sexta-feira, 27 de março de 2026

Abstracted: Peso, Sofisticação e Identidade (Also In English)

M-Theory Audio (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após conquistar reconhecimento dentro e fora do Brasil com Atma Conflux (2022), o Abstracted retorna em 2026 com Hiraeth, um álbum que não apenas apresenta, mas solidifica uma nova fase em sua trajetória. Mais do que um simples sucessor, o disco funciona como um manifesto artístico que evidencia maturidade composicional, identidade sonora e ambição internacional.

A atual formação — Rosano Pedro Matiussi (vocais), Leonardo Brito e José Consani (guitarras), Riverton Vilela Alves (baixo), Carol Lynn (teclados) e Fernando Pollon (bateria) — demonstra entrosamento e segurança ao longo de toda a obra, posicionando o grupo como um dos nomes mais promissores do metal progressivo brasileiro contemporâneo.

Logo na abertura, “Axis” estabelece as bases do que está por vir. Com texturas de teclado que remetem à fase clássica do Dream Theater, a faixa alterna com naturalidade entre passagens limpas e momentos de alta densidade rítmica. A combinação entre vocais guturais — evocando influências como Opeth — e linhas melódicas limpas cria um contraste dinâmico que se tornará recorrente ao longo do álbum.

“Languish” intensifica essa proposta ao mergulhar em territórios mais agressivos, com estrutura complexa e abordagem mais extrema. A participação de Chaney Crabb acrescenta ainda mais peso e versatilidade à composição, que equilibra técnica e brutalidade sem abrir mão da sofisticação progressiva.

Em “Sirens”, o Abstracted amplia seu espectro sonoro ao incorporar elementos que transitam entre o jazz e o fusion, sem perder a coesão. A riqueza de arranjos e a alternância de climas demonstram uma banda confortável em explorar múltiplas influências, conectando o legado do progressivo clássico às tendências mais contemporâneas do gênero.

A virtuose instrumental ganha protagonismo em “To Quench This Insatiable Thirst”, que conta com a participação de Igor Bollos. A faixa se destaca pelo refinamento técnico e pela sobreposição de camadas sonoras, exigindo escutas atentas para que todos os detalhes sejam plenamente absorvidos.

Já “Requiem” oferece um respiro estratégico dentro da narrativa do álbum. Com forte carga atmosférica, a composição alterna momentos contemplativos com explosões de intensidade, incluindo passagens de blast beat e experimentações eletrônicas nos teclados. A versatilidade vocal, especialmente nas linhas limpas com abordagem moderna, reforça a identidade plural da banda.

A complexidade atinge um de seus ápices em “The Barren Grave of God”, onde mudanças abruptas de dinâmica e texturas inesperadas conduzem a audição. Elementos que flertam com o doom metal surgem em contraste com trechos altamente técnicos, culminando em uma construção rica em nuances — incluindo a inserção inusitada de tamborim, que adiciona uma assinatura brasileira ao arranjo.

Encerrando o trabalho, “The Utter End” sintetiza os principais elementos de Hiraeth. Em seus quase nove minutos, a faixa percorre diferentes atmosferas e reafirma a proposta do álbum: unir complexidade estrutural, agressividade e sensibilidade melódica em uma linguagem coesa e contemporânea.

Hiraeth é, acima de tudo, uma obra que demanda atenção. Distante de qualquer proposta casual, o álbum se revela aos poucos, recompensando o ouvinte disposto a mergulhar em suas múltiplas camadas. Ao equilibrar técnica apurada, identidade artística e visão de mercado, o Abstracted entrega um trabalho sólido, capaz de dialogar com o cenário internacional ao fundir o metal progressivo clássico com abordagens mais extremas e modernas.

***ENGLISH VERSION***

Following the critical momentum of Atma Conflux (2022), Brazil’s Abstracted return with Hiraeth — a bold and meticulously crafted record that not only introduces a refreshed lineup, but firmly establishes a new chapter in the band’s artistic evolution. More than a mere follow-up, Hiraeth stands as a statement of intent, showcasing a band operating with heightened confidence, compositional depth, and clear international ambition.

The current lineup — Rosano Pedro Matiussi (vocals), Leonardo Brito and José Consani (guitars), Riverton Vilela Alves (bass), Carol Lynn (keyboards), and Fernando Pollon (drums) — delivers a performance defined by precision and cohesion, reinforcing Abstracted’s position as one of the most compelling emerging forces in modern progressive metal.

Opening track “Axis” immediately sets the tone. Lush keyboard textures evoke the early era of Dream Theater, while intricate rhythmic shifts and dynamic transitions establish a sophisticated sonic framework. The interplay between guttural vocals — nodding towards Opeth — and clean melodic lines creates a striking contrast that becomes a defining characteristic of the album.

“Languish” pushes further into aggressive territory, balancing technical complexity with visceral intensity. A standout moment comes with the guest appearance of Chaney Crabb, whose commanding performance adds both weight and texture to an already multifaceted composition.

With “Sirens”, the band broadens its sonic palette, weaving in elements of jazz and fusion without compromising cohesion. The result is a richly layered track that bridges classic progressive influences with a modern, genre-fluid approach — a testament to the band’s compositional maturity.

“To Quench This Insatiable Thirst” serves as a showcase of instrumental prowess. Featuring guest guitarist Igor Bollos, the track unfolds as a technically demanding piece, filled with intricate arrangements and dense layering that reward repeated listens.

