quinta-feira, 14 de maio de 2026
Entrevista - Vlad V: Quatro Décadas de Rock & Roll
Von Groove: Um Comeback Que Justifica Sua Existência (Also In English)
Por Flavio Borges
Após mais de duas décadas afastado dos estúdios, o Von Groove retorna em um cenário completamente diferente daquele que ajudou a consolidar sua identidade nos anos 90. Em tempos nos quais o hard melódico frequentemente oscila entre a caricatura nostálgica e a superprodução artificial, Born To Rock surpreende justamente por compreender aquilo que muitas bandas do gênero parecem ter esquecido: grandes discos de AOR nunca dependeram apenas de refrães pegajosos, mas principalmente de personalidade, dinâmica e convicção.
Sem tentar modernizar excessivamente sua sonoridade nem se prender a uma reprodução mecânica do passado, o trio canadense encontra um ponto de equilíbrio raro entre reverência estética e atualização sonora. O resultado é um álbum que soa orgânico, energético e, acima de tudo, honesto dentro da proposta que abraça.
A faixa-título funciona como uma declaração de intenções. Não há espaço para sutileza: guitarras abertas, refrão instantaneamente memorável e uma construção pensada claramente para arenas e festivais. Ainda que a estrutura siga fielmente a cartilha clássica do hard melódico, a banda evita cair no automático graças ao excelente trabalho de camadas vocais e à dinâmica instrumental muito bem distribuída. O refrão possui aquele senso de grandiosidade quase hínica típico do AOR norte-americano do início dos anos 90, mas executado com uma energia contemporânea que impede a música de soar como mera nostalgia reciclada.
“Fearless” mostra um lado mais grooveado da banda e reforça a importância da cozinha dentro da identidade do disco. Baixo e bateria conduzem a faixa com firmeza enquanto as guitarras trabalham menos na agressividade e mais na criação de ambiência melódica. Existe aqui uma preocupação evidente com equilíbrio sonoro: nada soa excessivo, cada elemento ocupa seu espaço com precisão cirúrgica. Mesmo trabalhando exclusivamente com recursos tradicionais do gênero, a produção adiciona pequenas nuances modernas que impedem a faixa de parecer presa ao passado.
Uma das composições mais fortes do álbum. “Champion” amplia o peso da sonoridade e aproxima o Von Groove de um hard rock mais metálico e épico. O riff principal possui densidade suficiente para sustentar toda a faixa, enquanto o refrão entrega exatamente o senso de grandiosidade esperado. O destaque absoluto, entretanto, está no trabalho de guitarras: solos extremamente melódicos, harmonizações elegantes e dobras muito bem executadas acrescentam sofisticação sem comprometer a fluidez da música. É justamente aqui que o álbum começa a revelar uma profundidade maior do que a esperada inicialmente.
Se existe uma faixa em que a banda tenta expandir sua linguagem sem romper completamente com suas raízes, é “Adrenaline”. A composição flerta diretamente com o metal moderno, especialmente pela abordagem rítmica mais pesada e pela utilização pontual de bumbo duplo durante o solo. Ainda assim, o Von Groove nunca abandona totalmente sua essência melódica. O refrão continua sendo o centro gravitacional da música, funcionando quase como contraponto à agressividade instrumental. Os efeitos discretos aplicados à bateria e aos backing vocals ajudam a atualizar a estética sonora sem comprometer a organicidade da execução.
Toda banda de hard rock clássico precisa de uma grande power ballad — e “Angela” cumpre exatamente esse papel. Sim, a temática romântica beira o clichê absoluto, mas o Von Groove demonstra experiência suficiente para transformar fórmulas conhecidas em algo genuinamente eficiente. A construção gradual da faixa funciona muito bem, crescendo emocionalmente até alcançar um refrão carregado de dramaticidade. O interlúdio que antecede o solo é particularmente eficiente ao criar tensão antes da explosão melódica final.
Com pouco mais de três minutos e meio, “Undefeated” sintetiza praticamente toda a proposta estética do disco. Direta, acessível e extremamente coesa, a faixa aposta menos em excessos técnicos e mais em eficiência estrutural. O entrosamento entre os músicos se torna evidente justamente pela naturalidade da execução: tudo soa fluido, confortável e espontâneo. A produção, mais pesada e cristalina do que nos trabalhos clássicos da banda, reforça a sensação de atualização sem descaracterizar o DNA noventista do grupo.
Em “Do It All Over Again” o álbum mergulha sem reservas no AOR clássico. Os timbres escolhidos — especialmente guitarras e vocais — remetem imediatamente às produções do final dos anos 80 e início dos 90. Há ecos claros de Def Leppard nos backing vocals e na abordagem melódica do refrão, mas a banda evita soar derivativa graças à naturalidade com que absorve essas influências. É uma das músicas mais acessíveis e radiofônicas do disco, construída para permanecer na memória após poucas audições.
“Heart Of Forgiveness” é mais uma faixa sustentada por groove, mas aqui o destaque maior está no trabalho vocal. Existe uma dinâmica muito interessante entre voz principal e backing vocals, criando uma sensação quase conversacional em alguns momentos da composição. As linhas de baixo também aparecem com maior protagonismo, adicionando profundidade à estrutura instrumental. O crescimento progressivo da música até sua reta final mais acelerada reforça novamente essa aproximação ocasional com o metal moderno.
“Dreams” talvez seja a música mais experimental do álbum dentro dos limites da proposta da banda. A introdução eletrônica e etérea cria uma atmosfera inesperadamente sombria antes da entrada do groove principal. O baixo conduz boa parte da narrativa instrumental enquanto as guitarras trabalham mais em texturas do que em riffs tradicionais. O refrão abandona parcialmente o apelo AOR clássico em favor de algo mais pesado e contemporâneo. É justamente essa quebra de expectativa que torna a faixa uma das mais interessantes do disco.
