quarta-feira, 18 de março de 2026

Um Katatonia Reformado Se Apresenta em São Paulo em Aparição Única no Brasil

Terhi Ylimäinen

Por Bruno França

Show fará parte da turnê do novo disco "Nightmares As Extensions of the Waking State"

No próximo sábado (dia 21 de março), os suecos do KATATONIA irão se apresentar em São Paulo capital, mantendo a tradição de marcarem presença regularmente em território nacional.

Tendo a última passagem acontecido em novembro de 2024 no Carioca Club, a apresentação desta vez ocorrerá dentro do Cine Jóia, com a abertura da FALCHI (banda liderada pela guitarrista Jéssica Falchi, ex-CRYPTA), promovendo o seu 1º lançamento, o EP "Solace".

"Nightmares As Extensions of the Waking State" foi lançado em Junho do ano passado e é o décimo quarto álbum de estúdio de um dos maiores nomes do Rock/Metal Gótico e Alternativo existente.

Esta vinda compreende uma característica marcante do KATATONIA: a mudança na formação com a saída de Anders "Blakkheim" Nyström, membro cofundador junto com Jonas Renkse.

Com exatos trinta e cinco anos de existência sob a liderança de Jonas, o KATATONIA mantém a sua importância dentro do espectro da música melancólica e do Metal com uma carreira que pode ser resumida por um único termo: experimentação. Sua trajetória passeia desde o Doom com elementos de Death Metal que permeiam os dois primeiros álbuns ("Dance of December Souls" e "Brave Murder Day") e os dois primeiros EP ("For Funerals To Come" e "Sounds of Decay") até o Rock melancólico/gótico com elementos progressivos estabelecidos desde "Discouraged Ones" até os dias de hoje, o que estabeleceu a sua identidade diante da cena mundial.

O KATATONIA é atualmente formado por Jonas Renkse (vocal), Nico Elgstrand (guitarra), Sebastian Svalland (guitarra), Niklas Sandin (baixo) e Daniel Moilanen (bateria).


Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Fastix.


SERVIÇO | KATATONIA EM SÃO PAULO

Banda convidada: Falchi (show de lançamento do EP Solace)

Data: 21 de março de 2026

Horário: 18h (abertura da casa)

Local: Cine Joia (Pça. Carlos Gomes 82, São Paulo, SP)

Endereço: Google Maps



Tyketto: Mais Perto do Sol, Mais Perto da Sua Essência (Also In English)

Shinigami Records (Nac.) / Silver Lining Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

O Tyketto retorna em 2026 com Closer to the Sun, seu sexto álbum de estúdio, reafirmando a longevidade e relevância de uma das bandas mais consistentes do hard rock melódico. Liderado por Danny Vaughn, o grupo entrega um trabalho que equilibra maturidade lírica e energia musical, abordando temas universais como amor, perda e as nuances da vida cotidiana, sem abrir mão de sua identidade sonora.

Musicalmente, o álbum transita com naturalidade entre a força do hard rock clássico e a sensibilidade das power ballads, evocando referências como Whitesnake e Aerosmith, mas com uma abordagem atualizada. Gravado em diferentes estúdios no Reino Unido e na Europa — incluindo o lendário Rockfield Studios, no País de Gales —, o disco apresenta uma produção sólida que valoriza tanto o peso quanto a melodia.

A formação conta com Harry Scott Elliott (guitarra), Ged Rylands (teclados), Chris Childs (baixo) e Johnny Dee (bateria), músicos experientes que contribuem para uma performance coesa e tecnicamente refinada ao longo de todo o trabalho.

Logo na abertura, “Higher Than High” estabelece o tom do álbum com um hard rock direto e vigoroso, destacando a precisão da base rítmica e a versatilidade das guitarras, além da interpretação segura de Vaughn. Na sequência, “Starts With a Feeling” aposta em uma abordagem mais acessível, com base acústica e um refrão marcante, evidenciando o apelo melódico característico da banda.

“Bad for Good” reforça as influências clássicas do grupo, com uma estrutura rítmica dinâmica e um trabalho de baixo e bateria particularmente expressivo, enquanto “We Rise” surge como um dos momentos mais grandiosos do disco, combinando introdução acústica, refrão expansivo e arranjos que dialogam diretamente com o ambiente ao vivo.

