segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dani Matos (Viper, All Metal Stars BR): "Minha maior preocupação é que a obra do Andre (Matos) não se apague"

Dener Ariani / @denerwoods

Por Fernando Queiroz

Atualmente baixista do Viper, Dani Matos falou, em entrevista exclusiva, sobre o tributo All Metal Stars BR ao seu irmão, o saudoso Andre Matos (Angra, Shaman, Viper, etc.).

A turnê reúne três ícones do gênero: Aquiles Priester (Angra, Hangar e W.A.S.P), Edu Ardanuy (Sinistra e Dr. Sin) e Thiago Bianchi (Noturnall e Shaman). O projeto presta uma homenagem inédita a Andre Matos, um dos maiores nomes do metal mundial, cuja obra influenciou gerações. O time de músicos é completado por nomes de peso: Fábio Laguna (Hangar), Guilherme Torres e Saulo Xakol (ambos do Noturnall), formando uma verdadeira constelação do metal brasileiro. Juntos, eles prometem um espetáculo intenso e emocionante, repleto de clássicos, surpresas e faixas raramente tocadas ao vivo.

Como foi a abordagem quando chegaram até você com o projeto?

Dani Matos: Eu estava fazendo um show perto de São Paulo quando o Anderson Bellini me avisou que haveria um evento, em Santo André, relacionado ao documentário do Andre Matos, com algumas participações especiais. A ideia era que músicos subissem ao palco, e o Yves Passarell (ex-Viper) também estaria presente. Eu não o via desde antes da partida do Andre e tenho um carinho enorme por ele. Então eu disse: “Vou terminar o show aqui e vou até lá”.

Nesse evento, o Thiago (Bianchi) era um dos convidados. Ele comentou comigo: “Estou pensando em algo, mas ainda não vou te adiantar. Em algum momento eu te ligo”. Passou um tempo e ele realmente entrou em contato. Disse: “Eu preciso fazer isso. Além da repercussão muito boa quando eu cantei no Amplifica, é uma homenagem que eu sinto que preciso realizar. Já penso nisso há bastante tempo, mas depois de ver o apoio do público, fiquei ainda mais motivado. Só que eu quero fazer isso junto com a família dele”.

E, no fim das contas, o que a gente quer é que tudo seja feito da maneira correta. Minha maior preocupação é que a obra do Andre não se apague. Eu sei o quanto ela faz bem às pessoas e só tive dimensão real disso depois que ele se foi. Antes eu já tinha essa percepção, claro, mas não imaginava que fosse tão grande. É muito bonito ouvir relatos de pessoas dizendo que as músicas do Andre as ajudaram a seguir em frente.

Eu também não quero encerrar minha trajetória na música sem ter feito uma homenagem ao meu irmão. E tenho gostado muito de realizar isso com essa equipe, porque percebo que todos estão colocando coração no projeto. A proposta não é buscar um “cover perfeito”. A intenção é tocar as músicas dele, com o respeito que elas merecem.

Dener Ariani / @denerwoods

Você está como “special guest” nessa turnê. Você fará apenas um ou alguns shows, ou viajará com a banda pelo Brasil?

Dani Matos: O Thiago já tinha um acordo com o Saulo Xakol. Ele também tem seus motivos para estar ali homenageando o Andre. Eu pedi para participar como convidado, sem a ideia de “substituir” ninguém. Para mim, vai ser um prazer tê-lo no time!

Pretendem gravar material audiovisual ao vivo da turnê?

Dani Matos: É possível que exista algum material audiovisual, mas isso depende da aprovação de todos os envolvidos.

A exigência que eu faço é que tudo seja feito da forma correta. Se não for possível fazer corretamente, é melhor não fazer. É preciso conversar com quem detém os direitos do Angra, por exemplo, e isso envolve direito de áudio e de imagem. É uma possibilidade, mas apenas se todos concordarem. 

Por isso, de certa forma, fica também um incentivo para o público assistir ao vivo. É muito difícil reunir esse time novamente. É uma oportunidade rara, porque as agendas são complicadas. 

Dener Ariani / @denerwoods

Você acredita que esse projeto pode virar uma banda fixa, com gravações de discos e singles?

Dani Matos: Seria interessante, não vou negar. Mas, pelo mesmo motivo dito anteriormente, será difícil juntar essa equipe novamente. Por isso, a proposta é que seja um período realmente marcante. Tomara que a gente consiga repetir. O clima entre todos me surpreendeu muito, de forma positiva. 

