segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 26/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

O segundo e último dia, domingo, chegou prometendo tanto quanto o primeiro, ou seja, muita gente para prestigiar mais 12 horas dos mais diferentes estilos dentro do metal, além de um sol forte como sempre, sem ameaças de chuva. Para quem chegou mais cedo, felizmente não houve problemas para entrar, conseguindo assistir às primeiras atrações do Ice e do Sun sem maiores transtornos. Ponto para os organizadores que, após as reclamações do dia anterior, decidiram liberar a entrada do público geral mais cedo.

Dessa vez, não consegui ter muito tempo para conferir as feiras e outras atrações que o festival oferece, como a feira geek, de tatuagem e gastronômica, nem mesmo a tão disputada signing session, com destaque para a do Within Temptation, onde a simpática e super receptiva Sharon den Adel fez questão de atender todos que não conseguiram pegar senha.

Outra coisa legal é ver a molecada – que até certa idade não paga – curtindo os shows ao lado de seus pais. E havia muitas presentes, ainda bem, pois é sinal de que o estilo estará mais vivo do que nunca daqui a alguns anos.

Infelizmente, eu, Gabriel Arruda, não consegui ver os piratas do Visions of Atlantis devido a problemas com o transporte público para chegar ao local do festival. Por sorte, consegui pegar os momentos finais dos alemães do Primal Fear, que sempre dão uma aula de como fazer um show de heavy metal. O destaque sempre vai para o excelente Ralf Scheepers, com seus incríveis agudos, e para Thalía Bellazecca, que vem assumindo muito bem o posto de guitarrista ao lado de Magnus Karlsson não só pela sua competência, mas também por ser uma das poucas mulheres negras dentro do estilo. Que, através dela, isso possa mudar. Mais uma vez não tivemos a presença do Matt Sinner devido a um acidente na sua perna. Dirk Schlächter, do Gamma Ray, acabou assumindo a missão. 

NEVERMORE HONRA O LEGADO DE WARREL DANE EM APRESENTAÇÃO MEMORÁVEL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Depois de alguns minutos, era vez de pular para o palco Ice para ver um dos shows mais aguardados desta quarta edição. Jamais imaginaria que o Nevermore fosse retomar as atividades por conta da ausência de Warrel Dane, um de seus fundadores, falecido em 2017, e do baixista James Sheppard, que se aposentou há alguns anos.

Com prós e contras – mais prós, ainda bem – o guitarrista Jeff Loomis, junto com o baterista Van Williams, os únicos da formação original, decidiu voltar com uma nova formação para honrar o legado da banda, que foi muito importante no metal no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Esse retorno também permite conquistar uma nova geração de fãs e se apresentar para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver a banda no passado, como foi o caso de muitas pessoas que estiveram no Bangers e também no side show, que aconteceu dois dias depois no Carioca Club. Vale lembrar que a banda já havia tido uma experiência em festivais no Brasil, se apresentando no extinto Live 'n Louder, em 2006. Ou seja, sabiam bem o que fazer.

Logo na abertura com Narcosynthesis, que também abre o estupendo Dead Heart in a Dead World (2000), já mostravam que não estavam para brincadeira. A banda estava muito bem ensaiada: Jeff – ao lado do jovem Jack Cattor – despejava riffs esmagadores, enquanto Van Williams, junto ao baixista Semir Özerkan, mantinha a versatilidade rítmica intacta. E, claro, o vocalista Berzan Önen mostrou que vem sendo a escolha certa para assumir o posto do saudoso Warrel, conseguindo emular suas características, mas também apresentando sua própria personalidade.

Por ser um festival, onde os shows são mais curtos e cronometrados, a banda precisou escolher bem as músicas do setlist. Mesmo com pouco tempo, fizeram bonito. Trouxeram músicas do This Godless Endeavor (1999), como My Acid Words e Born, tocadas mais para o final e grandes destaques do show. Até mesmo o pouco lembrado Enemies of Reality (2003) marcou presença com a faixa-título. No entanto, foram as músicas de Dead Heart in a Dead World (2000) que mais empolgaram os fãs: além de Narcosynthesis, vieram The River Dragon Has Come, Inside Four Walls e Engines of Hate, mostrando que o quinteto de Seattle ainda tem muito a oferecer. Sem dúvidas, um dos melhores shows do dia, fazendo valer a pena a espera.

EXPLOSÃO MODERNA SOB O SOL: AMARANTHE ENTREGA ENERGIA E CONEXÃO NO BANGERS OPEN AIR 2026 

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Sob um sol escaldante de aproximadamente 30 °C, às 15h em ponto no Hot Stage, o Amaranthe transformou a tarde do segundo dia de Bangers Open Air em um verdadeiro espetáculo de energia e intensidade. Formada em 2008, na Suécia, a banda se consolidou como um dos nomes mais marcantes do metal moderno, apostando em uma proposta pouco convencional: três vocalistas dividindo o protagonismo, Elize Ryd nos vocais limpos, Nils Molin também no limpo e Mikael Sehlin trazendo o peso gutural. Essa combinação, que poderia soar arriscada, ao vivo se mostra extremamente coesa e poderosa. Mesmo sob condições adversas, a banda entregou presença de palco impecável, performance carregada de paixão, conexão e explosão.

Conhecida por transitar entre diferentes vertentes sonoras, Amaranthe encontrou um público completamente entregue, diverso em idade, mas harmônico na intensidade. Era possível ver fãs cantando cada faixa com entusiasmo, transformando o show em uma experiência coletiva. A abertura já veio como um impacto direto, com “Fearless”, “Viral” e “Digital World” levando o público ao limite da euforia. No meio desse turbilhão, “Amaranthine” surgiu como um respiro emocional, delicada, luminosa, arrancando um coro forte e carregado de sentimento. No palco, Elize se mostrou extremamente carinhosa e conectada com o público, enquanto Nils trouxe uma energia visceral e Mikael sustentou o peso com brutalidade precisa, criando um equilíbrio que define a identidade da banda.

