Poucos nomes no hard rock carregam um legado tão distintivo quanto o de George Lynch — e The Final Ride chega como o capítulo derradeiro dessa história, capturando o Lynch Mob em sua despedida dos palcos com a intensidade e a crueza que sempre definiram sua identidade. Mais do que um simples registro ao vivo, o álbum funciona como uma celebração definitiva de uma carreira marcada por riffs icônicos, atitude e uma abordagem visceral ao gênero.
Construído com precisão quase curatorial, o setlist percorre diferentes fases da trajetória de Lynch, equilibrando o peso fundacional de Wicked Sensation (1990) com recortes de momentos distintos da banda, incluindo o álbum homônimo de 1992 e trabalhos mais recentes como Babylon (2023) e Dancing with the Devil (2025). O resultado é uma narrativa sonora que evita a nostalgia fácil, optando por uma retrospectiva dinâmica e coerente.
A inclusão de clássicos da era Dokken — “Lightning Strikes Again”, “It’s Not Love” e “Paris Is Burning” — não soa como mero fan service, mas como parte essencial da construção estética de Lynch. Essas faixas reforçam seu papel como um dos arquitetos do hard rock oitentista, ao mesmo tempo em que ganham nova vida em um contexto mais cru e imediato.
Gravado, mixado e masterizado por Chuck Alkazian no Pearl Sound Studios, The Final Ride aposta em uma sonoridade direta e sem excessos. Há uma escolha clara por preservar a espontaneidade do palco, evitando polimentos excessivos. O resultado é um álbum que respira — imperfeito no melhor sentido possível, com nuances que revelam a interação orgânica entre os músicos.
E, no centro de tudo, está George Lynch. Seu timbre permanece inconfundível, seu fraseado continua tão expressivo quanto sempre foi, e sua presença domina cada momento do registro. Ao seu lado, Gabriel Colon (vocais) entrega uma performance segura e energética, enquanto Jaron Gulino (baixo) e Jimmy D’Anda (bateria) formam uma base sólida, sustentando o peso e o groove com precisão e intensidade.
Para ouvintes acostumados a produções altamente polidas, a abordagem mais crua pode causar estranhamento inicial. Mas é justamente aí que reside o charme do álbum. Os improvisos, as pequenas variações nos backing vocals e a ausência de padronização rígida reforçam a sensação de algo vivo — uma performance que privilegia emoção em detrimento da perfeição técnica.
Faixa a faixa, o repertório sustenta esse espírito:
“Lightning Strikes Again” abre o set com energia renovada, mantendo seu riff cortante intacto, agora com uma pegada mais direta e menos domesticada. “River Of Love” surge como um dos momentos mais acessíveis, com groove robusto e forte apelo melódico, enquanto “No Good” aprofunda o lado mais pesado e sujo da banda.
A fase recente aparece bem representada em “Caught Up”, que equilibra modernidade e identidade clássica, enquanto “Hell Child” entrega hard rock em estado bruto, sem concessões. Já “Let The Music Be Your Master” evidencia uma maturidade composicional maior, trazendo nuances mais refinadas ao repertório.
O bloco dedicado ao Dokken mantém o nível elevado: “Time After Time” preserva sua carga emocional, “Paris Is Burning” explode com agressividade renovada, e “It’s Not Love” segue como um hino irresistível, com refrão que ainda ressoa com força.
Entre os destaques, “Rain” funciona como um respiro atmosférico bem colocado, enquanto a versão de “Street Fighting Man” adiciona peso e atitude à clássica dos Rolling Stones, reinterpretada sob a ótica do hard rock.
O encerramento com “Wicked Sensation” é tão simbólico quanto inevitável. Mais do que uma escolha óbvia, trata-se de um statement — uma reafirmação final de tudo o que definiu o Lynch Mob: riffs memoráveis, groove pulsante e uma entrega carregada de personalidade.
No fim das contas, The Final Ride não tenta reinventar o legado da banda — e nem precisa. Em vez disso, opta por algo mais honesto: capturar o Lynch Mob exatamente como ele sempre foi. Alto, cru e absolutamente autêntico.
***ENGLISH VERSION***
Few names in hard rock carry a legacy as distinctive as George Lynch’s — and The Final Ride arrives as the closing chapter of that story, capturing Lynch Mob’s farewell to the stage with all the grit and intensity that have always defined them. More than just a live album, this feels like a definitive statement: a raw, unfiltered celebration of a career built on iconic riffs, attitude and sheer musical personality.
Carefully curated without ever feeling calculated, the setlist moves fluidly across different eras of Lynch’s career. There’s a strong backbone drawn from Wicked Sensation (1990), still the cornerstone of the band’s identity, complemented by selections from the 1992 self-titled release and later material such as Babylon (2023) and Dancing with the Devil (2025). Rather than leaning on nostalgia, the album presents a well-balanced retrospective that feels alive and purposeful.
The inclusion of Dokken staples — “Lightning Strikes Again”, “It’s Not Love” and “Paris Is Burning” — goes far beyond crowd-pleasing obligation. These tracks are integral to Lynch’s musical DNA, and here they’re reintroduced with a tougher, more immediate edge that reinforces his status as one of the key architects of ’80s hard rock.
Recorded, mixed and mastered by Chuck Alkazian at Pearl Sound Studios, The Final Ride deliberately avoids excessive polish. Instead, it leans into a stripped-down, organic sound that prioritizes the feel of a real performance. The result is refreshingly unvarnished — a live album that breathes, with all the subtle imperfections that make it genuinely engaging.
