A estreia da HÖMELESS com o álbum “Obscuro Lado da Alma” chega naquele clima cru e sem firula que muita gente da cena underground prefere de verdade. A banda paulista está na ativa desde 2010 e aposta num Crossover raivoso, cheio de atitude punk e pegada direta. A presença do experiente baterista Spaghetti, conhecido por sua passagem pelo Ratos de Porão, junto do guitarrista e vocalista Vinícius Vak, já entrega logo de cara que a bolachinha vem com pedigree dentro para se destacar dentro da cena.
A produção do disco é suja na medida
certa, sem aquele polimento exagerado que às vezes tira a alma do som.
Aqui a ideia é outra: manter o clima cru e visceral que o estilo pede,
com várias referências ao Thrash Metal, indo mais para o lado do Slayer.
Nesse cenário, Spaghetti manda ver atrás da bateria, despejando
velocidade e técnica sem perder o peso com muita intensidade. É aquele
tipo de batera que segura a bronca do começo ao fim, deixando tudo com a
pancadaria necessária para o disco funcionar.
Do outro lado, Vinícius Vak segura
bem as pontas nos vocais e mostra versatilidade dentro da proposta da
banda. O cara entrega interpretações intensas, combinando perfeitamente
com as letras cantadas em português, que mergulham em temas pesados como
violência, decadência social, cotidiano urbano e os lados mais sombrios
da natureza humana. Entre as faixas, “Falsos Deuses, Falsos Profetas” chama muita atenção — talvez a mais perturbadora do álbum — enquanto “Frio da Morte” traz um clima denso que dá aquele nó na cabeça e faz refletir.
Outro momento que merece menção é “Formas de Acabar com a Vida”, que ainda conta com a participação de Alex Kafer, baixista e vocalista do The Troops of Doom. No fim das contas, “Obscuro Lado da Alma” chega como um debut honesto, direto e cheio de atitude. Não inventa moda, mas entrega exatamente o que promete: Crossover pesado, letras incômodas e aquela energia de garagem que faz o underground ser tão amado e idolatrado como ele é.
O guitarrista alemão Axel Rudi Pell retorna ao cenário com Ghost Town, seu 23º álbum de estúdio, reafirmando sua posição como um dos principais nomes do heavy metal melódico europeu. Com lançamento previsto para março de 2026, o trabalho mantém intacta a identidade sonora construída ao longo de décadas, combinando riffs marcantes, solos virtuosos e forte apelo melódico.
Para esta nova empreitada, Pell reúne um line-up de peso: o vocalista Johnny Gioeli (Hardline), parceiro de longa data; o baixista Volker Krawczak; o tecladista Ferdy Doernberg; e o lendário baterista Bobby Rondinelli (Rainbow, Black Sabbath, Blue Öyster Cult). A produção, assinada por Pell ao lado de Tommy Geiger (Blind Guardian, Helloween), garante clareza, potência e equilíbrio entre peso e sofisticação.
“The Regicide (Intro)” abre o álbum com uma introdução atmosférica marcada por guitarras limpas e timbres cuidadosamente trabalhados. Em pouco menos de dois minutos, estabelece o clima épico que conduz naturalmente à faixa seguinte.
“Guillotine Walk” evidencia a forte influência de Ritchie Blackmore na construção dos riffs e no fraseado da guitarra. A performance de Gioeli é intensa e segura, enquanto as dobras de guitarra que antecedem o solo reforçam o caráter clássico da composição.
Em “Breaking Seals”, a participação especial de Udo Dirkschneider adiciona peso e autenticidade ao metal tradicional apresentado. A faixa remete diretamente à escola germânica do gênero, com claras referências ao Accept, enquanto Gioeli demonstra versatilidade ao dividir os vocais com Udo em um duelo potente e equilibrado.
A faixa-título, “Ghost Town”, sintetiza a essência artística de Axel Rudy Pell: refrão impactante, base sólida e um solo melódico que conduz a música a seu clímax. Os teclados de Doernberg ampliam a atmosfera épica, sustentando a dramaticidade da composição.
Com “Holy Water”, o álbum mergulha em uma abordagem mais densa e solene. A introdução grandiosa evolui para uma seção em que baixo e teclado assumem protagonismo, enquanto os timbres de guitarra adotam uma sonoridade mais seca e pesada. O trabalho de Krawczak se destaca ao marcar as variações de andamento com precisão.
“The Enemy Within” surpreende ao iniciar como uma power ballad e evoluir para passagens mais cadenciadas, próximas do doom metal. A faixa revela de forma clara as influências clássicas que moldaram a carreira de Pell, transitando por atmosferas que remetem a Black Sabbath e Judas Priest, com Gioeli adaptando sua interpretação a cada nuance.
A energia retorna com força total em “Hurricane”, uma das composições mais velozes do disco. Rondinelli demonstra vigor impressionante, sustentando a intensidade da faixa do início ao fim. O solo de Pell alia velocidade e lirismo, enquanto o baixo se mantém audível e pulsante graças à produção refinada.
