terça-feira, 24 de março de 2026

Entrevista – Roy Khan: "Estar no palco é a primeira coisa que me vem à mente quando penso em felicidade"

"O Brasil é meu principal destino quando o assunto é tocar ao vivo" (Roy Khan)

Por Paula Butter

Roy Khan está de volta, e o Brasil é, de novo, o palco escolhido. O vocalista norueguês que marcou gerações à frente do Kamelot, gravando discos que viraram referência do Power Metal como Karma, Epica e The Black Halo, vive hoje um momento de pura efervescência criativa. Depois de deixar o grupo em 2011 por esgotamento e passar anos longe dos holofotes, ele foi encontrando o caminho de volta à música pelo Conception, banda que integrava antes do Kamelot. 

A partir daí, o músico acabou reencontrando no Brasil um público que nunca esqueceu sua voz. Em 2024, subiu ao palco como convidado de Edu Falaschi; em 2025, lotou o Tokio Marine Hall com uma performance épica celebrando os 20 anos de The Black Halo, com orquestra sinfônica no palco e convidados para lá de especiais.

E para a alegria da nação headbanger, em abril de 2026, Roy Khan volta ao Brasil pela terceira vez em pouco mais de um ano para o Bangers Open Air, o maior festival de Heavy Metal do país, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Roy toca no Sunday Stage no dia 26 e ainda aparece como convidado especial do Seven Spires na Pré-Party do festival, no dia 24. 

Nessa entrevista exclusiva, concedida para a Road To Metal, o vocalista conta o que os fãs podem esperar do show de abril, fala sobre o primeiro álbum solo da carreira, que está sendo produzido por Sascha Paeth (Sim, o mesmo cara dos discos do Kamelot) e reflete sobre a vida, a felicidade e por que o Brasil virou, nas palavras dele, o seu "principal destino" quando o assunto é tocar ao vivo.

Agradecimentos à agência Taga e à produção do Bangers Open Air no Brasil.


Você está vivendo um dos períodos mais ativos da sua carreira, foram muitos shows em 2025, muita coisa acontecendo. O que mudou em você, artística e pessoalmente, desde que voltou aos palcos?

RK: Bem, voltei com o Conception já em 2018, e foi um momento muito estranho. Quando subi ao palco pela primeira vez, foi esquisito, eu conseguia sentir claramente os anos que tinham passado. Em termos de personalidade, acho que continuo sendo o mesmo. Certas partes da sua personalidade simplesmente fazem parte de quem você é. Como artista, houve experiências na minha vida que mudaram um pouco os conceitos das minhas letras, embora eu ainda esteja lidando com grandes questões e grandes perguntas. Talvez de forma um pouco mais ligada à experiência real da vida do que antes. Mas quando estou no palco, parece qualquer outro show dos velhos tempos. Eu comentei isso com um jornalista antes de você, que quando você está no palco, aquele momento é tudo. Eu simplesmente desapareço. Estávamos discutindo o conceito de felicidade, e ele me perguntou o que felicidade significa para mim. Estar no palco é provavelmente a primeira coisa que me vem à mente quando penso em descrever felicidade como um estado de espírito.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Brasil e o show de Aniversário do álbum The Black Halo

Falando sobre o show do ano passado, você esteve em São Paulo para um grande concerto solo, mas já havia estado no palco com Edu Falaschi e Kai Hansen antes. Como foi a experiência de dividir o palco com tantas pessoas que têm significado para você ao longo dos anos?

RK: Sim, foi incrível. Eu estava no show do Edu em 2024, mas tocamos apenas uma música do Kamelot, uma do Conception, e depois cantamos Heroes of Sand juntos. Então conversamos sobre eu voltar no ano seguinte com um set um pouco maior, um set completo meu antes do Edu. E foi aí que surgiu a ideia da orquestra sinfônica. Essa foi, na verdade, ideia do Edu. Do jeito que fizemos, com aquele palco enorme e 60 pessoas nele, foi simplesmente incrível. Tokio Marine Hall completamente lotado. Não tem como dar errado. Foi fantástico.

O Brasil continua aparecendo como palco central no seu renascimento artístico. O que explica essa conexão tão profunda com o público brasileiro?