A versatilidade do álbum se evidencia em “Donnowhuddidis”, que incorpora elementos de blues e rhythm and blues em uma abordagem descontraída e envolvente, com destaque para o piano. Já a faixa-título, “Closer to the Sun”, apresenta uma construção mais elaborada, funcionando como uma power ballad moderna, com ênfase na interpretação vocal e nos arranjos acústicos.

“Harleys & Indians (Riders in the Sky)” traz uma atmosfera temática e energética, com forte presença de gaita e um andamento que remete ao espírito das estradas americanas. Em contrapartida, “Hit Me Where It Hurts” retoma o peso com uma abordagem mais direta e agressiva, destacando-se como uma das faixas mais intensas do álbum.

Entre os momentos mais emotivos, “The Picture” se consolida como uma power ballad exemplar, sustentada por uma performance vocal expressiva e arranjos refinados. Já “Far and Away” aposta em uma estética predominantemente acústica, explorando nuances mais intimistas e incorporando elementos como violino e percussão leve.

Encerrando o trabalho, “The Brave” apresenta uma atmosfera otimista e nostálgica, com influências claras do hard rock dos anos 1980, remetendo à sonoridade de bandas como Bon Jovi na fase New Jersey, mas mantendo a identidade própria do Tyketto.

Closer to the Sun é, acima de tudo, um álbum que reafirma a capacidade do Tyketto de dialogar com sua herança musical sem soar datado. Com composições bem estruturadas, performances consistentes e uma produção eficiente, o disco se posiciona como um dos lançamentos mais sólidos do hard rock melódico recente, agradando tanto fãs de longa data quanto novos ouvintes.

***ENGLISH VERSION***

Tyketto return in 2026 with Closer to the Sun, their sixth studio album, reaffirming the longevity and enduring relevance of one of melodic hard rock’s most consistent acts. Led by Danny Vaughn, the band delivers a record that balances lyrical maturity with musical energy, exploring universal themes such as love, loss, and the realities of everyday life without straying from its core identity.

Musically, the album moves seamlessly between the punch of classic hard rock and the emotional depth of power ballads, echoing influences from bands like Whitesnake and Aerosmith while maintaining a contemporary edge. Recorded across multiple studios in the UK and Europe — including the legendary Rockfield Studios in Wales — the album benefits from a polished production that highlights both its weight and melodic sensibility.

The lineup features Harry Scott Elliott (guitars), Ged Rylands (keyboards), Chris Childs (bass), and Johnny Dee (drums), a seasoned group of musicians whose tight and dynamic performances elevate the material throughout the record.

Opening track “Higher Than High” sets the tone with a driving, no-nonsense hard rock approach, underpinned by a precise rhythm section, versatile guitar work, and Vaughn’s commanding vocal delivery. “Starts With a Feeling” follows with a more accessible angle, built around acoustic foundations and a highly memorable chorus that showcases the band’s melodic strengths.

“Bad for Good” leans into classic influences, combining a dynamic rhythmic structure with standout contributions from the bass and drums, while “We Rise” emerges as one of the album’s most anthemic moments, pairing an acoustic intro with a soaring chorus clearly designed for the live arena.

The band’s versatility comes to the forefront in “Donnowhuddidis,” a blues-infused track that blends hard rock with rhythm and blues elements, driven by a lively piano performance. The title track, “Closer to the Sun,” offers a more layered composition, effectively functioning as a modern power ballad with a strong emphasis on vocal expression and acoustic textures.

“Harleys & Indians (Riders in the Sky)” delivers a high-energy, road-inspired atmosphere, featuring prominent harmonica work and a driving groove, while “Hit Me Where It Hurts” brings the focus back to a heavier, more straightforward hard rock attack, standing out as one of the album’s most intense cuts.

Among the more emotional highlights, “The Picture” stands as a textbook power ballad, anchored by a deeply expressive vocal performance and refined instrumental arrangements. In contrast, “Far and Away” explores a more stripped-down, acoustic-driven approach, incorporating subtle elements such as violin and light percussion to create a more intimate soundscape.

