terça-feira, 31 de março de 2026

Exodus: morno e esquecível

Por: Renato Sanson 

O retorno de Rob Dukes ao Exodus carregava um peso simbólico enorme, não apenas pela nostalgia, mas pela energia brutal que marcou sua primeira passagem pela banda. E é justamente aí que mora a grande frustração de "Goliath": um álbum que tinha tudo para ser um renascimento agressivo, mas acaba soando apático, previsível e, em muitos momentos, surpreendentemente sem identidade.

Desde o anúncio, impulsionado pelas declarações de Gary Holt de que este seria “um disco feito para nós, não para os fãs”, já existia um certo receio. O problema é que, ao ouvir o resultado final, essa frase deixa de soar como uma provocação artística e passa a parecer um aviso ignorado. Falta justamente aquilo que sempre definiu o Exodus: urgência, riffs memoráveis e aquela sensação constante de perigo iminente.

Rob Dukes, que em álbuns como "The Atrocity Exhibition... Exhibit A" e "Exhibit B: The Human Condition" havia se consolidado como um sucessor à altura ou até mesmo o verdadeiro herdeiro do espírito de Paul Baloff, aqui parece subaproveitado. Sua performance continua potente, carregada de agressividade, mas engessada por composições que não acompanham sua intensidade. É quase como ver um motor de alta performance preso a uma carroceria que não responde.

A comparação com "Force of Habit" (92), infelizmente, não é exagero. Assim como naquele controverso lançamento dos anos 90, Goliath flerta com uma abordagem diferente, menos inspirada, menos visceral e paga o preço por isso. A tentativa de explorar novas nuances acaba resultando em faixas arrastadas e pouco memoráveis, que dificilmente sobreviverão ao teste do tempo dentro de um catálogo tão respeitado.

Se Steve Souza havia recolocado a banda nos trilhos com dois discos sólidos, reacendendo a chama do Thrash clássico, o retorno de Dukes, que deveria elevar ainda mais o nível acaba soando como um passo em falso. A expectativa era de algo avassalador, mas o que se entrega é um trabalho morno, que raramente empolga.

Nem mesmo o aspecto visual ajuda: a capa, pouco inspirada, parece refletir exatamente o conteúdo do álbum. Genérico, sem impacto e distante da força estética que o Exodus já apresentou em outros momentos da carreira.

No fim, Goliath não é um desastre completo, mas talvez seja ainda mais frustrante por isso: é um disco que tinha potencial para ser gigante como o nome sugere e termina apenas esquecível.

Entrevista - UDO: "Wolf tem um bom cantor, mas não a voz original"

Com uma trajetória marcada por clássicos eternos, turnês mundiais e uma identidade sonora única, Udo segue ativo, relevante e fiel às raízes que ajudou a consolidar dentro do metal tradicional. 

Em nossa conversa exclusiva, o músico revisita momentos importantes de sua carreira, deixa claro seu posicionamento para uma reunião com o Accept e compartilha suas expectativas para o aguardado show no Bangers Open Air, que promete ser um dos grandes encontros do ano para os fãs brasileiros.

Prepare-se para mergulhar em um bate-papo direto, sincero e carregado de história com um dos maiores nomes do heavy metal mundial.


Por: Renato Sanson 

Quais as expectativas para o show no Bangers Open Air?

UDO: Ainda estamos celebrando o 40º aniversário de Balls to the Wall. Vamos tocar o álbum na íntegra e, além disso, incluir alguns clássicos do Accept. Teremos 90 minutos de show, ou seja, praticamente um set de headliner. Estou realmente ansioso para isso.


Depois de muitos anos, você e o Peter estão tocando juntos. Como é essa sensação?

UDO: É uma sensação muito boa estar com o Peter novamente. Ele está curtindo, eu também, e estamos felizes. É como algo antigo voltando aos palcos.

Há um tempo atrás, você disse que não toca mais músicas do Accept ao vivo.

