sexta-feira, 26 de junho de 2026

Code Red: Joia Oculta (Also In English)

Pride And Joy Music (Imp.)

Por Flavio Borges 

Lançado originalmente em 2017, Incendiary representou a única investida do projeto sueco Code Red, capitaneado pelo vocalista e compositor Ulrick Lönnqvist (Sahara) e pelo guitarrista Morgan Jensen (Swedish Erotica). Embora tenha passado relativamente despercebido pelo grande público em seu lançamento, o álbum conquistou gradualmente status cult entre os apreciadores de AOR e melodic rock, tornando-se uma peça cada vez mais valorizada por colecionadores e fãs do gênero.

Agora, quase uma década depois, o disco retorna ao mercado através da Pride & Joy Music Classixx em uma edição remasterizada por Jimmy Gunnarsson, acompanhada de faixas bônus inéditas. Mais do que uma simples reedição, trata-se do resgate de uma obra que merece ser redescoberta por uma nova geração de ouvintes e revisitada por aqueles que acompanharam a excelente safra escandinava de AOR surgida na década passada.

Produzido originalmente por Daniel Flores, nome conhecido por trabalhos com Find Me, Hydra e diversos projetos ligados à cena melódica europeia, Incendiary sintetiza com precisão aquilo que tornou a Suécia uma potência do gênero: melodias refinadas, refrães memoráveis, arranjos vocais elaborados e uma produção moderna capaz de soar grandiosa sem sacrificar a identidade orgânica das composições.

O que diferencia o Code Red de inúmeros projetos semelhantes é justamente sua capacidade de equilibrar o refinamento melódico do AOR clássico com uma dose considerável de peso herdada do hard rock. Enquanto muitos lançamentos contemporâneos do gênero apostam excessivamente em polimento e suavidade, Incendiary preserva uma energia mais robusta, aproximando-se ocasionalmente de nomes como Survivor, Giant e até momentos mais acessíveis do Europe e do Whitesnake dos anos 1980.

A abertura com “I Won’t Be Your Hero” estabelece imediatamente essa proposta. As guitarras surgem mais agressivas do que o esperado para um álbum de AOR tradicional, mas logo cedem espaço a um refrão extremamente cativante, sustentado por harmonias vocais impecáveis. É uma introdução que resume perfeitamente a identidade do projeto.

Na sequência, “Heat Of The Night” reforça o lado mais clássico da banda, combinando uma construção melódica sofisticada com um refrão cinematográfico que evidencia a excelente performance vocal de Lönnqvist. Já “Lift Me Up” amplia o leque sonoro ao incorporar discretos elementos pop e texturas que adicionam profundidade sem comprometer a essência melódica do trabalho.

“My Hollywood Ending” mergulha de cabeça na estética dourada do AOR oitentista. Seus timbres, andamento e estrutura remetem diretamente aos anos de ouro do gênero, mas a produção evita qualquer sensação de mero exercício nostálgico. O mesmo pode ser dito de “Saving Grace”, uma das composições mais completas do álbum, cujo refrão poderoso e solo inspirado demonstram o elevado nível dos músicos envolvidos.

Se existe uma característica constante ao longo de Incendiary, é a capacidade de transformar fórmulas conhecidas em canções genuinamente envolventes. “Eternal Pretender” e “Forever And A Day” exemplificam isso com perfeição, apresentando refrães de assimilação imediata sem recorrer a clichês excessivos. Há um senso de equilíbrio admirável entre acessibilidade comercial e credibilidade artística.

Momentos mais introspectivos também encontram espaço. “Like I Remember You” e “Returning The Flame” exploram nuances emocionais mais profundas, apostando em arranjos elegantes e interpretações vocais carregadas de sentimento. Em especial, “Returning The Flame” destaca-se como uma das faixas mais maduras do repertório, beneficiada por um dos solos mais inspirados de todo o álbum.

“Are You Leaving Now”, que encerra a versão original, funciona quase como uma declaração definitiva da proposta artística do Code Red. Todos os elementos que definem o projeto estão presentes: melodias marcantes, refrões grandiosos, guitarras expressivas e uma produção exemplar.

As faixas adicionais justificam plenamente sua inclusão nesta nova edição. “Into The Fire” apresenta uma abordagem ligeiramente mais pesada e contemporânea, refletindo a evolução natural da sonoridade associada a Lönnqvist, enquanto “Some Of Us” preserva intacto o DNA melódico que tornou o álbum tão especial. A inclusão da demo de “Saving Grace” completa o pacote ao oferecer uma interessante perspectiva sobre o processo criativo da banda.

