O novo single “The Truth Is Out There” amplia o universo instrumental construído pelo guitarrista RICKY DE CAMARGO e apresenta uma composição que aposta menos na demonstração gratuita de técnica e mais na criação de uma narrativa sonora. A participação especial de Dallton Santos acrescenta outra personalidade às guitarras e ajuda a transformar a faixa em uma espécie de diálogo musical sobre o desconhecido, o cosmos e as perguntas que permanecem sem resposta. O resultado é uma peça que procura despertar a imaginação sem depender de uma estrutura excessivamente complexa para sustentar seu interesse.
Essa escolha encontra respaldo na própria trajetória do músico. Natural de Sorocaba (SP), nascido em 1988, RICKY DE CAMARGO acumula mais de duas décadas de dedicação à música e construiu uma discografia autoral composta por Origins (2019), Maverick (2021), Relentless (2022) e Beast Mode (2025). Ao longo desses trabalhos, a guitarra permaneceu como eixo de uma linguagem que transita pelo Rock, Metal, Progressivo e Fusion, mas sem transformar o virtuosismo em finalidade absoluta.
Em entrevistas, o próprio guitarrista já explicou que procura escrever músicas que sejam “legais de se ouvir e tocar”, evitando complicar as composições sem necessidade. Essa filosofia é particularmente relevante em “The Truth Is Out There”, porque a faixa consegue utilizar recursos técnicos como parte da construção musical, e não como uma sucessão de exibições instrumentais. O equilíbrio entre passagens mais elaboradas, melodias e atmosferas permite que o ouvinte acompanhe a composição sem precisar necessariamente analisá-la sob uma perspectiva estritamente guitarrística.
A presença de Dallton Santos merece atenção justamente por esse aspecto. Em vez de funcionar apenas como um convidado inserido para acrescentar prestígio ao lançamento, sua participação reforça a proposta de estabelecer diferentes perspectivas dentro da guitarra instrumental. A escolha também dá continuidade a uma característica que RICKY DE CAMARGO vem desenvolvendo em seus trabalhos mais recentes: a ampliação de sua paleta sonora por meio de colaborações com outros músicos. No projeto seguinte a Beast Mode, por exemplo, o guitarrista já havia anunciado participações de Edu Ardanuy, Roberto Barros e Dallton Santos.
Como prévia do próximo álbum, “The Truth Is Out There” cumpre ainda uma função importante: demonstra que RICKY DE CAMARGO continua interessado em evoluir sem romper com aquilo que sustenta sua identidade. A faixa combina peso, ambiência, musicalidade e diferentes possibilidades de expressão da guitarra para construir uma experiência que pode ser apreciada tanto por instrumentistas quanto por ouvintes que simplesmente buscam uma boa composição de Rock/Metal instrumental. É justamente nessa capacidade de colocar a técnica a serviço da música que reside um dos pontos mais interessantes deste novo capítulo da carreira do guitarrista.
- Olá Bruno. Obrigado pela sua gentileza em nos atender.
Parabéns pelo lançamento do álbum “Anxiety”, pois o material ficou de
primeira...
R: Muito Obrigado! nós que agradecemos o reconhecimento,
foi um trabalho árduo, e que chegou no resultado que queríamos.
- Como você pode descrever o trabalho na composição deste
tipo de sonoridade?
R: Bom, nesse estilo em especifico que foi Deathcore,
buscamos uma sonoridade mais bruta, direta e pesada com pouquíssimas passagens
melódicas, ao contrario do 1º álbum, guitarras bem presentes, bastante
breakdowns e vocais guturais, foi um estilo que nunca trabalhamos antes, então
o nosso produtor teve uma parte importante na nossa incorporação nesse estilo.
- Eu escutei o álbum diversas vezes e, só após várias
tentativas, consegui captar parte das suas ideias. Os fãs têm sentido este tipo
de dificuldade também? R: olha, sinceramente não, pra quem já está acostumado com o estilo, sabe
que muitas vezes pela distorção e os guturais não dá pra entender a letra,
porem ao lê-la creio q ideia do álbum fica bem clara, que tratamos de doenças
mentais, como ansiedade e depressão e qual a sensação que elas causam e o quão
importante é trata-las
- Existem planos para o relançamento de “Anxiety” através da
MS Metal Records na Europa, que é atual gravadora de vocês?
- Adorei o fato de trabalharem com o inglês, mas isso não
pode vir a atrapalhar vocês no mercado nacional?
R: Sim e não, nosso objetivo realmente não é o mercado
nacional, pois esse estilo é muito pouco valorizado aqui no brasil e nós
sabemos disso, por isso o inglês e por isso o trabalho com a MS Metal Records
lá fora.
- Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A
aceitação está sendo positiva?
R: Olha, mais do que o esperado as pessoas tem elogiado
bastante, e sempre mencionando nossas musicas nas redes sociais, e o shows
estão bem enérgicos, do jeito que queríamos, os fãs comprando bastante merch,
está fluindo bem.
- Quem assinou a capa do CD? Qual a intenção dela e como ela
se conecta com o título?
R. Quem fez a capa foi o Carlos Fides, pra nós o melhor
nesse contexto, ficamos muito satisfeitos com o resultado. Sobre como a capa se
conecta com o titulo, nela nós vemos uma pessoa sentada, abraçando as pernas e
com muitos espinhos nela, isso é a forma ilustrada de como uma pessoa ansiosa
se sente, os pensamentos descontrolados, vontade de fazer tudo mas sem
conseguir se mexer como se tivesse vários espinhos a prendendo daquele jeito e
não sabendo como sair disso.
- “Anxiety” foi todo produzido pela banda, confere? Foi
satisfatório seguirem por este caminho?
R. confesso que o caminho foi mais difícil que o
esperado, pois mesmo sendo metal, nunca trabalhamos com deathcore, então era
tudo novo pra todos, mas vendo por um outro lado isso nos forçou a evoluir
técnica e psicologicamente então creio que no final das contas o saldo foi
positivo.
- Imagino que já estejam trabalhando em um novo full lenght.
Se sim, como está se dando o processo e como ele está soando?
R. a sim estamos sim, mas ele vai soar um pouco
diferente, buscamos uma sonoridade mais moderna como Motionless in White e BMTH
estão fazendo hoje, mas está ficando incrível.
- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao ADULFE...
Agora é contigo para as suas considerações finais...
R. R. Nós
que agradecemos o espaço, foi muito bom conversar com vocês, sigam a @_Adulfe
no Instagram, e nas outras redes sociais, nossa musica está em todas as
plataformas digitais, Spotfy, Deezer, Itunes, Youtube...
Por: Caco Garcia Fotos: Divulgação/Arquivo da banda e Vinny Vanoni
Formada em Porto Alegre RS, e com quase três décadas de história a Epitaph passa por um momento especial, lançando no final de junho seu segundo full-lenght, "Digital Screams", o qual vem sendo muito bem recebido por critica e público.
O álbum traz uma banda muito mais coesa, adicionando mais peso e novos elementos ao seu Heavy/Trash Metal.
Conversamos com um dos seus fundadores, o baterista César "Five", que nos contou mais detalhes do álbum e planos e expectativas para levar o nome da Epitaph cada vez mais longe.
RtM:"Digital Screams" chegou 17 anos depois de "Gettin' Down to Business". O que fez esse processo levar tanto tempo? Claro, há sempre as dificuldades enfrentadas por uma banda independente.
César Five: O "Digital Screams" teve seu processo de lançamento atrasado devido aos problemas que todas as bandas têm, como troca de integrantes, falta de recursos financeiros, de como o mercado do heavy metal estava e como as pessoas consomem música, além da pandemia e a enchentes aqui no RS, mas nunca pensamos em não lançar o álbum físico.
RtM: Realmente, mesmo com os custos e também com crescimento do streaming, sempre há público que prefere e gosta de ter o material físico.
César Five: Eu já estaria fora da música se não existisse meios de lançar o CD físico, pois é a realização material da tua obra, da tua música. As pessoas diziam que não existiriam mais livros e filmes, mas eles estão aí assim como LPs ,CDs e outras mídias físicas, pois sempre haverá quem prefira esse material. Esse atraso acabou por ajudar na qualidade final do trabalho, pois acertamos todos os detalhes que acabaram por tornar esse álbum como queríamos.
RtM: O álbum impressiona pela qualidade sonora, produção, arte gráfica e edição física. Em tempos de streaming, é louvável aa bandas independentes investirem em um CD físico, sabendo dos altos custos envolvidos, e o retorno geralmente mais lento.
César Five: Embora as despesas de fazer um álbum físico sejam grandes, decidimos fazer 200 cópias(comprem, pois vai virar raridade) que felizmente estão sendo vendidas rapidamente. Era fundamental para nós lançarmos o álbum físico, mesmo pressionados pelo tempo entre o primeiro álbum e esse, queríamos que essas músicas chegassem às pessoas como uma obra completa, e não aos pedaços, como singles espalhados pelas plataformas.
