terça-feira, 9 de junho de 2026

Epitaph: Imprimindo Sua Identidade em um Metal Contemporâneo sem Perder Raizes

 


Completando seus 26 anos de existência, mas com músicos com uma bagagem ainda maior, a banda Epitaph, de Porto Alegre (RS), lançou recentemente seu segundo full-lenght, "Digital Screams", 17 anos após seu debut. Um tempo bem razoável, mas sabemos das dificuldades e riscos que uma banda independente corre para lançar material, e ainda um álbum completo e em formato físico.

Bom, a espera valeu a pena, e com o álbum físico em mãos, pude sentir mais precisamente a evolução de "Digital Screams" com relação ao seu antecessor, "Gettin Down to Business" (2010), e é o que se espera, e o que creio que todo artista busca: evoluir com relação a si mesmo.

Sim, o Heavy Metal tradicional da Epitaph ganhou ainda mais contornos Thrash, enriquecendo o som com mais pegada, e ainda trazendo elementos do Hard, Southern e Classic Rock com essa roupagem contemporânea e muito coesa.

A bela arte gráfica já chama a atenção, e quando o CD começa a rodar, também já se percebe a qualidade da produção sonora, e em seguida das composições, onde podemos ver que a banda foi maturando um trabalho de alta qualidade, dispondo de toda a experiência e entrosamento adquiridos nesses anos todos.

Sobre a arte, feita por Rômulo Dias e com projeto gráfico de Juliana Louis e fotos de Diogo Nunes, traz na capa o personagem que aparece no primeiro álbum, e na foto da banda no encarte, podem ser encontradas diversas referências à cultura pop, Rock, Metal e outras, coisas que fizeram e fazem parte da vida dos músicos.

Na parte lírica, a Epitaph contou novamente com letras do escritor Denis Winston Brum, que aborda de forma crítica e ácida vários temas atuais.  Ainda há a participação especial de Gustavo Demarchi, da banda brasileira de Rock Progressivo Apocalypse, na faixa-título, onde, além de colaborar com a letra, novamente divide vocais com Joe F. Louder, a exemplo de “Death Belt”, do álbum de estreia.

A produção, por Lucas Santorum, está excelente, realçando essa evolução da banda, que soa contemporânea e ainda mais pesada, mas sem perder as raízes. 

"Digital Screams" traz oito faixas, apresentando alto nível. Dinâmico e empolgante, é daqueles albums em que ouvimos sem pular nenhuma faixa, e quando chega ao fim, já dá vontade de ouvir de novo!

Acho que para expressar bem o que senti no momento em que coloquei o álbum no player, foi como um nocaute! "Loser's Life" entra com uma introdução pesada, para em seguida os riffs e a pegada da cozinha te acertarem em cheio! J. Louder ataca com vocais agressivos e altos, e já nesta abertura podemos perceber claramente a pegada mais pesada e Thrash, trazendo à mente aqueles grandes nomes da Bay Area. 

Riffs cortantes, andamento dinâmico, refrão marcante e solos que alternam velocidade e técnica, com precisos wha-whas. Bateção de cabeça garantida. Grande abertura.

E sem tempo de recuperar o fôlego, o riff marcante de "The Girl Who Loved the Dead" já prende de imediato. A primeira faixa apresentada de "Digital Screams", com o lançamento do vídeo dia 09/05, traz riffs em profusão, guitarras nervosas e com variações de andamento, ora com trechos mais rápidos, ora com outros mais cadenciados e carregadas de peso. 

E seguindo o tema da letra e vídeo, há uma passagem que traz aquele clima de mistério e tensão. 

Na sequência, a auto intitulada “Epitaph”, que inicia com uma citação a Allan Poe, tem andamento mais arrastado e carregada de groove. Riffs marcantes e a cozinha trazendo peso e precisão,  com Fábio Figueiredo mostrando peso e refino nos graves, e César “Five” pesando a mão e também mostrando sua versatilidade. Baterias “reais”, daquelas da escola de mestres como Paice.

Abro parênteses para ressaltar as variações e arranjos elaborados nas linhas vocais, guitarras e cozinha, algo que é recorrente nas oito faixas, mostrando todo o cuidado e trabalho que a banda dedicou, alcançando um alto nível. 

Road of Fire”, uma das minhas favoritas , segue mantendo o nível lá em cima, dando uma pisada no acelerador, trazendo slide guitars, riffs e refrão marcantes, algo também recorrente no álbum. O groove se une ao peso, com alternância desses trechos que trazem a malícia do Hard e Southern Rock contemporâneo, com passagens mais agressivas, e Joe Louder mais uma vez traz linhas versáteis, com agudos estilo Halford. 

E as guitarras…ah as guitarras! Trabalho impecável, com a dupla Marlon e André Canhoto destilando peso, técnica, melodia e criatividade nas bases, arranjos, solos e riffs. Ambos, assim como os demais músicos, trabalham em prol das composições, dosando precisamente e tendo o protagonismo quando a música pede. 

E esse parágrafo acima usei para introduzir a faixa título, e outra das minhas favoritas. Um excelente cartão de visitas para apresentar a alguém o álbum, e corroborar o que falei acima. “Digital Screams”, uma das duas faixas mais longas do álbum, é uma paulada na orelha do início ao fim. 

Traz a participação e letra de Gustavo Demarchi, que divide os vocais com Joe, e a inspiração lírica foi a polarização política acirrada nas redes sociais, além do avanço da tecnologia de Inteligência Artificial (IA), com suas polêmicas, prós e contras, defensores e opositores. 

Carregada de urgência, a música nos transmite um clima de tensão, com seu andamento cadenciado, climático e pesadíssimo. O dueto entre Demarchi e Louder soa como um discurso de alerta, com interpretações cheias de teatralidade e aflição. 

A dupla de guitarras nos trazem riffs solos que enfatizam essa tensão, seja quando atuam individualmente, ou nos momentos que dividem as melodias e soam gêmeas. 

Depois dessa tensão e peso, novamente a banda dá uma pisada no acelerador em “National Guard”, uma faixa dinâmica, de riffs rápidos e cortantes, destacando o groove no refrão, os wha-whas novamente dando as caras com destaque, e as melodias Heavy Tradicional que surgem após os solos. 

Realmente, a banda reuniu com coesão os elementos de Heavy Metal Tradicional, Thrash e as influências individuais neste álbum. 

National Guard” é um bom exemplo, pois por mais que soe Heavy Metal naquela linha Judas (que, convenhamos, é sinônimo de Metal), há esses outros elementos, e claro, ao final criam a marca pessoal da Epitaph. 

A letra, a exemplo da faixa título, também aborda as questões do uso das redes sociais e ferramentas virtuais para fins escusos, como perpetuar fake news e discursos de ódio. "O Captain, my Captain, you teach me to hate..."

