sábado, 15 de agosto de 2026

The Eternal: Horizontes Obscuros (Also In English)

Reigning Phoenix Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Há algo de paradoxal em Obscured Horizons. O oitavo álbum do The Eternal é, sem dúvida, uma obra mergulhada na escuridão, mas não se trata de um disco derrotista. Pelo contrário: por trás das guitarras pesadas, das atmosferas melancólicas e das paisagens progressivas existe uma insistente sensação de movimento — como se cada momento de desolação apontasse, ainda que discretamente, para algum lugar além dela.

Desde Skinwalker (2024), o The Eternal vem refinando uma identidade que combina dark metal, gothic, doom e progressivo sem permitir que nenhum desses elementos domine completamente a composição. Obscured Horizons representa um passo adiante nesse processo. A banda amplia suas dimensões sonoras, mas preserva aquilo que sempre foi seu maior trunfo: a capacidade de transformar peso em emoção.

A abertura, “Lament For The Hollow”, estabelece imediatamente o tom. Não há pressa em revelar todas as cartas. O The Eternal constrói tensão através de camadas de guitarras, atmosferas densas e da interpretação de Mark Kelson, cuja voz continua sendo um dos elementos mais reconhecíveis da banda. “Existing To Expire” aprofunda essa sensação, equilibrando melancolia e intensidade em uma composição que sintetiza bem a proposta do álbum.

“Colours Fade” acrescenta outra dimensão ao disco. A música começa de maneira mais contemplativa antes de ganhar corpo, mostrando que o The Eternal entende dinâmica como algo mais importante do que simplesmente alternar momentos pesados e suaves. A banda trabalha com espaços, texturas e mudanças graduais, criando uma sensação quase cinematográfica.

Mas é justamente quando o grupo abandona parte desse controle que Obscured Horizons se torna mais interessante. “Liminality” surge como um dos momentos de maior impacto, introduzindo guitarras mais agressivas e vocais que acrescentam uma dose de brutalidade ao repertório. É uma faixa que quebra a previsibilidade e demonstra que o The Eternal ainda possui algumas cartas escondidas na manga.

A faixa-título mantém a densidade característica do álbum, enquanto “Yesterday’s Gone” expande sua dimensão progressiva. Aqui, a banda parece menos preocupada em criar um single imediato e mais interessada em desenvolver uma narrativa musical. O resultado é um disco que recompensa a audição integral — algo cada vez menos comum em uma época dominada pela lógica das faixas isoladas.

No centro de tudo está Mark Kelson. Sua interpretação raramente busca o exibicionismo; sua força está justamente na capacidade de transmitir vulnerabilidade sem transformar a música em melodrama. As guitarras de Kelson e Richie Poate, por sua vez, funcionam tanto como instrumento de peso quanto como elemento atmosférico, enquanto Niclas Etelävuori e Jan Rechberger fornecem uma base suficientemente sólida para que as composições possam respirar e evoluir.

É importante, entretanto, não confundir sofisticação com reinvenção. Obscured Horizons não representa uma ruptura radical com o passado do The Eternal. Grande parte de sua força está justamente no aperfeiçoamento de uma fórmula que a banda vem desenvolvendo há anos. A diferença é que agora ela parece mais segura de como utilizar seus diferentes componentes.

O álbum também se beneficia de sua coerência temática. A ideia de enfrentar desilusão, identidade fragmentada e a dificuldade de distinguir realidade e ilusão atravessa as composições sem transformar o disco em um manifesto conceitual excessivamente explícito. A escuridão está presente, mas não existe uma glorificação da própria decadência. Há sempre uma possibilidade de saída.

E é essa perspectiva que impede Obscured Horizons de se transformar em mais um exercício previsível de melancolia. O The Eternal entende que tristeza e esperança não são necessariamente opostos. Em sua música, elas coexistem.

“Awaken”, responsável por encerrar o álbum, resume essa trajetória. Depois de atravessar nove faixas marcadas por conflitos internos, peso e introspecção, o The Eternal não oferece uma conclusão triunfalista. O despertar sugerido pelo título é mais humano do que épico: não significa eliminar a escuridão, mas finalmente aprender a enxergar através dela.

Se Skinwalker marcou o início de uma nova fase e Celestial serviu como uma expansão dessa identidade, Obscured Horizons soa como o momento em que essas experiências finalmente encontram uma forma mais madura. Não é necessariamente o álbum mais pesado ou mais progressivo da carreira do The Eternal — e talvez nem precise ser. Sua ambição está em outro lugar: criar uma obra emocionalmente consistente, capaz de transformar atmosferas sombrias em uma narrativa sobre sobrevivência, consciência e renovação.

O horizonte pode estar obscurecido. Mas, para o The Eternal, isso não significa que tenha deixado de existir.


***ENGLISH VERSION***

There is something paradoxical about Obscured Horizons. The Eternal’s eighth album is undoubtedly a work immersed in darkness, but it is by no means a defeatist record. Quite the opposite: behind the heavy guitars, melancholic atmospheres and progressive landscapes lies a persistent sense of movement — as if every moment of desolation, however subtly, were pointing towards somewhere beyond it.

Since Skinwalker (2024), The Eternal have been refining an identity that combines dark metal, gothic, doom and progressive elements without allowing any one of them to completely dominate the compositions. 

Obscured Horizons represents another step forward in that process. The band expands its sonic dimensions while preserving what has always been its greatest strength: the ability to transform heaviness into emotion.

The opening track, “Lament For The Hollow”, immediately establishes the tone. There is no rush to reveal all the cards. The Eternal builds tension through layers of guitars, dense atmospheres and Mark Kelson’s performance, his voice remaining one of the band’s most recognisable features. “Existing To Expire” deepens that feeling, balancing melancholy and intensity in a composition that effectively encapsulates the album’s overall approach.

“Colours Fade” adds another dimension to the record. The song begins in a more contemplative fashion before gradually gaining weight, demonstrating that The Eternal understand dynamics as something far more important than simply alternating heavy and softer passages. The band works with space, texture and gradual shifts, creating an almost cinematic sensation.

Yet it is precisely when the band relinquishes some of that restraint that Obscured Horizons becomes most compelling. “Liminality” emerges as one of the album’s most powerful moments, introducing more aggressive guitars and vocals that inject an additional dose of brutality into the material. It is a track that breaks the sense of predictability and proves that The Eternal still have a few cards hidden up their sleeves.

The title track maintains the album’s characteristic density, while “Yesterday’s Gone” expands its progressive dimension. Here, the band seems less concerned with creating an immediate single and more interested in developing a musical narrative. The result is a record that rewards a complete listen — something increasingly uncommon in an era dominated by the logic of individual tracks.

At the centre of it all is Mark Kelson. His performance rarely seeks to impress through sheer showmanship; its strength lies precisely in his ability to convey vulnerability without allowing the music to descend into melodrama. Kelson and Richie Poate’s guitars, meanwhile, function both as instruments of weight and as atmospheric elements, while Niclas Etelävuori and Jan Rechberger provide a sufficiently solid foundation for the compositions to breathe and evolve.

It is important, however, not to confuse sophistication with reinvention. Obscured Horizons does not represent a radical break with The Eternal’s past. Much of its strength lies precisely in the refinement of a formula the band have been developing for years. The difference is that they now appear more confident in how to deploy each of its components.

The album also benefits from its thematic coherence. The idea of confronting disillusionment, fractured identity and the difficulty of distinguishing reality from illusion runs through the compositions without turning the record into an overly explicit conceptual manifesto. Darkness is ever-present, but there is no glorification of decay itself. There is always a way out.

And it is this perspective that prevents Obscured Horizons from becoming yet another predictable exercise in melancholy. The Eternal understand that sadness and hope are not necessarily opposites. In their music, they coexist.

“Awaken”, the album’s closing track, encapsulates this journey. After traversing nine songs marked by inner conflict, heaviness and introspection, The Eternal offer no triumphant conclusion. The awakening suggested by the title is more human than epic: it is not about eliminating the darkness, but finally learning to see through it.