At the center of it all is George Lynch himself. His tone remains unmistakable, his phrasing as expressive as ever, and his presence dominates every corner of the record. Frontman Gabriel Colon delivers a confident and energetic performance, while Jaron Gulino (bass) and Jimmy D’Anda (drums) provide a tight, powerful backbone that keeps everything grounded and driving forward.
Listeners accustomed to hyper-polished modern productions might initially find the rawness surprising. But that’s precisely the point. The looseness, the shifting backing vocals and the moments of improvisation all contribute to a sense of authenticity — this is a band playing in the moment, not chasing perfection but channeling energy and feel.
Track by track, that spirit holds strong.
“Lightning Strikes Again” kicks things off with renewed urgency, its razor-sharp riff intact but delivered with a rougher, more aggressive edge. “River Of Love” stands out as one of the more accessible moments, built on a thick groove and strong melodic pull, while “No Good” dives into heavier, dirtier territory, showcasing the band’s grittier side.
More recent material is represented by “Caught Up”, which balances modern touches with classic sensibility, while “Hell Child” delivers straight-up, no-frills hard rock. “Let The Music Be Your Master” hints at a more mature songwriting approach, adding subtle layers to the overall dynamic.
The Dokken segment remains a clear highlight: “Time After Time” retains its emotional weight, “Paris Is Burning” erupts with renewed aggression, and “It’s Not Love” still lands as an undeniable anthem, its chorus as effective as ever.
Elsewhere, “Rain” provides a well-placed atmospheric breather, while the band’s take on “Street Fighting Man” injects The Rolling Stones classic with a heavier, more defiant attitude without losing its essence.
Closing with “Wicked Sensation” feels both inevitable and entirely fitting. It’s more than just a finale — it’s a statement piece, bringing together everything that defines Lynch Mob: groove, power and unmistakable character.
In the end, The Final Ride doesn’t attempt to rewrite the band’s legacy — it simply captures it as it is. Loud, raw and unapologetically real.
Inspirado por uma estética de fantasia sombria e narrativa épica, o Shadowborne apresenta em Heaven’s Falling um debut que dialoga diretamente com os pilares do power metal europeu, combinando peso, melodias marcantes e uma abordagem cinematográfica. O álbum constrói uma identidade que equilibra tradição e contemporaneidade, explorando temas como honra, ambição e destino sob uma ótica emocionalmente acessível.
A abertura com “Winter Is Coming (Heims Advenit)” cumpre o papel clássico de introdução atmosférica, apoiando-se em orquestrações sintéticas e corais que estabelecem o tom grandioso do trabalho. Na sequência, “High And Low” apresenta o núcleo sonoro da banda: power metal melódico tradicional, com forte apelo em refrões e arranjos que remetem diretamente às referências clássicas do gênero. É também o primeiro contato efetivo com os vocais de Eira Shadowborne, que rapidamente se consolidam como um dos principais trunfos do álbum.
“Wolf And The Queen” amplia o espectro sonoro ao incorporar elementos de hard rock oitentista, tanto na escolha de timbres quanto na construção das melodias. A faixa evidencia versatilidade sem comprometer a coesão do disco, enquanto “Custodians” retoma o eixo do metal melódico com influências perceptíveis de bandas como Judas Priest, especialmente na condução vocal e na estrutura mais direta do refrão.
A metade do álbum mantém consistência ao alternar entre abordagens mais modernas e momentos ancorados na tradição. “Hold The Door” exemplifica essa dinâmica ao trazer uma produção mais carregada de efeitos e texturas eletrônicas, sem abrir mão da base melódica. Já a faixa-título, “Heaven’s Falling (Dragons’ Hymn)”, funciona como um manifesto estético: refrões expansivos, condução por teclados e mudanças de andamento que reforçam o caráter épico — elementos centrais do power metal em sua forma mais clássica.
Na reta final, “Stranger To Myself” e “The Wall” reforçam o apelo melódico do álbum, com arranjos densos e refrões de forte impacto, evocando nomes consagrados do gênero. “Raven”, por sua vez, introduz uma atmosfera mais dramática e contemporânea, aproximando-se de uma abordagem mais teatral, com destaque para as camadas vocais e a construção dinâmica.
O encerramento com “End Of The World” aposta na fórmula da power ballad, equilibrando peso e sensibilidade, e evidenciando a versatilidade interpretativa de Eira, que transita com segurança por diferentes nuances vocais.
Heaven’s Falling se apresenta, assim, como um debut sólido e bem direcionado, que respeita as convenções do estilo ao mesmo tempo em que busca pequenas variações dentro de sua proposta. Mais do que um exercício de reverência, o álbum sugere potencial de desenvolvimento e consolida o Shadowborne como um nome promissor dentro do power metal contemporâneo.
***ENGLISH VERSION***
Drawing from a dark fantasy aesthetic and epic storytelling, Shadowborne’s debut album Heaven’s Falling firmly positions the band within the traditions of European power metal while embracing a cinematic and contemporary edge. The record balances weight, melody, and atmosphere with a clear sense of identity, exploring themes of honor, ambition, and destiny through an emotionally resonant lens.
The opening track, “Winter Is Coming (Heims Advenit)”, serves as a classic scene-setter, built on synthetic orchestration and choral arrangements that establish the album’s grandiose tone. It flows seamlessly into “High And Low”, where the band lays out its core sound: melodic, traditional power metal driven by strong hooks and a keen sense of structure. This is also the first full introduction to Eira Shadowborne’s vocals, which quickly emerge as one of the album’s defining strengths.
