Smith/Kotzen estreia no Brasil e conquista Curitiba com classe e talento
Finalmente, uma sexta-feira com peso e majestade em Curitiba, foi no dia 24 de abril de 2026, com a primeira apresentação do projeto Smith/Kotzen no Brasil. Além de Curitiba, a banda também se apresentará em outras cidades, inclusive no festival Bangers Open Air em São Paulo. E para aqueles que não poderão comparecer ao festival, nada melhor do que um espetáculo com músicos experientes "em casa".
A noite prometia, afinal: falem o que falar, tratava-se de Adrian Smith (Iron Maiden) em Curitiba, o saudosismo dos fãs acaba ganhando o espaço. Entretanto, não tem como ignorar o imponente Richie Kotzen, que deu show de simpatia e talento, sem falar que é um músico que marcou gerações no Mr. Big e ainda nos emocionou no primeiro Bangers Open Air (ainda com o nome SummerBreeze Brasil) em 2023, com o Winery Dogs, ao lado de Mike Portnoy (Dream Theater).
Além disso, para completar o grupo, temos a baixista Julia Lage (Vixen) e Bruno Valverde (Angra) nas baquetas. Importante ressaltar a dinâmica da banda com Julia, que fazia a ponte perfeita entre as duas lendas, esbanjando carisma com troca de olhares e gestos com o público e o conterrâneo brasileiro Bruno.
Novamente, no Tork N' Roll foi noite de uma banda só, com horário de início às 21h, seguido quase à risca, com um mínimo atraso de 10 minutos. O local estava com bastante público, mas longe da lotação máxima, o que deixou o evento mais confortável, sem filas, ar-condicionado perfeito, sem empurrões, ninguém "passando dos limites na bebida", enfim, um público bem "britânico", ou melhor, "curitibano". A faixa etária era claramente composta de pessoas acima dos 35 anos, com predominância de camisetas do Iron Maiden desfilando na passarela do Tork, salvo alguns que adquiriram as camisetas Smith/Kotzen, que, permitam-me dizer, eram muito elegantes e de bom gosto.
Todos prontos? Vamos para o Smith/Kotzen, que sobe ao palco um pouco desajeitado, mas acredito que ninguém percebeu, nem faria alguma diferença mesmo. A noite começa com ansiedade da pista premium e com a execução tímida de "Life Unchained", seguida sem pausa por "Black Light" e "Wraith". Aos poucos os músicos foram ficando mais à vontade para conversar com o público, mas não tem como negar o jeito mais inglês de Adrian Smith, se comparado com o jeito descontraído de Kotzen, que brilhou muito nesta noite de sexta.
A interação entre os músicos era perfeita, tornando o espetáculo em um show de técnica. As guitarras de Adrian sempre foram perfeitas, mas é inegável que ganham um "plus" quando acompanhadas do vocal nostálgico de Richie, além do toque especial do baixo de Julia, sempre movimentando-se de um lado para outro. Por fim, com o grande Bruno Valverde, o nó fecha perfeitamente em um hard rock de excelente qualidade, riffs precisos, solos eloquentes e composições emocionadas. Este projeto já nasceu para o sucesso e passou no teste com louvor, pois o público curitibano enfim rendeu-se totalmente à dupla.
Ponto alto da noite para a execução de "Hate and Love", momento em que o público realmente "esquenta", euforia em "Scars" e "Running", tocada com muita emoção. Quase no final da apresentação, fomos presenteados com a belíssima "You Can't Save Me", com total devoção por parte de Kotzen. E para finalizar a noite, eis que surge a emblemática "Wasted Years", cantada bem ao estilo Adrian Smith, mas que deixou todos ali presentes em êxtase, palavra que define perfeitamente os Iron "maníacos" chorando a plenos pulmões, e sim, foi lindo!
E por fim, vou terminar com uma frase que ouvi muito durante toda a noite: "Ahh, mas é o Adrian Smith né!!!", referindo-se ao guitarrista, que dificilmente consegue desvincular sua figura de qualquer outro nome, por mais brilhante que seja o Smith/Kotzen.
Após três anos sem pisar em solo brasileiro, o In Flames retorna como um dos headliners do Bangers Open Air. A fim de aproveitar a passagem, os suecos agendaram igualmente uma série de apresentações solo para divulgar seu último álbum, Foregone, de 2023, com duas datas em São Paulo e uma em Curitiba.
Com uma carreira plenamente consolidada, o grupo é considerado um dos pilares que definiram os tropos do Gothenburg Sound, a icônica mescla de Death Metal com elementos melódicos. Diferentemente de outros conterrâneos, eles jamais tiveram medo de arriscar; ao longo dos anos, adotaram um caminho artístico mais alternativo, optando por uma produção límpida e moderna, somando vocais limpos a batidas eletrônicas, sem jamais negligenciar o peso e a melodia. Talvez seja por essa razão que o último trabalho funcione tão bem, buscando um retorno às raízes sem renegar toda a sua trajetória de experimentações.