If Skinwalker marked the beginning of a new phase and Celestial served as an expansion of that identity, Obscured Horizons feels like the moment when those experiences finally take on a more mature form. It is not necessarily the heaviest or most progressive album of The Eternal’s career — and perhaps it does not need to be. Its ambition lies elsewhere: to create an emotionally cohesive work capable of transforming dark atmospheres into a narrative about survival, awareness and renewal.

The horizon may be obscured. But for The Eternal, that does not mean it has ceased to exist.

AJ Savolainen

Social Distortion: 15 Anos Depois, Ainda de Pé

Epitaph Records (Imp.)

15 anos depois, Mike Ness ainda tem algo a dizer 

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Existe uma armadilha particularmente perigosa quando uma banda passa 15 anos sem lançar um álbum de inéditas: a expectativa deixa de ser apenas musical e passa a ser histórica. O novo trabalho precisa responder pelo presente, mas também carregar o peso de tudo aquilo que veio antes. No caso do Social Distortion, essa cobrança é ainda maior. Afinal, estamos falando de uma banda que ajudou a estabelecer uma ponte definitiva entre o punk californiano, o rockabilly, o country e o rock 'n' roll, sem jamais precisar abandonar completamente nenhuma dessas referências.

Born to Kill, lançado em 8 de maio de 2026 pela Epitaph Records, chega exatamente nesse território. É o oitavo álbum de estúdio do Social Distortion e o primeiro desde Hard Times and Nursery Rhymes, de 2011. O intervalo de 15 anos é o maior entre dois discos da carreira e, inevitavelmente, transforma cada faixa em uma espécie de fotografia de uma banda que atravessou décadas, mudanças de formação, problemas pessoais e, no caso de Mike Ness, uma batalha contra o câncer.

Mas talvez o aspecto mais interessante de Born to Kill seja justamente o fato de o Social Distortion não tentar convencer ninguém de que ainda tem 25 anos.

O disco não é uma tentativa desesperada de recuperar a velocidade dos primeiros anos. Tampouco parece interessado em atualizar a banda para caber em alguma tendência contemporânea do punk. O que existe aqui é uma versão mais envelhecida, mais rouca e, em vários momentos, mais contemplativa do mesmo Social Distortion que aprendeu a transformar fracasso, vício, arrependimento, estrada e sobrevivência em canções que parecem simples até que alguma delas encontre o ouvinte no momento certo.

A produção de Mike Ness ao lado de Dave Sardy mantém as guitarras bastante presentes e deixa espaço para que o vocal envelhecido de Ness seja parte da própria narrativa. Há menos preocupação em esconder as marcas do tempo e mais interesse em incorporá-las. É justamente aí que Born to Kill encontra sua personalidade.

Divulgação

1. “Born to Kill”

A faixa-título não poderia ter outra função senão abrir o disco. O primeiro impacto vem da guitarra: suja, encorpada e imediatamente reconhecível, antes que a voz de Ness coloque o restante da identidade no lugar.

É uma abertura que funciona porque não tenta criar suspense. Eles entram em cena sabendo exatamente o que querem fazer. A música tem aquele tipo de riff que parece ter sido construído para funcionar ainda melhor em um palco do que em um fone de ouvido, com uma energia que remete ao rock de garagem e ao punk mais tradicional.

O que mais chama atenção, porém, é o contraste entre a agressividade instrumental e a voz de Ness. Ela está mais áspera, mais castigada, e isso faz diferença. Em um cantor mais jovem, determinadas frases poderiam soar como pose. Na voz dele, carregam uma espécie de histórico.

2. “No Way Out”

Se a primeira faixa apresenta o disco, “No Way Out” mostra que a banda ainda sabe construir uma música imediatamente identificável.

É provavelmente uma das faixas que mais poderiam ser encaixadas em um disco clássico do Social Distortion sem causar estranhamento. O andamento é direto, as guitarras trabalham para sustentar a melodia e existe aquele equilíbrio tão característico entre punk e rock 'n' roll que a banda aperfeiçoou ao longo de sua carreira.

O mérito está nos detalhes. As pausas ajudam a música a respirar e o refrão tem aquela qualidade de “grudar” sem precisar recorrer a qualquer artifício pop.

É uma música que parece simples na primeira passagem, mas ganha força quando se percebe como os instrumentos são organizados ao redor do vocal. Não há excesso. Tudo está ali para empurrar a canção para frente.

3. “The Way Things Were”

Aqui o disco diminui a velocidade e começa a mostrar sua verdadeira idade.

“The Way Things Were” é uma das músicas mais interessantes do álbum justamente porque não tenta esconder a nostalgia. Existe uma sensação de olhar para trás e perceber que algumas coisas não podem ser recuperadas, por mais que a memória insista em reconstruí-las.

A faixa evidencia uma característica importante do álbum: Mike Ness não precisa mais cantar sobre juventude para falar sobre rebeldia. Aos 60 anos, a própria permanência já é uma forma de resistência.

4. “Tonight”

“Tonight” recupera parte do balanço do rockabilly e do country rock que sempre esteve escondido na identidade do Social Distortion.

A música tem uma construção mais calorosa e um andamento que permite que a guitarra respire. O resultado é surpreendentemente acessível. Não há necessidade de acelerar tudo para produzir impacto. O refrão funciona justamente porque a banda deixa espaço para ele.

5. “Partners in Crime”

“Partners in Crime” é uma das faixas que mais facilmente conseguem traduzir a essência do álbum.

Ela começa com mais urgência e logo encontra um refrão que parece feito para ser cantado por uma plateia inteira. Existe uma sensação de camaradagem na composição, como se Ness estivesse retomando um dos elementos mais fundamentais de sua obra.

É também uma música que sintetiza bem a filosofia estética da banda. Poucos acordes, uma melodia forte e uma história suficientemente humana para não depender de grandes metáforas.

6. “Crazy Dreamer”

“Crazy Dreamer” talvez seja o momento em que o álbum mais claramente abandona o punk para mergulhar nas raízes country e blues do Social Distortion.

A participação de Lucinda Williams é fundamental. Sua presença soa como uma extensão natural daquele universo musical. O piano, o balanço mais lento e a guitarra com uma sonoridade quase de honky-tonk criam uma atmosfera completamente diferente das primeiras músicas.

É uma escolha que pode dividir opiniões. Para quem procura no Social Distortion a energia de “Story of My Life” ou “Ball and Chain”, “Crazy Dreamer” provavelmente parecerá lenta demais. Mas, dentro do álbum, ela cumpre uma função importante, e mostra que a banda nunca foi apenas punk.

7. “Wicked Game”

A escolha de “Wicked Game”, clássico de Chris Isaak lançado originalmente em 1989, é uma das decisões mais curiosas do álbum.

É difícil encarar uma música tão associada à interpretação original sem estabelecer algum tipo de comparação. A escolha faz sentido dentro da discografia da banda porque Ness sempre demonstrou interesse por músicas que vivem na fronteira entre rock, country, blues e melodrama.

Ainda assim, é provavelmente a faixa que mais divide o álbum. “Wicked Game” já é uma música extremamente definida em seu imaginário original. Transformá-la em algo definitivamente “Social Distortion” sem destruir aquilo que a tornou especial seria uma tarefa quase impossível. A banda chega perto.

E o mais interessante é perceber que, depois de algumas audições, a escolha parece menos estranha do que na primeira.

8. “Walk Away (Don’t Look Back)”

Se “Wicked Game” representa a pausa, “Walk Away (Don’t Look Back)” coloca o motor novamente em funcionamento.

A introdução da guitarra é um dos grandes momentos instrumentais do disco. O riff tem sujeira, peso e uma simplicidade quase insolente. É o tipo de construção que parece dizer que não existe necessidade de complicar quando três ou quatro movimentos bem colocados podem resolver tudo.