O Viper já tem planos de gravar um disco com você tocando?

Dani Matos: A gente gravou um álbum ao vivo no ano passado e os singles desse show devem começar a sair em breve. Eu ainda não tenho certeza se posso dizer qual será o primeiro, prefiro segurar a informação por enquanto. 

Dener Ariani / @denerwoods

Por fim, Dani deixa um recado aos fãs

Dani Matos: Eu posso dizer que está sendo tudo feito da melhor maneira possível. Fico impressionado com o nível de organização: a produção está bem estruturada para que cada noite seja especial.

A gente não tem certeza de que isso vai ser documentado em vídeo, então é importante que, quem puder, esteja presente e chame amigos. Há ingresso solidário e outras modalidades para caber no bolso de quem quiser ir. Eu gostaria muito de ver todo mundo lá.

Imagino que cada noite será muito emocionante. Vai ser intenso, mas o mais especial é estar junto do público do Andre.


Ingressos e serviço:
São Paulo (15/03, Audio): ticket360.com.br

Datas da Turnê – Março 2026

05/03 – Chapecó/SC – Lang Palace
06/03 – Porto Alegre/RS – Opinião
07/03 – Florianópolis/SC – John Bull
08/03 – Curitiba/PR – Hard Rock Café
12/03 – Campinas/SP – Brasuca
13/03 – Ribeirão Preto/SP – Alcans Hall
14/03 – Juiz de Fora/MG – Cultural Bar
15/03 – São Paulo/SP – Audio
19/03 – Brasília/DF – Toinha
20/03 – Belo Horizonte/MG – Mr. Rock
21/03 – Rio de Janeiro/RJ – Sacadura 154
22/03 – Vila Velha/ES – Correria
26/03 – Recife/PE – Armazém 14
27/03 – Natal/RN – Ribeira Music
28/03 – Fortaleza/CE – Dragon Hall
29/03 – Teresina/PI – Bueiro do Rock


Degreed: Hard Rock Melódico Em Sua Melhor Forma (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Com lançamento previsto para abril de 2026, Curtain Calls reafirma o Degreed como uma das bandas mais consistentes do hard rock melódico contemporâneo. O álbum equilibra com naturalidade a base clássica do gênero com elementos modernos de produção, arranjos e abordagem vocal, resultando em um trabalho coeso, variado e extremamente bem executado.

A abertura com One Helluva Ride entrega um hard rock direto, sem excessos, que deixa claro o entrosamento da banda. Mesmo sem grandes momentos individuais, a faixa se destaca pela solidez do conjunto e pelo ótimo uso dos teclados de Mikael Blanc, estabelecendo o tom do álbum.

Na sequência, Holding On To Yesterday começa como uma balada, mas rapidamente surpreende ao assumir contornos mais densos, com um vocal quase industrial de Robin Eriksson, culminando em um refrão forte e marcante. A faixa evidencia a versatilidade da banda e sua capacidade de transitar entre diferentes atmosferas com segurança.

Believe amplia essa diversidade ao combinar uma introdução eletrônica e uma batida pop de alto nível com guitarras bem trabalhadas por Daniel Johansson. O resultado é uma música acessível, moderna e ao mesmo tempo fiel ao DNA do Degreed, sustentada por um refrão envolvente.

A quarta faixa, Guiding Light, resgata o hard rock em sua forma mais tradicional: timbres clássicos de guitarra, vocais bem harmonizados, um solo de teclado elegante e a bateria precisa de Mats Eriksson garantindo uma base firme e consistente.

Em My Blood, o álbum reforça uma de suas principais características: a fusão entre tradição e modernidade. Apesar da essência clássica do Degreed, a faixa apresenta vocais contemporâneos e uma abordagem rítmica atual, demonstrando que a banda sabe dialogar com o presente sem perder identidade.

A faixa-título Curtain Calls sintetiza com precisão a proposta do disco. O trabalho vocal de Robin Eriksson se destaca pela variedade, alternando vocais limpos, rasgados e com efeitos, enquanto os demais músicos exploram mudanças de andamento, solos e bases com equilíbrio, valorizando cada instrumento.

The Rambler é uma daquelas músicas que parecem feitas para o palco. Com estrutura de semi-balada e uma melodia instrumental sofisticada, a faixa cresce a cada audição e tem forte potencial para se tornar um dos momentos mais memoráveis dos shows da banda.

