente, mas pelo que houve no primeiro show, explicado anteriormente. A banda, em nenhum momento, se sentiu com medo ou intimidada. Fez bonito o que tinha que fazer, com competência e autoridade, sendo aplaudida a cada término de música e ganhando o respeito até mesmo de quem não é muito chegado à banda. Enfim, um show excelente, cheio de peso, energia e uma dose de emoção.
Quem já viu o Iron Maiden ao vivo sabe que existe todo um ritual para estar preparado e bem aquecido. Isso acontece quando “Doctor Doctor”, do UFO, uma das bandas favoritas do baixista e chefe Steve Harris, toca. E, como é uma celebração aos 50 anos de história, o telão, uma das novidades dessa turnê e que substitui os tradicionais backdrops, mostrou os principais pontos de Londres que a banda frequentava, como o Cart & Horses, Ruskin Arms, Acacia Avenue e o Finsbury Park durante “The Ides Of March”.
O início do set priorizou a fase inicial da banda, com músicas que não eram executadas ao vivo há bastante tempo. Sendo assim, a era Paul Di'Anno marcou presença nos minutos iniciais, com as agitadas “Murders in the Rue Morgue”, “Wrathchild” e “Killers”, faixa que dá nome ao segundo disco e que trouxe a primeira aparição do Eddie. Foi superlegal ver a animação do público diante dessas músicas, que não têm status de clássicas, mas que mostram que a fase de Di'Anno tem sim sua importância. Porém, como eu e a maioria notamos, houve uma redução no andamento, principalmente por parte do baterista Simon Dawnson, sobre a qual vamos falar mais ao final.
Continuando, a noite ainda renderia muitas surpresas. Afinal, são cinquenta anos de história e uma noite que prometia muita diversão, conforme disse o vocalista Bruce Dickinson antes de anunciar “Phantom of the Opera”, que há muito tempo ficou de fora dos setlists da banda e que resultou em uma das melhores, se não a melhor, performance da noite, principalmente por conta do trio de guitarristas Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers, que sempre soam orgânicos e sem embolação.
A primeira onda de hits começou justamente pelo primeiro hit da história da banda, ou seja, "The Number of the Beast", que resultou nos primeiros efeitos pirotécnicos da noite, pois cada vez que Bruce cantava 666, labaredas de fogo se elevava pela pilastras do palco. Pena que, dessa vez, o ilustre baphomet não marcou presença.
Diminuindo um pouco a adrenalina, “Infinite Dreams” deixou todos com o sentimento de sonho realizado, fazendo um trocadilho com o título, pois raramente essa música – atmosférica, melódica e com um pouco de peso – é incluída nos shows. Antes de anunciá-la, Bruce repetiu o mesmo discurso (bem poético, por sinal) da noite de dois dias atrás dizendo que 'todos nós devemos ter sonhos'.
De forma mística e também ritualística, “Powerslave” engatou uma trinca matadora e, ao mesmo tempo, cenográfica, do álbum de mesmo nome, que ainda trouxe outro hit, como “2 Minutes to Midnight”, e a épica “Rime of the Ancient Mariner”, que, sem sombra de dúvidas, é a melhor música da história da banda. Inspirada em um poema de Samuel Taylor Coleridge, seus treze minutos fazem você se sentir como se estivesse em uma peça de teatro, trazendo vários momentos diferentes. Novamente, ela foi antecedida por uma brincadeira, com Bruce reclamando que substituíram cachaça por água. Mesmo demitindo a pessoa que comentou isso no primeiro show, o erro foi repetido no segundo, deixando o vocalista aborrecido.
"Run to The Hills", mas uma vez em ritmo de carroça, preparou terreno para outro momento épico com "Seventh Son Of a Seventh Son" antes de partir pra uma sequência de clássicos com "The Trooper" - com Eddie entrando novamente em cena -, "Halloweed Be Thy Name" e a crua "Iron Maiden", indicando os momentos finais do show. O que me surpreendeu na segunda citada foi Bruce sendo tele transportado pra dentro do telão como num passe de mágica. E também foi outra que teve uma cenografia especial, com Bruce aparecendo preso numa gaiola antes de ser enforcado, contextualizando perfeitamente o conceito lírico.