Waiting For The Sky To Fall é a inevitável balada semiacústica que aparece aqui de maneira eficiente e sem exageros sentimentais. O grande mérito da faixa está na forma como incorpora elementos sinfônicos sem soar artificialmente grandiosa. A sessão orquestral que antecede o solo adiciona dramaticidade suficiente para elevar a composição sem transformá-la em algo excessivamente pomposo.
Encerrando o álbum, “Always Endlessly” entrega tudo aquilo que se espera de uma power ballad clássica: crescimento gradual, refrão monumental, mudança de tom e forte apelo emocional. O diferencial está na maturidade com que a banda conduz a composição. Em vez de soar exageradamente melodramática, a faixa transmite sinceridade — algo cada vez mais raro dentro do hard melódico contemporâneo.
Com Born To Rock, o Von Groove evita tanto a armadilha da reinvenção forçada quanto a da nostalgia vazia. O álbum compreende perfeitamente sua identidade e trabalha em cima dela com inteligência, produção refinada e composições suficientemente fortes para justificar o retorno após mais de vinte anos.
Mais do que um simples comeback, o disco funciona como uma reafirmação de relevância artística. Em uma era dominada por revivalismos superficiais, o Von Groove entrega um trabalho que entende profundamente a essência do hard rock melódico: emoção, impacto e refrães feitos para sobreviver ao tempo.
***ENGLISH VERSION***
After more than two decades away from the studio, Von Groove return to a completely different landscape from the one that helped shape their identity back in the ’90s. At a time when melodic hard rock often swings between nostalgic caricature and artificial overproduction, Born To Rock stands out precisely because it understands something many bands in the genre seem to have forgotten: great AOR records were never built solely on catchy choruses, but on personality, dynamics, and conviction above all else.
Without trying to excessively modernize their sound or mechanically recreate the past, the Canadian trio finds a rare balance between aesthetic reverence and sonic обновление. The result is an album that feels organic, energetic, and, above all, genuinely honest in the vision it embraces.
The title track works as a clear statement of intent. There is no room for subtlety here: wide-open guitars, an instantly memorable chorus, and a structure obviously designed for arenas and festival stages. Even though the song follows the classic melodic hard rock formula faithfully, the band avoids sounding automatic thanks to the excellent layering of vocals and the well-balanced instrumental dynamics. The chorus carries that almost hymn-like grandeur typical of early ’90s North American AOR, yet delivered with a contemporary energy that keeps the track from sounding like recycled nostalgia.
“Fearless” reveals a groovier side of the band and reinforces the importance of the rhythm section within the album’s identity. Bass and drums drive the song with confidence while the guitars focus less on aggression and more on creating melodic atmosphere. There is a clear concern for sonic balance here: nothing feels excessive, and every element occupies its place with surgical precision. Even while relying exclusively on traditional genre elements, the production introduces subtle modern nuances that prevent the track from feeling trapped in the past.
One of the strongest compositions on the album, “Champion” expands the weight of the band’s sound and brings Von Groove closer to a more metallic and epic style of hard rock. The main riff carries enough density to sustain the entire track, while the chorus delivers exactly the sense of grandeur one expects. The absolute highlight, however, lies in the guitar work: highly melodic solos, elegant harmonies, and beautifully executed dual guitar passages add sophistication without compromising the song’s flow. It is here that the album begins to reveal a deeper level than initially expected.
If there is one song where the band attempts to expand its musical language without completely abandoning its roots, it is “Adrenaline”. The composition openly flirts with modern metal, especially through its heavier rhythmic approach and the occasional use of double bass drumming during the solo section. Even so, Von Groove never fully abandons its melodic essence. The chorus remains the gravitational center of the track, functioning almost as a counterbalance to the instrumental aggression. The subtle effects applied to the drums and backing vocals help modernize the sonic aesthetic without sacrificing the organic feel of the performance.
Every classic hard rock band needs a great power ballad — and “Angela” fulfills that role perfectly. Yes, the romantic theme borders on absolute cliché, but Von Groove demonstrate enough experience to transform familiar formulas into something genuinely effective. The gradual build-up works beautifully, growing emotionally until it reaches a chorus loaded with dramatic weight. The interlude leading into the solo is particularly effective in creating tension before the final melodic explosion.
At just over three and a half minutes, “Undefeated” practically summarizes the entire aesthetic proposal of the album. Direct, accessible, and extremely cohesive, the track relies less on technical excess and more on structural efficiency. The chemistry between the musicians becomes evident precisely through the naturalness of the execution: everything sounds fluid, comfortable, and spontaneous. The production — heavier and more crystalline than on the band’s classic releases — reinforces the feeling of evolution without stripping away the group’s unmistakable ’90s DNA.
With “Do It All Over Again”, the album dives headfirst into classic AOR territory. The chosen tones — especially the guitars and vocals — immediately recall the productions of the late ’80s and early ’90s. There are unmistakable echoes of Def Leppard in the backing vocals and melodic chorus approach, yet the band avoids sounding derivative thanks to the natural way these influences are absorbed. It is one of the album’s most accessible and radio-friendly tracks, designed to stay in the listener’s memory after only a few spins.
“Heart Of Forgiveness” is another groove-driven track, but the real highlight here is the vocal work. There is a particularly interesting dynamic between the lead vocals and backing harmonies, creating an almost conversational feel in certain moments of the composition. The bass lines also take on a more prominent role, adding depth to the instrumental structure. The song’s gradual build toward its faster final section once again reinforces the band’s occasional proximity to modern metal influences.
“Dreams” may well be the album’s most experimental piece within the boundaries of the band’s established formula. The electronic and ethereal introduction creates an unexpectedly dark atmosphere before the main groove kicks in. The bass carries much of the instrumental narrative while the guitars focus more on textures than traditional riffing. The chorus partially abandons the classic AOR appeal in favor of something heavier and more contemporary. It is precisely this break from expectation that makes the track one of the album’s most compelling moments.
