sábado, 9 de maio de 2026

The Cruel Intentions: O Sleaze Rock Ainda Vive — e Continua Perigoso (Also In English)

Indie Recordings (Imp.)

Por Flavio Borges

Existe algo perigosamente honesto no som do The Cruel Intentions. Enquanto boa parte da nova geração do sleaze rock se perde entre homenagens plastificadas aos anos 80 e produções excessivamente polidas, o quarteto sueco-norueguês parece compreender que o verdadeiro espírito do gênero nunca esteve apenas na estética decadente, mas principalmente na sensação de urgência, excesso e caos controlado. Em All Hail Hypocrisy, a banda entrega justamente isso: um disco que soa como gasolina derramada sobre amplificadores valvulados, equilibrando sujeira, melodias gigantescas e uma energia quase punk sem abrir mão da sofisticação de composição.

O detalhe mais impressionante talvez seja a forma como o álbum evita cair na armadilha da nostalgia barata. Sim, existem ecos evidentes de Mötley Crüe, Hanoi Rocks, Backyard Babies e até do punk melódico escandinavo, mas o The Cruel Intentions utiliza essas referências como linguagem, não como muleta. Muito disso passa pela produção cirúrgica de Erik Mårtensson, que consegue manter a agressividade natural da banda intacta enquanto adiciona peso, definição e refrãos gigantescos ao material.

A abertura não perde tempo tentando impressionar artificialmente. Beating in My Chest funciona porque entende exatamente o que um bom opener de sleaze rock precisa entregar: riffs diretos, groove imediato e um refrão construído para explodir ao vivo. A dinâmica entre baixo e bateria merece destaque especial, sustentando a música com uma pulsação quase punk enquanto as guitarras mantêm o clima perigosamente alcoólico que permeia todo o disco. O solo evita exibicionismos desnecessários e trabalha em função da música — algo raro em um estilo tradicionalmente dominado pelo excesso.

Living Out of Line mais cadenciada, a faixa mostra um lado composicionalmente mais maduro da banda. Os versos trabalham tensão de maneira eficiente antes de desembocar em um refrão extremamente acessível, sem soar genérico. O interessante aqui é como o The Cruel Intentions consegue inserir elementos clássicos do hard rock oitentista dentro de uma estrutura que carrega muito mais urgência punk do que glamour sunset strip. O solo, especialmente melódico, adiciona profundidade emocional a uma música que poderia facilmente ter se limitado ao básico.

All Hail Hypocrisy, a faixa-título representa o coração conceitual e sonoro do álbum. Existe um senso quase hínico na construção do refrão, enquanto os backings vocais transformam tudo em algo absurdamente contagiante. O trabalho de baixo é particularmente forte aqui, adicionando peso e movimento constante à composição. A influência de Erik Mårtensson aparece de forma evidente na arquitetura da faixa: cada detalhe parece calculado para maximizar impacto sem comprometer espontaneidade. A aceleração final é puro êxtase sleazy.

Triple Threat, aqui o álbum abraça sem reservas sua faceta mais agressiva. A música trafega entre hard rock clássico e punk escandinavo com naturalidade impressionante, impulsionada por um baixo absurdamente presente e guitarras que nunca param de empurrar a faixa para frente. Os backings funcionam quase como um elemento percussivo adicional, enquanto a ponte pesada antes do solo adiciona contraste suficiente para impedir que a música se torne apenas mais um exercício de velocidade. O uso de wah-wah no solo reforça o lado mais vintage da composição sem soar caricatural.

Todo grande disco de sleaze precisa de uma boa balada — mas Wasteland evita completamente os clichês açucarados do gênero. A instrumentação predominantemente acústica cria uma atmosfera intimista que expõe uma vulnerabilidade raramente vista no restante do álbum. Os vocais roucos funcionam perfeitamente dentro da proposta, enquanto as melodias demonstram um cuidado composicional muito acima da média para bandas do estilo. É uma pausa estratégica que amplia ainda mais o impacto das faixas mais explosivas.

Em When Eden Burns o álbum retorna ao território elétrico apostando em um hard rock musculoso e moderno. Existe uma influência clara do hard europeu dos anos 80 e 90, mas reinterpretada sob uma ótica mais contemporânea e menos caricatural. A condução do baixo durante os versos merece atenção especial, adicionando groove e peso simultaneamente. O refrão é gigantesco, enquanto o solo carrega doses generosas de shred sem jamais perder musicalidade.

Pseudo Genius provavelmente a faixa mais visceral do disco. O The Cruel Intentions mergulha de cabeça em uma abordagem quase street punk, lembrando em vários momentos nomes como Toy Dolls e The Hellacopters. Ainda assim, a banda preserva seu DNA melódico intacto. O resultado é explosivo: rápido, sujo, extremamente cantável e surpreendentemente técnico para algo tão agressivo.

