quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Burning Sun: Herdeiros da Escola Alemã (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges

Formada em 2022 na Hungria pelo baixista Zoltán Papi, a Burning Sun rapidamente conquistou espaço na cena underground do Power Metal ao abraçar, sem qualquer constrangimento, a tradição da escola europeia dos anos 1990. Influenciada por gigantes como Helloween, Gamma Ray, Edguy e HammerFall, a banda construiu sua identidade sobre melodias marcantes, refrões grandiosos e uma execução técnica que privilegia a essência do gênero. Após os lançamentos de Wake of Ashes (2023) e do conceitual Retribution (2025), o grupo estreia uma nova formação com a chegada do vocalista Nicolas Peter e do baterista Edmond Kulcsár, apresentando em Power to Survive seu trabalho mais consistente até aqui.

A abertura com "Quest Divine" estabelece imediatamente a proposta do álbum. As guitarras velozes, a cozinha sólida e um refrão de forte apelo melódico remetem diretamente ao auge do Power Metal alemão dos anos 90. As mudanças de andamento evitam a previsibilidade, enquanto o baixo ganha espaço em passagens estratégicas, acrescentando personalidade a uma composição que funciona como um verdadeiro cartão de visitas.

Na sequência, "Emaly's Hymn", com a participação de Herbie Langhans (Firewind), reforça essa identidade. A influência de Helloween e Gamma Ray aparece de forma evidente nas harmonizações de guitarra e na construção do refrão, enriquecido por teclados discretos e coros bem encaixados. A participação de Langhans acrescenta peso sem ofuscar o protagonismo de Nicolas Peter, consolidando a força da nova formação.

"Tale of Brothers" mantém o alto nível ao apostar em uma abordagem tradicional, conduzida por riffs rápidos e linhas de baixo bastante presentes. Nicolas Peter demonstra bom senso ao privilegiar interpretação e melodia em vez de exagerar nos agudos, enquanto os solos de guitarra dialogam com naturalidade com a proposta clássica da banda. O resultado é uma das faixas mais equilibradas do disco.

Com "Light of the World", o Burning Sun amplia ligeiramente seu espectro sonoro. A faixa flerta com o Heavy Metal tradicional do final dos anos 80 antes de acelerar novamente em direção ao Power Metal. Essa mudança de dinâmica evita que o álbum caia na repetição e acrescenta novas cores à audição, culminando em um excelente solo de guitarra de inspiração quase sinfônica.

A participação de Alexandra Lioness (Frozen Crown) em "Over and Beyond" introduz outra influência importante: a escola finlandesa do gênero. A velocidade inicial lembra Stratovarius, enquanto a combinação das vozes cria uma atmosfera diferenciada. Mesmo que o refrão seja menos grandioso do que em outras músicas, a composição funciona justamente por equilibrar referências distintas do Power Metal europeu.

Se existe uma faixa capaz de sintetizar a herança de Gamma Ray, essa é "Come Home". A construção melódica, os coros grandiosos e os vocais em registros elevados remetem diretamente ao estilo consagrado por Kai Hansen. Ainda assim, a banda evita soar como mera cópia graças à competência dos arranjos e à energia contagiante da execução.

Depois da intensidade inicial, "Spirit Alive" desacelera o ritmo e apresenta uma das atmosferas mais interessantes do álbum. O baixo assume papel de destaque, os teclados ganham maior protagonismo e Nicolas Peter explora uma interpretação mais contida, revelando versatilidade vocal. É uma pausa bem-vinda que acrescenta profundidade ao repertório.

A curtíssima "Prayer", com pouco mais de quarenta segundos, funciona como uma introdução para "Holy Light", faixa que surpreende pela delicadeza da abertura acústica e pela construção melódica mais emocional. O contraste em relação ao restante do disco é evidente e demonstra que a banda sabe variar sua abordagem sem comprometer a identidade sonora.

O encerramento com "We Rise Again" devolve toda a velocidade característica do álbum. Guitarras afiadas, base rítmica precisa, refrão monumental e solos claramente inspirados na fase clássica do Helloween fecham o disco em alta, reafirmando o compromisso da banda com o Power Metal mais tradicional.

O Burning Sun aposta na tradição e executa essa proposta com competência, entusiasmo e convicção. Em um momento em que muitas bandas buscam modernizar excessivamente o Power Metal, os húngaros seguem o caminho oposto, entregando um álbum que celebra as raízes do estilo sem soar datado. Para os admiradores da escola europeia clássica, trata-se de um lançamento sólido, consistente e extremamente satisfatório.

***ENGLISH VERSION***

Formed in Hungary in 2022 by bassist Zoltán Papi, Burning Sun has quickly established itself as one of the most promising names in the underground Power Metal scene. Proudly embracing the golden era of European Power Metal, the band draws clear inspiration from genre heavyweights such as Helloween, Gamma Ray, Edguy and HammerFall, crafting a sound built on soaring melodies, anthemic choruses and razor-sharp musicianship. Following the releases of Wake of Ashes (2023) and the conceptual Retribution (2025), the arrival of vocalist Nicolas Peter and drummer Edmond Kulcsár marks the beginning of a new chapter, with Power to Survive emerging as the band's strongest and most accomplished effort to date.

