domingo, 24 de maio de 2026

Lalu: O Prog Como Experiência Cinematográfica (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Celebrando duas décadas de trajetória, Lalu retorna com A Mythmaker’s Demise, um álbum que reafirma a relevância artística do projeto liderado por Vivien Lalu dentro do progressive rock contemporâneo. Unindo sofisticação técnica, forte carga emocional e uma abordagem de produção orgânica e refinada, o trabalho resgata conexões importantes da história da banda — incluindo os retornos de Martin LeMar (Nachtgeschrei, Mekong Delta), Simon Phillips (Toto, MSG, Asia, The Who, Protocol) e do parceiro de longa data Joop Wolters — além da participação especial de Jens Johansson (Yngwie Malmsteen, Stratovarius, Rainbow). Ao mesmo tempo, o disco propõe uma reflexão sobre o impacto da inteligência artificial na imaginação humana, tema que permeia suas atmosferas densas e cinematográficas. O resultado é uma obra ambiciosa, sofisticada e profundamente enraizada na essência clássica do progressive rock, mas sem soar presa ao passado.

Toda a complexidade esperada de um álbum progressivo já se manifesta logo na abertura com “Tears Of The Muse”. Como toda grande composição do gênero, a faixa vive da imprevisibilidade: mudanças constantes de dinâmica, construções harmônicas elaboradas e texturas de teclado que parecem atravessar décadas da história do prog. A interpretação vocal assume contornos quase teatrais, enquanto cada instrumento encontra espaço para brilhar sem comprometer a fluidez da música. O mais impressionante, porém, é como Lalu evita transformar virtuosismo em exibicionismo vazio. Tudo soa cuidadosamente pensado, equilibrado e musicalmente relevante.

Na sequência, “EKO” adiciona uma camada mais moderna à identidade do álbum, especialmente através dos efeitos vocais que dominam sua introdução. O baixo surge em absoluto destaque, profundamente conectado à bateria em uma cozinha dinâmica e precisa, criando a base perfeita para que a guitarra explore melodias e intervenções técnicas com elegância. Conforme a faixa evolui, os vocais limpos assumem protagonismo em linhas melódicas extremamente bem construídas. O magnífico solo de baixo que antecede a seção mais explosiva da música funciona como uma síntese perfeita da proposta do disco: técnica refinada colocada a serviço da composição.

“I Am The One” amplia ainda mais o espectro sonoro do trabalho. Seu início enigmático conduz o ouvinte por diferentes camadas de texturas e climas, sustentadas por uma interpretação vocal impecável tanto em melodia quanto em timbre. Há um cuidado raro na escolha dos arranjos, fazendo com que mesmo os momentos mais intrincados permaneçam acessíveis e envolventes. A produção merece destaque especial: cada instrumento ocupa exatamente o espaço necessário, permitindo que a riqueza dos detalhes nunca comprometa a clareza sonora. O coral que encerra a faixa é simplesmente monumental.

A primeira instrumental do álbum, “Mayacama”, revela uma das facetas mais sofisticadas da banda. Introduzida por um piano delicado, a composição rapidamente se transforma em um caleidoscópio de sensações. A guitarra alterna entre solos e conduções harmônicas com naturalidade impressionante, enquanto baixo e bateria sustentam uma base precisa, orgânica e pulsante. Os teclados — tanto acústicos quanto eletrônicos — ampliam a dimensão cinematográfica da faixa. O título pode remeter ao conceito de “Maya”, palavra sânscrita associada à ilusão e ao encantamento, ideia perfeitamente traduzida pela atmosfera quase hipnótica da música.

“Prince With The Swift Warning”, primeiro single do álbum, talvez seja a síntese mais clara da proposta artística de A Mythmaker’s Demise. A faixa aborda temas extremamente atuais — migração, exílio e sobrevivência — sem perder o caráter épico e progressivo. Musicalmente, é um exercício de equilíbrio entre sofisticação técnica e impacto emocional. Mais uma vez, todos os músicos encontram seus momentos de destaque sem comprometer a coesão da composição. Os solos são executados com extremo bom gosto, enquanto as linhas vocais reforçam o caráter dramático da narrativa.

Com uma introdução minimalista baseada em piano, baixo e voz, “Learning To Fly” conduz o álbum para um território ainda mais teatral. Há algo de musical da Broadway em sua construção dramática, mas reinterpretado através da linguagem do progressive rock clássico. As mudanças de clima funcionam quase como transições de cena, permitindo que a música evolua de maneira visual e emocional. É uma faixa que estimula a imaginação do ouvinte e demonstra como Lalu compreende o aspecto narrativo do gênero.

“A Drop Of Water” funciona como uma breve pausa contemplativa em meio à grandiosidade do disco. Com menos de dois minutos, a faixa assume caráter quase de vinheta, mas consegue criar uma atmosfera extremamente sensorial. O delicado trabalho de guitarra acústica, acompanhado por teclados e percussões sutis, faz com que o ouvinte praticamente “sinta” o movimento da água sugerido pelo título.

Efeitos eletrônicos difusos introduzem “Fhloston Paradise”, uma das faixas mais atmosféricas e modernas do álbum. Os vocais processados contrastam com passagens limpas, enquanto a instrumentação combina bateria seca, timbres clássicos de Hammond e uma guitarra base marcante. A referência ao resort espacial fictício do filme The Fifth Element, dirigido por Luc Besson, reforça o caráter futurista e cinematográfico da composição. Mais uma vez, o álbum impressiona pela maturidade das escolhas melódicas e pela inteligência dos arranjos.

“Cordal Weaves” representa o momento em que o álbum mergulha mais profundamente no progressive rock clássico. A influência de Genesis é perceptível em diferentes passagens, especialmente nas construções harmônicas e no protagonismo do baixo. A interação entre bateria e baixo é absolutamente brilhante, formando uma base sólida para que guitarras e teclados alternem momentos de protagonismo. As linhas vocais transitam com naturalidade entre momentos mais agressivos e outros contemplativos. O solo de baixo que conduz a reta final da faixa é particularmente memorável.

Encerrando o álbum, “Midnight Ink” oferece um desfecho elegante e emocionalmente carregado. Construída sobre piano, baixo e camadas sutis de teclado, a faixa assume contornos de uma verdadeira balada progressiva. A interpretação vocal é extremamente sensível, enquanto os arranjos sinfônicos ampliam gradualmente sua carga dramática. A combinação entre piano e cello adiciona profundidade emocional ao encerramento, criando uma conclusão melancólica e cinematográfica para o disco.

