sábado, 21 de fevereiro de 2026

Brutal Reality: A Nova Era do Death Metal Brasileiro Acaba de Chegar

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 09.0/10.0

O novo álbum "The Cycle of Fall", da banda BRUTAL REALITY, representa um novo campo que se abre para o Death Metal brasileiro ao apresentar um trabalho que alia agressividade, identidade e um padrão técnico acima do que normalmente se observa no circuito extremo nacional. O disco revela um grupo consciente do próprio posicionamento estético e disposto a dialogar com a tradição do gênero sem abrir mão de personalidade. Logo nos primeiros momentos, faixas como "Mind Controller" evidenciam uma construção sólida de riffs, andamento preciso e um direcionamento musical claramente voltado à contundência.

Um dos principais trunfos do álbum é o desempenho vocal de Julio Cesar, bem na linha de Glen Benton do Deicide. Seu gutural é encorpado, consistente e mantém estabilidade ao longo de todo o repertório, funcionando como eixo de sustentação para a proposta extrema da banda. Não se trata apenas de brutalidade pela brutalidade, mas de uma entrega que conecta diretamente com o conteúdo das letras e com a atmosfera mórbida construída pelos arranjos. Nesse sentido, "Power of Blood" se destaca por sintetizar essa combinação entre força interpretativa e coesão instrumental, reforçando o impacto do álbum no aspecto performático.

A produção é outro elemento que merece destaque. O trabalho apresenta um nível de definição, equilíbrio e peso acima da média do mercado nacional, permitindo que cada instrumento ocupe seu espaço sem comprometer a densidade sonora exigida pelo Death Metal. A mixagem favorece tanto a agressividade quanto a inteligibilidade das estruturas, o que contribui diretamente para a assimilação das composições. Em "The Real Enemy", essa clareza técnica se mostra fundamental para valorizar as mudanças de andamento e a dinâmica interna da faixa, ampliando seu impacto.

No campo conceitual, as letras se destacam por abordarem temas fortes e capazes de provocar reflexão no ouvinte, afastando-se de soluções superficiais ou meramente ilustrativas. A arte de capa complementa esse discurso ao estabelecer uma conexão direta com o conteúdo lírico e com o clima mórbido do álbum, reforçando visualmente a proposta do grupo. É perceptível a influência de nomes como Krisiun, Immolation e Incantation, tanto na estética quanto na abordagem musical, sem que isso comprometa a identidade própria da banda. Dentro desse contexto, "The Fall" sintetiza de forma eficiente o peso conceitual e sonoro proposto pelo álbum.

Em uma análise mais ampla, "The Cycle of Fall" posiciona o BRUTAL REALITY como um projeto com reais condições de despontar no mercado internacional, sobretudo dentro de nichos que valorizam produções autorais, coesas e tecnicamente bem resolvidas no Metal Extremo. O álbum demonstra maturidade composicional, forte presença vocal e um direcionamento artístico claro, elementos fundamentais para ampliar a visibilidade da banda fora do Brasil. Trata-se de um lançamento consistente, direto e altamente recomendável, sendo indispensável para quem acompanha de perto o cenário do Metal Extremo brazuka.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Dark Dimensions Fest II – 08/02/2026 – Burning House/SP

Uma noite pra não esquecer 2026! Essa foi a sensação quando acabou o evento que trouxe a tríplice do metal violento, que ainda não havia se encontrado no mesmo palco: Forbidden, Vio-Lence e Venom Inc. Essa combinação são situações de eventos que nunca imaginaríamos acontecer e assistir, vindo de encontro muito propício para o Brasil. O impacto de presenciar de perto e vivenciar essas bandas tocando fielmente aos discos que as consagraram no passado é uma experiência que talvez não possa acontecer mais nos próximos anos, onde as bandas sentem isso também quando estão no palco pra tocar diante do público brasileiro. Estamos diante de momentos únicos dentro da cena, testemunhando esses acontecimentos, como se viu por aqui entre 2000 e 2010.