9. “Never Goin’ Back Again”

“Never Goin’ Back Again” chega com uma bateria que imediatamente muda a dinâmica do disco.

David Hidalgo Jr. ganha aqui um papel especialmente importante. A condução tem balanço, mas também força, e as guitarras trabalham sobre ela com uma espécie de groove que faz a música avançar sem parecer apressada. É uma faixa sobre ruptura, mas não tem exatamente o peso dramático de “The Way Things Were”. Existe mais movimento.

10. “Don’t Keep Me Hanging On”

“Don’t Keep Me Hanging On” traz novamente aquela mistura entre rock de estrada, boogie e punk que parece ser uma das zonas de conforto de Ness.

A música tem uma textura mais áspera e uma guitarra que trabalha muito bem com a bateria. É uma faixa que talvez não provoque o mesmo impacto imediato da abertura, mas cresce quando inserida no contexto do álbum.

Há também algo interessante no fato de algumas composições do disco carregarem uma sensação de familiaridade. “Don’t Keep Me Hanging On”, assim como “No Way Out”, poderia facilmente ser reconhecida como Social Distortion mesmo sem a voz de Ness.

Isso é simultaneamente a maior virtude e a principal limitação de Born to Kill. A banda sabe exatamente quem é, mas também não parece interessada em descobrir quem poderia ser.

11. “Over You”

Fechar um álbum como Born to Kill exige algum cuidado. Depois de 11 músicas atravessando punk, country, blues, rockabilly e rock 'n' roll, o Social Distortion escolhe terminar com uma faixa que retoma o lado mais clássico da banda.

“Over You” é um encerramento bastante natural. Os solos de guitarra ajudam a criar a sensação de despedida sem transformar a música em uma grande conclusão cinematográfica.

O disco não termina com a sensação de que Mike Ness resolveu todas as questões apresentadas ao longo dos 45 minutos. Ele termina simplesmente seguindo em frente, e isso combina perfeitamente com o álbum.

Confira a tracklist completa de Born to Kill:

Born to Kill 

No Way Out 

The Way Things Were 

Tonight 

Partners in Crime 

Crazy Dreamer 

Wicked Game 

Walk Away (Don’t Look Back)

Never Goin’ Back Again 

Don’t Keep Me Hanging On 

Over You 

Cobertura de Show: Shawn James – 08/08/2026 – Hard Rock Café/CWB

Shawn James volta a Curitiba e prova que sua música é mais que uma trilha sonora

No último sábado, dia 08 de agosto de 2026, Curitiba recebeu novamente o cantor americano de blues, folk e rock Shawn James, com sua turnê "Flew Too Close to the Sun", e o local escolhido foi o famoso Hard Rock Café. Apesar de muitos acharem que esta era a primeira vez do cantor na cidade, na verdade ele já esteve por aqui com sua banda The Shapeshifters em 2023, tocando no Basement Cultural, um local mais intimista, e porque não dizer, menos suntuoso.

Primeiramente, esta resenha vai tomar um rumo um pouco diferente das demais que costumo escrever. Vamos falar de sentimentos aqui, e deixaremos os apontamentos mais objetivos para o final.

Importante falar aqui do talento deste artista, que teve seu primeiro EP lançado em 2013, e desde então, suas composições vêm figurando entre algumas trilhas sonoras conceituais, tanto de games, quanto de séries televisivas. Portanto, não é de hoje que o artista americano vem fazendo música de qualidade, mas somente de alguns poucos anos para cá, conseguiu atrair o público brasileiro para suas apresentações, não estou falando dos fãs de carteirinha, mas sim, dos apreciadores de boa música, abertos ao novo. Pois sabemos que muitos fãs de rock acabam ficando sempre nas mesmas bandas tradicionais, não dando muito espaço a outros estilos.

A música de Shawn James realmente impressiona, provoca sentimentos ao público, nostalgia, saudades, melancolia, enfim, durante toda a apresentação, um turbilhão de pensamentos atingiu pelo menos a metade dos presentes no local. Logo no início, uma história sobre um amigo que acabou falecendo e uma homenagem com a canção "That's Life" originalmente de Frank Sinatra, enchendo alguns olhos de lágrimas. Ressalto que esta música não está listada oficialmente, pois ela costuma aparecer de surpresa nas apresentações, portanto na lista oficial, ela ficou de fora. Entretanto, para quem estava lá, o momento foi real e inesquecível.

Durante a execução de "Burn the Witch" o público vibrou, mas também houve momentos de silêncio, onde só se ouvia a voz de James. O ponto alto, excetuando o hit do momento, foi a execução da música "Juliet", de seu novo álbum Passage que conforme o próprio é dedicada a sua esposa (que momento perfeito). O setlist conseguiu mesclar bem as músicas do novo álbum e os clássicos de outrora, ponto forte na escolha do mesmo.

O cantor nascido e criado na zona sul de Chicago é dono de uma das vozes mais belas que já pude presenciar em shows ao vivo, muito bem acompanhado pelo extraordinário Chris Overcash comandando o violino, em perfeita sincronia com os vocais. Todos os músicos pareciam ter uma sinergia ótima.

Ao longo da noite, muitas conversas com o público, pausas para alguns goles de cerveja, pois afinal somos todos humanos, agradecimentos à plateia, muita humildade e principalmente grandes canções. Logicamente teve a música do momento "Through The Valley", e nesta parte faz-se necessária uma reflexão, que acabei fazendo a partir dos comentários do próprio Shawn: "Após a notícia de sua participação na trilha sonora do jogo de videogame "The Last Of Us", com a faixa "Through The Valley" e que também recentemente virou série aclamada no canal HBO, ele começou a aparecer na mídia e a fazer muitas turnês, impulsionado pelo sucesso do game." Neste momento, preciso dizer que a sensação presente no jeito em que o cantor falou tais palavras passou a impressão de empolgação, mas ao mesmo tempo de um sentimento de tristeza imperceptível, pois o talento do músico é inegável e com certeza merecia uma maior presença em nossas playlists, independente do sucesso da canção (que, de fato, é realmente uma pérola). Mas, novamente, pode ter sido apenas a minha impressão ou uma empatia escondida dentro de mim por ver um artista tão bom reduzido a uma música por algumas pessoas.


Agora vamos para as observações gerais, primeiro, a questão do local escolhido para a apresentação e estrutura. Bem, é inegável a capacidade do Hard Rock Café de proporcionar a melhor experiência ao público/cliente, os funcionários são educados, todos extremamente corteses e prontos a resolver qualquer demanda, inclusive a imprensa, no meu caso, foi tratada muito bem. A decoração é linda, a parte técnica dispensa comentários, há uma infinidade de opções de comidas e bebidas, mas um alerta, não é barato, nem mesmo acessível a todos, um chopp, por exemplo, custa em torno de 22 reais o copo de 500ml, a comida gira em torno de 80 reais um lanche completo para uma pessoa. Ou seja, a experiência é premium e o preço também. E uma observação, percebi poucas pessoas consumindo algo durante o show, sejam bebidas ou comidas. A conclusão fica clara, o valor do ingresso consumiu todo o "ticket médio" do sábado. Provavelmente após o show, muitos foram procurar lugares mais acessíveis para terminar a noite.

Por fim, é inegável o ótimo show realizado na capital paranaense, um pouco mais frio do que os demais, mas mesmo assim, foi extremamente apreciado pelo público. Também finalizo com uma observação: o local poderia estar muito mais cheio do que realmente estava, me atrevo a colocar a culpa nos valores dos ingressos e na situação econômica do país. Principalmente nas capitais, onde a demanda de shows está muito alta e as pessoas não estão conseguindo acompanhar os valores cobrados pelos eventos. Este show de longe poderia ter sido apreciado por muito mais gente, então: "Shawn James, continue vindo ao Brasil!", para que mais fãs tenham acesso ao espetáculo que é sua música!