Com qualidade sonora consistente e vocais impecáveis, o Amaranthe entregou um show que alterna entre o intenso e o sensível, muito impulsionado pela suavidade e brilho da voz de Elize. Em sua segunda passagem pelo Brasil, a banda deixou claro que não veio para ser passageira. Ao contrário, reforçou sua força dentro do metal contemporâneo, mostrando que o gênero segue evoluindo, conquistando espaço e quebrando barreiras. Foi um show marcante, daqueles que não apenas entretêm, mas ficam, pulsando na memória de quem esteve ali, sob o mesmo sol, vivendo o espetáculo.

WINGER SE DESPEDE DO BRASIL COM SHOW CARREGADO DE CLÁSSICOS

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

A tarde foi reservada para as bandas de hard rock. Em comparação às edições anteriores, este ano contou com a presença de poucas bandas do gênero, mas que acertaram na escolha, mesmo com essa “minimalização". Infelizmente, não foi possível assistir a todo o show dos suecos do Crazy Lixx, já que o Winger tocou praticamente no mesmo horário, o que gerou muitas reclamações por parte dos fãs que curtem ambas as bandas. Por conta da longa espera e, muito provavelmente, por ser a última chance de vê-los ao vivo no Brasil, muitos optaram pelo Winger, o que já era esperado.

Kip Winger, que dispensa apresentações, junto com os renomados Reb Beach (guitarra), Paul Taylor (teclado/guitarra), Rod Morgenstein (bateria) e o recém-chegado Howie Simon (guitarra), mostraram que a banda resistiu ao tempo, mesmo enfrentando certa rejeição e chacota — vide o caso da animação Beavis and Butt-Head e o famoso episódio do dardo arremessado por Lars Ulrich, baterista do Metallica, na foto de Kip.

Mesmo sem ter ensaiado e com pequenos problemas técnicos no início – que deixaram Kip e Reb visivelmente irritados – a banda conseguiu conquistar não só os fãs devotos, mas também aqueles que não são tão familiarizados com o grupo e passaram a apreciá-lo depois do que viram, contribuindo para tornar o show (repleto de clássicos) ainda melhor. E clássicos é o que não faltou. O setlist foi concentrado no primeiro álbum, homônimo, e no "In the Heart of the Young" (1990), com músicas como Seventeen, Can’t Get Enough, Miles Away, Rainbow in the Rose, Time to Surrender, Headed for a Heartbreak, Easy Come Easy Go e Madalaine. Do Pull (1993), apenas Down Incognito marcou presença, além de Stick the Knife In and Twist, do recente Seven (2023), que abriu o show de forma tímida. Uma pena a banda decidir encerrar as atividades, pois ainda se mostra em plena forma.

SMITH/KOTZEN TRANSFORMA ESTREIA EM UM DOS GRANDES MOMENTOS DO BANGERS OPEN AIR

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O penúltimo show do palco Ice foi um dos mais aguardados desde o anúncio, principalmente por se tratar de uma estreia. Estou falando, é claro, do Smith/Kotzen, talvez o melhor duo surgido nos últimos anos. Quem, em sã consciência, imaginaria Ritchie Kotzen ao lado do grande Adrian Smith, do Iron Maiden, criando um projeto que unisse suas influências em comum. O resultado foi um excelente disco de estreia, lançado durante a pandemia, que traz fortes influências do hard rock setentista e do blues, ou seja, um classic rock de primeira, que ao vivo soa ainda melhor. 

O mais interessante é ver que os dois, ao lado dos brasileiros Bruno Valverde (bateria) e Julia Lage (baixo), não seguem um protocolo rígido no palco. É simplesmente uma banda tocando como se estivesse em um ensaio: fazendo jams, trocando sorrisos e olhares de forma espontânea, como em um show intimista. Outro destaque é o lado vocal do Adrian, que surpreende com um timbre muito marcante. Já Bruno e Julia impressionam pela energia e maestria, reforçando ainda mais o peso e a qualidade da banda com toda a experiência que carregam.

O setlist não trouxe muitas surpresas, apesar do mistério criado por Bruno e Julia em entrevista aqui na Road To Metal. Ainda assim, músicas como Life Unchained, Black Light e Blindsided se destacaram logo de cara, ao lado de Taking My Chances e Darkside, que conta com um solo maravilhoso de Adrian. Got a Hold on Me, um hard/blues fulminante, também empolgou o público.  Por mais previsível que fosse, Wasted Years, composição de Adrian no Iron Maiden, marcou presença no set. E, no fim das contas, tinha que ser ela para encerrar um dos melhores shows do dia.

ENTRE NOSTALGIA E INTENSIDADE: WITHIN TEMPTATION TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR 2026 EM UM ESPETÁCULO EMOCIONAL



No segundo dia de festival, pontualmente às 18h25, no Ice Stage do Bangers Open Air 2026, o Within Temptation subiu ao palco e fez mais do que um show, construiu uma experiência emocional que atravessou gerações. Formada em 1995, na Holanda, e liderada pela icônica Sharon den Adel, a banda entregou um setlist profundamente nostálgico, costurando diferentes fases da carreira com precisão e sensibilidade. A abertura com “Go to War”, faixa do álbum Bleed Out (2023) que curiosamente ficou de fora da última passagem pelo Brasil, já indicava o tom da apresentação. Em seguida, clássicos como “The Howling”, “Stand My Ground” e “Bleed Out” incendiou o público, que se entregou a um coro potente, guiado pela voz lírica de Sharon em contraste com o peso das guitarras. Em “Ritual”, Sharon dedicou às mulheres, a banda reforçou sua mensagem de empoderamento, ecoando forte em uma plateia diversa e conectada.

Sharon brilhou com uma presença magnética, com suas danças, conduzindo o público com naturalidade e emoção. Na primeira metade do show, sua voz parecia guardar força, como se preparasse o terreno para o que viria e veio. Após mencionar o calor intenso, mesmo no início da noite, a apresentação ganhou outra dimensão a partir de “In the Middle of the Night” e “Forsaken”, elevando a energia a um nível quase catártico. A inclusão de “Paradise (What About Us?)”, eternizada na colaboração com Tarja Turunen, intensificou ainda mais o clima épico. Era impossível não notar a quantidade de fãs vestindo camisetas da banda pelo festival, um reflexo claro de sua relevância e conexão com o público ao longo dos anos.

