O underground brasileiro segue provando sua vitalidade e criatividade através de lançamentos que fogem do convencional. É exatamente esse o caso deste split que reúne três nomes distintos da cena extrema nacional: Poeticus Severus, Shadow Moon e Lalssu. Mais do que uma simples compilação, o trabalho apresenta uma proposta diferenciada, onde cada banda contribui com um EP para este lançamento, transformando-o em uma verdadeira celebração da diversidade do Black Metal.
Abrindo a jornada, a Poeticus Severus apresenta "Severos Sigilos da Guerra" (25), um trabalho que evidencia sua característica mais marcante: a grandiosidade épica. As composições carregam uma atmosfera solene e imersiva, transportando o ouvinte para cenários de batalhas ancestrais e narrativas repletas de simbolismo. O projeto demonstra maturidade na construção de ambientes e reforça a identidade única de César Severus dentro do cenário nacional.
Na sequência, a Shadow Moon conduz o ouvinte por "Journey Through the Valley of Shadows" (25), mergulhando profundamente nas influências da segunda onda do Black Metal. A sonoridade fria, melancólica e cortante remete diretamente às paisagens geladas da Noruega, entregando passagens sombrias e uma atmosfera obscura que certamente agradará aos apreciadores da escola mais tradicional do gênero.
Encerrando o lançamento, Lalssu apresenta "To Telos" (25), trazendo uma abordagem inspirada na lendária cena grega de metal extremo. As composições equilibram agressividade e musicalidade, explorando melodias marcantes e uma identidade própria que dialoga com nomes clássicos do Black Metal helênico, sem perder sua personalidade.
Outro aspecto que torna este lançamento ainda mais especial é sua apresentação visual. Todo o trabalho artístico foi concebido manualmente pelo multi-instrumentista César Severus. Desde as ilustrações até os escritos que acompanham o material, cada detalhe recebeu atenção artesanal, conferindo ao split um caráter verdadeiramente único em tempos de produções cada vez mais digitais. O resultado é uma obra que transcende o aspecto musical e se transforma em uma experiência artística completa.
Mais do que reunir três bandas, este lançamento evidencia a força, a criatividade e a capacidade de inovação do Black Metal brasileiro. Poeticus Severus, Shadow Moon e Lalssu entregam uma obra diferenciada, rica em identidade e paixão pelo metal extremo.
Um lançamento obrigatório para colecionadores, apreciadores do underground e todos aqueles que buscam descobrir o que há de mais autêntico e inspirado no Black Metal nacional contemporâneo.
No dia 29 de abril aconteceu o segundo show da turnê Angra Réunion, uma data que ficará marcada na memória dos fãs. Depois de uma bela apresentação no Bangers Open Air, que ainda contou com a participação do vocalista Fabio Lione, desta vez a banda se apresentou na icônica casa Espaço Unimed, já sem Lione e agora comandada nos vocais por Alirio Netto.
O show começou exatamente no horário programado, às 21h, e os telões exibiram fotos e momentos de todas as fases do Angra. Foi um belo começo para o espetáculo que estava por vir. Rafael Bittencourt subiu ao palco levando o público à euforia e iniciando a apresentação com "Nothing to Say". Logo atrás dele, o restante da banda – que além do Rafael e do Alirio, conta com Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Barbosa (guitarra) e Bruno Valverde (bateria) – tomou seus lugares, e então o novo vocalista assumiu seu posto.
Apesar de um pequeno problema com o microfone de Alirio nos primeiros segundos do show, ele, com toda sua experiência, não se abalou e seguiu firme em sua ótima apresentação. Com muita energia, puxando a galera para cima e mostrando o porquê de ser o novo frontman do Angra.
O show seguiu com "Angels Cry", sem deixar a empolgação do público cair por um minuto sequer. A banda, como sempre, mostrou todo seu talento e a postura de uma das mais importantes do metal nacional e mundial. Em "Tides of Change", Felipe Andreoli mostrou seu talento executando o solo de baixo no final da passarela, bem próximo dos fãs. Logo depois vieram a belíssima "Lisbon" e a mais recente "Vida Seca", única música cantada em português, mesmo que em poucos minutos, no repertório da banda.
Na sequência, uma das músicas mais esperadas da noite: "Wuthering Heights". Aqui, Alirio mostrou toda sua potência vocal e provou que também consegue alcançar notas tão altas quanto ao do saudoso maestro Andre Matos. Com certeza, o público ficou muito satisfeito e feliz com sua performance.
Logo depois, tivemos Bruno Valverde demonstrando todo seu talento em um grande solo de bateria, já deixando um gostinho de quero mais, pois mais tarde teríamos Aquiles "Polvo" Priester se juntando a ele no palco. E foi exatamente o que aconteceu em seguida: a tão querida formação com Rafael Bittencourt, Felippe Andreoli, Aquiles Priester, Edu Falaschi e Kiko Loureiro finalmente subiu ao palco. O público foi à loucura de vez. O que parecia que nunca mais aconteceria estava ali, bem à frente de todos.
Talvez esta tenha sido uma das últimas oportunidades de ouvir o álbum "Rebirth" executado na íntegra ao vivo. E logo de cara veio "Nova Era", com Aquiles simplesmente destruindo tudo atrás dos tambores. Toda aquela magia e carisma de 20 anos atrás estavam de volta ao palco e pareciam ainda melhores. Kiko Loureiro entregou uma de suas maiores performances junto ao Angra. Não parou um minuto sequer, demonstrando energia e enorme vontade durante toda a apresentação.
