quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Paul Gilbert – 08/09/2026 – Fabrique Club/SP

Após a despedida do Mr. Big dos palcos, Paul Gilbert retornou ao Brasil para mostrar que o fim de sua ex-banda está longe de significar uma diminuição em sua atividade musical. Na terça-feira, 8 de setembro, o guitarrista norte-americano subiu ao palco do Fabrique Club, em São Paulo, para uma apresentação baseada principalmente em sua carreira solo e no recém-lançado álbum "WROC". Diferentemente de outras passagens pelo país, desta vez o público foi modesto, mas isso não impediu que aqueles que estavam presentes recebessem uma verdadeira aula de guitarra. Com Doug Rappoport na segunda guitarra, Timmer Blakely no baixo e Jeff Martin na bateria, o mesmo Jeff que já cantou no Racer X e tocou com nomes como Michael Schenker, Gilbert encontrou uma banda extremamente entrosada para reproduzir um repertório que transita pelo hard rock, blues, pop e pelo seu conhecido virtuosismo.

Já no início, com "Crazy PG Medley", ficou evidente que a noite seria dedicada àquilo que Gilbert sabe fazer como poucos: transformar a guitarra em protagonista sem deixar que a técnica se torne um mero exibicionismo. Dentro desse medley de mais de 20 minutos, Paul passeou por sua carreira solo, mas o destaque ficou quando tocou "Scarified", do Racer X, e lembrou de dois clássicos do Mr. Big: "Green-Tinted Sixties Mind" e "To Be With You", na qual o guitarrista chegou a cantar um trecho. Nem precisa dizer que os foran foram à loucura. "Let Thy Carriage", "Spark of Celestial Fire", "Every Action Done in Company" e "Maintain a Sweet and Cheerful Countenance" deram sequência à apresentação, revelando diferentes facetas do guitarrista. O som do Fabrique Club colaborou bastante para o resultado. Instrumentos perfeitamente definidos e uma guitarra cristalina permitiram acompanhar cada detalhe da execução, desde as passagens mais delicadas até os momentos em que Gilbert simplesmente acelerava as mãos e fazia parecer fácil aquilo que, para qualquer outro músico, seria uma tarefa quase impossível.

Outro momento interessante foi quando o guitarrista deixou um pouco de lado o peso para explorar outras referências que ajudaram a formar sua identidade musical. "Mother, Father", do Journey, apareceu em uma interpretação que valorizou sua bela melodia com emoção. O jogo já estava ganho, mas Paul resolveu que também destrói com o violão. O que já parecia absurdo na guitarra se tornou surreal no instrumento acústico. Foi aquele momento em que o público ficou hipnotizado diante de tamanha destreza. Na sequência, "Thunderbird", do ZZ Top, e "Last Child", do Aerosmith, trouxeram aquele espírito clássico do rock norte-americano. A escolha das versões deixou claro que, por trás do shredder que ficou conhecido pela velocidade e precisão, existe um músico profundamente conectado às raízes do rock.

A nova fase da carreira também ganhou bastante espaço. "If You Soak Bread in the Sauce", "Orderly and Distinctly" e "Keep Your Feet Firm and Even" mostraram que Paul Gilbert não está interessado apenas em revisitar o passado. Havia muitos músicos presentes, alguns estavam até com seus instrumentos no local, que puderam apreciar Paul cantando e solando como se estivesse dando uma aula particular para cada guitarrista presente. A jam entre Paul e Doug culminou com a clássica "Baba O'Riley", do The Who, e a versão avassaladora de "Rock and Roll", do Led Zeppelin, fizeram o Fabrique Club tremer. Mesmo com o público reduzido, a resposta foi calorosa: gritos, aplausos e aquela reverência nos momentos de maior virtuosismo.

Para fechar, Gilbert executou "Show Not Yourself Glad (at the Misfortune of Another)" e "Go Not Thither", encerrando a noite com a mesma elegância e técnica com que começou. Não houve hits óbvios do Mr. Big ou Racer X em formato completo, e isso foi proposital: o show era sobre o Paul Gilbert de agora, o compositor e performer que continua reinventando o próprio jogo. Para quem esteve no Fabrique Club naquela terça-feira, a quantidade de pessoas dentro da casa pouco importou diante do que aconteceu no palco. Paul Gilbert entregou uma apresentação tecnicamente impecável, com excelente qualidade sonora, repertório diversificado e uma banda que correspondeu à altura. O guitarrista provou que, mesmo depois do encerramento das atividades do Mr. Big, sua história está longe de terminar. Entre solos virtuosos, momentos acústicos, covers certeiros e músicas nas quais também assume o microfone, Gilbert ofereceu muito mais do que um simples show: proporcionou uma verdadeira aula de guitarra, rock e musicalidade.

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Amanda Vasconcelos


Realização: IDL Entertainment

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Paul Gilbert – setlist:

Crazy PG Medley

Let Thy Carriage

Spark of Celestial Fire / Every Action

Maintain a Sweet and Cheerful Countenance

Mother, Father (Journey cover)

Thunderbird (ZZ Top cover)

Last Child (Aerosmith cover)

If You Soak Bread in the Sauce

Orderly and Distinctly

Keep Your Feet Firm and Even

Baba O'Riley (The Who cover)

Rock and Roll (Led Zeppelin cover)

Show Not Yourself Glad (at the Misfortune of Another)

Go Not Thither

Cobertura de Show: Anette Olzon – 26/09/2026 – Teatro APCD/SP

Exatamente um ano depois do incrível show realizado na VIP Station, em São Paulo, a ex-vocalista do Nightwish, Anette Olzon, retornou à cidade para uma apresentação que, desde o primeiro momento, prometia ser diferente. Se em 2025 ela havia conquistado o público brasileiro com um show energético, pesado e marcado pela proximidade com os fãs, desta vez a proposta era ainda mais ambiciosa: revisitar grandes clássicos de sua passagem pelo Nightwish acompanhada por banda, coral e uma orquestra sinfônica.

O local escolhido foi o confortável Teatro APCD, na zona norte de São Paulo, e a escolha não poderia ter sido mais acertada. Afinal, aquela não seria uma noite para simplesmente reproduzir um show tradicional de metal. Seria uma experiência essencialmente sinfônica, e o ambiente de teatro, com o público acomodado em suas poltronas, criou o cenário perfeito para que os arranjos ganhassem espaço e fossem apreciados em todos os seus detalhes. Talvez a mesma apresentação não tivesse o mesmo impacto em uma casa de shows convencional.

Antes de Anette, quem teve a missão de aquecer a plateia foi a banda curitibana Magistry, que, curiosamente, também havia realizado a abertura do show da cantora em São Paulo no ano anterior. A diferença é que, desta vez, o grupo estava diante de uma plateia de teatro e fazendo parte de uma noite de proporções muito maiores.

Formado por Lya Seffrin nos vocais, Leonardo Arentz e João Borth nas guitarras, Thiago Parpinelli nos teclados, Leonardo Rivabem no baixo e Johan Wodzynski na bateria, o Magistry entregou uma apresentação bastante consistente e mostrou que a escolha para a abertura não havia sido por acaso.

