sexta-feira, 17 de julho de 2026

Seven Spires: Uma Obra Ainda Maior (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

A celebração definitiva de um dos grandes álbuns do metal moderno

Por Michelle F. Santana 

Desde sua formação em 2013, em Boston, Massachusetts (EUA), o Seven Spires consolidou uma identidade singular dentro do metal contemporâneo. Sem se prender às convenções de um único estilo, o quarteto construiu uma sonoridade que transita naturalmente entre o metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo. Essa identidade musical é conduzida por composições grandiosas, mudanças dinâmicas constantes e uma escrita extremamente rica, capaz de equilibrar técnica, intensidade e emoção. Em A Fortress Called Home (Master Key Edition), a banda não apenas revisita um de seus trabalhos mais importantes, como oferece a forma mais completa de apreciá-lo.

Originalmente lançado em 2024, A Fortress Called Home já demonstrava uma banda em plena maturidade artística. O álbum aborda temas como pertencimento, identidade, perda, esperança e reconstrução, transformando a ideia de uma "fortaleza" em um refúgio emocional diante das adversidades. A Master Key Edition amplia essa experiência ao reunir três discos: o álbum original, incluindo a versão acústica de "House of Lies", lançada anteriormente na edição deluxe; um segundo disco inteiramente instrumental; e um terceiro dedicado a versões orquestradas e registros ao vivo gravados durante turnês recentes, incluindo apresentações em Tilburg e Montréal. Mais do que um relançamento, esta edição funciona como uma celebração do encerramento do ciclo de A Fortress Called Home e da evolução artística do Seven Spires.

Grande parte da força da banda está na impressionante performance de Adrienne Cowan. Poucas vocalistas transitam com tanta naturalidade entre vocais limpos, guturais extremos e técnicas oriundas do teatro musical. Sua impressionante extensão vocal e o controle absoluto da dinâmica permitem que percorra diferentes registros com absoluta fluidez, passando da delicadeza quase etérea à agressividade mais extrema sem perder precisão ou expressividade. Sua versatilidade impressiona, mas jamais soa como uma demonstração gratuita de virtuosismo. Cada escolha interpretativa serve à narrativa das músicas, carregando diferentes nuances emocionais conforme os arranjos evoluem. Adrienne entrega uma performance impecável, alternando delicadeza, dramaticidade e agressividade com naturalidade, consolidando-se como uma das vocalistas mais completas da atualidade.

Nas guitarras, Jack Kosto entrega riffs inspirados, harmonizações sofisticadas e solos tecnicamente brilhantes, sempre a serviço das composições. Sua execução amplia o caráter épico das músicas sem jamais soar excessiva. O baixo de Peter de Reyna acrescenta profundidade às harmonias e fortalece a base melódica do álbum, enquanto Chris Dovas demonstra enorme versatilidade na bateria, conduzindo com precisão as constantes mudanças de andamento e dinâmica que caracterizam o repertório.

Entre os destaques, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" permanece como uma das faixas mais enérgicas do álbum. A intensidade dos riffs, a bateria pulsante e a constante sensação de movimento fazem dela um dos momentos mais explosivos do disco, equilibrando agressividade e melodias marcantes com impressionante naturalidade.

"Almosttown" evidencia uma das grandes virtudes composicionais do Seven Spires: a capacidade de construir melodias memoráveis sem abrir mão da complexidade dos arranjos. A faixa alterna momentos de introspecção e explosão de maneira orgânica, criando uma narrativa dinâmica que mantém o ouvinte completamente envolvido do início ao fim. É uma composição que sintetiza com precisão o equilíbrio entre peso, emoção e refinamento característico da banda.

"Love's Souvenir" apresenta uma das experimentações mais interessantes do álbum ao incorporar elementos de jazz à identidade musical do Seven Spires. A fusão entre harmonias sofisticadas e a intensidade do metal acontece de forma extremamente natural, conferindo personalidade única à faixa. O resultado é uma composição elegante, imprevisível e rica em nuances, reforçando a disposição da banda em expandir seus horizontes sem perder sua essência.

"Architect of Creation" representa um dos momentos mais pesados e grandiosos de A Fortress Called Home. Os riffs agressivos, a bateria intensa e a alternância entre vocais limpos e guturais transformam a faixa em uma demonstração da capacidade do Seven Spires de unir brutalidade e sofisticação em uma mesma composição.

Por sua vez, "Emerald Necklace" revela um lado mais contemplativo do álbum. Adrienne conduz a música com vocais limpos, emocionais e extremamente equilibrados, enquanto os arranjos crescem gradualmente até culminar em um solo de guitarra inspirado e emocionante. Trata-se de uma balada grandiosa, sensível e cuidadosamente construída, capaz de emocionar sem recorrer a excessos.

"Where Sorrows Bear My Name" inicia de forma atmosférica, envolta por elementos característicos do metal sinfônico. A interpretação de Adrienne começa delicada e melódica, mas evolui progressivamente para seus guturais característicos, intensificando a dramaticidade da composição e reforçando o contraste entre beleza e brutalidade que permeia toda a obra.

Entre todas as composições, "House of Lies" talvez seja a que melhor sintetize a essência emocional de A Fortress Called Home. Sua versão original já impressiona pela interpretação intensa e pela profundidade de sua construção melódica. Já a versão acústica, lançada anteriormente na edição deluxe e incorporada a esta edição, reduz os arranjos ao essencial e evidencia ainda mais a sensibilidade da composição e da interpretação de Adrienne, tornando sua carga emocional ainda mais impactante.

Um dos maiores méritos da Master Key Edition está justamente na maneira como ela convida o ouvinte a redescobrir A Fortress Called Home sob diferentes perspectivas. O segundo disco, composto integralmente por versões instrumentais, vai muito além de um material complementar. Ao retirar os vocais do centro da experiência, o Seven Spires permite que toda a arquitetura de suas composições seja apreciada em primeiro plano. Guitarras, baixo, bateria e teclados revelam camadas que muitas vezes passam despercebidas na audição tradicional, evidenciando não apenas o virtuosismo técnico do quarteto, mas também o cuidado na construção dos arranjos, na produção e na riqueza de detalhes que sustentam cada música.

É justamente nesse contexto que o trabalho de Jack Kosto, Peter de Reyna e Chris Dovas ganha ainda mais destaque. As harmonizações de guitarra, as linhas de baixo cuidadosamente elaboradas e a precisão da bateria demonstram que a força do Seven Spires não depende exclusivamente da impressionante performance vocal de Adrienne Cowan. Pelo contrário: cada integrante desempenha um papel fundamental na construção dessa identidade sonora sofisticada, em que cada elemento ocupa seu espaço sem comprometer a coesão do conjunto.