Opening track "Quest Divine" immediately sets the tone. Galloping guitars, a rock-solid rhythm section and an instantly memorable chorus transport listeners straight back to the heyday of '90s German Power Metal. Well-timed tempo shifts prevent the song from becoming formulaic, while the bass enjoys several standout moments, giving the arrangement an extra layer of personality.

Next comes "Emaly's Hymn", featuring guest vocals from Herbie Langhans (Firewind). Closely following the path laid out by the opener, the track reinforces the band's musical identity with soaring melodies, layered keyboards and powerful gang vocals. The unmistakable influence of Helloween and Gamma Ray shines through the guitar work, while Langhans' appearance adds further depth without overshadowing Nicolas Peter's confident performance.

"Tale of Brothers" continues the momentum with classic Power Metal songwriting driven by energetic riffs and an impressive bass performance. Nicolas Peter wisely favors melody and control over excessive high-pitched acrobatics, allowing the song to breathe naturally. Combined with tasteful twin-guitar solos, it stands out as one of the album's most balanced and rewarding compositions.

With "Light of the World", Burning Sun briefly broadens its musical palette. Leaning more toward traditional Heavy Metal before accelerating into full-speed Power Metal, the song introduces welcome variation to the album. The dynamic shifts keep the record engaging while an almost symphonic guitar solo provides one of its musical highlights.

Guest vocalist Alexandra Lioness (Frozen Crown) joins the band on "Over and Beyond", a track that initially leans toward the Finnish school of Power Metal, recalling bands such as Stratovarius through its speed and vocal melodies. While its chorus may be less extravagant than others on the album, the vocal interplay and the seamless blend of Finnish and German influences make it one of the record's more distinctive moments.

If one song perfectly captures the spirit of Gamma Ray, it is undoubtedly "Come Home" From its explosive opening and soaring vocal lines to its massive gang-chorus hooks, everything here feels like a heartfelt tribute to the classic German sound. Yet Burning Sun avoids slipping into mere imitation thanks to strong songwriting and an energetic, convincing performance.

After several high-speed anthems, "Spirit Alive" offers a refreshing change of pace. The bass takes center stage during the opening passages while keyboards create a richer atmosphere, allowing Nicolas Peter to showcase a more restrained and expressive vocal performance. The result is one of the album's most atmospheric and emotionally engaging tracks.

The brief "Prayer", clocking in at little more than forty seconds, serves as a natural introduction to "Holy Light" Opening with delicate acoustic guitars before gradually unfolding into an emotional ballad, the track provides a welcome contrast to the relentless pace of the album and demonstrates the band's ability to explore softer textures without compromising its identity.

Closing track "We Rise Again" returns to full-speed Power Metal with all the hallmarks fans could hope for: driving guitars, thunderous rhythms, towering vocal melodies and another triumphant chorus. The guitar solos, heavily inspired by Helloween's classic era, provide the perfect finale to an album that never loses sight of its mission.

Burning Sun fully embraces the genre's classic foundations, delivering an album packed with memorable melodies, impressive musicianship and genuine enthusiasm. At a time when many bands are eager to modernize the style, these Hungarian musicians confidently look back to its roots, producing a record that feels both authentic and refreshingly sincere. For fans of traditional European Power Metal, Power to Survive is an easy recommendation and one of the genre's most enjoyable releases of the year.

Divulgação 


Xandria: Um Reencontro Com a Essência do Metal Sinfônico (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Quem acompanha o metal sinfônico há algum tempo certamente conhece o Xandria. Formada na Alemanha em 1994, a banda construiu uma carreira marcada por grandes mudanças de formação, mas sempre manteve como marca registrada a união entre peso, orquestrações grandiosas e melodias marcantes. Depois de apresentar sua nova fase em The Wonders Still Awaiting (2023), o grupo volta com Eclipse, um álbum que já dava sinais do que viria pelos singles lançados nos últimos meses. E a boa notícia é que a expectativa se confirma: o Xandria entrega um trabalho seguro, inspirado e que lembra por que se tornou um dos nomes mais importantes do metal sinfônico.

Se o álbum anterior tinha um clima de recomeço e servia para apresentar a nova formação, Eclipse mostra uma banda muito mais confiante. Aqui tudo parece mais natural. As ideias fluem melhor, as composições são mais coesas e a identidade do grupo aparece com muito mais força do início ao fim.

O conceito do álbum gira em torno dos ciclos da vida, da transformação e do contraste entre luz e escuridão — exatamente como sugere o próprio título. Essa ideia aparece tanto nas letras quanto na identidade visual, que combina perfeitamente com o clima épico e cinematográfico do disco.

Musicalmente, Eclipse é um prato cheio para quem sente falta daquele metal sinfônico que marcou os anos 90 e 2000. Ao mesmo tempo em que mantém uma sonoridade moderna, o álbum traz uma atmosfera nostálgica, reforçada pelos elementos folk, celta espalhados ao longo das faixas. É pesado quando precisa ser, delicado nos momentos certos e sempre muito bem orquestrado.

