Roy Khan no Carioca Club: nostalgia, grandes clássicos e uma noite para guardar na memória
Sabe aquele show que você fica esperando há um tempão e, quando finalmente acontece, dá vontade de voltar no dia seguinte só para viver tudo de novo? Foi mais ou menos assim que saí do Carioca Club no dia 17 de outubro, depois de assistir ao show de Roy Khan, uma das vozes mais marcantes do metal melódico.
Quem conhece o trabalho do Roy sabe que não estamos falando de qualquer cantor. O cara fez história no Kamelot, participou de alguns dos discos mais importantes da banda e tem aquela voz que você reconhece em poucos segundos. E ouvir ao vivo músicas que fizeram parte da nossa vida tem um gostinho especial, né?
Roy esteve no Brasil em abril, quando se apresentou no Bangers Open Air, mas, infelizmente, eu estava cobrindo outro show, que agora não vou me lembrar (risos). Fiquei naquela situação de ver todo mundo comentando sobre o show e pensando: poxa, perdi essa! Mas eis que veio uma segunda oportunidade. Pensando nos fãs que também não conseguiram estar no show do Bangers Open Air, o cantor voltou a São Paulo para uma apresentação no Carioca Club.
E, olha, ainda bem que esse show aconteceu, porque eu não ia querer ficar só na vontade de ouvir esses clássicos ao vivo.
Roy Khan: uma voz que marcou a história do Kamelot
Antes de falar do show em si, vale lembrar um pouquinho da trajetória desse homem, porque história é o que não falta.
Roy Khan começou sua carreira com o Conception, banda norueguesa de metal progressivo, nos anos 1990. Em 1998, entrou para o Kamelot e, a partir daí, ajudou a construir uma das fases mais queridas da banda.
E não foram poucos os discos que marcaram essa trajetória. Karma (2001), Epica (2003), The Black Halo (2005) e Ghost Opera (2007) estão entre os trabalhos que consolidaram seu nome no metal. São álbuns que misturam power metal, elementos sinfônicos, melodias marcantes e aquela dramaticidade que combina perfeitamente com a interpretação de Roy.
Se eu tivesse que escolher um disco para representar essa fase, seria The Black Halo. Aliás, esse álbum é um dos meus favoritos do Kamelot! Lançado em 2005 e inspirado na história de Fausto, ele tem músicas que continuam funcionando tão bem hoje quanto na época em que foram lançadas.
“March of Mephisto”, “When the Lights Are Down” e “The Haunting” são alguns exemplos de como a banda conseguia criar músicas grandiosas sem perder o peso e a melodia. E a voz de Roy era uma parte fundamental disso tudo.
Ele deixou o Kamelot em 2011, mas continuou sua trajetória com o retorno ao Conception, que lançou My Dark Symphony (2018) e State of Deception (2020). Ao longo dos anos, também participou de outros projetos e colaborações, mantendo seu nome presente na cena.
Mas, convenhamos, para muita gente, Roy Khan será sempre aquela voz que deu vida a alguns dos maiores clássicos do Kamelot. E o show no Carioca Club foi uma bela oportunidade de matar a saudade dessa fase.
Maestrick: os brasileiros mostraram a que vieram!
A noite começou com a Maestrick, banda brasileira de metal progressivo que vem conquistando cada vez mais espaço na cena. E já vou adiantar: os caras fizeram bonito!
A banda foi escolhida para acompanhar Roy Khan na turnê The Black Halo and Beyond, pela América Latina. E, depois de assistir à apresentação, ficou bem fácil entender essa escolha.
A Maestrick não estava ali apenas para acompanhar um artista internacional. Os músicos mostraram personalidade, qualidade e um entrosamento daqueles que fazem a gente perceber quando existe muito trabalho por trás de uma apresentação.
Fabio Caldeira nos vocais, Caio Kehyayan na guitarra, Renato Montanha no baixo, Chris Oliveira na bateria e Charles Soulz nos teclados entregaram um show muito consistente. Todo mundo estava afiado, e a interação com o público aconteceu de maneira natural, sem aquela sensação de que a banda estava apenas cumprindo tabela antes da atração principal.
Fabio, em especial, me chamou a atenção pela maneira como conduz os vocais. Ele tem técnica, precisão e sabe colocar emoção na interpretação. Não é só aquela coisa de mostrar que consegue cantar notas difíceis: existe sentimento ali, e isso faz diferença demais no palco.
E essa parceria com Roy Khan não começou agora. No ano passado, a Maestrick lançou “Lunar Vortex”, faixa que conta com a participação do cantor norueguês. Então, os músicos já tinham essa conexão, e foi muito legal ver como ela funciona também ao vivo.