Pouco tempo depois, Edu Falaschi dirigiu algumas palavras ao público sobre estar ali novamente, sobre o quanto aquele momento era emocionante para eles e sobre a importância de os fãs poderem presenciar aquela formação reunida. Ele perguntou quantos ali já haviam visto aquela formação ao vivo, e a resposta da maioria foi negativa, o que tornou a noite ainda mais especial.
Após "Heroes of Sand", Rafael falou sobre o renascimento do Angra e sobre o sonho que era conseguir reunir todos eles no palco. E não poderia haver música mais apropriada para aquele momento do que "Rebirth", levando todos os presentes à emoção.
Em seguida, tivemos um solo de bateria do monstro Aquiles Priester em sua bateria gigantesca de três bumbos. Então foi a vez de Edu Falaschi comentar como acha incrível que uma música do Angra tenha ultrapassado as barreiras do metal e se espalhado pelo Brasil em outros ritmos. Na mesma hora, a galera entendeu a referência e começou a gritar "Calcinha Preta", grupo de forró que fez uma versão de "Bleeding Heart" e que inclusive contou com a participação do próprio Edu em algumas apresentações. É claro que ele não deixou faltar um trechinho da música em português.
Depois de "Spread Your Fire", a banda agradeceu ao público e somente Rafael permaneceu no palco. Ele tocou "Reaching Horizons" no violão, que apresentou alguns problemas técnicos. Primeiro parecia desafinado, depois surgiram chiados e, por fim, o som chegou a parar. Mas Rafael, com toda sua experiência e elegância, conduziu o momento com tranquilidade e conseguiu executar sua bela música.
Na sequência vieram "Silence and Distance", com uma linda homenagem a Andre Matos. A introdução contou com um vídeo do saudoso músico tocando teclado e cantando. Logo depois, a banda assumiu a música ao vivo, desta vez com Edu e Alirio dividindo os vocais. Foi realmente emocionante para todos que estavam presentes.
Em seguida, rolou "Late Redemption" e, para encerrar, nada melhor do que "Carry On", com a presença de todos os músicos no palco. Um fechamento digno para a noite histórica que presenciamos. Após o encerramento, os músicos permaneceram no palco para agradecer aos fãs. E assim se encerrou essa noite mágica para os fãs do Angra e do metal nacional.
Rachel Bolan retorna às raízes em Gargoyle of the Garden State
Por Michelle F. Santana
Após quatro décadas dedicadas ao rock, Rachel Bolan dispensa apresentações. Como baixista e fundador do Skid Row, ajudou a escrever capítulos importantes do hard rock norte-americano, mas nem todas as suas ideias encontraram espaço dentro da sonoridade da banda. Ao longo dos anos, riffs, melodias e composições foram ficando pelo caminho até encontrarem o momento certo para ganhar vida. Esse momento chega agora com Gargoyle of the Garden State, sua estreia solo.
Livre das amarras naturais de uma banda consolidada, Bolan aproveita o projeto para explorar caminhos próprios e dar vazão a influências que sempre fizeram parte de sua formação musical. Existe algo muito punk nessa proposta: fazer música sem a preocupação de seguir fórmulas, tendências ou expectativas externas. O resultado é um disco que soa espontâneo, autêntico e, acima de tudo, divertido.
O título também revela muito sobre o caráter pessoal do álbum. "Garden State" é o apelido oficial de Nova Jersey, estado onde Bolan nasceu e para o qual decidiu retornar ao lado da esposa após cerca de 25 anos vivendo longe. O disco carrega esse sentimento de reencontro com o lugar de onde veio. Já as gárgulas presentes no título fazem referência a uma antiga fascinação do músico por essas figuras, frequentemente associadas à proteção e ao misticismo. Juntos, esses elementos ajudam a construir um álbum profundamente conectado às origens de Bolan.
Produzido por Nick Raskulinecz em parceria com o próprio Bolan, o trabalho encontra equilíbrio entre o hard rock que marcou sua carreira e uma forte inclinação para o punk rock. Essa combinação aparece durante todo o álbum, adicionando velocidade, atitude e uma energia quase juvenil às canções. É o tipo de disco que não perde tempo com excessos: vai direto ao ponto e mantém o pé no acelerador do início ao fim.
A presença de músicos ligados à trajetória de Bolan reforça ainda mais esse clima de reunião entre amigos. Os companheiros de Skid Row, Dave "Snake" Sabo, Scotti Hill e Rob Hammersmith, aparecem ao longo do álbum, enquanto convidados como Danko Jones, Steve Conte (New York Dolls) e Damon Johnson (Lynyrd Skynyrd) ajudam a ampliar ainda mais a paleta sonora do projeto.
Entre os momentos mais marcantes está "Anything but You", que mostra como Bolan continua sabendo construir refrões memoráveis sem abrir mão do peso. Já "Jet Black Universe" ganha força extra com a participação de Nuno Bettencourt (Extreme), cuja guitarra acrescenta técnica, personalidade e um brilho especial à faixa.
Por outro lado, "Big Stick" representa o lado mais irreverente e agressivo do álbum. Com a participação de Corey Taylor (Slipknot), a música mergulha de cabeça na estética punk, carregada de atitude, sujeira e energia. É uma das faixas que melhor traduzem o espírito livre que move todo o projeto.
A escolha de regravar "Rock and Roll Star", do Oasis, também faz sentido dentro dessa proposta. Em vez de reproduzir fielmente o clássico britânico, Bolan o conduz para seu próprio território, fazendo com que a canção se encaixe naturalmente no contexto do álbum.
