A banda Kadavar retornou ao Brasil para um show exclusivo no Carioca Club, em São Paulo. Promovendo o último trabalho, I Just Want To Be A Sound (2025), o evento marcou o retorno dos alemães após uma espera de oito anos e contou com dois nomes de peso da cena nacional, Hammerhead Blues e Espectro, que transformaram as apresentações em um portal direto aos anos 70.
A responsabilidade de abrir a noite coube ao Hammerhead Blues, e a banda paulistana cumpriu a tarefa com maestria. Com seu blues rock carregado de peso e psicodelia, o trio formado por Otavio Cintra (vocal e baixo), Luiz Cardim (guitarra) e Willian Paiva (bateria) entregou um setlist coeso e envolvente. Desde a abertura com "Hero", a banda demonstrou um entrosamento incrível, com riffs marcantes e uma cozinha que comandava o ritmo. Faixas como "Roger’s Cannabis Confusion" e "Black Abyss" solidificaram a atmosfera psicodélica, enquanto "Traveller", "Age of Void" e "Around The Sun" mostraram a versatilidade do grupo em construir climas que transitam entre o arrastado e o energético, deixando claro que o grupo sabe entregar uma boa performance ao vivo.
Na sequência, o Espectro elevou a intensidade com uma pegada mais sombria e agressiva. A banda, conhecida por seu doom/stoner metal com letras em português, trouxe uma intensidade visceral ao palco. O line up com Reinaldo Zonta (vocal), João Wegher (guitarra), Luan Bremer (guitarra), Felipe Rippervert (baixo) e Karina D’Alessandre (bateria) trouxe um setlist que incluiu "The Ritual", "Twist the Knife" e "Death Dealing", foi uma sucessão de riffs arrastados, vocais agressivos e uma atmosfera que beirava a um ritual. A performance de "Wicked Life", "1000 Nights" e "Lost in the Aether" demonstrou a capacidade do Espectro de criar um ambiente sonoro denso e hipnótico, com passagens que alternavam momentos de pura fúria com outros de contemplação sombria, deixando o público completamente imerso em sua música.
Era hora e o Kadavar tomou o palco alguns minutos antes do previsto e, logo que iniciaram a apresentação com “Goddess of Dawn”, transformou o Carioca Club em uma catedral do rock psicodélico dos anos 70. O quarteto alemão, com sua formação minimalista e presença magnética, entregou uma performance impecável, cheia de energia vintage e riffs que pareciam saídos de um vinil antigo, assim como seus figurinos setentistas. "Lies" e "Doomsday Machine" seguiram com a mesma intensidade, com o som massivo e cru que é a marca registrada do Kadavar, fazendo o público vibrar desde as primeiras notas.
A performance dos alemães é um testemunho da força do rock old school e da autenticidade. Christoph "Lupus" Lindemann na guitarra e vocal, Simon "Dragon" Bouteloup no baixo, Christoph "Tiger" Bartelt na bateria e Jascha Kreft na guitarra formam uma máquina sonora impecável. O som era colossal, com o timbre da guitarra de Lupus preenchendo cada canto do ambiente junto com Jascha Kreft, o baixo de Dragon pulsando com um groove hipnótico e a bateria de Tiger ditando o ritmo com precisão e potência avassaladoras. A banda não precisa de grandes artifícios de palco; sua presença é magnética, e a música fala por si.
“Last Living Dinosaur” e “Black Sun” aprofundaram a atmosfera setentista que define o Kadavar. Os riffs soavam pesados sem perder a fluidez, enquanto a banda explorava bem as dinâmicas das músicas. “The Old Man” manteve o ritmo frenético, daqueles que fazem o público balançar a cabeça quase automaticamente. Com uma dinâmica diferente, “Explosions in the Sky” expôs uma aura à la Beatles, meio psicodélica, para dar uma aliviada em meio a tantos riffs. Mas durou pouco: logo mandaram “Total Annihilation”, a música mais rápida da banda e talvez uma das mais pesadas do catálogo deles, que não deixou ninguém parado.
A reta final do set principal foi sensacional, com "Scar on My Guitar" e "Purple Sage" demonstrando a maestria da banda em criar riffs memoráveis junto a atmosferas densas em meio a uma psicodelia alucinante. O ápice veio com "Die Baby Die", que encerrou essa parte com uma explosão de energia, deixando o público sedento por mais. Os aplausos e gritos de "Kadavar! Kadavar!" tomaram conta do Carioca Club, clamando pelo retorno do quarteto.
O encerramento foi épico. “Regeneration” trouxe uma sonoridade mais moderna sem perder a identidade da banda. “Come Back Life” veio com uma carga emocional forte, e o grand finale com “All Our Thoughts” fechou a noite de forma perfeita, deixando o ar carregado de fumaça, suor e satisfação. Em suma, as apresentações foram um triunfo para o rock pesado. Desde as performances sólidas e envolventes de Hammerhead Blues e Espectro, que aqueceram o público com suas respectivas doses de groove e peso, até a apresentação magistral do Kadavar, que entregou um espetáculo de rock setentista com uma energia contagiante. Durante o show, o Kadavar se permitiu alongar as músicas, brincar com texturas e criar momentos imersivos e imprevisíveis. Diante de tudo isso, pode-se dizer que foi uma experiência completa, que celebrou a força e a vitalidade do gênero, deixando a certeza de que o bom e velho rock and roll está mais vivo do que nunca.

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