O terceiro disco amplia ainda mais essa experiência ao apresentar versões orquestradas e registros ao vivo. As releituras sinfônicas de "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" e "Architect of Creation" reforçam a grandiosidade das composições, destacando melodias, contrapontos e texturas que dialogam naturalmente com a linguagem da música orquestral. Longe de parecerem meros exercícios de rearranjo, essas versões evidenciam o quanto as composições do Seven Spires já nasceram com uma estrutura profundamente cinematográfica e narrativa.

Os registros ao vivo funcionam como a celebração perfeita para o encerramento desse ciclo. As performances de "Succumb", clássico de Emerald Seas (2020), além de "Love's Souvenir", "Wanderer's Prayer" e "Gods of Debauchery", originalmente presentes em Gods of Debauchery (2021), capturam toda a intensidade que o grupo desenvolveu nos palcos durante as últimas turnês. Gravadas em apresentações realizadas em Tilburg e Montréal, essas versões acrescentam espontaneidade, energia e emoção, demonstrando como o repertório evoluiu naturalmente diante do público.

Mesmo dois anos após seu lançamento original, A Fortress Called Home permanece surpreendente. Poucos álbuns recentes conseguem oferecer uma experiência tão recompensadora a cada nova audição. Suas composições continuam revelando detalhes antes despercebidos, os arranjos apresentam uma riqueza impressionante de informações e a fusão entre metal sinfônico, power metal, metal progressivo e metal extremo permanece orgânica, equilibrada e extremamente sofisticada. O Seven Spires evita soluções fáceis, refrões excessivamente previsíveis e estruturas convencionais, preferindo investir em narrativas musicais densas, atmosferas cuidadosamente construídas e ganchos melódicos inteligentes que recompensam o ouvinte mais atento.

A Fortress Called Home já nasceu grandioso. A Master Key Edition busca reafirmar a força de uma obra que continua surpreendente a cada audição. Ao reunir o álbum original, versões instrumentais, releituras orquestrais e registros ao vivo, o Seven Spires demonstra que suas composições mantêm a mesma intensidade independentemente da roupagem que recebem. Mais do que uma edição expandida, este lançamento celebra o encerramento de um ciclo criativo brilhante e reafirma o quarteto como um dos nomes mais inventivos, ambiciosos e tecnicamente refinados do metal contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

The Definitive Celebration of One of Modern Metal's Finest Albums

Since their formation in 2013 in Boston, Massachusetts, Seven Spires have established a singular identity within contemporary metal. Refusing to be confined by the conventions of any single subgenre, the quartet has crafted a sound that seamlessly blends symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal. Their musical identity is driven by grandiose songwriting, constant dynamic shifts, and remarkably intricate compositions that balance technical prowess, intensity, and emotional depth. With A Fortress Called Home (Master Key Edition), the band not only revisits one of its most significant works but also offers the most comprehensive way to experience it.

Originally released in 2024, A Fortress Called Home already showcased a band operating at the height of its creative maturity. The album explores themes of belonging, identity, loss, hope, and renewal, transforming the concept of a "fortress" into an emotional sanctuary amid life's adversities. The Master Key Edition expands this experience by bringing together three discs: the original album, including the acoustic version of "House of Lies," previously available only on the deluxe edition; a second disc featuring entirely instrumental versions; and a third dedicated to orchestral arrangements and live recordings captured during recent tours, including performances in Tilburg and Montréal. Rather than a simple reissue, this edition serves as a celebration of the closing chapter of A Fortress Called Home and Seven Spires' remarkable artistic evolution.

Much of the band's strength lies in Adrienne Cowan's extraordinary performance. Few vocalists transition so effortlessly between pristine clean vocals, ferocious harsh vocals, and techniques drawn from musical theater. Her remarkable vocal range and exceptional dynamic control allow her to move seamlessly across vastly different registers, shifting from ethereal delicacy to uncompromising aggression without ever sacrificing precision or expressiveness. Her versatility is astonishing, yet it never feels like an exercise in virtuosity for its own sake. Every interpretative choice serves the songs' narrative, conveying a wide range of emotional nuances as the arrangements unfold. Adrienne delivers a flawless performance, effortlessly balancing tenderness, drama, and aggression while firmly establishing herself as one of the most complete vocalists in modern metal.

On guitar, Jack Kosto delivers inspired riffs, sophisticated harmonies, and technically dazzling solos, always in service of the compositions themselves. His playing enhances the music's epic character without ever becoming excessive. Peter de Reyna's bass adds depth to the harmonic foundation while reinforcing the album's melodic core, and Chris Dovas demonstrates remarkable versatility behind the drum kit, navigating the constant tempo changes and dynamic shifts that define the band's songwriting with absolute precision.

Among the album's highlights, "Songs Upon Wine-Stained Tongues" remains one of its most energetic moments. Driven by crushing riffs, relentless drumming, and an ever-present sense of momentum, the track stands as one of the record's most explosive offerings, balancing aggression and memorable melodies with impressive ease.

"Almosttown" showcases one of Seven Spires' greatest compositional strengths: the ability to craft unforgettable melodies without sacrificing the complexity of their arrangements. The song moves organically between introspective passages and explosive climaxes, creating a dynamic narrative that keeps the listener fully engaged from beginning to end. It perfectly encapsulates the band's signature balance between heaviness, emotion, and musical sophistication.

Meanwhile, "Love's Souvenir" presents one of the album's most intriguing experiments by incorporating elements of jazz into Seven Spires' musical identity. The fusion of sophisticated harmonies and metallic intensity feels entirely natural, giving the track a distinctive personality. The result is an elegant, unpredictable composition filled with subtle nuances, further demonstrating the band's willingness to expand its musical horizons without compromising its core identity.

"Architect of Creation" represents one of the heaviest and most monumental moments on A Fortress Called Home. Crushing riffs, relentless drumming, and the interplay between clean and harsh vocals turn the song into a powerful demonstration of Seven Spires' ability to merge brutality and sophistication within a single composition.

By contrast, "Emerald Necklace" reveals the album's more contemplative side. Adrienne guides the song with emotionally rich, impeccably controlled clean vocals, while the arrangements gradually build toward an inspired and deeply moving guitar solo. It is a majestic, heartfelt ballad, carefully constructed to evoke emotion without relying on excess.

"Where Sorrows Bear My Name" begins with an atmospheric introduction steeped in symphonic metal textures. Adrienne's performance initially unfolds with delicate, melodic vocals before gradually evolving into her signature harsh delivery, heightening the song's dramatic impact and reinforcing the constant interplay between beauty and brutality that permeates the album.

