segunda-feira, 27 de julho de 2026

Phornax – A fornalha mais viva do que nunca!

Resenha por: Renato Sanson

Algumas bandas parecem simplesmente nascer no momento certo. Outras, no entanto, precisam atravessar anos de silêncio até encontrarem a formação ideal e a maturidade necessária para entregar aquilo que sempre foram capazes de fazer. É exatamente esse o caso da gaúcha Phornax, de Porto Alegre, que retorna após um longo hiato com "Hellforge", seu aguardado álbum de estreia, e o resultado não poderia ser mais convincente.

Depois do promissor EP "Silent War", lançado em 2012, a banda permaneceu longe dos holofotes por um bom tempo. O retorno aos palcos veio acompanhado de uma nova formação e de um disco que não apenas justifica a espera, como coloca a Phornax entre os grandes nomes do Metal Tradicional nacional da atualidade.

Um dos pilares desse trabalho está na produção impecável assinada por Renato Osório. O músico e produtor entrega um som encorpado, cristalino e pesado na medida certa. Cada instrumento encontra seu espaço na mixagem, permitindo que a riqueza dos arranjos seja percebida sem sacrificar o impacto das músicas. É uma produção moderna, mas que preserva a essência orgânica do Heavy Metal.

Musicalmente, "Hellforge" caminha com segurança entre o Heavy Metal Tradicional e o Speed Metal, incorporando discretos elementos progressivos que enriquecem as composições sem torná-las excessivamente complexas. O álbum flui de forma natural, alternando momentos de velocidade, peso e melodias marcantes, sempre com excelente senso de construção.

A chegada do guitarrista Eduardo Martinez representa um enorme salto qualitativo para a banda. Seus solos são criativos, extremamente inspirados e carregados de personalidade, demonstrando técnica apurada sem cair no exibicionismo. Martinez ao lado de Deivid Moraes (mestre dos riffs por trás dos pilares) acrescentam novas cores ao som da Phornax e transforma cada faixa em uma experiência dinâmica, fazendo do álbum um verdadeiro desfile de grandes momentos para os amantes da guitarra.

Outro destaque absoluto é o vocalista Cristiano Poschi, que apresenta uma evolução impressionante em relação ao EP de 2012. Sua interpretação ganhou maturidade, confiança e controle. O drive continua sendo sua principal marca registrada, mas agora aparece muito mais refinado, alternando com passagens limpas sempre que a música exige. O resultado é uma performance intensa, convincente e cheia de personalidade, sem recorrer a exageros.

As músicas originalmente presentes em "Silent War" também merecem destaque. Longe de serem apenas reaproveitadas, elas receberam uma nova roupagem que evidencia toda a evolução técnica e artística da banda. Soam mais pesadas, mais maduras e perfeitamente integradas ao restante do repertório, mostrando que a espera realmente valeu a pena.

A cozinha da Phornax também impressiona. A bateria dispara verdadeiras metralhadoras de viradas e levadas, sempre variando sem perder a precisão, enquanto o baixo constrói linhas marcantes que reforçam o peso das composições e dialogam constantemente com as guitarras. O resultado é uma base sólida que impulsiona cada música com enorme competência.

Mais do que um simples álbum de estreia, "Hellforge" demonstra uma banda plenamente consciente de sua identidade. As composições exibem estruturas inteligentes, mudanças de dinâmica muito bem executadas e um nível de maturidade que normalmente se espera de grupos com vários discos na bagagem.

No fim das contas, a Phornax não apenas retorna: ela retorna em grande estilo. "Hellforge" é um trabalho consistente do início ao fim, repleto de riffs memoráveis, excelentes performances individuais e composições inspiradas. Para quem aprecia Heavy Metal, Speed Metal e pequenas nuances progressivas, este é um lançamento obrigatório.

Sem exagero, "Hellforge" já figura entre os grandes lançamentos do Metal brasileiro em 2026 e certamente merece um lugar na lista dos melhores álbuns do ano. Se este disco representa o novo ponto de partida da Phornax, o futuro da banda promete ser tão sólido quanto o aço forjado que dá nome ao álbum.

domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 17/06/2026 – Blood Rock Bar/CWB

Uma noite de metal melódico e memória: Roland Grapow em Curitiba

Em turnê pela América Latina, Roland Grapow, que desde 2001 segue com o grande Masterplan. Entretanto, nesta vinda ao Brasil, o foco passa a ser sua fase áurea no Helloween, mais especificamente a comemoração dos 30 anos de The Time Of The Oath. E desta vez, Curitiba não ficou de fora, Roland e banda desembarcaram na capital paranaense para uma única apresentação no Blood Rock Bar, localizado no centro histórico de Curitiba. Inclusive, o Blood Rock é reduto de bandas nacionais autorais e covers da melhor qualidade, e não é raro, talentos brasileiros que tocaram lá, serem exportados para o mundo. Exemplo da noite, a segunda banda de abertura, o Royal Rage, que recentemente fez uma turnê na Europa.

