No dia 09 de maio de 2026 a banda brasileira de Heavy Metal, Epitaph (não confundir com a clássica banda alemã de rock progressivo e hard rock dos anos 70), lançou seu novo vídeo clipe, The Girl Who Loved the Dead, no Estúdio Legato em Porto Alegre, local onde também foi realizada a sua gravação.
Com abertura da banda Fire Machine, que também está retornando aos palcos depois de longo hiato com energia redobrada e músicas novas.
Com seu Hard com inspiração 70's e 80's, com muita pegada e groove, essa nova formação se mostra cada vez mais coesa. Destaque para "She's a Good Lover", que mostra essa alma 70's bem evidente.
Era hora dos donos da festa. Formada em 2000 e lançando seu primeiro álbum em 2009 intitulado "Getting Down to Business", a Epitaph reúne em seu line-up músicos altamente qualificados.
Com Joe F. Louder nos vocais, Marlon Steindorff e André Carvalho nas guitarras, Fábio Figueredo no baixo e César "Five" Louis na bateria, a banda que por muitos anos eu conhecia de nome, porém nunca parei para escutar por pensar que fossem de um estilo próximo da Obituary (se parar para pensar, as duas são parte de funerais, e planejo deixar o meu para muito mais adiante...), a Epitaph realmente me surpreendeu, tanto tecnicamente em relação aos instrumentistas quanto ao vocalista. É Heavy Metal Clássico, com inspiração em Judas, Accept, Saxon, resumindo, ícones que ajudaram a forjar e lapidaram o estilo.
Gurizada! Além das músicas serem boas pra caramba e quase todas "falarem de amor", segundo Joe durante os intervalos entre cada música, o carisma, humildade e carinho que Louder tem com seus parceiros e amigos de banda e com o público me cativaram de uma forma enorme.
Foi a hora em que todos os presentes na festa começaram a perceber que a Epitaph estava fazendo um "PQP! QUE P*** SHOW!"
E de quebra ainda vivi algo que nunca imaginei presenciar em um show de rock e metal, onde sempre imaginamos pessoas com caras de poucos amigos e balançando suas cabeleiras tirando o pó dos locais (o que é muito longe da realidade, porém imaginário popular é complicado, com exceção de tirar o pó com as cabeleiras, essa parte é real), simplesmente ocorreu um quase show de comédia stand up por parte de Joe a cada pausa.
Sério, quem não conseguiu ir não tem ideia do que foi. Era uma música, um comentário e risadas começavam a ecoar no Legato. Eu sempre me considerei muito profissional no que faço, seja fotografia seja texto e mesmo assim teve horas que eu precisava largar a câmera, parar de rir, secar os olhos (sim, foi esse o naipe do negócio!) e voltar a fotografar e ou escrever anotações para esta resenha!
E devo admitir, Joe F. Louder aos meus olhos é muito parecido com um artista brasileiro que eu pessoalmente gosto, Sidnei Magal (sim, me julguem), as feições, a fala, alguns trejeitos em cima do palco, gurizada, sério, é o Magal do Metal em pessoa, mas com um estilo não tão "brega" (mesmo que fosse uma alcunha usada pelo próprio Magal para brincar com seu próprio estilo) quanto o original.
"Ah mas e o clipe, não vai falar nada"? Calma jovens gafanhotos, irei!
A produção foi ótima, o visual com uma temática mais gótica e sombria que usaram para a produção e proposta do videoclipe também encaixou muito bem com a música, uma ruivaça vestida de preto carregando taças de vinho (ou sangue... deixarei para a imaginação de vocês) a qual ajeitava caveiras, fazia rituais para conversar com seus "beloveds" e surgia a banda (genial), e ainda por cima, com toda esta temática geralmente utilizada por bandas de um estilo levemente diferente? Sensacional!
Que venham muitos mais shows, muitas músicas, clipes e álbuns, além de reconhecimento à esta banda que num piscar de olhos, chegará à marca dos trinta anos de existência!
Texto e fotos: Vinny Vanoni Edição/revisão: Caco Garcia
Após consolidar seu nome como uma das vozes mais expressivas do hard rock contemporâneo à frente do H.E.A.T. e, posteriormente, assumir os vocais do Skid Row, e de Micahel Schenker, Erik Grönwall chega a Bad Bones com o trabalho mais pessoal, maduro e artisticamente relevante de sua trajetória.
Longe de soar como apenas mais um álbum solo, o disco transforma experiências recentes de superação, reconstrução e amadurecimento em composições carregadas de intensidade emocional, sem abrir mão dos grandes refrões, da energia explosiva e da abordagem moderna que sempre marcaram sua carreira. Produzido por Fredrik Thomander e coproduzido por Jona Tee, Bad Bones encontra um equilíbrio extremamente eficiente entre hard rock contemporâneo, melodias acessíveis e momentos introspectivos, revelando um Erik mais confiante, vulnerável e artisticamente consciente de sua identidade.
A abertura já estabelece com clareza o direcionamento do álbum: riffs modernos, produção encorpada, refrão explosivo e uma interpretação vocal intensa e carregada de personalidade. “Born To Break” combina a energia do hard rock atual com melodias típicas do AOR escandinavo, funcionando quase como uma declaração estética e emocional do disco.
A faixa-título aposta em uma abordagem mais pesada e agressiva, sustentada por guitarras densas e um refrão de forte impacto. Em alguns momentos, a sonoridade remete à fase mais moderna do Skid Row, embora Erik preserve intacto o forte senso melódico que diferencia sua assinatura vocal de boa parte dos vocalistas contemporâneos do gênero.
“Praying For A Miracle” surge como um dos grandes momentos do álbum. A faixa mistura dramaticidade, vulnerabilidade e uma construção quase cinematográfica, refletindo diretamente os temas de resistência emocional e sobrevivência que permeiam o disco. Os arranjos orquestrais ampliam ainda mais o peso emocional da composição sem cair em excessos artificiais.
Grandiosa e extremamente acessível, “Who’s The Winner” apresenta claras influências de Queen, especialmente na construção coral do refrão e na atmosfera de arena rock. É uma música feita para grandes públicos, mas que evita soar formulaica graças ao carisma natural de Erik e à dinâmica eficiente dos arranjos.
O álbum desacelera parcialmente em “Lost For Life”, investindo em atmosferas mais melancólicas e introspectivas. Aqui, o destaque fica para a interpretação emocional dos vocais e para os detalhes melódicos espalhados entre guitarras e teclados, criando uma das faixas mais sensíveis e emocionalmente honestas do trabalho.
