quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cobertura de Show: Masters Of Voices – 11/07/2026 – Santo Rock Bar/SP

Quatro vozes históricas do rock dividem o mesmo palco em noite memorável no Santo Rock Bar

Em meio ao frio intenso que tomou conta de Santo André na noite de 11 de julho e à disputa das quartas de final da Copa do Mundo entre Suíça e Argentina, o público do Santo Rock Bar mostrou que havia espaço para duas paixões simultâneas: o futebol e o rock. Enquanto os televisores da casa exibiam a partida, fãs lotavam o tradicional palco do ABC Paulista para testemunhar um encontro praticamente impossível de acontecer há alguns anos.

Idealizado pela Top Link Music, o Masters of Voices reúne quatro vocalistas que ajudaram a escrever capítulos importantes da história do hard rock e do heavy metal mundial: Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest, Iced Earth e atual KK's Priest), Jeff Scott Soto (Talisman, Journey, Yngwie Malmsteen, Sons of Apollo e W.E.T.) e Edu Falaschi (ex-Angra e Almah). O projeto percorre repertórios que marcaram diferentes gerações do rock, acompanhado por uma verdadeira seleção de músicos brasileiros formada por Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa e Leo Mancini (guitarras) e Edu Cominato (bateria).

Mesmo com um evento esportivo de enorme apelo acontecendo simultaneamente, a casa recebeu um excelente público. Durante boa parte da noite era comum ver fãs alternando olhares entre o palco e as televisões espalhadas pelo ambiente. Como diz o velho ditado, era literalmente "um olho no peixe e outro no gato".


ERIC MARTIN

Pontualmente por volta das 22h30, a banda subiu ao palco e recebeu o primeiro dos quatro convidados da noite. Eric Martin foi o responsável por abrir os trabalhos e apostou em uma decisão certeira: apresentar um repertório formado exclusivamente por sucessos do Mr. Big.

A abertura aconteceu em alta velocidade com "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)", cartão de visitas perfeito para mostrar o nível técnico da banda brasileira. Os famosos duetos originalmente executados por Billy Sheehan e Paul Gilbert foram reproduzidos com extrema precisão por Felipe Andreoli e Leo Mancini, arrancando os primeiros aplausos mais entusiasmados da noite.

Na sequência veio uma das grandes joias escondidas da discografia do Mr. Big. Na opinião deste que vos escreve, "Take Cover", do excelente álbum Hey Man (1996), continua sendo uma das melhores composições da banda. Outro destaque foi o trabalho de Edu Cominato, que reproduziu com absoluta fidelidade a levada criada pelo saudoso Pat Torpey. Não por acaso, o baterista atualmente integra a própria formação do Mr. Big nas turnês da banda, mostrando que a escolha para substituir Torpey foi mais do que acertada.

Enquanto isso, o público seguia dividido entre o espetáculo musical e a partida da Copa. A cada movimentação perigosa da Argentina, alguns olhares rapidamente migravam para as telas, mas bastava Eric voltar a interagir com a plateia para que a atenção retornasse imediatamente ao palco.

Naturalmente, não poderiam faltar as baladas responsáveis por transformar o Mr. Big em um fenômeno comercial durante os anos 1990. A primeira delas foi "Wild World", releitura do clássico de Cat Stevens que muitos ainda acreditam ser uma composição da própria banda — ou, como brincam alguns brasileiros, até mesmo da dupla Pepe & Neném. O refrão foi cantado praticamente em uníssono, com Martin deixando diversas vezes que a plateia assumisse os vocais.

A energia voltou a subir com "Colorado Bulldog", mais uma demonstração do impressionante nível técnico dos músicos brasileiros. A execução não deixou absolutamente nada a dever às versões originais do quarteto americano.

Quando um violão foi entregue a Eric Martin, praticamente ninguém teve dúvidas sobre o que viria a seguir. Bastaram os primeiros acordes de "To Be With You" para transformar o Santo Rock Bar em um enorme coral. É impossível imaginar quantas milhares de vezes Eric já interpretou esse hit ao longo de sua carreira, mas o mais impressionante é perceber que ele continua cantando a música com o mesmo entusiasmo de quem a está apresentando pela primeira vez. Não havia uma única pessoa na casa que não conhecesse aquele que talvez seja um dos maiores clássicos do hard rock dos anos 1990.

O encerramento veio com "Addicted to That Rush" e "Green-Tinted Sixties Mind", concluindo um set impecável para qualquer fã do Mr. Big. Em pouco mais de meia hora, Eric Martin entregou exatamente o que o público esperava: uma coleção de clássicos interpretados por uma voz que, mesmo após décadas de estrada, continua surpreendentemente preservada.

Antes de deixar o palco, Martin apresentou o próximo convidado da noite: Tim "Ripper" Owens. A temperatura já era baixa do lado de fora, mas dali em diante o clima dentro do Santo Rock Bar mudaria completamente.

TIM "RIPPER" OWENS

Se Eric Martin ficou responsável por aquecer o público com uma sequência impecável de clássicos do hard rock, Tim "Ripper" Owens assumiu o palco disposto a elevar a temperatura de vez. E conseguiu.

Sem qualquer introdução mais longa, o ex-vocalista do Judas Priest entrou "com os dois pés no peito", abrindo sua apresentação com "The Hellion" seguida da clássica "Electric Eye". Embora ambas pertençam à era Rob Halford, são músicas que Ripper incorporou ao seu repertório durante os anos em que esteve à frente do Judas Priest, entre 1996 e 2003, período em que gravou os álbuns Jugulator (1997) e Demolition (2001). Desde então, sua interpretação dessas canções tornou-se uma marca registrada de seus shows.

A reação da plateia foi imediata. Se durante o set de Eric Martin ainda havia parte do público alternando a atenção entre o palco e a partida da Copa do Mundo, bastaram os primeiros gritos de Owens para que praticamente todos voltassem seus olhos para o espetáculo.

Na sequência, Ripper fez uma escolha que certamente agradou aos fãs mais dedicados da sua passagem pelo Priest. "Burn in Hell", do excelente Jugulator, apareceu no repertório e representou um dos grandes acertos da noite. Muitos dos presentes jamais tiveram a oportunidade de ouvir essa música ao vivo durante a passagem da banda pelo Brasil em 2001, tornando sua inclusão um presente para aqueles que acompanham a carreira do vocalista desde aquela época.

A apresentação prosseguiu com dois dos maiores clássicos da história do heavy metal: "Painkiller" e "Breaking the Law". Além da performance vocal impressionante de Owens — que continua alcançando os agudos característicos da fase Priest com notável segurança —, chamou novamente a atenção o desempenho da banda brasileira.

Edu Cominato merece um destaque especial. Quem acompanha sua trajetória sabe que o hard rock é muito mais frequente em sua carreira do que o heavy metal tradicional. Ainda assim, sua execução em "Painkiller", considerada uma das músicas mais desafiadoras para qualquer baterista, foi praticamente irretocável. Técnica, velocidade, resistência e precisão apareceram em abundância durante toda a música, comprovando mais uma vez o nível dos músicos escolhidos para acompanhar o projeto.

Felipe Andreoli, Marcelo Barbosa e Leo Mancini também demonstraram enorme entrosamento ao reproduzir arranjos que fazem parte da história do metal mundial. Em nenhum momento houve a sensação de estarmos diante de uma banda de apoio. Pelo contrário: o quarteto brasileiro tocou com personalidade, mas sempre respeitando as versões originais.

O encerramento do set, entretanto, foi o único momento em que, particularmente, acredito que o repertório poderia ter sido melhor aproveitado.

Ripper optou por interpretar dois grandes clássicos do rock: "Highway To Hell", do AC/DC, e "Heaven and Hell", do Black Sabbath. São músicas irretocáveis e que, obviamente, funcionam em qualquer show de rock. A resposta da plateia foi positiva, com o público cantando e vibrando durante ambas as execuções.

Ainda assim, considerando o curto tempo disponível para cada vocalista, penso que essa era uma oportunidade perfeita para explorar um pouco mais da própria carreira de Tim Owens. Durante vários momentos era possível ouvir pessoas na plateia pedindo músicas de sua passagem pelo Iced Earth, fase extremamente respeitada pelos fãs do power e do heavy metal, ou até mesmo outro clássico do Judas Priest como "The Ripper", faixa que, inclusive, acabou se tornando responsável pelo apelido que acompanha o cantor há mais de quatro décadas.

É uma observação que não diminui em nada a qualidade da apresentação, mas fica aquela sensação de que havia material suficiente para tornar um set excelente em algo ainda mais memorável.

Seja como for, o saldo foi amplamente positivo. Para muitos presentes, Tim "Ripper" Owens entregou a performance mais intensa da noite até aquele momento. Sua presença de palco continua impressionante, a voz permanece extremamente potente e, sobretudo, ele demonstra o mesmo entusiasmo de quando assumiu uma das missões mais difíceis da história do heavy metal: substituir Rob Halford no Judas Priest.

Depois de uma verdadeira aula de heavy metal, o palco estava preparado para receber um artista de perfil completamente diferente, mas dono de uma das vozes mais versáteis do rock melódico: Jeff Scott Soto.

JEFF SCOTT SOTO

Se Tim "Ripper" Owens foi responsável pela descarga de adrenalina da noite, Jeff Scott Soto assumiu o palco representando o lado mais melódico do hard rock. Dono de uma das carreiras mais versáteis do gênero — com passagens por Yngwie Malmsteen, Talisman, Journey, W.E.T., Sons of Apollo, Trans-Siberian Orchestra e inúmeros projetos paralelos —, Soto talvez fosse o artista cujo repertório oferecia mais possibilidades para um set curto. E sua escolha para abrir a apresentação mostrou exatamente isso.