“Requiem” provides a carefully placed moment of atmospheric contrast. While maintaining the band’s progressive identity, the track introduces a more introspective dimension, later erupting into bursts of intensity, including blast beat passages and subtle electronic textures. The modern approach to clean vocals further enhances its dynamic range.

Arguably one of the album’s most ambitious compositions, “The Barren Grave of God” thrives on contrast and unpredictability. Rapid-fire technical passages collide with slower, doom-tinged sections, creating a constantly shifting landscape. The unexpected inclusion of Brazilian percussion elements adds a distinctive cultural nuance, enriching the track’s already complex structure.

Closing track “The Utter End” functions as a microcosm of the album itself. Spanning nearly nine minutes, it encapsulates the core elements of Hiraeth — technical precision, emotional depth, and stylistic diversity — delivering a cohesive and impactful finale.

Ultimately, Hiraeth is not an album designed for passive listening. It demands engagement, rewarding those willing to immerse themselves in its intricacies. By seamlessly blending the sophistication of classic progressive metal with the intensity of more extreme subgenres, Abstracted deliver a work that is both ambitious and fully realized — a release that confidently positions the band on the global stage.


Hardline: Entre o Legado e a Reinvenção (Also In English)

SPV Steamhammer (Imp.)

Por Flavio Borges 

É impossível abordar “Shout”, novo álbum do Hardline, sem revisitar o impacto de “Double Eclipse” (1992), obra que estabeleceu as bases do DNA sonoro da banda. Décadas depois, o grupo liderado por Johnny Gioeli retorna com um trabalho que equilibra, com precisão, nostalgia e contemporaneidade. O resultado é um disco que resgata a força dos refrães marcantes e da identidade melódica clássica do hard rock, agora inseridos em uma produção moderna e atualizada.

O lineup atual reúne Gioeli ao lado dos músicos italianos Alessandro Del Vecchio (teclados), Luca Princiotta (guitarra), Anna Portalupi (baixo) e Marco Di Salvia (bateria), formação que demonstra entrosamento e versatilidade ao longo de todo o álbum.

A faixa-título, “Shout”, abre o disco com imponência. Sua introdução épica conduz a um refrão forte e imediato, evidenciando a potência vocal de Gioeli e uma abordagem instrumental que flerta com elementos mais pesados, próximos ao power metal, sem abandonar a essência hard’n’heavy.

Na sequência, “Rise Up” mantém a intensidade elevada, com andamento acelerado, backing vocals bem construídos e uma performance vocal mais agressiva. A dinâmica entre guitarras limpas e distorcidas adiciona textura e reforça o apelo melódico da faixa.

“It Owns You” evidencia a amplitude de influências do Hardline, transitando com naturalidade entre o hard rock e o heavy metal. Com riffs afiados, solos bem elaborados e variações de andamento, a música demonstra a maturidade técnica e o entrosamento da banda.

O álbum também apresenta uma releitura de “When You Came Into My Life”, originalmente gravada pelo Scorpions em 1996. A versão do Hardline preserva a essência da balada, ao mesmo tempo em que destaca a expressividade vocal de Gioeli e o refinamento instrumental, especialmente nos arranjos de piano e na base rítmica.

Em “Mother Love”, o destaque fica por conta da construção progressiva até um refrão grandioso, apoiado por backing vocals robustos. A música combina peso e sofisticação, com destaque para a ponte e o solo de guitarra, que conduzem com eficiência a retomada do tema principal.

“Rise Above No Fear” subverte expectativas ao iniciar de forma suave e evoluir para uma das faixas mais pesadas do álbum. A combinação entre guitarras e bateria ganha protagonismo, enquanto os teclados assumem papel mais discreto, resultando em uma sonoridade moderna, porém fiel à identidade da banda.

Já “Candy Love” resgata o espírito festivo do hard rock clássico, com forte influência da cena de Los Angeles dos anos 1980. Teclados marcantes, riffs diretos e um refrão de fácil assimilação fazem da faixa um dos momentos mais acessíveis e energéticos do disco.

“I’m Leaning On It” aposta em uma abordagem mais direta e crua, com foco na base de guitarra, baixo e bateria. A performance vocal mais áspera de Gioeli adiciona intensidade, reforçando o caráter mais pesado da composição.

Em “Welcome To The Thunder”, a banda inverte a lógica predominante do álbum ao priorizar elementos do heavy metal, sem abrir mão da estética do hard rock. O resultado é uma faixa robusta, com destaque para a versatilidade vocal de Gioeli, que remete a grandes nomes do gênero.

Encerrando o disco, “Glow” apresenta o momento mais emocional do trabalho. Com temática voltada à perda — tanto de entes queridos quanto de animais de estimação —, a faixa se destaca pela interpretação intensa e sensível de Gioeli. A carga emocional é amplificada por uma execução contida e elegante, que valoriza a mensagem da canção.

Como complemento, a banda planeja incorporar a música às apresentações ao vivo de forma especial, incentivando o público a participar com pulseiras luminosas em homenagem a pessoas e momentos significativos.

Com “Shout”, o Hardline entrega um álbum consistente e bem produzido, que honra seu legado ao mesmo tempo em que se mantém relevante no cenário atual. Trata-se de um trabalho que reforça a identidade da banda e evidencia sua capacidade de evolução sem perder a essência.

***ENGLISH VERSION***

It is impossible to approach “Shout”, the new album by Hardline, without revisiting the impact of “Double Eclipse” (1992), the record that defined the band’s sonic DNA. Decades later, the Johnny Gioeli-led outfit returns with a release that carefully balances nostalgia and modernity. The result is an album that revives the band’s trademark melodic sensibility and anthemic choruses, now framed within a contemporary production.