Texto: Paula Butter

Fotos: Vladimir Silverio 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Move Concerts / RW 7 Promoções Eventos


Shawn James – setlist:

The Curse of the Fold

I Want More

Burn the Witch

Icarus

Orpheus

Flow

The Thief and the Moon

The Guardian (Ellie's Song)

Through the Valley

Headed for the End

Peace of Mind

My Juliet

Tired of Trying

Burn

No Blood From a Stone

Haunted

The Devil's Daughters

Muerte mi amor

Let Me Go


Errata: A matéria inicial publicada pela Road To Metal, de minha autoria, sobre o anúncio do evento, descreveu a apresentação de Shawn James em Curitiba, no dia 8 de agosto, como show "inédito" e parte da "primeira turnê" do artista pelo Brasil. Na verdade, Shawn James já havia se apresentado na cidade em 14 de abril de 2023, no Basement Cultural, dentro de uma turnê brasileira que passou também por São Paulo e Rio de Janeiro. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Entrevista - Sunflower Fox & the Chicken Leg: Resgatando a Alma 70's

 

Por: Carlos Garcia (com colaboração de Raquel de Avelar)
Fotos: Divulgação e Arquivo da banda 


Criada por músicos experientes em Minneapolis, e "surgindo das cinzas da pandemia" em 2021, a SUNFLOWER FOX & THE CHICKEN LEG nasceu com o propósito de resgatar a alma do Rock 70's e trazer de volta aquele poder do Rock & Roll, com sonoridade orgânica e carregada de feeling, trazendo os elementos e nuances que moldaram aquela época.

E realmente, eles trazem de volta aquela essência dos anos 70, com instrumentos que soam reais, passando longe da música "pasteurizada" e "perfeita" produzida nos dias de hoje, e é sem dúvida uma das melhores bandas desse estilo "Retro Rock". 

Seu primeiro full-lenght teve mixagem da lenda RON NEVISON (The Who, Zeppelin, UFO, Ozzy e muitos outros), e com um potencial para se tornarem um dos próximos grandes nomes do Rock & Roll atual, a banda vem lançando novos singles, excursionando pelos USA e buscando levar sua música à mais pessoas.

Conversamos com a incrível vocalista Kaity Heart, que achou um tempinho para nos atender em meio à sua agenda caótica, contabilizando já mais de 200 shows no ano! Kaity nos contou um pouco mais sobre a banda, sua carreira e planos. Confira!



RtM: Oi Kaity, obrigado por reservar um tempo para nos conceder esta entrevista, me tornei um grande fã seu e da banda Sunflower Fox.
Kaity Heart: Olá! Obrigada. Muito legal o interesse de vocês, temos tido muitos streamings no Brasil.


RtM: Eu (Carlos, editor/redator) e a Raquel (redatora) achamos o nome da banda muito legal! "Sunflower Fox and the Chicken Leg" — um dos nomes mais legais de todos os tempos! Então, para começar, eu gostaria de saber como surgiu a ideia para o nome, bem como as inspirações e os significados por trás dele para vocês.
Kaity: Bem, existem muitas histórias por trás desse nome — na verdade, por um tempo, toda vez que dávamos uma entrevista, inventávamos alguma coisa para ver o quão ridícula a história ficaria antes que alguém percebesse! (Risos) 

A história real é que estávamos compondo no porão do nosso baterista, Kyle. Eu sugeri o nome "Sunflower Fox", mas achei que soava muito "indie" ou "feminino", e o James, nosso líder de fato, ficava dizendo "and the chicken leg"... Não faço ideia de por que ele insistia tanto nisso. Um apelido que ele usava para um amigo. 

Ele não parava de falar, hahaha, então eu disse: "TÁ BOM. É Sunflower Fox and the Chicken Leg!!! Cala a boca!!" hahaha.


RtM: Com tanta música hoje em dia que, digamos, carece de "alma", é uma grata surpresa encontrar uma banda como a Sunflower Fox. Vocês capturam aquela vibe e a energia das grandes bandas dos anos 70, com aquele som orgânico e real. Gostaríamos de saber como surgiu a ideia de formar a banda e seguir esse caminho — e, claro, quais são suas principais inspirações.
Kaity: Somos todos músicos profissionais e, quando a covid aconteceu, todos perdemos nossos shows. Essa foi a primeira vez em MUITO tempo que tivemos tempo para compor! Inclusive eu: e meu gênero FAVORITO, sem dúvida, é o rock dos anos 70. É tão cru. É cheio de coração e magia, e eles nunca deixaram de lado a humanidade — principalmente pela ausência de tecnologia. 

Então, tive a ideia de formar um grupo que compusesse nesse estilo, com pouca ou nenhuma tecnologia, sem Melodyne ou Auto-Tune, e que gravássemos todos juntos em um estúdio. Foi bem fácil encontrar músicos que topassem isso. Porque agora... tudo é tão polido e perfeito. Falta humanidade.


RtM: E você tem "Heart" no seu nome! Kaity Heart — uma cantora que faz música e canta com o coração. 
Kaity: Ah! É verdade! Na verdade, mudei meu nome para esse depois que minha mãe faleceu, há uns 20 anos. Nossa banda favorita é Heart — foi uma mudança fácil.


RtM: Descobri seu trabalho — e o da banda — pela primeira vez através da sua participação no álbum *River of Music - The Power of Duets Vol. I*, de Jim Peterik. Conte-nos como surgiu essa oportunidade e como foi a experiência.
Kaity: Primeiramente, ADOREI que você tenha me encontrado, e ao Sunflower, por meio disso. Porque o Jim me encontrou através do Ron! Literalmente, como na maioria das coisas, foi o lugar certo na hora certa. 

Eu estava gravando os vocais para o terceiro álbum em Portland com o Ron e o Sunflower, e o Ron perguntou se eu gostaria de cantar com o Jim, e eu disse que sim! Tivemos uma reunião, e no outono eles me levaram para Chicago!


RtM: Quais foram os seus momentos mais memoráveis das sessões de gravação?
Kaity: Eles são tipo... OS CARAS MAIS LEGAIS. É estranho ouvi-los te elogiando enquanto você está na sala, especialmente sabendo o que eles já fizeram. Eu fiquei tão desconfortável - eu simplesmente não sabia como reagir. O Jim me mostrou a casa dele e ele tem centenas de guitarras. 

Ele me mostrou qual gravador usou para gravar "Vehicle" do Ides of March (uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos). Ele disse que comprou na Sears há muito tempo. E o significado da música é tão doce! É sobre a esposa dele!! Terrivelmente fofo.


RtM: Vocês têm lançado vários singles após o full-lenght; há planos para um novo álbum completo em breve? Ou a estratégia é continuar lançando singles junto com material físico esporádico, como os compactos/EPs que vocês disponibilizaram no seu Bandcamp?
Kaity: Uma das coisas que eu não gosto nessa nova indústria musical é a falta de atenção de todo mundo. Então, é claro que temos que lançar tudo aos poucos. Já lançamos o primeiro álbum completo, que leva o nome da banda. 

E para variar um pouco, vamos lançar o segundo álbum em formato de dois singles de 7 polegadas que eventualmente estarão disponíveis como um conjunto! Só para dar uma variada! O terceiro álbum, que será lançado no ano que vem, provavelmente será um álbum normal novamente.


RtM: Sobre os singles, os mais recentes são linda e emocionante "Wishing Well" e aquela versão incrível de "Hair of the Dog". Eu toquei a última para um amigo que adorou; ele disse que imaginou se Janis Joplin fizesse um cover, soaria muito parecido com a sua versão.
Kaity: Nossa, que elogio! Sobre "Wishing Well", eu não sou muito de baladas, sou mais do tipo que curte músicas animadas. Tenho energia demais. Então, quando escrevo letras/melodias, geralmente é sobre algo peculiar. Escrever canções de amor melosas não é a minha praia.