Closing track “The Brave” wraps up the album on an uplifting and nostalgic note, drawing clear inspiration from the late ’80s hard rock sound — particularly reminiscent of Bon Jovi’s New Jersey era — while still retaining Tyketto’s distinct identity.

Ultimately, Closer to the Sun is a record that reinforces Tyketto’s ability to honor their musical roots without sounding dated. With strong songwriting, consistent performances, and a well-balanced production, the album stands as a solid addition to the contemporary melodic hard rock landscape, appealing to longtime fans and newcomers alike.

Divulgação 



quinta-feira, 12 de março de 2026

Ignescent: Peso, Melodia e Atmosfera Eletrônica (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

A banda norte-americana Ignescent retorna com Eternal, álbum produzido por Jeremy Valentine (New Years Day) em parceria com Brandon Wolfe. O trabalho apresenta uma coleção consistente de faixas que transitam pelo metal moderno com fortes elementos eletrônicos e influências do Nu Metal dos anos 2000. Entre os destaques estão “Joker”, “Fearless” — composta em parceria com Sameer Bhattacharya, do Flyleaf — e “Chariot Of Fire”, que conta com a participação especial de Clint Lowery, guitarrista do Sevendust.

Logo na abertura, “Joker” apresenta a identidade sonora do disco. A faixa aposta em vocais carregados de efeitos e em uma melodia marcante, sustentada por um refrão forte e diversas alternâncias dinâmicas entre as partes instrumentais e vocais. Backing vocals masculinos acrescentam textura à composição, enquanto a produção garante clareza e equilíbrio entre os instrumentos.

Em “Scream”, o grupo se aproxima ainda mais das raízes do Nu Metal. A música começa com guitarras de timbre mais sujo e vocais quase falados, criando uma atmosfera que remete diretamente à estética do gênero. O refrão, por sua vez, traz uma abordagem melódica que lembra a escola do Linkin Park, com destaque para os fraseados de piano que reforçam o clima emocional da faixa.

A intensidade retorna em “Fight For Me”, que alterna momentos de peso com passagens mais minimalistas. Após uma introdução pesada, a música desacelera para um trecho praticamente vocal antes de explodir em um refrão envolvente. Mais uma vez, os vocais de Jennifer Benson assumem papel central, demonstrando versatilidade e presença. A bateria com estética eletrônica também chama atenção, reforçando a influência da sonoridade pesada do início dos anos 2000.

“Fearless” surpreende ao iniciar com uma base eletrônica de caráter quase pop, que rapidamente se transforma em uma faixa pesada e cadenciada. Os vocais limpos de Jennifer dialogam com backing vocals masculinos bem posicionados, criando contraste interessante ao longo da música. Apesar da densidade sonora, a estrutura da faixa se aproxima de uma balada moderna, com direito a um interlúdio marcado por guitarras extremamente distorcidas.

As influências do Nu Metal aparecem de forma ainda mais explícita em “Shame Shadow”. A faixa reúne diversos elementos característicos do estilo, como scratches eletrônicos, referências ao hip hop e guitarras densas que contrastam com os vocais limpos da cantora. O refrão repetitivo na segunda metade da música reforça a atmosfera típica do gênero.

Em “Our Love Dies”, o Ignescent explora um lado mais melódico sem abandonar sua estética moderna. As guitarras pesadas sustentam uma base sólida para os vocais melódicos, que permanecem em destaque durante toda a composição. Os efeitos aplicados à voz continuam presentes, consolidando uma das principais assinaturas sonoras da banda.

O lado mais acessível do álbum surge em “Light Up The Night”, uma balada que revela uma faceta mais suave do grupo. Ainda assim, elementos característicos do Ignescent — como as batidas eletrônicas e os efeitos vocais — permanecem presentes. A construção da música remete às tradicionais power ballads, criando a expectativa constante de uma explosão sonora que nunca chega de forma completa.

“Alone In The Dark” segue uma estrutura semelhante, iniciando de forma introspectiva antes de evoluir para um refrão mais pesado. A faixa se destaca pelas melodias cativantes distribuídas ao longo de toda a composição, consolidando-se como uma sólida power ballad dentro do repertório do disco.

