quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vision Divine: Reveries Mecânicas (Also In English)

Scarlet Records (Imp.) 

Por Flavio Borges 

O retorno de Michele Luppi e Oleg Smirnoff ao Vision Divine não é apenas um movimento nostálgico — trata-se de uma reafirmação estética. Em A Clockwork Reverie, EP que marca este novo momento da banda italiana, o grupo encontra um ponto de equilíbrio entre sua identidade clássica e uma abordagem contemporânea mais refinada, sem perder de vista o virtuosismo que sempre o caracterizou.

A breve abertura “Sator Rotas” cumpre função atmosférica, preparando o terreno para a faixa-título, onde o Vision Divine expõe, logo de início, sua proposta. “A Clockwork Reverie” sintetiza com precisão o DNA da banda: alternância constante de andamentos, riqueza de arranjos e um senso melódico apurado. A instrumentação transita entre o power metal tradicional e incursões progressivas, com destaque para a versatilidade rítmica e os arranjos vocais densos, que exploram múltiplas camadas e dinâmicas.

Em “18 (It Feels Like Heaven)”, o grupo desacelera para explorar uma atmosfera mais introspectiva. A condução mais cadenciada favorece o desenvolvimento melódico, enquanto a base instrumental mantém sofisticação sem excessos. É nesse contexto que Luppi se sobressai, entregando uma interpretação que privilegia nuance e controle, reforçando o caráter emocional da faixa.

“Andromeda” retoma a intensidade com uma abordagem mais direta e contemporânea. Elementos eletrônicos nos teclados ampliam a paleta sonora, enquanto a estrutura privilegia velocidade e objetividade. Ainda que preserve mudanças de andamento, a faixa aposta em uma construção mais linear, com menor variação temática — o que a torna uma das composições mais acessíveis do EP. O duelo entre guitarra e teclado nos solos adiciona um elemento clássico ao arranjo.

A segunda metade do trabalho é dedicada a releituras que funcionam menos como exercício de nostalgia e mais como atualização estética. “Identities”, originalmente presente em Stream of Consciousness (2004), ganha nova vida com arranjos mais polidos e um enfoque maior na expressividade vocal, além de um trabalho de piano que amplia sua carga dramática. Já “God Is Dead”, de The Perfect Machine (2005), mantém sua essência acelerada e agressiva, reafirmando suas raízes no power/speed metal, agora com uma produção mais encorpada.

Encerrando o EP, “The 25th Hour”, faixa-título do álbum de 2007, reforça o viés progressivo do grupo, equilibrando técnica e fluidez. A nova versão evidencia maturidade nos arranjos e uma produção que privilegia clareza e coesão, sem recorrer a excessos.

No conjunto, A Clockwork Reverie funciona como um elo entre passado e presente. Mais do que revisitar sua própria história, o Vision Divine demonstra compreensão sobre como atualizar sua linguagem sem diluir sua identidade. O resultado é um EP consistente, tecnicamente sólido e artisticamente relevante, capaz de dialogar tanto com fãs de longa data quanto com uma audiência mais contemporânea dentro do espectro do power e do metal progressivo.

***ENGLISH VERSION***

The return of Michele Luppi and Oleg Smirnoff to Vision Divine is more than a nostalgic reunion — it’s a statement of intent. With A Clockwork Reverie, the Italian outfit bridges past and present, refining its signature blend of melodic power metal and progressive sophistication without sacrificing the technical flair that has long defined its sound.

The short opener “Sator Rotas” serves as an atmospheric prelude, seamlessly leading into the title track — a piece that encapsulates the band’s core identity. “A Clockwork Reverie” thrives on dynamic shifts, intricate arrangements and a strong melodic backbone. The interplay between traditional power metal structures and progressive nuances is handled with precision, while the layered vocal arrangements add both depth and theatricality.

“18 (It Feels Like Heaven)” sees the band dial things back, opting for a more restrained and introspective approach. Its measured pacing allows the melodic elements to breathe, while the instrumentation retains a subtle complexity. Here, Luppi shines with a controlled and expressive performance, emphasizing nuance over sheer power and reinforcing the track’s emotional weight.

“Andromeda” shifts gears with a more direct and contemporary edge. Electronic textures enrich the sonic palette, while the songwriting leans toward immediacy and drive. Although rhythmic changes are still present, the track follows a more streamlined structure, making it one of the EP’s most accessible moments. The keyboard–guitar solo trade-off adds a classic touch to an otherwise modern framework.