E na faixa seguinte, nada de tirar o pé do acelerador. “Something Better than God” tem pegadas de Heavy Metal tradicional, mas seguindo essa marca pessoal que a banda imprimiu, mesclando com coesão as suas inspirações. 

Destaque para os vocais agressivos e lá em cima de Joe, numa linha Halford/Bobby Blitz. E claro, preste atenção nas letras ácidas do álbum. Em "Something...", temos uma crítica ao uso da religião em benefício próprio, idolatria e venda, literal, de ilusões.

Fechando, temos “Blue Cave”. E na primeira audição do álbum pensei: “Já é a última!?!?” 

Isso mostra a dinâmica e a qualidade do disco, que jamais cansa o ouvinte, daqueles álbuns de se ouvir sem pular uma faixa.

Blue Cave”, mais uma das minhas favoritas, segue o ritmo mais acelerado, com o baixo fazendo a intro, para em seguida os riffs entrarem pesadíssimos e com César sentando a mão sem dó no seu kit. 

Aqui acho que temos um dos refrãos mais marcantes do álbum. E para quem não é de Porto Alegre e região, “Blue Cave” é uma famosa boate da capital.  A história da letra é tipo, digamos, estilo "Don't Stop Believing", mas com uma realidade mais dura, onde a garota da cidade pequena acaba seguindo caminhos não tão sonhados inicialmente.

Para situar o ouvinte, posso dizer que ela soa como um Judas Priest com pegada mais thrash. E claro, destaque para as variações vocais de Joe, e os excelentes solos, novamente tendo o uso de wha-whas, mesclando melodia e tensão, e ainda o violão “Southern” com que a faixa vai se despedindo.

Ufff! Agora é recuperar o fôlego e colocar para rodar de novo! Discaço de Metal!

Concluindo, ressalto novamente a evolução da banda, materializada e registrada em "Digital Screams", um ótimo álbum de Metal, pesado e contemporâneo, sem perder as raízes.


Texto: Caco Garcia
Fotos: Divulgação, Vinny Vanoni

Epitaph é:
Joe F. Louder: Vocais 
César Five: Bateria 
Fábio Figueiredo: Baixo
Marlon Steindorff: Guitarras
André "Canhoto" Carvalho: Guitarras

Adquira o CD físico via direct no Instagram da Epitaph 









segunda-feira, 8 de junho de 2026

Spread Eagle: Rebeldia Em Alto Volume (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)
Por Flavio Borges

Após um longo intervalo entre lançamentos de estúdio, o Spread Eagle retorna com The Brutal Divine, seu quarto álbum e um novo capítulo na trajetória de uma das bandas mais autênticas do hard rock norte-americano. Lançado pela Frontiers Music Srl, o disco canaliza toda a energia acumulada em anos de estrada e a transforma em uma coleção de canções que equilibram peso, melodia e atitude. Com uma abordagem mais sombria e agressiva, sem abandonar suas raízes, a banda entrega um trabalho que reafirma sua relevância no cenário atual e demonstra que ainda há muito combustível em seu tanque criativo.

A abertura com “Flat Earth Vultures” é envolta em uma atmosfera intrigante. A introdução, construída gradualmente por guitarras e vocais carregados de suspense, desemboca em um hard rock cru e vigoroso. O refrão surge de forma direta e eficiente, enquanto a guitarra assume papel central durante toda a execução, alternando momentos de agressividade e melodia. O solo, sustentado por uma base sólida de baixo e bateria, evidencia a qualidade técnica da banda sem comprometer a energia visceral da composição.

Com forte influência punk, “Street Noise” surge como um dos momentos mais diretos do álbum. Rápida, agressiva e desprovida de excessos, a faixa se apoia em uma seção rítmica simples, porém extremamente eficaz. O solo de guitarra acrescenta um toque de hard rock à estrutura essencialmente punk, criando um interessante contraste entre os dois universos.

“Gunflower” amplia essa fusão de estilos ao incorporar elementos mais evidentes do heavy metal. Enquanto os versos são sustentados por riffs robustos e uma abordagem mais metálica, o refrão mergulha de cabeça na urgência e na simplicidade do punk rock. O trabalho de baixo merece destaque especial, conferindo peso e profundidade à composição. Em determinados momentos, os timbres de guitarra evocam claramente a influência do Motörhead, reforçando a identidade híbrida da faixa.

Em “Jail Rat”, o grupo mantém a energia punk, mas investe em uma construção mais elaborada. Pequenos solos surgem ao longo da música, enriquecendo os arranjos sem comprometer a agressividade da proposta. As passagens em que a velocidade diminui aproximam a composição do heavy metal tradicional, enquanto os efeitos aplicados aos vocais de Ray West acrescentam uma camada moderna que contrasta com a crueza normalmente associada ao punk. Mais uma vez, a guitarra se destaca como protagonista absoluta.

A cadenciada “Forbidden Local Honey” oferece uma mudança de dinâmica bem-vinda. Com uma batida quase tribal e uma rica textura de guitarras, a faixa se aproxima mais do hard rock clássico, embora mantenha traços do espírito punk que permeia o álbum. Os backing vocals reforçam o apelo melódico do refrão, enquanto o baixo ganha protagonismo ao conduzir os versos e sustentar o solo com notável competência.

A grande surpresa do disco talvez seja “Pushed To The Limit”. Com forte inspiração no hard rock e no heavy metal dos anos 70, a música remete aos primeiros trabalhos do Judas Priest. Os riffs são diretos e marcantes, a seção rítmica mantém tudo firmemente ancorado, e os vocais exploram melodias que remetem ao estilo clássico de Rob Halford. O solo, mais técnico e veloz, representa um dos pontos altos do álbum.

Quando surge “Ant Farm”, o Spread Eagle quebra completamente as expectativas. A música incorpora timbres contemporâneos, guitarras mais densas e uma produção que dialoga diretamente com o metal alternativo e o grunge dos anos 90. É uma das faixas mais ousadas do trabalho, mostrando que a banda não está interessada apenas em revisitar fórmulas do passado, mas também em expandir seu vocabulário musical.

“Scars In Our Eyes (City Kids)” equilibra tradição e modernidade de forma particularmente eficiente. O baixo aparece em destaque logo na introdução, conduzindo uma composição de andamento moderado e forte apelo melódico. As harmonizações vocais são cuidadosamente trabalhadas e o solo surge no momento exato, acrescentando intensidade sem quebrar a atmosfera construída pela música.