A abertura ficou sob a responsabilidade do Throw To The Wolves, banda paulista que busca espaço para difundir também seu death metal melódico. Pontualmente no palco às 20h, os "lobinhos" (como se autodenominam) tinham a árdua tarefa de animar o público paulista em uma noite de quinta-feira.
Com a casa ainda recepcionando os espectadores, o show ocorreu para uma pequena e mansa alcateia, termo utilizado por eles para designar os fãs. Apesar disso, entregaram uma performance muito profissional e consistente para os presentes.
Cerca de meia hora depois, foi o momento de a atração principal subir ao palco. Devido à semana repleta de eventos em São Paulo, os entusiastas do metal precisaram realizar escolhas. Compareceu um público relativamente moderado, o qual, entretanto, agitou e se fez ouvir desde o início da apresentação com a clássica Pinball Map, fazendo os admiradores da fase inicial sorrirem de orelha a orelha.
No decorrer da noite, foram apresentadas composições pesadas de várias épocas, focando sobretudo nas mais recentes. Tal foco não representou um problema, visto que, em Deliver Us, a plateia cantou como se fosse a última oportunidade de vê-los ao vivo; já em State of Slow Decay, faixa do disco mais atual, o coro e os mosh pits confirmaram seu status de clássica. O ápice foi a trinca composta por Cloud Connected, Trigger (ambas do Reroute to Remain, obra que dividiu opiniões por trazer elementos novos) e Only for the Weak, da fase mais tradicional. O bloco tirou o fôlego de todos, levando ao bate cabeça enquanto entoaram a silaba de cada canção.
Vale ressaltar que a performance foi impecável; os veteranos Anders Fridén (vocais) e Björn Gelotte (guitarra) esbanjam presença e carisma. Eles brincam e dialogam com os fãs durante todo o set. Além disso, elogiaram muito o Brasil e agradeceram pelo imenso carinho dos brasileiros. Com o espetáculo se aproximando do fim, a energia diminuiu levemente, apenas para explodir novamente na derradeira canção, Take This Life, encerrando com chave de ouro uma excelente passagem dos suecos.
O futuro não é dado, é tomado! O poder retornando ao povo! É o brado que ecoa neste dia 1° de maio, lançamento oficial do novo vídeo e single de Lyra Echo, a mais subversiva criação do mastermind Alex Voorhees (Imago Mortis).
Neste novo vídeo, a alienígena Lyra Echo e sua SSS, juntam-se a uma aliança rebelde mundial para o golpe final na minoria elitista, que havia tomado o poder.
Alex Voorhees
Então sejam bem-vindos à 2041, e nesse futuro distópico, com trilha Cyber Punk/Industrial, e com semelhanças bem próximas de nossa realidade, Lyra Echo e Cia evocam uma rebelião que urge e se insinua necessária, para que o poder retorne às mãos do povo e do trabalhador, que tudo produz e a ele tudo deve pertencer.
“É hora do reboot! Vocês estão prontos para eliminar a elite?” Conclama Lyra, e "No Masters, No Gods, Just Admins" não é apenas uma música; é uma insurreição visual e ideológica contra os monolitos corporativos do futuro.
"Bilionários constroem bunkers, trabalhadores constroem o futuro. Feliz 1º de Maio — o dia do System Override!"
O Capitalismo fracassou. O Tecno feudalismo que surgiu de suas cinzas — com sua servidão digital e seus "Lordes" bilionários — acaba de ser deletado.
"Enquanto a elite se esconde como ratos em seus super-bunkers reforçados, achando que o concreto pode parar uma revolução, nós estamos retomando a superfície. Hoje, no Dia Internacional do Trabalhador, lançamos a arma sônica que quebra as correntes: meu novo single 'No Masters, No Gods, Just Admins.' " 🎸💻
"Os 'Aliados Interestelares' que o sistema tanto temia? Somos nós. Lyra Echo e o Trio SSS - chegamos para garantir que o reboot seja total. E não viemos sós: o lendário Carlos Lopes (Dorsal Atlântica) retorna para triturar a trilha sonora da insurreição, enquanto o guerreiro tático Carlos Garcia (CG), do Road to Metal, rompe os últimos firewalls."
A era dos "Dunos" acabou. O acesso Root foi concedido ao povo. 🛸✊
Saiba mais sobre Lyra Echo no canal oficial do YouTube
Música e Ficção (mas nem tanto) se unem neste projeto, que une a tecnologia e a mente humana.
Lyra Echo é uma personagem criada por Alex Voorhees, mais conhecido por ser vocalista do Imago Mortis. Alex é também produtor e compositor.
Lyra é uma alienígena híbrida, a tecnologia de seu povo lhe permite viajar pelo espaço tempo. Assim como seu povo, é uma obstinada pela luta contra desigualdades e quaisquer atos nocivos contra o meio ambiente.
As imagens são geradas por IA a partir dos roteiros criados por Alex, e as músicas compostas por ele, inclusive linhas vocais, as quais são alteradas depois para dar vida aos vocais da personagem.
