segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.

Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.

Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.

A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições. 


ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.

Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.

Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.


EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.

Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.

Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.

A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.


A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.

Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.

Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.

Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor. 


ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.

A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de tocar “Pieces”, ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.

Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Abdukhanov, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.

Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais, Jinjer entregou uma experiência que permanece, daquelas que ficam no corpo e na memória.


KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.

Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa –  explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.

PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Marcos Hermes

No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça por que é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional  e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow, mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the Soul, garantindo conexão imediata com os fãs.

No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas 'caretas' que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega, mesmo com pequenos ajustes técnicos perceptíveis na bateria durante a apresentação, mas nada que comprometesse o andamento do show. O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. 

Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras  e prova, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.


ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).

Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.

Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.

Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.

The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.

Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.


ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power e elementos extremos, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas, uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.

No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética. Dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Sua performance carrega elementos do teatro musical, criando a sensação de uma personagem mítica, quase uma "sereia", conduzindo o público por essa jornada. A conexão era imediata: entre interações carinhosas e constantes elogios à plateia (“You’re amazing!”), Adrienne demonstrava uma entrega genuína que se refletia no público, visivelmente emocionado. O baixista Peter de Reyna também reforçou essa proximidade, lembrando que a presença da banda ali era resultado direto do apoio dos fãs brasileiros.

Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb”, “Architect of Creation” e “Love’s Souvenir” reforçaram a força criativa da banda, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. 

Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não faltam. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.


O ICE EM "IN FLAMES"

Texto: Erick Azevedo 

Fotos: Edu Lawless 

No último sábado, 25/04, São Paulo viveu uma noite de pura intensidade com o show do In Flames. Vindos diretamente da Suécia, os pioneiros do melodic death metal, seguem como um dos nomes mais respeitados do gênero e deixaram claro que sua conexão com o público brasileiro continua mais forte do que nunca.


Com pontualidade, a apresentação começou às 19:15 com “Pinball Map”, abrindo o show de forma intensa e imediatamente levando o público ao delírio. A partir daí, o Ice Stage do Bangers Open Air 2026, colocando o festival literalmente "In Flames": moshs intensos tomaram conta da pista, sinalizadores acesos coloriram o ambiente e milhares de vozes em coro criaram uma atmosfera envolvente do início ao fim.


A presença de palco de Anders Fridén foi incrível, carismático e totalmente conectado com o público, o vocalista conduziu o show com maestria, alternando momentos de intensidade com interações cheias de energia. A qualidade do som e o peso das músicas contribuíram para uma experiência incrível, que conquistam até quem ainda não é fã.


O momento mais triste foi o anúncio do fim, mas valeu a pena cada minuto. Em uma hora de show, a banda sueca trouxe nostalgia e atualidade, com um setlist mesclando sucessos arrepiantes. (Menção honrosa para "Only For The Weak", "Cloud Connected", "Deliver Us", "I Am Above", "In The Dark" e "Take This Life"). Nessas, o público representou muito com um coro impressionante. 


A entrega superou todas as expectativas: muita energia, qualidade audiovisual impecável e um final triunfal. Deixaram aquele "gostinho de quero mais". Foi um show simplesmente incrível, mas não poderíamos esperar menos vindo do In Flames.

A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.

Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve –comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.

A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.

Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.

Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.

O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.

Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.

O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.

O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Lucifer – setlist:

Anubis

Crucifix (I Burn for You)

Riding Reaper

Lucifer

Wild Hearses

At the Mortuary

Slow Dance in a Crypt

The Dead Don't Speak

California Son

Bring Me His Head

Goin' Blind (KISS cover)

Fallen Angel


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

Architects of the New Weave

Leaving the Emptiness

OXYGEN!