O maior mérito de Incendiary talvez seja sua impressionante consistência. Em uma época em que muitos projetos de AOR dependem excessivamente de produção luxuosa para mascarar composições medianas, o Code Red entrega exatamente o contrário: um conjunto de canções fortes que continua soando relevante mesmo anos após seu lançamento original.

Não é exagero afirmar que Incendiary figura entre os trabalhos mais subestimados do AOR escandinavo moderno. O fato de ter sido o único álbum lançado pelo Code Red apenas reforça o caráter especial desta obra. Poucos projetos conseguem deixar uma marca tão duradoura com apenas um registro de estúdio. Quase dez anos depois, este relançamento confirma aquilo que muitos fãs já sabiam: Incendiary permanece como uma das joias escondidas do melodic rock europeu da última década.

***ENGLISH VERSION***

Originally released in 2017, Incendiary marked the sole venture of Swedish project Code Red, spearheaded by vocalist and songwriter Ulrick Lönnqvist (Sahara) alongside guitarist Morgan Jensen (Swedish Erotica). Although it largely flew under the radar upon release, the album gradually achieved cult status among AOR and melodic rock enthusiasts, becoming an increasingly sought-after gem for collectors and fans of the genre.

Now, nearly a decade later, the album returns through Pride & Joy Music Classixx in a remastered edition by Jimmy Gunnarsson, accompanied by previously unreleased bonus tracks. More than a simple reissue, this release serves as the rediscovery of a record that deserves to be embraced by a new generation of listeners while being revisited by those who followed the remarkable Scandinavian AOR boom of the last decade.

Originally produced by Daniel Flores—best known for his work with Find Me, Hydra, and numerous melodic rock projects—Incendiary perfectly encapsulates the qualities that established Sweden as a powerhouse of the genre: refined melodies, memorable choruses, sophisticated vocal arrangements, and a modern production capable of sounding grandiose without sacrificing the organic character of the songs.

What truly sets Code Red apart from many of its contemporaries is its ability to balance the elegance of classic AOR with a substantial dose of hard rock muscle. While many modern melodic rock releases lean heavily on polished production and smooth textures, Incendiary retains a tougher edge, occasionally recalling the spirit of Survivor, Giant, and even the more accessible moments of Europe and Whitesnake during their 1980s heyday.

Opening track “I Won’t Be Your Hero” immediately establishes this formula. The guitars arrive with far more aggression than one might expect from a traditional AOR album, before giving way to an irresistibly catchy chorus supported by immaculate vocal harmonies. It is an introduction that perfectly defines the project’s identity.

“Heat Of The Night” follows by reinforcing the band’s more classic side, combining sophisticated melodic craftsmanship with a cinematic chorus that highlights Lönnqvist’s impressive vocal performance. Meanwhile, “Lift Me Up” broadens the album’s sonic palette through subtle pop influences and atmospheric textures that add depth without compromising its melodic foundation.

“My Hollywood Ending” dives headfirst into the golden age of 1980s AOR. Its tones, pacing, and overall structure evoke the genre’s most celebrated era, yet the production prevents it from feeling like a mere nostalgic exercise. The same can be said for “Saving Grace,” one of the album’s strongest compositions, whose soaring chorus and inspired guitar work showcase the exceptional level of musicianship involved.

If there is one defining characteristic throughout Incendiary, it is the band’s ability to transform familiar formulas into genuinely compelling songs. “Eternal Pretender” and “Forever And A Day” are prime examples, delivering instantly memorable choruses without relying on excessive clichés. There is a remarkable balance between commercial accessibility and artistic credibility running throughout the album.

The more introspective moments are equally effective. “Like I Remember You” and “Returning The Flame” explore deeper emotional territory through elegant arrangements and heartfelt vocal performances. In particular, “Returning The Flame” stands out as one of the album’s most mature compositions, elevated by arguably its finest guitar solo.

Closing the original album, “Are You Leaving Now” functions almost as a mission statement for Code Red. Every defining element of the project is present: memorable melodies, anthemic choruses, expressive guitar work, and exemplary production values.

The bonus material fully justifies its inclusion in this reissue. “Into The Fire” presents a slightly heavier and more contemporary approach, reflecting a natural evolution of the sound associated with Lönnqvist, while “Some Of Us” preserves the melodic DNA that made the original album so appealing. The inclusion of the demo version of “Saving Grace” provides an intriguing glimpse into the band’s creative process and rounds out the package nicely.

Perhaps Incendiary’s greatest strength is its remarkable consistency. In an era where many AOR projects rely on lavish production to compensate for mediocre songwriting, Code Red delivers the opposite: a collection of genuinely strong songs that remain engaging and relevant years after their original release.