“Sanity” resgata o espírito do metal tradicional, com linhas inspiradas na estética sabbathiana e refrão marcadamente melódico. A interação entre baixo, teclado e bateria cria uma base sólida para que guitarra e voz se destaquem com naturalidade.
A power ballad “Towards The Shore” oferece um momento de respiro emocional. O piano de Doernberg conduz a atmosfera introspectiva, enquanto as guitarras alternam entre peso e delicadeza. Os duetos vocais no refrão ampliam o impacto dramático da composição.
Em “Steps Of Stone”, a influência do Rainbow se faz presente na ambientação épica e melódica. A seção rítmica sustenta a grandiosidade da faixa, abrindo espaço para mais um solo expressivo de Pell.
Encerrando o álbum, “Higher Call” apresenta a composição mais longa e estruturalmente complexa do trabalho. A faixa sintetiza a coesão do grupo e evidencia o acerto na escolha do line-up, funcionando como um desfecho robusto e sofisticado.
Com Ghost Town, Axel Rudi Pell reafirma sua fidelidade às raízes do heavy metal clássico, ao mesmo tempo em que mantém elevada qualidade técnica e produção moderna. O álbum dialoga diretamente com sua base consolidada de fãs, mas também possui atributos suficientes para conquistar novos ouvintes.
Mais do que um simples lançamento, Ghost Town se apresenta como uma celebração da trajetória de um artista que permanece relevante e inspirado após mais de duas décadas de carreira solo.
***ENGLISH VERSION***
German guitar virtuoso Axel Rudy Pell returns with Ghost Town, his 23rd studio album, reaffirming his status as one of the leading figures in European melodic heavy metal. Scheduled for release in March 2026, the album preserves the unmistakable sonic identity Pell has cultivated over decades — combining commanding riffs, soaring solos, and a strong melodic sensibility.
For this new chapter, Pell once again assembles a formidable line-up: longtime collaborator Johnny Gioeli (Hardline) on vocals, bassist Volker Krawczak, keyboardist Ferdy Doernberg, and legendary drummer Bobby Rondinelli (Rainbow, Black Sabbath, Blue Öyster Cult). The album’s production, handled by Pell alongside Tommy Geiger (Blind Guardian, Helloween), delivers clarity, power, and a refined balance between weight and sophistication.
“The Regicide (Intro)” opens the record with an atmospheric instrumental built around crystalline clean guitar tones and carefully sculpted textures. In under two minutes, it establishes an epic mood that seamlessly leads into the next track.
“Guillotine Walk” makes Pell’s affinity with Ritchie Blackmore unmistakable, particularly in the riff construction and expressive phrasing. Gioeli delivers a commanding vocal performance, while the twin-guitar harmonies preceding the solo reinforce the song’s classic heavy metal character.
On “Breaking Seals” the special appearance of Udo Dirkschneider adds both authority and grit. The track channels the spirit of traditional German heavy metal, with clear nods to Accept. Gioeli showcases impressive versatility as he shares vocal duties with Dirkschneider in a powerful and well-balanced exchange.
The title track, “Ghost Town” encapsulates Pell’s artistic essence: a soaring, anthemic chorus, a cohesive rhythmic foundation, and a melodic solo that drives the composition toward its climactic peak. Doernberg’s keyboards enrich the epic atmosphere, lending additional depth and drama.
With “Holy Water” the album shifts into darker, more solemn territory. An imposing introduction unfolds into an extended passage highlighting the interplay between bass and keyboards. Here, the guitar tones become drier and heavier, while Krawczak’s bass work stands out by accentuating the track’s dynamic transitions.
“The Enemy Within” begins deceptively as a power ballad before evolving into slower, doom-tinged passages. The song clearly reflects the classic influences that have shaped Pell’s career, moving through atmospheres reminiscent of Black Sabbath and Judas Priest, with Gioeli adapting his vocal delivery to each stylistic shift.
Energy surges back with “Hurricane” one of the album’s fastest and most aggressive tracks. Rondinelli delivers a performance marked by remarkable stamina and intensity, driving the song forward at full throttle. Pell’s solo blends speed with melodic precision, while the bass remains vibrant and audible thanks to the polished production.
“Sanity” revisits traditional metal roots with a Sabbath-inspired backbone and a distinctly melodic chorus. The tight interaction between bass, keyboards, and drums provides a solid platform for the guitar and vocals to shine.
The power ballad “Towards The Shore” offers an emotional respite. Doernberg’s piano work sets an introspective tone, while the guitars alternate between heaviness and delicacy. Layered vocal harmonies in the chorus enhance the track’s dramatic impact.
On “Steps Of Stone” echoes of Rainbow surface through its epic and melodic atmosphere. The rhythm section anchors the track’s grandeur, paving the way for another expressive and tastefully constructed solo from Pell.
Closing the album, “Higher Call” stands as the longest and most structurally ambitious composition on the record. It highlights the band’s cohesion and underscores the careful selection of each musician, serving as a powerful and sophisticated finale.