A Mythmaker’s Demise é, sem dúvida, um álbum profundamente progressivo, mas surpreendentemente acessível. Mesmo em seus momentos mais complexos, o disco jamais se torna excessivamente hermético ou cansativo. O grande mérito de Lalu está justamente em transformar virtuosismo em narrativa, técnica em emoção e sofisticação em experiência sensorial. Com composições meticulosamente elaboradas, interpretações vocais acima da média e uma produção impecável, o grupo entrega não apenas um dos melhores álbuns progressivos do ano, mas uma obra capaz de dialogar com diferentes gerações de ouvintes do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of existence, Lalu return with A Mythmaker’s Demise, an album that once again confirms the artistic relevance of the project led by Vivien Lalu within contemporary progressive rock. Combining technical sophistication, strong emotional depth, and an organic yet refined production approach, the record reconnects with important chapters of the band’s history — including the returns of Martin LeMar (Nachtgeschrei, Mekong Delta), Simon Phillips (Toto, MSG, Asia, The Who, Protocol) — while also featuring a special guest appearance by Jens Johansson (Yngwie Malmsteen, Stratovarius, Rainbow). At the same time, the album reflects on the impact of artificial intelligence on human imagination, a theme that permeates its dense and cinematic atmospheres. The result is an ambitious, sophisticated work deeply rooted in the classic essence of progressive rock without ever sounding trapped in the past.

All the complexity expected from a progressive rock album is immediately evident in the opening track, “Tears Of The Muse”. Like every great composition within the genre, the song thrives on unpredictability: constant shifts in dynamics, elaborate harmonic structures, and keyboard textures that seem to travel through decades of prog history. The vocal performance takes on almost theatrical contours, while every instrument is given room to shine without compromising the flow of the composition. Most impressive, however, is the way Lalu avoids turning virtuosity into empty self-indulgence. Everything feels carefully crafted, balanced, and musically purposeful.

Next comes “EKO”, which adds a more modern layer to the album’s identity, especially through the vocal effects dominating its introduction. The bass takes center stage, deeply intertwined with the drums in a dynamic and precise rhythm section that lays the perfect foundation for the guitar to explore melodies and technical passages with elegance. As the track unfolds, clean vocals emerge with beautifully constructed melodic lines. The magnificent bass solo preceding the song’s most explosive section perfectly encapsulates the album’s artistic vision: refined technique placed entirely at the service of the composition.

“I Am The One” expands the album’s sonic palette even further. Its enigmatic opening guides the listener through multiple layers of textures and moods, all sustained by an impeccable vocal performance both melodically and tonally. There is a rare level of care in the arrangements, ensuring that even the most intricate moments remain engaging and accessible. The production deserves special praise as well: every instrument occupies precisely the right space, allowing the richness of the details to flourish without sacrificing sonic clarity. The choir-driven finale is simply monumental.

The album’s first instrumental piece, “Mayacama”, reveals one of the band’s most sophisticated facets. Introduced by delicate piano lines, the composition quickly evolves into a kaleidoscope of sensations. The guitar effortlessly alternates between solos and harmonic support, while bass and drums sustain a precise, organic, and pulsating foundation. Both acoustic and electronic keyboards further expand the track’s cinematic dimension. The title may allude to the concept of “Maya”, the Sanskrit word associated with illusion and enchantment — an idea perfectly embodied by the song’s almost hypnotic atmosphere.

“Prince With The Swift Warning”, the album’s first single, is perhaps the clearest representation of A Mythmaker’s Demise’s artistic vision. The track addresses highly contemporary themes — migration, exile, and survival — without sacrificing its epic and progressive character. Musically, it is an exercise in balancing technical sophistication with emotional impact. Once again, every musician finds their moment to shine without compromising the cohesion of the composition. The solos are executed with remarkable taste, while the vocal lines reinforce the dramatic nature of the narrative.

Built around a minimalist introduction featuring piano, bass, and voice, “Learning To Fly” takes the album into even more theatrical territory. There is something distinctly Broadway-like in its dramatic construction, though filtered through the language of classic progressive rock. The shifting moods function almost like scene transitions, allowing the song to evolve in both visual and emotional terms. It is a track that stimulates the listener’s imagination while demonstrating Lalu’s deep understanding of the narrative dimension of the genre.

“A Drop Of Water” serves as a brief contemplative pause amidst the album’s grandeur. At less than two minutes long, the piece functions almost like an interlude, yet still manages to create an intensely sensory atmosphere. The delicate acoustic guitar work, accompanied by subtle keyboards and percussion, makes the listener practically “feel” the movement of the water suggested by the title.

Diffuse electronic effects introduce “Fhloston Paradise”, one of the album’s most atmospheric and modern tracks. Processed vocals contrast with cleaner passages, while the instrumentation combines dry-sounding drums, classic Hammond textures, and a striking rhythm guitar. The reference to the fictional space resort from the film The Fifth Element, directed by Luc Besson, reinforces the futuristic and cinematic character of the composition. Once again, the album impresses through the maturity of its melodic choices and the intelligence of its arrangements.

“Cordal Weaves” marks the moment when the album dives deepest into classic progressive rock territory. The influence of Genesis is noticeable throughout several passages, particularly in the harmonic structures and the prominence of the bass. The interaction between bass and drums is absolutely brilliant, forming a solid foundation upon which guitars and keyboards alternate moments of prominence. The vocal lines transition naturally between more aggressive passages and contemplative moments. The bass solo leading into the track’s final section is especially memorable.

Closing the album, “Midnight Ink” delivers an elegant and emotionally charged conclusion. Built around piano, bass, and subtle keyboard layers, the track takes the form of a genuine progressive ballad. The vocal performance is deeply sensitive, while the symphonic arrangements gradually intensify its dramatic weight. The interplay between piano and cello adds emotional depth to the finale, creating a melancholic and cinematic ending for the album.

A Mythmaker’s Demise is undoubtedly a deeply progressive album, yet surprisingly accessible. Even at its most complex moments, the record never becomes overly hermetic or exhausting. Lalu’s greatest achievement lies precisely in transforming virtuosity into narrative, technique into emotion, and sophistication into a sensory experience. With meticulously crafted compositions, outstanding vocal performances, and flawless production, the band delivers not only one of the finest progressive rock albums of the year, but also a work capable of resonating with different generations of listeners within the genre.