“Twisted Lullaby” apresenta uma das atmosferas mais sombrias do disco, remetendo em alguns momentos à fase Into The Great Unknown do H.E.A.T.. A combinação entre tensão, melodia e produção moderna cria um contraste importante dentro da tracklist, mostrando um lado mais experimental e introspectivo da sonoridade de Erik.
“Save Me” aposta em uma estrutura mais tradicional, sustentada por refrões melódicos e linhas vocais emotivas. Ainda que menos ousada em termos de composição, funciona muito bem graças ao equilíbrio entre peso, melodia e intensidade interpretativa — um dos pontos mais consistentes de todo o álbum.
“Hell & Back” provavelmente representa o momento mais enérgico do disco. Direta, rápida e carregada de atitude, a faixa mistura influências clássicas do hard rock com uma produção moderna e extremamente impactante, entregando uma das músicas mais imediatas e explosivas da tracklist.
Mais acessível e radiofônica, “How High” se apoia em grooves marcantes e um refrão fácil de memorizar. O instrumental funciona com eficiência, especialmente no trabalho de guitarras, embora a composição siga uma fórmula relativamente segura dentro do contexto do álbum.
Encerrando o disco, “Written In The Scars” funciona quase como uma síntese temática de Bad Bones. Emotiva e introspectiva, a faixa destaca a interpretação vocal impressionante de Erik, que transmite vulnerabilidade, força e humanidade com rara autenticidade. É um encerramento forte para um álbum profundamente pessoal.
Entre riffs pesados, refrãos grandiosos e performances vocais impressionantes, Bad Bones reafirma não apenas o talento técnico de Erik Grönwall, mas também sua capacidade de transformar experiências pessoais em canções de forte impacto emocional. Mais do que um simples disco de hard rock, o álbum representa um trabalho de reconstrução artística e humana — consolidando-se facilmente como um dos lançamentos mais relevantes do gênero em 2026. Feito com o coração!
***ENGLISH VERSION***
After establishing himself as one of the most expressive voices in contemporary hard rock through his work with H.E.A.T. and later taking over vocal duties for Skid Row and Michael Schenker Group, Erik Grönwall arrives with Bad Bones, the most personal, mature, and artistically significant work of his career.
Far from sounding like just another solo album, the record transforms recent experiences of struggle, recovery, and personal growth into compositions filled with emotional intensity, while never abandoning the massive hooks, explosive energy, and modern approach that have always defined Erik’s career. Produced by Fredrik Thomander and co-produced by Jona Tee, Bad Bones strikes an extremely effective balance between contemporary hard rock, accessible melodies, and introspective moments, revealing an Erik who feels more confident, vulnerable, and artistically aware of his own identity.
The opening track immediately establishes the album’s direction: modern riffs, a powerful production, explosive choruses, and an intense vocal performance overflowing with personality. “Born To Break” combines the energy of modern hard rock with the melodic sensibilities of Scandinavian AOR, functioning almost as an emotional and aesthetic statement for the album.
The title track embraces a heavier and more aggressive approach, driven by dense guitar work and a hard-hitting chorus. At times, the song recalls the more modern era of Skid Row, although Erik fully preserves the melodic instinct that sets his vocal signature apart from many contemporary singers within the genre.
“Praying For A Miracle” emerges as one of the album’s defining moments. The track blends drama, vulnerability, and an almost cinematic structure, directly reflecting the themes of emotional resilience and survival that run throughout the record. The orchestral arrangements further amplify the emotional weight of the composition without ever feeling excessive or artificial.
Grandiose and instantly accessible, “Who’s The Winner” showcases clear influences from Queen, particularly in its layered chorus arrangements and arena rock atmosphere. It is a song built for large audiences, yet it avoids sounding formulaic thanks to Erik’s natural charisma and the highly effective dynamics of the arrangements.
The album partially slows down with “Lost For Life”, leaning into more melancholic and introspective atmospheres. Here, the emotional vocal delivery and the melodic details spread between guitars and keyboards create one of the album’s most sensitive and emotionally honest moments.
“Twisted Lullaby” presents one of the darkest atmospheres on the record, occasionally recalling the Into The Great Unknown era of H.E.A.T.. The combination of tension, melody, and modern production creates an important contrast within the tracklist, revealing a more experimental and introspective side of Erik’s sound.
“Save Me” relies on a more traditional structure, supported by melodic choruses and emotional vocal lines. Although less adventurous from a compositional standpoint, the song works remarkably well thanks to its balance between heaviness, melody, and interpretative intensity — one of the album’s most consistent strengths overall.
“Hell & Back” is arguably the album’s most energetic moment. Direct, fast, and packed with attitude, the track merges classic hard rock influences with a modern and highly impactful production, delivering one of the most immediate and explosive songs on the record.
More accessible and radio-friendly, “How High” is built around strong grooves and an instantly memorable chorus. The instrumental work is highly effective, particularly the guitars, even if the songwriting follows a relatively safe formula within the broader context of the album.
Closing the record, “Written In The Scars” works almost as a thematic summary of Bad Bones. Emotional and introspective, the song highlights Erik’s outstanding vocal performance, conveying vulnerability, strength, and humanity with rare authenticity. It serves as a powerful conclusion to such a deeply personal album.
Between heavy riffs, massive choruses, and outstanding vocal performances, Bad Bones reaffirms not only Erik Grönwall’s technical talent, but also his ability to transform personal experiences into songs with genuine emotional impact. More than simply another hard rock record, the album stands as a work of artistic and personal reconstruction — easily establishing itself as one of the genre’s most relevant releases of 2026. Made from the heart!
A cena hard rock europeia sempre viveu do delicado equilíbrio entre reverência e exagero. Poucas bandas contemporâneas conseguem compreender tão bem essa dinâmica quanto John Diva & The Rockets Of Love. Em Your Favorite Drug, previsto para outubro de 2026 via Frontiers Music Srl, o grupo alemão abandona parte da abordagem caricatural que marcou seus trabalhos anteriores para entregar um álbum mais sólido, coeso e musicalmente convincente. Sem abrir mão da estética glam, dos refrões gigantescos e do espírito hedonista do hard rock oitentista, a banda soa mais consciente de sua identidade artística — e, principalmente, mais eficiente na construção das músicas.
Produzido por Hannes Braun, o disco aposta em guitarras encorpadas, refrões cuidadosamente arquitetados e uma produção que privilegia impacto sem sacrificar dinâmica. O primeiro single, “Bigger Than America”, já indicava essa direção: uma celebração escancarada do hard rock melódico, construída para arenas imaginárias e refrões feitos sob medida para permanecer na memória após poucos minutos.