Quando os teclados de "One Love" começaram a soar, boa parte do público pareceu não reconhecer imediatamente a música. Se você que está lendo este review também não sabe de qual canção estou falando, vale a recomendação: trata-se de uma das mais belas composições do hard rock melódico moderno. Lançada no álbum de estreia do W.E.T., em 2009, ela reúne tudo aquilo que consagrou o estilo AOR: um refrão gigantesco, melodias marcantes e uma interpretação vocal impecável de Soto. Se ela ainda não faz parte da sua playlist, pare tudo quando terminar esta leitura e vá ouvi-la.

A entrada tinha tudo para ser apoteótica. Infelizmente, um problema técnico no microfone do vocalista interrompeu completamente o impacto daquele início. Durante os primeiros versos, simplesmente não havia voz alguma saindo no sistema de som. A banda precisou interromper a execução e reiniciar a música poucos instantes depois.

Foi um contratempo daqueles que acontecem em apresentações ao vivo e que, inevitavelmente, quebram o clima cuidadosamente construído para uma abertura de show. O momento perdeu parte da força que certamente teria se tudo funcionasse desde o primeiro acorde. 

Mas Jeff Scott Soto é um veterano de estrada. Longe de se deixar abalar pelo problema técnico, retomou a apresentação com o bom humor e a energia que sempre marcaram sua relação com o público brasileiro. Frequentador assíduo do país há mais de três décadas, Soto parece sentir-se em casa sempre que toca por aqui. Seu carisma continua sendo um diferencial, assim como a descontração no palco — incluindo as já tradicionais caipiroscas que frequentemente aparecem durante suas apresentações em terras brasileiras.

Na sequência veio um clássico absoluto do Journey: "Separate Ways (Worlds Apart)". Embora sua passagem pela banda tenha sido relativamente curta, entre 2006 e 2007, Soto sempre interpretou a música com enorme propriedade. A execução ganhou um ingrediente especial com a participação do excelente vocalista brasileiro BJ, integrante da banda de apoio de Jeff, responsável pelos teclados e backing vocals. A combinação das duas vozes funcionou perfeitamente e foi um dos pontos altos do set.

Em seguida, Soto revisitou sua banda mais emblemática, o Talisman, com "I'll Be Waiting". Curiosamente, uma das maiores composições de sua carreira acabou não encontrando a resposta esperada do público. Em praticamente todos os shows, Jeff costuma transformar o refrão em um enorme coro coletivo, conduzindo a plateia no tradicional trecho: "If you need somebody... call out my name... I'll be waiting... right by your side..."

Desta vez, porém, a interação simplesmente não aconteceu. Ficou evidente que boa parte dos presentes não conhecia a música, fazendo com que Soto rapidamente desistisse da tentativa de dividir os vocais e seguisse normalmente com a apresentação.

Foi um daqueles momentos que evidenciam um desafio inerente a um festival como o Masters of Voices. Reunindo artistas de carreiras tão distintas, é natural que parte do público conheça profundamente alguns repertórios e tenha menos familiaridade com outros.

A viagem pela carreira do cantor prosseguiu com uma homenagem aos tempos em que dividiu os palcos com o virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. O medley formado por "I Am a Viking" e "I'll See the Light Tonight" trouxe novamente à tona toda a capacidade técnica da banda brasileira, que executou duas das composições mais exigentes do neoclássico com enorme competência.

Até aquele momento, tudo funcionava muito bem. A única escolha de repertório que, na minha opinião, não encontrou espaço dentro do contexto do show foi "Coming Home", do Sons of Apollo.

É importante deixar claro: trata-se de uma excelente música. O problema não está na qualidade da composição, mas sim na ocasião. Em um set relativamente curto, voltado principalmente para grandes clássicos e canções capazes de estabelecer conexão imediata com um público bastante heterogêneo, a faixa acabou esfriando um pouco o andamento da apresentação. Ficou evidente que poucas pessoas conheciam a música, e isso diminuiu consideravelmente a resposta da plateia.

Talvez esse espaço pudesse ter sido ocupado por outro clássico do Talisman, alguma faixa do próprio Journey ou até mesmo por uma música da fase com Yngwie Malmsteen. São escolhas que provavelmente teriam provocado um impacto maior no público presente.

O encerramento, por outro lado, recolocou a apresentação nos trilhos. Jeff fechou seu set com "Stand Up", música eternizada no filme Rock Star (2001). A faixa, atribuída à banda fictícia Steel Dragon e interpretada no longa pelo personagem Chris Cole, vivido por Mark Wahlberg, tornou-se um verdadeiro hino entre os fãs de hard rock desde o lançamento do filme. Era impossível escolher uma despedida mais apropriada.

Mais uma vez, Jeff Scott Soto demonstrou por que é considerado um dos vocalistas mais completos de sua geração. Sua voz permanece extremamente consistente, o carisma continua intacto e sua presença de palco faz parecer que ele está se divertindo tanto quanto o público.

Era a deixa perfeita para a entrada do último vocalista da noite. E, para os fãs brasileiros de metal melódico, talvez aquele fosse o momento mais aguardado do espetáculo.

Edu Falaschi estava prestes a assumir o comando do palco.


EDU FALASCHI

Depois de uma viagem pelo hard rock norte-americano e pelo heavy metal britânico, coube ao único representante brasileiro do evento encerrar a sequência individual de apresentações. E Edu Falaschi fez exatamente aquilo que a maioria dos presentes esperava.

Sempre extremamente comunicativo e bem-humorado, o vocalista entrou no palco saudando o público antes de abrir sua participação com "Acid Rain", primeiro grande sucesso de sua trajetória no Angra e também o cartão de visitas de sua estreia na banda após a difícil missão de substituir o saudoso André Matos.

Passados mais de vinte anos desde o lançamento de Rebirth (2001), impressiona como essas músicas continuam funcionando ao vivo. Não apenas pela qualidade das composições, mas pela identificação que uma geração inteira de fãs criou com esse repertório.

Na sequência vieram "Heroes of Sand", "Millennium Sun" e "Bleeding Heart", formando um verdadeiro desfile de clássicos daquele álbum que, para muitos fãs — entre os quais este que vos escreve —, representa o ponto mais alto da fase de Edu Falaschi no Angra. Entre todas elas, "Bleeding Heart" acabou proporcionando um momento curioso e bastante divertido.

No Brasil, a música ganhou uma vida completamente diferente quando foi regravada em ritmo de forró sob o título "Agora Estou Sofrendo", tornando-se um sucesso muito além do universo do heavy metal. Não foram poucos os presentes que, em tom de brincadeira, cantaram trechos da versão em português durante a execução da música, arrancando sorrisos do próprio Edu e mostrando o tamanho que sua composição alcançou ao longo dos anos.

Naturalmente, Temple of Shadows também não poderia ficar de fora. Representando aquele que é considerado por muitos um dos maiores álbuns da história do metal brasileiro, Edu escolheu "Waiting Silence", mais uma interpretação segura de uma música que permanece entre as favoritas dos fãs.

Um detalhe bastante interessante dessa apresentação era observar quem dividia o palco com Falaschi. No baixo estava Felipe Andreoli, músico que participou das gravações originais de todas essas canções nos álbuns Rebirth e Temple of Shadows. Na guitarra, Marcelo Barbosa, atual integrante do Angra, completava essa curiosa conexão entre passado e presente da banda.

Em tom de brincadeira, pode-se dizer que o "Angraverso" estava “ON” naquela noite.  O encerramento veio com chave de ouro através da emocionante "Rebirth".

Enquanto os últimos acordes ecoavam pelo Santo Rock Bar, a Argentina confirmava sua classificação sobre a Suíça e avançava para as semifinais da Copa do Mundo. Mais uma vez, futebol e rock dividiram espaço na mesma noite, mas naquele momento era difícil encontrar alguém prestando mais atenção às televisões do que ao palco.

Edu encerrou sua participação sob fortes aplausos, concluindo uma apresentação que reafirmou por que continua sendo uma das vozes mais respeitadas do heavy metal brasileiro.

O GRANDE ENCONTRO

Se a proposta do Masters of Voices era reunir quatro grandes cantores da história do rock em um mesmo palco, ainda faltava um último capítulo. E ele veio da melhor forma possível.

Com os quatro vocalistas reunidos diante do público, Eric Martin, Tim "Ripper" Owens, Jeff Scott Soto e Edu Falaschi dividiram os vocais em "Living After Midnight", clássico absoluto do Judas Priest. Mais do que uma simples jam de encerramento, aquele momento simbolizava exatamente o espírito da turnê.

Ver artistas que construíram carreiras tão diferentes compartilhando o mesmo palco, trocando sorrisos entre si e demonstrando um respeito mútuo evidente foi um privilégio para quem esteve presente. São encontros raros, daqueles que dificilmente se repetem com a mesma formação.

Foi, literalmente, uma conjunção de astros.

Texto: Anderson Bellini

Fotos: Roberto Sant'Anna

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music


Eric Martin – setlist:

Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

Take Cover

Wild World

Colorado Bulldog

To Be With You

Addicted to That Rush

Green-Tinted Sixties Mind


Tim "Ripper" Owens – setlist:

The Hellion

Electric Eye

Burn in Hell

Painkiller

Breaking the Law

Highway to Hell (AC/DC cover)

Heaven and Hell (Black Sabbath cover)


Jeff Scott Soto – setlist:

One Love

Separate Ways

I'll Be Waiting

I Am a Viking / I'll See the Light Tonight

Coming Home

Stand Up


Edu Falaschi – setlist:

Acid Rain

Heroes of Sand

Millennium Sun

Bleeding Heart

Waiting Silence

Rebirth


Todos

Living After Midnight (Judas Priest cover)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Noveria: Técnica A Serviço da Emoção (Also In English)

Scarlet Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Poucas bandas da cena progressiva europeia conseguem preservar uma identidade tão bem definida quanto o Noveria. Desde sua formação, os italianos vêm refinando uma proposta que combina a exuberância técnica do metal progressivo, a energia do power metal moderno e uma forte vocação cinematográfica, construindo uma sonoridade própria sem recorrer à simples reprodução de fórmulas consagradas. Em Becoming After, quinto álbum de estúdio da carreira, essa identidade alcança um novo estágio de maturidade, apresentando uma obra mais sombria, emocional e ambiciosa, na qual peso, melodia e sofisticação convivem em equilíbrio quase permanente. 