Quando "Walk Away" encerra a experiência, fica a sensação de que Gargoyle of the Garden State cumpriu exatamente aquilo que se propôs a fazer. Não há pretensão de reinventar o rock nem de apresentar algo revolucionário. O objetivo aqui é outro: celebrar a liberdade criativa, as amizades construídas ao longo da estrada e a paixão pela música.
Misturando hard rock, punk rock e uma saudável dose de rebeldia, Rachel Bolan entrega um trabalho carregado de personalidade. É um disco feito por alguém que conhece profundamente suas raízes e que, mesmo depois de tantos anos de carreira, ainda demonstra o mesmo entusiasmo de quem começou ontem, bastando ligar os amplificadores e deixar o rock and roll falar por si.
***ENGLISH VERSION***
Rachel Bolan Returns to His Roots on Gargoyle of the Garden State
After four decades devoted to rock music, Rachel Bolan hardly needs an introduction. As the bassist and founding member of Skid Row, he helped write some of the most memorable chapters in American hard rock. Yet not every idea he developed over the years fit within the band's musical identity. Riffs, melodies, and songs were often left waiting for the right moment to come to life. That moment has finally arrived with Gargoyle of the Garden State, his solo debut.
Free from the natural constraints of an established band, Bolan uses this project to explore his own creative path and embrace influences that have always been part of his musical DNA. There's something inherently punk about the entire concept: making music without worrying about formulas, trends, or outside expectations. The result is an album that feels spontaneous, authentic, and, above all, fun.
The album's title also reveals much about its personal nature. "Garden State" is the official nickname of New Jersey, where Bolan was born and where he recently returned with his wife after spending roughly 25 years away. The record carries that sense of reconnecting with the place he calls home. The gargoyles referenced in the title stem from Bolan's longtime fascination with these figures, often associated with protection and mysticism. Together, these elements help shape an album that is deeply connected to his roots.
Produced by Nick Raskulinecz alongside Bolan himself, the album strikes a balance between the hard rock that defined much of his career and a strong punk rock influence. That blend runs throughout the record, injecting the songs with speed, attitude, and a youthful energy. It's the kind of album that wastes no time on unnecessary excess—it gets straight to the point and keeps its foot firmly on the gas from beginning to end.
The presence of musicians closely tied to Bolan's career further reinforces the feeling of a gathering among old friends. Fellow Skid Row members Dave "Snake" Sabo, Scotti Hill, and Rob Hammersmith all make appearances, while guests such as Danko Jones, Steve Conte (New York Dolls), and Damon Johnson (Lynyrd Skynyrd) help broaden the album's sonic palette.
Among the standout moments is "Anything but You," which demonstrates Bolan's continued ability to craft memorable hooks without sacrificing heaviness. "Jet Black Universe" receives an additional boost from the appearance of Nuno Bettencourt (Extreme), whose guitar work adds both technical flair and personality to one of the album's most compelling tracks.
Meanwhile, "Big Stick" showcases the record's most aggressive and irreverent side. Featuring Corey Taylor (Slipknot), the song dives headfirst into punk territory, fueled by attitude, grit, and raw energy. It stands as one of the tracks that best captures the free-spirited nature driving the entire project.
The decision to cover Oasis' "Rock and Roll Star" also fits naturally within the album's overall vision. Rather than simply recreating the British classic, Bolan makes it his own, seamlessly integrating it into the record's musical landscape.
By the time "Walk Away" brings the album to a close, there's a strong sense that Gargoyle of the Garden State accomplishes exactly what it set out to do. It doesn't aim to reinvent rock music or break new ground. Instead, it celebrates creative freedom, friendships forged over decades on the road, and a genuine love for making music.
Blending hard rock, punk rock, and a healthy dose of rebellion, Rachel Bolan delivers an album full of personality. It's the work of an artist who remains deeply connected to his roots and who, after all these years, still approaches music with the enthusiasm of someone just getting started—simply plugging in, turning up the volume, and letting rock and roll speak for itself.
Bloodhunter une peso e maturidade em Sons of the Abandoned
Por Michelle F. Santana
O Bloodhunter, banda espanhola de death metal melódico formada em 2008, chega ao seu quarto álbum de estúdio, Sons of the Abandoned, sucessor de Knowledge Was the Price (2022). Embora mantenha a identidade sonora consolidada no trabalho anterior, o novo disco surge mais agressivo, energético e dinâmico, evidenciando um amadurecimento notável na composição e na execução da banda.
As temáticas também evoluem, afastando-se parcialmente dos elementos mitológicos que marcaram trabalhos anteriores para explorar questões mais psicológicas, abordando vulnerabilidades humanas, conflitos internos e dilemas existenciais de maneira mais profunda e introspectiva.
Musicalmente, o álbum apresenta menos espaço para solos extensos quando comparado aos dois primeiros trabalhos do grupo, priorizando a construção de atmosferas, riffs marcantes e uma dinâmica mais fluida entre agressividade e melodia.
A abertura com "The Devil's Own" deixa claro, desde os primeiros segundos, qual é a proposta do álbum. A faixa é explosiva, intensa e demonstra imediatamente a maturidade alcançada pela banda. Os riffs de Dani Arcos são agressivos, trabalhados e memoráveis, enquanto Diva Satánica entrega uma das performances vocais mais técnicas e brutais de sua carreira.
A bateria de Adrián Perales é rápida e pesada, impulsionando a música com precisão e reforçando a agressividade das guitarras, evidenciando a forte influência do death metal melódico sueco presente em toda a composição.