O grande destaque ficou por conta da carismática Lya Seffrin. Em diversos momentos empunhando um grande leque, a vocalista acrescentou um interessante elemento teatral à apresentação, alternando delicadeza, emoção e potência vocal. O guitarrista Leonardo Arentz também demonstrou bastante simpatia e se comunicou diversas vezes com o público, criando uma conexão muito natural com a plateia.

O repertório passou por músicas dos trabalhos mais recentes da banda e ainda trouxe uma faixa inédita, apresentada pela primeira vez ao vivo. Mas o momento mais especial veio quando os músicos diminuíram a intensidade e prepararam uma pequena apresentação acústica. Thiago Parpinelli assumiu a harpa e criou um momento intimista que, de certa forma, já preparava o público para a atmosfera que dominaria o restante da noite. Uma abertura muito bem escolhida para o espetáculo que estava por vir.

Quando os músicos da Camerata Filarmônica de Indaiatuba começaram a ocupar seus lugares no palco, a expectativa aumentou. A plateia se acomodou em suas cadeiras e, pouco depois, surgiu a maestrina Natália Laranjeira. Depois de cumprimentar o público, ela deu início à introdução de “Taikatalvi”, faixa que abre Imaginaerum. Os primeiros acordes começaram a preencher o teatro e, gradualmente, os músicos da banda de Anette foram tomando seus lugares: Filipe Duarte nos vocais e baixo, Vithor Moraes nos teclados, Sanzio Rocha na guitarra e Kiko Lopes na bateria.

Havia ainda uma conexão especial com a banda de abertura. Lya Seffrin e João Borth participaram do coral, enquanto Thiago Parpinelli assumiu a harpa. Era uma formação que unia diferentes elementos daquela noite e que deixava claro que não estávamos diante de um simples show de rock acompanhado por alguns instrumentos clássicos. A proposta era outra.

Eis que se inicia “Storytime”. Quando Anette Olzon surgiu no palco, o primeiro impacto foi perceber o quanto ela parecia feliz. Com um enorme sorriso no rosto, a cantora cumprimentou o público e iniciou uma apresentação marcada por uma energia impressionante. Durante praticamente todo o espetáculo, Anette parecia uma criança em um parque de diversões. Pulava, brincava com os músicos, interagia com a plateia e demonstrava uma alegria genuína por estar novamente em São Paulo.

Parte dessa espontaneidade certamente vem do entrosamento que ela criou com os músicos brasileiros. A cantora fez questão de manter em sua banda os mesmos profissionais que a acompanharam nas apresentações pela América Latina no ano anterior. A relação entre eles é visível no palco, tamanha a liberdade com que Anette interage com cada um. A conexão foi tão forte que ela chegou a exigir que essa mesma formação estivesse presente também em suas apresentações europeias realizadas nos meses de julho e agosto.

O show seguiu com “7 Days to the Wolves” e “Ghost River”, nas duas com Filipe Duarte dividindo os vocais com Anette. E aqui tivemos um daqueles momentos em que a memória dos fãs inevitavelmente volta ao Nightwish. Em determinadas passagens, bastava fechar os olhos para ter a sensação de que Marko Hietala estava novamente ali. O timbre de Filipe e sua maneira de interpretar a música criaram uma combinação muito interessante com a voz de Anette.

Alguns espectadores talvez tenham sentido falta daquele peso mais evidente das guitarras e de uma sonoridade mais “gorda”, característica de um show tradicional de metal. Mas é importante entender que a proposta daquela noite era outra. Não se tratava de simplesmente reproduzir um show convencional do Nightwish. A intenção era justamente explorar a dimensão sinfônica das músicas.

E isso ficou cada vez mais evidente conforme o repertório avançava.

“Song of Myself”, “Amaranth”, “Rest Calm” e “Scaretale” ganharam novas dimensões com a presença da orquestra e do coral. Em especial, “Scaretale” mostrou como Imaginaerum pode se transformar quando todos aqueles elementos que fazem parte de sua concepção original são apresentados juntos no palco. A música ganhou uma atmosfera quase cinematográfica, reforçando ainda mais o caráter teatral daquele álbum.

Na sequência veio “Last of the Wilds”, instrumental, momento em que Anette fez questão de elogiar sua banda solo e pedir ao público que observasse o quanto aqueles músicos eram incríveis.

Outra novidade em relação ao show realizado em 2025 foi a inclusão de uma música da carreira solo da cantora. Anette escolheu “Like a Show Inside My Head”, do álbum Shine, de 2014. Foi uma maneira interessante de lembrar que, embora sua história com o Nightwish seja naturalmente uma parte gigantesca de sua trajetória, existe também uma Anette com uma identidade musical própria construída ao longo de sua carreira solo.

Mas o clima mudou completamente quando algumas cadeiras foram colocadas no palco. Anette anunciou que prepararia algo realmente especial e que apresentaria uma música que o Nightwish nunca havia tocado ao vivo, somente eles tinham tocado em 2025 em São Paulo e iriam repetir ali.

Começaram então os primeiros acordes de “Turn Loose the Mermaids”.

O teatro mergulhou em uma atmosfera intimista. A música ganhou uma interpretação delicada e emocionante, criando um dos momentos mais bonitos da noite. Em seguida veio “The Islander”, quando Anette gentilmente abriu espaço para Filipe Duarte assumir os vocais. Essa também foi uma música que não havia feito parte do repertório do show do ano anterior, tornando aquele momento ainda mais especial para quem acompanhava a trajetória da cantora no Brasil.

Mas ainda havia uma carta na manga. Depois de uma pequena pausa, Anette anunciou que viria algo realmente especial. E veio. A introdução de “The Poet and the Pendulum” começou a tomar conta do teatro. Naquele momento, finalmente ficou absolutamente claro por que aquela orquestra estava ali.

Ouvir “The Poet and the Pendulum” sendo executada ao vivo por uma orquestra de verdade, acompanhada pela banda e pelo coral, foi uma experiência arrebatadora. Durante seus quase 14 minutos, a música conduziu todos de volta ao final dos anos 2000, época do lançamento de Dark Passion Play, o álbum que marcou a estreia de Anette no Nightwish.

A interpretação foi crescendo gradualmente até atingir seu ápice, enquanto era possível observar diversos rostos na plateia emocionados, alguns literalmente com lágrimas nos olhos, cantando cada palavra como se não houvesse amanhã.

“Getaway, runaway, fly away

Lead me astray to dreamer's hideaway!”

Foi um daqueles momentos em que música e memória se encontram.

A composição também reforça a genialidade de Tuomas Holopainen, tecladista e principal mente criativa por trás do Nightwish. Toda aquela construção, que já era grandiosa na gravação original, ganhou uma dimensão completamente diferente quando executada diante do público por músicos de uma orquestra.

Ao final, a plateia se levantou para aplaudir. Muitos ainda estavam visivelmente emocionados. E então Anette soltou uma frase que provocou ainda mais aplausos: “Nunca fizemos isso com orquestra. Nós fizemos primeiro aqui!”

Uma brincadeira carinhosa com sua antiga banda e, ao mesmo tempo, uma maneira de celebrar aquele momento único em São Paulo.