A abertura ficou por conta do quinteto mineiro New Democracy, formado da cidade de Varginha/MG em 2012, que trazia Rafael Lourenço (guitarra e vocal), Fabrício Fernandes (guitarra), Marcus Vinícius (baixo), Vinícius “Banzai” (teclados) e Iago “Barstuk” (bateria). Com o público chegando ao local e alguns ajustes no som, conseguiram mandar um death metal melódico, transitando entre bases cadenciadas com bastante groove, alternando a velocidade dos sons, tudo com muito bom entrosamento e dando espaço para convidados em duas músicas: Iara Vilaça e Fábio Seterval, que deu uma chamada na galera: “vamo aeee, vocês estão morreeendo?”. Destaque para Zumbi, Born to Suffer, Unexpected e Creation, no qual fizeram uma apresentação muito honesta na noite.

Na sequência, Venom Inc. mostrou novamente porque não deve nada para a formação original e está entre uma das melhores bandas de metal do século passado, que continuam um legado primitivo de fazer metal insano, com pegada, entusiasmo, energia, carisma, identidade e fidelidade às raízes do passado. Cobri o Kool Metal Fest em 2024, abrindo para o Possessed, e Tony ‘Demolition Man’ está mais revigorado; aos 62 anos de idade, o cara se impõe ao vivo como o saudoso Lemmy se colocava, honra o legado da banda com identidade própria e dá aula de como fazer um verdadeiro show de metal pesado, na postura de palco, sustentando um baixo pesado bem tocado, vocais furiosos, agressivo na sua presença visual e total no controle do público.

O som estava redondo, o desempenho do guitarrista Curran Murphy (com passagens pelo Nevermore e Annihilator) subiu o patamar da qualidade e ficou muito à vontade pra executar os riffs e solos, com total apoio do baterista Marc Jackson, que assumiu as baquetas ano passado e simplesmente massacrou tudo. As músicas transitaram do disco “Avé”, de 2017, e There’s Only Black, de 2022, como “Ave Satanas”, “There’s Only Black”, “Inferno”, e as clássicas “Parasite”, “Black Metal” e “Countess Bathory”. A banda agitou, curtiu, se divertiu muito mais que a última apresentação deles há dois anos... incrível!

Em seguida, e pela segunda vez aqui na Road to Metal, o Vio-Lence volta a São Paulo e não decepciona. A entrada de Sean Killian e seu vocal incrivelmente igual a 40 anos atrás, sendo único membro da formação original, trouxe consigo uma roupa laranja de prisioneiro, quando é ovacionado pelo público logo na intro de Eternal Nightmare. Seguindo com Serial Killer, dá-se então o início a um desfiladeiro de riffs, com circle pits, moshes, stage dives, tudo maravilhoso de se ver num show de thrash!

Mesmo tendo um começo caótico, de uma microfonia desgraçada vindo da mesa e som mecânico tocando junto com a banda, todos no palco se mantiveram firmes e seguiram o repertório, que passou praticamente quase todo Eternal Nightmare (1987) e alguns sons do incrível Oppressing the Masses (1990), como “I Profit” e “Officer Nice”. Entre a terceira e quarta música é que as coisas se ajeitaram na mesa de som, e a banda se impôs por completo no show; foi um regaço até a última nota, sem descanso.

Toda banda entusiasmada por estar ali, e Sean mantendo a violência ininterrupta no microfone enrolado no braço. Destaques para a formação que contava com o baterista Nick Souza, filho de Steve “Zetro” Souza (ex-Exodus), Claudeous Creamer, guitarrista do Possessed, além de Jeff Salgado no baixo e Ira Black (ex-Heathen) destruindo na guitarra; todos entregaram tudo no palco, público cantando todas as músicas, o som muito fiel ao andamento dos discos da carreira; emocionante revê-los com essa qualidade.