The EP’s second half is devoted to re-recordings that feel less like nostalgic retreads and more like purposeful reinventions. “Identities”, originally featured on Stream of Consciousness (2004), benefits from a cleaner, more nuanced production and a stronger emphasis on vocal expressiveness, complemented by elegant piano work. Meanwhile, “God Is Dead”, from The Perfect Machine (2005), retains its high-octane power/speed metal essence, now bolstered by a fuller, more modern sound.

Closing track “The 25th Hour”, the title piece from the band’s 2007 album, leans further into progressive territory while maintaining a sense of urgency. This updated version highlights the band’s musical maturity, with arrangements that prioritize clarity, balance and cohesion over excess.

As a whole, A Clockwork Reverie stands as a compelling bridge between eras. Rather than simply revisiting their catalogue, Vision Divine demonstrate a clear understanding of how to evolve their sound without diluting their identity. The result is a focused, technically accomplished and artistically relevant release — one that resonates equally with long-time fans and newer listeners within the melodic and progressive metal spectrum.

Michael Gardenia

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Crashdïet: Tradição e Renovação no Sleaze Escandinavo (Also In English)

Ninetone Group (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após uma sequência estratégica de singles, o Crashdïet retorna com Art Of Chaos, seu novo álbum de estúdio, marcando mais um capítulo na trajetória de uma das bandas mais representativas do sleaze rock escandinavo. Ancorado pelo guitarrista e membro fundador Martin Sweet, o grupo mantém sua identidade intacta ao mesmo tempo em que busca expandir sua sonoridade. A ausência temporária de Peter London é compensada pela entrada de Chris Young no baixo, que assume a função com segurança dentro de uma formação sólida e entrosada.

Desde a abertura com “Satizfaction”, o álbum deixa clara sua proposta: refrões diretos, forte apelo melódico e uma produção polida que valoriza cada elemento. A faixa funciona como um cartão de visitas eficiente, equilibrando energia e acessibilidade em um formato clássico do gênero.

Na sequência, “Sick Enough for Me” reforça a veia hard rock da banda, com destaque para o baixo pulsante e uma estrutura que privilegia refrões imediatos e dinâmicas bem definidas. Já “Chaos Magnetic” amplia o escopo sonoro ao incorporar variações rítmicas e discretos elementos eletrônicos, sem comprometer a essência do grupo.

“Can of Worms” apresenta uma abordagem mais pesada, flertando com o metal tradicional, mas mantendo o foco em linhas vocais melódicas e arranjos bem construídos. O uso de camadas vocais e texturas pouco convencionais adiciona profundidade à faixa. Em contraste, “Loveblind” assume o papel de power ballad do álbum, apostando em uma construção gradual que culmina em um refrão emocionalmente carregado, evidenciando as influências clássicas da banda.

A segunda metade do disco mantém a consistência. “Get Out” resgata o lado mais direto e cru do sleaze rock, com riffs rápidos e abordagem mais agressiva nos vocais. “Quitter” aposta em variações estruturais e mudanças de dinâmica, enquanto “Killing It Now” se destaca pela energia e pelo diálogo evidente com o hard rock oitentista, remetendo a nomes como o Kiss da fase Asylum.

“Silent Place” desacelera o andamento e investe em uma construção mais atmosférica, valorizando camadas vocais e nuances melódicas, enquanto “Edge of a Knife”, responsável por encerrar o álbum, sintetiza os principais elementos do trabalho: velocidade, melodia e teatralidade, culminando em um fechamento coeso e expressivo.

No conjunto, Art Of Chaos reafirma o Crashdïet como uma força relevante dentro do sleaze rock contemporâneo. Sem abrir mão de suas raízes, a banda demonstra maturidade ao incorporar novos elementos e refinar sua abordagem composicional. O resultado é um álbum consistente, que dialoga tanto com fãs de longa data quanto com novos ouvintes em busca de uma porta de entrada para o gênero. Obrigatório!

***ENGLISH VERSION***

Following a carefully staggered run of singles, Crashdïet return with Art Of Chaos, a record that reasserts their standing as one of the leading names in modern sleaze rock. Anchored by founding guitarist Martin Sweet, the Swedish outfit strikes a balance between preserving its signature sound and subtly expanding its sonic palette. With Peter London temporarily stepping away, bassist Chris Young slots into the lineup with confidence, contributing to a tight and revitalized unit.

Opening track “Satizfaction” sets the tone with immediate clarity: punchy hooks, glossy production and a chorus built for crowd participation. It’s a statement of intent that leans heavily into the band’s strengths without feeling complacent.

“Sick Enough for Me” follows by doubling down on the band’s hard rock leanings, driven by a prominent bassline and a structure designed for maximum accessibility. Meanwhile, “Chaos Magnetic” broadens the scope, introducing rhythmic shifts and subtle electronic textures that add depth without diluting the band’s core identity.