Na reta final, o Within Temptation transformou emoção em memória viva com as músicas “Ice Queen” e "Mother Earth", que em um dos momentos mais simbólicos do show, Sharon dedicou “Mother Earth” ao Brasil, destacando o país como uma nação de riquezas naturais imensas, o que deu à música um peso emocional ainda maior ao vivo, trouxe lágrimas e um coro carregado de nostalgia, reafirmando o impacto duradouro da banda. Mais do que técnica impecável, o grupo entrega significado: suas músicas transitam entre o íntimo e o político, denunciando mazelas do mundo enquanto criam um espaço de pertencimento. O resultado foi um espetáculo intenso, diverso e profundamente humano um daqueles momentos que ultrapassam o palco e se instalam na memória de quem esteve presente. Within Temptation não é apenas uma banda; é parte da história afetiva de seus fãs. E, naquela noite, escreveu mais um capítulo inesquecível.


COM UMA REUNIÃO HISTÓRICA, ANGRA ENTREGA O SHOW MAIS SIMBÓLICO DE SUA CARREIRA


Enfim, chegamos ao último show do dia. Normalmente, em festivais grandes como o Bangers, uma banda internacional de grande porte é escolhida como headliner. Para a surpresa de muita gente, o Angra foi o nome escolhido para encerrar essa quarta edição. Mas não seria um show comum, como os fãs estão acostumados a ver. Na ocasião, a organização, junto com o management da banda, idealizou uma reunião histórica: Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) se juntaram aos remanescentes Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para um encontro que muitos, como eu, achava improvável. Além disso, o show marcou o encerramento de um ciclo e o início de outro, com a saída de Fabio Lione e a entrada de Alírio Netto como seu substituto.

Tudo aconteceu conforme prometido, até mais. O show passeou por todas as fases da banda ao longo de seus 35 anos, com uma produção de palco surpreendente com pirotecnia e uma passarela que aproximava ainda mais os músicos do público. Nesse quesito, foi, sem dúvida, a melhor experiência visual ao vivo da história da banda.

Mesmo com pouco tempo de ensaio, todos entregaram o máximo de seu potencial — com destaque para Bruno, que ensaiou apenas uma vez devido à sua agenda com o projeto Smith/Kotzen. Apesar do nervosismo, Alírio fez uma boa estreia ao cantar músicas da fase do saudoso Andre Matos, começando por Nothing to Say e Angels Cry, demonstrando personalidade e competência. Impressiona não só sua presença de palco — muito influenciada por sua experiência no teatro —, mas também sua coragem. Após muito tempo fora do repertório, “Wuthering Heights” voltou ao set sem depender de convidados, mostrando que ele está pronto para encarar esse desafio.

Era visível a emoção de Alírio durante o show. Vale lembrar que ele quase integrou a banda no passado, após a saída de Edu Falaschi. Esse sentimento ajudou a encerrar o primeiro ato com Carolina IV, do Holy Land (1996), e que não era executada há bastante tempo. Ainda sobre esse primeiro ato, tivemos a última participação de Fabio Lione como vocalista do Angra, interpretando Tides of Changes (Part I & II), Lisbon e Vida Seca. No entanto, sua participação poderia ter sido mais extensa, incluindo mais músicas de sua fase. Fica a impressão de que houve certo desconforto: o volume de seu microfone parecia mais baixo em comparação ao de Alírio e Edu. Ainda assim, o Mago, como é conhecido, mostrou por que é uma força da natureza, superando qualquer adversidade com sua performance consistente. Segundo relatos de amigos que estavam presentes, Fabio não permaneceu no palco durante todo o restante do show, preferindo ficar no meio do público, tirando fotos e aproveitando o momento, retornando apenas no final – o que pode ajudar a explicar essa percepção.

O segundo e principal ato do show foi o mais comemorado da noite. Afinal, depois de dezenove anos, Rafael, Felipe, Kiko, Edu e Aquiles estavam ali juntos novamente. Não importavam deslizes, erros ou mesmo ausências – o que realmente importava era que todos estavam reunidos outra vez, em paz entre si e com os rancores do passado deixados de lado. Foi uma verdadeira reunião, como o próprio espetáculo se propõe, privilegiando os clássicos de Rebirth, que neste ano completa 25 anos. O público pôde celebrar músicas como Nova Era, Millennium Sun, Heroes of Sand, Acid Rain e a faixa-título, além de outros clássicos dessa fase, como Waiting Silence, Ego Painted Grey, a mais pop Bleeding Heart – embalada por um mar de luzes que parecia alcançar até a estação Barra Funda do metrô – e Spread Your Fire.

Já o terceiro e último ato começou de forma emocionante, com uma homenagem ao saudoso Andre Matos. Um vídeo foi exibido mostrando o vocalista na época em que ainda integrava a banda, durante um show no Japão, acompanhado da primeira parte de Silence and Distance, inicialmente executada de forma mecânica, antes de Alírio Netto e Edu Falaschi – que dividiram os vocais –, ao lado de Marcelo Barbosa, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt – protagonizando a primeira aparição do grupo com três guitarristas, algo muito aguardado pelos fãs –, Felipe Andreoli e Bruno Valverde darem continuidade à música. Ainda houve tempo para a formação Nova Era – como é conhecida o line-up responsável pelos álbuns Rebirth (2001), Temple of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006) – retornar ao palco em Late Redemption, com Alírio dividindo os vocais novamente com Edu. A célebre Carry On, com todos reunidos no palco, encerrou um show que, mesmo antes de acontecer, já havia entrado para a história, deixando a expectativa de que essa reunião volte a acontecer mais vezes.


O Bangers Open Air vem, ano após ano, se consolidando como um dos principais festivais de música do país. Isso simboliza um sentimento de orgulho, pois o heavy metal segue mostrando seu devido valor em uma terra onde, muitas vezes, estilos mais fúteis recebem maior atenção.