“Waiting For The Sky To Fall” is the inevitable semi-acoustic ballad, presented here with efficiency and without emotional excess. The song’s greatest strength lies in how it incorporates symphonic elements without sounding artificially grandiose. The orchestral section leading into the solo adds just enough dramatic weight to elevate the composition without turning it into something overly pompous.
Closing the album, “Always Endlessly” delivers everything one expects from a classic power ballad: gradual build-up, monumental chorus, key change, and strong emotional appeal. What truly sets the song apart, however, is the maturity with which the band handles the composition. Rather than sounding excessively melodramatic, the track conveys sincerity — something increasingly rare in contemporary melodic hard rock.
With Born To Rock, Von Groove successfully avoids both the trap of forced reinvention and that of empty nostalgia. The album fully understands its identity and builds upon it with intelligence, refined production, and compositions strong enough to justify the band’s return after more than twenty years.
More than just a comeback, the record works as a reaffirmation of artistic relevance. In an era dominated by superficial revivalism, Von Groove deliver a work that deeply understands the essence of melodic hard rock: emotion, impact, and choruses built to outlive time itself.
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| Divulgação |
Grand: O futuro do AOR passa por aqui (Also In English)
Por Flavio Borges
Em um cenário onde o AOR contemporâneo frequentemente oscila entre a reverência nostálgica e a repetição formulaica, o Grand retorna com “Guilty Pleasure” disposto a reafirmar não apenas sua identidade, mas também a relevância do gênero em pleno 2026. O terceiro álbum dos suecos é menos sobre resgatar o passado e mais sobre reinterpretá-lo com precisão cirúrgica, equilibrando polimento moderno e alma oitentista sem soar derivativo.
Logo na abertura, “Wild Heart” estabelece o tom com elegância. A construção gradual — partindo de camadas etéreas de teclado até a entrada plena da banda — revela uma maturidade composicional evidente. A dinâmica entre guitarras limpas e distorcidas não é mero recurso estético, mas ferramenta narrativa, enquanto o solo privilegia melodia sobre exibicionismo, um traço que se repetirá ao longo do disco.
A faixa-título, “Guilty Pleasure”, injeta energia com uma pegada mais direta e hard, reforçando os pilares do hard melódico clássico. Aqui, o Grand joga com convenções — coros expansivos, condução rítmica pulsante — mas evita o lugar-comum graças a uma produção que privilegia impacto sem sacrificar clareza. É um refrão construído para permanecer.
“Have a Little Faith in Me” reposiciona o álbum em território mais AOR, mas com nuances que impedem qualquer leitura simplista. As mudanças de andamento e o uso inteligente de harmonizações elevam a faixa acima do padrão médio do gênero. Há uma clara preocupação em manter o ouvinte engajado não apenas pelo gancho melódico, mas pela progressão musical.
Em “Coldhearted”, o Grand flerta com texturas mais contemporâneas. As guitarras, por vezes quase sintetizadas, ampliam o espectro sonoro da banda, enquanto o solo evolui de forma orgânica de uma abordagem lírica para algo mais técnico. O desempenho vocal de Mattias Olofsson merece destaque especial: seguro, expressivo e tecnicamente sólido, sem cair em excessos.
A acessível “Party Galore” poderia facilmente descambar para o território do previsível, mas encontra força na execução. A influência de Bryan Adams é perceptível, porém reinterpretada com identidade própria. O uso de coros e a construção do refrão demonstram um entendimento claro de como criar momentos de catarse sem comprometer a sofisticação estrutural.
Com “Still So Beautiful”, o álbum começa a expandir seu vocabulário. A inclusão do saxofone, longe de soar como um clichê oitentista, é integrada com naturalidade, enriquecendo a textura da faixa. A transição entre momentos mais contidos e explosões melódicas evidencia um controle refinado de dinâmica.
A cinematográfica “I’m Ready” reforça o caráter expansivo do disco. O baixo de Johannes Arvidsson assume um papel mais protagonista, adicionando complexidade rítmica, enquanto os teclados de Maja Thorén funcionam como elemento de coesão estética. É um dos momentos em que o Grand mais claramente aponta para uma identidade além das influências.
Já “Undo” representa o ponto de maior peso e modernidade do álbum. Sem abandonar suas raízes, a banda incorpora timbres e abordagens mais atuais, demonstrando consciência de seu tempo. A bateria de Axel Nilsson é fundamental aqui, tanto na escolha de timbres quanto na condução, contribuindo para a densidade da faixa.
Em “Amelie”, o Grand abraça o épico sem hesitação. As referências a nomes como Toto e Bon Jovi são evidentes, mas funcionam mais como linguagem do que como dependência. O arranjo é cuidadosamente construído, permitindo que cada elemento — especialmente teclados e guitarras — tenha espaço para respirar e se destacar.
“Beggin’” surpreende ao incorporar influências de blues, gospel e até jazz, ampliando o alcance estilístico do álbum. É uma faixa que exige mais do ouvinte, tanto pela estrutura quanto pelas escolhas harmônicas, e justamente por isso se destaca como um dos momentos mais ousados do disco.
O encerramento com “Love Me Or Leave Me” opta por uma abordagem mais intimista, quase acústica, funcionando como contraponto emocional ao restante do álbum. A construção gradual e a instrumentação orgânica reforçam o caráter sensível da faixa, fechando o disco de maneira elegante e coerente.
No fim, “Guilty Pleasure” não é apenas um exercício de estilo, mas uma afirmação de propósito. O Grand demonstra compreender profundamente as engrenagens do AOR e do hard melódico, utilizando esse conhecimento não para replicar fórmulas, mas para refiná-las. Em um gênero frequentemente associado ao passado, o álbum soa surpreendentemente presente — e, em seus melhores momentos, essencial.
***ENGLISH VERSION***
In a landscape where contemporary AOR often wavers between nostalgic reverence and formulaic repetition, Grand return with “Guilty Pleasure” determined not only to reaffirm their identity, but also to underline the genre’s relevance in 2026. The Swedish outfit’s third album is less about reviving the past and more about reinterpreting it with surgical precision, balancing modern polish with an unmistakable ’80s soul without ever sounding derivative.