Among all the compositions, "House of Lies" perhaps best encapsulates the emotional essence of A Fortress Called Home. The original version already stands out through its powerful vocal performance and profound melodic development. The acoustic version, previously exclusive to the deluxe edition and now included here, strips the arrangement down to its essentials, further highlighting both the song's emotional depth and Adrienne's deeply affecting interpretation.

One of the greatest strengths of the Master Key Edition lies precisely in the way it invites listeners to rediscover A Fortress Called Home from entirely new perspectives. The second disc, consisting exclusively of instrumental versions, goes far beyond serving as bonus material. By removing the vocals from the forefront, Seven Spires allows the full architectural complexity of its compositions to shine. Guitars, bass, drums, and keyboards reveal countless layers that often remain hidden during a traditional listening experience, highlighting not only the quartet's remarkable musicianship but also the meticulous craftsmanship behind every arrangement, production choice, and musical detail.

Within this context, the contributions of Jack Kosto, Peter de Reyna, and Chris Dovas become even more evident. The intricate guitar harmonies, carefully constructed bass lines, and exceptionally precise drumming demonstrate that Seven Spires' strength extends well beyond Adrienne Cowan's astonishing vocal abilities. On the contrary, every member plays an indispensable role in shaping the band's sophisticated sonic identity, where each musical element occupies its own space while contributing to the cohesion of the whole.

The third disc further expands the experience by presenting orchestral reinterpretations alongside live recordings. The symphonic versions of "A Fortress Called Home", "Songs Upon Wine-Stained Tongues" and "Architect of Creation" reinforce the grandeur of the original compositions, emphasizing melodies, counterpoints, and textures that naturally lend themselves to orchestral language. Far from feeling like simple rearrangements, these versions reveal just how inherently cinematic and narrative-driven Seven Spires' songwriting has always been.

The live recordings provide the perfect conclusion to this celebration. Performances of "Succumb" the standout track from Emerald Seas (2020), alongside "Love's Souvenir" "Wanderer's Prayer" and "Gods of Debauchery" originally featured on Gods of Debauchery (2021), capture the intensity and confidence the band has developed on stage throughout its recent tours. Recorded during performances in Tilburg and Montréal, these versions bring an added sense of spontaneity, energy, and emotion while demonstrating how naturally the material has evolved in front of live audiences.

Even two years after its original release, A Fortress Called Home remains a remarkable achievement. Few recent albums offer such a consistently rewarding experience with every revisit. Each listen reveals previously unnoticed details, the arrangements continue to impress with their extraordinary depth, and the fusion of symphonic metal, power metal, progressive metal, and extreme metal remains organic, balanced, and exceptionally refined. Seven Spires avoids easy solutions, predictable choruses, and conventional song structures, instead embracing dense musical narratives, meticulously crafted atmospheres, and intelligent melodic hooks that richly reward attentive listeners.

A Fortress Called Home was already a monumental achievement upon its original release. The Master Key Edition reinforces the enduring strength of an album that continues to surprise with every listen. By bringing together the original record, instrumental versions, orchestral reinterpretations, and live performances, Seven Spires demonstrates that its compositions retain their emotional and artistic power regardless of the form they take. More than simply an expanded edition, this release celebrates the conclusion of a brilliant creative chapter while reaffirming the quartet as one of the most inventive, ambitious, and technically accomplished bands in contemporary metal.

Jeremy Saffer

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cobertura de Show - Brazilian Metal Forces: A celebração da força e do peso do Metal Brasileiro!

 


Texto e Fotos: Vinny Vanoni
Edição/Revisão: Caco Garcia 

No dia 28 de Junho de 2026 foi realizado no Bar Opinião e, Porto Alegre a terceira apresentação do festival Brazilian Metal Forces, produzido pela Arena Produções com intenção de mostrar que o Metal e suas vertentes estão mais fortes do que nunca! 

O festival realizou três apresentações que englobaram o sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contando com as excelentes apresentações de grandes nomes do Metal Brasileiro como Phornax, Viper e Korzus, além da banda de abertura, Xakol, projeto do baixista Saulo Xakol da já consagrada banda brasileira Noturnall. 

O Brazilian Metal Forces chegou para mostrar aos fãs brasileiros que além das bandas que se apresentaram, o nosso Metal Nacional tem muito fôlego, potência  e cada vez mais força não somente no cenário local como no mundial, provando que temos muita capacidade e técnica para confrontar as bandas gringas!

Mas chega de “lero lero” gurizada até porque vocês querem saber sobre as bandas e como foi o show de cada uma, então, bora pra matéria! 


*****Xakol*****


Começando com a banda de abertura, Xakol! Esta é uma daquelas bandas que podem ser consideradas “uma gema rara” dentro do cenário nacional, já que são tantas bandas boas que às vezes passam despercebidas a nível nacional mesmo com integrantes altamente qualificados, já que em muitas situações são conhecidas mais regionalmente principalmente pelos compromissos dos músicos que a integram. 

Para dar um contexto, Xakol é um projeto catarinense de Metal Melódico e Progressivo idealizada e concebida por Saulo “Xakol” Castilho, atual baixista da renomada banda Noturnall. 

Iniciou suas atividades com o Xakol em 2013 e contatou ninguém menos do que Edu Falaschi, vocalista que ficou famoso por entrar no lugar de Andre Matos no Angra e já integrou bandas como Mitrium, Venus, Symbols e Almah, e atualmente está em atividade com seu projeto solo Mi’Raj, para produzir seu álbum chamado “Chaos Lit A Soul”.

Em 2015 convidou amigos de longa data para comemorar seu aniversário, momento este que seria o embrião da banda Xakol e em 2016 entram para a banda Gil Lima, Thiago Moser e André Freitas. 

Também já colaborou com outros vocais e músicos famosos na cena do metal Brasileiro, como Bruno Sutter (Detonator, Massacration), Thiago Bianchi (Noturnall, ex-Shaman), Aquiles Priester (Hangar, All Metal Stars, W.A.S.P, Midas Fate, ex-Angra, ex- Primal Fear). 

Atualmente a banda possui em sua formação Rafael Azevedo (Guitarra), André Freitas (Guitarra), Gil Lima (Bateria), Thiago Moser (Baixo), Thiago Gonçalves (Teclado) e Saulo Xakol (Vocais). 

O Xakol se apresentou com cinco músicas próprias, "Runaway", "Rise of a New Sun", "Murdering My Heart", "Restless Hunter" e "Eternally". Destas, "Runaway" e Murdering My Heart" foram lançadas apenas de forma digital, enquanto "Rise of a New Sun" e "Metal for Demons," quarta música lançada que não foi tocada no Brazilian Metal Forces (e contou com a participação de Bruno Sutter, o nosso famigerado Detonator) foram lançadas também em formato físico. 

