segunda-feira, 13 de abril de 2026

StormSorrow: Obra-Prima do Death Metal Brasileiro

Independente (Nac.)

Por Paula Butter 

"Quando a música consegue apunhalar a alma, a missão está cumprida. The Blood Red Horizon cumpriu."

A banda Stormsorrow nos contempla com um álbum bem surpreendente, The Blood Red Horizon, título forte e imponente com pacote completo: peso, pedais duplos, melodia e personalidade. É satisfatório perceber que a música nacional está alcançando níveis de tecnicidade tão altos, e com grande reconhecimento mundial.

As letras, fortemente embasadas e densas, são envoltas nas teias do Death Metal, resultando em composições complexas para serem ouvidas mais de uma vez e sentidas na alma. No decorrer das faixas, o volume precisa ser elevado; o espírito do ouvinte, antes calmo, se envolve em energia e revolta, ou talvez em questionamentos. O emocionante no metal é exatamente isto: provocar, gerar movimento. As bandas que conseguem este feito podem considerar que a missão foi cumprida.

As primeiras faixas já surpreendem. A faixa-título, "The Blood Red Horizon", traz muitos elementos clássicos do Death Metal, destacando-se a bateria incessante de Arthur Albuquerque em harmonia com os vocais de Kahlil Souto. Já "Burning Skies" destaca as guitarras com solos competentes e melodiosos de Vicente Luiz, sem perder o peso e a identidade. Esta última conta com a participação de Alexandre Grunheidt (ex-Ancesttral).

Em todas as canções já se pode perceber a competência dos músicos, mostrando-se alinhados entre si a fim de dar vida e contexto às letras. O baixista Yuri Passos esbanja maestria e técnica para fazer a ponte perfeita entre as alternâncias de ritmo.

A pesadíssima "Face the Obliteration" inicia os momentos de explosão sonora que virão a seguir. Importa dizer que se torna impossível destacar uma canção, pois todas são partes de um todo: a obra musical. Mas a dicotomia musical de "Hellgate Assembly" é digna de figurar entre as melhores canções de Death Metal de 2025, e conta ainda com a participação especial de Lord Vlad (Malefactor), que também participa da excelente e impactante "The Storm Will Remember My Name", música que flerta com o Heavy Metal na medida certa e prova ser possível a junção de gêneros sem perder a identidade original.

Em "Post-Truth Warfare", temos mais uma participação: desta vez para apimentar os vocais, trata-se de Mario Pastore. Resultado final mais que aprovado. Seguimos com "Rebellion Burns Within", não deixando a poeira baixar, para dar lugar à "Darkest December", que já pela introdução entrega a pegada que vem pela frente: Death Metal puro e pronto para ser trilha sonora de muitos futuros moshes.

Bom, a julgar pela ótima aceitação dos principais veículos musicais de 2025 e após a audição atenta desta obra-prima, podemos entender o motivo: música pesada de qualidade!

Nada mais justo do que finalizar com uma confissão: após a primeira audição,  vieram uma segunda, uma terceira e muitas outras de The Blood Red Horizon por esta pessoa que vos escreve. O álbum realmente conseguiu apunhalar em cheio o coração dos apreciadores de música pesada e de conteúdo lírico profundo.


Divulgação 





Entrevista - Volúpia: "Seguimos Fazendo a Música que Gostamos"

 

Entrevista por: Caco Garcia 

Criada em 1984, a Volúpia fazia parte daquele movimento aguerrido da primeira fase do Rock Pesado brasileiro, onde tudo era feito na raça, o acesso a instrumentos e boas condições de shows e gravações era caro e difícil. 

As bandas contavam com a divulgação boca a boca, com os fanzines, programas de rádio e o material de divulgação era artesanal. 

Assim como várias bandas desse movimento na época, a Volúpia fazia suas letras em português, e ajudaram na pavimentação do Heavy e Hard aqui no RS, mas assim como muitas outras, por motivos diversos, chegou a encerrar as atividades no início dos anos 90, retornado em 2016, e recentemente lançando seu debut "DéJà Vu".

Conversamos com o baterista e fundador César Five (também baterista da Epitaph) para falar um pouco dessa história, sobre o debut, o cenário do Hard e Heavy atual, e mais! Confira a seguir.


RtM: A Volúpia surgiu em 1984, em plena efervescência do Rock e do Metal brasileiro. Como foi formar uma banda de som pesado em Porto Alegre naquela época?

César Five: Faz tanto tempo... 42 anos... (risos). O mundo era completamente diferente, não tinha redes sociais, não tinha instrumentos importados, a comunicação e divulgação de uma banda era por carta, boca a boca em cartazes na rua e as poucas revistas que tinham não eram muito precisas nas informações.

Montar uma banda de rock e, ainda por cima, de heavy metal e hard rock era no "tato" e muito influenciada pelas bandas que escutávamos na época e até hoje.

E foi uma época muito divertida e muito espontânea, pois se criava aquilo que muitas vezes nunca tinhamos visto, era raro passar shows na tv e lançamentos em vídeo.

O lado bom da época é que existiam os programas de rádio.


RtM: Nos anos 80 a Volúpia já apostava em Heavy/Hard autoral com letras em português. Naquele período isso era uma escolha natural ou também um desafio dentro da cena?

César Five: Na sua primeira fase a Volúpia era mais heavy metal, usávamos braceletes com metal e calças de malha, tipo Iron Maiden nos anos 80, mas aos poucos fomos descobrindo o nosso som e começamos a usar o visual mais hard rock, pois gostávamos de Dokken, Ratt, Scorpions, etc.

Acredito que a Volúpia, desde lá, já era uma banda de hard rock. Eu sempre digo para os caras hoje em dia que vamos manter a linha hard rock, pois já tenho uma banda de heavy Metal, a Epitaph, não preciso de duas (risos).

Escolhemos ter letras em português, pois as bandas que gostávamos como Astaroth, Spartacus, Overdose, etc, faziam isso. Além disso, o nosso público está aqui no Brasil e não lá fora.

