Baixista detalha seu caminho até fazer parte da banda, o retorno às raízes sleaze em Art of Chaos, a estreia no Sweden Rock, as expectativas para os shows no Brasil em janeiro e muito mais
Por Thais Navarro (@_thais_navarro)
Há quase vinte anos, Chris Young já era fã de Crashdïet, gravando covers de guitarra no quarto e administrando uma comunidade de fãs da banda no Orkut. Hoje, ele é o baixista oficial do grupo sueco.
Nesta entrevista, Chris conta esse caminho em detalhes, desde o primeiro contato com a banda até a estreia no Sweden Rock Festival. A conversa também passa pelo momento atual do Crashdïet: o retorno às raízes sleaze no álbum Art of Chaos, a aproximação com os fãs nas redes sociais e a expectativa para os shows da banda no Brasil, entre outros temas.
Chris também fala sobre o Midnight Danger, seu projeto solo de synthwave, e os planos para os próximos anos.
Confira a conversa completa abaixo!
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PARTE 1 — A trajetória até entrar na banda
Conte um pouco da sua história como fã do Crashdïet até chegar e fazer parte da banda.
CHRIS: É uma história que começa há muito tempo já. São praticamente duas décadas desde que eu conheci a banda, que foi quando aconteceu a tragédia com o Dave Lepard. Eu vi uma matéria falando sobre a banda e sobre esse acontecimento. Nunca tinha escutado falar do Crashdïet antes. E a partir dessa matéria eu resolvi procurar, queria ver como era o som daqueles caras.
Eu já tinha YouTube na época. Procurei pelo nome da banda só, e na época acho que o primeiro clipe que apareceu foi Riot in Everyone. Na hora que eu vi aquele clipe, achei fantástico, porque pensei que não existiam bandas novas fazendo algo desse estilo glam que remete aos anos 80.
Me apaixonei na hora e comecei a procurar outras coisas e outros clipes. Foi aí que conheci o álbum Rest in Sleaze e fiquei encantado. E claro, foi uma tragédia o Dave Lepard ter falecido tão jovem, e naquele momento a banda nem tinha planos de continuar. Então pensei: agora que surgiu uma banda nova que faz um som que eu acho massa, com visual que eu acho massa, já acabou, infelizmente.
Mas eles decidiram continuar, e virou uma febre. Lembro que no Brasil mesmo foi uma grande febre quando o Crashdïet voltou depois e lançou o The Unattractive Revolution em 2007, e aí teve o show em 2008. Era uma cena que estava muito legal, a galera realmente curtia bastante a banda. Eu fazia parte dessa cena. Fui no show em São Paulo em 2008, e naquela época eu escutava praticamente só Crashdïet. Crashdïet era o que estava no meu MP3 player na época.
E aí, depois, aconteceu de novo: o Olli Herman saiu da banda e vieram com o Generation Wild. Nessa época, entre esses dois álbuns, eu comecei a gravar alguns vídeos tocando covers de Crashdïet na guitarra. Um dos motivos para eu fazer isso foi que eu não conseguia imaginar começar uma banda nesse estilo no Brasil, em Porto Alegre. Não conhecia pessoas que estariam dispostas a fazer algo desse gênero, principalmente por causa do visual. Eu já tinha uma banda de metal melódico, já sabia como era difícil ter uma banda. Sabia dessa dificuldade, e não conseguia imaginar encontrar pessoas dispostas a trabalhar nesse gênero.
Mas eu queria tocar isso, queria tocar alguma coisa nesse estilo. Então comecei a gravar alguns covers no quarto mesmo e postei no YouTube. Na época o YouTube não era monetizado, ninguém queria ser influencer, ninguém queria viralizar, não se falava dessa forma, não tinha esse objetivo. Coloquei os vídeos porque eu gostava mesmo, queria registrar. Era para mim, ou para de repente mostrar para alguns amigos. A gente também tinha uma comunidade no Orkut sobre o Crashdïet, que foi muito importante para o crescimento da banda no Brasil, e compartilhava esses vídeos com a galera lá que curtia a banda. Comecei gravando um, mas depois fui gravando mais alguns, durante um bom tempo — praticamente todas as músicas até o Savage Playground.