Em especial nesta edição, tanto o público que acompanha o festival desde a primeira realização quanto aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar essa experiência pela primeira vez demonstraram um apoio incomensurável. Afinal, esta quarta edição foi uma das mais difíceis de ser realizada devido a algumas baixas na organização, mas, felizmente, resistiu a todas as adversidades graças ao apoio massivo do público, que compareceu em peso nos dois dias e quase levou o festival ao sold out, algo inédito em relação às edições anteriores.

Agora, resta a expectativa e a ansiedade para 2027, que certamente promete ser novamente uma experiência memorável para os fãs de música pesada.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Nevermore – setlist:

Narcosynthesis

Enemies of Reality

The River Dragon Has Come

Beyond Within

Inside Four Walls

Engines of Hate

My Acid Words

Born


Amaranthe – setlist:

Fearless

Viral

Digital World

Damnation Flame

Maximize

Strong

PvP

The Catalyst

Chaos Theory

Amaranthine

The Nexus

Call Out My Name

Archangel

That Song

Drop Dead Cynical


Winger – setlist:

Stick the Knife In and Twist

Seventeen

Can't Get Enuff

Down Incognito

Miles Away

Rainbow in the Rose

Time to Surrender

Headed for a Heartbreak

Easy Come Easy Go

Madalaine


Smith/Kotzen – setlist:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Blindsided

Taking My Chances

Darkside

Got a Hold on Me


Within Temptation – setlist:

We Go to War

The Howling

Stand My Ground

Bleed Out

Ritual

In the Middle of the Night

The Heart of Everything

Faster

Wireless

Lost

Forsaken

Paradise (What About Us?)

Don't Pray for Me

Ice Queen

Mother Earth

White Noise

Scars

Running

Wasted Years


Angra – setlist:

Ato I

Nothing to Say

Angels Cry

Tide of Changes - Part I e Part II

Lisbon

Vida seca

Wuthering Heights

Carolina IV


Ato II

Nova Era

Waiting Silence

Millennium Sun

Heroes of Sand

Ego Painted Grey

Bleeding Heart

Spread Your Fire

Acid Rain

Rebirth


Ato III

Silence and Distance

Late Redemption

Carry On

Moonlight Haze: O poder da melodia sob uma estética cinematográfica (Also In English)

Scarlet Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

A italiana Moonlight Haze retorna com Interstellar Madness, EP que reforça sua posição entre os nomes mais consistentes da atual geração do symphonic power metal europeu. 

Apostando em uma combinação de grandiosidade cinematográfica, melodias de forte apelo emocional e refinamento técnico, o grupo liderado pela vocalista Chiara Tricarico amplia a identidade construída ao longo de sua trajetória sem perder o senso de acessibilidade melódica que sempre caracterizou sua música. Produzido por Sascha Paeth, o trabalho mergulha em atmosferas cósmicas e emoções intensas com uma abordagem mais madura, dinâmica e sofisticada.

A abertura com “Moonlight Legion” entrega exatamente o que o público do power metal melódico espera — mas com execução acima da média. Guitarras velozes, bumbo duplo pulsante e linhas de teclado expansivas sustentam uma faixa construída para soar grandiosa sem cair no excesso caricatural que frequentemente compromete bandas do gênero. O diferencial está justamente na interpretação de Chiara Tricarico: ao evitar o exagero operístico típico de parte do symphonic metal, a cantora privilegia uma abordagem mais direta e rock’n’roll, conferindo personalidade e fluidez à composição. Os coros monumentais e os arranjos sinfônicos ampliam o impacto épico da faixa sem sufocar sua estrutura melódica.

Na sequência, “Lost in Moonlit Symphonies” mantém a intensidade elevada enquanto evidencia ainda mais as influências clássicas da banda. O diálogo entre o vocal principal e os corais funciona de maneira extremamente eficiente, criando uma atmosfera quase teatral sem perder o senso de urgência característico do power metal europeu. A seção rítmica segue impulsionada em alta velocidade, enquanto guitarras e teclados dividem protagonismo de forma equilibrada. Mais uma vez, Chiara se destaca pela capacidade de alternar delicadeza e potência sem soar artificial ou excessivamente técnica.

A terceira faixa reduz parcialmente a velocidade para explorar novas nuances dentro da proposta do EP. Embora os elementos sinfônicos permaneçam presentes, eles cedem espaço para guitarras mais pesadas e uma base rítmica mais agressiva, aproximando a sonoridade de territórios contemporâneos do metal melódico. A introdução de vocais guturais acrescenta contraste e profundidade à composição, enriquecendo a dinâmica do álbum sem descaracterizar a essência da banda. É justamente nesse momento que Interstellar Madness demonstra maior ambição artística, evitando a armadilha da repetição estrutural que frequentemente limita lançamentos do gênero.

“Shine” recoloca o EP em uma abordagem mais tradicional, mas com um refinamento composicional superior. A introdução construída sobre guitarras e linhas vocais melódicas estabelece imediatamente um clima envolvente, enquanto os arranjos distribuem protagonismo entre todos os instrumentos de forma orgânica e inteligente. O trabalho vocal impressiona não apenas pela técnica, mas pelo controle emocional e pela maneira como cada camada é utilizada para ampliar a carga dramática da música sem transformá-la em algo excessivamente pomposo. Há um equilíbrio raro entre exuberância e contenção.

A faixa-título, “Interstellar Madness”, representa o momento mais ambicioso e teatral do EP. A introdução carregada de mistério rapidamente evolui para uma combinação de guitarras pesadas, teclados atmosféricos e arranjos corais que remetem diretamente às raízes mais cinematográficas do symphonic metal. Aqui, o lirismo vocal aparece de maneira muito mais evidente, inclusive com trechos interpretados em italiano, reforçando o caráter dramático da composição. Elementos como o cravo emulado nos teclados, os corais grandiosos e as passagens instrumentais ajudam a construir uma experiência quase narrativa. Ainda assim, a banda demonstra inteligência ao quebrar constantemente a densidade da música com mudanças de dinâmica, inserções mais agressivas e até passagens com vocais extremos, evitando que a faixa se torne excessivamente indulgente. É o ponto em que Moonlight Haze revela maior maturidade na construção de atmosferas.