“Can of Worms” edges into heavier territory, flirting with traditional metal through its guitar tones while maintaining a strong melodic backbone. The layered vocal approach adds richness, hinting at a more contemporary production mindset. In contrast, “Loveblind” fills the obligatory power ballad slot, unfolding gradually into an emotionally resonant chorus that highlights the band’s classic influences.

The album’s second half maintains momentum. “Get Out” strips things back to a more direct, no-frills sleaze attack, pairing sharp riffs with a grittier vocal delivery. “Quitter” injects structural variation and dynamic shifts, while “Killing It Now” channels an unmistakable ‘80s hard rock spirit, with clear nods to Kiss’s Asylum-era sheen.

“Silent Place” offers a more atmospheric detour, leaning on layered vocals and melodic nuance to create a sense of scale. Closing track “Edge of a Knife” pulls the album’s key elements together — speed, melody and a touch of theatricality — delivering a cohesive and emphatic finale.

Taken as a whole, Art Of Chaos reinforces Crashdïet’s relevance within the contemporary sleaze scene. Without straying from their roots, the band demonstrates a clear sense of evolution, refining their songwriting and embracing subtle modern touches. The result is a cohesive and engaging record that will satisfy long-time fans while remaining accessible to newcomers looking for an entry point into the genre. Mandatory!

Divulgação 


Cobertura de Show - Circuíto Gárgula Underground: Velho e Desfiladeiro (03/04/2026)

 

Em mais uma edição do Circuíto Gárgula Underground (Santa Maria RS), tivemos uma noite de Metal Extremo no feriadão de Páscoa, com a já consolidada Velho e a "novata" Desfiladeiro, duas bandas que trazem como características as letras em português e sonoridade mais direta, "primitiva" e calcada nas origens do estilo, quando pioneiros como Hellhammer e Venom surgiram chocando a cena Metal com seu som agressivo, sujo e que flertava com o Punk.

O Gárgula Bar firmou-se como o principal espaço para o underground e público Metal e alternativo na região central do RS, e os eventos do Circuíto Gárgula Underground tem trazido bons nomes da cena local e brasileira, mesclando novos nomes com outros já com tempo de estrada.

O Velho, fundada em 2009 no RJ, já é um nome conhecido no meio do Metal Extremo, e que retorna a Santa Maria em meio a mais uma de suas turnês que costumam recorrer quase o Brasil inteiro, e a Desfiladeiro, novo nome que vem da fronteira, da cidade de São Borja (RS), iniciou atividades em 2023, e começa a pavimentar sua estrada.

Diante de um bom público, a Desfiladeiro iniciou os rituais, trazendo em sua formação nomes conhecidos do Underground na região, portando, não podemos dizer que se trata de uma banda de novatos, pois já possuem uma certa bagagem no meio. 

E isso se mostrou claro durante a apresentação segura e madura do quarteto, que está divulgando seu debut "Nihil", lançado no ano passado.

Logo de início a Desfiladeiro já fez o público bater cabeça, com seu Black/Death direto e agressivo e com letras em português, tendo como uma das principais inspirações o niilismo.

A banda apresentou quase todo seu álbum, excluindo apenas a instrumental "Sorumbática", e ainda os novos sons "Peste Negra" e"Na Infinidade Desértica".  Abrindo com a sorumbática intro "Funeral de Párias", que emenda com a ríspida e veloz "Profundo Abismo". Aí a Desfiladeiro já tinha conquistado a atenção dos presentes, exalando agressividade e energia.

Destaques ainda para a  climática e mais cadenciada "Marcha Final", para a veloz "Le Mistére" e o final avassalador com "Nihil". A Desfiladeiro deixou uma ótima impressão, agradando ao público, principalmente os adeptos dessa linha mais crua e direta. 

Ao final da apresentação essa boa impressão foi confirmada com os diversas fotos que a galera pediu para tirar com a banda.

Desfiladeiro é: Marcello Camargo (vocais), Jeferson Fagundes (guitarras), Flávio Arce (bateria) e Rui Brandão (baixo).



Após um intervalo e uma breve ajustada nos equipamentos e som, o Velho sobe ao palco, agora já com as pinturas tradicionais de corpse paints, em meio a nuvem de fumaça, que por um momento ficou densa demais, com a galera brincando que era a névoa da floresta, para dar um clima bem Black Metal.


Divulgando seu mais recente trabalho, "Vingando as Bruxas", o Velho já subiu ao palco com o público nas mãos, e já devidamente aquecidos pela Desfiladeiro, novas rodas de mosh se formavam, com o carismático Thiago Caronte conduzindo com maestria o ritual.