Poucos nomes no hard rock carregam um legado tão distintivo quanto o de George Lynch — e The Final Ride chega como o capítulo derradeiro dessa história, capturando o Lynch Mob em sua despedida dos palcos com a intensidade e a crueza que sempre definiram sua identidade. Mais do que um simples registro ao vivo, o álbum funciona como uma celebração definitiva de uma carreira marcada por riffs icônicos, atitude e uma abordagem visceral ao gênero.
Construído com precisão quase curatorial, o setlist percorre diferentes fases da trajetória de Lynch, equilibrando o peso fundacional de Wicked Sensation (1990) com recortes de momentos distintos da banda, incluindo o álbum homônimo de 1992 e trabalhos mais recentes como Babylon (2023) e Dancing with the Devil (2025). O resultado é uma narrativa sonora que evita a nostalgia fácil, optando por uma retrospectiva dinâmica e coerente.
A inclusão de clássicos da era Dokken — “Lightning Strikes Again”, “It’s Not Love” e “Paris Is Burning” — não soa como mero fan service, mas como parte essencial da construção estética de Lynch. Essas faixas reforçam seu papel como um dos arquitetos do hard rock oitentista, ao mesmo tempo em que ganham nova vida em um contexto mais cru e imediato.
Gravado, mixado e masterizado por Chuck Alkazian no Pearl Sound Studios, The Final Ride aposta em uma sonoridade direta e sem excessos. Há uma escolha clara por preservar a espontaneidade do palco, evitando polimentos excessivos. O resultado é um álbum que respira — imperfeito no melhor sentido possível, com nuances que revelam a interação orgânica entre os músicos.
E, no centro de tudo, está George Lynch. Seu timbre permanece inconfundível, seu fraseado continua tão expressivo quanto sempre foi, e sua presença domina cada momento do registro. Ao seu lado, Gabriel Colon (vocais) entrega uma performance segura e energética, enquanto Jaron Gulino (baixo) e Jimmy D’Anda (bateria) formam uma base sólida, sustentando o peso e o groove com precisão e intensidade.
Para ouvintes acostumados a produções altamente polidas, a abordagem mais crua pode causar estranhamento inicial. Mas é justamente aí que reside o charme do álbum. Os improvisos, as pequenas variações nos backing vocals e a ausência de padronização rígida reforçam a sensação de algo vivo — uma performance que privilegia emoção em detrimento da perfeição técnica.
Faixa a faixa, o repertório sustenta esse espírito:
“Lightning Strikes Again” abre o set com energia renovada, mantendo seu riff cortante intacto, agora com uma pegada mais direta e menos domesticada. “River Of Love” surge como um dos momentos mais acessíveis, com groove robusto e forte apelo melódico, enquanto “No Good” aprofunda o lado mais pesado e sujo da banda.
A fase recente aparece bem representada em “Caught Up”, que equilibra modernidade e identidade clássica, enquanto “Hell Child” entrega hard rock em estado bruto, sem concessões. Já “Let The Music Be Your Master” evidencia uma maturidade composicional maior, trazendo nuances mais refinadas ao repertório.
O bloco dedicado ao Dokken mantém o nível elevado: “Time After Time” preserva sua carga emocional, “Paris Is Burning” explode com agressividade renovada, e “It’s Not Love” segue como um hino irresistível, com refrão que ainda ressoa com força.
Entre os destaques, “Rain” funciona como um respiro atmosférico bem colocado, enquanto a versão de “Street Fighting Man” adiciona peso e atitude à clássica dos Rolling Stones, reinterpretada sob a ótica do hard rock.
O encerramento com “Wicked Sensation” é tão simbólico quanto inevitável. Mais do que uma escolha óbvia, trata-se de um statement — uma reafirmação final de tudo o que definiu o Lynch Mob: riffs memoráveis, groove pulsante e uma entrega carregada de personalidade.
No fim das contas, The Final Ride não tenta reinventar o legado da banda — e nem precisa. Em vez disso, opta por algo mais honesto: capturar o Lynch Mob exatamente como ele sempre foi. Alto, cru e absolutamente autêntico.
***ENGLISH VERSION***
Few names in hard rock carry a legacy as distinctive as George Lynch’s — and The Final Ride arrives as the closing chapter of that story, capturing Lynch Mob’s farewell to the stage with all the grit and intensity that have always defined them. More than just a live album, this feels like a definitive statement: a raw, unfiltered celebration of a career built on iconic riffs, attitude and sheer musical personality.
Carefully curated without ever feeling calculated, the setlist moves fluidly across different eras of Lynch’s career. There’s a strong backbone drawn from Wicked Sensation (1990), still the cornerstone of the band’s identity, complemented by selections from the 1992 self-titled release and later material such as Babylon (2023) and Dancing with the Devil (2025). Rather than leaning on nostalgia, the album presents a well-balanced retrospective that feels alive and purposeful.
The inclusion of Dokken staples — “Lightning Strikes Again”, “It’s Not Love” and “Paris Is Burning” — goes far beyond crowd-pleasing obligation. These tracks are integral to Lynch’s musical DNA, and here they’re reintroduced with a tougher, more immediate edge that reinforces his status as one of the key architects of ’80s hard rock.