RtM: Uma curiosidade da história da banda é que vocês chegaram a ensaiar no porão da Igreja Nossa Senhora da Glória, com autorização do padre. Como surgiu essa situação inusitada e quais lembranças ficaram dessa fase?

César Five: Sim, foi no período final da primeira fase da banda entre 1989 e 1990. 

O Ricardo e o Marco já não estavam mais na banda e tentamos uma formação nova, mas não aconteceu de tocarmos ao vivo, pois me acidentei de carro, com tudo isso, a banda acabou em 1990 e ficou parada até 2016, quando resolvemos voltar.

Eu voltei a tocar em 1998 e em 2000 montei a Epitaph que está na ativa até hoje. 

E sobre tocar no porão da Igreja, era muito divertido. Tinha baterias montadas, amplificadores e lá ensaiavam várias bandas de estilos diferentes de metal, principalmente thrash.


RtM: A banda participou da coletânea do IV Festival de Rock Viamonense, algo raro para bandas pesadas naquele momento. O que esse registro representou para a Volúpia naquela época?

César Five: A Volúpia ensaiava no bairro Santa Isabel em Viamão, na casa do Gustavo, nosso baixista à época. Aí surgiu a possibilidade de se inscrever no IV FEMUVI. Isso abriu espaço para tocarmos para um grande público, e a recompensa veio com a gravação de uma faixa na coletânea em LP da música “Princípio de Uma Nova Era”.

Em 1985 gravar algo em vinil era impensável.

Tenho muito orgulho disso. Inclusive fizemos uma nova versão mais moderna dessa música,  que apresentamos na festa de 40 anos do FEMUVI ocorrida no ano passado em Viamão.

RtM: Comparando o cenário do Metal brasileiro dos anos 80 com o atual, o que vocês sentem que mudou mais, seja em termos de público quanto de estrutura para as bandas? Ou seguem muitos dos velhos problemas?

César Five: As coisas eram mais orgânicas naquela época. Você construía a banda, colava cartazes, fazia flyers e conseguia fazer a música rodar na Ipanema FM.

E, com sorte, tinha alguma “notinha” nas revistas de metal como a Rock Brigade.

E como heavy metal era algo novo, os shows enchiam, mas não tínhamos os contatos que poderiam ter feito a banda crescer na época.

Eu não sou saudosista, mas hoje temos as ferramentas que facilitam como redes sociais e plataformas para colocar seu trabalho. O problema é que a música e a arte em geral viraram produtos descartáveis.


RtM: Hoje temos um mundo "imediatista" e da dopamina barata.

César Five: Gosto de dizer que todo mundo escuta de tudo e não ouve nada, fica tudo perdido naquelas playlists, onde a maioria nem sabe o que está ouvindo, quem fez a capa, etc.

Eu não tenho Spotify, compro CDs, LPS e DVDs, então para mim não mudou nada.

A música está perdida em algum lugar nesse mundo de plástico de hoje em dia, mas como não ligo para isso, sigo fazendo a música que eu gosto.

RtM: Em contrapartida com o lado "superficial" da atualidade, vemos um movimento interessante: novas bandas cantando em português e também vários grupos veteranos voltando à ativa. Como você enxerga essa nova fase do metal nacional?

César Five: É muito bom vermos os mais jovens derrubando o preconceito de cantar em Português.

É óbvio que a língua do metal é o Inglês, mas isso não impede de fazer isso na língua do teu país.

Já vivemos encaixotados em tantas regras, felizmente isso mudou e não existe censura para a arte.


RtM: Em 2025 vocês lançaram o álbum “Déjà Vu”, pela Insanity Records. Como foi o processo de composição e gravação desse trabalho? Ele traz mais nostalgia ou uma visão atual da banda? 

César Five: O álbum foi lançado de forma independente. A Insanity Records apenas nos ajudou na divulgação. Todas as músicas, exceto a “Déjà Vu” e a "Adrenalina", foram regravações de material da primeira fase da banda na década de 80. Era um material que modernizamos com pequenas alterações, mantendo a essência das músicas.

A gravação teve atrasos devido a pandemia, mas após termos as guias definidas, gravei minhas partes de bateria. As cordas e os vocais foram gravadas no estúdio Casa dos Gatos, em São Leopoldo, pertencente ao nosso guitarrista Luciano Reis.

Eu gravei uma bateria lá também, inclusive.

A mixagem ficou a cargo do Lucas Santorum da LST Records.


RtM: A capa e título creio que trazem algumas pistas dos sentimentos que permeiam o trabalho.

César Five: A capa foi feita pelo artista gráfico Rômulo Dias, que produz capas de muitas bandas e ao escutar nossos singles trouxe essa ótima ideia da capa que traduz o que somos: caras velhos que sempre se veem como jovens (risos).

RtM: Os singles “Poderes e Forças” e “Rolando no Asfalto” anteciparam o disco. Como foi o retorno do público em relação a essas músicas?

César Five: “Poderes e Forças” é uma música forte, por sinal escrevi essa letra, e acho ela ótima para tocar ao vivo.

Com relação à "Rolando no Asfalto”, ela foi composta pelo Claus Steiner Campos, guitarrista que tocou com o Marco Canto em uma outra banda que não me lembro o nome. Essa música foi incorporada ao nosso repertório por ter tudo a ver com a banda.


RtM: E como vocês estão se sentindo agora, depois dos anos de hiato, e o retorno e na sequência, o lançamento do álbum? A chama voltou a arder mais forte e trouxe motivação para seguir por mais anos e continuar criando e tocando Heavy Metal?

Estamos bem felizes com esse álbum. Vendemos quase todas as cópias em CDs que fizemos. Fizemos alguns shows no ano passado, mas, nesse ano, a ideia é divulgar bastante ao vivo e já começar a compor o novo material, que terá ainda algumas músicas do passado, mas com muitas músicas novas que vão mostrar a nova fase da banda. Posso dizer que são ótimas, pois evoluímos como músicos e compositores.