Com uma introdução impactante e com uma linha de guitarra e baixo extremamente ligeiras, Aces High, que antes ocupava um posto mais elevado no set, abriu o bis de forma energética, como se estivessem começando o show. E falando em posição, Fear Of The Dark, que querendo ou não nunca vai ser deixada de ser tocada ao vivo, ficou mais para o final, pois normalmente ela ficava junto com Iron Maiden antes de partir para o bis. O final, propriamente dito, ficou para a emblemática Wasted Years, repetindo o mesmo feito da turnê da passada e a última, para quem se lembra, que o agora aposentado Nicko McBrain tocou ao vivo.
Recapitulando o que havia dito no começo do texto, falar sobre o que achei do show é difícil, pois várias coisas positivas, é claro, passam pela cabeça após assistir ao Iron Maiden ao vivo. Cada show é uma experiência diferente, mas a sensação é a mesma. Mesmo que os membros estejam beirando a casa dos 70, todos aparentam ser jovens senhores, principalmente o baixista Steve Harris e o guitarrista Janick Gers, que possuem uma energia descomunal. Bruce Dickinson, então, nem se fala! Mesmo que a voz não esteja igual à de outrora, ainda continua cantando muito bem para a idade que tem hoje, aos 68 anos.
O único membro que divide opiniões é Simon Dawson. Desde que assumiu o posto deixado por Nicko McBrain, em 2024, ele vem convencendo a maioria dos fãs com sua performance, que é mais dura e, melhor dizendo, lenta, algo que deu para perceber durante o começo do show. Mas, se essa foi a escolha do patrão Steve, que também toca com ele em seu projeto British Lion, o que temos a dizer, não é mesmo? Mas, se fosse por mim, pela maioria e até pelo próprio Nicko, que chegou a sugerir o brasileiro Aquiles Priester para o posto, a escolha com certeza seria outra.
Ver o Iron Maiden chegando ao seu cinquentenário ainda em forma é motivo de imensa gratidão para os fãs, mas também surge aquela sensação: será que o fim está próximo ou não? Por enquanto, acho que essa ideia ainda vai ficar em stand by por um tempo, porque a banda estendeu a turnê para abril de 2027, ano que, a princípio, seria sabático para o grupo. Sabemos que a banda vai voltar ao Brasil mais uma vez, sabe-se lá quando, pois Bruce deu essa certeza ao final do show, usando a clássica frase de James Bond: "Nós voltaremos!". Quanto a isso, não restam dúvidas, porque o mundo é mais feliz com o Iron Maiden ainda em atividade.
Archon Angel: Muito Além do Savatage (Also In English)
![]() |
| Susan Clayton |
sábado, 31 de outubro de 2026
Cobertura de Show: Roy Khan – 17/10/2026 – Carioca Club/SP
Roy Khan no Carioca Club: nostalgia, grandes clássicos e uma noite para guardar na memória
Sabe aquele show que você fica esperando há um tempão e, quando finalmente acontece, dá vontade de voltar no dia seguinte só para viver tudo de novo? Foi mais ou menos assim que saí do Carioca Club no dia 17 de outubro, depois de assistir ao show de Roy Khan, uma das vozes mais marcantes do metal melódico.
Quem conhece o trabalho do Roy sabe que não estamos falando de qualquer cantor. O cara fez história no Kamelot, participou de alguns dos discos mais importantes da banda e tem aquela voz que você reconhece em poucos segundos. E ouvir ao vivo músicas que fizeram parte da nossa vida tem um gostinho especial, né?
Roy esteve no Brasil em abril, quando se apresentou no Bangers Open Air, mas, infelizmente, eu estava cobrindo outro show, que agora não vou me lembrar (risos). Fiquei naquela situação de ver todo mundo comentando sobre o show e pensando: poxa, perdi essa! Mas eis que veio uma segunda oportunidade. Pensando nos fãs que também não conseguiram estar no show do Bangers Open Air, o cantor voltou a São Paulo para uma apresentação no Carioca Club.
E, olha, ainda bem que esse show aconteceu, porque eu não ia querer ficar só na vontade de ouvir esses clássicos ao vivo.