Um show no meio da semana acabou não animando o curitibano, mas aos poucos a casa foi dando espaço ao público, que aguardou para dar as caras durante o show principal da noite. Uma pena pois as duas bandas de abertura foram muito competentes no esquenta da noite, contornando com muito jogo de cintura alguns problemas técnicos aparentes. Quando cheguei ao local, alguns minutos após a abertura das portas, a banda Evil Politicians já estava com tudo no palco, e sem cerimônia destilou seu som para os poucos presentes na pista principal. 

Já o Royal Rage ganhou um pouco mais de público, entretanto ainda havia muitas pessoas aproveitando o happy hour com muita comida e bebida, coisa que o Blood Rock se sai muito bem, diga-se de passagem. A casa noturna com decoração voltada para o cinema de horror, que parece um calabouço moderno, conta com vários ambientes, inclusive um segundo andar e área aberta, tudo com mesas, sofás e poltronas (sim, sofás!!!), cadeiras e área gamer com máquinas clássicas dos anos 90. Enfim, fica fácil se entreter em um local assim.

Após o show do Royal Rage, o próprio Roland Grapow apareceu entre o público para trocar uma ideia e tirar fotos, tudo com a máxima cortesia que só o curitibano consegue (kkkkk contém ironia). Inclusive, na minha tentativa de pedir uma foto educadamente, acabei "chupando dedo", mas tudo bem, o show iria ser muito intimista mesmo, pois não há separação entre público e banda, somente o palco um pouco mais elevado. Portanto, a experiência da plateia é a melhor possível.

O show começou no horário correto, com uma banda pouco à vontade, e ainda tentando acertar os detalhes técnicos. Mas os anos de estrada do guitarrista deram a ele o jogo de cintura para conversar e brincar com o público presente. Inclusive, era o único dentre os músicos com uma cerveja em mãos, motivo para mais entretenimento ao estilo "good vibes". Acredito que seja uma característica herdada dos tempos de Helloween, pois nunca vi músicos tão animados como eles. Falo com propriedade de quem esteve presente em 1996, no Couto Pereira para assistir o "Monsters Of Rock" curitibano, que contou ainda com Iron Maiden (com Blaze nos vocais), Motorhead e Skid Row. Após este dia, nunca mais perdi uma turnê no Helloween.

A banda de apoio do guitarrista alemão contou com um escalão de músicos de primeira do cenário nacional, são eles Marcos Dotta na bateria, Fabio Carito no baixo, Affonso Junior na guitarra e João Luiz nos vocais. Com o time formado, o show foi se desenrolando em um misto de euforia do público, piadas do carismático Roland, que ficou sem o microfone (sim, isto aconteceu devido a um problema técnico, que não foi solucionado) mas nada que tirasse o bom humor do alemão, que de tempos em tempos pegava o instrumento dos colegas de palco, para falar com os fãs. Inclusive, a pista ficou lotada rapidamente e os fãs de metal melódico, principalmente de Helloween, são muito apaixonados, era um desfile de tatuagens personalizadas, gritos, choros e aspirantes a vocalistas em todos os cantos.

Agora, vamos falar da parte mais técnica da apresentação, não há que se negar que foi um ótimo show, mas pecou em vários aspectos, em vários momentos o som e os equipamentos não estavam em sincronia, o vocalista, apesar de ter uma voz impecável, não conseguiu o mesmo efeito ao interpretar o estilo melódico. Inclusive, achei que eram coisas da minha cabeça, mas algumas músicas foram bem prejudicadas em sua interpretação. Só para esclarecer, no final do show, consegui trocar uma ideia com algumas pessoas que também acompanham a banda e tiveram a mesma percepção. Mas o carisma e postura de João Luiz compensaram, conseguiu uma ótima pegada no hino Power e sabemos de sua competência, então, tudo deu certo.

Destaque para a participação especial do músico curitibano Cassiano Chamma, que interpretou as músicas Mr. Torture, Eagle Fly Free e I Want Out em perfeita sintonia com a banda, especialmente com Roland Grapow, que o aplaudiu algumas vezes. A participação também gerou uma espécie de nostalgia, onde em alguns momentos relembrou a química de outrora.