RtM: As letras da Volúpia sempre tiveram identidade própria em português. De onde costumam surgir as inspirações: experiências pessoais, histórias de estrada, observação do cotidiano ou aquele clima clássico do rock dos anos 80?

César Five: As letras da banda são um caso à parte. Eu escrevi a “Poderes e Forças” e “Lembranças” quando tinha 20 anos e são músicas que ainda funcionam, pois falam do mundo apocalíptico e do amor envelhecido. Elas são atuais, assim como as demais.

Temos a “Adrenalina”, que foi composta depois do retorno da banda em 2016. A letra foi escrita pelo Adriano Lampert, filho do baixista Ricardo Lampert. Ela fala sobre o encontro do seu pai com os amigos do passado. 

Eu contribuí com a outra metade da letra, pois havia ficado insuficiente para a música que eu e Ricardo fizemos. Tem a “Rebelião”, cuja letra é do saudoso Gérson Leal, que foi nosso vocalista anterior ao Marco Canto. 

A Último Entardecer foi escrita pelo guitarrista Victor Hugo Rosa, um dos fundadores da banda. As demais letras são de autoria do Marco Canto e falam sobre aventuras e desejos juvenis.

RtM: Toda banda com tempo de estrada tem histórias curiosas ou engraçadas. Existe algum episódio marcante ou inusitado em show, ensaio ou viagem que vocês possam compartilhar com a gente?

César Five: Em 1985, fizemos a abertura do festival de música do IPA, em Porto Alegre. Iniciamos o show com uma música instrumental. Na segunda música, o nosso então vocalista Alexandre Torres apareceu no palco fantasiado de vampiro, sem nos comunicar absolutamente nada sobre isso (risos). 

Foi uma tremenda surpresa pra nós e para o público, que não entendeu nada sobre o que isso tinha a ver com a banda. O Alexandre fez performances que nunca havia feito antes. Nos deixou bastante incomodados, porém, seguimos tocando o nosso setlist normalmente, afinal o show tinha que continuar. 

No final da apresentação, o Alexandre simplesmente foi embora sem nos avisar. Acho que ele sentiu que nós não havíamos gostado nada do que ele havia feito. Enfim, o resultado foi a demissão dele da banda.


RtM: Muito boa! Tipo "rimos muito, e depois o demitimos" (risos). Bom, para encerrar, os tempos são diferentes, mas que mensagem ou conselho vocês dariam hoje para quem está montando sua primeira banda de Heavy Metal, seja recém ensaiando, ou já buscando espaço para tocar, assim como vocês fizeram nos anos 80, qual seria esse recado?

César Five: O recado que eu dou para quem se aventura na música é que faça o que gosta, não espere sucesso, mulheres e etc, pois hoje em dia isso é impossível. O rock infelizmente está fora da mídia há uns 20 anos aqui no Brasil.

Você vai gastar dinheiro, tempo, e se não for para fazer o que gosta vai ser mais complicado.

Eu sempre encarei a música como um hobby levado a sério, então nunca tive decepções.

O retorno que a música te dá é aquilo que você dedica a ela.


Fotos: Arquivos do artista 

Links Relacionados: Resenha do álbum 

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Entrevista - Marcelo Barbosa: "Se dependesse de mim... Eu não gostaria que o Fabio saísse

Por: Renato Sanson

RtM: De cara, eu já quero te perguntar sobre essa questão da reunião do Angra. Vocês vão estrear essa reunião no maior evento de Heavy Metal do Brasil, e um dos melhores do mundo, que é o Bangers Open Air. O que os fãs podem esperar disso?

MB: Para a gente, está sendo muito legal esse momento. A gente sabia que, um dia, essa reunião poderia vir a acontecer, mas não sabia que seria algo tão próximo. Até vi essa ideia surgir no próprio festival, e ela acabou se concretizando, então a gente está muito feliz. Tenho certeza de que vai ser um show muito versátil, no sentido de que uma banda como o Angra, que tem mais de trinta anos, passou por três grandes fases: uma com Andre, outra com Edu e essa com o Fabio, que perdura até hoje. 

A gente vai permear esse show passando por todos esses momentos, honrando todas as fases da banda. Tem muita coisa da época do Andre e, obviamente, da fase Nova Era e Temple of Shadows, além de bastante material mais atual, do que a gente vem lançando nos últimos anos juntos. Então, tenho certeza de que todo tipo de fã — desde o mais novo, que conheceu a banda há menos tempo, até aquele que acompanhou lá na época do André — vai ser agraciado com canções que fazem parte da sua história. Com certeza, esse será um momento muito especial.

 

RtM: Então, em termos de setlist, vamos ter algo gigantesco.

MB: É um show longo, sem dúvida, porque precisa agraciar esse momento como um todo, E também as duas diferentes fases que estão sendo celebradas ali naquele momento.

 

RtM: Vocês já chegaram a se reunir para ensaiar ou ainda não?

MB: Não. Essa é uma pergunta que já me foi feita algumas vezes, e a gente não pode esquecer que alguns integrantes da banda — se não falha a maioria — moram em lugares diferentes: eu sou de Brasília, o Bruno está em Los Angeles, o Aquiles, se não me engano, mora em Los Angeles também, o Alírio Neto em Madrid, o Fabio na Itália, o Kiko na Finlândia... Então, não dá para falar algo como 'ah, vamos ensaiar esse final de semana? Vem todo mundo, ensaia e depois volta'. Obviamente, a gente tem trabalhado na parte de pré-produção, que envolve muita coisa. 

São muitos detalhes técnicos, e a gente tem se dedicado a isso. Já fizemos fotos e vídeos com praticamente todo mundo que pôde estar presente. O que deve acontecer, basicamente, é que, uns dez a quinze dias antes do show, todo mundo vá para São Paulo e fique por lá até o dia do show. Durante esse período, a gente ensaia e prepara tudo o que precisa ser preparado.

 

RtM: Além do show do Bangers, vocês também anunciaram um show extra em São Paulo.