Ao fundo, o outro Thiago, o Splatter, destruia o kit de bateria, mostrando a potência e energia características. E a coesão do quarteto é algo a elogiar, com a massa sonora de raw Black Metal tomando todos de assalto, e com muitos já mostrando que até as músicas mais recentes estavam na ponta da língua, destacando a faixa título do último álbum.

O som, ora veloz e com blast beats, ora com trechos mais punk e também com aquela cadência rítmica, já características da banda, fez todos baterem cabeça e acompanharem tal qual um rito tribal, e nesta nova passagem por Santa Maria angariaram ainda mais seguidores, com muitos já pedindo um retorno breve do Velho à região.

O Velho é: Thiago Caronte (guitarra e vocais), Thiago Splatter (bateria), Rafael Lopes (baixo) e Død (guitarras).


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Finalizando, somente elogios à iniciativa dos proprietários do Gárgula pela realização das datas do já tradicional Circuito Underground, pela organização e ótimo atendimento do bar; elogios ao público, colaborando sempre para o ambiente ótimo do local, e parabéns às bandas, por proporcionarem uma noite/madrugada de muita energia e de Metal Extremo em estado bruto!


Texto/Edição: Caco Garcia 


Redes Sociais:

Gárgula Bar

Velho 

Desfiladeiro 





terça-feira, 21 de abril de 2026

Iconic: Profissionalismo e Consistência em Alto Volume (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Supergrupos costumam carregar uma expectativa inerente: transformar pedigree em relevância artística concreta. Em “II”, seu segundo álbum, o Iconic consegue dar um passo além nesse sentido. Mais do que uma vitrine de nomes consagrados, o disco evidencia uma evolução clara em relação ao debut, sobretudo na coesão sonora e na definição de identidade.

Formado por Nathan James (vocais- Inglorious), Michael Sweet (Stryper/Boston) e Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO, Night Ranger) (guitarras), Marco Mendoza (baixo - Whitesnake, Thin Lizzy) e Tommy Aldridge (bateria - Whitesnake, Ozzy Osbourne), o grupo opera dentro dos códigos tradicionais do hard rock, mas busca atualizá-los com uma produção moderna e arranjos mais densos. O resultado é um trabalho sólido, que privilegia consistência e execução refinada, ainda que raramente se aventure fora de sua zona de conforto estética.

A abertura com “Cry No More” estabelece imediatamente o direcionamento do álbum: riffs diretos, condução firme e uma performance vocal dominante. Nathan James assume protagonismo com segurança, explorando amplitude e intensidade sem comprometer o controle — um padrão que se repete ao longo do disco.

“All I Want” amplia levemente a paleta sonora ao incorporar nuances rítmicas mais elaboradas, mas mantém o foco na acessibilidade. Já “Open My Eyes” surge como um dos momentos mais trabalhados do repertório, com uso de teclados em camadas, harmonizações vocais mais sofisticadas e uma produção que valoriza a profundidade dos arranjos, especialmente nas linhas de baixo.

“Tears Keep On Falling” introduz variação dinâmica ao flertar com estruturas mais progressivas em sua primeira metade, antes de desembocar em um refrão melódico. É também uma das faixas que melhor evidencia o entrosamento entre seção rítmica e construção musical.

Na sequência, “Take Me To The Place” retoma a energia com uma abordagem mais contemporânea nos timbres e na condução, enquanto “S.O.S.” aposta em uma estética mais clássica, remetendo ao hard rock norte-americano. Nesta última, a contenção funciona como diferencial: a execução precisa abre espaço para que a linha vocal se destaque com mais clareza.

“Nothing Left For Me” equilibra referências ao virtuosismo oitentista com uma estrutura mais controlada, resultando em um dos refrões mais eficazes do álbum. Em contraste, “Far Away” abraça abertamente a tradição, sustentada por uma produção que evita que o resultado soe datado.

“Valley Of Lost Souls” se destaca como um dos pontos altos do disco ao explorar mudanças de andamento e maior liberdade instrumental, revelando o potencial técnico do grupo em um contexto menos previsível. Já “Written In The Stars” reforça a ligação com a herança setentista do gênero, equilibrando referências clássicas com um acabamento contemporâneo.

O encerramento com “Heart Of Stone” segue a cartilha das power ballads, com progressão gradual e clímax bem construído. As influências do hard rock britânico são evidentes, funcionando como uma conclusão eficaz para o álbum.

Sem buscar reinvenção, “II” aposta na solidez — e acerta ao fazê-lo. O Iconic demonstra aqui um nível de maturidade superior ao de sua estreia, entregando um trabalho coeso, bem executado e alinhado às expectativas do público do gênero. Ainda que permaneça fortemente ancorado em convenções, o álbum se sustenta por sua consistência e pelo profissionalismo de seus envolvidos, consolidando o projeto como algo além de um encontro pontual de estrelas. Mandatório, vai aparecer na lista de melhores do ano de muita gente!