It is no exaggeration to say that Incendiary ranks among the most overlooked gems of modern Scandinavian AOR. The fact that it remains Code Red’s only studio album only enhances its mystique. Few projects manage to leave such a lasting impression with a single release. Nearly ten years later, this reissue confirms what devoted fans have known all along: Incendiary remains one of the hidden treasures of European melodic rock from the past decade.

Anders Fästader

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Diatribes: degradação brutal e consistente

Por: Renato Sanson

O Metal extremo brasileiro continua demonstrando sua vitalidade através de bandas que não têm medo de explorar diferentes vertentes dentro da agressividade sonora. É exatamente esse o caso do Diatribes, que estreia com "Degenerate", um trabalho que aposta na fusão entre Death Metal e Thrash Metal para construir sua identidade. O resultado é um disco intenso, pesado e repleto de personalidade, ainda que nem sempre encontre o equilíbrio ideal entre suas influências.

Desde os primeiros momentos, fica evidente que o Diatribes possui músicos competentes e uma proposta bastante ambiciosa. Quando a banda direciona sua força para o Thrash Metal, os riffs assumem protagonismo com uma energia contagiante, evocando a velha escola do gênero sem parecer presa ao passado. Já nos momentos em que o Death Metal toma conta das composições, o peso se intensifica através de vocais brutais, andamentos mais densos e uma atmosfera sufocante que evidencia o lado mais extremo do grupo.

O ponto mais curioso de Degenerate está justamente na combinação dessas duas facetas. Individualmente, ambas funcionam muito bem. O problema surge quando a banda tenta unir constantemente os dois universos dentro das mesmas músicas. Em alguns momentos, as transições parecem abruptas e certas composições acabam transmitindo uma sensação de indecisão estilística. Não se trata de falta de qualidade ou de identidade, mas sim de uma fusão que ainda parece estar em processo de amadurecimento.

Por outro lado, seria injusto reduzir o álbum a essa observação. O saldo geral é extremamente positivo. O Diatribes demonstra criatividade, agressividade e, principalmente, vontade de construir algo próprio dentro de um cenário cada vez mais saturado de fórmulas repetidas. Há honestidade nas composições e uma evidente paixão pelo Metal extremo que transparece em cada faixa.

A produção também merece destaque. O som apresenta o peso necessário para valorizar as passagens mais brutais sem sacrificar a clareza dos instrumentos, permitindo que cada elemento encontre seu espaço na mixagem. 

Outro aspecto que chama atenção é a apresentação física. Lançado em um belo formato digipack através da True Metal Records em parceria com outros selos do underground nacional, Degenerate recebe um tratamento visual à altura de seu conteúdo. A arte de capa é impactante e traduz perfeitamente a sensação de decadência, violência e caos proposta pelo título do álbum, tornando o material ainda mais atrativo para colecionadores.

Como estreia, Degenerate cumpre sua missão com méritos. Mesmo apresentando alguns momentos em que a fusão entre Death e Thrash Metal poderia soar mais natural, o disco demonstra potencial de sobra e coloca o Diatribes como um nome promissor dentro do Metal extremo brasileiro. 





quarta-feira, 24 de junho de 2026

Kaziklu Bey – Odes To Tepes é tempestade, blasfemaria e caos

Por: Renato Sanson

Tempestade blasfema e inquieta. Poucos exemplos representam tão bem esse espírito quanto Odes To Tepes, tributo dedicado à lendária banda paulista de Black Metal Kaziklu Bey e ao seu eterno vocalista Ademir Carpathian Tepes, que nos deixou em janeiro de 2013. Durante mais de uma década à frente da banda, Carpathian Tepes ajudou a construir uma identidade marcada pelo culto ao vampirismo, guerra, blasfêmia e ao puro Black Metal obscuro e impiedoso. 

Reunindo diversas bandas da cena paulista, Odes To Tepes apresenta nove releituras de clássicos da Kaziklu Bey, transformando o álbum em uma verdadeira celebração do legado deixado pelo grupo. Faixas como “Guerra e Luxúria”, “Legião dos Empaladores”, “War Black Metal”, “Alcateia”, “Ao Ataque Noturno” e “Imaginary Voices” ressurgem sob novas interpretações, mantendo viva a chama negra acesa pela banda ao longo de sua trajetória. 

O grande mérito deste tributo está justamente em preservar a essência do material original. Cada banda imprime sua personalidade às composições, resultando em pequenas diferenças de produção e abordagem sonora. Ainda assim, essa variação não compromete a audição. Pelo contrário: reforça o caráter underground da homenagem e demonstra como a obra da Kaziklu Bey permanece relevante para diferentes gerações da cena extrema nacional.

