Formado na Dinamarca em 2023 por ex-integrantes de Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver e The World State, o Dread Witch lançará em pleno dia das bruxas o seu segundo álbum, intitulado “Cult“, evocando uma aura totalmente absorta na escuridão, com sua temática inspirada no cinema cult e literatura de horror.
Esse é facilmente um álbum em que você é arrebatado para uma outra dimensão, com uma sonoridade que enlaça o Death/Doom com pitadas generosas de stoner e outras influências musicais que a banda possui, nos trazendo uma precisão cirúrgica na sequência de cada composição.
As três guitarras com afinação grave, que se juntam ao baixo distorcido, bateria estrondosa, vocais ritualísticos e texturas ambientais, criam a parede sonora densa e de atmosfera sinistra.
Já na faixa de introdução “Born Again”, temos uma abertura funesta e bem marcada por uma atmosfera que nos remete à timbres psicodélicos, tipicamente viajantes, e podemos sentir a presença de nomes de peso como influências , como Sleep e Triptykon, e até mesmo um pouco de Pink Floyd.
Na sequência, a faixa título “Cult“, que chega evocando a crueza nada polida dos riffs, que mais parecem ser vindos de uma motosserra.
A bateria e baixo te ancoram no coração da banda, como se fosse uma compressão contra o peito tal o peso avassalador.
"Altar" se destaca com seu andamento arrastado e de aura totalmente sinistra e maléfica, e traz a participação especial de Sofia Schmidt, do Ethereal Kingdoms, que assume o papel da própria Dread Witch, em uma performance tétrica, intensa e perturbadora.
“The Summoning” é quase um transe espiritual com partes em coro e variações vocais impressionantes, ora quase sussurrantes e ora num gutural soberbo.
Podemos notar que não há uma faixa somente que tem destaque, mas sim um novo material tão impactante que é tranquilamente a prova de que quando os músicos estão na mesma sintonia, tudo se transforma em um monumento sonoro de produção musical, instrumental e lírica gigante.
O álbum foi produzido, mixado e masterizado pelo lendário produtor dinamarquês Tue Madsen, cujos extensos créditos incluem Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted e Belphegor, entre muitos outros.
Tudo milimetricamente não artificial, orgânico e com uma aura de filme de terror dos anos 80.
Aproveite a imersão na obra, pois ela merece uma audição como um todo.
Lançamento: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Tracklist:
Born Again Cult Cyclops Altar Marrow Vesexuff Omen of Oblivion
The Summoning
Dread Witch é:
Mikael Rise - Lead Vocals & Guitar Dennis Larsen - Drums Andreas Cadaver - Guitar Leifur Nielsen - Bass & Vocals Jesper Kragh - Lead Guitar
Dread Witch: Death/Doom Immersed in Horror Literature and Cult Cinema
Review by: Fernanda Luísa
Formed in Denmark in 2023 by former members of Scamp, Horned Almighty, Stone Cadaver, and The World State, Dread Witch will release their second album, titled "Cult," on Halloween. Evoking an aura completely absorbed in darkness, its themes are inspired by cult cinema and horror literature.
This is easily an album that transports you to another dimension, with a sound that blends Death/Doom with generous hints of stoner and other musical influences the band possesses, bringing surgical precision to the sequence of each composition.
The three low-tuned guitars, joined by distorted bass, thunderous drums, ritualistic vocals, and ambient textures, create a dense wall of sound and a sinister atmosphere.
In the opening track, “Born Again,” we have a somber and well-defined atmosphere reminiscent of psychedelic sounds and foreign journeys, and we can feel the presence of heavyweight influences such as Sleep and Triptykon, and even a touch of Pink Floyd.
Following this, the title track “Cult” evokes the unpolished cross of riffs that sound more like they're coming from a chainsaw.
The drums and bass anchor you to the heart of the band, as if pressed against your chest with such overwhelming weight.
"Altar" stands out with its dragging tempo and totally sinister and malevolent aura, and features a special guest appearance by Sofia Schmidt from Ethereal Kingdoms, who takes on the role of the Dread Witch herself, in a grim, intense, and disturbing performance.
"The Summoning" is almost a spiritual trance with choral parts and impressive vocal variations, sometimes almost whispering and sometimes in a sober guttural style.
We can see that there isn't just one standout track, but rather a new material so impactful that it's easily proof that when musicians are in sync, everything transforms into a giant sonic monument of musical, instrumental, and lyrical production.
The album was produced, mixed, and mastered by the legendary Danish producer Tue Madsen, whose extensive credits include Meshuggah, Baest, Moonspell, The Haunted, and Belphegor, among many others.
Everything is meticulously natural, organic, and has an aura of an 80s horror film.
Enjoy the work, as it deserves a full listen.
Release: DHU Records / Bottomless Pit / Gateway Music
Tracklist: Born Again Cult Cyclops Altar Marrow Vesexuff Omen of Oblivion The Summoning
Dread Witch is: Mikael Rise - Vocals and Guitar Dennis Larsen - Drums Andreas Cadaver - Guitar Leifur Nielsen - Bass and Vocals Jesper Kragh - Lead Guitar
Depois de mais de quatro décadas ajudando a definir os caminhos do heavy metal europeu, Kai Hansen poderia simplesmente repetir a fórmula que o transformou em um dos nomes mais importantes do gênero. Afinal, existe pouca coisa mais tentadora para um músico com uma história como a dele do que voltar ao território seguro de Helloween e Gamma Ray. Born With A Hammer, porém, parte justamente da direção contrária.
Lançado oficialmente em 18 de setembro de 2026 pela earMUSIC, o álbum é o primeiro trabalho solo de Hansen em dez anos, depois de XXX – Three Decades in Metal, lançado em 2016 sob o nome Hansen & Friends. Desta vez, o projeto aparece simplesmente como Hansen, acompanhado por Eike Freese, Alexander Dietz, Dan Wilding e Tim Hansen, filho de Kai. São dez faixas e pouco mais de 45 minutos em que o guitarrista parece ter se permitido uma coisa que sua carreira raramente exige dele: não precisar responder às expectativas de ninguém.