MB: Exatamente. Acho que dois ou três dias depois.

RtM: Isso, é bem pertinho. A minha pergunta é: esse material, tanto do Bangers quanto desse show extra, ele pode vir futuramente a ser lançado como um ao vivo ou um blu-ray? Vocês pensaram nessa possibilidade?

MB: Isso foi ventilado, mas, a princípio, não vai acontecer. Não sei se esse encontro acontecerá novamente, mas é a primeira vez que ele acontece, e ainda não se sabe como serão as coisas caso isso perdure por mais tempo. Acho que, antes de mais nada, como seres humanos que somos, é necessário entender como vai ser essa dinâmica: se está todo mundo bem, se o clima é bom, se existe vontade de fazer coisas juntos, porque, se você lança algo como um DVD, ou um registro video gráfico profissional disso, é um investimento alto. 

Então, compensaria? Faria sentido? Sim, beleza, a gente faz. E isso poderia servir, por exemplo, para divulgar uma turnê futura. Mas não tem nada disso sendo conversado ainda, nem como ideia. 

O foco agora é entregar o melhor show possível neste momento para os fãs e entender como essa dinâmica vai funcionar, saber se isso realmente faz sentido. Se fizer sentido, ainda assim não é garantia de continuidade, mas pelo menos fica aquela sensação de 'pô, foi legal. Podemos fazer de novo em outro momento'. Por enquanto, o que realmente está programado para essa reunião são esses dois shows.

 

RtM: E vocês vão fazer um show especial na França, onde vão tocar o Holy Land na íntegra.

MB: Exato. Um show na França e outro na Grécia.

 

RtM: É interessante essa questão da França, porque o Andre era muito celebrado pelos franceses e vocês retornarão lá com esse show especial. Tem um sentimento diferente?

MB: Tem, sim, um sentimento muito diferente. Eu estou na banda há quase onze anos e, nesse período, acho que tocamos em Paris e em outras cidades da França umas quatro ou cinco vezes. É sempre muito legal. Mas esse show, além de celebrar o Holy Land, será em uma casa maior, algo mais grandioso do que o que foi feito nos últimos anos. 

Eu sei que o Angra, na época do Andre, fazia grandes shows na França. Depois disso, a banda continuou sendo muito famosa por lá. Acho que, em praticamente todas as vezes em que passamos pela Europa, passamos também pela França, mas acredito que o Andre era um vetor muito importante nessa conexão do público francês com o Angra. Então faz todo sentido celebrar o Holy Land ali. A gente tem certeza de que vai ser um show muito especial, porque está sendo preparado para ser, digamos assim, um momento único na carreira do Angra, considerando toda a trajetória da banda na França.

E agora, com essa formação e com a participação do Kiko também, que vai estar presente nesse momento — os outros dois não —, fica ainda mais especial. Ele é um cara que, obviamente, teve suma importância nesse álbum, porque estava lá compondo, gravou e tudo mais. Então vai ser muito bom ter ele com a gente também.

 

RtM: Então esses shows terão três guitarras (risos).

MB: Eu ainda não sei exatamente. A gente ainda não conversou sobre como isso vai ser. Eu não acredito que teremos três guitarras durante o show inteiro, mas acho que, em alguns momentos, sim. O Kiko está entrando como um convidado especial, então eu não sei exatamente em quais partes isso vai acontecer, a gente ainda vai definir. 

Neste momento, estamos muito mais focados no Bangers, em definir o formato do show no festival, do que no show que vai acontecer no segundo semestre. Mas tenho certeza de que, seja como for, vai ser muito bom. E, para mim, é um privilégio fazer parte desse momento da banda.

 

RtM: Vai ser um grande momento com certeza, ainda mais sendo o Holy Land.

MB: Exatamente. É um disco que fez muito sucesso por lá. Especificamente na França, esse álbum é muito celebrado.

 

RtM: Esses shows fora vão ter uma pequena mudança: sai o Fabio e entra o Alírio.

MB: Exato. Pequena e grande mudança. Vocalista, né? (risos)

 

RtM: Como está sendo para vocês isso?

MB: É interessante essa pergunta, e eu tenho respondido muito sinceramente, do fundo do meu coração. O Fabio eu conheci pessoalmente quando entrei na banda. Antes, eu não o conhecia. Conhecia o trabalho dele, mas, pessoalmente, não. E nós nos tornamos amigos. Ele gosta de vinho, eu também gosto de vinho. Independentemente do Angra, a gente toma vinho junto, conversa… Normalmente, quando estamos em São Paulo, eu fico no mesmo hotel que ele, enquanto os outros caras ficam em casa, porque eles têm casa em São Paulo. 

O Fabio virou um parceirão, é um cara com quem, no final da pandemia, fizemos uma turnê acústica juntos, só nós dois. Então a gente tem um entrosamento, uma amizade muito boa. É muito bom estar com o Fabio e tê-lo como amigo. Dito isso, é sempre ruim para qualquer banda, ainda mais uma banda que já passou por outras mudanças, mudar qualquer integrante, especialmente o vocalista. 

Só que uma banda como o Angra, que existe há mais de trinta anos, naturalmente passa por mudanças. As pessoas se desentendem, mudam de ideia, às vezes acham que é melhor seguir outro caminho. E o Fabio está na banda acho que há treze ou catorze anos, e chegou esse momento. Então, para mim, se eu tivesse poder sobre isso, no sentido de fazer com que as coisas funcionassem, eu não gostaria que o Fabio saísse. Claro, é melhor manter a mesma formação por mais tempo, fazendo coisas juntos. Mas, já que aconteceu, eu sempre digo que o Alírio, para mim, é a bola da vez.


RtM: E o Alírio se mostrou uma escolha natural.