Respaldado por uma produção de alto nível, uma formação renovada e participações especiais de músicos renomados, o disco demonstra uma banda segura de sua linguagem musical e disposta a expandir seus horizontes criativos. O resultado é uma coleção de composições que privilegia a dinâmica, alternando momentos de extrema agressividade com passagens atmosféricas, sem jamais perder o foco na construção narrativa das músicas. Embora a complexidade estrutural exija atenção do ouvinte, a recompensa é um álbum rico em detalhes e capaz de revelar novas nuances a cada audição.

A abertura, The Only Way, estabelece imediatamente essa proposta. Uma introdução de inspiração oriental cria um clima de expectativa antes de a banda mergulhar em uma avalanche de riffs pesados, mudanças rítmicas constantes e linhas melódicas sinuosas. O refrão, sustentado por discretas camadas de vozes, amplia a dimensão épica da composição sem comprometer sua agressividade. Logo nos primeiros minutos, o Noveria deixa claro que não pretende oferecer um power metal convencional. As frequentes mudanças de andamento e as estruturas pouco previsíveis podem desafiar ouvintes menos familiarizados com o metal progressivo, mas revelam uma composição cuidadosamente arquitetada, cuja complexidade jamais soa gratuita.

O primeiro single, Convicted To Rise, preserva essa identidade enquanto adiciona uma abordagem mais direta. A introdução veloz remete ao power metal europeu, mas rapidamente cede espaço a versos cadenciados, impulsionados pelo intenso trabalho de bumbo duplo e por riffs que sustentam toda a arquitetura da música. As melodias vocais evitam soluções óbvias, dialogando constantemente com o instrumental em vez de simplesmente acompanhá-lo. O refrão surge como um dos primeiros grandes momentos do álbum, reunindo peso, melodia e forte apelo emocional. Mesmo cercadas por inúmeras camadas de teclados, são as guitarras que continuam conduzindo a narrativa musical, preservando a contundência característica do grupo.

Com Echoes From The Abyss, o álbum assume contornos ainda mais obscuros. Os arranjos sinfônicos, cuidadosamente integrados aos teclados, ampliam a atmosfera cinematográfica enquanto o lado progressivo da banda ganha protagonismo. O power metal permanece presente, mas atua muito mais como elemento de apoio, ressurgindo apenas durante um refrão vigoroso que rompe a tensão construída ao longo dos versos. A interpretação vocal acompanha essa mudança de atmosfera com uma abordagem mais contida e incisiva, utilizando os backing vocals apenas quando realmente contribuem para a construção emocional da faixa. Em diversos momentos, a influência de James LaBrie torna-se perceptível, não como simples imitação, mas como referência assimilada dentro da personalidade do vocalista.

A quarta faixa, Cold Flames, recoloca a intensidade no centro da experiência sonora. A participação do tecladista Mistheria (Bruce Dickinson, Vivaldi Metal Project) adiciona ainda mais virtuosismo a uma composição marcada por velocidade, elementos orientais e grande riqueza instrumental. A execução dos músicos impressiona pela precisão técnica, enquanto os backing vocals reforçam o caráter grandioso do refrão. É justamente nessa exuberância que aparece um dos poucos pontos discutíveis do álbum: em alguns trechos, a produção concentra tantas camadas instrumentais simultaneamente que a definição individual dos instrumentos acaba comprometida, criando uma parede sonora excessivamente densa. Ainda assim, a inclusão de vocais guturais quebra a linearidade do disco de maneira eficiente, acrescentando novas texturas sem descaracterizar a proposta do grupo. O solo de teclado de Mistheria dialoga com naturalidade com a guitarra, formando um dos momentos instrumentais mais inspirados desta primeira metade do trabalho.

A segunda metade de Becoming After inicia-se com The Viper's Nest, uma composição que altera sensivelmente o ritmo do álbum sem comprometer sua coesão estética. Uma introdução carregada de efeitos eletrônicos e texturas de teclado antecede a entrada de guitarras densas e um andamento significativamente mais cadenciado. Logo nos primeiros compassos, a banda surpreende ao inserir um solo de guitarra antes mesmo do desenvolvimento completo da música, recurso pouco convencional que reforça a atmosfera teatral da composição. O resultado é uma faixa de construção gradual, marcada por tensão constante e por um equilíbrio convincente entre peso e sofisticação. Os versos exploram harmonias mais sombrias e uma dinâmica menos explosiva, permitindo que os arranjos respirem antes da chegada de um refrão poderoso, no qual melodia e agressividade convivem de forma natural. As mudanças de andamento, típicas da linguagem progressiva do grupo, surgem sempre a serviço da narrativa musical, jamais como demonstrações gratuitas de virtuosismo. É uma das composições mais ousadas do disco e evidencia a maturidade alcançada pelo Noveria como compositor, privilegiando atmosferas e construção dramática em vez da simples exibição técnica.

Infinite Horizons devolve parte da velocidade característica do álbum através de uma elegante introdução eletrônica revestida por arranjos sinfônicos. A partir daí, guitarras e teclados dividem protagonismo em uma faixa que se aproxima mais do power metal tradicional, embora jamais abandone os elementos progressivos que definem a personalidade da banda. A estrutura é relativamente mais acessível, conduzida por um refrão amplo e memorável, capaz de oferecer um dos momentos mais imediatos de todo o trabalho. Mesmo mantendo frequentes mudanças rítmicas e passagens instrumentais elaboradas, a composição flui com naturalidade, demonstrando que o Noveria também domina a arte de escrever músicas diretas sem abrir mão da sofisticação. Ainda assim, reaparece um aspecto recorrente ao longo do álbum: em determinados trechos, a quantidade de camadas instrumentais torna a mixagem excessivamente compacta, reduzindo a definição entre guitarras, teclados e orquestrações. Felizmente, trata-se de uma questão pontual que pouco compromete a qualidade da composição, sustentada por excelentes melodias e um trabalho instrumental consistente.

O clima muda novamente com The Hero, certamente uma das peças mais elegantes e emocionalmente envolventes do álbum. A participação do lendário pianista e compositor Mike Moran (Freddie Mercury, Ozzy Osbourne) acrescenta um refinamento especial à composição, cujo piano assume papel central durante boa parte da execução. Diferentemente das faixas anteriores, aqui a banda opta por privilegiar a construção emocional antes da intensidade sonora, permitindo que voz, piano e discretas camadas de teclados conduzam a narrativa até que o restante da instrumentação seja incorporado de forma gradual. Essa escolha confere à música um caráter quase cinematográfico. O vocal interpreta a melodia com grande sensibilidade, sustentado por harmonias cuidadosamente elaboradas, enquanto os backing vocals ampliam o impacto emocional do refrão sem jamais soar excessivos. Quando guitarras, baixo e bateria finalmente assumem protagonismo, fazem-no com notável elegância, preservando a atmosfera contemplativa construída desde os primeiros compassos. É uma composição que demonstra outra faceta do Noveria: menos preocupada em impressionar pela velocidade ou pela técnica e muito mais interessada em desenvolver emoção através da dinâmica e da textura sonora. O resultado é uma das canções mais maduras e bem construídas de Becoming After.

O retorno à identidade mais tradicional da banda acontece com Heavenfall, que recoloca peso, velocidade e complexidade rítmica em primeiro plano. Desde os primeiros riffs, percebe-se a retomada da combinação entre power metal e metal progressivo que norteia todo o disco. Entretanto, a faixa reserva algumas surpresas ao conceder maior protagonismo à cozinha rítmica, permitindo que baixo e bateria conduzam determinadas passagens com criatividade incomum dentro do álbum, normalmente dominado pelas guitarras. O refrão volta a explorar os característicos coros que permeiam praticamente todo o trabalho, reforçando sua grandiosidade sem cair na previsibilidade. Embora não represente uma ruptura dentro da sequência do álbum, Heavenfall desempenha um papel importante ao reafirmar a consistência da identidade sonora construída pelo Noveria. Em vez de buscar inovação a qualquer custo, a banda prefere consolidar os elementos que fazem de Becoming After uma obra coesa, demonstrando plena confiança na linguagem musical que desenvolveu ao longo de sua carreira.

A reta final de Becoming After começa com Radiance, uma das faixas mais explosivas do disco. A introdução é direta e contundente, impulsionada por riffs agressivos e uma bateria que imprime velocidade desde os primeiros segundos. A aparente simplicidade inicial, entretanto, dura pouco. Como já se tornou marca registrada do Noveria, a composição rapidamente rompe qualquer previsibilidade ao alternar passagens de enorme intensidade com momentos mais contidos, nos quais apenas voz e teclados conduzem a narrativa antes do retorno da instrumentação completa. Essa dinâmica entre tensão e alívio funciona de maneira particularmente eficiente, mantendo a música em constante movimento e impedindo que sua longa duração se torne excessiva. Os backing vocals voltam a desempenhar papel fundamental na construção do refrão, conferindo imponência sem obscurecer a melodia principal. Ainda que a faixa não apresente grandes novidades em relação ao restante do álbum, ela sintetiza com competência praticamente todos os elementos que definem a identidade do Noveria: riffs pesados, estruturas progressivas, melodias marcantes e uma produção de forte caráter cinematográfico. Ao mesmo tempo, reforça uma pequena limitação perceptível ao longo do trabalho: a busca constante por densidade sonora faz com que algumas composições compartilhem uma paleta tímbrica muito semelhante, reduzindo ligeiramente a sensação de contraste entre elas.