Na turnê do Generation Wild, quando a banda foi pro Brasil, ainda tinha uma hype muito grande, o show foi lotado, acho que foi sold-out, assim como o de 2008. Nessa época rolou uma campanha da galera da comunidade do Orkut mandando e-mails para a banda, pedindo para que eu tocasse uma música com eles. Isso durou, acho, o mês anterior ao show ou dois meses antes, mas eles nunca responderam ninguém, nunca me mandaram e-mail, nunca falaram nada.
Daí eu fui pro show normalmente — já iria de qualquer forma —, saí de Porto Alegre, fui para São Paulo, fui no show do Rio de Janeiro também. No final da história, eu cheguei no dia do show e pensei: "vou pra frente do hotel, parece que eles estão nesse hotel aqui." Não me lembro como fiquei sabendo, mas era pertinho do Inferno Club, em São Paulo. Fiquei esperando ali na frente porque queria tirar uma foto, dar um oi.
Aí o tour manager da época chegou e me perguntou: "Você que é o Chris Young?" Eu disse que sim, e ele falou: "Então vem comigo aqui." Na hora eu gelei: "Caramba, o que é isso?" Entrei, já estava o Eric Young ali, ele me cumprimentou, já sabia quem eu era. E ele falou que eu ia tocar uma música com eles — eles tinham curtido a ideia, ouvido os meus covers. Eu não acreditava que aquilo ia acontecer.
Foi muito legal, muito massa. Tinha um casal de amigos com a gente lá e eles também ficaram sem acreditar. Depois saí dali e fui pro Inferno Club, a gente se encontrou no backstage e combinamos tudo - eles foram muito legais comigo. E aí rolou! Eu toquei Tikket com eles no show, foi muito massa mesmo. Eu nem imaginava que aquilo tinha acontecido de verdade.
A partir dali a gente acabou mantendo a amizade, e eu ajudei bastante em questão de merchandise para o Brasil. Então acabei mantendo bastante contato com eles por causa disso.
Depois eu vim para a Suécia em 2012, de férias, inclusive assisti o Crashdïet com o Mötley Crüe e o Hardcore Superstar. A gente se encontrou de novo, e quando a banda foi pro Brasil outras vezes a gente sempre se encontrava — eu ajudava em algumas coisas dos shows. Sempre foi muito bacana.
Depois eu me mudei para a Suécia em 2015 — aí o Simon Cruz já tinha saído da banda — e a gente permaneceu amigo por esse tempo todo. Quando eu me mudei pra cá, eles também estavam com esse problema, o Simon não estava mais na banda, precisavam de um vocalista, e a cena toda estava meio em baixa por aqui. Eu queria encontrar alguma banda aqui também, e foi muito difícil — não foi só o Crashdïet que teve a baixa e ficou sem o Simon, várias bandas pararam de tocar nessa época.
Comecei minha banda solo, meu projeto solo, o Midnight Danger, que é dentro do synthwave. E a coisa foi funcionando muito bem, o que eu nem imaginava. Foi um projeto que comecei totalmente por hobby, por gostar de sintetizadores e trilha sonora dos anos 80. Pensei: "vou fazer isso por hobby enquanto não encontro uma banda." E no final se tornou meu projeto principal.
Até que eu tive contato com o pessoal da Lipz, que estava lançando o Scaryman em 2018 e precisava de um baixista. Entrei em contato com eles e vi que estavam voltando para um estilo mais sleaze/glam. Entrei na banda, a gente fez bastante coisa junto. Foi minha primeira experiência como baixista. Eu entrei quando o álbum já estava pronto; fizemos shows na Suécia e fora, e gravamos juntos o álbum Changing the Melody. No final, por questão de prioridades, acabei saindo da Lipz, numa época em que o Midnight Danger estava prestes a sair em turnês.