UDO: Sim, isso foi há muito tempo. Quer dizer, em 2015 começamos com o Dirkschneider, e muita gente perguntava: 'por que você não toca músicas do Accept?'. Então pensamos: 'ok, vamos fazer o Dirkschneider tocando apenas músicas do Accept'. Fizemos isso por quase três anos. Depois disso, talvez eu tenha falado cedo demais, mas disse: 'pronto, chega de músicas do Accept.' Quer dizer, temos material suficiente do U.D.O. para tocar ao vivo. Acho que foi um pouco precipitado. Agora estamos celebrando os 40 anos de Balls to the Wall, então aqui estamos nós, tocando Accept novamente.

Por que produtores e fãs tendem a resistir a músicas novas, preferindo os clássicos nos shows? Qual é a sua opinião sobre isso?

UDO: Quando falamos de músicas novas? 

Sim.

Claro que sim, pelo menos para mim. Acabamos de finalizar um novo álbum do U.D.O. E temos músicos mais jovens na banda. O que eu gosto no momento é que estamos criando algo como uma mistura entre o antigo e o novo, e isso é muito interessante para mim. Ou seja, não estamos seguindo apenas com os clássicos antigos — também há muitos arranjos novos ali. Claro, os músicos mais jovens têm uma forma de pensar diferente. 


E na sua carreira solo você já soma mais de 50 álbuns, sem contar a fase com o Accept. De onde vem tanta criatividade e energia para produzir tanto?

Não sei bem, é que geralmente a gente lança um álbum novo a cada dois anos e em seguida sai em turnê. Às vezes fazemos uma pausa curta, rapidinha mesmo. Só que, com o novo disco do U.D.O., houve uma interrupção de três anos. Evidentemente já se passaram quase dois anos sem lançamentos nossos, e quando a turnê do Ball to the Wall terminar agora em novembro, na prática teremos ficado cerca de dois anos na estrada com o Dirkschneider. Por isso, não foi tão fácil compor e gravar um lançamento novo do U.D.O. nesse intervalo. Sempre foi um balanço entre as turnês, ida e volta. Mas, de certa forma, eu gosto de fazer música e criar coisas novas também, e é por isso que continuo. Ou seja, agora tenho este que será o 20º álbum de estúdio, que sai no ano que vem. Então é bastante coisa.

Para o festival Bangers Open Air, vocês prepararam um setlist especial?

O que é realmente especial é que vamos tocar o álbum Ball to the Wall na íntegra. Nunca fizemos isso na América do Sul, então estou realmente ansioso por isso. E acho que já ouvimos muitos fãs dizendo que também estão muito empolgados para ouvir músicas que nunca tiveram a chance de ver ao vivo. Então, sim, estou muito animado também, e acredito que será um grande show. É isso, vamos nessa.


Há alguma possibilidade de uma reunião com Wolf Hoffmann novamente?

Não. Para mim, isso não faz sentido. De qualquer forma, eu sempre digo: o Wolf está fazendo suas próprias coisas com o Accept, sob o nome Accept, mas agora só resta um cara da formação original, o Wolf. E eu faço o U.D.O., mas também de uma maneira que acho mais confortável. Se eu quiser, posso dizer 'ok, vou tocar com o Dirkschneider, com a voz original, e tocar só músicas do Accept com a voz original.' Mas ele não tem a voz original, é um bom cantor, mas não é a voz original. E agora, com o Peter Baltes, temos dois membros do Accept antigo no palco. Para mim, não faz sentido fazer uma reunião, não há razão para isso. Ele faz o que faz, eu faço o que faço, e é isso.

Desculpa pela pergunta (risos). Mais uma pergunta: você prefere a era do Accept ou a era do Udo?