O encerramento com “Interstellar Madness: Finale” funciona mais como epílogo cinematográfico do que como composição essencial. Embora a instrumental tenha utilidade na ambientação conceitual do EP, sua inclusão transmite certa sensação de apêndice, como se servisse mais para ampliar artificialmente a duração do lançamento do que para acrescentar algo verdadeiramente indispensável à experiência.

Ainda assim, Interstellar Madness confirma o excelente momento vivido por Moonlight Haze. O EP evidencia uma banda cada vez mais segura de sua identidade, capaz de equilibrar virtuosismo, emoção e acessibilidade sem soar previsível ou excessivamente formulaica. Para fãs de symphonic power metal moderno, trata-se de um lançamento forte, elegante e artisticamente mais maduro do que grande parte das produções recentes do estilo.

***ENGLISH VERSION***

Italian outfit Moonlight Haze return with Interstellar Madness, an EP that further solidifies their place among the most consistent names in the current European symphonic power metal scene.

Blending cinematic grandeur, emotionally charged melodies, and refined musicianship, the band led by vocalist Chiara Tricarico expands upon the identity they have built throughout their career without sacrificing the melodic accessibility that has always defined their sound. Produced by Sascha Paeth, the release dives into cosmic atmospheres and intense emotions with a more mature, dynamic, and sophisticated approach.

Opening track “Moonlight Legion” delivers exactly what fans of melodic power metal expect — but with execution that rises above the genre’s average standards. Fast-paced guitars, relentless double bass drumming, and expansive keyboard arrangements sustain a song designed to sound massive without falling into the exaggerated caricature that often undermines bands within the style. The key difference lies in Chiara Tricarico’s performance: by avoiding the overly operatic tendencies common to parts of symphonic metal, she opts for a more direct and rock-oriented delivery, giving the composition greater personality and fluidity. Monumental choirs and symphonic orchestrations amplify the track’s epic impact without overwhelming its melodic core.

Following that, “Lost in Moonlit Symphonies” maintains the EP’s high intensity while further highlighting the band’s classic influences. The interplay between the lead vocals and layered choruses works exceptionally well, creating an almost theatrical atmosphere without sacrificing the urgency that defines European power metal. The rhythm section continues at full speed, while guitars and keyboards share the spotlight in a balanced and organic way. Once again, Chiara stands out for her ability to shift between delicacy and power without sounding artificial or excessively technical.

The third track partially slows the pace in order to explore new textures within the EP’s framework. Although the symphonic elements remain present, they make room for heavier guitars and a more aggressive rhythmic foundation, pushing the sound toward more contemporary melodic metal territory. The inclusion of harsh vocals adds contrast and depth to the composition, enriching the EP’s dynamics without compromising the band’s essence. It is precisely here that Interstellar Madness reveals greater artistic ambition, avoiding the structural repetition that often limits releases within the genre.

“Shine” brings the EP back toward a more traditional direction, albeit with a noticeably more refined compositional approach. Its introduction, built around melodic guitar lines and expressive vocal arrangements, immediately establishes an engaging atmosphere, while the instrumentation distributes prominence among all members in a natural and intelligent way. The vocal performance impresses not only through technical ability, but through emotional control and the careful use of layered harmonies to intensify the song’s dramatic weight without becoming overly pompous. There is a rare balance between exuberance and restraint.

The title track, “Interstellar Madness”, represents the EP’s most ambitious and theatrical moment. A mysterious introduction quickly evolves into a blend of heavy guitars, atmospheric keyboards, and grand choral arrangements that directly evoke the cinematic roots of symphonic metal. Here, the vocal theatricality becomes far more pronounced, including passages sung in Italian that reinforce the composition’s dramatic character. Elements such as harpsichord-like keyboard textures, majestic choirs, and extended instrumental sections help shape an almost narrative experience. Even so, the band demonstrates intelligence by constantly breaking the song’s density through dynamic shifts, heavier passages, and even moments featuring extreme vocals, preventing the track from becoming self-indulgent. It is the clearest example of Moonlight Haze’s growing maturity in atmosphere-building and songwriting.

Closing piece “Interstellar Madness: Finale” works more as a cinematic epilogue than as an essential composition. While the instrumental serves a purpose within the EP’s conceptual atmosphere, its inclusion carries a slight sense of redundancy, as though it exists more to extend the release’s runtime than to add something truly indispensable to the overall experience.

Even so, Interstellar Madness confirms the excellent creative phase currently enjoyed by Moonlight Haze. The EP showcases a band increasingly confident in its identity, capable of balancing virtuosity, emotion, and accessibility without sounding predictable or excessively formulaic. For fans of modern symphonic power metal, this is a strong, elegant, and artistically mature release — one that stands above much of the genre’s recent output.

Beatrice Demori

Cobertura de Show - Maestrick - 17/05/26 (Gravador Pub - POA/RS)

Por: Renato Sanson

Fotos: Cristiano Cruz/Renato Sanson

 

No último domingo, Porto Alegre recebeu o encerramento da turnê gaúcha da banda paulista Maestrick, promovendo o excelente “Expresso Della Vita: Lunare” (3° álbum da carreira). Depois de passarem por Pelotas e Caxias do Sul, a capital foi responsável pelo fechamento dessa sequência de apresentações no Rio Grande do Sul, em um show realizado no Gravador Pub.

E que experiência foi finalmente assistir o Maestrick ao vivo.

Mesmo já conhecendo os integrantes pessoalmente há algum tempo, essa foi minha primeira oportunidade de acompanhar a banda no palco, e a impressão não poderia ter sido melhor. O grupo entregou exatamente aquilo que os fãs esperam: técnica absurda, musicalidade refinada, peso, emoção e uma execução praticamente impecável do começo ao fim.

Para esta turnê, a banda contou também com a presença do guitarrista convidado Gabriel Veloso (Storia), agregando ainda mais peso e consistência às apresentações ao vivo. O entrosamento no palco foi evidente durante toda a noite, reforçando ainda mais a riqueza musical das composições executadas.

Ao vivo, o Maestrick consegue elevar ainda mais a proposta musical apresentada em estúdio. Cada integrante demonstra domínio absoluto do instrumento, mas sem transformar a apresentação em algo frio ou excessivamente técnico. Existe sentimento em cada passagem, em cada dinâmica e principalmente na interpretação de Fábio Caldeira, que conduziu o show com presença e proximidade com o público presente.

