Por: Renato Sanson
De cara, eu já quero te perguntar sobre essa questão da reunião do Angra. Vocês vão estrear essa reunião no maior evento de Heavy Metal do Brasil, e um dos melhores do mundo, que é o Bangers Open Air. O que os fãs podem esperar disso?
MB: Para a gente,
está sendo muito legal esse momento. A gente sabia que, um dia, essa reunião
poderia vir a acontecer, mas não sabia que seria algo tão próximo. Até vi essa
ideia surgir no próprio festival, e ela acabou se concretizando, então a gente
está muito feliz. Tenho certeza de que vai ser um show muito versátil, no
sentido de que uma banda como o Angra, que tem mais de trinta anos, passou por
três grandes fases: uma com Andre, outra com Edu e essa com o Fabio, que
perdura até hoje. A gente vai permear esse show passando por todos esses
momentos, honrando todas as fases da banda. Tem muita coisa da época do Andre
e, obviamente, da fase Nova Era e Temple of Shadows, além de bastante material
mais atual, do que a gente vem lançando nos últimos anos juntos. Então, tenho
certeza de que todo tipo de fã — desde o mais novo, que conheceu a banda há
menos tempo, até aquele que acompanhou lá na época do André — vai ser agraciado
com canções que fazem parte da sua história. Com certeza, esse será um momento muito
especial.
Então, em termos de
setlist, vamos ter algo gigantesco.
MB: É um show
longo, sem dúvida, porque precisa agraciar esse momento como um todo, E também
as duas diferentes fases que estão sendo celebradas ali naquele momento.
Vocês já chegaram a
se reunir para ensaiar ou ainda não?
MB: Não. Essa é
uma pergunta que já me foi feita algumas vezes, e a gente não pode esquecer que
alguns integrantes da banda — se não falha a maioria — moram em lugares
diferentes: eu sou de Brasília, o Bruno está em Los Angeles, o Aquiles, se não
me engano, mora em Los Angeles também, o Alírio Neto em Madrid, o Fabio na
Itália, o Kiko na Finlândia... Então, não dá para falar algo como 'ah, vamos
ensaiar esse final de semana? Vem todo mundo, ensaia e depois volta'.
Obviamente, a gente tem trabalhado na parte de pré-produção, que envolve muita
coisa. São muitos detalhes técnicos, e a gente tem se dedicado a isso. Já
fizemos fotos e vídeos com praticamente todo mundo que pôde estar presente. O
que deve acontecer, basicamente, é que, uns dez a quinze dias antes do show,
todo mundo vá para São Paulo e fique por lá até o dia do show. Durante esse
período, a gente ensaia e prepara tudo o que precisa ser preparado.
Além do show do
Bangers, vocês também anunciaram um show extra em São Paulo.
MB: Exatamente.
Acho que dois ou três dias depois.
Isso, é bem pertinho.
A minha pergunta é: esse material, tanto do Bangers quanto desse show extra,
ele pode vir futuramente a ser lançado como um ao vivo ou um blu-ray? Vocês pensaram
nessa possibilidade?
MB: Isso foi
ventilado, mas, a princípio, não vai acontecer. Não sei se esse encontro
acontecerá novamente, mas é a primeira vez que ele acontece, e ainda não se
sabe como serão as coisas caso isso perdure por mais tempo. Acho que, antes de
mais nada, como seres humanos que somos, é necessário entender como vai ser
essa dinâmica: se está todo mundo bem, se o clima é bom, se existe vontade de
fazer coisas juntos, porque, se você lança algo como um DVD, ou um registro
videográfico profissional disso, é um investimento alto. Então, compensaria?
Faria sentido? Sim, beleza, a gente faz. E isso poderia servir, por exemplo,
para divulgar uma turnê futura. Mas não tem nada disso sendo conversado ainda,
nem como ideia. O foco agora é entregar o melhor show possível neste momento
para os fãs e entender como essa dinâmica vai funcionar, saber se isso
realmente faz sentido. Se fizer sentido, ainda assim não é garantia de
continuidade, mas pelo menos fica aquela sensação de 'pô, foi legal. Podemos
fazer de novo em outro momento'. Por enquanto, o que realmente está programado
para essa reunião são esses dois shows.
