segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Temperance: Uma Jornada musical Pelas Cartas do Tarot (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana - @mii.santanna

Existem bandas que a gente conhece e escuta ocasionalmente, e existem aquelas que aparecem no momento certo e, de repente, não saem mais da nossa playlist. O Temperance foi uma dessas descobertas para mim. Desde que conheci a banda, não parei mais de ouvir, principalmente os últimos singles lançados, que definitivamente se tornaram alguns dos meus favoritos do ano. Confesso que isso raramente acontece, então, muito antes de receber este material, eu já estava ansiosa para ouvir o álbum completo e compartilhar minhas impressões com vocês. E finalmente esse dia chegou!

Mas, antes que pareça tietagem, vamos ao que interessa.


Uma jornada pelas cartas do Tarot

Para quem ainda não conhece, o Temperance é uma banda italiana de metal melódico sinfônico que combina peso, trás elementos do power metal e melodias marcantes e diferentes abordagens vocais. Uma das características mais interessantes de sua identidade musical é justamente a maneira como explora as possibilidades de seus vocalistas, alternando entre linhas melódicas, harmonias e momentos de maior intensidade.

Em Arcani, a banda mergulha no universo do Tarot e constrói sua temática a partir de suas cartas e seus significados, sendo cartas independentes com significados diferentes e trazendo os arcanos maiores, o disco não pode ser considerado conceitual, mas ao se aprofundar no tema, descobri que os arcanos maiores pode ser a jornada do "Louco", que em muitos decks é a primeira carta e uma das figuras mais simbólicas desse sistema. A banda explora um universo místico das cartas de Tarot, transformando cada etapa dessa trajetória em uma experiência musical própria. Mais do que utilizar o Tarot como elemento estético, a proposta abre espaço para explorar diferentes emoções, conflitos e transformações ao longo do disco.

Essa escolha também cria uma expectativa interessante: se cada carta representa um momento dessa jornada, como a banda traduz essas diferentes energias em música? É justamente nessa construção que Arcani começa a mostrar sua personalidade.


Entre o peso, a melodia e o espetáculo

A formação reúne a norte-americana Kristin Starkey nos vocais, Michele Guaitoli nos vocais e piano, Marco Pastorino fundador da banda na guitarra e nos vocais, Luca Negro no baixo e nos vocais e Marco Sacchetto na bateria. É uma combinação que favorece a riqueza vocal e as possibilidades de arranjo, dois elementos fundamentais para a sonoridade do Temperance.

Em um disco temático como este, a produção tem um papel especialmente importante: é preciso equilibrar o peso das guitarras, a presença da bateria, os elementos sinfônicos e as diferentes vozes sem comprometer a clareza das melodias. A proposta pede grandiosidade, mas também personalidade, e é nessa relação entre espetáculo e composição que vale observar o resultado.

Em comparação com o trabalho anterior, Hermitage – Daruma's Eyes Pt. 2, Arcani também merece ser analisado pela maneira como desenvolve sua identidade e organiza suas músicas dentro de uma narrativa maior. A questão não é apenas entregar boas faixas individualmente, mas fazer com que elas contribuam para uma experiência que faça sentido como álbum.


As cartas ganham vida

The Fool

A faixa de abertura começa tão grandiosa quanto se poderia esperar de um disco de power metal sinfônico. E, curiosamente, isso funciona a favor da proposta. Em vez de entregar toda a agressividade logo nos primeiros momentos, a música parece evoluir gradualmente, de forma triunfante como se estivesse acompanhando os primeiros passos do próprio Louco em sua jornada.

É conforme a faixa avança que essa construção ganha força, até desembocar em um refrão grandioso, daqueles que grudam na cabeça e fazem você querer cantar junto. E aqui temos uma das características mais marcantes do Temperance: a capacidade de criar melodias acessíveis sem abrir mão da energia e da dramaticidade que fazem parte do gênero.

The Magician: Into Fire

Se The Fool representa o início de uma jornada, The Magician: Into Fire chega com uma energia que combina perfeitamente com a figura do Mago e sua associação ao fogo, à ação e à transformação.

A música tem uma força que se manifesta tanto na interpretação quanto na própria condução instrumental. É uma faixa que transmite movimento e intensidade, reforçando a impressão de que o conceito do álbum não está ali apenas para dar nome às músicas, mas também para orientar sua identidade.

Essa combinação de energia, melodias marcantes e refrões envolventes é algo que o Temperance parece dominar muito bem. E, conforme a jornada avança, fica interessante perceber como a banda explora diferentes possibilidades sem abandonar os elementos que tornam sua sonoridade reconhecível.

Death: Right Before We Die

Essa é uma das minhas faixas favoritas do álbum. E, quando uma música se destaca dessa maneira em um disco conceitual, ela acaba despertando uma curiosidade ainda maior sobre a forma como se conecta à narrativa.

A própria carta da Morte carrega um simbolismo que vai além do encerramento: ela também está associada à transformação, às rupturas e à possibilidade de um novo começo. O título Right Before We Die acrescenta uma camada dramática a essa ideia.

O que eu acho interessante é como as três vozes se fundem muito bem nessa faixa, com certeza é o dá brilho a faixa.

Tower: Lean into Fear

Aqui a voz de Kristin é um espetáculo à parte, começa agressivo e poderoso, uma música que trás uma mensagem forte sobre enfrentar os medos, sobre renascimento, que é exatamente o significado da carta A Torre, onde o caos é necessário para renascer. 

Sobre a instrumentação o começo trás a sensação de estar em um festival, lembra um pouco a pegada hard rock no comecinho e dá todo um charme pra música o que torna "Tower: Lean into Fear"uma das faixas mais interessantes do disco. 

The Devil: Sin, Sin, Sin

Se tem algo que funciona muito bem no Temperance são os refrões feitos para serem cantados em voz alta. E The Devil: Sin, Sin, Sin é um ótimo exemplo disso. A faixa traz aquela estrutura melódica fácil de aprender e cantar junto, algo que tem tudo para funcionar especialmente bem ao vivo, com o público formando um grande coral.

Mas o destaque não fica apenas na capacidade de grudar na cabeça. Aqui também temos a oportunidade de vislumbrar linhas vocais mais operísticas de Kristin Starkey e apreciar sua versatilidade. 

E, considerando a temática da carta do Diabo, essa intensidade dramática encontra um terreno bastante apropriado para se desenvolver.

Temperance: Forgiveness

Eu quero destacar essa faixa, justamente por carregar o nome da banda em seu título e aproveitar pra trazer algo curioso sobre isso é que o nome da banda não vem pelo significado da carta de tarot e acredito que a banda tenha brincado com isso, pois o nome da banda vem do significado literal e filosófico da palavra, que remete equilíbrio e mistura de elementos. 

Além de ser a faixa que carrega o nome da banda, ela diz muito sobre a identidade da banda e aqui temos mais um refrão com frases que se repetem, fazendo com que o ouvinte se conecte rapidamente com a faixa. Essa tem faixas melódicas é cinematográfico e tem peso, resume bem a banda Temperance. 