Por fim, apesar das trapalhadas, a competência dos músicos, o fervor dos fãs e o amor ao Heavy Metal tornaram a noite de quarta-feira um sucesso. “Happy Happy Helloween”.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake up the Mountain

Power

Forever and One

Before the War

Million to One

The Departed

The Dark Ride

The Chance

Mr. Torture

Eagle fly free

I Want Out

Cobertura de Show: Nazareth – 21/07/2026 – Manifesto Bar/SP

Após sete anos de espera, o Nazareth finalmente voltou a São Paulo para um aguardado reencontro com os fãs paulistanos. A apresentação aconteceu no Manifesto Bar e mostrou, logo de cara, que nem mesmo uma terça-feira foi capaz de impedir a presença do público para prestigiar uma das bandas mais tradicionais do hard rock mundial. A casa ficou completamente lotada, com uma fila que andava do lado de fora a passos de tartaruga. A demora foi tanta que muitos, incluindo este repórter, acabaram perdendo a apresentação da banda de abertura, Phornax, evidenciando que a organização da entrada merecia um planejamento melhor diante da procura pelo evento.

Muito se discute nas redes sociais sobre a continuidade do Nazareth após a morte de Dan McCafferty, em 2022. Para muitos, a banda teria perdido sua essência. No entanto, bastaram os primeiros acordes de "Telegram" e "Miss Misery" para que Gianni Pontillo demonstrasse por que foi escolhido para assumir os vocais. Sem tentar imitar seu lendário antecessor, o cantor entrega personalidade, técnica e uma presença de palco contagiante, respeitando o legado da banda enquanto imprime sua própria identidade. Ao lado dele, Jimmy Murrison (guitarra), Pete Agnew (baixo) e Lee Agnew (bateria) mostraram uma sintonia impecável, sustentando um show de alto nível do começo ao fim.

O repertório privilegiou diferentes fases da carreira da banda e manteve o público envolvido durante toda a noite. "Razamanaz" e "Shanghai'd in Shanghai" incendiaram a pista logo no início, enquanto "Love Leads to Madness" ganhou um momento especial quando Pontillo dedicou a canção ao público paulista, descrevendo São Paulo como uma "cidade grande e maluca". Em meio à execução da música, ergueu uma taça de vinho para brindar os presentes, arrancando aplausos da plateia. Logo depois, "Dream On" transformou o Manifesto Bar em um grande coro, com praticamente todos os presentes acompanhando a canção do início ao fim.

A interação entre banda e público permaneceu intensa durante toda a apresentação. Antes de "Light Comes Down", Gianni perguntou se os fãs gostariam de ver o Nazareth novamente no Brasil em 2027. A resposta veio em forma de um ensurdecedor coro positivo. Visivelmente emocionado, o vocalista agradeceu o carinho recebido e afirmou que todos estavam extremamente felizes por voltar ao país depois de tantos anos, classificando São Paulo como uma verdadeira cidade do rock. Em "Whiskey Drinkin' Woman", colocou novamente os fãs para trabalhar, testando sua capacidade vocal em um divertido duelo de vozes, que foi vencido com facilidade pelos fãs brasileiros. Já "Changin' Times" apareceu em uma versão estendida, oferecendo espaço para um excelente solo de guitarra de Jimmy Murrison.

Na reta final, o clima atingiu seu ápice. A introdução de bateria de "Hair of the Dog" bastou para provocar uma explosão do público, preparando terreno para aquele que talvez tenha sido o momento mais emocionante da noite: "Love Hurts". O clássico foi cantado em uníssono, emocionando público e banda em uma interpretação digna da história da música. Infelizmente, foi justamente após esse momento que um problema alheio ao espetáculo começou a comprometer a experiência. Como o sistema de comandas do Manifesto exige que o pagamento seja realizado antes da saída, muitos espectadores deixaram a pista ainda durante "Turn On Your Receiver" para enfrentar as enormes filas nos caixas. O resultado foi uma quantidade considerável de espaços vazios em frente ao palco, justamente quando a apresentação caminhava para sua reta decisiva.

O bis evidenciou ainda mais esse problema. Já passava das 23 horas, em plena terça-feira, e centenas de pessoas preferiram garantir um lugar na fila para deixar a casa a acompanhar as últimas músicas. Assim, "Where Are You Now" e "Go Down Fighting" acabaram sendo executadas diante de uma plateia visivelmente menor do que a que lotou o Manifesto durante quase todo o show. Ainda assim, o Nazareth saiu de São Paulo com a missão cumprida. A banda mostrou que continua em excelente forma, sustentada por músicos extremamente competentes e por um vocalista que honrou a memória de Dan McCafferty sem viver à sombra de seu legado. Se depender da reação daqueles que permaneceram até o último acorde, o convite para um retorno em 2027 já foi aceito muito antes de a última nota ecoar pelo Manifesto Bar. 