Opening track “Wild Heart” sets the tone with elegance. Its gradual build — from atmospheric keyboard layers to the full-band arrival — showcases clear compositional maturity. The interplay between clean and distorted guitars is not merely aesthetic, but narrative, while the solo favors melody over flash, a recurring trait throughout the record.
The title track, “Guilty Pleasure”, injects immediate energy with a more direct, hard-edged approach, reinforcing the pillars of classic melodic hard rock. Here, Grand plays with familiar conventions — expansive choruses, driving rhythms — yet avoids cliché thanks to a production that prioritizes impact without sacrificing clarity. It’s a chorus built to linger.
“Have a Little Faith in Me” shifts the album back into AOR territory, though with enough nuance to avoid predictability. Changes in tempo and intelligent vocal layering elevate the track beyond genre standards. There’s a clear intent to engage the listener not just through hooks, but through progression.
On “Coldhearted”, Grand flirt with more contemporary textures. The guitars, at times bordering on synthetic, broaden the band’s sonic palette, while the solo evolves organically from lyrical phrasing into a more technical approach. Mattias Olofsson’s vocal performance deserves particular praise: controlled, expressive, and technically assured without excess.
The accessible “Party Galore” could easily fall into predictable territory, yet thrives on execution. The Bryan Adams influence is evident, but reinterpreted with personality. The use of layered vocals and the construction of the chorus reveal a sharp understanding of how to craft anthemic moments without compromising structural sophistication.
With “Still So Beautiful”, the album expands its vocabulary. The inclusion of saxophone, far from feeling like an ’80s cliché, is tastefully integrated, enriching the track’s texture. The transitions between restrained passages and melodic peaks highlight a refined command of dynamics.
The cinematic “I’m Ready” reinforces the album’s expansive character. Johannes Arvidsson’s bass takes on a more prominent role, adding rhythmic complexity, while Maja Thorén’s keyboards act as a cohesive force. It’s one of the moments where Grand most clearly step beyond their influences.
“Undo” marks the album’s heaviest and most modern point. Without abandoning their roots, the band embraces contemporary tones and approaches, demonstrating a clear awareness of the present. Axel Nilsson’s drumming is pivotal here, both in tone and drive, contributing to the track’s density.
On “Amelie”, Grand fully embrace the epic. References to bands like Toto and Bon Jovi are unmistakable, yet function more as a language than a crutch. The arrangement is carefully constructed, allowing each element — particularly keyboards and guitars — to breathe and shine.
“Beggin’” stands out by incorporating blues, gospel, and even jazz influences, expanding the album’s stylistic reach. It’s a track that demands more from the listener, both structurally and harmonically, and for that very reason becomes one of the record’s most daring moments.
Closing track “Love Me Or Leave Me” opts for a more intimate, almost acoustic approach, serving as an emotional counterpoint to the rest of the album. Its gradual build and organic instrumentation reinforce its sensitivity, ending the record on an elegant and cohesive note.
Ultimately, “Guilty Pleasure” is not just an exercise in style, but a statement of intent. Grand demonstrate a deep understanding of AOR and melodic hard rock mechanics, using that knowledge not to replicate formulas, but to refine them. In a genre so often tied to the past, this album sounds strikingly present — and, at its best, essential.
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| Johan Larsson |
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Rozario: Hinos de aço e fogo (Also In English)
Por Flavio Borges
Após causar excelente impressão com To The Gods We Swear em 2023, os noruegueses do Rozario retornam com um trabalho ainda mais ambicioso e seguro de sua identidade artística. Northern Crusaders não apenas amplia os horizontes sonoros apresentados no disco anterior, como também consolida a banda entre os nomes mais promissores da nova geração do heavy metal melódico europeu. Em vez de simplesmente reproduzir fórmulas nostálgicas, o grupo compreende que a essência do metal clássico está menos na reverência estética e mais na capacidade de transformar riffs, melodias e refrães em experiências grandiosas.
Com produção robusta assinada por Trond Holter (Jorn , Wig Wam) e a adição do jovem guitarrista Taran Lister, o álbum exibe uma sonoridade ampla, poderosa e extremamente coesa. Há ecos evidentes de gigantes do gênero, mas o Rozario evita cair na armadilha da simples homenagem. O que se encontra aqui é uma banda que entende perfeitamente a linguagem do heavy metal tradicional e a utiliza para construir algo moderno, vibrante e genuinamente apaixonado.
A abertura com “Fire and Ice” já deixa clara a proposta do álbum: heavy metal direto, épico e sem excessos desnecessários. Os riffs surgem afiados, a cozinha baixo/bateria trabalha com precisão cirúrgica e os vocais aparecem carregados de imponência. O refrão, sustentado por coros grandiosos e backing vocals extremamente bem posicionados, possui aquele caráter imediato típico dos grandes hinos do gênero. Sem reinventar a roda, a faixa acerta justamente por entender que impacto e execução ainda são elementos fundamentais no metal tradicional.
Mantendo o tom heroico do disco, “We Are One” aposta em uma construção mais melódica e emocional. O tema inicial de guitarra conduz a faixa para uma levada cadenciada enriquecida por teclados e piano discretamente inseridos na mixagem. O refrão é colossal — claramente pensado para ser entoado por grandes audiências — enquanto as guitarras trabalham em perfeita sintonia entre peso e melodia. Há uma forte influência de power metal europeu aqui, mas equilibrada por uma abordagem mais clássica e orgânica. David demonstra excelente controle vocal, escolhendo timbres e intensidades com inteligência ao longo de toda a música.
“Down Low” introduz uma abordagem mais pesada e moderna, tanto na estrutura instrumental quanto em determinadas linhas vocais. O andamento mais arrastado adiciona variedade ao repertório sem quebrar a identidade do álbum. Embora o refrão não alcance o mesmo impacto épico das faixas anteriores, a música funciona justamente por expandir o alcance sonoro da banda. É um momento importante para demonstrar que o Rozario não pretende permanecer preso a uma única fórmula composicional.