Outra coisa de que gosto na Maestrick é que, apesar de a banda trabalhar com uma sonoridade que conversa muito bem com o prog metal internacional e cantar bastante em inglês, ela não deixa suas raízes brasileiras de lado.
Um dos momentos mais legais do show foi “Penitência”, cantada em português e carregada daquela identidade cultural que faz parte da proposta da banda. E eu acho isso muito importante! É ótimo ver nossos músicos buscando espaço lá fora, mas sem precisar deixar de lado aquilo que os torna únicos.
Durante a apresentação, Fabio agradeceu ao público pela recepção e falou sobre a emoção de ter a oportunidade de acompanhar Roy Khan nessa turnê. Foi um momento muito bacana, porque dava para perceber o quanto aquilo significava para ele.
E o público correspondeu! A galera cantou, pulou e vibrou junto com a banda. Claro que todo mundo estava ansioso para ver Roy, mas a Maestrick conseguiu segurar muito bem essa expectativa e entregar uma apresentação que valeu por si só.
Sabe quando você vai para um show esperando curtir a atração principal e acaba saindo também com vontade de ouvir mais da banda de abertura? Foi essa a sensação. E, sinceramente, é muito bom ver uma banda brasileira mostrando serviço em um palco desses.
Roy Khan: pontualidade, clássicos e um público que sabia cada palavra
Roy subiu ao palco às 19h15, cravadas! E eu preciso fazer um comentário aqui: como é bom quando um show começa no horário anunciado! (risos).
Pode parecer bobagem, mas eu valorizo muito isso. É respeito com quem comprou ingresso, se organizou para chegar ao local e tem outros compromissos no dia seguinte. E nós, os 30+, agradecemos especialmente quando o show começa cedo e não precisamos voltar para casa de madrugada!
Mas vamos ao que interessa: Roy Khan estava ali, diante de nós, pronto para cantar aqueles clássicos que tanta gente esperava ouvir.
O show foi lindo. E digo isso não apenas pela qualidade vocal, que continua impressionante, mas também pela maneira como ele se relacionou com o público durante toda a apresentação.
Roy tem uma presença de palco muito particular. Não precisa ficar exagerando nos movimentos ou tentando chamar atenção o tempo inteiro. Ele simplesmente entra, começa a cantar e pronto: todo mundo está olhando para ele.
Sua voz estava impecável, com aquela precisão que a gente conhece dos discos, e foi muito legal perceber o quanto ele parecia confortável naquele repertório. As músicas fluíam, os músicos estavam muito bem entrosados e o público cantava praticamente tudo.
Em vários momentos, a plateia gritava o nome de Roy, e ele recebia esse carinho com um sorriso e muita gratidão. Teve também um comentário que achei especialmente simpático: ele disse que estar em São Paulo era como estar em casa.
E olha, considerando que essa foi a segunda vez que ele passou pela cidade neste ano, acho que os fãs têm motivos para acreditar! (risos)
O mais bonito era ver como as músicas estavam vivas na memória de todo mundo. Não importava se era um refrão mais conhecido ou uma passagem mais longa: a galera acompanhava, cantava e fazia aquele coral que só acontece quando existe uma conexão real entre o artista e o público.
E eu gosto muito de observar essas coisas durante um show. Às vezes, a gente fica tão concentrado em ouvir o cantor que esquece de olhar ao redor. Mas ver um monte de gente cantando a mesma música, cada um com sua história e suas lembranças, é uma das partes mais legais de ir a um show.
Naquela noite, ficou muito claro o quanto Roy Khan continua sendo querido por aqui.
Zoe Federoff e um dos momentos mais bonitos da noite
Além dos músicos da Maestrick, que acompanharam Roy com muita competência, tivemos a participação especial de Zoe Federoff, ex-vocalista do Cradle of Filth.
Fabio Caldeira também ficou responsável pelos backing vocals, enquanto Zoe participou das passagens vocais que ajudaram a dar ainda mais força a algumas músicas. E foi em “The Haunting” que ela brilhou especialmente.
Para quem não lembra, a versão original conta com Simone Simons, vocalista do Epica, dividindo os vocais com Roy. É uma música que pede bastante interpretação, porque não basta cantar bem: tem todo um clima dramático que faz parte da composição.
Zoe deu conta do recado muito bem! Sua voz combinou com a proposta da música, e a interpretação ficou intensa, criando um daqueles momentos em que você simplesmente para e pensa: caramba, que bonito!
O público gostou tanto que começou a gritar o nome dela, e foi muito legal ver a reação da cantora, visivelmente feliz com o carinho que estava recebendo.