A produção também merece destaque. Tudo soa muito equilibrado: as orquestrações têm espaço para brilhar sem esconder as guitarras, enquanto baixo e bateria sustentam a intensidade do álbum do começo ao fim. Marco Heubaum continua sendo o cérebro criativo da banda, conduzindo teclados e arranjos sinfônicos com muito bom gosto. Rob Klawonn entrega riffs pesados e melodias envolventes, Tim Schwarz mantém uma base firme no baixo e Dimitrios Gatsios mostra segurança e precisão na bateria, contribuindo para que cada música tenha sua própria personalidade.

E claro, não dá para falar de Eclipse sem destacar Ambre Vourvahis. A vocalista está simplesmente impecável. Sua interpretação vai muito além da técnica: ela passeia com naturalidade entre vocais limpos, passagens operísticas e guturais, sempre colocando emoção acima da exibição. É uma performance que reforça ainda mais a identidade desta nova fase do Xandria.

Se tem uma coisa que Eclipse faz muito bem, é transformar cada faixa em uma experiência diferente.

A faixa-título, "Eclipse", resume perfeitamente a proposta do disco. Corais grandiosos, guitarras pesadas e uma atmosfera quase apocalíptica fazem dela o coração do álbum e mostram toda a força dessa nova fase da banda.

"Colours" é uma daquelas músicas que conquistam logo na primeira audição. Além de um refrão forte, ela evidencia toda a versatilidade de Ambre, que alterna entre vocais operísticos, limpos e guturais com uma facilidade impressionante, sem perder a emoção em nenhum momento.

"The Shannon's Home" leva o ouvinte para um cenário completamente diferente. A faixa funciona como um conto de fadas sombrio, usando o rio Shannon como metáfora para as diferentes fases da vida. Os arranjos folk celtas se misturam ao peso das guitarras de forma muito natural, criando uma das músicas mais bonitas e envolventes do álbum.

Essa influência folk continua em "Masquerade", enriquecida pelas flautas irlandesas (tin e low whistles) de McAlbi. São detalhes como esse que deixam o disco ainda mais rico e ajudam a construir uma identidade muito própria.

Em "Northstar", o Xandria aposta em uma composição longa, cheia de mudanças e com orquestrações densas. É uma faixa que cresce a cada minuto e entrega exatamente aquela sensação épica que os fãs do gênero esperam.

Outro momento que merece atenção é "The Last Generation". Além de um instrumental poderoso, a música traz uma das letras mais diretas do álbum, abordando críticas à sociedade contemporânea sem abrir mão da grandiosidade característica da banda.

Para fechar, "Lore" entrega um dos finais mais bonitos do disco. A participação da violinista Ally Storch (Subway to Sally), junto aos instrumentos de sopro celtas de McAlbi, transforma a música em um encerramento emocionante e cinematográfico, daqueles que deixam vontade de ouvir tudo de novo.

No fim das contas, Eclipse mostra um Xandria mais maduro, mais seguro e totalmente confortável com a própria identidade. É um álbum que resgata a essência do metal sinfônico clássico sem parecer preso ao passado, mistura elementos folk com muito bom gosto e entrega uma coleção de músicas fortes do começo ao fim. Para quem gosta de metal sinfônico, é um daqueles discos que valem cada minuto da audição.

***ENGLISH VERSION***

Anyone who has been following the symphonic metal scene for a while is certainly familiar with Xandria. Formed in Germany in 1994, the band has built a career marked by several lineup changes while always staying true to its signature blend of heavy riffs, grand orchestral arrangements, and memorable melodies. After introducing its new era with The Wonders Still Awaiting (2023), the band returns with Eclipse, an album that had already hinted at its direction through the singles released over the past few months. The good news is that it more than lives up to the expectations. Xandria delivers a confident, inspired record that reminds listeners why the band remains one of the leading names in symphonic metal.

While the previous album felt like a fresh start and served as an introduction to the band's new lineup, Eclipse presents a much more confident Xandria. Everything feels more natural here. The songwriting flows effortlessly, the compositions are more cohesive, and the band's identity shines through from beginning to end.

The album revolves around themes of life's cycles, transformation, and the contrast between light and darkness—exactly what its title suggests. These ideas are reflected not only in the lyrics but also in the album's stunning visual identity, perfectly matching its epic and cinematic atmosphere.

Musically, Eclipse is a treat for anyone who misses the golden era of symphonic metal from the late '90s and 2000s. While maintaining a modern production, the album embraces a nostalgic atmosphere, enhanced by Celtic and folk influences woven naturally throughout the songs. It's heavy when it needs to be, delicate at the right moments, and consistently supported by rich, beautifully crafted orchestral arrangements.

The production also deserves special praise. Everything feels perfectly balanced: the orchestral layers have plenty of room to shine without overshadowing the guitars, while the bass and drums provide a powerful backbone from start to finish. Marco Heubaum remains the band's creative mastermind, crafting keyboards and symphonic arrangements with remarkable taste. Rob Klawonn delivers crushing riffs alongside memorable melodies, Tim Schwarz provides a solid foundation on bass, and Dimitrios Gatsios drives each song forward with precision and energy, giving every track its own personality.