The Chariot: Alla Ricerca dell'Americ

A faixa funciona com um tom de balada, uma faixa que explora muitas nuances musicais, deixando um ar de teatralidade por conta das passagens cantadas em italiano, deixando tudo mais emocional e dramático o que pra mim trouxe toda beleza pra faixa e claro, um belo jeito de homenagear suas raízes. 

The Hanged Man: Petrichor

Uma das faixas mais bonitas do disco, começa dramático com linhas de violão, mas em seguida trás peso trás linhas melódicas é triunfante, cinematográfico, o refrão as vozes se fundem de forma harmônica e mais uma vez a apreciamos a versalidase de Kristin, as partes em que ela canta lírico deu muito brilho e drama para a faixa, tudo de forma muito equilibrada. A faixa tem quase 7 min e não é uma faixa cansativa. 

The World

O disco termina com uma faixa que diferente da faixa anterior tem menos de 3min e funciona como calmaria depois de algo tão grandioso que foi toda a trajetória da energia dos arcanos maiores e acredito que funcionou super bem. Aqui temos apenas violão a voz da Kristen e back vocals no refrão. 


Uma jornada que vale a pena revisitar

Arcani parte de uma proposta temática que oferece ao Temperance a oportunidade de explorar diferentes atmosferas dentro de sua identidade melódica e sinfônica. Entre refrões marcantes, energia instrumental e interpretações vocais que merecem destaque, o álbum apresenta elementos que explicam por que a banda conquistou minha atenção tão rapidamente.

Ainda que minha expectativa para este lançamento já fosse alta, a experiência de ouvir o disco completo é uma oportunidade de olhar além dos singles e perceber como as músicas se relacionam dentro de uma proposta maior.

E, se tem algo que posso dizer até aqui, é que o Temperance conseguiu despertar em mim aquela vontade de voltar ao álbum, revisitar as faixas e descobrir novos detalhes a cada audição. Para uma banda que entrou recentemente na minha playlist e rapidamente conquistou seu espaço, isso já significa bastante.


***ENGLISH VERSION***

There are bands we discover and listen to every now and then, and then there are those that show up at just the right time and suddenly never leave our playlists. Temperance was one of those discoveries for me. Ever since I found the band, I haven't been able to stop listening, especially to their latest singles, which have definitely become some of my favorite releases of the year. Honestly, that doesn't happen very often, so long before I received this album, I was already looking forward to hearing the full record and sharing my thoughts with you. And finally, that day has arrived!

But before this starts sounding like fan-girling, let's get down to business.


A Journey Through the Tarot Cards

For those who aren't familiar with them yet, Temperance is an Italian melodic and symphonic metal band that combines heaviness, power metal elements, memorable melodies, and different vocal approaches. One of the most interesting aspects of their musical identity is the way they explore the possibilities of their vocalists, moving between melodic lines, harmonies, and moments of greater intensity.

On Arcani, the band dives into the world of Tarot, building its thematic foundation around the cards and their meanings. Since each card has its own symbolism and the cards don't necessarily tell a linear story, the album doesn't have to be understood as a traditional concept record. However, as I explored the subject, I came across an interesting interpretation: the Major Arcana can represent the Fool's Journey. The Fool is one of the most symbolic figures in Tarot and appears as the first card in many decks.

From this perspective, each card can represent a stage in a journey of discovery, conflict, and transformation. Temperance explores this mystical universe and turns its different atmospheres into distinct musical experiences. Rather than using Tarot merely as an aesthetic element, the concept creates room to explore different emotions and possibilities throughout the album.

This choice also raises an interesting question: if each card represents a moment in this journey, how does the band translate these different energies into music? This is where Arcani begins to reveal its personality.


Between Heaviness, Melody, and Spectacle

The lineup features American vocalist Kristin Starkey, Michele Guaitoli on vocals and piano, band founder Marco Pastorino on guitar and vocals, Luca Negro on bass and vocals, and Marco Sacchetto on drums. It's a combination that allows for rich vocal arrangements and plenty of creative possibilities, two essential elements of Temperance's sound.

On an album with such a strong thematic concept, production plays a particularly important role. The challenge is to balance the weight of the guitars, the power of the drums, the symphonic elements, and the different voices without compromising the clarity of the melodies. The music calls for grandeur, but it also needs personality, and the relationship between spectacle and composition is where the results become particularly interesting.

Compared to their previous release, Hermitage – Daruma's Eyes Pt. 2, Arcani is also worth examining for the way it develops its identity and brings its songs together under a shared thematic vision. It's not just about delivering good individual tracks, but about making them contribute to an album that works as a complete experience.


Bringing the Cards to Life

The Fool

The opening track is as grand as you might expect from a symphonic power metal album. Interestingly, that works in its favor. Rather than unleashing all its aggression from the very beginning, the song gradually builds, taking on a triumphant feel, almost as if it's following the Fool's first steps on his journey.

As the track progresses, this build-up gains momentum until it reaches a grand chorus, the kind that gets stuck in your head and makes you want to sing along. Here, we find one of Temperance's most distinctive strengths: the ability to create accessible melodies without sacrificing the energy and drama that are such an important part of the genre.

It's an opening track that does its job well and invites the listener to embark on the journey.

The Magician: Into Fire

If The Fool represents the beginning of a journey, The Magician: Into Fire arrives with an energy that perfectly matches the Magician and its associations with fire, action, and transformation.

The song's strength comes through both the vocal performances and the instrumental arrangement. It conveys movement and intensity, reinforcing the impression that the album's concept isn't simply there to provide titles for the songs, but also helps shape their musical identity.

This combination of energy, memorable melodies, and engaging choruses is something Temperance seems to handle particularly well. As the journey unfolds, it's interesting to see how the band explores different possibilities without abandoning the elements that make its sound so recognizable.

Death: Right Before We Die

This is one of my favorite tracks on the album. And when a song stands out like this on a record with a strong thematic concept, it naturally makes you even more curious about how it connects to the rest of the work.

The Death card carries symbolism that goes far beyond endings. It's also associated with transformation, upheaval, and the possibility of a new beginning. The title Right Before We Die adds another dramatic layer to that idea.

What really makes this track shine for me, though, is the way the three voices blend together. The interplay between the vocalists and the harmonies gives the song even more strength, bringing out each singer's individual qualities without losing the overall cohesion. It's one of those moments when the band's vocal richness becomes more than just a defining characteristic of its sound: it becomes one of the composition's greatest highlights.

Tower: Lean into Fear

Kristin Starkey's voice is an absolute highlight here. The song begins aggressively and powerfully, establishing an intense atmosphere that fits its theme of facing our fears and finding strength amid chaos.

The Tower card is associated with upheaval, collapsing structures, and changes that may be painful but are sometimes necessary to make room for something new. This idea of rebuilding connects beautifully with the track's energy.

The instrumentation deserves attention as well. Right from the beginning, there's a passage that reminded me of the atmosphere of a live festival, with a touch of hard rock that adds a special charm to the composition. It's a detail that sets the song apart and shows how Temperance can explore other influences without losing its identity.

For all these reasons, Tower: Lean into Fear has become one of the album's most interesting tracks for me.

The Devil: Sin, Sin, Sin

If there's one thing Temperance does particularly well, it's writing choruses made to be sung out loud. The Devil: Sin, Sin, Sin is a great example. The track has a melodic structure that's easy to pick up, inviting listeners to sing along. It's the kind of song that could work especially well live, with the crowd turning into one big choir.