Jayler: Reflorestando o Espírito do Rock Clássico (Also In English)

Silver Lining Music (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Jayler dá nova vida ao som dos anos 70 em Voices Unheard

Jayler chega com o debut Voices Unheard mostrando que o rock clássico ainda consegue soar vivo e verdadeiro nas mãos de uma banda nova. O álbum é praticamente uma viagem pelo hard rock e blues setentista, mas sem parecer uma cópia vazia do passado. Pelo contrário: tudo soa muito natural, como se o Jayler realmente tivesse crescido ouvindo esse tipo de som e simplesmente quisesse continuar carregando essa energia adiante.

As comparações com Led Zeppelin são inevitáveis, principalmente por causa da voz de James Bartholomew, que lembra bastante Robert Plant em alguns momentos. Mas a própria banda parece lidar muito bem com isso. James comentou que eles pegam aquilo que bandas como Led Zeppelin representavam e ‘replantam’ de uma maneira própria — e honestamente, faz bastante sentido. Afinal, apesar da influência do Zeppelin ser muito clara, o Jayler não vive só disso. Dá para perceber referências de Aerosmith, AC/DC e The Beatles, além de muito blues e rock psicodélico espalhados pelo álbum em vários momentos.

Edu Lawless - @edulawless

A "Intro" já mostra exatamente essa proposta. A intro começa com uma gaita carregada de blues, um canto despretensioso, trazendo uma vibe muito setentista e até lembrando algumas coisas mais clássicas do Aerosmith. O jeito que a faixa soa quase parece uma gravação antiga em fita, com aquele clima vintage extremamente aconchegante e nostálgico. É aquele tipo de introdução que já te joga direto para a estética dos anos 70, 80 e até 90, criando uma sensação muito familiar logo de cara.

Depois disso vem “Down Below”, uma música energética, divertida e muito gostosa de ouvir. A gaita continua presente, o ritmo é dançante e a música passa uma mensagem de superação e volta por cima. Aqui, James já mostra sua técnica vocal impecável, alternando momentos mais agressivos com linhas melódicas muito naturais.

Edu Lawless - @edulawless

“Riverboat Queen” mergulha ainda mais fundo na identidade setentista da banda. É intensa, energética e cheia daquela 'sujeira' boa do hard rock clássico. Os riffs têm bastante personalidade e a música inteira parece feita para tocar alto.

A faixa “Bittersweet” vem como um momento de calma no meio de toda a energia do álbum. A faixa tem uma pegada mais acústica e folk, mostrando um lado mais sensível da banda. Aqui, a voz de James fica angelical e doce, e justamente pela simplicidade, a faixa acaba se tornando uma das músicas mais bonitas do disco.

Edu Lawless - @edulawless

“Lovemaker” traz aquele hard rock clássico, pesado e cheio de atitude. As guitarras distorcidas, os riffs marcantes e os vocais rasgados remetem muito à escola de Jimmy Page e ao rock setentista mais explosivo. É uma faixa intensa e extremamente divertida.

O álbum fecha com “The Rinsk”, talvez uma das músicas mais interessantes do disco. Ela vai crescendo aos poucos, ficando cada vez mais intensa conforme avança. O solo mais longo no final traz um lado mais experimental que combina muito bem com a proposta da banda, mostrando que Jayler consegue ir além da simples nostalgia.

Edu Lawless - @edulawless

Voices Unheard convence justamente porque soa verdadeiro. E é verdadeiro porque cumpre bem sua missão, eles não apenas "replantam", mas reflorestam o rock clássico. O Jayler claramente ama o rock clássico e coloca paixão em cada faixa, conseguindo transformar todas essas influências em algo que ainda tem uma  personalidade própria. A banda entende algo fundamental: algumas linguagens musicais se tornam atemporais justamente porque continuam encontrando novas vozes dispostas a mantê-las vivas. É um álbum energético, nostálgico, divertido e muito bem feito, daqueles que nos fazem lembrar por que o rock dos anos 70 continua influenciando tanta gente até hoje.

Edu Lawless - @edulawless

***ENGLISH VERSION***

Jayler arrives with their debut album Voices Unheard, proving that classic rock can still sound alive and genuine in the hands of a new band. The record feels like a journey through ’70s hard rock and blues, yet it never comes across as an empty imitation of the past. On the contrary, everything feels incredibly natural, as if Jayler genuinely grew up immersed in this kind of music and simply wanted to carry that energy forward.

Comparisons to Led Zeppelin are inevitable, mainly because of James Bartholomew’s voice, which strongly recalls Robert Plant at certain moments. But the band itself seems completely comfortable with that. James once mentioned that they take what bands like Led Zeppelin represented and “replant” it in their own way — and honestly, that description makes perfect sense. Even though Zeppelin’s influence is very clear, Jayler is far from being limited to it. You can also hear traces of Aerosmith, AC/DC, and The Beatles, alongside plenty of blues and psychedelic rock scattered throughout the album.

The “Intro” immediately establishes this concept. It opens with a blues-driven harmonica and an unpretentious vocal delivery, creating a deeply ’70s atmosphere that even recalls some of Aerosmith’s more classic moments. The way the track sounds almost resembles an old tape recording, carrying that warm, vintage, nostalgic feeling. It’s the kind of introduction that instantly throws you into the aesthetics of the ’70s, ’80s, and even ’90s, creating a strong sense of familiarity right from the start.

Then comes “Down Below,” an energetic, fun, and incredibly enjoyable track. The harmonica remains present, the rhythm is danceable, and the song carries a message of resilience and overcoming adversity. Here, James already showcases his impeccable vocal technique, alternating between more aggressive moments and naturally melodic lines.

“Riverboat Queen” dives even deeper into the band’s ’70s identity. It’s intense, energetic, and full of that gritty, dirty charm that defines classic hard rock. The riffs have a lot of personality, and the entire song feels designed to be played at maximum volume.

“Bittersweet” arrives as a calm moment amidst the album’s explosive energy. With a more acoustic and folk-inspired approach, the track reveals a more sensitive side of the band. James’ voice sounds angelic and delicate here, and precisely because of its simplicity, the song becomes one of the album’s most beautiful moments.

“Lovemaker” delivers classic hard rock in its purest form — heavy, loud, and packed with attitude. The distorted guitars, memorable riffs, and raw vocals strongly evoke Jimmy Page’s school of hard rock and the explosive spirit of the ’70s. It’s an intense and extremely entertaining track.