And of course, it's impossible to talk about Eclipse without highlighting Ambre Vourvahis. Her performance is simply outstanding. More than showcasing technical ability, she moves effortlessly between clean vocals, operatic passages, and harsh growls, always putting emotion before showmanship. It's a performance that further cements the identity of this new era of Xandria.

If there's one thing Eclipse does exceptionally well, it's making every song feel like its own unique journey.

The title track, "Eclipse" perfectly captures the spirit of the album. Monumental choirs, crushing guitars, and an almost apocalyptic atmosphere make it the emotional centerpiece of the record, showcasing the full strength of this new chapter for the band.

"Colours" is one of those songs that grabs your attention from the very first listen. Beyond its memorable chorus, it highlights Ambre's incredible versatility as she effortlessly shifts between operatic vocals, clean singing, and aggressive growls without ever sacrificing emotion. 

"The Shannon's Home" takes the listener somewhere completely different. The song unfolds like a dark fairy tale, using Ireland's River Shannon as a metaphor for the different stages of life. Celtic folk arrangements blend naturally with heavy guitars, creating one of the album's most beautiful and immersive moments.

That folk influence continues in "Masquerade" enriched by McAlbi's Irish tin and low whistles. Small details like these make the album even richer and help establish its own unique identity.

With "Northstar" Xandria embraces a longer, more expansive composition filled with dynamic shifts and dense orchestral layers. It's a song that builds steadily, delivering exactly the kind of epic journey symphonic metal fans love.

Another standout is "The Last Generation". Alongside its powerful instrumentation, the track features one of the album's most direct lyrical statements, offering sharp criticism of contemporary society without losing the band's trademark grandeur.

Closing the album, "Lore" provides one of its most breathtaking moments. The guest appearance by violinist Ally Storch (Subway to Sally), combined with McAlbi's Celtic wind instruments, turns the song into a deeply emotional and cinematic finale that leaves you wanting to press play all over again.

In the end, Eclipse showcases a more mature, more confident Xandria that feels completely comfortable with its identity. It's an album that recaptures the spirit of classic symphonic metal without sounding trapped in the past, blending folk influences with remarkable elegance while delivering a collection of memorable songs from beginning to end. For anyone who loves symphonic metal, this is one of those albums that's worth experiencing from start to finish.

Stefan Heilemann/Mirko Witzki


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Cobertura de Show: Graham Bonnet Band – 26/07/2026 – Burning House/SP

O penúltimo domingo do mês de julho ficou marcado por um dos melhores shows do ano, mesmo sabendo que teremos muita coisa para o restante de 2026. Sim, o show a que eu me refiro é o de Graham Bonnet, que, depois de meia década, retornou ao Brasil para desfilar os seus melhores momentos da carreira para o público fiel e encerrar a sua turnê pela América Latina em grande estilo. Quem esteve na Burning House, local do show, não só viu alguns dos seus clássicos do Rainbow, Michael Schenker Group, Alcatrazz e Impellitteri, como também viu um homem que resistiu ao tempo.

Ao adentrar na casa, localizada no bairro da Água Branca, avistamos um número significativo de pessoas. Não chegou a atingir a sua capacidade, mas foi quase, o que é de se surpreender em se tratando de um artista subestimado. Sim, foi isso mesmo que eu disse, pois, mesmo tendo integrado e gravado trabalhos ao lado de guitarristas como Ritchie Blackmore, Michael Schenker, Yngwie Malmsteen e Steve Vai, Graham não teve o merecido reconhecimento que os outros vocalistas de sua época tiveram, o que é uma pena, pois é um cantor talentosíssimo e influente para muitos do ramo – vide Dave DeFeis, que, em conversa com este repórter, falou que é uma de suas principais influências.

Não demorou muito para que o inglês e sua banda tomassem conta do palco, pois é raro, em pleno domingo, shows começarem antes das 20/21hrs. Por volta das 19h30, uma introdução interestelar saía dos sons da casa, indicando que o início seria com Eyes of the World, do Down to Earth (1979), que logo animou os presentes nos seus primeiros minutos, assim como a emblemática All Night Long, que pôs a maioria para cantar com força. Esse começo teve ainda mais energia com S.O.S. Intensa e dona de um refrão cômico, a música trouxe um breve peso antes de partir para uma rápida calmaria, que foi instaurada na melódica Love’s No Friend e que resultou no primeiro momento de interação, no qual Graham brincou que a gravou nos idos de 1800, quando ainda os dinossauros andava pela terra. Nesse embalo, ele aproveitou para agradecer ao saudoso Ronnie James Dio – por ter saído da banda – e ao Ritchie Blackmore por ter lhe dado um bom trabalho, que mudou a sua vida.