A faixa-título, Becoming After, encerra o álbum com a grandiosidade que uma obra dessa natureza exige. Um delicado tema de violino abre caminho para arranjos sinfônicos cada vez mais elaborados, preparando o terreno para uma interpretação vocal carregada de dramaticidade e enriquecida por elementos operísticos. É uma introdução que imediatamente diferencia a composição de tudo o que veio antes, estabelecendo uma atmosfera quase cinematográfica antes mesmo da entrada das guitarras. À medida que a música evolui, a banda conduz o ouvinte por diferentes climas sem perder a unidade narrativa. Os coros alcançam aqui sua utilização mais impactante de todo o disco, ampliando a sensação épica sem resvalar na pompa excessiva. A combinação entre orquestrações, riffs pesados e melodias cuidadosamente construídas transforma a faixa em um verdadeiro resumo da proposta artística apresentada ao longo de todo o álbum. Em vez de apostar em um encerramento explosivo, o Noveria prefere concluir sua jornada enfatizando emoção, dramaticidade e sofisticação, oferecendo um desfecho que recompensa a atenção dedicada ao disco desde seus primeiros minutos.

Becoming After representa um passo importante na evolução artística do Noveria. Sem abandonar as bases que definiram sua identidade ao longo dos trabalhos anteriores, a banda amplia significativamente seu vocabulário musical ao explorar atmosferas mais densas, estruturas mais elaboradas e uma abordagem emocional muito mais evidente. O equilíbrio entre metal progressivo, power metal, música sinfônica e elementos cinematográficos resulta em um álbum ambicioso, tecnicamente impressionante e, na maior parte do tempo, plenamente bem-sucedido.

Nem tudo, entretanto, funciona com a mesma eficiência. Em determinados momentos, a produção privilegia tanto o impacto das inúmeras camadas instrumentais que sacrifica parte da definição da mixagem, criando uma parede sonora que dificulta distinguir alguns detalhes das excelentes performances individuais. Da mesma forma, a forte coesão estética do álbum, embora seja uma de suas maiores virtudes, também reduz parcialmente a sensação de variedade entre determinadas faixas, exigindo maior dedicação do ouvinte para perceber as sutilezas presentes nos arranjos.

Ainda assim, esses aspectos jamais comprometem a qualidade do conjunto. O maior mérito de Becoming After reside justamente na consistência com que o Noveria executa sua proposta artística. Em vez de buscar protagonismo através de demonstrações gratuitas de virtuosismo, a banda coloca sua extraordinária capacidade técnica a serviço da composição, fazendo com que cada músico contribua para um resultado coletivo muito superior à soma de suas partes. Não há espaço para exibicionismos individuais: o verdadeiro destaque é o impressionante entrosamento entre os integrantes e a clareza com que todos trabalham em favor da narrativa musical.

Longe de agradar exclusivamente aos apreciadores do power metal tradicional, Becoming After é um álbum pensado para ouvintes que valorizam composições complexas, arranjos sofisticados e uma abordagem progressiva que privilegia atmosfera tanto quanto técnica. Exigente, denso e repleto de detalhes, o quinto trabalho do Noveria reafirma a banda entre os nomes mais interessantes da atual cena europeia do metal progressivo, consolidando uma identidade artística cada vez mais sólida e apontando para um futuro extremamente promissor.


***ENGLISH VERSION***

Few bands in today’s progressive metal landscape display such a clear sense of identity as Italy’s Noveria. Throughout their career, the band has steadily refined a sound that merges the technical sophistication of progressive metal with the melodic drive of power metal and the cinematic grandeur of modern symphonic arrangements. On Becoming After, their fifth studio album, that formula reaches its most mature and ambitious expression yet, resulting in a darker, emotionally richer record where crushing heaviness, intricate musicianship and memorable melodies coexist with remarkable confidence.

Backed by pristine production, a renewed line-up and an impressive list of guest musicians, Becoming After finds Noveria pushing beyond familiar territory without sacrificing the distinctive sound they have spent years cultivating. Rather than relying on technical fireworks for their own sake, the band channels its considerable instrumental ability into compositions that constantly evolve, balancing aggression, atmosphere and emotional depth. While the album's complexity demands the listener's full attention, its carefully layered arrangements reveal new details with every spin.

Opening track The Only Way immediately establishes the album's identity. An evocative Middle Eastern-inspired introduction gradually gives way to thunderous riffs, intricate rhythmic shifts and soaring melodic lines, effortlessly blending progressive complexity with power metal intensity. The chorus, reinforced by carefully layered vocal harmonies, delivers the first truly anthemic moment of the record without diluting its aggressive edge.

From the outset, Noveria make it clear that Becoming After is far removed from traditional European power metal. Frequent tempo changes, unconventional song structures and constantly evolving arrangements may challenge listeners expecting straightforward hooks, yet every twist feels purposeful. Rather than showcasing technical ability for its own sake, the band uses complexity as a compositional tool, allowing each section to flow naturally into the next while maintaining a strong emotional narrative.

First single Convicted To Rise continues along that path while offering one of the album's more immediate moments. A blistering opening recalls classic European power metal before settling into tightly controlled, groove-oriented verses driven by relentless double bass drumming and muscular guitar work. The vocal melodies refuse to follow predictable patterns, weaving through the instrumental landscape with confidence and sophistication. When the chorus finally arrives, it delivers exactly the kind of cinematic payoff the previous sections have been building towards. Massive vocal arrangements elevate the melody while the guitars remain firmly at the centre of the mix, preventing the keyboards from overwhelming the song despite their prominent presence. It's a perfect example of how Noveria manage to combine technical ambition with genuine songwriting instincts.

With Echoes From The Abyss, the album embraces an even darker atmosphere. Symphonic textures become increasingly prominent, expanding the cinematic scope while the progressive side of the band's identity takes centre stage. Here, power metal elements retreat into the background, resurfacing primarily during a powerful chorus that provides a satisfying release after the restrained tension of the verses. The vocal performance mirrors the composition's mood perfectly. Instead of relying on constant harmonies, the lead vocals adopt a more forceful, controlled delivery, with backing vocals used sparingly to maximise emotional impact. Throughout the song, echoes of James LaBrie's phrasing occasionally emerge, not as imitation but as a natural influence absorbed into the singer's own expressive style.

Cold Flames injects fresh momentum into the record while introducing one of its most exciting collaborations. Featuring acclaimed keyboard virtuoso Mistheria (Bruce Dickinson, Vivaldi Metal Project), the song revisits the Middle Eastern flavours heard earlier while pushing the band's technical prowess to its limits. Every musician performs at an exceptionally high level, yet the composition never loses sight of melody or structure. The chorus benefits from rich vocal harmonies that further reinforce the album's cinematic character, while Mistheria's dazzling keyboard solo intertwines seamlessly with the guitar lead, creating one of the record's finest instrumental exchanges. The addition of harsh vocals also provides a welcome change of texture, preventing the album from becoming too stylistically uniform. If there is one recurring criticism at this stage, it lies within the production itself. On occasion, the sheer number of simultaneous instrumental layers results in an exceptionally dense wall of sound, slightly reducing the separation between guitars, keyboards and orchestral arrangements. It is a minor issue rather than a major flaw, but one that occasionally prevents the outstanding musicianship from being appreciated in full detail.

The album's second half begins with The Viper's Nest, a track that deliberately shifts the record's momentum without disrupting its overall cohesion. Layers of atmospheric keyboards and electronic textures create an ominous introduction before dense guitar riffs emerge, leading the listener into one of the album's slowest and heaviest compositions. In a refreshing twist, Noveria introduces an expressive guitar solo almost immediately, subverting conventional song structures and reinforcing the track's theatrical character. Built around gradual development rather than instant impact, The Viper's Nest thrives on tension. The verses unfold with calculated restraint, allowing the arrangement to breathe before exploding into a chorus that perfectly balances melodic accessibility with crushing heaviness. Throughout the song, tempo changes and progressive twists never feel self-indulgent; instead, they serve the composition's dramatic arc, demonstrating a band more interested in storytelling than technical exhibitionism. It's also one of the clearest examples of Noveria's artistic maturity. Rather than overwhelming the listener with constant displays of virtuosity, the band carefully controls dynamics, creating an atmosphere where every instrumental flourish has genuine purpose. The result is one of the album's most sophisticated and rewarding compositions.

Infinite Horizons restores much of the album's forward momentum through an elegant combination of symphonic textures, electronic ambience and explosive guitar work. Its cinematic introduction quickly gives way to one of the record's most accessible songs, where power metal takes a more prominent role without ever abandoning the progressive framework that defines Noveria's identity. Although rhythm changes and intricate instrumental passages remain integral to the arrangement, the song is driven by an immediately memorable chorus that ranks among the strongest on the album. The balance between technical complexity and melodic clarity is particularly effective here, proving that the band can write direct, emotionally engaging material without compromising its musical ambitions. One familiar issue does resurface during some of the busier instrumental passages. The dense layering of guitars, keyboards and orchestral arrangements occasionally compresses the overall soundstage, making individual performances slightly less distinct than they deserve. Fortunately, these moments are relatively brief and do little to diminish the strength of an otherwise outstanding composition.

The atmosphere changes dramatically with The Hero, arguably the album's emotional centrepiece. Featuring legendary pianist and composer Mike Moran (Freddie Mercury, Ozzy Osbourne), the song reveals a more restrained and introspective side of Noveria's songwriting. Rather than relying on speed or technical fireworks, the band allows emotion to dictate the pace, building the arrangement gradually around Moran's elegant piano performance. The opening passages are remarkably understated, with voice, piano and subtle keyboard textures carrying much of the emotional weight before the remaining instruments slowly enter the mix. This careful sense of progression gives the song an almost cinematic quality, allowing each new instrumental layer to enhance rather than overwhelm the composition. The vocal performance is particularly impressive, delivering one of the album's most heartfelt interpretations. Rich backing harmonies elevate the chorus without sacrificing intimacy, while beautifully textured rhythm guitars add warmth and depth to the arrangement. When the full band finally joins in, the transition feels completely organic, transforming what begins as a reflective ballad into a powerful progressive metal anthem without losing its emotional core. Far from being a simple power ballad, The Hero showcases another dimension of Noveria's songwriting—one built upon atmosphere, patience and emotional resonance rather than sheer instrumental intensity. It stands comfortably among the album's finest moments.