A participação especial aparece em “Chariot Of Fire”, que conta com Clint Lowery, do Sevendust. A presença do músico adiciona uma nova dimensão à faixa, especialmente pelo dueto vocal que se desenvolve ao longo da música. O resultado é uma composição moderna, intensa e bem construída, que certamente agradará aos fãs do metal contemporâneo.

Encerrando o álbum, a faixa-título “Eternal” mantém a coerência estética do trabalho. A música combina elementos eletrônicos com uma base pesada, destacando os vocais de Jennifer e o baixo de Mikey Green. O refrão marcante garante um fechamento sólido para o disco, consolidando a faixa como um dos momentos mais fortes do álbum.

De forma geral, Eternal apresenta um Ignescent coeso e alinhado com a sonoridade do metal moderno, equilibrando peso, elementos eletrônicos e forte presença melódica. Embora a intensidade diminua ligeiramente na reta final devido à sequência de faixas mais cadenciadas, o álbum se mantém consistente e certamente agradará aos fãs de bandas que mesclam metal contemporâneo com influências do Nu Metal.

***ENGLISH VERSION***

American band Ignescent returns with Eternal, a new album produced by Jeremy Valentine (New Years Day) alongside Brandon Wolfe. The record delivers a cohesive collection of modern metal tracks infused with strong electronic elements and clear influences from the early-2000s Nu Metal scene. Among the highlights are “Joker”, “Fearless” — co-written with Sameer Bhattacharya of Flyleaf — and “Chariot Of Fire,” featuring a special guest appearance by Clint Lowery of Sevendust.

The album opens with “Joker” a track that immediately establishes the band’s sonic identity. The song blends heavily processed vocals with a strong melodic backbone and a compelling chorus. Dynamic shifts between instrumental and vocal passages add depth to the arrangement, while male backing vocals provide additional texture. The production ensures clarity and balance among the instruments, reinforcing the band’s tight overall performance.

On “Scream” the group leans further into Nu Metal territory. The track begins with gritty guitar tones and almost spoken vocals, creating a raw atmosphere reminiscent of the genre’s classic aesthetic. The chorus introduces a more melodic approach that evokes the influence of Linkin Park, while piano accents subtly enhance the emotional tone of the song.

“Fight For Me” brings the intensity back with a structure that alternates between heavy and stripped-down moments. After a powerful opening section, the track briefly transitions into a nearly vocal-only passage before exploding into a memorable chorus. Once again, Jennifer Benson vocals take center stage, showcasing both power and versatility. The electronic-styled drum production further emphasizes the early-2000s heavy music influence.

“Fearless” surprises from the outset with a fully electronic introduction built on a pop-inspired beat before quickly shifting into a heavier groove. Jennifer’s clean vocals blend seamlessly with well-placed male backing vocals, creating a compelling contrast throughout the track. Despite its heavy elements, the song carries the pacing and emotional feel of a modern power ballad, especially with the inclusion of a gritty guitar-driven interlude.

Nu Metal influences become even more explicit on “Shame Shadow”. The track incorporates many of the genre’s defining traits, including electronic scratches, subtle hip-hop influences, and thick guitar riffs that contrast with Jennifer’s clean vocal delivery. The extended repetition of the chorus in the second half of the song reinforces the classic Nu Metal atmosphere.

With “Our Love Dies” Ignescent explores a more melodic side without abandoning its modern metal identity. Heavy guitars provide a solid foundation for expressive vocal melodies that remain prominent throughout the song rather than appearing only in the chorus. The continued use of vocal effects further highlights one of the band’s defining sonic signatures.

The band’s softer side emerges in “Light Up The Night” a ballad that showcases a more atmospheric approach. Even so, signature elements such as electronic beats and layered vocal effects remain present. The structure evokes the classic power ballad format, constantly building anticipation for a heavier climax that never fully arrives.

“Alone In The Dark” follows a similar dynamic, beginning with a restrained atmosphere before building toward a heavier chorus. The track stands out for its strong melodic hooks, which appear not only in the chorus but throughout the entire composition, making it one of the album’s most engaging power ballads.

The album’s featured collaboration appears in “Chariot Of Fire” which includes Clint Lowery of Sevendust. His presence adds an extra layer of intensity, particularly through the vocal interplay with Jennifer that runs through much of the song. The result is a powerful and modern composition that will certainly appeal to fans of contemporary metal.