Em Matter of Heart, a mistura entre o clássico e o moderno aparece novamente, desta vez com uma mixagem que destaca o baixo de Robin Eriksson e os teclados de Mikael Blanc, além de uma clara influência da música pop em sua construção.

Broken Dreams apresenta um dos momentos mais pesados do álbum. A faixa começa com teclados marcantes e um solo de guitarra imediato, conduzindo a música para um hard rock mais encorpado, sem se distanciar da identidade sonora estabelecida ao longo do disco.

O encerramento fica por conta de Promise Me, uma balada intensa e bem construída, que alia emoção, peso e um trabalho vocal impressionante, fechando o álbum de forma elegante e eficiente.

No conjunto, Curtain Calls entrega exatamente o que se espera do Degreed: uma combinação madura de melodias progressivas, sonoridade pop e elementos do rock moderno, reafirmando a banda como uma referência sólida dentro do hard rock melódico atual.


***ENGLISH VERSION***

Scheduled for release in April 2026, Curtain Calls reaffirms Degreed as one of the most consistent names in contemporary melodic hard rock. The album naturally balances the genre’s classic foundations with modern production elements, arrangements, and vocal approaches, resulting in a cohesive, diverse, and finely executed record.

The opening track, One Helluva Ride, delivers straightforward hard rock with no excess, immediately highlighting the band’s tight chemistry. While it doesn’t focus on individual virtuosity, the song stands out for its solid ensemble performance and the effective use of Mikael Blanc’s keyboards, setting the album’s overall tone.

Up next, Holding On To Yesterday begins as a ballad but quickly shifts gears, adopting a darker atmosphere driven by Robin Eriksson’s almost industrial-style vocals, before culminating in a powerful and memorable chorus. The track showcases the band’s versatility and its ability to move confidently between contrasting moods.

Believe further expands the album’s musical range by combining an electronic intro and a polished pop-driven beat with strong guitar work from Daniel Johansson. The result is an accessible, modern track that remains faithful to Degreed’s core identity, anchored by a highly engaging chorus.

The fourth track, Guiding Light, embraces hard rock in its most traditional form, featuring classic guitar and vocal tones, well-placed vocal harmonies, an elegant keyboard solo, and the solid, precise drumming of Mats Eriksson providing a firm backbone.

With My Blood, the album reinforces one of its defining traits: the fusion of tradition and modernity. While Degreed’s classic roots remain evident, the track incorporates contemporary vocal phrasing and rhythmic choices, proving the band’s ability to stay current without sacrificing its identity.

The title track, Curtain Calls, effectively encapsulates the album’s concept. Robin Eriksson’s vocal performance stands out for its range, alternating between clean, gritty, and effect-laden vocals, while the rest of the band navigates changes in tempo, solos, and rhythmic foundations with balance and confidence, allowing each instrument its moment to shine.

The Rambler feels tailor-made for the live stage. Built as a semi-ballad with a sophisticated instrumental melody, the song grows with each listen and has all the elements to become a standout moment in the band’s live performances.

On Matter of Heart, the blend of classic and modern resurfaces, this time through a mix that highlights Robin Eriksson’s bass work alongside Mikael Blanc’s keyboards. The track also carries clear influences from pop music, adding another layer to the album’s sonic palette.

Broken Dreams delivers some of the heaviest moments on the record. Opening with striking keyboards and an immediate guitar solo, the song moves toward a more robust hard rock approach while remaining fully aligned with the album’s established sound.

The album closes with Promise Me, a powerful and emotionally charged ballad that combines weight, sensitivity, and an impressive vocal performance, bringing Curtain Calls to a refined and satisfying conclusion.

Overall, Curtain Calls delivers exactly what listeners expect from Degreed: a mature blend of progressive melodies, pop sensibility, and modern rock elements, further cementing the band’s position as a reliable reference within today’s melodic hard rock scene.

Divulgação

sábado, 31 de janeiro de 2026

Alter Bridge: Maturidade Musical Sem Reivenção

Napalm Records (Imp.)

Por Paula Butter

Os floridenses do Alter Bridge começam o ano de 2026 com o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, no dia 9 de janeiro pela gravadora Napalm Records.

Neste novo disco homônimo, o Alter Bridge vem novamente consolidando sua maturidade musical no mainstream. Com mais de duas décadas de estrada e mesma formação original, um feito e tanto nos dias de hoje, eles conseguem apresentar um trabalho de qualidade e constância. 