“Inside A Shrunken Head” representa o mergulho definitivo no punk rock. Direta, veloz e sem concessões, a faixa remete ao hardcore nova-iorquino do início dos anos 90. É uma composição construída para o impacto imediato, com poucas mudanças de andamento e foco total na energia bruta. Ainda assim, a presença de um solo bem elaborado impede que a música se torne excessivamente previsível.

Encerrando o álbum, “Makebeliever” funciona como uma síntese perfeita da proposta artística de The Brutal Divine. A música transita naturalmente entre heavy metal, punk rock e hard rock, reunindo em poucos minutos todos os elementos explorados ao longo do disco. O resultado é uma conclusão coerente para um trabalho que faz da mistura de estilos sua principal identidade.

Mais do que um simples retorno, The Brutal Divine apresenta um Spread Eagle revitalizado e disposto a desafiar expectativas. A combinação de hard rock, heavy metal e punk rock não busca agradar a todos os públicos — e talvez seja justamente essa sua maior virtude. Trata-se de um álbum que exige uma audição aberta, disposto a cruzar fronteiras estilísticas sem pedir licença. Em um cenário frequentemente dominado por bandas que reproduzem fórmulas consagradas, o Spread Eagle entrega um trabalho com personalidade, coragem e autenticidade. Nem todas as experiências propostas pelo disco atingem o mesmo nível de excelência, mas sua recusa em seguir caminhos previsíveis torna The Brutal Divine uma audição relevante e, acima de tudo, genuína.


***ENSLIGH VERSION***

After a lengthy gap between studio releases, Spread Eagle returns with The Brutal Divine, its fourth studio album and a new chapter in the career of one of American hard rock’s most authentic bands. Released through Frontiers Music Srl, the record channels years of road-tested energy into a collection of songs that balance heaviness, melody, and attitude. Embracing a darker and more aggressive approach without abandoning its roots, the band delivers a work that reaffirms its relevance in today’s scene and proves there is still plenty of fuel left in its creative tank.

Opening track “Flat Earth Vultures” arrives wrapped in an intriguing atmosphere. Built gradually through suspenseful guitar work and haunting vocal lines, the introduction eventually erupts into a raw and vigorous hard rock assault. The chorus is immediate and effective, while the guitar takes center stage throughout the song, shifting effortlessly between aggression and melody. Supported by a solid bass-and-drums foundation, the solo showcases the band’s technical prowess without sacrificing the visceral energy that drives the composition.

With a strong punk influence, “Street Noise” stands out as one of the album’s most straightforward moments. Fast, aggressive, and stripped of unnecessary embellishments, the track relies on a simple yet highly effective rhythm section. The guitar solo injects a dose of hard rock flair into an otherwise punk-oriented framework, creating an engaging contrast between the two worlds.

“Gunflower” expands this stylistic fusion by incorporating more overt heavy metal elements. While the verses are driven by robust riffs and a distinctly metallic approach, the chorus dives headfirst into the urgency and simplicity of punk rock. The bass performance deserves special recognition, adding both weight and depth to the arrangement. At times, the guitar tones evoke the unmistakable influence of Motörhead, reinforcing the track’s hybrid identity.

On “Jail Rat” the band maintains its punk energy while opting for a more elaborate construction. Short guitar leads appear throughout the song, enriching the arrangements without compromising the raw aggression at its core. Slower passages bring the composition closer to traditional heavy metal territory, while the vocal effects applied to Ray West’s performance add a modern layer that contrasts with the roughness typically associated with punk. Once again, the guitar emerges as the song’s dominant force.

The more measured “Forbidden Local Honey” provides a welcome shift in dynamics. Driven by a nearly tribal beat and rich guitar textures, the track leans more toward classic hard rock while retaining traces of the punk spirit that runs throughout the album. The backing vocals enhance the melodic appeal of the chorus, while the bass takes on a leading role, guiding the verses and underpinning the solo with remarkable confidence.

Perhaps the album’s biggest surprise is “Pushed To The Limit”. Drawing heavily from the hard rock and heavy metal sounds of the 1970s, the song recalls the early work of Judas Priest. The riffs are direct and memorable, the rhythm section keeps everything firmly grounded, and the vocal melodies echo the classic style associated with Rob Halford. The faster, more technical solo ranks among the album’s standout moments.

When “Ant Farm” arrives, Spread Eagle completely shifts expectations. The song embraces contemporary tones, denser guitar textures, and a production style that speaks directly to alternative metal and the grunge movement of the 1990s. It is one of the album’s boldest compositions, demonstrating that the band is not merely interested in revisiting past formulas but also in expanding its musical vocabulary.

“Scars In Our Eyes (City Kids)” balances tradition and modernity with notable effectiveness. The bass takes center stage from the outset, driving a mid-tempo composition rich in melodic appeal. The vocal harmonies are carefully crafted, and the solo arrives at precisely the right moment, adding intensity without disrupting the atmosphere established by the song.

Meanwhile, “Inside A Shrunken Head” represents the album’s most uncompromising dive into punk rock. Fast, direct, and unapologetic, the track evokes the spirit of early-1990s New York hardcore. Built for immediate impact, it features few tempo changes and remains focused on sheer energy. Even so, a well-executed guitar solo prevents the song from becoming overly predictable.

Closing the album, “Makebeliever” serves as a perfect summary of The Brutal Divine’s artistic vision. The song flows naturally between heavy metal, punk rock, and hard rock, bringing together all the elements explored throughout the record. The result is a fitting conclusion to an album whose defining characteristic is its seamless blending of styles.

More than just a comeback, The Brutal Divine presents a revitalized Spread Eagle willing to challenge expectations. Its combination of hard rock, heavy metal, and punk rock is not designed to please everyone—and that may well be its greatest strength. This is an album that demands an open-minded listener, one willing to embrace stylistic boundaries being crossed without hesitation. In a landscape often dominated by bands content to recycle established formulas, Spread Eagle delivers a work of personality, conviction, and authenticity. Not every experiment reaches the same level of success, but the band’s refusal to follow predictable paths makes The Brutal Divine a compelling and, above all, genuine listening experience.

Keith Celentano


O MAIOR FESTIVAL DE METAL DO MUNDO ESTÁ DE VOLTA – 35 ANOS DE WACKEN

Por Cammy Marino e Nayara Sabino

O lendário Wacken Open Air 2026 já tem data marcada para celebrar sua histórica 35ª edição: de 29 de julho a 1º de agosto de 2026, na pequena vila de Wacken, na Alemanha, o verdadeiro templo do heavy metal.  

Mais de 85 mil metalheads do mundo inteiro vão invadir a Holy Ground para viver dias metal e uma das experiências mais épicas da música pesada. 

