sábado, 25 de abril de 2026

Violator: "...Não iniciamos um movimento, fazemos parte de uma comunidade thrash"

Por: Renato Sanson


O peso, a velocidade e a atitude do verdadeiro thrash metal estão no ar.

Diretamente da linha de frente do underground brasileiro, hoje o papo é com ninguém menos que Poney, baixista e vocalista do Violator. Em uma conversa intensa, falamos sobre a energia do Bangers Open Air, os bastidores e recepção do novo álbum, a essência do thrash metal e tudo que mantém o gênero vivo, agressivo e relevante até hoje.

Se você respira som pesado, prepara o volume… Porque essa entrevista tá insana.


Satisfação aí poder conversar contigo. Sou aqui do Sul. Já trocamos ideia na Embaixada do Rock ali algumas vezes.

É lá em São Leopoldo. 


Em São Leopoldo. Isso mesmo.

Ô, que maravilha, cara. Tocamos, eu acho que fizemos acho que quatro apresentações lá em duas oportunidades diferentes, talvez, né, cara?


Exato. Exato. Eu fui em três

Que legal, cara. Que legal. 

Bom, vamos começar, então. Vamos falar do novo álbum "Unholly Retribution", que saiu ano passado. Uma expectativa grande aí dos fãs, né? Minha expectativa também. Como é que foi a criação desse álbum?

Legal. Foi uma um longo preparativo, Renato, para acontecer. Eu acho que o espaço de tempo entre um álbum e outro de 12 anos representa muito bem a aventura que foi também preparar esse disco assim, né? Porque envolveu a volta, o retorno do Capaça ao Brasil, que morou seis anos fora na Irlanda, o nosso guitarrista e riff master, né? Envolveu todas as aventuras das nossas vidas pessoais ao longo dos 30 anos, a época das pessoas terem filhos, arranjarem empregos fixos e tudo mais. 

E uma pandemia no meio, tal. E mais para além disso, um preparativo muito grande no sentido de como a gente queria produzir um álbum, um álbum cheio, um álbum daqueles que a gente é tão fã, que a gente tem, a gente cresceu ouvindo e gostaria, né, e aprendeu a apreciar no Heavy Metal, um disco cheio com oito músicas, 40 minutos, quatro faixas de cada lado e tudo mais.

E contamos com uma generosidade tremenda da KA Records para entender a pretensão no bom sentido desse trabalho. Então, pra gente poder trazer um gringo, o Yarne, para morar aqui em casa por duas semanas para produzir esse disco, pra gente fechar um estúdio pra gente aqui na nossa cidade, ter todo o tempo disponível para realizá-lo assim, né? 

Então, ele foi uma espécie de epopeia para a realização dele, assim, que nos custou muita dedicação, trabalho, planejamento, mas que felizmente eu acho que o resultado que a gente conseguiu alcançar reflete um pouco toda essa dedicação que a gente aplicou ao disco, assim, sabe? Eu acho que valeu muito toda essa dedicação e todo esse tempo.

Ah, realmente é um disco visceral! Pra gente que é fã do thrash, do crossover, assim, quando eu ouvi, eu fiquei, puxa vida, tem uma raiva nele, tem o ódio característico do thrash e a velocidade tá tudo ali.

Essa é a melhor recepção possível, Renato, porque é a aprovação dos nossos camaradas headbangers! Porque de alguma forma o disco ele tá implicado no giro que o Violator fez em 2017 no EP The Hidden Face of Death, que é de fazer um som mais primitivo, um som que flerta com o death metal ali, né? As influências mais antigas, voltando para o Slayer do EP e do segundo álbum, tem todo um caráter mais antissocial e primitivo, eu diria, que não necessariamente foi a marca do que ficou mais conhecido do Violator ao longo dos anos, assim. 

E eu acho que os nossos camaradas headbangers entenderam muito bem a nossa vontade, já mais velhos, de fazer um disco mais agressivo, de fazer um disco que não tava interessado em agradar os ouvidos mais sensíveis assim, né? Então, a maior aprovação possível foi exatamente de quem curte som, assim como a gente.


Ah, que irado, que massa. Bom, vocês fizeram parte da, vamos dizer assim, do revival do thrash metal. A gente passou por um marasmo, uma época ali que ficou difícil. Então, Violator, Municipal Waste, Gama Bomb, são bandas que, vamos dizer assim, trouxeram de volta essa chama e parece que isso incendiou do modo geral que até as bandas clássicas começaram a apertar de novo, né, e bater forte no som de novo. 

Sim, os caras estavam todos de cabelos curtos, tocando som meio gótico, alternativo né.


Exato, velho. Exato. Daí parece que quando deu esse pé na porta assim, vai o Violator, Municipal, Gama Bomb, aquele estouro, parece que os caras se ligaram. Assim, opa, nós temos que voltar, senão nós vamos perder. Como que é refletir sobre isso pra você?

Uma coisa que eu acho legal, olhando que agora o Violator já completa 24 anos, o que é um tempo maior, muito mais distante do que a gente tinha dos anos 80, quando a gente começou ali no final dos anos 90 e dos anos 2000, né? Mas o que é legal de ver passado esse tempo é que eu acho que teve uma questão, teve um encontro geracional parecido com o que aconteceu na primeira geração do thrash. 

Assim, nós tivemos vários moleques ao redor do mundo, como foram os caras do Toxic Holocaust, o pessoal do Farscape, o Bywar, enfim, múltiplos exemplos, que era uma molecada que tava cansada daquele tipo de metal que tava sendo feito nos anos 90, do auge do New Metal, né, daquela coisa do black metal sinfônico ou do power metal melódico e tava em busca de alguma coisa mais visceral, tava em busca de uma coisa mais honesta, de uma coisa mais em que essa agressividade fosse realizada de uma forma mais sincera, né? 

E eu acho que de diferentes maneiras essa molecada foi encontrando o thrash metal, foi buscando o thrash metal assim e o Violator tava vivendo esse momento. A banda começa em 2002, o primeiro EP oficial é em 2004, o Violent Mosh. 


A partir de 2002..2004, começa esse "revigoramento" e um retorno do Thrash, digamos assim.

E em 2006, que eu acho que é um ano muito definitivo para esse retorno do thrash, a gente lança o Chemical Assault, que até hoje é o disco mais representativo do Violator. Na época eu acho que a gente tava vivendo tão visceralmente essa coisa do thrash, tomando café da manhã, almoçando e jantando, thrash metal, que a gente nem entendia o movimento geracional que tava sendo formado ali. 

Mas hoje em dia eu acho que dá para entender dessa forma. Foi uma geração de moleques que falou: "Cara, não tá legal isso daqui. Vamos em busca do vamos fazer um novo buscando o velho, né?" E a partir daí nós estabelecemos compromissos com o underground que a gente leva até hoje. E a partir dali se criou, vamos dizer assim, uma nova geração de bandas que leva essa bandeira, né? 

Isso aí foi o mais legal para nós. Somos fãs do thrash. Daí surgiu inúmeras bandas querendo fazer um som mais extremo e isso se deve muito a vocês e as outras bandas foi citado, o próprio Bywar também, enfim, vocês pavimentaram esse novo caminho. 

A própria palavra thrash era uma palavra esquecida, assim, era uma palavra que para se referir a bandas que são thrash metal, se você pegasse nas revistas e tal, eles tinham outras definições, mas a palavra thrash, né, escrevia-se errado e não se falava, era quase como uma coisa que realmente tinha sido abandonada no passado.

Agora, eu sempre gosto de dizer, apesar da gente tá ali vivendo aquele momento, nós nunca começamos nada, assim, o Violator não é pioneiro de nada, nós sempre estivemos muito acompanhados de muita gente, assim, desde o começo entendemos como era importante essa teia do underground ali, assim, né, naquele comecinho do Violator. 

A gente estava patinando no começo da internet ali, conhecendo os caras do Blastrash pelo ICQ, sabe? Fazendo as primeiras pontes assim e tal, num mundo meio analógico, meio digital ainda assim, mas a gente sempre entendeu como a comunidade, formar essa comunidade era importante.