Alter Bridge inicia com ”Silent Divine”, escolha assertiva, como primeira faixa e também para o videoclipe. Ela traz a cozinha da banda a todo vapor, Mark Tremonti com riffs afiadíssimos, o baterista Scott Phillips dando sua contribuição, seguido do baixo de Brian Marshall, e na sequência, a voz inconfundível de Myles Kennedy, receita correta.

Seguimos com “Rue The Day”, um pouco mais sombria e com peso, mas em contraponto com uma letra que acalenta a rotina cansada da humanidade, com refrão de incentivo “Breathe it in, breathe it out … It's up to you, stand your ground”. Então, quando tiver um dia estressante, aumente o volume desta poderosa canção!

Já “Power Down” é uma das músicas mais pesadas, com variações rítmicas e vocal bem presente e com mais melodia para dar um contrapeso, harmonicamente muito bem feita. Inclusive em algumas passagens o som mais “sujo” no melhor sentido. 

A quarta canção intitulada “Trust In Me”, vem ainda com mais melodia e letras sobre confiança. Já “Tested and Able” vem com pegada rítmica forte, abusando das guitarras e do baixo, deixando a bateria em segundo plano. O vocal de Miles vem limpo e com refrão bem no estilo “chiclete”, que amamos, mas sem aquela vibe adolescente, ainda bem!

Cabe começar um parágrafo para “What Lies Within”, música que flerta com o Heavy Metal, mostrando a maturidade musical da banda, dando um tom mais sério ao álbum e elevando o patamar das composições para o lado mais obscuro dos sentimentos humanos, sempre com indagações não sanadas. 

Enfim, chegamos à balada do disco, “Hang By A Thread”, nada de excepcional, mas bem construída com tons acústicos e fácil de ouvir. A nona faixa “Scales Are Falling” vem com jeito de balada, mas carrega mais identidade e peso em seu corpo. Além disso, neste ponto, as letras carregam o ápice do desespero de nossa humanidade, ponto forte para a composição. 

Passando para “Playing Aces”, um suspiro, bem Rock N´Roll e despretensiosa. A penúltima do álbum “What Are You Waiting For” traz um instrumental que vai crescendo na medida dos vocais, um tom motivacional para mostrar que nem tudo é melancolia. 

Para finalizar, “Slave To Master” bem propícia para o fechar a obra, como o título já entrega, o tema das letras pode ser resumido em controle, submissão e libertação. Também apresenta longos e trabalhados solos, que mostram a qualidade da produção e finalização. Somente no final, temos a conclusão de todo o conceitual de Alter Bridge.

Como conclusão geral, pode se dizer que a cada lançamento a banda prova sua qualidade e maturidade, brilha em alguns momentos, e em outros mantém o tom característico de seu som, sem muita reinvenção. É a música pura e simples, que agrada a todos os gostos, é como “voltar para casa” em meio a tantas mudanças. 

Em tempo, a banda Alter Bridge irá abrir os shows do Iron Maiden no Brasil, que acontecem no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro de 2026.

Divulgação

Tracklist: 

Silent Divide

Rue The Day

Power Down

Trust In Me

Disregarded

Tested And Able

What Lies Within

Hang By A Thread

Scales Are Falling

Playing Aces

What Are You Waiting For

Slave To Master



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Indira Castillo (Malvada): “Mais do que a sonoridade, o que nos define é a mensagem.”

Por Paula Butter 

A cantora Indira Castillo, conhecida por uma trajetória de mais de uma década transitando entre Blues, Jazz e Rock, vive um momento de consolidação à frente da Malvada, banda feminina que se firmou como um dos nomes mais expressivos do Hard Rock nacional dos últimos anos. Desde que assumiu os vocais em 2023, Indira passou a integrar também o processo criativo de produção e composição, muito presente no trabalho mais recente do grupo, lançado pela gravadora italiana Frontiers Music, que reforça ainda mais a identidade musical e o posicionamento artístico da banda.

Em entrevista à Road to Metal, a artista fala sobre os desafios da transição, a construção de uma identidade vocal dentro do Hard Rock, os cuidados com a voz, o trabalho visual no palco, a participação no Bangers Open Air 2026, a turnê europeia em fevereiro e seus planos para o futuro.

Paula Butter: Você já tem uma longa carreira na música, sendo que já passou por gêneros como Blues, Jazz, Soul e Rock. Como foi assumir os vocais da Malvada em 2023 e quais foram os maiores desafios dessa transição?