RK: Bom, tenho que agradecer ao Edu por me trazer para aquele primeiro show. O Brasil sempre foi um mercado muito importante, tanto para o Conception quanto para o Kamelot. Fizemos shows enormes em São Paulo, acho que tocamos num lugar chamado Via Funchal, embora o nome possa ter mudado. Mas sim, o Brasil sempre foi importante. E agora, o Bangers em abril será a terceira vez que vou ao Brasil como artista solo. Acho que isso faz do Brasil o principal destino para mim quando se trata de shows ao vivo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Bangers Open Air 2026

Você está confirmado no Bangers Open Air. Quais são as suas expectativas para o show?

RK: Já estive no Brasil duas vezes nos últimos dois anos, e estou ansiosíssimo para voltar em abril, dia 26 de abril, acho que é um domingo. O público brasileiro é realmente algo especial. Poder ir lá e tocar num show ao ar livre como o Bangers vai ser um momento super divertido, acho eu, para todo mundo, (Muito animado) inclusive para mim.

O que você pode contar para os fãs que vão ao Bangers Open Air? O que eles podem esperar do seu setlist?

RK: Vão ter algumas músicas que não foram tocadas no show de julho (2025). E talvez haja alguns convidados, mas ainda não decidi completamente isso. Pode até ter uma música nova, mas não acho que vai rolar, porque ainda não chegamos longe o suficiente no processo e os ensaios só começam no início de abril. Mas também vou voltar ao Brasil mais tarde, provavelmente antes do disco sair. Então, a gente vai ver.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Álbum Solo e  Sascha Paeth

Este álbum está sendo produzido por Sascha Paeth. Como é reconectar-se com ele num momento tão diferente da sua vida?

RK: Bem, não houve bem um processo. Não estávamos em contato esses anos todos. Mas a Adrienne Cowan (Seven Spires) trabalha com o Sascha, e também canta na banda dele, a Masters of Ceremony, e claro no Avantasia também. Então começamos a conversar sobre fazer algo com o Sascha novamente. Ligamos para ele e ele topou, e cá estamos.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Equilibrando o Conception e o Projeto Solo

Como você equilibra o Conception com o seu novo projeto solo e todas essas performances especiais acontecendo ao mesmo tempo?

RK: Bem, este é meu trabalho em tempo integral, ser músico e compositor. É desafiador, porque agora estamos trabalhando em paralelo no meu álbum solo e no próximo álbum do Conception. Mas você precisa separar tempo, certos períodos em que você foca em uma coisa, definir pequenas metas ao longo do caminho e dar um passo de cada vez. É desafiador, mas também é muito bom estar realmente ocupado com algo pelo qual você é genuinamente apaixonado.

Está no Instagram que você já tem algumas ideias para um novo álbum do Conception. É verdade?

RK: Sim, sim. Como eu disse, estamos trabalhando em paralelo, mas os álbuns vão ser lançados em momentos diferentes porque não queremos um conflito de divulgação com dois discos ao mesmo tempo. Provavelmente vai ser o meu álbum solo primeiro, e depois o álbum do Conception.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Reunião com o Kamelot

Alguma novidade sobre uma possível reunião com o Kamelot?

RK: Nenhuma novidade sobre isso. Não.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

The Black Halo ao Vivo: Emoções e Legado

The Black Halo é um álbum tão importante. Como foi tocá-lo ao vivo no ano passado (2026) em São Paulo e no Japão? Assisti alguns vídeos e percebi que havia muita emoção naqueles shows.

RK: É incrível. Realmente acredito que nasci para estar no palco e fazer música, voltando ao conceito de felicidade que mencionamos antes. Inclusive, cantar e compor é algo para o qual fui feito. E tocar aquelas músicas, que talvez representem o auge da minha carreira de alguma forma... Sim, ainda tenho muito orgulho daquele álbum e daquelas músicas. É muito bom sair de novo e tocá-las para fãs antigos e novos. É ótimo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Cuidados com a Voz e Técnica Vocal

Sua voz está em uma forma incrível. O que você faz para cuidar dela e mantê-la num nível tão alto? Quais são os seus segredos?