Recorded, mixed and mastered by Chuck Alkazian at Pearl Sound Studios, The Final Ride deliberately avoids excessive polish. Instead, it leans into a stripped-down, organic sound that prioritizes the feel of a real performance. The result is refreshingly unvarnished — a live album that breathes, with all the subtle imperfections that make it genuinely engaging.
At the center of it all is George Lynch himself. His tone remains unmistakable, his phrasing as expressive as ever, and his presence dominates every corner of the record. Frontman Gabriel Colon delivers a confident and energetic performance, while Jaron Gulino (bass) and Jimmy D’Anda (drums) provide a tight, powerful backbone that keeps everything grounded and driving forward.
Listeners accustomed to hyper-polished modern productions might initially find the rawness surprising. But that’s precisely the point. The looseness, the shifting backing vocals and the moments of improvisation all contribute to a sense of authenticity — this is a band playing in the moment, not chasing perfection but channeling energy and feel.
Track by track, that spirit holds strong.
“Lightning Strikes Again” kicks things off with renewed urgency, its razor-sharp riff intact but delivered with a rougher, more aggressive edge. “River Of Love” stands out as one of the more accessible moments, built on a thick groove and strong melodic pull, while “No Good” dives into heavier, dirtier territory, showcasing the band’s grittier side.
More recent material is represented by “Caught Up”, which balances modern touches with classic sensibility, while “Hell Child” delivers straight-up, no-frills hard rock. “Let The Music Be Your Master” hints at a more mature songwriting approach, adding subtle layers to the overall dynamic.
The Dokken segment remains a clear highlight: “Time After Time” retains its emotional weight, “Paris Is Burning” erupts with renewed aggression, and “It’s Not Love” still lands as an undeniable anthem, its chorus as effective as ever.
Elsewhere, “Rain” provides a well-placed atmospheric breather, while the band’s take on “Street Fighting Man” injects The Rolling Stones classic with a heavier, more defiant attitude without losing its essence.
Closing with “Wicked Sensation” feels both inevitable and entirely fitting. It’s more than just a finale — it’s a statement piece, bringing together everything that defines Lynch Mob: groove, power and unmistakable character.
In the end, The Final Ride doesn’t attempt to rewrite the band’s legacy — it simply captures it as it is. Loud, raw and unapologetically real.
Inspirado por uma estética de fantasia sombria e narrativa épica, o Shadowborne apresenta em Heaven’s Falling um debut que dialoga diretamente com os pilares do power metal europeu, combinando peso, melodias marcantes e uma abordagem cinematográfica. O álbum constrói uma identidade que equilibra tradição e contemporaneidade, explorando temas como honra, ambição e destino sob uma ótica emocionalmente acessível.
A abertura com “Winter Is Coming (Heims Advenit)” cumpre o papel clássico de introdução atmosférica, apoiando-se em orquestrações sintéticas e corais que estabelecem o tom grandioso do trabalho. Na sequência, “High And Low” apresenta o núcleo sonoro da banda: power metal melódico tradicional, com forte apelo em refrões e arranjos que remetem diretamente às referências clássicas do gênero. É também o primeiro contato efetivo com os vocais de Eira Shadowborne, que rapidamente se consolidam como um dos principais trunfos do álbum.
“Wolf And The Queen” amplia o espectro sonoro ao incorporar elementos de hard rock oitentista, tanto na escolha de timbres quanto na construção das melodias. A faixa evidencia versatilidade sem comprometer a coesão do disco, enquanto “Custodians” retoma o eixo do metal melódico com influências perceptíveis de bandas como Judas Priest, especialmente na condução vocal e na estrutura mais direta do refrão.
A metade do álbum mantém consistência ao alternar entre abordagens mais modernas e momentos ancorados na tradição. “Hold The Door” exemplifica essa dinâmica ao trazer uma produção mais carregada de efeitos e texturas eletrônicas, sem abrir mão da base melódica. Já a faixa-título, “Heaven’s Falling (Dragons’ Hymn)”, funciona como um manifesto estético: refrões expansivos, condução por teclados e mudanças de andamento que reforçam o caráter épico — elementos centrais do power metal em sua forma mais clássica.
Na reta final, “Stranger To Myself” e “The Wall” reforçam o apelo melódico do álbum, com arranjos densos e refrões de forte impacto, evocando nomes consagrados do gênero. “Raven”, por sua vez, introduz uma atmosfera mais dramática e contemporânea, aproximando-se de uma abordagem mais teatral, com destaque para as camadas vocais e a construção dinâmica.
O encerramento com “End Of The World” aposta na fórmula da power ballad, equilibrando peso e sensibilidade, e evidenciando a versatilidade interpretativa de Eira, que transita com segurança por diferentes nuances vocais.
Heaven’s Falling se apresenta, assim, como um debut sólido e bem direcionado, que respeita as convenções do estilo ao mesmo tempo em que busca pequenas variações dentro de sua proposta. Mais do que um exercício de reverência, o álbum sugere potencial de desenvolvimento e consolida o Shadowborne como um nome promissor dentro do power metal contemporâneo.