Ah, com certeza. Bom, vocês vão tocar no Bangers Open Air, né, que é aí o nosso maior evento de Heavy Metal do Brasil e um dos melhores do mundo, posso dizer com toda a certeza. Eu que já fui em três edições do evento. Como é pro Violator participar do Bangers Open Air?

O Capaça teve presente ano passado. Viu o show do Dark Angel lá, pirou muito. E da empolgação dele, da animação dele com o festival nos contaminou muito a alegria e a vontade de estar nesse festival, assim, quando recebemos o convite foi uma honra, né, poder representar o underground de Brasília e poder representar o Thrash Metal brasileiro num palco tão importante como você citou. Então, pra gente é uma sensação de muito agradecimento de estar participando com tantas bandas importantes, então a gente só tem a agradecer o convite para isso.


Agora vamos falar de um álbum que para mim ele é o mais importante da carreira do Violator, tá? Esse epezinho aqui. 

Caramba, legal. Violent Mosh. EP de 2004. Curti. Que legal, cara. Moleque com 18 anos aí.


Quando tu olha para esse material hoje, o que que ele representa para ti?

É, cara, ele representa a gente sendo alfabetizado no thrash, né? A gente entendendo e aprendendo como que era a gramática desse estilo, entendendo como que se fazia os riffs, como que se tocava aquela batida, como que se desenvolvia isso, porque não tínhamos outras bandas exatamente que estavam fazendo isso para a gente se guiar. 

A gente tinha os nossos LPs antigos e tal e eu acho que ele tem uma ingenuidade, uma inocência que é típica de alguns dos melhores momentos do thrash, porque eu acho que o thrash tá muito ligado a um espírito de juventude e por isso mesmo é um desafio envelhecer fazendo thrash metal, é um desafio que a gente encarou no novo álbum agora. 


Sim, se reinventar e evoluir, mas mantendo uma integridade.

E as escolhas, como eu te falei, as escolhas estéticas do disco representam um pouco a nossa resposta a esse desafio do que significa envelhecer fazendo thrash, né? E no Violent Mosh isso tá em puro coração, em puro sentimento, né? Os thrash manics, nós somos os maníacos do thrash, né? 

Então, é sinceridade pura e absoluta assim de quatro meninos que estavam saindo do ensino médio, né? Segundo grau, encantados com esse novo submundo, descobrindo inclusive as vestimentas, apertando as calças nas costureiras, porque não dava para comprar calça apertada, né? 

Comprando tênis de morador de rua, cara, quando encontrava um tênis branco cano alto, falava: "Caracas, um tênis branco cano alto", sabe? Então, toda uma beleza que tem a ver com a juventude. Então, para mim, esse disco representa um pouco essa beleza, essa inocência da juventude ali. E os riffs eles têm isso, eles são sinceros, eles são ingênuos, assim, é um prazerzaço assim sempre revisitá-lo.

E ainda da discografia, a gente teve o Scenarios of Brutality, 2013. Ele é um disco que eu gosto muito, eu adoro esse álbum, tá? Mas na época ele recebeu críticas mistas. Eu tava ouvindo ele agora há pouco, eu tenho ele ali na minha coleção também.

Eu gosto muito da gravação dele, cara, que foi feita na Alemanha. Nós passamos duas semanas gravando com lá e eu acho que ele é o ápice do que o Violator pretendia fazer ali numa escada que vem do Violent Mosh, pro Chemical Assault, pro Scenarios of Brutality, que é aquele thrash metal ultra agressivo baseado em discos do final dos anos 80 ali, tipo Extreme Aggression, Beneath the Remains e em que a técnica, o riff, a complexidade tá ao limite do que dá para ser o thrash metal.

Eu acho que a recepção dele talvez não tenha sido a mais positiva por uma questão exatamente de tempo, cara, geracional. Eu acho que em 2013 o thrash já tinha feito uma onda e já tava retroscedendo de novosabe? As bandas estavam se desmantelando, as coisas estavam mudando. E nesse espírito mesmo do que eu falei de como o thrash metal tá ligado com o espírito da juventude, com a geração, com a energia juvenil, essa juventude que tinha 18 anos em 2006, em 2013 já tava começando a viver um outro momento assim, né? 

E o disco saiu, um disco ultra thrash metal, politizado e tal. Nesse momento que era um momento de virada, eu acho que 2013 ele já é uma antesala do que a gente viveu nos anos anteriores, que foram anos de muita, como é que eu posso dizer, anos de mudança de perspectiva, cara. 

A partir de 2013, o futuro passa a ser pior do que o passado, sabe? A partir de 2013, as perspectivas, né, eu acho que vem uma certa até melancolia, depressão com o mundo, com as dificuldades do mundo, com a ascensão do neofascismo. E eu acho que é um momento de retorno do revival do Death Metal, do Crust, do Punk Crust, eu acho que teve todo um movimento assim de mais niilista naquele momento que o Violator. 

A positividade do thrash, porque eu acho que o thrash, mesmo que seja um subgênero muito agressivo, ele é um gênero de comunhão, ele é um gênero de união, ele é um gênero de os fracos contra o forte, assim, né? Ele tem esse espírito que de certa forma é uma energia positiva ali assim, né? E eu acho que em 2013 pra frente a gente já vai caminhando no mundo para um momento que contraria esse espírito assim, sabe? 


E o disco acabou recebendo essas críticas mistas, que causas principais você acha que as ocasionaram?

Então, eu acho que o momento do disco explica muito isso, mas vale muito a pena ser revisitado, especialmente porque ele é um disco que a gente escolheu cada música sobre um conflito social, montando um conceito dos cenários de brutalidade. E na verdade ele foi um disco um pouco profético, assim, porque tudo que a gente tava explicitando ali veio numa carga muito pior. Tinha música sobre os crimes da ditadura, nunca resolvidos. Logo depois estava aparecendo um político defendendo a tortura e a ditadura, tá ligado? 

Conflitos de terra, conflitos com indígenas e tal. Então, acaba que ele foi um disco tristemente profético — ele veio antes, mas essa década 2013-2023 foi uma década de muita fudição, assim, se você olhar em vários termos, o tanto que o Brasil regrediu é um pouco uma década perdida. Então, eu acho que o disco talvez no momento não tenha sido entendido dessa forma, mas ele previu muito bem os cenários de brutalidade que a gente viveria nos anos seguintes, com certeza.

É um disco que para mim envelheceu muito bem. É sensacional. É violento para caramba, brutal como tem que ser. E é um álbum atemporal, né? Porque realmente cada faixa ali traz de forma bem explícita o que aconteceu 10 anos depois, sabe? 2023, se tu for calcular, as calamidades do disco estão todas ali nessa década.

As calamidades estão lá. A morte chegou de um jeito que a gente nem previa, assim, impossível pensar 750.000 mortos no Brasil num ano. Se falasse isso em 2013, ah, Scenarios of Brutality, é isso mesmo vocês são loucos. Daqui a 8 anos vai morrer quase 1 milhão de pessoas no Brasil. Jamais a gente ia pensar isso. Ia parecer um cenário de ficção científica.


Exatamente. Pior que é verdade mesmo. Blade Runner total.

Vamos chegando ao fim da entrevista e gostaria de te agradecer mais uma vez pela oportunidade. Mas não podemos encerrar sem você falar os teus 5 álbuns preferidos do thrash. 

Caramba, maravilha, cara. É pergunta muito difícil porque eu sou um maníaco. Apesar de estar mais velho com 40 anos, agora continuo o jovem Poney thrash maniac do Violent Mosh ali. Mas vamos lá. Uma lista que pode mudar um pouco ao longo do tempo, mas lá vai. 