Estas quatro iniciais foram produzidas por conta própria em estúdio em Florianópolis, todas em formato de singles. Já a Restless Hunter e Eternally são inéditas e irão fazer parte do álbum com músicas inéditas (Du-uh, sério que músicas inéditas em um álbum de músicas INÉDITAS são inéditas pangaré???) que mencionei acima, o “Chaos Lit a Soul” e que está sendo produzido por Edu Falaschi (O cara produzir um disco de uma banda da parte Sul do continente merece aplausos, na real! Valeu “tio Edu”!!!). 

“Tá, tu falou das músicas que irão entrar no álbum, mas e as outras quatro???” Acalmem os coraçõezinhos e a ansiedade gurizadinha medonha. Runaway, Rise of a New Sun, Murdering My Heart e Metal for Demons não estarão no Chaos, porém segundo Saulo, mesmo que elas estejam no “banco de espera” por enquanto por não se encaixarem no conceito deste álbum, há a forte chance de serem utilizadas em um futuro disco (para não repetir a palavra álbum, again and again). Enquanto o Chaos Lit a Soul não é lançado, vocês podem conferir o trabalho da Xakol no Youtube e no Spotify!

Estes hiatos de tempo entre apresentações, tours e poucas músicas lançadas se devem a Saulo, e demais integrantes da banda Xakol, estarem com diversos compromissos, principalmente a partir de 2019 por Saulo ter assumido o posto de baixista na Noturnall, porém, mesmo com estes contratempos, o Xakol continua ativa no tempo disponível e mesmo que tenha tocado apenas suas quatro músicas já lançadas até 2019, fez um show excelente de abertura para as bandas Phornax, Viper e Korzus! 

A banda consegue trabalhar bem com os estilos melódico, progressivo e até mesmo com uma pegada heavy metal em suas musicas, mesmo que por enquanto sejam poucas, porém, existe a intenção de ainda lançar um álbum completo e alçar o Xakol ao sucesso, segundo a conversa que ocorreu com Saulo em meio ao show da Phornax, onde estava um som alto (é o Opinião, qualidade e volume de som é o que não falta) e em alguns momentos, mal conseguíamos nos entender.

Mas mesmo assim conseguimos trocar uma ideia, onde me foi revelado que mesmo que demore 10 anos (por causa dos compromissos pessoais dos integrantes) este álbum será lançado! E desejo boa sorte e sucesso para o Xakol! Batia banda gurizada, baita banda!

Spotify 



*****Phornax*****


Já a Phornax que fez o segundo show da noite teve um detalhe especial, muito especial na verdade, já que após um hiato de mais de 14, quase 15 anos, a banda volta não somente com uma nova formação com Eduardo Martinez na guitarra e Sfinge Lima no baixo (dois monstros do metal nacional com carreiras consolidadas e técnicas poderosas) mas também pelo lançamento de seu novo álbum, “Hellforge”, que será lançado neste mês de julho! 

No show, a banda tocou as músicas Silent War, Dare of Destruction, Ghosts from the Past e Final Beat de seu álbum lançado em 2011, Silent War, juntamente com as músicas Forged in Metal, Hell’s Paradise, Seeds of Strife, Blood for Blood, A Matter of Time e Between Fear and Hope que integram o "Hellforge". 

E gurizada, eu tenho que ser sincero, que show! QUE SHOW! A impressão que tenho, sem desmerecer os integrantes antigos que não estão mais na banda, com esta nova formação a Phornax  está mais... técnica, afiada por assim dizer. O primeiro álbum é muito bom, mas o "Hellforge" minha gente, é sensacional! 

O som parece que ganhou uma profundidade e peso maiores, os instrumentos mais trabalhados, a conexão entre os integrantes está mais, intima dentro do palco, eu não sei explicar exatamente, porém o que eu vi e escutei no Brazilian Metal Forces foi algo que me surpreendeu muito em relação a qualidade técnica e musical desta nova fase, a qual também agradou e muito não somente aos fãs da banda como também a todos que estavam presentes no Bar Opinião! 

E tem mais um detalhe, a banda agora conta com uma mascote, a “Phornaceia” uma feiticeira mística que encanta a todos e captura os olhares e almas com sua dança do ventre nas apresentações da Phornax, interpretada pela estonteante e talentosa Aline Mesquita, pois segundo o vocalista Cristiano Poschi “Se o Iron tem o Eddie, nós temos a Phornaceia”!


É com grande satisfação que digo, a Phornax está novamente no jogo e com uma qualidade ABSURDA para voar além das fronteiras brasileiras e alcançar as “Big Leagues”! 

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*****Viper*****

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A banda que tocou antes do Korzus foi a Viper. Como muitos, ou ao menos quase todos que gostam de Metal Melódico, Power Metal e Heavy Metal brasileiros sabem, Viper foi a banda criada pelo nosso eterno Maestro do Metal, Andre Matos, Pit Passarel, Yves Passarel, Felipe Machado e Marcos Kleine em 1985 e que já lançou álbuns icônicos para o Metal Nacional, inclusive ouso dizer que alguns deles, como Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate inclusive ajudaram a moldar o metal melódico e (me permitam utilizar esta expressão) “Óperatico” Brasileiro. 

Inclusive com muitos de nós tentando cantar imitando os agudos e falsetes de Matos e falhando miseravelmente (momento gargalhada em alto e bom som lembrando de experiências próprias!)

Após a saída de Matos por divergências musicais, Pit Passarel assumiu os vocais e em 1992 lançam o álbum mais vendido até agora da história do Viper, “Evolution”, onde com Pit nos vocais a direção musical se alterou um pouco, do melódico e orquestral que foi o Theatre of Fate, Evolution adotou uma linha mais... crua, por assim dizer, onde é possível notar a identidade pessoal de cada música, umas mais puxadas para um metal melódico, mas de leve, outras já vão para um caminho Heavy Metal e outras possuem aquela pegada Rock’n’Roll, além de acordes com outras influencias. 

Porém admito, na época em que descobri Viper, nos idos anos 2000, eu acompanhei até o Theatre of Fate e fiquei um tempo sem escutar e voltei em 2020, começando com o álbum "Coma Rage", o qual no início por ter uma pegada mais “Punk Hardcore” acabei estranhando devido a mudança bruta de estilo em relação ao Fate porém um álbum fantástico! 