O clima permaneceu emocional com “Meadows of Heaven”. Antes de começar a música, Anette contou uma pequena história pessoal. Disse que sempre foi cristã e que, quando Tuomas apresentou aquela composição a ela durante as gravações de Dark Passion Play, recebeu a música como uma espécie de bênção. Talvez por isso sua interpretação tenha sido tão intensa.

Anette realmente entregou sua alma naquela música. A orquestra e o coral reforçaram o caráter solene da composição e criaram outro daqueles momentos em que o teatro inteiro parecia respirar no mesmo ritmo. Depois de tanta emoção, Anette anunciou que chegava a hora da última música.

Mas antes fez questão de lembrar que o show realizado exatamente um ano antes, em São Paulo, havia sido muito importante para sua retomada profissional. Segundo a própria cantora, aquela apresentação e a energia que recebeu dos músicos brasileiros haviam dado uma nova força para sua carreira. Ela agradeceu ao público e então perguntou: “Vocês sabem qual é a próxima, né?” A resposta veio imediatamente. “Last Ride of the Day!”

A música começou e Anette pediu para que todos deixassem suas poltronas. O público atendeu imediatamente. Em poucos segundos, o teatro estava novamente tomado por pessoas cantando, dançando e celebrando.

Parecia o fim. Mas ainda havia uma surpresa. Anette contou que havia recebido muitos pedidos do fã-clube brasileiro para apresentar uma música de seu último álbum solo, Rapture, lançado em 2024. E decidiu atender ao pedido. A escolhida foi justamente a faixa-título, “Rapture”, que encerrou definitivamente a apresentação. Foi um fechamento perfeito para uma noite que conseguiu equilibrar passado e presente. O Nightwish esteve presente em boa parte do repertório, mas a carreira solo de Anette também ganhou seu espaço. E talvez seja justamente essa a melhor maneira de definir o show realizado no Teatro APCD.

Não foi simplesmente uma apresentação para fãs do Nightwish, foi uma celebração da música.Uma banda afiada, uma orquestra executando os arranjos com precisão, um coral acrescentando ainda mais profundidade às composições e, no centro de tudo, uma Anette Olzon feliz, emocionada, cheia de energia e com a voz em excelente forma.

A presença da Camerata Filarmônica de Indaiatuba, sob a regência da maestrina Natália Laranjeira, foi fundamental para que a proposta funcionasse. As músicas de Dark Passion Play e Imaginaerum ganharam novas dimensões e mostraram que existe uma riqueza enorme nesses arranjos quando eles são apresentados ao vivo com todos os elementos. E o Teatro APCD foi o cenário perfeito.

A proximidade do público, a disposição das cadeiras e a atmosfera do espaço fizeram com que a apresentação tivesse algo de concerto, algo de espetáculo teatral e, ao mesmo tempo, toda a energia de um show de rock.

Durante o espetáculo, os produtores locais foram chamados ao palco para receber os agradecimentos da própria Anette. E eles haviam preparado algo especial para a cantora. Entregaram a ela um RG brasileiro. Visivelmente emocionada, Anette afirmou que se sente brasileira e revelou que tem planos de, algum dia, morar no Brasil. Depois de uma noite como essa, fica difícil não fazer um convite. Venha Anette, more no Brasil, crie mais música por aqui e continue nos presenteando com noites memoráveis como essa.

Desde os tempos de Nightwish até sua carreira solo, Anette Olzon construiu uma relação muito especial com o público brasileiro. E, em 26 de setembro de 2026, ela escreveu mais um capítulo dessa história. Uma banda excelente, uma orquestra impecável, grandes músicas, memórias, lágrimas, sorrisos e uma cantora visivelmente feliz por estar novamente diante do público brasileiro. Se o show de 2025 marcou a retomada de Anette aos palcos brasileiros, o espetáculo de 2026 mostrou que aquela história estava apenas começando. A Night to Remember. Agora, definitivamente, com uma orquestra.



Fotos: Pri Secco


Realização: Estética Torta



Anette Olzon – setlist:

Taikatalvi

Storytime

7 Days to the Wolves

Ghost River

Song of Myself

Amaranth

Rest Calm

Last of the Wilds

Scaretale

Like a Show Inside My Head

Turn Loose the Mermaids

The Islander

Bis

The Poet and the Pendulum

Meadows of Heaven

Last Ride of the Day

Rapture

Ignea: Nostalgia Através do Metal Moderno (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Carol Claro - @carollynn4

Formada em 2013, em Kiev, na Ucrânia, o IGNEA tem se consolidado cada vez mais como um grande nome do metal moderno. O quarteto apresenta, em seus três álbuns lançados, influências do metal moderno, melódico, death metal, progressive metal e industrial metal. 

O quarto e novo álbum da banda nasce como Monumental e é lançado pela Napalm Records em 23 de outubro de 2026, com a produção de Jacob Hansen. No conceito da obra, a banda traz o tema da nostalgia para suas nove faixas, abrangendo desde as corridas espaciais acontecidas na época da Guerra Fria até o contexto moderno, com estruturas modernistas e urbanas esquecidas no dia a dia da sociedade, mas também com uma interpretação introspectiva de cada um. 

A primeira faixa do álbum se chama Darkness e foi também o segundo clipe lançado para este álbum pela banda. A música já apresenta o que o álbum terá: grandes linhas e ambiências de sintetizadores que nos remetem aos anos 80 e nos trazem a sensação de nostalgia, além de influências do mundo sci-fi. Esse é o elemento principal de todo o álbum. No clipe, a banda traz imagens de espaços culturais e urbanos de Kiev em tons mais melancólicos, trazendo o contraste entre a nostalgia do passado e a vida urbana moderna. Essa que é, na minha opinião, uma das melhores do álbum começa como uma faixa mais tranquila, com acordes mais abertos na guitarra, mas logo surpreende ao apresentar blast beats acompanhados por um coral,  elemento este que caiu super bem como uma nova adição às composições do grupo. 

O álbum segue com a faixa Dreams of Lands Unseen, que inclusive leva o nome do álbum anterior da banda e traz referências a ele na letra — “Velvet sky belongs to those who dream of lands unseen” — e conta sobre a exploração espacial na época da Guerra Fria. Essa faixa já apresenta um lado mais pesado do álbum, com riffs mais marcantes, peso no baixo e na bateria e breakdown. No entanto, o ponto de destaque aqui é o tecladista Yevhenii Zhytniuk, que traz diversos solos de synth leads para a música, solos esses que casam muito bem com a proposta apresentada. O diferencial dessa música, além dos vocais brutais da vocalista Helle Bohdanova, é o solo de Theremin, que tem grande destaque e traz uma mudança na narrativa da composição. Essa música foi escolhida como o primeiro clipe da banda para este lançamento. 

(Curiosidade: a banda comentou que gravou o som do theremin utilizando keytar e bibliotecas de áudio, pois, devido à dificuldade de registrar o som do theremin de forma limpa por causa dos ruídos e da situação do espaço aéreo em Kiev…) 

Prefab foi o terceiro single, junto com uma obra visual incrível que continua a história do clipe Dreams of Lands Unseen. Essa faixa contou com uma colaboração com Andy LaPlegua, do Combichrist, somando sua voz inconfundível à atmosfera da faixa, que inclusive já traz a influência do metal industrial desde a intro. Com acordes bem percussivos e vocais brutais, a música traz em seu refrão apenas a palavra PREFAB, em um contraponto com as guitarras, o que faz com que a música fique na cabeça de quem escuta. (Prefab! Prefab!) 