Indira Castillo: Toda entrada em um projeto novo exige adaptação, principalmente quando a proposta tem uma pegada diferente. Era algo próximo do que eu fazia, mas ainda assim tinha particularidades. E eu já cheguei em um momento de produção de álbum, então entramos direto no processo criativo e de composição. Isso foi muito positivo, porque cada uma conseguiu trazer referências próprias para o som. Algumas coisas são muito intrínsecas em nós. No meu caso, por exemplo, na voz não foi algo totalmente “intencional”, do tipo “vou deixar mais rock and roll”, o instrumental já pedia isso por ser Hard Rock. Foi muito intuitivo, muito gostoso, e essa fase de produção foi rápida.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: Além da banda, você também atua como mentora e preparadora vocal. Como esse conhecimento técnico impacta suas performances no palco e no estúdio?

Indira Castillo: Eu brinco que isso nos deixa mais autocríticos, porque da mesma forma que a gente orienta alguém, também se auto analisa. Mas isso é bom: você vai ajustando o que precisa ser ajustado. A gente não para de aprender. Cada show ensina algo sobre você mesma. Você percebe pela reação do público quando canta do jeito que queria, intencionalmente, e entende o que consegue fazer. E quando não está no melhor dia, também percebe. Mesmo depois de mais de 10 anos cantando, sinto que cada show traz um aprendizado novo.

Paula Butter: A Malvada sempre teve uma identidade forte dentro do rock nacional. O que define a banda hoje, em termos de som, discurso e postura artística?

Indira Castillo: Antes até do som, eu diria que é a mensagem. É como a gente quer se posicionar na sociedade e como isso pode ser transformador, especialmente em um contexto em que a mulher ainda enfrenta dificuldades sociais constantes. Esse é o grande propósito por trás de tudo. A música é o meio para desenvolver isso, seja nas letras, seja no peso do som também. Existe aquela máxima que a gente já ouviu muitas vezes, com homens dizendo: “Elas não vão tocar tão pesado”, “Não vão tocar tão bem…”. Então tudo isso está no que fazemos. A sonoridade define, sim, mas mais do que isso, a mensagem por trás de tudo.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: O álbum mais recente traz letras em inglês e português e uma mensagem bem direta. Agora vocês estarão no Bangers Open Air 2026. Como foi receber esse convite e o que o público pode esperar do setlist?

Indira Castillo: A expectativa é enorme! Nós estamos muito animadas, porque vieram novidades na banda, não só o convite para o Bangers, mas outras coisas que deixaram tudo muito próximo, mais vivo. Isso nos empolga a construir um show cada vez melhor. Para o Bangers, a ideia é levar músicas do álbum mais novo e também do primeiro, mas direcionando o público para a trajetória da banda. Eu acredito muito em apresentar a banda por completo: tudo o que ela foi e tudo o que ela é hoje. Mostrar desde as primeiras músicas, a transição e as faixas novas em inglês e português, porque isso define muito o momento atual.

Paula Butter: Em fevereiro vocês partem para uma turnê europeia. O que você já pode adiantar?

Indira Castillo: Antes eu não podia falar, agora eu posso! (Entusiasmada) É uma honra, a gente vai abrir para o Michael Schenker, e eu tenho certeza de que vai ser uma experiência única para muitas de nós. Algumas já foram para fora, outras não. E agora é diferente, porque estamos levando nosso som autoral, em português e em inglês. É muita gratidão. Na Europa, a gente vai dar um foco maior nas músicas em inglês também por uma questão de comunicação com o público, e porque isso conversa com o som do álbum. A ideia é levar um show bem próximo do que faremos no Bangers. Vamos passar pela Alemanha, França e Países Baixos, entre outras datas.

Paula Butter: Como você concilia shows, mentorias e aulas. Quais cuidados você mantém para preservar a voz, especialmente com viagens e mudanças de clima?

Indira Castillo: Sempre aparece uma novidade, um “remedinho”, uma coisa nova, mas eu acredito muito no básico, que é descanso. Dormir bastante e descansar a voz. Cuidar da voz antes de show e gravação, e fazer aquecimentos e pré-aquecimentos direcionados ao objetivo. Vai ser sempre um desafio, mas o básico funciona: se alimentar bem, se hidratar muito, dormir e dar descanso para a voz.

Paula Butter: A presença de palco e a identidade visual da Malvada são marcantes. Como vocês pensam toda essa produção, figurino, maquiagem, estética, e ainda lidam com o calor e a correria de palco?