RtM: Que ótimo, recentemente vimos artigos falando sobre o aumento das vendas de CDs, então isso é satisfatório para quem seguiu acreditando no material físico.
César Five: Sim, isso é ótimo. E a espera e o esforço valeram a pena. Ter o material físico te coloca em outro patamar, até para negociar shows, e o fã pode ir no show e levar na hora a lembrança. Nesse momento você encontra as pessoas que gostam da tua música.
RtM: E complementando o que comentamos antes, muitas bandas independentes acabam lançando apenas singles por questões financeiras, mas a Epitaph apostou em um álbum completo, concebido como uma obra única, mesmo diante de tantos desafios.
César Five: Não haveria sentido para nós lançarmos singles nas plataformas digitais, que embora fundamentais hoje em dia, não te trazem nada além de contatos e curtidas, e que não demonstram se o material é forte e se chegou ao público.
E depois de ver o trabalho pronto, acharia uma grande injustiça não tornar um material físico o esforço de todos que compuseram, gravaram, produziram, escreveram as letras, conceberam e fizeram a capa, todo o trabalho gráfico, enfim a alma de tudo virar um simples arquivo, sem vida que pode ser deletado com apenas um toque após ser escutado.
RtM: Sim, a materialização da obra. Como colecionador e defensor da mídia física, eu aplaudo a iniciativa de todos que seguem lançando CDs e LPs.
César Five: Gostaria que fosse lançado em LP mas os altos custos impossibilitaram, mas esse CD tem encarte, letras, fotos, capa que faz a experiência da audição muito mais interessante.
RtM: Ao ouvir o álbum, fica evidente uma evolução em direção a um Heavy Metal mais pesado, com influências de Thrash, e ainda elementos de Hard, Southern e Classic Rock. Gostaria que você comentasse a respeito desses novos elementos e detalhes que você comentou antes, e evolução sonora da Epitaph.
César Five: As músicas desse álbum são as influências de todos os músicos que estiveram na banda nesses longos anos. Todos de alguma forma colaboraram e são devidamente creditados no encarte e são parte importante da história da banda. A entrada do André “Canhoto”Carvalho e o Fábio Figueiredo, como guitarrista e baixista respectivamente, foram as peças que faltavam para seguirmos em frente.
RtM: Eles chegaram somando e contribuindo para essa nova fase
César Five: Exato. O Canhoto e o Fábio não entraram apenas para gravar o que estava pronto, mas sim colocar as suas personalidades e estilos nas músicas e alteraram o que foi preciso. Assim funciona uma banda que quer chegar a algum lugar. Tínhamos um material forte, que lapidamos dentro do estilo que a banda é...puro Heavy Metal.
RtM: A faixa-título aborda temas extremamente atuais, como polarização nas redes sociais e Inteligência Artificial, com a tecnologia aproximando as pessoas, mas também gera conflitos e desumanizando as relações. Gostaria que vocês comentassem a respeito dessa faixa, onde novamente vocês contaram com a colaboração de Gustavo Demarchi (Apocalypse).
César Five: O Gustavo Demarchi é um amigo de longa data, que hoje mora em Portugal, pedimos a ele na época para escrever a letra do que virou a "Digital Screams", pois ele sempre foi ótimo letrista, tanto na The Wise, Apocalypse e outros projetos dele. A música foi feita pelo Marlon Steindorff e eu, e ele gostou muito, e já escreveu as partes dele e as do Joe.
No dia da gravação foi muito divertido, pois ambos estavam preparados e deram um show de profissionalismo. Acho essa música sensacional, e o Canhoto colaborou com mais riffs depois. Acho que ela uma música de alto nível, temos muito orgulho dela.
RtM: “Loser’s Life” abre o álbum, e também se destaca, sendo uma excelente apresentação para quem vai ouvir a banda pela primeira vez, tendo uma pegada pesadíssima. Comentem também um pouco mais sobre essa faixa.
César Five: Na hora que estávamos construindo o tracklist do CD, colocamos a Loser´s Life como faixa de abertura pois ali resume o que é o Digital Screams: muitos riffs, paradinhas de bateria, thrash, e um refrão maravilhoso, tem várias levadas de bateria e solos sensacionais, e o Joe canta a letra com muita força.
RtM: E temos a “The Girl Who Loved the Dead”, que foi o primeiro single e vídeo do álbum, com uma temática bem interessante, e mostrando já alguns desses novos elementos do som da banda, provavelmente sendo esse um dos motivos que foi escolhida para a primeira amostra do trabalho. O que vocês podem nos falar mais a respeito dessa faixa e suas inspirações?
