Por: Renato Sanson
Fernando, obrigado
mais uma vez pela disponibilidade! Sempre bom poder conversar com alguém tão
lendário do nosso cenário extremo mundial. Não poderia começar diferente,
recentemente foi lançado o Debut da Mávra, o sabático “Dark Incantations”.
Conte-nos como surgiu esse novo projeto.
Iser - Salve Renato! Sou eu quem agradeço pela oportunidade de escrever mais umas páginas da minha trajetória na Road To Metal, meu amigo! Sempre um prazer imenso ter contato com os amigos gaúchos e de todo o país!
Cara, o Mávra nasceu como um projeto onde a intenção principal era trazer à tona as primeiras influências da adolescência. Black Sabbath, Coven, Iron Maiden, Mercyful Fate, etc.
Fazer um som diferente do que eu sempre fiz, cantando de forma "limpa" e mais puxada pro Heavy e Doom. E acabou ficando mais legal do que esperamos! Então resolvemos continuar com a banda e chegamos ao primeiro álbum, com o apoio de selos daqui de SP e de SC. Realizamos shows em várias cidades de SP e espero no futuro levar nosso som profano a outros estados do nosso Brasil.
As composições lembram o tempo áureo do Heavy Metal oitentista, mas também aquele clima maléfico de nomes como Mercyful Fate. Como se deu o processo criativo do mesmo?
Bom, a intenção desde o início foi soar como som antigo. Inclusive as letras, totalmente influenciadas por contos de bruxaria tradicional e satanismo clássico. Sou de 1978. Tenho flashes de memórias dos anos 80 e quis trazer esse feeling para as músicas, todo aquele sentimento de descoberta de novas bandas e temas inspirados por escritores até então esquecidos ou marginalizados pela elite literária. Então, após tanta experiência (praticamente 30 anos de Underground), fica fácil compor temas diferentes, num estilo que nunca tinha prestado tanta atenção antes!
A arte também que
embala o Debut da Mávra é de encher os olhos e se estivesse em algum vinil
oitentista seria cultuado até hoje. Quem teve a ideia? Pois ela casa
perfeitamente com a proposta sonora.
Ficou lindona né! Procuramos o artista (tatuador e músico) Wagner Matos da banda Labar Oculto de Piraju/SP. Eu sempre pirei nas artes de capa e encarte que ele fez nos trabalhos da banda dele. O cara detona. Além de ser um grande desenhista, tatuador, músico e Headbanger, conseguiu compreender meu pedido. Eu pedi a ele que desenhasse algo que lembrasse as músicas, e mandei os sons. Então saiu essa obra magnífica, pintada a mão e de forma natural sem IA.
São muitos anos dedicados ao underground extremo e muitas bandas em qual você faz parte. Como está sua agenda hoje em dia e em quais projetos segue ativo?
Bom, eu sempre tento manter cinco bandas na ativa. Uma questão pessoal, um equilíbrio pentagramático. Então, as cinco bandas na ativa são o Mávra (Heavy/Doom/Occult Metal), que está fazendo shows de divulgação do álbum.
Herege, que está prestes a lançar o primeiro álbum após um pouco mais de uma década;
Torqverem, retornando aos ensaios e gravações após um período no Limbo;
Exterminatorium, banda que acabou de lançar o Single da música "Nuklear Khaos Kommando" que está disponível no YouTube;
Morte Negra, que está finalizando o segundo álbum oficial que será lançado até o fim deste 2026.
Em relação aos lançamentos, tivemos em 2025 exatos cinco lançamentos:
Um CD live do evento "Immortal Spirit of the Ancient Times" realizado Em Campinas/SP no último ano onde participei com o Necrosound e Fenrir. O último lançamento do LALSSU intitulado "To Telos" - que significa "O Fim" em grego. Split com as hordas Poeticus Severus (RJ) e Shadow Moon (ES). O primeiro álbum do HEREGE, intitulado "Blood War Extermination". O já citado primeiro álbum do Mávra "Dark Incantations". E o também já citado EP do EXTERMINATORIUM, "Nuklear Khaos Kommando".
Com exceção deste último citado que está disponível apenas nas plataformas digitais, todos os demais materiais encontram-se disponíveis em CD.
Neste 2026, além do já citado segundo álbum do Morte Negra que está em processo de finalização, teremos dois lançamentos especiais:
O primeiro álbum do AETERNUM MAUSOLEUM, banda que foi criada com os amigos da extinta banda MAUSOLEUM, que sairá em LP e CD. O título do álbum, "Ecos do Panteão", faz referência aos temas sobre mitologia grega que abordamos nesse trabalho. E o som é totalmente voltado às bandas gregas antigas que nos influenciaram.
E o segundo é a trajetória do KAZIKLU BEY. Banda lendária do Subterrâneo Paulista que teve o fim das atividades decretada em 2013 após a trágica morte do nosso vocalista.
Neste CD estarão todas as demos lançadas pela banda no período de 1998/2012.
Temos uma paixão em
comum que é pelo Rotting Christ. Sendo em minha opinião a melhor banda de Black
Metal da história. Em 2024 você participou do show dos mestres em SP cantando o
hino “The Sign of Evil Existence”. Conte-nos essa experiência ao estar no palco
com uma banda tão lendária. E se possível, como surgiu esse convite?