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music



Nazareth – setlist:

Telegram

Miss Misery

Razamanaz

Shanghai'd in Shanghai

Love Leads to Madness

Dream On

Holiday

This Flight Tonight

Light Comes Down

Whiskey Drinkin' Woman 

Beggar's Day

Changin' Times 

Hair of the Dog

Love Hurts

Turn On Your Receiver

Where Are You Now

Go Down Fighting

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Domino Drive: Além das Estrelas (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após um promissor álbum de estreia com Smoke and Mirrors (2023), o Domino Drive retorna com Cosmic Theater, um trabalho que demonstra uma evolução evidente tanto na composição quanto na identidade sonora da banda sueca. Sem abandonar suas raízes no hard rock melódico, o quinteto amplia significativamente seu horizonte musical ao incorporar uma produção mais moderna, texturas atmosféricas e uma abordagem quase cinematográfica, resultando em um álbum sólido, ambicioso e surpreendentemente coeso.

A chegada do guitarrista Jonatan Berg (Lipz) acrescenta ainda mais consistência ao conjunto, cuja proposta gira em torno de uma viagem entre diferentes dimensões emocionais e temporais. O conceito jamais se sobrepõe às canções; pelo contrário, serve como fio condutor para um repertório que alterna peso, melodias marcantes e refinamento instrumental com naturalidade.

A abertura, "Time for Change", estabelece imediatamente o nível da produção. A base permanece relativamente linear, mas os detalhes fazem toda a diferença: guitarras, teclados e backing vocals são distribuídos com inteligência, criando uma faixa envolvente e bastante eficaz. Em seguida, "Dancing on Water" assume uma postura mais pesada e moderna, sustentada por riffs inspirados e um excelente diálogo entre guitarras e teclados, culminando em um dos refrães mais fortes do disco.

Um dos momentos mais criativos surge em "Dandy Cool", que combina elementos barrocos — incluindo cravo e violão clássico — com uma estrutura contemporânea de hard rock. O contraste funciona perfeitamente e evidencia a disposição da banda em explorar novas possibilidades sem comprometer sua identidade.

Na sequência, "Together Apart" e "Terra Utopia" reforçam o equilíbrio entre tradição e modernidade. As influências de Van Halen aparecem principalmente nos teclados, enquanto o trabalho das guitarras ganha ainda mais protagonismo. Já "Terra Utopia" adiciona referências ao heavy metal clássico dos anos 1980, mostrando um Domino Drive confortável em transitar entre diferentes vertentes do rock melódico.

"Femme Fatale" mantém o alto nível ao unir peso, velocidade e melodias acessíveis, enriquecidas por discretos vocais femininos e arranjos que ampliam a riqueza sonora da composição. Em contraste, "Heart to Heart" entrega a indispensável power ballad do álbum. Longe de soar previsível, a faixa impressiona pela qualidade dos arranjos, pela interpretação vocal de Jonas Tyskhagen e pelo excelente equilíbrio entre emoção e sofisticação musical.

A reta final mantém a consistência. "The Ocean at the End of Time" evidencia influências que remetem tanto ao Van Halen quanto ao Europe, enquanto "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" representa o ponto mais ousado do trabalho. Com elementos progressivos, referências ao hard rock setentista e uma construção musical mais elaborada, a composição demonstra a maturidade alcançada pela banda sem sacrificar a acessibilidade.

Encerrando o álbum, "Wondermaker" opta por uma abordagem mais direta e descontraída. Após toda a complexidade apresentada anteriormente, a simplicidade da faixa funciona como um fechamento eficiente e deixa uma última impressão positiva.

Embora algumas músicas sigam estruturas relativamente convencionais do hard rock melódico, a riqueza dos arranjos, a excelente produção e o cuidado na construção das melodias impedem qualquer sensação de repetição. O Domino Drive demonstra personalidade suficiente para dialogar com suas influências sem soar derivativo, encontrando um equilíbrio raro entre técnica, peso e apelo melódico.

Cosmic Theater representa um salto artístico significativo em relação ao álbum de estreia e confirma que o Domino Drive é um dos nomes mais promissores da nova geração do hard rock escandinavo. Um disco consistente do início ao fim, capaz de agradar tanto aos fãs mais tradicionais do gênero quanto aos ouvintes que procuram uma abordagem contemporânea do hard rock melódico. Tem todos os ingredientes para figurar entre os lançamentos de maior destaque de 2026.

***ENGLISH VERSION***

Following the promising debut of Smoke and Mirrors (2023), Domino Drive return with Cosmic Theater, an album that clearly showcases the Swedish band's artistic growth. While remaining firmly rooted in melodic hard rock, the quintet broadens its musical horizons by embracing a more modern production, atmospheric textures, and a cinematic sense of scope, resulting in a record that is both ambitious and remarkably cohesive.

The addition of guitarist Jonatan Berg (Lipz) further strengthens the band's chemistry, while the album's concept—an emotional and temporal journey through different dimensions—serves as an effective narrative thread rather than overshadowing the music itself. Instead, it enhances a collection of songs that effortlessly balances heaviness, memorable melodies, and refined musicianship.