RK: Não tenho certeza se faço algo muito especial ou fora do comum. Mas na minha idade, é realmente importante estar em boa forma física. Me exercito bastante, tanto para a capacidade pulmonar quanto para conseguir fazer os movimentos que quero quando estou cantando. E aí claro tem o canto em si, suas cordas vocais também são um músculo. Você precisa ter cuidado com o aquecimento. Sempre bebo muita água antes de entrar numa sessão de canto mais longa, seja no estúdio, ao vivo ou em ensaios. Tenho meus exercícios de aquecimento normais e um pequeno aparelho no qual sopro. Na verdade, adoro tocar clarinete, ou essa corneta, que é  uma espécie de sereia que tenho no meu estúdio. Mas sim: mantenha-se aquecido, beba muita água e certifique-se de estar em boa forma.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Mensagem Final

Você pode deixar uma mensagem final para os fãs?

RK: Como havíamos conversado, o Brasil tem um lugar muito especial no meu coração. Já estive lá duas vezes em pouco mais de um ano. Estou ansiosíssimo para voltar ao Bangers no dia 26 de abril. Vamos nos divertir muito. Até lá.


Serviço:

Bangers Open Air 2026

Local: Memorial da América Latina - São Paulo

Datas: 24 (Pré-Party), 25 e 26 de Abril de 2026

Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026-pass



Nervosa: Imprevisivel e poderoso

 Por: Renato Sanson

Tivemos acesso antecipado a “Slave Machine” (lançamento marcado para o dia 03/04), o novo trabalho da Nervosa, e o que se ouve aqui é mais do que um simples passo à frente, mas sim uma redefinição consciente de identidade.

Conhecidas por sua agressividade direta e raízes fincadas no Thrash Metal, a Nervosa mantêm essa espinha dorsal intacta, mas expandem consideravelmente seu alcance sonoro. O novo álbum apresenta uma banda mais madura, que entende o peso da própria trajetória e não hesita em explorar novos caminhos sem perder sua essência. A própria banda já descreve o disco como seu trabalho mais “brutal e melódico” até aqui e isso se confirma ao longo das faixas.

Se em registros anteriores havia flertes evidentes com o Death Metal old school e o Heavy tradicional, aqui esses elementos dão lugar a uma abordagem mais refinada e atmosférica. As guitarras continuam afiadas e agressivas, mas agora carregam linhas melódicas mais evidentes, criando uma ambiência que em diversos momentos remete aos tempos áureos do Arch Enemy, especialmente no equilíbrio entre peso e melodia. Mas isso não quer dizer cópia, não interpretem errado, apenas um direcionamento para entenderem o quanto as águas de “Slave Machine” se aprofundam.

Outro destaque absoluto é a performance de Prika Amaral. Consolidada como frontwoman, ela entrega aqui um trabalho vocal mais versátil. Além dos já esperados vocais rasgados e agressivos, surgem passagens mais limpas e até melodiosas, ampliando o espectro emocional ao decorrer do play. Essa escolha não suaviza o impacto, pelo contrário, adiciona camadas e torna a experiência ainda mais dinâmica e imprevisível.

A cozinha da banda também merece menção especial, principalmente com a chegada da baterista Michaela Naydenova. Sua execução é precisa, técnica e agressiva na medida certa, contribuindo diretamente para a solidez do trabalho. A bateria não apenas acompanha, mas impulsiona, criando variações rítmicas que enriquecem a construção das músicas.

Com 12 faixas, o disco mostra uma banda que domina sua própria linguagem. Alternando entre velocidade extrema, grooves mais cadenciados e momentos de respiro melódico. “Slave Machine” soa coeso e bem estruturado, sem excessos ou dispersões. Há uma sensação clara de direção e algo que só bandas em estágio avançado de maturidade conseguem atingir.

Mais do que um novo lançamento, representa uma evolução estratégica. A Nervosa amplia seus horizontes sem abrir mão da agressividade que a consolidou no cenário mundial. É um disco que dialoga tanto com fãs antigos quanto com uma nova audiência, especialmente aqueles que apreciam a fusão entre peso extremo e melodia.