Em 2026, o festival abrigará oito palcos. O epicentro dos grandes shows continua sendo o Infield, onde ficam os imponentes Faster e Harder Stages. Logo ao lado do eixo principal, o público se divide entre o Louder Stage, os palcos W:E:T e Headbangers (na Bullhead City), o visual pós-apocalíptico do Wasteland, o clima folk-medieval do Wackinger Stage e o Welcome To The Jungle localizado no Camping Plaza. Toda essa experiência é suportada por uma estrutura bem equipada com comércios, bares, “supermercados”, postos médicos e banheiros para garantir o conforto dos headbangers.

E esse ano com melhorias incríveis para o público, tendo em vista as grandes tempestades que atingiram o festival ano passado. O festival investiu pesado na implementação de novas vias pavimentadas que ligam o público a área de show e campings, drenagem de solo trazendo mais conforto aos metalheads sem perder a essência de“Rain or Shine”!

Além disso, o Wacken lançou uma festa mundial com ativação em 35 países de forma simultânea! E na pré-party do Bangers Open Air tivemos a presença de Thomas Jensen, o CEO do festival! E nossa correspondente do Team Europe Cammy Marino estava lá conferindo tudo! O nosso editor-chefe, Gabriel Arruda também pode conhecer o co-fundador do Wacken no festival Bangers Open Air e estamos torcendo para que aconteça uma parceria com nosso festival Brazuca!

Wacken Press

Headliners de Peso e Estreias Imperdíveis:

Os palcos principais do festival trarão gigantes do rock e do metal. A noite de quinta-feira será dominada pela clássica banda de hard rock britânica, Def Leppard, uma das maiores estreias do ano no Holy Ground. A sexta-feira será comandada pelos veteranos da banda In Flames e pelos Deuses do Metal: Judas Priest. Para encerrar o sábado com chave de ouro e muito Power Metal, teremos o retorno da banda sueca Sabaton após 7 anos desde a última performance no festival e também banda alemã Powerwolf que prometem performances teatrais inesquecíveis.

Outra grande atração que vem gerando grande expectativa é o Arch Enemy. Esta será a primeira apresentação da banda no Wacken com a nova vocalista Lauren Hart, que assumiu os vocais em fevereiro de 2026 após a saída de Alissa White-Gluz. O guitarrista Michael Amott e seus companheiros prometem iniciar este novo capítulo da banda com um set avassalador.

A edição de 2026 também promete momentos de forte emoção, marcados por despedidas históricas: nossos conterrâneos do Sepultura, confirmaram sua última apresentação em festivais alemães na noite de sexta-feira, como parte de sua turnê de despedida global. Na mesma noite, a lendária banda alemã Running Wild, liderados por Rolf Kasparek, farão aquele que foi anunciado como o último show da história da banda, transformando a edição do Wacken de 2026 em um marco definitivo para o Heavy Metal.

Preparem o colete, a galocha e o pescoço — porque o Wacken 2026 promete entrar para a história.

Wacken Press

Serviço:

Local: Wacken, Alemanha - 29/07 a 01/08/2026

Ingressos: disponíveis no site oficial no valor de 351 Euros

https://www.wacken.com/en/tickets-shop/woa-2026-tickets/

Camping: Abertura 26 de julho e encerramento em 02 de agosto

Ingressos para campings especiais também disponíveis no site: https://www.metaltix.com/wacken-open-air-2026-tickets-5723.html?pk_vid=1ee9d302d94ca0481779747970f5af48#tour-2037

Transporte: Shuttle gratuito saindo da estação de trem de Itzehoe


“See you on the Holy Ground!”


sábado, 6 de junho de 2026

Frontiers XXX Anniversary: 30 Anos de História Celebrados em Grande Estilo (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)
Por Flavio Borges

Celebrar três décadas de existência é um feito que poucas gravadoras independentes conseguem alcançar mantendo relevância artística e comercial. No caso da Frontiers Records, o marco dos 30 anos ganha uma homenagem à altura com XXX Anniversary Compilation, uma coletânea especial que vai além do conceito tradicional de retrospectiva. Em vez de simplesmente reunir sucessos já conhecidos, a gravadora optou por revisitar parte de seu catálogo por meio de novas interpretações realizadas por artistas da atual geração do cast da casa, criando uma ponte entre passado, presente e futuro.

Idealizado por Serafino Perugino e produzido por Aldo Lonobile, o projeto funciona como uma celebração da identidade musical que a Frontiers ajudou a consolidar ao longo das últimas décadas. O repertório percorre diferentes momentos da trajetória do selo, reunindo canções originalmente gravadas por nomes como Eclipse, W.E.T., Revolution Saints, Allen/Lande, The Dark Element, Jorn, Pretty Maids e Whitesnake, entre outros. O resultado é uma espécie de cápsula do tempo do hard rock melódico contemporâneo.

Os músicos base do projeto são: Alessandro Mammola – guitarras, Andrea Arcangeli – baixo Cristian Timpanaro – baixo , Alessio Lucatti – teclados , Antonio Agate – teclados, Alfonso Mocerino – bateria, Fortunato Grillo – bateria  e Aldo Lonobile – produção e guitarras adicionais. 

O destaque fica por conta dos vocalistas convidados. Em Separate Ways (Journey)  temos James Robledo, para Watch The Fire (W.E.T.)  quem aparece é  Cassidy Paris, ja em  Weight Of The World (Harem Scarem) temos Karmen Klinc. Dando continuidade com Viva La Victoria (Eclipse) os vocais estão a cargo de Dyan Mair; Por sua vez em  Hypocrisy (Nordic Union) a voz é de  Stina Girs. Em Edge Of Tomorrow (Sunstorm)  quem arrebenta é Ronnie Romero, enquanto em Love Will Set You Free (Whitesnake) vem Santiago Ramonda.  Songs That Night Sings (The Dark Element)  recebeu a voz de Tezzi Persson e My Guardian Angel (Place Vendome) de Fabio Caldeira.  When The Heartache Has Gone (Revolution Saints) chega com Mattias Olofsson nos vocais, e No More Hell To Pay (Stryper) com Giorgia Colleluori. Fechando temos Down From The Mountain (Allen/Lande) com Nicklas Sonne, e Little Drops Of Heaven (Pretty Maids) com o grande Robin McAuley.

A abertura com "Separate Ways", clássico imortal do Journey, estabelece imediatamente o tom do álbum. A interpretação de James Robledo respeita a grandiosidade da versão original enquanto incorpora uma abordagem mais moderna na produção e nos arranjos. É uma escolha simbólica: embora o Journey não faça parte do catálogo histórico da Frontiers, a música representa uma das principais influências estéticas que moldaram a identidade sonora da gravadora.