À primeira audição, pode parecer uma das composições mais tradicionais do álbum, mas justamente aí reside sua força. Bad Addiction funciona como uma reafirmação estética do sleaze rock clássico, apostando em grooves familiares, refrões diretos e uma estrutura extremamente objetiva. O diferencial aparece novamente nos detalhes: harmonias vocais muito bem construídas e um solo que adiciona identidade suficiente para evitar qualquer sensação de repetição.

Porridge Head é uma das músicas mais interessantes do disco em termos de textura. Os vocais mais limpos criam um contraste inteligente com o restante do álbum, enquanto a bateria adiciona complexidade rítmica inesperada. O refrão carrega ecos quase sessentistas, mas reinterpretados através da sujeira punk característica da banda. É exatamente esse tipo de escolha que impede All Hail Hypocrisy de soar monotemático.

Em Whatcha Gonna Do a influência setentista aparece de forma mais explícita, especialmente nas linhas de guitarra e no trabalho de sintetizadores discretamente inseridos na mixagem. A música cresce progressivamente sem jamais abandonar o foco melódico, culminando em um dos melhores refrões do álbum. O solo é elegante, melódico e perfeitamente posicionado dentro da narrativa da faixa.

Cashed Out, o encerramento, soa como a síntese definitiva do álbum. Tudo está aqui: os coros gigantescos, a energia punk, os riffs carregados de swagger e a sensação constante de que a banda está prestes a perder o controle — ainda que nunca realmente perca. Existe algo quase autobiográfico na maneira como a faixa encerra o disco, como se o The Cruel Intentions estivesse reafirmando sua própria identidade artística diante de uma cena cada vez mais domesticada.

All Hail Hypocrisy não reinventa o sleaze rock — e felizmente nem tenta. O mérito do The Cruel Intentions está justamente em compreender que o gênero sobrevive menos pela inovação estrutural e mais pela autenticidade da entrega. O quarteto encontra o equilíbrio raro entre caos e precisão, sujeira e refinamento, nostalgia e relevância contemporânea.

Em um cenário onde muitos discos de hard rock moderno soam excessivamente calculados, All Hail Hypocrisy acerta porque transpira perigo, espontaneidade e paixão genuína pelo rock ’n’ roll. E, no fim das contas, talvez seja exatamente isso que esteja faltando para a maioria das bandas atuais.

***ENGLISH VERSION***

There’s something dangerously honest about The Cruel Intentions’ sound. While much of the new generation of sleaze rock gets lost somewhere between plasticized tributes to the ’80s and overly polished productions, the Swedish-Norwegian quartet seems to understand that the true spirit of the genre was never just about decadent aesthetics, but rather about urgency, excess, and controlled chaos. On All Hail Hypocrisy, the band delivers exactly that: a record that sounds like gasoline spilled over tube amplifiers, balancing dirt, gigantic melodies, and near-punk energy without sacrificing compositional sophistication.

Perhaps the album’s most impressive achievement is the way it avoids falling into the trap of cheap nostalgia. Yes, there are obvious echoes of Mötley Crüe, Hanoi Rocks, Backyard Babies, and even Scandinavian melodic punk, but The Cruel Intentions use those references as a language rather than a crutch. Much of that comes down to the surgical production work of Erik Mårtensson, who manages to preserve the band’s natural aggression while adding weight, clarity, and massive choruses to the material.

The opener wastes no time trying to impress artificially. Beating in My Chest works because it understands exactly what a proper sleaze rock opener needs to deliver: direct riffs, immediate groove, and a chorus built to explode live. The chemistry between bass and drums deserves special mention, holding the song together with an almost punk-like pulse while the guitars maintain the dangerously intoxicated atmosphere that permeates the entire record. The solo avoids unnecessary showmanship and serves the song itself — something surprisingly rare in a genre traditionally dominated by excess.

More restrained in tempo, Living Out of Line reveals a more compositionally mature side of the band. The verses build tension efficiently before crashing into an extremely accessible chorus without ever sounding generic. What stands out here is how The Cruel Intentions inject classic ’80s hard rock elements into a structure driven far more by punk urgency than Sunset Strip glamour. The particularly melodic solo adds emotional depth to a song that could easily have settled for simplicity.

The title track, All Hail Hypocrisy, represents the conceptual and sonic core of the album. There’s an almost anthemic quality to the way the chorus is constructed, while the backing vocals turn everything into something absurdly infectious. The bass work is especially strong here, adding both weight and constant movement to the composition. Erik Mårtensson’s influence becomes obvious in the song’s architecture: every detail feels carefully designed to maximize impact without sacrificing spontaneity. The final acceleration is pure sleaze-fueled euphoria.

With Triple Threat, the album fully embraces its most aggressive side. The track moves naturally between classic hard rock and Scandinavian punk, driven by an outrageously prominent bass performance and guitars that never stop pushing the song forward. The backing vocals almost function as an additional percussive layer, while the heavy bridge before the solo adds enough contrast to prevent the song from becoming just another exercise in speed. The wah-wah-driven solo reinforces the track’s vintage spirit without ever sounding cartoonish.