***ENGLISH VERSION***
Drawing from a dark fantasy aesthetic and epic storytelling, Shadowborne’s debut album Heaven’s Falling firmly positions the band within the traditions of European power metal while embracing a cinematic and contemporary edge. The record balances weight, melody, and atmosphere with a clear sense of identity, exploring themes of honor, ambition, and destiny through an emotionally resonant lens.
The opening track, “Winter Is Coming (Heims Advenit)”, serves as a classic scene-setter, built on synthetic orchestration and choral arrangements that establish the album’s grandiose tone. It flows seamlessly into “High And Low”, where the band lays out its core sound: melodic, traditional power metal driven by strong hooks and a keen sense of structure. This is also the first full introduction to Eira Shadowborne’s vocals, which quickly emerge as one of the album’s defining strengths.
“Wolf And The Queen” broadens the sonic palette by incorporating elements of ‘80s hard rock, particularly in its tonal choices and melodic phrasing. It’s a refreshing detour that showcases the band’s versatility without disrupting the album’s cohesion. “Custodians” pulls things back toward melodic metal territory, with noticeable nods to acts like Judas Priest, especially in its vocal delivery and more straightforward chorus approach.
The album’s midsection maintains consistency while shifting between modern touches and genre tradition. “Hold The Door” leans into a more contemporary production style, layering electronic textures over a solid melodic backbone. In contrast, the title track “Heaven’s Falling (Dragons’ Hymn)” stands as a clear statement of intent: soaring choruses, keyboard-driven arrangements, and dynamic shifts that encapsulate the essence of classic power metal.
In the latter half, “Stranger To Myself” and “The Wall” reinforce the album’s melodic appeal with dense arrangements and impactful choruses, echoing the legacy of established genre acts. Meanwhile, “Raven” introduces a more dramatic and modern atmosphere, with a slightly theatrical approach highlighted by layered vocals and dynamic progression.
Closing track “End Of The World” follows the power ballad tradition, blending heaviness with emotional depth while allowing Eira to showcase impressive vocal versatility, moving confidently across different stylistic nuances.
Heaven’s Falling ultimately stands as a confident and well-crafted debut. While it remains rooted in the conventions of the genre, it introduces enough variation to suggest room for growth. More than a tribute to power metal’s legacy, it marks Shadowborne as a promising new contender within the contemporary scene.
O peso, a velocidade e a atitude do verdadeiro thrash metal estão no ar.
Diretamente da linha de frente do underground brasileiro, hoje o papo é com ninguém menos que Poney, baixista e vocalista do Violator. Em uma conversa intensa, falamos sobre a energia do Bangers Open Air, os bastidores e recepção do novo álbum, a essência do thrash metal e tudo que mantém o gênero vivo, agressivo e relevante até hoje.
Se você respira som pesado, prepara o volume… Porque essa entrevista tá insana.
Satisfação aí poder conversar contigo. Sou aqui do Sul. Já trocamos ideia na Embaixada do Rock ali algumas vezes.
É lá em São Leopoldo.
Em São Leopoldo. Isso mesmo.
Ô, que maravilha, cara. Tocamos, eu acho que fizemos acho que quatro apresentações lá em duas oportunidades diferentes, talvez, né, cara?
Exato. Exato. Eu fui em três.
Que legal, cara. Que legal.
Bom, vamos começar, então. Vamos falar do novo álbum "Unholly Retribution", que saiu ano passado. Uma expectativa grande aí dos fãs, né? Minha expectativa também. Como é que foi a criação desse álbum?
Legal. Foi uma um longo preparativo, Renato, para acontecer. Eu acho que o espaço de tempo entre um álbum e outro de 12 anos representa muito bem a aventura que foi também preparar esse disco assim, né? Porque envolveu a volta, o retorno do Capaça ao Brasil, que morou seis anos fora na Irlanda, o nosso guitarrista e riff master, né? Envolveu todas as aventuras das nossas vidas pessoais ao longo dos 30 anos, a época das pessoas terem filhos, arranjarem empregos fixos e tudo mais.
E uma pandemia no meio, tal. E mais para além disso, um preparativo muito grande no sentido de como a gente queria produzir um álbum, um álbum cheio, um álbum daqueles que a gente é tão fã, que a gente tem, a gente cresceu ouvindo e gostaria, né, e aprendeu a apreciar no Heavy Metal, um disco cheio com oito músicas, 40 minutos, quatro faixas de cada lado e tudo mais.
E contamos com uma generosidade tremenda da KA Records para entender a pretensão no bom sentido desse trabalho. Então, pra gente poder trazer um gringo, o Yarne, para morar aqui em casa por duas semanas para produzir esse disco, pra gente fechar um estúdio pra gente aqui na nossa cidade, ter todo o tempo disponível para realizá-lo assim, né?
Então, ele foi uma espécie de epopeia para a realização dele, assim, que nos custou muita dedicação, trabalho, planejamento, mas que felizmente eu acho que o resultado que a gente conseguiu alcançar reflete um pouco toda essa dedicação que a gente aplicou ao disco, assim, sabe? Eu acho que valeu muito toda essa dedicação e todo esse tempo.
