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| AJ Savolainen |
sábado, 15 de agosto de 2026
The Eternal: Horizontes Obscuros (Also In English)
Social Distortion: 15 Anos Depois, Ainda de Pé
| Epitaph Records (Imp.) |
15 anos depois, Mike Ness ainda tem algo a dizer
Por Stephanie Ferreira - @instephanie
Existe uma armadilha particularmente perigosa quando uma banda passa 15 anos sem lançar um álbum de inéditas: a expectativa deixa de ser apenas musical e passa a ser histórica. O novo trabalho precisa responder pelo presente, mas também carregar o peso de tudo aquilo que veio antes. No caso do Social Distortion, essa cobrança é ainda maior. Afinal, estamos falando de uma banda que ajudou a estabelecer uma ponte definitiva entre o punk californiano, o rockabilly, o country e o rock 'n' roll, sem jamais precisar abandonar completamente nenhuma dessas referências.
Born to Kill, lançado em 8 de maio de 2026 pela Epitaph Records, chega exatamente nesse território. É o oitavo álbum de estúdio do Social Distortion e o primeiro desde Hard Times and Nursery Rhymes, de 2011. O intervalo de 15 anos é o maior entre dois discos da carreira e, inevitavelmente, transforma cada faixa em uma espécie de fotografia de uma banda que atravessou décadas, mudanças de formação, problemas pessoais e, no caso de Mike Ness, uma batalha contra o câncer.
Mas talvez o aspecto mais interessante de Born to Kill seja justamente o fato de o Social Distortion não tentar convencer ninguém de que ainda tem 25 anos.
O disco não é uma tentativa desesperada de recuperar a velocidade dos primeiros anos. Tampouco parece interessado em atualizar a banda para caber em alguma tendência contemporânea do punk. O que existe aqui é uma versão mais envelhecida, mais rouca e, em vários momentos, mais contemplativa do mesmo Social Distortion que aprendeu a transformar fracasso, vício, arrependimento, estrada e sobrevivência em canções que parecem simples até que alguma delas encontre o ouvinte no momento certo.
A produção de Mike Ness ao lado de Dave Sardy mantém as guitarras bastante presentes e deixa espaço para que o vocal envelhecido de Ness seja parte da própria narrativa. Há menos preocupação em esconder as marcas do tempo e mais interesse em incorporá-las. É justamente aí que Born to Kill encontra sua personalidade.
| Divulgação |
1. “Born to Kill”
A faixa-título não poderia ter outra função senão abrir o disco. O primeiro impacto vem da guitarra: suja, encorpada e imediatamente reconhecível, antes que a voz de Ness coloque o restante da identidade no lugar.
É uma abertura que funciona porque não tenta criar suspense. Eles entram em cena sabendo exatamente o que querem fazer. A música tem aquele tipo de riff que parece ter sido construído para funcionar ainda melhor em um palco do que em um fone de ouvido, com uma energia que remete ao rock de garagem e ao punk mais tradicional.
O que mais chama atenção, porém, é o contraste entre a agressividade instrumental e a voz de Ness. Ela está mais áspera, mais castigada, e isso faz diferença. Em um cantor mais jovem, determinadas frases poderiam soar como pose. Na voz dele, carregam uma espécie de histórico.
2. “No Way Out”
Se a primeira faixa apresenta o disco, “No Way Out” mostra que a banda ainda sabe construir uma música imediatamente identificável.
É provavelmente uma das faixas que mais poderiam ser encaixadas em um disco clássico do Social Distortion sem causar estranhamento. O andamento é direto, as guitarras trabalham para sustentar a melodia e existe aquele equilíbrio tão característico entre punk e rock 'n' roll que a banda aperfeiçoou ao longo de sua carreira.
O mérito está nos detalhes. As pausas ajudam a música a respirar e o refrão tem aquela qualidade de “grudar” sem precisar recorrer a qualquer artifício pop.