***ENGLISH VERSION***

Supergroups tend to carry an inherent expectation: to turn pedigree into tangible artistic relevance. On “II,” their second album, Iconic takes a clear step forward in that regard. More than just a showcase of established names, the record reveals a noticeable evolution from the debut, particularly in terms of sonic cohesion and a more defined identity.

Featuring Nathan James (vocals- Inglorious), Michael Sweet (Stryper/Boston) e Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO, Night Ranger) (guitars), Marco Mendoza (bass - Whitesnake, Thin Lizzy) e Tommy Aldridge (drums - Whitesnake, Ozzy Osbourne), the band operates within the traditional framework of hard rock while aiming to modernize it through polished production and denser arrangements. The result is a solid effort that prioritizes consistency and refined execution, even if it rarely ventures beyond its aesthetic comfort zone.

The opener “Cry No More” immediately establishes the album’s direction: straightforward riffs, tight momentum, and a commanding vocal performance. Nathan James takes center stage with confidence, showcasing both range and intensity without sacrificing control—a pattern that carries throughout the record.

“All I Want” slightly broadens the sonic palette by incorporating more intricate rhythmic nuances, while maintaining a strong sense of accessibility. Meanwhile, “Open My Eyes” stands out as one of the most developed tracks, featuring layered keyboards, more sophisticated vocal harmonies, and a production that highlights the depth of the arrangements—particularly in the bass work.

“Tears Keep On Falling” introduces dynamic variation, flirting with more progressive structures in its first half before resolving into a melodic chorus. It also serves as one of the clearest examples of the band’s tight interplay between rhythm section and overall composition.

“Take Me To The Place” restores the album’s energy with a more contemporary approach in both tone and execution, while “S.O.S.” leans into a more classic aesthetic, drawing from American hard rock traditions. In the latter, restraint becomes a strength: the precise execution allows the vocal line to stand out more prominently.

“Nothing Left For Me” balances nods to ’80s guitar virtuosity with a more controlled structure, resulting in one of the album’s most effective choruses. In contrast, “Far Away” fully embraces tradition, supported by a production that keeps it from sounding dated.

“Valley Of Lost Souls” emerges as one of the album’s highlights, exploring tempo shifts and greater instrumental freedom, ultimately showcasing the group’s technical capabilities in a less predictable setting. “Written In The Stars,” on the other hand, reinforces the genre’s ’70s heritage, blending classic influences with a contemporary finish.

The closing track, “Heart Of Stone,” follows the power ballad blueprint with a gradual build and a well-executed climax. The influence of classic British hard rock is evident, making for an effective conclusion to the album.

Without aiming for reinvention, “II” succeeds by doubling down on solidity. Iconic demonstrates a clear step up in maturity compared to its debut, delivering a cohesive, well-executed record that aligns with the expectations of the genre’s audience. While it remains firmly rooted in established conventions, the album stands on its own merits, supported by consistency and the professionalism of its players—ultimately proving that this is more than just a one-off gathering of stars. A must-listen, and likely to appear on many best of the year lists.

Justin Roszkowski

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cobertura de Show: Nile – 22/03/2026 – Burning House/SP

Escrever sobre o Nile é uma honra e também um desafio, a música deles é tão densa e técnica quanto os hieróglifos egípcios. O show na Burning House rolou no último dia 22 e foi uma verdadeira aula de como o Death Metal técnico deveria ser executado: direto, com precisão cirúrgica e um peso ancestral digno das pirâmides do Egito.

Na noite de domingo, 22 de março, a capital paulista testemunhou uma das apresentações mais viscerais do ano. O Nile, titã do Technical Death Metal, transformou o palco do Burning House em um ritual sonoro, provando que, após décadas de estrada, Karl Sanders e companhia ainda detém a coroa da brutalidade.

A banda abriu o set com a devastadora "Stelae of Vultures", seguida imediatamente por "To Strike With Secret Fang". O som da casa estava afiado — o que é essencial para uma banda onde cada nota de guitarra e cada batida de pedal duplo precisam ser ouvidos com clareza.

A sequência com "Sacrifice Unto Sebek" e "The Black Flame" trouxe aquele clima egípcio sufocante que só eles sabem criar. É impressionante observar a técnica de Sanders e Brian Kingsland; as guitarras parecem são rápidas, cortantes e precisas dando uma sensação de que estamos presenciando em uma batalha ancestral com milhões de anos.