Ah, realmente é um disco visceral! Pra gente que é fã do thrash, do crossover, assim, quando eu ouvi, eu fiquei, puxa vida, tem uma raiva nele, tem o ódio característico do thrash e a velocidade tá tudo ali.
Essa é a melhor recepção possível, Renato, porque é a aprovação dos nossos camaradas headbangers! Porque de alguma forma o disco ele tá implicado no giro que o Violator fez em 2017 no EP The Hidden Face of Death, que é de fazer um som mais primitivo, um som que flerta com o death metal ali, né? As influências mais antigas, voltando para o Slayer do EP e do segundo álbum, tem todo um caráter mais antissocial e primitivo, eu diria, que não necessariamente foi a marca do que ficou mais conhecido do Violator ao longo dos anos, assim.
E eu acho que os nossos camaradas headbangers entenderam muito bem a nossa vontade, já mais velhos, de fazer um disco mais agressivo, de fazer um disco que não tava interessado em agradar os ouvidos mais sensíveis assim, né? Então, a maior aprovação possível foi exatamente de quem curte som, assim como a gente.
Ah, que irado, que massa. Bom, vocês fizeram parte da, vamos dizer assim, do revival do thrash metal. A gente passou por um marasmo, uma época ali que ficou difícil. Então, Violator, Municipal Waste, Gama Bomb, são bandas que, vamos dizer assim, trouxeram de volta essa chama e parece que isso incendiou do modo geral que até as bandas clássicas começaram a apertar de novo, né, e bater forte no som de novo.
Sim, os caras estavam todos de cabelos curtos, tocando som meio gótico, alternativo né.
Exato, velho. Exato. Daí parece que quando deu esse pé na porta assim, vai o Violator, Municipal, Gama Bomb, aquele estouro, parece que os caras se ligaram. Assim, opa, nós temos que voltar, senão nós vamos perder. Como que é refletir sobre isso pra você?
Uma coisa que eu acho legal, olhando que agora o Violator já completa 24 anos, o que é um tempo maior, muito mais distante do que a gente tinha dos anos 80, quando a gente começou ali no final dos anos 90 e dos anos 2000, né? Mas o que é legal de ver passado esse tempo é que eu acho que teve uma questão, teve um encontro geracional parecido com o que aconteceu na primeira geração do thrash.
Assim, nós tivemos vários moleques ao redor do mundo, como foram os caras do Toxic Holocaust, o pessoal do Farscape, o Bywar, enfim, múltiplos exemplos, que era uma molecada que tava cansada daquele tipo de metal que tava sendo feito nos anos 90, do auge do New Metal, né, daquela coisa do black metal sinfônico ou do power metal melódico e tava em busca de alguma coisa mais visceral, tava em busca de uma coisa mais honesta, de uma coisa mais em que essa agressividade fosse realizada de uma forma mais sincera, né?
E eu acho que de diferentes maneiras essa molecada foi encontrando o thrash metal, foi buscando o thrash metal assim e o Violator tava vivendo esse momento. A banda começa em 2002, o primeiro EP oficial é em 2004, o Violent Mosh.
A partir de 2002..2004, começa esse "revigoramento" e um retorno do Thrash, digamos assim.
E em 2006, que eu acho que é um ano muito definitivo para esse retorno do thrash, a gente lança o Chemical Assault, que até hoje é o disco mais representativo do Violator. Na época eu acho que a gente tava vivendo tão visceralmente essa coisa do thrash, tomando café da manhã, almoçando e jantando, thrash metal, que a gente nem entendia o movimento geracional que tava sendo formado ali.
Mas hoje em dia eu acho que dá para entender dessa forma. Foi uma geração de moleques que falou: "Cara, não tá legal isso daqui. Vamos em busca do vamos fazer um novo buscando o velho, né?" E a partir daí nós estabelecemos compromissos com o underground que a gente leva até hoje. E a partir dali se criou, vamos dizer assim, uma nova geração de bandas que leva essa bandeira, né?
Isso aí foi o mais legal para nós. Somos fãs do thrash. Daí surgiu inúmeras bandas querendo fazer um som mais extremo e isso se deve muito a vocês e as outras bandas foi citado, o próprio Bywar também, enfim, vocês pavimentaram esse novo caminho.
A própria palavra thrash era uma palavra esquecida, assim, era uma palavra que para se referir a bandas que são thrash metal, se você pegasse nas revistas e tal, eles tinham outras definições, mas a palavra thrash, né, escrevia-se errado e não se falava, era quase como uma coisa que realmente tinha sido abandonada no passado.
Agora, eu sempre gosto de dizer, apesar da gente tá ali vivendo aquele momento, nós nunca começamos nada, assim, o Violator não é pioneiro de nada, nós sempre estivemos muito acompanhados de muita gente, assim, desde o começo entendemos como era importante essa teia do underground ali, assim, né, naquele comecinho do Violator.