Roy Khan: uma voz que marcou a história do Kamelot
Antes de falar do show em si, vale lembrar um pouquinho da trajetória desse homem, porque história é o que não falta.
Roy Khan começou sua carreira com o Conception, banda norueguesa de metal progressivo, nos anos 1990. Em 1998, entrou para o Kamelot e, a partir daí, ajudou a construir uma das fases mais queridas da banda.
E não foram poucos os discos que marcaram essa trajetória. Karma (2001), Epica (2003), The Black Halo (2005) e Ghost Opera (2007) estão entre os trabalhos que consolidaram seu nome no metal. São álbuns que misturam power metal, elementos sinfônicos, melodias marcantes e aquela dramaticidade que combina perfeitamente com a interpretação de Roy.
Se eu tivesse que escolher um disco para representar essa fase, seria The Black Halo. Aliás, esse álbum é um dos meus favoritos do Kamelot! Lançado em 2005 e inspirado na história de Fausto, ele tem músicas que continuam funcionando tão bem hoje quanto na época em que foram lançadas.
“March of Mephisto”, “When the Lights Are Down” e “The Haunting” são alguns exemplos de como a banda conseguia criar músicas grandiosas sem perder o peso e a melodia. E a voz de Roy era uma parte fundamental disso tudo.
Ele deixou o Kamelot em 2011, mas continuou sua trajetória com o retorno ao Conception, que lançou My Dark Symphony (2018) e State of Deception (2020). Ao longo dos anos, também participou de outros projetos e colaborações, mantendo seu nome presente na cena.
Mas, convenhamos, para muita gente, Roy Khan será sempre aquela voz que deu vida a alguns dos maiores clássicos do Kamelot. E o show no Carioca Club foi uma bela oportunidade de matar a saudade dessa fase.
Maestrick: os brasileiros mostraram a que vieram!
A noite começou com a Maestrick, banda brasileira de metal progressivo que vem conquistando cada vez mais espaço na cena. E já vou adiantar: os caras fizeram bonito!
A banda foi escolhida para acompanhar Roy Khan na turnê The Black Halo and Beyond, pela América Latina. E, depois de assistir à apresentação, ficou bem fácil entender essa escolha.
A Maestrick não estava ali apenas para acompanhar um artista internacional. Os músicos mostraram personalidade, qualidade e um entrosamento daqueles que fazem a gente perceber quando existe muito trabalho por trás de uma apresentação.
Fabio Caldeira nos vocais, Caio Kehyayan na guitarra, Renato Montanha no baixo, Chris Oliveira na bateria e Charles Soulz nos teclados entregaram um show muito consistente. Todo mundo estava afiado, e a interação com o público aconteceu de maneira natural, sem aquela sensação de que a banda estava apenas cumprindo tabela antes da atração principal.
Fabio, em especial, me chamou a atenção pela maneira como conduz os vocais. Ele tem técnica, precisão e sabe colocar emoção na interpretação. Não é só aquela coisa de mostrar que consegue cantar notas difíceis: existe sentimento ali, e isso faz diferença demais no palco.
E essa parceria com Roy Khan não começou agora. No ano passado, a Maestrick lançou “Lunar Vortex”, faixa que conta com a participação do cantor norueguês. Então, os músicos já tinham essa conexão, e foi muito legal ver como ela funciona também ao vivo.
Outra coisa de que gosto na Maestrick é que, apesar de a banda trabalhar com uma sonoridade que conversa muito bem com o prog metal internacional e cantar bastante em inglês, ela não deixa suas raízes brasileiras de lado.
Um dos momentos mais legais do show foi “Penitência”, cantada em português e carregada daquela identidade cultural que faz parte da proposta da banda. E eu acho isso muito importante! É ótimo ver nossos músicos buscando espaço lá fora, mas sem precisar deixar de lado aquilo que os torna únicos.
Durante a apresentação, Fabio agradeceu ao público pela recepção e falou sobre a emoção de ter a oportunidade de acompanhar Roy Khan nessa turnê. Foi um momento muito bacana, porque dava para perceber o quanto aquilo significava para ele.
E o público correspondeu! A galera cantou, pulou e vibrou junto com a banda. Claro que todo mundo estava ansioso para ver Roy, mas a Maestrick conseguiu segurar muito bem essa expectativa e entregar uma apresentação que valeu por si só.