Com “Free Forever”, a banda explora uma interessante combinação entre heavy metal tradicional e hard rock melódico. Os riffs mantêm o peso elevado, enquanto o refrão surge carregado de energia festiva graças ao excelente trabalho dos backing vocals. A seção rítmica funciona como uma engrenagem perfeitamente ajustada, oferecendo base sólida para o intenso trabalho das guitarras. O solo encaixa-se com naturalidade absoluta, reforçando o caráter vibrante da faixa. É daquelas músicas que praticamente exigem o movimento involuntário da cabeça do início ao fim.
O título do álbum praticamente ganha vida em “Crusader”. Desde a introdução grandiosa, quase litúrgica, a música assume postura de verdadeiro hino metálico. Mudanças de andamento, riffs clássicos e uma construção crescente desembocam em um refrão extremamente épico, onde os vocais assumem protagonismo absoluto. A atmosfera heroica é intensificada pelos coros e pelas camadas vocais cuidadosamente distribuídas na produção. É exatamente o tipo de faixa criada para transformar apresentações ao vivo em celebrações coletivas.
“Coming Home” abre espaço para uma abordagem mais melódica e refinada. A interação entre voz, guitarra e teclados cria uma ambientação rica, sustentada por uma base rítmica firme e elegante. Há claras reminiscências do Deep Purple da era The Battle Rages On..., especialmente no tratamento dado aos teclados e à dinâmica dos riffs. Os solos e licks distribuídos ao longo dos versos adicionam sofisticação à composição sem comprometer sua fluidez.
Uma das grandes faixas do álbum. “Die Like Warriors” abraça completamente a grandiosidade épica que define Northern Crusaders. A introdução baseada apenas em voz e guitarra cria expectativa antes da entrada triunfal de baixo e bateria. A partir daí, tudo cresce de maneira monumental até atingir um refrão que nasce com status de clássico. Os timbres foram escolhidos com extremo cuidado, e o trabalho de coros e dobras vocais amplia ainda mais a dimensão cinematográfica da música. É impossível não imaginar arenas inteiras cantando esse refrão em uníssono.
Mais direta e objetiva, “Until the Gods Are Calling” resgata elementos mais tradicionais do heavy metal oitentista. A dinâmica entre riffs pesados, versos conduzidos pela guitarra e refrões carregados de coros funciona com enorme eficiência. Existe novamente uma aproximação com o hard rock melódico em determinados momentos, mas sempre dentro da proposta central do álbum. O contraste com a grandiosidade da faixa anterior ajuda a manter a audição dinâmica e evita qualquer sensação de repetição estrutural.
“Sleepless” talvez seja a faixa mais atmosférica do disco. Após uma introdução pesada e marcada pelos teclados, a música assume contornos quase de power ballad antes de explodir em um refrão épico e emocional. O andamento mais lento e sombrio diferencia a composição do restante do repertório, enquanto pequenos elementos modernos adicionam textura sem descaracterizar a identidade da banda. O solo de guitarra surge como ponto alto emocional da faixa, reforçando seu caráter melancólico e introspectivo.
“The Warning” retorna imediatamente ao território épico. Desde os primeiros segundos, a música apresenta uma construção extremamente sólida, equilibrando peso, melodia e dramaticidade com precisão. O refrão aposta novamente em coros grandiosos, mas sem soterrar a interpretação principal de David — mérito tanto da produção quanto da inteligência dos arranjos. Tudo parece cuidadosamente calculado: melodias, timbres, dinâmica e estrutura trabalham em favor de uma experiência coesa e impactante.
A introdução remete imediatamente a “Wasted Years”, do Iron Maiden, mas “Haunted by the Past” rapidamente encontra sua própria personalidade. A forte presença dos teclados adiciona profundidade à composição, enquanto os backing vocals criam uma atmosfera quase de registro ao vivo durante os refrães. Após o solo, o destaque passa para a condução vocal, que leva a música ao encerramento mantendo o nível de energia do álbum em alta.
Encerrando o disco, “Betrayed” surpreende ao incorporar um groove distinto do restante do repertório. Mais moderna e carregada de influência hard/blues americana, a faixa mostra novamente a disposição do Rozario em expandir sua paleta sonora sem perder identidade. É um fechamento inteligente justamente por evitar repetir fórmulas já exploradas anteriormente.
Northern Crusaders é o tipo de álbum que reafirma por que o heavy metal tradicional continua relevante mesmo em tempos dominados por excessos de produção e fórmulas previsíveis. O Rozario demonstra enorme maturidade ao equilibrar peso, melodia, técnica e acessibilidade sem soar artificial ou excessivamente nostálgico. A produção é poderosa, os refrães são memoráveis e a dinâmica do repertório impede que o disco se torne cansativo em qualquer momento.
Mais do que simplesmente celebrar influências clássicas, o Rozario entrega um trabalho que compreende profundamente o espírito do gênero. Northern Crusaders não soa como um exercício de saudosismo — soa como uma banda determinada a carregar o heavy metal clássico para frente com convicção, personalidade e ambição genuína.
***ENGLISH VERSION***
After making a strong impression with To The Gods We Swear in 2023, the Norwegian metallers of Rozario return with an even more ambitious and self-assured effort. Northern Crusaders not only expands upon the sonic foundations laid by its predecessor, but also firmly establishes the band among the most promising names of the new generation of European melodic heavy metal. Rather than merely reproducing nostalgic formulas, the group understands that the essence of classic metal lies less in aesthetic reverence and more in the ability to transform riffs, melodies, and choruses into truly grand experiences.
With a powerful production handled by Trond Holter (Jorn, Wig Wam) and the addition of young guitarist Taran Lister, the album delivers a broad, commanding, and remarkably cohesive sound. There are obvious echoes of genre giants throughout the record, yet Rozario avoids the trap of becoming a mere tribute act. What emerges instead is a band that fully understands the language of traditional heavy metal and uses it to craft something modern, vibrant, and genuinely passionate.