Primeiro de tudo. Esse eu sempre vou colocar em primeiro, cara. O melhor disco de thrash metal de todos os tempos é brasileiro. Beneath the Remains, Sepultura, 1989, produção do Scott Burns. Segundo lugar para mim, que mora no meu coração, Kreator, Extreme Aggression, um disco que marcou muito pela forma e a combinação de riffs complexos com a batida violenta do thrash, o Mille cantando mais do que nunca ali, né?

Número três, cara. Vamos pensar qual que merece o número três. Já se tem um alemão, então vamos voltar pros Estados Unidos. Slayer, muito difícil ficar entre o Hell Awaits e o Reign in Blood, mas eu acho que eu vou colocar o Reign in Blood. 27 minutos e uma violência pura ali do começo ao fim. Dave Lombardo brilhando muito naquele disco.

Quarto lugar, podemos voltar para a Europa, talvez, e escolher um disco bem diferente do Reign in Blood, que por isso mesmo representa a amplitude do thrash. Eu colocaria Destruction, Infernal Overkill, um disco na simplicidade da bateria ali, os músicos muito mais precários que a produção do Slayer, do Rick Rubin. Mas o Mike entrega tudo que o thrash metal precisa, que é o quê? Riff. thrash metal precisa de RIFFS.

E por fim, eu colocaria um empate técnico americano ali de dois discos que moram no meu coração. É Nuclear Assault com Game Over. Um disco altamente simples também, quase punk em alguns momentos ali, com letras altamente politizadas que influenciaram muito o Violator. 

E Violence com o Eternal Nightmare, que eu acho também que é uma avalanche, um caminhão de riffs um atrás do outro assim, e ele tem aquela urgência do thrash metal do final dos anos 80 que inspirou muito o Violator. Então colocaria um empate técnico entre esses dois, Game Over e Eternal Nightmare, fechando a lista.


Boa, lista pesadíssima. A minha muda a todo momento. Eu já dividi por país já porque vai ficando difícil. 

É difícil, pô. Pera aí, cara. E fica um PS, fica um PS aí importante, Renato, eu não citei nenhum disco do thrash metal canadense, que são grandes realizadores do estilo, Voivod, Razor, Sacrifice, várias bandas que entrariam na minha lista também.





Cobertura de Show: Dirty Honey + Jayler – 02/04/2026 – Audio/SP

Dois dias antes do evento principal no Allianz Parque, na noite de 2 de abril, São Paulo recebeu dois side shows especiais do Monsters of Rock Brasil: Jayler (Reino Unido) e Dirty Honey (EUA), que fizeram sua estreia no país em uma noite intimista, comandada pelo lendário Eddie Trunk como mestre de cerimônias. Com um público reduzido, afinal, era meio de semana, e as duas bandas ainda não são muito conhecidas no Brasil, a casa ficou com aquele clima de “clube do rock”, mas o que faltou em quantidade sobrou em qualidade e energia. Jayler abriu a noite, e Dirty Honey fechou, entregando dois sets completos que deram um aperitivo do que seria apresentado no festival.

Jayler subiu ao palco com James Bartholomew (vocais e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo e teclados) e Ed Evans (bateria). O quarteto inglês, com seu hard rock setentista, abriu com “Down Below” e já mostrou sua forte influência de Led Zeppelin. 

Bartholomew, com voz rouca e presença magnética, comandou o palco como se estivesse em um festival de 50 mil pessoas. A banda seguiu com “The Getaway” e “No Woman”, faixas que misturam riffs pesados com refrões melódicos, e o público respondeu bem ao som deles. Era nítido o prazer dos ingleses em estar ali: sorrisos largos, olhares de “não acredito que estamos no Brasil”.

Vieram “Riverboat Queen”, que contou com um solo marcante de gaita de Bartholomew, “Lovemaker” e uma versão cheia de personalidade de “I Believe To My Soul”, de Ray Charles, mostrando toda a versatilidade da banda. “Need Your Love” e “Over The Mountain” mantiveram a intensidade, com Arrowsmith e Bartholomew duelando nas guitarras de forma orgânica e visceral. O show foi encerrado com “The Rinsk”, uma pedrada que deixou o público entusiasmado. A apresentação deixou a sensação de que o Jayler soube aproveitar a oportunidade de estreia no Brasil. Foi um show sem firulas, mas eficiente, que serviu para apresentar identidade e potencial da banda.

Fechando a noite, o Dirty Honey mostrou por que vem sendo apontado como um dos nomes mais promissores do rock atual. A banda, formada por Marc LaBelle (vocal), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria), subiu ao palco com confiança, abrindo com “Gypsy”, com um riff marcante e LaBelle em destaque nos vocais, e logo emendou “California Dreamin’” e “Heartbreaker”, que rapidamente chamaram a atenção do público.

A intensidade continuou com “Scars”, “Get a Little High” e “Tied Up”, evidenciando a coesão e o entrosamento do quarteto. Durante “Don’t Put Out the Fire”, o vocalista Marc LaBelle desceu do palco e cantou no meio do público, chegando a subir em uma cadeira no centro da pista. Em meio ao calor da plateia, demonstrou carisma e presença ao longo da canção, levando o público à euforia. Na sequência, “The Wire”, “Another Last Time” e “Won’t Take Me Alive” reforçaram a veia do mais puro hard rock californiano.

A reta final contou com “When I’m Gone”, a estreia ao vivo de “Lights Out” e “Rolling 7s”. Com cerca de uma hora de show, o Dirty Honey deixou o palco com a sensação de missão cumprida, deixando claro que, mesmo com público reduzido, entregou uma apresentação de grande porte. Foi um show que não apenas preparou o terreno para o festival, mas também marcou uma estreia consistente no Brasil. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts

Press: Catto Comunicação 


Jayler – setlist:

Down Below

The Getaway

No Woman

Riverboat Queen

Lovemaker

I Believe To My Soul [Ray Charles]

Need Your Love

Over The Mountain

The Rinsk 


Dirty Honey – setlist:

Gypsy

California Dreamin'

Heartbreaker

Scars

Get a Little High

Tied Up

Don't Put Out the Fire

The Wire

Another Last Time

Won't Take Me Alive

When I'm Gone

Lights Out 

Rolling 7s

Cobertura de Show: Evergrey – 22/04/2026 – Manifesto/SP

No dia 22 de abril de 2026, os Suecos do Evergrey voltaram ao Brasil para dois shows, um no Manifesto (que é o que falaremos hoje) e outro no Bangers Open Air. 

O sideshow que rolou dia 22 veio acompanhado da banda Silver Dust, da Suíça, em sua primeiríssima passagem no Brasil. Então, falemos da banda de abertura de uma vez, pra que esse texto não fique do tamanho de uma bíblia. 

O Silver dust entrou no palco com sua costumeira teatralidade, que acompanha esteticamente o som da banda. Os primeiros acordes de Fire! abriram a noite de forma bem interessante. Nos primeiros momentos, já tenho que lançar um elogio a banda: o som estava CRISTALINO. Não sei se a banda trouxe o próprio soundtech ou era o da casa, mas seja quem for, um ótimo trabalho. 

Confesso a vocês que o Silver Dust não faz um tipo de som que apela muito pro meu gosto, mas não há como negar que o som dos caras tem uma energia. Mr. Killjoy, o baterista da banda, foi a grande estrela da noite. O jovem rapaz estava exalando energia e sua performance foi muito satisfatória.

I am Flying e Dying Dance seguiram o espetáculo sem deixar a energia baixar. Era evidente que a banda estava curtindo a apresentação em solo brasileiro. O vocalista, Lord Campbell, com sua cartola a la Dr. Jekyll (da forma mais excêntrica possível) cantava algo entre uns vocais meio góticos, uns drives e também arriscava uns fry screams meio Death Metal assim. 

Depois de Dying Dance veio um solo de guitarra terrível do vocalista que poderia ter se mantido só nos microfones mesmo. Momento encheção de linguiça, mas né.... Espetáculos. 