Um dos grandes momentos da noite aconteceu durante a música “Pescador”, que ganhou uma interpretação especial com a participação do vocalista Jonathas Pozo (Rage In My Eyes) dividindo os vocais com Fábio. A performance ainda contou com a participação do guitarrista Alexandre Tellini, tornando a execução uma das mais marcantes da noite e arrancando ótima reação do público presente.

Infelizmente, o evento contou com um público abaixo do que uma banda desse nível merece. Ainda assim, os presentes fizeram valer a noite, acompanhando atentamente cada música e criando um clima bastante respeitoso e caloroso dentro da casa. Foi uma apresentação que claramente merecia um alcance maior.

Outro ponto que acabou impactando parcialmente a experiência foi a sonorização do local, que em alguns momentos não conseguiu entregar toda a clareza necessária para uma banda com tantos detalhes e camadas musicais quanto o Maestrick. Soma-se a isso a limitação de horário da casa, que encerra atividades às 22h, obrigando a banda a encurtar o setlist e retirar cerca de duas músicas da apresentação.

Mesmo assim, o encerramento aconteceu de forma especial. Já nos momentos finais do show, Fábio perguntou ao público qual música deveria fechar a noite. A escolhida foi “Ethereal”, faixa do novo álbum, e sinceramente, não poderia existir encerramento melhor. A música trouxe aquele clima épico, emotivo e grandioso que resume perfeitamente a essência da banda atualmente.

Apesar das limitações da noite, o saldo final foi extremamente positivo. Ver o Maestrick ao vivo foi uma experiência marcante, daquelas que reafirmam o quanto ainda existem bandas nacionais produzindo material de altíssimo nível dentro do Prog Metal mundial.

Que o grupo retorne em breve ao Rio Grande do Sul, e que da próxima vez encontre o público que realmente merece.


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Cobertura de Show - Fest Ruído Macabro - 18/04, Apucarana PR

 

Dia 18/04/2026, a cidade de Apucarana (PR) recebeu o evento de Metal Extremo Ruído Macabro.

Desde já citaremos o ambiente No old's kustom bar acolhedor e extremamente bem decorado e com um palco no lado de fora, e um estúdio de ensaios e lanchonete dentro. É bem acessível e com um clima bem despojado.

O cast do evento foi composto pela Vazio, de São Paulo, e três bandas Paranaenses: Christophobia, Infected Morchirium, e Sulphuratus.

Com seu som que segue uma linha que remetem ao Mayhem, a Infected Morchirium deu o pontapé inicial da massa sonora,  promissora e reta, cumpriram sua proposta com competência.

Setlist:

 1 - Morning Star

2- Profano Sepulcro

3- DogWolf

4- The Hanging Tree

5- Mysterious Ways of Satan

6- God of Nothingness

7- Days of Armageddon 

8- Lake of Mud

9- Let it Bleed


Continuando seguimos com Sulphuratus, e seu Black metal sinfônico. Super interessante a apresentação. Destaques para o uso de violino, e uma presença bela com seus vocais líricos e por vezes brutais de Thais.

Setlist:

1 Alien Intervention 

2 Eternity 

3 Prometheus 

4 Nightfall symphony 

5 Opposite Voids


Agora entramos no show do Christophobia com um Black metal ríspido e com destaque para o baterista que também canta e é um grande músico junto ao demais membros. 

Setlist:

1- Desgraça

2- Rogo ao Caos

3- Carne de Caça

4- Necrochorume 

5- Antidogma

6- O Canalizador da Podridão

7- O Anticristo

8- Lágrimas de Sangue

9- Natimortos

10- Crociffigere ill Bastardo


Entramos agora em transe com o "Necrocosmos" da banda Vazio. Formada em 2016, em São Paulo, São Paulo, é conhecida por sua sonoridade obscura, ritualística e temática centrada em quimbanda, necromancia e ocultismo. O grupo vem em uma crescente, sendo uma dos nomes proeminentes do estilo no Brasil.

Sem dúvidas o vocalista Renato Gimenez, juntamente com os outros integrantes conseguem nos transportar para uma imersão transcendental, e Renato com seus vocais guturais característicos, que parecem cânticos, dão ênfase à atmosfera ritualística.

Setlist:

01 - Escuridão Seja Minha Guia

02 - Cerimônia dos Espiritos Primordiais

03 - Chamado dos Mortos

04 - Eterno Aeon obscuro

05 - Necrocosmos

06 - Oráculo de ossos

07 - Sombras de Um Passado Antigo

08 - Monumentos da Decadência

09 - Elementais da Matéria Escura

10 - Eterno Vazio



Tudo nas apresentações foi extremamente bom, real e eficiente, e mesmo com equipamentos simples as bandas literalmente tiraram o sumo de suas propostas.

Texto e fotos: Fernanda Luísa

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The 69 Eyes: Os Vampiros de Helsinque Reafirmam Sua Essência Gótica (Also In English)

BLKIIBLK (Imp.)

Por Michelle F. Santana

Desde os anos 90, o The 69 Eyes construiu uma identidade praticamente inconfundível dentro do gothic rock e do chamado “goth’n’roll”. Entre riffs carregados de hard rock oitentista, estética vampiresca e melodias melancólicas, a banda finlandesa nunca pareceu interessada em seguir tendências e talvez justamente por isso tenha mantido uma base de fãs tão fiel ao longo das décadas. Em I Survive, novo EP da banda, essa proposta permanece intacta, mas com um detalhe importante: este é o primeiro lançamento do grupo pelo selo BLKIIBLK, divisão voltada ao rock e metal do Frontiers Label Group. Essa nova fase parece refletir diretamente na sonoridade do trabalho, que aposta em uma abordagem mais direta, encorpada e fortemente apoiada no hard rock sem abandonar a identidade gótica que sempre acompanhou a banda.

Outro ponto que chama atenção é a produção e a ambientação sonora do EP. A mixagem assinada por Barry Pointer, conhecido por trabalhos ao lado de Ozzy Osbourne, reforça uma atmosfera ampla e quase cinematográfica, especialmente perceptível na faixa-título. Existe um senso de profundidade e dramatização nas camadas instrumentais que ajuda a potencializar essa estética noturna, melancólica e decadente que o The 69 Eyes domina tão bem.