Opening track “Fire and Ice” immediately establishes the album’s mission statement: direct, epic heavy metal stripped of unnecessary excess. The riffs arrive razor-sharp, the rhythm section operates with surgical precision, and the vocals carry undeniable authority. Supported by massive choirs and expertly placed backing vocals, the chorus possesses that instant, fist-raising quality that defines the genre’s greatest anthems. Without reinventing the wheel, the track succeeds because it understands that impact and execution remain essential elements of traditional metal.
Maintaining the album’s heroic tone, “We Are One” leans into a more melodic and emotional approach. The opening guitar theme guides the song into a mid-tempo groove enriched by subtly layered keyboards and piano textures. The chorus is colossal — clearly designed to be sung back by festival-sized crowds — while the guitars balance weight and melody with impressive finesse. There is a strong European power metal influence here, but it is tempered by a more organic and classic sensibility. David delivers an outstanding vocal performance, carefully selecting tones and dynamics throughout the song.
“Down Low” introduces a heavier and more modern dimension, both instrumentally and vocally. Its slower pacing adds welcome diversity to the album without compromising its identity. Although the chorus does not reach the same epic heights as the previous tracks, the song succeeds by broadening the band’s sonic range. It serves as an important reminder that Rozario has no intention of confining itself to a single compositional formula.
With “Free Forever,” the band explores an engaging fusion of traditional heavy metal and melodic hard rock. The riffs remain heavy, while the chorus bursts with celebratory energy thanks to the excellent backing vocal arrangements. The rhythm section functions like a perfectly tuned machine, providing a solid foundation for the dynamic guitar work. The solo fits naturally into the composition, reinforcing the song’s vibrant character. It is the kind of track that practically demands involuntary headbanging from start to finish.
The album’s title truly comes alive in “Crusader.” From its grand, almost liturgical introduction, the song presents itself as a genuine metal anthem. Tempo changes, classic riffs, and a steadily escalating structure culminate in an enormously epic chorus where the vocals take center stage. The heroic atmosphere is intensified by carefully layered choirs and vocal harmonies throughout the production. This is exactly the type of song built to transform live performances into collective celebrations.
“Coming Home” opens the door to a more melodic and refined side of the band. The interplay between vocals, guitars, and keyboards creates a rich atmosphere supported by an elegant and steady rhythm section. There are clear reminiscences of Deep Purple during The Battle Rages On... era, particularly in the keyboard textures and riff dynamics. The solos and guitar licks woven throughout the verses add sophistication to the composition without sacrificing its fluidity.
One of the album’s undeniable highlights, “Die Like Warriors” fully embraces the epic grandeur that defines Northern Crusaders. The introduction, built solely around voice and guitar, creates anticipation before the triumphant entrance of bass and drums. From there, everything grows monumentally until reaching a chorus that feels destined to become an instant classic. The tones were chosen with exceptional care, and the layered choirs and vocal harmonies amplify the song’s cinematic scale even further. It is impossible not to imagine entire arenas singing along in unison.
More direct and straightforward, “Until the Gods Are Calling” revisits the more traditional side of ‘80s heavy metal. The interplay between crushing riffs, guitar-driven verses, and choir-laden choruses works with tremendous efficiency. Once again, traces of melodic hard rock emerge in certain moments, though always within the album’s central framework. The contrast with the previous track’s grandiosity helps maintain the album’s dynamic pacing and prevents any sense of structural repetition.
“Sleepless” is perhaps the album’s most atmospheric composition. After a heavy keyboard-driven introduction, the song evolves into something close to a power ballad before exploding into an emotional and epic chorus. Its darker and slower pacing sets it apart from the rest of the material, while subtle modern elements add texture without compromising the band’s identity. The guitar solo emerges as the emotional centerpiece of the track, reinforcing its melancholic and introspective character.
“The Warning” immediately returns the album to epic territory. From the opening moments, the song showcases an exceptionally solid construction, balancing heaviness, melody, and dramatic tension with precision. Once again, the chorus relies on massive choirs, though never at the expense of David’s lead vocal performance — a testament both to the production quality and the intelligence of the arrangements. Everything feels meticulously crafted: melodies, tones, dynamics, and structure all work together to create a cohesive and impactful experience.
The introduction to “Haunted by the Past” instantly recalls “Wasted Years” by Iron Maiden, yet the song quickly establishes its own identity. The strong presence of keyboards adds depth to the composition, while the backing vocals create an almost live-performance atmosphere during the choruses. After the solo section, the spotlight shifts to the vocal delivery, which guides the track toward its conclusion while keeping the album’s energy level consistently high.
Closing the album, “Betrayed” surprises by incorporating a groove distinct from the rest of the record. More modern and infused with American hard rock and blues influences, the track once again demonstrates Rozario’s willingness to expand its sonic palette without losing its identity. It is a smart conclusion precisely because it avoids simply repeating formulas already explored earlier in the album.
Northern Crusaders is the kind of album that reaffirms why traditional heavy metal remains relevant even in an era dominated by overproduction and predictable formulas. Rozario displays remarkable maturity in balancing heaviness, melody, technique, and accessibility without ever sounding artificial or excessively nostalgic. The production is powerful, the choruses are memorable, and the album’s pacing prevents it from becoming tiresome at any point.
More than simply celebrating classic influences, Rozario delivers a work that deeply understands the spirit of the genre. Northern Crusaders does not feel like an exercise in nostalgia — it sounds like a band determined to carry classic heavy metal forward with conviction, personality, and genuine ambition.
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Geoff Tate: Mindcrime sem Revolução (Also In English)
Por Flavio Borges
Geoff Tate sempre carregará o peso de um paradoxo difícil de escapar: ao mesmo tempo em que ajudou a criar um dos álbuns conceituais mais importantes da história do metal, passou as últimas décadas orbitando a própria sombra artística.