Pra fechar, o Forbidden subiu ao palco e não precisaram regular nada, estava tudo perfeito — o perrengue que o Vio-Lence passou no começo do show não apareceu nenhuma fagulha com os caras! Era a oportunidade pra quem não assistiu ou viu a estreia da banda no Brasil, no Summer Breeze — atual Bangers Open Air — de 2024, presenciar de muito perto o som de extrema competência de todos os integrantes. Foi aula de thrash metal, sem sombra de dúvidas!

Impressionante a execução das músicas dos dois primeiros discos (basicamente foi o Forbidden Evil (1988) e Twisted Into Form (1990) que deram a modulação do repertório), por sua vez, não havia uma nota fora, nenhuma trave no instrumental; uma das qualidades técnicas mais incríveis de se assistir. O público agitou todas as músicas, não teve um som ruim, mas fica o destaque para “Infinite”, “Out of Body (Out of Mind)”, “March Into Fire”, “Twisted Into Form”, “Forbidden Evil”, “Step by Step”, “R.I.P.”, tocada pela primeira vez, mais de 7 minutos de thrash que passou voando o tempo, “Through Eyes of Glass”, um regaço ouvir isso ao vivo, “Divided By Zero” (single lançado de 2025) e “Chalice of Blood” pra acabar com tudo.

O vocalista Norman Skinner estava muito à vontade, dilacerando agressividade, passando por partes de melodia onde mostrou uma segurança absurda na banda, sem contar a comunicação e carisma no qual o público sentiu-se mais próximo ainda da banda. É o cara certo pra fazer o Forbidden seguir em frente ao vivo e gravando discos.

No baixo, veterano da formação original Matt Camacho fez a cozinha na medida certa, sem passar ou diminuir nada, peso perfeito para o baterista Chris Kontos, um monstro tocando de luvas e uma pegada fantástica pra executar um thrash metal com tantas variações, mudanças de tempo e andamentos. O estreante na guitarra Jeremy Von Epp teve sua entrada ano passado, mas parece que está na banda há muito tempo, totalmente entrosado, tocou perfeitamente todos os sons.

E, por fim, o criador de clássicos que nenhuma banda conseguiu repetir, Craig Locicero, responsável por tudo que aconteceu no Forbidden até os dias atuais com esta formação. Os discos de estúdio ultrapassam técnica, mas, ao vivo, tem mecanismos na mão desse cara que soa quase uma metodologia particular de tocar, que não havia presenciado até então.

No ano do anúncio da aposentadoria do Dave Mustaine, Locicero não deixa morrer um legado da história de guitarristas que estão parando, que se foram, podem surgir, e ele sendo influência para milhares continuarem. Mostrou, junto com a banda, que é possível hipnotizar alguém que assiste a uma clássica, com guitarristas tocando thrash metal vivo, totalmente em alta performance.

Demorei alguns dias pra entender o que aconteceu quando acabou o show e o que eu estava presenciando nesse dia. O Forbidden é algo que não pode parar, assim como a ousadia e coragem das bandas dessa noite manterem esse espírito vivo. Tem coisas que o Metal não consegue explicar, e precisamos cada vez mais disso mesmo: de coragem e determinação de organizadores assim pra colocar no mesmo dia uma avalanche sonora dessas, que é pra ficar na memória e causar isso nas pessoas... de uma noite pra não esquecer 2026!


Texto: Roberto "Bertz" Vagner


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Dark Dimensions 

Press: JZ Press 


New Democracy – setlist:

Zumbi 

Born To Suffer

Not & Ever

Unexpected 

Modernization 

Creation

101


Venom Inc. – setlist:

War

Parasite

Bloodlust

Ave Satanas

There's Only Black

In Nomine Satanas

Cursed

Inferno

Live Like an Angel (Die Like a Devil)

Metal We Bleed

In League With Satan

Black Metal

Countess Bathory


Vio-Lence – setlist:

Eternal Nightmare

Serial Killer

I Profit

Officer Nice

Phobophobia

Kill on Command

Calling in the Coroner

Bodies on Bodies

Upon Their Cross

World in a World


Forbidden – setlist:

Infinite

Out of Body (Out of Mind)

March into Fire

Twisted into Form

Forbidden Evil

Divided by Zero

Step by Step

R.I.P.