A produção, embora heterogênea entre as faixas, consegue entregar peso, agressividade e atmosfera suficientes para representar com dignidade o ataque sonoro que caracterizava a banda. Não se trata de um trabalho excessivamente polido ou moderno; felizmente, a sujeira controlada e a crueza presentes em diversos momentos ajudam a manter intacto o espírito blasfemo e guerreiro.

Mais do que um simples álbum de covers, Odes To Tepes funciona como um documento de preservação histórica do Black Metal brasileiro. É uma homenagem sincera a um nome que ajudou a fortalecer o Metal extremo nacional e que ainda hoje desperta respeito entre os cultuadores do gênero.

Para os fãs da banda, o lançamento também aumenta a expectativa por um futuro material especial contendo as versões originais dessas composições gravadas pela própria Kaziklu Bey. Se isso realmente acontecer, será uma oportunidade valiosa para que novas gerações conheçam diretamente a força e a autenticidade de uma das mais obscuras entidades do Black Metal paulista.

Odes To Tepes é, acima de tudo, um tributo feito por quem vive o underground para aqueles que ajudaram a construí-lo. Um registro de respeito, memória e devoção ao legado imortal de Ademir Carpathian Tepes e da Kaziklu Bey. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

Immortal Spirits of Ancient Times (Split Live) – Necrosound / Cursed Christ / Fenrir / Sacristia

Por: Renato Sanson

O underground brasileiro sempre encontrou maneiras criativas de eternizar momentos especiais, e Immortal Spirits of Ancient Times surge justamente com essa proposta. Reunindo as bandas Necrosound, Cursed Christ, Fenrir e Sacristia, o álbum captura apresentações realizadas durante o Underground Festival, ocorrido em Campinas/SP, em maio de 2024. O material foi lançado pela Voz da Morte Productions em 2025, preservando na íntegra a atmosfera crua e sem filtros do evento.

Cada banda apresenta um pequeno recorte de seu repertório, evidenciando diferentes abordagens dentro do Metal extremo nacional. A Necrosound abre os trabalhos com sua mistura de Death e Black Metal carregada de agressividade, seguida pela Cursed Christ, que entrega passagens obscuras e ritualísticas. A Fenrir talvez seja a que melhor se beneficia do formato ao vivo, conseguindo transmitir intensidade e uma energia mais espontânea. Encerrando o registro, a Sacristia despeja sua brutalidade característica em performances que reforçam o caráter extremo da coletânea.

Entretanto, é justamente o fato de se tratar de uma gravação ao vivo que pode dividir opiniões. A captação opta por preservar toda a rusticidade do evento, resultando em um som bastante cru e, por vezes, excessivamente áspero. Em alguns momentos, a definição dos instrumentos fica comprometida, tornando difícil apreciar plenamente detalhes que provavelmente estariam mais evidentes em registros de estúdio. Para ouvintes acostumados a produções mais trabalhadas, essa característica pode soar como um obstáculo.

Ainda assim, seria injusto ignorar o mérito da proposta. Mesmo com limitações técnicas, Immortal Spirits of Ancient Times consegue transmitir aquilo que move o underground há décadas: paixão, autenticidade e espírito de resistência. O álbum funciona quase como um documento histórico de uma cena que continua viva graças ao esforço de músicos, produtores e fãs que mantêm a chama do Metal extremo acesa longe dos holofotes.

Não é um lançamento que vai conquistar a todos, porém, para quem valoriza registros honestos e a energia genuína dos palcos underground, este split cumpre seu papel ao capturar um momento real da cena extrema brasileira, sem retoques e sem concessões. Uma obra muito interessante com um valor documental histórico. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

John Elliot: à frente de duas bandas, dois discos e uma turnê pelo Brasil

Martin Vrigsjo - @martinvrigsjo

O vocalista do Confess e do Crashdïet fala à Road to Metal sobre os novos álbuns, suas inspirações, músicas favoritas e muito mais


Por Thais Navarro (@_thais_navarro)

Em meio a um dos momentos mais quentes para o Sleaze em anos, John Elliot conversou com a Road to Metal sobre estar à frente de duas das bandas mais relevantes da cena. Vocalista do Confess e do Crashdïet, ele vive um ano de lançamentos importantes (Metalmorphosis e Art of Chaos, respectivamente) e se prepara para desembarcar no Brasil em janeiro.

Na entrevista a seguir, Elliot fala sobre o momento atual do sleaze/glam/hard'n'heavy, as referências culturais que moldam as composições do Confess, a responsabilidade de assumir um legado como o do Crashdïet, as expectativas para a tão aguardada turnê brasileira e muito mais.