Por esse início, já dava pra sacar que o setlist ia trazer muitos clássicos, mas, em meio às pérolas, também teve coisas de sua carreira solo. Night Games, que, assim como S.O.S., também do Line-Up (1981), é um dos principais singles do álbum, trouxe a aura oitentista com uma mistura de hard rock e AOR carregada de energia. Antes de anunciá-la, Graham relembrou que a música foi gravada ao lado dos saudosos Cozy Powell (Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Michael Schenker Group e etc.), Jon Lord (Deep Purple, Whitesnake), Rick Parfitt (Status Quo) e Micky Moody (Whitesnake). Imposter e Into the Night – durante esta última, Graham quase caiu enquanto retornava ao seu banquinho – mostraram um pouco do que o vocalista e sua banda fizeram nos últimos anos. Ambas detêm riffs pesados e melodias marcantes, sem deixar aquela característica clássica de lado.

Essa parte, em específico, mostrou o poderio dos músicos que o acompanham, e vale um destaque especial para cada um, a começar pelo brasileiro Conrado Pesinato, que surpreendeu todo mundo com seu timbre poderoso de guitarra. Do começo ao fim, ele mostrou ter personalidade própria, pois em nenhum momento quis soar parecido com os guitarristas que tocaram com o Graham no passado, como bem definiu a baixista Beth-Ami Heavenstone em um momento do show. Uma pena não ter o devido reconhecimento, pois é impressionante o talento desse sujeito.

O tecladista Alessandro Bertoni e o baterista Francis Cassol, trajado com a camiseta das Spice Girls, tiveram os seus momentos de protagonismo, com solos vibrantes, enquanto o dono da noite repousava. Beth-Ami Heavenstone, que, além de baixista, é a esposa do Graham e tour manager da banda, fez de tudo para que a turnê acontecesse da melhor forma, como ela mesma bem disse. No palco, ela mostrou ter uma performance consistente, esbanjando empatia e distribuindo sorrisos.

Sobre Graham, faltam palavras para descrevê-lo, pois, mesmo com suas limitações físicas, que o obrigam a fazer o show sentado, e no auge dos seus 78 anos, ele consegue mostrar que sua voz resistiu ao tempo. Sua potência vocal e seu alcance continuam intactos, deixando muita gente de queixo caído com o que viu.

Fora o eixo Rainbow e carreira solo, também teve espaço para os seus tempos de Alcatrazz, que só poderiam ser dos álbuns No Parole from Rock 'n' Roll (1983), o único com Yngwie Malmsteen nas guitarras, e Disturbing the Peace (1985), com Steve Vai. A primeira foi justamente desse álbum, com God Blessed Video, dona de um refrão memorável, e Jet to Jet, uma das melhores da banda, por ter um andamento intenso. As escolhas foram mais do que óbvias, mas suficientes para mostrar que o Alcatrazz tem sua importância na história do hard rock, deixando os fãs ali presentes felizes com o que viram.

E, por falar em felicidade, ela se elevou na hora de Desert Song, a primeira do Michael Schenker Group, tirada de Assault Attack (1982), que provocou interação de Graham com o público, que aplaudiu sua performance com fervor. 

O final da primeira parte reservou mais momentos especiais. Since You Been Gone, originalmente composta por Russ Ballard, mas famosa pela versão do Rainbow, veio de forma bem descontraída, pois, antes de executá-la, Conrado reforçou que tocariam uma música inédita, soltando trechos de Smoke on the Water para a inconformidade de Graham, mas tudo na base da brincadeira. Assault Attack, faixa-título do único álbum que gravou com Michael Schenker, preparou o bis com um verdadeiro petardo.

O bis, por assim dizer, não teve, pois ninguém precisou sair do palco. Mas, obedecendo ao protocolo, o início da segunda parte veio de forma bem carregada com Too Young to Die, Too Drunk to Live, talvez o maior clássico do Alcatrazz e que trouxe uma performance vocal agressiva de Graham, antes de encerrar, de forma sofisticada, com Lost in Hollywood, já deixando um sabor de saudade e o desejo de quero mais.

Não foi apenas um show, foi uma verdadeira aula. Todos, incluindo Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), que esteve presente no show, saíram felizes e contentes com o que viram. Nada deu errado: Graham em plena forma vocal, banda com sangue nos olhos, som impecável, pontualidade e organização de aplaudir e tirar o chapéu. Espero que não demore muito para vir novamente, pois é um show que compensa ver diversas e diversas vezes.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: DNA Rock Events



Graham Bonnet Band – setlist:

Eyes of the World

All Night Long

S.O.S.

Love's No Friend

Night Games

God Blessed Video

Imposter

Desert Song

Jet to Jet 

Since You Been Gone

Into the Night

Assault Attack

Too Young to Die, Too Drunk to Live

Lost in Hollywood

Hydra: AOR Moderno em Alto Nível (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Depois de apresentar um excelente cartão de visitas com ReHydration (2024), o HYDRA retorna com DeHydration, terceiro trabalho de estúdio e mais uma prova da sólida parceria entre o compositor Henrik Hedström e o produtor/baterista Daniel Flores. Com Andi Kravljaca assumindo vocais e guitarras e Jonny Trobro no baixo, o grupo mantém sua proposta de unir o AOR clássico à produção contemporânea, resultando em um álbum sofisticado, tecnicamente impecável e extremamente acessível.