Closing the album, the title track “Eternal” maintains the sonic cohesion established throughout the record. The song blends electronic textures with a heavy instrumental base, highlighting Jennifer’s vocals and Mikey Green bass performance. Its strong chorus provides a fitting conclusion and positions the track among the album’s standout moments.

Overall, Eternal presents a focused and cohesive Ignescent, balancing heavy guitars, electronic textures, and strong melodic elements. While the album’s intensity slightly softens in its later stages due to a sequence of slower tracks, it remains a consistent and engaging listen that will resonate with fans of modern metal infused with Nu Metal influences.

Timothy Benson

quarta-feira, 11 de março de 2026

Venus 5: O Avanço do Metal Feminino Europeu (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges

A banda multinacional feminina Venus 5 retorna em 2026 com March of the Venus 5, seu segundo trabalho de estúdio e um claro passo adiante em relação ao debut autointitulado lançado em 2022. Formado por cinco vocalistas de diferentes países europeus — Karmen Klinc (Eslovênia), Jelena Milovanovic (Sérvia), Tezzi Persson (Suécia, também conhecida por seu trabalho com o Hell in the Club), Herma (Itália, do Sick N’ Beautiful) e Erina Seitllari (Albânia) — o projeto aprofunda sua identidade sonora ao apostar em uma abordagem mais pesada e próxima do metal tradicional, sem abandonar os elementos modernos e melódicos que definem sua proposta.

A produção volta a ficar nas mãos de Aldo Lonobile (Secret Sphere), enquanto a composição conta novamente com a participação de Jake E. (ex-Amaranthe, Cyhra). O resultado é um álbum que equilibra riffs contundentes, arranjos vocais elaborados e elementos eletrônicos e sinfônicos, dentro de uma estética que dialoga diretamente com o metal europeu contemporâneo.

A faixa-título “March of the Venus 5” abre o álbum de forma imponente, apresentando um poderoso coral de vozes femininas sustentado por guitarras pesadas e uma base rítmica sólida. O trabalho de guitarra de Gabriele Robotti se destaca ao criar a estrutura ideal para que as vocalistas alternem protagonismo ao longo da música.

Na sequência, “Like a Witch” aposta em uma combinação eficiente de metal melódico com elementos eletrônicos. As trocas de vozes funcionam com precisão, evidenciando as características individuais de cada cantora, enquanto o refrão em uníssono reforça a identidade coletiva do grupo.

“Far Away” surge com uma introdução épica e se desenvolve como uma power ballad de forte apelo melódico. A faixa se destaca pelos arranjos vocais elaborados e pela melodia marcante do refrão, além do inspirado trabalho de baixo de Andrea Buratto e de um solo de guitarra bastante expressivo.

Com “Set Me Free”, o álbum retoma o peso com maior intensidade. A escolha de timbres de teclado ajuda a construir a atmosfera da música, enquanto o refrão explosivo reforça sua vocação para momentos mais energéticos. Mais uma vez, o destaque fica para o desempenho vocal coletivo.

“Stereotypes” mergulha em uma sonoridade moderna claramente influenciada por nomes como Amaranthe e Follow the Cypher. Com forte presença de elementos eletrônicos, a faixa se destaca pelo equilíbrio entre peso e complexidade, apresentando um refrão poderoso que flerta com o power metal.

“Surrender” mantém essa linha contemporânea, abrindo com teclados épicos que remetem a bandas como Stratovarius. A música evolui para um refrão pesado e marcante, com destaque para os arranjos de teclado de Antonio Agate, que enriquecem a dinâmica da composição.

Em “Satellite”, o grupo apresenta mais um exemplo da consistência sonora do álbum. A faixa traz elementos eletrônicos que lembram a abordagem de bandas como Beast in Black, mas sem perder a identidade própria do Venus 5. O resultado é uma música cadenciada, reforçada por bons solos de guitarra e um refrão eficiente.

A pesada “Invincible” aposta em arranjos vocais diferenciados, especialmente nos versos, antes da entrada de um refrão poderoso interpretado coletivamente. A produção moderna e as batidas eletrônicas contribuem para ampliar o alcance sonoro da faixa sem comprometer a identidade do grupo.