A gente estava patinando no começo da internet ali, conhecendo os caras do Blastrash pelo ICQ, sabe? Fazendo as primeiras pontes assim e tal, num mundo meio analógico, meio digital ainda assim, mas a gente sempre entendeu como a comunidade, formar essa comunidade era importante.
Ah, com certeza. Bom, vocês vão tocar no Bangers Open Air, né, que é aí o nosso maior evento de Heavy Metal do Brasil e um dos melhores do mundo, posso dizer com toda a certeza. Eu que já fui em três edições do evento. Como é pro Violator participar do Bangers Open Air?
O Capaça teve presente ano passado. Viu o show do Dark Angel lá, pirou muito. E da empolgação dele, da animação dele com o festival nos contaminou muito a alegria e a vontade de estar nesse festival, assim, quando recebemos o convite foi uma honra, né, poder representar o underground de Brasília e poder representar o Thrash Metal brasileiro num palco tão importante como você citou. Então, pra gente é uma sensação de muito agradecimento de estar participando com tantas bandas importantes, então a gente só tem a agradecer o convite para isso.
Agora vamos falar de um álbum que para mim ele é o mais importante da carreira do Violator, tá? Esse epezinho aqui.
Caramba, legal. Violent Mosh. EP de 2004. Curti. Que legal, cara. Moleque com 18 anos aí.
Quando tu olha para esse material hoje, o que que ele representa para ti?
É, cara, ele representa a gente sendo alfabetizado no thrash, né? A gente entendendo e aprendendo como que era a gramática desse estilo, entendendo como que se fazia os riffs, como que se tocava aquela batida, como que se desenvolvia isso, porque não tínhamos outras bandas exatamente que estavam fazendo isso para a gente se guiar.
A gente tinha os nossos LPs antigos e tal e eu acho que ele tem uma ingenuidade, uma inocência que é típica de alguns dos melhores momentos do thrash, porque eu acho que o thrash tá muito ligado a um espírito de juventude e por isso mesmo é um desafio envelhecer fazendo thrash metal, é um desafio que a gente encarou no novo álbum agora.
Sim, se reinventar e evoluir, mas mantendo uma integridade.
E as escolhas, como eu te falei, as escolhas estéticas do disco representam um pouco a nossa resposta a esse desafio do que significa envelhecer fazendo thrash, né? E no Violent Mosh isso tá em puro coração, em puro sentimento, né? Os thrash manics, nós somos os maníacos do thrash, né?
Então, é sinceridade pura e absoluta assim de quatro meninos que estavam saindo do ensino médio, né? Segundo grau, encantados com esse novo submundo, descobrindo inclusive as vestimentas, apertando as calças nas costureiras, porque não dava para comprar calça apertada, né?
Comprando tênis de morador de rua, cara, quando encontrava um tênis branco cano alto, falava: "Caracas, um tênis branco cano alto", sabe? Então, toda uma beleza que tem a ver com a juventude. Então, para mim, esse disco representa um pouco essa beleza, essa inocência da juventude ali. E os riffs eles têm isso, eles são sinceros, eles são ingênuos, assim, é um prazerzaço assim sempre revisitá-lo.
E ainda da discografia, a gente teve o Scenarios of Brutality, 2013. Ele é um disco que eu gosto muito, eu adoro esse álbum, tá? Mas na época ele recebeu críticas mistas. Eu tava ouvindo ele agora há pouco, eu tenho ele ali na minha coleção também.
Eu gosto muito da gravação dele, cara, que foi feita na Alemanha. Nós passamos duas semanas gravando com lá e eu acho que ele é o ápice do que o Violator pretendia fazer ali numa escada que vem do Violent Mosh, pro Chemical Assault, pro Scenarios of Brutality, que é aquele thrash metal ultra agressivo baseado em discos do final dos anos 80 ali, tipo Extreme Aggression, Beneath the Remains e em que a técnica, o riff, a complexidade tá ao limite do que dá para ser o thrash metal.
Eu acho que a recepção dele talvez não tenha sido a mais positiva por uma questão exatamente de tempo, cara, geracional. Eu acho que em 2013 o thrash já tinha feito uma onda e já tava retroscedendo de novosabe? As bandas estavam se desmantelando, as coisas estavam mudando. E nesse espírito mesmo do que eu falei de como o thrash metal tá ligado com o espírito da juventude, com a geração, com a energia juvenil, essa juventude que tinha 18 anos em 2006, em 2013 já tava começando a viver um outro momento assim, né?
E o disco saiu, um disco ultra thrash metal, politizado e tal. Nesse momento que era um momento de virada, eu acho que 2013 ele já é uma antesala do que a gente viveu nos anos anteriores, que foram anos de muita, como é que eu posso dizer, anos de mudança de perspectiva, cara.
A partir de 2013, o futuro passa a ser pior do que o passado, sabe? A partir de 2013, as perspectivas, né, eu acho que vem uma certa até melancolia, depressão com o mundo, com as dificuldades do mundo, com a ascensão do neofascismo. E eu acho que é um momento de retorno do revival do Death Metal, do Crust, do Punk Crust, eu acho que teve todo um movimento assim de mais niilista naquele momento que o Violator.