Confira a conversa completa abaixo!

Minha primeira pergunta é uma afirmação e uma pergunta ao mesmo tempo: você é o homem do momento, porque está em duas das maiores bandas de sleaze da cena atualmente, cada uma com sua própria identidade — Confess e Crashdïet — mas duas bandas realmente incríveis. Então, como tem sido essa experiência para você, estar nas duas bandas ao mesmo tempo, com dois grandes lançamentos também?

Elliot: Tem sido ótimo para mim. Obviamente é muito trabalho. Lançar dois discos ao mesmo tempo não é o ideal para a saúde mental, eu diria, mas ainda assim tem sido muito bom. Eu amo estar em turnê com as duas bandas. Eu comecei o Confess há quase 15 anos, então obviamente conheço melhor essa banda. Mas estou no Crashdïet há quase 3 anos, então sinto que realmente faço parte da banda no Crashdïet também.


Sim, e você realmente faz parte. Falando da cena sleaze/glam em geral, estamos em uma grande onda de lançamentos agora — tivemos Crashdïet, Confess, The Cruel Intentions… como você descreveria o estado atual da cena sleaze, e o que você espera para o futuro?

Elliot: As pessoas têm pontos de vista diferentes sobre o que realmente é sleaze, porque eu nunca considerei o Confess uma banda totalmente sleaze — sempre dizemos heavy metal ou hard rock. Acho que nos colocar como sleaze tem mais a ver com a imagem, o visual — sabe, cabelo longo, maquiagem, esse tipo de coisa, e as roupas. Mas quando você escuta o Confess, especialmente o novo álbum, tem muitos gêneros diferentes ali.

Mas para responder sua pergunta, acho que o estado do hard rock em geral parece estar voltando a crescer. Foram alguns anos difíceis, especialmente na Suécia e em Estocolmo. Quando o Crashdïet lançou "Rest in Sleaze", isso meio que começou tudo, especialmente na Suécia, e depois foi crescendo até mais ou menos 2013 — bandas surgindo em todo lugar, shows quase todas as noites.

Isso não desapareceu, mas houve menos daqueles shows underground todas as noites em Estocolmo, e muitas casas de show fecharam, especialmente depois da pandemia. Muitos locais desapareceram, e isso é muito triste, porque agora ou você toca em um clube ou bar bem pequeno, ou tem que ir para casas com 2.000 lugares. Não existe mais um meio-termo, pelo menos em Estocolmo, e isso afeta toda a cena, eu diria. Muitas bandas suecas vão para o exterior, para outros lugares da Europa, especialmente para tocar em festivais — há muitos festivais bons na Europa para o nosso tipo de música.

E há uma coisa curiosa — como estou em duas bandas que tocam um gênero parecido, é engraçado porque basicamente temos os mesmos fãs. As bandas suecas têm os mesmos fãs no mundo todo, então se torna como uma grande família do metal para todo mundo.


É verdade! Especialmente aqui no Brasil. Sobre o "Metalmorphosis" — eu tinha uma pergunta especificamente relacionada ao que você falou sobre o gênero. O álbum saiu há cerca de um mês e a crítica tem sido bem positiva, e a minha também — embora eu saiba que preciso ser imparcial como jornalista, minhas duas músicas mais ouvidas esse mês são "Pursuit of the Jenny Haniver" e "Colorvision". Bem, o próprio título do álbum, "Metalmorphosis", sugere transformação. Então, o que você diria que mudou no som do Confess em "Metalmorphosis" em comparação com discos anteriores?

Elliot: Não foi como se tivéssemos sentado e dito: "ok, vamos escrever um disco completamente diferente." Lançamos nosso álbum anterior, "Burn `em All", no início de 2020, e depois veio a pandemia. Tivemos que cancelar toda a turnê. O mundo todo parou e nós praticamente não nos vimos como banda por um ano ou dois.

Mas então, começamos a escrever músicas — eu e o Samuel começamos a escrever um pouco e mandar ideias um para o outro. Estávamos escrevendo para esse álbum desde 202. E sabe, quando você escreve por um período longo de tempo, como 3 anos, você está nessa zona criativa, e essa zona criativa muda muito durante esse tempo. Algumas das músicas do "Metalmorphosis" foram escritas em 2020, 2021, e algumas foram escritas em 2024. Isso obviamente vai afetar o som do disco, comparado a se você sentasse e escrevesse dez músicas para um álbum em um mês — então muitas músicas acabam ficando parecidas em termos de estilo.

Divulgação

Sim, elas são bem diferentes — "Beat of My Heart", por exemplo, é totalmente diferente de "Wicked Temptations," que é totalmente diferente das outras.