“Winter On My Skin” é a power ballad mais tradicional do disco. A combinação entre versos cadenciados e um refrão forte cria um momento emocional dentro do álbum, reforçado por arranjos vocais bem construídos e por um belo solo de guitarra acústica.

Em “Take It From The Start”, o grupo volta a explorar a atmosfera épica das baladas do metal melódico. A faixa começa de forma delicada, quase como uma balada, antes de evoluir para um refrão grandioso que evidencia o potencial das cinco vocalistas cantando juntas.

Encerrando o álbum, “The Other Shore” aposta em uma abordagem mais sinfônica. A introdução orquestral dá espaço a um interessante revezamento vocal que culmina em um coro marcante, fechando o disco de forma elegante e imponente.

Com March of the Venus 5, o projeto consolida sua proposta ao equilibrar peso, melodias marcantes e arranjos vocais sofisticados. Ao se afastar parcialmente da abordagem mais pop do primeiro trabalho e investir em um metal mais robusto, o Venus 5 entrega um álbum coeso, moderno e extremamente cativante para fãs do metal melódico contemporâneo.

***ENGLISH VERSION***

The album opens in commanding fashion with the title track “March of the Venus 5.” A powerful chorus of female voices emerges over heavy guitars and a solid rhythmic foundation, immediately establishing the band’s dynamic vocal interplay. Guitarist Gabriele Robotti delivers a strong performance, crafting the perfect framework for the five singers to showcase their individual strengths.

“Like a Witch” follows with an effective mix of melodic metal and electronic elements. The vocal exchanges are precise and well-balanced, highlighting the unique tone of each singer while the unison chorus reinforces the collective identity of the group.

With its epic introduction, “Far Away” unfolds as a classic power ballad driven by an emotional vocal melody. The track stands out for its layered vocal arrangements, an expressive guitar solo, and the tasteful bass work of Andrea Buratto.

The energy rises again with “Set Me Free” where heavier guitar tones and well-chosen keyboard textures help create a vibrant atmosphere. The explosive chorus gives the track a strong live appeal, while the vocal performance remains the central focus.

“Stereotypes” dives deeper into a modern sound clearly inspired by bands such as Amaranthe and Follow the Cypher. Blending electronic elements with metal instrumentation, the track balances heaviness and complexity, culminating in a powerful chorus that flirts with power metal aesthetics.

Opening with epic keyboards reminiscent of Stratovarius, “Surrender” continues the contemporary approach while delivering a heavier and more dynamic chorus. The keyboard arrangements by Antonio Agate add an additional layer of depth to the composition.

“Satellite” further demonstrates the album’s sonic consistency. Electronic beats reminiscent of Beast in Black appear throughout the track, yet without overshadowing the band’s identity. The result is a well-paced melodic metal song enhanced by strong guitar solos and a memorable chorus.

The heavy “Invincible” introduces a slightly different vocal structure in its verses before exploding into a powerful collective chorus. Modern production and subtle electronic elements enrich the track without compromising the band’s core sound.

“Winter On My Skin” stands as the album’s most traditional power ballad. The contrast between restrained verses and a soaring chorus creates an emotional highlight, complemented by refined vocal arrangements and a tasteful acoustic guitar solo.

Another epic moment arrives with “Take It From The Start”. Beginning almost like a classic ballad, the song gradually builds toward a grand and emotional chorus that highlights the full potential of the five singers performing together.

Closing the album, “The Other Shore” embraces a more symphonic approach. Its orchestral introduction leads into alternating vocal lines before culminating in a powerful chorus, bringing the record to an elegant and memorable conclusion.

With March of the Venus 5, the project successfully refines its formula by balancing heaviness, melodic hooks and intricate vocal arrangements. By moving slightly away from the more pop-oriented approach of the debut and leaning toward a more robust metal sound, Venus 5 delivers a cohesive, modern and highly engaging album for fans of contemporary melodic metal.