The album closes with “The Rinsk,” perhaps one of the record’s most interesting songs. It builds gradually, becoming more intense as it progresses. The longer solo near the end introduces a more experimental side that fits the band’s proposal perfectly, proving that Jayler is capable of going beyond simple nostalgia.

Voices Unheard succeeds precisely because it feels authentic. And it feels authentic because it fully accomplishes its mission: they don’t merely “replant” classic rock — they reforest it. Jayler clearly loves classic rock and pours genuine passion into every track, transforming all these influences into something that still carries its own identity. The band understands something fundamental: some musical languages become timeless precisely because new voices continue to emerge, willing to keep them alive. It’s an energetic, nostalgic, fun, and extremely well-crafted album — the kind that reminds us why ’70s rock still influences so many people today.

Divulgação


sábado, 23 de maio de 2026

Cobertura de Show: Nevermore – 28/04/2026 – Carioca Club/SP

Nevermore retorna em grande forma no Carioca Club em side show do Bangers Open Air

Após a aguardada apresentação no Bangers Open Air, o Nevermore realizou em São Paulo um side show especial no Carioca Club, na noite de 28 de abril de 2026. Mesmo sendo uma terça-feira, a casa estava completamente lotada e o público respondeu com intensidade do início ao fim, em uma apresentação que mostrou uma banda extremamente entrosada e tecnicamente irrepreensível.

Se no Bangers Open Air o retorno do Nevermore já havia sido um dos momentos mais comentados do festival, no Carioca Club a banda encontrou o ambiente perfeito para uma apresentação ainda mais intensa e próxima do público.

A atual formação conta com os membros fundadores Jeff Loomis e Van Williams, acompanhados por Jack Cattoi na guitarra, Semir Özerkan no baixo e pelo novo vocalista Berzan Önen, que acabou sendo um dos grandes destaques da noite. Esta turnê marca uma nova fase da banda após anos de hiato e incertezas sobre seu futuro. 

Pontualmente às 20h30, a intro “Ophidian” abriu caminho para “Beyond Within”, dando início a uma apresentação intensa e carregada de energia. Logo nas primeiras músicas já era possível perceber que o público estava disposto a transformar o show em algo especial. Os coros surgiam espontaneamente e o vocalista rapidamente demonstrou sintonia total com a plateia, chegando a pegar a câmera de um fotógrafo para filmar o público.

Musicalmente, a banda soou impecável. O som da bateria de Van Williams mereceu destaque especial durante toda a apresentação, com timbres extremamente definidos e execução precisa, especialmente nas passagens progressivas mais complexas. Jeff Loomis, por sua vez, entregou exatamente o que se espera de um dos guitarristas mais respeitados do Metal na atualidade: solos executados com naturalidade absurda, técnica refinada e presença constante durante toda a noite.

Mas a grande curiosidade naturalmente girava em torno de Berzan Önen. E qualquer dúvida parece ter desaparecido rapidamente. O vocalista não apenas alcançou linhas extremamente difíceis do repertório clássico da banda, como também trouxe personalidade própria às interpretações. Em um set recheado de clássicos, músicas como “Enemies of Reality”, “Sentient 6”, “Born” e “Next In Line” chamaram atenção tanto pela agressividade quanto pelos agudos muito bem executados, além da forte interação com o público. Em determinado momento, após conduzir um “aquecimento vocal” divertido com a plateia, resumiu o sentimento da noite: “You’re insane, I love you”.

“Sentient 6”, apresentada por Berzan como a melhor balada de todos os tempos, acabou se tornando um dos pontos altos do show, especialmente pela interpretação emocional e pela resposta do público, que acompanhou a música com mãos erguidas e forte participação nos refrões. Já “Born” elevou ainda mais o nível de intensidade da casa, com direito a stage diving, roda e um público completamente entregue à apresentação. “Next In Line” foi outra pra incendiar de vez o público do Carioca Club.

A interação da banda no palco também chamou atenção durante toda a noite. Berzan demonstrava constante proximidade tanto com Jeff Loomis quanto com os demais integrantes, enquanto Loomis frequentemente observava a reação da plateia sorrindo, claramente satisfeito com a recepção brasileira.

Outro momento marcante veio com “The Heart Collector”, em que Berzan dedicou ao poderoso vocalista original Warrel Dane, eternamente querido por todos nós. O Carioca Club inteiro acompanhou o refrão em coro, criando um dos momentos mais emocionantes do show.

Já “This Godless Endeavour”, que encerrou o set principal, teve uma recepção um pouco diferente: parte do público aparentava guardar energia para o encore, observando atentamente os detalhes técnicos da música — especialmente a impressionante performance de Van Williams e os solos de Loomis — antes da explosão definitiva durante o bis.

O retorno ao palco aconteceu sob fortes gritos de “Nevermore”- o que foi uma constante em toda a apresentação. Jeff Loomis agradeceu visivelmente satisfeito pela recepção, e afirmando como era bom estar de volta. O bis trouxe “Narcosynthesis”, que reacendeu imediatamente a energia da casa, seguida por “The River Dragon Has Come”, encerrando a noite em altíssimo nível.

Ao final da apresentação, ficou evidente que esta nova fase do Nevermore encontrou um caminho bastante promissor. Mais do que simplesmente reproduzir clássicos, a banda demonstrou estar viva, motivada e conectada com o público. E Berzan Önen, principalmente, saiu de São Paulo mais do que aprovado pelos fãs presentes.

Resta aguardar pelos próximos passos – o lançamento do sucessor de “The Obsidian Conspiracy”, acompanhado de outra passagem memorável pelo Brasil em breve.

Texto: Juliana Novo

Fotos: Pri Secco

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Bangers Open Air  / Honorsounds

Press: Agência Taga


Nevermore – setlist:

Ophidian

Beyond Within

My Acid Words

Enemies Of Reality

Engines Of Hate

Sentient 6

Next In Line

Moonrise (Through Mirrors Of Death)

Inside Four Walls

The Heart Collector

Born

Final Product

Believe In Nothing

This Godless Endeavour

Bis

Narcosynthesis

The River Dragon Has Come

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Cobertura de Show - Lançamento Vídeo da Epitaph + Fire Machine - Estúdio Legato - 08/05 - POA RS


No dia 09 de maio de 2026 a banda brasileira de Heavy Metal, Epitaph (não confundir com a clássica banda alemã de rock progressivo e hard rock dos anos 70), lançou seu novo vídeo clipe, The Girl Who Loved the Dead, no Estúdio Legato em Porto Alegre, local onde também foi realizada a sua gravação sob produção da Chama Vídeo Independente.