RtM: Dos singles lançados em 2025, meu favorito é "The Watcher", uma música muito intensa; seus vocais são incríveis e profundos — me lembram um pouco o Heart. Você poderia falar um pouco sobre essa música e sua letra?
Kaity: Foi muito legal gravar essa música com o Ron Nevison. Principalmente porque ela é tão estranha, e a história por trás dela também é peculiar. Uma grande amiga minha estava sendo perseguida por um cara que morava no mesmo prédio que ela. 
A situação tomou um rumo estranho e descobrimos que ele era suspeito de uma série de assassinatos. 


RtM: Que situação assustadora! E o que houve com o sujeito?
Kaity: Minha amiga não pode dar muitos detalhes porque, até onde eu sei, o caso ainda está em aberto. Mas eu escrevi a música para ela… curiosamente, ela diz que a usa em suas sessões de terapia em grupo. Eu acho incrível!


RtM: Quais são as principais mensagens que vocês buscam transmitir através da música? E existe alguma música da banda que tenha um significado especial para vocês?
Kaity: Há muita coisa sobre recuperar o poder, justiça, raiva… existe uma forte influência punk nas letras. Por exemplo: “Naughty Little Girl” não é a musiquinha sexy que parece ser. É sobre vingança. 

Também gosto muito de usar contos populares como alegorias para o que está acontecendo agora — isso fica bem evidente em Siren Song, Wishing Well, The Watcher, Selling Lies, Shadow Girl… Eu poderia falar sobre isso para sempre!


RtM: "Breath it in" é a música de vocês que possui mais streamings, e é uma das minhas favoritas. Acho que é uma ótima maneira de mostrar a personalidade da banda, com feeling, groove, aquela parte incrível do teclado e um refrão memorável. Gostaria que você comentasse um pouco mais sobre ela.
Kaity: Bem, é o seguinte: "Breathe It In" foi a música que enganou o Ron Nevison quando a enviamos para ele (risos). Quando eu estava compondo e esboçando a música, escrevi as versões para os refrãos e pontes. Quando enviei para os caras, em vez de uma ponte normal, eu tinha esboçado uma ponte instrumental, que não era necessariamente complicada. Porque nos anos 70, existem muitas músicas que possuem essas pontes estranhas, que parecem não ter nada a ver com a música, e geralmente instrumentais. Uma das minhas favoritas é a música "I Could Be Good for You" do 707. 


RtM: Eu também adoro esse tipo de coisa meio inusitadas que os artistas criavam nos amos 70.
Kaity: É completamente aleatório. Por que está ali? Não tem nada a ver com o resto da música, mas está lá. Então, eu queria fazer algo parecido, e aí o nosso tecladista, Al Berg, simplesmente pegou a ideia e a desenvolveu. E depois, tem uma parte mais adiante em que é um compasso 5/4 em vez de 4/4. E quando tocamos ao vivo, eu ainda preciso literalmente contar nos dedos para não errar! (risos) Eu ainda erro o tempo todo. Mas enfim, é isso aí. 

É muito divertido. E no nosso processo, quando é uma música que eu escrevo, eu faço um esboço e depois, sabe, os acordes, os acordes básicos, a letra e a melodia, e aí eu mando para os caras, e aí a gente compõe junto. Então, enfim, é assim que a gente faz. Foi assim que fizemos "Breathe It In".



RtM: Falando um pouco sobre sua carreira e trajetória: como começou seu interesse por música e quais artistas mais influenciaram seu desenvolvimento como cantora?
Kaity: Ah, eu sempre cantei. Meu pai dizia que eu cantava na garupa da bicicleta dele quando tinha três anos. As maiores influências foram Ann Wilson, Stevie Nicks, Grace Slick, En Vogue, Diana Ross, Aretha Franklin… Eu me sentia dividida entre rock, blues e soul. Era o que eu mais ouvia.


RtM: Em que momento você percebeu que a música poderia ser uma carreira para você? E quais foram os principais desafios que você enfrentou ao longo do caminho?
Kaity: Bom, você precisa ter um milhão de pequenos trabalhos para fazer disso uma carreira. Tenho a sorte de ter muitos shows, mas também sei editar vídeos, montar um sistema de som completo sozinha, montar estruturas de cortina e palco, montar treliças (com ajuda), operar o som do palco, cantar em estúdio, fazer locuções, tocar teclado, dar aulas, orientar e arrumar um trailer impecável. Isso é... literalmente o que 95% dos músicos fazem para se sustentar.


RtM: E quanto à representação das mulheres na cena musical hoje? Você ainda vê muitas barreiras?
Kaity: Está melhor. Temos igualdade? De jeito nenhum. Eu tenho que fazer, tipo, 10 vezes mais trabalho do que meus colegas de banda para ser levada a sério, e mesmo assim, muitas vezes, sou reduzida à minha aparência. Isso pode ser extremamente frustrante quando você tem um corpo e um rosto normais como eu. 

Não sou uma supermodelo, nem quero ser. Eu só quero cantar: acho que é por isso que idolatro tanto os anos 70… eles realmente NÃO se importavam com a aparência de ninguém (homens ou mulheres)… o importante era a qualidade da música. Eu realmente queria que fosse assim de novo.


RtM: Se você pudesse cantar uma música com qualquer artista da história, quem você escolheria e qual seria a música?
Kaity: "Gimme Shelter", dos Rolling Stones. Que música incrível. Eu adoraria ser a cantora que cantava ao lado de Mic Jagger nessa. A letra, a melodia. Perfeição.
Essa ou "Great Gig in the Sky", do Pink Floyd – eu já cantei ao vivo… adoraria ter sido eu a criar toda aquela loucura.


RtM: Eu adoraria ouvir uma versão sua de "Great Gig in the Sky". Bom, além da música, quando sobra um tempinho, quais hobbies ou atividades você gosta de fazer no seu tempo livre? 
Kaity: Tempo livre??? O que é isso? (Risos), gosto de livros de terror e Harry Potter (sem julgamentos), Os Simpsons e curtir meus gatos,  Scrambles e Lil' Ral.


RtM: Você conseguiria citar somente cinco álbuns que você considera essenciais para a sua vida?
Kaity: Hum...Vamos lá:
1. Rumors - Fleetwood Mac
2. Dreamboat Annie - Heart
3. 13 Tales of Love and Revenge - The Pierces
4. 8 Arms to Hold You - Veruca Salt
5. Jagged Little Pill - Alanis Morissette


RtM: Kaity, obrigado mais uma vez, adoramos saber um pouquinho mais sobre você e seu trabalho, fica o espaço para sua mensagem final.
Kaity: Queremos muito tocar no Brasil, estamos muito focados nisso. Atenção produtores, e também gravadoras e distribuidoras, pois também queremos lançar nosso álbum aí.




Sunflower Fox & the Chicken Leg é:
Kaity Heart (vocals), James Gross (guitar), Mike Schmidt (guitar), Craig Holets (bass), Kyle Primus (drums), and Al Berg (keys)

Adquira o álbum e merchandising no Bandcamp 









Interview - Sunflower Fox & the Chicken Leg: rescuing the soul of 70s Rock

 


Interview By: Carlos Garcia (with collab of Raquel de Avelar)
Photos: Band's archives

Created by experienced musicians in Minneapolis, and "rising from the ashes of the pandemic" in 2021, SUNFLOWER FOX & THE CHICKEN LEG was born with the purpose of rescuing the soul of 70s Rock and bringing back that power of Rock & Roll, with an organic sound full of feeling, bringing the elements and nuances that shaped that era.

And indeed, they bring back that essence of the 70s, with instruments that sound real, far from the "pasteurized" and "perfect" music produced today, and are undoubtedly one of the best bands in this "Retro Rock" style.

Their first full-length album was mixed by the legendary Ron Nevison (The Who, Led Zeppelin, UFO, Ozzy and many others), and with the potential to become one of the next big names in current Rock & Roll, the band has been releasing new singles, touring the USA and seeking to bring their music to more people.