Seguimos com Salve Regina e Lucifer’s Maze logo em sequência. Aqui faço um adendo: apesar de não ser chegado no som da banda, os riffs em afinação baixa e super groovados funcionam bem ao vivo. Me peguei em vários momentos acompanhando os pseudo-breakdowns que era alguma coisa entre riffs New Metal meio Korn das ideia, bebendo bem na fonte dessas bandas, mas com um twist moderno. Realmente bem divertido. 

Após isso, o “Mr. Killjoy” lançou um solo de bateria em cima de uma backing track pré-gravada, que seria bem mais legal se tivesse sido tocado pela banda mesmo. Mas novamente, tenho que elogiar a qualidade do som da casa no dia. 

Aproximando-se no final do show, tivemos No Matter How Far Away e Symphony of Chaos. Na última, o vocal fez a plateia toda agachar-se e pular quando a música voltou. O pessoal em peso atendeu a demanda do nosso cartoleiro vampírico, que se jogou no meio do público neste momento. 

Com o fim do show, a energia da galera estava lá em cima. Foi um show muito legal, confesso que esperava bem menos e fico muito feliz de ter sido surpreendido positivamente!

Em sequência, após uma breve pausa, o Evergrey subiu aos palcos para seu retorno as Terras Brasileiras, depois de sua passagem pelo país em 2024. Agora, posso me gabar que eu já havia visto o Evergrey SEIS vezes, sendo a noite do dia 22 minha sétima presença nos shows deles. 

A banda passou por uma mudança substancial de formação, onde membros de longa data, Henrik Danhage e Jonas Ekdahl, foram substituídos por Stephen Platt e Simen Sandnes respectivamente, sendo a estreia deles no Brasil. 

Confesso que meu ceticismo com a nova formação vem de um lugar de fã antigo e nostálgico, mas tenho que admitir que a banda parece revitalizada com a presença dos novos membros. 

O show começa com Falling The Sun, sendo esta uma das melhorzinhas do sem graça Theories of Emptiness. A sensacional Where August Mourns veio em sequência, com destaques para a bela voz de Tom Englund nesse dia. Algumas das apresentações que vi do Evergrey, ele não estava tão afiado como nessa noite. 

Weightless em sequência colocou a casa para baixo. O Riff inicial com um groove moderno fez jus na entrega da faixa do espetacular The Atlantic, que é, facilmente, meu álbum favorito da banda desde o Torn de 2008. 

Say veio em sequência. É uma música morna, mas não é de todo o ruim. Aqui, aparentemente o som começou a apresentar problemas. O sistema de PA tinha alguns cortes breves, mas bem notáveis, onde o som sumia por um ou 2 segundos. O problema não cessou até o fim do show, mas não comprometeu a experiência de forma geral. 

Depois, a banda debutou a canção The World Is On Fire do vindouro Architects of a New Weave, que ainda não foi lançado. Eternal Noctural veio em seguida. Uma música bem emocional que foi muito bem recebida pelo público. O Evergrey é uma banda muito curiosa nesse sentido. A primeira vez que eu os vi ao vivo foi em 2008 na turnê do Torn. Casa vazia, ninguém conhecia os caras. É super legal ver que a banda teve um crescimento constante e substancial desde então. A casa, neste dia, estava relativamente cheia e a plateia conhecia boa parte do repertório.

Call out the Dark e King of Errors vieram, com destaque a última que, a este ponto, é um clássico da banda. Temo dizer que uma música com peso na carreira dos caras similar às A Touch of Blessing da vida. Refrão cantado em uníssono e muito bem recebida.

Cabe destacar agora a performance do guitarrista Stephen Platt, que ficou a cargo de substituir o insubstituível Henrik Danhage. O legal foi que, aparentemente, Stephen não executou os solos de Henrik exatamente como foram gravados, mas manteve os temas e melodias mais memoráveis, mantendo a característica dos solos, mas aplicando sua própria roupagem.

Não tenho elogios o suficiente para falar de A Silent Arc. Queria muito que o Evergrey tivesse mantido mais a linha do The Atlantic nos álbuns posteriores. A música é uma bomba absoluta ao vivo. Que bela canção, meus amigos. O destaque nessa faixa for para Simen Sandnes. O jeito mais “moderno” (dessa escola meio prog/djent) de Simens caiu como uma luva para A Silent Arc. 

Aqui foi o momento que eu me emocionei fortíssimo no show. Como já mencionei, sou fã de Evergrey de longa data. Mais precisamente, desde o ano de 2002, onde meu pai me trouxe o In Search of Truth depois de uma visita à Hellion lá na galeria. Ouvir Words Mean Nothing, ironicamente, significou muito para mim (trocadilho pretendido). A versão dessa música no piano e ter a oportunidade de ver as coisas mais antigas da banda que, infelizmente, parece que eles esqueceram que têm uma discografia antes de Hymns for the Broken, foi belíssima. Não obstante, para a felicidade de muitos (eu incluso), eles lançaram I’m Sorry em sequência. Também uma versão somente voz e piano. Sensacional, só posso dizer isso. 

Por incrível que pareça, o ponto mais baixo ficou para o final do show. A sem graça Misfortune foi seguida pela igualmente sem graça Architects of a New Weave, que debutou ao vivo. 

O clássico absoluto da banda veio no Encore com A Touch of Blessing. Mas olha, tenho uma crítica às últimas 3 ou 4 vezes que ouvi essa música ao vivo. Parece que eles fazem uma versão mais felizinha e rapidinha. Mata total a atmosfera da música, francamente. Leaving the Emptiness fez sua estreia absoluta para o mundo. Honestamente, queria que eles tivessem tocado qualquer outra música. Eu acho que, de verdade, é a pior música que eu já ouvi vinda do Evergrey, e olha que eu posso dizer que não sou, nem de perto, fã dos últimos dois lançamentos da banda. 

OXYGEN! Encerrou a noite deixando aquele gostinho um pouco amargo na boca, considerando que a banda tem tantos discos fantásticos pré-Hymns for the Broken que dá uma tristeza considerar quão poucas músicas eles inserem hoje em dia nos show.

Óbvio que toda banda quer tocar e divulgar seu novo álbum ao vivo, mas um aceno um pouco mais substancial a fãs antigos como eu seria muito bem vindo. No geral, o Evergrey é uma ótima banda ao vivo e entregou um show super legal, com ótimos momentos, sem dúvidas. Quem sabe numa próxima, possamos ouvir Mark of the Triangle ou Blackened Dawn. Mas até lá, somente a esperança. 


Texto: Rosano Matiussi


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 





Silver Dust – setlist:

Fire!

I Am Flying

Devil's Dance

Salve Regina

Lucifer's Maze

No Matter How Far Away

Symphony of Chaos


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

Say

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

A Silent Arc

Words Mean Nothing

I'm Sorry (Dilba cover) 

Misfortune

Architects of the New Weave

Bis

A Touch of Blessing

Leaving the Emptiness

OXYGEN!

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Witch Ripper: Pulp Fiction Regado à Stoner/Sludge

 


Essa é uma banda relativamente recente de 2012 e vem trazendo uma sonoridade bem eclética e incorporando inúmeros estilos, facilmente transitando entre as músicas.

A proposta do quarteto de Seattle é instigante, e tem como propósito prestar homenagem às histórias de ficção científica " pulp" do passado. 

Mesmo que esse novo trabalho tenha um ar livre de amarras, estamos diante da continuação do seu segundo álbum completo,  "The Flight after the Fall" ( 2023), de um universo que tem uma ampliação do seu potencial.


Analisando cada composição teremos um álbum que não é linear e sim cada faixa carrega consigo sua própria autonomia,  a qual no final se costura em uma obra com bastante autenticidade.

Destaco algumas músicas que mais me chamaram a atenção. 

A música " Symmetry of the Hourglass" tem em seus pontos fortes uma bateria com pegada e vocais que te desafiam com sua brutalidade e variações, que vão de algo mais melódico à um timbre rasgado e mais brutal.

Outra música que é bem trabalhada é a " Proxima Centauri", que é bem emocional ao mesmo tempo que também carrega elementos mais brutais.