E isso fica evidente já nos primeiros minutos. Feeding The Beast começa com uma introdução limpa e relativamente contida antes de o peso entrar de maneira progressiva. Quando a bateria acelera e as guitarras assumem o controle, a primeira associação inevitável é com o Hansen que conhecemos. Há velocidade, melodias de guitarra, vocal imediatamente reconhecível e aquela combinação entre agressividade e senso melódico que ajudou a moldar o power metal europeu.
Só que, depois de estabelecer esse território conhecido, o disco começa a desmontá-lo. A grande qualidade de Born With A Hammer está justamente nessa sensação de que Hansen sabe perfeitamente onde o ouvinte espera que determinada música vá chegar e, em seguida, decide virar o volante.
1. Feeding The Beast
A abertura funciona quase como uma isca. Os primeiros acordes criam uma atmosfera mais introspectiva, e por alguns instantes parece que o álbum vai seguir uma direção mais tradicional. Então entram as guitarras e a bateria, e a música ganha velocidade até desembocar em um heavy metal bastante familiar.
O riff principal é direto, mas não simplório. Há uma boa dinâmica entre as partes mais abertas e os momentos em que a guitarra aperta o andamento, enquanto Hansen mantém aquela voz que nunca dependeu de perfeição técnica para ser imediatamente identificável.
É provavelmente a faixa que mais conversa com o legado de Gamma Ray e Helloween, e isso é importante porque oferece ao ouvinte uma porta de entrada segura antes de o álbum começar a mostrar suas outras faces. Resenhas publicadas antes e no dia do lançamento também destacaram justamente essa proximidade inicial com o power metal clássico.
2. Welcome To Life
Se a primeira faixa apresenta o Hansen que você esperava ouvir, Welcome To Life é a primeira grande rasteira do álbum. A música chega mais solta, com uma energia quase punk e uma abordagem menos polida. A guitarra parece propositalmente mais crua, e a estrutura transmite uma sensação de espontaneidade que contrasta bastante com a precisão de Feeding The Beast.
E então acontece a mudança mais inesperada: a faixa mergulha em um trecho de inspiração reggae. Sim, reggae.
E o mais curioso é que a transição não soa como uma piada colocada ali apenas para causar estranhamento. O próprio Hansen explicou que a ideia veio de seu gosto pelo gênero e da influência do ambiente em que estava trabalhando, inclusive associando essa sonoridade às experiências vividas durante sua passagem pela Costa Rica.
3. Don’t Care
A terceira faixa aumenta ainda mais essa sensação de liberdade. Don’t Care tem uma energia brincalhona e deliberadamente descompromissada. A guitarra continua sendo protagonista, mas aparecem texturas eletrônicas e uma batida que foge consideravelmente do que se esperaria de um disco associado a um dos arquitetos do power metal.
É também uma música em que a personalidade de Hansen pesa mais do que a necessidade de impressionar. Existe algo quase juvenil na composição, no melhor sentido possível. O músico parece estar se divertindo com as próprias possibilidades, e isso acaba sendo mais interessante do que qualquer tentativa de produzir uma faixa “importante”.
O contraste entre os instrumentos eletrônicos e o refrão guiado por guitarra é um dos detalhes que fazem a música permanecer na cabeça. Ao mesmo tempo, é aqui que o álbum começa a revelar seu primeiro problema: nem toda ideia experimental possui a mesma força das melhores composições.
4. Wait And See
E então Hansen fecha a porta da brincadeira e coloca o álbum novamente sob tensão. Wait And See é mais pesada, mais escura e consideravelmente mais compacta. O riff trabalha em uma região mais grave, com uma sonoridade que se aproxima do metal moderno sem abandonar a capacidade melódica do guitarrista.
A diferença é perceptível principalmente no tratamento rítmico. Em vez de simplesmente acelerar, a música pesa. Os grooves são mais secos, a bateria tem uma presença mais física e a guitarra ganha uma textura quase industrial. O single já havia sido apresentado antes do álbum como uma mudança de direção em relação à liberdade rock'n'roll de Welcome To Life, assumindo uma atmosfera mais pesada e intensa.
5. Born With A Hammer
E chegamos ao coração do álbum. Com pouco mais de oito minutos, a faixa-título é a composição em que Hansen finalmente abandona qualquer preocupação com concisão e simplesmente deixa a música crescer.
O começo já estabelece uma atmosfera mais teatral, com piano, harmonias vocais e uma construção que imediatamente remete à tradição do rock épico. Conforme a música avança, aparecem mudanças de dinâmica, passagens mais pesadas, melodias de guitarra e arranjos vocais cada vez maiores.
A referência a Queen é impossível de ignorar, especialmente na maneira como Hansen trabalha os diferentes blocos da composição. Mas o interessante é que ele não tenta esconder a influência. Ela faz parte da própria proposta da música.
O guitarrista contou que a composição nasceu ao piano, a partir de alguns acordes e de uma melodia que já estava em sua cabeça. Segundo ele, desde o início ficou claro que a música não seria um formato convencional e que a direção mais grandiosa fazia sentido.
Há uma quantidade enorme de ideias acontecendo aqui, mas Hansen consegue impedir que a música vire apenas uma colagem de referências porque existe uma linha melódica conduzindo tudo. É uma faixa que exige mais atenção do que as anteriores e, justamente por isso, cresce a cada audição.
6. I.D.G.A.F.
Depois de oito minutos de grandiosidade, Hansen faz a coisa mais Hansen possível: volta com uma música que praticamente manda toda a pompa para o inferno.
I.D.G.A.F. é curta, agressiva e extremamente direta. O riff tem uma pegada quase punk, mas a produção adiciona elementos eletrônicos que deixam tudo mais estranho. A batida sintética cria um contraste interessante com a guitarra, e o refrão é construído para ser gritado.
7. End Of The Road
Aqui aparece novamente o Kai Hansen que os fãs antigos provavelmente estavam esperando. End Of The Road é mais melódica, pesada e tradicional. As guitarras retomam uma construção mais próxima do heavy/power metal, e o refrão tem aquela dimensão de hino que Hansen domina há décadas.