But its appeal goes beyond having a catchy chorus. This track also gives us the chance to appreciate Kristin Starkey's more operatic vocal lines and her versatility, which adds even more drama to the composition.

Considering the Devil card's themes of temptation, desire, and inner conflict, this dramatic intensity feels perfectly at home here. The result is a track that combines melodic appeal and theatricality without losing its heaviness.

Temperance: Forgiveness

I want to highlight this track precisely because it shares its title with the band. And while we're at it, here's an interesting detail: the name Temperance doesn't come directly from the meaning of the Tarot card of the same name, but rather from the literal and philosophical meaning of the word, which is associated with moderation, balance, and the blending of different elements.

It's interesting to think that this idea of balance also connects with the band's musical identity, which combines heaviness, melody, symphonic elements, and different vocal approaches.

Musically, the track delivers another memorable chorus, with repeated phrases that make it easy for the listener to connect with the song right away. The combination of engaging melodies, a cinematic atmosphere, and heaviness sums up many of the elements that make Temperance's sound so distinctive.

More than simply being a song named after the band, Temperance: Forgiveness feels like a strong representation of its musical identity.

The Chariot: Alla Ricerca dell'America

Taking an approach closer to a ballad, The Chariot: Alla Ricerca dell'America explores different musical nuances and brings a theatrical quality to the composition. The passages sung in Italian add an extra layer of emotion and drama which, for me, are among the track's greatest charms.

The choice of language also gives the performance something special, connecting the song to the band's Italian roots and creating an atmosphere that feels different from other moments on the album.

Rather than relying on the grandeur typically associated with power metal, this track focuses more on building an emotional experience. And that change in approach works beautifully, revealing another side of Temperance.

The Hanged Man: Petrichor

This is one of the most beautiful tracks on the album. It begins dramatically, with acoustic guitar lines creating an intimate atmosphere, but soon gains weight and develops into something melodic, triumphant, and cinematic.

The chorus is one of the highlights, especially because of the way the voices blend harmoniously. Once again, Kristin Starkey demonstrates her versatility, and her operatic passages add brightness and drama to the track without compromising its balance.

At almost seven minutes long, Petrichor could easily become tiring if it didn't know how to balance its different sections. However, the song manages to hold the listener's attention throughout, shifting between delicacy, heaviness, and grandeur in an engaging way.

It's a track that shows how Temperance can explore different atmospheres within a single composition without losing its cohesion.

The World

The album closes with a track that contrasts directly with the grandeur of Petrichor. At less than three minutes long, The World works as a moment of calm after the entire journey through the Major Arcana.

Here, the arrangement is stripped down to acoustic guitar, Kristin's vocals, and backing vocals in the chorus. This choice creates a delicate, intimate atmosphere, offering the listener a moment to breathe after all the shifts in intensity throughout the album.

I think this decision works really well as a closing statement. Instead of ending with yet another grand, epic track, Temperance opts for simplicity and brings the journey to a more contemplative close, leaving the listener with a sense of resolution.

A Journey Worth Revisiting

Arcani starts with a thematic concept that gives Temperance the opportunity to explore different atmospheres within its melodic and symphonic identity. Between memorable choruses, instrumental energy, and vocal performances worth highlighting, the album offers plenty of reasons to understand why the band caught my attention so quickly.

Although my expectations for this release were already high, listening to the full album allowed me to look beyond the singles and discover other layers of the work. The tracks have their own characteristics, explore different levels of intensity, and find ways to stand out without abandoning the identity that ties the album together.

And if there's one thing I can say at this point, it's that Temperance has made me want to return to the album, revisit the tracks, and discover new details with every listen. For a band that only recently found its way onto my playlist and quickly earned its place there, that already means a lot.

Alex Verona


sábado, 24 de outubro de 2026

Entrevista – Chaos Synopsis celebra 20 anos de história, lança novo single e prepara próximos passos na estrada

Maycon Avelino

Em entrevista, Friggi e Jairo Vaz fazem um balanço de 2026, comentam a participação no Bangers Open Air, antecipam detalhes do próximo álbum e falam sobre a turnê brasileira ao lado do Six Feet Under.

Por Stephanie Ferreira – @instephanie

Vinte anos de história, uma agenda que voltou a ganhar fôlego e a vontade de seguir fazendo aquilo que sempre moveu a banda: tocar, compor e pegar a estrada. Para o Chaos Synopsis, 2026 tem sido um ano de retomada e novas conquistas, marcado pelo relançamento da primeira demo do grupo, por uma sequência de shows que incluiu uma passagem pelo Nordeste e pela participação no Bangers Open Air. Agora, a banda se prepara para apresentar Perfect Recipe, single inédito que chega às plataformas em 23 de outubro, enquanto avança na produção de seu próximo álbum.

Em meio à renovação da formação e ao trabalho de composição, o grupo também se prepara para dividir os palcos com o Six Feet Under em quatro apresentações no Brasil, a partir de 30 de outubro. O momento representa a oportunidade de ampliar o contato com o público e retomar o ritmo de atividades que marcou boa parte da trajetória da banda.

Em entrevista, Friggi (bateria) e Jairo Vaz (vocal e baixo) revisitam os acontecimentos do ano, contam como a relação construída com os fãs ao longo de duas décadas se manifesta nos shows, explicam como diferentes influências se encontram no processo de composição e antecipam o que vem pela frente. Entre reflexões sobre a trajetória e histórias de bastidores, a conversa também revela um aspecto que permanece central para o Chaos Synopsis: a amizade entre os integrantes e o prazer de viver o heavy metal para além do palco.


Olhando para tudo o que aconteceu até aqui, como vocês definiriam 2026 para o Chaos Synopsis?

Friggi e Jairo: Foi um ano muito bom, porque, desde a pandemia, a gente estava fazendo poucos shows, comparado com o que fez a vida inteira. Sempre fizemos muitos shows, mas, quando voltamos depois da pandemia, estávamos fazendo bem menos do que estávamos acostumados.

Este ano já começamos com tudo, relançando nossa primeira demo no aniversário de 20 anos, exatamente no mesmo dia em que ela saiu, em 2006. Depois, fomos para o Nordeste, fizemos oito shows, voltamos e já fomos tocar no Bangers. E continuamos fazendo outros shows.

É muito trabalho, e eu sentia falta de fazer tanta coisa. É o que a gente vive para fazer, nosso futebol de final de semana.

Com essa movimentação, acabamos nos animando e pensamos que precisávamos lançar uma música nova antes dos shows com o Six Feet Under. Também voltamos a compor o álbum novo. Estamos animados e agora é só não deixar esfriar de novo. A pandemia deu aquela esfriada, mas voltamos com tudo, como sempre trabalhamos.

Vocês começaram o ano com uma turnê pelo Nordeste. Como foi essa passagem por lá e o que mais marcou vocês nessa experiência?

Friggi e Jairo: Todos os shows foram massa! A gente sempre teve muito apoio no Nordeste desde o começo da banda. Nossa primeira demo foi lançada por um selo de Fortaleza, então sempre tivemos uma boa divulgação por lá. Mesmo assim, ficamos espantados com a quantidade de pessoas que realmente são fãs da banda.