Com abertura da banda Fire Machine, que também está retornando aos palcos depois de longo hiato com energia redobrada e músicas novas, o evento entregou ótimas performance e um clima leve e divertido.

Com seu Hard com inspiração 70's e 80's, com muita pegada e groove, essa nova formação da Fire Machine se mostra cada vez mais coesa. Destaque para "She's a Good Lover", que mostra essa alma 70's bem evidente.







Era hora dos donos da festa. Formada em 2000 e lançando seu primeiro álbum em 2009, intitulado "Getting Down to Business", e com.o novo trabalho já a caminho, a Epitaph reúne em seu line-up músicos altamente qualificados. 

Com Joe F. Louder nos vocais, Marlon Steindorff e André Carvalho nas guitarras, Fábio Figueredo no baixo e César "Five" Louis na bateria, a banda que por muitos anos eu conhecia de nome, porém nunca parei para escutar por pensar que fossem de um estilo próximo da Obituary (se parar para pensar, as duas são parte de funerais, e planejo deixar o meu para muito mais adiante...), a Epitaph realmente me surpreendeu, tanto tecnicamente em relação aos instrumentistas quanto ao vocalista. 

É Heavy Metal Clássico, com inspiração em Judas, Accept, Saxon, resumindo, ícones que ajudaram a  forjar e lapidaram o estilo.

Gurizada! Além das músicas serem boas pra caramba e quase todas "falarem de amor", segundo Joe durante os intervalos entre cada música, o carisma, humildade e carinho que Louder tem com seus parceiros e amigos de banda e com o público me cativaram de uma forma enorme. 

Foi a hora em que todos os presentes na festa começaram a perceber que a Epitaph estava fazendo um "PQP! QUE P*** SHOW!"

E de quebra ainda vivi algo que nunca imaginei presenciar em um show de rock e metal, onde sempre imaginamos pessoas com caras de poucos amigos e balançando suas cabeleiras tirando o pó dos locais (o que é muito longe da realidade, porém imaginário popular é complicado, com exceção de tirar o pó com as cabeleiras, essa parte é real), simplesmente ocorreu um quase show de comédia stand up por parte de Joe a cada pausa. 

Sério, quem não conseguiu ir não tem ideia do que foi. Era uma música, um comentário e risadas começavam a ecoar no Legato. Eu sempre me considerei muito profissional no que faço, seja fotografia seja texto e mesmo assim teve horas que eu precisava largar a câmera, parar de rir, secar os olhos (sim, foi esse o naipe do negócio!) e voltar a fotografar e ou escrever anotações para esta resenha!

E devo admitir, Joe F. Louder aos meus olhos é muito parecido com um artista brasileiro que eu pessoalmente gosto, Sidnei Magal (sim, me julguem), as feições, a fala, alguns trejeitos em cima do palco, gurizada, sério, é o Magal do Metal em pessoa, mas com um estilo não tão "brega" (mesmo que fosse uma alcunha usada pelo próprio Magal para brincar com seu próprio estilo) quanto o original.

"Ah mas e o clipe, não vai falar nada"? Calma jovens gafanhotos, irei! 

A produção foi ótima, o visual com uma temática mais gótica e sombria que usaram para a produção e proposta do videoclipe também encaixou muito bem com a música, uma ruivaça vestida de preto carregando taças de vinho (ou sangue... deixarei para a imaginação de vocês) a qual ajeitava caveiras, fazia rituais para conversar com seus "beloveds" e surgia a banda (genial), e ainda por cima, com toda esta temática geralmente utilizada por bandas de um estilo levemente diferente? Sensacional!


Que venham muitos mais shows, muitas músicas, clipes e álbuns, além de reconhecimento à esta banda que num piscar de olhos, chegará à marca dos trinta anos de existência!



Texto e fotos: Vinny Vanoni 
Edição/revisão: Caco Garcia 




Clipe da música "The Girl Who Loved the Dead"

Álbum: Digital Screams (2026)  - data lançamento a confirmar 

Letra: Dênis Winston
Filmagem: por Renato Chama
Chama Vídeo Independente 
Stela Menezes "The Girl"
Cátia Rocho - Assistente de produção 
Katrina Addams - Maquiagem 
Filmado no Legato Estúdio Porto Alegre/Brasil
Música gravada e mixada por
Lucas Santorum LST Records
Música: André Soares, César Louis, 
Marcelo Fernandez e Marlon Steindorff 



Erik Grönwall: Reconstrução Artística e Emocional (Also In English)

Por Flavio Borges 

Após consolidar seu nome como uma das vozes mais expressivas do hard rock contemporâneo à frente do H.E.A.T. e, posteriormente, assumir os vocais do Skid Row, e de Micahel Schenker, Erik Grönwall chega a Bad Bones com o trabalho mais pessoal, maduro e artisticamente relevante de sua trajetória.

Longe de soar como apenas mais um álbum solo, o disco transforma experiências recentes de superação, reconstrução e amadurecimento em composições carregadas de intensidade emocional, sem abrir mão dos grandes refrões, da energia explosiva e da abordagem moderna que sempre marcaram sua carreira. Produzido por Fredrik Thomander e coproduzido por Jona Tee, Bad Bones encontra um equilíbrio extremamente eficiente entre hard rock contemporâneo, melodias acessíveis e momentos introspectivos, revelando um Erik mais confiante, vulnerável e artisticamente consciente de sua identidade.

A abertura já estabelece com clareza o direcionamento do álbum: riffs modernos, produção encorpada, refrão explosivo e uma interpretação vocal intensa e carregada de personalidade. “Born To Break” combina a energia do hard rock atual com melodias típicas do AOR escandinavo, funcionando quase como uma declaração estética e emocional do disco.

A faixa-título aposta em uma abordagem mais pesada e agressiva, sustentada por guitarras densas e um refrão de forte impacto. Em alguns momentos, a sonoridade remete à fase mais moderna do Skid Row, embora Erik preserve intacto o forte senso melódico que diferencia sua assinatura vocal de boa parte dos vocalistas contemporâneos do gênero.