Elliot: "Beat of My Heart" é uma música que eu escrevi por volta da época em que tínhamos acabado de lançar nosso primeiro disco, "Jail" — eu escrevi essa música em 2014, então é uma faixa antiga.


E como surgiu o nome "Metalmorphosis"?

Elliot: Essa música, ou pelo menos o riff principal, o Samuel (baterista) também escreveu em 2014, e trabalhamos nessa música em todos os discos desde então: trabalhamos nela para o "Haunters," nosso segundo álbum, trabalhamos nela para o "Burn `em All," mas não conseguíamos acertar na música. Tínhamos o riff, a melodia, mas não conseguíamos escrever uma boa música em volta disso. Lutamos com essa música por quase 10 anos. E essa música originalmente se chamava "Metamorphosis" — a palavra real. E daí eu simplesmente disse: "Metalmorphosis, isso parece legal." Depois descobrimos que tinha outra banda lançando um disco chamado "Metalmorphosis."


Uma pergunta que acabei de lembrar, que eu não tinha planejado. Sobre a mariposa na capa. É a "Silvermalen"? Porque "mal" é mariposa em sueco, certo?

Elliot: Não intencionalmente, mas poderia ser!

Frontiers Records (Imp.)

Legal. Ainda falando sobre o álbum, vocês têm músicas muito elaboradas, algumas quase épicas, com muitas referências culturais — como "Jenny Haniver", a cultura pagã em "Silvermalen" e vocês já tinham feito isso em "Malleus" também. Onde vocês geralmente buscam suas referências culturais e musicais? Existe outra forma de arte que você gosta e que coloca nas suas músicas?

Elliot: No nosso primeiro álbum, tínhamos uns 20, 21 anos quando gravamos o "Jail", e muitas dessas músicas são sobre raiva adolescente, bebida, festa, esse tipo de coisa. Escrevemos músicas assim por um tempo, e é mais fácil escrever esse tipo de coisa quando você é mais jovem, quando você realmente vive aquela vida. Nenhum de nós vive mais aquela vida — somos quase homens velhos [risos]. Mas gostamos de História, então usamos isso como inspiração para muitas letras, especialmente nesse álbum — não que escrevamos algo historicamente preciso, mas usamos como inspiração.

O Samuel tem escrito a maioria das letras. Eu escrevi alguns pedaços — mandei algumas linhas para ele como ideias e ele voltou com quase uma música completa. Ele tem evoluído muito, escrevendo letras incríveis.

Realmente. Agora, eu gostaria de falar sobre o Crashdïet. Você entrou em 2024. "Art of Chaos" é seu primeiro álbum de estúdio com a banda. Como foi para você gravar este álbum, sabendo que esse era o álbum que ia te apresentar oficialmente como o novo vocalista do Crashdïet?

Elliot: Gravamos "Art of Chaos" em cerca de seis, sete meses — foi um período longo. Começamos com a bateria, depois colocamos os vocais, depois as guitarras e o baixo. Eu tinha guitarras-guia enquanto cantava, mas o Martin regravou tudo depois.

Mas eu não pensei muito sobre isso — foi mais como, "essas são músicas boas e eu vou fazer o meu melhor para entregar isso." Eu sempre tenho essa abordagem quando se trata de gravar — eu não consigo pensar muito sobre o produto final enquanto estou gravando, eu preciso estar presente no momento e sentir a música, e fazer o meu melhor. Então eu não pensei muito sobre isso na época. Foi mais quando começamos a mixar o álbum que você começa a pensar em querer mudar esse ou aquele som. Essa foi, na verdade, a parte que levou mais tempo com o Crashdïet — a gravação em si foi bem rápida, eu e o Martin gravamos os vocais fazendo duas músicas por dia, espalhadas, mas o processo de mixagem demorou um tempo.

Ninetone Group (Imp.)

Sobre o álbum em si — você e a banda o descreveram como "as dez faixas mais sleaze que vocês escreveram em muito tempo." Comparando "Art of Chaos" com os outros álbuns mais recentes do Crashdïet, você acha que ele representa um retorno a um som mais clássico, mais sleaze para a banda? Como você compara "Art of Chaos" com os outros álbuns?

Elliot: Eu amo todos os álbuns do Crashdïet. Quando o "Rest in Sleaze" saiu, eu tinha cerca de 15 anos e o comprei numa loja de discos em Estocolmo, então sempre guardo esse disco no coração. Eu acompanho o Crashdïet desde então — nos conhecemos há anos.