César Five: A "The Girl" é uma letra do Dênis, a música tem partes minhas, do antigo guitarrista Marcelo Fernandez, o baixista André Soares e do Marlon. Ela tem partes diversas, e chama atenção pelo tema acústico no meio, que deu um ar de Mercyful Fate e King Diamond. Todos sabíamos que seria essa a música single e do vídeo, é forte, cheia de passagens diferenciadas e foi filmada pelo Renato da Chama Video em 4 horas apenas. Ficou com cara daqueles filmes da Hammer de terror dos anos 60.
Cena do vídeo "The Girl Who Loved the Dead"
RtM: As letras de Denis Winston Brum voltam a trazer críticas sociais, políticas e religiosas bastante contundentes. Como funciona essa parceria entre compositor e letrista? As músicas nascem primeiro ou a temática das letras acaba influenciando os arranjos?
César Five: O Dênis Winston, além de escritor com vários livros editados, roteirista, é uma verdadeiro máquina de produzir cultura, é amigo pessoal meu desde 1991, padrinho do meu filho e fã de heavy metal, ficção científica e filmes de terror antigos. A Epitaph já estava compondo material e mostramos a música e ele logo compôs a letra da clássica Remote Control que foi feita lá em 2000 e se mantém atual até hoje.
A parceria naturalmente cresceu onde mandávamos a música na sua estrutura básica e ele desenvolvia com ideias suas ou sugestão de letras nossas. Às vezes mudávamos os arranjos para melhor adaptar as letras aos vocais do Joe.
RtM: E é notório o cuidado que vocês tiveram com as letras.
César Five: A Epitaph sempre se preocupou com as letras. No primeiro álbum ele escreveu oito letras, eu a "Wrong Choice" e o Gustavo Demarchi a "Metal Wings". A música "Red White and Blue" é tão atual que só mudou o Bush e sua guerra do Afeganistão pelo Trump e o Irã, é atemporal pois o mundo infelizmente vive de guerras.
E para o "Digital Screams" mantivemos a equipe de compositores, com o Dênis com 5 letras, eu com a "Road of Fire" (adaptada pelo Dênis), Gustavo Demarchi com a faixa título e o Joe com a "Blue Cave". Os temas são ótimos e mantém a qualidade e fortalecem a parte musical.
RtM"Blue Cave" encerra o álbum com uma narrativa bastante humana, inspirada em uma realidade conhecida dos gaúchos. Como surgiu essa história e por que vocês escolheram fechar o disco justamente com essa música?
César Five: A Blue Cave, ou Gruta Azul, é o nome de uma famosa boate aqui de Porto Alegre, e o Joe F. Louder, fazia os trabalhos da parte gráfica da casa e das moças que trabalhavam lá, inclusive da hoje famosa Andressa Urach. A inspiração veio daí e ele transformou numa ótima letra, que seria interessante se chegasse a Andressa.
A parte instrumental que finalizou a música foi do Canhoto, pois achamos que deveria ter algo que fechasse o CD de forma diferente e ele trouxe aquele momento acústico que deu uma classe incrível ao álbum.
RtM: A produção de Lucas Santorum conseguiu preservar um som orgânico e pesado, algo que muitos fãs sentem falta em produções excessivamente digitais. Qual era a proposta sonora que vocês tinham em mente antes de entrar em estúdio?
César Five: O Lucas foi aquele que chegou no momento certo. Já tínhamos as músicas prontas, as baterias já todas gravadas , a pré produção pronta, mas não encontrávamos o som que queríamos. Felizmente ele entendeu o que buscávamos: um som estilo as produções do Andy Sneap, pesado, moderno e contemporâneo, mas sem ser “modernoso”, afinal somos uma banda de heavy Metal Tradicional.
Gravamos no seu estúdio o LST, guitarras, baixo e parte dos vocais, e não só trabalhou como técnico de som, mas como produtor, opinando, cobrando esforços para aquele take a mais. Como presente, ele gravou o solo de guitarra inicial da música "National Guard" e não vemos a hora de gravar com ele novamente.
RtM: O personagem da capa do primeiro álbum retorna em "Digital Screams", e o encarte traz diversas referências à cultura pop, Rock e Metal. Existe uma intenção de criar uma identidade visual contínua para a Epitaph, conectando passado e presente da banda?
César Five: O personagem da capa, é o mesmo que está no Getting Down To Business, ele é enigmático, e ainda vamos descobrir o que ele guarda na sua maleta. Mantivemos a ideia de ser ele o cara digitalizado no novo álbum, assim como um personagem relacionado a banda.