Teve gente que foi a mais de um show porque queria ver de novo, além de pessoas que esperaram muito tempo para nos assistir. Acho que fomos à Bahia apenas muitos anos atrás e nunca tínhamos voltado. Então, havia muita gente com vontade de ver a banda que ainda não tinha tido essa oportunidade.

Também foi interessante ouvir as histórias do público. Como são 20 anos desde o lançamento da demo, vários contavam que, quando eram adolescentes, ouviam nossas músicas com os amigos, reunidos para tomar cachaça e escutar a banda.

A galera chamava as músicas pelos nomes e cantava junto. Eu sabia que esse material tinha chegado lá, mas a realidade superou a expectativa. Esperava muito essa viagem, mas não tinha noção de que as pessoas no Nordeste esperavam ainda mais pela nossa chegada.

Luca Apperti

Depois dessa passagem pelo Nordeste, vocês chegaram ao Bangers Open Air. Como foi subir ao palco do festival e o que isso representou para a banda?

Friggi e Jairo: O lance do Bangers começou bem antes do show. Quando o festival foi anunciado, no ano passado, já mudou muita coisa, inclusive na turnê do Nordeste. Todo mundo sabia que a gente ia tocar e veio falar com a gente, porque conhece nosso corre e sabe que, ao longo desses 20 anos, construímos uma relação muito boa com o pessoal.

Todo mundo ficou muito feliz com o anúncio. Para mim, isso foi mais legal até do que o show em si. A galera veio escrever para a gente e vibrou junto, então esse reconhecimento foi muito importante.

Também tem a realização de um sonho. A gente luta há muito tempo por isso e vive o heavy metal. Lembro de tocar baixo sozinho na casa dos amigos e pensar: “Cara, um dia eu vou estar num festival, vou tocar num lugar legal, vou tocar com uma galera”.

Se o meu eu adolescente olhasse para mim hoje, eu falaria: “Caralho, mano, vocês conseguiram fazer uns bagulhos foda, hein?”. Que massa!

O novo single, Perfect Recipe, chega às plataformas em 23 de outubro. Por que vocês escolheram este momento para lançar a música?

Friggi e Jairo: Liricamente falando, essa foi a primeira música em que escrevi a letra. A gente sempre segue um tema, e escolhi um para o álbum novo há algum tempo. Essa foi a história que mais me chamou a atenção dentro dessa temática. Como foi a primeira letra que escrevi, acabei encaixando na primeira música que compusemos para o álbum. As coisas se casaram.

Tem muitas outras coisas novas vindo, com bastante riff legal, mas acho que essa música é a cara do Chaos Synopsis. Ela tem nossos riffs, nossa identidade e meu tipo de cantar. Também traz algumas novidades que o Darc trouxe, mas continua representando o que é o Synopsis. É uma forma de mostrar a formação nova e coroar este ano com um som muito característico nosso.

Em todo álbum, a gente procura incluir coisas novas sem abrir mão do nosso estilo, da energia, do peso e dos riffs. Quando o Diego entrou, incorporamos mais as melodias dele. Agora, com o Darc, também buscamos incluir as características de cada um para somar coisas diferentes, mantendo a identidade da banda. Essa música tem tudo isso.

Com dois guitarristas de características distintas, Darc e Diego, como vocês integram as ideias de cada um para construir uma sonoridade que preserve a identidade do Chaos Synopsis?

Friggi e Jairo: Depois de todo esse tempo, a gente já tem uma maneira própria de compor. Sempre trabalhei com estúdio, então algumas coisas facilitam o processo, como trabalhar remotamente ou começar alguma coisa por aqui.

Essa música seguiu o padrão que usamos nos últimos anos. Gostamos de incorporar as influências e o estilo de cada integrante, mas geralmente começamos com alguma ideia minha e vamos incluindo as outras aos poucos.

A música começou comigo e com o Jairo. Estávamos aqui, eu na guitarra e ele no baixo, e fizemos o começo da composição. Depois, separamos as partes dos solos. Quando decidi a base do solo do Diego, por exemplo, já sabia que ele faria algo melódico, que é uma característica dele de que gostamos muito. Então, construí aquela parte pensando nisso.

A parte do Darc também foi pensada para ele, com um solo no começo e um arranjo no meio. O estilo dele é um pouco diferente do nosso, com influências de death e black metal e outras abordagens melódicas. Queríamos trazer essa identidade para a música.

Nesse caso específico, o Diego estava presente no dia da composição. O Friggi estava chato para caramba, tive que expulsá-lo do estúdio porque ele não aceitava nada. Depois, ele voltou, já tinha tomado uma cerveja, veio abraçando e falando: “Pô, ficou bom para caralho!”. Na hora de gravar, ele mudou várias coisas.

Mas é assim, sempre foi. Funciona, graças a Deus.

Luca Apperti

Em que etapa está a produção do próximo álbum? Já existe uma previsão de lançamento?

Friggi e Jairo: A previsão é entre março e abril. A gente já tem várias músicas, mas ainda precisa terminar de compor algumas. Todas as letras, a capa e as ideias do álbum já estão encaminhadas. Agora, precisamos sentar e finalizar tudo.

Também tem a questão da agenda e de reunir a banda para trabalhar nas músicas. Tenho várias composições que fiz meio que sozinho há bastante tempo, então precisamos chamar os caras para finalizar tudo juntos. O álbum tem que sair, porque já temos um monte de coisa programada dependendo dele.

E o que vocês podem adiantar sobre a temática do álbum?

Friggi e Jairo: Para quem gosta de churrasco, está bom! (risos)

Em Perfect Recipe, trouxe a história do Armin Meiwes, que é o canibal de Rotemburgo. Ele é bem conhecido. Várias bandas escrevem sobre ele. Acho que o Rammstein tem uma música sobre essa história, entre outras bandas. É um pouco dessa temática que a gente vai trazer, e ela já começa com essa história.

A partir de 30 de outubro, vocês participam da turnê brasileira do Six Feet Under, com apresentações em Belo Horizonte, Limeira, São Paulo e Curitiba. Como surgiu essa oportunidade e o que significa para vocês dividir essa sequência de shows com a banda?

Friggi e Jairo: Gosto bastante da ideia porque lembro que, quando entrei na banda, os meninos ouviam muito Cannibal Corpse, principalmente na época do Chris Barnes.

É a primeira vez do Six Feet Under aqui, então é mais uma daquelas coisas que são sonhos de adolescente. É pensar: “Pô, vou conhecer o cara, vou estar ali junto”.

Hoje, talvez eu já não sinta a mesma emoção de conhecer alguém que fez parte da minha adolescência, mas continua sendo algo muito legal. É algo que fica para a história: a primeira vez que os caras vieram para o Brasil, o Chaos Synopsis estava junto.

Também é uma oportunidade de tocar para um público maior, conhecer mais gente e encontrar pessoas que já conhecem a banda nessas cidades. A gente sempre curte estar na estrada, independentemente de qualquer coisa. Estar com uma banda grande, com uma banda underground ou sozinho é algo que vivemos para fazer.