E vocês vão fazer um
show especial na França, onde vão tocar o Holy Land na íntegra.
MB: Exato. Um
show na França e outro na Grécia.
É interessante essa
questão da França, porque o Andre era muito celebrado pelos franceses e vocês
retornarão lá com esse show especial. Tem um sentimento diferente?
MB: Tem, sim, um
sentimento muito diferente. Eu estou na banda há quase onze anos e, nesse
período, acho que tocamos em Paris e em outras cidades da França umas quatro ou
cinco vezes. É sempre muito legal. Mas esse show, além de celebrar o Holy Land,
será em uma casa maior, algo mais grandioso do que o que foi feito nos últimos
anos. Eu sei que o Angra, na época do Andre, fazia grandes shows na França.
Depois disso, a banda continuou sendo muito famosa por lá. Acho que, em
praticamente todas as vezes em que passamos pela Europa, passamos também pela França,
mas acredito que o Andre era um vetor muito importante nessa conexão do público
francês com o Angra. Então faz todo sentido celebrar o Holy Land ali. A gente
tem certeza de que vai ser um show muito especial, porque está sendo preparado
para ser, digamos assim, um momento único na carreira do Angra, considerando
toda a trajetória da banda na França.
E agora, com essa formação e com a participação do Kiko
também, que vai estar presente nesse momento — os outros dois não —, fica ainda
mais especial. Ele é um cara que, obviamente, teve suma importância nesse
álbum, porque estava lá compondo, gravou e tudo mais. Então vai ser muito bom
ter ele com a gente também.
Então esses shows
terão três guitarras (risos).
MB: Eu ainda não
sei exatamente. A gente ainda não conversou sobre como isso vai ser. Eu não
acredito que teremos três guitarras durante o show inteiro, mas acho que, em
alguns momentos, sim. O Kiko está entrando como um convidado especial, então eu
não sei exatamente em quais partes isso vai acontecer, a gente ainda vai
definir. Neste momento, estamos muito mais focados no Bangers, em definir o
formato do show no festival, do que no show que vai acontecer no segundo
semestre. Mas tenho certeza de que, seja como for, vai ser muito bom. E, para
mim, é um privilégio fazer parte desse momento da banda.
Vai ser um grande
momento com certeza, ainda mais sendo o Holy Land.
MB: Exatamente. É
um disco que fez muito sucesso por lá. Especificamente na França, esse álbum é
muito celebrado.
Esses shows fora vão
ter uma pequena mudança: sai o Fabio e entra o Alírio.
MB: Exato.
Pequena e grande mudança. Vocalista, né? (risos)
Como está sendo para
vocês isso?
MB: É
interessante essa pergunta, e eu tenho respondido muito sinceramente, do fundo
do meu coração. O Fabio eu conheci pessoalmente quando entrei na banda. Antes,
eu não o conhecia. Conhecia o trabalho dele, mas, pessoalmente, não. E nós nos
tornamos amigos. Ele gosta de vinho, eu também gosto de vinho. Independentemente
do Angra, a gente toma vinho junto, conversa… Normalmente, quando estamos em
São Paulo, eu fico no mesmo hotel que ele, enquanto os outros caras ficam em
casa, porque eles têm casa em São Paulo. O Fabio virou um parceirão, é um cara
com quem, no final da pandemia, fizemos uma turnê acústica juntos, só nós dois.
Então a gente tem um entrosamento, uma amizade muito boa. É muito bom estar com
o Fabio e tê-lo como amigo. Dito isso, é sempre ruim para qualquer banda, ainda
mais uma banda que já passou por outras mudanças, mudar qualquer integrante,
especialmente o vocalista. Só que uma banda como o Angra, que existe há mais de
trinta anos, naturalmente passa por mudanças. As pessoas se desentendem, mudam
de ideia, às vezes acham que é melhor seguir outro caminho. E o Fabio está na
banda acho que há treze ou catorze anos, e chegou esse momento. Então, para
mim, se eu tivesse poder sobre isso, no sentido de fazer com que as coisas
funcionassem, eu não gostaria que o Fabio saísse. Claro, é melhor manter a mesma
formação por mais tempo, fazendo coisas juntos. Mas, já que aconteceu, eu
sempre digo que o Alírio, para mim, é a bola da vez. É um cara que está
preparado para isso há muito tempo, que construiu um nome, uma reputação, uma
experiência cantando no Queen Extravaganza e no Shaman. Então faz todo sentido.