Heavenfall marks a return to the band's signature blend of aggressive power metal and sophisticated progressive arrangements. From the opening riffs, the pace accelerates once again as intricate rhythmic shifts and razor-sharp guitar work restore the album's heavier edge. Yet despite its intensity, the song introduces subtle variations that prevent the formula from becoming repetitive. Most notably, the rhythm section enjoys greater prominence than on many of the previous tracks. Bass and drums are allowed to drive several passages with remarkable creativity, demonstrating that Noveria's considerable musicianship extends well beyond its impressive guitar and keyboard interplay. The chorus once again embraces the layered vocal harmonies that have become one of the album's defining characteristics, delivering another memorable melodic hook while preserving the band's trademark cinematic scale. Although Heavenfall doesn't radically expand the musical vocabulary established earlier in the record, it reinforces the remarkable consistency of Becoming After, proving that Noveria's greatest strength lies not in constant reinvention, but in the confidence with which they execute their own artistic vision.

The album's final stretch opens with Radiance, one of Becoming After's most immediate and hard-hitting compositions. Explosive guitar riffs and relentless drumming establish an aggressive tone from the very first seconds, but, true to Noveria compositional philosophy, the apparent straightforwardness quickly gives way to a far more dynamic musical journey. The band masterfully alternates between crushing, full-band assaults and sparse, atmospheric passages led only by vocals and keyboards, creating an engaging ebb and flow that keeps the listener invested throughout the song. This constant interplay between tension and release prevents the arrangement from becoming predictable while highlighting the group's impressive command of dynamics. The chorus once again delivers the cinematic grandeur that has become one of the album's defining characteristics. Rich vocal harmonies expand the emotional scope without overshadowing the lead melody, resulting in one of the record's strongest hooks. Although Radiance introduces few entirely new ideas, it effectively encapsulates everything that defines Becoming After—technical precision, progressive sophistication, memorable melodies and an unwavering commitment to atmosphere. At the same time, it also reinforces one of the album's few recurring weaknesses. Noveria's pursuit of a consistently massive sonic landscape occasionally works against the music itself, as the dense production leaves little room for contrast between some of the individual tracks. While each composition possesses its own identity, the overall tonal palette can feel somewhat uniform across the album's running time.

The title track, Becoming After, provides a fittingly majestic conclusion. A delicate violin melody introduces the composition before gradually unfolding into sweeping orchestral arrangements and an inspired vocal performance enriched by operatic textures. From its opening moments, the song immediately distinguishes itself from everything that has preceded it, establishing a sense of grandeur that perfectly suits the album's closing chapter. As the arrangement develops, Noveria effortlessly guides the listener through multiple emotional landscapes without sacrificing cohesion. The orchestration is particularly impressive, never functioning as mere decoration but instead becoming an integral part of the composition's dramatic architecture. Layered choirs reach their emotional peak here, enhancing the cinematic atmosphere while avoiding unnecessary excess or bombast.

Rather than ending the album with sheer speed or technical spectacle, the band chooses a far more rewarding approach. Becoming After closes on a note of emotional resonance, allowing melody, atmosphere and storytelling to take precedence over instrumental fireworks. It is a mature and remarkably satisfying finale that encapsulates the artistic vision behind the entire record. With Becoming After, Noveria deliver what is arguably the most complete statement of their career to date. Without abandoning the musical identity established across previous releases, the Italian quintet expands its creative vocabulary through darker atmospheres, richer orchestration and compositions that place emotional impact on equal footing with technical excellence. The fusion of progressive metal, modern power metal and cinematic symphonic elements feels entirely organic, resulting in an album that is both intellectually engaging and emotionally rewarding.

The record is not entirely without flaws. At times, the production favours sheer density over transparency, allowing its many instrumental layers to merge into an imposing but occasionally overcompressed wall of sound. Likewise, the album's remarkable stylistic consistency—one of its greatest strengths—can also become a double-edged sword, as the limited tonal variation between certain tracks slightly reduces their individual impact during a single uninterrupted listen. These minor reservations, however, do little to diminish the overall achievement. What truly elevates Becoming After is Noveria's unwavering commitment to serving the songs rather than showcasing individual virtuosity. Every musician performs at an exceptionally high level, yet technical brilliance is never presented as an end in itself. Instead, each performance contributes to a collective musical vision that consistently prioritises composition, atmosphere and emotional storytelling.

This is not an album designed for listeners seeking conventional European power metal or instantly digestible anthems. Becoming After demands patience, concentration and repeated listening, rewarding those willing to immerse themselves in its intricate arrangements and carefully crafted emotional landscapes. Challenging without becoming inaccessible, ambitious without descending into self-indulgence, it firmly establishes Noveria among the most compelling contemporary acts in progressive metal.

Michela Polito

Paul Laine: Talento Acima da Nostalgia (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Poucos vocalistas conseguiram atravessar as diferentes fases do hard rock melódico mantendo a credibilidade artística de Paul Laine. Conhecido tanto por sua passagem pelo Danger Danger quanto pelo trabalho desenvolvido nas últimas décadas como compositor, produtor e integrante do The Defiants, o canadense retorna à carreira solo com The Long Road Back, um álbum que reafirma sua identidade sem recorrer ao artifício mais comum entre artistas veteranos: viver exclusivamente da nostalgia.

O título do disco é apropriado. Trata-se de um retorno às origens, mas não de um retrocesso. Paul Laine revisita a linguagem que ajudou a definir sua carreira, incorporando a experiência acumulada ao longo dos anos para entregar um trabalho que soa familiar sem parecer ultrapassado. O resultado é um álbum que respeita as convenções do melodic rock, mas encontra espaço para dialogar com uma produção contemporânea, equilibrando guitarras encorpadas, teclados discretos e uma sonoridade limpa que privilegia as canções.

Desde a abertura com "Love Me Or Leave Me", fica evidente que a prioridade nunca é o virtuosismo gratuito. Os riffs são diretos, os refrãos surgem com naturalidade e cada arranjo existe para fortalecer a composição. Ao longo do repertório, músicas como "Come Back To Me", "Save Me Saturday Night" e "The Ones That Got Away" reafirmam a habilidade de Laine para construir melodias que permanecem na memória muito depois do término da audição, característica cada vez mais rara em um gênero que, muitas vezes, privilegia a técnica em detrimento da composição.

O álbum também demonstra inteligência ao variar sua dinâmica. As baladas "Someday", composta em parceria com Andrew Oye, "Heaven And Earth Collide" e a emocionante "Now That You Don't Love Me Anymore" evitam o sentimentalismo excessivo e funcionam como momentos de respiro dentro de um repertório predominantemente energético. São interpretações sustentadas menos pelo impacto instrumental e mais pela capacidade de Paul Laine de transmitir emoção com naturalidade, qualidade que continua sendo seu maior diferencial.

Entre os momentos mais interessantes está "Her Name Is Trouble", talvez a faixa que melhor sintetize a proposta do disco. A música introduz elementos modernos na produção, explora texturas diferentes nas guitarras e nos vocais e adiciona uma dose de groove pouco comum ao restante do repertório. Ainda assim, jamais rompe com a identidade do álbum, demonstrando que é possível atualizar a linguagem do hard rock sem descaracterizá-la.

Outro aspecto digno de destaque é a qualidade da banda de apoio. Andrew Oye mostra maturidade ao evitar protagonismo desnecessário, entregando solos elegantes e riffs sempre a serviço das músicas. Bruno Ravel e Scotty "Hooch" Taylor formam uma base sólida, precisa e discreta, sustentando as composições sem competir pelo centro das atenções. Essa abordagem coletiva faz com que o álbum soe coeso do início ao fim, característica que nem sempre está presente em lançamentos contemporâneos do gênero.

Se há um ponto passível de discussão, é justamente a ausência de maiores riscos criativos. The Long Road Back raramente se afasta da zona de conforto do melodic rock tradicional. Quem espera mudanças radicais ou experimentações provavelmente encontrará um álbum excessivamente seguro. Entretanto, essa aparente limitação transforma-se, em grande medida, em uma virtude. Em vez de tentar reinventar um estilo cuja essência reside justamente na força das melodias, Paul Laine aposta na excelência da composição, na elegância dos arranjos e na consistência da execução.

Mais do que buscar inovação a qualquer custo, The Long Road Back demonstra que o melodic rock continua relevante quando interpretado por artistas que compreendem profundamente sua linguagem. Paul Laine não tenta competir com tendências passageiras nem revisitar o passado de forma oportunista. Ele simplesmente entrega um conjunto de canções extremamente bem escritas, interpretadas com personalidade e produzidas com refinamento.

Em um mercado cada vez mais dominado por lançamentos descartáveis, The Long Road Back destaca-se justamente por sua capacidade de resistir ao tempo. É um disco que cresce a cada audição, revelando detalhes nos arranjos, nas harmonias vocais e na construção melódica. Sem alarde, Paul Laine reafirma por que continua sendo uma das vozes mais elegantes e confiáveis do hard rock melódico contemporâneo, entregando um dos trabalhos mais sólidos de sua carreira solo e um forte candidato a figurar entre os melhores lançamentos do gênero em 2026.


***ENLGISH VERSION***

Few vocalists have navigated the ever-changing landscape of melodic hard rock with the artistic credibility and consistency of Paul Laine. Best known for his tenure with Danger Danger, as well as his acclaimed work as a songwriter, producer, and frontman of The Defiants, the Canadian singer returns to his solo career with The Long Road Back—an album that reaffirms his musical identity without relying on the easy comfort of nostalgia.

The title couldn't be more fitting. Rather than looking backward, Laine revisits the foundations of his career through the lens of experience, delivering a record that feels unmistakably classic while remaining refreshingly relevant. Rooted in the golden era of melodic rock, The Long Road Back successfully blends timeless songwriting with modern production values, striking an elegant balance between soaring melodies, muscular guitar work, tasteful keyboards, and immaculate studio craftsmanship.