A positividade do thrash, porque eu acho que o thrash, mesmo que seja um subgênero muito agressivo, ele é um gênero de comunhão, ele é um gênero de união, ele é um gênero de os fracos contra o forte, assim, né? Ele tem esse espírito que de certa forma é uma energia positiva ali assim, né? E eu acho que em 2013 pra frente a gente já vai caminhando no mundo para um momento que contraria esse espírito assim, sabe?
E o disco acabou recebendo essas críticas mistas, que causas principais você acha que as ocasionaram?
Então, eu acho que o momento do disco explica muito isso, mas vale muito a pena ser revisitado, especialmente porque ele é um disco que a gente escolheu cada música sobre um conflito social, montando um conceito dos cenários de brutalidade. E na verdade ele foi um disco um pouco profético, assim, porque tudo que a gente tava explicitando ali veio numa carga muito pior. Tinha música sobre os crimes da ditadura, nunca resolvidos. Logo depois estava aparecendo um político defendendo a tortura e a ditadura, tá ligado?
Conflitos de terra, conflitos com indígenas e tal. Então, acaba que ele foi um disco tristemente profético — ele veio antes, mas essa década 2013-2023 foi uma década de muita fudição, assim, se você olhar em vários termos, o tanto que o Brasil regrediu é um pouco uma década perdida. Então, eu acho que o disco talvez no momento não tenha sido entendido dessa forma, mas ele previu muito bem os cenários de brutalidade que a gente viveria nos anos seguintes, com certeza.
É um disco que para mim envelheceu muito bem. É sensacional. É violento para caramba, brutal como tem que ser. E é um álbum atemporal, né? Porque realmente cada faixa ali traz de forma bem explícita o que aconteceu 10 anos depois, sabe? 2023, se tu for calcular, as calamidades do disco estão todas ali nessa década.
As calamidades estão lá. A morte chegou de um jeito que a gente nem previa, assim, impossível pensar 750.000 mortos no Brasil num ano. Se falasse isso em 2013, ah, Scenarios of Brutality, é isso mesmo vocês são loucos. Daqui a 8 anos vai morrer quase 1 milhão de pessoas no Brasil. Jamais a gente ia pensar isso. Ia parecer um cenário de ficção científica.
Exatamente. Pior que é verdade mesmo. Blade Runner total.
Vamos chegando ao fim da entrevista e gostaria de te agradecer mais uma vez pela oportunidade. Mas não podemos encerrar sem você falar os teus 5 álbuns preferidos do thrash.
Caramba, maravilha, cara. É pergunta muito difícil porque eu sou um maníaco. Apesar de estar mais velho com 40 anos, agora continuo o jovem Poney thrash maniac do Violent Mosh ali. Mas vamos lá. Uma lista que pode mudar um pouco ao longo do tempo, mas lá vai.
Primeiro de tudo. Esse eu sempre vou colocar em primeiro, cara. O melhor disco de thrash metal de todos os tempos é brasileiro. Beneath the Remains, Sepultura, 1989, produção do Scott Burns. Segundo lugar para mim, que mora no meu coração, Kreator, Extreme Aggression, um disco que marcou muito pela forma e a combinação de riffs complexos com a batida violenta do thrash, o Mille cantando mais do que nunca ali, né?
Número três, cara. Vamos pensar qual que merece o número três. Já se tem um alemão, então vamos voltar pros Estados Unidos. Slayer, muito difícil ficar entre o Hell Awaits e o Reign in Blood, mas eu acho que eu vou colocar o Reign in Blood. 27 minutos e uma violência pura ali do começo ao fim. Dave Lombardo brilhando muito naquele disco.
Quarto lugar, podemos voltar para a Europa, talvez, e escolher um disco bem diferente do Reign in Blood, que por isso mesmo representa a amplitude do thrash. Eu colocaria Destruction, Infernal Overkill, um disco na simplicidade da bateria ali, os músicos muito mais precários que a produção do Slayer, do Rick Rubin. Mas o Mike entrega tudo que o thrash metal precisa, que é o quê? Riff. thrash metal precisa de RIFFS.
E por fim, eu colocaria um empate técnico americano ali de dois discos que moram no meu coração. É Nuclear Assault com Game Over. Um disco altamente simples também, quase punk em alguns momentos ali, com letras altamente politizadas que influenciaram muito o Violator.
E Violence com o Eternal Nightmare, que eu acho também que é uma avalanche, um caminhão de riffs um atrás do outro assim, e ele tem aquela urgência do thrash metal do final dos anos 80 que inspirou muito o Violator. Então colocaria um empate técnico entre esses dois, Game Over e Eternal Nightmare, fechando a lista.
Boa, lista pesadíssima. A minha muda a todo momento. Eu já dividi por país já porque vai ficando difícil.
É difícil, pô. Pera aí, cara. E fica um PS, fica um PS aí importante, Renato, eu não citei nenhum disco do thrash metal canadense, que são grandes realizadores do estilo, Voivod, Razor, Sacrifice, várias bandas que entrariam na minha lista também.