Opening track "Time for Change" immediately establishes the album's high production standards. Although its structure remains relatively straightforward, carefully layered guitars, keyboards, and rich backing vocals add depth and sophistication. It is followed by "Dancing on Water", which adopts a heavier, more contemporary approach, driven by infectious riffs and an excellent interplay between guitars and keyboards, leading to one of the album's strongest choruses.

One of the record's most creative moments arrives with "Dandy Cool", where baroque influences—including harpsichord and classical guitar—are seamlessly woven into a modern hard rock framework. The contrast feels natural and highlights the band's willingness to experiment without losing sight of its melodic identity.

"Together Apart" and "Terra Utopia" continue this balance between classic and contemporary influences. The former evokes echoes of Van Halen through its keyboard work and dynamic twin-guitar interplay, while the latter introduces touches of traditional '80s heavy metal, proving that Domino Drive is equally comfortable exploring the heavier side of melodic rock.

"Femme Fatale" keeps the momentum alive by combining speed, weight, and infectious melodies, enhanced by subtle female vocal harmonies and elegant arrangements that add further depth to the composition. In contrast, "Heart to Heart" delivers the album's obligatory power ballad, but avoids cliché thanks to its tasteful arrangements, emotional vocal performance from Jonas Tyskhagen, and a carefully crafted balance between power and sensitivity.

The final stretch remains equally compelling. "The Ocean at the End of Time" blends subtle hints of Van Halen and Europe into another memorable melodic rocker, while "Universal Genesis Metamorphoses (Chapter 1)" stands as the album's most adventurous composition. Progressive flourishes, classic '70s hard rock influences, and a more elaborate musical structure reveal a band confidently expanding its creative boundaries without sacrificing accessibility.

Closing track "Wondermaker" opts for a more direct and uplifting approach. After the complexity of the preceding material, its straightforward nature provides an effective conclusion, leaving the listener with a lasting positive impression.

Although several songs follow familiar melodic hard rock structures, the richness of the arrangements, the pristine production, and the band's melodic craftsmanship prevent the album from ever feeling formulaic. Domino Drive successfully embraces its influences while establishing a distinctive personality of its own, striking an impressive balance between technical proficiency, musical weight, and commercial appeal.

Cosmic Theater represents a significant artistic leap from the band's debut and firmly establishes Domino Drive as one of the most exciting emerging names in the current Scandinavian melodic hard rock scene. Consistently engaging from beginning to end, it is an album that should satisfy longtime fans of the genre while also appealing to listeners seeking a fresh, contemporary take on melodic hard rock. It has every ingredient needed to secure a place among the standout rock releases of 2026.

Divulgação 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 18/07/2026 – Tokio Marine Hall/SP

MASTER OF VOICES TRANSFORMA O TOKIO MARINE HALL EM UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO HARD ROCK E DO HEAVY METAL

Mais uma noite histórica para os amantes do hard rock e do heavy metal, desta vez em São Paulo. O Tokio Marine Hall recebeu o espetáculo Master of Voices, reunindo quatro grandes vozes do gênero em um verdadeiro desfile de clássicos. No palco, Tim "Ripper" Owens, Eric Martin, Jeff Scott Soto e o brasileiro Edu Falaschi revisitaram sucessos de bandas como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra e muitos outros projetos que marcaram gerações de fãs.

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a banda norte-americana Velvet Chains, de Los Angeles, que subiu ao palco pontualmente às 20h50, exatamente no horário prometido. Divulgando seu terceiro EP, Last Rites, o grupo apresentou um som que mistura heavy metal moderno, hard rock e influências de nu metal. Mesmo diante de um público que praticamente desconhecia seu repertório, a banda conseguiu conquistar a plateia com muita energia. O momento de maior interação aconteceu durante o cover de "Suspicious Minds", clássico eternizado por Elvis Presley, apresentado em uma roupagem moderna, pesada e com aquela característica pegada do rock de Los Angeles. O público rapidamente embarcou no refrão conhecido. 

Liderado pelo vocalista Chaz Terra, o quinteto mostrou um set direto, sem enrolação, deixando claro o potencial que possui para se tornar uma das próximas revelações da cena mundial do metal. Singles recentes como "Hurt Me" e "Dead In The Head" evidenciam bem esse momento da banda. Vale destacar também a performance extremamente energética da dupla de guitarristas Von Boldt e Philip Paulsen, que dominaram o palco durante toda a apresentação. Antes de deixar o palco, o Velvet Chains prometeu voltar em breve ao Brasil e pediu que o público comparecesse novamente aos próximos shows.