“The Devil’s Got My Back” abre o álbum com todos os elementos clássicos do hard rock californiano: riffs diretos, bateria pulsante e guitarras ocupando o centro da mixagem enquanto baixo, teclados e bateria sustentam a base com eficiência. O refrão é imediatamente contagiante, impulsionado por excelentes backing vocals e harmonias vocais bem distribuídas. O solo, técnico sem soar excessivo, reforça a proposta da faixa e encerra uma abertura extremamente eficiente.
Mantendo a energia da abertura, “Bigger Than America” surge embalada por palmas e levadas típicas do hard rock de arena dos anos 80. Mais cadenciada, a música investe fortemente em camadas vocais e coros que ampliam seu caráter hímnico. O trabalho de guitarras é particularmente inspirado, especialmente na transição para o solo, onde a banda desacelera momentaneamente para inserir um belo trecho acústico antes da retomada explosiva do refrão final. É uma composição que entende perfeitamente a estética que deseja homenagear sem parecer mera cópia.
“No Mercy For The Teenage Heart” aposta em uma fórmula bastante tradicional: bumbo marcado, riffs diretos e linhas vocais conduzindo a melodia até um refrão melódico e imediato. Ainda assim, a execução segura impede que a faixa soe genérica. O solo é veloz, agressivo e extremamente bem encaixado, enquanto as harmonias vocais ampliam a sensação de grandiosidade. A banda demonstra aqui um domínio muito maior da dinâmica entre peso e melodia.
“Lamborghina” inicia de maneira atmosférica antes de mergulhar em outra típica composição do grupo. O destaque está na cozinha: baixo e bateria criam uma base sólida e dinâmica, permitindo que as guitarras apareçam apenas nos momentos certos, sem excessos. Os vocais também merecem atenção, especialmente pelas notas mais altas e pelos backing vocals cuidadosamente distribuídos. A sonoridade das guitarras remete diretamente ao hard rock clássico, sobretudo na ponte que antecede o solo. Já as harmonias finais acrescentam uma camada melódica extremamente eficiente.
A faixa-título é provavelmente o momento em que as influências de Mötley Crüe se tornam mais evidentes. Repleta de groove, riffs simples e refrões massivos, “Favorite Drug” funciona quase como uma síntese da proposta do álbum. O refrão, carregado de coros e backing vocals, é daqueles feitos para multidões. Nos versos, baixo e bateria trabalham de maneira mais contida, abrindo espaço para a condução vocal e para um solo melódico extremamente bem construído. A pausa antes do refrão final, praticamente sustentada apenas por voz e bateria, cria um excelente senso de tensão e catarse.
“S.M.I.L.E.” abre com um solo imediatamente marcante e se diferencia pelo uso constante de coros já durante os versos, algo menos comum no restante do álbum. O refrão, curiosamente mais econômico em backing vocals, cria um contraste interessante com a condução da música. Mais uma vez, baixo e bateria trabalham em perfeita sintonia, permitindo que as guitarras circulem livremente pela composição. O solo segue uma linha extremamente clássica, melódica e agradável, reforçando o caráter nostálgico da faixa sem soar datado.
“Love Is Cold” chega impulsionada por guitarras rápidas antes de desacelerar para um andamento mais cadenciado e melódico. A construção da música é inteligente: enquanto baixo e bateria sustentam a dinâmica principal, as guitarras evitam exageros e priorizam a melodia. Os teclados adicionam uma atmosfera épica ao refrão e ajudam a preparar o terreno para um excelente solo, que desemboca em uma ponte minimalista baseada apenas em voz e teclados. É um dos momentos mais melodicamente sofisticados do disco.
Uma guitarra seca e pesada introduz “Girls In Overdrive”, provavelmente a faixa mais explicitamente hard rock do álbum. Tudo aqui parece calculado para agradar fãs do gênero: refrão explosivo, coros massivos, riffs diretos, solo virtuoso e uma cozinha extremamente inspirada. Até mesmo o coral adolescente utilizado em determinados momentos funciona dentro da proposta exagerada da música. É o tipo de composição que abraça completamente os clichês do gênero — e justamente por isso funciona tão bem. Facilmente uma das músicas mais fortes do álbum.
“Spectacular” mantém o alto nível do disco e reforça sua unidade sonora. A faixa investe em guitarras constantes, vocais dobrados e jogos de resposta entre diferentes linhas vocais, criando uma dinâmica bastante rica. O refrão em uníssono é puro hard rock de arena. Musicalmente, há referências claras ao hard rock setentista, perceptíveis tanto na abordagem rítmica quanto na construção melódica. O solo surge de forma natural, sem quebrar o fluxo da composição, algo que demonstra maturidade na estruturação das músicas.
Encerrando o álbum, “Soundtrack Of My Life” traz fortes ecos de Bon Jovi, especialmente pelo uso destacado dos teclados que remetem imediatamente a “Runaway”. O refrão funciona como uma verdadeira declaração de amor aos anos 80, enquanto a letra e os arranjos acumulam referências ao auge do hair metal. Ainda que bastante nostálgica, a faixa evita soar puramente derivativa graças à sinceridade com que a banda abraça suas influências.
Your Favorite Drug talvez não reinvente o hard rock melódico, mas definitivamente compreende sua essência melhor do que grande parte das bandas atuais do gênero. Em vez de apostar apenas na nostalgia vazia, John Diva & The Rockets Of Love entrega um álbum extremamente coeso, bem produzido e musicalmente consistente. Há exagero, refrões gigantescos, solos melodiosos e todos os clichês esperados — mas executados com convicção, competência e senso de identidade.
Para fãs de hard rock oitentista, trata-se facilmente de um dos lançamentos mais sólidos e divertidos de 2026.
***ENGLISH VERSION***
The European hard rock scene has always thrived on a delicate balance between reverence and excess. Few contemporary bands understand that dynamic as well as John Diva & The Rockets Of Love. On Your Favorite Drug, scheduled for release in October 2026 via Frontiers Music Srl, the German outfit steps away from part of the caricatural approach that defined some of its earlier work in favor of a record that feels tighter, more cohesive, and far more musically convincing. Without abandoning the glam aesthetics, gigantic choruses, and hedonistic spirit of ’80s hard rock, the band sounds far more aware of its artistic identity — and, above all, far more effective in its songwriting.
Produced by Hannes Braun, the album leans heavily on thick guitar tones, meticulously crafted hooks, and a production style that prioritizes impact without sacrificing dynamics. Lead single “Bigger Than America” already pointed toward this direction: an unapologetic celebration of melodic hard rock built for imaginary arenas and choruses designed to stay lodged in your memory after a single listen.