We talked to the incredible vocalist Kaity Heart, who found some time to speak with us amidst her chaotic schedule, already counting more than 200 shows this year! Kaity told us a little more about the band, her career and plans. Check it out!


RtM: Hi Kaity, thank you for taking the time to grant us this interview, I've become a big fan of you and the band Sunflower Fox.
Kaity Heart: Hello! Thank you. It's great that you're interested, we've had a lot of streaming in Brazil.


RtM: I (Carlos, editor/writer) and Raquel (writer) think the band's name is very cool! "Sunflower Fox and the Chicken Leg" — one of the coolest names ever! So, to start, I'd like to know how the idea for the name came about, as well as the inspirations and meanings behind it for you.
Kaity: Well, there are many stories behind this name — in fact, for a while, every time we gave an interview, we made something up to see how ridiculous the story would sound before anyone noticed! (Laughs)

The real story is that we were writing in our drummer Kyle's basement. I suggested the name "Sunflower Fox," but I thought it sounded too "indie" or "girly," and James, our de facto leader, kept saying "and the chicken leg"... I have no idea why he insisted so much on it. It was a nickname he used for a friend.
He wouldn't stop talking, hahaha, so I said, "OKAY. It's Sunflower Fox and the Chicken Leg!!! Shut up!!" hahaha.


RtM: With so much music these days that, let's say, lacks "soul," it's a pleasant surprise to find a band like Sunflower Fox. You capture that vibe and energy of the great bands of the '70s, with that organic and real sound. We'd like to know how the idea of forming the band and following this path came about — and, of course, what your main inspirations are.
Kaity: We are all professional musicians and, when Covid happened, we all lost our shows. This was the first time in a VERY long time that we had time to compose! Including me: and my FAVORITE genre, without a doubt, is '70s rock. It's so raw. It's full of heart and magic, and they never left humanity aside — mainly due to the absence of technology.

So, I had the idea of forming a group that would compose in this style, with little or no technology, without Melodyne or Auto-Tune, and that we would all record together in a studio. It was quite easy to find musicians who were up for it. Because now... everything is so polished and perfect. It lacks humanity.


RtM: And you have "Heart" in your name! Kaity Heart — a singer who makes music and sings with her heart.
Kaity: Oh! That's right! Actually, I changed my name to that after my mother passed away, about 20 years ago. Our favorite band is Heart — it was an easy change.


RtM: I first discovered your work — and the band's — through your participation in Jim Peterik's album *River of Music - The Power of Duets Vol. I*. Tell us how that opportunity came about and what the experience was like.
Kaity: First of all, I LOVED that you found me, and Sunflower, through that. Because Jim found me through Ron! Literally, as with most things, it was the right place at the right time.
I was recording vocals for the third album in Portland with Ron and Sunflower, and Ron asked if I would like to sing with Jim, and I said yes! We had a meeting, and in the fall they took me to Chicago!


RtM: What were your most memorable moments from the recording sessions?
Kaity: They're like... THE NICEEST GUYS. It's weird hearing them praising you while you're in the room, especially knowing what they've done. I was so uncomfortable—I just didn't know how to react. Jim showed me his house, and he has hundreds of guitars.

He showed me which recorder he used to record "Vehicle" by Ides of March (one of my all-time favorite songs). He said he bought it at Sears a long time ago. And the meaning of the song is so sweet! It's about his wife. So freaking cute!



RtM: You've released several singles after the full-length album; are there plans for a new full album soon? Or is the strategy to continue releasing singles along with sporadic physical material, like the EPs/Singles you made available on your Bandcamp?
Kaity: One of the things I don't like about this new music industry is everyone's lack of attention. So, of course, we have to release everything little by little. We've already released the first full album, which is self-titled.

And to mix things up a bit, we're going to release the second album as two 7-inch singles that will eventually be available as a set! Just to mix things up! The third album, which will be released next year, will probably be a normal album again.


RtM: Regarding the singles, the most recent ones are the beautiful and moving "Wishing Well" and that incredible version of "Hair of the Dog." I played the latter for a friend who loved it; he said he imagined if Janis Joplin did a cover, it would sound very similar to your version.
Kaity: Wow, what a compliment! Regarding "Wishing Well," I'm not really into ballads; I'm more the type who enjoys upbeat music. I have too much energy. So, when I write lyrics/melodies, it's usually about something peculiar. Writing sappy love songs isn't my thing.


RtM: Of the singles released in 2025, my favorite is "The Watcher," a very intense song; your vocals are incredible and deep—they remind me a bit of Heart. Could you talk a little about this song and its lyrics?
Kaity: It was really cool to record this song with Ron Nevison. Mainly because it's so strange, and the story behind it is peculiar too. A close friend of mine was being stalked by a guy who lived in the same building as her.
The situation took a strange turn, and we found out he was a suspect in a series of murders.


RtM: What a scary situation! And what happened to the guy?
Kaity: My friend can't give many details because, as far as I know, the case is still open. But I wrote the song for her… interestingly, she says she uses it in her group therapy sessions. I think that's incredible!


RtM: What are the main messages you seek to convey through your music? And is there any song by the band that has a special meaning for you?
Kaity: There's a lot about reclaiming power, justice, anger… there's a strong punk influence in the lyrics. For example: “Naughty Little Girl” isn't the sexy little song it seems to be. It's about revenge.

I also really like using folk tales as allegories for what's happening now — this is very evident in "Siren Song", "Wishing Well", "The Watcher", "Selling Lies", "Shadow Girl"… I could talk about this forever!



RtM: "Breath it in" is your most streamed song, and it's one of my favorites. I think it's a great way to showcase the band's personality, with feeling, groove, that amazing keyboard part, and a memorable chorus. I'd like you to comment a little more on it.
Kaity: Well, here's the thing: "Breathe It In" was the song that fooled Ron Nevison when we sent it to him (laughs). When I was composing and sketching the song, I wrote versions for the choruses and bridges. When I sent it to the guys, instead of a normal bridge, I had sketched an instrumental bridge, which wasn't necessarily complicated. Because in the '70s, there are a lot of songs that have these strange bridges, which seem to have nothing to do with the song, and are usually instrumental. One of my favorites is the song "I Could Be Good for You" by 707.


RtM: I also love those kinds of unusual things that artists created in the 70s.
Kaity: It's completely random. Why is it there? It has nothing to do with the rest of the song, but it's there. So, I wanted to do something similar, and then our guitarist, Al, just took the idea and developed it. And then, there's a part later on where it's a 5/4 time signature instead of 4/4. And when we play live, I still literally have to count on my fingers so I don't mess up! (laughs) I still mess up all the time. But anyway, that's it. 

Yes, it's a lot of fun. And in our process, when it's a song I write, I make a sketch and then, you know, the chords, the basic chords, the lyrics and the melody, and then I send it to the guys, and then we compose together. So, anyway, that's how we do it. That's how we made "Breathe It In".


RtM: Speaking a little about your career and trajectory: how did your interest in music begin and which artists most influenced your development as a singer?
Kaity: Oh, I've always sung. My father used to say that I sang on the back of his bicycle when I was three years old. The biggest influences were Ann Wilson, Stevie Nicks, Grace Slick, En Vogue, Diana Ross, Aretha Franklin… I felt divided between rock, blues and soul. That's what I listened to most.



RtM: At what point did you realize that music could be a career for you? And what were the main challenges you faced along the way?
Kaity: Well, you need to have a million small jobs to make it a career. I'm lucky to have many shows, but I also know how to edit videos, set up a complete sound system myself, assemble curtain and stage structures, assemble trusses (with help), operate the stage sound, sing in the studio, do voice-overs, play keyboard, give lessons, mentor, and fix up an impeccable trailer. That's... literally what 95% of musicians do to support themselves.


RtM: And what about the representation of women in the music scene today? Do you still see many barriers?
Kaity: It's better. Do we have equality? Not at all. I have to do, like, 10 times more work than my bandmates to be taken seriously, and even then, many times, I'm reduced to my appearance. That can be extremely frustrating when you have a normal body and face like me.