Operation: Mindcrime III nasce justamente dessa contradição — um disco inevitavelmente condenado à comparação com um monumento que redefiniu os limites narrativos e musicais do metal progressivo em 1988.
O aspecto mais interessante, porém, é que Tate parece plenamente consciente disso. Em vez de tentar reproduzir artificialmente a tensão política e a urgência quase revolucionária do primeiro Operation: Mindcrime, o cantor opta por uma abordagem mais crepuscular, psicológica e desencantada. Se o álbum original era movido por paranoia urbana, manipulação ideológica e raiva social, esta terceira parte soa como o retrato de personagens corroídos pelo tempo, pela culpa e pela deterioração moral.
Musicalmente, o disco abandona qualquer pretensão de soar vintage. A produção de John Moyer e Kieran Robertson mergulha em uma estética moderna, limpa e cinematográfica, muito mais próxima do metal progressivo contemporâneo do que do Queensrÿche clássico. As guitarras possuem menos protagonismo riffístico e trabalham mais como ferramentas atmosféricas, enquanto os teclados e camadas eletrônicas ocupam papel fundamental na construção de ambiência. É uma escolha que certamente afastará parte dos fãs mais tradicionalistas, mas que ao menos impede o álbum de se transformar em um tributo involuntário ao passado.
Ainda assim, o trabalho encontra dificuldades em sustentar o mesmo nível de impacto dramático que tornou o original tão memorável. Falta aqui aquele senso permanente de tensão e perigo que fazia cada faixa do disco de 1988 soar como um capítulo indispensável de um thriller político distorcido. Em Operation: Mindcrime III, a narrativa é mais difusa, menos visceral, e ocasionalmente se perde em estruturas excessivamente lineares.
Isso não significa ausência de bons momentos. “The Scene of the Crime” abre o álbum com imponência quase cinematográfica, enquanto “You Know My Fucking Name” entrega uma das performances mais agressivas de Tate em anos, evocando fragmentos da teatralidade sombria que marcou sua melhor fase. Já “Vulnerable” e “Do You Still Believe?” revelam o verdadeiro núcleo emocional do disco: músicas que trocam confrontação por introspecção e apostam numa melancolia amarga que permeia praticamente toda a obra.
O grande diferencial continua sendo a voz de Tate. Embora naturalmente distante do alcance e da potência absurdamente precisos de sua juventude, ele compensa qualquer limitação técnica com interpretação. Poucos vocalistas no metal conseguem narrar personagens e emoções com tamanha carga dramática. Em muitos momentos, é justamente sua presença que impede o álbum de escorregar para uma experiência excessivamente genérica dentro do metal progressivo moderno.
Liricamente, o disco também reflete um artista envelhecido — no melhor e no pior sentido. As críticas sociais e políticas continuam presentes, mas agora aparecem filtradas por um sentimento de resignação quase existencialista. Não há mais revolução; há apenas consequências. Nikki já não parece um símbolo de rebeldia, mas um sobrevivente emocionalmente destruído por décadas de manipulação, violência e desencanto.
Talvez esse seja precisamente o ponto central de Operation: Mindcrime III: não revisitar o passado para glorificá-lo, mas para demonstrar o quanto seus personagens — e talvez o próprio Geoff Tate — foram consumidos pelo tempo. É um álbum menos explosivo, menos inovador e certamente menos essencial que seu predecessor lendário. Contudo, também é uma obra surpreendentemente honesta dentro de suas próprias limitações.
No fim, Operation: Mindcrime III dificilmente ocupará espaço entre os grandes capítulos da carreira de Geoff Tate. Mas tampouco soa como uma tentativa desesperada de reviver glórias antigas. Em vez disso, apresenta um artista confrontando diretamente o peso do próprio legado — e encontrando, em meio às ruínas, uma forma madura, sombria e ocasionalmente fascinante de continuar a história.
***ENGLISH VERSION***
Geoff Tate will always carry the weight of a difficult paradox: while he helped create one of the most important concept albums in metal history, he has also spent the last few decades orbiting the shadow of that very achievement. Operation: Mindcrime III emerges precisely from this contradiction — an album inevitably doomed to comparisons with the monument that redefined the narrative and musical boundaries of progressive metal back in 1988.
What makes the record particularly interesting, however, is that Tate seems fully aware of that burden. Rather than artificially attempting to recreate the political tension and revolutionary urgency of the original Operation: Mindcrime, he embraces a far more twilight-driven, psychological, and disillusioned approach. If the first album was fueled by urban paranoia, ideological manipulation, and social rage, this third chapter feels like the portrait of characters eroded by time, guilt, and moral decay.
Musically, the album abandons any ambition of sounding vintage. The production by John Moyer and Kieran Robertson dives headfirst into a modern, polished, cinematic aesthetic that sits far closer to contemporary progressive metal than to classic Queensrÿche territory. The guitars no longer dominate through sharp riff-driven aggression, functioning instead as atmospheric tools, while keyboards and subtle electronic layers play a crucial role in shaping the album’s immersive mood. It is a decision that will undoubtedly alienate some old-school fans, but it also prevents the record from becoming an involuntary tribute act to its own past.
Still, the album struggles at times to sustain the same dramatic intensity that made the 1988 original so unforgettable. Missing here is that constant sense of tension and danger that once made every track feel like an essential chapter in a dystopian political thriller. On Operation: Mindcrime III, the narrative feels looser, less visceral, and occasionally trapped within structures that are simply too linear to fully captivate.
That does not mean the album lacks strong moments. “The Scene of the Crime” opens the record with almost cinematic grandeur, while “You Know My Fucking Name” delivers one of Tate’s most aggressive vocal performances in years, evoking flashes of the dark theatricality that once defined his prime. Elsewhere, “Vulnerable” and “Do You Still Believe?” reveal the album’s true emotional core — songs that replace confrontation with introspection and lean heavily into the bitter melancholy that permeates the entire work.