Every great sleaze record needs a proper ballad — but Wasteland completely avoids the genre’s sugary clichés. Its predominantly acoustic instrumentation creates an intimate atmosphere that exposes a vulnerability rarely heard elsewhere on the album. The raspy vocals fit the mood perfectly, while the melodies reveal a compositional care far above the average for bands operating within this style. It’s a strategic breather that ultimately makes the heavier moments hit even harder.

With When Eden Burns, the album returns to electric territory through muscular, modern hard rock. There’s a clear influence from European hard rock of the ’80s and ’90s, but reinterpreted through a more contemporary and less caricatured lens. The bass work during the verses deserves particular praise, simultaneously adding groove and heaviness. The chorus is enormous, while the solo delivers generous amounts of shred without ever sacrificing musicality.

Pseudo Genius is probably the most visceral track on the record. The Cruel Intentions dive headfirst into an almost street-punk approach, recalling bands such as Toy Dolls and The Hellacopters at various moments. Still, the band preserves its melodic DNA intact. The result is explosive: fast, dirty, highly singable, and surprisingly technical for something so aggressive.

At first listen, Bad Addiction may seem like one of the album’s most traditional compositions, but that is precisely where its strength lies. The track works as an aesthetic reaffirmation of classic sleaze rock, relying on familiar grooves, direct choruses, and an extremely objective structure. Once again, the difference lies in the details: carefully crafted vocal harmonies and a solo that adds enough personality to avoid any sense of repetition.

Porridge Head stands as one of the album’s most interesting songs in terms of texture. The cleaner vocal approach creates an intelligent contrast with the rest of the record, while the drumming introduces unexpected rhythmic complexity. The chorus carries almost ‘60s-like echoes, reinterpreted through the band’s signature punk-infused dirtiness. It’s exactly this kind of songwriting choice that prevents All Hail Hypocrisy from becoming sonically one-dimensional.

On Whatcha Gonna Do, the ’70s influence becomes more explicit, particularly in the guitar lines and the subtle synthesizer work embedded in the mix. The track grows progressively without ever abandoning its melodic focus, culminating in one of the strongest choruses on the album. The solo is elegant, melodic, and perfectly placed within the song’s narrative arc.

Closing track Cashed Out feels like the definitive synthesis of the album. Everything is here: massive gang vocals, punk energy, swagger-drenched riffs, and the constant sensation that the band is on the verge of completely losing control — even though they never actually do. There’s something almost autobiographical in the way the song closes the record, as if The Cruel Intentions were reaffirming their artistic identity against an increasingly domesticated rock scene.

All Hail Hypocrisy does not reinvent sleaze rock — and thankfully, it never tries to. The Cruel Intentions’ greatest strength lies precisely in understanding that the genre survives less through structural innovation and more through authenticity of delivery. The quartet finds a rare balance between chaos and precision, filth and refinement, nostalgia and contemporary relevance.

In a landscape where so many modern hard rock records sound excessively calculated, All Hail Hypocrisy succeeds because it radiates danger, spontaneity, and genuine passion for rock ’n’ roll. And ultimately, that may be exactly what most bands are missing today.

Jørn Veberg


Cyhra: O metal melódico abraçando o futuro (Also In English)

Reigning Phoenix Music (Imp.)

Por Flavio Borges

À medida que se aproximam de uma década de existência, os suecos do Cyhra parecem cada vez mais confortáveis em ocupar um território próprio dentro do metal moderno europeu. Nascida da união de músicos oriundos de gigantes como Amaranthe, In Flames e Kamelot, a banda sempre caminhou na delicada linha entre acessibilidade melódica e agressividade contemporânea. Em Requiem For A Pipe Dream, porém, essa identidade finalmente parece atingir seu ponto mais sólido e maduro.

Longe de simplesmente repetir a fórmula apresentada em Letters to Myself, No Halos in Hell e The Vertigo Trigger, o grupo amplia sua paleta sonora sem perder coesão. O resultado é um disco que alterna entre o metal melódico escandinavo clássico, o metal moderno carregado de elementos eletrônicos e até incursões em territórios próximos do alternative metal e do nu metal — tudo embalado por uma produção grandiosa, limpa e extremamente contemporânea.

A abertura com “Bleed With Pride” deixa claro, desde os primeiros segundos, que o álbum não pretende soar nostálgico. A base eletrônica conduz a música enquanto guitarras densas e refrões monumentais constroem uma atmosfera cinematográfica. O peso está ali, mas sempre acompanhado por melodias cuidadosamente calculadas. O solo aparece quase soterrado pela parede sonora da mixagem — escolha estética que privilegia o impacto coletivo da faixa em vez do virtuosismo individual.

Escolhida como single de divulgação, “Superman” sintetiza perfeitamente a proposta do álbum. A construção minimalista dos versos, sustentada por elementos eletrônicos e pulsação quase dançante, desemboca em um refrão enorme e imediatamente memorável. Há momentos em que a faixa flerta descaradamente com a dance music moderna, mas sem jamais abandonar a agressividade característica do grupo.