Em "Threshold of Hell", o Bloodhunter conta com a participação especial de Fernando Ribeiro, vocalista do Moonspell. A música aborda temas como depressão e luta interna — conflitos inerentes à condição humana —, trazendo riffs mais cadenciados e melódicos. A voz grave, sombria e soturna de Fernando cria um contraste fascinante com os guturais rasgados de Diva Satánica.
A faixa finaliza com uma sirene como recurso sonoro, ampliando a sensação de angústia e desespero transmitida pela composição, resultando em uma das músicas mais interessantes e atmosféricas do álbum.
A faixa-título, "Sons of the Abandoned", sintetiza grande parte da proposta do disco. Mantendo a forte influência da escola sueca de death metal melódico, a música acrescenta uma energia contagiante e um senso de grandiosidade.
O refrão é explosivo e triunfante, sustentado por linhas melódicas marcantes que fazem da faixa uma forte candidata a se tornar um dos pontos altos das apresentações ao vivo da banda. O solo é envolvente e reforça o caráter épico da composição, remetendo aos grandes encerramentos de show.
Já "The Path That Never Ends" conta com a participação de Laura Guldemond e se destaca como uma das composições mais dinâmicas do disco. Embora comece de forma agressiva, a música transita com naturalidade entre o death metal melódico e elementos progressivos.
A interpretação de Diva Satánica é impecável, mas é a combinação entre seus vocais extremos e a voz limpa, poderosa e melódica de Laura que eleva a faixa a outro nível, criando momentos verdadeiramente hipnóticos.
O encerramento fica por conta de "Human Insecticide", cover da clássica música do Annihilator. Aqui, a influência do thrash metal é evidente, mas o Bloodhunter consegue incorporar sua identidade melodeath sem descaracterizar a essência da composição original.
O resultado é uma releitura pesada, intensa e extremamente eficiente, impulsionada por vocais mais agressivos e carregados de revolta, exatamente como a música exige.
Ao revisitar a trajetória da banda, torna-se evidente o crescimento gradual do Bloodhunter em todos os aspectos musicais. Sons of the Abandoned marca um novo patamar nessa evolução, reunindo peso, técnica, precisão e composições cada vez mais maduras. É um álbum envolvente do início ao fim, que revela novas nuances a cada audição e confirma o Bloodhunter como uma banda cada vez mais segura de sua identidade artística e de seu potencial criativo.
***ENGLISH VERSION***
Bloodhunter Reaches a New Level of Maturity with Sons of the Abandoned
Bloodhunter, the Spanish melodic death metal band formed in 2008, returns with its fourth studio album, Sons of the Abandoned, the successor to Knowledge Was the Price (2022). While retaining the sonic identity established on its predecessor, the new record emerges as a more aggressive, energetic, and dynamic effort, showcasing a remarkable evolution in both songwriting and performance.
The lyrical themes have also matured, moving partially away from the mythological elements that characterized previous releases to explore more psychological territory, addressing human vulnerabilities, inner conflicts, and existential dilemmas in a deeper and more introspective manner.
Musically, the album places less emphasis on extended guitar solos compared to the band's first two records, favoring atmosphere-building, memorable riffs, and a more fluid balance between aggression and melody.
Opening track "The Devil's Own" makes the album's intentions clear from the very first seconds. Explosive and intense, the song immediately demonstrates the band's growth and maturity. Dani Arcos delivers aggressive, carefully crafted, and memorable riffs, while Diva Satánica turns in one of the most technical and brutal vocal performances of her career. Adrián Perales' drumming is fast and powerful, driving the song forward with precision and reinforcing the aggression of the guitars, while highlighting the strong influence of Swedish melodic death metal throughout the composition.
On "Threshold of Hell", Bloodhunter is joined by special guest Fernando Ribeiro, vocalist of Moonspell. The song tackles themes such as depression and internal struggle—conflicts inherent to the human condition—through more restrained and melodic riffing. Fernando's deep, dark, and somber voice creates a fascinating contrast with Diva Satánica's harsh growls. The track concludes with a siren effect that amplifies the sense of anguish and despair conveyed by the composition, resulting in one of the album's most compelling and atmospheric moments.
The title track, "Sons of the Abandoned", encapsulates much of the album's overall vision. Maintaining a strong influence from the Swedish melodic death metal school, the song adds an infectious energy and a sense of grandeur. Its explosive and triumphant chorus is supported by memorable melodic lines that make it a strong contender to become a live favorite. The guitar solo is captivating and reinforces the song's epic character, evoking the feeling of a grand concert finale.
Meanwhile, "The Path That Never Ends" features guest vocals from Laura Guldemond and stands out as one of the album's most dynamic compositions. Although it begins with pure aggression, the track naturally shifts between melodic death metal and progressive elements. Diva Satánica's performance is flawless, but it is the combination of her extreme vocals with Laura's powerful and melodic clean singing that elevates the song to another level, creating truly hypnotic moments.
The album closes with "Human Insecticide", a cover of the classic Annihilator track. Thrash metal influences are unmistakable here, yet Bloodhunter successfully injects its melodic death metal identity without compromising the essence of the original composition. The result is a heavy, intense, and highly effective reinterpretation, driven by more aggressive vocals that perfectly capture the anger and rebellion the song demands.
Looking back at the band's trajectory, Bloodhunter's gradual growth becomes evident in every aspect of its musicianship. Sons of the Abandoned marks a new milestone in that evolution, bringing together heaviness, technique, precision, and increasingly mature songwriting. It is an engaging album from beginning to end, one that reveals new layers with each listen and confirms Bloodhunter as a band growing ever more confident in its artistic identity and creative potential.