Acho que cada álbum tem algo diferente. O Crashdïet sempre foi muito bom em, sem mudar 100% seu estilo, fazer você realmente ouvir a diferença entre cada disco — nenhum dos discos parece uma cópia do anterior. Um pouco disso, claro, tem a ver com os diferentes vocalistas, mas mesmo os álbuns com o Simon Cruz — "Generation Wild" e "Savage Playground" — tem uma diferença enorme entre as músicas, a produção, tudo. E até os álbuns com o Gabriel Keyes — "Rust" e "Automaton" — são completamente diferentes.

Eu gosto de todos eles, e claro que, quando tocamos com o Crashdïet, temos muitas músicas para escolher para o setlist — e tentamos escolher pelo menos uma música de cada disco. Não acho que tenhamos feito um único show sem tocar algo de cada disco.

Para mim é um desafio, porque é uma mistura tão variada de vocalistas, em termos de extensão vocal — cada vocalista tem uma voz completamente diferente. Então as músicas mudam muito, e eu uso todo o meu registro vocal quando canto músicas do Crashdïet. Há uma grande diferença entre a voz do Gabriel e a voz do Oliver Twisted, por exemplo.

Divulgação

Eu estava conversando com o Chris (Young, baixista brasileiro do Crashdïet) sobre como a gente realmente gostaria de ouvir "Caught In Despair" ao vivo em um show.

Elliot: É uma boa música!


Tem alguma outra música demo que você gostaria de tocar?

Elliot: Sim, tem algumas demos que eu certamente gostaria de tentar tocar algum dia com o Crashdïet. "Miss Alright" é uma faixa ótima. Mas, como eu disse, tem tantas músicas para escolher, e também temos que considerar que precisamos tocar certas músicas que são hits óbvios. Precisamos tocar essas, e depois temos que descobrir quais músicas estamos dispostos a tirar do set para trazer outra coisa.


Qual é a sua música favorita do "Art of Chaos"? E do "Metalmorphosis"?

Elliot: É muito difícil escolher — meio que muda de dia para dia, quase. Não exatamente de dia para dia, porque eu não escuto minha própria música com tanta frequência, para sersincero.

Eu ouvi tanto durante a mixagem. Mas, dito isso, eu tenho tocado essas músicas em shows, e algumas parecem melhores ao vivo do que outras. Com o Confess, eu diria que "Colorvision" funciona muito bem ao vivo — temos aberto o show com essa música. E eu acho que "The Other Side" funciona muito bem também.

E com o Crashdïet, diria que "Chaos Magnetic" — só tocamos uma vez, no Sweden Rock Festival, mas acho que se continuarmos fazendo isso, vai ser ótima ao vivo no futuro, e "Quitter" também.

Realmente foi uma ótima abertura com "Chaos Magnetic". Bem, estamos chegando ao fim. Vamos falar sobre o Brasil agora — você vem em janeiro com o Crashdïet. Quais são suas expectativas para a visita? O que você já ouviu sobre o Brasil, o que o Chris te contou, quais são suas expectativas em geral?

Elliot: Eu sempre quis ir ao Brasil, nunca fui. Já fui à América do Sul uma vez, na Venezuela, quando era mais jovem. Eu ouvi que os fãs são ótimos — mas eu acho que os fãs são ótimos em todo lugar do mundo, para ser sincero. Muitas pessoas, não só o Chris, mas todas as bandas que conheço que já tocaram no Brasil, dizem que é uma loucura.

Mas sabe, provavelmente não poderemos ficar por muito tempo, então vai ser uma situação fly-in-fly-out, talvez um ou dois dias extras. Eu gosto de aproveitar o máximo possível da cultura. E eu ouvi que a comida é ótima.


O Chris já te ensinou alguma palavra em português?

Elliot: Sim, algumas palavras, mas não consigo lembrar agora — eu tenho que estudar um pouco de português antes de chegar.


Minha última pergunta é sobre o futuro. Depois desses dois álbuns incríveis, quais são seus planos de carreira para as bandas daqui para frente?

Elliot: Vamos tocar ao vivo por um tempo, e depois provavelmente vamos continuar lançando música com as bandas. Eu sei que há planos para os próximos anos.


Tem alguma coisa que eu não perguntei que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros, ou aos fãs em geral?

Elliot: Comprem nossos álbuns! Eu sei que é meio difícil encontrá-los, mas continuem tentando. E sim, estou muito ansioso para vir ao Brasil no ano que vem!


sábado, 20 de junho de 2026

Axemaster: Honrando Suas Raízes

  



Os veteranos norte-americanos do Axemaster chegam com sua carreira já consolidada desde dos anos 80, e dentro de sua história o projeto teve pausas, inclusive mudando temporariamente de nome e direcionamento musical na década de 1990 e 2000, se apresentando sob os nomes de “The Awakening” e “Inner Terror” antes de retornar em definitivo como Axemaster. 
 