Quando tem outra banda junto, dividindo essa experiência, sempre rolam coisas legais. Vai ser massa: curtição, novas amizades, falar besteira, dar risada e fazer os shows. Quando você passa mais tempo junto, vive experiências muito legais.

O que o público pode esperar do setlist desses quatro shows?

Friggi e Jairo: No Bangers, já atualizamos o setlist. Voltamos a tocar algumas músicas bem antigas, do primeiro álbum, que não tocávamos havia mais de 15 anos. Também começamos a tocar Coronavírus, que lançamos em 2020, mas nunca tínhamos apresentado ao vivo até este ano.

Agora tem essa música nova, mas ainda não sabemos exatamente o que vamos fazer. Vamos chegar e tocar.

Falamos bastante sobre o passado e o presente. E o futuro? Pensando nos próximos cinco anos, o que vocês ainda querem realizar com o Chaos Synopsis?

Friggi e Jairo: A gente quer continuar fazendo o que sempre fez. Esse álbum está vindo depois de um tempão sem lançar nada, então queremos retomar de vez o ritmo que tínhamos antes da pandemia, com força total. Continuar lançando álbuns, fazendo turnês e lançando clipes. Estar na estrada e se divertir.

O que a gente mais gosta de fazer é estar na estrada junto. Somos amigos, gostamos de estar juntos e dar risada. É como se fosse uma excursão de escola.

Você entra no carro, dirige 24 horas para chegar a outro lugar, toca, já vai direto para o próximo e continua dando risada e curtindo. Acho que a maioria das bandas vive isso, mas o Chaos Synopsis vive muito intensamente: dirigir, dar risada, tocar, fazer amizade e curtir. Acho que isso é o principal para viver o heavy metal.

Também temos algumas coisas que queremos fazer e ainda não fizemos. No ano que vem, vamos tocar em um lugar onde nunca tocamos. Existem tipos de lançamentos que temos vontade de fazer e nunca fizemos. Acho que no ano que vem, ou no próximo, dá para desenvolver essas ideias.

Para finalizar, que mensagem vocês deixam para os fãs que acompanham a trajetória do Chaos Synopsis?

Friggi e Jairo: Esse som vai vir com tudo. Está muito massa. A gente meio que fez a sinopse do caos mesmo nessa música, juntando tudo o que geralmente fazemos.

Ela já começa com os dois pés no peito, então tenho certeza de que vocês vão curtir. Espero ver vocês nos shows que vamos fazer este ano aqui no Brasil.

Toda vez que encontrarem a gente, é só colar. Quem conhece sabe que gostamos de trocar ideia e nos divertir. Quero ver todo mundo no mosh, até porque, nesse som novo em São Paulo, a gente vai fazer um negócio bem legal. Espero todo mundo curtindo, se matando lá no meio, sem machucar o amiguinho.

E vão ao show do Hangar, que vai ser foda. Tem uma novidade lá que vai acontecer.

Cobertura de Show: Apocalyptica – 16/10/2026 – Carioca Club/SP

Apesar da sexta-feira chuvosa, o Carioca Club, em São Paulo, recebeu um bom público no último dia 16 para acompanhar o retorno do Apocalyptica ao país com a turnê Apocalyptica Plays Metallica Vol. 2. Formado pelos violoncelistas Eicca Toppinen, Perttu Kivilaakso e Paavo Lötjönen, o grupo finlandês contou com Mikko Kaakkuriniemi na bateria. A proposta de unir a música clássica à intensidade do heavy metal ganhou novos contornos nas mãos dos violoncelistas finlandeses, que revisitaram clássicos do Metallica e reservaram algumas surpresas para os fãs.

A introdução com “The Ecstasy of Gold”, composição de Ennio Morricone imortalizada na abertura dos shows do Metallica, preparou o clima para uma noite em que a força das cordas assumiria o protagonismo, sem deixar a agressividade das versões originais em segundo plano.

“Ride the Lightning” abriu a apresentação com peso e precisão, enquanto o público demonstrava entusiasmo e cantava o refrão. Na sequência, “Enter Sandman” elevou a temperatura do ambiente. Antes de começar, Eicca Toppinen saudou os presentes e pediu que todos cantassem junto, antecipando uma noite dedicada ao repertório do Metallica. A resposta veio de maneira arrebatadora: os fãs cantaram praticamente a música inteira, criando um daqueles momentos memoráveis da apresentação.

“Creeping Death” manteve a intensidade, com as vozes tentando acompanhar alguns versos até explodirem no refrão, enquanto “For Whom the Bell Tolls” reforçou a capacidade do Apocalyptica de reproduzir a atmosfera monumental dos clássicos sem depender de guitarras distorcidas para impor respeito.

Em seguida, “The Call of Ktulu” trouxe um dos momentos mais especiais da noite. Perttu Kivilaakso comentou que o público teria uma experiência incrível, e Eicca destacou a importância da faixa, gravada pelo Apocalyptica com a linha original de baixo de Cliff Burton. A lembrança do saudoso músico, cuja contribuição foi fundamental para a identidade sonora do Metallica, acrescentou um significado especial à execução.

Na sequência, veio uma das surpresas do repertório: “St. Anger”, faixa-título do controverso álbum lançado em 2003. Apesar da curiosidade despertada pela escolha, foi o momento que menos empolgou o público. Ao final, Perttu perguntou quem conhecia o disco e identificou um fã que demonstrava entusiasmo. Em tom bem-humorado, aproveitou para brincar com a possibilidade de ele também gostar de outro trabalho que dividiu opiniões: Lulu, colaboração do Metallica com Lou Reed lançada em 2011.

A reação mais morna, porém, ficou para trás quando “The Four Horsemen” recolocou a apresentação nos trilhos, seguida pela devastadora “Blackened”, que voltou a provocar uma resposta explosiva dos presentes. Sem grandes anúncios, o Apocalyptica emendou “Master of Puppets” e fez o Carioca Club praticamente vir abaixo.

A combinação entre a execução precisa dos violoncelos e a participação dos fãs mostrou como essas composições continuam poderosas mesmo quando reinterpretadas por instrumentos tradicionalmente associados à música erudita. A apresentação não se limitou a reproduzir melodias conhecidas: o grupo soube preservar a agressividade, as mudanças de andamento e a dramaticidade das composições, explorando as possibilidades de seus instrumentos para conferir novas nuances a cada arranjo.

Depois de tanta intensidade, “Nothing Else Matters” ofereceu uma pausa emocional e se transformou em um dos pontos altos da noite. A interpretação delicada, conduzida pelas cordas, encontrou no público um coro afinado e espontâneo. Perttu comentou que os fãs haviam transformado a casa no “Karaokê Club”, classificando aquele momento como o mais bonito de toda a turnê.

A observação fez sentido diante da participação calorosa, que deu à canção uma atmosfera particularmente emocionante. Na sequência, “Seek & Destroy” agitou o público, mas a surpresa ainda não havia terminado: o grupo também homenageou o Sepultura com “Refuse/Resist”, aproximando dois universos fundamentais do metal e arrancando uma reação especial dos fãs brasileiros. A homenagem demonstrou que a conexão com o público brasileiro vai além do tributo ao Metallica, passando também pelo reconhecimento do Sepultura como um dos maiores nomes do metal sul-americano.