Quando se fala em super projetos, existe sempre o risco de que a fama dos nomes seja maior do que o resultado do álbum. Felizmente, esse não é o caso de Lex Legion. Formado por músicos diretamente ligados à fase clássica de King Diamond — os guitarristas Andy La Rocque e Pete Blakk, o baixista Hal Patino e o baterista Mikkey Dee — ao lado do vocalista Nils K. Rue (Pagan’s Mind), o grupo entrega um álbum que resgata a essência do heavy metal dos anos 1980 sem parecer uma simples peça de nostalgia.
A principal virtude do disco está na química entre músicos que claramente compartilham a mesma visão artística. As guitarras de La Rocque e Blakk alternam riffs magnificos e harmonizações inspiradas, enquanto Mikkey Dee exibe a mesma pegada poderosa que o tornou um dos bateristas mais respeitados do gênero sendo por muito tempo responsável pelas baquetas do Motorhead e dos Scorpions onde está atualmente. Nils Rue (Pagan’s Minds) surpreende: mesmo com timbres de voz parecidos, em especial ao explorar registros agudos, e também interpretações super dramáticas, que inevitavelmente remetem ao lendário vocalista dinamarquês, e as faixas pedem isso, Nils foge de imita-lo.
A abertura deixa claro o que a banda quer fazer, e o que se espera dela. Sleep Eternally vem com riffs tradicionais, refrão forte e vocais agudos, que imediatamente remetem ao metal clássico. É uma faixa construída para apresentar a identidade do grupo de forma direta e eficiente. Mesmo com uma estrutura familiar sua energia é inegável. Ótimo início.
Gypsy Tears é mais melódica e acessível, reforça a influência de bandas clássicas da década de 80 como Iron Maiden (mais no instrumental) e Queensrÿche (na parte vocal). O destaque fica para o trabalho de guitarras gêmeas e para o refrão memorável. Apesar de seguir uma fórmula semelhante à da abertura, amplia o alcance melódico do álbum.
Um dos momentos mais sombrios do disco é When The Stars Align. O riff principal possui peso e atmosfera suficientes para criar uma identidade própria, enquanto os arranjos demonstram que o grupo sabe ir além da simples homenagem aos anos 1980. Sem dúvida um dos melhores momentos do trabalho.
Esta é a faixa mais explosiva do álbum. (I Am) The Resurrected tem um andamento acelerado e espírito épico, remete ao período clássico do power metal europeu, seria como um lado negro do Helloween da era Keeper of the Seven Keys. É impossível não imaginar essa música funcionando perfeitamente ao vivo.
Lost Inside é uma das composições mais fortes do repertório. O clima remete ao Iron Maiden clássico, mas com uma abordagem mais moderna na produção. O refrão é marcante e os solos de Andy La Rocque brilham especialmente aqui. Mais um dos grandes destaque do álbum.
Dreams Of Darkness é provavelmente a faixa mais pesada do disco. O trabalho rítmico de Mikkey Dee assume papel central, enquanto as guitarras exploram uma atmosfera mais obscura. Funciona como um contraponto necessário à forte carga melódica predominante.
Um hino de médio andamento que demonstra a versatilidade da banda Saviours agrega de forma discreta elementos progressivos, enriquecendo uma composição que cresce a cada audição. Aqui peso e melodia são dosados de maneira exata.
Em Life Eternal a intensidade aumenta novamente antes do encerramento do álbum, com riffs poderosos e uma performance vocal inspirada. Uma paulada devastadora. É uma faixa que sintetiza praticamente todos os elementos apresentados ao longo do disco.
O cinematográfico fechamento instrumental Far Away surpreende pela sensibilidade. e forte carga emocional, permite que os músicos brilhem sem a necessidade de vocais. É um final elegante para um álbum essencialmente construído sobre energia e grandiosidade.
Lex Legion não reinventa o heavy metal. Na verdade, a banda jamais pretendeu fazê-lo. O álbum é uma celebração sincera da escola clássica que transformou Andy La Rocque, Pete Blakk, Hal Patino e Mikkey Dee em nomes cultuados pelos fãs de King Diamond. O que diferencia este trabalho de tantos exercícios nostálgicos é a qualidade da composição e a convicção com que ele é executado.
Se algumas músicas seguem caminhos conhecidos, o conjunto compensa com riffs inesquecíveis, performances impecáveis e um raro senso de autenticidade. Lex Legion surge como uma das estreias mais relevantes de 2026 e um dos lançamentos obrigatórios do ano, pena que tenha apenas 35 minutos!
***ENGLISH VERSION***
When it comes to supergroups, there is always the risk that the reputation of the musicians involved will outweigh the quality of the final product. Fortunately, that is not the case with Lex Legion. Featuring musicians closely associated with King Diamond’s classic era—guitarists Andy La Rocque and Pete Blakk, bassist Hal Patino, and drummer Mikkey Dee—alongside Pagan’s Mind vocalist Nils K. Rue, the band delivers an album that captures the spirit of 1980s heavy metal without feeling like a mere nostalgic exercise.
The album’s greatest strength lies in the chemistry between musicians who clearly share the same artistic vision. La Rocque and Blakk trade magnificent riffs and inspired harmonized guitar lines, while Mikkey Dee showcases the same thunderous style that made him one of heavy metal’s most respected drummers, having spent years behind the kit for Motörhead and, more recently, Scorpions. Nils K. Rue is equally impressive. While his vocal tone—particularly in the higher registers—and his highly dramatic delivery inevitably recall the legendary Danish frontman, he wisely avoids imitation. The songs certainly call for that kind of theatrical performance, yet Rue manages to make the role entirely his own.