“Wolf And The Queen” broadens the sonic palette by incorporating elements of ‘80s hard rock, particularly in its tonal choices and melodic phrasing. It’s a refreshing detour that showcases the band’s versatility without disrupting the album’s cohesion. “Custodians” pulls things back toward melodic metal territory, with noticeable nods to acts like Judas Priest, especially in its vocal delivery and more straightforward chorus approach.
The album’s midsection maintains consistency while shifting between modern touches and genre tradition. “Hold The Door” leans into a more contemporary production style, layering electronic textures over a solid melodic backbone. In contrast, the title track “Heaven’s Falling (Dragons’ Hymn)” stands as a clear statement of intent: soaring choruses, keyboard-driven arrangements, and dynamic shifts that encapsulate the essence of classic power metal.
In the latter half, “Stranger To Myself” and “The Wall” reinforce the album’s melodic appeal with dense arrangements and impactful choruses, echoing the legacy of established genre acts. Meanwhile, “Raven” introduces a more dramatic and modern atmosphere, with a slightly theatrical approach highlighted by layered vocals and dynamic progression.
Closing track “End Of The World” follows the power ballad tradition, blending heaviness with emotional depth while allowing Eira to showcase impressive vocal versatility, moving confidently across different stylistic nuances.
Heaven’s Falling ultimately stands as a confident and well-crafted debut. While it remains rooted in the conventions of the genre, it introduces enough variation to suggest room for growth. More than a tribute to power metal’s legacy, it marks Shadowborne as a promising new contender within the contemporary scene.
O peso, a velocidade e a atitude do verdadeiro thrash metal estão no ar.
Diretamente da linha de frente do underground brasileiro, hoje o papo é com ninguém menos que Poney, baixista e vocalista do Violator. Em uma conversa intensa, falamos sobre a energia do Bangers Open Air, os bastidores e recepção do novo álbum, a essência do thrash metal e tudo que mantém o gênero vivo, agressivo e relevante até hoje.
Se você respira som pesado, prepara o volume… Porque essa entrevista tá insana.
Satisfação aí poder conversar contigo. Sou aqui do Sul. Já trocamos ideia na Embaixada do Rock ali algumas vezes.
É lá em São Leopoldo.
Em São Leopoldo. Isso mesmo.
Ô, que maravilha, cara. Tocamos, eu acho que fizemos acho que quatro apresentações lá em duas oportunidades diferentes, talvez, né, cara?
Exato. Exato. Eu fui em três.
Que legal, cara. Que legal.
Bom, vamos começar, então. Vamos falar do novo álbum "Unholly Retribution", que saiu ano passado. Uma expectativa grande aí dos fãs, né? Minha expectativa também. Como é que foi a criação desse álbum?
Legal. Foi uma um longo preparativo, Renato, para acontecer. Eu acho que o espaço de tempo entre um álbum e outro de 12 anos representa muito bem a aventura que foi também preparar esse disco assim, né? Porque envolveu a volta, o retorno do Capaça ao Brasil, que morou seis anos fora na Irlanda, o nosso guitarrista e riff master, né? Envolveu todas as aventuras das nossas vidas pessoais ao longo dos 30 anos, a época das pessoas terem filhos, arranjarem empregos fixos e tudo mais.
E uma pandemia no meio, tal. E mais para além disso, um preparativo muito grande no sentido de como a gente queria produzir um álbum, um álbum cheio, um álbum daqueles que a gente é tão fã, que a gente tem, a gente cresceu ouvindo e gostaria, né, e aprendeu a apreciar no Heavy Metal, um disco cheio com oito músicas, 40 minutos, quatro faixas de cada lado e tudo mais.
E contamos com uma generosidade tremenda da KA Records para entender a pretensão no bom sentido desse trabalho. Então, pra gente poder trazer um gringo, o Yarne, para morar aqui em casa por duas semanas para produzir esse disco, pra gente fechar um estúdio pra gente aqui na nossa cidade, ter todo o tempo disponível para realizá-lo assim, né?
Então, ele foi uma espécie de epopeia para a realização dele, assim, que nos custou muita dedicação, trabalho, planejamento, mas que felizmente eu acho que o resultado que a gente conseguiu alcançar reflete um pouco toda essa dedicação que a gente aplicou ao disco, assim, sabe? Eu acho que valeu muito toda essa dedicação e todo esse tempo.
Ah, realmente é um disco visceral! Pra gente que é fã do thrash, do crossover, assim, quando eu ouvi, eu fiquei, puxa vida, tem uma raiva nele, tem o ódio característico do thrash e a velocidade tá tudo ali.
Essa é a melhor recepção possível, Renato, porque é a aprovação dos nossos camaradas headbangers! Porque de alguma forma o disco ele tá implicado no giro que o Violator fez em 2017 no EP The Hidden Face of Death, que é de fazer um som mais primitivo, um som que flerta com o death metal ali, né? As influências mais antigas, voltando para o Slayer do EP e do segundo álbum, tem todo um caráter mais antissocial e primitivo, eu diria, que não necessariamente foi a marca do que ficou mais conhecido do Violator ao longo dos anos, assim.
E eu acho que os nossos camaradas headbangers entenderam muito bem a nossa vontade, já mais velhos, de fazer um disco mais agressivo, de fazer um disco que não tava interessado em agradar os ouvidos mais sensíveis assim, né? Então, a maior aprovação possível foi exatamente de quem curte som, assim como a gente.