Até que, no ano passado, eu recebi uma ligação do Martin Sweet. O que aconteceu foi que a banda tinha um show na Alemanha num sábado — ele me ligou numa quarta-feira — e o Peter London teve um problema de saúde. Ele estava sem condição de fazer aquele show, e a banda ficou pensando: "e agora, o que a gente faz? A gente cancela?" Mas com tantosaltos e baixos na própria carreira do Crashdïet, era muito chato ter que cancelar mais um show — claro, mais uma tragédia, o Peter London no hospital, sem poder fazer o show, mas pra eles foi péssimo ter que lidar com mais um cancelamento, que já tinha acontecido por diversos motivos durante os anos.
Ele me perguntou se eu teria condições de substituir o Peter nesse show de sábado, na Alemanha. Além da amizade, eu sempre fui muito fã da banda, então topei. Eles já tinham me chamado outras vezes. No ano anterior, o próprio Peter me ligou pedindo para substituí-lo. Só que, no dia seguinte daquela ligação, eu estava saindo em turnê com o Midnight Danger e não pude. Outra vez anterior eu topei fazer, mas eles optaram por cancelar os shows por questões de logística.
Então, eu já tinha sido chamado antes. Dessa vez, quando o Martin me chamou, eu falei: "Tô dentro, pode contar comigo." Perguntei: "O show é sábado, é? Quantas músicas?" — "12 músicas." Tudo bem, ele mandou o setlist. Eu já conhecia boa parte das músicas, sabia tocar por causa dos covers de guitarra, mas era na guitarra, não no baixo. Só que ele falou:"a gente vai ter um ensaio para esse show, e é hoje à noite."
Eram 11 da manhã. Peguei o baixo, peguei as músicas, comecei a ensaiar como me lembrava delas na guitarra, mas já transcrevendo para o baixo. Pensei: "já sei a base das músicas, agora vamos ver como elas funcionam ao vivo, como é realmente no baixo." Em questão de cinco horas passei as 12 músicas e vi mais ou menos como funcionava. Pensei: "vamos conseguir ensaiar hoje à noite, e tenho mais três dias até o show para alinhar isso."
Fui pro ensaio, e eles estavam numa bad vibe, o que eu entendo perfeitamente. Mas eu estava pilhado, querendo fazer a coisa acontecer. Eu voltei pra casa empolgado, alinhei o que precisava nos dias seguintes. Fomos pra Alemanha, fizemos o show no festival, e foi um show animal, muito massa, muito legal. Notei que a vibe deles já tinha mudado um pouco — eles estavam chateados com a situação, mas, no momento que fizemos esse anúncio oficial (de que eu substituiria o Peter), o ânimo mudou; fomos fazer o show todo mundo empolgado, e a gente se deu muito bem.
A gente já tinha essa amizade há muitos anos, mas com o John Elliot foi a primeira vez que tive de fato esse tipo de experiência — o ensaio e o show foram a primeira vez que encontrei ele pessoalmente. O Michael Sweet eu já tinha encontrado algumas outras vezes; ele até fez uma participação em um vídeo do Midnight Danger, mas a gente nunca tinha saído pra tomar uma cerveja ou algo assim. No final a gente se deu muito bem, foi muito bacana a viagem toda. Fizemos um show animal, e voltei pra casa realizado.