Isso é difícil. O Accept, claro, foi realmente enorme nos anos 80. Mas, de certa forma, os anos 80 já passaram, talvez não para o Metallica, AC/DC, Iron Maiden e bandas assim. Mas eu também aproveito muito, muito mesmo com o U.D.O. Temos uma grande base de fãs no mundo todo. Então, os dois… Eu não posso dizer que gosto mais de um ou de outro, é como se fossem iguais. É a mesma coisa.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cobertura de Show: Moonspell – 22/03/2026 – Carioca Club/SP

Em um fim de semana repleto de shows em São Paulo, o Carioca Club se transformou em território português para uma celebração histórica: os 30 anos do álbum Wolfheart, do Moonspell, marco fundamental do gothic metal mundial. Para tornar a experiência ainda mais especial, a noite foi brindada com uma dobradinha lusitana, tendo a banda Sinistro como convidada de honra, que fez sua estreia no Brasil diante de uma alcateia brasileira fervorosa.

A abertura da noite ficou por conta dos conterrâneos do Sinistro, que abriram os trabalhos com uma performance pesada, atmosférica e visceral, típica do sludge/doom que fazem. O setlist, que incluiu “Ruas Desertas”, “Partida”, “Abismo”, “O Equivocado”, “Relíquia” e “Templo das Lágrimas”, imergiu o público em uma sonoridade que transitava entre o doom metal e o rock gótico, com Patrícia Andrade hipnotizando com seus vocais poderosos e melancólicos. A atmosfera sombria e os riffs arrastados prepararam perfeitamente o terreno para o headliner, conquistando o público que já chegava animado e provando que o underground português segue forte.

Pontualmente às 20h, os lendários Moonspell adentraram o palco, recebidos por uma ovação estrondosa. Com Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclados e guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria), a banda portuguesa veio celebrar os 30 anos do icônico álbum Wolfheart. Fernando Ribeiro, com sua presença carismática, abriu a noite com um caloroso “Boa noite, Brasil, somos o Moonspell e estamos aqui para celebrar os 30 anos do Wolfheart”, antes de mergulhar de cabeça em “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, transportando a todos para a atmosfera sombria e mística do álbum que definiu uma era para o gothic metal.

Em seguida, executaram a envolvente “Love Crimes”, na qual os vocais líricos da convidada Eduarda Miss Blue, da banda Glasya, entrelaçaram-se de forma sublime com a voz gutural e expressiva de Fernando, criando um contraste vocal que adicionou uma camada extra de profundidade à performance. Na sequência, a banda entregou a densidade de “…of Dream and Drama (Midnight Ride)”, consolidando a imersão no universo de Wolfheart e mostrando a maestria dos músicos em recriar a atmosfera original do disco com uma energia renovada.

Fernando Ribeiro fez uma pausa para interagir com a plateia, expressando a honra de estar no Brasil em uma noite 100% portuguesa. Ele ressaltou que, apesar de ser domingo e de muitos terem compromissos no dia seguinte, a banda faria um setlist longo e completo, diferente da última vez em que tiveram que cortar músicas devido ao horário. Essa promessa foi recebida com entusiasmo, e a banda seguiu com a sombria “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”, mantendo a intensidade e a conexão com o público.

A diversidade musical do álbum foi explorada com a belíssima “Lua d’Inverno”, um momento instrumental que destacou o talento de Pedro Paixão nos teclados e Ricardo Amorim na guitarra, criando uma paisagem sonora hipnotizante. A seguir, “Trebaruna” trouxe à tona os ritmos e a melodia portuguesa, com a plateia acompanhando com palmas, criando um momento de intercâmbio cultural. Fernando então compartilhou uma curiosidade sobre “Ataegina”, explicando que a faixa havia sido inicialmente excluída do álbum pela gravadora por ter um “clima muito festivo”, que destoava do restante do material. No entanto, o sucesso estrondoso da música nos shows levou à sua inclusão em uma reedição do disco, uma prova da força e do apelo que a canção sempre teve junto aos fãs.