“The Devil’s Got My Back” opens the album with every classic ingredient of Californian hard rock: straightforward riffs, pounding drums, and guitars dominating the mix while bass, keyboards, and rhythm section efficiently hold the foundation together. The chorus is instantly infectious, driven by excellent backing vocals and well-layered harmonies. The solo, technical without becoming indulgent, reinforces the track’s purpose and closes the opener on a high note.
Maintaining the momentum established by the opener, “Bigger Than America” arrives wrapped in handclaps and grooves straight out of the golden era of ’80s arena rock. More restrained in tempo, the track relies heavily on layered vocals and massive choruses that amplify its anthemic nature. The guitar work is particularly inspired, especially during the transition into the solo, where the band briefly pulls back for a tasteful acoustic passage before exploding back into the final chorus. It is a song that perfectly understands the aesthetic it seeks to celebrate without ever sounding like a mere imitation.
“No Mercy For The Teenage Heart” follows a fairly traditional formula: pounding kick drums, direct riffs, and vocal lines guiding the melody toward an immediate and highly melodic chorus. Still, the band’s confident execution prevents the track from feeling generic. The solo is fast, aggressive, and perfectly placed, while the vocal harmonies heighten the sense of grandeur. Here, the band demonstrates a far stronger command of the balance between heaviness and melody.
“Lamborghina” begins atmospherically before diving into another quintessential composition from the group. The rhythm section deserves special mention: bass and drums create a solid yet dynamic foundation, allowing the guitars to step forward only when necessary, never overplaying. The vocals are also a highlight, particularly the higher notes and carefully arranged backing vocals. The guitar tone screams classic hard rock, especially during the bridge leading into the solo, while the closing harmonies add an extra melodic layer that works remarkably well.
The title track is probably the moment where the influence of Mötley Crüe becomes most apparent. Packed with groove, simple riffs, and massive choruses, “Favorite Drug” feels almost like a manifesto for the entire album. The chorus, overloaded with gang vocals and layered harmonies, was clearly designed for large crowds. During the verses, bass and drums pull back slightly, leaving room for the vocal delivery and an extremely well-crafted melodic solo. The breakdown before the final chorus — carried almost entirely by vocals and drums — creates an excellent sense of tension and release.
“S.M.I.L.E.” opens with an immediately memorable solo and distinguishes itself through the constant use of gang vocals during the verses, something less common throughout the rest of the album. Interestingly, the chorus itself is more restrained in terms of backing vocals, creating a compelling contrast with the song’s verses. Once again, bass and drums lock together perfectly, allowing the guitars to move freely across the arrangement. The solo follows a highly classic, melodic, and undeniably enjoyable approach, reinforcing the nostalgic character of the track without sounding dated.
“Love Is Cold” arrives driven by rapid-fire guitars before shifting into a more controlled and melodic groove. The song structure is intelligently crafted: while bass and drums sustain the main dynamics, the guitars avoid unnecessary excess and focus on melody instead. The keyboards add an epic atmosphere to the chorus and help pave the way for an excellent solo that eventually transitions into a minimalist bridge based solely on vocals and keyboards. It stands as one of the album’s most melodically sophisticated moments.
A dry, heavy guitar riff introduces “Girls In Overdrive”, arguably the album’s most unapologetically hard rock-oriented track. Everything here feels engineered to satisfy fans of the genre: explosive choruses, massive gang vocals, direct riffs, a flashy guitar solo, and an inspired rhythm section. Even the teenage choir used in certain moments works perfectly within the song’s exaggerated spirit. This is the kind of composition that fully embraces every cliché of the genre — and succeeds precisely because of that. Easily one of the strongest tracks on the album.
“Spectacular” maintains the album’s high standards while reinforcing its sonic consistency. The track invests heavily in constant guitar presence, layered vocals, and call-and-response vocal arrangements that create a rich sense of dynamics. The unison chorus is pure arena hard rock. Musically, the song contains clear references to ’70s hard rock, noticeable both in its rhythmic approach and melodic construction. The solo emerges naturally without disrupting the flow of the song, demonstrating a notable level of maturity in the band’s songwriting.
Closing the album, “Soundtrack Of My Life” carries strong echoes of Bon Jovi, particularly through its prominent keyboard work, which immediately recalls “Runaway.” The chorus functions as a genuine love letter to the ’80s, while the lyrics and arrangements pile up references to the golden age of hair metal. Despite its overt nostalgia, the track avoids sounding purely derivative thanks to the sincerity with which the band embraces its influences.
Your Favorite Drug may not reinvent melodic hard rock, but it certainly understands the genre’s essence better than most contemporary bands operating within it. Rather than relying solely on empty nostalgia, John Diva & The Rockets Of Love delivers an album that is cohesive, well-produced, and musically consistent throughout. The excess, gigantic choruses, melodic solos, and every expected cliché are all present — but executed with conviction, skill, and a genuine sense of identity.
For fans of ’80s hard rock, this is easily one of the strongest and most entertaining releases of 2026.
Formado por Zinny Zan e Harry Cody, dupla original do cultuado Shotgun Messiah, o Zan/Cody retorna em 2026 com Beautiful ‘N Damned, um álbum que resgata parte da essência do sleaze hard rock escandinavo que ajudaram a moldar no fim dos anos 80, mas sem se prender ao simples exercício nostálgico. Em vez de tentar reproduzir mecanicamente a estética do passado, a dupla aposta em uma abordagem mais ampla e ousada, incorporando elementos eletrônicos, atmosferas sombrias e texturas modernas que expandem significativamente o alcance sonoro do projeto.
As guitarras afiadas de Harry Cody continuam sendo o principal alicerce da identidade musical do duo, enquanto os vocais carismáticos de Zinny Zan transitam com naturalidade entre o hard rock clássico, o dark pop noventista e até nuances industriais. Mixado por Chris Laney, o disco soa contemporâneo sem abrir mão da personalidade vintage que tornou o Shotgun Messiah uma referência cult dentro do gênero. Mais do que uma celebração do passado, Beautiful ‘N Damned funciona como uma releitura madura, melancólica e por vezes experimental da estética sleaze.
A abertura já estabelece um padrão elevado. Em “Sever” as guitarras de Harry Cody surgem afiadas e dinâmicas, enquanto os vocais inicialmente carregados de efeitos criam uma atmosfera moderna sem comprometer a identidade da faixa. A melodia é extremamente contagiante e o refrão, embora altamente acessível, evita cair na previsibilidade radiofônica. Os elementos eletrônicos — teclados, camadas de efeitos e processamento vocal — aparecem de forma inteligente, reforçando a conexão entre o hard rock clássico e uma estética mais contemporânea. Ainda assim, a essência do material remete diretamente ao que Zinny e Harry construíram no final dos anos 80. Uma abertura forte e extremamente eficiente.