Pontualmente às 22h, subiu ao palco o primeiro dos Masters of Voices: Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big. Sempre muito bem-humorado, iniciou sua apresentação com a incrível "Daddy, Brother, Lover, Little Boy", emendada com a maravilhosa "Take Cover", colocando o público imediatamente no clima da festa. Na sequência veio "Green-Tinted Sixties Mind", transformando o Tokio Marine Hall em um grande coro. Com o violão em mãos, Eric fez um divertido passeio por clássicos do rock, tocando trechos de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) e "Sweet Home Alabama" (Lynyrd Skynyrd), preparando o terreno para outro grande clássico: "Wild World", de Cat Stevens, eternizada na sua voz no Mr. Big. Durante todo o show, Eric fez questão de rasgar elogios à banda brasileira que o acompanhava: Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Edu Cominato (Mr. Big/Spektra) e Leo Mancini (Elektra e ex-Shaman). E não foi exagero. Nenhum deles deixa absolutamente nada a desejar aos músicos originais que gravaram aqueles clássicos. A prova veio logo depois com "Colorado Bulldog", uma das músicas mais técnicas do repertório do Mr. Big, executada de forma impecável.

Voltando ao violão, Eric comentou sobre sua frequente presença no Brasil e declarou o carinho que sente pelo público brasileiro. Então soltou a frase: "I am the one who wants to be with you..." Era a deixa para "To Be With You". O resultado foi emocionante: praticamente todo o Tokio Marine Hall cantou junto. Inclusive seguranças, bombeiros e funcionários do bar pareciam acompanhar a música. Eric encerrou seu set com "Addicted to That Rush" e chamou ao palco o ex-vocalista do Judas Priest, Tim "Ripper" Owens.

A entrada de Ripper aconteceu ao som da introdução "The Hellion", executada ao vivo pela banda — diferentemente da versão original do Judas Priest, que utiliza playback. Logo em seguida veio "Electric Eye", fazendo o Tokio Marine Hall literalmente explodir. Com um som pesado, extremamente coeso e muito bem regulado, Tim apresentou uma performance impecável. Seus agudos continuam impressionantes e sua voz permanece poderosa. Não por acaso, foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite. 

Na sequência veio "Burn in Hell", representante de sua fase no Judas Priest durante o álbum Jugulator (1997). Sempre muito simpático e humilde, Ripper agradeceu a Eric Martin por estar abrindo um show dele, dizendo que jamais imaginou viver algo assim. Demonstrando ainda mais humildade, apresentou todos os músicos dizendo que eram excelentes instrumentistas e brincou afirmando que provavelmente todos eram mais famosos do que ele. 

Após apresentar o baterista Edu Cominato, veio a introdução de "Painkiller", talvez um dos maiores hinos da história do heavy metal. Falando em hinos, "Breaking the Law" fez o público cantar como se não houvesse amanhã. Para fechar seu set, Ripper resolveu ampliar ainda mais a festa com dois clássicos absolutos do rock: "Highway to Hell" (AC/DC) e "Heaven and Hell" (Black Sabbath). Mesmo não fazendo parte de seu repertório tradicional, ambas incendiaram a plateia, principalmente quem não conhecia tão bem sua trajetória no Judas Priest. Na despedida, chamou ao palco o único brasileiro do quarteto: Edu Falaschi.

Edu iniciou sua apresentação com "Acid Rain", do álbum Rebirth (2001). As músicas seguintes também vieram de seu disco de estreia com o Angra: "Millennium Sun" e "Bleeding Heart". Esta última ganhou uma curiosa participação do público. Afinal, a música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, tornando-se um enorme sucesso na música popular brasileira. Não foram poucas as pessoas que cantavam junto com Edu... mas usando a letra da versão nordestina. 

Na sequência veio "Waiting Silence", do clássico Temple of Shadows (2004). Talvez não seja uma das mais conhecidas do público em geral, mas certamente é uma das preferidas deste que vos escreve. Durante sua apresentação, Edu comentou estar extremamente feliz por dividir o palco com três vocalistas que sempre admirou e ouviu desde jovem. Também aproveitou para convidar todos os presentes para seu show no próprio Tokio Marine Hall, marcado para agosto, dizendo que gostaria de reencontrar aquele público novamente. Seu set terminou em clima emocionante com "Rebirth" e "Heroes of Sand", duas das baladas mais marcantes de sua passagem pelo Angra.