Ah, que irado, que massa. Bom, vocês fizeram parte da, vamos dizer assim, do revival do thrash metal. A gente passou por um marasmo, uma época ali que ficou difícil. Então, Violator, Municipal Waste, Gama Bomb, são bandas que, vamos dizer assim, trouxeram de volta essa chama e parece que isso incendiou do modo geral que até as bandas clássicas começaram a apertar de novo, né, e bater forte no som de novo.
Sim, os caras estavam todos de cabelos curtos, tocando som meio gótico, alternativo né.
Exato, velho. Exato. Daí parece que quando deu esse pé na porta assim, vai o Violator, Municipal, Gama Bomb, aquele estouro, parece que os caras se ligaram. Assim, opa, nós temos que voltar, senão nós vamos perder. Como que é refletir sobre isso pra você?
Uma coisa que eu acho legal, olhando que agora o Violator já completa 24 anos, o que é um tempo maior, muito mais distante do que a gente tinha dos anos 80, quando a gente começou ali no final dos anos 90 e dos anos 2000, né? Mas o que é legal de ver passado esse tempo é que eu acho que teve uma questão, teve um encontro geracional parecido com o que aconteceu na primeira geração do thrash.
Assim, nós tivemos vários moleques ao redor do mundo, como foram os caras do Toxic Holocaust, o pessoal do Farscape, o Bywar, enfim, múltiplos exemplos, que era uma molecada que tava cansada daquele tipo de metal que tava sendo feito nos anos 90, do auge do New Metal, né, daquela coisa do black metal sinfônico ou do power metal melódico e tava em busca de alguma coisa mais visceral, tava em busca de uma coisa mais honesta, de uma coisa mais em que essa agressividade fosse realizada de uma forma mais sincera, né?
E eu acho que de diferentes maneiras essa molecada foi encontrando o thrash metal, foi buscando o thrash metal assim e o Violator tava vivendo esse momento. A banda começa em 2002, o primeiro EP oficial é em 2004, o Violent Mosh.
A partir de 2002..2004, começa esse "revigoramento" e um retorno do Thrash, digamos assim.
E em 2006, que eu acho que é um ano muito definitivo para esse retorno do thrash, a gente lança o Chemical Assault, que até hoje é o disco mais representativo do Violator. Na época eu acho que a gente tava vivendo tão visceralmente essa coisa do thrash, tomando café da manhã, almoçando e jantando, thrash metal, que a gente nem entendia o movimento geracional que tava sendo formado ali.
Mas hoje em dia eu acho que dá para entender dessa forma. Foi uma geração de moleques que falou: "Cara, não tá legal isso daqui. Vamos em busca do vamos fazer um novo buscando o velho, né?" E a partir daí nós estabelecemos compromissos com o underground que a gente leva até hoje. E a partir dali se criou, vamos dizer assim, uma nova geração de bandas que leva essa bandeira, né?
Isso aí foi o mais legal para nós. Somos fãs do thrash. Daí surgiu inúmeras bandas querendo fazer um som mais extremo e isso se deve muito a vocês e as outras bandas foi citado, o próprio Bywar também, enfim, vocês pavimentaram esse novo caminho.
A própria palavra thrash era uma palavra esquecida, assim, era uma palavra que para se referir a bandas que são thrash metal, se você pegasse nas revistas e tal, eles tinham outras definições, mas a palavra thrash, né, escrevia-se errado e não se falava, era quase como uma coisa que realmente tinha sido abandonada no passado.
Agora, eu sempre gosto de dizer, apesar da gente tá ali vivendo aquele momento, nós nunca começamos nada, assim, o Violator não é pioneiro de nada, nós sempre estivemos muito acompanhados de muita gente, assim, desde o começo entendemos como era importante essa teia do underground ali, assim, né, naquele comecinho do Violator.
A gente estava patinando no começo da internet ali, conhecendo os caras do Blastrash pelo ICQ, sabe? Fazendo as primeiras pontes assim e tal, num mundo meio analógico, meio digital ainda assim, mas a gente sempre entendeu como a comunidade, formar essa comunidade era importante.
Ah, com certeza. Bom, vocês vão tocar no Bangers Open Air, né, que é aí o nosso maior evento de Heavy Metal do Brasil e um dos melhores do mundo, posso dizer com toda a certeza. Eu que já fui em três edições do evento. Como é pro Violator participar do Bangers Open Air?
O Capaça teve presente ano passado. Viu o show do Dark Angel lá, pirou muito. E da empolgação dele, da animação dele com o festival nos contaminou muito a alegria e a vontade de estar nesse festival, assim, quando recebemos o convite foi uma honra, né, poder representar o underground de Brasília e poder representar o Thrash Metal brasileiro num palco tão importante como você citou. Então, pra gente é uma sensação de muito agradecimento de estar participando com tantas bandas importantes, então a gente só tem a agradecer o convite para isso.
Agora vamos falar de um álbum que para mim ele é o mais importante da carreira do Violator, tá? Esse epezinho aqui.
Caramba, legal. Violent Mosh. EP de 2004. Curti. Que legal, cara. Moleque com 18 anos aí.
Quando tu olha para esse material hoje, o que que ele representa para ti?
É, cara, ele representa a gente sendo alfabetizado no thrash, né? A gente entendendo e aprendendo como que era a gramática desse estilo, entendendo como que se fazia os riffs, como que se tocava aquela batida, como que se desenvolvia isso, porque não tínhamos outras bandas exatamente que estavam fazendo isso para a gente se guiar.