Aconteceu que, dali a cinco dias, tinha o show de aniversário do Crashdïet, de 20 anos do Rest in Sleaze. E eu já ia tocar nesse show como abertura, com o Midnight Danger. Eles me falaram, nessa viagem e logo que voltamos, nos primeiros dias: "o Peter não está bem mesmo, talvez ele tenha que passar mais um tempo no hospital. Talvez a gente precise da sua ajuda nesse show, porque senão é isso ou cancelar o evento." E para eles teria sido uma tragédia muito grande cancelar esse show — seria mais um cancelamento dentre tantos que já aconteceram por diversos motivos, mas de um show extremamente importante. O show estava sold-out, e tinham pessoas vindo de todos os lugares — do Japão, do Brasil, dos Estados Unidos, de vários lugares da Europa. Cinco dias antes, cancelar o show significaria lidar com reembolsos de muita gente vindo de longe. No final, em conversas que tivemos depois, fora desse contexto, eles me disseram: "isso poderia ter sido o fim da banda se a gente tivesse cancelado esse show". Então eles me convidaram para fazer esse show e eu topei.
Foi um dos shows mais importantes da carreira da banda: um show esgotado em Estocolmo, depois de anos de altos e baixos, fazer um show esgotado em casa, com pessoas vindo de todo lugar, celebrando 20 anos do álbum da banda — aquele álbum que eu escutei lá atrás, com o qual comecei essa história, e que é extremamente importante não só pra banda, mas para toda a cena. É o álbum que redefiniu o que é o sleaze a partir dos anos 2000.
Foi um dos shows mais importantes da carreira da banda. Fizemos esses shows juntos e tudo foi muito massa. Eles se divertiram, eu me diverti, a gente se deu muito bem e todo mundo ficou muito feliz. As famílias deles também estavam lá vendo os shows, ficaram muito felizes, apoiaram.
Toda essa experiência foi muito legal. Eu fico nervoso antes de shows às vezes, e imaginaria que esse seria um show em que ficaria extremamente nervoso, mas estava super confortável no momento em que subi no palco. Eu tinha um pouco de receio do que as pessoas iam achar, porque, enfim, eu era um cara de fora da banda — talvez quisessem ver a formação clássica. Mas no momento em que subi no palco, com a galera gritando e festejando, pensei: "estou confortável, sei exatamente o que tenho que fazer", e o show simplesmente fluiu. Foi muito massa.
Depois desses shows, fui em turnê com o Midnight Danger. Quando voltei, continuei conversando com o Martin sobre shows, sobre material do Rest in Sleaze que ainda não tinha sido divulgado. E ele disse: "a gente precisa conversar." Um dia eu estava mais perto de Estocolmo e acabei indo na casa dele. Eles me colocaram a situação da banda naquele momento, com o Peter lidando com questões pessoais. E me perguntaram se eu tinha interesse em entrar na banda. Recebi esse convite já que todos tinham concordado, inclusive o Peter, de que ele precisava se afastar da banda por um tempo, e perguntaram se eu tinha interesse de substituí-lo. Eu abracei a oportunidade.
E desde então tenho feito o meu melhor com a banda, e faço isso com muito orgulho, muito amor também, porque eu adoro demais tudo isso. É uma longa história, mas eu não consigo resumir mais do que isso.
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PARTE 2 — Rebranding, redes sociais, Art of Chaos, Sweden Rock e os shows no Brasil
Você comentou que postava vídeos antigamente, e desde que você entrou na banda, temos notado um rebranding nas redes sociais, uma aproximação maior com os fãs, uma frequência de postagens maior. Como tem sido isso?
CHRIS: Acho que a primeira coisa que a gente conversou a respeito disso foi sobre a cara que a gente queria dar pro álbum, pra essa fase da banda, pro Art of Chaos. A gente conversou isso inclusive junto com o pessoal da gravadora. E naquele momento a gente alinhou — já dava pra imaginar que seria esse o caminho — mas falamos explicitamente: a ideia da banda agora é um retorno às raízes.
E você consegue sacar isso no álbum. Lembro de quando escutei as músicas pela primeira vez, as demos, e eu senti na hora: "isso é Crashdïet raiz". Muita coisa se perdeu no meio do caminho — teve muita coisa boa também, óbvio, mas com o tempo a formação muda, entra-se numa rotina de gravadora, de lançamentos, de turnês, e algumas coisas se perdem. A gente precisava resgatar isso.
