terça-feira, 14 de abril de 2026

Cobertura de Show: Blackberry Smoke – 12/04/2026 – Tork N' Roll/CWB

Blackberry Smoke: Southern Rock de Primeira Linha em Curitiba

Dia 12 de Abril de 2026, domingo à noite em Curitiba, dia preguiçoso para a maioria das pessoas. Mas não para os fãs desta banda estadunidense da Geórgia, Blackberry Smoke, para eles a ansiedade era surreal. Afinal, a espera foi longa, sete intermináveis anos. O evento ocorreu no Tork N´Roll, casa de shows muito bem estruturada e bem localizada, pronta para proporcionar toda a diversão que o público desta famosa banda de Southern Rock merecia. Aprodução ficou a cargo da Solid Produções e Caveira Velha.

O grande evento da vez na capital curitibana teve seus ingressos esgotados semanas antes da apresentação. No local conversamos com pessoas vindas de vários estados do Brasil, que enfrentaram uma longa viagem para poder estar ali, onde tudo era possível! A animação era realmente contagiante. Faltando quase uma hora para o início da apresentação, o local já estava lotado, com filas para bebidas, alguns haviam até "passado da conta", tudo bem compreensível. Mas devo aplaudir os trajes dos fãs que lá estavam, uma perfeição. A impressão era de que estávamos literalmente em um evento digno de série televisiva americana: pessoas bonitas, sorridentes e muita "azaração" à moda antiga.Atlanta veio à Curitiba!

Desta vez, o show não contou com banda de abertura, tendo início pontualmente às 20h, conforme anunciado. E eis que a euforia começa: entram os músicos e a festa tem início com "Good One Comin' On", com a banda ainda no modo esquenta, talvez impressionados com a energia do público, suficiente para fazer estes americanos simpáticos tirarem o chapéu e brilharem os olhos.

Durante toda a apresentação não faltaram sorrisos de Charlie Starr, Paul Jackson, Richard Turner, Brandon Still, Benji Shanks e do baterista Kent Aberle, e lógico, uma performance impecável de toda a banda. Mas os pontos altos foram, sem dúvida, "Pretty Little Lie", "Waiting for the Thunder", "Ain't Much Left of Me" e a mais aguardada "One Horse Town", acompanhada em uníssono pela plateia, realmente um momento para ficar na memória.

Por fim, foi uma experiência muito gratificante, especialmente para aqueles que acompanham séries televisivas do gênero, como Yellowstone, Sons of Anarchy e Nashville. O Blackberry Smoke teve algumas de suas canções presentes nestas séries de sucesso, e lembrar delas durante o show foi nostálgico. E claro, não podemos esquecer da presença constante do baterista Brit Turner, que nos deixou em 2024, no coração de todos, sempre homenageado por seus amigos acada apresentação.

Este show vai deixar saudades em sua perfeição. Mas ao final, alguns apontamentos em caráter construtivo sempre fazem parte. Quanto à estrutura, o ar condicionado merecia mais atenção, pois a sensação térmica estava passando do suportável; o acesso para a compra de bebidas também estava um pouco difícil, pois para um show sold out em local fechado, deveriam estar disponíveis pontos de hidratação próximos ao palco. Também convém destacar a falta de cordialidade com os profissionais da imprensa, principalmente com os fotógrafos credenciados, o que acabou prejudicando um pouco o resultado final, ainda mais considerando que, em todos os eventos da cidade, a cordialidade costuma ser impecável, seja em shows de médio ou grande porte. Mas nada que desabone este espetáculo: no final, tudo ocorreu como esperado, e o que fica no coração e na alma é o amor à música.

Texto: Paula Butter 

Fotos: Vladimir Silvério 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Solid Music Entertainment

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Blackberry Smoke – setlist:

Good One Comin' On

Payback's a Bitch

Live It Down

Hammer and the Nail

Shake Your Magnolia

Till the Wheels Fall Off

Let It Burn

Pretty Little Lie

Waiting for the Thunder

You Hear Georgia

Ain't Gonna Wait

Sleeping Dogs

(With Come Together by Beatles interlude)

Azalea

Shakin' Hands With the Holy Ghost

One Horse Town

Ain't Got the Blues

Up in Smoke

Run Away From It All

Bis 

Dancing Days

(Led Zeppelin cover)

Ain't Much Left of Me

(With Mississippi kids by Lynyrd Skynyrd Interlude)

Temple Balls: Mais Afiado Do Que Nunca

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Os finlandeses do Temple Balls dão mais um passo consistente em sua trajetória com o lançamento de Temple Balls, álbum autointitulado que consolida a evolução iniciada em Avalanche (2023). Mais uma vez sob a produção de Jona Tee (H.E.A.T), o grupo apresenta um trabalho que equilibra com precisão energia e refinamento, apostando em uma combinação eficaz de refrões fortes, guitarras afiadas e uma base rítmica sólida.