The current lineup features Gioeli alongside Italian musicians Alessandro Del Vecchio (keyboards), Luca Princiotta (guitars), Anna Portalupi (bass) and Marco Di Salvia (drums), a unit that displays strong chemistry and versatility throughout the record.

The title track, “Shout”, sets the tone with authority. Its epic introduction leads into a powerful, instantly memorable chorus, highlighting Gioeli’s commanding vocal performance. Instrumentally, the track leans into a heavier approach, flirting with power metal textures while remaining firmly rooted in hard rock.

“Rise Up” keeps the momentum going with an energetic, up-tempo drive. Tight backing vocals and a more aggressive vocal delivery from Gioeli elevate the track, while the interplay between clean and distorted guitars adds depth and dynamic contrast.

With “It Owns You”, Hardline showcases its ability to seamlessly blend hard rock and heavy metal influences. Sharp riffs, well-crafted solos and shifting dynamics underline the band’s technical proficiency and cohesion.

The album also features a cover of “When You Came Into My Life”, originally released by Scorpions in 1996. Hardline’s rendition retains the emotional core of the ballad while emphasizing Gioeli’s expressive vocal range, supported by elegant piano arrangements and a solid rhythmic foundation.

“Mother Love” stands out for its structured build-up, culminating in a soaring, arena-ready chorus supported by rich backing vocals. The track combines weight and sophistication, with particular highlights in the bridge and guitar solo.

One of the album’s most surprising moments comes with “Rise Above No Fear”. Opening with a softer tone, the track quickly evolves into one of the heaviest cuts on the record. Guitar and drum work take center stage, while keyboards play a more subtle role, resulting in a modern yet faithful extension of the band’s core sound.

“Candy Love” brings back the celebratory spirit of classic hard rock, echoing the sound of the late ’80s Los Angeles scene. With prominent keyboards, driving riffs and a highly accessible chorus, it stands out as one of the album’s most immediate and energetic tracks.

On “I’m Leaning On It”, the band opts for a more stripped-down and direct approach. Built around a guitar-bass-drums foundation, the track gains additional intensity through Gioeli’s grittier vocal performance, reinforcing its heavier edge.

“Welcome To The Thunder” shifts the balance further toward heavy metal, while still maintaining the band’s hard rock identity. The track is robust and dynamic, with Gioeli delivering a particularly versatile performance that evokes classic genre influences.

Closing the album, “Glow” delivers its most emotional moment. Addressing themes of loss — both of loved ones and beloved pets — the song is driven by a deeply heartfelt vocal performance. Its restrained and elegant arrangement allows the emotional weight to fully resonate, providing a powerful conclusion to the record.

As an extension of its message, the band plans to incorporate a special live element during performances of the song, encouraging audiences to participate with illuminated wristbands in tribute to meaningful people in their lives.

With “Shout”, Hardline delivers a cohesive and well-crafted album that honors its legacy while remaining relevant in today’s scene. It is a release that reinforces the band’s identity and highlights its ability to evolve without losing its essence.

Divulgação 




quinta-feira, 26 de março de 2026

Entrevista - Fernando Iser: "Tudo se move, Nada está parado"

Por: Renato Sanson

 

Fernando, obrigado mais uma vez pela disponibilidade! Sempre bom poder conversar com alguém tão lendário do nosso cenário extremo mundial. Não poderia começar diferente, recentemente foi lançado o Debut da Mávra, o sabático “Dark Incantations”. Conte-nos como surgiu esse novo projeto.

Iser - Salve Renato! Sou eu quem agradeço pela oportunidade de escrever mais umas páginas da minha trajetória na Road To Metal, meu amigo! Sempre um prazer imenso ter contato com os amigos gaúchos e de todo o país!

Cara, o Mávra nasceu como um projeto onde a intenção principal era trazer à tona as primeiras influências da adolescência. Black Sabbath, Coven, Iron Maiden, Mercyful Fate, etc.

Fazer um som diferente do que eu sempre fiz, cantando de forma "limpa" e mais puxada pro Heavy e Doom. E acabou ficando mais legal do que esperamos! Então resolvemos continuar com a banda e chegamos ao primeiro álbum, com o apoio de selos daqui de SP e de SC. Realizamos shows em várias cidades de SP e espero no futuro levar nosso som profano a outros estados do nosso Brasil.


As composições lembram o tempo áureo do Heavy Metal oitentista, mas também aquele clima maléfico de nomes como Mercyful Fate. Como se deu o processo criativo do mesmo?

Bom, a intenção desde o início foi soar como som antigo. Inclusive as letras, totalmente influenciadas por contos de bruxaria tradicional e satanismo clássico. Sou de 1978. Tenho flashes de memórias dos anos 80 e quis trazer esse feeling para as músicas, todo aquele sentimento de descoberta de novas bandas e temas inspirados por escritores até então esquecidos ou marginalizados pela elite literária. Então, após tanta experiência (praticamente 30 anos de Underground), fica fácil compor temas diferentes, num estilo que nunca tinha prestado tanta atenção antes!


A arte também que embala o Debut da Mávra é de encher os olhos e se estivesse em algum vinil oitentista seria cultuado até hoje. Quem teve a ideia? Pois ela casa perfeitamente com a proposta sonora.