Se havia qualquer dúvida sobre o próximo passo da banda após “Jailbreak”, ela é completamente dissipada aqui. “Slave Machine” não apenas eleva o nível, ele redefine o rumo.


segunda-feira, 23 de março de 2026

Cobertura de Show: Symphony X – 20/03/2026 – Tokio Marine Hall/SP

Symphony X celebra 30 anos com repertório abrangente e casa cheia em São Paulo

O Symphony X voltou a São Paulo na noite de 20 de março para um Tokio Marine Hall lotado, em uma apresentação que funcionou como um panorama consistente dos 30 anos de carreira da banda. A passagem faz parte da turnê latino-americana organizada pela Top Link Music, com datas também no México, Chile, Argentina, Curitiba e Rio de Janeiro.

Com mais de três décadas de atividade, o grupo norte-americano ocupa um lugar específico no metal progressivo, especialmente pela forma como ajudou a consolidar uma vertente que aproxima o virtuosismo técnico do peso do power metal e de estruturas sinfônicas. Discos como The Divine Wings of Tragedy e V: The New Mythology Suite continuam sendo referências quando se fala na expansão do progressivo para além das estruturas mais tradicionais do gênero.

Em São Paulo, a resposta do público deixou claro como essa trajetória construiu uma base fiel no Brasil. A casa cheia e a recepção intensa desde os primeiros minutos indicavam um público que não estava apenas pela nostalgia, mas pela relevância contínua do Symphony X no metal técnico.

A abertura com Of Sins and Shadows já estabeleceu o tom da noite, com a banda soando coesa e precisa. Na sequência, Sea of Lies manteve a energia alta, enquanto Out of the Ashes trouxe o equilíbrio entre melodia e peso que marca a fase mais recente do grupo.

Um dos primeiros grandes momentos veio com The Accolade, recebida com entusiasmo e reforçando o quanto o material clássico ainda ocupa um lugar central na relação da banda com o público. Na parte intermediária do show, Smoke and Mirrors e Evolution (The Grand Design) reforçaram a dimensão mais técnica do repertório, com destaque para a execução segura e a dinâmica entre os músicos.

Communion and the Oracle e Inferno (Unleash the Fire) mantiveram a intensidade da apresentação, mostrando como a banda transita bem entre fases diferentes da carreira sem que o repertório pareça fragmentado. Já Nevermore funcionou como um dos pontos de maior resposta coletiva do público antes do encore.

No retorno ao palco, a banda apresentou Without You, em um momento mais direto e emocional, também utilizado para as apresentações individuais dos integrantes. O encerramento com Dehumanized e Set the World on Fire (The Lie of Lies) consolidou a proposta da turnê: revisitar diferentes momentos da discografia sem transformar o show apenas em um exercício de nostalgia.

Liderado por Michael Romeo e Russell Allen, o Symphony X demonstrou porque permanece como um dos nomes mais respeitados do metal progressivo: consistência técnica, repertório sólido e uma identidade musical que continua reconhecível mesmo após décadas de atividade.

O show em São Paulo mostrou uma banda ainda funcional na cena, com um público que acompanha essa trajetória não apenas pela memória, mas pela permanência de sua relevância no progressivo contemporâneo.

Texto: Patrícia Araújo

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music 


Symphony X – setlist:

Intro/Of Sins and Shadows

Sea of Lies

Out of the Ashes

The Accolade (with “The Divine Wings of Tragedy Part VII: Paradise Regained” snippet)

Smoke and Mirrors

Evolution (The Grand Design)

Communion and the Oracle

Inferno (Unleash the Fire)

Nevermore

Bis

Without You (preceded by band introductions)

Dehumanized

Set the World on Fire (The Lie of Lies)

Generation Rádio: Quando o AOR Encontra o Refinamento Moderno (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

O Generation Radio retorna ao cenário com Take Two, aguardada sequência de seu álbum de estreia, reafirmando sua proposta sonora baseada no AOR e no West Coast rock, agora enriquecida por nuances do chamado “som de Nashville”. O resultado é um trabalho que equilibra sofisticação melódica, apelo radiofônico e alto nível de execução.