O encarte tem referências ao primeiro álbum como a gárgula e o relógio, e o trabalho gráfico da Juliana Louis foi incrível, pois eu ia pedindo referências que me marcaram e ela ia adaptando na foto do encarte...ali tem coisas de séries de TV, bandas, personagens históricos, frases clássicas enfim é um bom passatempo escutar o CD e ir procurando tais referências.
A foto do encarte traz várias referências marcantes para César e a banda.
RtM: Finalizando, depois de um disco tão forte e de uma resposta que vem sendo bastante positiva da imprensa e do público, quais são os próximos passos da Epitaph? A ideia é intensificar os shows e diminuir o intervalo até o próximo álbum?
César Five: O momento é de divulgar o CD seja por shows ou através de contatos que impulsionem que ele chegue a mais pessoas. Estamos muito satisfeitos com a repercussão do álbum, pois sabíamos que o material é forte, pois mostra nosso crescimento como músicos e compositores.
Montar uma agenda de shows não é simples, pois todos temos empregos regulares e famílias e conciliar datas e logística é complicado, mas temos objetivos que é de tocar novamente em outros estados, abrir shows internacionais se possível.
Algumas músicas ficaram de fora desse álbum serão gravadas com o Lucas e serão lançadas como singles de tempos em tempos com vídeo clipe. Mas se depender de mim ainda haverá outro full lenght da Epitaph.
RtM: Muito obrigado, César, sucesso à vocês nesses próximos passos, e mais uma vez parabéns pelo trabalho! Pessoal, ouçam!
César Five: agradeço ao Road To Metal pelo espaço muito importante para a banda. Obrigado a todos que tem comprado o álbum físico, ido aos shows e que de alguma forma estão ajudando a Epitaph a crescer.
Epitaph é:
Joe F. Louder nos vocais, Marlon Steindorff e André Carvalho "Canhoto" nas guitarras, Fabio Figueiredo no baixo e César "Five" Louis na bateria
O supergrupo Left To Die, liderado pelos ex-integrantes do Death Rick Rozz e Terry Butler, retornou à capital paulista para revisitar os primeiros anos de um dos nomes mais importantes da história do death metal. Em primeira mão no Brasil, a banda apresentou o álbum "Initium Mortis", de 2026, trabalho que reúne regravações em tributo à fase embrionária do Death e do Mantas. Ao lado de Cemitério e Flagelador, responsáveis pelas apresentações de abertura, o grupo protagonizou uma noite dedicada à música pesada, conectando diferentes gerações do metal extremo diante de um excelente público que lotou a Burning House no último dia 9.
Responsável por abrir a noite, o Cemitério entrou no palco sem precisar de muito tempo para estabelecer sua atmosfera de horror e metal extremo. Com Hugo Golon nos vocais e baixo, Douglas Gatuso na guitarra e Guilherme Fructuoso na bateria, o trio paulistano apresentou seu death/thrash metal de inspiração cinematográfica em uma sequência que começou com "Massacre no Texas" e passou por "Tara Diabólica", "Oãxiac Odèz", "O Dia de Satã" e "A Sentinela dos Malditos", mantendo a agressividade e o peso característicos da banda. A temática de filmes de terror continuou em "Sexta-feira 13", "Holocausto Canibal", "Natal Sangrento", "A Volta dos Mortos Vivos" e "A Vingança de Cropsy", enquanto "Quadrilha de Sádicos" mostrou novamente a facilidade com que o grupo transforma seus refrões em momentos de participação dos fãs. O público acompanhou e cantou as músicas, deixando claro que aquelas composições já são conhecidas do underground paulista. A escolha de "Damien", versão para o clássico do Taurus, acrescentou uma conexão especial com a história do metal brasileiro, antes de "Pague para Entrar, Reze para Sair" fechar o set. O resultado foi que o Cemitério ocupou seu espaço com personalidade própria, unindo death metal old school, referências ao cinema de horror e letras em português em uma apresentação que encontrou um público pronta para cantar cada verso.
Em seguida, O Flageladör mostrou por que se tornou uma das referências do speed/thrash metal brasileiro, apostando em uma apresentação direta, veloz e sem qualquer pudor. Com Armando Exekutor nos vocais e guitarra, Alan Magno no baixo, Junior Bzrra na guitarra e Vinícius Talamonte na bateria, a banda atravessou seu repertório como uma máquina de riffs, passando por "Ultimatum/Flageladör", "Perseguir e Exterminar", "Cruzada ao Lado de Satã" e "Expresso para o Inferno", sem dar espaço para a pista respirar. O público não apenas acompanhou a apresentação, mas cantou praticamente todas as músicas, transformando "A Noite do Ceifador", "Carnificina", "Unidos pelo Metal" e "Forjado em Aço e Fogo" em momentos de intensa participação. A sequência final, com "Assalto da Motosserra", "Obcecado por Sangue", "Queimando nas Chamas do Heavy Metal", "Máxima Voltagem", "Nas Minhas Veias Corre Fogo" e "Ao Vivo no Inferno", consolidou o caráter de celebração underground da apresentação, com a banda mantendo a velocidade e o peso até o último riff.