Mas existe uma diferença importante na letra. A música fala sobre o fim de um relacionamento, e não sobre o próprio Hansen chegando ao fim da estrada. O encerramento de uma relação aparece como algo doloroso, mas também como uma experiência que não apaga o carinho e a história compartilhada.
Essa dualidade aparece na própria composição: existe melancolia, mas não uma atmosfera derrotista. É provavelmente a música que melhor equilibra passado e presente. Tem DNA de power metal, mas não soa como uma tentativa de voltar no tempo.
8. Triple Trouble
Com pouco mais de três minutos, Triple Trouble é o tiro curto do álbum. A música entra acelerada e não parece particularmente interessada em desenvolver uma grande narrativa. Ela quer velocidade, riff e energia.
Existe uma agressividade punk na maneira como a composição avança, e a presença de Tim Hansen na guitarra acrescenta uma energia diferente ao conjunto. O contraste entre pai e filho também dá à faixa uma espécie de sensação geracional, ainda que o álbum nunca transforme isso em seu conceito central.
9. Invaders
Invaders trabalha com uma fórmula muito mais simples. A música aposta em um riff insistente, bateria firme e um refrão grande, daqueles que parecem nascer pensando no palco. Não há a mesma quantidade de desvios estilísticos de Welcome To Life ou I.D.G.A.F., e isso faz com que ela funcione quase como uma pausa dentro da extravagância do disco.
A guitarra encontra um groove bastante eficiente, e Hansen não precisa exagerar na interpretação para fazer a faixa funcionar. É uma composição que depende muito mais do riff e da repetição estratégica do que de grandes mudanças estruturais.
10. Wonderland
Wonderland chega pesada, com guitarras encorpadas, bateria forte e uma atmosfera que mistura o peso do heavy metal tradicional com algumas das características mais modernas apresentadas ao longo do disco.
O vocal de Hansen aparece mais grave e áspero, e isso combina com a sensação de fechamento da música. É como se, depois de percorrer todos aqueles estilos, o álbum finalmente voltasse ao elemento que nunca desapareceu em nenhum momento: a guitarra.
O riff é provavelmente o elemento mais memorável da faixa, e a bateria de Dan Wilding dá um peso considerável ao encerramento. É uma escolha interessante para terminar porque Hansen poderia ter optado por uma balada ou por outro épico. Em vez disso, ele termina com força.
Divulgação
Confira a tracklist completa do Born With A Hammer:
Se tem uma coisa que o Metalite sabe fazer muito bem é misturar o metal melódico com elementos modernos sem deixar o peso de lado. Formada na Suécia em 2015, a banda vem construindo sua identidade dentro do power metal moderno, acrescentando sintetizadores, elementos eletrônicos e atmosferas cinematográficas. Não é por acaso que o grupo é considerado um dos pioneiros do moderno sci-fi inspired power metal.
Em Discovery, essa proposta aparece ainda mais forte. O conceito futurista e de ficção científica é bastante ousado e está presente não apenas nas letras, mas também na própria sonoridade. Comparando com os trabalhos anteriores, sinto que a banda foi ainda mais fundo nessa ideia de unir o metal melódico aos elementos eletrônicos.
E isso já fica muito claro na primeira faixa, “Our Time Has Come”. A música é explosiva e grandiosa do começo ao fim e resume muito bem o que vamos encontrar pela frente. “In Case of Emergency” segue praticamente a mesma linha, mantendo aquela energia que parece feita para funcionar muito bem ao vivo.
Nos vocais, Erica Ohlsson realmente rouba a cena. A técnica vocal é impecável e ela consegue acompanhar toda a grandiosidade das músicas sem perder clareza ou potência. Para mim, ela é a grande estrela de Discovery.
Também gostei bastante do trabalho instrumental. A bateria de Erik Junttila mantém o álbum sempre em movimento, enquanto Edwin Premberg, nas guitarras, entrega solos bem construídos e momentos que acrescentam ainda mais peso às músicas.
Falando em produção, aqui não tem muito o que reclamar. A mixagem e a masterização ficaram por conta de Jacob Hansen, produtor conhecido por trabalhos com bandas como Amaranthe e Evergrey, e o resultado é realmente impecável. Tudo soa muito limpo, moderno e grandioso, mas sem tirar o protagonismo das guitarras e dos vocais.
Em “Into the Maze”, por exemplo, temos uma faixa mais pesada, com um ótimo solo de guitarra. Já “Echoes of You” começa com piano e traz uma atmosfera um pouco diferente, menos acelerada. É uma das faixas que mais me chamou atenção justamente por conseguir quebrar um pouco a velocidade do álbum sem perder sua identidade.
“Starchild” é provavelmente uma das músicas mais eletrônicas do disco. É dançante, moderna e tem uma energia quase impossível de ignorar, mas continua mantendo o peso do metal. É justamente esse tipo de combinação que faz o Metalite funcionar tão bem.
Outra que gostei bastante foi “Wings of Fire”. A faixa mantém a pegada moderna, mas acrescenta elementos de hard rock, criando um dos momentos mais equilibrados do álbum. A música consegue te transportar para um grande festival. O solo de guitarra também dá um brilho especial à faixa, que, para mim, é uma das melhores do disco.
“Metal Elite” também merece destaque e mantém a energia que encontramos ao longo de Discovery. Já “Triforce”, escolhida para fechar o álbum, funciona muito bem como encerramento porque permanece fiel à proposta tanto musicalmente quanto no conceito futurista.
No geral, Discovery é um disco muito energético. São 12 faixas com bastante eletrônica, refrões explosivos e grandiosos e uma produção extremamente moderna. Confesso que senti falta de um pouco mais de espaço para desacelerar em alguns momentos, talvez uma balada, mas também entendo que essa velocidade constante faz parte da proposta.
Para mim, o Metalite conseguiu entregar exatamente o que se propôs a fazer. Discovery é ousado, ambicioso e muito bem produzido, sendo um prato cheio para quem gosta de power metal melódico e não se incomoda em ver o gênero flertando bastante com a música eletrônica e a estética futurista.
É um disco que parece ter sido feito para ser ouvido alto — e, principalmente, para ser levado para o palco. Eu consigo imaginar facilmente esses refrões enormes sendo cantados por uma plateia inteira.