Sob a produção dos membros fundadores Jay DeMarcus (Rascal Flatts) e Jason Scheff (ex-Chicago), o grupo mantém sua identidade ao mesmo tempo em que reforça seu peso instrumental. A entrada do experiente baterista Steve Ferrone (Tom Petty & the Heartbreakers, Average White Band), substituindo Deen Castronovo, agrega ainda mais consistência ao conjunto, que se completa com as guitarras e vocais de Tom Yankton e Chris Rodriguez.

Além do repertório autoral, o álbum incorpora releituras de clássicos consagrados, já testados ao vivo pela banda, como “Here I Go Again”, “You’re The Inspiration”, “I’m Alright” e “These Days”, reafirmando a conexão do grupo com diferentes vertentes do rock e do pop norte-americano.

A abertura com “Montana Skies” estabelece imediatamente o padrão do disco, com produção refinada, harmonias bem construídas e atenção meticulosa aos timbres, características fundamentais do AOR contemporâneo. Na sequência, “The Melody” transita entre o pop oitentista e o rock melódico, destacando-se pelo refrão forte e pelos arranjos vocais bem trabalhados.

O primeiro cover, “These Days”, surge com nova abordagem, mais alinhada ao AOR clássico, valorizando guitarras, teclados e uma condução cadenciada que evidencia a maturidade interpretativa da banda. Já “Maybe Monday” retoma o material autoral com uma construção dinâmica, partindo de bases acústicas até alcançar um refrão mais encorpado, mantendo o foco na clareza melódica.

“Grass Is Greener” amplia o espectro sonoro do álbum ao incorporar influências da música pop dos anos 70, com elementos de soul e referências à estética Motown, resultando em uma das faixas mais distintas do trabalho. Em contrapartida, “Love History” resgata o AOR em sua forma mais tradicional, com estrutura acessível, teclados em destaque e refrão de forte apelo.

Na segunda metade do disco, “Last Night’s Whiskey” explora uma sonoridade mais voltada ao West Coast Rock, com grooves mais evidentes e influências de jazz e R&B, especialmente na condução vocal e na base rítmica. Entre os covers, “Here I Go Again” (Whitesnake) ganha uma releitura que se aproxima da versão de 1987, com produção mais polida e abordagem mais próxima do hard rock melódico. 

“You’re The Inspiration” mantém fidelidade ao original, reforçando a ligação direta do grupo com a escola do Chicago, enquanto “I’m Alright” (Kenny Loggins) evidencia a versatilidade do repertório ao incorporar elementos mais próximos do pop rock clássico, com destaque para os arranjos e a leveza interpretativa.

Na reta final, “For A Soldier” apresenta uma abordagem mais intimista, predominantemente acústica, crescendo de forma gradual até incorporar elementos elétricos, criando uma atmosfera de balada sofisticada. Encerrando o álbum, “Hate This Heart” aposta em uma estética mais contemporânea, com elementos eletrônicos sutis e um refrão marcante, deixando uma impressão duradoura.

Com Take Two, o Generation Radio consolida sua proposta artística ao unir técnica, sensibilidade melódica e repertório consistente. O álbum não apenas reverencia as tradições do AOR e do West Coast rock, mas também demonstra a capacidade do grupo de reinterpretar essas influências sob uma perspectiva atual, resultando em um trabalho coeso, elegante e altamente acessível.

***ENGLISH VERSION***

Generation Radio return with Take Two, the highly anticipated follow-up to their debut album, reaffirming their commitment to AOR and West Coast rock while incorporating subtle touches of the Nashville sound. The result is a polished and accessible record that balances melodic sophistication with strong commercial appeal and top-tier musicianship.

Produced by founding members Jay DeMarcus (Rascal Flatts) and Jason Scheff (ex-Chicago), the band continues to build on its core identity while strengthening its instrumental depth. The addition of veteran drummer Steve Ferrone (Tom Petty & the Heartbreakers, Average White Band), replacing Deen Castronovo, brings added groove and precision to a lineup completed by guitarists and vocalists Tom Yankton and Chris Rodriguez.

Alongside its original material, Take Two features a selection of well-chosen covers that have already proven effective in the band’s live performances, including “Here I Go Again,” “You’re The Inspiration,” “I’m Alright,” and “These Days,” highlighting the group’s connection to various strands of American rock and pop.