Sombria e atmosférica, “Miss Me When I’m Gone” mergulha ainda mais fundo na faceta contemporânea da banda. Os elementos eletrônicos dominam boa parte da composição, enquanto o baixo ganha protagonismo raro dentro do gênero, funcionando como eixo central entre peso e ambiência. A ausência quase total de exibicionismo instrumental revela uma banda muito mais preocupada em construir atmosfera do que em impressionar tecnicamente.

Aqui o disco muda drasticamente de direção e abraça o DNA do metal melódico escandinavo. “Ghostbound” é rápida, épica e carregada de energia, a faixa poderia facilmente dialogar com a escola clássica de Gotemburgo, ainda que os vocais mantenham uma abordagem claramente moderna. O trabalho de bateria, especialmente nos momentos de bumbo duplo, injeta intensidade quase power metal à composição. Uma das faixas mais explosivas do álbum.

A inevitável power ballad  “In The Center Of A Miracle” surge com elegância e sem excessos. Piano, voz e uma condução mais orgânica permitem que a banda explore emoção sem cair no sentimentalismo barato. O grande mérito da música está justamente na contenção: em vez de recorrer a explosões exageradas ou solos intermináveis, o Cyhra aposta em dinâmica, nuances e construção melódica. O resultado é uma das faixas mais maduras do disco.

O álbum retorna ao território moderno com agressividade renovada em “Skin From Bones”. Há influências claras de nu metal, industrial e até hip hop espalhadas pela estrutura da faixa, enquanto os teclados assumem papel central na condução rítmica. Ainda assim, o grupo jamais sacrifica o senso melódico — algo que diferencia o Cyhra de tantas bandas contemporâneas que confundem peso com excesso de ruído.

Se fosse necessário escolher uma faixa para definir o álbum, provavelmente seria  “Ghost I’m Meant To Be”. O equilíbrio entre peso moderno, ambiência eletrônica, melodias grandiosas e instrumental técnico aparece aqui de forma quase perfeita. As transições entre os versos e o refrão são particularmente eficientes, enquanto os efeitos orgânicos — incluindo batidas cardíacas — ajudam a ampliar a sensação cinematográfica da composição. O encerramento épico reforça ainda mais essa impressão.

Sem abandonar a fluidez do álbum, em  “Mark Of My Sins” a banda mergulha novamente em uma estética fortemente contemporânea. Os vocais abusam de texturas e efeitos sem comprometer a força melódica, enquanto as guitarras alternam entre riffs secos e intervenções mais atmosféricas. Talvez seja uma das faixas que mais divide opiniões entre ouvintes tradicionais e fãs do metal moderno atual.

“Venom In Me” é uma das músicas mais equilibradas do disco. As harmonias de guitarra remetem diretamente ao metal melódico clássico, mas convivem naturalmente com timbres modernos e produção atualizada. O trabalho de baixo e bateria merece atenção especial pela riqueza de detalhes e dinâmica. Existe um cuidado evidente na construção dos arranjos, evitando que a faixa se transforme apenas em mais um exercício de fórmula escandinava.

Fortemente influenciada pela fase mais moderna do In Flames, “Box With Spirits” praticamente abandona qualquer traço mais tradicional em favor de uma abordagem totalmente contemporânea. Os vocais carregados de efeitos e as guitarras densas criam uma atmosfera pesada e urbana. Curiosamente, é justamente aqui que surge um dos solos mais inspirados do álbum — breve, mas extremamente eficiente.

“Hold Your Fire” com participação de Samy Elbanna, do Lost Society, o encerramento mergulha sem medo no território do melodic death metal finlandês. As referências a Children of Bodom são inevitáveis e aparecem tanto nas linhas de guitarra quanto na agressividade dos vocais e da cozinha rítmica. É uma faixa intensa, veloz e extremamente melódica — encerramento forte para um álbum que entende perfeitamente sua proposta.

Requiem For A Pipe Dream talvez não seja um disco pensado para puristas do metal tradicional, mas dificilmente esse foi o objetivo do Cyhra. O que a banda entrega aqui é um trabalho moderno, ambicioso e cuidadosamente produzido, capaz de dialogar tanto com a nova geração do metal europeu quanto com fãs da clássica escola melódica escandinava. Mais importante: soa como uma banda plenamente consciente de sua identidade — algo que muitos grupos veteranos ainda passam a carreira inteira tentando encontrar.

***ENGLISH VERSION***

As they approach their tenth anniversary, Sweden’s Cyhra seem increasingly comfortable occupying a territory of their own within modern European metal. Born from the union of musicians connected to giants such as Amaranthe, In Flames and Kamelot, the band has always walked the delicate line between melodic accessibility and contemporary aggression. On Requiem For A Pipe Dream, however, that identity finally reaches its most confident and mature form.

Far from simply recycling the formula presented on Letters to Myself, No Halos in Hell and The Vertigo Trigger, the group expands its sonic palette without sacrificing cohesion. The result is an album that moves effortlessly between classic Scandinavian melodic metal, modern electronic-infused heaviness, and even excursions into alternative metal and nu metal territory — all wrapped in a massive, polished and unapologetically contemporary production.