A gente tinha os nossos LPs antigos e tal e eu acho que ele tem uma ingenuidade, uma inocência que é típica de alguns dos melhores momentos do thrash, porque eu acho que o thrash tá muito ligado a um espírito de juventude e por isso mesmo é um desafio envelhecer fazendo thrash metal, é um desafio que a gente encarou no novo álbum agora.
Sim, se reinventar e evoluir, mas mantendo uma integridade.
E as escolhas, como eu te falei, as escolhas estéticas do disco representam um pouco a nossa resposta a esse desafio do que significa envelhecer fazendo thrash, né? E no Violent Mosh isso tá em puro coração, em puro sentimento, né? Os thrash manics, nós somos os maníacos do thrash, né?
Então, é sinceridade pura e absoluta assim de quatro meninos que estavam saindo do ensino médio, né? Segundo grau, encantados com esse novo submundo, descobrindo inclusive as vestimentas, apertando as calças nas costureiras, porque não dava para comprar calça apertada, né?
Comprando tênis de morador de rua, cara, quando encontrava um tênis branco cano alto, falava: "Caracas, um tênis branco cano alto", sabe? Então, toda uma beleza que tem a ver com a juventude. Então, para mim, esse disco representa um pouco essa beleza, essa inocência da juventude ali. E os riffs eles têm isso, eles são sinceros, eles são ingênuos, assim, é um prazerzaço assim sempre revisitá-lo.
E ainda da discografia, a gente teve o Scenarios of Brutality, 2013. Ele é um disco que eu gosto muito, eu adoro esse álbum, tá? Mas na época ele recebeu críticas mistas. Eu tava ouvindo ele agora há pouco, eu tenho ele ali na minha coleção também.
Eu gosto muito da gravação dele, cara, que foi feita na Alemanha. Nós passamos duas semanas gravando com lá e eu acho que ele é o ápice do que o Violator pretendia fazer ali numa escada que vem do Violent Mosh, pro Chemical Assault, pro Scenarios of Brutality, que é aquele thrash metal ultra agressivo baseado em discos do final dos anos 80 ali, tipo Extreme Aggression, Beneath the Remains e em que a técnica, o riff, a complexidade tá ao limite do que dá para ser o thrash metal.
Eu acho que a recepção dele talvez não tenha sido a mais positiva por uma questão exatamente de tempo, cara, geracional. Eu acho que em 2013 o thrash já tinha feito uma onda e já tava retroscedendo de novosabe? As bandas estavam se desmantelando, as coisas estavam mudando. E nesse espírito mesmo do que eu falei de como o thrash metal tá ligado com o espírito da juventude, com a geração, com a energia juvenil, essa juventude que tinha 18 anos em 2006, em 2013 já tava começando a viver um outro momento assim, né?
E o disco saiu, um disco ultra thrash metal, politizado e tal. Nesse momento que era um momento de virada, eu acho que 2013 ele já é uma antesala do que a gente viveu nos anos anteriores, que foram anos de muita, como é que eu posso dizer, anos de mudança de perspectiva, cara.
A partir de 2013, o futuro passa a ser pior do que o passado, sabe? A partir de 2013, as perspectivas, né, eu acho que vem uma certa até melancolia, depressão com o mundo, com as dificuldades do mundo, com a ascensão do neofascismo. E eu acho que é um momento de retorno do revival do Death Metal, do Crust, do Punk Crust, eu acho que teve todo um movimento assim de mais niilista naquele momento que o Violator.
A positividade do thrash, porque eu acho que o thrash, mesmo que seja um subgênero muito agressivo, ele é um gênero de comunhão, ele é um gênero de união, ele é um gênero de os fracos contra o forte, assim, né? Ele tem esse espírito que de certa forma é uma energia positiva ali assim, né? E eu acho que em 2013 pra frente a gente já vai caminhando no mundo para um momento que contraria esse espírito assim, sabe?
E o disco acabou recebendo essas críticas mistas, que causas principais você acha que as ocasionaram?
Então, eu acho que o momento do disco explica muito isso, mas vale muito a pena ser revisitado, especialmente porque ele é um disco que a gente escolheu cada música sobre um conflito social, montando um conceito dos cenários de brutalidade. E na verdade ele foi um disco um pouco profético, assim, porque tudo que a gente tava explicitando ali veio numa carga muito pior. Tinha música sobre os crimes da ditadura, nunca resolvidos. Logo depois estava aparecendo um político defendendo a tortura e a ditadura, tá ligado?
Conflitos de terra, conflitos com indígenas e tal. Então, acaba que ele foi um disco tristemente profético — ele veio antes, mas essa década 2013-2023 foi uma década de muita fudição, assim, se você olhar em vários termos, o tanto que o Brasil regrediu é um pouco uma década perdida. Então, eu acho que o disco talvez no momento não tenha sido entendido dessa forma, mas ele previu muito bem os cenários de brutalidade que a gente viveria nos anos seguintes, com certeza.
É um disco que para mim envelheceu muito bem. É sensacional. É violento para caramba, brutal como tem que ser. E é um álbum atemporal, né? Porque realmente cada faixa ali traz de forma bem explícita o que aconteceu 10 anos depois, sabe? 2023, se tu for calcular, as calamidades do disco estão todas ali nessa década.