***ENGLISH VERSION***
If there’s one thing Metalite knows how to do really well, it’s mixing melodic metal with modern elements without losing its heaviness. Formed in Sweden in 2015, the band has been building its own identity within modern power metal, adding synthesizers, electronic elements and cinematic atmospheres. It’s no coincidence that the band is considered one of the pioneers of modern sci-fi-inspired power metal.
On Discovery, this approach becomes even stronger. The futuristic and science-fiction concept is quite bold and can be felt not only in the lyrics, but also throughout the music itself. Compared to their previous releases, I feel the band has gone even further with the idea of bringing melodic metal and electronic elements together.
This becomes clear right from the opening track, “Our Time Has Come”. The song is explosive and grand from beginning to end, and it sums up very well what we’re about to experience. “In Case of Emergency” follows pretty much the same path, keeping that energy that feels like it was made to work really well on stage.
When it comes to the vocals, Erica Ohlsson really steals the show. Her vocal technique is impeccable, and she manages to keep up with all the grandeur of the songs without losing clarity or power. For me, she is the real star of Discovery.
I also really enjoyed the instrumental work. Erik Junttila’s drumming keeps the album constantly moving, while Edwin Premberg delivers well-crafted guitar solos and moments that add even more weight to the songs.
And when it comes to the production, there isn’t much to complain about. The mixing and mastering were handled by Jacob Hansen, a producer known for his work with bands such as Amaranthe and Evergrey, and the result is truly flawless. Everything sounds clean, modern and grand, without taking the spotlight away from the guitars and vocals.
In “Into the Maze”, for example, we get a heavier track with a great guitar solo. “Echoes of You”, on the other hand, opens with piano and brings a slightly different atmosphere, slowing things down a bit. It’s one of the tracks that caught my attention the most precisely because it manages to break up the album’s constant pace without losing its identity.
“Starchild” is probably one of the most electronic songs on the album. It’s danceable, modern and has an energy that’s almost impossible to ignore, while still keeping the weight of metal. This is exactly the kind of combination that makes Metalite work so well.
Another track I really enjoyed is “Wings of Fire”. It keeps the modern approach but brings in some hard rock elements, creating one of the most balanced moments on the album. The song can easily transport you to a huge festival. The guitar solo also gives the track an extra spark and, for me, makes it one of the best songs on the album.
“Metal Elite” also deserves a mention, keeping up the energy we find throughout Discovery. “Triforce,” chosen to close the album, works really well as a finale because it stays true to the album’s proposal both musically and conceptually, especially with its futuristic theme.
Overall, Discovery is a very energetic album. Across its 12 tracks, we get plenty of electronics, explosive and grand choruses, and an extremely modern production. I have to admit that I sometimes missed having a little more room to slow things down, maybe with a ballad, but I also understand that this constant energy is part of the album’s identity.
For me, Metalite delivers exactly what they set out to do. Discovery is bold, ambitious and very well produced, making it a great choice for anyone who enjoys melodic power metal and doesn’t mind seeing the genre flirt heavily with electronic music and futuristic aesthetics.
This is an album that feels like it was made to be played loud — and, most importantly, to be taken to the stage. I can easily imagine those huge choruses being sung by an entire crowd.
Quarenta e cinco anos de carreira costumam colocar uma banda diante de uma escolha: olhar para trás ou tentar provar que ainda existe futuro pela frente. Stories Of Destiny, novo álbum do Mad Max, tenta fazer as duas coisas, e seu maior mérito está justamente em não tratar essas possibilidades como opostas.
Lançado em 4 de setembro de 2026 pela ROAR!, Stories Of Destiny chega como uma celebração dos 45 anos da banda alemã, fundada em Münster por Jürgen Breforth em 1981. Mas o aniversário é apenas o ponto de partida. O álbum reúne material novo, composições que ficaram guardadas por décadas, uma releitura de um clássico da própria banda e até a primeira música do Mad Max com letras em espanhol.
A formação também carrega essa ideia de passado e presente convivendo no mesmo espaço. Alan Clark assume os vocais principais, enquanto Andreas Baesler, primeiro vocalista do Mad Max, retorna ao microfone pela primeira vez em 45 anos. Jürgen Breforth continua sendo o eixo criativo e guitarrístico, acompanhado por Dethy Borchardt, Fabian Watermann e Axel Kruse.
E existe uma diferença importante entre fazer um álbum comemorativo e fazer um álbum sobre a própria história. Stories Of Destiny escolhe a segunda opção.
O resultado é um disco de hard rock melódico que não tenta esconder suas referências oitentistas, mas também não parece interessado em transformar o Mad Max em peça de museu. As guitarras continuam ocupando o centro do palco, os refrões são grandes e a produção de Rolf Munkes mantém tudo limpo e musculoso.
1. “Silver”
“Silver” é uma abertura extremamente segura. A guitarra aparece imediatamente como protagonista e, em poucos segundos, fica claro que o Mad Max não pretende começar seu 45º aniversário com uma balada ou uma introdução excessivamente conceitual. O riff tem peso, mas existe uma leveza melódica por trás dele que impede a música de soar agressiva demais.
É justamente essa combinação que define o disco. O verso é mais contido, enquanto o refrão abre a música e deixa Alan Clark mostrar por que sua entrada na formação é uma das novidades mais importantes desta fase. Sua voz tem uma aspereza interessante. Existe uma referência inevitável ao hard rock melódico clássico, mas Clark não soa como alguém tentando reproduzir vocalistas de outra geração. Ele traz uma personalidade própria, especialmente quando as guitarras ganham peso.
2. “Weapons Of Love”
“Silver” termina deixando uma impressão bastante imediata, e “Weapons Of Love” escolhe não aumentar a velocidade. É uma decisão interessante. A segunda faixa trabalha mais a melodia e o balanço do hard rock do que o peso. O riff é relativamente econômico e o refrão aposta em uma construção bastante clássica de arena rock.
3. “Keep You Alive”
É aqui que Stories Of Destiny finalmente mostra os dentes. “Keep You Alive” começa de maneira mais contida, quase enganando o ouvinte sobre o que está por vir. Quando as guitarras entram com força, a música muda completamente de dimensão.