I'm not a supermodel, nor do I want to be. I just want to sing: I think that's why I idolize the 70s so much… they really DIDN'T care about anyone's appearance (men or women)… what mattered was the quality of the music. I really wish it could be like that again.


RtM: If you could sing a song with any artist in history, who would you choose and what would the song be?
Kaity: "Gimme Shelter" by the Rolling Stones. What an incredible song. I would love to be the singer who sang alongside Mic Jagger on that one. The lyrics, the melody. Perfection.
That one or "Great Gig in the Sky" by Pink Floyd – I've sung it live… I would love to have been the one to create all that craziness.


RtM: I would love to hear your version of "Great Gig in the Sky". Well, besides music, when you have some free time, what hobbies or activities do you like to do in your free time?
Kaity: Free time??? What is that? (Laughs), I like horror books and Harry Potter (no judgment), The Simpsons and enjoying my cats, Scrambles and Lil' Ral.


RtM: Could you name just five albums that you consider essential to your life?
Kaity: Hmm... Let's see:
1. Rumors - Fleetwood Mac
2. Dreamboat Annie - Heart
3. 13 Tales of Love and Revenge - The Pierces
4. 8 Arms to Hold You - Veruca Salt
5. Jagged Little Pill - Alanis Morissette


RtM: Kaity, thank you again, we loved learning a little more about you and your work, here's the space for your final message.
Kaity: We really want to play in Brazil, we're very focused on that. Attention producers, and also record labels and distributors, because we also want to release our album there.




Sunflower Fox & the Chicken Leg are:
Kaity Heart (vocals), James Gross (guitar), Mike Schmidt (guitar), Craig Holets (bass), Kyle Primus (drums), and Al Berg (keys)

Buy the album and merch on Bandcamp 







segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Kissin' Dynamite: Um Adeus Sem Fim (Also In English)

Kissin' Dynamite Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Há álbuns que encerram uma fase. Outros tentam abrir uma nova. Kissin' Dynamite, nono trabalho de estúdio do KISSIN' DYNAMITE, faz as duas coisas simultaneamente. Previsto para 18 de setembro de 2026, o disco será o último registro da banda com Hannes Braun nos vocais, transformando aquilo que poderia ser apenas mais um lançamento em um documento de transição.

Braun anunciou em agosto de 2025 sua decisão de deixar os palcos por razões de saúde, mas sua saída não representa um rompimento com o grupo. Ele continuará envolvido como compositor, produtor e uma das principais forças criativas do KISSIN' DYNAMITE. Essa distinção é fundamental para compreender o álbum: estamos diante de uma despedida do vocalista ao vivo, não de uma despedida artística.

E o próprio disco parece consciente dessa diferença.

Kissin' Dynamite combina seis composições inéditas com sete regravações de músicas dos dois primeiros álbuns da banda, Steel of Swabia (2008) e Addicted to Metal (2010). A princípio, a decisão poderia parecer uma tentativa óbvia de capitalizar sobre a nostalgia. Mas existe algo mais interessante acontecendo aqui. As antigas canções são revisitadas por uma banda que passou quase duas décadas amadurecendo, conquistando seu espaço no hard rock europeu e transformando aquela ambição juvenil de conquistar arenas em realidade.

O resultado estabelece um diálogo entre duas versões do KISSIN' DYNAMITE.

Hannes Braun tinha pouco mais de 20 anos quando registrou Steel of Swabia. Em 2026, sua voz retorna às mesmas composições mais encorpada, segura e experiente. As novas gravações não tentam apagar as originais — e tampouco precisam fazê-lo. O que elas oferecem é uma oportunidade de descobrir quanto daquelas melodias, riffs e refrões continua relevante quase duas décadas depois.

É como colocar frente a frente dois retratos da mesma banda: de um lado, a juventude, a energia e a ambição de um grupo que queria chegar às grandes arenas; do outro, a experiência de uma banda que efetivamente chegou lá.

Seis das sete releituras vêm de Steel of Swabia, enquanto “Love Me Hate Me” recupera Addicted to Metal. A escolha funciona quase como uma arqueologia do próprio KISSIN' DYNAMITE. E as participações especiais ampliam essa perspectiva: Saltatio Mortis, Amaranthe, Anna Brunner, Primal Fear, Sam Totman e Eklipse acrescentam novas cores a músicas que já pertenciam ao DNA do grupo.

Mas se as regravações perguntam de onde a banda veio, as seis inéditas precisam responder a uma questão mais difícil: o que o KISSIN' DYNAMITE ainda tem a dizer antes de fechar este capítulo?

“Glory Days”, primeiro single, oferece uma resposta bastante direta. Em vez de transformar o passado em lamento, a banda o celebra. A faixa reúne melodias expansivas, uma atmosfera ensolarada e nostálgica e aquele tipo de refrão concebido para ser devolvido por milhares de vozes. É arena rock em sua essência mais pura — e, neste contexto, a ausência de qualquer tentativa de ruptura parece deliberada. O KISSIN' DYNAMITE não precisa reinventar sua identidade para falar sobre o fim de uma era.

Se “Glory Days” olha para trás com um sorriso, “I Salute You” amplia essa celebração em escala ainda maior. É uma composição épica, bem construída e executada com a precisão que se espera da banda, mas ganha uma dimensão adicional com a participação do Saltatio Mortis. A combinação do hard rock do KISSIN' DYNAMITE com as gaitas de fole e os vocais femininos cria uma das fusões mais interessantes do álbum, sem comprometer a identidade de nenhuma das duas bandas. É uma faixa que consegue soar grandiosa sem perder o caráter festivo que permeia o disco.

“Night Is Calling”, por sua vez, talvez seja a faixa que melhor representa o KISSIN' DYNAMITE em sua zona de conforto — e isso está longe de ser uma crítica. Do primeiro ao último acorde, a música entrega hard rock poderoso, trabalho instrumental preciso e vocais perfeitamente encaixados na composição. O refrão possui aquela qualidade imediata que parece destinada aos palcos, reafirmando uma das maiores virtudes da banda: transformar melodias simples e eficientes em momentos de comunhão com o público.

“I'll Be” desloca o foco para o futuro. Musicalmente, mantém a vocação do grupo para os grandes hinos de arena, mas sua força está no significado. A canção assume a forma de uma promessa de permanência justamente quando Hannes Braun se prepara para deixar os palcos. Ele não estará mais diante do microfone em turnê, mas continuará compondo e produzindo. A aparente contradição transforma a faixa em uma das peças conceitualmente mais importantes do álbum: é uma despedida sem ruptura, uma declaração de que a ausência física não significa o fim da ligação construída entre artista, banda e público.

Em “Nothing Breaks Like a Heart”, a banda novamente aborda a ideia de ruptura, mas sem mergulhar na melancolia. A faixa pode ser interpretada como uma power ballad, embora sua estrutura também permita ouvi-la como um hard rock cadenciado, conduzido mais pela dinâmica e pela melodia do que pelo peso. A temática de superar perdas e aprender com os reveses dialoga diretamente com o momento vivido pelo grupo, mas a composição evita transformar essa circunstância em autopiedade. A ruptura existe; o que importa é aquilo que se constrói depois dela.

E então chega “Good In Goodbye”.

Como encerramento das inéditas — e do próprio álbum — a música assume naturalmente o papel mais emocional do repertório. Trata-se de uma balada em que Hannes Braun abandona qualquer reserva e entrega uma interpretação carregada de emoção. Sua voz, tão importante para a identidade do KISSIN' DYNAMITE desde os primeiros anos, ganha aqui um peso diferente justamente porque sabemos que este é seu último álbum como vocalista da banda.

É impossível ouvir a faixa completamente dissociada desse contexto. Mas o mérito está em ela não depender exclusivamente dele. A composição funciona musicalmente, e a interpretação de Braun transforma o significado da letra em algo maior do que uma simples despedida. Há tristeza, evidentemente, mas também aceitação — e, sobretudo, a sensação de que uma história importante chegou ao seu ponto final sem necessariamente perder seu valor.