The opening track immediately establishes both the band’s intentions and what listeners can expect from the album. “Sleep Eternally” arrives with traditional riffs, a powerful chorus, and soaring vocals that instantly evoke classic heavy metal. It is a song designed to introduce the band's identity in a direct and effective manner. Even with its familiar structure, its energy is undeniable. A strong start.
“Gypsy Tears” is more melodic and accessible, reinforcing the influence of classic 1980s bands such as Iron Maiden—particularly in the instrumental work—and Queensrÿche in the vocal approach. The twin-guitar interplay and memorable chorus are the song’s highlights. While it follows a formula similar to the opener, it expands the album’s melodic scope.
One of the darkest moments on the record is “When The Stars Align.” The main riff carries enough weight and atmosphere to establish its own identity, while the arrangements demonstrate that the band is capable of going beyond a simple tribute to the 1980s. Without question, one of the album’s finest moments.
This is the most explosive track on the album. “(I Am) The Resurrected” combines a fast-paced attack with an epic spirit that recalls the golden age of European power metal. It feels like the darker side of Helloween during the Keeper of the Seven Keys era. It is impossible not to imagine this song becoming a live favorite.
“Lost Inside” ranks among the strongest compositions in the band’s repertoire. The atmosphere recalls classic Iron Maiden, but with a more contemporary production approach. The chorus is instantly memorable, and Andy La Rocque’s guitar solos shine particularly brightly here. Another major highlight of the album.
“Dreams Of Darkness” is probably the heaviest song on the record. Mikkey Dee’s rhythmic performance takes center stage, while the guitars explore a darker and more ominous atmosphere. It serves as a necessary counterbalance to the album’s predominantly melodic character.
A mid-tempo anthem that showcases the band’s versatility, “Saviours” subtly incorporates progressive elements, enriching a composition that reveals new details with every listen. Here, heaviness and melody are balanced with remarkable precision.
On “Life Eternal,” the intensity rises once again before the album reaches its conclusion. Driven by powerful riffs and an inspired vocal performance, the track hits like a sledgehammer. It effectively brings together nearly every element presented throughout the record.
The cinematic instrumental closer “Far Away” surprises with its sensitivity and emotional depth. It allows the musicians to shine without the need for vocals, providing an elegant conclusion to an album fundamentally built on power, energy, and grandeur.
Lex Legion does not reinvent heavy metal. In truth, the band never intended to do so. Instead, the album serves as a heartfelt celebration of the classic metal tradition that helped turn Andy La Rocque, Pete Blakk, Hal Patino, and Mikkey Dee into revered names among King Diamond fans. What separates this release from countless nostalgic exercises is the quality of the songwriting and the conviction with which it is performed.
While some songs occasionally follow familiar paths, the overall package more than compensates with unforgettable riffs, flawless performances, and a rare sense of authenticity. Lex Legion stands as one of the most significant debut albums of 2026 and one of the year’s essential heavy metal releases. The only real complaint? At just 35 minutes, it ends far too soon.
Antes de iniciarmos a falar deste novo álbum do Heavenwood, é bom fazer um breve histórico, para quem ainda não conhece a pioneira banda de Dark/Gothic Metal Portuguesa. O grupo , oriundo de Vila Nova de Gaia, iniciou atividades lá no início dos anos 90, ainda sob o nome Disgorged, lançando duas demos, trabalhos que chamaram a atenção da Massacre Records.
No selo alemão faz sua estreia em 1996, com o álbum “Diva”, e já rebatizados como Heavenwood (que foi tirado do título de uma música da primeira demo, “Judith Heavenwood”), pois o antigo nome já não parecia adequado à evolução sonora da banda, que estava mais sombrio e melódico.
Com “Diva” (96), o Heavenwood rompeu fronteiras, e foi a primeira banda de Metal Portuguesa a ter material também distribuído no Japão.
Com “Swallow” (98), Heavenwood expandiu ainda mais a sua sonoridade melódica e sombria, e também o seu nome no cenário mundial, se tornando a primeira banda lusitana de Metal a tocar no Wacken. Vale ressaltar que contaram como convidados no álbum, Kai Hansen e Liv Kristine.
Apesar de um, digamos, recuo nas atividades, principalmente turnês, o Heavenwood seguiu lançando álbuns os quais sempre buscavam novos desafios, e tendo o desejo de fazer música e arte principalmente.
Então vieram “Redemption” (2008) e o orquestral “Abyss Masterpiece” (2011), inspirado na obra da poetisa portuguesa Marquesa de Alorna, e em 2016 apresentou sua, provavelmente, obra mais ousada, a primeira parte de duas de “Tarot of the Bohemians”.
Com a inspiração lírica nas palavras de Gérard Anaclet Vincent Encausse (13 de julho de 1865 – 25 de outubro de 1916), cujos pseudônimos esotéricos eram Papus e Tau Vincent, foi um médico, hipnotizador e popularizador do ocultismo francês, fundador da Ordem Martinista moderna, o Heavenwood entregou um trabalho instigante, coberto de camadas inspiradas tanto musicais, como liricamente falando, transportando o ouvinte por uma atmosfera densa, pesada, melódica e reflexiva.
Em 2022 o mentor e mente criativa do Heavenwood, Ricardo Dias, sofreu um acidente quase fatal, e essas lutas pessoais, aliadas a mudanças de formação, chegaram a colocar em dúvida a continuidade da banda, e por conseguinte, da conclusão da obra.
Mas felizmente, dez anos após sua primeira parte, “Tarot of the Bohemians Part II” , sexto álbum da banda, finalmente teve seu lançamento oficial no dia 12/06/2026, via Mighty Music.