Muito se fala hoje sobre inovação constante dentro do rock e do metal, mas existe uma diferença importante entre estagnação e coerência artística. Para um EP, especialmente vindo de uma banda com uma estética tão consolidada quanto o The 69 Eyes, faz muito mais sentido apostar no refinamento da própria fórmula do que em uma ruptura artificial. I Survive entende exatamente isso: não tenta reinventar a banda, apenas reforçar aquilo que ela sempre soube fazer bem.

A faixa-título “I Survive” deixa isso claro desde os primeiros minutos. O clima sombrio e melancólico remete diretamente à influência do "pós-punk", especialmente nas linhas vocais arrastadas e na atmosfera noturna quase cinematográfica. Ao mesmo tempo, a música mantém aquele peso acessível entre gothic rock, hard rock e glam decadente que sempre caracterizou o som do grupo. Há ecos evidentes do álbum "Wasting the Dawn" (1999) na construção da ambiência, principalmente no contraste entre sensualidade sombria e guitarras mais encorpadas.

Tecnicamente, a faixa trabalha riffs simples, porém extremamente eficientes, sustentados por uma cozinha sólida e um andamento cadenciado que favorece o clima melancólico sem perder o apelo de refrão. A participação de Steve Stevens, conhecido por seu trabalho com Billy Idol, adiciona ainda mais personalidade à música, especialmente nos detalhes de guitarra que reforçam esse lado hard rock clássico presente em toda a faixa.

O vocal de Jyrki 69 merece destaque especial em todo o EP. Sua interpretação soa confortável, madura e segura dentro da proposta da banda. Há uma dramaticidade característica do gothic rock clássico em sua performance, mas sem soar artificial ou exagerada. Pelo contrário: sua voz continua sendo uma das peças centrais da identidade construída pelo The 69 Eyes ao longo das décadas.

Em “Cold Sweat”, clássico originalmente lançado pelo Thin Lizzy e já revisitado por nomes como Megadeth e Helloween, o The 69 Eyes opta sabiamente por preservar a essência hard rock da composição. Em vez de transformar completamente a música, para encaixar em um molde gótico exagerado, a banda prefere incorporar pequenos elementos da própria identidade sem descaracterizar o espírito original da faixa. O resultado é um cover sólido, com guitarras vibrantes e uma interpretação que respeita a energia clássica da composição.

"In the Misery” talvez seja o momento em que o EP mais explicita o DNA da banda. Toda a decadência vampiresca, o romantismo sombrio e a estética urbana noturna aparecem de forma quase emblemática, principalmente na atmosfera melancólica construída pela faixa. Musicalmente, diferente das faixas mais cadenciadas do EP, aqui as guitarras surgem mais marcadas e presentes, conduzindo a música de maneira firme enquanto o instrumental mantém uma aura obscura e melancólica. O solo carrega uma pegada clássica de hard rock, adicionando ainda mais personalidade à faixa sem quebrar o clima decadente que define sua identidade. É justamente esse equilíbrio entre peso, melancolia e teatralidade vampiresca que transforma “In the Misery” em um verdadeiro retrato da essência do The 69 Eyes.

Mas é em “Devil’s Rose” que o EP encontra seu ponto mais alto. Muito mais puxada para o hard rock do que as demais faixas, a música encerra o trabalho de maneira energética sem abandonar a identidade gótica da banda. A participação do lendário guitarrista norte-americano Ed Mundell, ex-Monster Magnet, traz ainda mais força à composição. Suas guitarras brilham ao longo da faixa, incorporando elementos característicos do stoner rock com riffs encorpados, solos marcantes e muito feeling, mas sempre respeitando o universo sonoro do The 69 Eyes. As guitarras de Bazie também merecem destaque, funcionando em perfeita sintonia com a participação de Mundell e criando uma das construções instrumentais mais fortes do EP. Enquanto isso, Jyrki 69 entrega uma interpretação carregada de carisma sombrio e presença, reforçando ainda mais a personalidade da banda. O resultado é uma faixa intensa, energética e extremamente eficiente para encerrar o EP.

No fim, I Survive não é um trabalho revolucionário e nem precisa ser. O EP funciona porque entende exatamente a identidade da banda e não tenta fugir dela. Entre melodias sombrias, riffs acessíveis e uma atmosfera decadente que parece saída diretamente de clubes góticos dos anos 80 e 90, o The 69 Eyes entrega um trabalho sólido, tecnicamente consistente e fiel à própria identidade. Para os fãs antigos, é um reencontro confortável com aquilo que sempre tornou a banda especial. Para novos ouvintes, talvez seja um convite interessante para mergulhar nesse universo entre o hard rock e a escuridão romântica do gothic rock.

***ENGLISH VERSION***

Since the 1990s, The 69 Eyes have built an almost unmistakable identity within gothic rock and the so-called “goth’n’roll” scene. Blending ‘80s-inspired hard rock riffs, a vampiric aesthetic, and melancholic melodies, the Finnish band has never seemed particularly interested in following trends and perhaps that is precisely why they have maintained such a loyal fanbase throughout the decades. On I Survive, the band’s new EP, that approach remains fully intact, though with one important detail: this marks the group’s first release through BLKIIBLK, the rock and metal division of Frontiers Label Group. This new chapter seems directly reflected in the sound of the record, which embraces a more straightforward, fuller-bodied approach heavily rooted in hard rock while still preserving the gothic identity that has always defined the band.

Another element that stands out is the EP’s production and sonic atmosphere. The mix, handled by Barry Pointer known for his work alongside Ozzy Osbourne reinforces a broad and almost cinematic ambiance, especially noticeable on the title track. There is a sense of depth and dramatization in the instrumental layers that amplifies the nocturnal, melancholic, and decadent aesthetic that The 69 Eyes have mastered so well over the years.