Indira Castillo: A gente aprende muito com a experiência, vê o que funciona e o que não funciona. Às vezes uma maquiagem, por exemplo, pode atrapalhar na hora, mas existem técnicas. Antes de trabalhar com música eu também trabalhava com maquiagem, então aprendi algumas coisas que ajudam, e ajudam as meninas também. Em termos de visual, a gente tenta manter uma identidade geral, se a paleta de cores é preta e vermelha, por exemplo, todo mundo conversa com isso. Isso cria identidade visual e comunica melhor! A gente brinca com isso nos clipes e vídeos. Inclusive “Veneno” foi totalmente verde, outros trabalhos foram vermelho e preto… . A gente gosta de explorar essa parte visual.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: E sobre sua carreira fora da banda, existem planos para material solo em 2026?

Indira Castillo: Sim! Estou desenvolvendo novamente um material solo, com uma linguagem um pouco diferente da Malvada. Provavelmente isso ganha continuidade depois da turnê, porque agora a atenção está toda voltada para esse momento. Mas eu vou retomar, provavelmente com um EP. Vamos ver.

Paula Butter: Para finalizar, qual conselho você daria para mulheres que tentam ganhar espaço no Metal e no Rock, ainda em um mercado ainda muito masculino?

Indira Castillo: Vou tentar falar sem parecer “Papo de coach”, mas o que eu sinto, vivendo isso, vendendo mentorias e shows, é que a persistência precisa ser diária. Aquele “Vocês vão me ouvir” tem que ser uma tecla batida o tempo todo. Seja com material, com vídeos, com presença. Muita gente vê a rede social como um inimigo, mas ela pode trabalhar a favor, é uma ferramenta gratuita para marcar nosso nome, nossa imagem e nossa presença na música. Então o clássico é esse: Não desistam! Persistam até dar certo.

Edu Lawless / @edulawless

Paula Butter: Recado ao público e aos fãs:

Indira Castillo: “Estão todos convidados para os shows! Agradeço o espaço da Road to Metal. Espero ver todos vocês em breve, seja no Bangers, ou na turnê lá fora, seja aqui em São Paulo e em outros estados. A gente se encontra.”

Em tempo, o show da banda no festival Bangers Open Air 2026, será no dia 24 de Abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. E ainda, entre fevereiro e março de 2026 a Malvada será a banda de abertura da turnê europeia “My Years With UFO”, liderada pelo lendário guitarrista Michael Schenker, ícone do rock mundial e ex-integrante do UFO e Scorpions. 

Os shows passarão pela Alemanha, Holanda e França, com apresentações em casas e teatros renomados da cena europeia. A participação da Malvada como opening act da turnê mundial marca um passo decisivo na consolidação internacional da banda.

Datas confirmadas da turnê:

18.02.2026 – Plauen (DE), Festhalle

19.02.2026 – Bremen (DE), Modernes

20.02.2026 – Oberhausen (DE), Turbinenhalle II

22.02.2026 – Hamburg (DE), Große Freiheit 36

23.02.2026 – Cologne (DE), Kantine

24.02.2026 – Tilburg (NL), 013

26.02.2026 – Heerlen (NL), Parkstad Limburg Theater

27.02.2026 – Paris (FR), Le Trianon

28.02.2026 – Amneville (FR), Seven Casino

01.03.2026 – Ingolstadt (DE), Eventhalle Westpark


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Death To All – 21/01/2026 – Tork N' Roll/CWB

Death To All transforma Curitiba em Altar do Death Metal e emociona fãs em noite histórica.

Em plena noite de quarta-feira, dia 21 de janeiro de 2026, o Death To All inicia com competência e emoção, o primeiro grande show do ano em Curitiba. Foram meses de expectativa para apreciar de perto este projeto, que tem por finalidade manter a obra do Death viva e também homenagear nosso grande Chuck Schuldiner. E é claro, fazer a alegria dos fãs mais uma vez. A vinda da banda ao Brasil, ficou a cargo da produtora Overload. 

O local escolhido foi o Tork N’ Roll, casa de shows que atualmente recebe a maioria dos eventos de médio porte, nacionais e internacionais. Por tratar-se de um dia de semana, acredito eu, não houve banda de abertura, sendo que a casa abriu as portas ao público às 19:30 e o show da banda Death to All estava marcado para às 21:00hs.

Entretanto, o local já começou a ficar movimentado por volta das 20 hs, pois haviam fãs de outras cidades do Brasil e também aqueles que preferiram fazer o happy hour no próprio Tork. Inclusive, a casa dispõe de uma variedade de comidas e bebidas, na realidade, uma praça de alimentação completa, além de camarote com sofás e área de jogos. Sendo assim a espera pelos músicos foi um momento de confraternização entre todos que estavam no local. É impressionante a capacidade do público de metal mais extremo em fazer amizades e curtir a emoção em coletividade.