Desde os primeiros acordes de "This Time", fica evidente que a banda encontrou sua identidade. A produção cristalina permite que cada instrumento tenha espaço próprio, enquanto teclados elegantes, guitarras modernas e harmonias vocais cuidadosamente construídas estabelecem o alto padrão que será mantido ao longo de todo o disco. Na sequência, "Fooled By Love Again" reforça esse direcionamento com uma abordagem um pouco mais pesada, impulsionada pelo uso dos bumbos duplos e por um refrão direto, sem abrir mão da forte identidade melódica.

As baladas continuam sendo um dos grandes trunfos do HYDRA. "Labyrinth Of Love" destaca a interpretação segura de Andi Kravljaca, apoiada por um belo trabalho de piano, arranjos vocais refinados e um solo de guitarra carregado de emoção. Já "Halfway To Nowhere" e "Don't Tell Me It's Too Late" exploram a faceta mais sentimental da banda sem cair na previsibilidade, equilibrando delicadeza e peso com naturalidade.

Entre os momentos mais inspirados do álbum está "Hiding In Plain Sight", talvez a composição mais criativa do trabalho. A alternância entre guitarras limpas e distorcidas, as discretas influências progressivas — perceptíveis principalmente nas harmonias vocais — e a construção dinâmica da música demonstram que o HYDRA procura expandir sua linguagem além das convenções do AOR tradicional.

Outro ponto alto é "A Million Miles", composição que os fãs provavelmente reconhecerão por sua gravação anterior pelo First Signal no álbum Line Of Fire. Aqui, entretanto, a música ganha personalidade própria graças ao equilíbrio entre piano, baixo, bateria e guitarras, além da interpretação mais emotiva de Kravljaca, tornando esta uma das versões mais consistentes da composição.

Na reta final, "Bringing On The Thunder", "Somebody To Love""Depending On A Miracle" e "The Winner" mantêm o nível elevado sem grandes oscilações. Mesmo quando a banda opta por estruturas mais tradicionais, a qualidade dos arranjos, o cuidado na distribuição dos teclados, os solos sempre melódicos e a excelência da produção impedem qualquer sensação de repetição excessiva.

Se existe uma crítica ao álbum, ela está justamente na segurança de sua fórmula. Em alguns momentos, as composições seguem padrões bastante familiares aos fãs do gênero e evitam assumir riscos maiores. Ainda assim, essa escolha dificilmente compromete o resultado, já que a execução é praticamente irretocável e a consistência do repertório compensa a ausência de momentos realmente surpreendentes.

DeHydration confirma que o HYDRA já ultrapassou a condição de projeto paralelo para se consolidar como um dos nomes mais confiáveis do melodic rock europeu atual. Com produção impecável, interpretações inspiradas e um repertório homogêneo, o álbum entrega exatamente aquilo que promete: AOR moderno, elegante e extremamente bem executado, capaz de agradar tanto aos admiradores da escola clássica quanto aos ouvintes que buscam uma abordagem mais contemporânea do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Following the impressive ReHydration (2024), Swedish melodic rock outfit HYDRA returns with DeHydration, a confident third studio effort that further cements the creative partnership between songwriter Henrik Hedström and producer/drummer Daniel Flores. Joined once again by the exceptional Andi Kravljaca on vocals and guitars and Jonny Trobro on bass, the band delivers an album that successfully bridges classic AOR traditions with contemporary production values, resulting in a polished, melodic and remarkably cohesive listening experience.

From the opening notes of "This Time", HYDRA establishes the album's identity with soaring vocal melodies, tasteful keyboard arrangements and impeccably balanced guitar work. The pristine production immediately stands out, allowing every instrument to breathe while reinforcing the band's trademark blend of elegance and power. "Fooled By Love Again" follows with a slightly heavier approach, driven by double-kick drums and a more direct chorus without sacrificing the melodic sensibility that defines the band's sound.

Ballads remain one of HYDRA greatest strengths. "Labyrinth Of Love" showcases Andi Kravljaca's expressive vocal performance, enriched by delicate piano passages, lush vocal harmonies and an emotionally charged guitar solo. Meanwhile, "Halfway To Nowhere" and "Don't Tell Me It's Too Late" embrace the genre's classic power ballad formula while avoiding excessive sentimentality, striking an effective balance between intimacy and arena-sized grandeur.

Among the album's standout moments, "Hiding In Plain Sight" arguably offers the most adventurous songwriting. The interplay between clean and distorted guitars, subtle progressive overtones—particularly within the layered vocal arrangements—and its dynamic structure demonstrate that HYDRA is willing to stretch beyond the traditional boundaries of melodic rock without losing its accessibility.

Another highlight is "A Million Miles", a song previously recorded by First Signal on Line Of Fire. Rather than simply revisiting familiar material, HYDRA gives the composition new life through a more organic performance and a richer instrumental interplay. Kravljaca's heartfelt delivery adds emotional depth, making this interpretation feel entirely its own.

The album's closing stretch— "Bringing On The Thunder", "Somebody To Love", "Depending On A Miracle", and "The Winner"—maintains the remarkably high standard established from the outset. Even when the songwriting follows familiar AOR conventions, the refined arrangements, memorable choruses, tasteful keyboard textures and consistently melodic guitar solos prevent the material from becoming formulaic.