Presence of the Past tem um começo inusitado e cantarolado pela Helle, mas que apresenta o tema da música, e segue com o contraponto entre a atmosfera calma e abrangente do teclado e blast beats rápidos, seguidos pelo peso deixado pelo baixo de Oleksandr Kamyshyn. A música conta com riffs despojados e a combinação de versos mais tranquilos com passagens mais pesadas e vocais extremos deixados por Helle, retratando a constante mudança das cidades. A combinação entre a métrica do vocal e o ritmo dos instrumentos no refrão dessa faixa é, digamos, monumental. 

A quinta faixa do álbum, What Buildings Dream Of, é a balada do álbum. Aqui, temos muitos timbres diferentes de sintetizadores, que constroem a ambiência para a cor da música, trazendo batidas eletrônicas e muita influência, também, do metal industrial. Apesar de ser uma balada, a faixa ainda traz um excelente breakdown com elementos do progressive metal. O tema dessa faixa é descrever a textura da arquitetura monumental e prestar homenagem à beleza, à fragilidade e à vida das estruturas que nos trazem paisagens urbanas e criatividade. Esta é a faixa que cita o nome do álbum: Monumental. 

O álbum segue com a faixa I am in Hell, um ótimo nome para a música, podendo ser um trocadilho com o nome da vocalista, Helle. Essa música vem como um pequeno interlúdio, agora como um duo de teclados e voz, trazendo uma música piano-voz, mas repaginada para o tema com sintetizadores e timbres de electric piano. A ideia da banda foi trazer uma referência à propaganda retro futurista dos anos 1960. 

Between No Longer and Not Yet é a maior faixa do álbum, mais inclinada ao doom metal. A faixa combina riffs pesados de Dmytro Vinnichenko com temas de teclado em intervalos interessantes, que lembram intervalos musicais utilizados na música oriental, pedais duplos e o peso do baixo. Helle mistura os vocais limpos com os mais extremos, trazendo a versatilidade dessa grande cantora. 

Harmony Manufactured é uma das mais pesadas do álbum. Não à toa, traz consigo uma participação de Britta Görtz, vocalista do HIRAES, banda de melodic death metal. O dueto entre Britta e Helle é brutal, e Britta soma bem ao som da banda com seu poderoso fry e guturais. As guitarras preenchem a música com riffs técnicos. A parceria entre as cantoras foi uma ótima escolha. 

Nadir fecha o álbum com elegância — uma faixa orquestrada que resume os temas apresentados nas demais faixas: a nostalgia, a esperança e a melancolia. 

Um ponto curioso é que, apesar de trazer versos em ucraniano, neste álbum a banda traz uma quantidade maior de versos em inglês, não tendo nenhuma música totalmente em ucraniano. É muito legal como eles trazem para dentro do metal elementos ucranianos, desde letras, histórias folclóricas ou reais, até influências de artistas locais. 

O IGNEA sempre trouxe para suas composições excelentes storytellings para seus álbuns, assim como referências à cultura e à história da Ucrânia, e não é diferente com Monumental. Desde a capa do álbum, apresentando uma arquitetura real, até os elementos de sintetizadores, que são a alma deste álbum, tudo parece conversar com o conceito de nostalgia apresentado pela banda. Os clipes refletem muito o sentimento que o quarteto quer passar, e a voz de Helle entrega cada vez mais emoção em suas canções. 

Monumental é um álbum que consegue transformar a nostalgia em algo muito mais amplo do que apenas olhar para o passado. A banda utiliza diferentes sonoridades, elementos visuais e referências históricas para criar uma experiência que mistura melancolia, beleza e, principalmente, memória. É um álbum que parece querer nos fazer lembrar de algo que talvez nem tenhamos vivido, mas que, de alguma forma, conseguimos sentir. E talvez seja justamente essa a força de Monumental: fazer com que o passado pareça próximo, mesmo quando ele já não pode mais ser alcançado. 

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Ignea: Nostalgia Through Modern Metal 

Formed in 2013 in Kyiv, Ukraine, IGNEA has increasingly established itself as a major name in modern metal. Across their three released albums, the quartet incorporates influences from modern metal, melodic metal, death metal, progressive metal, and industrial metal. 

The band’s fourth album, Monumental, is set for release through Napalm Records on October 23, 2026, with production by Jacob Hansen. At the core of the album is the theme of nostalgia, explored throughout its nine tracks, ranging from the space races of the Cold War era to the modern world, with its forgotten modernist and urban structures hidden in everyday life, while also offering an introspective interpretation of each listener’s own memories. 

The album opens with Darkness, which was also the band’s second music video released for this album. The song already introduces what the album has to offer: prominent synth lines and atmospheric layers that take us back to the ’80s and evoke a sense of nostalgia, alongside influences from the sci-fi world. This is the main element throughout the entire album. In the music video, the band showcases cultural and urban spaces in Kyiv through more melancholic imagery, creating a contrast between nostalgia for the past and modern urban life. In my opinion, this is one of the best tracks on the album. It begins as a calmer song, with more open guitar chords, but soon surprises us with blast beats accompanied by a choir, an element that works extremely well as a new addition to the band’s compositions. 

The album continues with Dreams of Lands Unseen, which shares its name with the band’s previous album and includes a reference to it in the lyrics — “Velvet sky belongs to those who dream of lands unseen” — while exploring space exploration during the Cold War era. This track already presents a heavier side of the album, with more prominent riffs, heavy bass and drums, and a breakdown. However, the highlight here is keyboardist Yevhenii Zhytniuk, who brings several synth lead solos into the song, and these solos fit the overall concept extremely well. The song’s other standout element, besides vocalist Helle Bohdanova’s brutal vocals, is the theremin solo, which takes center stage and brings a change in the composition’s narrative. This was the first song from the album to receive a music video. 

(Fun fact: the band mentioned that they recorded the theremin sound using a keytar and audio libraries, due to the difficulty of capturing the theremin cleanly because of the noise and the airspace situation in Kyiv…) 

Prefab was the third single, accompanied by an incredible visual piece that continues the story from the Dreams of Lands Unseen music video. The track features a collaboration with Andy LaPlegua of Combichrist, whose unmistakable voice adds even more to the atmosphere of the song, which already brings industrial metal influences from the very beginning. With highly percussive chords and brutal vocals, the song’s chorus consists solely of the word PREFAB, creating a counterpoint with the guitars that makes the track stick in your head. (Prefab! Prefab!) 

Presence of the Past has an unusual opening, with Helle humming the melody, already introducing the theme of the song. It then moves into a contrast between the calm and expansive atmosphere of the keyboards and fast blast beats, followed by the weight of Oleksandr Kamyshyn’s bass. The song features laid-back riffs and combines calmer verses with heavier passages and Helle’s extreme vocals, portraying the constant transformation of cities. The combination of the vocal phrasing and the rhythm of the instruments in the chorus is, well… monumental. 