Para encerrar a noite, “One” funcionou como uma escolha certeira, reunindo dramaticidade, peso e passagens de grande intensidade musical, com os versos de James Hetfield ganhando destaque na interpretação instrumental. A faixa coroou uma apresentação que mostrou como a música do Metallica permanece aberta a novas interpretações sem perder sua essência.

Mesmo com a chuva e o caráter tradicionalmente exigente de uma sexta-feira à noite, o bom público do Carioca Club participou ativamente de uma experiência que alternou momentos de pura agressividade, passagens emocionais e surpresas bem escolhidas. Com a turnê Apocalyptica Plays Metallica Vol. 2, os finlandeses reafirmaram sua identidade singular: transformar o violoncelo em instrumento de combate e provar que a fronteira entre a música clássica e o heavy metal pode ser muito mais estreita do que parece.

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: André Tavares


Realização: Overload Brasil

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Apocalyptica – setlist:

The Ecstasy of Gold

Ride the Lightning

Enter Sandman

Creeping Death

For Whom the Bell Tolls

The Call of Ktulu

St. Anger

The Four Horsemen

Blackened

Master of Puppets

Nothing Else Matters

Seek & Destroy / Refuse/Resist

One

Cobertura de Show: Amorphis – 18/10/2026 – Carioca Club/SP

Entre o peso e a melodia, Amorphis transforma o Carioca Club em um reencontro de emoções

A noite de domingo tinha uma ansiedade pairando no ar. Depois de tanta expectativa, finalmente havia chegado o dia de receber o Amorphis em São Paulo. O encontro era aguardado por fãs que acompanham diferentes capítulos da trajetória dos finlandeses, que construíram uma identidade própria ao longo de mais de três décadas e que seguem encontrando maneiras de conectar peso, melodia e atmosferas que parecem transportar o ouvinte para outro lugar. No Carioca Club, em Pinheiros, o prelúdio daquela noite já anunciava que estávamos diante de mais um daqueles encontros marcantes para os amantes do metal melódico.

A apresentação fazia parte da passagem brasileira da turnê Borderland, que leva aos palcos a fase mais recente da banda sem deixar de lado composições que ajudaram a consolidar seu nome na história do metal. A expectativa, portanto, envolvia tanto a oportunidade de ouvir o material mais novo ao vivo quanto a possibilidade de reencontrar músicas que acompanham os fãs há anos. Com a casa relativamente cheia e o público começando a se preparar para uma noite de muito peso, a abertura ficou por conta do Throw Me to the Wolves, representante da nova geração do metal brasileiro.


Throw Me to the Wolves: técnica e peso surpreendentes

Foi a primeira vez que assisti a um show do Throw Me to the Wolves e confesso que a impressão deixada pela banda foi bastante positiva. O quinteto paulistano trabalha com uma combinação de death metal melódico e elementos de metalcore, equilibrando agressividade, riffs marcantes e passagens melódicas. Em uma abertura, existe o desafio de conquistar a atenção de um público que, muitas vezes, já chega com a cabeça voltada para a atração principal. A banda, porém, demonstrou qualidade técnica e presença suficientes para transformar aquele primeiro contato em uma experiência que merece ser destacada por conta própria.

Diogo Nunes foi um dos grandes responsáveis por essa impressão. O vocalista tem um domínio impressionante das diferentes possibilidades da própria voz e consegue transitar por registros extremos com intensidade e segurança. É daqueles casos em que assistir à performance ao vivo ajuda a compreender a dimensão do trabalho vocal, porque a execução acontece diante dos nossos olhos, sem que seja possível ignorar o esforço, o controle e a expressividade envolvidos. O que Diogo faz com a voz é absurdo, absurdo, absurdo! 

Na bateria, Maycon Avelino sustentou a apresentação com consistência, precisão e uma cadência que se manteve firme do início ao fim. Em um repertório que exige bastante da execução rítmica, a bateria tem papel fundamental para manter o peso sem comprometer a clareza dos arranjos. Foi justamente essa segurança que me chamou a atenção, especialmente pela maneira como a base se manteve coesa enquanto os demais instrumentos exploravam suas possibilidades.

As guitarras de Gui Calegari e Fabrício Fernandes também merecem destaque. Os dois demonstraram entrosamento e domínio técnico, alternando riffs pesados e linhas melódicas que ajudam a definir a sonoridade do grupo. Além da execução, vale registrar um detalhe que chama a atenção de quem acompanha o universo das guitarras: ambos estavam tocando instrumentos da Solar Guitars. A presença dos instrumentos da marca no palco soma um elemento interessante à apresentação, mas o que realmente se sobressaiu foi a maneira como os guitarristas conduziram o material, com firmeza e boa articulação entre as partes.

Fábio Fulini, por sua vez, completou a formação no baixo, contribuindo para a sustentação de uma base que precisa acompanhar a intensidade das guitarras e da bateria sem perder definição. O conjunto funcionou muito bem, e essa combinação entre os músicos ajudou a dar corpo à apresentação. Saí daquele primeiro contato com a sensação de ter descoberto uma banda que merece ser acompanhada de perto, principalmente por quem procura nomes da cena nacional capazes de unir técnica, peso e identidade.

O Throw Me to the Wolves cumpriu a missão de aquecer a noite, mas foi além do papel protocolar de banda de abertura. Para mim, a apresentação serviu como uma excelente oportunidade de conhecer o trabalho do grupo em seu ambiente mais natural, o palco. E, considerando a qualidade demonstrada pelos músicos, fica a curiosidade para acompanhar os próximos passos dessa trajetória.


Amorphis: uma noite de peso, atmosfera e conexão com o público

Depois da abertura, a expectativa voltou a tomar conta do Carioca Club. O intervalo parecia aumentar a ansiedade de quem aguardava a atração principal, e o início do jogo de luzes foi o sinal de que a espera estava chegando ao fim. Então, entre o apagar e o acender das luzes, a magia começou: o Amorphis subiu ao palco e deu início a uma apresentação que tinha tudo para ser especial.

Desde o começo, era possível perceber o quanto aquele encontro significava para as pessoas presentes. Havia uma vontade evidente de acompanhar cada música, reconhecer as passagens, cantar junto e fazer parte daquele momento. A energia que vinha da plateia ajudou a estabelecer o tom do espetáculo, criando uma relação de proximidade entre banda e público que se manteve ao longo da apresentação. Em vez de uma audiência que apenas observa o que acontece no palco, o Carioca Club se tornou parte ativa daquela experiência, respondendo às músicas e demonstrando o quanto a obra dos finlandeses encontra espaço na vida de quem os acompanha.

Uma das características mais interessantes do Amorphis é a capacidade de trabalhar com contrastes sem perder a própria identidade. Embora o grupo tenha raízes importantes no death metal melódico, sua trajetória passou por transformações que ampliaram consideravelmente o repertório sonoro. Hoje, o peso convive com melodias elaboradas, elementos progressivos, passagens atmosféricas e referências ao folclore finlandês, especialmente à tradição mitológica e poética do Kalevala. Essa combinação faz com que a música da banda tenha uma dimensão narrativa muito particular, alternando momentos de maior agressividade com trechos que parecem convidar o ouvinte a mergulhar em outra paisagem.