Mais pesada e agressiva, “I Am The Shit” aposta em backing vocals inspirados na escola clássica do hard rock oitentista. A linha vocal limpa cria um contraste interessante com a densidade instrumental, enquanto os efeitos aplicados ao refrão adicionam modernidade sem soar artificiais. Há aqui uma autoconfiança quase debochada, reforçada pela própria citação ao Shotgun Messiah, funcionando como uma espécie de manifesto de identidade artística. O equilíbrio entre nostalgia e atualização sonora continua sendo um dos maiores méritos do álbum.
Mais próxima do sleaze tradicional, “Ride Or Die” desacelera ligeiramente o andamento para explorar melhor a dinâmica instrumental. As linhas de baixo ganham destaque, assim como os pequenos fraseados de guitarra espalhados pela composição. O refrão é direto, melódico e extremamente eficiente, enquanto as passagens narradas antes do solo adicionam novas camadas dramáticas à música. O solo de Harry Cody surge perfeitamente encaixado, técnico sem excessos, valorizando a construção melódica em vez do virtuosismo gratuito.
Ja em “Suffer City” a intro conduzida pelo baixo cria uma atmosfera quase cinematográfica antes da entrada dos vocais carregados de efeitos, aproximando a faixa de uma estética industrial/darkwave. O andamento lento transforma a música em algo situado entre uma power ballad sombria e uma balada melancólica influenciada pelo universo dark das décadas de 80 e 90. Zinny Zan entrega uma de suas interpretações mais emocionais do disco, enquanto o solo melancólico reforça o caráter introspectivo da composição. É uma das músicas mais densas e emocionalmente sofisticadas do álbum.
“She Walks With Violence” vem com uma introdução eletrônica sustentada por um baixo distorcido que aprofunda ainda mais a imersão nas referências dark/góticas do disco. Tudo aqui soa propositalmente melancólico, distante do sleaze tradicional que muitos poderiam esperar de Zan/Cody. Mesmo utilizando recursos modernos de produção, a faixa carrega uma aura tipicamente noventista, como se tivesse sido concebida na transição entre o hard rock decadente e o rock alternativo sombrio do início daquela década. O resultado é quase esquizofrênico em sua proposta estética — e justamente por isso tão fascinante.
A abertura de “Damn” com cello imediatamente diferencia a faixa das anteriores antes de Harry Cody recolocar o álbum nos trilhos do sleaze rock mais clássico. Os vocais aparecem mais limpos, o andamento é mais acelerado e o refrão assume uma estrutura tradicional, direta e eficiente. O cello permanece presente durante boa parte da música, adicionando profundidade e dramaticidade ao arranjo sem comprometer o peso das guitarras. O solo segue a cartilha clássica do gênero: objetivo, melódico e perfeitamente conectado à ponte que conduz ao refrão final.
Uma batida hard rock sólida e um riff extremamente característico introduzem “Let’s Be Heroes”. A linha vocal melódica se encaixa com precisão no instrumental, enquanto a guitarra base conduz a música com segurança até um refrão carregado de efeitos que remetem diretamente ao pop rock dos anos 90. A melancolia presente em todo o álbum permanece evidente nos vocais, contrastando com um solo totalmente ancorado na tradição do hard rock clássico. A combinação de elementos aparentemente incompatíveis funciona surpreendentemente bem, tornando a faixa uma das mais complexas do disco em termos de identidade sonora.
A faixa-título, “Beautiful ‘N Damned”, mergulha inicialmente em uma estética pop rock noventista carregada de batidas e efeitos eletrônicos típicos da época. Quando as guitarras assumem o protagonismo, porém, a composição revela um refrão forte, melódico e extremamente eficiente, remetendo diretamente ao hard rock clássico. Existe um equilíbrio muito bem construído entre baixo e guitarras: o primeiro domina os versos com linhas pulsantes, enquanto as guitarras explodem no refrão com enorme impacto melódico.
“Bad Bad Man” é talvez o momento mais experimental do álbum. Com fortes influências de blues e gospel americano, a música começa de maneira quase minimalista antes de se transformar em algo próximo de uma “missa eletrônica”, sustentada por corais e vocais intensamente processados. O andamento extremamente lento cria uma sensação quase hipnótica, tornando a experiência desconfortável em alguns momentos — propositalmente. É uma faixa que rompe completamente com as expectativas tradicionais do hard rock e amplia ainda mais a personalidade artística do disco.
“Tear It All Down” chega encerrando o álbum. Zan/Cody retornam ao sleaze/hard rock mais clássico através de uma introdução explosiva conduzida por guitarras e solos típicos do gênero. Os vocais limpos e melódicos, acompanhados por excelentes backing vocals, conduzem a faixa até um refrão grandioso e extremamente eficiente, sustentado por respostas em coro muito bem construídas. É um encerramento forte, energético e estrategicamente mais acessível após a sequência mais experimental do álbum.
Beautiful ‘N Damned definitivamente não é um disco voltado ao fã conservador do sleaze rock. Trata-se de um trabalho que exige mente aberta, justamente por desafiar constantemente as convenções esperadas do gênero. Embora profundamente conectado às atmosferas das décadas de 80 e 90, o álbum evita os clichês mais óbvios do revivalismo nostálgico, preferindo explorar influências dark, industriais e pop de maneira bastante pessoal.
Mais do que revisitar o passado, Zinny Zan e Harry Cody parecem interessados em reinterpretar artisticamente tudo aquilo que ajudaram a construir décadas atrás. O resultado é um álbum ousado, melancólico, irregular em alguns momentos, mas artisticamente muito mais interessante do que a maioria dos trabalhos atuais associados ao sleaze revival. Para fãs de Shotgun Messiah, rock melódico sombrio e da estética dark/pop dos anos 90, trata-se de uma audição altamente recomendável.
***ENGLISH VERSION***
Formed by Zinny Zan and Harry Cody, the original duo behind cult Swedish hard rock outfit Shotgun Messiah, Zan/Cody return in 2026 with Beautiful ‘N Damned, an album that revives part of the Scandinavian sleaze hard rock essence they helped shape in the late ’80s — but without falling into mere nostalgic self-indulgence. Rather than mechanically recreating the aesthetics of the past, the duo embraces a broader and more daring approach, incorporating electronic elements, dark atmospheres, and modern textures that significantly expand the project’s sonic scope.
Harry Cody’s razor-sharp guitars remain the main pillar of the duo’s musical identity, while Zinny Zan’s charismatic vocals move naturally between classic hard rock, ’90s dark pop, and even industrial nuances. Mixed by Chris Laney, the album sounds contemporary without sacrificing the vintage personality that turned Shotgun Messiah into a cult reference within the genre. More than simply celebrating the past, Beautiful ‘N Damned works as a mature, melancholic, and at times experimental reinterpretation of the sleaze aesthetic.