The album’s fifth track, What Buildings Dream Of, is its ballad. Here, we get many different synthesizer tones that build the song’s atmosphere and sonic color, bringing electronic beats and, once again, strong industrial metal influences. Despite being a ballad, the track still features an excellent breakdown with progressive metal elements. The theme of the song is to capture the texture of monumental architecture and pay tribute to the beauty, fragility, and life of the structures that shape our urban landscapes and inspire creativity. This is also the track that mentions the album’s title: Monumental. 

The album continues with I am in Hell, a great title for the song that could also be a play on the vocalist’s name, Helle. This track comes as a short interlude, now presented as a keyboard-and-vocal duo, bringing a piano-and-vocal approach but reimagined for the album’s concept through synthesizers and electric piano tones. The band’s idea was to reference a retro-futuristic television advertisement from the 1960s. 

Between No Longer and Not Yet is the longest track on the album, leaning more toward doom metal. The song combines Dmytro Vinnichenko’s heavy riffs with keyboard themes built around interesting intervals reminiscent of musical intervals used in Eastern music, double-kick drums, and the weight of the bass. Helle alternates between clean and extreme vocals, showcasing the versatility of this incredible singer. 

Harmony Manufactured is one of the heaviest tracks on the album. It is no coincidence that it features Britta Görtz, vocalist of HIRAES, a melodic death metal band. The duet between Britta and Helle is brutal, and Britta fits perfectly into the band’s sound with her powerful fry screams and growls. The guitars fill the song with technical riffs. The partnership between the two vocalists was a great choice. 

Nadir closes the album with elegance — an orchestral track that summarizes the themes explored throughout the other songs: nostalgia, hope, and melancholy. 

One interesting point is that, although the album includes some lyrics in Ukrainian, the band uses a larger amount of English lyrics this time, with no song being entirely in Ukrainian. It is really interesting to see how they bring Ukrainian elements into their metal, from lyrics and folkloric or real stories to influences from local artists. 

IGNEA has always brought excellent storytelling into their albums, as well as references to Ukrainian culture and history, and Monumental is no different. From the album cover, which features real architecture, to the synthesizer elements that are the soul of this album, everything seems to connect with the concept of nostalgia presented by the band. The music videos strongly reflect the feeling the quartet wants to convey, while Helle’s voice continues to deliver more and more emotion in her songs. 

Monumental is an album that manages to transform nostalgia into something much broader than simply looking back at the past. The band uses different sounds, visual elements, and historical references to create an experience that blends melancholy, beauty, and, above all, memory. It is an album that seems to make us remember something we may have never even experienced, yet somehow still manage to feel. 

And perhaps that is precisely the strength of Monumental: making the past feel close, even when it can no longer be reached. 

Lame Perfect




quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Diamond Rain: Em Busca do Diferencial (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Se há algo que a DIAMOND RAIN deixa claro desde os primeiros acordes de Chapter One, é que não tem qualquer interesse em esconder suas referências. O álbum mergulha de cabeça no universo do rock melódico, recuperando a grandiosidade do arena rock, o brilho do AOR e aquela estética exageradamente colorida dos anos 1980 que voltou a encontrar espaço no rock contemporâneo. KISS, Blue Öyster Cult e a tradição melódica escandinava são pontos de partida evidentes, enquanto a presença de elementos pop e uma concepção visual assumidamente teatral aproxima o projeto de nomes como Ghost, The Night Flight Orchestra e Captain Black Beard.

A questão, naturalmente, é saber até onde essa mistura resulta em identidade própria e onde ela apenas revisita fórmulas que já provaram seu valor.

O desafio é justamente transformar esse repertório de referências em personalidade. Chapter One funciona melhor quando o DIAMOND RAIN utiliza o passado como matéria-prima, e não simplesmente como um modelo a ser reproduzido. Nesse aspecto, “Naked City” é uma excelente porta de entrada: refrão imediato, guitarras melódicas e uma produção que entende perfeitamente o valor de uma boa canção de arena. É o tipo de faixa construída para permanecer na memória depois de uma única audição — característica que reaparece em diferentes momentos do álbum.

“I Need Love”, por sua vez, revela uma das facetas mais particulares do projeto. A faixa abandona parcialmente o território do melodic hard rock para mergulhar em uma sonoridade pop eletrônica claramente oitentista, marcada por sintetizadores e um groove dançante, próximo do synthwave. Longe de ser apenas um desvio de rota, a escolha ajuda a revelar uma banda que não parece disposta a permanecer confortavelmente dentro das fronteiras tradicionais do AOR. Ao mesmo tempo, é justamente nesse contraste que o álbum pode dividir opiniões: para quem espera uma abordagem mais direta do hard rock melódico, a faixa pode soar distante da força apresentada em “Naked City”.

“Saviour” e “Heroes” funcionam como uma ponte entre esses dois universos. Ambas apostam em uma levada pop e em um uso generoso de sintetizadores, mas preservam elementos reconhecíveis do AOR, do hard rock melódico e do arena rock, sobretudo nos timbres de guitarra e teclado. É nessa combinação que o DIAMOND RAIN começa a mostrar que sua proposta não se resume a reproduzir um determinado período do rock, mas a juntar diferentes referências dentro de uma mesma identidade sonora.

Quando volta a privilegiar guitarras, teclados e refrões mais robustos, Chapter One encontra alguns de seus momentos mais convincentes. “Spiritual Revolution” surge como uma das composições mais acessíveis do álbum, enquanto “Rosalie Hillsong” combina a atitude vintage do rock setentista com melodias pop e uma sensibilidade teatral que resume boa parte da proposta da banda.

“Alistah” aproxima-se mais do universo do Blue Öyster Cult, tanto pela atmosfera quanto pela temática sobrenatural, e é, sem dúvida, uma das melhores canções do álbum. Já “The Key” representa talvez o momento em que o grupo abraça de maneira mais evidente o AOR tradicional, demonstrando que, quando a composição encontra o equilíbrio adequado entre melodia, peso e atmosfera, a fórmula funciona particularmente bem.

“Never Leave”, última faixa antes da vinheta final “Noli Respicere”, mantém essa pegada AOR, mas volta a incorporar uma quantidade significativa de elementos pop, funcionando quase como uma síntese da proposta do DIAMOND RAIN: guitarras e melodias de arena dividindo espaço com teclados, sintetizadores e uma sensibilidade pop que nunca está muito distante.

Há também uma preocupação evidente com a atmosfera. Chapter One não pretende ser apenas uma coleção de canções de rock melódico, mas o primeiro capítulo de uma identidade conceitual que envolve personagens, teatralidade e uma mitologia própria. The High Priest, Arch Lector e The Faithful Disciples poderiam facilmente parecer apenas recursos estéticos, mas ajudam a estabelecer uma personalidade visual que diferencia o projeto dentro de um gênero historicamente acostumado a trabalhar com arquétipos bastante conhecidos. Para encontrar uma imagem capaz de traduzir essa proposta, imagine uma banda com o visual do Ghost tocando Roxette.