As calamidades estão lá. A morte chegou de um jeito que a gente nem previa, assim, impossível pensar 750.000 mortos no Brasil num ano. Se falasse isso em 2013, ah, Scenarios of Brutality, é isso mesmo vocês são loucos. Daqui a 8 anos vai morrer quase 1 milhão de pessoas no Brasil. Jamais a gente ia pensar isso. Ia parecer um cenário de ficção científica.
Exatamente. Pior que é verdade mesmo. Blade Runner total.
Vamos chegando ao fim da entrevista e gostaria de te agradecer mais uma vez pela oportunidade. Mas não podemos encerrar sem você falar os teus 5 álbuns preferidos do thrash.
Caramba, maravilha, cara. É pergunta muito difícil porque eu sou um maníaco. Apesar de estar mais velho com 40 anos, agora continuo o jovem Poney thrash maniac do Violent Mosh ali. Mas vamos lá. Uma lista que pode mudar um pouco ao longo do tempo, mas lá vai.
Primeiro de tudo. Esse eu sempre vou colocar em primeiro, cara. O melhor disco de thrash metal de todos os tempos é brasileiro. Beneath the Remains, Sepultura, 1989, produção do Scott Burns. Segundo lugar para mim, que mora no meu coração, Kreator, Extreme Aggression, um disco que marcou muito pela forma e a combinação de riffs complexos com a batida violenta do thrash, o Mille cantando mais do que nunca ali, né?
Número três, cara. Vamos pensar qual que merece o número três. Já se tem um alemão, então vamos voltar pros Estados Unidos. Slayer, muito difícil ficar entre o Hell Awaits e o Reign in Blood, mas eu acho que eu vou colocar o Reign in Blood. 27 minutos e uma violência pura ali do começo ao fim. Dave Lombardo brilhando muito naquele disco.
Quarto lugar, podemos voltar para a Europa, talvez, e escolher um disco bem diferente do Reign in Blood, que por isso mesmo representa a amplitude do thrash. Eu colocaria Destruction, Infernal Overkill, um disco na simplicidade da bateria ali, os músicos muito mais precários que a produção do Slayer, do Rick Rubin. Mas o Mike entrega tudo que o thrash metal precisa, que é o quê? Riff. thrash metal precisa de RIFFS.
E por fim, eu colocaria um empate técnico americano ali de dois discos que moram no meu coração. É Nuclear Assault com Game Over. Um disco altamente simples também, quase punk em alguns momentos ali, com letras altamente politizadas que influenciaram muito o Violator.
E Violence com o Eternal Nightmare, que eu acho também que é uma avalanche, um caminhão de riffs um atrás do outro assim, e ele tem aquela urgência do thrash metal do final dos anos 80 que inspirou muito o Violator. Então colocaria um empate técnico entre esses dois, Game Over e Eternal Nightmare, fechando a lista.
Boa, lista pesadíssima. A minha muda a todo momento. Eu já dividi por país já porque vai ficando difícil.
É difícil, pô. Pera aí, cara. E fica um PS, fica um PS aí importante, Renato, eu não citei nenhum disco do thrash metal canadense, que são grandes realizadores do estilo, Voivod, Razor, Sacrifice, várias bandas que entrariam na minha lista também.
Dois dias antes do evento principal no Allianz Parque, na noite de 2 de abril, São Paulo recebeu dois side shows especiais do Monsters of Rock Brasil: Jayler (Reino Unido) e Dirty Honey (EUA), que fizeram sua estreia no país em uma noite intimista, comandada pelo lendário Eddie Trunk como mestre de cerimônias. Com um público reduzido, afinal, era meio de semana, e as duas bandas ainda não são muito conhecidas no Brasil, a casa ficou com aquele clima de “clube do rock”, mas o que faltou em quantidade sobrou em qualidade e energia. Jayler abriu a noite, e Dirty Honey fechou, entregando dois sets completos que deram um aperitivo do que seria apresentado no festival.
Jayler subiu ao palco com James Bartholomew (vocais e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo e teclados) e Ed Evans (bateria). O quarteto inglês, com seu hard rock setentista, abriu com “Down Below” e já mostrou sua forte influência de Led Zeppelin.
Bartholomew, com voz rouca e presença magnética, comandou o palco como se estivesse em um festival de 50 mil pessoas. A banda seguiu com “The Getaway” e “No Woman”, faixas que misturam riffs pesados com refrões melódicos, e o público respondeu bem ao som deles. Era nítido o prazer dos ingleses em estar ali: sorrisos largos, olhares de “não acredito que estamos no Brasil”.
Vieram “Riverboat Queen”, que contou com um solo marcante de gaita de Bartholomew, “Lovemaker” e uma versão cheia de personalidade de “I Believe To My Soul”, de Ray Charles, mostrando toda a versatilidade da banda. “Need Your Love” e “Over The Mountain” mantiveram a intensidade, com Arrowsmith e Bartholomew duelando nas guitarras de forma orgânica e visceral. O show foi encerrado com “The Rinsk”, uma pedrada que deixou o público entusiasmado. A apresentação deixou a sensação de que o Jayler soube aproveitar a oportunidade de estreia no Brasil. Foi um show sem firulas, mas eficiente, que serviu para apresentar identidade e potencial da banda.
Fechando a noite, o Dirty Honey mostrou por que vem sendo apontado como um dos nomes mais promissores do rock atual. A banda, formada por Marc LaBelle (vocal), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria), subiu ao palco com confiança, abrindo com “Gypsy”, com um riff marcante e LaBelle em destaque nos vocais, e logo emendou “California Dreamin’” e “Heartbreaker”, que rapidamente chamaram a atenção do público.