Through Eyes of Glass

Chalice of Blood

Masterplan: Tradição e Modernidade em um Retorno à Altura de sua História (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Após mais de uma década sem lançar um álbum de estúdio com material inédito — o último havia sido Novo Initium (2013) — o Masterplan retorna com Metalmorphosis, trabalho que reafirma sua identidade no power metal europeu ao mesmo tempo em que aponta para novas nuances sonoras. Nesse intervalo, a banda disponibilizou apenas o single “Rise Again” (agora reapresentado em nova versão), além de um álbum ao vivo e um disco de covers que revisita a trajetória de Roland Grapow no Helloween.

O novo trabalho deixa claro desde os primeiros acordes que o grupo alemão não perdeu sua essência.


Peso, melodia e identidade

O álbum abre com “Chase The Light”, primeiro single e cartão de visitas perfeito para esta nova fase. A introdução épica rapidamente dá lugar a um power metal moderno, com discretas incursões progressivas. Rick Altzi mantém uma performance segura e expressiva, evocando em diversos momentos o timbre e a intensidade de Jorn Lande, enquanto Roland Grapow entrega solos inspirados e melodicamente marcantes.

Na sequência, “Electric Nights” aposta em velocidade e melodias diretas, dialogando com a tradição do metal melódico europeu. A influência de bandas como Stratovarius é perceptível — não por acaso, o baixo fica a cargo de Jari Kainulainen, ex-integrante da banda finlandesa. O destaque vai para a introdução precisa de Kevin Kott e para um dos solos mais inspirados do álbum.

“Shadow Man” apresenta uma das composições mais dinâmicas do disco. Sombria e densa em sua condução inicial, a faixa flerta com a estrutura de power ballad no refrão, antes de retomar o peso e desembocar em um solo virtuoso acompanhado por texturas bem trabalhadas de teclado assinadas por Axel Mackenrott. A atmosfera remete, em alguns momentos, à fase mais obscura do Helloween em The Dark Ride.


A assinatura Masterplan

“Bound To Fall” poderia facilmente figurar no álbum de estreia da banda. A construção cadenciada, o refrão forte e os timbres cuidadosamente escolhidos reforçam a assinatura sonora que consolidou o nome Masterplan no cenário europeu.

Em “Pain Of Yesterday”, a banda amplia o espectro sonoro ao incorporar elementos de ambientação oriental. O uso sutil de cítara cria uma atmosfera diferenciada, sem descaracterizar o DNA do grupo. A faixa evolui para um solo expressivo de Grapow, demonstrando maturidade composicional.

A faixa-título, “Metalmorphosis”, sintetiza o conceito do álbum: tradição e modernidade coexistindo. O riff inicial, sustentado por teclados atmosféricos, conduz a um refrão grandioso, enquanto as passagens progressivas conferem dinamismo à estrutura.

Já “Through The Storm” acelera o andamento e presta homenagem direta às raízes do power metal alemão. Com energia que remete à fase Walls of Jericho, a música resgata a agressividade melódica clássica, evocando a herança de Grapow no Helloween.


Coesão e maturidade

“Ghostlight” traz o álbum novamente para um território mais cadenciado e introspectivo, destacando a coesão do grupo. Aqui, não há protagonismos isolados — a força está no conjunto. O resultado é uma das audições mais equilibradas do disco.

Em “The Call”, o baixo de Jari Kainulainen ganha maior protagonismo em meio a mudanças de dinâmica e ambientação. A presença pontual de bateria eletrônica demonstra a abertura da banda para experimentações, enquanto o refrão mantém o caráter acessível que permeia o álbum.

Encerrando o trabalho, “Rise Again (Album Version)” reapresenta o single lançado anteriormente, agora integrado ao conceito do disco. As guitarras evocam o peso clássico do heavy metal britânico, enquanto as melodias mantêm a identidade do Masterplan intacta.