Sabe quando você vai para um show esperando curtir a atração principal e acaba saindo também com vontade de ouvir mais da banda de abertura? Foi essa a sensação. E, sinceramente, é muito bom ver uma banda brasileira mostrando serviço em um palco desses.
Roy Khan: pontualidade, clássicos e um público que sabia cada palavra
Roy subiu ao palco às 19h15, cravadas! E eu preciso fazer um comentário aqui: como é bom quando um show começa no horário anunciado! (risos).
Pode parecer bobagem, mas eu valorizo muito isso. É respeito com quem comprou ingresso, se organizou para chegar ao local e tem outros compromissos no dia seguinte. E nós, os 30+, agradecemos especialmente quando o show começa cedo e não precisamos voltar para casa de madrugada!
Mas vamos ao que interessa: Roy Khan estava ali, diante de nós, pronto para cantar aqueles clássicos que tanta gente esperava ouvir.
O show foi lindo. E digo isso não apenas pela qualidade vocal, que continua impressionante, mas também pela maneira como ele se relacionou com o público durante toda a apresentação.
Roy tem uma presença de palco muito particular. Não precisa ficar exagerando nos movimentos ou tentando chamar atenção o tempo inteiro. Ele simplesmente entra, começa a cantar e pronto: todo mundo está olhando para ele.
Sua voz estava impecável, com aquela precisão que a gente conhece dos discos, e foi muito legal perceber o quanto ele parecia confortável naquele repertório. As músicas fluíam, os músicos estavam muito bem entrosados e o público cantava praticamente tudo.
Em vários momentos, a plateia gritava o nome de Roy, e ele recebia esse carinho com um sorriso e muita gratidão. Teve também um comentário que achei especialmente simpático: ele disse que estar em São Paulo era como estar em casa.
E olha, considerando que essa foi a segunda vez que ele passou pela cidade neste ano, acho que os fãs têm motivos para acreditar! (risos)
O mais bonito era ver como as músicas estavam vivas na memória de todo mundo. Não importava se era um refrão mais conhecido ou uma passagem mais longa: a galera acompanhava, cantava e fazia aquele coral que só acontece quando existe uma conexão real entre o artista e o público.
E eu gosto muito de observar essas coisas durante um show. Às vezes, a gente fica tão concentrado em ouvir o cantor que esquece de olhar ao redor. Mas ver um monte de gente cantando a mesma música, cada um com sua história e suas lembranças, é uma das partes mais legais de ir a um show.
Naquela noite, ficou muito claro o quanto Roy Khan continua sendo querido por aqui.
Zoe Federoff e um dos momentos mais bonitos da noite
Além dos músicos da Maestrick, que acompanharam Roy com muita competência, tivemos a participação especial de Zoe Federoff, ex-vocalista do Cradle of Filth.
Fabio Caldeira também ficou responsável pelos backing vocals, enquanto Zoe participou das passagens vocais que ajudaram a dar ainda mais força a algumas músicas. E foi em “The Haunting” que ela brilhou especialmente.
Para quem não lembra, a versão original conta com Simone Simons, vocalista do Epica, dividindo os vocais com Roy. É uma música que pede bastante interpretação, porque não basta cantar bem: tem todo um clima dramático que faz parte da composição.
Zoe deu conta do recado muito bem! Sua voz combinou com a proposta da música, e a interpretação ficou intensa, criando um daqueles momentos em que você simplesmente para e pensa: caramba, que bonito!
O público gostou tanto que começou a gritar o nome dela, e foi muito legal ver a reação da cantora, visivelmente feliz com o carinho que estava recebendo.
E preciso dizer: Zoe estava lindíssima e afinadíssima! Mesmo participando como vocalista de apoio, ela não passou despercebida em nenhum momento.
Para quem acompanha sua trajetória, o reencontro com o público brasileiro também teve um significado especial, especialmente depois de sua saída conturbada do Cradle of Filth. Sua última passagem pelo Brasil havia sido marcada por esse contexto, inclusive após uma apresentação no Carioca Club.