MB: É um cara que está preparado para isso há muito tempo, que construiu um nome, uma reputação, uma experiência cantando no Queen Extravaganza e no Shaman. Então faz todo sentido. E ele é como um irmão para mim. Eu disse que conheci o Fabio quando entrei na banda, o Alírio eu conheço, sei lá, desde os meus vinte anos de idade. São mais de trinta anos de amizade. Para mim, vai ser um prazer enorme tê-lo na banda. É até engraçado chamá-lo de Alírio, porque a família dele o chama de Neto, e foi assim que eu sempre o conheci. 

A gente é muito próximo. Então entra outro brother, porque tirar um cara que é teu parceiro e, de repente, entrar alguém com quem você não tem tanta proximidade — ou com quem não “gruva”, não tem aquela empatia — pode ser complicado. Não é nem questão de tocar bem ou não, mas de convivência, de afinidade. Então é melhor que seja um amigo, alguém com quem eu também tenha essa conexão. 

E ele já é amigo dos outros integrantes da banda também, o Felipe e o Rafa são padrinhos de casamento dele. Enfim, existe toda uma história que não começou agora. Então acho que faz todo sentido e que vai ser muito bom.

 

RtM: Eu acredito que ele mereça essa oportunidade, porque quando o Edu estava pra sair, ele foi muito cotado pra isso também.

MB: É verdade.

 

RtM: Ele era o nome da vez, só que o Fabio acabou assumindo. Então acredito que ele mereça a sua oportunidade desses grandes shows para ele se tornar realmente o vocalista do Angra.

MB: Super merecedor, super merecedor. Vai fazer muito bem, vai fazer muito bem para a banda. Não que o Fábio não fizesse, mas o que eu quero dizer é que, ele vai agregar também muito, porque ele é um cara muito musical e muito talentoso. Eu tenho certeza que só virão coisas boas.

 

RtM: Agora falando de pausa, porque o Angra está para anunciar uma pausa.

Pós esses shows, o Angra vai realmente pausar as atividades ou agora deu um gás novo e pode ser que siga? (N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar o fim o do hiato).

MB: O que tem acontecido é o seguinte: a gente realmente resolveu ficar parado por pelo menos um ano, talvez mais. No meio do caminho, confirmou-se essa questão do Bangers. A gente já tinha falado 'beleza, estaremos em hiato. Mas, se isso se confirmar, se realmente acontecer, vale a pena voltar e fazer esse show, porque é histórico. Fechar um festival gigante com as duas formações é muito legal. Quem não quer fazer? Vamos fazer? Beleza, a gente faz.' E isso se confirmou. 

Além disso, também produzido pelo Bangers, surgiu um sideshow. Já que estaremos por aqui, apareceu o Porão do Rock, em Brasília, não com a reunião completa, mas com a banda e a participação especial do Kiko. E é isso que temos para o primeiro semestre. 

Terminando isso em maio, a gente para de novo. Inclusive, já tem turnê marcada com outros projetos. Eu e o Felipe vamos tocar em um projeto com cinco vocalistas (referindo-se ao Masters Of Voices com Edu Falaschi, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens e Jeff Scott Soto), incluido o próprio Edu, passando pela América Latina e Brasil. Então, mesmo que quisesse, não teria como parar. 

E, no segundo semestre, tem uma coisa ou outra marcada, como você mencionou, esse show na França, e depois para de novo. Aí, quem sabe, no ano que vem, a gente vê o que faz. É mais ou menos isso. Acho que deve seguir por esse caminho. Claro, as coisas podem mudar no meio do percurso, mas o que temos em mente hoje é isso.

(N.T.: essa entrevista foi realizada antes da banda anunciar o fim o do hiato).

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cobertura de Show: D.R.I. + Ratos de Porão – 22/03/2026 – Cine Joia/SP

Se o termo “Crossover” existe desde 1982 é exatamente por conta dessa duas bandas: DRI e Ratos de Porão! Eles foram determinantes para que o Thrash Metal ficasse bem mais pesado ao vivo, forçaram as ban das a usarem cabeçotes e equipamentos melhores, irem para estúdios melhores! Algumas dessas bandas de Thrash Metal a seguir, fizeram uma vez só um disco de Crossover na carreira no final dos anos 80: Exodus, Sepultura, Metallica, Metal Church, Testament, Forbidden, Vio-lence, Kreator, Sodom, Anthrax, Sadus, Slayer, Pestilence, Annihilator, Megadeth, Nuclear Assault, Dark Angel, Possessed, Razor e Death, poderiam ter criado o Crossover mas foram os que se aproveitaram do impacto quando chegou no Thrash. As gravações analógicas com riffs variando velocidade, peso de uma batera nunca vista antes e baixo pesado sem médio/agudo é culpa do DRI e RDP.

O último show turnê das duas bandas que se despedia no domingo na Liberdade, centro de SP, mostrou a força do estilo: uma fila gigante já se formava do lado de fora, e por outro lado, dentro do Cine Joia, um clima de exaustão que desaguou no palco.

A abertura do Imflawed e Questions teve mais disposição em relação as bandas principais. Em sua primeira passagem por SP, o Imflawed de Recife/PE fez uma apresentação curta com 7 sons muito honrosa com público chegando ao chamado do vocalista e guitarrista Arthur Santos para aproveitarem a noite. A mistrura de groove com Thrash rendeu uma boa recepção do público; destaques para “Fear, “Inner War”, “Slave New World” (cover do Sepultura) e “Fuck Your Pride”. O baixista Martin mandou muito bem mesmo escala do de última hora pra cobrir dois shows em SP.

O Questions entrou empolgado e rapidamente e fez valer seus 26 anos de estrada. Muita personalida de, som redondo, com carisma de Edu Revolback sempre agradecendo conversando com a galera, deixaram uma reperório bem agressivo. Destaque para “The Same Blood” e “The Victory Speech” com excelente de sempenho do baterista baterista Eduardo Sasaki e excelente desempenho do guitarrista Pablo Menna.

Em seguida, era a vez do RDP fazer sua parte; tocou os clássicos (quem conhece o RDP sabe o repertório) e manteve a energia de 45 anos no palco. Desta vez, com a ausência de Jão (fora dessa turnê por conta de um acidente de moto), que foi substituído por Maurício Nogueira (ex-Torture Squad) para segurar os shows. Maurício fez uma apresentação muito boa, com muita atenção nos riffs, e deixou a banda à vontade para colocar o público na roda.