E preciso dizer: Zoe estava lindíssima e afinadíssima! Mesmo participando como vocalista de apoio, ela não passou despercebida em nenhum momento.
Para quem acompanha sua trajetória, o reencontro com o público brasileiro também teve um significado especial, especialmente depois de sua saída conturbada do Cradle of Filth. Sua última passagem pelo Brasil havia sido marcada por esse contexto, inclusive após uma apresentação no Carioca Club.
Dessa vez, foi muito bom vê-la em outro momento, dividindo o palco com músicos talentosos e recebendo uma resposta tão calorosa da plateia.
No fim, o que ficou foi a música e uma participação que acrescentou muito ao show. Zoe mereceu cada grito e cada aplauso!
The Black Halo: um disco que continua sendo especial
Agora, se tem uma coisa que me deixou feliz nessa noite foi poder ouvir ao vivo tantas músicas de The Black Halo.
Eu já falei que esse é um dos meus discos favoritos do Kamelot, né? Então imaginem a minha alegria!
“When the Lights Are Down” foi daqueles momentos em que o público cantou junto sem economizar a voz. “Moonlight” trouxe mais uma vez aquela atmosfera envolvente, enquanto “Memento Mori” mostrou por que esse álbum é tão especial para quem gosta de músicas longas, dramáticas e cheias de nuances.
É um disco que tem personalidade. Cada faixa parece fazer parte de uma história maior, e Roy sabe muito bem como conduzir essas músicas, dando o peso certo a cada momento.
O interessante é que, mesmo depois de tantos anos, elas não soam como lembranças distantes. Pelo contrário: continuam despertando a mesma empolgação, e talvez até mais, porque agora a gente consegue olhar para trás e entender o tamanho da importância que tiveram na história do metal.
E então veio “March of Mephisto”, encerrando a apresentação em grande estilo.
Foi um final à altura de tudo o que aconteceu naquela noite. Uma música grandiosa, cheia de personalidade, que colocou o público para cantar mais uma vez e deixou aquela vontade de que o show pudesse continuar por mais algumas horas.
Se dependesse da galera, acho que ninguém reclamaria de um repertório ainda maior!
Um show que valeu a espera
Saí do Carioca Club muito feliz por finalmente ter conseguido ver Roy Khan ao vivo. Perder sua apresentação no Bangers Open Air tinha sido frustrante, mas essa segunda oportunidade acabou tornando a experiência ainda mais especial para mim.
Foi uma noite de grandes músicas, boas surpresas e, acima de tudo, muito carinho. Roy mostrou que continua com uma voz impressionante e que a conexão com seus fãs permanece firme. A Maestrick fez uma abertura excelente e provou que merece cada vez mais espaço, enquanto Zoe Federoff adicionou um brilho especial a um show que já tinha tudo para dar certo.
E acho que esse é um dos motivos pelos quais a gente continua indo a shows, mesmo depois de tantos anos. Não é só para ouvir ao vivo aquela música que já escutamos centenas de vezes. É pela experiência, pelo encontro com outras pessoas que gostam das mesmas coisas e pela sensação de que, durante algumas horas, o mundo lá fora pode esperar.
Naquela noite, eu estava ali, cantando músicas que continuam tendo um lugar especial na minha vida, cercada por gente que também sabia de cada palavra. E foi impossível não pensar em como algumas bandas e artistas acompanham a gente por tanto tempo que acabam fazendo parte da nossa própria história.
O show terminou, as luzes acenderam e chegou a hora de voltar para casa. Mas a cabeça continuou no Carioca Club, repassando os melhores momentos e cantarolando aqueles refrões que insistem em não sair da cabeça.
No fim das contas, acho que a música tem mesmo esse poder: ela guarda um pedacinho de quem fomos, acompanha quem somos e, de vez em quando, nos devolve tudo isso de uma vez só.
E, quando uma voz como a de Roy Khan volta a cantar aquelas músicas, a gente percebe que algumas coisas não precisam voltar a ser como eram para continuarem sendo especiais.
Basta a primeira nota, um refrão cantado por centenas de pessoas e aquela sensação boa de estar exatamente onde deveria estar.
E, dessa vez, eu estava lá. Ainda bem!
Texto: Michelle F. Santana
Fotos: Amanda Vasconcelos
Realização: Agência Artística
Press: TRM Press
Roy Khan – setlist:
When the Lights Are Down
Soul Society
Moonlight
Center of the Universe
Abandoned
The Haunting (Somewhere in Time)
Rule the World
Memento Mori
Nights of Arabia
Karma
Forever
Bis
Ghost Opera
Epilogue
March of Mephisto
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