The opening track immediately establishes a high standard. On “Sever”, Harry Cody’s guitars sound sharp and dynamic, while the effect-laden vocals create a modern atmosphere without compromising the song’s identity. The melody is highly infectious, and the chorus — despite being extremely accessible — never slips into predictable radio-friendly territory. Electronic elements such as keyboards, layered effects, and vocal processing are used intelligently, reinforcing the connection between classic hard rock and a more contemporary aesthetic. Even so, the essence of the material clearly recalls what Zinny and Harry created in the late ’80s. A strong and remarkably effective opener.
Heavier and more aggressive, “I Am The Shit” relies on backing vocals inspired by the classic ’80s hard rock school. The clean vocal lines create an interesting contrast with the dense instrumentation, while the effects applied to the chorus add modernity without sounding artificial. There’s an almost tongue-in-cheek self-confidence running through the track, reinforced by the direct reference to Shotgun Messiah itself, functioning almost like a manifesto of artistic identity. The balance between nostalgia and sonic reinvention remains one of the album’s greatest strengths.
Closer to traditional sleaze, “Ride Or Die” slightly slows the pace in order to better explore its instrumental dynamics. The bass lines become more prominent, as do the subtle guitar phrases scattered throughout the arrangement. The chorus is direct, melodic, and highly effective, while the spoken passages before the solo add new dramatic layers to the song. Harry Cody’s solo fits perfectly within the composition — technical without excess, prioritizing melodic construction over gratuitous virtuosity.
On “Suffer City”, the bass-driven intro creates an almost cinematic atmosphere before the heavily processed vocals enter, bringing the song closer to an industrial/darkwave aesthetic. The slow tempo transforms the track into something suspended between a dark power ballad and a melancholic piece heavily influenced by the dark scene of the ’80s and ’90s. Zinny Zan delivers one of his most emotional performances on the album, while the melancholic solo reinforces the introspective nature of the composition. It stands as one of the album’s densest and emotionally richest moments.
“She Walks With Violence” arrives with an electronic introduction sustained by a distorted bass line, pushing the album even deeper into its dark/gothic references. Everything here feels intentionally melancholic, far removed from the traditional sleaze sound many might expect from Zan/Cody. Even while using modern production techniques, the track carries a distinctly ’90s aura, as though it had been conceived during the transition between decadent hard rock and the darker side of early alternative rock. The result is almost schizophrenic in its aesthetic proposal — and precisely because of that, utterly fascinating.
The cello-driven opening of “Damn” immediately sets the song apart before Harry Cody pulls the album back toward a more classic sleaze rock direction. The vocals are cleaner, the tempo is faster, and the chorus embraces a traditional, direct, and highly effective structure. The cello remains present throughout much of the song, adding depth and dramatic weight to the arrangement without compromising the guitars’ impact. The solo follows the genre’s classic formula: concise, melodic, and perfectly connected to the bridge leading into the final chorus.
A solid hard rock groove and a highly characteristic riff introduce “Let’s Be Heroes”. The melodic vocal line fits the instrumental perfectly, while the rhythm guitar confidently drives the song toward a chorus drenched in effects that strongly recall ’90s pop rock aesthetics. The melancholy that permeates the entire album remains evident in the vocals, contrasting with a solo deeply rooted in classic hard rock tradition. The combination of seemingly incompatible elements works surprisingly well, making this one of the album’s most complex tracks in terms of sonic identity.
The title track, “Beautiful ‘N Damned”, initially dives into a ’90s pop rock aesthetic loaded with electronic beats and effects typical of the era. Once the guitars take center stage, however, the song reveals a strong, melodic, and extremely effective chorus that directly channels classic hard rock. There is a very well-constructed balance between bass and guitars: the former dominates the verses with pulsating lines, while the latter explode during the chorus with massive melodic impact.
“Bad Bad Man” is perhaps the album’s most experimental moment. Strongly influenced by American blues and gospel, the song begins in an almost minimalist fashion before evolving into something close to an “electronic sermon,” sustained by choirs and intensely processed vocals. The extremely slow pacing creates an almost hypnotic sensation, making the experience deliberately uncomfortable at times. It is a track that completely breaks away from traditional hard rock expectations while further expanding the album’s artistic personality.
“Tear It All Down” closes the album by bringing Zan/Cody back to a more classic sleaze/hard rock approach through an explosive introduction driven by guitars and genre-typical solos. The clean, melodic vocals — accompanied by excellent backing vocals — guide the song toward a grandiose and highly effective chorus built around well-crafted gang responses. It’s a strong, energetic, and strategically accessible ending following the album’s more experimental stretch.
Beautiful ‘N Damned is definitely not an album aimed at conservative sleaze rock fans. This is a record that demands an open mind precisely because it constantly challenges the genre’s expected conventions. Although deeply connected to the atmospheres of the ’80s and ’90s, the album avoids the most obvious clichés of nostalgic revivalism, preferring instead to explore dark, industrial, and pop influences in a highly personal way.
More than revisiting the past, Zinny Zan and Harry Cody seem interested in artistically reinterpreting everything they helped build decades ago. The result is a bold, melancholic, occasionally uneven album, yet artistically far more compelling than most contemporary releases associated with the sleaze revival movement. For fans of Shotgun Messiah, dark melodic rock, and the dark/pop aesthetics of the ’90s, this is highly recommended listening.
Dia 8 de maio de 2026, sexta-feira chuvosa e fria e pela primeira vez a banda sueca Graveyard pisa em solo curitibano, uma honra. Tendo em vista que da última vez que a banda veio ao Brasil, foi com apresentação única em São Paulo. Mas os fãs não desanimaram e finalmente fomos agraciados com uma perna da turnê, nossos agradecimentos à Xaninho Records.
Inicialmente estava prevista a abertura dos trabalhos pela competente Bike, banda paulistana que está excursionando com o Graveyard, mas aproximadamente duas semanas antes, foi anunciado também a banda Space Grease, para nossa alegria ser completa. Ambas as bandas trazem uma atmosfera bem setentista, com pitadas de psicodelia e não deixam em nada a desejar em matéria de originalidade. Principalmente os músicos da Bike, que deram show de técnica, e também em especial o baterista da Space Grace que hipnotizou a todos os que chegaram mais cedo, sem falar no carisma e da vibe da vocalista, que nos fez voltarmos no tempo, para uma época mais livre e experimental.