O ponto alto do show veio com a aclamada Kafir!" que foi certamente um dos momentos mais intensos da noite. Em coro o público aclamou "There is no God!" que ecoou pela Burning House com uma fúria impressionante, unindo banda e público em um só transe.

Como Nile não é feito só de velocidade em Sarcophagus" eles desaceleraram o tempo indo para o território do Doom/Death, com um peso quase físico que praticamente arrastou as estruturas. Um turbilhão técnico que deixou a roda de mosh em chamas com a Chapter for Not Being Hung Upside Down on a Stake in the Underworld and Made to Eat Feces by the Four Apes.

O encerramento do set principal foi com "Black Seeds of Vengeance", um clássico do death moderno e esse foi o hino de vingança preparou o terreno para o que viria no bis.

Ao retornarem para o palco, o Nile entregou o que muitos consideram sua obra-prima: "Annihilation of the Wicked". Ver George Kollias manter aquela velocidade constante é hipnotizante. Finalizaram a noite com "Khetti Satha Shemsu", deixando os fãs em estado de êxtase metálico.

Os shows de metal pesado na Burning House em parceria com o Caveira Velha produções e a Vênus Concert vem se tornando uma das melhores referências para shows de metal extremo em São Paulo. Trazer o Nile foi certamente um presente para os fãs de Death Metal, a banda muito admirada por todos que curtem o estilo  é uma experiência sonora vinda diretamente das catacumbas das pirâmides do Egito.

Os shows de metal pesado na Burning House, em parceria com a Caveira Velha Produções e a Vênus Concert, estão se consolidando como uma das principais referências para o metal extremo em São Paulo. A vinda do Nile foi, sem dúvida, um presente para os fãs de Death Metal. Admirada por todos que apreciam o estilo, a banda proporciona uma experiência sonora intensa, transportando o público diretamente para as catacumbas das pirâmides do Egito.

A banda carioca Ereboros iniciou os trabalhos nesta noite memorável, representando o melhor do Blackened Death Metal, o grupo entregou uma performance técnica, veloz e obscura que serviu como o aquecimento ideal para o death metal técnico dos americanos.

O repertório foi focado em temas autorais de atmosfera densa e agressividade rítmica, com destaque para faixas como "Salute to Disorder" e a homônima "Ereboros". A execução impecável de som encorpado,levantou a energia do público paulista, entregando uma das aberturas mais elogiadas da turnê The Underworld Awaits Us All em solo brasileiro.



Fotos: Pri Secco 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 





Nile – setlist:

Stelae of Vultures

To Strike With Secret Fang

Sacrifice Unto Sebek

The Black Flame

Smashing the Antiu

Kafir!

Hittite Dung Incantation

In the Name of Amun

Sarcophagus

Long Shadows of Dread

Chapter for Not Being Hung Upside Down on a Stake in the Underworld and Made to Eat Feces by the Four Apes

Naqada II Enter the Golden Age

Black Seeds of Vengeance

Bis

Annihilation of the Wicked

domingo, 19 de abril de 2026

Visions of Atlantis: “O Brasil nos pede para voltar, e a gente sempre volta”

Divulgação 

Por Paula Butter

"Vocês pediram por anos. Agora a gente está realmente indo." Clémentine Delauney 

"Não é um show passivo. O público está aqui para embarcar numa grande aventura." Michele Guaitoli 

Clémentine Delauney e Michele Guaitoli, vozes do Visions of Atlantis, conversaram com a Road to Metal antes de desembarcarem no Brasil para o Bangers Open Air 2026. E nesta pauta imperdível, estão: o show de abril, a era Pirates, o álbum orquestral e a relação que a banda construiu com o público brasileiro ao longo de três visitas.
 
Há algo de simbólico no fato de o Visions of Atlantis chegar ao Brasil exatamente agora. A banda austríaca de metal sinfônico, que completa 25 anos em 2025, que inclusive vive o melhor ciclo da sua história: uma formação estável há quase uma década, dois álbuns aclamados pela crítica e pelos fãs dentro da era pirata, e números que falam por si. Pirates II - Armada (2024) entrou no top 5 das paradas oficiais da Alemanha e da Áustria, façanha rara para uma banda do gênero. Já em fevereiro de 2026, foi a vez de Armada – An Orchestral Voyage, versão totalmente rearranjada do disco com instrumentos solistas, produzida e mixada pelo próprio Michele Guaitoli.
 
Tudo isso chega ao Brasil num momento igualmente especial: a terceira visita da banda ao país em sete anos, desta vez num dos palcos mais importantes do país. No dia 26 de abril, Clémentine e Michele sobem ao Sunday Stage do Bangers Open Air, no Memorial da América Latina, em São Paulo, ao lado de In Flames, Killswitch Engage, Within Temptation, Angra e dezenas de outros nomes do heavy metal mundial. 