Já a "The Spiral Eye", que fecha o álbum, é um dos momentos que te remetem para vários sentidos, já que de um lado existem partes profundamente viajantes e em outros momentos sua vórtice de se vira para um progressive stoner/sludge e Sci-fi" rock/metal.


É recomendado aos fãs de bandas, como citado nos releases, geralmente situados no amplo universo sonoro de nomes como MASTODON, BARONESS e HIGH ON FIRE, mas também canaliza a grandiosidade do rock de Queen e David Bowie, assim como o prog moderno de Coheed and Cambria e Muse.

Então se essas citadas estão entre as suas preferências, você deveria experimentar ouvir o Witch Ripper.

Texto: Fernanda Luísa
Edição/Revisão: Caco Garcia
Fotos: Divulgação 


Tracklist:
1.Odyssey in Retrograde 00:50 
 2.The Portal 06:35 
3.Symmetry of the Hourglass 07:09 
4.Echoes and Dust 05:57 
5.The Clock Queen 08:33 
7.The Spiral Eye 08:52

Selo: Magnetic Eye Records 
Assessoria: All Noir




quinta-feira, 23 de abril de 2026

Smoking Snakes: Entre o Hard Rock e o Metal oitentista (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

A cena sleaze europeia segue revelando nomes consistentes, e os suecos do Smoking Snakes dão um passo importante com All Lights On, álbum que chega em 10 de julho de 2026 via Frontiers Music Srl. Produzido por Jack Stroem, o trabalho evidencia uma banda mais madura, que equilibra com precisão peso e melodias acessíveis, sem abrir mão da estética oitentista que define sua identidade.

A breve vinheta de abertura, “103.1 The Scream - The 80's Late Night Radio Broadcast”, funciona como ambientação, simulando transmissões radiofônicas e preparando o terreno para a sequência do disco. Na prática, é a partir de “Don’t Touch” que o álbum ganha corpo: uma faixa que flerta com o heavy metal mais clássico na introdução, mas rapidamente assume contornos melódicos, com refrão forte e vocais em coro que a posicionam mais próxima do sleaze tradicional.

“Trick or Treat” reforça essa dualidade ao combinar riffs de inspiração claramente oitentista — com ecos de Judas Priest — a um refrão acessível e direto. Já “All I Need” aposta em andamento mais cadenciado, destacando o trabalho de guitarras dobradas e arranjos vocais que remetem à escola do hard rock americano, com forte apelo melódico.

A primeira mudança mais perceptível de dinâmica aparece em “Look In Your Eyes”, que se inicia de forma contida antes de evoluir para uma faixa de caráter mais épico, com estrutura que flerta com o formato de power ballad. Em seguida, “Last Man Standing” retoma a objetividade, apostando em riffs diretos e em uma abordagem mais crua, sem excessos.

“Screaming For More” é um dos momentos mais declaradamente nostálgicos do álbum, evocando a estética dos videoclipes dos anos 80, tanto na construção musical quanto na atmosfera geral. Ainda assim, a produção moderna impede que a faixa soe datada, mantendo sua relevância para o público atual.

Apesar do título sugerir o contrário, “Broken Heart” passa longe de ser uma balada convencional. Trata-se de uma faixa de perfil quase hínico, sustentada por camadas de backing vocals e uma construção melódica eficiente. Em “Nasty & Wild”, o destaque recai sobre o baixo, que ganha maior protagonismo e adiciona textura à base instrumental, além de um interessante breakdown centrado em baixo e bateria.

Já “Turn On the Lights” traz influências mais diretas do hard rock setentista, especialmente na introdução, enquanto desenvolve um refrão mais elaborado, com múltiplas linhas vocais sobrepostas. Na reta final, “Pleasure & Pain” entrega um dos momentos mais energéticos do disco, apostando em velocidade, riffs incisivos e uma abordagem direta que remete ao metal oitentista em sua forma mais crua.

O encerramento com “The Last Nightmare”, outra vinheta, reforça o caráter conceitual leve do álbum, funcionando como epílogo atmosférico.

No balanço geral, All Lights On consolida o Smoking Snakes como um nome relevante dentro do sleaze contemporâneo. Ao combinar referências clássicas com uma produção atual e bem direcionada, a banda não apenas reafirma suas influências, mas também demonstra evolução e personalidade — elementos essenciais para se destacar em um cenário cada vez mais competitivo.

***ENGLISH VERSION***

The European sleaze scene continues to produce increasingly solid contenders, and Sweden’s Smoking Snakes take a significant step forward with All Lights On, set for release on July 10, 2026, via Frontiers Music Srl. Produced by Jack Stroem, the album showcases a band operating with greater maturity, striking a confident balance between grit and melody while fully embracing the aesthetics of classic ’80s arena rock.

The brief opener, “103.1 The Scream - The 80's Late Night Radio Broadcast”, serves as a scene-setter, mimicking a late-night radio transmission and easing the listener into the record’s nostalgic framework. Properly speaking, the album kicks into gear with “Don’t Touch”, a track that initially flirts with traditional heavy metal before quickly shifting into more melodic territory, driven by a hook-laden chorus and gang vocals that lean firmly into sleaze conventions.

“Trick or Treat” reinforces this duality, pairing razor-sharp, Priest-like riffing with an accessible, chant-ready refrain. Meanwhile, “All I Need” slows the pace slightly, highlighting twin-guitar harmonies and polished vocal arrangements rooted in classic American hard rock, with a strong emphasis on melody.

A notable shift in dynamics arrives with “Look In Your Eyes”, which begins on a restrained note before building into a more expansive, almost anthemic piece that flirts with power ballad territory. “Last Man Standing” quickly counters that approach, favouring a more stripped-down, riff-driven structure that prioritises directness over embellishment.

“Screaming For More” stands out as one of the album’s most overtly nostalgic moments, evoking the golden era of MTV through both its musical construction and overall atmosphere. Crucially, however, the modern production prevents it from feeling like mere pastiche, ensuring its appeal extends beyond retro revivalism.

Despite its title, “Broken Heart” avoids ballad clichés altogether, emerging instead as a near-anthem built on layered backing vocals and a strong melodic core. “Nasty & Wild” shifts the spotlight onto the bass, which takes on a more prominent role, adding depth to the arrangement—particularly during a breakdown section centred on bass and drums.

“Turn On the Lights” introduces a touch of ’70s hard rock flair, especially in its opening, before unfolding into a more intricate chorus driven by overlapping vocal lines. Towards the back end, “Pleasure & Pain” delivers one of the album’s most energetic performances, embracing speed, sharp riffing, and a no-frills approach that channels the raw spirit of ’80s metal.

The closing vignette, “The Last Nightmare”, acts as a brief epilogue, reinforcing the album’s loose conceptual thread while providing a fittingly atmospheric conclusion.

Overall, All Lights On cements Smoking Snakes as a rising force within the contemporary sleaze landscape. By blending classic influences with a clean, modern production and a sharpened sense of identity, the band not only pays homage to its roots but also demonstrates the personality and evolution necessary to stand out in an increasingly crowded field.

Liam Espinosa

Julia Lage e Bruno Valverde (Smith/Kotzen): "A gente está ali para servir a música"

Nathalie Smith

Por Amanda Vasconcelos 

Quando se fala em Smith/Kotzen, os holofotes naturalmente recaem sobre os dois nomes à frente do projeto: Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden, e Richie Kotzen, um dos mais versáteis instrumentistas do rock, com passagens marcantes pelo Mr. Big e The Winery Dogs. Mas há um detalhe que transforma essa história em algo ainda mais especial para o público brasileiro, que é a espinha dorsal rítmica do projeto, formada por dois músicos do país: a baixista Julia Lage, também conhecida pelo trabalho no Vixen, e o baterista Bruno Valverde, veterano do Angra.