Opening track “Montana Skies” immediately sets the tone, showcasing refined production, carefully crafted harmonies, and a strong attention to sonic detail—key elements of contemporary AOR. “The Melody” follows with a blend of ‘80s-inspired pop sensibilities and melodic rock, driven by a memorable chorus and well-executed vocal arrangements.

The first cover, “These Days,” is reimagined with a more classic AOR approach, emphasizing guitars, keyboards, and a measured groove that underscores the band’s interpretative maturity. “Maybe Monday” returns to original material, evolving from an acoustic-based arrangement into a fuller, more dynamic chorus while maintaining melodic clarity.

“Grass Is Greener” broadens the album’s sonic palette with clear influences from 1970s pop, incorporating elements of soul and a distinct Motown feel, making it one of the record’s most stylistically diverse moments. In contrast, “Love History” embraces a more traditional AOR structure, featuring layered keyboards, clean guitar work, and an instantly accessible chorus.

In the album’s second half, “Last Night’s Whiskey” leans further into the West Coast rock aesthetic, with a groove-driven approach and noticeable influences from jazz and R&B, particularly in its vocal delivery and rhythm section. Among the covers, “Here I Go Again” (Whitesnake)is closer in spirit to the 1987 version, with a more polished production and a melodic hard rock edge.

“You’re The Inspiration” remains faithful to the original, reinforcing the band’s ties to the Chicago sound, while “I’m Alright” (Kenny Loggins) showcases the group’s versatility by embracing a lighter, classic pop-rock feel, highlighted by its arrangement and performance style.

Towards the end, “For A Soldier” offers a more intimate and largely acoustic moment, gradually building into a fuller arrangement, creating a refined ballad atmosphere. Closing track “Hate This Heart” introduces subtle contemporary elements, including light electronic textures, and delivers a strong, memorable chorus that leaves a lasting impression.

With Take Two, Generation Radio solidify their artistic vision by combining technical proficiency, melodic sensibility, and a cohesive repertoire. The album not only pays tribute to the traditions of AOR and West Coast rock but also demonstrates the band’s ability to reinterpret these influences through a modern lens, resulting in a refined, cohesive, and highly engaging release.

Matthew Simmons



Frontline: Após o Silêncio, a Consagração (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Após mais de duas décadas de silêncio, os alemães do Frontline retornam com Rebirth, um álbum que não apenas marca sua volta, mas reafirma sua relevância dentro do AOR europeu. Equilibrando com precisão elementos clássicos do gênero e uma abordagem contemporânea, o disco entrega uma coleção de faixas que transitam entre a nostalgia e a revitalização criativa, sempre ancoradas em melodias fortes e refrões altamente memoráveis.

A abertura com “Burning Horizon” estabelece imediatamente o padrão do trabalho: teclados em evidência, vocais seguros e um refrão de impacto, evidenciando a proposta estética do álbum. Na sequência, “Blacktop Parachute” adiciona peso à equação, com guitarras mais agressivas e discretos elementos eletrônicos que ampliam o espectro sonoro da banda sem comprometer sua identidade.

“After You're Gone” desacelera o andamento e aposta em uma construção mais emotiva, próxima de uma power ballad, destacando o desempenho vocal de Stephan Kämmerer e os arranjos refinados de piano. Já “Two Tickets To The Afterglow” retoma o AOR clássico com eficiência, combinando dinâmica instrumental e um trabalho de guitarras e teclados bem articulado.

“Boulevard Echo” reforça o apelo nostálgico do álbum, evocando diretamente a estética sonora de trilhas de filmes dos anos 80, enquanto “Burning Shadows” se destaca pelo refinamento técnico e pela coesão da banda, com uma base rítmica sólida e solos bem construídos, remetendo à escola de guitarristas como Joe Satriani.

A emotividade retorna em “One Life One Love”, uma power ballad de forte apelo melódico e rica em camadas sonoras, seguida por “Stone And Feather”, que abraça sem reservas os clichês do AOR — aqui utilizados com competência e consciência estética. “Shattered Glass Dreams” mantém a consistência do repertório, entregando exatamente o que se espera do gênero, sem soar redundante.