Pra mim foi absurdamente natural concluir isso, porque foi ali que eu conheci a banda, foi ali que me apaixonei por ela. É o que eu mais gosto do Crashdïet, essa identidade sleaze/glam. A gente conversou sobre isso: tudo que a gente fizer daqui pra frente vai ter essa identidade de novo, e as pessoas precisam ver isso — precisam escutar isso nas músicas e precisam ver isso.
Hoje em dia, tem que estar presente em mídia social, não tem jeito. Eu entendo que é trabalhoso, que demora — mas a gente precisava mostrar isso pros fãs. Isso me lembrou muito também a época da comunidade do Orkut — era uma comunidade de fãs, e a banda bombou no Brasil por causa dela. Eu era o "dono" da comunidade (não fui eu que a criei, mas depois eu a assumi). Lembro como foi legal construir essa comunidade de fãs no Brasil.
Então uniu tudo isso. É difícil falar que esses conteúdos remetem ao início da banda, porque no início não existiam reels no Instagram, mas a gente consegue mostrar essa ideia — que a banda está unida, que tem essa identidade.
E, como eu já tinha feito esse trabalho com a comunidade do Orkut, eles também viram que, durante a turnê do H.E.A.T, eu postava bastante. Acharam legal e confiaram em mim pra fazer isso. Mas a gente também faz bastante coisa junto. A gravadora também incentivou.
E se a vibe na banda estivesse ruim, se as coisas não estivessem legais, se todo mundo estivesse fazendo tudo por obrigação, também não ficaria bom, não teria essa comunicação com os fãs. Mas estão todos muito bem entrosados, confortáveis com o trabalho de todo mundo, empolgados, e a gente quer comunicar isso pros fãs — e a rede social é o melhor jeito de fazer isso hoje em dia.
Como você tem sentido a recepção do álbum novo?
CHRIS: Incrível. Lembro quando a gente começou a conversar com a gravadora sobre lançar o álbum em vinil e em CD e havia aquela incerteza: será que vai o álbum vai vender bem? Será que as pessoas vão gostar? Será que vão aceitar mais uma mudança de formação na banda? Porque, antes de começar a liberar esse material, teve que vir também o comunicado oficial de que o Peter estava se afastando. Naquele momento eu já imaginava que poderia haver alguma reação negativa dos fãs, mas não lembro de ver um único comentário negativo sobre isso.
Naquele momento, já na primeira foto que divulgamos, acho que as pessoas conseguiram captar: "eles estão voltando com tudo mesmo, voltando pras origens." Aquilo já deu mais confiança sobre como seria a recepção das músicas. Depois saiu "Satizfaction", e acho que foi a prova de que precisávamos: "realmente essa banda está de volta." Depois vieram os outros singles, claro, mas naquele momento, com o vídeo de "Satizfaction" e a música, deu pra ver que uma galera que já tinha meio que abandonado a banda voltou e começou a participar de novo, comentar, compartilhar, escutar. A gente viu isso no número de ouvintes e nas vendas de álbum — mesmo sem ter sido lançado ainda, ele já estava esgotado.
No primeiro single a gente já conseguiu provar que a banda ainda tinha muita qualidade, que estava voltando, resgatando uma energia que tinha meio que se perdido, e deu pra ver que as pessoas gostaram. Depois que o álbum saiu, isso só se confirmou. Dá pra ver isso nos shows — fizemos o show do Sweden Rock Festival e, depois, compartilhando material de lá, a resposta que a gente tem em cada música nova, cada vez que compartilhamos algo, está sendo muito bacana mesmo. As pessoas estão na expectativa dos shows. Acho que essa é uma resposta positiva dos fãs para essa formação e para esse álbum.