É uma música que parece simples na primeira passagem, mas ganha força quando se percebe como os instrumentos são organizados ao redor do vocal. Não há excesso. Tudo está ali para empurrar a canção para frente.
3. “The Way Things Were”
Aqui o disco diminui a velocidade e começa a mostrar sua verdadeira idade.
“The Way Things Were” é uma das músicas mais interessantes do álbum justamente porque não tenta esconder a nostalgia. Existe uma sensação de olhar para trás e perceber que algumas coisas não podem ser recuperadas, por mais que a memória insista em reconstruí-las.
A faixa evidencia uma característica importante do álbum: Mike Ness não precisa mais cantar sobre juventude para falar sobre rebeldia. Aos 60 anos, a própria permanência já é uma forma de resistência.
4. “Tonight”
“Tonight” recupera parte do balanço do rockabilly e do country rock que sempre esteve escondido na identidade do Social Distortion.
A música tem uma construção mais calorosa e um andamento que permite que a guitarra respire. O resultado é surpreendentemente acessível. Não há necessidade de acelerar tudo para produzir impacto. O refrão funciona justamente porque a banda deixa espaço para ele.
5. “Partners in Crime”
“Partners in Crime” é uma das faixas que mais facilmente conseguem traduzir a essência do álbum.
Ela começa com mais urgência e logo encontra um refrão que parece feito para ser cantado por uma plateia inteira. Existe uma sensação de camaradagem na composição, como se Ness estivesse retomando um dos elementos mais fundamentais de sua obra.
É também uma música que sintetiza bem a filosofia estética da banda. Poucos acordes, uma melodia forte e uma história suficientemente humana para não depender de grandes metáforas.
6. “Crazy Dreamer”
“Crazy Dreamer” talvez seja o momento em que o álbum mais claramente abandona o punk para mergulhar nas raízes country e blues do Social Distortion.
A participação de Lucinda Williams é fundamental. Sua presença soa como uma extensão natural daquele universo musical. O piano, o balanço mais lento e a guitarra com uma sonoridade quase de honky-tonk criam uma atmosfera completamente diferente das primeiras músicas.
É uma escolha que pode dividir opiniões. Para quem procura no Social Distortion a energia de “Story of My Life” ou “Ball and Chain”, “Crazy Dreamer” provavelmente parecerá lenta demais. Mas, dentro do álbum, ela cumpre uma função importante, e mostra que a banda nunca foi apenas punk.
7. “Wicked Game”
A escolha de “Wicked Game”, clássico de Chris Isaak lançado originalmente em 1989, é uma das decisões mais curiosas do álbum.
É difícil encarar uma música tão associada à interpretação original sem estabelecer algum tipo de comparação. A escolha faz sentido dentro da discografia da banda porque Ness sempre demonstrou interesse por músicas que vivem na fronteira entre rock, country, blues e melodrama.
Ainda assim, é provavelmente a faixa que mais divide o álbum. “Wicked Game” já é uma música extremamente definida em seu imaginário original. Transformá-la em algo definitivamente “Social Distortion” sem destruir aquilo que a tornou especial seria uma tarefa quase impossível. A banda chega perto.
E o mais interessante é perceber que, depois de algumas audições, a escolha parece menos estranha do que na primeira.
8. “Walk Away (Don’t Look Back)”
Se “Wicked Game” representa a pausa, “Walk Away (Don’t Look Back)” coloca o motor novamente em funcionamento.
A introdução da guitarra é um dos grandes momentos instrumentais do disco. O riff tem sujeira, peso e uma simplicidade quase insolente. É o tipo de construção que parece dizer que não existe necessidade de complicar quando três ou quatro movimentos bem colocados podem resolver tudo.
9. “Never Goin’ Back Again”
“Never Goin’ Back Again” chega com uma bateria que imediatamente muda a dinâmica do disco.