Ao vivo, essa identidade ganha força justamente pela maneira como os diferentes elementos se complementam. As guitarras dão sustentação ao peso e às melodias, enquanto os arranjos ampliam a sensação de atmosfera sem retirar a intensidade das composições. A voz de Tomi Joutsen também é fundamental para essa dinâmica, pela capacidade de transitar entre os registros extremos e melódicos que fazem parte da personalidade do Amorphis. Essa alternância ajuda a construir a tensão e a profundidade das músicas, permitindo que a banda explore diferentes intensidades sem perder a conexão com quem está diante do palco.

O repertório percorreu diferentes momentos da discografia, combinando faixas mais recentes com composições que já ocupam um lugar especial na história do grupo. A abertura com “Bones”, seguida por “Light and Shadow” e “Silver Bride”, estabeleceu uma sequência que reuniu diferentes aspectos da identidade musical da banda. “Wrong Direction” e “Death of a King” deram continuidade a essa construção, enquanto “Fog to Fog” ajudou a conduzir o espetáculo por outras nuances do repertório.

Ao longo da apresentação, músicas como “The Castaway”, “The Lantern” e “The Moon” ampliaram esse percurso, evidenciando como o Amorphis consegue explorar diferentes atmosferas sem abandonar a força das guitarras e da base rítmica. Já “Sampo” trouxe ao repertório uma composição que dialoga diretamente com as referências mitológicas presentes na obra do grupo. Essa ligação com a tradição cultural finlandesa é um dos elementos que tornam a banda tão particular, porque suas músicas frequentemente ultrapassam a experiência imediata do peso e da melodia para construir imagens, narrativas e sensações.

A apresentação também reservou espaço para momentos importantes da trajetória do Amorphis, incluindo “The Smoke”, “Magic and Mayhem” e “Black Winter Day”, esta última acompanhada de um trecho de “My Kantele”. A presença dessas composições ajudou a aproximar diferentes fases da carreira, lembrando que a identidade atual da banda foi construída a partir de uma trajetória de experimentação e mudanças. Para os fãs que acompanham o grupo há mais tempo, são músicas que carregam o peso da história; para quem se aproximou da banda em fases posteriores, representam a oportunidade de conhecer melhor as raízes de uma sonoridade que continua em transformação.

“Dancing Shadow” e “House of Sleep” conduziram o repertório para seus momentos finais, antes de “The Bee” encerrar a apresentação no bis. A escolha das músicas permitiu que a noite transitasse entre diferentes facetas do Amorphis, mantendo o equilíbrio entre o peso, a melodia e as passagens mais envolventes. Ao observar a resposta do público, ficava evidente que o repertório não era composto apenas por canções reconhecíveis, mas por músicas que carregam significados diferentes para cada pessoa presente.

E talvez seja justamente essa a força de uma banda que atravessou tantas fases sem perder sua personalidade. O Amorphis não depende de uma única fórmula para construir sua música. Existe espaço para a agressividade, para a contemplação, para a melodia e para os arranjos mais elaborados, e tudo isso se encontra em uma identidade que permanece reconhecível. A apresentação no Carioca Club mostrou como esses elementos funcionam juntos e como a relação construída com os fãs continua sendo parte essencial dessa experiência.

Outro detalhe importante desta passagem foi a presença de Pyry Hanski no baixo. O músico, que também integra a banda finlandesa ...And Oceans, acompanhou o Amorphis nesta etapa da turnê, substituindo temporariamente Olli-Pekka Laine. Mesmo com a alteração na formação, a apresentação manteve a força coletiva que sustenta a sonoridade do grupo. É um lembrete de que as turnês também envolvem adaptações e circunstâncias pessoais, enquanto a música precisa seguir encontrando seu caminho até o público.

Quando a música também encontra a nossa história

Para mim, entretanto, aquela noite teve uma camada adicional de significado. O show do Amorphis carregava um apelo emocional ligado a questões pessoais, algo que tornou a experiência particularmente intensa. Há momentos em que o trabalho de cobertura nos coloca diante de uma banda que admiramos, e precisamos observar a apresentação com atenção aos detalhes, à execução, ao repertório e à resposta da plateia. Mas também existem noites em que a relação pessoal com a música atravessa esse olhar profissional e transforma a experiência em algo difícil de traduzir apenas por critérios técnicos.

Ao fim, o Amorphis deixou a impressão de uma noite marcada pela entrega, pela consistência musical e pela conexão com os fãs. O domingo terminou, mas a experiência permaneceu. E talvez seja essa a melhor maneira de definir o que aconteceu no Carioca Club: uma noite em que o peso e a melodia encontraram espaço para caminhar juntos, enquanto a música fazia aquilo que sabe fazer tão bem, aproximar pessoas, despertar lembranças e criar novas histórias.





Realização: Bangers Open Air


Throw Me to the Wolves – setlist:

Chaos

Days of Retribution

Fragments

Angels Fall

Forsaken Fears

Tartarus

Gaia


Amorphis – setlist:

Bones

Light and Shadow

Silver Bride

Wrong Direction

Death of a King

Fog to Fog

Thousand Lakes

The Castaway

The Lantern

The Moon

Sampo

The Smoke

Black Winter Day

Dancing Shadow

House of Sleep

Bis

The Bee

terça-feira, 20 de outubro de 2026

John Coffey: A Força de Gritar Junto Quando o Mundo Pesa

Long Branch Records (Imp.)

Por Stephanie Ferreira - @instephanie

Existem bandas que transformam a agressividade em identidade. Outras conseguem fazer dela uma linguagem para falar sobre aquilo que nem sempre sabemos como expressar. O John Coffey pertence às duas categorias. Em Not Alone, seu sexto álbum de estúdio, o quinteto neerlandês transforma guitarras abrasivas, vocais intensos e ritmos acelerados em um trabalho que fala de resistência, empatia e conexão humana. São dez faixas distribuídas em pouco mais de 30 minutos, sem espaço para grandes desvios, mas com algumas mudanças de dinâmica que impedem o disco de se tornar apenas uma sequência de pancadas.

Lançado pela Long Branch Records, o álbum chega depois do retorno da banda às atividades, iniciado com FOUR, de 2023, após um hiato de aproximadamente sete anos. Em vez de tentar recuperar o passado nota por nota, o John Coffey retoma os elementos que ajudaram a construir sua identidade e os coloca a serviço de um repertório que alterna urgência punk, peso hardcore, melodias de rock alternativo e passagens de sensibilidade grunge. Essa combinação também aparece nas primeiras avaliações internacionais, que destacam tanto a energia instrumental quanto a capacidade do grupo de abrir espaço para refrões mais acessíveis.

Nick Helderman

1. Hang the Choir

A abertura é um dos momentos mais eficientes do disco. Os riffs têm um ataque quase imediato, enquanto as mudanças de voz ampliam a impressão de que a música está sendo construída por várias pessoas, e não apenas conduzida por um vocalista. Essa dimensão coletiva combina com o tema da faixa, que aborda a defesa de quem sofre preconceito ou é tratado como alguém que não pertence ao ambiente ao redor.