A atmosfera mística e sedutora retornou com “Vampiria”, uma das joias do álbum, que manteve a plateia em transe. Em “An Erotic Alchemy”, Eduarda Miss Blue voltou a brilhar, com seus vocais líricos ganhando destaque em um dueto bem à frente do palco, adicionando uma dimensão teatral à performance. O clímax da noite, no entanto, estava por vir. Antes de chamar o convidado especial, Fernando Ribeiro fez uma emocionante homenagem ao Brasil, afirmando que o país “criou o death metal” e relembrou sua admiração por bandas como The Mist, Sarcófago, Holocausto e, claro, Sepultura, destacando Jairo Guedz como um de seus integrantes favoritos. A casa veio abaixo com a entrada de Jairo, e, juntos, entregaram uma versão poderosa de “Alma Mater”, cantada em uníssono do início ao fim por uma plateia extasiada.

A surpresa da noite não parou por aí. A banda apresentou uma versão “dark” e arrepiante de “Lanterna dos Afogados”, clássico dos Paralamas do Sucesso. Essa releitura inusitada e brilhante demonstrou a versatilidade e a ousadia do Moonspell. A energia continuou alta com a execução de “Opium”, mantendo a plateia conectada e vibrante. O show seguiu com a energia contagiante de “Awake!”, seguida pela intensidade de “In Tremor Dei”. A banda não se limitou ao Wolfheart, presenteando os fãs com faixas de outros álbuns, como “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, mostrando a diversidade de sua discografia e a evolução de sua sonoridade ao longo dos anos. Cada música foi executada com precisão e paixão, reafirmando o status do Moonspell como uma das maiores bandas de metal gótico do mundo.

Para encerrar a noite de quase duas horas de show, o Moonspell se despediu com a icônica “Full Moon Madness”, um hino que toca a alma de sua “alcateia”. Fernando Ribeiro aproveitou o momento para agradecer novamente a Jairo Guedz e a todas as bandas brasileiras que serviram de inspiração para o Moonspell, reforçando a profunda conexão e admiração mútua entre as cenas musicais dos dois países. O público, caloroso e receptivo do início ao fim, demonstrou que a fidelidade à banda portuguesa permanece inabalável, celebrando não apenas um álbum, mas uma trajetória de três décadas de música e paixão. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload Brasil



Sinistro – setlist:

Ruas Desertas

Partida

Abismo

O Equivocado

Reliquia

Templo das Lagrimas 


Moonspell – setlist:

Wolfshade 

Love Crimes 

 ...of Dream and Drama (Midnight Ride)

Tenebrarum Oratorium (Andamento I) 

Lua d'Inverno 

Trebaruna 

Ataegina

Vampiria

An Erotic Alchemy 

Alma Mater
 
Lanterna dos Afogados (Os Paralamas do Sucesso)

Opium

Awake!

In Tremor Dei

Extinct

Scorpion Flower

Everything Invaded

Full Moon Madness

Fighter V: Uma Viagem Oitentista Com Identidade Própria (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os suíços do Fighter V dão um passo importante em sua trajetória com Déjà Vu, terceiro álbum de estúdio e estreia pela Frontiers Records. Fortemente ancorado na estética do melodic hard rock e do AOR oitentista, o disco equilibra reverência e identidade própria, apostando em melodias marcantes, arranjos bem construídos e uma produção mais polida.

A abertura com “Raging Heartbeat” já evidencia um dos principais diferenciais da banda: o timbre vocal de Emmo Acar, mais grave e áspero do que o habitual no AOR, conferindo personalidade ao som. Sustentada por camadas de teclados e backing vocals bem trabalhados, a faixa estabelece a base sonora que permeia boa parte do álbum — uma fusão consistente entre AOR e hard rock.

Na sequência, “Victory” surge com força de hino, apoiada em refrão expansivo, coros marcantes e guitarras de timbre refinado. A combinação de elementos clássicos do gênero se mantém em “Made For A Heartache”, que aposta em uma abordagem mais direta e imediata, com destaque para o trabalho de baixo e um refrão de fácil assimilação.

A primeira mudança mais sensível de dinâmica aparece em “Foolish Heart”, balada que mergulha de vez na atmosfera oitentista. A influência de nomes como Whitesnake se faz presente, especialmente nas linhas vocais que remetem ao estilo de David Coverdale. O uso de saxofone ao final acrescenta textura e reforça a proposta nostálgica.