Opening track “Bleed With Pride” makes it immediately clear that nostalgia is not on the agenda here. Electronic textures drive the song forward while dense guitars and towering choruses build a cinematic atmosphere. The heaviness is undeniable, but always balanced by meticulously crafted melodies. Even the solo feels almost buried beneath the wall of sound — an aesthetic choice that favors the collective impact of the track over individual virtuosity.

Chosen as the album’s lead single, “Superman” perfectly encapsulates the record’s overall vision. The minimalist verse structure, supported by electronic elements and an almost dancefloor-ready pulse, explodes into a huge and instantly memorable chorus. At times, the song openly flirts with modern dance music, yet never abandons the band’s inherent aggression.

Dark and atmospheric, “Miss Me When I’m Gone” dives even deeper into the band’s contemporary side. Electronic elements dominate much of the composition, while the bass takes on an unusually prominent role, serving as the central axis between weight and atmosphere. The near-total absence of instrumental showmanship reveals a band far more interested in mood and texture than technical exhibitionism.

Here the album takes a sharp turn and fully embraces the DNA of Scandinavian melodic metal. Fast, epic and packed with energy, “Ghostbound” could easily sit alongside the classic Gothenburg school, even as the vocals maintain a distinctly modern approach. The drumming — especially during the relentless double-kick sections — injects a near power metal intensity into the composition. One of the album’s most explosive moments.

The inevitable power ballad, “In The Center Of A Miracle”, arrives with elegance and restraint. Piano, vocals and a more organic arrangement allow the band to explore emotion without slipping into cheap sentimentality. The song’s greatest strength lies precisely in its subtlety: instead of relying on exaggerated crescendos or endless solos, Cyhra invest in dynamics, nuance and melodic construction. The result is one of the album’s most mature compositions.

The record returns to modern territory with renewed aggression on “Skin From Bones”. Clear influences from nu metal, industrial and even hip hop are woven throughout the song’s structure, while keyboards take center stage in the rhythmic framework. Even so, the group never sacrifices melody — something that separates Cyhra from many contemporary acts that mistake heaviness for sheer noise.

If one track had to define the album, it would probably be “Ghost I’m Meant To Be”. The balance between modern heaviness, electronic ambience, massive melodies and technical musicianship is executed here almost flawlessly. The transitions between verses and chorus are particularly effective, while organic sound effects — including heartbeat pulses — amplify the song’s cinematic scope. The epic finale only reinforces that impression.

Without disrupting the album’s flow, “Mark Of My Sins” once again dives headfirst into a strongly contemporary aesthetic. The vocals lean heavily on textures and effects without losing melodic strength, while the guitars alternate between sharp-edged riffs and atmospheric passages. It may well be one of the tracks most likely to divide traditional metal listeners and fans of today’s modern metal scene.

“Venom In Me” stands as one of the album’s most balanced songs. The guitar harmonies draw directly from classic melodic metal traditions, yet coexist naturally with modern tones and updated production. The bass and drum work deserve particular praise for their richness in detail and dynamic interplay. There is an obvious level of care in the arrangement, preventing the track from becoming just another Scandinavian formula exercise.

Strongly influenced by the more modern era of In Flames, “Box With Spirits” almost entirely abandons traditional elements in favor of a fully contemporary approach. The heavily processed vocals and dense guitar layers create a dark, urban atmosphere. Ironically, it is here that one of the album’s most inspired guitar solos unexpectedly appears — brief, but highly effective.

Closing track “Hold Your Fire”, featuring Samy Elbanna of Lost Society, dives fearlessly into Finnish melodic death metal territory. The references to Children of Bodom are unmistakable, surfacing both in the guitar work and in the aggressive vocal and rhythm section performance. It is intense, fast and highly melodic — a powerful conclusion to an album that understands exactly what it wants to be.

Requiem For A Pipe Dream may not be an album designed for traditional metal purists, but that was likely never Cyhra’s intention. What the band delivers here is a modern, ambitious and carefully crafted record capable of connecting equally with the new wave of European metal listeners and fans of the classic Scandinavian melodic school. More importantly, it sounds like a band fully aware of its own identity — something many veteran acts spend entire careers trying to achieve.

Linda Florin


Herege: Cru, hostil e insano

Por: Renato Sanson

O underground brasileiro segue mostrando sua força, e em 2025 um dos nomes que surge carregando a chama mais obscura do Black Metal nacional é o Herege. Oriunda de São Paulo e capitaneada pelo músico Fernando Iser, a banda estreia com Blood War Extermination, um álbum que abandona qualquer polimento excessivo para mergulhar de cabeça na sujeira e na agressividade do Black Metal noventista.

Conhecido por sempre flertar com a vertente mais grega do estilo, Iser apresenta aqui uma faceta muito mais crua, direta e visceral. O resultado é um disco que soa como um verdadeiro ataque nuclear sonoro, remetendo imediatamente à essência do Black Metal dos anos 90, quando o caos e a atmosfera falavam mais alto do que qualquer perfeccionismo técnico.