David Hidalgo Jr. ganha aqui um papel especialmente importante. A condução tem balanço, mas também força, e as guitarras trabalham sobre ela com uma espécie de groove que faz a música avançar sem parecer apressada. É uma faixa sobre ruptura, mas não tem exatamente o peso dramático de “The Way Things Were”. Existe mais movimento.
10. “Don’t Keep Me Hanging On”
“Don’t Keep Me Hanging On” traz novamente aquela mistura entre rock de estrada, boogie e punk que parece ser uma das zonas de conforto de Ness.
A música tem uma textura mais áspera e uma guitarra que trabalha muito bem com a bateria. É uma faixa que talvez não provoque o mesmo impacto imediato da abertura, mas cresce quando inserida no contexto do álbum.
Há também algo interessante no fato de algumas composições do disco carregarem uma sensação de familiaridade. “Don’t Keep Me Hanging On”, assim como “No Way Out”, poderia facilmente ser reconhecida como Social Distortion mesmo sem a voz de Ness.
Isso é simultaneamente a maior virtude e a principal limitação de Born to Kill. A banda sabe exatamente quem é, mas também não parece interessada em descobrir quem poderia ser.
11. “Over You”
Fechar um álbum como Born to Kill exige algum cuidado. Depois de 11 músicas atravessando punk, country, blues, rockabilly e rock 'n' roll, o Social Distortion escolhe terminar com uma faixa que retoma o lado mais clássico da banda.
“Over You” é um encerramento bastante natural. Os solos de guitarra ajudam a criar a sensação de despedida sem transformar a música em uma grande conclusão cinematográfica.
O disco não termina com a sensação de que Mike Ness resolveu todas as questões apresentadas ao longo dos 45 minutos. Ele termina simplesmente seguindo em frente, e isso combina perfeitamente com o álbum.
Confira a tracklist completa de Born to Kill:
Born to Kill
No Way Out
The Way Things Were
Tonight
Partners in Crime
Crazy Dreamer
Wicked Game
Walk Away (Don’t Look Back)
Never Goin’ Back Again
Don’t Keep Me Hanging On
Over You
Cobertura de Show: Shawn James – 08/08/2026 – Hard Rock Café/CWB
Shawn James volta a Curitiba e prova que sua música é mais que uma trilha sonora
No último sábado, dia 08 de agosto de 2026, Curitiba recebeu novamente o cantor americano de blues, folk e rock Shawn James, com sua turnê "Flew Too Close to the Sun", e o local escolhido foi o famoso Hard Rock Café. Apesar de muitos acharem que esta era a primeira vez do cantor na cidade, na verdade ele já esteve por aqui com sua banda The Shapeshifters em 2023, tocando no Basement Cultural, um local mais intimista, e porque não dizer, menos suntuoso.
Primeiramente, esta resenha vai tomar um rumo um pouco diferente das demais que costumo escrever. Vamos falar de sentimentos aqui, e deixaremos os apontamentos mais objetivos para o final.
Importante falar aqui do talento deste artista, que teve seu primeiro EP lançado em 2013, e desde então, suas composições vêm figurando entre algumas trilhas sonoras conceituais, tanto de games, quanto de séries televisivas. Portanto, não é de hoje que o artista americano vem fazendo música de qualidade, mas somente de alguns poucos anos para cá, conseguiu atrair o público brasileiro para suas apresentações, não estou falando dos fãs de carteirinha, mas sim, dos apreciadores de boa música, abertos ao novo. Pois sabemos que muitos fãs de rock acabam ficando sempre nas mesmas bandas tradicionais, não dando muito espaço a outros estilos.
A música de Shawn James realmente impressiona, provoca sentimentos ao público, nostalgia, saudades, melancolia, enfim, durante toda a apresentação, um turbilhão de pensamentos atingiu pelo menos a metade dos presentes no local. Logo no início, uma história sobre um amigo que acabou falecendo e uma homenagem com a canção "That's Life" originalmente de Frank Sinatra, enchendo alguns olhos de lágrimas. Ressalto que esta música não está listada oficialmente, pois ela costuma aparecer de surpresa nas apresentações, portanto na lista oficial, ela ficou de fora. Entretanto, para quem estava lá, o momento foi real e inesquecível.