“Praying For A Miracle” surge como um dos grandes momentos do álbum. A faixa mistura dramaticidade, vulnerabilidade e uma construção quase cinematográfica, refletindo diretamente os temas de resistência emocional e sobrevivência que permeiam o disco. Os arranjos orquestrais ampliam ainda mais o peso emocional da composição sem cair em excessos artificiais.

Grandiosa e extremamente acessível, “Who’s The Winner” apresenta claras influências de Queen, especialmente na construção coral do refrão e na atmosfera de arena rock. É uma música feita para grandes públicos, mas que evita soar formulaica graças ao carisma natural de Erik e à dinâmica eficiente dos arranjos.

O álbum desacelera parcialmente em “Lost For Life”, investindo em atmosferas mais melancólicas e introspectivas. Aqui, o destaque fica para a interpretação emocional dos vocais e para os detalhes melódicos espalhados entre guitarras e teclados, criando uma das faixas mais sensíveis e emocionalmente honestas do trabalho.

“Twisted Lullaby” apresenta uma das atmosferas mais sombrias do disco, remetendo em alguns momentos à fase Into The Great Unknown do H.E.A.T.. A combinação entre tensão, melodia e produção moderna cria um contraste importante dentro da tracklist, mostrando um lado mais experimental e introspectivo da sonoridade de Erik.

“Save Me” aposta em uma estrutura mais tradicional, sustentada por refrões melódicos e linhas vocais emotivas. Ainda que menos ousada em termos de composição, funciona muito bem graças ao equilíbrio entre peso, melodia e intensidade interpretativa — um dos pontos mais consistentes de todo o álbum.

“Hell & Back” provavelmente representa o momento mais enérgico do disco. Direta, rápida e carregada de atitude, a faixa mistura influências clássicas do hard rock com uma produção moderna e extremamente impactante, entregando uma das músicas mais imediatas e explosivas da tracklist.

Mais acessível e radiofônica, “How High” se apoia em grooves marcantes e um refrão fácil de memorizar. O instrumental funciona com eficiência, especialmente no trabalho de guitarras, embora a composição siga uma fórmula relativamente segura dentro do contexto do álbum.

Encerrando o disco, “Written In The Scars” funciona quase como uma síntese temática de Bad Bones. Emotiva e introspectiva, a faixa destaca a interpretação vocal impressionante de Erik, que transmite vulnerabilidade, força e humanidade com rara autenticidade. É um encerramento forte para um álbum profundamente pessoal.

Entre riffs pesados, refrãos grandiosos e performances vocais impressionantes, Bad Bones reafirma não apenas o talento técnico de Erik Grönwall, mas também sua capacidade de transformar experiências pessoais em canções de forte impacto emocional. Mais do que um simples disco de hard rock, o álbum representa um trabalho de reconstrução artística e humana — consolidando-se facilmente como um dos lançamentos mais relevantes do gênero em 2026. Feito com o coração!

***ENGLISH VERSION***

After establishing himself as one of the most expressive voices in contemporary hard rock through his work with H.E.A.T. and later taking over vocal duties for Skid Row and Michael Schenker Group, Erik Grönwall arrives with Bad Bones, the most personal, mature, and artistically significant work of his career.

Far from sounding like just another solo album, the record transforms recent experiences of struggle, recovery, and personal growth into compositions filled with emotional intensity, while never abandoning the massive hooks, explosive energy, and modern approach that have always defined Erik’s career. Produced by Fredrik Thomander and co-produced by Jona Tee, Bad Bones strikes an extremely effective balance between contemporary hard rock, accessible melodies, and introspective moments, revealing an Erik who feels more confident, vulnerable, and artistically aware of his own identity.

The opening track immediately establishes the album’s direction: modern riffs, a powerful production, explosive choruses, and an intense vocal performance overflowing with personality. “Born To Break” combines the energy of modern hard rock with the melodic sensibilities of Scandinavian AOR, functioning almost as an emotional and aesthetic statement for the album.

The title track embraces a heavier and more aggressive approach, driven by dense guitar work and a hard-hitting chorus. At times, the song recalls the more modern era of Skid Row, although Erik fully preserves the melodic instinct that sets his vocal signature apart from many contemporary singers within the genre.

“Praying For A Miracle” emerges as one of the album’s defining moments. The track blends drama, vulnerability, and an almost cinematic structure, directly reflecting the themes of emotional resilience and survival that run throughout the record. The orchestral arrangements further amplify the emotional weight of the composition without ever feeling excessive or artificial.

Grandiose and instantly accessible, “Who’s The Winner” showcases clear influences from Queen, particularly in its layered chorus arrangements and arena rock atmosphere. It is a song built for large audiences, yet it avoids sounding formulaic thanks to Erik’s natural charisma and the highly effective dynamics of the arrangements.

The album partially slows down with “Lost For Life”, leaning into more melancholic and introspective atmospheres. Here, the emotional vocal delivery and the melodic details spread between guitars and keyboards create one of the album’s most sensitive and emotionally honest moments.

“Twisted Lullaby” presents one of the darkest atmospheres on the record, occasionally recalling the Into The Great Unknown era of H.E.A.T.. The combination of tension, melody, and modern production creates an important contrast within the tracklist, revealing a more experimental and introspective side of Erik’s sound.

“Save Me” relies on a more traditional structure, supported by melodic choruses and emotional vocal lines. Although less adventurous from a compositional standpoint, the song works remarkably well thanks to its balance between heaviness, melody, and interpretative intensity — one of the album’s most consistent strengths overall.

“Hell & Back” is arguably the album’s most energetic moment. Direct, fast, and packed with attitude, the track merges classic hard rock influences with a modern and highly impactful production, delivering one of the most immediate and explosive songs on the record.

More accessible and radio-friendly, “How High” is built around strong grooves and an instantly memorable chorus. The instrumental work is highly effective, particularly the guitars, even if the songwriting follows a relatively safe formula within the broader context of the album.

Closing the record, “Written In The Scars” works almost as a thematic summary of Bad Bones. Emotional and introspective, the song highlights Erik’s outstanding vocal performance, conveying vulnerability, strength, and humanity with rare authenticity. It serves as a powerful conclusion to such a deeply personal album.

Between heavy riffs, massive choruses, and outstanding vocal performances, Bad Bones reaffirms not only Erik Grönwall’s technical talent, but also his ability to transform personal experiences into songs with genuine emotional impact. More than simply another hard rock record, the album stands as a work of artistic and personal reconstruction — easily establishing itself as one of the genre’s most relevant releases of 2026. Made from the heart!