Arianna Ceccarelli


segunda-feira, 9 de março de 2026

Cobertura de Show: Living Colour – 27/02/2026 – Tokio Marine Hall/SP

O Tokio Marine Hall abriu suas portas para receber o lendário Living Colour em sua celebração de quatro décadas de carreira, com a turnê “The Best of 40 Years” trazendo o melhor da banda. O que se viu foi um espetáculo de energia, técnica e paixão, que contagiou uma casa lotada e um público visivelmente animado. Desde o início da apresentação, ficou claro que a banda não estava ali apenas para cumprir tabela, mas para entregar uma performance visceral, digna de sua história e de seu legado musical. A expectativa era alta, e o quarteto não decepcionou, transformando a noite em uma celebração do rock em sua forma mais pura e inovadora.

O quarteto americano, atualmente formado por Corey Glover (vocais), Vernon Reid (guitarra), Doug Wimbish (baixo) e Will Calhoun (bateria), é uma força da natureza. A banda, que sempre desafiou rótulos, mistura com maestria elementos de hard rock, funk, jazz, metal e soul, criando uma sonoridade única e inconfundível. No palco do Tokio Marine Hall, essa fusão foi apresentada com uma intensidade que apenas anos de estrada e uma química impecável podem proporcionar. Glover, com sua voz potente e expressiva, comandava a plateia, enquanto Reid esbanjava solos cheios de personalidade. Wimbish e Calhoun formavam uma “cozinha” cheia de groove, base perfeita para a experimentação sonora do grupo.

O show começou com a pancada de “Leave It Alone”, que imediatamente incendiou a plateia, seguida pela pegada irresistível de “Middle Man”. A banda mostrou, desde o início, sua versatilidade ao emendar um cover surpreendente de “Memories Can't Wait”, do Talking Heads, injetando sua própria identidade na faixa. A sequência continuou com a crítica social de “Ignorance Is Bliss” e a energia contagiante de “Go Away”, mantendo o público em constante movimento. O groove funkeado de “Funny Vibe” antecedeu um “Parabéns a Você” dedicado a alguém do público; Corey chegou a descer do palco para cantar bem próximo ao aniversariante. Na sequência, a intensidade de “Bi” preparou o terreno para outro momento inesperado: o cover de “Hallelujah”, de Leonard Cohen, que ganhou uma interpretação belíssima e emocionante de Corey.

A apresentação continuou ganhando intensidade e explorando diferentes sonoridades. “Open Letter (to a Landlord)” começou introspectiva e logo ganhou novos contornos como somente o Living Colour sabe fazer antes do palco ser dominado pela maestria individual dos músicos. O solo de bateria de Will Calhoun foi um show à parte, uma demonstração de técnica e criatividade que culminou com um trecho de “Baianá”, do Barbatuques, em homenagem à cultura brasileira. Dali em diante, o show ganhou novo fôlego com a poderosa “This Is the Life” e o hino “Pride”, que fez o público cantar em uníssono.

O ápice da noite se aproximava com a sequência avassaladora de clássicos. Então, o baixista Doug Wimbish foi ao microfone para anunciar que fariam algo especial, e a banda entregou uma fusão explosiva de “White Lines (Don't Don't Do It) / Apache / The Message”, transformando o palco em uma pista de dança com o melhor do hip hop. O cover de “You Don't Love Me (No, No, No)”, de Dawn Penn, adicionou um toque reggae, mostrando a pluraridade de influências do grupo. “Glamour Boys” e “Love Rears Its Ugly Head” foram cantadas a plenos pulmões pelos fãs, demonstrando devoção as canções mais emblemáticas do Living Colour. A versão rápida e pesada de “Type” manteve a energia em alta, evidenciando que a banda é mestre em criar dinâmicas surpreendentes. O cover de “Police and Thieves”, de Junior Murvin, trouxe um momento de relativa calmaria.

O grand finale foi, como esperado, marcante. “Time's Up” e o hino “Cult of Personality” levaram o Tokio Marine Hall à loucura, com Corey Glover interagindo intensamente e Vernon Reid disparando riffs que são marca registrada da banda. A energia era intensa, e a sensação de se presenciar um momento histórico era evidente. Sem sair do palco, o bis ocorreu com a melódica e esperançosa “Solace of You”, fechando a noite de maneira apoteótica, com participação calorosa do público, que cantou o refrão por minutos. Com duas horas de apresentação, a banda deixou o palco visivelmente emocionada. O show foi mais do que uma sequência de músicas bem executadas: foi uma aula de presença de palco, diversidade sonora e entrega. Quarenta anos depois, o Living Colour soa atual, afiado e necessário. Quem esteve presente saiu com a sensação de ter assistido não apenas a um grande concerto, mas a uma banda que ainda tem muita lenha para queimar.