Na parte final do álbum, “Heart On The Dashboard” e “Burning The Distance” ampliam a intensidade, sendo esta última um dos pontos altos do disco, com estrutura épica e um dos refrões mais marcantes do trabalho. “White Line Miracle” e “Back To The Bright” flertam com o hard rock, evidenciando a versatilidade da banda, especialmente no trabalho de baixo e nas variações de timbres.

Encerrando o álbum, “Arc Of Lightning” retoma a essência mais clássica do AOR, com andamento cadenciado, arranjos equilibrados e um refrão acessível, funcionando como uma conclusão coerente para o conjunto da obra.

Mais do que um simples retorno, Rebirth representa uma reafirmação artística. O Frontline demonstra estar plenamente consciente de seu legado, ao mesmo tempo em que se mostra capaz de dialogar com novas nuances dentro do melodic rock. O resultado é um álbum sólido, coeso e altamente recomendável para fãs do gênero.

***ENGLISH VERSION***

After more than two decades of silence, German AOR veterans Frontline return with Rebirth, an album that not only marks their long-awaited comeback but also reaffirms their place within the European melodic rock scene. Balancing classic genre trademarks with a refreshed sonic perspective, the record delivers a cohesive set of tracks built on strong melodies, polished arrangements, and memorable hooks.

Opening track “Burning Horizon” immediately sets the tone, showcasing prominent keyboards, confident vocals, and an anthemic chorus that defines the album’s core aesthetic. “Blacktop Parachute” follows with a heavier edge, driven by punchy guitars and subtle electronic textures that expand the band’s sound without straying from their roots.

“After You're Gone” shifts gears into a more emotional territory, unfolding as a near power ballad highlighted by Stephan Kämmerer’s expressive vocal performance and Andreas Latzko’s elegant piano work. “Two Tickets To The Afterglow” brings the focus back to classic AOR, combining dynamic arrangements with well-crafted guitar and keyboard interplay.

“Boulevard Echo” leans heavily into nostalgia, evoking the cinematic feel of ‘80s action movie soundtracks, while “Burning Shadows” stands out for its technical finesse and tight musicianship, with a solid rhythm section and guitar work reminiscent of players like Joe Satriani.

The emotional thread continues with “One Life One Love”, a richly layered power ballad with immediate melodic appeal. In contrast, “Stone And Feather” fully embraces AOR conventions, executed with confidence and precision. “Shattered Glass Dreams” maintains the album’s consistency, delivering familiar elements without falling into repetition.

In the latter half, “Heart On The Dashboard” and “Burning The Distance” increase the album’s intensity, with the latter emerging as a clear highlight thanks to its epic structure and one of the record’s strongest choruses. “White Line Miracle” and “Back To The Bright” lean more towards hard rock, showcasing the band’s versatility, particularly through prominent bass lines and varied tonal approaches.

Closing track “Arc Of Lightning” returns to the band’s core AOR sound, featuring a steady tempo, balanced arrangements, and an accessible chorus, providing a fitting conclusion to the album.

More than just a comeback, Rebirth is a statement of intent. Frontline demonstrate a clear understanding of their legacy while embracing subtle modern touches, resulting in a solid and cohesive release that will resonate strongly with fans of melodic rock and AOR alike.

Vasil Stefanov


domingo, 22 de março de 2026

Cobertura de Show: All Metal Stars Br – 15/03/2026 – Audio/SP

All Metal Stars na Audio: Uma Celebração de Amor e Legado ao Maestro Andre Matos

Nem a chuva de domingo, 15 de março, foi capaz de afastar o público fiel de Andre Matos da Audio, em São Paulo. A casa, que já se tornou um porto seguro para os fãs ao sediar momentos históricos como a Shaman Reunion e o projeto Shamangra, provou mais uma vez por que é um dos principais palcos do metal no Brasil. Desta vez, a atmosfera era ainda mais especial: o show serviu de cenário para a gravação do DVD oficial do All Metal Stars (Arena Produções). Vale pontuar, no entanto, que em certos momentos da noite o volume do vocal parecia estar um pouco abaixo dos instrumentos, um detalhe de mixagem que, embora perceptível, não tirou o brilho da grandiosidade do evento que está rodando o país.