If there's one minor criticism to be made, it's that DeHydration rarely ventures outside its comfort zone. The band clearly prioritises consistency over experimentation, and while a few unexpected twists might have elevated the record even further, the quality of the songwriting and musicianship more than compensates for its conservative approach.

Ultimately, DeHydration confirms that HYDRA has evolved far beyond being a studio project. The band has established itself as one of the most reliable names in today's European melodic rock scene, delivering an album that is expertly produced, consistently engaging and filled with memorable performances. Fans of classic AOR, melodic hard rock and polished Scandinavian songwriting will find plenty to admire here.

Divulgação 


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Phornax – A fornalha mais viva do que nunca!

Resenha por: Renato Sanson

Algumas bandas parecem simplesmente nascer no momento certo. Outras, no entanto, precisam atravessar anos de silêncio até encontrarem a formação ideal e a maturidade necessária para entregar aquilo que sempre foram capazes de fazer. É exatamente esse o caso da gaúcha Phornax, de Porto Alegre, que retorna após um longo hiato com "Hellforge", seu aguardado álbum de estreia, e o resultado não poderia ser mais convincente.

Depois do promissor EP "Silent War", lançado em 2012, a banda permaneceu longe dos holofotes por um bom tempo. O retorno aos palcos veio acompanhado de uma nova formação e de um disco que não apenas justifica a espera, como coloca a Phornax entre os grandes nomes do Metal Tradicional nacional da atualidade.

Um dos pilares desse trabalho está na produção impecável assinada por Renato Osório. O músico e produtor entrega um som encorpado, cristalino e pesado na medida certa. Cada instrumento encontra seu espaço na mixagem, permitindo que a riqueza dos arranjos seja percebida sem sacrificar o impacto das músicas. É uma produção moderna, mas que preserva a essência orgânica do Heavy Metal.

Musicalmente, "Hellforge" caminha com segurança entre o Heavy Metal Tradicional e o Speed Metal, incorporando discretos elementos progressivos que enriquecem as composições sem torná-las excessivamente complexas. O álbum flui de forma natural, alternando momentos de velocidade, peso e melodias marcantes, sempre com excelente senso de construção.

A chegada do guitarrista Eduardo Martinez representa um enorme salto qualitativo para a banda. Seus solos são criativos, extremamente inspirados e carregados de personalidade, demonstrando técnica apurada sem cair no exibicionismo. Martinez ao lado de Deivid Moraes (mestre dos riffs por trás dos pilares) acrescentam novas cores ao som da Phornax e transformam cada faixa em uma experiência dinâmica, fazendo do álbum um verdadeiro desfile de grandes momentos para os amantes da guitarra.

Outro destaque absoluto é o vocalista Cristiano Poschi, que apresenta uma evolução impressionante em relação ao EP de 2012. Sua interpretação ganhou maturidade, confiança e controle. 

O drive continua sendo sua principal marca registrada, mas agora aparece muito mais refinado, alternando com passagens limpas sempre que a música exige. O resultado é uma performance intensa, convincente e cheia de personalidade, sem recorrer a exageros.

As músicas originalmente presentes em "Silent War" também merecem destaque. Longe de serem apenas reaproveitadas, elas receberam uma nova roupagem que evidencia toda a evolução técnica e artística da banda. Soam mais pesadas, mais maduras e perfeitamente integradas ao restante do repertório, mostrando que a espera realmente valeu a pena.

A cozinha da Phornax também impressiona. A bateria dispara verdadeiras metralhadoras de viradas e levadas, sempre variando sem perder a precisão, enquanto o baixo constrói linhas marcantes que reforçam o peso das composições e dialogam constantemente com as guitarras. O resultado é uma base sólida que impulsiona cada música com enorme competência.

Mais do que um simples álbum de estreia, "Hellforge" demonstra uma banda plenamente consciente de sua identidade. As composições exibem estruturas inteligentes, mudanças de dinâmica muito bem executadas e um nível de maturidade que normalmente se espera de grupos com vários discos na bagagem.

No fim das contas, a Phornax não apenas retorna: ela retorna em grande estilo. "Hellforge" é um trabalho consistente do início ao fim, repleto de riffs memoráveis, excelentes performances individuais e composições inspiradas. Para quem aprecia Heavy Metal, Speed Metal e pequenas nuances progressivas, este é um lançamento obrigatório.

Sem exagero, "Hellforge" já figura entre os grandes lançamentos do Metal brasileiro em 2026 e certamente merece um lugar na lista dos melhores álbuns do ano. Se este disco representa o novo ponto de partida da Phornax, o futuro da banda promete ser tão sólido quanto o aço forjado que dá nome ao álbum.