With Ghost Town, Axel Rudi Pell reaffirms his unwavering commitment to classic heavy metal while maintaining a contemporary production standard and consistently high musicianship. The album speaks directly to his loyal fanbase yet possesses the strength and accessibility to attract new listeners.
More than just another release, Ghost Town stands as a celebration of an artist who remains inspired, relevant, and creatively vital after more than two decades of solo career excellence.
Com Reckless, a cantora britânica Chez Kane reafirma sua posição como um dos principais nomes do hard rock contemporâneo com forte influência oitentista. O álbum é uma verdadeira celebração da estética sonora dos anos 80, combinando guitarras vibrantes, teclados marcantes e uma produção orgânica que valoriza cada elemento instrumental — tudo embalado por uma performance vocal segura e carismática.
A faixa-título, “Reckless”, abre o disco transportando o ouvinte diretamente para a era de ouro do hard rock. Os timbres de guitarra e teclado, aliados à sonoridade natural da bateria, estabelecem a identidade do trabalho logo nos primeiros segundos. O refrão explosivo reforça o apelo radiofônico da composição, enquanto o inesperado solo de sax adiciona personalidade e frescor à faixa.
Em “Personal Rock And Roll”, a energia é elevada. Direta e dinâmica, a música carrega forte potencial cinematográfico, remetendo às trilhas sonoras clássicas da década de 80. Com menos de três minutos, entrega um refrão memorável e um solo de guitarra eficiente, consolidando-se como um dos momentos mais vibrantes do álbum.
Já “Night of Passion” apresenta uma abordagem mais sofisticada, com forte influência do AOR. Os teclados assumem protagonismo, ampliando a paleta sonora e acrescentando uma camada mais madura ao repertório. Chez explora nuances vocais mais sutis, enquanto o sax e o solo de teclado reforçam o caráter melódico da composição.
O hard rock retorna com força em “Strip Me Down”, marcada por riffs imediatos e um refrão de fácil assimilação. A base sólida sustenta a interpretação versátil de Chez, enquanto o solo de guitarra figura entre os destaques técnicos do álbum.
“Tongue of Love” mantém a atmosfera oitentista com elegância. O baixo conduz a introdução, preparando o terreno para um refrão bem construído e melodicamente envolvente. A coesão instrumental evidencia o entrosamento da banda, resultando em uma das faixas mais cativantes do trabalho.
Mais acelerada e intensa, “Love Tornado” se destaca como a música mais pesada do disco. Com abordagem mais crua e menor presença de teclados, privilegia o peso das guitarras e a entrega vocal de Chez. A construção do refrão reforça sua vocação para performances ao vivo.
Em “Bad Girl”, após uma introdução que remete ao metal clássico, a faixa evolui para um hard rock consistente e pulsante. A bateria ganha protagonismo, com timbre preciso e impactante, contribuindo para a dinâmica do arranjo.
“Street Survivor” mantém o alto nível do repertório, apresentando backing vocals bem trabalhados e uma sólida interação entre baixo e bateria. A guitarra assume espaço para solos expressivos, enquanto Chez conduz a faixa com segurança e brilho.
“Too Dangerous” resgata a essência mais crua e energética do gênero. Simples, direta e eficiente, a música destaca a agressividade vocal de Chez, demonstrando amplitude e intensidade raras dentro do estilo.
Encerrando o álbum, “Bodyrock” aposta na estética clássica do hair metal. Com refrão direto, equilíbrio entre guitarras e teclados e uma base rítmica consistente, a faixa finaliza o disco mantendo a energia elevada e deixando a sensação de continuidade.
A produção de Danny Rexon (Crazy Lixx) é um dos pilares de Reckless, equilibrando modernidade e fidelidade à sonoridade clássica do gênero. Influenciada por nomes como Pat Benatar, Lee Aaron e Vixen, Chez Kane entrega seu trabalho mais sólido até o momento — um álbum coeso, vibrante e com forte apelo junto ao público do hard rock melódico.
Reckless não é apenas uma homenagem aos anos 80; é a reafirmação de que o estilo permanece vivo, relevante e capaz de dialogar com novas gerações.
***ENGLISH VERSION***
With Reckless, British vocalist Chez Kane further solidifies her status as one of the leading voices in contemporary hard rock with a strong ’80s-inspired edge. The album stands as a vibrant celebration of the decade’s sonic identity, blending soaring guitars, prominent keyboards and an organic production approach that allows each instrument to breathe — all anchored by Kane’s confident and charismatic vocal performance.
The title track, “Reckless” immediately transports listeners back to the golden age of hard rock. From its opening moments, the guitar and keyboard tones — combined with the natural punch of the drums — establish the album’s aesthetic direction. The explosive chorus delivers undeniable hook appeal, while an unexpected saxophone solo adds personality and a refreshing twist to the arrangement.
On “Personal Rock And Roll” the energy intensifies. Direct and dynamic, the track carries strong cinematic potential, evoking classic ’80s film soundtracks. Clocking in at under three minutes, it delivers a memorable chorus and a sharp, efficient guitar solo, making it one of the album’s most immediate highlights.