Considerações finais

Metalmorphosis marca um retorno consistente e seguro. O álbum entrega exatamente o que se espera do Masterplan — refrões marcantes, solos inspirados e equilíbrio entre peso e melodia — ao mesmo tempo em que incorpora elementos contemporâneos que renovam sua sonoridade.

Após uma longa espera, o grupo alemão demonstra que sua essência permanece sólida, reafirmando seu lugar entre os principais nomes do power metal europeu e abrindo caminho para uma nova etapa de sua trajetória.

Um retorno à altura da história da banda.


***ENGLISH VERSION***

After more than a decade without releasing a full-length studio album of new material — the last one being Novo Initium (2013) — Masterplan returns with Metalmorphosis, a record that reaffirms the band’s identity within European power metal while subtly expanding its sonic boundaries. During this hiatus, the German outfit only issued the standalone single “Rise Again” (now revisited in a new version), along with a live album and a covers release revisiting Roland Grapow’s tenure in Helloween.

From its opening moments, the new album makes it clear that Masterplan has lost none of its essence.

Power, Melody and Identity

The album kicks off with “Chase The Light,” the first single and a fitting introduction to this new chapter. An epic opening quickly gives way to modern power metal infused with subtle progressive elements. Rick Altzi delivers a confident and expressive performance, at times recalling the tone and intensity of original vocalist Jorn Lande, while Roland Grapow provides inspired, melody-driven solos.

“Electric Nights” follows with a more immediate and uptempo approach, rooted firmly in the European melodic metal tradition. Echoes of bands like Stratovarius can be detected — fittingly so, as bassist Jari Kainulainen, formerly of the Finnish act, handles the low end here. Kevin Kott’s precise drum introduction sets the tone, and the track features one of the album’s most compelling guitar solos.

One of the record’s most dynamic compositions, “Shadow Man” unfolds with a dark and weighty atmosphere before flirting with power ballad territory in its soaring chorus. The song regains intensity with a virtuosic solo from Grapow, complemented by Axel Mackenrott’s layered keyboard textures. At times, the mood recalls the darker aesthetic explored in Helloween’s The Dark Ride era.

The Masterplan Signature

“Bound To Fall” could easily have found its place on the band’s debut album. The mid-tempo pacing, strong melodic hooks and carefully crafted guitar tones reinforce the sonic trademark that established Masterplan as a key player in the European power metal scene.

With “Pain Of Yesterday,” the band broadens its palette by incorporating subtle Middle Eastern atmospheres. The discreet use of sitar-like textures adds an exotic flavor without compromising the group’s core identity. The track culminates in a tasteful and expressive solo from Grapow, highlighting the band’s compositional maturity.

The title track, “Metalmorphosis,” encapsulates the album’s concept: tradition and modernity coexisting seamlessly. Atmospheric keyboards and contemporary guitar tones lead into an anthemic chorus, while progressive flourishes add structural depth and movement.

“Through The Storm” shifts gears into high speed, paying homage to the roots of German power metal. With an energy reminiscent of the Walls of Jericho era, the track channels the melodic aggression that defined early Helloween, reflecting Grapow’s musical heritage.

Cohesion and Maturity

“Ghostlight” brings the album back to a more controlled and atmospheric pace, emphasizing the band’s cohesion. Rather than spotlighting individual performances, the strength lies in the collective execution, resulting in one of the record’s most balanced moments.

In “The Call,” Jari Kainulainen’s bass lines take on a more prominent role amid shifts in dynamics and texture. The subtle inclusion of electronic drum elements signals the band’s openness to experimentation, while the chorus maintains the accessible melodic sensibility that defines the album.

Closing the record, “Rise Again (Album Version)” reintroduces the previously released single within the album’s broader framework. The guitar work carries a classic heavy metal edge, while the melodic structure remains unmistakably Masterplan.