Era perceptível o cansaço da turnê mencionado pela banda. Por exemplo, os perrengues com refeição estragada no Rio de Janeiro deixaram João Gordo debilitado, somados aos contratempos em Minas Gerais, ou seja, um caldeirão de incômodos antes de se despedirem da turnê e irem para casa, o que em alguns momentos também refletiu no público.

Mesmo assim, João Gordo não tirou o mérito de entregar um vocal matador aos 64 anos, junto à garra do Boka na bateria e à força da banda no evento como um todo. Destaque para músicas que não aparecem com frequência nos shows, como “Homem Inimigo do Homem”, “Colisão” e, em ano de eleições, “Alerta Antifascista”.

Pra fechar, o DRI cumpriu o repertório da turnê com a apresentação sonora arrebatadora, como sempre fez no Brasil em tempos passados, passando pelos discos Dirty Rotten, Dealing With It, Crossover, 4 of a Kind, Thrash Zone, Definition e Full Speed Ahead. Mas os bastidores para começar o rolê não saíram como o Crossover pede.

Tiveram muitos problemas, a começar pelo atraso de quase uma hora desde a retirada da bateria principal do palco para montar outra totalmente do zero, até posicionar os microfones das peças e pratos, passar o som e regular tudo. Isso quebrou o bom andamento que o RDP havia deixado. Os caras estavam sem roadies, não havia uma equipe de apoio com eles, o DRI fez tudo na raça.

O Spike usa dois cabeçotes de guitarra, um de cada lado do palco, justamente para sustentar o peso que a banda proporciona quando ele abafa o riff e produz aquele impacto que só o Crossover consegue. Mas ele fez tudo sozinho, andando de um lado para o outro com a guitarra, regulando, afinando e timbrando o som. O baixista Greg Orr também teve dificuldades de regular o baixo. Kurt subiu no palco, ele mesmo plugou seu microfone, sacado da mochila, e nada da banda começar.

Quando a banda finalmente começa, durante o repertório, por várias vezes entre as músicas, Spike recorre aos amplificadores para ajustar o som da guitarra, enquanto Kurt liga até um ventilador no palco. Era o DRI, mas não o mesmo que vi no Carioca Club em 2011, que tinha mais brilho e entusiasmo para dizer “nós estamos aqui de volta, pós-pandemia, segurando essa bandeira”.

Existe um cansaço natural após mais de quatro décadas tocando, além do desgaste de deslocamentos constantes de um lugar para outro. Se no final deu tudo certo, o público fez sua parte e participou de tudo. Ainda assim, a história da banda, cravada em eventos de grande porte pelo mundo todo, não justificava passarem por aquilo, justamente pela ausência de colaboradores para fazer o evento funcionar.


Texto: Roberto "Bertz"


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Powerline



Ratos de Porão – setlist:

Alerta antifascista

Morte ao rei

Igreja Universal

Máquina militar

Sofrer

Homem inimigo do homem

Amazônia nunca mais

Farsa nacionalista

Colisão

Expresso da escravidão

Descanse em paz

Paranoia nuclear

Não me importo

Beber até morrer

Crucificados pelo sistema

Pobreza

Caos

Conflito violento

AIDS, pop, repressão


D.R.I. – setlist: 

Who Am I

Beneath the Wheel

Couch Slouch

Thrashard

The Application

Argument Then War

Nursing Home Blues

Dry Heaves

Dead in a Ditch

Suit and Tie Guy

The Five Year Plan

Mad Man

I Don't Need Society

Syringes in the Sandbox

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Dream Theater: 40 anos de um sonho sem fim

 Por: Renato Sanson

A lendária banda Dream Theater está pronta para protagonizar um dos eventos mais aguardados do Prog Metal no Brasil em 2026. Celebrando quatro décadas de carreira, o grupo norte-americano retorna ao país em maio com a grandiosa turnê “40th Anniversary Tour Parasomnia”, prometendo apresentações históricas e uma imersão completa em sua sonoridade única.

A nova excursão marca não apenas a comemoração dos 40 anos de estrada, mas também a divulgação do recém-lançado álbum “Parasomnia”, que será executado na íntegra durante os shows. O disco, já considerado por muitos fãs como um dos trabalhos mais ambiciosos da banda nos últimos anos, explora atmosferas densas, conceitos ligados ao sono e à mente humana, além de trazer a complexidade técnica que consagrou o grupo mundialmente.

Mas a experiência não para por aí. Em um gesto que certamente agradará os fãs mais antigos, o Dream Theater também incluiu no repertório a execução completa do clássico “A Change of Seasons”. Lançado em 1995, o EP é considerado uma obra-prima do Metal Progressivo, especialmente pela faixa-título de mais de 20 minutos, que se tornou um marco na carreira da banda.

Outro grande destaque da turnê é o retorno da formação clássica, reunindo nomes fundamentais como James LaBrie, John Petrucci, John Myung, Jordan Rudess e Mike Portnoy. A reunião dessa formação histórica adiciona ainda mais peso emocional e técnico aos shows, reacendendo a química que ajudou a consolidar o Dream Theater como um dos maiores nomes do gênero.

Serão seis apresentações em solo brasileiro, todas com duração aproximada de três horas, um verdadeiro espetáculo para os fãs, que poderão acompanhar uma jornada musical completa, passando por diferentes fases da carreira da banda. A proposta é oferecer uma experiência imersiva, com sets longos, mudanças de atmosfera e uma produção visual à altura da complexidade sonora do grupo.

A “40th Anniversary Tour Parasomnia” não é apenas mais uma turnê: trata-se de uma celebração da longevidade, da inovação e da conexão profunda entre banda e público. Para os fãs brasileiros, será uma oportunidade única de testemunhar ao vivo uma das bandas mais influentes da história em um momento tão especial de sua jornada.