E foi uma grata surpresa ao descobrir que continuavam na ativa e mais fortes do que nunca com Leandro Caçoilo nos vocais (descobri apenas este ano que ele já era vocal desde 2017 no Viper), dando não somente um suspiro novo para a banda, mas um oxigênio muito necessário para esta nova fase.

Mas, nem tudo são rosas, em 2019 perdemos nosso eterno Maestro do Metal. Não somente para mim que era um fã quase fanático de Viper, Angra, Shaman e carreira solo de Matos, mas para todos o que o conheciam, seja apenas como artista, seja como pessoa, amigos, familiares, colegas de banda e de trabalho e parcerias, ficamos em choque ao saber da morte prematura de Andre Matos.

E para o Viper o choque foi ainda maior, já que haviam voltado a conversar frequentemente com Andre inclusive realizando parcerias em álbum, musicas e shows em diversos períodos como 2004, 2007, 2017, além de ter retornado a banda no período de 2012 a 2016, e planejavam até mesmo a gravação de um álbum inteiro novamente com o ex-vocalista. 

Em 2020, em meio a pandemia, o Viper lança uma regravação da musica The Spreading Soul, do álbum Evolution de 1992 reintitulada como "The Spreading Soul Forever", com vocais de Andre Matos, em sua homenagem. Em 2024, outro integrante infelizmente se vai antes da hora, Pit Passarel vem a óbito por complicações de um câncer no pâncreas, novamente deixando o Viper, familiares, amigos e fãs devastados.

A banda possuía um show em Bogotá que decidiu manter, chamando o irmão de Andre, Daniel Matos no baixo, o qual logo após foi confirmado como baixista oficial do Viper. 

E neste show, neste festival que ocorreu no Bar Opinião, Brazilian Metal Forces, a banda com a formação contando com Felipe Machado (Guitarra, acústica, violão e backing vocals), Guilherme Martins (bateria desde 2012), Kiko Shred (Guitarra, desde 2021), Daniel Matos (Baixo desde 2024) e Leandro Caçoilo nos vocais desde 2017, o Viper realizou um mais do que belo show, realizou para os fãs, para mim, o melhor show que já tive a honra de assistir em minha vida.

O Viper grandes sucessos de toda sua carreira como Soldiers of Sunrise (Soldiers of Sunrise), To Live Again, Prelude to Oblivion, A Cry From the Edge e Living for the Night (Theatre of Fate), Evolution em homenagem à ao grande e saudoso Pit Passarel, Dead Light, Rebel Maniac e The Spreading Soul Forever em homenagem à Pit e Matos (Evolution), Coma Rage (Coma Rage), Under the Sun e Timeless (Timeless). 

Durante o show admito cantei junto (se alguém pudesse me escutar teria me expulsado do Opinião a pancadas por estar assassinando as músicas), me emocionei, só não me esbugalhei em lágrimas em alguns momentos por ter que trabalhar (fotografar com olhos marejados não funciona nem um pouco). 

Viper entregou uma performance tanto de presença de palco quanto técnica instrumental e vocal impecável! A galera cantou junto, chorou junto, e penso que não havia quase ninguém dentro do Opinião que não tenha se emocionado, principalmente durante as homenagens realizadas a estes dois gigantes e magníficos músicos que se foram cedo demais. 

Porém o Viper conseguiu fazer algo que poucas bandas conseguem em momentos que perdem algum integrante, que é encontrar músicos a altura dos que já não se encontram mais na banda. 

Dani Matos e Caçoilo não somente estão à altura como estão carregando o legado de Pit e Andre com perfeição absoluta! Talvez por eu ser nostálgico e saudosista, me chamou a atenção que Caçoilo ao cantar ao vivo consegue se aproximar muito, mas MUITO mesmo de Matos nos vocais, tom, timbre, alcance, potência, tudo! 

Claro que temos que considerar que na época, o Maestro era adolescente e Caçoilo hoje já é mais experiente, porém é difícil encontrar alguém que se aproxime tanto dos músicos anteriores como o Viper conseguiu, e posso dizer com certeza, embora nunca tenham deixado de existir apesar dos hiatos, com esta formação que honra o legado e os “calçados” das duas lendas do rock e metal brasileiros, o Viper se encontra mais do que pronto para conquistar, novamente, seu espaço na cena do Rock e Heavy Metal  mundiais! GO AND SHRED THE WORLD APART “MA GUYS”!   


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*****Korzus*****


Finalmente a atração principal da noite, Korzus! Senhores, senhoras, rapazes e senhoritas! Que show FODA! Primeiro que a Korzus é uma das potências e lendas do thrash metal nacional e juntos com Sepultura e Sarcófago foram os responsáveis por mostrar ao mundo que no Brasil também sabemos tocar e fazer Thrash Metal e dos bons! 

Em 2026 a banda passou por duas mudanças de integrantes, Antônio Araújo anunciou o desligamento da banda em 2024 após dezesseis anos de atuação por motivos de questões logísticas já que iria retornar para Recife, além de focar de forma integral em sua outra banda, Matanza Ritual. 

Já em 2025, Heros Trench também se desligou banda por querer buscar uma renovação criativa e artística e por mais que as duas saídas tenham ocorrido de forma amigável, deixaram um vácuo no Korzus que agora precisava buscar novos integrantes para ocupar os papeis de guitarra solo e guitarra base.

Em 2026 outras duas feras do metal nacional passam a integrar a banda, Jean Patton (Ex-Project46) e Jéssica Falchi (ex-Crypta) que trouxeram a renovação harmônica que o Korzus estava buscando, principalmente agora que estão em processo de produção de seu novo álbum que está sendo divulgado através da turnê “Flesh Machine Era” através do single “No Light Within”, o qual foi tocado no Bar Opinião juntamente com alguns dos maiores sucessos da banda que já conta com mais de quatro décadas de história, existência e correrias. 

A performance desses gigantes do Thrash Metal Brasileiro, e mundial, foi arrebatadora, simplesmente SENSACIONAL! 

Como todos que já estiveram presentes em um show do Korzus bem sabem, o carisma e presença de palco de Marcello Pompeu é fantástico, pois além de apenas cantar e performar, ele chama a galera para participar do show cantando junto, fazendo comentários até mesmo cômicos em relação a muitas situações.

Sim! é quase um show de metal misturado com show de comédia stand up em alguns momentos), responde a algumas falas, ou berros, dos fãs, principalmente os que se declaram para Falchi! Inclusive foi revelado por Pompeu que Jéssica recebe de 3 a 5 pedidos de casamento por show, o que levou o publico a gargalhadas e destruiu sonhos de outros (risadas internas). 