Entre os destaques está a poderosa releitura de "Viva La Victoria", originalmente do Eclipse. A composição mantém seu caráter explosivo e seu refrão contagiante, confirmando por que se tornou um dos maiores hinos do hard rock melódico da última década. Da mesma forma, "Watch The Fire", do W.E.T., preserva a combinação perfeita entre peso e melodia que transformou a banda em uma das referências do gênero.

As interpretações femininas oferecem alguns dos momentos mais interessantes do disco. Cassidy Paris, Karmen Klinc, Dyan Mair, Stina Girs e Giorgia Colleluori imprimem personalidade própria a canções já conhecidas dos fãs, evitando que o projeto soe como mero exercício de reprodução. Em especial, "Weight Of The World" e "Hypocrisy" ganham novas nuances vocais que ampliam a carga emocional das composições.

O álbum também encontra espaço para momentos mais melódicos e introspectivos. "Songs That Night Sings", originalmente gravada pelo The Dark Element, mantém sua atmosfera épica e cinematográfica, enquanto "Little Drops Of Heaven", dos veteranos Pretty Maids, encerra a experiência com elegância e sentimento, reforçando o forte apelo melódico que sempre caracterizou as produções associadas à Frontiers.

Musicalmente, a produção de Aldo Lonobile é um dos grandes trunfos do projeto. Os novos arranjos preservam a essência das versões originais, mas recebem uma sonoridade contemporânea, mais encorpada e dinâmica. O trabalho dos músicos de apoio — Alessandro Mammola, Andrea Arcangeli, Cristian Timpanaro, Alessio Lucatti, Antonio Agate, Alfonso Mocerino e Fortunato Grillo — garante consistência e qualidade técnica em todas as faixas, criando uma unidade sonora que faz a coletânea funcionar como um álbum coeso, e não apenas como uma reunião aleatória de gravações.

Naturalmente, algumas versões não superam o impacto das interpretações originais. Afinal, muitas dessas canções já nasceram associadas às vozes que as tornaram conhecidas. Contudo, essa nunca parece ter sido a intenção do projeto. O objetivo é prestar homenagem ao legado da gravadora e demonstrar a vitalidade de sua atual geração de artistas — missão que o álbum cumpre com competência.

Mais do que uma simples compilação comemorativa, XXX Anniversary Compilation é uma declaração de identidade. O disco evidencia o papel fundamental que a Frontiers desempenhou na preservação e renovação do hard rock melódico em um período no qual muitos consideravam o gênero comercialmente esgotado. Ao reunir diferentes gerações de músicos em torno de um repertório que ajudou a definir sua história, a gravadora transforma a celebração de seu aniversário em um testemunho de sua importância para a cena mundial.


***ENGLISH VERSION***

Celebrating three decades of existence is an achievement that few independent record labels manage to accomplish while maintaining both artistic and commercial relevance. In the case of Frontiers Records, the 30-year milestone receives a fitting tribute with XXX Anniversary Compilation, a special collection that goes beyond the traditional retrospective format. Rather than simply gathering previously released hits, the label has chosen to revisit part of its catalog through fresh interpretations performed by artists from its current roster, creating a bridge between the past, present, and future.

Conceived by Serafino Perugino and produced by Aldo Lonobile, the project serves as a celebration of the musical identity that Frontiers has helped shape over the past decades. The tracklist spans different eras of the label’s history, featuring songs originally recorded by artists such as Eclipse, W.E.T., Revolution Saints, Allen/Lande, The Dark Element, Jorn, Pretty Maids, and Whitesnake, among others. The result is a kind of time capsule of contemporary melodic hard rock.

The core musicians behind the project are Alessandro Mammola on guitars, Andrea Arcangeli on bass, Cristian Timpanaro on bass, Alessio Lucatti on keyboards, Antonio Agate on keyboards, Alfonso Mocerino on drums, Fortunato Grillo on drums, and Aldo Lonobile handling production and additional guitars.

The real spotlight, however, falls on the guest vocalists. On "Separate Ways" (Journey), we find James Robledo delivering a strong performance, while Cassidy Paris takes the lead on "Watch The Fire" (W.E.T.). Karmen Klinc handles "Weight Of The World" (Harem Scarem), followed by Dyan Mair on "Viva La Victoria" (Eclipse). Stina Girs lends her voice to "Hypocrisy" (Nordic Union), while Ronnie Romero shines on "Edge Of Tomorrow" (Sunstorm). Santiago Ramonda steps in for "Love Will Set You Free" (Whitesnake), Tezzi Persson tackles "Songs That Night Sings" (The Dark Element), and Fabio Caldeira delivers an impressive performance on "My Guardian Angel" (Place Vendome). Mattias Olofsson fronts "When The Heartache Has Gone" (Revolution Saints), Giorgia Colleluori takes on "No More Hell To Pay" (Stryper), Nicklas Sonne handles "Down From The Mountain" (Allen/Lande), and the legendary Robin McAuley closes the album with "Little Drops Of Heaven" (Pretty Maids).

The album opens with "Separate Ways", Journey’s immortal classic, immediately setting the tone for what follows. James Robledo’s interpretation respects the grandeur of the original while incorporating a more contemporary production approach and updated arrangements. It is a symbolic choice: although Journey was never part of the Frontiers catalog, the song represents one of the key influences that helped shape the label’s musical identity.

Among the highlights is the powerful reimagining of "Viva La Victoria", originally recorded by Eclipse. The song retains its explosive energy and infectious chorus, reaffirming why it became one of the defining melodic hard rock anthems of the past decade. Likewise, "Watch The Fire" preserves the perfect balance between heaviness and melody that established W.E.T. as one of the genre’s premier acts.

The female vocal performances provide some of the album’s most compelling moments. Cassidy Paris, Karmen Klinc, Dyan Mair, Stina Girs, and Giorgia Colleluori each bring their own personality to songs already familiar to fans, preventing the project from feeling like a mere exercise in replication. In particular, "Weight Of The World" and "Hypocrisy" gain new vocal nuances that enhance the emotional depth of the compositions.

The album also makes room for more melodic and introspective moments. "Songs That Night Sings", originally recorded by The Dark Element, retains its epic and cinematic atmosphere, while "Little Drops Of Heaven" by veteran Danish outfit Pretty Maids closes the experience with elegance and emotion, reinforcing the strong melodic appeal that has always characterized Frontiers-related productions.

From a musical standpoint, Aldo Lonobile’s production is one of the project’s greatest strengths. The new arrangements preserve the essence of the original recordings while embracing a contemporary, fuller, and more dynamic sound. The work of the supporting musicians—Alessandro Mammola, Andrea Arcangeli, Cristian Timpanaro, Alessio Lucatti, Antonio Agate, Alfonso Mocerino, and Fortunato Grillo—ensures consistency and technical excellence throughout the album, creating a cohesive listening experience rather than a random collection of recordings.