Feuerschwanz – setlist:

Drunken Dragon

Memento Mori

Untot im Drachenboot

Knightclub

Bastard von Asgard

Name der Rose

Ultima Nocte

Testament

Berzerkermode

Dragostea din tei (O‐Zone cover) 

Valhalla

Das Elfte Gebot


Killswitch Engage – setlist:

Fixation on the Darkness

In Due Time

The End of Heartache

Aftermath

Rose of Sharyn

This Is Absolution

Broken Glass

Hate by Design

Forever Aligned

The Signal Fire

I Believe

The Arms of Sorrow

Strength of the Mind

This Fire

My Curse

My Last Serenade

Holy Diver (Dio Cover)


Crÿpta – setlist:

Death Arcana

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

The Outsider

I Resign

Stronghold

Under the Black Wings

Dark Clouds

The Other Side of Anger

Trial of Traitors

Dark Night of the Soul

Starvation

Lord of Ruins

From the Ashes


Black Label Society – setlist:

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn


Seven Spires – setlist:

Songs Upon Wine-Stained Tongues

Almosttown

No Words Exchanged

Oceans of Time

Unmapped Darkness

Succumb

Shadow on an Endless Sea

Portrait of Us

Architect of Creation

Love's Souvenir


Arch Enemy– setlist:

Yesterday Is Dead and Gone

The World Is Yours

Ravenous

War Eternal

Dream Stealer

To the Last Breath

Blood Dynasty

My Apocalypse

Bury Me an Angel

The Eagle Flies Alone

No Gods, No Masters

I Am Legend/Out for Blood

Dead Bury Their Dead

Snow Bound

Nemesis

Fields of Desolation

Elder: Uma Viagem Auditiva

 


Por: Fernanda Vidotto

Convido à todos os apreciadores de rock psicodélico uma atenção especial à banda Elder.
Formada em 2006, Massachusetts nos Estados Unidos em e hoje situada em Berlin, Alemanha, a banda traz em sua formação atual os membros:
Nick DiSalvo – vocal, guitarra solo, composição (2006–presente), Jack Donovan – baixo (2008–presente), Mike Risberg – guitarra, teclado (2017-presente) e Georg Edert – bateria (2019-presente).

É uma banda que tem várias influências de estilos, transitando entre o Rock Psicodélico, Metal Progressivo e Desert Rock.

Ouvi o álbum atentamente pois é muito interessante sua construção de sonoridade. O álbum é dividido em seis faixas que se complementam entre si.

Eu destacaria entre as faixas do Álbum "Through Zero" que dá o título ao álbum e a faixa " Strata" que aguçam os sentidos extra sensoriais, reflexos das variadas camadas em que cada faixa acaba te envolvendo, e até mesmo transmitindo um estado paralelo de realidade. É como se você fosse puxado para outra dimensão. As faixas são longas, mas jamais soam enjoativas.


Aos fãs de Yes, Pink Floyd e ao mesmo tempo de Stoner Metal como Weedian e Kadavar, e também de Metal Progressivo essa é uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho da banda 
Elder. 

O álbum será lançado pela Stickman Records na Europa e Blues Funeral Recordings nos Estados Unidos em 29 de maio de 2026.

Cumpre a proposta e tem uma musicalidade única. Ouça e tire suas conclusões.


Tracklist:
Sigil To Ruin
Capture/Release 
Through Zero
Strata
Sight Unseen
Blighted Age 

Redes Sociais:
Instagram 

Assessoria: All Noir
Selo: Stickman Records - Europa, 
Blunes Funeral Recordings - USA, Bird's Robe i
Australia




domingo, 10 de maio de 2026

Draconian: O culto à melancolia

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana

O Draconian é uma banda de Gothic Doom Metal formada na Suécia em 1994, que definitivamente sabe transformar poesia em sonoridade densa e melancólica.

Não foi diferente em In Somnolent Ruin, oitavo trabalho da banda, lançado quase seis anos após o aclamado Under a Godless Veil (2020). O álbum chega em um momento importante da trajetória do Draconian: o primeiro registro após o retorno de Lisa Johansson, que deixou a banda em 2011 por motivos pessoais e retornou em 2022, substituindo Heike Langhans.