Mas vamos ao que importa, pontualmente às 21:00hs, sobem ao palco: Max Phelps, responsável pelos vocais e guitarras, o grande Gene Hoglan na bateria, o carismático Steve DiGiorgio no baixo e o feroz Bobby Koelble na guitarra. Lembrando que Max Phelps é o único membro que não teve passagem pelo Death, mas em compensação possui um talento digno de executar os clássicos da época de Chuck. Diria que os músicos deste projeto/banda estão em uma sintonia digna do mainstream.

Vale a pena também, ovacionar o público presente no local, eram sangue, suor e lágrimas. Inclusive podia se ouvir de tempos em tempos os gritos “Death” “Meu Deus, do c*”, ”Não acredito nisso, é demais!!”, era emoção demais, desconhecidos se abraçando. Para logo na sequência, se colidirem nas rodas de mosh, mas não era violência, e sim, alegria, exaltação. De certo, a bebida alcoólica, consumida um pouco além da conta, também teve seu papel para as exacerbadas demonstrações de afeição.

Agora, falando dos momentos iniciais do show, os primeiros acordes já soaram extremos, com “Infernal Death”, do primeiro álbum do Death, seguido por “Living Monstrosity” e “Defensive Personalities” e “Altering the Future” do álbum Spiritual Healing, do qual o nome da turnê faz referência. Contudo, a resposta enérgica do público, veio com “Zombie Ritual” também do álbum de 1987, Scream Bloody Gore, e também na execução apaixonada de “Spiritual Healing”. Em resumo, não tinham músicas mornas, todas eram executadas à perfeição e em alto volume. 

Quanto à disposição de palco, a proximidade entre os músicos era pequena, o que contribuiu para uma boa visão do público, bem como para a alegria dos fotógrafos presentes no local. Que convém mencionar, tiveram as cinco primeiras músicas disponibilizadas pela produção, para fotos do pit (local entre o público e o palco, onde geralmente tem uma grade de proteção e os seguranças).

Dentre as vezes em que o baixista Steve DiGiorgio (que inclusive encontrava-se com os pés descalços) conversa com o público, uma em especial tocou o coração de todos os fãs, por volta do meio da apresentação ele lembrou a camaradagem e a importância daquelas músicas que estavam sendo executadas para homenagear o legado do lendário Chuck Schuldiner. E a resposta da platéia não poderia ser diferente, vozes em uníssono proferindo o nome “Chuck” sem parar. Definitivamente um dos momentos mais emocionantes da apresentação. 

A segunda parte do show foi dedicada aos principais petardos do álbum Symbolic de 1995, com muitos moshs, pessoas tirando as camisetas, em partes por conta do calor que fazia no local, mas também para acenarem com elas em movimentos circulares no ar. A partir daí, rolaram vários clássicos como a própria “Symbolic”, “Empty Words” “Sacred Serenity” e ainda a peculiar “Zero Tolerance”, uma surpresa para muitos.

Tiveram ainda fatos marcantes, como uma pessoa vestida com um traje de banana no meio do mosh, captando a atenção de todos. Inclusive da própria banda, que não poupou elogios aos esforços e a criatividade do público brasileiro. Haviam homens e mulheres de todas as idades, e também desde aquele fã raiz até os recém iniciados no culto ao Death. E a noite foi realmente uma adoração ao Death Metal, com um final bem emocionante, trazendo as canções “Spirit Crusher” e “Pull the Plug”. 

Um pouco antes do final, como já é de costume, alguns já se adiantaram para garantir seu carro de aplicativo a tempo, pois invariavelmente depois de um evento concorrido, as ruas estreitas em torno do Tork lotam fácil. Por outro lado, tiveram aqueles que continuaram no local até os últimos instantes para apreciar aquela sensação de felicidade plena, que nos toma por completo após um espetáculo desse nível. 