Naturally, some performances do not surpass the impact of the originals. After all, many of these songs became closely associated with the voices that first brought them to life. However, that never seems to have been the intention of the project. Its purpose is to celebrate the label’s legacy while showcasing the vitality of its current generation of artists—a mission the album accomplishes successfully.

More than a simple anniversary compilation, XXX Anniversary Compilation is a statement of identity. The album highlights the fundamental role Frontiers has played in preserving and revitalizing melodic hard rock during a period when many considered the genre commercially exhausted. By bringing together different generations of musicians around a repertoire that helped define its history, the label transforms its anniversary celebration into a testament to its lasting importance within the global rock scene.


Boys From Heaven: AOR Moderno com Alma Clássica (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)
Por Flavio Borges

Com The Wanderer, o Boys From Heaven dá um passo decisivo em sua trajetória ao estrear pela Frontiers Music Srl e consolidar sua identidade dentro do cenário contemporâneo do AOR. Apostando em uma combinação envolvente de nostalgia oitentista, melodias sofisticadas e produção refinada, o grupo dinamarquês entrega um trabalho que equilibra energia, elegância e forte apelo melódico.

Produzido pela própria banda e finalizado por Erik Mårtensson, conhecido por seu trabalho com W.E.T. e Eclipse, o álbum evidencia a capacidade do quinteto de reverenciar os clássicos do gênero sem soar excessivamente dependente deles. O resultado é uma coleção de canções cuidadosamente construídas, que encontra equilíbrio entre tradição e personalidade própria.

A abertura com “I'll Wait” surpreende pelo peso acima da média para os padrões do AOR. Após uma introdução mais robusta, a faixa revela sua verdadeira natureza melódica através de uma condução marcante do baixo, teclados carregados de timbres oitentistas e um refrão poderoso que evita os excessos de harmonizações vocais típicas do estilo. O equilíbrio entre guitarra, teclados e seção rítmica demonstra a maturidade dos arranjos e estabelece imediatamente o alto nível do álbum.

Escolhida como principal single, “Hotline” reforça a identidade sonora do grupo. Sua origem como composição instrumental talvez explique a riqueza de suas linhas melódicas e a fluidez dos arranjos. O refrão é extremamente eficaz, enquanto a combinação entre groove, elementos pop e o peso moderado das guitarras cria uma atmosfera que remete aos anos dourados do AOR sem parecer mera reprodução nostálgica. O solo de saxofone surge como um dos momentos mais inspirados da faixa, acrescentando personalidade e um charme quase cinematográfico.

“Hold Your Heart” mergulha ainda mais fundo na tradição do gênero. Com estrutura próxima de uma power ballad, a canção se apoia em um trabalho vocal elegante e em harmonias de apoio clássicas. O sax retorna com destaque, desta vez dialogando com os vocais de forma particularmente eficiente. É uma faixa que sintetiza muitos dos elementos fundamentais do AOR e poderia facilmente servir como porta de entrada para novos ouvintes do estilo.

“Street Life” representa uma das maiores surpresas do disco. Influenciada por sonoridades que remetem à Motown, a música introduz uma dose bem-vinda de groove ao repertório. O baixo assume protagonismo absoluto, sustentado por uma cozinha extremamente afiada, enquanto os vocais de Chris Catton exibem versatilidade e carisma. A presença de órgão, os jogos vocais e os excelentes solos fazem desta uma das composições mais completas e interessantes do álbum.

“Say Goodbye” retorna ao terreno mais tradicional do AOR, mas sem abrir mão da sofisticação. Sua linha vocal menos previsível e o refrão cuidadosamente elaborado mostram uma banda confortável em trabalhar dentro das convenções do estilo sem cair na fórmula automática. O trabalho conjunto entre guitarra, saxofone e baixo cria uma riqueza de texturas que recompensa audições repetidas.

“How Long” traz novamente uma introdução mais pesada antes de se transformar em um dos momentos mais acessíveis do álbum. A bateria de Søren Viig Mathiesen merece destaque especial pelas viradas e mudanças de dinâmica que elevam a composição acima do padrão radiofônico. Com um refrão instantaneamente memorável, a faixa reúne todos os ingredientes necessários para se tornar uma das favoritas dos fãs.

“Eileen” mantém o baixo como elemento central da construção musical. Com forte apelo ao pop rock dos anos 1980, a canção combina refrão direto, guitarras encorpadas e um uso inteligente do saxofone para complementar as melodias principais. Seu caráter leve e descontraído funciona como um excelente contraponto dentro da sequência do álbum.

Em “I Will Never Let You Down”, a banda demonstra mais uma vez sua habilidade para construir melodias cativantes sem sacrificar a riqueza instrumental. O diálogo constante entre guitarra e saxofone adiciona camadas interessantes ao arranjo, enquanto o refrão se destaca pela naturalidade com que se fixa na memória do ouvinte.

“Time Is On Our Side” apresenta uma abordagem ligeiramente diferente. Aqui, as guitarras assumem protagonismo absoluto, tanto na base quanto nos solos, enquanto Chris Catton entrega uma de suas performances vocais mais impressionantes, explorando regiões mais agudas com segurança e expressividade. É uma faixa que acrescenta variedade ao repertório e impede que o álbum caia em qualquer sensação de monotonia.

Encerrando o trabalho, “Till The Bitter End” surge como a grande power ballad do disco. A introdução acústica, os teclados com timbres de órgão e a progressiva construção de intensidade culminam em um refrão grandioso e um solo de guitarra carregado de emoção. É um fechamento clássico, daqueles que remetem diretamente à tradição do hard rock melódico.

Mais do que uma simples homenagem aos anos dourados do AOR, The Wanderer demonstra como o estilo ainda pode soar relevante quando interpretado com talento, personalidade e atenção aos detalhes. O Boys From Heaven entrega um álbum consistente, repleto de melodias fortes, excelentes performances instrumentais e arranjos cuidadosamente elaborados. Para os apreciadores de AOR clássico, trata-se de um lançamento que justifica plenamente a longa espera e reforça o potencial da banda como um dos nomes mais relevantes do gênero.


***ENGLISH VERSION***

With The Wanderer, Boys From Heaven take a decisive step forward in their career, making their debut on Frontiers Music Srl while further solidifying their identity within the contemporary AOR landscape. Combining '80s nostalgia, sophisticated melodies, and polished production, the Danish outfit delivers a record that balances energy, elegance, and strong melodic appeal.

Produced by the band themselves and finalized by Erik Mårtensson—best known for his work with W.E.T. and Eclipse—the album showcases the quintet’s ability to honor the genre’s golden era without becoming overly reliant on it. The result is a carefully crafted collection of songs that successfully balances tradition with a distinct personality of its own.