Formado pelo duo Iser (vocal, guitarra e baixo) e Insulter (bateria), o Herege constrói uma parede sonora intensa e sem concessões. A bateria de Insulter merece destaque absoluto: suas linhas parecem um tanque de guerra avançando sem freios, destruindo tudo pelo caminho com peso, velocidade e brutalidade. Cada virada reforça ainda mais a aura bélica e destrutiva que domina o álbum.

As guitarras carregam riffs cortantes e sombrios, trazendo aquela sensação gelada e sufocante tão característica do Black Metal underground. A produção propositalmente áspera reforça a identidade raw do trabalho e ajuda a transportar o ouvinte diretamente para a atmosfera obscura que o Herege busca construir.

Liricamente, Blood War Extermination abraça sem medo a temática anticristã, elemento clássico e fundamental do estilo. O disco respira blasfêmia, guerra e escuridão do começo ao fim, mantendo viva a essência mais primitiva e agressiva do Black Metal.

Sem reinventar a roda, mas também sem soar datado, o Herege entrega um debut honesto, violento e extremamente fiel às raízes do gênero. Blood War Extermination é um verdadeiro tributo ao espírito do Black Metal underground dos anos 90. Cru, hostil e carregado de ódio.

Para os apreciadores do raw Black Metal e da velha escola extrema, este debut é uma audição obrigatória.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Sepultura: Um último manifesto criativo (Also In English)

Nuclear Blast (Imp.)

Por Paula Butter 

O Sepultura teve um ótimo insight ao lançar este EP às vésperas de seu encerramento. Acredito que, independente do tamanho da obra, neste caso, um EP e não um álbum completo, foi um trabalho honesto e criativo. A experiência de ouvir aquelas quatro faixas em sequência foi bem surpreendente, pois podemos enxergar ali todas as influências que a banda carregou ao longo de tantas décadas, decerto um pouco mais acessível, e por que não dizer "melódico". A quantidade de faixas foi suficiente para mostrar técnica, criatividade, cultura e identidade, sem precisar "encher linguiça" com faixas medianas ou, até mesmo, correr o risco de deixar para trás uma obra "mais ou menos".

A primeira faixa "All Souls Rising" apresenta puro Sepultura, com todos os elementos de peso nos instrumentais e entrega total nos vocais de Derrick Green. Já "Beyond the Dream" é carregada de técnica e traz um lado mais melancólico e melódico para a obra, mas no final mostra-se belíssima, não deixando tempo para respirar. Na sequência, "Sacred Books" com cozinha afiada, e também é aqui que a bateria de Greyson Nekrutman ganha destaque. Por fim, a pérola "The Place", que une técnica, peso e letras introspectivas com emoção. É definitivamente um gostinho de como a música flui de forma mais orgânica quando produzida levando em consideração o momento criativo exato em que os músicos se encontravam.

O recado bem ao estilo Sepultura foi dado. Como a banda mesmo afirmou, foi um trabalho que surgiu de forma espontânea, resultado da criatividade e união em turnê, ou seja, sem a pressão de entrega, onde todos os músicos puderam ser mais livres para deixar seu legado. E assim podemos definir "The Cloud of Unknowing" como um excelente EP para Andreas Kisser e companhia. E diga-se de mais, um EP bem acessível à maioria dos fãs de Heavy Metal.

O EP "The Cloud of Unknowing" já está disponível em todas as plataformas digitais e também em mídia física, pela Nuclear Blast.

Divulgação 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Here I Am: Uma estreia que ecoa grandeza (Also In English)

Por Flavio Borges 

Com Synergy, a Here I Am entrega um debut ambicioso, que transita com segurança entre o metal moderno, o progressivo e o power metal melódico, sustentado por uma proposta estética ousada: a utilização de uma mixagem 3D que amplia a espacialidade sonora e transforma a audição — sobretudo em fones — em uma experiência imersiva. A participação de Jeff Scott Soto na abertura e no encerramento não é apenas um chamariz de peso, mas também um elemento que reforça a dimensão épica que permeia o álbum. 

Com os singles “Hear Me” e “Gone Too Soon” já funcionando como cartões de visita, o grupo se posiciona como um nome promissor dentro do metal nacional contemporâneo.

A introdução “Intro – Dreams” cumpre seu papel com eficiência, evocando a tradição do gênero através de uma narração solene que prepara o terreno para a jornada sonora. Na sequência, “Eternal” mergulha de vez no território progressivo, com mudanças constantes de andamento e uma arquitetura musical dinâmica. As influências de André Matos são perceptíveis na condução vocal, mas longe de soar derivativo — há identidade nas escolhas de timbre e nas linhas melódicas.

“Eyes of Tomorrow” apresenta uma construção mais orgânica, partindo de uma introdução delicada ao piano até atingir um refrão direto e eficaz. Apesar de um leve excesso de informação na transição inicial, a faixa se estabiliza e contribui para consolidar a coesão do álbum, destacando-se pelos backings bem trabalhados e pelo equilíbrio entre peso e melodia.