Final Thoughts

Metalmorphosis marks a confident and well-executed return. The album delivers exactly what longtime fans expect — memorable choruses, inspired solos and a refined balance between heaviness and melody — while integrating contemporary elements that refresh the band’s sound without diluting its identity.

After a long wait, Masterplan proves that its creative core remains intact, reaffirming its place among the leading names in European power metal and setting the stage for a promising new chapter.

A comeback worthy of the band’s legacy.

Patric Ullaeus

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Vartroy: Quando o Clássico se Funde ao Novo Modelo de Composição no Heavy Metal

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 09.0/10.0

O novo álbum "Fragments of Memories", da banda VARTROY, surge como um alento direto e necessário para a antiga escola do Heavy Metal brasileiro, recuperando valores clássicos de composição, identidade melódica e construção de atmosfera sem recorrer a soluções fáceis ou excessivamente modernas. O trabalho se sustenta em estruturas tradicionais, mas demonstra personalidade e senso de propósito, especialmente perceptíveis em faixas como "It Matters", que evidencia a preocupação do grupo em entregar canções coesas, memoráveis e tecnicamente bem resolvidas.

O grande destaque do álbum é o desempenho vocal e autoral de Marcos Garcia. Seu timbre é marcante, equilibrado e consistente, conduzindo as músicas com naturalidade e forte carga interpretativa. Mais do que um bom cantor, Marcos se consolida, neste lançamento, como um dos principais compositores do Metal underground brasileiro em atividade em 2026, ao apresentar letras fortes, densas e capazes de provocar reflexão real no ouvinte. Essa maturidade criativa se reflete de forma bastante clara em "My King", faixa que combina melodia, dramaticidade e narrativa com notável eficiência.

A qualidade da produção também se posiciona acima da média do cenário nacional, oferecendo clareza sonora, peso equilibrado e excelente definição entre instrumentos e voz. A masterização é ótima e o álbum se beneficia de uma mixagem que respeita a proposta clássica do Heavy Metal, mas sem abrir mão de um acabamento moderno. A arte de capa se conecta diretamente com as letras e reforça o clima lúdico que permeia o disco, criando uma identidade visual coerente com o conteúdo musical. As influências de Iron Maiden e de seus congêneres são perceptíveis tanto na construção harmônica quanto na abordagem épica de determinadas passagens, especialmente em "Nowhere Island" (dentre todas foi a que mais me identifiquei).

Do ponto de vista conceitual, "Fragments of Memories" se destaca por não tratar suas composições apenas como veículos de performance instrumental. As letras, todas elas assinadas por Marcos Garcia, reforçam um discurso introspectivo e reflexivo, sustentado por arranjos que valorizam a narrativa musical. Esse cuidado autoral amplia o alcance artístico do álbum e fortalece a identidade do projeto. Em "Soul Taker", por exemplo, essa combinação entre lirismo consistente, interpretação segura e estrutura clássica se apresenta de maneira particularmente eficaz.

Em uma análise mais ampla, o novo álbum do VARTROY demonstra um projeto sólido, com linguagem própria, alto nível de acabamento e forte potencial de inserção no mercado internacional, especialmente entre públicos que valorizam a tradição do Heavy Metal. A maturidade de escrita de Marcos Garcia, aliada à execução segura da banda e à coerência estética do trabalho, posiciona "Fragments of Memories" como um dos lançamentos mais relevantes do underground brasileiro recente. Trata-se de um registro indispensável para quem acompanha e valoriza o Heavy Metal em sua forma mais fiel e autoral.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Austen Starr: Do Conforto Melódico à Força Contagiante

Frontiers Records (Imp.)

Por Silvia Kucek

Nova estrela da Frontiers, Austen Starr traz um verdadeiro hard rock confortável aos ouvidos que promete agradar até os mais críticos do gênero. O disco de estreia, I Am The Enemy, conta com uma formação de peso no estúdio, formado por Joel Hoekstra (Whitesnake, Trans-Siberian Orchestra), Chris Collier (Mick Mars, Lita Ford), Steve Ferlazzo (Hugo’s Voyage) e Chloe Lowery (Trans-Siberian Orchestra). 