É justamente aí que Kissin' Dynamite encontra sua maior força.

O álbum não tenta transformar a saída de Hannes Braun em tragédia, nem utiliza o passado como desculpa para simplesmente repetir fórmulas. As sete regravações colocam a banda de 2026 diante daquela que existia em 2008 e 2010, enquanto as seis inéditas mostram um grupo confortável com sua identidade e consciente do momento que atravessa.

O resultado é menos um epitáfio do que uma celebração.

Kissin' Dynamite funciona como um espelho no qual passado e presente se encontram: a juventude ambiciosa de Steel of Swabia diante da maturidade de uma banda que conquistou seu espaço; o vocalista que sonhava com grandes palcos diante do artista que agora decide deixá-los; e as músicas que ajudaram a construir uma carreira diante de uma nova geração de canções preparadas para carregá-la adiante.

Hannes Braun pode estar deixando os palcos, mas Kissin' Dynamite deixa claro que sua história com a banda está longe de terminar. E talvez essa seja a maior ironia — e também a maior beleza — de um álbum concebido como despedida: no momento em que uma porta se fecha, o KISSIN' DYNAMITE demonstra que ainda existe bastante vida do outro lado.

Mais do que o último álbum de Hannes Braun como vocalista, Kissin' Dynamite é um registro sobre legado, continuidade e transformação. Uma banda olhando para aquilo que construiu, revisitando suas origens e, ao mesmo tempo, tentando descobrir como seguir em frente.

Não é o fim da história.

É apenas o fim de um capítulo.


***ENGLISH VERSION***

Some albums mark the end of an era. Others attempt to open a new one. Kissin' Dynamite, the ninth studio album from KISSIN' DYNAMITE, manages to do both at once. Due for release on September 18, 2026, it will be the band's final record with Hannes Braun on vocals, turning what could have been another chapter in their discography into a document of transition.

Braun announced in August 2025 that he would step away from the stage for health reasons, but his departure does not represent a break with the band. He will remain involved as a songwriter, producer and one of KISSIN' DYNAMITE's key creative forces. That distinction is essential to understanding the album: this is a farewell to Braun as a live vocalist, not a farewell to his artistic relationship with the band.

And the album itself seems fully aware of that difference.

Kissin' Dynamite combines six brand-new compositions with seven re-recordings of songs from the band's first two albums, Steel of Swabia (2008) and Addicted to Metal (2010). At first glance, the decision might look like an obvious exercise in nostalgia. But something more interesting is happening here. These songs are being revisited by a band that has spent almost two decades maturing, establishing itself within the European hard rock scene and turning the youthful ambition of conquering arenas into reality.

The result creates a dialogue between two versions of KISSIN' DYNAMITE.

Hannes Braun was barely in his twenties when he recorded Steel of Swabia. In 2026, his voice returns to those same compositions fuller, more assured and shaped by experience. The new recordings do not attempt to erase the originals — nor do they need to. Instead, they offer an opportunity to discover how much of those melodies, riffs and choruses still holds up almost two decades later.

It is almost like placing two portraits of the same band side by side: on one side, the youth, energy and ambition of a group determined to reach the biggest stages; on the other, the experience of a band that actually made it there.

Six of the seven re-recordings come from Steel of Swabia, while “Love Me Hate Me” revisits Addicted to Metal. The selection works almost like an archaeological dig into KISSIN' DYNAMITE's own history. The guest appearances deepen that perspective, with Saltatio Mortis, Amaranthe, Anna Brunner, Primal Fear, Sam Totman and Eklipse adding new colours to songs that are already part of the band's DNA.

But if the re-recordings ask where the band came from, the six new compositions have to answer a more difficult question: what does KISSIN' DYNAMITE still have to say before closing this chapter?

“Glory Days”, the first single, offers a fairly direct answer. Rather than turning the past into a lament, the band celebrates it. Expansive melodies, a sunny and nostalgic atmosphere, and the kind of chorus designed to be echoed by thousands of voices make this arena rock in its purest form. In this context, the lack of any attempt to reinvent the band's identity feels deliberate. KISSIN' DYNAMITE does not need to redefine itself in order to talk about the end of an era.

If “Glory Days” looks back with a smile, “I Salute You” takes that celebration to an even larger scale. It is an epic, well-crafted composition, performed with the precision expected from the band, but it gains another dimension through the contribution of Saltatio Mortis. The combination of KISSIN' DYNAMITE's hard rock with bagpipes and female vocals creates one of the album's most interesting fusions without compromising either band's identity. It is a track capable of sounding genuinely huge without losing the celebratory spirit running through the record.

“Night Is Calling”, meanwhile, may be the track that best represents KISSIN' DYNAMITE within its comfort zone — and that is far from a criticism. From the opening chord to the final note, it delivers powerful hard rock, precise instrumental work and vocals perfectly integrated into the arrangement. Its chorus has the kind of immediacy that seems destined for the live stage, reaffirming one of the band's greatest strengths: turning simple, effective melodies into moments of collective communion with an audience.

“I'll Be” shifts the focus toward the future. Musically, it retains the band's instinct for huge arena anthems, but its real strength lies in its meaning. The song takes the shape of a promise of permanence precisely as Hannes Braun prepares to leave the stage. He will no longer be standing at the microphone on tour, but he will remain a songwriter and producer. That apparent contradiction makes the track one of the album's most conceptually significant pieces: a farewell without a rupture, a declaration that physical absence does not mean the end of the bond built between artist, band and audience.

On “Nothing Breaks Like a Heart”, the band once again explores the idea of separation without descending into melancholy. It can be heard as a power ballad, although its structure also allows it to be viewed as a more measured hard rock track, driven by dynamics and melody rather than sheer weight. Its theme of overcoming loss and learning from setbacks resonates directly with the band's current circumstances, but the song avoids turning that situation into self-pity. The rupture is real; what matters is what comes after it.

And then comes “Good In Goodbye”.

As the closing track among the new compositions — and the final song on the album — it naturally assumes the record's most emotional role. It is a ballad in which Hannes Braun delivers an unguarded and deeply felt performance. His voice, so central to KISSIN' DYNAMITE's identity since the band's early years, carries a different weight here precisely because we know this is his final album as the band's vocalist.

It is impossible to hear the song completely outside that context. But its strength lies in the fact that it does not depend solely on the circumstances surrounding its release. The composition works on its own terms, while Braun's performance transforms the meaning of the lyrics into something larger than a simple farewell. There is sadness, certainly, but also acceptance — and, above all, the sense that an important story has reached its conclusion without losing its value.

That is where Kissin' Dynamite ultimately finds its greatest strength.

The album does not attempt to turn Hannes Braun's departure into tragedy, nor does it use the past as an excuse to simply repeat old formulas. The seven re-recordings place the 2026 version of the band face to face with the one that existed in 2008 and 2010, while the six new songs show a group comfortable with its identity and fully aware of the moment it is going through.

The result is less an epitaph than a celebration.

Kissin' Dynamite works as a mirror in which past and present meet: the youthful ambition of Steel of Swabia confronted with the maturity of a band that went on to establish itself; the vocalist who once dreamed of conquering the biggest stages standing alongside the artist now choosing to leave them; and the songs that helped build a career placed beside a new generation of compositions prepared to carry that legacy forward.

Hannes Braun may be leaving the stage, but Kissin' Dynamite makes it clear that his story with the band is far from over. And perhaps that is the album's greatest irony — and its greatest beauty. At the very moment one door closes, KISSIN' DYNAMITE makes it clear that there is still plenty of life on the other side.

More than Hannes Braun's final album as the band's vocalist, Kissin' Dynamite is a record about legacy, continuity and transformation. A band looking back at what it has built, revisiting its roots and, at the same time, trying to discover how to move forward.

It is not the end of the story.

It is simply the end of a chapter.

Divulgação