Cara, uma pequena correção. O que sinto pelo RC não é paixão, é amor em seu estado mais bruto (risos). Tenho contato com o Sakis Tolis há um bom tempo, desde a fundação do Malediction 666 em 98, quando trocávamos cartas e e-mails.
Sakis participou do álbum "We, Demons" do Malediction 666 em 2019, convidou a banda para abrir o show em SP mas devido à organização nos barrar por motivos que ainda desconheço (desconfio que seja porque somos uma banda underground, independente e sem agenciamento), acabou não rolando.
O plano era ele cantar um som nosso e eu um deles. No fim acabei cantando o deles, e o que posso dizer é que foi uma experiência única estar ao lado de um cara que me influenciou desde jovem na cena do Metal, ainda mais cantando esse que é um dos sons mais fodas da história. Essa praga está disponível no YouTube, e lá o leitor poderá notar que cantei com toda a potência e reverência possível que eu poderia expressar.
Agora fugindo um
pouco da música, você é jogador de botão profissional! O famoso futebol de mesa
para os mais novos (risos). Isso é algo que fez parte da minha infância e na
adolescência cheguei a jogar alguns torneios e acaba se tornando um vício
gostoso. Comente conosco essa paixão pelo futebol de mesa.
Olha meu amigo, profissional de Futmesa não sou, pois, trabalho em indústria metalúrgica (no ramo de manutenção em Robótica e Eletrônica), mas dou umas boas dores de cabeça pra esse povo viciado hahaha. Me considero um entusiasta desse "esporte", e sempre que possível disputo campeonatos os quais sou convidado.
O Futmesa me ajudou como atividade terapêutica na época da Pandemia por indicação da minha psicóloga. Passei por momentos muito difíceis numa ruptura de relacionamento e não sentia prazer em mais nada na vida.
Então a orientação foi que eu resgatasse algo que eu gostava do passado, além da música, claro. Por coincidência alguns amigos do Butantan me indicaram um clube que estava na ativa, e voltei a jogar após mais de trinta anos. Foi incrível redescobrir essa atividade e conhecer tantos amigos que hoje em dia tenho contato constante graças aos torneios e encontros.
Existem várias ligas amadoras no Brasil, e ao menos uma vez por ano nas minhas férias viajo alguns dias para estados diferentes a fim de encontrar amigos botonistas e desafiá-los a jogar algumas partidas.
Foi assim em cidades do interior de SP, Belo Horizonte em MG, Curitiba no PR, Rio de Janeiro no RJ, e principalmente RS onde fui muito bem recebido aí para jogar no GNU (Grêmio Náutico União) de Porto Alegre pelo meu amigo Cláudio Mastrangelo, um ilustre Colorado.
Tivemos ano passado o Campeonato Brasileiro em Porto Alegre no Clube Sogipa, mas não pude participar devido à agenda do meu trabalho. Mas espero conseguir estar em Curitiba em maio deste ano para disputar o brasileiro lá. Enfim... Quando passar novamente por POA te desafio a dar umas boas palhetadas ao som de muito Metal e bebendo todas! Hahaha!
Seguindo a linha futebolística, o teu São Paulo vai ter um bom ano em 2026 ou vai seguir no marasmo (risos)? Porque o meu Grêmio... Olha... Sem comentários.
Pois é, nossos Tricolores tem passado por anos difíceis!
Nosso título da Copa do Brasil anos atrás fechou um ciclo de conquistas onde podemos afirmar que somos "Campeões de Tudo". Eu vi meu time ganhar todo tipo de campeonato, mas sinceramente não acredito que isso se repita no futuro. O futebol é outro, a grana fala mais alto.
O São Paulo FC foi tão roubado pelos últimos dirigentes, que aparece mais em programas policiais do que nos esportivos.
Mas é o esporte que acompanhamos desde sempre, e a paixão nunca acaba. Continuo indo ao Morumbi sempre que o São Paulo joga, (inclusive estou respondendo essa questão num SP X Grêmio, te mandei foto hahaha) isso é algo que não me vejo sem.
E nesse 2026 só espero que não sejamos rebaixados, porque o time é ruim pra kct!
Para finalizar, gostaria que você nos dissesse uma frase que representa a sua carreira. Muito obrigado mais uma vez!
Vou citar um dos Sete Princípios Herméticos, que é o Princípio da Vibração:
"Nada está parado.
Tudo se move.
Tudo vibra".
Acredito que este princípio resuma minha trajetória de vida: a movimentação e a atividade constante, a paixão pela Construção não apenas de músicas e álbuns, mas de lembranças que fazem a vida valer pena.
Todos nós vamos morrer um dia, e antes disso acontecer o mais sensato a se fazer é aproveitar o tempo que temos! Saciando nossas Vontades e botando a roda da vida pra girar!
Renato, sou muito grato pela oportunidade de falar contigo novamente sobre o Mávra e outros assuntos sobre minha pessoa. Uma honra estar presente no Road To Metal e espero voltar em breve para falar mais sobre minha arte sonora!
Um grande abraço a ti e aos leitores que dedicaram um tempo a esta entrevista!






