Musicalmente, entretanto, a produção é fundamental para que toda essa construção não se transforme em um simples exercício de nostalgia. Produzido por Sverker Widgren, do Wing Studios, em Estocolmo, o álbum apresenta guitarras, teclados, vocais e elementos eletrônicos devidamente integrados, preservando a clareza necessária para que os refrões permaneçam no centro da narrativa. É um trabalho de produção que contribui decisivamente para equilibrar elementos que, nas mãos erradas, poderiam facilmente competir entre si.

É justamente nesse ponto que Chapter One levanta sua questão mais interessante. O DIAMOND RAIN nasceu décadas depois da época em que esse tipo de música dominava rádios e arenas, mas não tenta disfarçar essa condição. Ao contrário, transforma essa distância temporal em parte de sua própria proposta. A questão deixa de ser simplesmente se o som é moderno ou retrô e passa a ser se essas referências ainda conseguem funcionar quando reorganizadas sob uma nova identidade.

E Chapter One oferece respostas diferentes ao longo de suas dez faixas. Em seus melhores momentos, o DIAMOND RAIN demonstra que grandes melodias, refrões gigantescos e uma boa dose de teatralidade continuam tendo força. Quando se aproxima demais de fórmulas conhecidas, porém, a distância entre homenagem e repetição torna-se mais evidente.

Como estreia, Chapter One é menos uma declaração definitiva do que uma apresentação de intenções. Há material suficiente para despertar interesse e, principalmente, uma personalidade conceitual que pode ser desenvolvida nos próximos capítulos. A verdadeira questão agora é saber se o DIAMOND RAIN utilizará essa base para aprofundar uma identidade própria ou se permanecerá confortavelmente dentro das referências que tão claramente admira.

Por enquanto, Chapter One mostra uma banda que sabe exatamente de onde vem sua inspiração. O próximo capítulo dirá se ela também descobrirá exatamente para onde quer ir.

Divulgação 

***ENGLISH VERSION***

If there’s one thing DIAMOND RAIN make clear from the opening notes of Chapter One, it’s that they have absolutely no interest in hiding their influences. The album dives headfirst into melodic rock, embracing the grandeur of arena rock, the sheen of AOR and that gloriously over-the-top ’80s aesthetic that has once again found a place in contemporary rock. KISS, Blue Öyster Cult and the Scandinavian melodic tradition are obvious starting points, while the pop elements and unapologetically theatrical presentation bring to mind acts such as Ghost, The Night Flight Orchestra and Captain Black Beard.

The question, naturally, is how much of this blend adds up to an identity of its own — and how much simply revisits formulas that have already proved their worth.

The real challenge is turning that collection of influences into personality. Chapter One works best when DIAMOND RAIN use the past as raw material rather than simply following its blueprint. In that respect, “Naked City” is an excellent introduction: an immediate chorus, melodic guitars and a production that fully understands the power of a great arena-rock song. It’s the kind of track designed to stick in your head after a single listen — a quality that resurfaces throughout the album.

“I Need Love”, meanwhile, reveals one of the project’s more distinctive sides. The song steps away from melodic hard rock to plunge into a distinctly ’80s electronic-pop sound, driven by synthesizers and a danceable, synthwave-adjacent groove. Rather than being merely a detour, the decision reveals a band unwilling to remain safely within the traditional boundaries of AOR. At the same time, it is precisely this contrast that may divide listeners: those looking for a more straightforward melodic hard-rock approach may find it a considerable departure from the impact established by “Naked City”.

“Saviour” and “Heroes” act as a bridge between these two worlds. Both lean heavily into pop, with generous doses of synthesizer, yet retain recognisable elements of AOR, melodic hard rock and arena rock, particularly in their guitar and keyboard tones. It’s here that DIAMOND RAIN begin to demonstrate that their aim isn’t simply to recreate a particular era of rock, but to bring several different influences together under a single sonic identity.

Whenever the guitars, keyboards and bigger choruses take centre stage, Chapter One finds some of its most convincing moments. “Spiritual Revolution” emerges as one of the album’s most immediately accessible compositions, while “Rosalie Hillsong” combines the vintage attitude of ’70s rock with pop melodies and a theatrical sensibility that goes a long way towards summing up DIAMOND RAIN’s overall approach.

“Alistah” moves closer to Blue Öyster Cult territory, both in atmosphere and supernatural subject matter, and is without question one of the album’s strongest songs. “The Key”, meanwhile, is perhaps the point at which the band most openly embraces traditional AOR, demonstrating that when the songwriting strikes the right balance between melody, weight and atmosphere, the formula works particularly well.
 
“Never Leave”, the final full-length track before the closing vignette “Noli Respicere”, maintains the AOR feel while once again bringing a substantial dose of pop into the mix. In many ways, it serves as a distillation of the DIAMOND RAIN formula: arena-sized guitars and melodies sharing space with keyboards, synthesizers and a pop sensibility that is never far from the surface.

There is also a clear emphasis on atmosphere. Chapter One is not simply a collection of melodic rock songs, but the opening chapter of a conceptual identity built around characters, theatricality and its own mythology. The High Priest, the Arch Lector and The Faithful Disciples could easily have been little more than aesthetic devices, but they help establish a visual personality that sets the project apart within a genre already well acquainted with larger-than-life archetypes. If you need a single image to capture the concept, imagine a band with Ghost’s visual aesthetic playing Roxette.

Musically, however, the production is crucial in ensuring that all of this doesn’t turn into a mere exercise in nostalgia. Produced by Sverker Widgren of Wing Studios in Stockholm, the album keeps guitars, keyboards, vocals and electronic elements properly integrated, maintaining the clarity required to keep the choruses at the heart of the narrative. It is a production job that plays a decisive role in balancing elements that, in less capable hands, could easily end up competing for attention.

And this is where Chapter One raises its most interesting question. DIAMOND RAIN arrived decades after the era when this kind of music dominated radio and arenas, but they make no attempt to disguise that fact. Instead, they turn that temporal distance into part of the concept. The question becomes less about whether the music is modern or retro, and more about whether these influences still work when rearranged under a new identity.

Chapter One offers different answers across its ten tracks. At its best, DIAMOND RAIN prove that huge melodies, oversized choruses and a healthy dose of theatricality still have plenty of power. When they lean too heavily on familiar formulas, however, the line between homage and repetition becomes considerably harder to ignore.

As a debut, Chapter One is less a definitive statement than a declaration of intent. There is enough material here to generate interest and, more importantly, a conceptual personality that could develop considerably over the chapters to come. The real question now is whether DIAMOND RAIN will use this foundation to deepen an identity of their own or remain comfortably within the influences they so clearly admire.

For now, Chapter One shows a band that knows exactly where its inspiration comes from. The next chapter will tell us whether it also knows exactly where it wants to go.

Divulgação 




Wednesday 13: Uma História Ainda em Movimento (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Há algo particularmente apropriado em registrar uma carreira como a de Wednesday 13 diante de uma das maiores multidões da história do rock europeu. Em 2025, o Pol’and’Rock Festival reuniu centenas de milhares de pessoas no Czaplinek-Broczyno Airfield, na Polônia, e foi nesse cenário gigantesco que Joseph Michael Poole levou ao palco uma versão concentrada de mais de duas décadas de horror rock, punk, metal e sleaze.