“Night of Passion” shifts gears with a more sophisticated AOR-driven approach. Keyboards take center stage, expanding the album’s sonic palette and adding a layer of maturity to the material. Kane explores subtler vocal nuances, while the presence of saxophone and a keyboard solo reinforces the song’s melodic depth.
Hard rock returns in full force with “Strip Me Down” built around punchy riffs and an instantly accessible chorus. A solid rhythmic foundation supports Kane’s versatile delivery, while the guitar solo stands out as one of the album’s technical high points.
“Tongue of Love” maintains the record’s ’80s atmosphere with elegance. The bass-driven introduction sets the tone before unfolding into a well-crafted, melodically engaging chorus. The band’s cohesion is particularly evident here, resulting in one of the album’s most captivating cuts.
Faster and heavier, “Love Tornado” emerges as the album’s most intense track. With a rawer edge and reduced keyboard presence, the song emphasizes driving guitars and Kane’s commanding vocal performance. Its anthemic chorus structure makes it a natural contender for live setlists.
Opening with a nod to classic metal, “Bad Girl” evolves into a solid, pulsating hard rock anthem. The drums take a prominent role, delivering precision and impact that enhance the track’s dynamic flow.
“Street Survivor” sustains the album’s high standard, featuring well-layered backing vocals and a tight interplay between bass and drums. Space is given for expressive guitar work, while Kane once again commands attention with a radiant vocal performance.
“Too Dangerous” captures the genre’s raw, high-energy essence. Stripped-down and straightforward, the track highlights Kane’s vocal intensity and range — qualities that set her apart within the melodic hard rock landscape.
Closing the album, “Bodyrock” leans confidently into classic hair metal aesthetics. With a direct, hook-driven chorus, balanced guitar and keyboard arrangements, and a steady rhythmic backbone, the track wraps up the record on an energetic note while leaving listeners wanting more.
Produced by Danny Rexon (Crazy Lixx), Reckless strikes an effective balance between modern clarity and faithful adherence to classic hard rock traditions. Drawing inspiration from artists such as Pat Benatar, Lee Aaron and Vixen, Chez Kane delivers what may well be her most cohesive and compelling work to date — a vibrant, hook-laden album poised to resonate strongly with fans of melodic hard rock.
Reckless is more than a nostalgic tribute to the 1980s; it is a confident statement that the genre remains alive, relevant and capable of connecting with new generations.
Num domingo ameno e chuvoso, a banda estadunidense de death metal Obituary tirou os curitibanos de casa para mostrar o motivo pelo qual estão há 40 anos na estrada sendo referência no gênero. No último domingo (22) no Tork N Roll, a produtora Caveira Velha, junto a Xaninho Discos, trouxeram uma trinca pesada para encerrar de vez esse mês de folia: Enslaver (Maringá), Rotborn (Bauru) e o headliner, Obituary (EUA).
Como sempre gosto de ressaltar, os eventos de ambas produtoras nunca decepcionam. Seja pela pontualidade assídua, quanto pela qualidade sonora e da produção de todo o evento. Soa um pouco brega dizer isso, mas o comprometimento com horários dentro do underground nem sempre é levado muito à sério, maa mesmo assim eles nos mostram que a cena não é bagunça da melhor forma possível, com o público entrando na casa exatamente 19h e com a banda de abertura à postos com seus instrumentos às 19h30.
Formada em 2015 e representando o Paraná, os meninos da Enslaver honraram seu lugar no evento, com músicas do seu álbum, “Side Evil”, e demais EPs. Com riffs rápidos e material muito interessante, eles conseguiram conquistar um público surpreendente para um show de abertura em Curitiba, com direito a mosh na quarta música, Death Curse, em diante. O thrash metal formado por letras sobre resistência trouxe um suspiro de alívio para os fãs do gênero ao mostrar qualidade e humildade, agradecimentos por parte da banda em meio as pausas do set.
Um pouco adiantados, Rotborn entrou ao palco com três minutos antes do previsto com uma presença de palco e energia contagiante. Um vocal visceral de grindcore misturado ao som pesado de death nos instrumentos, os jovens da platéia se deixaram levar e formaram um mosh logo na segunda música, que se estendeu até o final da apresentação, com direito a manejo de classe do vocalista num “Abram a roda, por favor” quando o público começou a se amontoar. Mesmo quem não estava na “baguncinha gostosa”, como apelidei carinhosamente, estava curtindo o show batendo a cabeça em Ungraved, o que gerou um momento curioso: todos batendo a cabeça no mesmo ritmo.
Vale ressaltar que foi minha primeira vez presenciando um show de metal pesado. Já tinha uma certa noção de como seria, pois já fui a eventos punk no passado, mas foi muito interessante perceber como a plateia era uma perfeita mistura entre gêneros e idades, onde quase metade eram mulheres, além de umas crianças aqui e ali. Todas as gerações do death metal estavam presentes para prestigiar os ídolos do Obituary.
Às 21h30, a primeira nota de “Redneck Stomp” soou nos alto-falantes do Tork N Roll, fazendo a multidão sacar os celulares para o alto a fim de recordar o momento. Muitos ali pareciam estar esperando há muito tempo para ver a banda ao vivo.