Era chegada a hora dos anfitriões. Formado por músicos diretamente ligados aos primeiros anos do Death, o Left To Die reúne Rick Rozz e Terry Butler, integrantes da formação clássica responsável pelos registros Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988), fundamentais no início da carreira de Chuck Schuldiner. Além de Matt Harvey, nos vocais e guitarra, e Vinicius Talamonte, do Flagelador, que assumiu a bateria nesta apresentação, a formação contou com a substituição de Gus Rios, que sofreu um descolamento de retina durante a turnê. Mesmo diante da mudança de última hora, o que se viu no palco foi uma performance intensa, pesada e fiel à sonoridade que ajudou a estabelecer os alicerces do death metal.
A atmosfera já começou pesada antes mesmo da primeira música, quando a sonoridade sombria de "E5150", do Black Sabbath, serviu como introdução para o que viria a seguir. A abertura com "Infernal Death" proporcionou uma verdadeira explosão, fazendo as primeiras rodas se abrirem imediatamente na pista. "Mutilation" manteve a pressão, enquanto "Leprosy" trouxe um dos primeiros momentos de interação com o público. "É muito bom estar de volta", declarou Matt Harvey, antes de perguntar se os fãs conheciam quem estava na bateria. A resposta veio em forma de gritos para Vinicius Talamonte. Em seguida, Harvey pediu aplausos para Rick Rozz, apresentado como "o cara que escreveu a bíblia do Death Metal". O guitarrista foi recebido calorosamente pelos fãs.
"Primitive Ways" manteve a pancadaria e ganhou uma dedicatória especial, já que aquele era o último show da banda no Brasil. Matt aproveitou o momento para dedicar a música às bandas brasileiras Cemitério e Flagelador. Na sequência, o Left To Die deixou de lado momentaneamente o repertório do Death para revisitar "Legion of Doom", do Mantas, projeto que antecedeu a formação do Death e que faz parte do álbum Initium Mortis, de 2026. A viagem pelas raízes da banda continuou com "Scream Bloody Gore", introduzida por uma provocação de Matt Harvey: "Vocês se lembram do nome do primeiro disco do Death?". A pergunta foi rapidamente respondida pela explosão dos fãs diante de um dos maiores clássicos daquela primeira fase.
A partir de "Death by Metal", outra composição do período do Mantas, a pista da Burning House pareceu entrar em estado de completo caos. As rodas ficaram ainda mais intensas, transformando o espaço em um verdadeiro pandemônio. "Corpse Grinder" chegou com sua violência sonora, e "Left to Die" foi acompanhada em alto e bom som pelo público, que cantou o refrão com a banda. Antes de "Zombie Ritual", Matt Harvey voltou a provocar os fãs: "São Paulo, vocês detonam! Ouvi vocês cantando a última, então essa quero ouvir mais alto ainda". O pedido foi atendido prontamente, com o público reproduzindo as melodias iniciais da guitarra e agitando intensamente ao som de mais um clássico absoluto.
No encore, "Pull the Plug" elevou novamente a temperatura da Burning House. "O espírito do Chuck Schuldiner ainda está vivo em São Paulo?", perguntou Matt, provocando uma resposta imediata dos fãs, que passaram a gritar o nome de Chuck em homenagem ao fundador do Death. Para encerrar a apresentação, "Evil Dead" completou uma noite dedicada às raízes mais primitivas e agressivas da banda. Mais do que simplesmente reproduzir músicas de um período histórico, o Left To Die proporcionou ao público a oportunidade de ouvir ao vivo uma sonoridade que ajudou a moldar o death metal em seus primeiros anos. Com Rick Rozz e Terry Butler representando diretamente aquela história, Matt Harvey conduzindo a apresentação e Vinicius Talamonte assumindo a bateria em uma situação inesperada, o grupo entregou uma celebração visceral da fase inicial do Death, deixando a Burning House tomada pela energia de um público que conhece e reverencia cada detalhe dessa história.