E como foi para você tocar no Sweden Rock Festival?
CHRIS: Foi absurdamente emocionante. Eu nunca tinha ido ao Sweden Rock. Vim pra Suécia em 2012 e eu preferi não ir — fui ver o Mötley Crüe com Crashdïet e Hardcore Superstar na Finlândia. Tinha que escolher, não dava pra fazer as duas coisas na época. Depois voltei pro Brasil, e em 2015 me mudei pra Suécia. Em 2015, foi muito aperto pra mudar pra cá, e não deu certo ir também. No ano seguinte também não. Em 2017, pensei: "a gente podia ter ido esse ano", mas tinha que ter planejado antes, porque não tinha mais ingresso, não tinha mais hotel — "quem sabe no ano que vem."
E foi indo assim, até que chegou um momento em que falei: "quer saber, eu vou pro Sweden Rock no dia em que eu tocar no Sweden Rock." E eu não sabia nem com qual banda seria — podia imaginar até com o próprio Midnight Danger, porque a gente tem feito shows com bandas de metal e tocado em festivais de metal.
Foi isso que eu tinha determinado. Mas olha: algum tempo atrás, mesmo há um ano, eu não sonharia que dessa vez eu realmente iria realizar isso — tocar pela primeira vez no Sweden Rock, e com o Crashdïet. Foi realmente muito emocionante, e a gente pegou um horário bom, num dia legal — foi o último dia do festival, headliner de um dos palcos, e tinha muita gente lá, estava lotado. Podia ter acontecido de as pessoas não se interessarem em ver a banda, se o álbum não tivesse sido legal, se a energia não tivesse sido boa. Mas o pessoal foi lá e ficou o show inteiro.
Foi sensacional. Eu nunca tinha tocado para um público tão grande, nunca tinha visto aquela cena na minha frente. É especial, é uma lembrança para sempre. Muita emoção — me emocionei bastante depois do show.
Onde você busca suas referências musicais no geral, tanto pro Crashdïet quanto pra todos os seus projetos? Tem outras formas de arte que te inspiram, que contribuem com seus processos criativos?
CHRIS: Acho que principalmente filmes — minha resposta tem mais a ver com o Midnight Danger mesmo, uma resposta mais direta. Você identifica isso mais diretamente no Midnight Danger, porque ele é baseado em trilhas sonoras de jogos e de filmes. Mas eu não faço isso de forma planejada, do tipo "vou buscar referências aqui ou ali." Simplesmente acontece. Eu vejo coisas, escuto coisas que me deixam motivado, que me colocam num estado de espírito que resulta numa música, às vezes numa melodia.
Por exemplo, filmes já têm suas trilhas sonoras, mas não é bem isso — é a ambientação do filme. Não é eu olhar um filme e pensar "essa música aqui me inspira a fazer uma música."
É mais: o que esse filme me remete, como eu me sinto com relação a ele. Muitas vezes, eles criam uma atmosfera que me deixa inspirado. Por exemplo, o inverno aqui é muito frio e escuro. No meio da tarde já está escurecendo, tem aquelas luzes mais amareladas, e isso cria uma vibe. É meio difícil de explicar, mas tenho inspirações que vêm das coisas mais variadas.
Normalmente começo por uma melodia; depois que tenho a primeira melodia, o resto é construído a partir dela, e aí desconecta um pouco da inspiração original. Mas, em geral, são coisas variadas, de forma totalmente espontânea — às vezes uma lembrança de infância: viajando de carro com a família, com sono, deitado no banco de trás, tudo escuro, meu pai escutando música com um cigarro aceso. Isso cria uma ambientação, e eu penso em alguma coisa. É meio que por esse lado.
Eu queria falar um pouco agora sobre os shows no Brasil no ano que vem — é a primeira vez que você vai tocar aqui realmente como parte da banda. Como tem sido isso pra você? Quais são suas expectativas pros shows aqui e na Argentina?