Durante a execução de "Burn the Witch" o público vibrou, mas também houve momentos de silêncio, onde só se ouvia a voz de James. O ponto alto, excetuando o hit do momento, foi a execução da música "Juliet", de seu novo álbum Passage que conforme o próprio é dedicada a sua esposa (que momento perfeito). O setlist conseguiu mesclar bem as músicas do novo álbum e os clássicos de outrora, ponto forte na escolha do mesmo.
O cantor nascido e criado na zona sul de Chicago é dono de uma das vozes mais belas que já pude presenciar em shows ao vivo, muito bem acompanhado pelo extraordinário Chris Overcash comandando o violino, em perfeita sincronia com os vocais. Todos os músicos pareciam ter uma sinergia ótima.
Ao longo da noite, muitas conversas com o público, pausas para alguns goles de cerveja, pois afinal somos todos humanos, agradecimentos à plateia, muita humildade e principalmente grandes canções. Logicamente teve a música do momento "Through The Valley", e nesta parte faz-se necessária uma reflexão, que acabei fazendo a partir dos comentários do próprio Shawn: "Após a notícia de sua participação na trilha sonora do jogo de videogame "The Last Of Us", com a faixa "Through The Valley" e que também recentemente virou série aclamada no canal HBO, ele começou a aparecer na mídia e a fazer muitas turnês, impulsionado pelo sucesso do game." Neste momento, preciso dizer que a sensação presente no jeito em que o cantor falou tais palavras passou a impressão de empolgação, mas ao mesmo tempo de um sentimento de tristeza imperceptível, pois o talento do músico é inegável e com certeza merecia uma maior presença em nossas playlists, independente do sucesso da canção (que, de fato, é realmente uma pérola). Mas, novamente, pode ter sido apenas a minha impressão ou uma empatia escondida dentro de mim por ver um artista tão bom reduzido a uma música por algumas pessoas.
Por fim, é inegável o ótimo show realizado na capital paranaense, um pouco mais frio do que os demais, mas mesmo assim, foi extremamente apreciado pelo público. Também finalizo com uma observação: o local poderia estar muito mais cheio do que realmente estava, me atrevo a colocar a culpa nos valores dos ingressos e na situação econômica do país. Principalmente nas capitais, onde a demanda de shows está muito alta e as pessoas não estão conseguindo acompanhar os valores cobrados pelos eventos. Este show de longe poderia ter sido apreciado por muito mais gente, então: "Shawn James, continue vindo ao Brasil!", para que mais fãs tenham acesso ao espetáculo que é sua música!
Texto: Paula Butter
Fotos: Vladimir Silverio
Edição/Revisão: Gabriel Arruda
Realização: Move Concerts / RW 7 Promoções Eventos
Shawn James – setlist:
The Curse of the Fold
I Want More
Burn the Witch
Icarus
Orpheus
Flow
The Thief and the Moon
The Guardian (Ellie's Song)
Through the Valley
Headed for the End
Peace of Mind
My Juliet
Tired of Trying
Burn
No Blood From a Stone
Haunted
The Devil's Daughters
Muerte mi amor
Let Me Go
Errata: A matéria inicial publicada pela Road To Metal, de minha autoria, sobre o anúncio do evento, descreveu a apresentação de Shawn James em Curitiba, no dia 8 de agosto, como show "inédito" e parte da "primeira turnê" do artista pelo Brasil. Na verdade, Shawn James já havia se apresentado na cidade em 14 de abril de 2023, no Basement Cultural, dentro de uma turnê brasileira que passou também por São Paulo e Rio de Janeiro.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Entrevista - Sunflower Fox & the Chicken Leg: Resgatando a Alma 70's
RtM: Oi Kaity, obrigado por reservar um tempo para nos conceder esta entrevista, me tornei um grande fã seu e da banda Sunflower Fox.