O riff é mais pesado e o baixo de Fabian Watermann ganha uma presença que não estava tão evidente nas duas primeiras faixas. E o refrão é exatamente o tipo de coisa que o Mad Max sabe fazer bem: grande, direto e feito para crescer quando cantado por uma plateia.
4. “Far Behind”
“Far Behind” muda novamente o clima. Se “Keep You Alive” funciona pelo impacto, aqui o Mad Max trabalha com espaço.
As guitarras são mais abertas e o andamento permite que Alan Clark conduza a música sem precisar disputar atenção com a banda. É uma composição mais emocional, mas não chega a ser uma power ballad convencional. Existe uma melancolia no arranjo, especialmente na forma como as guitarras sustentam as linhas vocais.
5. “Piece Of Candy” — 2026 Version
“Piece Of Candy” é o coração histórico do álbum. O riff que deu origem à música foi o primeiro riff de guitarra escrito por Jürgen Breforth para o Mad Max, em 1981. Quarenta e cinco anos depois, ele volta a ser gravado com a formação atual.
Mas o detalhe que realmente transforma a faixa em algo especial está nos vocais. Alan Clark divide a música com Andreas Baesler, o primeiro vocalista do Mad Max. É impossível ouvir essa escolha apenas como uma participação especial. A música passa a funcionar como uma conversa entre duas épocas da banda.
Instrumentalmente, a nova gravação mantém a essência do hard rock clássico, mas recebe uma produção muito mais definida. As guitarras têm mais corpo, a bateria soa mais robusta e o refrão ganha uma amplitude que provavelmente não existia na gravação original.
6. “‘Til The End Of Time”
Depois da carga histórica de “Piece Of Candy”, o álbum poderia facilmente perder força. Não perde. “‘Til The End Of Time” é a segunda composição recuperada das sessões de 1991, e talvez seja uma das melhores surpresas do disco justamente porque soa como uma peça que encontrou o momento certo para finalmente existir.
A música tem um balanço mais encorpado e uma pegada que remete diretamente ao hard rock europeu do final dos anos 1980 e início dos 1990. As guitarras têm mais presença e o ritmo é mais envolvente. É também uma daquelas faixas em que se percebe como a produção moderna pode beneficiar uma composição antiga sem necessariamente descaracterizá-la.
7. “Bullet”
“Bullet” é onde o disco ganha outra injeção de energia.
O riff tem mais ataque e a guitarra volta a ocupar o primeiro plano. A bateria empurra a composição para frente e o refrão mantém a preocupação melódica que atravessa o álbum. Mas existe algo particularmente interessante aqui: a música tem uma pegada de hard rock americano que lembra, em alguns momentos, aquela tradição de bandas que conseguem equilibrar peso e refrões extremamente acessíveis.
8. “Mad Gone Blind”
“Mad Gone Blind” é uma das melhores músicas do álbum. E é também uma das que melhor mostram o potencial da formação atual.
A estrutura é mais dinâmica, as guitarras têm mais peso e Alan Clark parece especialmente confortável quando a banda aumenta a intensidade. O refrão é grande sem ser excessivamente açucarado, e há uma boa alternância entre momentos de maior agressividade e espaços para a melodia respirar.
9. “She Was Mine”
Depois de “Mad Gone Blind”, o álbum desacelera novamente. “She Was Mine” entra em um território mais sentimental, mas sem abandonar completamente as guitarras.
É uma faixa que depende bastante da interpretação de Clark. Sua voz fica mais limpa e menos agressiva, permitindo que a melodia carregue a música. Não é necessariamente uma composição revolucionária, e provavelmente não precisa ser. Ela representa aquela tradição do hard rock em que a banda deixa a velocidade de lado para construir uma história emocional.
10. “Wings Of Freedom”
“Wings Of Freedom” é a grande balada de Stories Of Destiny. Mas existe uma diferença importante entre uma balada simplesmente colocada no meio de um álbum e uma composição que realmente entende seu papel dentro da sequência.
Aqui, ela chega na hora certa. A música começa de maneira mais delicada e cresce gradualmente, permitindo que as guitarras entrem sem destruir o caráter emocional da composição.
O refrão é amplo e claramente pensado para ser cantado ao vivo. E existe uma espécie de mensagem de encerramento antecipado na letra: liberdade, movimento e a capacidade de seguir adiante.
11. “Dulces Falsos”
E então vem “Dulces Falsos”. A decisão de terminar o álbum em espanhol poderia parecer, à primeira vista, apenas uma curiosidade. Não é.
“Dulces Falsos” é uma nova versão de “Piece Of Candy” e representa o primeiro lançamento do Mad Max com letras em espanhol. A música foi pensada como uma homenagem à base de fãs latino-americana, especialmente importante para a história recente da banda na região. E a escolha de fechar o álbum com ela é bastante inteligente.
Depois de passar 45 anos olhando para sua própria história, o Mad Max termina olhando para fora.
Steffi Kruse
Confira a tracklist completa de Stories Of Destiny:
Há bandas que passam anos aperfeiçoando uma fórmula até transformá-la em assinatura. O desafio, depois disso, é conseguir permanecer reconhecível sem se tornar previsível. O Audrey Horne parece ter encontrado uma solução particularmente eficiente para esse problema: manter o DNA intacto enquanto muda constantemente a maneira de apresentá-lo.
Quatro anos depois de Devil’s Bell, a banda norueguesa retorna com Achilles, seu oitavo álbum de estúdio, lançado em 4 de setembro de 2026 pela Napalm Records. São onze faixas e pouco mais de 44 minutos em que Toschie, Ice Dale, Thomas Tofthagen, Espen Lien e Kjetil Greve percorrem hard rock, heavy metal, classic rock, melodias setentistas, AOR e algumas incursões mais progressivas sem permitir que o disco pareça uma coleção de referências.
A banda conhece Thin Lizzy, Led Zeppelin, AC/DC, Dio e Iron Maiden, mas não parece interessada em montar um museu dessas influências. As guitarras gêmeas de Ice Dale e Tofthagen são parte fundamental dessa identidade, enquanto Toschie continua sendo um dos grandes responsáveis por fazer o material soar imediatamente Audrey Horne. A produção, conduzida por Arve “Ice Dale” Isdal, também procura preservar uma qualidade mais orgânica e próxima da sensação de banda tocando junta.