O setlist, diferente do que imaginei, não tocou o álbum “Cause of Death” na íntegra, mas misturou alguns de seus sons bem conhecidos, assim como do último trabalho, “Dying of Everything”. As primeiras músicas, “Sentence Day”, “A Lesson in Vengeance” e “The Wrong Time”, aproveitaram o ânimo do público para mostrar que os veteranos continuam mantendo um alto padrão de composições nos últimos discos.
As músicas tocadas do Cause of Death me surpreenderam ao vivo, pois achei muito melhor do que a performance do disco. Com as sete músicas tocadas desse álbum, a voz de John Tardy é espacial e cativante no palco, ecoando nos ouvidos assim como os acordes da banda, mesmo após 35 anos. Foi admirável ver todos no mesmo ritmo, numa performance digna de respeito.
Trazendo “I’m In Pain” e fechando com a mais esperada “Slowly We Rot”, foi interessante como o Obituary trouxe o espetáculo também na montagem do set, sem deixar que o show se tornasse cansativo para ninguém da plateia, que a todo momento se mostrava frenética desde o primeiro segundo da apresentação, assim como abordou títulos importantes de toda sua carreira, deixando o público satisfeito com o que viu.
Um período emblemático do calendário brasileiro é o feriado prolongado do carnaval, uma comemoração tão marcante que, por consciência coletiva, foi considerada como o marco do início de um período: todo e qualquer ano só se inicia, de fato, após findar tal comemoração.
Para além disto, ele é um feriado produzido para agradar todos os tipos de públicos, de gregos a troianos: seja quem gosta de sentir o Sol escaldante atrás dos blocos, seja para quem prefere estar presente nos retiros religiosos, ou até mesmo para quem prefere curtir aquele video-game ou um Netflix no conforto dos seus lares.
Felizmente, os amantes de uma música extrema estavam bem-servidos no marco zero do Rock e do Metal no Brasil: a capital paulista. Logo no primeiro dia oficial das celebrações carnavalescas, o SESC Bom Retiro hospedou uma celebração ao Metal extremo com uma autêntica instituição do Thrash Metal nacional: o TORTURE SQUAD.
O primeiro show do ano da banda foi arquitetado de maneira diferenciada: um Teatro, ao invés do palco convencional que uma barricada de riffs agressivos e bateria avassaladora que percorrem o seu caminho, já que “diferenciada” foi a palavra de ordem para esta apresentação.
“CARNAVAL” POSSUI MAIS DE UM SIGNIFICADO NO DICIONÁRIO
Para uma parcela, o último dia 13 de fevereiro foi o primeiro show do ano, o que era causa suficiente para uma animação acima do convencional. Animação esta que pôde ser vista com o público dispersado dentro do teatro do SESC Bom Retiro, mesmo após dar o horário marcado de 20h, socializando com os seus pares. Acontece que esta sensação teria vida curta, pois apesar de ser com atraso, na exata minutagem de 20:11, as luzes se apagaram para dar início à construção de uma atmosfera apropriada.
Proferindo as primeiras notas, HELL IS COMING tem sido uma tradição quase religiosa no uso do começo dos shows do TORTURE SQUAD desde que “Devilish” foi lançado, e assim como o próprio título implica, a avalanche sonora que ela carrega é um convite para quem escuta a adentrarem os portões do Inferno, tal como ocorre no Rio Aqueronte, ponto inicial dos domínios de Hades, o Imperador dos Mortos da mitologia grega.
Sem espaço para sequer a duração de uma batida cardíaca entre uma canção e outra, FLUKEMAN é emendada logo no final da anterior, seguindo o hábito do repertório estar mais centrado no lançamento mais recente, “Devilish” (2023), cujo trabalho teve o ponto de reforçar ainda mais a mescla de duas das vertentes mais extremas do Metal desde o advento de Mayara Puertas e Rene Simionato, há mais de dez anos atrás (em 2015), respectivamente nas tarefas vocais e de guitarra.
E foi justamente Mayara, após o fim da faixa anterior, carregando o dever de manter a maior comunicação entre a banda e o público que realizou uma louvável atitude: uma quebra do protocolo formal do SESC de ver o show sentado numa cadeira. Assim que BURIED ALIVE estava para começar, a mesma tratou de convocar todos a ficarem mais próximos do palco e a curtirem a apresentação da forma como Deus (ou Satanás?) planejou. E uma nota precisa ser feita para esta aqui: a terceira faixa do último álbum carrega uma agressividade tão bem-vinda e infectante que mesmo o ser mais puro e calmo presente é altamente capaz de sentir uma fervura em seu sangue e renunciar a sua capacidade de comportamento formal e estar em linha com o seu modus operandi selvagem, já que é da selva onde nós viemos.
O QUE É CHAMADO DE “TORTURA”, PARA ALGUNS É UM LAR
Como se essa transmissão vigorosa de energia não fosse suficiente, a dupla HELLBOUND e MURDER OF A GOD veio com uma declaração de intenção. Com a alteração de posição da plateia, o quarteto capitalizou a continuação do ritual com os supramencionados petardos, lançados na forma de uma hecatombe auditiva e com o surgimento de moshes (ainda que tímidos, mas presentes) na área situada entre as cadeiras e o palco.