São 10 músicas, as quais completam a obra que aborda os 22 arcanos maiores do tarô, e marcam também uma nova fase, com uma visão mais individual de Ricardo Dias, que a partir de 2024 iniciou a produção do álbum.
Ricardo foi responsável por gravar todos os instrumentos, além dos seus vocais, com exceção da bateria, gravada por Eduardo Sinatra. A bela e misteriosa arte da capa foi concebida pela artista gráfica Naya Kotko.
Neste universo abordado, onde cada ouvinte certamente também terá sua própria interpretação e será tocado pela música e atmosfera de formas diferentes.
“Tarot of the Bohemians Part II” inicia com “Death”, a carta que significa transformação, encerramento de ciclos e recomeço, se mostra perfeita para essa nova fase, com certeza tendo significado especial para Ricardo. Uma canção de andamento lento, guitarras carregadas de peso e vocais guturais, nos conduz a uma imersão recheada de melodias sombrias, por vezes desesperadoras e caóticas, atmosfera essa que permeia as primeiras 4 faixas do álbum.
“Temperance”, a carta do equilíbrio e harmonia, traz uma atmosfera Gothic/Doom envolvente, com seu andamento sereno e belas melodias sombrias nas guitarras. Já “The Devil”, representante dos desejos materiais, inicia tempestuosa e com andamento mais veloz, com a bateria rápida, quebrada e orgânica. Mescla riff melodiosos e agressivos, que se completam com as camadas vocais, aqui com apoio de vozes femininas.
“The Lightning Struck Tower”, a representação das mudanças repentinas e quebra de ilusões, também traz um ritmo mais frenético, iniciando com double-bass na bateria e o baixo pulsante, para em seguida serem acompanhadas por riffs urgentes e destacando a bateria intrincada. A faixa traz mudanças de atmosfera, com solos melodiosos, até finalizar com muito peso e agressividade.
Esperança, inspiração e fé no futuro, é o que representa a estrela no Tarô, e “Stars” envolve desde o início com suas melodias cativantes, andamento dinâmico e refrão marcante. Se destacam também os vocais femininos, em uma faixa de sonoridade predominantemente limpa e melodiosa, e com atmosfera mais leve.
“The Moon”, que nas cartas do tarô representa a intuição aguçada e o inconsciente, traz uma atmosfera semelhante à sua antecessora, porém ainda mais melodiosa, repleta de melodias cativantes e refrão memorável. A atmosfera Gothic Rock e o dueto de vocal feminino e masculino se destacam.
Vitalidade, sucesso e clareza, alguns dos elementos que a carta sol representa, e “TheSun” traz um manifesto em forma de uma balada Gothic/Metal, de vocais quase sussurrados de Ricardo, tendo no refrãos o contraponto de vocais femininos. De ritmo lento e envolvente, a canção é entrecortada por momentos límpidos e melodias cativantes da guitarra.
“The Judgement”, representação do despertar e auto perdão, surge em uma faixa que novamente o peso predomina, e nos faz transitar por caminhos sinuosos, embora alterne com alguns momentos mais melodiosos. Os vocais guturais se contrapõem com um coro de vozes de crianças no refrão.
Um salto no desconhecido, um dos significados do “tolo” do tarô, e chegamos a ela, “The Fool”, que inicia com violão acústico e a voz sussurrada e grave de Ricardo. A música traz elementos de Classic Rock ao Gothic/Metal melodioso que a permeia.
As melodias ao violão vão entrecortando os riffs de guitarra, o refrão é marcante e provavelmente o mais melodioso do álbum, tendo novamente duetos de vozes masculinas e femininas. Destaque também para o uso de slide e solos que valorizam a simplicidade e melodias tocantes.
Fechando a obra, temos a bela e dinâmica “TheWorld”, a carta que significa realização e conclusão de ciclos. Inicia intensa, como recomeços, e traz peso, melodia e uma atmosfera revitalizadora.
Com seu andamento mais acelerado, destaca novamente o excelente trabalho da bateria. As melodias no refrão se insinuam ao mesmo tempo suavemente melancólicas e cativantes, onde mais uma vez a voz grave e introspectiva de Ricardo faz contraponto com vocais femininos.
Um belo “grand finale”, onde o refrão ficará ecoando na sua mente: "...I'll be There, Sooner or Later".
Fazer música enquanto questão artística, essa frase ecoou na minha mente, e a uso novamente para encerrar esta matéria, pois condiz muito bem com a história do Heavenwood e de Ricardo Dias, que, felizmente, entrega mais um grande álbum, uma viagem Dark/Gothic Metal carregada de emoções e musicalmente intensa e variada, trazendo aquela aura anos 90 dos melhores momentos do estilo, porém renovada.
Com certeza um trabalho muito significativo para Ricardo, face a todos os acontecimentos que antecederam a criação e finalização da saga iniciada uma década atrás.
E agora, o que reserva o futuro para os Heavenwood? Talvez as cartas tenham a resposta.
***********ENGLISH VERSION************
Heavenwood: A New Beginning and the Final Part of the "Tarot of the Bohemians" Saga
Before we begin discussing this new Heavenwood album, it's good to give a brief history for those unfamiliar with the band. The Portuguese group began its activities in the early 90s, still under the name Disgorged, releasing two demos, works that caught the attention of Massacre Records.
They made their debut on the German label in 1996 with the album "Diva," already renamed Heavenwood (taken from the title of a song from their first demo, "Judith Heavenwood"), as the old name no longer seemed adequate to the band's sonic evolution, which was becoming darker and more melodic.