Opening track “I’ll Wait” immediately stands out thanks to its heavier-than-usual approach for an AOR release. After a robust introduction, the song reveals its melodic core through a driving bass line, richly textured keyboard work, and a powerful chorus that wisely avoids excessive vocal layering. The balance between guitars, keyboards, and rhythm section demonstrates the maturity of the band’s songwriting and instantly sets a high standard for what follows.

Chosen as the album’s lead single, “Hotline” further reinforces the band’s sonic identity. Originally conceived as an instrumental piece, its melodic richness and fluid arrangement make perfect sense. The chorus is remarkably effective, while the blend of groove, pop sensibilities, and restrained guitar heaviness creates an atmosphere that recalls the glory days of AOR without feeling like a nostalgic exercise. The saxophone solo is one of the song’s highlights, adding character and a cinematic touch.

“Hold Your Heart” dives even deeper into classic AOR territory. Built around a structure that borders on power-ballad territory, the song is carried by elegant vocals and the kind of lush backing harmonies that define the genre. Once again, the saxophone plays a prominent role, interacting beautifully with the vocal melodies. It is the kind of track that could easily serve as a textbook example of what AOR is all about.

“Street Life” emerges as one of the album’s biggest surprises. Drawing clear inspiration from Motown-inspired grooves, it introduces a welcome dose of swing into the tracklist. The bass takes center stage, supported by a razor-sharp rhythm section, while Chris Catton delivers one of his most charismatic vocal performances. The interplay of organ textures, vocal arrangements, and tasteful solos makes this one of the album’s most complete and rewarding compositions.

“Say Goodbye” returns to more traditional AOR ground while maintaining a high level of sophistication. Its less predictable vocal phrasing and carefully structured chorus demonstrate a band comfortable working within the genre’s conventions without becoming formulaic. The interaction between guitar, saxophone, and bass creates a rich sonic tapestry that reveals new details with each listen.

“How Long” once again opens with a heavier edge before evolving into one of the album’s most immediately accessible moments. Drummer Søren Viig Mathiesen deserves special recognition for the dynamic fills and rhythmic variations that elevate the song beyond standard radio-friendly fare. With an instantly memorable chorus, it possesses all the ingredients of a fan favorite.

“Eileen” keeps the bass at the forefront of the arrangement. Strongly influenced by the melodic pop-rock aesthetics of the 1980s, the track combines a direct chorus, muscular guitars, and intelligent saxophone embellishments that complement the main melodies. Its light-hearted and energetic character provides an effective contrast within the album’s sequence.

On “I Will Never Let You Down” the band once again demonstrates its knack for crafting memorable melodies without sacrificing instrumental depth. The ongoing dialogue between guitar and saxophone adds texture and dimension, while the chorus stands out for the effortless way it lodges itself in the listener’s memory.

“Time Is On Our Side” offers a slightly different perspective. Here, the guitars dominate the arrangement, both rhythmically and melodically, while Chris Catton delivers one of his most impressive vocal performances, confidently exploring higher registers with both power and finesse. It is a track that broadens the album’s palette and prevents any sense of repetition from setting in.

Closing the album, “Till The Bitter End” serves as its definitive power ballad. Acoustic guitars, organ-like keyboard textures, and a gradual build-up of intensity culminate in a soaring chorus and an emotionally charged guitar solo. It is a classic ending, deeply rooted in the traditions of melodic hard rock.

More than a simple tribute to AOR’s golden age, The Wanderer demonstrates how the genre can still feel relevant when approached with talent, personality, and meticulous attention to detail. Boys From Heaven delivered a consistently engaging album filled with strong melodies, outstanding musicianship, and carefully crafted arrangements. For fans of classic AOR, this is a release that fully justifies the long wait and firmly establishes the band as one of the most relevant of melodic rock.

Mads Noye


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Evergrey: Reafirma Sua Identidade (Also In English)

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana

Formado em 1995, o Evergrey construiu uma trajetória sólida dentro do metal progressivo ao unir técnica, peso e uma carga emocional rara no gênero. Liderada por Tom S. Englund, uma das vozes mais expressivas do metal progressivo contemporâneo, a banda sueca sempre encontrou sua força no equilíbrio entre melancolia, reflexão e agressividade, criando músicas grandiosas sem perder a sensibilidade que se tornou sua marca registrada.

Em Architects of the New Weave, o grupo retorna acompanhado do guitarrista Stephen Platt e com mixagem assinada por Adam "Nolly" Getgood, entregando um trabalho que reforça a identidade construída ao longo de décadas enquanto incorpora elementos modernos à sua sonoridade.

Architects of the New Weave, vai além de um conjunto de músicas, é um álbum sobre transformação. Ao longo das faixas, o Evergrey aborda temas como autoconhecimento, superação, identidade e a difícil tarefa de romper padrões que nos mantêm presos ao passado. A ideia dos "arquitetos de uma nova trama" funciona como uma metáfora para aqueles que escolhem reconstruir a própria história, transformando o caos em ordem e encontrando força nas próprias fragilidades. Esse conceito atravessa todo o disco e ajuda a explicar a intensidade emocional presente em cada composição.

O álbum abre com "Welcome to the Pattern", uma introdução narrada construída sobre as camadas atmosféricas dos teclados de Vikram Shankar. A frase "Where chaos meets order, we rise as architects" funciona como um convite para a jornada que se inicia, preparando o ouvinte para um disco carregado de emoção e dramaticidade.

A transição para "The Shadow Self" acontece de forma explosiva. Os riffs marcantes conduzem a faixa enquanto Tom Englund demonstra toda a força interpretativa que o tornou um dos vocalistas mais respeitados do metal moderno. O refrão, enriquecido por harmonias vocais e corais, amplia a sensação de grandiosidade e mostra com clareza o equilíbrio entre peso e melodia que define o álbum.

A faixa-título, "Architects of the New Weave", aprofunda a veia progressiva da banda sem abrir mão da acessibilidade. Energética e envolvente, possui um refrão daqueles feitos para serem cantados a plenos pulmões, sustentado por uma instrumentação robusta e dinâmica.

Lançada como single, "The World Is on Fire" reúne tudo aquilo que faz o Evergrey soar tão único atualmente. A música transita entre vulnerabilidade e agressividade, apoiada por guitarras densas e uma atmosfera moderna que reforça seu caráter dramático.

Em "Heaven", o vocal mais rasgado de Englund acrescenta ainda mais peso à composição. A faixa remete à fase mais clássica do metal progressivo dos anos 2000, mas sem soar presa ao passado, preservando a abordagem moderna adotada pela banda.