Ficou lindona né! Procuramos o artista (tatuador e músico) Wagner Matos da banda Labar Oculto de Piraju/SP. Eu sempre pirei nas artes de capa e encarte que ele fez nos trabalhos da banda dele. O cara detona. Além de ser um grande desenhista, tatuador, músico e Headbanger, conseguiu compreender meu pedido. Eu pedi a ele que desenhasse algo que lembrasse as músicas, e mandei os sons. Então saiu essa obra magnífica, pintada a mão e de forma natural sem IA.

 

São muitos anos dedicados ao underground extremo e muitas bandas em qual você faz parte. Como está sua agenda hoje em dia e em quais projetos segue ativo?

Bom, eu sempre tento manter cinco bandas na ativa. Uma questão pessoal, um equilíbrio pentagramático. Então, as cinco bandas na ativa são o Mávra (Heavy/Doom/Occult Metal), que está fazendo shows de divulgação do álbum.

Herege, que está prestes a lançar o primeiro álbum após um pouco mais de uma década;

Torqverem, retornando aos ensaios e gravações após um período no Limbo;

Exterminatorium, banda que acabou de lançar o Single da música "Nuklear Khaos Kommando" que está disponível no YouTube;

Morte Negra, que está finalizando o segundo álbum oficial que será lançado até o fim deste 2026.

Em relação aos lançamentos, tivemos em 2025 exatos cinco lançamentos:

Um CD live do evento "Immortal Spirit of the Ancient Times" realizado Em Campinas/SP no último ano onde participei com o Necrosound e Fenrir. O último lançamento do LALSSU intitulado "To Telos" - que significa "O Fim" em grego. Split com as hordas Poeticus Severus (RJ) e Shadow Moon (ES). O primeiro álbum do HEREGE, intitulado "Blood War Extermination". O já citado primeiro álbum do Mávra "Dark Incantations". E o também já citado EP do EXTERMINATORIUM, "Nuklear Khaos Kommando".

Com exceção deste último citado que está disponível apenas nas plataformas digitais, todos os demais materiais encontram-se disponíveis em CD.

Neste 2026, além do já citado segundo álbum do Morte Negra que está em processo de finalização, teremos dois lançamentos especiais:

O primeiro álbum do AETERNUM MAUSOLEUM, banda que foi criada com os amigos da extinta banda MAUSOLEUM, que sairá em LP e CD. O título do álbum, "Ecos do Panteão", faz referência aos temas sobre mitologia grega que abordamos nesse trabalho. E o som é totalmente voltado às bandas gregas antigas que nos influenciaram.

E o segundo é a trajetória do KAZIKLU BEY. Banda lendária do Subterrâneo Paulista que teve o fim das atividades decretada em 2013 após a trágica morte do nosso vocalista.

Neste CD estarão todas as demos lançadas pela banda no período de 1998/2012.


 


Temos uma paixão em comum que é pelo Rotting Christ. Sendo em minha opinião a melhor banda de Black Metal da história. Em 2024 você participou do show dos mestres em SP cantando o hino “The Sign of Evil Existence”. Conte-nos essa experiência ao estar no palco com uma banda tão lendária. E se possível, como surgiu esse convite?

Cara, uma pequena correção. O que sinto pelo RC não é paixão, é amor em seu estado mais bruto (risos). Tenho contato com o Sakis Tolis há um bom tempo, desde a fundação do Malediction 666 em 98, quando trocávamos cartas e e-mails.

Sakis participou do álbum "We, Demons" do Malediction 666 em 2019, convidou a banda para abrir o show em SP mas devido à organização nos barrar por motivos que ainda desconheço (desconfio que seja porque somos uma banda underground, independente e sem agenciamento), acabou não rolando.

O plano era ele cantar um som nosso e eu um deles. No fim acabei cantando o deles, e o que posso dizer é que foi uma experiência única estar ao lado de um cara que me influenciou desde jovem na cena do Metal, ainda mais cantando esse que é um dos sons mais fodas da história. Essa praga está disponível no YouTube, e lá o leitor poderá notar que cantei com toda a potência e reverência possível que eu poderia expressar.


 


Agora fugindo um pouco da música, você é jogador de botão profissional! O famoso futebol de mesa para os mais novos (risos). Isso é algo que fez parte da minha infância e na adolescência cheguei a jogar alguns torneios e acaba se tornando um vício gostoso. Comente conosco essa paixão pelo futebol de mesa.

Olha meu amigo, profissional de Futmesa não sou, pois, trabalho em indústria metalúrgica (no ramo de manutenção em Robótica e Eletrônica), mas dou umas boas dores de cabeça pra esse povo viciado hahaha. Me considero um entusiasta desse "esporte", e sempre que possível disputo campeonatos os quais sou convidado.

O Futmesa me ajudou como atividade terapêutica na época da Pandemia por indicação da minha psicóloga. Passei por momentos muito difíceis numa ruptura de relacionamento e não sentia prazer em mais nada na vida.

Então a orientação foi que eu resgatasse algo que eu gostava do passado, além da música, claro. Por coincidência alguns amigos do Butantan me indicaram um clube que estava na ativa, e voltei a jogar após mais de trinta anos. Foi incrível redescobrir essa atividade e conhecer tantos amigos que hoje em dia tenho contato constante graças aos torneios e encontros.

Existem várias ligas amadoras no Brasil, e ao menos uma vez por ano nas minhas férias viajo alguns dias para estados diferentes a fim de encontrar amigos botonistas e desafiá-los a jogar algumas partidas.