RtM: Eu (Carlos, editor/redator) e a Raquel (redatora) achamos o nome da banda muito legal! "Sunflower Fox and the Chicken Leg" — um dos nomes mais legais de todos os tempos! Então, para começar, eu gostaria de saber como surgiu a ideia para o nome, bem como as inspirações e os significados por trás dele para vocês.
Kaity: Bem, existem muitas histórias por trás desse nome — na verdade, por um tempo, toda vez que dávamos uma entrevista, inventávamos alguma coisa para ver o quão ridícula a história ficaria antes que alguém percebesse! (Risos)
RtM: Com tanta música hoje em dia que, digamos, carece de "alma", é uma grata surpresa encontrar uma banda como a Sunflower Fox. Vocês capturam aquela vibe e a energia das grandes bandas dos anos 70, com aquele som orgânico e real. Gostaríamos de saber como surgiu a ideia de formar a banda e seguir esse caminho — e, claro, quais são suas principais inspirações.
Kaity: Somos todos músicos profissionais e, quando a covid aconteceu, todos perdemos nossos shows. Essa foi a primeira vez em MUITO tempo que tivemos tempo para compor! Inclusive eu: e meu gênero FAVORITO, sem dúvida, é o rock dos anos 70. É tão cru. É cheio de coração e magia, e eles nunca deixaram de lado a humanidade — principalmente pela ausência de tecnologia.
RtM: E você tem "Heart" no seu nome! Kaity Heart — uma cantora que faz música e canta com o coração.
Kaity: Ah! É verdade! Na verdade, mudei meu nome para esse depois que minha mãe faleceu, há uns 20 anos. Nossa banda favorita é Heart — foi uma mudança fácil.
RtM: Descobri seu trabalho — e o da banda — pela primeira vez através da sua participação no álbum *River of Music - The Power of Duets Vol. I*, de Jim Peterik. Conte-nos como surgiu essa oportunidade e como foi a experiência.
Interview - Sunflower Fox & the Chicken Leg: rescuing the soul of 70s Rock
Created by experienced musicians in Minneapolis, and "rising from the ashes of the pandemic" in 2021, SUNFLOWER FOX & THE CHICKEN LEG was born with the purpose of rescuing the soul of 70s Rock and bringing back that power of Rock & Roll, with an organic sound full of feeling, bringing the elements and nuances that shaped that era.
And indeed, they bring back that essence of the 70s, with instruments that sound real, far from the "pasteurized" and "perfect" music produced today, and are undoubtedly one of the best bands in this "Retro Rock" style.
Their first full-length album was mixed by the legendary Ron Nevison (The Who, Led Zeppelin, UFO, Ozzy and many others), and with the potential to become one of the next big names in current Rock & Roll, the band has been releasing new singles, touring the USA and seeking to bring their music to more people.
We talked to the incredible vocalist Kaity Heart, who found some time to speak with us amidst her chaotic schedule, already counting more than 200 shows this year! Kaity told us a little more about the band, her career and plans. Check it out!
RtM: Hi Kaity, thank you for taking the time to grant us this interview, I've become a big fan of you and the band Sunflower Fox.
Kaity Heart: Hello! Thank you. It's great that you're interested, we've had a lot of streaming in Brazil.
RtM: I (Carlos, editor/writer) and Raquel (writer) think the band's name is very cool! "Sunflower Fox and the Chicken Leg" — one of the coolest names ever! So, to start, I'd like to know how the idea for the name came about, as well as the inspirations and meanings behind it for you.