Logo na abertura, “Flashback Dynamite” estabelece o tom do disco com sua abordagem direta e um refrão de fácil assimilação, evidenciando a habilidade da banda em trabalhar melodias acessíveis sem abrir mão do peso. Na sequência, “Lethal Force” desacelera levemente o andamento, mas reforça a identidade sonora do álbum, destacando o timbre vocal de Arde Teronen e um trabalho de guitarras que já aponta para a coesão do conjunto.

“Tokyo Love” surge como um dos momentos mais cativantes do repertório, com linhas de baixo que ganham protagonismo e uma atmosfera que remete ao Edguy de sua fase mais inspirada. Já “There Will Be Blood” introduz elementos eletrônicos de forma mais evidente, com teclados e timbres que evocam o Turbo, do Judas Priest, ampliando o espectro sonoro do disco sem comprometer sua essência.

O single “We Are The Night” sintetiza bem essa proposta híbrida, transitando entre referências do rock norte-americano e uma abordagem mais moderna, enriquecida por arranjos de teclado e até mesmo um inesperado solo de sax. Em contrapartida, “Hellbound” resgata a veia mais agressiva da banda, com uma pegada que flerta com o Motörhead e entrega uma das performances mais intensas do álbum.

Na segunda metade, o grupo mantém a consistência. “Soul Survivor” aposta no hard rock mais tradicional, com foco em linhas vocais fortes e um refrão pensado para o público. “The Path Within” e “Stronger Than Fire” reforçam a coesão estética do trabalho, equilibrando elementos melódicos e estruturas bem definidas, enquanto “Chasing The Madness” retoma a velocidade e o peso, reafirmando a versatilidade do quinteto.

Encerrando o álbum, “Living In A Nightmare” funciona como uma síntese de suas influências, dialogando com nomes clássicos do hard and heavy europeu como Judas Priest, Black Sabbath e Rainbow. É um fechamento que não apenas respeita a tradição do gênero, mas também evidencia a maturidade de uma banda que parece cada vez mais confortável em expandir seus próprios limites.

Com Temple Balls, o grupo finlandês entrega um trabalho coeso, dinâmico e estrategicamente construído, reforçando sua posição dentro do cenário contemporâneo do hard rock melódico e apontando para voos ainda mais ambiciosos.

***ENGLISH VERSION***

Finnish hard rockers Temple Balls take another confident step forward with their self-titled release, Temple Balls, a record that solidifies the sonic evolution first showcased on Avalanche (2023). Once again produced by Jona Tee (H.E.A.T), the album finds the band striking a fine balance between raw energy and polished songwriting, built on infectious hooks, sharp guitar work, and a powerful rhythmic backbone.

Opening track “Flashback Dynamite” wastes no time in setting the tone, delivering a straight-ahead punch with a highly memorable chorus that highlights the band’s knack for crafting accessible yet hard-hitting material. “Lethal Force” follows with a slightly more restrained pace, but further reinforces the album’s cohesive identity, with Arde Teronen’s distinctive vocal tone and a guitar-driven approach that begins to tie the record together.

“Tokyo Love” stands out as one of the album’s most engaging moments, driven by prominent bass lines and a melodic sensibility reminiscent of Edguy at their peak. Meanwhile, “There Will Be Blood” expands the band’s sonic palette with a stronger electronic edge, featuring keyboard textures and guitar tones that echo Judas Priest’s Turbo era, adding variety without straying from the core sound.

The single “We Are The Night” encapsulates this hybrid approach, shifting between American rock influences and a more modern, keyboard-laden arrangement—complete with an unexpected saxophone solo that adds an extra layer of character. In contrast, “Hellbound” taps into a heavier, more aggressive vein, channeling a Motörhead-like intensity and delivering one of the album’s most hard-hitting performances.

The second half maintains the album’s consistency. “Soul Survivor” leans into classic hard rock territory, with strong vocal lines and a chorus clearly designed for audience participation. “The Path Within” and “Stronger Than Fire” further underline the record’s cohesion, balancing melodic elements with solid structural songwriting, while “Chasing The Madness” brings back the speed and metallic edge, showcasing the band’s versatility.

Closing track “Living In A Nightmare” serves as a fitting summary of the band’s influences, drawing from the legacy of European hard and heavy icons such as Judas Priest, Black Sabbath, and Rainbow. It’s a finale that not only pays tribute to the genre’s roots but also highlights a band growing increasingly confident in pushing its own boundaries.