Mais do que músicos de apoio, Julia e Bruno são parte da alma do Smith/Kotzen ao vivo. E é justamente essa dupla que recebemos para uma conversa franca sobre música, identidade, representatividade e a expectativa de encerrar a turnê em casa, no Bangers Open Air 2026, dia 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Com humor, afeto e muita honestidade, eles falaram sobre o ambiente familiar que cerca o projeto, os desafios e conquistas de uma carreira construída palco a palco, e o que os fãs brasileiros podem esperar de um show que, nas palavras deles, vai entregar "só creme".


O Smith/Kotzen, no geral, mistura hard rock, tem uma pegada groove, traz elementos de blues rock... São muitos estilos juntos, mas com uma identidade muito definida. Tanto o Adrian quanto o Richie têm essa firmeza e clareza quanto ao estilo deles. A minha pergunta para vocês nisso é: o quanto essa junção de estilos, e até esses estilos de forma isolada, pesa na identidade de vocês como músicos? É algo que vem mais como um desafio, do tipo 'vamos ver como isso funciona', ou é algo que vocês falam simplesmente encaixa naturalmente, como uma luva? 'não, cai como uma luva, é isso mesmo?'

JL: Para mim, meio que caiu como uma luva, porque eu cresci ouvindo hard rock, rock, blues… Então tudo meio que veio dali, do blues e do jazz, e acabou virando rock. Uma coisa conversa com a outra, não é muito diferente. E a gente não está tocando blues, a gente é mais rock. Então o estilo ali, para mim, é super natural. Quando eu ouvi o álbum, ou quando tive que aprender, nada me chamou atenção do tipo 'nossa, não é progressivo', por exemplo. Apesar de que tem uma outra partizinha ali, numa música ou outra, que tem um proguizinho, né, Bruno? (risos)

BV: O senhor Richie Kotzen é o extra bar guy, eu chamo ele assim.

JL: Ele gosta de adicionar uma barra extra no nada. Você fala, por que tem uma barra? Mas, sim, para mim caiu como uma luva com certeza. Então, não sei... Para o Bruno, provavelmente também.

BV: Eu não sou muito da escola do hard rock, não foi algo que eu cresci ouvindo, para ser bem sincero. Mas eu sempre toquei, quando era mais novo, em banda cover, então estou bem familiarizado com o estilo, claro. Então acho que realmente tem um blend ali dos dois, o que é muito legal e faz todo sentido.

Vocês têm uma atmosfera de amizade muito forte, a questão de ensaiarem na casa, de conviverem juntos, a presença da Julia, mulher do Richie, e o Bruno ficando amigo dele, tipo: “O quê? Me chamaram? Como assim? Estou indo!”. Essa atmosfera que vocês criaram, vocês sentem que, de alguma forma, traz uma sensação diferente em relação às outras bandas das quais vocês já participaram?

JL: Para mim, traz, certamente. Eu sou casada com o Richie, o Adrian muitas vezes traz a esposa, a Nathalie, que vai em turnê com a gente. E o Bruno é brasileiro, é família. A gente tem um ambiente bem familiar, bem tranquilo. Eu sinto que, quando estamos sentados no ônibus, conversando, é tudo muito natural. Ninguém está numa vibe esquisita. Então acho que é por conta disso mesmo. Não sei se o Bruno sente a mesma coisa. 

BV: Eu acho que sim. Se fosse, de repente, com outro artista com quem você não tem tanta familiaridade, você acaba mantendo certos critérios. Não querendo dizer que não exista respeito, mas é um outro estilo de profissionalismo com o qual você vai lidar. Você tem muito mais barreiras. Às vezes, não tem liberdade para falar de alguns assuntos. Tanto que, nessa turnê, a gente falou sobre estilos de música que gosta e que não gosta, até de política, e tudo bem. Todo mundo ali, conversando, sem problema, sem treta nenhuma. Cada um, às vezes, colocando sua opinião sem ter essas barreiras do tipo 'não posso falar isso porque o chefe pensa assim' ou 'não dá para falar de certa coisa, como política'. Então foi bem aberto. Eu acho que realmente tem uma diferença nesse sentido. Nem todo tipo de projeto permite essa familiaridade que a gente tem ali, e isso é bem legal.

Complementando a primeira pergunta: vocês sentem que essa familiaridade pode trazer mais abertura no processo criativo? Porque, até então, normalmente são mais eles dois à frente. Vocês até contribuem com algumas coisas, mas a produção toda acaba ficando mais com eles.

JL: Eu acho que vai sempre ser dos dois, porque o projeto é deles. Então é algo em que eles sentam, entram no estúdio e ficam lá, trocando ideias, cada um tentando trazer o que vê. O Richie se apega muito à letra, ele vai, pensa bastante nisso e desenvolve a partir daí. É o projeto deles. Eu e o Bruno gravamos no álbum, mas, por exemplo, já em partes que eles tinham em mente o que queriam. Então era algo como 'vai ser mais ou menos assim, assado, estruturado'. A gente faz a nossa parte, mas já dentro de um contexto, com uma base definida tipo 'olha, é isso aqui'. Eu acho que a música é deles, o projeto é deles. Eu, pelo menos, me sinto muito grata por poder participar dos shows ao vivo e, inclusive, das gravações do álbum. Mas o processo criativo acho que fica entre os dois. Existe uma conversa aqui e ali. Talvez fosse legal, um dia, todo mundo ir para o estúdio e tentar fazer um barulho juntos. Não sei se isso vai rolar ou não, mas, a princípio, é deles.

É porque, no geral, por enquanto, está tudo bem definido, já meio que redondo. Isso talvez possa ser uma possibilidade, ali na frente, para agregar alguma coisa em um trabalho novo.

JL: É que também eu acho assim: os dois têm uma ideia de música muito clara. Então, o Richie toca bateria e baixo, o Adrian também toca baixo e sabe o que quer ouvir na bateria. Entre os dois, no estúdio, eles mesmos já vão além, sentam, pegam o baixo e constroem tudo ali. É diferente de quando, por exemplo, você tem um vocalista que talvez não toque todos os instrumentos ou não entenda tanto deles. Nesse caso, ele acaba trazendo uma banda para ajudar a criar, ou um produtor que vai lá e desenvolve com ele. Os dois entendem e sabem exatamente o que querem com os instrumentos. Então fica mais fácil para eles fazerem tudo entre os dois.

BV: E, fora isso, como a Julia falou, eles já têm muito bem definido o que querem fazer e têm uma experiência de um milhão de anos na música. Tem também essa questão de, às vezes, mandar para outra pessoa gravar, aí vem o recall, e até você mudar uma parte no meio do caminho, o cara já está em outra turnê, cada um com o seu projeto. Então, às vezes, isso não ajuda no processo de deixar tudo mais definido. Em alguns casos, o músico precisa de algo muito específico, tecnicamente, em um instrumento que não é o dele. Aí ele pensa 'opa, preciso do outro cara ali para resolver isso'. Mas, no geral, como não é uma proposta instrumental, progressiva ou maluca — é algo mais direto ao ponto —, eles conseguem resolver tudo entre eles. Então não existe muito essa expectativa de 'pô, quero sentar no estúdio com todo mundo', porque isso não faz tanto sentido para a proposta musical que eles querem seguir.

Bruno, você comentou sobre os covers que fazia. Eu te conheço da cena local, porque também sou mauaense (risos). Imagina, para alguém que é do mesmo lugar que você, ver essa sua crescente com o Angra, tendo conhecido músicos que, enquanto você ainda estava engatinhando, já estavam lá criando tantas coisas… Como é isso para você? Como você se sente? Eu sei que você já deu muitas entrevistas falando sobre isso, mas imagino que a resposta nunca seja exatamente a mesma.

BV: Não tem muito o que dizer. Obviamente, a gente cresce, como eu estava falando antes, e isso parece algo sempre muito distante de acontecer. Você cresce em um ambiente totalmente diferente e, de repente, se vê no palco com caras que você cresceu ouvindo e admirando não só pela música em si, mas como músicos também. O próprio Angra, o Kiko Loureiro, toda aquela coisa mais instrumental… E aí, depois, você vai para nomes lendários, como o Adrian Smith, e pensa 'pô, estou no palco com o cara'.