Nesse álbum, “Of Beasts and Plagues”, a banda apresenta uma sonoridade bem eclética, incorporando inúmeros estilos e facilmente transitando entre as músicas.

O quarteto está afiadissimo, e tem como propósito honrar suas raízes ligadas ao US Metal, mesclando o heavy metal tradicional, thrash metal e pitadas de doom metal, da escola de nomes como Candlemass, mas sem soar datada, pois também carrega elementos modernos.

No quesito à parte lírica, os assuntos tratados são bem estruturados, já que são quatro décadas moldando uma sonoridade sombria, marcada por temas medievais, de fantasia e batalhas entre a luz e a escuridão.

Analisando cada composição com a audição aguçada, cada faixa carrega consigo uma precisão de detalhes que fazem toda a diferença. 

Já de início temos a introdução com a música "The Plagues Among Us....” com instrumental macabro nos preparando para o que viria na sequência com a “Murder Of Crows”, uma faixa bem bacana que tem uma linha instrumental bem cadenciada e vocais cortantes e teatrais,  inclusive com partes em que me surpreendeu pela sonoridade super agressiva.



Seria literalmente chover no molhado dizer que nas demais faixas encontramos uma coerente massa sonora, a qual merece várias audições, então como sugestão provocarei aos leitores que ouçam “The Dark Side”, "Kissed With A Fist” e a épica “Dagon Rising” como destaques de um álbum que já tem espaço em minha playlist, e com certeza agradará aos old-School Metalheads!

Tudo nessa obra merece destaque, então pare agora o que você está fazendo e ouça! 


Tracklist:
1. The Plagues Among Us....
 2.Murder Of Crows
 3. The Dark Side
 4. Kissed With A Fist
 5. Clinging to Life 
 6. Terrortory
 7. Forsaken II
 8.Dealers
 9. Danse Macabre
 10.Machine
 11. Dagon Rising
 12. Shadows Cast

A formação (line-up) oficial do Axemaster para o lançamento do álbum em 2026 é composta pelos seguintes integrantes:
Joe Sims (Guitarra Solo / Base)
Geoff McGraw (Vocais)
Jenson Kozar (Baixo)
Adam Windisch (Bateria)
Selo: O lançamento será pelo selo Cosmic Fire Records, em Junho de 2026. 



******ENGLISH VERSION******


Axemaster: Honoring their Roots



By: Fernanda Luísa

The veteran American band Axemaster arrives with a career already consolidated since the 80s, and within its history the project has had pauses, including temporarily changing its name and musical direction in the 1990s and 2000s, performing under the names "The Awakening" and "Inner Terror" before definitively returning as Axemaster.

In this album, "Of Beasts and Plagues," the band presents a very eclectic sound, incorporating numerous styles and easily transitioning between songs.

The quartet is razor-sharp, and aims to honor its roots linked to US Power Metal, blending traditional heavy metal, thrash metal, and hints of doom metal, from the school of names like Candlemass, but without sounding dated, as it also carries modern elements.

In terms of lyrics, the themes are well-structured, as four decades have shaped a dark sound, marked by medieval themes, fantasy, and battles between light and darkness.



Analyzing each composition with a keen ear, each track carries a precision of detail that makes all the difference.

From the start, we have the introduction with the song "The Plagues Among Us..." with a macabre instrumental preparing us for what would come next with "Murder Of Crows," a very cool track that has a well-paced instrumental line and sharp, theatrical vocals, including parts that surprised me with their super aggressive sound.

It would be stating the obvious to say that the other tracks contain a coherent sonic mass that deserves multiple listens, so I suggest that readers listen to "The Dark Side," "Kissed With A Fist," and the epic "Dagon Rising" as highlights of an album that already has a place on my playlist and will surely please old-school metalheads!

Everything in this work deserves attention, so stop what you're doing and listen!

Tracklist:
1. The Plagues Among Us....
2. Murder Of Crows
3. The Dark Side
4. Kissed With A Fist
5. Clinging to Life
6. Terrortory
7. Forsaken II
8. Dealers
9. Danse Macabre
10. Machine
11. Dagon Rising
12. Shadows Cast


The official Axemaster lineup for the 2026 album release consists of the following members:

Joe Sims (Lead/Rhythm Guitar)
Geoff McGraw (Vocals)
Jenson Kozar (Bass)
Adam Windisch (Drums)

Label: The release will be through Cosmic Fire Records in June 2026.