O evento aconteceu no Basement cultural, casa de shows que vem se concretizando no circuito de shows internacionais e nacionais de médio porte, com público cada vez maior e atrações inéditas na cidade, que antes não encontravam muito espaço nas tradicionais casas de Curitiba. Mas como o local ainda está em constante evolução, algumas melhorias ainda tardam a acontecer, como o calor que faz na área do palco, mas acredito que com o tempo, isso será sanado.
Outro ponto importante, foi que o público das bandas da noite, principalmente do Graveyard, sentiram falta de um espaço com elevação para poder conferir melhor a performance da banda. Pois nas duas primeiras atrações, o local estava tranquilo, dando uma chance a todos de verem as movimentações do palco. Quando a banda principal subiu ao palco, por volta das 21h30, os fã de baixa estatura dispunham de duas opções: ficar em frente ao palco, com calor insuportável e sendo empurrados constantemente, ou ir para o final da platéia, com o mesmo nivelamento do chão, resultando em zero chances de ver algo. Mas tudo bem, pegue os limões e faça uma limonada “o importante disto é que o evento foi um sucesso e faltaram espaços livres entre o público, sucesso garantido e merecido”.
Importa também ressaltar que a banda de Gotemburgo não era muito conhecida do grande público brasileirol, apesar da excelente qualidade de suas composições e destaque para o lado artístico da banda, que sempre trabalha com grandes artistas gráficos em seus álbuns, o que os tornam únicos e sempre um prazer em ver uma nova arte by Graveyard. Certa vez tive o prazer de entrevistar o baixista Truls Mörck e em uma determinada pergunta sobre a arte dos álbuns, ele relatou que sempre deu muito valor às capas dos álbuns, pois ainda adolescente, costumava ir às lojas de discos e escolher as melhores artes, Coincidências a parte, durante a apresentação da primeira banda, com a casa ainda bem vazia, eis que surge um Truls na platéia, bem concentrado apreciando o momento, e ninguém o reconheceu (Pelo menos acho eu… .) pois foi só depois de vinte minutos que tomei coragem de trocar algumas palavras com ele, gente como agente.
Mas vamos falar um pouco sobre a apresentação, acredito que o palco pequeno prejudicou um pouco a dinâmica dos músicos, que de tempos em tempos esbarravam nos pedestais, e também, tendo em vista os shows das outras cidades, deu para perceber uma redução considerável na estrutura de palco deles. Mas é a velha máxima, quem é bom mesmo, consegue tocar em qualquer lugar, e desta vez não foi diferente. A atmosfera acolhedora e a proximidade com a platéia conferiu um ar nostálgico e claramente agradou à banda, que deu tudo de si, inclusive muito suor, para um Basement lotado de fãs de boa música. O blues com ares modernos que só eles sabem executar, foi de chorar a alma bluseira que existe dentro de nós.
O quarteto formado em 2006, consegue algo único em seu hard rock, psicodelia e muito blues, trazem a sonoridade setentista que tanto aprendemos a amar, mas com atualização e identidade própria, para não cair no erro do som genérico. Os vocais e guitarras de Joakim Nilsson são impressionantes e técnicos, mas quando o baixista Truls assume os vocais, também dá uma identidade mais melodiosa às músicas. Para fechar com maestria, Jonatan Larocca-Ramm nas guitarras e Oskar Bergenheim na bateria, fazendo um estrago que não cabia no local, tamanha orgia bluseira, no melhor sentido.
Por fim, o setlist contou com os principais sucessos da banda, com destaque para o álbum “6” lançado em 2023, uma verdadeira obra prima. Inclusive para os que tiverem interesse, pesquisem os videoclipes da banda, são cinematográficos, pura arte. Curitiba agradece imensamente a oportunidade de ter presenciado ao vivo estas três bandas de excelente calibre. Parabéns também à produção, que apesar do local estar cheio, conseguiu uma noite muito pacífica e velutina.
Hoje, o Draconian se destaca como um dos nomes mais importantes do gothic doom metal mundial e chega ao seu oitavo disco em uma fase interessante da carreira. Após dois álbuns com Heike Langhans nos vocais, o mais recente trabalho da banda marca o retorno de Lisa Johansson, vocalista original que havia deixado o grupo em 2012. Atualmente, a banda é formada por Anders Jacobsson nos vocais guturais, Lisa Johansson nos vocais limpos, Johan Ericson e Niklas Nord nas guitarras, Daniel Arvidsson no baixo e Jerry Torstensson na bateria.
Os suecos, junto da cantora Emma Ruth Rundle, estrearam sua turnê conjunta pela América Latina no sábado, 16 de maio, na Carioca Club.
Pela segunda vez no Brasil, a banda já conquista uma casa maior e forma uma legião de fãs que os esperavam ansiosos e curiosos pelo setlist, por se tratar do primeiro show da turnê.
Dessa vez, estavam acompanhados de Emma Ruth Rundle, que, apesar de não ser exatamente do doom metal, tem uma carreira consolidada tanto em seu projeto solo quanto na banda Marriages. Além disso, a artista também escreve poesias e pinta quadros.
Desde o começo da tarde já era possível ver muitos fãs ansiosos na porta do Carioca Club, casa em que o Draconian viria estrear seu novo álbum, In Somnolent Ruin. A banda chegou por volta das 14h para a passagem de som e, apesar do calor que fazia em São Paulo, fez um meet & greet gratuito para os fãs que estavam na porta, conversando e tirando fotos.
Apesar de alguns questionamentos sobre a organização da fila, o meet & greet começou pontualmente às 15h e, às 16h, a fila já contornava o quarteirão da casa. As camisetas deixavam bem claro que, além da banda principal, muitos também aguardavam ansiosamente pela cantora Emma.
As portas se abriram às 16h35, e os fãs foram entrando e se acumulando em frente ao palco enquanto aproveitavam uma ótima playlist do DJ da casa, que envolveu o Carioca ao som de bandas de metal mais sombrio, como Theatre of Tragedy e Paradise Lost.
Pontualmente às 18h, Emma entrou no palco, cumprimentou a plateia, sentou-se em sua cadeira e iniciou seu show apenas com voz e violão. Abrindo com Living With the Black Dog, de seu primeiro álbum, Some Heavy Ocean, era perceptível a curiosidade do público que, em grande parte, ainda não conhecia a carreira solo da cantora. Emma então finalizou sua primeira música, apresentou-se e agradeceu ao público por recebê-la tão bem em sua primeira vez no Brasil.
O estilo que Emma segue é mais próximo do dark folk e post-rock, com um clima introspectivo e sombrio, utilizando muitos elementos de ambiência no timbre da voz e do instrumento. É um estilo que, apesar de dialogar com a banda principal, se distancia bastante do que o público do metal costuma escutar.