With "Diva" (96), Heavenwood broke boundaries and became the first Portuguese Metal band to have material distributed in Japan as well.
With "Swallow" (98), Heavenwood further expanded its melodic and dark sound, and also its name on the world stage, becoming the first Portuguese Metal band to play at Wacken. It's worth nothing that Kai Hansen and Liv Kristine were featured as guests on the album.
Despite a, let's say, slowdown in activities, mainly touring, Heavenwood continued releasing albums that always sought new challenges and had the desire to make music and art above all. Then came "Redemption" (2008) and the orchestral "Abyss Masterpiece" (2011), inspired by the work of the Portuguese poet Marquesa de Alorna, and in 2016 they presented what is probably their most daring work, the first of two parts of "Tarot of the Bohemians".
Inspired lyrically by the words of Gérard Anaclet Vincent Encausse (July 13, 1865 – October 25, 1916), whose esoteric pseudonyms were Papus and Tau Vincent, a French physician, hypnotist, and popularizer of occultism, and founder of the modern Martinist Order, Heavenwood delivered a thought-provoking work, covered in inspired layers both musically and lyrically, transporting the listener through a dense, heavy, melodic, and reflective atmosphere.
In 2022, Heavenwood's mentor and creative mind, Ricardo Dias, suffered a near-fatal accident, and these personal struggles, coupled with lineup changes, cast doubt on the band's continuity and, consequently, the completion of the work.
But thankfully, ten years after its first part, "Tarot of the Bohemians Part II" finally had its official release on June 12, 2026, via Mighty Music.
These are 10 songs, which complete the work that addresses the 22 major arcana of the tarot, and also mark a new phase, with a more individual vision from Ricardo Dias, who began producing the album in 2024.
Ricardo Dias
Ricardo was responsible for recording all the instruments, in addition to his vocals, except for the drums, recorded by Eduardo Sinatra. The beautiful and mysterious cover art was conceived by graphic artist Naya Kotko.
In this explored universe, each listener will certainly have their own interpretation and will be touched by the music and atmosphere in different ways.
“Tarot of the Bohemians Part II” begins with “Death,” the card that signifies transformation, the closing of cycles and a new beginning, proving perfect for this new phase, certainly having special meaning for Ricardo. A slow-paced song, with heavy guitars and guttural vocals, leads us to an immersion filled with dark, sometimes desperate and chaotic melodies, an atmosphere that permeates the first 4 tracks of the album.
"Temperance," the card of balance and harmony, brings an immersive Gothic/Doom atmosphere, with its serene tempo and beautiful, dark guitar melodies. "The Devil," representing material desires, begins tempestuously and with a faster tempo, featuring fast, broken, and organic drumming. It blends melodic and aggressive riffs, complemented by vocal layers, here with the support of female voices.
"The Lightning Struck Tower," representing sudden changes and the shattering of illusions, also has a more frenetic rhythm, starting with double-bass drumming and a pulsating bass line, followed by urgent riffs and highlighting the intricate drumming. The track features changes in atmosphere, with melodic solos, before ending with great weight and aggression.
Hope, inspiration, and faith in the future are what the star in the Tarot represents, and "Stars" captivates from the start with its catchy melodies, dynamic tempo, and memorable chorus. The female vocals also stand out, in a track with a predominantly clean and melodious sound, and a lighter atmosphere.
“The Moon”, which in tarot cards represents keen intuition and the unconscious, has a similar atmosphere to its predecessor, but even more melodious, full of captivating melodies and a memorable chorus. The Gothic Rock atmosphere and the duet of female and male vocals stand out.
Vitality, success and clarity, some of the elements that the Sun card represents, and “The Sun” brings a manifesto in the form of a Gothic/Metal ballad, with Ricardo's almost whispered vocals, having the female vocals as a counterpoint in the choruses. [The text abruptly ends here, so the rhythm is incomplete.]
Slow and captivating, the song is interspersed with clear moments and engaging guitar melodies.
“The Judgement,” representing awakening and self-forgiveness, emerges in a track where heaviness again predominates, taking us on a winding journey, although alternating with some more melodic moments. The guttural vocals contrast with a chorus of children's voices in the refrain.
A leap into the unknown, one of the meanings of the “fool” in the tarot, and “The Fool” begins with acoustic guitar and Ricardo's whispered, hoarse voice. The music brings elements of Classic Rock to the melodic Gothic/Metal that permeates it. The acoustic guitar melodies interweave the guitar riffs, the chorus is striking and probably the most melodic on the album, again featuring duets of male and female voices. Also noteworthy is the use of slide guitar and solos that emphasize simplicity and touching melodies.
Closing the album, we have the beautiful and dynamic “The World,” the card that signifies fulfillment and the completion of cycles. It begins intensely, like a new beginning, and brings weight, melody, and a revitalizing atmosphere.
With its faster tempo, it once again highlights the excellent work of the drums. The melodies in the chorus are simultaneously subtly melancholic and captivating, where once again Ricardo's deep and introspective voice contrasts with female vocals. A beautiful “grand finale.”
Making music as an artistic endeavor—this phrase echoed in my mind, and I use it again to conclude this article, as it fits very well with the story of Heavenwood and Ricardo Dias, who, thankfully, delivers another great album of Dark/Gothic Metal, bringing back that 90s aura from the best moments of the style, but renewed
,full of emotions and musically intense, and certainly very significant for him, considering all the events that preceded the creation and completion of the final part of the saga that began a decade ago.
And now, what does the future hold for Heavenwood? Perhaps the cards have the answer.