A intensidade continuou com “Scars”, “Get a Little High” e “Tied Up”, evidenciando a coesão e o entrosamento do quarteto. Durante “Don’t Put Out the Fire”, o vocalista Marc LaBelle desceu do palco e cantou no meio do público, chegando a subir em uma cadeira no centro da pista. Em meio ao calor da plateia, demonstrou carisma e presença ao longo da canção, levando o público à euforia. Na sequência, “The Wire”, “Another Last Time” e “Won’t Take Me Alive” reforçaram a veia do mais puro hard rock californiano.
A reta final contou com “When I’m Gone”, a estreia ao vivo de “Lights Out” e “Rolling 7s”. Com cerca de uma hora de show, o Dirty Honey deixou o palco com a sensação de missão cumprida, deixando claro que, mesmo com público reduzido, entregou uma apresentação de grande porte. Foi um show que não apenas preparou o terreno para o festival, mas também marcou uma estreia consistente no Brasil.
No dia 22 de abril de 2026, os Suecos do Evergrey voltaram ao Brasil para dois shows, um no Manifesto (que é o que falaremos hoje) e outro no Bangers Open Air.
O sideshow que rolou dia 22 veio acompanhado da banda Silver Dust, da Suíça, em sua primeiríssima passagem no Brasil. Então, falemos da banda de abertura de uma vez, pra que esse texto não fique do tamanho de uma bíblia.
O Silver dust entrou no palco com sua costumeira teatralidade, que acompanha esteticamente o som da banda. Os primeiros acordes de Fire! abriram a noite de forma bem interessante. Nos primeiros momentos, já tenho que lançar um elogio a banda: o som estava CRISTALINO. Não sei se a banda trouxe o próprio soundtech ou era o da casa, mas seja quem for, um ótimo trabalho.
Confesso a vocês que o Silver Dust não faz um tipo de som que apela muito pro meu gosto, mas não há como negar que o som dos caras tem uma energia. Mr. Killjoy, o baterista da banda, foi a grande estrela da noite. O jovem rapaz estava exalando energia e sua performance foi muito satisfatória.
I am Flying e Dying Dance seguiram o espetáculo sem deixar a energia baixar. Era evidente que a banda estava curtindo a apresentação em solo brasileiro. O vocalista, Lord Campbell, com sua cartola a la Dr. Jekyll (da forma mais excêntrica possível) cantava algo entre uns vocais meio góticos, uns drives e também arriscava uns fry screams meio Death Metal assim.
Depois de Dying Dance veio um solo de guitarra terrível do vocalista que poderia ter se mantido só nos microfones mesmo. Momento encheção de linguiça, mas né.... Espetáculos.
Seguimos com Salve Regina e Lucifer’s Maze logo em sequência. Aqui faço um adendo: apesar de não ser chegado no som da banda, os riffs em afinação baixa e super groovados funcionam bem ao vivo. Me peguei em vários momentos acompanhando os pseudo-breakdowns que era alguma coisa entre riffs New Metal meio Korn das ideia, bebendo bem na fonte dessas bandas, mas com um twist moderno. Realmente bem divertido.
Após isso, o “Mr. Killjoy” lançou um solo de bateria em cima de uma backing track pré-gravada, que seria bem mais legal se tivesse sido tocado pela banda mesmo. Mas novamente, tenho que elogiar a qualidade do som da casa no dia.
Aproximando-se no final do show, tivemos No Matter How Far Away e Symphony of Chaos. Na última, o vocal fez a plateia toda agachar-se e pular quando a música voltou. O pessoal em peso atendeu a demanda do nosso cartoleiro vampírico, que se jogou no meio do público neste momento.
Com o fim do show, a energia da galera estava lá em cima. Foi um show muito legal, confesso que esperava bem menos e fico muito feliz de ter sido surpreendido positivamente!
Em sequência, após uma breve pausa, o Evergrey subiu aos palcos para seu retorno as Terras Brasileiras, depois de sua passagem pelo país em 2024. Agora, posso me gabar que eu já havia visto o Evergrey SEIS vezes, sendo a noite do dia 22 minha sétima presença nos shows deles.
A banda passou por uma mudança substancial de formação, onde membros de longa data, Henrik Danhage e Jonas Ekdahl, foram substituídos por Stephen Platt e Simen Sandnes respectivamente, sendo a estreia deles no Brasil.
Confesso que meu ceticismo com a nova formação vem de um lugar de fã antigo e nostálgico, mas tenho que admitir que a banda parece revitalizada com a presença dos novos membros.
O show começa com Falling The Sun, sendo esta uma das melhorzinhas do sem graça Theories of Emptiness. A sensacional Where August Mourns veio em sequência, com destaques para a bela voz de Tom Englund nesse dia. Algumas das apresentações que vi do Evergrey, ele não estava tão afiado como nessa noite.
Weightless em sequência colocou a casa para baixo. O Riff inicial com um groove moderno fez jus na entrega da faixa do espetacular The Atlantic, que é, facilmente, meu álbum favorito da banda desde o Torn de 2008.
Say veio em sequência. É uma música morna, mas não é de todo o ruim. Aqui, aparentemente o som começou a apresentar problemas. O sistema de PA tinha alguns cortes breves, mas bem notáveis, onde o som sumia por um ou 2 segundos. O problema não cessou até o fim do show, mas não comprometeu a experiência de forma geral.