Para a Road to Metal, a dupla abriu o jogo sobre o que esperar do show, contou os bastidores da criação do álbum orquestral e deixou uma mensagem direta para os fãs que ainda estão em dúvida se compram o ingresso.
 
Nossos agradecimentos à Agência Traga e produção do Bangers Open Air no Brasil.
 
Road to Metal (Paula Butter): Vocês já estiveram em São Paulo antes? É a cidade onde acontece o Bangers Open Air este ano.
 
Michele: Sim, acho que já tocamos em São Paulo duas vezes, se não me engano. 

Clémentine: É... a gente nunca teve a sorte de realmente visitar a cidade, porque a agenda sempre é super apertada quando vamos tocar lá. Mas estamos muito animados para nos apresentar no Bangers Open Air pela primeira vez!

 
O BANGERS OPEN AIR E O PÚBLICO BRASILEIRO 

RM: Já que é a primeira vez de vocês no Bangers Open Air, o que vocês sabem ou imaginam sobre o público de metal brasileiro?
 
Clémentine: É a primeira vez que tocamos em um festival na América do Sul — não só a primeira vez no Bangers Open Air, mas em festival por lá de modo geral. E acho que, pelo menos aqui na Europa, festival é a melhor forma de divulgar a banda, porque é um público enorme. A gente só sonhava, sabe, olhando para o Rock in Rio e para os grandes festivais, vendo as fotos das 
edições anteriores do Bangers Open Air. Então as expectativas estão bem altas.

Michele: Pela experiência que já tivemos no Brasil e na América Latina, a gente sente que há uma paixão enorme pela nossa música, e por bandas que raramente têm a chance de tocar por lá. A gente tem memórias de públicos absolutamente incríveis, cantando tudo, vibrando, sendo muito expressivos na forma de apreciar a música. Estou muito ansioso para shows com uma energia altíssima.
 
"O público brasileiro é realmente algo especial. Poder tocar num show ao ar livre como o Bangers vai ser um momento super divertido para todo mundo, inclusive para mim." 

O SETLIST E A EXPERIÊNCIA AO VIVO 

RM: Como vocês montam um setlist para um festival grande como esse, onde muita gente talvez esteja vendo vocês pela primeira vez?
 
Michele: No fim das contas, a gente ainda precisa mostrar quem somos agora, e estamos no ciclo do Armada. É a primeira vez que trazemos esse disco para o Brasil. É importante que todo público receba o show mais atual e mais completo que a banda pode oferecer. Não faria sentido mudar o setlist para cada país. O foco vai ser principalmente o Armada e, claro, os grandes clássicos da banda, tudo dentro do tempo que nos derem.
 
RM: Tem algum momento no setlist atual que, com certeza, vai inflamar o público independente do país?
 
Clémentine: Temos muitas músicas que unem as pessoas. Para quem acompanha a banda, temos “Clocks”, que sempre é muito bem recebida. Temos “Melancholy Angel", temos “Armada”. E a gente também gosta de montar o show de forma bem interativa, mesmo para quem não nos conhece, é fácil entrar e se envolver. O Michele é quem realmente mexe com o público e faz com que eles se tornem piratas de verdade junto com a gente. Quando você assiste a um 
show do Visions of Atlantis, não é um show passivo. (Animado)
 
RM: Qual música você considera essencial para quem vai ver o Visions of Atlantis pela primeira vez num grande festival?
 
Michele: Ainda é “Melancholy Angel”, sabe. É a música que mais fica na memória do público e uma das mais ativas, porque pedimos para as pessoas pularem toda vez, e você quase se sente culpado se não pular. Toda vez eu sinto que esse é o momento em que o público esquece onde está, o que está fazendo, e a gente realmente vira um só. É uma força interior linda dessa música. E o “Armada” também tem algo especial, porque une todas as pessoas para cantar juntas. Mas, se eu tiver que escolher uma, é “Melancholy Angel". Se tiver que escolher duas, são “Melancholy Angel” e “Armada”. "Quando você assiste a um show do Visions of Atlantis, não é um show passivo. O público está aqui para embarcar e viver uma grande aventura — e a gente garante que isso aconteça."

 
PIRATES II – ARMADA E O ÁLBUM ORQUESTRAL 

RM: Pirates II entrou no top 5 na Alemanha e na Áustria. O que isso significa para a banda?
 