A comparação com Under a Godless Veil é inevitável. O álbum anterior consolidou ainda mais a estética melancólica e contemplativa que se tornou marca registrada do Draconian. Entretanto, In Somnolent Ruin aprofunda essa identidade com uma abordagem mais introspectiva, filosófica e emocionalmente austera. Embora o disco não busque reinventar a fórmula da banda, encontra força justamente na maturidade com que aprofunda sua própria essência.

As letras de Anders Jacobsson caminham para um olhar quase platônico no sentido filosófico e contemplativo. O álbum aborda emoções como entorpecimento, alienação, o “desenraizamento” do mundo moderno, a dor e a angústia da desilusão, sentimentos tão inerentes ao ser humano, apresentados aqui de maneira extremamente poética.

O disco contém nove faixas. A abertura, “I Welcome Thy Arrow”, inicia de forma minimalista e soturna, conduzida pela voz etérea de Lisa Johansson, antes de explodir no peso característico do gothic doom metal e no gutural esmagador de Anders Jacobsson. A letra contempla a relação entre caça e caçador, impotência e sofrimento, tratando a dor quase como instrumento de despertar. A faixa estabelece com precisão a identidade emocional e sonora que o álbum pretende desenvolver.

“Anima”, que conta com a participação de Daniel Änghede (ex-Crippled Black Phoenix), é uma das músicas mais melancólicas do álbum. A faixa começa com a voz limpa de Daniel, que logo se funde à de Lisa, criando uma atmosfera íntima, obscura e quase cinematográfica. Os três vocais constroem uma experiência emocional profunda, enquanto a música aborda aceitação, fragmentação psicológica e integração da própria escuridão.

Já “Cold Heavens” surge como uma das faixas mais dinâmicas e pesadas do trabalho. Anders apresenta um vocal ainda mais visceral, enquanto Lisa explode no refrão com a carga emocional necessária para sustentar a proposta da música. A faixa fala sobre vida, morte e o desespero de existir em um mundo frio, paralisante e sem perspectiva.

Destaque também para “Misanthrope River”, faixa que ganhou videoclipe e se inicia com a frase: “Estou muito sozinho neste mundo, mas não sozinho o suficiente para consagrar a hora”, de Rainer M. Rilke, poeta conhecido por sua intensidade lírica e reflexões existenciais. Assim como a obra de Rilke, a música mergulha em sentimentos de isolamento e desconexão diante do mundo moderno. O próprio título sugere rejeição ao comportamento humano, enquanto versos como “De onde nada é o que parece / Eu nunca pedi por isso” reforçam o desencanto diante da superficialidade e do vazio existencial contemporâneo.

Para encerrar o álbum, “Lethe” surge como uma conclusão quase ritualística. Inspirada no “Rio do Esquecimento” da mitologia grega , passagem para o submundo, a faixa apresenta referências gnósticas e espirituais profundas. “Um arconte espera pelo rio”, figura associada ao aprisionamento da alma no mundo material, aguardando a ruína inevitável. O eu lírico então se entrega a essa presença assombrada sem resistência. Musicalmente, a composição encerra o álbum de forma grandiosa, com andamento arrastado, teclados épicos e uma construção sonora contemplativa que conduz o ouvinte delicadamente ao fim dessa jornada melancólica, reforçando a identidade gnóstica da banda.

A sonoridade de In Somnolent Ruin é impecável e certamente agradará aos amantes do doom gothic metal tradicional. As guitarras de Under a Godless Veil eram mais densas e cadenciadas, focadas em uma atmosfera sufocante e obscura. Em In Somnolent Ruin, a banda adota uma abordagem mais paciente e contemplativa, sem abandonar o peso característico do doom metal. Johan Ericson e Niklas Nord também conseguem presentear o ouvinte com solos mais destacados e emocionais, tornando a experiência sonora ainda mais impactante.