O disco abre com “Remain Unseen”, uma música que nos dá um gostinho de Evanescence na ponta da língua. O vocal é suave e muito convidativo, junto ao refrão cativante, que faz imaginar como seria a performance ao vivo da faixa. Uma ótima escolha para iniciar o primeiro álbum da carreira, mostrando a qualidade da produção e um bom equilíbrio na criatividade da composição, não deixando o ouvinte entediado.

A segunda faixa, “Medusa”, que também havia sido lançada anteriormente em seu EP de 2025, segue uma base um pouco mais pop, o tipo de música que você ouviria tocando em horário comercial na rádio de rock da sua cidade. A música tem um refrão chiclete, assim como a anterior, mas que combina bastante com o gênero.

Em seguida, com o mesmo título do disco, “I Am the Enemy” segue com um vocal doce, trazendo uma atmosfera AOR para aqueles que procuram tecladinhos e músicas confortáveis. O riff inicial, assim como o teclado que compõe a música e o ritmo da bateria, fazem com que a música seja muito divertida e traga uma sensação de nostalgia, assim como o primeiro disco do Danger Danger, sabe?

A balada “Read Your Mind” nos faz lembrar um pouco do Kid Abelha, ocupando uma posição boa para quebrar um pouco da energia das últimas duas músicas para que o disco não se torne massante e forçado. Em contrapartida, na faixa seguinte, “Get Out Alive” - possivelmente uma das minhas favoritas - tem um pegada marcante headbanger com o riff surreal de Joel Hoekstra e a composição com presença, carregado de um verdadeiro ar de novidade sem soar brega. 

Junto à quinta faixa, “Effigy” com certeza divide lugar no campo das favoritas. Energética, divertida, original… Algo que gostaria de ver bandas como Vixen fazer nos dias de hoje. Até agora, Austen nos dá um som promissor que definitivamente a deixará no radar para as próximas novidades.

“Running Out of Time” é como se a Avril Lavigne decidisse fazer um som mais oitentista, mas de um jeito bom. Pensei bastante sobre como seria a montagem de uma setlist de abertura, mas com certeza, essa estaria em primeiro. 

“All Alone” é aquela faixa brega e bem pop, algo que você ouviria da Taylor Swift junto ao Def Leppard em 2008. “The Light” é aquela balada para ligar a luzinha do celular e balançar no ar, com pegadas country. Devo ressaltar que, até agora, as letras me agradaram muito, algo que exala frescor de novidade não somente do som, mas da criatividade dos envolvidos. 

“Until I See You Again” volta com a mesma energia das primeiras músicas, o que deixa o disco bem conciso e fechado, com uma ótima visão sobre a construção e organização dele. A melodia dos vocais de Austen me agrada, mesmo que não seja a maior fã de vocais sopranos, sendo assim, podemos dizer que esse álbum foi capaz de cativar até a mais chata das ouvintes de música por aí. 

Definitivamente, “I Am The Enemy” é um disco para se recomendar à todos que buscam novidades dentro do rock, mostrando o potencial de Starr para concorrer ao lado de Halestorm e outros nomes do vocal feminino que nos representa dentro de um gênero tão machista como o hard rock. 

Anthony Grassetti

I Am The Enemy – track-list:

1. Remain Unseen

2. Medusa

3. I Am The Enemy

4. Read Your Mind

5. Get Out Alive

6. Effigy

7. Running Out Of Time

8. All Alone

9. Not This Life

10. The Light

11. Until I See You Again


Cobertura de Show: Enforcer – 08/02/2026 – Basement/CWB

Neste domingo, dia 8 de fevereiro de 2026, Curitiba recebeu a banda sueca de heavy metal tradicional Enforcer que está em turnê pela América Latina com a "Unshackle Latin America 2026", e chegou ao Brasil pela Caveira Velha Produções.