O resultado chega agora em Un-Alive from Pol’and’Rock 2025, um registro ao vivo que, mais do que revisitar o passado, funciona como uma fotografia bastante precisa do momento atual de Wednesday 13.

A primeira impressão é a de uma banda que não tem qualquer interesse em esconder sua natureza atrás de uma produção excessivamente polida. Captado diretamente da mesa de som, o álbum preserva uma aspereza que joga a favor da proposta. As guitarras soam pesadas, a bateria mantém tudo em movimento e os vocais naturalmente roucos de Wednesday 13 carregam aquele desgaste que, longe de ser um problema, tornou-se parte fundamental de sua identidade. Há pouco verniz aqui — e ainda bem.

É justamente essa característica que faz Un-Alive soar como um show, e não como uma gravação de estúdio disfarçada de álbum ao vivo. O público está presente, a banda está solta e existe uma sensação permanente de que tudo pode descambar para o caos a qualquer momento. Para um artista cuja carreira sempre esteve associada a personagens, horror e teatralidade, é uma combinação que funciona.

Mas o verdadeiro interesse do álbum está na maneira como seu setlist organiza uma trajetória que já atravessa mais de vinte anos. São quinze músicas e aproximadamente uma hora de apresentação — tempo insuficiente para transformar o disco em uma retrospectiva definitiva. Ainda assim, a seleção consegue atravessar diferentes capítulos da carreira sem cair na armadilha de simplesmente empilhar maiores sucessos.

A viagem começa com “Blood Fades To Black”, de Calling All Corpses, de 2011, antes de recuar para os primeiros anos da carreira solo com “Look What The Bats Dragged In” e “I Want You Dead”, de Transylvania 90210: Songs of Death, Dying and the Dead. O álbum de estreia solo de Wednesday 13, lançado em 2005, é um dos pilares do repertório e ainda retorna mais adiante com “I Walked With A Zombie” e, no encerramento, “Bad Things”.

“I Walked With A Zombie”, em particular, é um daqueles temas que parecem ter sido feitos para sobreviver ao tempo. No contexto do Pol’and’Rock, ganha ainda mais força graças à resposta da plateia, deixando claro que a conexão entre Wednesday 13 e seu público não depende apenas da nostalgia.

O repertório avança então por diferentes momentos da carreira. The Dixie Dead aparece representado por “Too Fast For Blood”, enquanto Horrifier, de 2022, contribui com “Good Day To Be A Bad Guy”. O passado, portanto, está devidamente representado, mas Wednesday 13 não está interessado em transformar a apresentação em um museu.

Mid Death Crisis, seu álbum de estúdio mais recente, recebe quatro representantes: “There’s No Such Thing As Monsters”, “Rotting Away”, “When The Devil Commands” e “In Misery”. É uma presença significativa — exatamente o mesmo número de músicas dedicado a Transylvania 90210 — e revela uma escolha importante: as novas composições não estão ali apenas para cumprir tabela. Elas precisam dividir o palco com músicas que há muito tempo fazem parte do imaginário do público, e conseguem fazê-lo sem parecer intrusas. E então existe o Murderdolls.

“Summertime Suicide”, “197666” e “Nowhere” recuperam uma das fases mais cultuadas da trajetória de Poole e estabelecem uma ponte direta com o período em que dividiu o projeto com Joey Jordison. São músicas que carregam uma identidade própria e que, décadas depois, continuam perfeitamente integradas ao universo de Wednesday 13.

“Nowhere” ganha ainda uma dimensão especial quando Wednesday 13 presta homenagem a Ozzy Osbourne antes de executá-la. É um daqueles momentos que fazem um registro ao vivo ultrapassar a simples documentação de um concerto e adquirir valor como retrato de uma época.

O encerramento com “I Love To Say Fuck” também não é uma escolha aleatória. Originalmente pertencente aos Frankenstein Drag Queens From Planet 13, projeto que antecedeu Murderdolls e a carreira solo, a faixa funciona quase como uma assinatura do personagem Wednesday 13. Sua presença fecha um círculo que conecta Frankenstein Drag Queens, Murderdolls e sua carreira solo — três capítulos diferentes de uma mesma identidade artística.

É justamente aí que a setlist revela sua maior qualidade e, ao mesmo tempo, sua principal limitação.

Para apenas quinze músicas, a seleção é surpreendentemente abrangente. Há espaço para os Frankenstein Drag Queens, Murderdolls, diferentes momentos da carreira solo e, sobretudo, para o material mais recente. O problema é que o catálogo de Wednesday 13 é grande demais para caber em uma hora.

Fang Bang, Skeletons, Condolences e Necrophaze ficam sem representação direta, enquanto boa parte de Calling All Corpses também permanece de fora, apesar de “Blood Fades To Black” funcionar como seu representante. E há uma longa fila de músicas que poderiam perfeitamente reivindicar um lugar: “I Wanna Be Cremated”, “Ghoul of My Dreams”, “Candle for the Devil”, “From Here To The Hearse” e “Decompose”, entre outras.

Por isso, chamar Un-Alive de um “best of” seria forçar a barra. É um bom setlist, certamente, mas não uma retrospectiva definitiva. E talvez nem devesse ser.

Afinal, este não é um álbum concebido para resumir toda a carreira de Wednesday 13. É o registro de um show específico, em um momento específico, quando Mid Death Crisis estava apresentando uma nova etapa da carreira. Nesse contexto, a presença expressiva do álbum mais recente faz todo sentido. O passado está representado, mas não domina o presente.

Essa talvez seja a melhor maneira de ouvir Un-Alive from Pol’and’Rock 2025: não como um Greatest Hits Live, mas como uma fotografia de uma carreira que continua em movimento.

Murderdolls está ali. Frankenstein Drag Queens está ali. Os primeiros discos solo estão ali. Mas Mid Death Crisis também reivindica seu espaço — e a banda parece determinada a provar que suas músicas mais recentes não precisam se esconder atrás dos clássicos.

Musicalmente, o álbum entende perfeitamente o que um grande festival exige de Wednesday 13. Músicas diretas, refrãos para serem berrados por uma multidão, peso suficiente para manter a adrenalina elevada e uma dose generosa de teatralidade. A banda soa coesa, os vocais mantêm a personalidade e o público é incorporado à gravação de maneira natural.

É nesse ponto que Un-Alive ganha força. Não há a preocupação de transformar o show em uma peça de museu, nem de apresentar uma versão excessivamente comportada de Wednesday 13. O disco quer transmitir energia — e consegue.

A principal ressalva, portanto, está menos na execução do que naquilo que ficou de fora. Quinze músicas inevitavelmente significam escolhas e sacrifícios quando o artista possui uma discografia tão extensa. Alguns fãs certamente sentirão falta de determinados clássicos, mas essa mesma ausência serve para dimensionar o tamanho do repertório acumulado por Wednesday 13.

Talvez o verdadeiro problema de Un-Alive seja justamente esse: quando o artista possui material suficiente para preencher vários discos ao vivo, qualquer seleção de uma hora estará inevitavelmente incompleta.