A faixa-título, “Déjà Vu”, traz uma introdução moderna com batida eletrônica, rapidamente incorporada ao DNA clássico do álbum. O diálogo entre guitarra e teclado remete diretamente a referências como Deep Purple e Rainbow, evidenciando o cuidado da banda em equilibrar peso e melodia.

“Stand By Your Side” amplia o leque de influências ao incorporar elementos que evocam Def Leppard, sobretudo nos backing vocals e nas texturas eletrônicas. Essa diversidade sutil também aparece em “All Your Love”, que retorna a uma abordagem mais hard rock, enriquecida por arranjos detalhados, incluindo saxofone e intervenções narrativas que dialogam com a temática da canção.

Em “Hold The Time”, o grupo aposta em uma construção mais tradicional, com introdução marcante e desenvolvimento centrado na interação entre voz, guitarras e teclados. Já “For All This Time” reforça novamente a presença de elementos eletrônicos, criando uma atmosfera que privilegia o groove e destaca o baixo na condução da faixa.

A reta final do álbum é marcada por um aumento de intensidade. “Break Those Limits” acelera o andamento e entrega um dos momentos mais enérgicos do disco, com forte apelo melódico e estrutura pensada para impacto imediato. Por fim, “Victim Of Changes” encerra o trabalho sintetizando suas principais características, transitando entre AOR, hard rock e toques de heavy metal com eficiência.

Déjà Vu é um álbum que aposta na força de suas influências sem soar datado. Ao contrário, demonstra maturidade na forma como revisita o passado, resultando em um trabalho coeso e bem executado. Com isso, o Fighter V se consolida como um nome relevante dentro da nova geração do melodic rock europeu.

***ENGLISH VERSION***

Swiss melodic rockers Fighter V take a significant step forward with Déjà Vu, their third studio album and debut release on Frontiers Records. Deeply rooted in the golden era of ’80s melodic hard rock and AOR, the record strikes a careful balance between nostalgia and identity, delivering soaring melodies, polished production, and a confident sense of direction.

Opening track “Raging Heartbeat” immediately highlights one of the band’s defining traits: Emmo Acar’s distinctive vocal tone. Grittier and more grounded than the typical AOR delivery, his voice injects character into a soundscape built on lush keyboards, layered backing vocals, and melodic guitar work. It’s an effective introduction to the album’s core formula — a seamless blend of AOR sheen and hard rock edge.

“Victory” follows with undeniable anthem potential, driven by its expansive chorus, gang vocals, and finely crafted guitar tones. The same sense of immediacy carries into “Made For A Heartache”, a more direct and punchy track where a strong rhythmic foundation and a memorable hook take center stage.

A shift in dynamics arrives with “Foolish Heart”, a power ballad steeped in ’80s atmosphere. Echoes of Whitesnake are particularly evident, especially in the vocal phrasing reminiscent of David Coverdale. The addition of saxophone in the closing moments adds depth and reinforces the track’s nostalgic appeal.

The title track, “Déjà Vu”, introduces a subtle modern twist with its electronic pulse before settling into the album’s classic framework. The interplay between guitar and keyboards pays clear homage to genre-defining acts such as Deep Purple and Rainbow, showcasing the band’s ability to channel their influences with authenticity.

“Stand By Your Side” broadens the sonic palette by incorporating elements reminiscent of Def Leppard, particularly in its layered backing vocals and textured production. This versatility continues with “All Your Love”, which leans back into hard rock territory while adding narrative touches and instrumental nuances — including saxophone — that enrich the listening experience.

“Hold The Time” embraces a more traditional structure, built around a strong intro and a dynamic interplay between vocals, guitars, and keys. Meanwhile, “For All This Time” revisits electronic textures, placing greater emphasis on groove and bass-driven momentum, while still maintaining the album’s melodic core.