A gente até comentou daquele outro show que fizemos em Londres, nessa turnê, em que o Bruce Dickinson estava no palco. Você está ali, com o fone, ouvindo caras que, quando você nem era nascido, já estavam tocando em estádios e, de repente, você está junto ali. É algo inexplicável. É muito legal, mesmo.

É claro que teve uma evolução, não tem nem o que negar isso aí. Mas o que essencialmente você levou daquele Bruno, que fazia covers, que está até hoje com você?

BV: O que não muda é a paixão pela música em si, aquele spark de onde tudo começou. Eu nunca me vi fora da bateria. Desde que comecei, aos nove anos de idade, foi aquela coisa de 'sim, comecei na bateria' e pensei: não tem nenhuma outra coisa que eu vou fazer na minha vida a não ser estar em cima da batera. O que não muda para mim é essa paixão. Independentemente do projeto em que eu estiver ou com quem eu estiver tocando, eu vou sempre entregar o meu melhor, porque a música e a bateria estão acima de tudo. Eu estou ali para servir a música. Eu falo que sou o chão de fábrica da música, estamos ali para o negócio não parar de acontecer. Acho que a paixão pela música é algo que nunca se altera. Você muda a técnica, evolui, ganha mais experiência. O seu acabamento musical técnico, de arranjo e de percepção vai somando e melhorando ao longo do tempo, mas o que não muda é aquela paixão pela música. Isso é o mais importante para mim.

Isso foi uma entrega assim desde o início. E, nessa nova fase, você olhando de onde você está agora, olhando para trás, qual o seu principal sentimento?

BV: Gratidão. Acho que sou grato por tudo que a música me proporcionou. Sempre grato pelas grandes oportunidades que eu tive e que eu estou tendo ainda na música.

Julia, você tem a sua jornada ali desde a Barra de Saia. Você tem o Vixen também, que é um outro projeto seu. E, nessa questão do Smith/Kotzen mesmo, é a presença feminina que está ali. Isso já é enorme para o nosso país, imagina como um todo na música. Então é muito importante a gente ter essa representatividade. Nesse cenário dos espaços que a mulher ocupa — que lá atrás já tinha mulheres ocupando também, claro —, é o que a gente fala: a gente, como sociedade, como músicos, como amantes da música, progride, evolui, ou às vezes algumas coisas ficam ali no mesmo lugar. O que você sente na cena em relação a isso? Você acha que precisa evoluir muita coisa? Você acha que o espaço das mulheres está cada vez maior? Como isso funciona para você?

JL: Olha, eu vou ser bem sincera. Como o Bruno, eu comecei a tocar baixo e nunca parei. Eu comecei profissionalmente na Barra de Saia, eu tinha dezessete anos e eram só mulheres. Pra mim era normal, porque eu estou tocando música com outras musicistas, e a gente só pensava em ser musicista, não pensava se era mulher ou não, mas a banda era feminina.

A gente começou a notar isso quando fazia festas de rodeio, e alguém chegava e falava: 'Ah, mas vocês não estão tocando de verdade. Prova que você está tocando de verdade?'. Aí comecei a pensar: 'Por que eles não acreditam que a gente está tocando de verdade?'. Foi aí que eu comecei a me ligar que era porque a gente é mulher. Mas nunca nos deixamos abalar ou qualquer coisa — a gente fazia o nosso. Isso faz muitos anos atrás. Eu estou nesse business há vinte e seis anos agora.

Quando eu mudei pra cá, eu integrei o Vixen, que é uma banda dos anos oitenta e noventa só de mulheres. Elas estão desde os anos oitenta fazendo rock and roll, dividiram palco com Kiss e Scorpions e estão até hoje tocando. E, pra mim, também rola esse mesmo tipo de conversa: 'Como é que é? É um monte de mulher que toca música?'. A gente não pensa que é mulher primeiro, a gente pensa que toca música. A música é o que faz a gente estar ali junto, está acima de ser mulher, homem ou qualquer outra coisa.

E quando eu recebo qualquer convite com qualquer banda, eu não fico pensando: 'Será que é porque eu sou mulher?' ou 'Será que eu não recebi aquela ligação porque eu sou mulher?'. Eu nunca me coloco nessa posição, porque eu sou uma musicista. Então, talvez eu não seja competente pra entrar numa banda assim e tal, mas eu não vou colocar isso nas minhas costas por ser mulher. Eu vou pensar: 'Eu podia ter sentado mais horas e tocado melhor'. É assim que eu encaro a minha vida, não encaro pelo fato de ser mulher.

E eu acho que hoje em dia é o momento pra mulherada, porque tem Instagram, tem rede social, você consegue mostrar o seu talento de verdade. Antigamente, eu nem sei se tinham muitas mulheres que tocavam, porque eu não via. Eu estava no mercado e não via mulher tocando, ainda mais no Brasil, que tinha muita dançarina, cantora e não tinha instrumentista. Era muito difícil de achar. Hoje em dia está em qualquer esquina.

Então eu acho que é um momento bom. Eu acho que as mulheres também se ligaram: 'Ah, por que a gente também não pode?'. Então eu acho que é o momento pra ser mulher, tocar e esquecer isso. Vai tocar, que é uma coisa que te faz bem. Eu encaro a música assim.

É muito legal isso ser orgânico da sua parte. Por isso que eu falei da representatividade, porque tem muitas mulheres que, por exemplo, começam a tocar ou começam a cantar porque pensam: “Nossa, eu vi aquela cantora e me identifiquei muito, me inspirei”. Essa inspiração é importante. E, no seu caso, você ter tido isso não necessariamente por conta de uma representatividade, mas de uma forma bem mais orgânica nesse sentido, é excelente.

JL: Eu queria ser o Steven Tyler, do Aerosmith, eu queria ser o Sebastian Bach, do Skid Row, eu queria ser esses caras. E eu me inspirei neles porque eu gostava da música que saía deles quando eu era bem adolescente.

E aí foi que eu descobri que tinha mulher que tocava também naquela época, porque eu só conhecia os caras. No Brasil, tocava Guns N’ Roses, Aerosmith e Metallica. Tudo bando de homem. A única coisa que eu me sinto grata é de poder mostrar pra mulherada: 'Escuta, a gente também pode fazer'. E está tudo certo, porque é o que você falou. Acho que representar é o que é bacana.

E agora falando sobre o Brasil: claro que o público brasileiro a gente sabe que é puro calor e receptividade sempre. Qual é o sentimento de vocês em fazer parte do fortalecimento da cena a nível nacional? Porque uma coisa é vocês, sendo brasileiros, levarem isso lá pra fora; outra é tocar na terra de vocês. Querendo ou não, o DNA do Smith/Kotzen é cinquenta por cento brazuca.

BV: No palco, a gente está aí representando o nosso brasilzão. Cara, falar da expectativa para o festival já virou uma coisa rotineira pra gente, porque vai ser um grande momento.

Como estávamos conversando, a gente vê aí Mauá, não sei o quê, São Paulo ali, Júlia e tal, e, de repente, a gente volta pra casa, depois de tanto tempo morando fora, com um projeto tão bacana quanto esse. E eu acho que, falando também do ponto de vista do festival, é muito bacana ver que, com toda a coisa dispersa que existe hoje em relação à música — às vezes sendo só um objeto para outra coisa acontecer na frente —, você ter um festival dessa proporção no Brasil, em São Paulo, que está crescendo e já está consolidado é muito legal, porque é a valorização da música na veia.

Ali você vai ter tantos projetos diferentes, projetos novos. Essa própria reunião do Angra também, que é uma coisa diferente, que está todo mundo esperando um dia que acontecesse, e vai acontecer nesse festival. E é só alegria você ter música acontecendo. A gente vive pra isso, vive disso. E as pessoas precisam de mais música.

Pois é. Você aí duplamente nessa jornada.

BV: É, ali o bicho vai pegar! Jornada dupla!