“Mas vem cá o pangaré, tu não vais falar da performance dela e do Patton não, ô arrombado???”. Acalmem o coraçãozinho jovens padawans, irei sim! Como não poderia deixar de ser, ambos são experientes e excelentes no que fazem, tanto que apenas pela “No Light Within” todos os presentes, inclusive “moizinho” (momento mistura de francês com brasileiro debochado) aqui, perceberam o peso e a tempestade harmônica que chegaram ao Korzus com a entrada de Patton e Falchi. 


Todas as músicas da carreira são excelentes, porém nesta nova fase o Korzus parece que está com sangue nos olhos para trazer a vida o que talvez  possa vir a ser considerado o seu melhor álbum! 

Porém não irei fazer suposições tão cedo, afinal de contas, existem mais diversos processos, risadas e talvez tretas a serem realizadas para que chegue o novo álbum, e podem ter certeza de que nós enquanto fãs estamos ansiosos para que o Korzus não dê à luz, mas sim um curto-circuito (“No Light WIthin”, captaram? Hein, hein?) a este novo álbum que aguardamos com ansiedade! CHEERS GUYS (and girl) AND KEEP ROCKING!



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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 11/07/2026 – Santo Rock Bar/SP

Quatro vozes históricas do rock dividem o mesmo palco em noite memorável no Santo Rock Bar

Em meio ao frio intenso que tomou conta de Santo André na noite de 11 de julho e à disputa das quartas de final da Copa do Mundo entre Suíça e Argentina, o público do Santo Rock Bar mostrou que havia espaço para duas paixões simultâneas: o futebol e o rock. Enquanto os televisores da casa exibiam a partida, fãs lotavam o tradicional palco do ABC Paulista para testemunhar um encontro praticamente impossível de acontecer há alguns anos.

Idealizado pela Top Link Music, o Masters of Voices reúne quatro vocalistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da história do hard rock e do heavy metal mundial: Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest, Iced Earth e atual KK's Priest), Jeff Scott Soto (Talisman, Journey, Yngwie Malmsteen, Sons of Apollo e W.E.T.) e Edu Falaschi (ex-Angra e Almah). O projeto percorre repertórios que marcaram diferentes gerações do rock, acompanhado por uma verdadeira seleção de músicos brasileiros formada por Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa e Leo Mancini (guitarras) e Edu Cominato (bateria).

Mesmo com um evento esportivo de enorme apelo acontecendo simultaneamente, a casa recebeu um excelente público. Durante boa parte da noite era comum ver fãs alternando olhares entre o palco e as televisões espalhadas pelo ambiente. Como diz o velho ditado, era literalmente "um olho no peixe e outro no gato".


ERIC MARTIN

Pontualmente por volta das 22h30, a banda subiu ao palco e recebeu o primeiro dos quatro convidados da noite. Eric Martin foi o responsável por abrir os trabalhos e apostou em uma decisão certeira: apresentar um repertório formado exclusivamente por sucessos do Mr. Big.

A abertura aconteceu em alta velocidade com "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)", cartão de visitas perfeito para mostrar o nível técnico da banda brasileira. Os famosos duetos originalmente executados por Billy Sheehan e Paul Gilbert foram reproduzidos com extrema precisão por Felipe Andreoli e Leo Mancini, arrancando os primeiros aplausos mais entusiasmados da noite.

Na sequência veio uma das grandes joias escondidas da discografia do Mr. Big. Na opinião deste que vos escreve, "Take Cover", do excelente álbum Hey Man (1996), continua sendo uma das melhores composições da banda. Outro destaque foi o trabalho de Edu Cominato, que reproduziu com absoluta fidelidade a levada criada pelo saudoso Pat Torpey. Não por acaso, o baterista atualmente integra a própria formação do Mr. Big nas turnês da banda, mostrando que a escolha para substituir Torpey foi mais do que acertada.

Enquanto isso, o público seguia dividido entre o espetáculo musical e a partida da Copa. A cada movimentação perigosa da Argentina, alguns olhares rapidamente migravam para as telas, mas bastava Eric voltar a interagir com a plateia para que a atenção retornasse imediatamente ao palco.

Naturalmente, não poderiam faltar as baladas responsáveis por transformar o Mr. Big em um fenômeno comercial durante os anos 1990. A primeira delas foi "Wild World", releitura do clássico de Cat Stevens que muitos ainda acreditam ser uma composição da própria banda — ou, como brincam alguns brasileiros, até mesmo da dupla Pepe & Neném. O refrão foi cantado praticamente em uníssono, com Martin deixando diversas vezes que a plateia assumisse os vocais.

A energia voltou a subir com "Colorado Bulldog", mais uma demonstração do impressionante nível técnico dos músicos brasileiros. A execução não deixou absolutamente nada a dever às versões originais do quarteto americano.

Quando um violão foi entregue a Eric Martin, praticamente ninguém teve dúvidas sobre o que viria a seguir. Bastaram os primeiros acordes de "To Be With You" para transformar o Santo Rock Bar em um enorme coral. É impossível imaginar quantas milhares de vezes Eric já interpretou esse hit ao longo de sua carreira, mas o mais impressionante é perceber que ele continua cantando a música com o mesmo entusiasmo de quem a está apresentando pela primeira vez. Não havia uma única pessoa na casa que não conhecesse aquele que talvez seja um dos maiores clássicos do hard rock dos anos 1990.

O encerramento veio com "Addicted to That Rush" e "Green-Tinted Sixties Mind", concluindo um set impecável para qualquer fã do Mr. Big. Em pouco mais de meia hora, Eric Martin entregou exatamente o que o público esperava: uma coleção de clássicos interpretados por uma voz que, mesmo após décadas de estrada, continua surpreendentemente preservada.

Antes de deixar o palco, Martin apresentou o próximo convidado da noite: Tim "Ripper" Owens. A temperatura já era baixa do lado de fora, mas dali em diante o clima dentro do Santo Rock Bar mudaria completamente.

TIM "RIPPER" OWENS

Se Eric Martin ficou responsável por aquecer o público com uma sequência impecável de clássicos do hard rock, Tim "Ripper" Owens assumiu o palco disposto a elevar a temperatura de vez. E conseguiu.

Sem qualquer introdução mais longa, o ex-vocalista do Judas Priest entrou "com os dois pés no peito", abrindo sua apresentação com "The Hellion" seguida da clássica "Electric Eye". Embora ambas pertençam à era Rob Halford, são músicas que Ripper incorporou ao seu repertório durante os anos em que esteve à frente do Judas Priest, entre 1996 e 2003, período em que gravou os álbuns Jugulator (1997) e Demolition (2001). Desde então, sua interpretação dessas canções tornou-se uma marca registrada de seus shows.