"The Script" surge com elementos eletrônicos e uma atmosfera cinematográfica construída com paciência, permitindo que a emoção conduza a música antes de sua explosão sonora. A faixa cresce de forma gradual, revelando novas camadas a cada passagem e mostrando mais uma vez a habilidade do Evergrey em equilibrar intensidade e sensibilidade. O resultado é uma das composições mais envolventes e atmosféricas do álbum.

"Leaving the Emptiness" injeta uma nova dose de energia na sequência do álbum. Com ritmo contagiante e refrão marcante, a música carrega uma mensagem inspiradora que dialoga diretamente com o título, transformando o vazio em movimento e propósito.

Após momentos tão intensos, "Longing" surge como um momento de respiro em meio à intensidade do álbum. A composição assume contornos de balada moderna, destacando a sensibilidade dos arranjos e, principalmente, o excelente solo de Stephen Platt, que amplia ainda mais a profundidade emocional da faixa.

"A Burning Flame" traz a participação especial de Mikael Stanne (Dark Tranquillity e The Halo Effect). O encontro entre os dois vocalistas funciona de maneira natural, criando um diálogo carregado de sentimento e enriquecendo ainda mais a atmosfera melódica da composição.

Já "OXYGEN!" figura entre os grandes destaques do álbum. Com guitarras pesadas, texturas modernas e uma produção ampla e cinematográfica, a faixa cresce gradualmente até alcançar um refrão gigantesco. A interpretação de Englund transita da vulnerabilidade à força com enorme naturalidade, resultando em um dos momentos mais impactantes do disco e com potencial para se tornar um dos pontos altos dos shows ao vivo.

Para quem busca a experiência completa, a versão Deluxe reserva um encerramento especial com "One Heart". A faixa adiciona influências de hard rock à fórmula da banda, enquanto o solo bem construído e a energia contagiante da composição complementam a identidade progressiva do grupo, encerrando a audição de forma consistente e memorável.

Com Architects of the New Weave, o Evergrey entrega um álbum visceral, melancólico e emocionalmente intenso. Pesado quando precisa ser delicado nos momentos certos e sempre carregado de personalidade, o disco mostra uma banda que continua evoluindo sem perder aquilo que a tornou especial. Entre passagens cinematográficas, refrões marcantes e letras que falam sobre transformação e superação, o grupo constrói uma experiência que vai além da música. É um álbum que prende a atenção do início ao fim e permanece ecoando muito depois da última nota.

***ENGLISH VERSION***

Evergrey Reaffirms Its Identity on Architects of the New Weave

Formed in 1995, Evergrey has built a solid legacy within progressive metal by combining technical skill, heaviness, and an emotional depth rarely found in the genre. Led by Tom S. Englund, one of the most expressive voices in modern progressive metal, the Swedish band has always found its strength in balancing melancholy, introspection, and aggression, crafting grandiose songs without sacrificing the sensitivity that has become its trademark.

With Architects of the New Weave, the band returns alongside guitarist Stephen Platt, while the mix is handled by Adam "Nolly" Getgood. The result is an album that reinforces the identity Evergrey has built over decades while embracing modern elements within its sound.

More than just a collection of songs, Architects of the New Weave is an album about transformation. Throughout its tracks, Evergrey explores themes of self-discovery, resilience, identity, and the difficult task of breaking free from patterns that keep us tied to the past. The idea of the "architects of a new weave" serves as a metaphor for those who choose to rebuild their own story, turning chaos into order and finding strength within their vulnerabilities. This concept runs throughout the entire album and helps explain the emotional intensity present in every composition.

The album opens with "Welcome to the Pattern", a narrated introduction built upon the atmospheric keyboard layers of Vikram Shankar. The line "Where chaos meets order, we rise as architects" acts as an invitation to the journey ahead, preparing the listener for an album filled with emotion and drama.

The transition into "The Shadow Self" is explosive. Striking riffs drive the song forward while Tom Englund showcases the interpretative power that has made him one of the most respected vocalists in modern metal. The chorus, enriched by vocal harmonies and choir-like arrangements, amplifies the sense of grandeur and clearly demonstrates the balance between heaviness and melody that defines the album.

The title track, "Architects of the New Weave", further embraces the band's progressive side without sacrificing accessibility. Energetic and engaging, it features a chorus seemingly designed to be sung at the top of one's lungs, supported by a dynamic and powerful instrumental performance.

Released as a single, "The World Is on Fire" brings together everything that makes Evergrey sound so distinctive today. The song moves seamlessly between vulnerability and aggression, supported by dense guitar work and a modern atmosphere that enhances its dramatic character.

On "Heaven", Englund's harsher vocal approach adds even more weight to the composition. The track recalls the classic progressive metal sound of the early 2000s without feeling trapped in the past, preserving the band's contemporary approach.

"The Script" emerges with electronic elements and a cinematic atmosphere built with patience, allowing emotion to guide the song before its eventual sonic explosion. The track unfolds gradually, revealing new layers with each passage and once again demonstrating Evergrey's ability to balance intensity and sensitivity. The result is one of the album's most immersive and atmospheric compositions.

"Leaving the Emptiness" injects a fresh burst of energy into the album. Driven by an infectious rhythm and a memorable chorus, the song carries an uplifting message that directly reflects its title, transforming emptiness into movement and purpose.

After so many intense moments, "Longing" arrives as a welcome moment of reflection. The song takes on the contours of a modern ballad, highlighting the sensitivity of its arrangements and, above all, Stephen Platt's excellent guitar solo, which further deepens the track's emotional impact.

"A Burning Flame" features a special guest appearance from Mikael Stanne (Dark Tranquillity and The Halo Effect). The meeting of the two vocalists feels completely natural, creating a dialogue filled with emotion while enriching the song's melodic atmosphere.

"OXYGEN!" stands among the album's highlights. Built upon heavy guitars, modern textures, and a vast cinematic production, the song gradually builds toward a massive chorus. Englund's performance moves effortlessly from vulnerability to strength, resulting in one of the album's most powerful moments and a track that seems destined to become a live favorite.

For those seeking the complete experience, the Deluxe Edition offers a special closing chapter with "One Heart". The song introduces notable hard rock influences into the band's formula, while its well-crafted solo and infectious energy complement Evergrey's progressive identity, bringing the listening experience to a memorable and satisfying conclusion.

With Architects of the New Weave, Evergrey delivers a visceral, melancholic, and emotionally intense album. Heavy when it needs to be, delicate when the moment calls for it, and always full of character, the record shows a band that continues to evolve without losing what made it special in the first place. Between cinematic passages, memorable choruses, and lyrics centered on transformation and perseverance, Evergrey crafts an experience that goes beyond music itself. It is an album that captures the listener's attention from beginning to end and continues to resonate long after the final note has faded.

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