Kaity: Well, there are many stories behind this name — in fact, for a while, every time we gave an interview, we made something up to see how ridiculous the story would sound before anyone noticed! (Laughs)
The real story is that we were writing in our drummer Kyle's basement. I suggested the name "Sunflower Fox," but I thought it sounded too "indie" or "girly," and James, our de facto leader, kept saying "and the chicken leg"... I have no idea why he insisted so much on it. It was a nickname he used for a friend.
He wouldn't stop talking, hahaha, so I said, "OKAY. It's Sunflower Fox and the Chicken Leg!!! Shut up!!" hahaha.
RtM: With so much music these days that, let's say, lacks "soul," it's a pleasant surprise to find a band like Sunflower Fox. You capture that vibe and energy of the great bands of the '70s, with that organic and real sound. We'd like to know how the idea of forming the band and following this path came about — and, of course, what your main inspirations are.
Kaity: We are all professional musicians and, when Covid happened, we all lost our shows. This was the first time in a VERY long time that we had time to compose! Including me: and my FAVORITE genre, without a doubt, is '70s rock. It's so raw. It's full of heart and magic, and they never left humanity aside — mainly due to the absence of technology.
So, I had the idea of forming a group that would compose in this style, with little or no technology, without Melodyne or Auto-Tune, and that we would all record together in a studio. It was quite easy to find musicians who were up for it. Because now... everything is so polished and perfect. It lacks humanity.
RtM: And you have "Heart" in your name! Kaity Heart — a singer who makes music and sings with her heart.
Kaity: Oh! That's right! Actually, I changed my name to that after my mother passed away, about 20 years ago. Our favorite band is Heart — it was an easy change.
RtM: I first discovered your work — and the band's — through your participation in Jim Peterik's album *River of Music - The Power of Duets Vol. I*. Tell us how that opportunity came about and what the experience was like.
Kaity: First of all, I LOVED that you found me, and Sunflower, through that. Because Jim found me through Ron! Literally, as with most things, it was the right place at the right time.
I was recording vocals for the third album in Portland with Ron and Sunflower, and Ron asked if I would like to sing with Jim, and I said yes! We had a meeting, and in the fall they took me to Chicago!
RtM: What were your most memorable moments from the recording sessions?
Kaity: They're like... THE NICEEST GUYS. It's weird hearing them praising you while you're in the room, especially knowing what they've done. I was so uncomfortable—I just didn't know how to react. Jim showed me his house, and he has hundreds of guitars.
He showed me which recorder he used to record "Vehicle" by Ides of March (one of my all-time favorite songs). He said he bought it at Sears a long time ago. And the meaning of the song is so sweet! It's about his wife. So freaking cute!
RtM: If you could sing a song with any artist in history, who would you choose and what would the song be?
Kaity: "Gimme Shelter" by the Rolling Stones. What an incredible song. I would love to be the singer who sang alongside Mic Jagger on that one. The lyrics, the melody. Perfection.
That one or "Great Gig in the Sky" by Pink Floyd – I've sung it live… I would love to have been the one to create all that craziness.
RtM: I would love to hear your version of "Great Gig in the Sky". Well, besides music, when you have some free time, what hobbies or activities do you like to do in your free time?
Kaity: Free time??? What is that? (Laughs), I like horror books and Harry Potter (no judgment), The Simpsons and enjoying my cats, Scrambles and Lil' Ral.
RtM: Could you name just five albums that you consider essential to your life?
Kaity: Hmm... Let's see:
1. Rumors - Fleetwood Mac
2. Dreamboat Annie - Heart
3. 13 Tales of Love and Revenge - The Pierces
4. 8 Arms to Hold You - Veruca Salt
5. Jagged Little Pill - Alanis Morissette
RtM: Kaity, thank you again, we loved learning a little more about you and your work, here's the space for your final message.