Existem mudanças de formação que alteram uma banda. E existem aquelas que colocam em xeque a própria identidade construída ao longo de décadas. Para o Schandmaul, Sternensegler nasce exatamente nesse território delicado. Lançado em 11 de setembro de 2026 pela Napalm Records, o décimo segundo álbum de estúdio do grupo alemão marca a estreia de Till Herence como vocalista principal, enquanto Thomas Lindner, voz que durante mais de duas décadas esteve no centro da personalidade da banda, permanece no Schandmaul assumindo piano, teclados, violão e acordeão.
A primeira impressão, porém, não é de ruptura. É de movimento. Quando Nimm alles mit entra, a sensação é de que o Schandmaul deliberadamente escolheu não transformar esse novo capítulo em um manifesto melancólico. O álbum começa imediatamente, com guitarras, elementos folk e uma energia que aponta para frente. E isso é importante: Sternensegler não tenta esconder que existe uma nova voz, mas também não parece interessado em pedir desculpas por ela.
Till Herence tem uma voz mais clara e menos áspera que a de Lindner. Isso muda a temperatura das músicas. Em alguns momentos, o resultado se aproxima mais do folk rock melódico e até de uma linguagem pop-rock; em outros, especialmente quando as guitarras ganham espaço, essa suavidade se transforma em uma vantagem. O instrumental continua reconhecível: violino, flautas, gaita de foles, viela de roda, alaúdes e as diferentes guitarras dividem espaço com uma cozinha rítmica que mantém o disco em movimento.
O grande mérito de Sternensegler está justamente nessa negociação. O Schandmaul não soa como uma banda tentando recriar artificialmente o passado. Mas também não está reinventando sua linguagem do zero. E é nessa zona intermediária que o álbum encontra sua personalidade.
1. Nimm alles mit
Nimm alles mit já começa com aquela combinação característica de rock e instrumentos tradicionais, mas a voz de Herence muda imediatamente a percepção do conjunto. Ele canta com uma clareza que deixa as melodias mais abertas, enquanto a instrumentação cria a sensação de estrada, movimento e recomeço.
É uma escolha muito inteligente para abrir o álbum porque a música não fica presa ao peso da mudança. Existe uma espécie de urgência positiva nela, como se a banda dissesse que, depois de tudo, ainda existe muito para viver.
Thomas Lindner contou que a música foi escolhida para a abertura justamente porque, quando todas as faixas estavam reunidas, ela se apresentou como uma escolha natural: começa imediatamente, tem energia rock'n'roll e carrega uma mensagem positiva. Musicalmente, é um excelente cartão de visitas para a nova formação.
2. Sternensegler
A faixa-título diminui um pouco a velocidade, mas aumenta a sensação de amplitude. O Schandmaul trabalha aqui com uma construção mais atmosférica, e os instrumentos folk aparecem como parte essencial da arquitetura da música.
O que mais chama atenção é a maneira como a voz de Herence se encaixa nesse espaço. Existe leveza, mas não fragilidade. O refrão tem aquela característica de música que parece feita para ser cantada por um público inteiro, enquanto as guitarras e os elementos tradicionais dão profundidade à composição.
A faixa também funciona como uma espécie de declaração estética do álbum: olhar para o futuro sem abandonar as próprias raízes. É uma música bastante acessível, mas não descartável, principalmente porque a instrumentação impede que ela caia em uma estrutura pop genérica.
3. Beide Füße in der Luft
Aqui o álbum começa a mostrar um lado mais irreverente. Beide Füße in der Luft tem uma energia mais saltitante e uma presença rítmica que deixa a música consideravelmente mais física. É uma das faixas em que o novo vocalista parece mais confortável em assumir a própria personalidade, sem precisar carregar o fantasma da voz anterior.
A guitarra ganha importância, os elementos medievais ficam mais evidentes e o arranjo cria uma espécie de movimento circular que combina perfeitamente com o título. Há também um toque mais próximo do rock tradicional, o que faz a faixa funcionar como uma pequena quebra dentro da sequência inicial.
4. Flagge
Se existe uma faixa que dá ao álbum uma espinha dorsal mais firme, é Flagge. A banda assume uma postura política direta contra o extremismo de direita e o discurso de ódio, mas sem abandonar a característica melódica que sempre esteve no centro do Schandmaul. A música tem uma pegada mais roqueira, com guitarras mais presentes e uma estrutura que privilegia impacto e refrão.
E é justamente aqui que a nova voz funciona particularmente bem. Herence canta com precisão e deixa as palavras muito expostas. Não existe necessidade de exagerar na interpretação porque o arranjo já entrega a força necessária. O resultado é um dos momentos mais marcantes de Sternensegler, justamente por unir mensagem, melodia e peso sem transformar a música em um panfleto.