A reação da plateia foi imediata. Se durante o set de Eric Martin ainda havia parte do público alternando a atenção entre o palco e a partida da Copa do Mundo, bastaram os primeiros gritos de Owens para que praticamente todos voltassem seus olhos para o espetáculo.

Na sequência, Ripper fez uma escolha que certamente agradou aos fãs mais dedicados da sua passagem pelo Priest. "Burn in Hell", do excelente Jugulator, apareceu no repertório e representou um dos grandes acertos da noite. Muitos dos presentes jamais tiveram a oportunidade de ouvir essa música ao vivo durante a passagem da banda pelo Brasil em 2001, tornando sua inclusão um presente para aqueles que acompanham a carreira do vocalista desde aquela época.

A apresentação prosseguiu com dois dos maiores clássicos da história do heavy metal: "Painkiller" e "Breaking the Law". Além da performance vocal impressionante de Owens — que continua alcançando os agudos característicos da fase Priest com notável segurança —, chamou novamente a atenção o desempenho da banda brasileira.

Edu Cominato merece um destaque especial. Quem acompanha sua trajetória sabe que o hard rock é muito mais frequente em sua carreira do que o heavy metal tradicional. Ainda assim, sua execução em "Painkiller", considerada uma das músicas mais desafiadoras para qualquer baterista, foi praticamente irretocável. Técnica, velocidade, resistência e precisão apareceram em abundância durante toda a música, comprovando mais uma vez o nível dos músicos escolhidos para acompanhar o projeto.

Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Leo Mancini também demonstraram enorme entrosamento ao reproduzir arranjos que fazem parte da história do metal mundial. Em nenhum momento houve a sensação de estarmos diante de uma banda de apoio. Pelo contrário: o quarteto brasileiro tocou com personalidade, mas sempre respeitando as versões originais.

O encerramento do set, entretanto, foi o único momento em que, particularmente, acredito que o repertório poderia ter sido melhor aproveitado.

Ripper optou por interpretar dois grandes clássicos do rock: "Highway To Hell", do AC/DC, e "Heaven and Hell", do Black Sabbath. São músicas irretocáveis e que, obviamente, funcionam em qualquer show de rock. A resposta da plateia foi positiva, com o público cantando e vibrando durante ambas as execuções.

Ainda assim, considerando o curto tempo disponível para cada vocalista, penso que essa era uma oportunidade perfeita para explorar um pouco mais da própria carreira de Tim Owens. Durante vários momentos era possível ouvir pessoas na plateia pedindo músicas de sua passagem pelo Iced Earth, fase extremamente respeitada pelos fãs do power e do heavy metal, ou até mesmo outro clássico do Judas Priest como "The Ripper", faixa que, inclusive, acabou se tornando responsável pelo apelido que acompanha o cantor há mais de quatro décadas.

É uma observação que não diminui em nada a qualidade da apresentação, mas fica aquela sensação de que havia material suficiente para tornar um set excelente em algo ainda mais memorável.

Seja como for, o saldo foi amplamente positivo. Para muitos presentes, Tim "Ripper" Owens entregou a performance mais intensa da noite até aquele momento. Sua presença de palco continua impressionante, a voz permanece extremamente potente e, sobretudo, ele demonstra o mesmo entusiasmo de quando assumiu uma das missões mais difíceis da história do heavy metal: substituir Rob Halford no Judas Priest.

Depois de uma verdadeira aula de heavy metal, o palco estava preparado para receber um artista de perfil completamente diferente, mas dono de uma das vozes mais versáteis do rock melódico: Jeff Scott Soto.

JEFF SCOTT SOTO

Se Tim "Ripper" Owens foi responsável pela descarga de adrenalina da noite, Jeff Scott Soto assumiu o palco representando o lado mais melódico do hard rock. Dono de uma das carreiras mais versáteis do gênero — com passagens por Yngwie Malmsteen, Talisman, Journey, W.E.T., Sons of Apollo, Trans-Siberian Orchestra e inúmeros projetos paralelos —, Soto talvez fosse o artista cujo repertório oferecia mais possibilidades para um set curto. E sua escolha para abrir a apresentação mostrou exatamente isso.

Quando os teclados de "One Love" começaram a soar, boa parte do público pareceu não reconhecer imediatamente a música. Se você que está lendo este review também não sabe de qual canção estou falando, vale a recomendação: trata-se de uma das mais belas composições do hard rock melódico moderno. Lançada no álbum de estreia do W.E.T., em 2009, ela reúne tudo aquilo que consagrou o estilo AOR: um refrão gigantesco, melodias marcantes e uma interpretação vocal impecável de Soto. Se ela ainda não faz parte da sua playlist, pare tudo quando terminar esta leitura e vá ouvi-la.

A entrada tinha tudo para ser apoteótica. Infelizmente, um problema técnico no microfone do vocalista interrompeu completamente o impacto daquele início. Durante os primeiros versos, simplesmente não havia voz alguma saindo no sistema de som. A banda precisou interromper a execução e reiniciar a música poucos instantes depois.

Foi um contratempo daqueles que acontecem em apresentações ao vivo e que, inevitavelmente, quebram o clima cuidadosamente construído para uma abertura de show. O momento perdeu parte da força que certamente teria se tudo funcionasse desde o primeiro acorde. 

Mas Jeff Scott Soto é um veterano de estrada. Longe de se deixar abalar pelo problema técnico, retomou a apresentação com o bom humor e a energia que sempre marcaram sua relação com o público brasileiro. Frequentador assíduo do país há mais de três décadas, Soto parece sentir-se em casa sempre que toca por aqui. Seu carisma continua sendo um diferencial, assim como a descontração no palco — incluindo as já tradicionais caipiroscas que frequentemente aparecem durante suas apresentações em terras brasileiras.

Na sequência veio um clássico absoluto do Journey: "Separate Ways (Worlds Apart)". Embora sua passagem pela banda tenha sido relativamente curta, entre 2006 e 2007, Soto sempre interpretou a música com enorme propriedade. A execução ganhou um ingrediente especial com a participação do excelente vocalista brasileiro BJ, integrante da banda de apoio de Jeff, responsável pelos teclados e backing vocals. A combinação das duas vozes funcionou perfeitamente e foi um dos pontos altos do set.

Em seguida, Soto revisitou sua banda mais emblemática, o Talisman, com "I'll Be Waiting". Curiosamente, uma das maiores composições de sua carreira acabou não encontrando a resposta esperada do público. Em praticamente todos os shows, Jeff costuma transformar o refrão em um enorme coro coletivo, conduzindo a plateia no tradicional trecho: "If you need somebody... call out my name... I'll be waiting... right by your side..."