Foi assim em cidades do interior de SP, Belo Horizonte em MG, Curitiba no PR, Rio de Janeiro no RJ, e principalmente RS onde fui muito bem recebido aí para jogar no GNU (Grêmio Náutico União) de Porto Alegre pelo meu amigo Cláudio Mastrangelo, um ilustre Colorado.

Tivemos ano passado o Campeonato Brasileiro em Porto Alegre no Clube Sogipa, mas não pude participar devido à agenda do meu trabalho. Mas espero conseguir estar em Curitiba em maio deste ano para disputar  o brasileiro lá. Enfim... Quando passar novamente por POA te desafio a dar umas boas palhetadas ao som de muito Metal e bebendo todas! Hahaha!

 

Seguindo a linha futebolística, o teu São Paulo vai ter um bom ano em 2026 ou vai seguir no marasmo (risos)? Porque o meu Grêmio... Olha... Sem comentários.

Pois é, nossos Tricolores tem passado por anos difíceis!

Nosso título da Copa do Brasil anos atrás fechou um ciclo de conquistas onde podemos afirmar que somos "Campeões de Tudo". Eu vi meu time ganhar todo tipo de campeonato, mas sinceramente não acredito que isso se repita no futuro. O futebol é outro, a grana fala mais alto.

O São Paulo FC foi tão roubado pelos últimos dirigentes, que aparece mais em programas policiais do que nos esportivos.

Mas é o esporte que acompanhamos desde sempre, e a paixão nunca acaba. Continuo indo ao Morumbi sempre que o São Paulo joga, (inclusive estou respondendo essa questão num SP X Grêmio, te mandei foto hahaha) isso é algo que não me vejo sem.

E nesse 2026 só espero que não sejamos rebaixados, porque o time é ruim pra kct!


Para finalizar, gostaria que você nos dissesse uma frase que representa a sua carreira. Muito obrigado mais uma vez!

Vou citar um dos Sete Princípios Herméticos, que é o Princípio da Vibração:

"Nada está parado.

Tudo se move.

Tudo vibra".

Acredito que este princípio resuma minha trajetória de vida: a movimentação e a atividade constante, a paixão pela Construção não apenas de músicas e álbuns, mas de lembranças que fazem a vida valer pena.

Todos nós vamos morrer um dia, e antes disso acontecer o mais sensato a se fazer é aproveitar o tempo que temos! Saciando nossas Vontades e botando a roda da vida pra girar!

Renato, sou muito grato pela oportunidade de falar contigo novamente sobre o Mávra e outros assuntos sobre minha pessoa. Uma honra estar presente no Road To Metal e espero voltar em breve para falar mais sobre minha arte sonora!

Um grande abraço a ti e aos leitores que dedicaram um tempo a esta entrevista!

 

 


quarta-feira, 25 de março de 2026

Alien: Reafirmando Legado e Conexão Com o Público (Also In English)

Pride & Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges

Celebrando décadas de trajetória no hard rock melódico, a veterana banda sueca Alien retorna aos holofotes com Live at Sweden Rock, um registro ao vivo que sintetiza com precisão a força e a relevância de sua carreira. Formado em 1986 e liderado pela voz inconfundível de Jim Jidhed, o grupo consolidou seu nome na cena europeia com clássicos como “Only One Woman” e uma discografia sólida que atravessa gerações.

Gravado durante a aclamada apresentação no Sweden Rock Festival 2025, o álbum captura não apenas a performance da banda, mas também a forte conexão estabelecida com o público. O repertório equilibra com competência grandes sucessos e faixas mais recentes, oferecendo um panorama fiel da evolução musical do Alien.

Para esta apresentação, além do núcleo formado por Jim Jidhed (vocais), Tony Borg (guitarras) e Toby Tarrach (bateria), a banda contou com reforços que ampliaram a densidade sonora: Fredrik Karnell no baixo, Mikael Bäck nos teclados e os backing vocals Jonathan Jaarnek Norén e Kajsa Borg. O resultado é uma sonoridade mais encorpada, com arranjos que se aproximam das versões originais de estúdio.

O setlist transita com naturalidade entre diferentes fases da carreira do grupo. Clássicos como “Tears Don’t Put Out The Fire”, “Go Easy” e “Only One Woman” dividem espaço com composições mais recentes, como “In The End We Fall” e “If Love Is War”, já assimiladas pelo público.

A abertura com “In The End We Fall” estabelece imediatamente o tom energético da apresentação, seguido por “If Love Is War”, que evidencia o papel fundamental dos backing vocals na construção de refrões mais ricos e harmonizados. Na sequência, “Go Easy” surge como o primeiro grande momento nostálgico da noite, executado com precisão e destacando a consistência vocal de Jidhed.

Sem perder o ritmo, “Brave New Love” mantém o nível de intensidade elevado, reforçando a coesão do repertório e a identidade melódica da banda, marcada por refrões fortes e bem trabalhados. Esse padrão se confirma em “Only One Woman”, um dos pontos centrais do show, onde a performance vocal e a resposta do público elevam ainda mais o impacto da faixa.

O tradicional momento instrumental surge em forma de um solo de guitarra enxuto, porém eficaz, no qual Tony Borg demonstra sua técnica sem comprometer o fluxo da apresentação. Em seguida, “Night of Fire” introduz variações rítmicas interessantes, enquanto “I Belong to the Rain” reforça a dinâmica do grupo com guitarras mais incisivas e uma base sólida.