The final stretch raises the intensity. “Break Those Limits” is the album’s most energetic moment — fast-paced, hook-laden, and crafted for instant impact. Closing track “Victim Of Changes” (not a Judas Priest cover) serves as a summary of the album’s strengths, blending AOR, hard rock, and subtle heavy metal influences into a cohesive finale.

Déjà Vu is a record that embraces its influences without sounding derivative. Instead, it reflects a band that understands the essence of the genre while injecting its own personality into the mix. With this release, Fighter V firmly establish themselves as a rising force within the modern melodic rock scene.

Florian Kehbel


Confess: Do Caos ao Controle (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os suecos do Confess chegam a 2026 com Metalmorphosis, quarto álbum de estúdio que marca um claro passo adiante na evolução sonora da banda. Lançado pela Frontiers Music Srl e produzido por Erik Mårtensson (Eclipse), o trabalho equilibra com precisão a crueza do sleaze metal com um refinamento melódico mais evidente, ampliando o alcance sem comprometer a identidade construída ao longo dos anos.

A abertura, “Colorvision”, estabelece imediatamente o tom do disco com uma introdução grandiosa, marcada por corais e uma entrada explosiva. A combinação entre peso e apelo melódico já sinaliza a proposta do álbum: refrões fortes, produção polida e uma dinâmica mais abrangente.

Na sequência, “The Warriors” aposta em uma abordagem mais direta, com influências claras de nomes como Guns N’ Roses e Skid Row. O destaque fica para a inserção inesperada de gaita, que adiciona textura e conduz a uma ponte melódica eficiente. Já “Wicked Temptations” reforça o lado mais acessível do Confess, com um refrão imediato e estrutura pensada para impacto ao vivo.

A faixa-título, “Metalmorphosis”, sintetiza a essência do disco ao unir velocidade, guitarras em dobradinha e forte apelo clássico — em uma sonoridade que remete ao Judas Priest em uma leitura mais voltada ao hard rock. É um dos momentos mais representativos do álbum.

O clima muda com “Beat of My Heart”, uma balada de construção quase acústica que valoriza a interpretação vocal de John Elliot e evidencia o cuidado nos arranjos. Em contraste, “Pursuit Of The Jenny Haniver” retoma a energia com uma composição dinâmica, que evolui para passagens mais elaboradas e surpreendentes na segunda metade.

“The Other Side” mergulha de vez no hard rock melódico, com forte influência estética do próprio Eclipse, enquanto “Running To My Death” apresenta uma das facetas mais pesadas do disco, dialogando com o metal europeu dos anos 80 sem abrir mão de refrões marcantes.

Já “Plague Of Steel” combina referências oitentistas com uma estrutura moderna, alternando riffs consistentes e um refrão altamente acessível, além de um solo que flerta com influências clássicas do hard e do prog (com uma clara homenagem ao Rush). O encerramento fica por conta de “Silvermalen”, uma faixa de caráter épico que cresce em intensidade e complexidade, reunindo elementos acústicos, passagens densas e um dos refrões mais memoráveis do trabalho.

No conjunto, Metalmorphosis apresenta um Confess mais maduro e confiante, capaz de transitar entre peso e melodia com naturalidade. A produção de Erik Mårtensson desempenha papel fundamental nesse resultado, garantindo coesão e impacto sonoro. Trata-se de um álbum sólido, com potencial para figurar entre os destaques do ano dentro do hard/heavy contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

Swedish sleaze metal outfit Confess return in 2026 with Metalmorphosis, their fourth studio album and a record that marks a clear step forward in the band’s sonic evolution. Released via Frontiers Music Srl and produced by Erik Mårtensson (Eclipse), the album strikes a careful balance between the raw edge that defined their earlier work and a more refined melodic approach, broadening their appeal without sacrificing identity. 

Opening track “Colorvision” sets the tone immediately with a grandiose introduction built around choral arrangements and an explosive entry point. The blend of weight and melody encapsulates the album’s core aesthetic: strong choruses, polished production, and a more expansive dynamic range.