Mas Achilles tem algo a mais. Por trás dos riffs e dos refrões feitos para serem cantados com uma cerveja levantada no meio da plateia, existe um disco atravessado por temas como guerra, polarização, fascismo, medo e fragilidade. O próprio título nasceu quase por acidente, mas acabou fazendo sentido quando a banda percebeu que a figura de Aquiles poderia ser relacionada às vulnerabilidades do mundo contemporâneo, especialmente em uma sociedade cada vez mais dependente de tecnologia e infraestrutura digital.
1. “Achilles”
A primeira impressão de Achilles é imediata: a banda não quer uma introdução longa para preparar o terreno. A faixa-título entra praticamente como uma declaração.
Guitarras pesadas, baixo bastante presente e uma bateria que rapidamente estabelece o tamanho da composição. Toschie aparece com aquela voz rouca e teatral que parece sempre estar a meio caminho entre cantar uma música e contar uma história.
Depois do impacto inicial, a música começa a abrir espaço para passagens mais atmosféricas e progressivas. As guitarras deixam de funcionar apenas como uma parede de peso e passam a construir camadas, enquanto a melodia ganha uma dimensão quase épica.
2. “In the Eye of the Hurricane”
Se a abertura é grandiosa, “In the Eye of the Hurricane” é onde o Audrey Horne começa a mostrar sua habilidade em transformar classic rock em algo extremamente moderno.
As guitarras gêmeas de Ice Dale e Thomas Tofthagen são imediatamente reconhecíveis. Existe aquela influência de Thin Lizzy e Wishbone Ash nas harmonias, mas também uma espécie de brilho AOR que remete ao hard rock do final dos anos 1970 e começo dos 1980.
Toschie canta com bastante espaço, deixando que o refrão seja realmente o centro da composição. E esse é um daqueles refrões que parecem ganhar tamanho cada vez que retornam. A faixa tem uma qualidade muito “de palco”.
3. “Vampires”
“Vampires” é onde o álbum começa a ficar perigosamente viciante. O riff é simples o suficiente para entrar imediatamente na cabeça, mas não tão simples a ponto de parecer descartável. Existe groove, existe espaço e existe aquele tipo de melodia que parece pedir uma plateia inteira cantando junto.
4. “God Damn Beautiful”
Aqui acontece uma das melhores surpresas do álbum: Espen Lien assume os vocais.
E o mais interessante é que a música não soa como uma interrupção na identidade do Audrey Horne. Pelo contrário: parece uma peça que estava faltando. “God Damn Beautiful” tem uma influência de Thin Lizzy particularmente evidente, tanto no trabalho das guitarras quanto na forma como a melodia se desenvolve. Mas o elemento que realmente a diferencia é a voz de Lien. Ela é menos teatral do que a de Toschie e possui um caráter mais direto, quase casual. Isso combina perfeitamente com a música.
5. “Pretty Little Lies”
Depois de quatro faixas essencialmente construídas para levantar o público, “Pretty Little Lies” muda completamente o clima. E é uma mudança necessária.
A música é uma balada, mas não exatamente aquela balada de power metal construída para esperar o grande solo final. Toschie canta de maneira mais contida, deixando que a fragilidade da interpretação ocupe o primeiro plano. A guitarra limpa cria espaço e a música cresce aos poucos até alcançar um final mais dramático. É provavelmente uma das melhores performances vocais do álbum.
6. “Prodrome”
“Prodrome” é minúscula. Um minuto e três segundos. E, justamente por isso, seria muito fácil perguntar por que ela está aqui.
A resposta está na posição. Depois de “Pretty Little Lies”, a faixa funciona como uma pequena passagem instrumental que prepara o terreno para “Insanity”. Em vez de avaliá-la isoladamente, ela funciona como uma dobradiça dentro do álbum.
7. “Insanity”
E então o Audrey Horne pisa no acelerador. “Insanity” é provavelmente a faixa em que o peso do Achilles aparece com maior clareza.
O riff tem aquela sensação de cavalgada típica do heavy metal britânico, as guitarras trabalham harmonias mais agressivas e Kjetil Greve conduz tudo com uma bateria que parece empurrar a música para frente a cada compasso.
A comparação com Iron Maiden não é gratuita. A música foi concebida como uma espécie de prequela de “Hallowed Be Thy Name”, e essa influência aparece não apenas na velocidade, mas na própria construção narrativa.
8. “Hell Is Eternity”
“Hell Is Eternity” começa com uma das linhas de baixo mais interessantes do disco. E isso não é um detalhe pequeno.
O baixo de Espen Lien recebe bastante espaço na mixagem e cria um groove que segura a música enquanto as guitarras entram aos poucos. Depois, o Audrey Horne começa a acelerar. Existe novamente aquela sensação de Iron Maiden, mas a música tem uma pegada mais hard rock e menos puramente heavy metal.
9. “Six Feet in the Ground”
“Six Feet in the Ground” volta a diminuir a velocidade, mas não perde peso. Existe uma melancolia evidente na composição, especialmente nas linhas vocais.
O trabalho de guitarra limpa cria um contraste interessante com os momentos mais pesados, e o baixo novamente aparece com bastante personalidade. É uma música que parece mais introspectiva.
10. “Running Through the Night”
Se havia alguma dúvida de que o Iron Maiden estava entre as referências mais fortes desse álbum, “Running Through the Night” resolve.
A música começa com uma energia que lembra imediatamente o heavy metal britânico dos anos 1980, inclusive na maneira como as guitarras constroem aquela sensação de corrida permanente. As guitarras têm aquele caráter melódico que é próprio da banda, enquanto Toschie transforma a velocidade em uma espécie de narrativa.
11. “New Star Falling”
Fechar um álbum de hard rock com uma power ballad é uma decisão que poderia facilmente soar previsível. “New Star Falling” consegue escapar disso.
A música começa melódica, quase contemplativa, e vai crescendo gradualmente até chegar a um final que utiliza novamente o trabalho de guitarras duplas de maneira muito eficiente. Toschie está especialmente confortável aqui. Sua voz tem espaço para crescer junto com o arranjo, e a música não tenta acelerar o processo.