Um dos ápices do show ocorre com “Tears Don’t Put Out the Fire”, recebida com entusiasmo evidente pela audiência e executada de forma impecável. A faixa consolida a sequência de clássicos indispensáveis, reafirmando o peso histórico da banda dentro do gênero.

Na reta final, “Dying by the Golden Rules” mantém o nível de energia elevado, preparando o terreno para o encerramento com “Touch My Fire”. A faixa final, acompanhada pela apresentação dos músicos, funciona como uma síntese da proposta do espetáculo, combinando performance, interação e apelo emocional.

A apresentação no Sweden Rock Festival 2025 marcou o retorno do Alien ao evento após 15 anos, em um momento que reafirma sua relevância no cenário do hard rock melódico. Mesmo em um palco de menor porte, a banda demonstrou sua capacidade de mobilizar o público, atraindo uma audiência crescente e reforçando a longevidade de seu legado.


***ENGLISH VERSION***

Celebrating decades of dedication to melodic hard rock, Swedish veterans Alien return to the spotlight with Live at Sweden Rock, a live release that effectively captures both the strength of their legacy and their enduring relevance. Formed in 1986 and led by the unmistakable voice of Jim Jidhed, the band has built a solid reputation within the European scene, highlighted by classics such as “Only One Woman” and a consistently strong discography.

Recorded during their acclaimed performance at the Sweden Rock Festival 2025, the album documents not only the band’s onstage prowess but also their strong connection with the audience. The setlist is carefully balanced, blending essential hits with more recent material, offering a comprehensive overview of Alien’s musical evolution.

For this performance, the core lineup of Jim Jidhed (vocals), Tony Borg (guitars), and Toby Tarrach (drums) was expanded with Fredrik Karnell on bass, Mikael Bäck on keyboards, and backing vocalists Jonathan Jaarnek Norén and Kajsa Borg. This enhanced lineup adds depth and texture to the sound, resulting in arrangements that closely mirror the richness of the original studio recordings.

The setlist flows naturally across different phases of the band’s career. Signature tracks such as “Tears Don’t Put Out The Fire”, “Go Easy”, and “Only One Woman” are seamlessly interwoven with newer songs like “In The End We Fall” and “If Love Is War”, both of which have already been embraced by fans.

Opening with “In The End We Fall”, the band immediately establishes a high-energy atmosphere, followed by “If Love Is War”, where the importance of layered backing vocals becomes evident, enriching the choruses with strong harmonic support. “Go Easy” marks the first major nostalgic highlight of the show, delivered with precision and showcasing Jidhed’s enduring vocal strength.

Without losing momentum, “Brave New Love” sustains the intensity, reinforcing the cohesion of the set and the band’s melodic identity, built around memorable and well-crafted choruses. This approach reaches one of its peaks with “Only One Woman”, a central moment in the performance, elevated by both the vocal delivery and the audience’s enthusiastic response.

A concise yet effective guitar solo provides a classic live show element, allowing Tony Borg to demonstrate his technical ability without disrupting the flow of the set. “Night of Fire” introduces subtle rhythmic variations, while “I Belong to the Rain” brings a more driving guitar approach supported by a tight and cohesive rhythm section.

One of the standout moments of the performance comes with “Tears Don’t Put Out the Fire”, met with a visibly enthusiastic crowd reaction and executed flawlessly. The track solidifies the sequence of essential classics, reaffirming the band’s historical significance within the genre.

In the final stretch, “Dying by the Golden Rules” keeps the energy levels high, leading into the closing number, “Touch My Fire”. Accompanied by the introduction of the band members, the final track serves as a fitting conclusion, combining performance, audience interaction, and emotional impact.

Alien’s appearance at the Sweden Rock Festival 2025 marked their return to the event after 15 years, reaffirming their standing within the melodic hard rock scene. Even on a smaller stage, the band proved its ability to draw and engage a growing audience, further cementing the longevity and strength of its legacy.



terça-feira, 24 de março de 2026

Entrevista – Roy Khan: "Estar no palco é a primeira coisa que me vem à mente quando penso em felicidade"

"O Brasil é meu principal destino quando o assunto é tocar ao vivo" (Roy Khan)

Por Paula Butter

Roy Khan está de volta, e o Brasil é, de novo, o palco escolhido. O vocalista norueguês que marcou gerações à frente do Kamelot, gravando discos que viraram referência do Power Metal como Karma, Epica e The Black Halo, vive hoje um momento de pura efervescência criativa. Depois de deixar o grupo em 2011 por esgotamento e passar anos longe dos holofotes, ele foi encontrando o caminho de volta à música pelo Conception, banda que integrava antes do Kamelot. 

A partir daí, o músico acabou reencontrando no Brasil um público que nunca esqueceu sua voz. Em 2024, subiu ao palco como convidado de Edu Falaschi; em 2025, lotou o Tokio Marine Hall com uma performance épica celebrando os 20 anos de The Black Halo, com orquestra sinfônica no palco e convidados para lá de especiais.

E para a alegria da nação headbanger, em abril de 2026, Roy Khan volta ao Brasil pela terceira vez em pouco mais de um ano para o Bangers Open Air, o maior festival de Heavy Metal do país, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Roy toca no Sunday Stage no dia 26 e ainda aparece como convidado especial do Seven Spires na Pré-Party do festival, no dia 24. 

Nessa entrevista exclusiva, concedida para a Road To Metal, o vocalista conta o que os fãs podem esperar do show de abril, fala sobre o primeiro álbum solo da carreira, que está sendo produzido por Sascha Paeth (Sim, o mesmo cara dos discos do Kamelot) e reflete sobre a vida, a felicidade e por que o Brasil virou, nas palavras dele, o seu "principal destino" quando o assunto é tocar ao vivo.