Se a expectativa já é alta, a promessa é de noites inesquecíveisD daquelas que entram para a história tanto da banda quanto do público.

Entrevista - Robert Lowe: "A Música Precisa Te Levar em uma Jornada."



English version available below

O vocalista norte-americano Robert Lowe é considerado uma das vozes mais emblemáticas do doom metal mundial, tanto pela sua importância no Solitude Aeturnus — ajudando a consolidar o epic doom como um subgênero — quanto pela sua contribuição à trajetória de uma das maiores bandas do estilo, o Candlemass.

Robert chega ao Brasil neste mês de abril para uma mini tour de três datas(dia 10 em São Paulo, 11 em Sorocaba e 12 no Rio de Janeiro. Midgard e Loss são as bandas convidadas na turnê) onde apresentará clássicos do Solitude Aeturnus e Candlemass. 

Conversamos com Robert para falar um pouco dessa história e contribuição para o estilo. Confira!


Renato: Oi, Robert
Robert: E aí, irmão?


Renato: Cara, meu nome é Renato, do site Road to Metal. É um prazer falar com você.
Antes de começarmos, preciso dizer que não falo muito inglês, estou me desafiando aqui. Sou muito seu fã, Robert, seja com o Solitude ou Candlemass.
Robert: Sabe de uma coisa? Podemos dizer logo que, atualmente, moro na Noruega, não falo muito norueguês, então, sabe, estamos na mesma página. [risos]


Renato: Para início de conversa, vamos falar sobre seus anos no Candlemas. Diga-me, quais são as principais contribuições que você acredita ter deixado como legado para a banda durante esse período? 
Robert: Bem, boa pergunta. Contribuição? Você sabe, espero que com esse tempo que passei com esses caras, que são ótimos, isso tenha contribuído para melhorar o que eles vinham já fazendo. Ninguém estava tentando melhorar, mas apenas adicionar algo para que todos nos sentíssemos confortáveis com o que o que estávamos fazendo.


Renato: Ainda sobre sua história com Candlemas, o álbum “Death Magic Doom” se tornou um álbum muito amado pelos fãs, com músicas que se tornaram icônicas, como “Hammer of Doom”. Eu gostaria que você falasse sobre a importância deste álbum na sua carreira e um pouco sobre como ele foi concebido. 
Robert: Bem, você sabe, Hammer of Doom é Hammer of Doom. Eu adoro tocar essa música, adoro tocar. Uma das coisas sobre todo esse álbum é que conseguimos retratar certas coisas, mas essa, essa me toca profundamente, sabe, porque, quero dizer, há poder. 

Leif e os caras, Lars, Lasse e Mappe, sabe, caras ótimos, músicos ótimos. E, sabe, você tem que dar os parabéns a esses caras.
Quer dizer, eu, eu não fiz nada. Eu não sou ninguém. [risos]

Então eu não fiz nada. Mas poder lançar algo assim é uma coisa que te qualifica,  te permite ser quem você é. E, novamente, aqueles tempos e estar com o Candlemass foram momentos de qualidade.


Renato: A próxima pergunta é sobre a era Solitude Aeturnus. Diga-nos, como foi formar uma banda de Doom Metal no Texas, a terra do Southern Rock e da cultura country? Quais foram suas principais inspirações? 
Robert:  Bem, antes de mais nada, preciso dizer que adoro ser texano e sempre vou apreciar isso. Mas o que importa é que, como você perguntou, o John Perez e o Lyle, que sempre foi meu amigo de longa data, nós dois ouvimos, sei lá, Pentagram, Trouble, sabe, Celtic Frost, certo? E tipo: “ei, a gente devia fazer isso.” E aí você pensa, dane-se, vamos fazer. E aí você acaba fazendo! [risos]

Mas o ponto é que a qualidade desses caras, sabe, com os instrumentos deles e o que eles fazem é importante, porque você pode confiar no seu colega de banda. Porque seu colega de banda é importante quando você está no palco ou em qualquer outra coisa que você faça: A qualidade da amizade. Acho que é isso que faz com que, seja com quem for, você traga essa qualidade para a mesa, que vai permitir que você faça o que tem de ser feito.


Renato: Agora uma pergunta muito importante para mim. Gostaria que você falasse um pouco sobre “Beyond the Crimson Horizon”.
Robert:  Nossa! Sim, sim. Fantástico.


Renato: Perfeito. Ele é considerado por muitos a obra-prima da banda, um álbum magistral, cara, ostentando a melhor atmosfera e a mistura perfeita de doom esmagador e melodia. Conte-nos o que você acha disso e se concorda. E claro, o que este álbum significa para você? 
Robert:  Bem, fazer esse álbum, e vou ser breve na resposta, o que não vou fazer porque seria uma mentira. [risos]

A música precisa te levar em uma jornada, e fazer esse álbum com esses meus amigos, simplesmente, eu não sei como dizer de outra forma, mas você simplesmente faz acontecer!
 
E as letras, e a música, e o tempo que você passa com cada um…escrever riffs de guitarra, e/ou, sabe, ei, que tal essas letras? Ou que tal aquelas? Sabe, tudo isso, a culminação de todo o processo é o que importa.
E tem tanta coisa envolvida. Mas eu amo esse álbum.


Renato: É um álbum foda!
Robert: É mesmo. E eu sou extremamente feliz por ter feito parte desse processo. Quer dizer, significou muito para mim poder ter meus companheiros de banda, meus amigos, fazer algo juntos. Significou muito para mim.


Renato: Para mim, este álbum é uma obra-prima do metal.
Robert: É o melhor. É isso aí,  irmão.



Renato: E se é possível escolher: Candlemass ou Solitude Aeturnus? Qual a sua preferida? [Risos]
Robert Lowe: Sabe de uma coisa? Ambos são os melhores porque o Candlemass traz algo para a mesa e o Solitude traz algo também. Se eu estivesse na sala de estar, ou no quarto, e fosse colocar um álbum para ouvir, eu gostaria de ouvir Messiah Marcolin no Candlemass, ou ouvir Solitude Aeturnus... é uma daquelas coisas que depende do que fala aos seus sentimentos ou emoções. O Leif traz isso e, como eu disse antes, todos os caras do Solitude também. São todos pessoas incríveis.