Dessa vez, foi muito bom vê-la em outro momento, dividindo o palco com músicos talentosos e recebendo uma resposta tão calorosa da plateia.
No fim, o que ficou foi a música e uma participação que acrescentou muito ao show. Zoe mereceu cada grito e cada aplauso!
The Black Halo: um disco que continua sendo especial
Agora, se tem uma coisa que me deixou feliz nessa noite foi poder ouvir ao vivo tantas músicas de The Black Halo.
Eu já falei que esse é um dos meus discos favoritos do Kamelot, né? Então imaginem a minha alegria!
“When the Lights Are Down” foi daqueles momentos em que o público cantou junto sem economizar a voz. “Moonlight” trouxe mais uma vez aquela atmosfera envolvente, enquanto “Memento Mori” mostrou por que esse álbum é tão especial para quem gosta de músicas longas, dramáticas e cheias de nuances.
É um disco que tem personalidade. Cada faixa parece fazer parte de uma história maior, e Roy sabe muito bem como conduzir essas músicas, dando o peso certo a cada momento.
O interessante é que, mesmo depois de tantos anos, elas não soam como lembranças distantes. Pelo contrário: continuam despertando a mesma empolgação, e talvez até mais, porque agora a gente consegue olhar para trás e entender o tamanho da importância que tiveram na história do metal.
E então veio “March of Mephisto”, encerrando a apresentação em grande estilo.
Foi um final à altura de tudo o que aconteceu naquela noite. Uma música grandiosa, cheia de personalidade, que colocou o público para cantar mais uma vez e deixou aquela vontade de que o show pudesse continuar por mais algumas horas.
Se dependesse da galera, acho que ninguém reclamaria de um repertório ainda maior!
Um show que valeu a espera
Saí do Carioca Club muito feliz por finalmente ter conseguido ver Roy Khan ao vivo. Perder sua apresentação no Bangers Open Air tinha sido frustrante, mas essa segunda oportunidade acabou tornando a experiência ainda mais especial para mim.
Foi uma noite de grandes músicas, boas surpresas e, acima de tudo, muito carinho. Roy mostrou que continua com uma voz impressionante e que a conexão com seus fãs permanece firme. A Maestrick fez uma abertura excelente e provou que merece cada vez mais espaço, enquanto Zoe Federoff adicionou um brilho especial a um show que já tinha tudo para dar certo.
E acho que esse é um dos motivos pelos quais a gente continua indo a shows, mesmo depois de tantos anos. Não é só para ouvir ao vivo aquela música que já escutamos centenas de vezes. É pela experiência, pelo encontro com outras pessoas que gostam das mesmas coisas e pela sensação de que, durante algumas horas, o mundo lá fora pode esperar.
Naquela noite, eu estava ali, cantando músicas que continuam tendo um lugar especial na minha vida, cercada por gente que também sabia de cada palavra. E foi impossível não pensar em como algumas bandas e artistas acompanham a gente por tanto tempo que acabam fazendo parte da nossa própria história.
O show terminou, as luzes acenderam e chegou a hora de voltar para casa. Mas a cabeça continuou no Carioca Club, repassando os melhores momentos e cantarolando aqueles refrões que insistem em não sair da cabeça.
No fim das contas, acho que a música tem mesmo esse poder: ela guarda um pedacinho de quem fomos, acompanha quem somos e, de vez em quando, nos devolve tudo isso de uma vez só.
E, quando uma voz como a de Roy Khan volta a cantar aquelas músicas, a gente percebe que algumas coisas não precisam voltar a ser como eram para continuarem sendo especiais.
Basta a primeira nota, um refrão cantado por centenas de pessoas e aquela sensação boa de estar exatamente onde deveria estar.
E, dessa vez, eu estava lá. Ainda bem!
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Amanda Vasconcelos
Realização: Agência Artística
Press: TRM Press
Roy Khan – setlist:
When the Lights Are Down
Soul Society
Moonlight
Center of the Universe
Abandoned
The Haunting (Somewhere in Time)
Rule the World
Memento Mori
Nights of Arabia
Karma
Forever
Bis
Ghost Opera
Epilogue
March of Mephisto

















.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)



.jpeg)

.jpeg)