Agradecimentos à agência Taga e à produção do Bangers Open Air no Brasil.


Você está vivendo um dos períodos mais ativos da sua carreira, foram muitos shows em 2025, muita coisa acontecendo. O que mudou em você, artística e pessoalmente, desde que voltou aos palcos?

RK: Bem, voltei com o Conception já em 2018, e foi um momento muito estranho. Quando subi ao palco pela primeira vez, foi esquisito, eu conseguia sentir claramente os anos que tinham passado. Em termos de personalidade, acho que continuo sendo o mesmo. Certas partes da sua personalidade simplesmente fazem parte de quem você é. Como artista, houve experiências na minha vida que mudaram um pouco os conceitos das minhas letras, embora eu ainda esteja lidando com grandes questões e grandes perguntas. Talvez de forma um pouco mais ligada à experiência real da vida do que antes. Mas quando estou no palco, parece qualquer outro show dos velhos tempos. Eu comentei isso com um jornalista antes de você, que quando você está no palco, aquele momento é tudo. Eu simplesmente desapareço. Estávamos discutindo o conceito de felicidade, e ele me perguntou o que felicidade significa para mim. Estar no palco é provavelmente a primeira coisa que me vem à mente quando penso em descrever felicidade como um estado de espírito.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Brasil e o show de Aniversário do álbum The Black Halo

Falando sobre o show do ano passado, você esteve em São Paulo para um grande concerto solo, mas já havia estado no palco com Edu Falaschi e Kai Hansen antes. Como foi a experiência de dividir o palco com tantas pessoas que têm significado para você ao longo dos anos?

RK: Sim, foi incrível. Eu estava no show do Edu em 2024, mas tocamos apenas uma música do Kamelot, uma do Conception, e depois cantamos Heroes of Sand juntos. Então conversamos sobre eu voltar no ano seguinte com um set um pouco maior, um set completo meu antes do Edu. E foi aí que surgiu a ideia da orquestra sinfônica. Essa foi, na verdade, ideia do Edu. Do jeito que fizemos, com aquele palco enorme e 60 pessoas nele, foi simplesmente incrível. Tokio Marine Hall completamente lotado. Não tem como dar errado. Foi fantástico.

O Brasil continua aparecendo como palco central no seu renascimento artístico. O que explica essa conexão tão profunda com o público brasileiro?

RK: Bom, tenho que agradecer ao Edu por me trazer para aquele primeiro show. O Brasil sempre foi um mercado muito importante, tanto para o Conception quanto para o Kamelot. Fizemos shows enormes em São Paulo, acho que tocamos num lugar chamado Via Funchal, embora o nome possa ter mudado. Mas sim, o Brasil sempre foi importante. E agora, o Bangers em abril será a terceira vez que vou ao Brasil como artista solo. Acho que isso faz do Brasil o principal destino para mim quando se trata de shows ao vivo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Bangers Open Air 2026

Você está confirmado no Bangers Open Air. Quais são as suas expectativas para o show?

RK: Já estive no Brasil duas vezes nos últimos dois anos, e estou ansiosíssimo para voltar em abril, dia 26 de abril, acho que é um domingo. O público brasileiro é realmente algo especial. Poder ir lá e tocar num show ao ar livre como o Bangers vai ser um momento super divertido, acho eu, para todo mundo, (Muito animado) inclusive para mim.

O que você pode contar para os fãs que vão ao Bangers Open Air? O que eles podem esperar do seu setlist?

RK: Vão ter algumas músicas que não foram tocadas no show de julho (2025). E talvez haja alguns convidados, mas ainda não decidi completamente isso. Pode até ter uma música nova, mas não acho que vai rolar, porque ainda não chegamos longe o suficiente no processo e os ensaios só começam no início de abril. Mas também vou voltar ao Brasil mais tarde, provavelmente antes do disco sair. Então, a gente vai ver.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Álbum Solo e  Sascha Paeth

Este álbum está sendo produzido por Sascha Paeth. Como é reconectar-se com ele num momento tão diferente da sua vida?

RK: Bem, não houve bem um processo. Não estávamos em contato esses anos todos. Mas a Adrienne Cowan (Seven Spires) trabalha com o Sascha, e também canta na banda dele, a Masters of Ceremony, e claro no Avantasia também. Então começamos a conversar sobre fazer algo com o Sascha novamente. Ligamos para ele e ele topou, e cá estamos.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Equilibrando o Conception e o Projeto Solo

Como você equilibra o Conception com o seu novo projeto solo e todas essas performances especiais acontecendo ao mesmo tempo?

RK: Bem, este é meu trabalho em tempo integral, ser músico e compositor. É desafiador, porque agora estamos trabalhando em paralelo no meu álbum solo e no próximo álbum do Conception. Mas você precisa separar tempo, certos períodos em que você foca em uma coisa, definir pequenas metas ao longo do caminho e dar um passo de cada vez. É desafiador, mas também é muito bom estar realmente ocupado com algo pelo qual você é genuinamente apaixonado.

Está no Instagram que você já tem algumas ideias para um novo álbum do Conception. É verdade?