CHRIS: Vai ser uma honra fazer esses shows com o Crashdïet no Brasil. É um lugar muito especial pra banda, e é de onde eu vim. Foi no Brasil que a gente construiu essa comunidade, foi no Brasil que tudo isso começou para mim. Então é importante pra banda — pra eles tem um significado —, mas o significado pra mim é muito maior. Foi no Brasil que eu conheci a banda, foi no Brasil que eu cresci, que eu comecei a tocar guitarra e conheci boa parte das pessoas dessa cena.
Estou muito empolgado, muito honrado. Acho que, de todos os shows que a gente tem pela frente agora, esses do Brasil e da Argentina são os que eu estou com a maior expectativa de fazer. Não estou muito satisfeito em fazer esses shows em janeiro por causa do verão — é muito, muito calor. E calor com cabelo armado, maquiagem, corrente, tudo mais, e botas, é um pouco difícil. Essa parte é a que está me pegando um pouco, mas fora isso estou muito entusiasmado mesmo. Nunca fui pra Argentina, e ouvi dizer que o público lá também é muito massa.
Para fechar, uma pergunta mais aberta: quais são os seus planos pro futuro?
CHRIS: São duas dinâmicas diferentes pro Midnight Danger e pro Crashdïet. O Crashdïet já está com o novo álbum lançado, a gente já tem essas turnês, já está tocando em festivais. Imagino que, daqui pra frente, vai ser mais desse processo — a gente quer pegar shows maiores, festivais. Acho que o Sweden Rock provou que a gente pode tocar em qualquer festival de rock/metal do mundo e ter um bom resultado de público, ter uma apreciação das pessoas que estão lá.
A curto prazo, a gente vai ensaiar mais, vai colocar mais músicas no repertório, pra poder trabalhar melhor com ele. O objetivo é fazer essas turnês bem-sucedidas, marcar mais shows e tocar em festivais. Em algum momento a gente vai pensar num novo álbum — já falamos sobre isso. Mas acho que, com o Crashdïet, hoje é isso: vamos promover o Art of Chaos, fazer o máximo que a gente conseguir com esse álbum. Acho isso importante.
Com o Midnight Danger, por enquanto, tenho escolhido não marcar shows pra cumprir esses compromissos com o Crashdïet, mas isso já aconteceria normalmente, porque preciso produzir um novo álbum — assinei contrato com uma gravadora. E é uma gravadora de metal — o Midnight Danger estava assinado com uma gravadora de synthwave, retrowave, especializada nessa cena. Porém, nesses últimos dois anos, tenho feito shows com bandas de metal, festivais de metal, e foi meio que o caminho natural esse público e pessoas do music business desse ramo do metal olharem pro Midnight Danger, chamarem atenção, e recebi uma proposta que achei bem interessante.
Meu objetivo agora, também sem pressa porque precisa ser um material de qualidade, é produzir esse novo álbum com o Midnight Danger, finalizá-lo. Não tenho pressa pra fazer isso acontecer, porque o que importa pra mim é a qualidade. Preciso que o álbum, assim como os anteriores, comunique aquilo que eu sinto com relação ao synthwave, ao retrowave, e todo esse processo de composição musical que a gente estava falando antes — preciso estar alinhado com isso também.
Depois que esse álbum estiver lançado, pretendo sim fazer turnês com ele. Acho que lançar esse álbum com um selo de metal vai abrir portas para mais shows e festivais de metal. E, nesse meio do caminho, tenho feito shows com Crashdïet, conhecido pessoas dessa cena, e as pessoas dessa cena têm me conhecido um pouco melhor.
As coisas vão se alinhar. Não pretendo deixar nada para trás, só pretendo organizar tudo pra dar o passo certo com cada projeto. Então é isso: estou muito feliz, muito contente com tudo que está acontecendo nos dois projetos e com tudo que a gente tem planejado pra eles.










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