Kaity: We really want to play in Brazil, we're very focused on that. Attention producers, and also record labels and distributors, because we also want to release our album there.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Kissin' Dynamite: Um Adeus Sem Fim (Also In English)
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| Kissin' Dynamite Records (Imp.) |
Por Flavio Borges
Há álbuns que encerram uma fase. Outros tentam abrir uma nova. Kissin' Dynamite, nono trabalho de estúdio do KISSIN' DYNAMITE, faz as duas coisas simultaneamente. Previsto para 18 de setembro de 2026, o disco será o último registro da banda com Hannes Braun nos vocais, transformando aquilo que poderia ser apenas mais um lançamento em um documento de transição.
Braun anunciou em agosto de 2025 sua decisão de deixar os palcos por razões de saúde, mas sua saída não representa um rompimento com o grupo. Ele continuará envolvido como compositor, produtor e uma das principais forças criativas do KISSIN' DYNAMITE. Essa distinção é fundamental para compreender o álbum: estamos diante de uma despedida do vocalista ao vivo, não de uma despedida artística.
E o próprio disco parece consciente dessa diferença.
Kissin' Dynamite combina seis composições inéditas com sete regravações de músicas dos dois primeiros álbuns da banda, Steel of Swabia (2008) e Addicted to Metal (2010). A princípio, a decisão poderia parecer uma tentativa óbvia de capitalizar sobre a nostalgia. Mas existe algo mais interessante acontecendo aqui. As antigas canções são revisitadas por uma banda que passou quase duas décadas amadurecendo, conquistando seu espaço no hard rock europeu e transformando aquela ambição juvenil de conquistar arenas em realidade.
O resultado estabelece um diálogo entre duas versões do KISSIN' DYNAMITE.
Hannes Braun tinha pouco mais de 20 anos quando registrou Steel of Swabia. Em 2026, sua voz retorna às mesmas composições mais encorpada, segura e experiente. As novas gravações não tentam apagar as originais — e tampouco precisam fazê-lo. O que elas oferecem é uma oportunidade de descobrir quanto daquelas melodias, riffs e refrões continua relevante quase duas décadas depois.
É como colocar frente a frente dois retratos da mesma banda: de um lado, a juventude, a energia e a ambição de um grupo que queria chegar às grandes arenas; do outro, a experiência de uma banda que efetivamente chegou lá.
Seis das sete releituras vêm de Steel of Swabia, enquanto “Love Me Hate Me” recupera Addicted to Metal. A escolha funciona quase como uma arqueologia do próprio KISSIN' DYNAMITE. E as participações especiais ampliam essa perspectiva: Saltatio Mortis, Amaranthe, Anna Brunner, Primal Fear, Sam Totman e Eklipse acrescentam novas cores a músicas que já pertenciam ao DNA do grupo.
Mas se as regravações perguntam de onde a banda veio, as seis inéditas precisam responder a uma questão mais difícil: o que o KISSIN' DYNAMITE ainda tem a dizer antes de fechar este capítulo?
“Glory Days”, primeiro single, oferece uma resposta bastante direta. Em vez de transformar o passado em lamento, a banda o celebra. A faixa reúne melodias expansivas, uma atmosfera ensolarada e nostálgica e aquele tipo de refrão concebido para ser devolvido por milhares de vozes. É arena rock em sua essência mais pura — e, neste contexto, a ausência de qualquer tentativa de ruptura parece deliberada. O KISSIN' DYNAMITE não precisa reinventar sua identidade para falar sobre o fim de uma era.
Se “Glory Days” olha para trás com um sorriso, “I Salute You” amplia essa celebração em escala ainda maior. É uma composição épica, bem construída e executada com a precisão que se espera da banda, mas ganha uma dimensão adicional com a participação do Saltatio Mortis. A combinação do hard rock do KISSIN' DYNAMITE com as gaitas de fole e os vocais femininos cria uma das fusões mais interessantes do álbum, sem comprometer a identidade de nenhuma das duas bandas. É uma faixa que consegue soar grandiosa sem perder o caráter festivo que permeia o disco.