A composição não precisa de uma introdução longa para estabelecer sua identidade. O John Coffey aposta em uma estrutura compacta, com energia suficiente para imaginar a música funcionando como um dos pontos de explosão de um show. A melodia ajuda a fixar o refrão, mas as guitarras preservam a aspereza necessária para que a mensagem não soe domesticada.

2. Not Alone

A faixa-título representa uma das decisões mais importantes do álbum: desacelerar depois de uma abertura tão explosiva. Em vez de continuar na mesma direção, o John Coffey reduz a pressão instrumental e deixa a melodia ocupar o primeiro plano. A voz de David Achter de Molen ganha uma característica mais aberta e emocional, com uma abordagem que aproxima a música do grunge e do rock alternativo.

O contraste funciona porque a delicadeza não parece artificial. A faixa foi escrita em memória de Niels van den Ham, amigo da banda que morreu por suicídio, e transforma essa perda em um chamado à escuta, à compreensão e à importância de procurar conexão quando a vida se torna difícil. A própria banda apresentou a música como uma lembrança de que aquilo que sentimos não precisa ser enfrentado em isolamento.

Esse contexto muda a maneira como o refrão é recebido. A mensagem aparece como o centro emocional de um disco que entende a música pesada como espaço de acolhimento. Em um álbum relativamente curto, a faixa-título também funciona como ponto de equilíbrio: ela dá profundidade ao que veio antes e prepara o ouvinte para as mudanças de dinâmica que ainda estão por vir.

3. Push Push Push

Se “Not Alone” abre uma janela para o lado mais vulnerável da banda, “Push Push Push” volta a fechar os punhos. A música recupera o caráter físico do álbum com riffs angulares, mudanças de acentuação e uma sensação de urgência que mantém o ouvinte em alerta.

O trabalho das guitarras merece atenção. Em vez de depender exclusivamente de acordes pesados e velocidade, a faixa utiliza pequenas quebras e movimentos menos previsíveis para criar tensão. Essa abordagem aproxima o John Coffey de uma tradição de hardcore que valoriza tanto a força do impacto quanto a personalidade do riff.

A composição pode parecer caótica em uma primeira aproximação, mas existe organização por trás dessa impressão. Os elementos se encaixam para produzir uma descarga de energia controlada, e a curta duração evita que a ideia perca força. É uma das faixas que melhor representam o lado mais agressivo do álbum.

4. It's You

“It's You” muda novamente a temperatura do disco. As guitarras continuam pesadas, mas as melodias assumem uma importância muito maior, aproximando a faixa do rock alternativo e de uma tradição de refrões amplos, feitos para serem cantados em conjunto.

A voz de Achter de Molen funciona especialmente bem nesse contexto. Sua interpretação mantém a aspereza característica do grupo, mas deixa espaço para uma entrega mais melódica. O resultado é uma música que não precisa abandonar o peso para alcançar um público mais amplo.

5. Do Not Teach

A calmaria relativa não dura muito. “Do Not Teach” recupera uma postura mais confrontadora e aposta em uma sonoridade que mistura o peso do hardcore com elementos menos convencionais. A presença de uma sirene e de um coro infantil acrescenta estranheza à composição, criando uma atmosfera que contrasta com a agressividade das guitarras.

A ideia é interessante porque amplia a paleta sonora do disco sem afastar a banda de suas raízes. Ao mesmo tempo, é um dos momentos em que a execução parece menos coesa. A introdução tem impacto, mas a transição para o restante da faixa não desenvolve todo o potencial daquela escolha inicial. A música continua pesada, embora a estrutura não seja tão convincente quanto a das melhores composições do álbum.

6. Call of the Bear

“Call of the Bear” é uma das composições mais frenéticas do álbum. A bateria acelera, os riffs se acumulam e a faixa parece constantemente prestes a ultrapassar os próprios limites. O resultado é um dos momentos mais próximos do hardcore caótico e do mathcore, com mudanças de ritmo que tornam a experiência menos linear.

O contraste entre passagens aceleradas e trechos mais melódicos impede que a música se resuma à velocidade. Existe uma preocupação em construir um refrão reconhecível, embora a composição por vezes exagere na insistência de sua mensagem de superação. A intenção é clara, mas algumas escolhas acabam tornando o resultado um pouco mais óbvio do que o restante do álbum.

Ainda assim, instrumentalmente, a faixa é um destaque. O John Coffey demonstra como pode transitar entre o caos e a melodia sem perder completamente o controle. É o tipo de composição que deve ganhar outra dimensão quando executada diante de um público disposto a transformar cada mudança rítmica em movimento.

7. I Don't Care, I Won't Give Up On You

Depois da intensidade de “Call of the Bear”, a sétima faixa apresenta uma mudança de textura. A influência do grunge aparece com mais clareza, tanto no peso das guitarras quanto na atmosfera emocional da composição. A música mantém uma base robusta, mas a interpretação vocal ganha um tom mais vulnerável, criando um contraste interessante com o título, que sugere insistência e compromisso.

É uma das faixas em que a dimensão afetiva do álbum aparece sem depender de uma balada tradicional. O John Coffey não abandona o volume nem transforma a composição em um intervalo contemplativo. Em vez disso, utiliza a melodia para revelar outro lado da mesma intensidade presente nas músicas mais rápidas.

8. Time Is Up Now

Com “Time Is Up Now”, o John Coffey volta a acelerar. A faixa é direta, inquieta e construída para manter o movimento constante, com uma combinação de riffs insistentes e ganchos melódicos que tornam a música mais memorável do que uma simples explosão de energia.

A sensação é de urgência: a bateria não deixa o arranjo se acomodar, enquanto as guitarras conduzem a composição para a frente. O refrão, por sua vez, cria um contraponto interessante à velocidade, oferecendo um ponto de apoio que o ouvinte consegue reconhecer mesmo em meio à intensidade instrumental.

9. Hope In – Fear Out

O título já aponta para uma ideia de transformação, e a música traduz essa perspectiva em uma composição movida por riffs pesados, ritmo firme e uma energia afirmativa. “Hope In – Fear Out” não tenta soar contemplativa; sua esperança é apresentada como algo que exige ação, movimento e disposição para enfrentar aquilo que paralisa.

A faixa funciona como uma síntese temática de Not Alone. Depois de músicas que exploram vulnerabilidade, confronto e apoio mútuo, o John Coffey retorna ao peso para construir uma mensagem de resistência. A sonoridade continua agressiva, mas a composição não é tão sombria quanto algumas das faixas anteriores.

10. All Bark, No Bite

O encerramento escolhe uma solução diferente da abertura. Em vez de terminar com a maior velocidade possível, “All Bark, No Bite” trabalha com contrastes entre passagens mais contidas e momentos de maior intensidade. As guitarras alternam tensão e abertura, enquanto os riffs apresentam pequenas mudanças que dão personalidade à composição.

A dinâmica entre peso e suavidade funciona como uma espécie de resumo do disco. O John Coffey demonstra que, às vezes, a força está justamente no espaço deixado entre uma explosão e outra.


Nick Helderman

Confira a tracklist completa:

1. Hang the Choir

2. Not Alone

3. Push Push Push

4. It's You

5. Do Not Teach

6. Call of the Bear

7. I Don't Care, I Won't Give Up on You

8. Time Is Up Now

9. Hope In – Fear Out

10. All Bark, No Bite