É inegável a química vocal entre Lisa Johansson e Anders Jacobsson. Lisa traz um vocal limpo, lúcido e espectral, que dialoga perfeitamente com a proposta do álbum, contrastando de maneira coesa com o gutural profundo e sombrio de Anders.

O Draconian continua demonstrando enorme habilidade em construir monumentos sonoros a partir da melancolia, equilibrando peso extremo com temas sensíveis e emocionalmente complexos. Definitivamente, não é uma banda que abre espaço para superficialidades.

In Somnolent Ruin é um álbum introspectivo e maduro, de produção quase cinematográfica, etérea e hipnótica, capaz de transportar o ouvinte para paisagens gélidas e dias melancólicos de forma profundamente poética. Para quem se permitir vivê-lo, trata-se de um mergulho em águas profundas do próprio eu, pois In Somnolent Ruin não busca escapar da escuridão, ele aprende a habitá-la.

Therés Stephansdotter Björk


Cobertura de Show: FM – 05/03/2026 – Burning House/SP

FM faz apresentação impecável e cativante em São Paulo, na celebração de 40 anos de “Indiscreet"

Há bandas que chegam a 40 anos ou mais de existência, com ou sem pausas, com um vigor ou qualidade sonora tão bons quanto nos primórdios. O FM, grupo londrino de Hard Rock com grande relevância na cena AOR (Adult-Oriented Rock, ou Álbum orientado a adultos), mostrou que, no caso deles, isso é aplicável, ainda mais em um contexto de especial como o do último dia 05 de março, na Burning House, Zona Oeste de São Paulo, onde o quinteto fez um show da turnê de celebração de 40 anos do álbum de estreia, “Indiscreet”. O evento foi organizado pela própria casa de shows.

Esta foi a segunda passagem da banda em solo brasileiro e somente na capital paulista, sendo a primeira em 2024, na turnê de 40 anos da fundação do grupo. A apresentação não contou com aberturas e gerou uma boa lotação no local em uma plena quinta-feira. Os presentes, além de ouvirem “Indiscreet” em uma ordem diferente da versão de estúdio, ainda presenciou uma sequência com clássicos do segundo álbum do FM, “Tough It Out” (1989), e mais três de outros álbuns da banda.

Tanto os fãs quanto a banda tiveram momentos animados e total dedicação às interações propostas pelo frontman Steve Overland, batendo palmas, criando corais líricos e aclamando cada solo instrumental, linha de destaque, introdução marcante ou nota vocal executada no show. Você confere mais detalhes a seguir.


Celebrando os 40 anos de “Indiscreet” 

Ter chegado perto do início do show me ajudou a ter a percepção da lotação do local, que foi praticamente total salvo alguns espaços de circulação. Para os fãs da banda e/ou do Hard Rock, não importava que era uma quinta-feira à noite, pois era uma noite de celebração.

O show, que não contou com aberturas, começou de fato às 21h32, em meio ao que parecia a introdução da Fox Films e somente a entrada de Pete Jupp (bateria). Subiram ao palco, logo depois, os demais membros de instrumentos, em semblante alegre até mesmo antes da escadaria, enquanto a segunda introdução, a música da Pantera Cor-de-rosa, tocava: Jem Davis (teclados e sintetizadores), Merv Goldsworthy (baixo e backing vocal) e Jim Kirkpatrick (guitarra).

O quarteto no palco iniciou os primeiros acordes de “Digging Up the Dirt" e, na sequência, Steve Overland (vocal e guitarra rítmica) fez sua entrada para fechar a formação e iniciar de vez a apresentação. A faixa em questão, que faz parte do disco "Heroes and Villains”(2015), mostrou que, apesar de a noite ser uma celebração para o álbum “Indiscreet", não haveria prioridade inicial ou a obediência com a sequência original do disco de 1986. E isso ficou evidente ao longo do show, apesar de não ser algo que incomodou aos que presenciaram o show na Burning House.