From the opening moments of "Love Me Or Leave Me", it becomes clear that this is an album driven by songs rather than technical exhibitionism. The riffs are immediate, the hooks arrive effortlessly, and every arrangement serves the composition rather than competing for attention. Tracks such as "Come Back To Me", "Save Me Saturday Night", and "The Ones That Got Away" showcase Laine's enduring gift for writing memorable choruses—an increasingly rare quality in a genre where technical proficiency too often overshadows genuine songwriting.

One of the album's greatest strengths lies in its pacing. Ballads such as "Someday", co-written with Andrew Oye, alongside "Heaven And Earth Collide" and the emotionally charged closing track "Now That You Don't Love Me Anymore", provide welcome breathing space without ever disrupting the record's momentum. Rather than descending into predictable power-ballad clichés, these songs succeed through restraint, allowing Laine's expressive vocal performance to take centre stage. Decades into his career, his voice retains not only remarkable power but also a warmth and emotional nuance that few of his contemporaries can still command.

Among the album's most compelling moments is "Her Name Is Trouble", arguably the record's boldest statement. Modern production textures, heavier guitar tones and subtle electronic flourishes inject fresh energy into the album while never compromising its melodic DNA. It stands as proof that contemporary influences can enhance classic hard rock rather than dilute it when handled with this level of confidence and taste.

The supporting musicians deserve equal recognition. Guitarist Andrew Oye delivers tasteful solos and muscular riffs without ever slipping into unnecessary excess, while bassist Bruno Ravel and drummer Scotty "Hooch" Taylor provide an exceptionally tight rhythmic foundation that anchors every song. Their collective approach reinforces one of the album's defining qualities: cohesion. Nothing feels forced, overproduced or self-indulgent; every musical decision serves the songs.

If The Long Road Back has one arguable weakness, it is its reluctance to push beyond the established boundaries of melodic rock. Listeners expecting radical experimentation or stylistic reinvention may find the album deliberately conservative. Yet that apparent limitation ultimately becomes one of its greatest virtues. Rather than chasing contemporary trends or attempting to reinvent a genre that has always thrived on exceptional songwriting, Paul Laine focuses on perfecting the elements that made melodic rock so enduring in the first place.

In an era increasingly dominated by disposable releases and short-lived musical trends, The Long Road Back distinguishes itself through craftsmanship, authenticity and remarkable consistency. It is an album that reveals new details with every listen, rewarding careful attention through layered vocal harmonies, refined arrangements and effortlessly memorable melodies.

More than simply marking a return to his solo career, The Long Road Back reaffirms Paul Laine's standing as one of melodic hard rock's most dependable and accomplished voices. Without chasing nostalgia or modern trends, he delivers a collection of songs that feels both timeless and vital—arguably one of the strongest melodic rock releases of 2026 and a compelling reminder that great songwriting will always outlast fashion.

Dee Oliver

Gary John Barden: Ainda Há Muito a Dizer (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

Poucos vocalistas conseguem atravessar mais de quatro décadas de carreira mantendo a identidade artística intacta. Gary John Barden é um deles. Eternizado como a voz dos álbuns clássicos do Michael Schenker Group, o cantor britânico construiu uma trajetória marcada pela elegância interpretativa e por um timbre que sempre privilegiou melodia e emoção em detrimento do exibicionismo. Em Empowered Emotions, Barden reafirma exatamente essas qualidades ao lado do produtor, compositor e multi-instrumentista Michael Voss, entregando um trabalho que celebra o hard rock melódico europeu sem soar preso ao passado.

O álbum reúne um verdadeiro elenco de luxo. Don Airey, Michael Schenker, Tommy Denander, Brian Tichy, Barry Sparks e Alen Brentini surgem como convidados especiais, mas sem jamais desviar o foco do protagonista. Cada participação serve à música, enriquecendo arranjos cuidadosamente construídos por Voss, cuja produção combina sonoridade moderna, timbres orgânicos e uma dinâmica que privilegia as canções acima do virtuosismo. O resultado é um disco elegante, coeso e repleto de personalidade, que encontra o equilíbrio entre tradição e contemporaneidade.

A breve Barden's Overture funciona como uma introdução cinematográfica, preparando o terreno para Maasai Enkai, primeira composição completa do álbum. A utilização de percussões de inspiração africana confere identidade imediata à faixa antes mesmo da entrada das guitarras, criando um contraste interessante entre elementos étnicos e o hard rock clássico que domina sua estrutura. Tommy Denander entrega um solo técnico sem cair na tentação do excesso, enquanto Barry Sparks imprime enorme peso ao baixo, sustentando uma base sólida e pulsante. À medida que a composição evolui, novos elementos são adicionados com naturalidade, aumentando gradualmente a tensão até alcançar um desfecho convincente. É uma abertura forte, sofisticada e capaz de prender a atenção desde os primeiros minutos.

Na sequência, Hit The Ground Running aposta em uma abordagem mais direta. O groove construído pelo baixo de Michael Voss e pela bateria precisa de Gereon Homann conduz a música com eficiência, enquanto Barden encontra espaço para explorar linhas vocais extremamente confortáveis ao seu registro. A produção evita exageros, permitindo que cada instrumento respire dentro da mixagem. A simplicidade estrutural acaba se tornando justamente uma de suas maiores virtudes: sem recorrer a grandes surpresas, a faixa conquista pela competência dos arranjos e pela naturalidade com que desenvolve seu refrão.

A faixa-título, Empowered Emotions, representa um dos pontos centrais do álbum. A participação de Don Airey acrescenta um brilho especial graças ao inconfundível Hammond que permeia toda a composição, estabelecendo um diálogo constante com as guitarras. A atmosfera remete ao hard rock melódico dos anos 1980, mas a produção contemporânea impede qualquer sensação de saudosismo excessivo. O refrão surge de maneira orgânica, sustentado por uma melodia elegante e extremamente acessível, enquanto o solo de teclado conduz com naturalidade a entrada da guitarra solo, criando uma transição exemplar. É uma composição que sintetiza perfeitamente a proposta do disco: tradição, bom gosto e execução impecável.

Burning Wind eleva novamente a intensidade. Mais veloz e agressiva, apresenta Michael Voss e Gereon Homann formando uma base rítmica extremamente consistente, permitindo que Gary John Barden conduza a música com absoluta segurança. As mudanças de dinâmica ao longo da composição evitam qualquer sensação de monotonia e tornam o refrão ainda mais impactante. O solo de guitarra surge exatamente quando a narrativa pede maior tensão, encaixando-se de forma orgânica na estrutura da música. A inclusão de discretas camadas de metais sintetizados amplia a densidade dos arranjos sem comprometer a sonoridade orgânica da produção, demonstrando o cuidado de Michael Voss em enriquecer cada detalhe da mixagem.

No conjunto, essas primeiras faixas deixam clara a principal característica de Empowered Emotions: trata-se de um álbum que não busca reinventar o hard rock melódico, mas sim aperfeiçoar sua fórmula por meio de composições sólidas, interpretações maduras e uma produção extremamente refinada. Em vez de apostar apenas na nostalgia, Gary John Barden demonstra que ainda possui repertório, voz e sensibilidade suficientes para produzir um trabalho relevante dentro do cenário atual do gênero.

Um dos momentos mais aguardados de Empowered Emotions é Dark Water, não apenas pela qualidade da composição, mas pela reunião entre Gary John Barden e Michael Schenker, uma parceria que ajudou a definir parte da história do hard rock europeu. Felizmente, a expectativa é plenamente correspondida. Schenker evita qualquer demonstração gratuita de virtuosismo e entrega exatamente aquilo que sempre o distinguiu: frases melódicas, timbres impecáveis e um senso de construção que transforma cada nota em extensão da própria canção. A música adota um andamento cadenciado que valoriza sua atmosfera introspectiva. O riff principal transmite peso sem abrir mão da elegância, enquanto os teclados acrescentam profundidade ao arranjo sem competir com as guitarras. Gary interpreta os versos com notável controle emocional, explorando nuances que evidenciam sua maturidade vocal. O refrão, embora simples em sua estrutura, revela-se extremamente eficiente justamente por privilegiar a força da interpretação em vez de buscar efeitos grandiosos. O solo de Schenker surge como o ápice natural da composição: melódico, expressivo e carregado de personalidade. É uma faixa que sintetiza perfeitamente a química entre dois músicos cuja história permanece indissociável do hard rock melódico.

Se Dark Water aposta na emoção contida, Ride Horsemen Ride amplia imediatamente a escala da narrativa. A abertura com coros de inspiração gregoriana seguida por uma explosão instrumental cria um clima cinematográfico que remete ao heavy rock clássico sem perder identidade própria. Logo depois, a música assume uma pulsação vigorosa conduzida por um excelente trabalho da cozinha rítmica, enquanto Alen Brentini entrega guitarras cheias de energia e precisão. O refrão possui forte apelo melódico, sustentado por backing vocals cuidadosamente distribuídos ao redor da voz principal, sem jamais ofuscar a interpretação de Barden. Outro ponto digno de destaque é o uso criterioso de efeitos vocais, empregados apenas para ampliar a atmosfera épica da composição. O encerramento com arranjos sinfônicos de teclado acrescenta imponência à faixa e demonstra novamente a preocupação de Michael Voss em construir músicas que evoluem continuamente, evitando estruturas previsíveis.

Em seguida surge This Phoenix's Gonna Burn Ya, talvez uma das composições mais acessíveis do disco. A influência de nomes como Bad Company aparece de maneira bastante evidente, principalmente na construção do groove e na abordagem mais bluesy das guitarras. Ainda assim, a música preserva a identidade melódica característica de Barden, transitando naturalmente entre o hard rock clássico e o AOR. A melodia vocal é extremamente cativante, conduzindo versos e refrão com espontaneidade. O trio formado por Gary John Barden, Michael Voss e Gereon Homann demonstra absoluta sintonia, oferecendo uma base sólida sobre a qual guitarras e teclados podem trabalhar sem excessos. O solo surge no momento exato, valorizado pelo excelente suporte da seção rítmica, enquanto a produção mantém todos os elementos perfeitamente equilibrados na mixagem. Não é uma faixa que busca surpreender, mas sim reafirmar a capacidade do álbum em construir canções consistentes e memoráveis.