No fim, porém, é difícil ignorar a imagem que permanece. Wednesday 13 conseguiu transformar horror, punk, metal, hard rock e uma boa dose de teatralidade em uma identidade que é imediatamente reconhecível. Mais de duas décadas depois de I Walked With A Zombie, ele ainda consegue colocar uma multidão gigantesca para cantar suas músicas em uníssono.

Un-Alive from Pol’and’Rock 2025 não é a palavra final sobre a carreira de Wednesday 13 — e nem pretende ser. É algo mais interessante: um instantâneo vivo, barulhento e genuinamente espontâneo de uma história que ainda está sendo escrita.

***ENGLISH VERSION***

There is something particularly fitting about documenting a career like Wednesday 13’s in front of one of the biggest crowds in European rock. In 2025, Poland’s Pol’and’Rock Festival drew hundreds of thousands of people to the Czaplinek-Broczyno Airfield, and it was against this colossal backdrop that Joseph Michael Poole took the stage with a condensed dose of more than two decades of horror rock, punk, metal and sleaze.

The result is Un-Alive from Pol’and’Rock 2025, a live album that, rather than simply looking back, offers a remarkably accurate snapshot of where Wednesday 13 stands today.

The first impression is of a band with no interest in hiding behind an overly polished production. Captured straight from the soundboard, the album retains a raw edge that works entirely in its favour. The guitars hit hard, the drums keep everything moving and Wednesday 13’s naturally ragged vocals carry the kind of wear and tear that, far from being a weakness, has become an essential part of his identity. There is very little gloss here — and that is precisely the point.

It is this quality that makes Un-Alive sound like a live show rather than a studio recording dressed up as one. The crowd is present, the band sounds loose and there is a constant sense that things could tip into chaos at any moment. For an artist whose career has always been built around characters, horror and theatricality, it is a combination that works remarkably well.

But the real fascination of the album lies in the way its setlist maps out a career that now spans more than two decades. Fifteen songs and roughly an hour of music are nowhere near enough to turn this into a definitive career retrospective. Even so, the selection manages to move through several chapters of Wednesday 13’s history without falling into the trap of simply assembling a greatest-hits package.

The journey begins with “Blood Fades To Black”, from 2011’s Calling All Corpses, before moving back to the early days of his solo career with “Look What The Bats Dragged In” and “I Want You Dead”, from Transylvania 90210: Songs of Death, Dying and the Dead. His 2005 solo debut is one of the pillars of the set, returning later with “I Walked With A Zombie” and, in the closing stretch, “Bad Things”.

“I Walked With A Zombie”, in particular, is one of those songs that seems built to outlive its era. At Pol’and’Rock, it gains even more impact from the response of the crowd, making it clear that Wednesday 13’s connection with his audience is about more than nostalgia.

The set then moves through other stages of his career. The Dixie Dead is represented by    “Too Fast For Blood”, while 2022’s Horrifier contributes “Good Day To Be A Bad Guy”. The past is certainly represented, but Wednesday 13 has no intention of turning the show into a museum piece.

His most recent studio album, Mid Death Crisis, gets four songs — “There’s No Such Thing As Monsters”, “Rotting Away”, “When The Devil Commands” and “In Misery”. That is a significant presence, and exactly the same number of tracks given to Transylvania 90210. It also says something important about the set: the new material isn’t there simply to fill space. These songs have to share the stage with tracks that have been part of the audience’s musical vocabulary for years, and they manage to hold their own. And then there’s Murderdolls.

“Summertime Suicide”, “197666” and “Nowhere” revisit one of the most revered chapters of Poole’s career, establishing a direct link to the period when he shared the project with Joey Jordison. These songs have a character all of their own and, decades later, still fit naturally into the Wednesday 13 universe.

“Nowhere” takes on an added dimension when Wednesday 13 pays tribute to Ozzy Osbourne before performing it. It is one of those moments that allows a live recording to become more than a simple document of a concert and instead capture something of its particular moment in time.

The closing “I Love To Say Fuck” is equally telling. Originally recorded by Frankenstein Drag Queens From Planet 13, the project that preceded Murderdolls and his solo career, the song works almost like a signature for the Wednesday 13 persona. Its inclusion closes a circle connecting Frankenstein Drag Queens, Murderdolls and his solo work — three different chapters of essentially the same artistic identity.

And that is where the setlist reveals both its greatest strength and its most obvious limitation.

For just fifteen songs, the selection is impressively broad. Frankenstein Drag Queens, Murderdolls, various stages of the solo career and, most importantly, the current material all get their moment. The problem is that Wednesday 13’s catalogue has simply grown too large to fit comfortably into an hour.

Fang Bang, Skeletons, Condolences and Necrophaze receive no direct representation, while much of Calling All Corpses is also left untouched despite “Blood Fades To Black” serving as its representative. And there is a long list of songs that could easily have made a case for inclusion: “I Wanna Be Cremated”, “Ghoul of My Dreams”, “Candle for the Devil”, “From Here To The Hearse” and “Decompose”, among others.

So calling Un-Alive a “best of” would be stretching the point. It is a strong setlist, certainly, but not a definitive retrospective. And perhaps it was never meant to be one.

After all, this is not an album designed to summarize Wednesday 13’s entire career. It captures one particular show at one particular point in time, when Mid Death Crisis was introducing the next chapter of his story. In that context, the significant presence of the latest album makes perfect sense. The past is represented, but it does not overshadow the present.

Perhaps that is the best way to approach Un-Alive from Pol’and’Rock 2025: not as a Greatest Hits Live, but as a snapshot of a career that is still moving forward.

Murderdolls is here. Frankenstein Drag Queens is here. The early solo albums are here. But Mid Death Crisis also demands its share of the spotlight — and the band seems determined to prove that the newer material has no need to hide behind the classics.

Musically, the album understands exactly what a major festival demands from Wednesday 13. Direct songs, choruses designed to be screamed back by a massive crowd, enough weight to keep the adrenaline pumping and a generous dose of theatricality. The band sounds tight, the vocals retain their unmistakable character and the audience becomes a natural part of the recording.

That is where Un-Alive really hits its mark. There is no attempt to turn the performance into a museum piece, nor to present an overly sanitized version of Wednesday 13. The album wants to convey energy — and it does.

The main caveat, then, lies less in the execution than in what has been left out. Fifteen songs inevitably mean choices and sacrifices when an artist has accumulated such an extensive catalogue. Some fans will undoubtedly miss certain favourites, but those omissions also serve to underline just how much material Wednesday 13 now has behind him.

Perhaps the real problem with Un-Alive is precisely that: when an artist has enough material to fill several live albums, any one-hour selection is inevitably going to feel incomplete.

In the end, though, the lasting impression is of an artist who has turned horror, punk, metal, hard rock and a generous dose of theatricality into an instantly recognisable identity. More than two decades after I Walked With A Zombie, he can still make a gigantic crowd sing his songs back at him as one.

Un-Alive from Pol’and’Rock 2025 is not the final word on Wednesday 13’s career — nor does it try to be. It is something more interesting: a living, noisy and genuinely spontaneous snapshot of a story that is still being written.

Anna D Flux