Já “Gone Too Far” revela uma faceta mais acessível da banda. Com estrutura próxima de uma power ballad, a música privilegia emoção e ambiência, com destaque para as linhas de baixo e o diálogo entre guitarra e teclado. Há aqui uma aproximação com o hard rock melódico, mostrando versatilidade sem comprometer a identidade.

“Hear Me” retoma o peso com uma abordagem moderna e cadenciada. A faixa aposta em contrastes rítmicos — inclusive dentro do próprio refrão — criando uma dinâmica interessante, ainda que potencialmente desafiadora para o ouvinte casual. O arranjo é sofisticado, e a mudança de atmosfera após o solo vocal reforça a ambição composicional do grupo.

“I Will Rise” é, talvez, o momento mais emblemático da vertente progressiva do álbum. Estruturalmente complexa, a música equilibra técnica e impacto, com variações de andamento bem executadas e um refrão que funciona como âncora emocional. O desfecho instrumental reforça a vocação da banda para composições mais elaboradas.

Em “Side by Side”, a banda desacelera para entregar uma power ballad de forte carga emocional. A combinação de violão, piano e camadas de guitarra constrói uma atmosfera densa e envolvente. O desempenho vocal de Eric Bruce é particularmente expressivo aqui, alcançando momentos de grande intensidade sem perder o controle técnico.

“Starry Skies (Deep Scars)” retoma a proposta híbrida do álbum com ainda mais clareza. Alternando entre passagens melódicas e trechos de alta complexidade, a faixa evidencia a capacidade da banda de transitar entre acessibilidade e sofisticação. Em certos momentos, há ecos do Helloween da fase Gambling with the Devil, especialmente na forma como melodia e peso coexistem de maneira equilibrada.

O encerramento com “Rise Ahead (More Than a Dream)” aposta novamente na teatralidade, com a presença de Jeff Scott Soto conduzindo um final que amarra conceitualmente o álbum. A citação do nome da banda como último elemento sonoro funciona como assinatura e reforça o senso de identidade do projeto.

No conjunto, Synergy é um trabalho que impressiona pela ambição e pelo cuidado nos detalhes. Ainda que em alguns momentos a complexidade possa soar excessiva, há aqui uma banda que claramente entende suas influências e busca expandi-las com personalidade. Um debut que não apenas apresenta, mas afirma — e que sugere um futuro extremamente promissor.

***ENGLISH VERSION***

With Synergy, Here I Am deliver an ambitious debut that confidently navigates between modern metal, progressive textures and melodic power metal, all anchored by a bold aesthetic choice: a 3D mix designed to enhance spatial depth and turn the listening experience — particularly on headphones — into something genuinely immersive. The involvement of Jeff Scott Soto on both the opening and closing tracks is more than just a high-profile feature; it reinforces the epic scope that runs throughout the album. 

With “Hear Me” and “Gone Too Soon” already serving as effective calling cards, the band positions itself as a compelling new force within the contemporary Brazilian metal scene.

The opening “Intro – Dreams” does exactly what it should, drawing from genre tradition with a solemn narration that sets the stage for what follows. “Eternal” then dives headfirst into progressive territory, driven by shifting tempos and a dynamic compositional framework. The influence of André Matos is evident in the vocal delivery, yet it never feels derivative — there’s a clear sense of identity in both timbral choices and melodic phrasing.

“Eyes of Tomorrow” unfolds more organically, moving from a delicate piano-led introduction into a direct and effective chorus. While the transition into the heavier section feels slightly overcrowded, the track quickly finds its footing, contributing to the album’s cohesion with well-crafted backing vocals and a balanced interplay between melody and weight.

“Gone Too Far” showcases a more accessible side of the band. Structured as a near power ballad, it leans into atmosphere and emotional resonance, with notable bass work and an engaging guitar–keyboard interplay. There’s a subtle nod to melodic hard rock here, highlighting the band’s versatility without diluting its core identity.

“Hear Me” brings the heaviness back with a modern, groove-driven approach. Its use of rhythmic contrasts — even within the chorus itself — creates an intriguing dynamic, though it may challenge less attentive listeners. The arrangement is sophisticated, and the post-solo shift in atmosphere underscores the band’s compositional ambition.

“I Will Rise” stands as one of the album’s defining progressive statements. Structurally intricate, it balances technicality with impact, featuring well-executed tempo changes and a chorus that anchors the track emotionally. Its instrumental closing passage further emphasizes the band’s aptitude for more elaborate songwriting.

With “Side by Side”, the band slows things down for a deeply emotive power ballad. Acoustic guitar, piano and layered electric textures build a rich and immersive soundscape. Eric Bruce delivers one of his strongest vocal performances here, reaching impressive heights without sacrificing control.

“Starry Skies (Deep Scars)” brings the album’s hybrid approach into sharper focus. Shifting between melodic passages and high-complexity sections, it highlights the band’s ability to balance accessibility with sophistication. At times, there are echoes of Helloween during their Gambling with the Devil era, particularly in the seamless coexistence of melody and heaviness.