Após essa sequência intensa, Let The Children Play funciona como um delicado momento de respiro. Muito mais do que um simples interlúdio, trata-se de uma composição elegante que demonstra sensibilidade na construção de atmosferas. Violão, baixo e teclados estabelecem uma ambientação quase acústica antes que um belo solo de guitarra conduza naturalmente a entrada de Gary John Barden, que praticamente resume toda a mensagem da música em uma única frase. É justamente essa economia de elementos que faz da faixa um dos momentos mais sofisticados do álbum. Em vez de recorrer à grandiosidade, aposta na delicadeza dos arranjos e na força da interpretação, funcionando como uma ponte emocional para a reta final do disco.

A mudança de clima acontece com The Ruling Class, que introduz uma atmosfera muito mais sombria. A construção inicial privilegia baixo e bateria, estabelecendo uma tensão crescente antes da entrada das guitarras. O andamento permanece contido durante boa parte da música, reforçando seu caráter quase teatral. Gary explora uma interpretação bastante diferente da apresentada nas faixas anteriores, alternando momentos praticamente declamados com passagens mais melódicas, recurso que amplia significativamente a carga dramática da composição. Os teclados trabalham de maneira discreta, mas decisiva, preenchendo os espaços sem comprometer o peso das guitarras. Até mesmo os efeitos de aplausos inseridos no refrão contribuem para aumentar a sensação de espetáculo, conferindo personalidade própria à música. O solo de guitarra, novamente muito bem posicionado dentro da estrutura, evita o protagonismo exagerado e atua como continuação natural da narrativa construída ao longo da faixa. É justamente essa disposição em experimentar pequenas variações dentro da fórmula tradicional do hard rock que impede Empowered Emotions de se tornar repetitivo, mostrando que, mesmo sem reinventar o gênero, Gary John Barden ainda consegue encontrar caminhos para manter o interesse do ouvinte ao longo de toda a audição.

A reta final do álbum reserva outro momento de destaque com Walk Away, faixa que apresenta a participação especial do baterista Brian Tichy. A introdução, construída apenas com violão, cria uma atmosfera intimista antes da entrada gradual dos demais instrumentos. A evolução dos arranjos é conduzida com extrema naturalidade, permitindo que a música cresça em intensidade sem recorrer a mudanças bruscas ou artificiais. Classificada como uma autêntica power ballad, Walk Away demonstra que Gary John Barden continua sendo um intérprete excepcional quando o foco está na emoção. Sua voz mantém o equilíbrio entre potência e sensibilidade, conduzindo um refrão amplo e memorável que representa um dos momentos mais inspirados do disco. Brian Tichy imprime firmeza à bateria sem exagerar na técnica, enquanto Michael Voss sustenta toda a estrutura com linhas de baixo sólidas e discretas, permitindo que guitarras e vocais ocupem o protagonismo. Os backing vocals, cuidadosamente distribuídos ao longo da música, ampliam a grandiosidade do refrão sem comprometer sua clareza. As dobras vocais enriquecem ainda mais a interpretação, evidenciando o cuidado da produção em cada detalhe. É uma composição que sintetiza com perfeição a proposta do álbum: melodias fortes, arranjos sofisticados e uma execução coletiva que privilegia a música acima do virtuosismo individual.

O encerramento fica por conta de We'll Meet Again, uma delicada despedida de pouco menos de dois minutos que funciona como um epílogo para toda a jornada proposta pelo álbum. A instrumentação minimalista, construída sobre ukulele, discretas camadas de teclados e harmonias vocais, cria um clima intimista e contemplativo que contrasta com a intensidade predominante do restante do repertório .Mais do que uma simples faixa de encerramento, a composição transmite uma sensação de despedida temporária, quase como uma promessa de reencontro entre artista e público. Gary John Barden conduz a interpretação com enorme naturalidade, demonstrando que, mesmo apoiado por uma instrumentação extremamente enxuta, continua capaz de transmitir emoção apenas através de sua voz. O delicado solo de violão acrescenta o toque final a uma conclusão elegante, encerrando o álbum com sensibilidade e bom gosto.

Ao longo de pouco mais de cinquenta minutos, Empowered Emotions confirma aquilo que muitos já esperavam, mas poucos discos conseguem efetivamente entregar: maturidade artística. Gary John Barden não tenta revisitar os anos dourados do Michael Schenker Group nem competir com as tendências atuais do hard rock. Em vez disso, aposta na experiência adquirida ao longo de décadas para construir um trabalho honesto, sofisticado e musicalmente consistente. Grande parte desse sucesso passa pelo trabalho de Michael Voss. Além de assumir baixo, guitarras, teclados e parte das composições, o produtor demonstra absoluto domínio sobre a dinâmica do álbum. A produção privilegia clareza, equilíbrio e riqueza de detalhes, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço sem sacrificar o impacto coletivo. As participações especiais de Don Airey, Michael Schenker, Tommy Denander, Barry Sparks, Alen Brentini e Brian Tichy enriquecem ainda mais o repertório, mas nunca soam como meras estratégias promocionais. Cada convidado contribui de forma orgânica para a identidade das canções, reforçando a coesão do projeto.

Outro aspecto que merece destaque é a variedade de atmosferas exploradas ao longo do disco. Embora permaneça firmemente ancorado no hard rock melódico, Empowered Emotions transita com naturalidade por elementos de AOR, rock clássico, blues rock e passagens de caráter quase cinematográfico, oferecendo uma experiência dinâmica sem perder sua unidade estética. Essa diversidade impede que a audição se torne previsível e evidencia o cuidado empregado na construção do repertório. Se existe uma pequena ressalva, ela reside justamente na opção por permanecer dentro de uma zona de conforto estilística. Em alguns momentos, principalmente na segunda metade do álbum, determinadas estruturas e soluções melódicas remetem de forma bastante evidente aos grandes clássicos do gênero, reduzindo parcialmente o fator surpresa. Ainda assim, trata-se de uma escolha consciente. Barden não busca reinventar o hard rock; seu objetivo é entregar canções bem escritas, interpretações convincentes e um álbum que dialogue diretamente com o público que acompanha sua carreira há décadas. Sob essa perspectiva, o resultado é amplamente satisfatório.

Empowered Emotions demonstra que Gary John Barden permanece artisticamente relevante. Sua voz continua carregando personalidade, segurança e emoção, enquanto Michael Voss oferece uma produção moderna que respeita a essência do hard rock melódico sem soar datada. O álbum reúne excelentes composições, interpretações maduras e um nível técnico elevado, consolidando-se como um dos lançamentos mais sólidos do gênero em 2026. Sem a necessidade de reinventar fórmulas, Gary John Barden entrega um trabalho elegante, consistente e repleto de autenticidade — um álbum que reafirma seu legado e prova que experiência, quando acompanhada de inspiração e competência, continua sendo uma das maiores virtudes que um artista pode oferecer ao seu público.


***ENGLISH VERSION***

Few vocalists manage to navigate more than four decades in the music industry without losing the artistic identity that first defined them. Gary John Barden is one of those rare exceptions. Forever associated with the classic era of the Michael Schenker Group, the British singer has built a career founded on expressive performances, timeless melodies, and a vocal style that has always favoured emotion over flamboyance. With Empowered Emotions, Barden once again demonstrates exactly why his voice remains one of the most distinctive in melodic hard rock.

Produced alongside renowned songwriter, producer and multi-instrumentalist Michael Voss, the album embraces the traditions of European melodic hard rock while avoiding the trap of nostalgia. Instead of simply revisiting past glories, Empowered Emotions presents a mature, confident collection of songs that balances classic songwriting with a modern, polished production. An impressive cast of guest musicians further strengthens the record. Don Airey, Michael Schenker, Tommy Denander, Brian Tichy, Barry Sparks and Alen Brentini all make valuable contributions, yet none of them overshadow the album's central figure. Each appearance serves the songs rather than individual egos, while Voss' meticulous production blends organic instrumentation, rich dynamics and crystal-clear arrangements into a cohesive and sophisticated listening experience.

The brief "Barden's Overture" serves as a cinematic introduction before giving way to "Maasai Enkai", the album's first full-length composition. Opening with African-inspired percussion, the track immediately establishes its own identity before the guitars enter, creating an intriguing contrast between ethnic textures and classic hard rock. Tommy Denander delivers a tasteful solo that favours melody over technical excess, while Barry Sparks provides tremendous low-end authority, anchoring the arrangement with a powerful yet fluid bass performance. As the song unfolds, additional layers are introduced naturally, gradually increasing both tension and intensity before reaching a satisfying climax. It's an impressive opener—dynamic, elegant and instantly engaging—that sets a remarkably high standard for everything that follows.

"Hit The Ground Running" adopts a more straightforward approach without sacrificing musical sophistication. Michael Voss' grooving bass lines combine seamlessly with Gereon Homann's precise drumming, providing the perfect platform for Barden's effortless vocal performance. His delivery feels remarkably comfortable throughout, allowing the melodies to breathe naturally within the arrangement. The production wisely avoids unnecessary embellishments, giving every instrument enough room to occupy its own space in the mix. Structurally, the song is deceptively simple, yet that simplicity ultimately becomes one of its greatest strengths. Rather than relying on dramatic twists or flashy arrangements, it succeeds through solid songwriting, refined musicianship and a chorus that develops with genuine ease.

The title track, "Empowered Emotions" stands among the album's defining moments. Don Airey's unmistakable Hammond organ adds a layer of warmth and authenticity, engaging in a constant dialogue with the guitars while reinforcing the song's unmistakably classic character. Although the atmosphere evokes the melodic hard rock of the 1980s, the contemporary production ensures the music never feels dated or overly nostalgic. The chorus emerges naturally, driven by an elegant melody that is instantly memorable without becoming overly commercial. Airey's keyboard solo flows effortlessly into the guitar lead, creating one of the album's finest instrumental transitions. Every element feels perfectly balanced, resulting in a composition that captures the very essence of the record: timeless songwriting, tasteful arrangements and flawless execution.