Divulgação



quinta-feira, 21 de maio de 2026

John Diva & The Rockets Of Love: Your Favorite Drug e a Arte do Exagero (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

A cena hard rock europeia sempre viveu do delicado equilíbrio entre reverência e exagero. Poucas bandas contemporâneas conseguem compreender tão bem essa dinâmica quanto John Diva & The Rockets Of Love. Em Your Favorite Drug, previsto para outubro de 2026 via Frontiers Music Srl, o grupo alemão abandona parte da abordagem caricatural que marcou seus trabalhos anteriores para entregar um álbum mais sólido, coeso e musicalmente convincente. Sem abrir mão da estética glam, dos refrões gigantescos e do espírito hedonista do hard rock oitentista, a banda soa mais consciente de sua identidade artística — e, principalmente, mais eficiente na construção das músicas.

Produzido por Hannes Braun, o disco aposta em guitarras encorpadas, refrões cuidadosamente arquitetados e uma produção que privilegia impacto sem sacrificar dinâmica. O primeiro single, “Bigger Than America”, já indicava essa direção: uma celebração escancarada do hard rock melódico, construída para arenas imaginárias e refrões feitos sob medida para permanecer na memória após poucos minutos.

“The Devil’s Got My Back” abre o álbum com todos os elementos clássicos do hard rock californiano: riffs diretos, bateria pulsante e guitarras ocupando o centro da mixagem enquanto baixo, teclados e bateria sustentam a base com eficiência. O refrão é imediatamente contagiante, impulsionado por excelentes backing vocals e harmonias vocais bem distribuídas. O solo, técnico sem soar excessivo, reforça a proposta da faixa e encerra uma abertura extremamente eficiente.

Mantendo a energia da abertura, “Bigger Than America” surge embalada por palmas e levadas típicas do hard rock de arena dos anos 80. Mais cadenciada, a música investe fortemente em camadas vocais e coros que ampliam seu caráter hímnico. O trabalho de guitarras é particularmente inspirado, especialmente na transição para o solo, onde a banda desacelera momentaneamente para inserir um belo trecho acústico antes da retomada explosiva do refrão final. É uma composição que entende perfeitamente a estética que deseja homenagear sem parecer mera cópia.

“No Mercy For The Teenage Heart” aposta em uma fórmula bastante tradicional: bumbo marcado, riffs diretos e linhas vocais conduzindo a melodia até um refrão melódico e imediato. Ainda assim, a execução segura impede que a faixa soe genérica. O solo é veloz, agressivo e extremamente bem encaixado, enquanto as harmonias vocais ampliam a sensação de grandiosidade. A banda demonstra aqui um domínio muito maior da dinâmica entre peso e melodia.

“Lamborghina” inicia de maneira atmosférica antes de mergulhar em outra típica composição do grupo. O destaque está na cozinha: baixo e bateria criam uma base sólida e dinâmica, permitindo que as guitarras apareçam apenas nos momentos certos, sem excessos. Os vocais também merecem atenção, especialmente pelas notas mais altas e pelos backing vocals cuidadosamente distribuídos. A sonoridade das guitarras remete diretamente ao hard rock clássico, sobretudo na ponte que antecede o solo. Já as harmonias finais acrescentam uma camada melódica extremamente eficiente.

A faixa-título é provavelmente o momento em que as influências de Mötley Crüe se tornam mais evidentes. Repleta de groove, riffs simples e refrões massivos, “Favorite Drug” funciona quase como uma síntese da proposta do álbum. O refrão, carregado de coros e backing vocals, é daqueles feitos para multidões. Nos versos, baixo e bateria trabalham de maneira mais contida, abrindo espaço para a condução vocal e para um solo melódico extremamente bem construído. A pausa antes do refrão final, praticamente sustentada apenas por voz e bateria, cria um excelente senso de tensão e catarse.

“S.M.I.L.E.” abre com um solo imediatamente marcante e se diferencia pelo uso constante de coros já durante os versos, algo menos comum no restante do álbum. O refrão, curiosamente mais econômico em backing vocals, cria um contraste interessante com a condução da música. Mais uma vez, baixo e bateria trabalham em perfeita sintonia, permitindo que as guitarras circulem livremente pela composição. O solo segue uma linha extremamente clássica, melódica e agradável, reforçando o caráter nostálgico da faixa sem soar datado.

“Love Is Cold” chega impulsionada por guitarras rápidas antes de desacelerar para um andamento mais cadenciado e melódico. A construção da música é inteligente: enquanto baixo e bateria sustentam a dinâmica principal, as guitarras evitam exageros e priorizam a melodia. Os teclados adicionam uma atmosfera épica ao refrão e ajudam a preparar o terreno para um excelente solo, que desemboca em uma ponte minimalista baseada apenas em voz e teclados. É um dos momentos mais melodicamente sofisticados do disco.

Uma guitarra seca e pesada introduz “Girls In Overdrive”, provavelmente a faixa mais explicitamente hard rock do álbum. Tudo aqui parece calculado para agradar fãs do gênero: refrão explosivo, coros massivos, riffs diretos, solo virtuoso e uma cozinha extremamente inspirada. Até mesmo o coral adolescente utilizado em determinados momentos funciona dentro da proposta exagerada da música. É o tipo de composição que abraça completamente os clichês do gênero — e justamente por isso funciona tão bem. Facilmente uma das músicas mais fortes do álbum.

“Spectacular” mantém o alto nível do disco e reforça sua unidade sonora. A faixa investe em guitarras constantes, vocais dobrados e jogos de resposta entre diferentes linhas vocais, criando uma dinâmica bastante rica. O refrão em uníssono é puro hard rock de arena. Musicalmente, há referências claras ao hard rock setentista, perceptíveis tanto na abordagem rítmica quanto na construção melódica. O solo surge de forma natural, sem quebrar o fluxo da composição, algo que demonstra maturidade na estruturação das músicas.

Encerrando o álbum, “Soundtrack Of My Life” traz fortes ecos de Bon Jovi, especialmente pelo uso destacado dos teclados que remetem imediatamente a “Runaway”. O refrão funciona como uma verdadeira declaração de amor aos anos 80, enquanto a letra e os arranjos acumulam referências ao auge do hair metal. Ainda que bastante nostálgica, a faixa evita soar puramente derivativa graças à sinceridade com que a banda abraça suas influências.