“The Warriors” follows with a more stripped-down and direct approach, drawing clear influence from acts such as Guns N’ Roses and Skid Row. The unexpected use of harmonica adds texture and leads into an effective melodic bridge, while “Wicked Temptations” leans into accessibility, delivering an immediate, hook-driven chorus designed with live impact in mind.

The title track, “Metalmorphosis”, captures the album’s essence by combining speed, twin-guitar interplay and a strong classic metal sensibility — evoking Judas Priest through a more hard rock-oriented lens. It stands out as one of the record’s defining moments.

A shift in mood arrives with “Beat of My Heart”, a near-acoustic ballad that highlights John Elliot’s vocal performance and showcases the band’s attention to arrangement detail. In contrast, “Pursuit Of The Jenny Haniver” reintroduces momentum with a dynamic structure that evolves into more elaborate and unexpected passages in its second half.

“The Other Side” dives fully into melodic hard rock territory, strongly reflecting the aesthetic of Eclipse, while “Running To My Death” delivers one of the album’s heaviest moments, nodding to the European metal tradition of the ’80s without abandoning melodic hooks.

“Plague Of Steel” blends old-school influences with a more modern structure, alternating between solid riff work and an accessible chorus, complemented by a solo that subtly channels classic hard rock and progressive elements (with a clear homage to Rush. The album closes with “Silvermalen”, an epic and expansive track that builds in intensity and complexity, combining acoustic textures, heavier passages, and one of the most memorable choruses on the record.

Taken as a whole, Metalmorphosis presents a more mature and confident Confess — a band capable of navigating between weight and melody with ease. Erik Mårtensson’s production plays a crucial role in shaping this outcome, ensuring both cohesion and sonic impact. While not necessarily groundbreaking, it is a strong and well-crafted release with clear potential to feature among the standout hard/heavy albums of the year.

Matias Sulander




Michael Sweet: A Essência da Fé Em Forma de Música (Also In English)

Shinigami Records (Nac.) / Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

O vocalista do Stryper, Michael Sweet, apresenta em The Master Plan o trabalho solo mais introspectivo e espiritualmente orientado de sua carreira. Lançado pela Frontiers Music Srl, o álbum representa uma mudança significativa de abordagem, privilegiando arranjos mais orgânicos, atmosferas acústicas e uma condução emocional centrada na fé, na devoção e na reflexão pessoal.

Apesar de ser essencialmente um projeto autoral, o disco não soa isolado. Sweet assume vocais, guitarras e direção criativa, dividindo a produção com Jeff Savage, cujo trabalho nos teclados contribui decisivamente para a construção das ambiências. O resultado é uma obra coesa e cuidadosamente arquitetada, em que cada elemento instrumental está a serviço da mensagem e da emoção.

A faixa-título abre o álbum estabelecendo imediatamente sua identidade sonora: produção limpa, timbres orgânicos e uma fusão equilibrada entre base acústica e intervenções elétricas, complementadas por arranjos vocais de forte influência gospel. Esse direcionamento se estende por “Lord”, que combina texturas clássicas de teclado, passagens acústicas e um refrão sustentado por backing vocals femininos, além de referências setentistas bem delineadas.

“Stronger” evidencia a versatilidade vocal de Sweet, apoiada por uma instrumentação que alterna delicadeza e intensidade, com destaque para o uso de órgão e para os arranjos vocais que remetem ao estilo do Queen. Já “Eternally” flerta com o formato de power ballad ao unir piano, guitarras e um refrão de pegada hard rock, reforçando a capacidade do artista de transitar entre diferentes dinâmicas.

Em “You Lead I’ll Follow”, surgem influências mais clássicas, evocando nomes como Elvis Presley e Roy Orbison, com arranjos que incluem metais e uma base acústica sólida. A faixa contrasta com “Desert Stream”, que retoma a estética predominante do álbum, com camadas de teclado e vocais fortemente influenciados pelo gospel.