"Burning Wind" raises the intensity once again. Faster and more aggressive than its predecessors, the track showcases the exceptional chemistry between Michael Voss and Gereon Homann, whose rhythm section provides an unwavering foundation for Barden's commanding vocal performance. Frequent shifts in dynamics prevent the arrangement from becoming predictable, allowing the chorus to deliver even greater impact. The guitar solo arrives precisely when the song demands additional momentum, integrating organically into the composition rather than interrupting its flow. Meanwhile, subtle layers of synthesised brass enrich the sonic landscape without compromising the album's predominantly organic sound, once again highlighting Michael Voss' remarkable attention to production detail.

Taken together, these opening songs establish the album's defining characteristic. Empowered Emotions does not attempt to reinvent melodic hard rock; instead, it refines its established formula through mature songwriting, accomplished performances and an exceptionally polished production. Rather than relying solely on nostalgia, Gary John Barden proves that he still possesses the creativity, vocal authority and artistic vision required to deliver a genuinely relevant album within today's melodic hard rock landscape.

One of the album's most eagerly anticipated moments is "Dark Water" not only because of the strength of the composition itself, but also because it reunites Gary John Barden with Michael Schenker, one of melodic hard rock's most iconic creative partnerships. Thankfully, the collaboration lives up to every expectation. Rather than indulging in technical showmanship, Schenker delivers precisely what has always made him one of rock's most distinctive guitarists: lyrical phrasing, immaculate tone and an instinctive understanding of melody. Every note serves the song, reinforcing its emotional weight instead of drawing unnecessary attention to itself. Built around a measured, mid-tempo groove, the track embraces an introspective atmosphere that allows every musical element to breathe. The central riff combines power with elegance, while the keyboards add depth and texture without ever competing with the guitars. Barden responds with one of his finest vocal performances on the album, displaying remarkable restraint and emotional control throughout the verses. Although the chorus is structurally straightforward, its effectiveness lies precisely in its simplicity. Rather than chasing grandeur, it relies on the sincerity of Barden's delivery, allowing the melody to resonate naturally. Schenker's solo arrives as the composition's emotional climax—melodic, expressive and unmistakably his own. It perfectly captures the enduring chemistry between two musicians whose names remain forever intertwined with the history of European hard rock.

If "Dark Water" explores emotional subtlety, "Ride Horsemen Ride" immediately shifts the album into more epic territory. Opening with Gregorian-inspired choirs before exploding into a wall of guitars, the song creates an almost cinematic atmosphere that evokes classic heavy rock without ever sounding derivative. From there, the rhythm section drives the track forward with impressive authority, while Alen Brentini delivers a powerful guitar performance full of energy, precision and tasteful aggression. The chorus possesses undeniable melodic appeal, supported by carefully layered backing vocals that enhance the arrangement without overshadowing Barden's commanding lead vocal. Another notable strength is the restrained use of vocal effects, which broaden the song's epic atmosphere without feeling artificial. The closing orchestral keyboard arrangement adds further grandeur, once again highlighting Michael Voss' skill as both producer and arranger. His ability to build songs that evolve organically rather than relying on repetitive structures is one of the album's defining qualities.

"This Phoenix's Gonna Burn Ya" follows with perhaps the album's most immediately accessible composition. The influence of bands such as Bad Company is unmistakable, particularly in its blues-infused guitar work and groove-oriented approach. Nevertheless, the song retains Barden's unmistakable melodic identity, comfortably occupying the space between classic hard rock and melodic AOR. The vocal melodies are instantly engaging, carrying both verses and chorus with effortless confidence. The core trio of Gary John Barden, Michael Voss and Gereon Homann once again demonstrate exceptional musical chemistry, providing a rock-solid foundation upon which the guitars and keyboards can flourish naturally. The guitar solo arrives at exactly the right moment, elevated by the rhythm section's impeccable support, while the production keeps every instrument perfectly balanced within the mix. It may not be the album's most adventurous composition, but it reinforces one of Empowered Emotions' greatest strengths: consistently delivering well-crafted songs that linger long after the music ends.

Following this energetic sequence, "Let The Children Play" provides a welcome moment of reflection. Far more than a simple interlude, it stands as one of the album's most elegant and emotionally resonant pieces. Acoustic guitar, bass and keyboards establish an intimate atmosphere before a beautifully phrased guitar solo gently introduces Barden's vocal entrance. Remarkably, he conveys the song's entire emotional message with only a handful of words, demonstrating once again that genuine expression often requires restraint rather than excess. That minimalist approach is precisely what makes the track so effective. Instead of relying on bombast, it embraces subtle arrangements and understated performances, serving as a poignant emotional bridge into the album's closing section.

The atmosphere shifts dramatically with "The Ruling Class" arguably the album's darkest composition. Bass and drums dominate the opening moments, gradually building tension before the guitars emerge to complete the arrangement. The measured pace remains consistent throughout, reinforcing the song's theatrical character. Barden explores a vocal style unlike anything heard elsewhere on the record, alternating between near-spoken passages and more melodic phrases. This approach adds considerable dramatic weight while perfectly complementing the composition's darker mood. The keyboards operate subtly in the background, filling the sonic landscape without diluting the impact of the guitars. Even the audience-applause effects incorporated into the chorus enhance the theatrical atmosphere rather than feeling gimmicky. Once again, the guitar solo arrives with impeccable timing, acting as a natural continuation of the song's narrative instead of functioning as a standalone showcase. It is precisely this willingness to introduce subtle variations within a familiar musical framework that prevents Empowered Emotions from becoming formulaic. Gary John Barden may not be reinventing melodic hard rock, but he consistently finds fresh ways to keep the listener engaged while remaining faithful to the genre's core identity.

The album's final stretch delivers yet another highlight with "Walk Away" featuring special guest drummer Brian Tichy. Opening with little more than an acoustic guitar, the song establishes an intimate atmosphere before gradually introducing the remaining instruments. The arrangement unfolds with remarkable patience, allowing the composition to build naturally without relying on forced crescendos or unnecessary embellishments. As a classic power ballad, "Walk Away" showcases one of Gary John Barden's greatest strengths as a vocalist: his ability to communicate genuine emotion without sacrificing power or control. His performance is heartfelt and commanding, leading a soaring chorus that ranks among the album's most memorable moments. Brian Tichy's contribution is equally impressive. Rather than dominating the arrangement with technical fireworks, his drumming provides a solid, tasteful backbone that perfectly complements Michael Voss' understated yet authoritative bass work. Together, they create a rhythmic foundation that allows the guitars and vocals to shine. The carefully layered backing vocals further enhance the chorus, adding depth and grandeur while preserving its clarity. Vocal harmonies are used with admirable restraint, demonstrating once again the meticulous attention Michael Voss has devoted to every aspect of the production. The result is a beautifully crafted composition that encapsulates the album's central philosophy: strong melodies, refined arrangements and musicianship that always serves the song above individual virtuosity.

The journey concludes with "We'll Meet Again" a delicate farewell lasting less than two minutes that functions as a fitting epilogue to the entire album. Built around ukulele, subtle keyboard textures and understated vocal harmonies, the song offers a striking contrast to the record's predominantly energetic character. More than a simple closing track, it feels like a heartfelt goodbye—one that carries the quiet promise of future reunions between artist and audience. Barden's vocal performance is wonderfully understated, proving that emotional impact often comes not from vocal acrobatics but from sincerity and experience. A beautifully executed acoustic guitar solo provides the final flourish, bringing the album to a graceful and emotionally satisfying conclusion.

Across just over fifty minutes, Empowered Emotions delivers exactly what many longtime fans had hoped for, yet what relatively few veteran artists still manage to achieve: genuine artistic maturity. Gary John Barden never attempts to recreate the glory days of the Michael Schenker Group, nor does he chase contemporary trends in an effort to remain relevant. Instead, he embraces the strengths that have defined his career, crafting an album that is honest, elegant and musically accomplished. Much of that success belongs to Michael Voss. Beyond contributing bass, guitars, keyboards and songwriting, he demonstrates exceptional command as a producer, creating a sonic landscape that balances clarity, warmth and impressive attention to detail. Every instrument occupies its own space within the mix, allowing the performances to breathe while preserving the album's overall impact. The guest appearances from Don Airey, Michael Schenker, Tommy Denander, Barry Sparks, Alen Brentini and Brian Tichy further elevate the record, yet they never feel like marketing gimmicks or opportunities for unnecessary spotlight-stealing. Each musician enhances the songs organically, reinforcing the album's cohesion rather than distracting from its central identity.

Another of the album's greatest strengths lies in the variety of moods explored throughout its running time. While firmly rooted in melodic hard rock, Empowered Emotions comfortably incorporates elements of AOR, classic rock, blues rock and even cinematic orchestration, creating a listening experience that remains engaging from beginning to end without sacrificing stylistic consistency. If there is one minor criticism to be made, it is that the album occasionally remains within its stylistic comfort zone. Particularly during the second half, certain melodic structures and compositional choices echo the genre's classic blueprint closely enough to reduce the element of surprise. However, this feels less like a creative limitation than a conscious artistic decision. Barden has no interest in reinventing melodic hard rock; his objective is to write compelling songs, deliver convincing performances and produce an album that speaks directly to the audience that has supported him for decades. Judged on those terms, Empowered Emotions succeeds with considerable confidence.

Ultimately, Empowered Emotions confirms that Gary John Barden remains an artist of genuine relevance. His voice continues to possess warmth, authority and unmistakable character, while Michael Voss provides a modern production that honours the traditions of melodic hard rock without ever sounding dated. The album combines memorable songwriting, mature performances and consistently high musicianship, securing its place among the genre's strongest releases of 2026. Without attempting to reinvent the wheel, Gary John Barden has delivered a work of elegance, authenticity and enduring musical quality. Empowered Emotions is more than another entry in the catalogue of a legendary vocalist—it is a compelling reminder that experience, inspiration and craftsmanship remain among the most valuable assets any musician can possess.

Eva Von Der Forst