A faixa de abertura do setlist, que teve 19 faixas no total (a maior parte do álbum de estreia), foi um aquecimento para uma banda animada durante e depois da música, com a saudação animada encabeçada por Overland; e para um público que demonstrou euforia desde o começo. E essa sensação e a expressão de alegria cresceram ainda mais quando "That Girl”, faixa que abre o primeiro disco de estúdio do FM, foi tocada. A boa execução do quinteto levou a pulos de parte da galera e, de forma quase unânime e uníssona, aos cantos nos refrões da faixa.

“Other Side of Midnight” e ˜Love Lies Dying” vieram na sequência, fechando as três primeiras faixas do álbum na ordem ao contar com a segunda do setlist. Duas músicas que remetem bem ao estilo sonoro que definiu parte distinta das bandas de Hard Rock dos anos 80, com um pézinho no Pop, solos repletos de Feeling (e que ótimas execuções da parte de Jim Kimpatrick), bons trechos de teclado e bons refrões, A combinação foi perfeita para manter o misto nostálgico e agradável do público presente.

A viagem por “Indiscreet” seguiu, porém pulando uma faixa da ordem do álbum - que veio a ser tocada depois -. Assim, “American Girls” retomou a um Hard Rock clássico e bem orientado ao chamado AOR, ao mesmo tempo que a faixa lembrou algo parecido com “Jump", do Van Halen. Mas nada de achar isso ruim, e sim acreditar em uma inspiração excelente, ainda mais com o ânimo evidente de Jem Davis nos teclados. 

"Frozen Heart", oitava faixa do debut do FM e sexta do setlist em São Paulo, surgiu como uma balada triste. Foi amplamente comemorada e cantada pelos fãs presentes ao longo da música, além de contar com uma boa leva de solos de Jim e, ao final, um falsete de Steve Overland que levou o público aos gritos e aplausos. Já "Hot Wired” veio como uma faixa mais Pop Rock, porém sem tirar a base Hard do álbum e com um demonstrativo claro de sinergia entre os integrantes somada com as interações entre eles e com a plateia.

Steve Overland, em mais um discurso, reforçou a importância e a comemoração em cima de “Indiscreet”, elogiando a fanbase como um todo: “O álbum faz 40 anos e nós os amamos há 40 anos também", declarou o frontman do FM.

O show seguiu com mais uma dobradinha do debut sem a ordem da tracklist original: “Face to Face” e “I Belong to the Night” foram amplamente comemoradas e cantadas, reforçando os patamares de clássicos que têm junto a outras faixas do disco. A primeira citada teve o par de solos de Jim e Overland como destaque, enquanto a segunda trouxe o ápice das interações desse show, quando o vocalista do FM pediu para que o público cantasse trechos da faixa e alguns momentos de refrão. A resposta do público levou Steve a falar “Fantastic” por várias vezes, assim como ele também foi aclamado com os falsetes impressionantes no final da música, muito próximos do que executava há 40 anos.

O fim da passagem por “Indiscreet” se deu com mais duas músicas. “Heart of the Matter”, que fecha o álbum na versão de estúdio, teve seus trejeitos de anos 80 a partir dos teclados, o ritmo embasado em características Hard Rock e Pop e um refrão que repete o nome da faixa, algo que o público também fez durante a música. Já “Dangerous”, que fechou este "quase primeiro ato” do show, foi parcialmente prejudicada por uma interferência no som que prejudicou o vocal e, por um trecho, as guitarras, deixando o solo da faixa mais  baixo. Nada que fosse problema para uma rápida correção e uma boa finalização de um álbum que marcou e tanto, logo no começo, a carreira do FM.

Do primeiro para o segundo álbum (e outros sucessos)

A considerada segunda parte do show trouxe, em boa parte, faixas do segundo LP do FM, "Though It Out", lançado em outubro de 1989, além de uma faixa representante para os discos ˜Aphrodisiac” (1992), “Atomic Generation” (2018) e "Synchronized” (2020).