Site Oficial 



domingo, 26 de julho de 2026

Cobertura de Show: Roland Grapow – 17/06/2026 – Blood Rock Bar/CWB

Uma noite de metal melódico e memória: Roland Grapow em Curitiba

Em turnê pela América Latina, Roland Grapow, que desde 2001 segue com o grande Masterplan. Entretanto, nesta vinda ao Brasil, o foco passa a ser sua fase áurea no Helloween, mais especificamente a comemoração dos 30 anos de The Time Of The Oath. E desta vez, Curitiba não ficou de fora, Roland e banda desembarcaram na capital paranaense para uma única apresentação no Blood Rock Bar, localizado no centro histórico de Curitiba. Inclusive, o Blood Rock é reduto de bandas nacionais autorais e covers da melhor qualidade, e não é raro, talentos brasileiros que tocaram lá, serem exportados para o mundo. Exemplo da noite, a segunda banda de abertura, o Royal Rage, que recentemente fez uma turnê na Europa.

Um show no meio da semana acabou não animando o curitibano, mas aos poucos a casa foi dando espaço ao público, que aguardou para dar as caras durante o show principal da noite. Uma pena pois as duas bandas de abertura foram muito competentes no esquenta da noite, contornando com muito jogo de cintura alguns problemas técnicos aparentes. Quando cheguei ao local, alguns minutos após a abertura das portas, a banda Evil Politicians já estava com tudo no palco, e sem cerimônia destilou seu som para os poucos presentes na pista principal. 

Já o Royal Rage ganhou um pouco mais de público, entretanto ainda havia muitas pessoas aproveitando o happy hour com muita comida e bebida, coisa que o Blood Rock se sai muito bem, diga-se de passagem. A casa noturna com decoração voltada para o cinema de horror, que parece um calabouço moderno, conta com vários ambientes, inclusive um segundo andar e área aberta, tudo com mesas, sofás e poltronas (sim, sofás!!!), cadeiras e área gamer com máquinas clássicas dos anos 90. Enfim, fica fácil se entreter em um local assim.

Após o show do Royal Rage, o próprio Roland Grapow apareceu entre o público para trocar uma ideia e tirar fotos, tudo com a máxima cortesia que só o curitibano consegue (kkkkk contém ironia). Inclusive, na minha tentativa de pedir uma foto educadamente, acabei "chupando dedo", mas tudo bem, o show iria ser muito intimista mesmo, pois não há separação entre público e banda, somente o palco um pouco mais elevado. Portanto, a experiência da plateia é a melhor possível.

O show começou no horário correto, com uma banda pouco à vontade, e ainda tentando acertar os detalhes técnicos. Mas os anos de estrada do guitarrista deram a ele o jogo de cintura para conversar e brincar com o público presente. Inclusive, era o único dentre os músicos com uma cerveja em mãos, motivo para mais entretenimento ao estilo "good vibes". Acredito que seja uma característica herdada dos tempos de Helloween, pois nunca vi músicos tão animados como eles. Falo com propriedade de quem esteve presente em 1996, no Couto Pereira para assistir o "Monsters Of Rock" curitibano, que contou ainda com Iron Maiden (com Blaze nos vocais), Motorhead e Skid Row. Após este dia, nunca mais perdi uma turnê no Helloween.

A banda de apoio do guitarrista alemão contou com um escalão de músicos de primeira do cenário nacional, são eles Marcos Dotta na bateria, Fabio Carito no baixo, Affonso Junior na guitarra e João Luiz nos vocais. Com o time formado, o show foi se desenrolando em um misto de euforia do público, piadas do carismático Roland, que ficou sem o microfone (sim, isto aconteceu devido a um problema técnico, que não foi solucionado) mas nada que tirasse o bom humor do alemão, que de tempos em tempos pegava o instrumento dos colegas de palco, para falar com os fãs. Inclusive, a pista ficou lotada rapidamente e os fãs de metal melódico, principalmente de Helloween, são muito apaixonados, era um desfile de tatuagens personalizadas, gritos, choros e aspirantes a vocalistas em todos os cantos.

Agora, vamos falar da parte mais técnica da apresentação, não há que se negar que foi um ótimo show, mas pecou em vários aspectos, em vários momentos o som e os equipamentos não estavam em sincronia, o vocalista, apesar de ter uma voz impecável, não conseguiu o mesmo efeito ao interpretar o estilo melódico. Inclusive, achei que eram coisas da minha cabeça, mas algumas músicas foram bem prejudicadas em sua interpretação. Só para esclarecer, no final do show, consegui trocar uma ideia com algumas pessoas que também acompanham a banda e tiveram a mesma percepção. Mas o carisma e postura de João Luiz compensaram, conseguiu uma ótima pegada no hino Power e sabemos de sua competência, então, tudo deu certo.

Destaque para a participação especial do músico curitibano Cassiano Chamma, que interpretou as músicas Mr. Torture, Eagle Fly Free e I Want Out em perfeita sintonia com a banda, especialmente com Roland Grapow, que o aplaudiu algumas vezes. A participação também gerou uma espécie de nostalgia, onde em alguns momentos relembrou a química de outrora.

Por fim, apesar das trapalhadas, a competência dos músicos, o fervor dos fãs e o amor ao Heavy Metal tornaram a noite de quarta-feira um sucesso. “Happy Happy Helloween”.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: TC7 Produções


Roland Grapow – setlist:

We Burn

Steel Tormentor

Wake up the Mountain

Power

Forever and One

Before the War

Million to One

The Departed

The Dark Ride

The Chance

Mr. Torture

Eagle fly free

I Want Out