E ele é como um irmão para mim. Eu disse que conheci o Fabio quando entrei na
banda, o Alírio eu conheço, sei lá, desde os meus vinte anos de idade. São mais
de trinta anos de amizade. Para mim, vai ser um prazer enorme tê-lo na banda. É
até engraçado chamá-lo de Alírio, porque a família dele o chama de Neto, e foi
assim que eu sempre o conheci. A gente é muito próximo. Então entra outro
brother, porque tirar um cara que é teu parceiro e, de repente, entrar alguém
com quem você não tem tanta proximidade — ou com quem não “gruva”, não tem
aquela empatia — pode ser complicado. Não é nem questão de tocar bem ou não,
mas de convivência, de afinidade. Então é melhor que seja um amigo, alguém com
quem eu também tenha essa conexão. E ele já é amigo dos outros integrantes da
banda também, o Felipe e o Rafa são padrinhos de casamento dele. Enfim, existe
toda uma história que não começou agora. Então acho que faz todo sentido e que
vai ser muito bom.
Eu acredito que ele
mereça essa oportunidade, porque quando o Edu estava pra sair, ele foi muito
cotado pra isso também.
MB: É verdade.
Ele era o nome da
vez, só que o Fabio acabou assumindo. Então acredito que ele mereça a sua
oportunidade desses grandes shows para ele se tornar realmente o vocalista do
Angra.
MB: Super
merecedor, super merecedor. Vai fazer muito bem, vai fazer muito bem para a
banda. Não que o Fábio não fizesse, mas o que eu quero dizer é que, ele vai
agregar também muito, porque ele é um cara muito musical e muito talentoso. Eu
tenho certeza que só virão coisas boas.
Agora falando de
pausa, porque o Angra está para anunciar uma pausa.
Pós esses shows, o
Angra vai realmente pausar as atividades ou agora deu um gás novo e pode ser
que siga? (N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar o fim o
do hiato).
MB: O que tem
acontecido é o seguinte: a gente realmente resolveu ficar parado por pelo menos
um ano, talvez mais. No meio do caminho, confirmou-se essa questão do Bangers.
A gente já tinha falado 'beleza, estaremos em hiato. Mas, se isso se confirmar,
se realmente acontecer, vale a pena voltar e fazer esse show, porque é
histórico. Fechar um festival gigante com as duas formações é muito legal. Quem
não quer fazer? Vamos fazer? Beleza, a gente faz.' E isso se confirmou. Além
disso, também produzido pelo Bangers, surgiu um sideshow. Já que estaremos por
aqui, apareceu o Porão do Rock, em Brasília, não com a reunião completa, mas
com a banda e a participação especial do Kiko. E é isso que temos para o
primeiro semestre. Terminando isso em maio, a gente para de novo. Inclusive, já
tem turnê marcada com outros projetos. Eu e o Felipe vamos tocar em um projeto
com cinco vocalistas (referindo-se ao Masters Of Voices com Edu Falaschi, Eric
Martin, Tim "Ripper" Owens e Jeff Scott Soto), incluido o próprio
Edu, passando pela América Latina e Brasil. Então, mesmo que quisesse, não
teria como parar. E, no segundo semestre, tem uma coisa ou outra marcada, como
você mencionou, esse show na França, e depois para de novo. Aí, quem sabe, no
ano que vem, a gente vê o que faz. É mais ou menos isso. Acho que deve seguir
por esse caminho. Claro, as coisas podem mudar no meio do percurso, mas o que
temos em mente hoje é isso.
(N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar
o fim o do hiato).
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)



















.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