“Believer” apresenta uma interessante fusão estilística: enquanto a base remete ao hard rock clássico do Kiss em seus primórdios, o refrão incorpora elementos mais próximos da sonoridade de Nashville, ampliando o espectro musical do disco. Em “Again”, o clima introspectivo atinge seu ápice, com arranjos minimalistas e forte presença coral.

A diversidade sonora se expande em “Faith”, que incorpora elementos pouco usuais ao contexto, como gaita e banjo, sem perder a unidade estética. A faixa ainda estabelece um curioso diálogo com o pop contemporâneo, lembrando em alguns momentos artistas como Pink, antes de retornar às raízes gospel.

Encerrando o álbum, “Worship You” sintetiza suas principais características: início grandioso, condução emocional e uma combinação eficaz de guitarras, teclados e arranjos vocais que reforçam o caráter espiritual da obra.

The Master Plan reafirma Michael Sweet como um artista que vai além de sua identidade no Stryper. Ao apostar em uma abordagem mais intimista e reflexiva, o músico entrega um álbum que, embora profundamente enraizado em sua fé, mantém apelo universal. Trata-se de um trabalho que convida à contemplação, sem abrir mão de qualidade técnica e consistência artística.

***ENGLISH VERSION***

Best known as the voice and driving force behind Stryper, Michael Sweet steps further into introspective territory with The Master Plan, arguably the most personal and spiritually resonant solo effort of his career. Released via Frontiers Music Srl, the album marks a deliberate shift in sonic direction, favoring organic textures, acoustic-driven arrangements and a deeply reflective lyrical core rooted in faith, devotion and personal conviction.

While unmistakably a solo record, The Master Plan is far from a solitary endeavor. Sweet handles vocals, guitars and overall artistic direction, sharing production duties with Jeff Savage, whose tasteful keyboard work plays a pivotal role in shaping the album’s atmospheric depth. The result is a cohesive and carefully crafted body of work, where every musical element serves the emotional and spiritual narrative.

The title track sets the tone with pristine production, blending acoustic foundations with subtle electric embellishments and gospel-tinged vocal arrangements. This approach carries into “Lord”, where classic keyboard textures, acoustic passages and soaring female backing vocals converge, enriched by a distinct ‘70s influence.

“Stronger” highlights Sweet’s vocal versatility, supported by a dynamic arrangement that balances restraint and intensity. Organ textures and layered harmonies evoke shades of Queen, adding a theatrical edge to the composition. Meanwhile, “Eternally” leans into power ballad territory, seamlessly merging piano-led passages with a driving hard rock chorus, showcasing Sweet’s ability to navigate contrasting dynamics with ease.

“You Lead I’ll Follow” introduces a different flavor, drawing from the classic stylings of Elvis Presley and Roy Orbison, complete with brass accents and a warm acoustic backbone. In contrast, “Desert Stream” returns to the album’s core aesthetic, driven by layered keyboards and gospel-influenced vocal arrangements.

One of the album’s more intriguing moments comes with “Believer”, which fuses early Kiss-inspired hard rock with a chorus that leans toward a Nashville-infused sensibility, broadening the record’s stylistic palette. “Again” strips things back to their emotional essence, offering one of the most introspective performances on the album, anchored by minimal instrumentation and rich choral textures.

“Faith” further expands the sonic landscape, incorporating unconventional elements such as harmonica and banjo without disrupting the album’s cohesion. There are even fleeting hints of contemporary pop phrasing, reminiscent of Pink, before the track ultimately circles back to its gospel roots.

Closing track “Worship You” encapsulates the album’s defining traits: an anthemic opening, emotionally driven delivery and a seamless blend of guitars, keyboards and layered vocals that reinforce its spiritual core.

With The Master Plan, Michael Sweet successfully steps beyond the shadow of Stryper, delivering a work that is both deeply personal and broadly accessible. While its themes are firmly grounded in faith, the album transcends boundaries through its sincerity, craftsmanship and emotional resonance. It’s a contemplative, well-executed release that showcases Sweet not just as a frontman, but as a fully realized artist.

Pedro Blanco