There is constant discussion nowadays about the need for innovation within rock and metal, but there is an important difference between stagnation and artistic coherence. For an EP, especially from a band with such a consolidated aesthetic as The 69 Eyes, refining their own formula makes far more sense than forcing an artificial reinvention. I Survive understands this perfectly: it does not attempt to reinvent the band, but rather reinforces everything they have always done well.

The title track, “I Survive,” makes that clear from its very first moments. Its dark and melancholic atmosphere strongly recalls post-punk influences, especially through the drawn-out vocal lines and the nearly cinematic nocturnal mood. At the same time, the song maintains the accessible balance between gothic rock, hard rock, and decadent glam that has always characterized the band’s sound. There are even clear echoes of "Wasting the Dawn" (1999) in the way the atmosphere is constructed, particularly in the contrast between dark sensuality and heavier guitar textures.

From a technical perspective, the track is built around simple yet highly effective riffs, supported by a solid rhythm section and a steady pacing that enhances the melancholic atmosphere without sacrificing its hook-driven appeal. The participation of Steve Stevens best known for his work with Billy Idol adds even more personality to the song, particularly through guitar details that strengthen its classic hard rock edge.

Jyrki 69’s vocals deserve special recognition throughout the EP. His performance feels comfortable, mature, and fully confident within the band’s musical proposal. There is a dramatic quality typical of classic gothic rock in his delivery, though it never sounds artificial or exaggerated. On the contrary, his voice remains one of the central pillars of the identity The 69 Eyes have built over the decades.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

On “Cold Sweat,” originally released by Thin Lizzy and later revisited by bands such as Megadeth and Helloween, The 69 Eyes wisely choose to preserve the hard rock essence of the composition. Rather than completely reshaping the song into an exaggerated gothic framework, the band subtly incorporates elements of its own identity without stripping away the spirit of the original version. The result is a solid cover featuring vibrant guitars and a performance that respects the song’s classic energy.

“In the Misery” may be the moment where the EP most explicitly showcases the band’s DNA. The vampiric decadence, dark romanticism, and nocturnal urban aesthetic all emerge in an almost emblematic way, particularly through the melancholic atmosphere built around the song. Musically, unlike some of the EP’s slower and more restrained moments, the guitars here are sharper and more prominent, driving the track firmly forward while the instrumentation maintains an obscure and melancholic aura. The solo carries a distinctly classic hard rock feel, adding even more personality without disrupting the decadent atmosphere that defines the song’s identity. It is precisely this balance between heaviness, melancholy, and vampiric theatricality that turns “In the Misery” into a true portrait of The 69 Eyes’ essence.

However, it is on “Devil’s Rose” that the EP reaches its strongest moment. Leaning much more heavily into hard rock than the other tracks, the song closes the record in an energetic fashion without abandoning the band’s gothic identity. The participation of legendary American guitarist Ed Mundell, formerly of Monster Magnet, adds even more power to the composition. His guitar work shines throughout the track, incorporating characteristic stoner rock elements through thick riffs, striking solos, and a strong sense of feel, while still respecting the sonic universe of The 69 Eyes. Bazie’s guitars also deserve praise, working in perfect synergy with Mundell’s contributions and creating one of the EP’s strongest instrumental moments. Meanwhile, Jyrki 69 delivers a performance filled with dark charisma and presence, further reinforcing the band’s personality. The result is an intense, energetic, and highly effective closing track.

In the end, I Survive is not a revolutionary release nor does it need to be. The EP succeeds because it fully understands the band’s identity and never tries to escape from it. Between dark melodies, accessible riffs, and a decadent atmosphere that feels pulled directly from gothic clubs of the ‘80s and ‘90s, The 69 Eyes deliver a solid, technically consistent work that remains completely faithful to its own identity. For longtime fans, it is a comfortable reunion with everything that made the band special in the first place. For newer listeners, it may serve as an intriguing invitation into this world suspended between hard rock and the romantic darkness of gothic rock.

Marek Sabogal


sábado, 16 de maio de 2026

Phantom Star: Single "Witch Hunt" dá mais uma excelente prévia do debut

 

Formada em Curitiba (PR) no ano de 2004, o Phantom Star surge como uma das ótimas novidades do Heavy Metal brasileiro. 

Com uma sonoridade e visuais inspirados no Heavy Metal Clássico e Hard Rock 80's,  mas com uma pegada atual,  traz nuances épicas e dramáticas, por vezes densas e progressivas, imprimindo uma identidade a banda, a qual possui músicos com experiência, e que mostram que sabem onde querem chegar. 

Referências? Eu poderia citar King Diamond, Grave Digger, Virgin Steele e Savatage, bandas que primam por essas atmosferas épicas e dramáticas que encontramos no DNA da Phantom Star.

Neste terceiro single, "Witch Hunt", o último antes do lançamento do full-lenght de estreia em 20/06, a banda traz como tema a inquisição na idade média, perseguição movida por fanatismo religioso, medo e repressão, que levou à fogueira muitas mulheres acusadas de bruxaria. 

E a banda ressalta que é um tema que pode ser considerado assustadoramente atual, pois muitas mulheres continuam sendo julgadas e perseguidas por não seguir padrões impostos e entranhados na sociedade.

O single também marca a consolidação da banda como um sexteto, agora com um tecladista fixo, solidificando ainda mais a massa sonora e melódica da banda.

A capa do single, ilustração por Nelson Fontella, busca transmitir essa atmosfera, lembrando bastante a estética de cartazes de filmes e HQs clássicas de terror, assim como capas de álbuns de bandas que inspiraram o Phantom Star.

"Witch Hunt" portanto traz essa aura mística e épica, por vezes sombria, iniciando com um teclado que já anuncia esse clima. É Heavy Metal vigoroso, de cozinha pulsante, melodias e riffs marcantes da dupla de guitarras, sempre amparadas pelas linhas dramáticas do teclado.

Os vocais são carregados de teatralidade, e explodem em um refrão com coros retumbantes (naquele estilo que o Accept consolidou), e os solos encaixam perfeitos, com melodia e toques dramáticos.

"Witch Hunt" aumenta em muito a expectativa pelo full-lenght do Phantom Star, e a viagem do Heavy Metal Cósmico está apenas começando.

Texto: Caco Garcia 
Fotos: divulgação 

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