Clémentine: É a sensação de que finalmente somos vistos pelo público desses países. São números que falam por si mesmos, e você nunca sabe com antecedência quanto as pessoas vão comprar discos, porque isso acontece cada vez menos. Então quando ainda temos esses números e essas provas de reconhecimento, isso nos fortalece muito e reforça nossa crença de que estamos fazendo algo grandioso. É a melhor motivação, pelo menos para mim. 

RM: Como surgiu a ideia do álbum totalmente orquestral? 

Michele: Isso veio verdadeiramente dos fãs, honestamente. Quando lançamos o Pirates, depois dos primeiros meses, as pessoas estavam com uma sede enorme de uma versão orquestral. No metal sinfônico isso realmente toca os fãs, porque eles querem ouvir as orquestras em versão pura. Fizemos duas vezes e investimos muito nisso, tem uma capa completamente nova, um arranjo completamente novo. Para o Pirates II, até contratamos músicos para tocar os instrumentos solistas, o que não aconteceu no primeiro. Não é simplesmente 'vamos pegar a orquestra do disco e lançar'. E devo dizer que, quando fizemos para o Pirates sem as flautas, as pessoas nos disseram que era uma pena não ter instrumentos solistas. Então a gente ouviu, e fez isso no Pirates II. A gente escuta os fãs, e isso é importante para nós! 

UMA BANDA MULTINACIONAL 

RM: Michele, você é da Itália, Clémentine é da França, e a banda é austríaca. Essa mistura internacional aparece no palco de alguma forma?
 
Clémentine: No palco, temos personalidades muito variadas entre os cinco. O sangue latino, Michele e eu, somos os mais extrovertidos, estamos por todo o palco. E os austríacos ficam mais no lado tranquilo, tomando menos espaço. Eles deixam a gente conduzir o show. É mais nos bastidores que acontecem os choques culturais. O Michele e eu adoramos fazer jantares com todo mundo, apreciar a comida e compartilhar esse momento. Isso nem sempre é algo que os membros austríacos compartilham. E também não temos o mesmo senso de humor. Então às vezes é um pouco engraçado, digamos assim. Mas acho que isso torna nossa banda e nossa música mais ricas, porque a gente se confronta, se ajusta. É muito mais rico do que estar rodeado de pessoas muito parecidas com você o tempo todo.
 
Michele: O que mais importa é que encontramos um equilíbrio. O Visions of Atlantis é uma banda internacional agora, e não pode mais ser considerada uma banda austríaca, apesar de ter base na Áustria. Há equilíbrio, e isso é fantástico. "Lutamos muito para voltar ao Brasil. Nunca é economicamente favorável para nós, é sempre um investimento. Mas não nos importamos, porque o que importa é levar nossa música até lá."
 
O BRASIL E A MENSAGEM AOS FÃS

RM: Tem alguma coisa que vocês querem ver ou fazer em São Paulo além do palco?

Clémentine: Adoraria comer uma boa comida!

Michele: Sinceramente, visitar o Brasil seria um sonho. Quando você está em turnê, as pessoas pensam que você vê o mundo, mas você vê casas de shows, aeroportos e aviões. Seria fantástico ter tempo de verdade para mergulhar na cultura, na história. A Floresta Amazônica, eu adoraria ver. E claro, encontrar alguns animais malucos (risos). 

RM: O que vocês querem dizer diretamente aos fãs brasileiros que vão ao Bangers Open Air, ou que ainda estão decidindo se vão?
 
Clémentine: Primeiro de tudo: vocês ficaram pedindo “venham pro Brasil” por anos, e agora a gente está realmente indo. Estamos muito felizes em compartilhar quem somos e a nossa música com vocês novamente. Desta vez num festival, não num show solo. Mas é uma boa forma de construir algo por lá e talvez ter a chance de voltar mais vezes. Venham curtir um grande show de metal sinfônico pirata, que é muito único do jeito que a gente faz.
 
Michele: O que eu quero dizer (e quero dizer em voz alta) é que lutamos muito para voltar constantemente ao Brasil. Nunca é economicamente favorável para nós, é sempre um investimento. Mas não nos importamos, porque o que importa é levar nossa música até lá. A gente lê as redes sociais, lemos os comentários, vemos o quanto de amor vem de lá. Nos últimos anos, sempre voltamos: fizemos para o The Deep & The Dark, para o Pirates, e agora estamos fazendo para o Armada. Se você tem alguma dúvida, ouça isso e faça a sua parte também, porque a gente precisa de vocês! Finalmente, o recado está dado, por esses dois músicos simpaticíssimos e com um extraordinário talento! Nos vemos no dia 25 Abril no Memorial da América Latina! 

SERVIÇO 

Bangers Open Air 2026 
Local: Memorial da América Latina — São Paulo 
Datas: 25 e 26 de Abril de 2026