Assim que a total e completa escuridão governou o ambiente, um observador poderia acreditar que o clima pintado era o de um show de Black Metal, para que todos os mortais atualmente preenchendo aquele espaço do SESC Bom Retiro se tornassem um com o meio-ambiente, tal como quando o Cavaleiro de Ouro Régulus de Leão realizou tal façanha ao ascender ao Oitavo Sentido, em CAVALEIROS DO ZODÍACO. Metatextualmente, HELLBOUND serve a este propósito ambiental, mas um dos seus deveres é o de antecipar um certo show à parte que se torna tradicional nas apresentações do “Esquadrão da Tortura”.
A iluminação do palco fica superconcentrada “na cozinha” do grupo. A bateria de Amílcar Cristófaro recebe um tratamento como se ela tivesse feito bullying com ele na infância, dado o nível da “marretagem” recebida, a qual é condição sine qua non para o domínio do kit, e não é à toa que Amílcar é constantemente lembrado ser um dos melhores bateristas que nasceu em solo brasileiro nas opiniões do público em geral. Vê-lo executar um solo em seu instrumento é a pura definição de uma poesia em movimento, e se o ouvinte não sente um fogo pulsando em seu corpo ao testemunhar tal privilégio, o ouvinte em questão está vivendo a vida do jeito errado.
Ato contínuo, o paulistano tomou a frente e discursou para a plateia, prestando homenagem à cena nacional e destacando a produção acústica de nível Lamborguini, além de lamentar a ausência de Jão, membro do RATOS DE PORÃO, que infelizmente não pôde estar presente devido a um acidente de moto que o vitimou dias antes do show.
OLÁ, MI CASA ES SU CASA
Esta foi a brecha para dar as boas-vindas para outra convidada que também merece a alcunha de “especial”. Jéssica Falchi entrou no palco assim que o seu nome foi invocado. Conhecida pela sua passagem na CRYPTA, a paulista vem construindo uma reputação como uma das maiores revelações no cenário nacional, aonde quer que ela vá.
Carregando um carisma tão poderoso, ensinando aos pretendentes que tentam imitar como é que se exala entusiasmo genuíno, a sua aparição inicial veio na forma de WHILE MY GUITAR GENTLY WEEPS, um cover do BEATLES. Apesar da quebra quase radical de ritmo, perfazendo uma guinada de 180⁰ de um lado ao outro, reza uma das regras não escritas do universo que “a calmaria precede a tempestade”.
Provando que essa valia se mantém verdadeira com o teste do tempo, a canção do BEATLES e a sua tranquilidade foram um prelúdio para que uma das principais inspirações da monte-altense fosse lembrada na apresentação. Não é nenhuma surpresa que MARTY FRIEDMAN é um dos motivos que a fez praticar guitarra, demonstrando a honra a um dos seus antepassados, a escolha foi DRAGON MISTRESS, do seu álbum de estreia de 1988.
Ao contrário da balada (que fez com que Mayara trocasse para o vocal limpo), aqui vemos a convidada demonstrar o porquê de estar categorizada como uma revelação, não precisando utilizar palavra nenhuma para deixar isso bem claro, mas sim deixando exalar o seu talento fazer todo o falatório.
Em sequência, HORROR AND TORTURE, PULL THE TRIGGER e THE UNHOLY SPELL são uma trindade que marcam presença da mesma forma que o banho diário faz parte da cultura tupiniquim, servindo como combustível para que o Bloco do Esquadrão continuasse testando a resistência do poderio vindo dos equipamentos do SESC.
Antes delas darem o ar da graça, no entanto, é importante frisar que a vocalista aproveitou o momento para desmentir os rumores do momento, que seria a possibilidade dela integrar a banda sueca de Death Metal Melódico ARCH ENEMY, considerando os mistérios rondando a nova vocalista, deixando claro que a própria integra o TORTURE SQUAD e que o ano atual será marcado por muito trabalho por parte da banda.
EM RETROALIMENTAÇÃO, A VIDA IMITA A ARTE
Uma frase tão comum quando o pôr do Sol acontecendo ao redor das 18h é que todas as coisas boas infelizmente estão fadadas a terem um fim. Em uma realização de um autêntico gran finale, todos fomos agraciados com o retorno da presença contagiante de Jéssica para o ato final: um medley do METALLICA. Não é surpresa nenhuma que a natural de Monte Alto possui a banda dos estadunidenses como uma de suas maiores predileções em vida (ao ponto de realizar diversos covers dela nas suas contas das redes sociais), então não foi nada algo "fora de lugar" um encerramento deste calibre. Olhando em retrospecto, isso acaba sendo uma "homenagem dentro de uma homenagem" (do TORTURE SQUAD à Jéssica, de Jéssica ao METALLICA), no maior clima do filme A ORIGEM, de 2010 encontrando um paralelo à vida real.