Na segunda música, Arms I Know So Well, apesar de enfrentar um problema técnico com o som de seu violão, resolveu tudo rapidamente sozinha e continuou a música de onde havia parado, recebendo muito carinho da plateia. A artista utilizava uma técnica de dedilhado intercalada com palhetadas e afinava o violão diversas vezes para as diferentes músicas.
Seguiu com Citadel e Blooms of Oblivion, que pareceu ser uma das músicas mais aguardadas pelos fãs da cantora. Emma também trouxe ao setlist duas músicas ainda não lançadas, executadas pela primeira vez nesse show.
Quando seguiu para sua próxima música, Darkhorse, faixa de seu quarto álbum, fez uma dedicação: “Essa é para Jennie”, uma fã que lhe entregou um presente antes do show – um colar com um pingente de cavalo, simbolizando a capa do álbum. Inclusive, Emma usava o colar durante a apresentação, mostrando o carinho que tem por seus fãs.
Para finalizar, puxou Marked for Death e foi muito bem recebida pela plateia que estava ali para prestigiar sua estreia no Brasil. A cantora encerrou o show agradecendo ao público e, a pedido do fotógrafo, tirou a clássica foto com os fãs.
Emma fez uma belíssima apresentação, preparando o público presente com uma atmosfera sombria e intimista. Mesmo utilizando apenas voz e violão, entregou um show cheio de detalhes e sensibilidade. No entanto, era perceptível que parte da plateia não se interessou tanto pelo som da cantora, muitas vezes aproveitando o momento para conversar alto, o que interferia na experiência das demais pessoas, já que o som de Emma é mais delicado e qualquer barulho acabava atrapalhando. Apesar disso, Emma se emocionou durante o show, demonstrando gratidão por sua primeira apresentação no Brasil. É uma artista completa, que merece ainda mais espaço – talvez acompanhada de artistas com uma proposta mais próxima da sua.
Após o primeiro show, era notável uma movimentação na pista: alguns fãs de Emma indo para mais longe do palco e os fãs do Draconian se aproximando da grade. As cortinas se abriram às 19h05, dando início ao show da banda principal.
O Draconian iniciou sua apresentação com a estreia ao vivo de I Welcome Thy Arrow, faixa de seu mais recente álbum, In Somnolent Ruin. A plateia vibrava ainda mais com a entrada dos vocalistas Lisa Johansson e Anders Jacobsson. Após cumprimentarem a plateia, trouxeram duas músicas que não eram tocadas ao vivo desde 2019: The Wretched Tide e The Last Hour of Ancient Sunlight. A surpresa pareceu emocionar os fãs, que cantavam junto a plenos pulmões.
“The Wretched Tide” é originalmente gravada por Heike Langhans, antiga vocalista da banda que substituiu Lisa após sua primeira passagem pelo grupo. No entanto, Lisa conquistou todos com sua voz meiga e potente, interpretando a faixa de forma leve e emocionante.
Seguiram com Heavy Lies the Crown, conduzida pelos guitarristas Johan Ericson e Niklas Nord, trazendo um timbre sombrio e pesado logo complementado pela voz doce de Lisa. A música foi extremamente bem recebida pelo público, que acompanhava os vocalistas cantando junto. Durante a faixa, era possível ver Anders sinalizando para a mesa de som algum ajuste técnico, provavelmente relacionado ao retorno de palco.
Em seguida veio A Scenery of Loss, faixa também tocada na primeira passagem da banda pelo país. Anders iniciou a música com uma parte falada e, ao longo da canção, os dois vocalistas alternavam entre os guturais densos de Anders e os vocais agudos e melancólicos de Lisa.
Anders parecia sentir profundamente a música durante as partes instrumentais, trazendo performances intensas e sensíveis – inclusive colocando a touca de seu sobretudo para criar uma estética ainda mais gótica. Lisa, por sua vez, entregava melancolia e delicadeza em um lindo vestido verde-escuro, além de demonstrar muita simpatia com a plateia, fazendo questão de olhar para as pessoas que estavam ali.
Seguindo para a próxima, as guitarras iniciaram e os fãs já previam o que vinha por aí: The Face of God. Também executada ao vivo pela primeira vez, a música foi apresentada por Anders durante a introdução enquanto a plateia gritava animada e acompanhava o ritmo com palmas.
Na sequência, vieram mais duas faixas do novo álbum também executadas ao vivo pela primeira vez: Asteria Beneath the Tranquil Sea e Cold Heavens. A primeira trouxe um momento mais introspectivo, com Lisa brilhando praticamente sozinha acompanhada apenas por camadas de synths e strings. Foi um dos momentos mais bonitos do show, e a cantora foi ovacionada pela plateia. Logo depois, Cold Heavens trouxe uma energia mais intensa e animada, fazendo o público cantar coros de “hey, hey, hey” e pular junto, emocionado.
Após os aplausos, Anders voltou a animar a plateia enquanto o baixista Daniel Arvidsson caminhava para a frente do palco levantando seu baixo com uma mão enquanto tocava, arrancando reações empolgadas do público. Muitos levantavam os celulares para registrar a performance.
Era a vez de Lustrous Heart, faixa do álbum Under a Godless Veil. No início, Anders pareceu novamente um pouco incomodado com algo relacionado ao microfone ou ao retorno, o que o fez atrasar levemente algumas entradas. Ainda assim, a performance da banda fez com que o público praticamente não percebesse a pequena falha. “Muito obrigado”, agradeceu o músico ao final.
Então chegou outra estreia ao vivo: Misanthrope River. Apesar de não ter levantado tanto a plateia quanto a faixa anterior, talvez por conta da expectativa criada anteriormente, foi um momento mais contemplativo do show.
Em seguida, Anders apresentou Heaven Laid in Tears (Angel’s Lament), faixa carregada de temas luciferianos e atmosfera gótica. O público claramente aguardava pela música e cantava alto junto aos vocalistas. Quase no final da música, fãs entregaram uma bandeira do Brasil para Lisa, que a ergueu durante o último refrão, emocionando a plateia. Após esse grande momento, a banda puxou a também inédita ao vivo Claw Marks on the Throne, seguida por Seasons Apart, cantada em coro pelo público junto de Lisa.
Para encerrar a noite, a banda agradeceu novamente aos fãs e iniciou uma de suas músicas mais conhecidas, The Sethian. Durante a música, Lisa se aproximou ainda mais da plateia, cantando ajoelhada bem próxima da grade.
Após um show carregado de sentimento, entrega e emoção, o Draconian estreou sua turnê latino-americana com uma apresentação completa, trazendo cinco músicas novas e diversos clássicos, deixando no público a sensação de ter assistido a uma performance intensa, fiel e memorável.