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Top Link Music 


Living Colour – setlist:

Leave It Alone

Middle Man

Memories Can't Wait (Talking Heads cover)

Ignorance is Bliss

Go Away

Funny Vibe

Bi

Hallelujah (Leonard Cohen cover)

Open Letter (to a Landlord)

Drum Solo / Baianá (Barbatuques cover) 

This Is the Life

Pride

White Lines (Don't Don't Do It) / Apache / The Message

You Don't Love Me (No, No, No) (Dawn Penn cover)

Glamour Boys

Love Rears Its Ugly Head

Type

Police and Thieves (Junior Murvin cover)

Time's Up

Cult of Personality

Solace of You 

Entrevista - Brutal Reality: A Essência do Death Metal em su Forma mais Brutal

 

- Olá Julio. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do álbum “The Cycle of Fall”, pois o material ficou de primeira... Como você pode descrever o trabalho na composição deste tipo de sonoridade?

É interessante falar sobre isso porque foi um processo natural com início em 1994, quando começamos a nos aprofundar no estilo de música, tendo bandas como Slayer, Cannibal Corpse, Morbig Angel, Deicide, Dorsal Atlantica, Sepultura e Ratos de Porão como a nossa playlist de todos os dias quando tinhamos apenas 15 anos. Ao seguir dos anos foi um amadurecimento natural na forma de composição, assim conseguindo chegar em uma sonoridade que nos representa na essência do que gostamos.

- Eu escutei o álbum diversas vezes e, só após várias tentativas, consegui captar parte das suas ideias. Os fãs têm sentido este tipo de dificuldade também?

Foi positivo a abordagem das pessoas para falar da temática das músicas, inclusive sobre a conexão da arte da capa com as letras. Eles entenderam sobre o caos expresso na capa com a mensagem das músicas Mind Controller, The real Enemy e Power by Blood, que falam majoritariamente da manipulação pela desinformação e apelo religioso para alcançar o poder. Esses são os agentes moderadores da sociedade bloqueando a estrutura racional da sociedade. 

- Existem planos para o lançamento de “The Cycle of Fall” através da MS Metal Records, atual gravadora de vocês, no formato físico?

Estamos em negociações com a MS Metal Records.

- Adorei o fato de trabalharem com o inglês, mas isso não pode vir a atrapalhar vocês no mercado nacional?

O público do metal extremo sempre foi receptivo as bandas cantando em inglês, então o foco é mais sonoro seguido pela mensagem.

- Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A aceitação está sendo positiva?

A conexão da banda com os head bangers foi de imediato, ficamos felizes porque eles entenderam o nosso som. A melhor resposta são as rodas de circle beat.

- Quem assinou a capa do CD? Qual a intenção dela e como ela se conecta com o título?

A capa é do Aurélio Lara (Designlara Artwork), ele é de Cuiaba/MT. A sua arte foi de encontro com o título do Álbum, pois nessa imagem temos uma visão do caos com duas estatuas que simbolizam a justiça sendo destruídas.

- Onde “The Cycle of Fall” foi produzido? Foi satisfatório o resultado obtido com ele?

A produção foi realizada pelo Rogerio Weko do Dual Noise Studio. Ele já gravou diversas bandas do cenário do metal, experiência de anos do meio. É um cara que conseguiu reproduzir tudo o que pedimos para o som e ficamos muito felizes com o resultado. Foi e continuará sendo uma parceria, porque o segundo álbum também será com ele.

- Imagino que já estejam trabalhando em novo material, estou certo? Se sim, como está se dando o processo e como ele está soando?

Estamos trabalhando no segundo álbum, já temos cinco composições que estão na linha do que queremos, pesado e visceral.

- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao BRUTAL REALITY... Agora é contigo para as suas considerações finais... 

Agradecemos a oportunidade para divulgação da banda, falando um pouco mais em detalhes sobre o Brutal Reality. Um grande abraço!