5. Nosferatu
Nosferatu muda novamente o cenário e coloca o Schandmaul em uma atmosfera mais cinematográfica. A música tem uma construção mais teatral, com os instrumentos folk criando imagens quase imediatamente. É fácil visualizar uma narrativa acontecendo enquanto a faixa avança, e esse é um dos grandes diferenciais do grupo: mesmo quando a produção é moderna e limpa, existe uma preocupação evidente em construir ambientes.
Os elementos tradicionais aparecem com bastante personalidade, enquanto as guitarras seguram a estrutura rock. A faixa é longa o suficiente para desenvolver sua ideia sem parecer apressada, e os arranjos fazem diferença especialmente nos momentos em que a música ganha dimensão.
6. Wo Sprache aufhört
Aqui o disco entra em uma região mais delicada. Wo Sprache aufhört é construída sobre uma melodia extremamente acessível e uma interpretação mais emocional de Herence. O refrão tem forte potencial de permanência e, justamente por isso, é uma das faixas mais fáceis de imaginar funcionando ao vivo.
Mas também é um dos momentos em que Sternensegler chega mais perto do limite entre folk rock e pop-rock. A composição funciona porque o Schandmaul sabe preencher essa estrutura com instrumentos tradicionais. Sem eles, provavelmente seria uma música muito mais convencional. Com eles, ganha identidade suficiente para permanecer dentro do universo da banda.
7. In der Hand
Depois da delicadeza anterior, In der Hand recoloca o corpo do álbum em movimento. A percussão ganha destaque e existe uma sensação de balanço muito mais pronunciada. As melodias folk aparecem de maneira particularmente viva, e a faixa demonstra como o Schandmaul consegue fazer instrumentos tradicionais dialogarem com uma estrutura de rock sem que um lado pareça estar apenas acompanhando o outro.
É uma música extremamente eficiente na construção de clima. Também é aqui que se percebe como a produção de Sternensegler privilegia clareza. Cada instrumento encontra seu espaço, mas a sonoridade não fica excessivamente separada. O resultado é um álbum grande, limpo e contemporâneo, sem eliminar as características acústicas que fazem o grupo ser reconhecido.
8. An beiden Enden
An beiden Enden retorna à atmosfera mais contemplativa do disco. A música tem uma construção que privilegia a melodia e a interpretação vocal, e Herence novamente se beneficia da característica mais clara de sua voz. Ele não tenta reproduzir o peso de Lindner; trabalha com outra dinâmica, deixando as notas respirarem mais.
É uma escolha interessante dentro da sequência porque funciona como uma ponte entre a parte mais energética do álbum e a reta final, que começa a ficar progressivamente mais emocional.
9. Lass nicht los
Aqui o Schandmaul volta a acertar em cheio no refrão. Lass nicht los combina uma interpretação vocal mais expansiva com violino e uma construção melódica extremamente eficiente. É uma daquelas faixas em que a banda consegue ser sentimental sem abandonar completamente o caráter festivo.
A voz de Herence funciona especialmente bem nesse contexto porque existe espaço para ele trabalhar intensidade. Em vez de tentar competir com a instrumentação, ele deixa a melodia conduzir a música.
10. Trag Dich
Trag Dich é a balada declaradamente sentimental do disco. E aqui é preciso reconhecer que o Schandmaul não tenta esconder o romantismo. A música é direta, emocional e deliberadamente delicada. Herence interpreta tudo com bastante controle, evitando transformar a faixa em um exercício vocal exagerado.
11. Zwei Raben feat. Laura Fella
E então chega a música que transforma o encerramento em acontecimento. Zwei Raben já começa em uma atmosfera muito mais frágil, sustentada por elementos folk e pela participação de Laura Fella, do Faun. A entrada da cantora cria imediatamente um contraste interessante com Herence, e a música ganha uma dimensão quase narrativa.
O mais importante, entretanto, é a progressão. A faixa não entrega seu impacto imediatamente. Ela cresce. Primeiro existe intimidade, depois os instrumentos começam a ocupar mais espaço e, quando as guitarras entram com força, o encerramento assume proporções épicas.
A escolha também carrega história: Zwei Raben já havia aparecido no projeto WETO, no álbum Schattenspieler, de 2011, e agora é incorporada ao universo do Schandmaul com uma nova roupagem e a participação de Fella.
É um daqueles casos em que a última faixa não parece simplesmente colocada no fim da tracklist. Ela foi pensada para encerrar o percurso. E funciona.