Renato: Valeu, cara. Obrigado pela música, obrigado pela sua voz. Tchau!
Robert Lowe: Obrigado a você. Agradeço seu tempo e nos vemos por aí. Talvez para fumar algo ou tomar uma cerveja, sei lá. O importante é aproveitar nosso tempo. Espero aproveitar com todos os fãs brasileiros. Se cuida irmão!


Entrevista: Renato Sanson (colaborou: Caco Garcia)
Transcrição e Edição: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação, arquivos do artista e Terje Tysnes

Agradecimentos: Som do Darma 




English Version

Interview - Robert Lowe: "Music Needs to Take You on a Journey."


The North American singer Robert Lowe is considered one of the most emblematic voices in world doom metal, both for his importance in Solitude Aeturnus—helping to consolidate epic doom as a subgenre—and for his contribution to the trajectory of one of the style's greatest bands, Candlemass.

Robert arrives in Brazil this April for a mini-tour of three dates (April 10th in São Paulo, April 11th in Sorocaba, and April 12th in Rio de Janeiro. Midgard and Loss are the guest bands on the tour) where he will present classics from Solitude Aeturnus and Candlemass.

We talked with Robert to discuss a bit of his history and contribute to the style. Check it out!

Renato: Hello, Roberto.

Robert: Hey, brother?

Renato: Man, my name is Renato, from the Road to Metal website. It's a pleasure to talk to you.

Before we begin, I need to say that I don't speak much English; I'm challenging myself here. I'm a big fan of yours, Robert, whether with Solitude or Candlemass.

Robert: You know what? We can say right away that, currently, I live in Norway, I don't speak much Norwegian, so, you know, we're on the same page. [laughs]

Renato: To start the conversation, let's talk about your years in Candlemass. Tell me, what are the main contributions you believe you left as a legacy for the band during that period?

Robert: Well, good question. Contribution? You know, I hope that with the time I spent with these guys, who are great, it contributed to improving what they were already doing. Nobody was trying to improve, but I just added something so that we all felt comfortable with what we were doing.


Renato: Still on your history with Candlemass, the album "Death Magic Doom"

became a much-loved album by fans, with songs that became iconic, such as "Hammer of Doom". I'd like you to talk about the importance of this album in your career and a little about how it was conceived.

Robert: Well, you know, Hammer of Doom is Hammer of Doom. I love playing that song, I love playing it. One of the things about this whole album is that we managed to portray certain things, but this one, this one touches me deeply, you know, because, I mean, there's power.

Leif and the guys, Lars, Lasse and Mappe, you know, great guys, great musicians. And, you know, you have to congratulate those guys.

I mean, I, I didn't do anything. I'm nobody. [laughs]

So I didn't do anything. But being able to release something like that is something that qualifies you, allows you to be who you are. And, again, those times and being with Candlemass were quality moments.


Renato: The next question is about the Solitude Aeturnus era. Tell us, what was it like forming a Doom Metal band in Texas, in the land of Southern Rock and country culture? What were your main inspirations?

Robert: Well, first of all, I need to say that I love being Texan and I will always appreciate that. But what matters is that, as you said, John Perez and Lyle, who has always been a longtime friend of mine, we both listened to, I don't know, Pentagram, Trouble, you know, Celtic Frost, right? And like: "hey, we should do this." And then you think, screw it, let's do it. And then you just did it! [laughs]

But the point is that the quality of these guys, you know, with their instruments and what they do is important, because you can trust your bandmate. Because your bandmate is important when you're on stage or anything else you do: The quality of the friendship. I think that's what makes it so that, whoever it is, you bring that quality to the table, which will allow you to do what needs to be done.

Renato: Now a very important question for me. Roberto: Wow! Yes, yes. Fantastic.

Renato: Perfect. It's considered by many to be the band's masterpiece, a masterful album, man, boasting the best atmosphere and the perfect mix of crushing doom and melody. Tell us what you think about it and if you agree. Of course, what does this album mean to you?

Robert: Well, make this album, and I'll be brief in my answer, which I won't do because it would be a lie. [laughs]

Music needs to take you on a journey, and making this album with these friends of mine, simply, I don't know how else to say it, but you just make it happen!

And the lyrics, and the music, and the time you spend with each one…writing guitar riffs, and/or, you know, hey, how about these lyrics? Or how about this? You know, all of that, the culmination of the whole process is what matters.

And there's so much involved. But I love this album.

Renato: It's a fucking awesome album!

Robert: It really is. And I'm extremely happy to have been a part of this process. I mean, it meant a lot to me to be able to have my bandmates, my friends, to do something together. It meant a lot to me.

Renato: For me, this album is a masterpiece of metal.

Robert: It's the best. That's it, brother.

Renato: And if it's possible to choose: Candlemass or Solitude Aeturnus?
Which one is your favorite? [Laughs]

Robert Lowe: You know what? Both are the best because Candlemass brings something to the table and Solitude brings something too. If I were in the living room, or in the bedroom, and I was going to put on an album to listen to, I would want to listen to Messiah Marcolin on Candlemass, or listen to Solitude Aeturnus... it's one of those things that depends on what speaks to your feelings or emotions. Leif brings that and, as I said before, all the guys from Solitude too. They are all incredible people.

Renato: Thanks, man. Thank you for the music, thank you for your voice. Bye!

Robert Lowe: Thank you. I appreciate your time and see you around. Maybe to smoke something or have a beer, I don't know. The important thing is to enjoy our time. I hope to enjoy it with all the Brazilian fans. Take care, brother!


Interview: Renato Sanson (collaboration: Caco Garcia)
Transcription and Editing: Caco Garcia
Photos: Press release, artist's archives and Terje Tysnes

Acknowledgements: Som do Darma