Vai trabalhar nesse dia hein, cobra hora extra depois (risos).

BV: E falam que músico não trabalha, mas vou lá.

Ainda perguntam qual o seu emprego. Vê se pode...

BV: Exatamente! Eu vou terminar, tocar dois shows, aquecer três horas e as pessoas vão perguntar: você trabalha com o quê? Mas está tudo bem.

JL: Não sei se o pessoal é assim, mas teve uma época que era.

BV:  É assim até hoje. Esses dias eu vi um cara, alguma coisa assim de serviço público, falando: 'Você não precisa estudar, você pode ser músico". Tipo assim... (risos)

Puxa, que valorização (risos). 

BV: O cara é tipo vereador, um negócio assim. 'Ah, não sei o quê, não precisa estudar, você é músico', sabe assim? (N.: Júlia dando risada com o fato)

Até para tocar triângulo tem que ter uma puta técnica. Puta merda!

JL: Você tem que ter técnica pra tudo. E acho que tudo que você quer fazer bem feito, você vai ter que sentar, estudar, praticar e aprender. Mas voltando pra essa coisa do Brasil e fazer o festival, três anos atrás, ou dois, eu toquei com a Vixen aí e já foi um super momento. Foi a primeira vez que a banda tocou no Brasil.

Só que a gente tocou na área Vip, então foi meio triste, a gente não conseguiu tocar para todo mundo que queria assistir a gente. Agora voltar para o Brasil, para São Paulo, minha terra natal, fechar a turnê lá com o Smith/Kotzen, com o meu marido do meu Lado, com o Brunão, com o Adriano... Desculpa, com o Adrian (risos). 

Já está ficando brasileirada de novo, eu gosto disso (risos). 

JL: (mais risadas) Já está sendo surreal, eu já estou com a expectativa lá nas alturas. Já sei que vai ser uma adrenalina incrível, que a gente vai ficar tudo emocionado, porque vai ser o último show da turnê. Então, contando os dias para o festival.

Eu imagino. A nível pessoal, eu já estou chorando só de pensar. Estou muito animada, vocês não têm noção. Sou muito fã.

O que, na verdade, nós, fãs, podemos esperar desse show de vocês no Bangers? É claro que, se tiver surpresa, vocês não vão falar, mas vocês acham que vai ter alguma coisa diferente?Porque vocês estão na turnê do último álbum de vocês, só que sempre tem alguma coisinha ali. Estou gostando da sua cara, vou até deixar você falar (referindo-se ao Bruno).

BV: Essa sua pergunta pegadinha não vai colar. Surpresa, vai ter que estar lá no festival para ver.

JL: Vai pro festival ou vai pra Curitiba, sei lá...

BV: Se tiver, vai ser surpresa. Tem que estar lá para ver.

JL: A diferença que vai ser, que é óbvia, é que vai ser um show menor. O show de Curitiba vai ser o show inteiro, e o show do festival, como é só uma hora, a gente vai ter que fazer só a coisa bacana ali.

BV: Só creme!

JL: Só creme. Credo! É surpresa mesmo. O set, por sinal, a gente não sabe ainda. Eu acho que eles têm que pensar bem no que vão escolher pro show fluir legal e ainda tocar as que as pessoas esperam. Tem que ir, gente.

Qual que é a música, dentro do Smith/Kotzen, é a preferida de vocês. Qual é a música que vocês mais gostam e por que?

JL: Eu falei, na entrevista passada, que uma música que eu curti muito tocar nessa turnê foi "Blacklight", por conta da linha de baixo. É uma linha de baixo muito gostosa de tocar. (N.: Julia faz gestos da levada de bateria do refrão da música). Eu gosto muito dessa música porque ela é diferente de tocar. E, como já é bem no começo do show, já entra com todas as quatro. Então, eu acho uma música muito legal, bem funcional também para o show e para a energia da galera.

BV: Eu também gosto bastante dessa, tem essa coisa meio Funk Rock ao mesmo tempo. É bem legal! Bom, eu gosto bastante da "Blindsider". E gosto da "Hate and Love" por diversos motivos, mas um deles é que eu gosto dessa coisa do groove meio reto, mas que é meio funk também. Ao mesmo tempo, a gente consegue dar uma "funkeada" num Rock Funk que eu acho que fica bem bacana. Então, essas são minhas preferidas.

No festival, obviamente, vocês falaram que o show vai ser menor, vai ser ali uma hora de show, mais ou menos. Então, vocês falaram que ainda não sabem o set. Vocês não fazem ideia do critério que é usado para montar esse set?

JL: Algumas dessas músicas foram tocadas em algumas rádios. No Brasil eu não sei, mas eu sei que tem umas músicas que a gente sabe que não podem faltar, mesmo por nós mesmos. A gente vai querer tocar certas músicas.

Então, acho que o critério são as músicas que são óbvias para a gente: essa música não pode faltar por vários motivos, ou porque tocou em algum lugar. E provavelmente eu imagino que, por ser um festival mais metal, a gente não vai fazer muito as que são muito baladas ou mais devagar. Não sei o que o Bruno acha, porque a gente também não sabe o set ainda.

BV: Eu acho que o critério é bem esse mesmo. Primeiro, pensando em festival, é você provavelmente eliminar algumas baladas, porque você quer aquele show com um andamento mais empolgante, meio que do começo ao fim. Então acho que o critério talvez principal, inicial, seria talvez tirar um pouco de balada e pensar nisso. Obviamente vem a estrutura da produção da banda, do que tocou em rádio, o que a galera quer mais, está pedindo e tal. O pessoal monitora também o que o pessoal está pedindo para não poder faltar.

Até para manter o clima, coesão.

BV: Exatamente. É um festival, a galera não quer ir lá para dormir, o pessoal quer coisa empolgada. Então, vai entregar isso no show, com certeza.

Tem alguma que vocês acham que não pode faltar de jeito nenhum?

BV: A primeira do show, por exemplo, a Life Unchained. Eu acho que essa aí é uma que já tem que começar mesmo dando tapa na cara de todo mundo. 

JL: Provavelmente, porque ela já vai com tudo.

Então é um acordo entre vocês? É essa música mesmo?

BV: Eu acho que isso aí não vai mudar não.

JL: E tem uma íntro, que a gente entra com a intro da própria música tocando, então já dá aquela vibe. Aí o Adrian já começa e a gente já vai com tudo. É a primeira do álbum também não é Bruno, do álbum novo?

BV: Uma pergunta boa, mas acho que sim.

JL: Acho que é a primeira do álbum.

BV: Tem aquela intro, estou lembrando aqui. Isso mesmo.

JL: Essa vai ter que estar.

Só para a gente finalizar, mandem um recadinho para os brazucas, os fanzão aqui — isso me inclui. Pensa no meu gato, pensa que eu sou legal.

BV: Bom, o que eu posso dizer da minha parte é que podem esperar um show incrível. Vamos entregar o máximo que a gente tem pra entregar no palco. A expectativa está a mil. Vai ser incrível. Como a gente comentou, essa troca de energia, de empolgação do público — que a gente já sabe que o Brasil é imbatível na empolgação —, e você ter essa troca no palco, você ver aquela reação… eu já consigo imaginar o que vai acontecer. Então isso já me empolga de estar lá também. Então vai ser muito legal.

JL: E a gente quer convidar todos vocês para o dia 26 de abril, domingão, 17h15. A Amanda vem, ela vai trazer o gato...

Doritão vai estar lá. É Doritos o nome do meu gato, vai estar lá.

BV: Vai ter que colocar um protetor no animal, senão ele não vai aguentar.

Ah, ele é bem vida louca, viu?

JL: Ah, é? Mas leva o pobre Doritos. E quem puder, ouve as músicas, já vai se preparando, porque o set vai ser legal, vai ser bacana. A gente vai manter a energia lá em cima e a gente quer fazer essa troca com o Brasil, porque eu, pelo menos, faz três anos que não toco no Brasil. O Ritchie e o Adrian já estão mais acostumados, mas vamos que vamos.