A introdução de "One Love", do supergrupo W.E.T., já anunciava que era hora de Jeff Scott Soto assumir o comando. Era perceptível que parte do público não conhecia aquela música, mas isso não fez diferença. A energia de Jeff rapidamente conquistou todos, e bastaram alguns refrões para muita gente já tentar acompanhar a letra. Sem deixar a peteca cair, anunciou um clássico lançado nos anos 80 por uma banda muito conhecida: o Journey. Assim começou "Separate Ways". Nesse momento já não era mais apenas um show. Era uma verdadeira festa. Todo mundo pulando, cantando e comemorando junto com Soto e a excelente banda de apoio. Em uma pausa, Jeff brincou dizendo que ama tanto o Brasil que já está providenciando seu CPF para se tornar oficialmente brasileiro. A resposta veio imediatamente com o tradicional coro: "Vira, vira, vira... virou!". Uma brincadeira que acompanha suas passagens pelo país e faz referência às lendárias caipiroskas consumidas durante antigas turnês brasileiras. Soto contou que, em sua última visita, ouviu muitas reclamações sobre seu peso e decidiu procurar um médico nos Estados Unidos. O resultado? Adeus às caipiroskas, pão de queijo, brigadeiro e feijoada. Agora, segundo ele, apenas Sprite Zero.

Entre risadas, anunciou um momento muito especial. Disse que iria cantar uma música inédita em sua carreira para prestar homenagem a um dos maiores nomes da história do rock: Ozzy Osbourne, que completaria um ano de seu falecimento em 22 de julho. Após fazer o sinal da cruz, começou "Mama, I'm Coming Home". Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. Jeff interpretou a música com enorme sensibilidade e arrancou aplausos calorosos. Obrigado por esse presente, Jeff. Logo depois, a bateria anunciou outro clássico de sua carreira: "I'll Be Waiting". Durante a execução, Soto simplesmente desceu para o meio da plateia e cantou cercado pelos fãs. Todos unidos em um único refrão: "If you need somebody, call out my name... I'll Be Waiting, right by your side." Foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. O tradicional medley de sua fase com Yngwie Malmsteen também marcou presença: "I Am a Viking / I'll See the Light Tonight". Para encerrar seu set, vieram "Coming Home", do Sons of Apollo — ocasião em que relembrou a participação de Felipe Andreoli nos shows brasileiros da banda substituindo Billy Sheehan — e "Stand Up", música da banda fictícia Steel Dragon, do filme Rock Star, na qual Jeff gravou os vocais.

Já passando da meia-noite, os quatro vocalistas voltaram ao palco para um grandioso encerramento com "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Convenhamos... Não poderia existir música mais apropriada para fechar uma noite como essa.

O Master of Voices não foi apenas uma sequência de apresentações individuais. Foi uma verdadeira celebração da história do hard rock e do heavy metal, reunindo quatro vocalistas consagrados, músicos impecáveis e um público que cantou cada refrão como se estivesse reencontrando velhos amigos. Uma festa daquelas que atravessam gerações. Daquelas noites que quem esteve presente jamais esquecerá.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: André Tavares

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Top Link Music


Setlist - Velvet Chains

War

Ghost in the Shell

Dead Inside

Stuck Against the Wall

Wasted

Suspicious Minds

Wide Awake

Hurt Me

Sins

Dead in the Dead

How The Story Ends


Set List - Eric Martin

Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)

Take Cover

Green-Tinted Sixties Mind

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush


Set List - Tim Ripper Owens

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Set List - Edu Falaschi

Acid Rain

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth(Angra cover)

Play Video

Heroes of Sand


Set List - Jeff Scott Soto

One Love

Separate Ways (Worlds Apart)

Mama, I'm Coming Home (Ozzy Osbourne cover)

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


All Singers

Living After Midnight (Judas Priest cover)

Madball: Fiel Às Origens

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Quase quatro décadas depois de surgir nas ruas de Nova York, o Madball continua provando que autenticidade pesa mais do que reinvenção. Em Not Your Kingdom, seu décimo álbum de estúdio, a banda entrega um trabalho que honra a tradição do NYHC sem soar presa ao passado.

Por Guilmer Da Costa Silva - @guilmer_metal

Oito anos separaram For the Cause (2018) de Not Your Kingdom, o maior intervalo entre dois discos da carreira do Madball. Nesse período, muita coisa mudou: o hardcore ganhou novas tendências, o metalcore se aproximou ainda mais do metal extremo e a própria banda passou por mudanças importantes, principalmente com a saída do baixista Jorge "Hoya Roc" Guerra. Ainda assim, Freddy Cricien e seus companheiros optam por seguir um caminho diferente do de muitos veteranos: não tentam modernizar sua identidade, mas refiná-la.

O resultado é um disco de pouco mais de trinta minutos que equilibra agressividade, groove, melodias pontuais e uma produção robusta, sem perder a essência construída desde clássicos como Set It Off (1994) e Demonstrating My Style (1996).