Desta vez, porém, a interação simplesmente não aconteceu. Ficou evidente que boa parte dos presentes não conhecia a música, fazendo com que Soto rapidamente desistisse da tentativa de dividir os vocais e seguisse normalmente com a apresentação.

Foi um daqueles momentos que evidenciam um desafio inerente a um festival como o Masters of Voices. Reunindo artistas de carreiras tão distintas, é natural que parte do público conheça profundamente alguns repertórios e tenha menos familiaridade com outros.

A viagem pela carreira do cantor prosseguiu com uma homenagem aos tempos em que dividiu os palcos com o virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. O medley formado por "I Am a Viking" e "I'll See the Light Tonight" trouxe novamente à tona toda a capacidade técnica da banda brasileira, que executou duas das composições mais exigentes do neoclássico com enorme competência.

Até aquele momento, tudo funcionava muito bem. A única escolha de repertório que, na minha opinião, não encontrou espaço dentro do contexto do show foi "Coming Home", do Sons of Apollo.

É importante deixar claro: trata-se de uma excelente música. O problema não está na qualidade da composição, mas sim na ocasião. Em um set relativamente curto, voltado principalmente para grandes clássicos e canções capazes de estabelecer conexão imediata com um público bastante heterogêneo, a faixa acabou esfriando um pouco o andamento da apresentação. Ficou evidente que poucas pessoas conheciam a música, e isso diminuiu consideravelmente a resposta da plateia.

Talvez esse espaço pudesse ter sido ocupado por outro clássico do Talisman, alguma faixa do próprio Journey ou até mesmo por uma música da fase com Yngwie Malmsteen. São escolhas que provavelmente teriam provocado um impacto maior no público presente.

O encerramento, por outro lado, recolocou a apresentação nos trilhos. Jeff fechou seu set com "Stand Up", música eternizada no filme Rock Star (2001). A faixa, atribuída à banda fictícia Steel Dragon e interpretada no longa pelo personagem Chris Cole, vivido por Mark Wahlberg, tornou-se um verdadeiro hino entre os fãs de hard rock desde o lançamento do filme. Era impossível escolher uma despedida mais apropriada.

Mais uma vez, Jeff Scott Soto demonstrou por que é considerado um dos vocalistas mais completos de sua geração. Sua voz permanece extremamente consistente, o carisma continua intacto e sua presença de palco faz parecer que ele está se divertindo tanto quanto o público.

Era a deixa perfeita para a entrada do último vocalista da noite. E, para os fãs brasileiros de metal melódico, talvez aquele fosse o momento mais aguardado do espetáculo.

Edu Falaschi estava prestes a assumir o comando do palco.


EDU FALASCHI

Depois de uma viagem pelo hard rock norte-americano e pelo heavy metal britânico, coube ao único representante brasileiro do evento encerrar a sequência individual de apresentações. E Edu Falaschi fez exatamente aquilo que a maioria dos presentes esperava.

Sempre extremamente comunicativo e bem-humorado, o vocalista entrou no palco saudando o público antes de abrir sua participação com "Acid Rain", primeiro grande sucesso de sua trajetória no Angra e também o cartão de visitas de sua estreia na banda após a difícil missão de substituir o saudoso André Matos.

Passados mais de vinte anos desde o lançamento de Rebirth (2001), impressiona como essas músicas continuam funcionando ao vivo. Não apenas pela qualidade das composições, mas pela identificação que uma geração inteira de fãs criou com esse repertório.

Na sequência vieram "Heroes of Sand", "Millennium Sun" e "Bleeding Heart", formando um verdadeiro desfile de clássicos daquele álbum que, para muitos fãs — entre os quais este que vos escreve —, representa o ponto mais alto da fase de Edu Falaschi no Angra. Entre todas elas, "Bleeding Heart" acabou proporcionando um momento curioso e bastante divertido.

No Brasil, a música ganhou uma vida completamente diferente quando foi regravada em ritmo de forró sob o título "Agora Estou Sofrendo", tornando-se um sucesso muito além do universo do heavy metal. Não foram poucos os presentes que, em tom de brincadeira, cantaram trechos da versão em português durante a execução da música, arrancando sorrisos do próprio Edu e mostrando o tamanho que sua composição alcançou ao longo dos anos.

Naturalmente, Temple of Shadows também não poderia ficar de fora. Representando aquele que é considerado por muitos um dos maiores álbuns da história do metal brasileiro, Edu escolheu "Waiting Silence", mais uma interpretação segura de uma música que permanece entre as favoritas dos fãs.

Um detalhe bastante interessante dessa apresentação era observar quem dividia o palco com Falaschi. No baixo estava Felipe Andreoli, músico que participou das gravações originais de todas essas canções nos álbuns Rebirth e Temple of Shadows. Na guitarra, Marcelo Barbosa, atual integrante do Angra, completava essa curiosa conexão entre passado e presente da banda.

Em tom de brincadeira, pode-se dizer que o "Angraverso" estava “ON” naquela noite.  O encerramento veio com chave de ouro através da emocionante "Rebirth".

Enquanto os últimos acordes ecoavam pelo Santo Rock Bar, a Argentina confirmava sua classificação sobre a Suíça e avançava para as semifinais da Copa do Mundo. Mais uma vez, futebol e rock dividiram espaço na mesma noite, mas naquele momento era difícil encontrar alguém prestando mais atenção às televisões do que ao palco.

Edu encerrou sua participação sob fortes aplausos, concluindo uma apresentação que reafirmou por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do heavy metal brasileiro.

O GRANDE ENCONTRO

Se a proposta do Masters of Voices era reunir quatro grandes cantores da história do rock em um mesmo palco, ainda faltava um último capítulo. E ele veio da melhor forma possível.

Com os quatro vocalistas reunidos diante do público, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi dividiram os vocais em "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Mais do que uma simples jam de encerramento, aquele momento simbolizava exatamente o espírito da turnê.

Ver artistas que construíram carreiras tão diferentes compartilhando o mesmo palco, trocando sorrisos entre si e demonstrando um respeito mútuo evidente foi um privilégio para quem esteve presente. São encontros raros, daqueles que dificilmente se repetem com a mesma formação.

Foi, literalmente, uma conjunção de astros.

Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

Take Cover

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush

Green-Tinted Sixties Mind


Tim "Ripper" Owens – setlist:

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Jeff Scott Soto – setlist:

One Love

Separate Ways

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


Edu Falaschi – setlist:

Acid Rain

Heroes of Sand

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth


Todos

Living After Midnight (Judas Priest cover)