Com duas bandas de respeito para a abertura dos shows, a noite começou pontualmente com os goianos da Krakkenspit. Formada por Márcio Cruvinel, Aldo Guilherme, Julian Stella e Bruno Dias, a banda apresentou o repertório do elogiado álbum Tides of Armageddon (2024). Com uma mistura impecável de metal moderno e tradicional, guitarras afiadíssimas e letras apocalípticas, o grupo conquistou a plateia. O carismático Márcio ainda brincou: "Vocês achavam que em Goiânia só tinha sertanejo?", provando que o metal do Centro-Oeste ruge muito alto. 

Na sequência, a Phornax trouxe o peso direto de Porto Alegre. Liderada pelo vocalista Cristiano Poschi — com sua nítida influência de King Diamond — e pelo baterista Mauricio Dariva, a banda mostrou a garra do metal gaúcho. A presença do lendário guitarrista Eduardo Martinez (ex-Hangar) foi um diferencial à parte, desfilando técnica refinada entre clássicos e as novas composições do álbum Hellforge.

Quando o supergrupo subiu ao palco, a Audio veio abaixo. O início foi com "pé no peito": "Carry On", o hino do metal nacional, seguido por "Here I Am" (fase Shaman) e a poderosa "Carolina IV", encerrando a primeira parte com a banda — formada por Aquiles Priester, Edu Ardanuy, Thiago Bianchi, Guilherme Torres e Saulo Xakol — em total sintonia. 

O momento mais emocionante de todos começou com a entrada de Dani Matos, irmão de Andre. Bianchi  comoveu a todos ao anunciar que D. Sonia, mãe de Dani e Andre, estava na plateia assistindo ao filho pela primeira vez. Sob um clima de nostalgia e gratidão, Dani tocou a belíssima "Wuthering Heights" (Angra) e, em seguida, cantou e tocou o clássico do Viper, a primeira banda de Andre, a "Living for the Night" (Viper), seguidas das poderosas "Stand Away" e "Make Believe" (Angra). Ainda com Dani no palco, Bianchi liderou uma comoção coletiva com "Fairy Tale". A plateia, em meio a lágrimas, cantou cada verso da música, selando um dos registros mais bonitos do DVD.

Após esse bloco, o palco recebeu mais dois convidados que engrandeceram a noite de forma contínua e emocionante. Guy Antonioli, vocalista do Tierramystica, trouxe sua voz potente para interpretar a densa e introspectiva "Letting Go". Visivelmente comovido, Guy dedicou a canção à D. Sonia, revelando que a perda recente de sua própria mãe tornava aquele momento sagrado. Logo depois, foi a vez de Chris Poschi, da Phornax, retornar ao palco para uma interpretação de arrepiar de "Lisbon", honrando a fase clássica do Angra. Entre as músicas, Aquiles Priester assumiu o microfone para apresentar a banda com muita descontração e carinho, chamando Edu Ardanuy de seu "padrinho de casamento" e celebrando o fato histórico de finalmente ter convencido o mestre da guitarra a tocar Power Metal.

O grand finale foi o encerramento do set principal com "For Tomorrow", cantada a plenos pulmões. Para o bis, o All Metal Stars reservou as icônicas "Nothing to Say" e "Angels Cry", levando a Áudio ao delírio absoluto. Foi, como Bianchi ressaltou, um show feito com o coração, de fã para fã, honrando todas as fases da genialidade de Andre Matos.

Fica apenas uma reflexão para essa noite maravilhosa, em pleno mês das mulheres sentimos falta de mulheres no palco. Temos muitas cantoras e instrumentistas incríveis que admiram a genialidade de Andre e que certamente ficariam honradas em participar e abrilhantar ainda mais essa homenagem.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Arena Produtora

Press: TRM Press


All Metal Stars Br setlist:

Carry On

Here I Am

Carolina IV

Time

Wuthering Heights

Living for the Night

Stand Away

Make Believe

Fairy Tale

Letting Go

Lisbon

For Tomorrow

Bis

Nothing to Say

Angels Cry