Há bandas que passam anos procurando uma identidade. O Night Laser parece ter decidido que o melhor caminho seria simplesmente parar de procurar — e fazer tudo aquilo que tem vontade. Em Rats In The Cradle, o quarteto de Hamburgo transforma glam e sleaze metal em ponto de partida para uma viagem que passa por hard rock clássico, heavy metal, blues, power metal, thrash, funk e até momentos de forte apelo acústico. O resultado é um álbum surpreendentemente diversificado, mas que, apesar de toda essa variedade, nunca perde completamente sua assinatura.
A abertura com “S.T.F.U.” deixa claro que as raízes da banda continuam firmemente plantadas no sleaze. Coros, guitarra marcante e um refrão altamente melódico dão à faixa aquela combinação de atitude e acessibilidade que o gênero exige. Os backing vocals ampliam o impacto da voz de Benno Hankers, enquanto o solo é econômico e eficiente. O interessante interlúdio, reduzido a voz e guitarra, prepara o terreno para um último refrão que encerra a faixa em grande estilo.
“Make You Mine” muda radicalmente o clima. Baixo e voz conduzem os primeiros momentos, antes que guitarra, bateria e teclados entrem progressivamente em cena. Apesar de uma produção que pode sugerir uma abordagem mais moderna, a essência continua sendo o hard rock tradicional, especialmente no excelente refrão. Novamente, os backing vocals e as mudanças de dinâmica funcionam como elementos fundamentais para tornar a composição mais rica.
Se há uma faixa capaz de resumir a proposta do álbum, “Defenders” é uma forte candidata. O baixo assume o protagonismo desde os primeiros segundos, enquanto hard rock, sleaze e heavy metal tradicional se encontram em uma composição extremamente melódica. Os coros dão ao refrão uma dimensão quase épica, e a construção vocal faz com que a música flerte inclusive com o power metal. Riff e solo são particularmente bem resolvidos, demonstrando uma banda que, neste momento, parece tocar com bastante confiança.
A diversidade aumenta ainda mais em “Blueberry Gin”, que começa mergulhada no blues antes de acelerar e ganhar contornos quase punk. A participação de Sascha Paeth acrescenta peso às guitarras e ajuda a criar uma das faixas mais interessantes do disco. Mais do que um simples exercício de estilo, a música evidencia a compreensão do Night Laser sobre as próprias raízes do rock: o blues como matriz de praticamente tudo que viria depois.
E então chega “Heart Of The Desert Rose”, uma das grandes surpresas do álbum. A participação de Johnny Gioeli adiciona ainda mais força à composição, que começa de maneira cadenciada e evolui para uma poderosa balada. O encontro entre as vozes de Gioeli e Benno Hankers funciona especialmente bem, enquanto o refrão pesado e o solo, construído quase como uma extensão da própria melodia, dão à faixa uma dimensão épica. É uma homenagem à força das mulheres que enfrentam as dificuldades sem se deixar abater — e uma composição particularmente bem acabada.
A faixa-título, “Rats In The Cradle”, inaugura a segunda metade do disco de maneira bastante mais sombria. Riffs pesados, mudanças constantes de andamento e pequenas intervenções de guitarra e teclados criam uma atmosfera desconfortável, apropriada ao tema dos perturbadores experimentos conduzidos pelo criminoso de guerra japonês Dr. Ishii Shirō. Em determinados momentos, a banda flerta com uma atmosfera quase doom, algo pouco óbvio para uma formação associada ao glam/sleaze. É uma escolha arriscada, mas funciona justamente porque o Night Laser não tenta suavizar o clima para encaixá-lo em sua fórmula habitual.
“Into The West” oferece outro contraste. A balada começa praticamente despida, sustentada pela interpretação de Benno, teclados e guitarra limpa. O piano reforça a delicadeza da introdução até que guitarra distorcida, baixo e bateria explodem no refrão. Backing vocals e teclados ampliam o caráter cinematográfico, enquanto o solo surge no momento exato, entregando aquilo que qualquer apreciador de uma boa power ballad espera.
O groove retorna em “19CR490”, uma das faixas mais descontraídas e pesadas do álbum. A composição combina riffs contundentes com um refrão surpreendentemente melódico e incorpora referências que vão do hard rock tradicional ao rock'n'roll mais primitivo dos anos 1950. É mais uma demonstração da versatilidade do Night Laser — e de sua disposição em adicionar novas texturas à receita sem perder o sabor original.
Com “Get Out”, a participação de Lars Rettkowitz, guitarrista do Freedom Call, parece fazer todo sentido. A velocidade da faixa imediatamente aponta para o heavy metal clássico, com guitarras rápidas, backing vocals típicos do gênero e mudanças de andamento que impedem a música de cair na obviedade. É uma das composições que mais claramente aproxima o Night Laser do universo do metal tradicional.
“Goddess Of The Sky” desacelera novamente, mas não diminui a grandiosidade. Depois de uma introdução calma, todos os instrumentos entram criando uma atmosfera épica antes mesmo da voz aparecer. O baixo, com uma clara inspiração no estilo de bandas como Iron Maiden, conduz os versos até a entrada da guitarra e de uma inesperada flauta. Os coros, teclados e a base instrumental transformam a parte final em um verdadeiro hino, com forte influência do power metal.
O encerramento com “You And Me” é, novamente, uma surpresa. Praticamente acústica, apoiada principalmente em violão e voz, a faixa abandona o peso e termina o álbum de maneira intimista. As variações melódicas impedem que o encerramento seja apenas um epílogo e reforçam a disposição do Night Laser em experimentar até os últimos minutos.
É justamente essa quantidade de informação que pode dividir opiniões. Rats In The Cradle está longe de ser um álbum linear. Há quem possa considerar sua diversidade excessiva, quase caótica; por outro lado, existe um mérito considerável em uma banda conseguir transitar por tantos territórios sem transformar o disco em uma simples coleção de estilos desconectados. O Night Laser consegue fazer com que faixas acessíveis convivam com outras mais complexas, enquanto mantém elementos recorrentes — especialmente melodias, vocais, guitarras e uma forte preocupação com refrãos — que funcionam como fio condutor.