Depois, a banda debutou a canção The World Is On Fire do vindouro Architects of a New Weave, que ainda não foi lançado. Eternal Noctural veio em seguida. Uma música bem emocional que foi muito bem recebida pelo público. O Evergrey é uma banda muito curiosa nesse sentido. A primeira vez que eu os vi ao vivo foi em 2008 na turnê do Torn. Casa vazia, ninguém conhecia os caras. É super legal ver que a banda teve um crescimento constante e substancial desde então. A casa, neste dia, estava relativamente cheia e a plateia conhecia boa parte do repertório.
Call out the Dark e King of Errors vieram, com destaque a última que, a este ponto, é um clássico da banda. Temo dizer que uma música com peso na carreira dos caras similar às A Touch of Blessing da vida. Refrão cantado em uníssono e muito bem recebida.
Cabe destacar agora a performance do guitarrista Stephen Platt, que ficou a cargo de substituir o insubstituível Henrik Danhage. O legal foi que, aparentemente, Stephen não executou os solos de Henrik exatamente como foram gravados, mas manteve os temas e melodias mais memoráveis, mantendo a característica dos solos, mas aplicando sua própria roupagem.
Não tenho elogios o suficiente para falar de A Silent Arc. Queria muito que o Evergrey tivesse mantido mais a linha do The Atlantic nos álbuns posteriores. A música é uma bomba absoluta ao vivo. Que bela canção, meus amigos. O destaque nessa faixa for para Simen Sandnes. O jeito mais “moderno” (dessa escola meio prog/djent) de Simens caiu como uma luva para A Silent Arc.
Aqui foi o momento que eu me emocionei fortíssimo no show. Como já mencionei, sou fã de Evergrey de longa data. Mais precisamente, desde o ano de 2002, onde meu pai me trouxe o In Search of Truth depois de uma visita à Hellion lá na galeria. Ouvir Words Mean Nothing, ironicamente, significou muito para mim (trocadilho pretendido). A versão dessa música no piano e ter a oportunidade de ver as coisas mais antigas da banda que, infelizmente, parece que eles esqueceram que têm uma discografia antes de Hymns for the Broken, foi belíssima. Não obstante, para a felicidade de muitos (eu incluso), eles lançaram I’m Sorry em sequência. Também uma versão somente voz e piano. Sensacional, só posso dizer isso.
Por incrível que pareça, o ponto mais baixo ficou para o final do show. A sem graça Misfortune foi seguida pela igualmente sem graça Architects of a New Weave, que debutou ao vivo.
O clássico absoluto da banda veio no Encore com A Touch of Blessing. Mas olha, tenho uma crítica às últimas 3 ou 4 vezes que ouvi essa música ao vivo. Parece que eles fazem uma versão mais felizinha e rapidinha. Mata total a atmosfera da música, francamente. Leaving the Emptiness fez sua estreia absoluta para o mundo. Honestamente, queria que eles tivessem tocado qualquer outra música. Eu acho que, de verdade, é a pior música que eu já ouvi vinda do Evergrey, e olha que eu posso dizer que não sou, nem de perto, fã dos últimos dois lançamentos da banda.
OXYGEN! Encerrou a noite deixando aquele gostinho um pouco amargo na boca, considerando que a banda tem tantos discos fantásticos pré-Hymns for the Broken que dá uma tristeza considerar quão poucas músicas eles inserem hoje em dia nos show.
Óbvio que toda banda quer tocar e divulgar seu novo álbum ao vivo, mas um aceno um pouco mais substancial a fãs antigos como eu seria muito bem vindo. No geral, o Evergrey é uma ótima banda ao vivo e entregou um show super legal, com ótimos momentos, sem dúvidas. Quem sabe numa próxima, possamos ouvir Mark of the Triangle ou Blackened Dawn. Mas até lá, somente a esperança.
Essa é uma banda relativamente recente de 2012 e vem trazendo uma sonoridade bem eclética e incorporando inúmeros estilos, facilmente transitando entre as músicas.
A proposta do quarteto de Seattle é instigante, e tem como propósito prestar homenagem às histórias de ficção científica " pulp" do passado.
Mesmo que esse novo trabalho tenha um ar livre de amarras, estamos diante da continuação do seu segundo álbum completo, "The Flight after the Fall" ( 2023), de um universo que tem uma ampliação do seu potencial.
Analisando cada composição teremos um álbum que não é linear e sim cada faixa carrega consigo sua própria autonomia, a qual no final se costura em uma obra com bastante autenticidade.
Destaco algumas músicas que mais me chamaram a atenção.
A música " Symmetry of the Hourglass" tem em seus pontos fortes uma bateria com pegada e vocais que te desafiam com sua brutalidade e variações, que vão de algo mais melódico à um timbre rasgado e mais brutal.
Outra música que é bem trabalhada é a " Proxima Centauri", que é bem emocional ao mesmo tempo que também carrega elementos mais brutais.
Já a "The Spiral Eye", que fecha o álbum, é um dos momentos que te remetem para vários sentidos, já que de um lado existem partes profundamente viajantes e em outros momentos sua vórtice de se vira para um progressive stoner/sludge e Sci-fi" rock/metal.
É recomendado aos fãs de bandas, como citado nos releases, geralmente situados no amplo universo sonoro de nomes como MASTODON, BARONESS e HIGH ON FIRE, mas também canaliza a grandiosidade do rock de Queen e David Bowie, assim como o prog moderno de Coheed and Cambria e Muse.
Então se essas citadas estão entre as suas preferências, você deveria experimentar ouvir o Witch Ripper.