RK: Sim, sim. Como eu disse, estamos trabalhando em paralelo, mas os álbuns vão ser lançados em momentos diferentes porque não queremos um conflito de divulgação com dois discos ao mesmo tempo. Provavelmente vai ser o meu álbum solo primeiro, e depois o álbum do Conception.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Reunião com o Kamelot

Alguma novidade sobre uma possível reunião com o Kamelot?

RK: Nenhuma novidade sobre isso. Não.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

The Black Halo ao Vivo: Emoções e Legado

The Black Halo é um álbum tão importante. Como foi tocá-lo ao vivo no ano passado (2026) em São Paulo e no Japão? Assisti alguns vídeos e percebi que havia muita emoção naqueles shows.

RK: É incrível. Realmente acredito que nasci para estar no palco e fazer música, voltando ao conceito de felicidade que mencionamos antes. Inclusive, cantar e compor é algo para o qual fui feito. E tocar aquelas músicas, que talvez representem o auge da minha carreira de alguma forma... Sim, ainda tenho muito orgulho daquele álbum e daquelas músicas. É muito bom sair de novo e tocá-las para fãs antigos e novos. É ótimo.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Cuidados com a Voz e Técnica Vocal

Sua voz está em uma forma incrível. O que você faz para cuidar dela e mantê-la num nível tão alto? Quais são os seus segredos?

RK: Não tenho certeza se faço algo muito especial ou fora do comum. Mas na minha idade, é realmente importante estar em boa forma física. Me exercito bastante, tanto para a capacidade pulmonar quanto para conseguir fazer os movimentos que quero quando estou cantando. E aí claro tem o canto em si, suas cordas vocais também são um músculo. Você precisa ter cuidado com o aquecimento. Sempre bebo muita água antes de entrar numa sessão de canto mais longa, seja no estúdio, ao vivo ou em ensaios. Tenho meus exercícios de aquecimento normais e um pequeno aparelho no qual sopro. Na verdade, adoro tocar clarinete, ou essa corneta, que é  uma espécie de sereia que tenho no meu estúdio. Mas sim: mantenha-se aquecido, beba muita água e certifique-se de estar em boa forma.

Amanda Vasconcelos - @mandahvf

Mensagem Final

Você pode deixar uma mensagem final para os fãs?

RK: Como havíamos conversado, o Brasil tem um lugar muito especial no meu coração. Já estive lá duas vezes em pouco mais de um ano. Estou ansiosíssimo para voltar ao Bangers no dia 26 de abril. Vamos nos divertir muito. Até lá.


Serviço:

Bangers Open Air 2026

Local: Memorial da América Latina - São Paulo

Datas: 24 (Pré-Party), 25 e 26 de Abril de 2026

Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026-pass



Nervosa: Imprevisivel e poderoso

 Por: Renato Sanson

Tivemos acesso antecipado a “Slave Machine” (lançamento marcado para o dia 03/04), o novo trabalho da Nervosa, e o que se ouve aqui é mais do que um simples passo à frente, mas sim uma redefinição consciente de identidade.

Conhecidas por sua agressividade direta e raízes fincadas no Thrash Metal, a Nervosa mantêm essa espinha dorsal intacta, mas expandem consideravelmente seu alcance sonoro. O novo álbum apresenta uma banda mais madura, que entende o peso da própria trajetória e não hesita em explorar novos caminhos sem perder sua essência. A própria banda já descreve o disco como seu trabalho mais “brutal e melódico” até aqui e isso se confirma ao longo das faixas.

Se em registros anteriores havia flertes evidentes com o Death Metal old school e o Heavy tradicional, aqui esses elementos dão lugar a uma abordagem mais refinada e atmosférica. As guitarras continuam afiadas e agressivas, mas agora carregam linhas melódicas mais evidentes, criando uma ambiência que em diversos momentos remete aos tempos áureos do Arch Enemy, especialmente no equilíbrio entre peso e melodia. Mas isso não quer dizer cópia, não interpretem errado, apenas um direcionamento para entenderem o quanto as águas de “Slave Machine” se aprofundam.

Outro destaque absoluto é a performance de Prika Amaral. Consolidada como frontwoman, ela entrega aqui um trabalho vocal mais versátil. Além dos já esperados vocais rasgados e agressivos, surgem passagens mais limpas e até melodiosas, ampliando o espectro emocional ao decorrer do play. Essa escolha não suaviza o impacto, pelo contrário, adiciona camadas e torna a experiência ainda mais dinâmica e imprevisível.

A cozinha da banda também merece menção especial, principalmente com a chegada da baterista Michaela Naydenova. Sua execução é precisa, técnica e agressiva na medida certa, contribuindo diretamente para a solidez do trabalho. A bateria não apenas acompanha, mas impulsiona, criando variações rítmicas que enriquecem a construção das músicas.

Com 12 faixas, o disco mostra uma banda que domina sua própria linguagem. Alternando entre velocidade extrema, grooves mais cadenciados e momentos de respiro melódico. “Slave Machine” soa coeso e bem estruturado, sem excessos ou dispersões. Há uma sensação clara de direção e algo que só bandas em estágio avançado de maturidade conseguem atingir.

Mais do que um novo lançamento, representa uma evolução estratégica. A Nervosa amplia seus horizontes sem abrir mão da agressividade que a consolidou no cenário mundial. É um disco que dialoga tanto com fãs antigos quanto com uma nova audiência, especialmente aqueles que apreciam a fusão entre peso extremo e melodia.

Se havia qualquer dúvida sobre o próximo passo da banda após “Jailbreak”, ela é completamente dissipada aqui. “Slave Machine” não apenas eleva o nível, ele redefine o rumo.