Mais do que provar que pode tocar diferentes estilos, o Night Laser parece ter entendido que não precisa escolher apenas um deles. Rats In The Cradle é um álbum de identidade justamente porque não se limita a uma fórmula. Pode ser glam, sleaze, hard rock, heavy metal, blues ou power metal — mas continua soando como Night Laser. E essa talvez seja a maior conquista de uma banda que, ao finalmente soltar o freio de mão, descobriu que a melhor maneira de avançar é acelerar em várias direções ao mesmo tempo.
Franz Schepers
***ENGLISH VERSION***
Some bands spend years searching for an identity. Night Laser seem to have decided that the best approach is simply to stop looking — and play whatever they damn well feel like playing. On Rats In The Cradle, the Hamburg quartet turns glam and sleaze metal into a starting point for a journey through classic hard rock, heavy metal, power metal, thrash, blues, funk and even moments of stripped-back acoustic music. The result is a surprisingly diverse album that, despite all its stylistic twists and turns, never completely loses the band's own identity.
Opening with “S.T.F.U.”, Night Laser make it clear that their roots remain firmly planted in sleaze. Choral backing vocals, a driving guitar and a highly melodic chorus deliver the combination of attitude and accessibility the genre demands. The backing vocals add extra punch to Benno Hankers' lead performance, while the solo is concise and effective. An intriguing interlude featuring nothing but voice and guitar sets up the final chorus, bringing the track to a suitably emphatic conclusion.
“Make You Mine” changes the mood completely. Bass and vocals carry the opening moments before guitar, drums and keyboards gradually enter the picture. Although the production initially suggests a more modern approach, the essence remains rooted in traditional hard rock, particularly in its excellent chorus. Once again, the backing vocals and dynamic shifts play a crucial role in giving the composition greater depth.
If there is one track capable of summarising the album's overall approach, “Defenders” is a strong contender. Bass takes the lead from the opening seconds, while hard rock, sleaze and traditional heavy metal converge in an extremely melodic composition. The gang vocals give the chorus an almost epic dimension, while the vocal arrangement even brings elements of power metal into the mix. Both the riff and solo are particularly well executed, revealing a band that sounds increasingly confident in its own skin.
The stylistic diversity becomes even more pronounced on “Blueberry Gin”, which begins steeped in blues before accelerating and taking on almost punk-rock contours. The contribution of Sascha Paeth adds extra weight to the guitars and helps make this one of the album's most interesting tracks. More than a simple stylistic exercise, the song demonstrates Night Laser's understanding of rock's roots: blues as the foundation from which virtually everything that followed evolved.
Then comes “Heart Of The Desert Rose”, one of the album's biggest surprises. The presence of Johnny Gioeli adds even more firepower to a song that begins in a measured fashion before developing into a powerful ballad. The combination of Gioeli's and Benno Hankers' voices works particularly well, while the heavy chorus and a solo that almost functions as an extension of the song's central melody give the track an epic quality. It is a tribute to women who face adversity without allowing it to break them — and a particularly accomplished composition.
The title track, “Rats In The Cradle”, opens the album's second half on a much darker note. Heavy riffs, frequent tempo changes and subtle guitar and keyboard touches create an unsettling atmosphere that perfectly suits its subject matter: the disturbing experiments conducted by Japanese war criminal Dr Ishii Shirō. At times, the band ventures into an almost doom-like territory, an unexpected move for a group associated with glam and sleaze. It is a bold choice, but one that works precisely because Night Laser refuse to soften the mood simply to fit their established formula.
“Into The West” provides another sharp contrast. The ballad begins almost completely stripped down, built around Benno's vocals, keyboards and clean guitar. Piano reinforces the delicacy of the opening before distorted guitar, bass and drums explode into the chorus. Backing vocals and keyboards broaden the cinematic atmosphere, while the guitar solo arrives at exactly the right moment, delivering everything a fan of a great power ballad could ask for.
The groove returns with “19CR490”, one of the album's heaviest and most laid-back moments. The song combines hard-hitting riffs with a surprisingly melodic chorus, incorporating influences that range from traditional hard rock to the primitive rock'n'roll of the 1950s. Once again, it demonstrates Night Laser's versatility — and their willingness to add new textures to the formula without losing its original flavour.
With “Get Out”, the contribution of Lars Rettkowitz, guitarist of Freedom Call, makes perfect sense. The track's speed immediately points towards classic heavy metal, with fast guitar work, traditional backing vocals and rhythmic changes that keep it from becoming predictable. It is one of the compositions that most clearly brings Night Laser into traditional metal territory.
“Goddess Of The Sky” slows things down again, but loses none of its grandeur. Following a calm introduction, the full band enters with an epic atmosphere before the vocals even appear. The bass, clearly influenced by bands such as Iron Maiden, drives the verses until guitar and an unexpected flute enter the arrangement. The backing vocals, keyboards and instrumental foundation transform the final section into a genuine anthem, with a strong power metal influence.
Closing the album with “You And Me” is another surprise. Almost entirely acoustic, built primarily around guitar and vocals, the track abandons the heaviness and brings the album to an intimate conclusion. Melodic variations prevent it from feeling like a mere epilogue and reinforce Night Laser's willingness to experiment right up to the final minutes.
It is precisely this sheer amount of information that may divide opinion. Rats In The Cradle is anything but a linear album. Some listeners may find its diversity excessive, almost chaotic; others will appreciate the fact that the band can move through so many different territories without turning the record into a disconnected collection of styles. Night Laser successfully place accessible songs alongside more complex material while maintaining recurring elements — particularly melody, vocals, guitars and a strong emphasis on memorable choruses — that provide a common thread.
Rather than proving that they can play different styles, Night Laser seem to have realised that they simply don't need to choose just one. Rats In The Cradle is an album with an identity precisely because it refuses to be confined by a formula. It can be glam, sleaze, hard rock, heavy metal, blues or power metal — but it still sounds unmistakably like Night Laser. And that may be the band's greatest achievement: having finally taken their foot off the handbrake, they have discovered that the best way forward is to accelerate in several directions at once.