Nossos agradecimentos a todos que tornaram possível esta inesquecível experiência.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Overload Brasil



Death to All – setlist:
 
Infernal Death

Living Monstrosity

Defensive Personalities

Lack of Comprehension

Altering the Future

Zombie Ritual

Within the Mind

The Philosopher

Spiritual Healing

Symbolic

Zero Tolerance

Empty Words

Sacred Serenity

1,000 Eyes

Without Judgement

Crystal Mountain

Misanthrope

Perennial Quest

Spirit Crusher

Pull the Plug
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Autumn's Child: "Melody Lane" é Melodic Rock e AOR que Beira a Perfeição

 


“Melody Lane” é o sexto álbum do Autumn’s Child, banda que a lenda do Melodic Rock suéco Mikael Erlandsson criou após a pausa do Last Autumn’s Dream, e novamente  entrega uma peça de Melodic Rock e AOR irrepreensível, que flerta com o Power Pop e Classic Rock, repleta de melodias cativantes e mega melódicas, instrumental polido, de bom gosto e muito bem executado.

Com um time de grandes músicos, formado por Pontus Åkesson na guitarra solo, Rickard Johnsson na bateria, Claes Andreasson nos teclados e Magnus Rosén no baixo. Vocais adicionais de Johanna Hjort em “Lovesong”, e claro, Erlandsson nos vocais e também  teclados e guitarras.

O álbum já começa com um dos hits instantâneos do trabalho, “Heartbreak Boulevard”, uma faixa carregada de melodias cativantes, grandes vocais, teclados que juntamente com as guitarras constroem camadas de puro deleite aos amantes do Melodic Rock.


“Pray For The King” tem um pé no Hard, é vigorosa e traz as melodias neoclássicas bem evidentes nos teclados que "duelam" com as guitarras nos solos, outra das nuances tradicionais do Autumn’s' Child.

“Fight to Love Again” tem aquela vibe anos 80, principalmente nos teclados em destaque, e caberia perfeita em alguma trilha de filmes da época. 

Na sequência, mal dá tempo de respirar e “Singalong” também já nos pega cantarolando o refrão e acompanhando a batida. Erlandsson é mestre em criar canções cativantes. A canção vai evoluindo e ganhando intensidade, culminando numa pegada bem Rock and Roll, e você se pega cantando o refrão naturalmente. 

“A World Without Love” que me remeteu ao Queen na construção das melodias, e é uma bela balada estilo “Somebody to Love”. Arranjos vocais emotivos, aliados à finesse da guitarra com melodias dobradas e piano, escancaram a cada faixa a capacidade de Erlandsson e Cia em criar canções cativantes, que prendem de imediato e você logo está cantarolando. 

Destaque para o solo melodioso e de timbres de bom gosto ímpar, algo que permeia todo o álbum.



“Highway to The Sky” traz uma pegada Power Pop de melodias suaves, agradáveis e de fácil  assimilação, vocais grandiosos e guitarra melodiosa.

“Headlines” é puxada para um Hard com riffs vigorosos, a cozinha capricha no Groove, e Erlandsson aposta nos vocais mais roucos e com drives. Um Hardão empolgante e com feeling.

Uma das minhas preferidas, “Love Song”, com melodia e levada cativante, já pega o ouvinte nos primeiros segundos. Tem um Groove que me lembra Thin Lizzy, com o baixo em destaque, guitarras acústicas, arranjos vocais cativantes e solos idem. 

O refrão fica de imediato na mente e não sai mais! Destaque para o dueto de Erlandsson e Johanna Jort já na parte final, acompanhados pelas melodias da guitarra e o Groove cativante da cozinha.

“Melody” tem uma levada mais acelerada e vibrante, um Melodic Rock que soa atual, mas também remete aos grandes momentos do AOR e Melodic Rock 80’s. Refrão irresistível, guitarras e teclados de melodias idem. Aquele jeitão de hit. 

“Rock of Emphathy” traz o vigor da guitarra, com teclados de acento pop, nos remetendo novamente ao Hard 80’s, inclusive nos coros do refrão. “Dead Cole” fecha o álbum com sua levada cadenciada, mesclando o Hard e Pop 80’s.


Para quem já gosta do trabalho de Erlandsson, ficará muito satisfeito com este novo álbum, certamente ocupará o topo dos melhores lançamentos do estilo em 2026, os outros que corram atrás! Um prato transbordando para os fãs de Melodic Rock.

Texto: Caco Garcia 
Lançamento: Pride & Joy Music 
Assessoria: GerMusica Promotion & Management

Track listing
1. Heartbreak Boulevard
2. Pray For The King (ft. John Lönnmyr)
3. Fight To Love Again
4. Singalong
5. A World Without Love
6. Highway To The Sky
7. Headlines
8. Lovesong (ft. Johanna Hjort)
9. Melody
10. Rock Of Empathy
11. Dead Cold