O evento aconteceu no Basement Cultural, uma casa de shows com característica mais intimista, sem espaço para área de pit, ou seguranças, deixando público e artista cara a cara. Ao chegar ao local, por volta das 19:10hs, haviam poucas pessoas na fila, mas assim que o Basement abriu suas portas, brotaram fãs de ambas as bandas de todos os lados. Acredito que a maioria estava curtindo o famoso “esquenta” em outros locais, e também fazendo um lanche reforçado, visto que no local não há comida para comercialização.

A abertura da noite ficou a cargo da Creatures, uma banda brasileira de Curitiba, com proposta sonora fortemente inspirada no Heavy Metal tradicional, além de elementos do Hard Rock oitentista. O grupo capricha na produção com uma estética retrô aliada à produção moderna, consolidando-se como um dos nomes emergentes do metal tradicional nacional. 

No local, inclusive haviam muitos fãs da banda, com camisetas e elogios rolando solto, que naturalmente provaram-se válidos ao final da apresentação. Os músicos mostraram carisma, técnica, interpretação quase teatral, ótimas letras, além de uma boa pegada nos riffs e baladas na medida certa. Além é claro de apresentar o repertório do novo álbum “Creatures II” ao vivo. O ponto alto foi na execução de “Dressed To Die”, por volta das 20;26hs com o público inebriado pelos primeiros acordes.

A banda despediu-se do numeroso público com muitos agradecimentos no estilo do bom Heavy Metal tradicional. Uma ótima esperança para as futuras e atuais gerações de headbangers apreciarem um bom som pesado. A formação atual conta com Marc Brito (vocais), Mateus Cantaleäno (guitarra), Ricke Nunes (baixo) e CJ Dubiella (bateria).

Naturalmente, é chegada a hora do intervalo entre bandas, momento para se hidratar e procurar um bom lugar para ver a banda. Apesar do calor próximo ao palco, nas áreas mais ao fundo, uma leve brisa deixava a experiência mais tranquila. 

Por volta das 21 horas, Enforcer sobe ao palco com todo o ritual old school seguido à risca. Lembrando que trata-se de uma banda sueca, conhecida por resgatar o som clássico do Heavy Metal dos anos 80, liderada por Olof Wikstrand nos vocais e guitarras, a banda mistura velocidade, riffs tradicionais e vocais agudos.

O show de Curitiba foi bem intimista, no sentido em que os músicos praticamente tocaram na frente dos fãs, que em vários momentos precisavam se afastar um pouco para não serem atingidos pelos instrumentos, uma experiência sem preço. Parabéns para o público curitibano, que agitou e respeitou o espaço dos artistas, que por sua vez elogiaram muito os presentes. 

O setlist foi bem enérgico, com músicas dos álbuns Into The Night, Death by Fire e Nostalgia, ponto forte para a execução da música “Nostalgia” que enlouqueceu os fãs, afinal já virou um clássico com muito apelo ao vivo. Por volta da metade do show, uma pausa para a platéia ovacionar a banda e gritar “Enforcer” repetidamente. E logo depois, a banda volta com mais peso, e animação, apesar do lugar não estar com lotação máxima, os presentes não fizeram feio ao agitar com a banda, que merece todos os méritos, superando as expectativas com louvor.

Por fim, após o “encore” a banda agradeceu a todos os presentes e se mostraram disponíveis para fotos e conversas com os fãs na sequência. Uma lição de talento e respeito que poucas bandas apresentam. 




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 




Creatures – setlist:

Devil in Disguise

Night of the Ritual

Beware the Creatures

Dressed to Die

Children of the Moon

End of the Line

Danger


Enforcer – setlist (não oficial): 

Destroyer

Undying Evil

Unshackle Me

From Beyond

Live for the Night

Die Young (Black Sabbath cover)

Roll the Dice

Zenith of the Black Sun

Coming Alive

Diamonds

Scream of the Savage

Nostalgia

Mesmerized by Fire

Running in Menace

One With Fire

Take Me Out of This Nightmare

Katana

Midnight Vice