E assim foi finalizado o "bloquinho" de Carnaval calmo e tranquilo do Esquadrão da Tortura, perfeito para os que precisam acalmar os ânimos e alcançar um estado zen que o corpo humano consegue atingir.
Assim como a NERVOSA antes deles, é comum achar estranha a performance de um dos atos do Thrash/Death ocorrer dentro de um teatro. Porém, a mensagem aqui fica clara de que esta não é uma apresentação ordinária, mas sim uma dedicatória na forma de show.
Dedicar um show aos seus antepassados que, de certa forma, detém o mesmo sangue brasileiro, é uma das atitudes mais nobres possíveis enquanto na posição não só de musicista, mas de profissional também. Isto por si só reforça o fato de que, mesmo quem tem o – este redator ousa dizer - péssimo gosto de não apreciar música extrema -, faz com que o TORTURE SQUAD mereça o respeito até mesmo por quem curte o lado oposto do espectro musical.
O TORTURE SQUAD é: Mayara Puertas (voz), Castor (baixo), Rene Simionato (guitarra) e Amílcar Cristófaro (bateria).
O AOR segue vivo — e em excelente forma. Em Midnight Transmission, o Transatlantic Radio surge como um supergrupo que une experiência, sofisticação e profundo respeito pela tradição do rock melódico oitentista, sem abrir mão de uma produção contemporânea e vibrante.
Idealizado pelo baixista e produtor sueco Victor Brodén (Dokken, John Norum, entre outros), o projeto reúne o vocalista Mattias Osbäck (Locomotive Breath, Mountain of Power), o versátil guitarrista R.J. Ronquillo (Santana, Stone Sour, Chaka Khan), o tecladista Fred Kron e o baterista Chris Reeve (Avril Lavigne, Tom Morello). O resultado é uma fusão elegante entre a finesse europeia e a energia norte-americana — combinação que sempre esteve no DNA dos grandes clássicos do gênero.
Repleto de refrões expansivos, camadas generosas de teclados e arranjos vocais cuidadosamente trabalhados, Midnight Transmission soa como uma carta de amor à era de ouro do AOR, ao mesmo tempo em que reafirma sua relevância no cenário atual.
Impacto imediato
A abertura com “That’s What You Get (For Falling In Love)” estabelece o tom do álbum: melodias cativantes, harmonias vocais bem distribuídas e guitarras com timbres cristalinos, típicos do AOR clássico, mas com peso e definição modernos. É o tipo de faixa que traduz perfeitamente a proposta do projeto — acessível, grandiosa e radiofônica.
“City Of Angels” remete à sonoridade de arena rock do final dos anos 80, especialmente na introdução, evocando aquela atmosfera glam/hard melódico que dominava as FMs da época. A música evolui com variações vocais marcantes e culmina em um solo expressivo de R.J. Ronquillo, reforçando a identidade guitarrística do álbum.
Equilíbrio entre peso e melodia
“Wide Awake” adiciona um leve aumento de intensidade logo nos primeiros acordes, mas sem perder a característica essencial do disco: refrões memoráveis e estrutura dinâmica. O baixo de Brodén assume papel de destaque, conduzindo a faixa com firmeza e elegância.
Já “Fever Dream” assume o posto de grande balada do trabalho. Inspirada na tradição das power ballads oitentistas, a faixa apresenta vocais mais rasgados de Osbäck e um clima emocional crescente, culminando em um solo de guitarra que equilibra técnica e sentimento.
A festa continua
“The Good Times” devolve a energia festiva ao repertório, com andamento pulsante, refrão expansivo e um elemento surpreendente: um solo de sax que adiciona textura e charme à composição. É uma das faixas mais descontraídas e radiofônicas do álbum.
“First To Be The Last” mergulha sem reservas na estética dos anos 80 — dos timbres de teclado aos arranjos de bateria com referências claras à produção da década. O cuidado nos arranjos vocais chama atenção, evidenciando uma abordagem sofisticada pouco comum nas produções atuais.
Em “All For You”, a interpretação de Mattias Osbäck remete diretamente à escola clássica do AOR norte-americano, evocando a dramaticidade e o alcance emocional dos grandes vocalistas do gênero. O diálogo entre guitarra e teclado reforça o caráter épico e melódico da composição.
Arranjos elaborados e produção refinada
“Against All The Odds” destaca-se pelo trabalho de teclados em camadas densas e pela dinâmica rítmica que valoriza o baixo de Brodén antes de desembocar em um refrão amplo, sustentado por harmonias vocais bem construídas.
Encerrando o álbum, “Born To Rise” começa de maneira intimista, conduzida pelo piano, mas rapidamente evolui para um final energético e otimista. A bateria de Chris Reeve assume protagonismo no refrão, fechando o disco com a sensação de que o Transatlantic Radio ainda tem muito a oferecer.
Midnight Transmission é mais do que um exercício de nostalgia. Trata-se de um trabalho que entende profundamente a linguagem do AOR clássico e a transporta para 2026 com produção refinada, execução segura e composições eficazes.