E esse bloco começou justamente com a mais nova das faixas, que leva o nome do álbum de 2020. O ritmo, muito bem cadenciado pelos pedais de Pete Jupp, logo foi incrementado pelas linhas e movimentações animadas de Jim e sua guitarra e de um baixo ainda mais potente da parte de Merv, respondidos com as palmas ritmadas da plateia já na reta final da faixa.

Já "Let Love Be the Leader” foi amplamente aclamada a partir das primeiras notas dos teclados de Jem, que anunciaram um Hard+Pop clássico e empolgante para um público que acompanhou fortemente o vocal de Steve Overland do início ao fim, principalmente os coros em “uoooo”. Steve, inclusive, mesmo em um tom um pouco diferente da versão de estúdio, mandou muito bem na execução vocal da música em questão. 

Já “Someday (You'll Come Running)”, outro clássico do FM, teve coro do público ainda maior ao longo da faixa. “Does It Feel Like Love” veio praticamente na sequência, contando com uma ótima linha de baixo geral e um trecho de destaque para Merv, além de outro falsete absurdo de Steve Overland para fechar a faixa.

O solinho inicial de Overland e Kirkpatrick deu o início épico para a aclamada "Bad Luck", que não deixou de ser cantada pelos fãs presentes, algo que se manteve muito bem executado na pista para a faixa seguinte, “Tough It Out”, iniciada sob ritmo dos teclados e sintetizadores e cuja sonoridade geral veio logo após o primeiro “ooouoooo” tanto de Overland, quanto da galera da pista. Talvez tenha sido o momento de melhor exploração dos tons variados de voz do frontman do FM, que junto ao restante da banda, finalizou a faixa de forma épica antes da pequena pausa.

Passados alguns minutos e os coros clássicos de “olê, olê” que são comuns na maioria dos shows em São Paulo, os membros do FM voltaram para mais duas músicas. “Closer to Heaven”, do álbum “Aphrodisiac”, veio como uma balada muito cadenciada no Blues Rock e que, da mesma forma que nas músicas com elementos Pop, não deixou de lado o Hard Rock característico. Steve não somente deu show vocal, como também no solo de guitarra que executou.

O gran finale da noite se deu com ˜Killed by Love˜, do “Atomic Generation”, numa representação mais fidedigna ao Hard Rock com “refrão chiclete” e que direcionou a um repertório mais recente e que, analisando o setlist, pode ser que, mesmo sem a intenção clara da banda, é um direcionamento para mostrar que o FM tem mais lançamentos além dos que foram clássicos no final dos anos 1980.

E o fim do show, após tamanha entrega dos músicos, sinergia entre os mesmos, bom repertório e execução geral impecável, me gerou uma dúvida: como o FM, depois de um boom nos anos 80 e lançamentos constantes desde o álbum de retorno (“Metropolis”, 2010), demorou tanto para vir ao Brasil - a primeira vez em 2024, na comemoração de 40 anos de banda -? Seja qual for o motivo, não muda a percepção de que, se viessem nos 11 anos iniciais e nos 18 desde o retorno da banda, teriam uma base de fãs ainda maior e que trariam mais da valorização que a banda merece, tamanha a competência sonora no palco. O que vale, por agora, é torcer tanto para que venham o mais breve possível, quanto para que mais pessoas aqui no Brasil possam conhecer o FM.

Texto: Tiago Pereira

Fotos: Amanda Vasconcelos

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: DNA Rock Events

Press: Ase Press


FM – setlist:

Digging Up the Dirt

That Girl

Other Side of Midnight

Love Lies Dying

American Girls

Frozen Heart

Hot Wired

Face to Face

I Belong to the Night

Heart of the Matter

Dangerous

Synchronized

Let Love Be the Leader

Someday (You'll Come Running)

Does It Feel Like the Love

Bad Luck

Tough It Out

Closer to Heaven

Killed by Love