Your Favorite Drug talvez não reinvente o hard rock melódico, mas definitivamente compreende sua essência melhor do que grande parte das bandas atuais do gênero. Em vez de apostar apenas na nostalgia vazia, John Diva & The Rockets Of Love entrega um álbum extremamente coeso, bem produzido e musicalmente consistente. Há exagero, refrões gigantescos, solos melodiosos e todos os clichês esperados — mas executados com convicção, competência e senso de identidade.

Para fãs de hard rock oitentista, trata-se facilmente de um dos lançamentos mais sólidos e divertidos de 2026.

***ENGLISH VERSION***

The European hard rock scene has always thrived on a delicate balance between reverence and excess. Few contemporary bands understand that dynamic as well as John Diva & The Rockets Of Love. On Your Favorite Drug, scheduled for release in October 2026 via Frontiers Music Srl, the German outfit steps away from part of the caricatural approach that defined some of its earlier work in favor of a record that feels tighter, more cohesive, and far more musically convincing. Without abandoning the glam aesthetics, gigantic choruses, and hedonistic spirit of ’80s hard rock, the band sounds far more aware of its artistic identity — and, above all, far more effective in its songwriting.

Produced by Hannes Braun, the album leans heavily on thick guitar tones, meticulously crafted hooks, and a production style that prioritizes impact without sacrificing dynamics. Lead single “Bigger Than America” already pointed toward this direction: an unapologetic celebration of melodic hard rock built for imaginary arenas and choruses designed to stay lodged in your memory after a single listen.

“The Devil’s Got My Back” opens the album with every classic ingredient of Californian hard rock: straightforward riffs, pounding drums, and guitars dominating the mix while bass, keyboards, and rhythm section efficiently hold the foundation together. The chorus is instantly infectious, driven by excellent backing vocals and well-layered harmonies. The solo, technical without becoming indulgent, reinforces the track’s purpose and closes the opener on a high note.

Maintaining the momentum established by the opener, “Bigger Than America” arrives wrapped in handclaps and grooves straight out of the golden era of ’80s arena rock. More restrained in tempo, the track relies heavily on layered vocals and massive choruses that amplify its anthemic nature. The guitar work is particularly inspired, especially during the transition into the solo, where the band briefly pulls back for a tasteful acoustic passage before exploding back into the final chorus. It is a song that perfectly understands the aesthetic it seeks to celebrate without ever sounding like a mere imitation.

“No Mercy For The Teenage Heart” follows a fairly traditional formula: pounding kick drums, direct riffs, and vocal lines guiding the melody toward an immediate and highly melodic chorus. Still, the band’s confident execution prevents the track from feeling generic. The solo is fast, aggressive, and perfectly placed, while the vocal harmonies heighten the sense of grandeur. Here, the band demonstrates a far stronger command of the balance between heaviness and melody.

“Lamborghina” begins atmospherically before diving into another quintessential composition from the group. The rhythm section deserves special mention: bass and drums create a solid yet dynamic foundation, allowing the guitars to step forward only when necessary, never overplaying. The vocals are also a highlight, particularly the higher notes and carefully arranged backing vocals. The guitar tone screams classic hard rock, especially during the bridge leading into the solo, while the closing harmonies add an extra melodic layer that works remarkably well.

The title track is probably the moment where the influence of Mötley Crüe becomes most apparent. Packed with groove, simple riffs, and massive choruses, “Favorite Drug” feels almost like a manifesto for the entire album. The chorus, overloaded with gang vocals and layered harmonies, was clearly designed for large crowds. During the verses, bass and drums pull back slightly, leaving room for the vocal delivery and an extremely well-crafted melodic solo. The breakdown before the final chorus — carried almost entirely by vocals and drums — creates an excellent sense of tension and release.

“S.M.I.L.E.” opens with an immediately memorable solo and distinguishes itself through the constant use of gang vocals during the verses, something less common throughout the rest of the album. Interestingly, the chorus itself is more restrained in terms of backing vocals, creating a compelling contrast with the song’s verses. Once again, bass and drums lock together perfectly, allowing the guitars to move freely across the arrangement. The solo follows a highly classic, melodic, and undeniably enjoyable approach, reinforcing the nostalgic character of the track without sounding dated.

“Love Is Cold” arrives driven by rapid-fire guitars before shifting into a more controlled and melodic groove. The song structure is intelligently crafted: while bass and drums sustain the main dynamics, the guitars avoid unnecessary excess and focus on melody instead. The keyboards add an epic atmosphere to the chorus and help pave the way for an excellent solo that eventually transitions into a minimalist bridge based solely on vocals and keyboards. It stands as one of the album’s most melodically sophisticated moments.

A dry, heavy guitar riff introduces “Girls In Overdrive”, arguably the album’s most unapologetically hard rock-oriented track. Everything here feels engineered to satisfy fans of the genre: explosive choruses, massive gang vocals, direct riffs, a flashy guitar solo, and an inspired rhythm section. Even the teenage choir used in certain moments works perfectly within the song’s exaggerated spirit. This is the kind of composition that fully embraces every cliché of the genre — and succeeds precisely because of that. Easily one of the strongest tracks on the album.

“Spectacular” maintains the album’s high standards while reinforcing its sonic consistency. The track invests heavily in constant guitar presence, layered vocals, and call-and-response vocal arrangements that create a rich sense of dynamics. The unison chorus is pure arena hard rock. Musically, the song contains clear references to ’70s hard rock, noticeable both in its rhythmic approach and melodic construction. The solo emerges naturally without disrupting the flow of the song, demonstrating a notable level of maturity in the band’s songwriting.

Closing the album, “Soundtrack Of My Life” carries strong echoes of Bon Jovi, particularly through its prominent keyboard work, which immediately recalls “Runaway.” The chorus functions as a genuine love letter to the ’80s, while the lyrics and arrangements pile up references to the golden age of hair metal. Despite its overt nostalgia, the track avoids sounding purely derivative thanks to the sincerity with which the band embraces its influences.

Your Favorite Drug may not reinvent melodic hard rock, but it certainly understands the genre’s essence better than most contemporary bands operating within it. Rather than relying solely on empty nostalgia, John Diva & The Rockets Of Love delivers an album that is cohesive, well-produced, and musically consistent throughout. The excess, gigantic choruses, melodic solos, and every expected cliché are all present — but executed with conviction, skill, and a genuine sense of identity.

For fans of ’80s hard rock, this is easily one of the strongest and most entertaining releases of 2026.

Manfred Pollert