The closing track, “Rise Ahead (More Than a Dream)”, leans once again into theatricality, with Jeff Scott Soto guiding a finale that neatly ties the album together. The final mention of the band’s name acts as a signature moment, reinforcing the project’s sense of identity.

Taken as a whole, Synergy is an impressive and meticulously crafted debut. While its complexity may occasionally verge on excess, this is clearly a band that understands its influences and strives to push beyond them with purpose. A debut that doesn’t just introduce — it asserts — and points toward a highly promising future.

Divulgação 


sábado, 2 de maio de 2026

Cobertura de Show: Smith/Kotzen – 24/04/2026 – Tork N' Roll/CWB

Smith/Kotzen estreia no Brasil e conquista Curitiba com classe e talento

Finalmente, uma sexta-feira com peso e majestade em Curitiba, foi no dia 24 de abril de 2026, com a primeira apresentação do projeto Smith/Kotzen no Brasil. Além de Curitiba, a banda também se apresentará em outras cidades, inclusive no festival Bangers Open Air em São Paulo. E para aqueles que não poderão comparecer ao festival, nada melhor do que um espetáculo com músicos experientes "em casa".

A noite prometia, afinal: falem o que falar, tratava-se de Adrian Smith (Iron Maiden) em Curitiba, o saudosismo dos fãs acaba ganhando o espaço. Entretanto, não tem como ignorar o imponente Richie Kotzen, que deu show de simpatia e talento, sem falar que é um músico que marcou gerações no Mr. Big e ainda nos emocionou no primeiro Bangers Open Air (ainda com o nome SummerBreeze Brasil) em 2023, com o Winery Dogs, ao lado de Mike Portnoy (Dream Theater).

Além disso, para completar o grupo, temos a baixista Julia Lage (Vixen) e Bruno Valverde (Angra) nas baquetas. Importante ressaltar a dinâmica da banda com Julia, que fazia a ponte perfeita entre as duas lendas, esbanjando carisma com troca de olhares e gestos com o público e o conterrâneo brasileiro Bruno.

Novamente, no Tork N' Roll foi noite de uma banda só, com horário de início às 21h, seguido quase à risca, com um mínimo atraso de 10 minutos. O local estava com bastante público, mas longe da lotação máxima, o que deixou o evento mais confortável, sem filas, ar-condicionado perfeito, sem empurrões, ninguém "passando dos limites na bebida", enfim, um público bem "britânico", ou melhor, "curitibano". A faixa etária era claramente composta de pessoas acima dos 35 anos, com predominância de camisetas do Iron Maiden desfilando na passarela do Tork, salvo alguns que adquiriram as camisetas Smith/Kotzen, que, permitam-me dizer, eram muito elegantes e de bom gosto.

Todos prontos? Vamos para o Smith/Kotzen, que sobe ao palco um pouco desajeitado, mas acredito que ninguém percebeu, nem faria alguma diferença mesmo. A noite começa com ansiedade da pista premium e com a execução tímida de "Life Unchained", seguida sem pausa por "Black Light" e "Wraith". Aos poucos os músicos foram ficando mais à vontade para conversar com o público, mas não tem como negar o jeito mais inglês de Adrian Smith, se comparado com o jeito descontraído de Kotzen, que brilhou muito nesta noite de sexta.

A interação entre os músicos era perfeita, tornando o espetáculo em um show de técnica. As guitarras de Adrian sempre foram perfeitas, mas é inegável que ganham um "plus" quando acompanhadas do vocal nostálgico de Richie, além do toque especial do baixo de Julia, sempre movimentando-se de um lado para outro. Por fim, com o grande Bruno Valverde, o nó fecha perfeitamente em um hard rock de excelente qualidade, riffs precisos, solos eloquentes e composições emocionadas. Este projeto já nasceu para o sucesso e passou no teste com louvor, pois o público curitibano enfim rendeu-se totalmente à dupla.

Ponto alto da noite para a execução de "Hate and Love", momento em que o público realmente "esquenta", euforia em "Scars" e "Running", tocada com muita emoção. Quase no final da apresentação, fomos presenteados com a belíssima "You Can't Save Me", com total devoção por parte de Kotzen. E para finalizar a noite, eis que surge a emblemática "Wasted Years", cantada bem ao estilo Adrian Smith, mas que deixou todos ali presentes em êxtase, palavra que define perfeitamente os Iron "maníacos" chorando a plenos pulmões, e sim, foi lindo!

E por fim, vou terminar com uma frase que ouvi muito durante toda a noite: "Ahh, mas é o Adrian Smith né!!!", referindo-se ao guitarrista, que dificilmente consegue desvincular sua figura de qualquer outro nome, por mais brilhante que seja o Smith/Kotzen.  




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Opus Entretenimento 


Smith/Kotzen – setlist:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Glory Road

Hate and Love

Blindsided

Taking My Chances

Outlaw

Darkside

Got a Hold on Me

White Noise

Scars

Running

You Can't Save Me

(Richie Kotzen solo)

Wasted Years