“Night Is Calling”, por sua vez, talvez seja a faixa que melhor representa o KISSIN' DYNAMITE em sua zona de conforto — e isso está longe de ser uma crítica. Do primeiro ao último acorde, a música entrega hard rock poderoso, trabalho instrumental preciso e vocais perfeitamente encaixados na composição. O refrão possui aquela qualidade imediata que parece destinada aos palcos, reafirmando uma das maiores virtudes da banda: transformar melodias simples e eficientes em momentos de comunhão com o público.
“I'll Be” desloca o foco para o futuro. Musicalmente, mantém a vocação do grupo para os grandes hinos de arena, mas sua força está no significado. A canção assume a forma de uma promessa de permanência justamente quando Hannes Braun se prepara para deixar os palcos. Ele não estará mais diante do microfone em turnê, mas continuará compondo e produzindo. A aparente contradição transforma a faixa em uma das peças conceitualmente mais importantes do álbum: é uma despedida sem ruptura, uma declaração de que a ausência física não significa o fim da ligação construída entre artista, banda e público.
Em “Nothing Breaks Like a Heart”, a banda novamente aborda a ideia de ruptura, mas sem mergulhar na melancolia. A faixa pode ser interpretada como uma power ballad, embora sua estrutura também permita ouvi-la como um hard rock cadenciado, conduzido mais pela dinâmica e pela melodia do que pelo peso. A temática de superar perdas e aprender com os reveses dialoga diretamente com o momento vivido pelo grupo, mas a composição evita transformar essa circunstância em autopiedade. A ruptura existe; o que importa é aquilo que se constrói depois dela.
E então chega “Good In Goodbye”.
Como encerramento das inéditas — e do próprio álbum — a música assume naturalmente o papel mais emocional do repertório. Trata-se de uma balada em que Hannes Braun abandona qualquer reserva e entrega uma interpretação carregada de emoção. Sua voz, tão importante para a identidade do KISSIN' DYNAMITE desde os primeiros anos, ganha aqui um peso diferente justamente porque sabemos que este é seu último álbum como vocalista da banda.
É impossível ouvir a faixa completamente dissociada desse contexto. Mas o mérito está em ela não depender exclusivamente dele. A composição funciona musicalmente, e a interpretação de Braun transforma o significado da letra em algo maior do que uma simples despedida. Há tristeza, evidentemente, mas também aceitação — e, sobretudo, a sensação de que uma história importante chegou ao seu ponto final sem necessariamente perder seu valor.
É justamente aí que Kissin' Dynamite encontra sua maior força.
O álbum não tenta transformar a saída de Hannes Braun em tragédia, nem utiliza o passado como desculpa para simplesmente repetir fórmulas. As sete regravações colocam a banda de 2026 diante daquela que existia em 2008 e 2010, enquanto as seis inéditas mostram um grupo confortável com sua identidade e consciente do momento que atravessa.
O resultado é menos um epitáfio do que uma celebração.
Kissin' Dynamite funciona como um espelho no qual passado e presente se encontram: a juventude ambiciosa de Steel of Swabia diante da maturidade de uma banda que conquistou seu espaço; o vocalista que sonhava com grandes palcos diante do artista que agora decide deixá-los; e as músicas que ajudaram a construir uma carreira diante de uma nova geração de canções preparadas para carregá-la adiante.
Hannes Braun pode estar deixando os palcos, mas Kissin' Dynamite deixa claro que sua história com a banda está longe de terminar. E talvez essa seja a maior ironia — e também a maior beleza — de um álbum concebido como despedida: no momento em que uma porta se fecha, o KISSIN' DYNAMITE demonstra que ainda existe bastante vida do outro lado.
Mais do que o último álbum de Hannes Braun como vocalista, Kissin' Dynamite é um registro sobre legado, continuidade e transformação. Uma banda olhando para aquilo que construiu, revisitando suas origens e, ao mesmo tempo, tentando descobrir como seguir em frente.
Não é o fim da história.
É apenas o fim de um capítulo.
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| Divulgação |




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