The album’s greatest asset remains Tate himself. While naturally far removed from the astonishing range and surgical precision of his younger years, he compensates for any technical limitations through sheer interpretive power. Few vocalists in metal possess his ability to embody characters and emotions with such dramatic weight. In many ways, it is his presence alone that prevents the album from slipping entirely into the realm of generic contemporary progressive metal.
Lyrically, the album also reflects an artist growing older — both for better and for worse. The political and social commentary remains intact, but it is now filtered through an almost existential sense of resignation. There is no revolution left here; only consequences. Nikki no longer feels like a symbol of rebellion, but rather a man emotionally shattered by decades of manipulation, violence, and disillusionment.
Perhaps that is ultimately the album’s central purpose: not to revisit the past in order to glorify it, but to demonstrate how deeply its characters — and perhaps Geoff Tate himself — have been consumed by time. It is a record less explosive, less innovative, and certainly less essential than its legendary predecessor. Yet it is also a surprisingly honest work, fully aware of both its limitations and its legacy.
In the end, Operation: Mindcrime III is unlikely to stand among the defining achievements of Geoff Tate’s career. But neither does it feel like a desperate attempt to relive former glories. Instead, it presents an artist confronting the crushing weight of his own legacy — and somehow finding, among the ruins, a mature, dark, and occasionally fascinating way to continue the story.
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| Divulgação |
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP
[ATUALIZADO]
O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.
Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.
Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.
A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições.
ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.
Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.
Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.
EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.
Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.
Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.
A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.
A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.
Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.
Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.
Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor.
ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Edu Lawless
O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.
A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica, contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de “Pieces” ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.
Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Kostyuk, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano de Tatiana: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.
Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais. Mais do que técnica, o Jinjer entregou uma experiência que permanece daquelas que ficam no corpo e na memória.
KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.
Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa – explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.
PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Marcos Hermes
No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça porque é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow (2023), mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the SouL (2021), garantindo conexão imediata com os fãs.
No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas caretas que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega.
O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. Caminhando para o final da apresentação, Fernanda perguntou ao público se ainda dava tempo para uma “mais uma rápida”. A resposta veio imediata, em coro, e assim a banda iniciou um de seus grandes sucessos, “Starvation”, do álbum Echoes of the Soul (2021), levando a plateia a um dos momentos mais intensos do show. Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras e preconceitos, provando, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.
ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).
Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.
Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.
Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.
The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.
Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.
ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Edu Lawless
Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power metal e elementos do metal extremo, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas, uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.
No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética, dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Atualmente, Adrienne também realiza um trabalho elogiado ao lado de Tobias Sammet no Avantasia e de Roy Khan, ex-Kamelot, algo que reforça ainda mais a dimensão do seu talento e presença dentro do metal atual. Já o guitarrista Jack Kosto surge como um verdadeiro espetáculo à parte, entregando solos marcantes e técnica impressionante, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.
Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb” e “Love’s Souvenir”. Antes de cantar “Architect of Creation” Adrienne diz que a próxima canção seria aquela do clipe em que ela é crucificada em meio a uma nevasca, uma das músicas mais pesadas do último álbum, deixando o público ainda mais entusiasmado.
A banda reforça a sua força criativa, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não falta. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.
A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!
Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Edu Lawless
Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.
Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve – comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.
A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.
Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.
Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.
O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.
Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.
O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.
O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.
Realização: Bangers Open Air
Press: Agência Taga
Lucifer – setlist:
Anubis
Crucifix (I Burn for You)
Riding Reaper
Lucifer
Wild Hearses
At the Mortuary
Slow Dance in a Crypt
The Dead Don't Speak
California Son
Bring Me His Head
Goin' Blind (KISS cover)
Fallen Angel
Evergrey – setlist:
Falling From the Sun
Where August Mourn
Weightless
The World Is on Fire
Eternal Nocturnal
Call Out the Dark
King of Errors
Architects of the New Weave
Leaving the Emptiness
OXYGEN!
Feuerschwanz – setlist:
Drunken Dragon
Memento Mori
Untot im Drachenboot
Knightclub
Bastard von Asgard
Name der Rose
Ultima Nocte
Testament
Berzerkermode
Dragostea din tei (O‐Zone cover)
Valhalla
Das Elfte Gebot
Killswitch Engage – setlist:
Fixation on the Darkness
In Due Time
The End of Heartache
Aftermath
Rose of Sharyn
This Is Absolution
Broken Glass
Hate by Design
Forever Aligned
The Signal Fire
I Believe
The Arms of Sorrow
Strength of the Mind
This Fire
My Curse
My Last Serenade
Holy Diver (Dio Cover)
Crÿpta – setlist:
Death Arcana
Lullaby for the Forsaken
Poisonous Apathy
The Outsider
I Resign
Stronghold
Under the Black Wings
Dark Clouds
The Other Side of Anger
Trial of Traitors
Dark Night of the Soul
Starvation
Lord of Ruins
From the Ashes
Black Label Society – setlist:
Funeral Bell
Name in Blood
Destroy & Conquer
A Love Unreal
Heart of Darkness
No More Tears (Ozzy Osbourne cover)
In This River
The Blessed Hellride
Set You Free
Fire It Up
Suicide Messiah
Ozzy’s Song
Stillborn
Seven Spires – setlist:
Songs Upon Wine-Stained Tongues
Almosttown
No Words Exchanged
Oceans of Time
Unmapped Darkness
Succumb
Shadow on an Endless Sea
Portrait of Us
Architect of Creation
Love's Souvenir
Arch Enemy– setlist:
Yesterday Is Dead and Gone
The World Is Yours
Ravenous
War Eternal
Dream Stealer
To the Last Breath
Blood Dynasty
My Apocalypse
Bury Me an Angel
The Eagle Flies Alone
No Gods, No Masters
I Am Legend/Out for Blood
Dead Bury Their Dead
Snow Bound
Nemesis
Fields of Desolation
















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