Se depender deste debut, o Transatlantic Radio tem potencial para se consolidar como um projeto duradouro dentro do cenário melódico contemporâneo. Em tempos de revisitações ao passado, o grupo prova que tradição e modernidade podem coexistir com autenticidade e identidade própria.
Arranjos elaborados e produção refinada
“Against All The Odds” destaca-se pelo trabalho de teclados em camadas densas e pela dinâmica rítmica que valoriza o baixo de Brodén antes de desembocar em um refrão amplo, sustentado por harmonias vocais bem construídas.
Encerrando o álbum, “Born To Rise” começa de maneira intimista, conduzida pelo piano, mas rapidamente evolui para um final energético e otimista. A bateria de Chris Reeve assume protagonismo no refrão, fechando o disco com a sensação de que o Transatlantic Radio ainda tem muito a oferecer.
Midnight Transmission é mais do que um exercício de nostalgia. Trata-se de um trabalho que entende profundamente a linguagem do AOR clássico e a transporta para 2026 com produção refinada, execução segura e composições eficazes.
Se depender deste debut, o Transatlantic Radio tem potencial para se consolidar como um projeto duradouro dentro do cenário melódico contemporâneo. Em tempos de revisitações ao passado, o grupo prova que tradição e modernidade podem coexistir com autenticidade e identidade própria.
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***ENGLISH VERSION***
A Modern Celebration of the Golden Era of AOR
AOR is alive — and thriving. On Midnight Transmission, Transatlantic Radio emerges as a supergroup that blends experience, sophistication and a deep respect for the traditions of ’80s melodic rock, while embracing a vibrant, contemporary production aesthetic.
Conceived by Swedish bassist and producer Victor Brodén (Dokken, John Norum, among others), the project brings together vocalist Mattias Osbäck (Locomotive Breath, Mountain of Power), acclaimed guitarist R.J. Ronquillo (Santana, Stone Sour, Chaka Khan), keyboardist Fred Kron and drummer Chris Reeve (Avril Lavigne, Tom Morello). The result is a seamless fusion of European finesse and American arena-rock energy — a combination that has long defined the genre’s most enduring classics.
Packed with soaring choruses, cinematic keyboard layers and meticulously crafted vocal harmonies, Midnight Transmission plays like a love letter to AOR’s golden age while firmly reasserting its relevance in today’s melodic rock landscape.
Immediate Impact
Opening track “That’s What You Get (For Falling In Love)” sets the tone with infectious melodies, expansive harmonies and crystal-clear guitar tones rooted in classic AOR tradition — yet delivered with modern weight and clarity. It perfectly encapsulates the band’s mission statement: accessible, grandiose and radio-ready.
“City Of Angels” channels late-’80s arena rock spirit, particularly in its intro, evoking the glam-infused melodic hard rock that once dominated FM airwaves. The track evolves through dynamic vocal shifts before culminating in a tasteful and expressive solo from R.J. Ronquillo, reinforcing the album’s strong guitar identity.
Balancing Drive and Melody
“Wide Awake” raises the intensity slightly without sacrificing the album’s core strengths: memorable hooks and dynamic songwriting. Victor Brodén’s bass work stands out, driving the song with both power and refinement.
“Fever Dream” claims its place as the album’s standout power ballad. Rooted in the grand tradition of ’80s slow-burn anthems, the track showcases a grittier edge in Osbäck’s vocal delivery, building toward an emotionally charged guitar solo that balances technique with feel.
The Celebration Continues
“The Good Times” restores the album’s celebratory energy with a pulsating groove, a stadium-sized chorus and a surprising yet perfectly placed saxophone solo that adds warmth and texture. It’s one of the most radio-friendly and instantly engaging moments on the record.
“First To Be The Last” dives headfirst into unapologetic ’80s aesthetics — from its shimmering keyboard tones to its era-authentic drum production. The carefully layered vocal arrangements highlight a level of sophistication rarely found in contemporary releases.
On “All For You,” Osbäck’s performance evokes the emotional resonance and melodic command associated with classic American AOR frontmen. The interplay between guitar and keyboards enhances the song’s epic quality, while another undeniably infectious chorus anchors the track.
Refined Arrangements and Polished Production
“Against All The Odds” stands out for its dense keyboard textures and rhythmic shifts that spotlight Brodén’s bass work before launching into a harmony-rich chorus. The attention to tonal detail once again reflects the musicians’ seasoned approach.
Closing track “Born To Rise” begins on a more intimate note, guided by piano, before expanding into an uplifting and energetic finale. Chris Reeve’s dynamic drumming drives the climactic chorus, bringing the album to a confident and optimistic close — and leaving the listener wanting more.
Midnight Transmission is far more than a nostalgic exercise. It is a record that deeply understands the language of classic AOR and successfully translates it into 2026 with polished production, assured performances and consistently strong songwriting.
If this debut is any indication, Transatlantic Radio has the potential to become a lasting presence in the contemporary melodic rock scene. In an era increasingly fascinated with revisiting the past, the band proves that tradition and modernity can coexist — authentically and convincingly.