A abertura com "Tethered" deixa isso evidente desde os primeiros segundos. Os riffs carregados de groove, a bateria pulsante e a interpretação sempre intensa de Freddy Cricien funcionam como uma declaração de intenções: o Madball continua sendo o Madball. Logo em seguida, "Flammable" reduz tudo à essência do hardcore, explodindo em menos de um minuto com velocidade, agressividade e um breakdown que certamente encontrará seu lugar nos shows.

O primeiro momento de respiro chega com "Rebelude". O breve interlúdio, de atmosfera quase dub, quebra a sequência de pancadas sem parecer deslocado e prepara o terreno para "Rebel Kids", provavelmente a música mais emblemática do disco. Lançada como primeiro single, ela sintetiza boa parte da proposta do álbum. O refrão foi claramente concebido para ser cantado em coro, enquanto a letra recupera o espírito inconformista que sempre definiu o hardcore. Em uma época em que parte da cena parece cada vez mais preocupada em seguir tendências, Freddy relembra que o gênero nasceu justamente da contestação. 

A partir daí, o disco alterna momentos de violência absoluta com pequenas variações que enriquecem a audição. "Don't Misstep" acelera novamente com riffs de forte influência metálica e uma bateria devastadora, mostrando que a produção moderna acrescenta peso sem diluir a essência da banda. Já "What Say You", cuja temática dialoga diretamente com o título do álbum, aposta em um andamento mais cadenciado, privilegiando o groove e a construção dos riffs. É uma das composições mais marcantes do trabalho e evidencia o quanto o Madball domina a dinâmica entre peso e controle.

Essa aproximação com o metal aparece de forma ainda mais evidente em "Stab Wounds", impulsionada pelas guitarras de Mike Gurnari e pela sólida estreia de Paul Delaney no baixo. A nova cozinha demonstra enorme entrosamento ao longo de todo o disco, oferecendo uma base consistente para que os riffs ganhem ainda mais impacto. Em seguida, "Sunrise" surge como mais um breve interlúdio atmosférico, reorganizando o ritmo do álbum antes de uma sequência em que o lado mais melódico do Madball ganha espaço.

"Life's a Mural" mostra que groove e refrões fortes podem conviver naturalmente dentro do hardcore nova-iorquino. A música preserva toda a energia característica da banda, mas abre espaço para linhas vocais mais acessíveis, algo que também acontece em "The Ride", uma das faixas mais cativantes do repertório. Sem abandonar a agressividade, ambas revelam um Madball confortável em explorar melodias sem comprometer sua credibilidade. 

No centro emocional do disco está "Family First". Mais do que uma música, ela funciona como uma reafirmação dos valores que moldaram toda a cena hardcore de Nova York. A alternância entre passagens cadenciadas e explosões de velocidade reforça a mensagem de união, lealdade e responsabilidade que acompanha o grupo desde seus primeiros trabalhos. É impossível ouvir a faixa sem lembrar da influência de nomes como Agnostic Front, Cro-Mags, Sick of It All e Biohazard na construção dessa filosofia.

A reta final mantém o nível elevado. "Clockwork" retoma a velocidade com riffs secos e breakdowns precisos, enquanto "IWI" surpreende ao iniciar com um breve violão antes de explodir em menos de meio minuto de pura violência, mostrando que até pequenas experimentações encontram espaço quando fazem sentido dentro da proposta do álbum.

O encerramento fica por conta de "Chase a Dream", que foge do formato explosivo predominante e aposta em uma construção gradual. Para os padrões do Madball, trata-se de uma composição quase épica, encerrando o disco com um sentimento de perseverança que dialoga perfeitamente com a trajetória da banda.

Embora Freddy Cricien tenha afirmado que este seja o álbum mais diverso da carreira do Madball, ninguém deve esperar mudanças radicais. A diversidade aparece em detalhes: interlúdios atmosféricos, maior presença de melodias, influências metálicas mais evidentes e uma dinâmica mais trabalhada entre velocidade e peso. Ainda assim, tudo permanece absolutamente reconhecível como Madball.

A produção moderna valoriza cada instrumento sem sacrificar a crueza característica do hardcore, enquanto Mike Gurnari entrega alguns dos riffs mais inspirados da fase recente da banda. A estreia de Paul Delaney e o trabalho de Mike Justian consolidam uma base rítmica poderosa, mostrando que a saída de Hoya Roc foi assimilada de maneira convincente.

No fim das contas, Not Your Kingdom não pretende revolucionar o hardcore nem reinventar o Madball. Seu maior mérito está justamente em compreender que poucas bandas carregam tanta autoridade para executar essa fórmula. Em pouco mais de trinta minutos, o grupo entrega um álbum consistente, pesado, repleto de refrões memoráveis e músicas que nasceram para ganhar vida nos palcos. Quase quarenta anos depois de sua formação, o Madball continua soando relevante, inspirado e, acima de tudo, fiel àquilo que sempre representou.

Dave Causa