With Temple Balls, the Finnish outfit delivers a cohesive, dynamic, and strategically crafted album that strengthens their standing within the contemporary melodic hard rock scene—and suggests even bigger things ahead.

Marko Syrjala


Vanden Plas: Sofisticação e Profundidade (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Três décadas após o lançamento de AcCult (1996), os alemães do Vanden Plas revisitam um dos capítulos mais emblemáticos de sua trajetória com AcCult II. Longe de se limitar a um exercício nostálgico, o novo trabalho amplia a proposta original ao apresentar releituras acústicas que equilibram sofisticação, sensibilidade e uma abordagem artística amadurecida.

O repertório mescla versões de composições marcantes da banda — como “Far Off Grace” e “The Ghost Xperiment” — a releituras de clássicos de Metallica e Styx, criando um diálogo interessante entre diferentes universos musicais. Com participação especial de John Helliwell (Supertramp) e uma execução impecável por parte da formação atual, o álbum reafirma a identidade do grupo dentro do metal progressivo, mesmo em um contexto essencialmente acústico.

A abertura com “Far Off Grace” já estabelece o tom do disco. Em uma construção gradual e minimalista, a ausência quase total de percussão na maior parte da faixa valoriza a interpretação de Andy Kuntz, enquanto os arranjos de Stephan Lill se desenvolvem de forma elegante até o clímax final, onde a entrada da percussão amplia a intensidade emocional.

Na sequência, “Holes in the Sky” rompe com essa introspecção inicial ao apostar em uma dinâmica mais energética. A percussão mais presente impulsiona a faixa, enquanto o trabalho de violão e o solo bem estruturado reforçam o caráter técnico da banda. O piano de Alessandro Del Vecchio surge como elemento de refinamento, enriquecendo a textura sonora.

Um dos momentos mais aguardados do álbum, “The Ghost Xperiment” mantém sua essência progressiva ao transpor sua complexidade para o formato acústico. A bateria assume papel central desde os primeiros compassos, enquanto o piano conduz a narrativa até um refrão sustentado por arranjos vocais densos. O uso de cordas adiciona profundidade e contribui para uma das interpretações mais completas do disco.

O primeiro cover aparece em “Boat on the River”, clássico do Styx, que ganha aqui uma leitura delicada e detalhista. A combinação entre cello, acordeão e violão cria uma atmosfera rica, permitindo que a interpretação instrumental se destaque sem perder o caráter melódico da composição original.

“Healing Tree” representa uma mudança de atmosfera, apostando em uma sonoridade mais etérea e textural. A presença de vocais femininos — não creditados oficialmente — adiciona uma nova camada à interpretação de Andy Kuntz, resultando em uma das faixas mais acessíveis do álbum, mesmo dentro de sua complexidade estrutural.

Em “Postcard to God”, o Vanden Plas explora uma abordagem mais tradicional dentro do conceito acústico, com arranjos que combinam piano, violão, contrabaixo e intervenções pontuais de cordas. A performance vocal novamente se destaca, enquanto o solo remete à sonoridade clássica dos instrumentos acústicos, com discretas incursões de elementos eletrônicos.

A releitura de “Nothing Else Matters”, do Metallica, surge como um dos pontos mais delicados do álbum. Iniciando em formato intimista de piano e voz, a faixa se desenvolve gradualmente, incorporando elementos orquestrais e uma abordagem vocal menos fiel à versão original, o que contribui para uma interpretação própria. O resultado é uma versão que respeita a essência da composição, mas encontra identidade própria dentro da proposta do disco.

Encerrando o trabalho, “You Fly” sintetiza a proposta do álbum ao incorporar elementos característicos do metal progressivo em uma roupagem acústica. As mudanças de andamento, os arranjos elaborados e o refrão marcante são complementados pela participação de John Helliwell no saxofone, adicionando uma coloração distinta ao desfecho do álbum.

Mais do que uma celebração de aniversário, AcCult II se apresenta como uma reafirmação artística. Ao revisitar seu repertório com novas perspectivas, o Vanden Plas demonstra maturidade e domínio criativo, entregando um trabalho que dialoga tanto com fãs antigos quanto com ouvintes que buscam sofisticação dentro do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Three decades after the release of AcCult (1996), German progressive metal veterans Vanden Plas return to one of the most distinctive chapters of their career with AcCult II. Far from being a mere nostalgic exercise, the album expands on the original concept, delivering a collection of acoustic reinterpretations that balance sophistication, emotional depth, and artistic maturity.

Blending revisited band staples such as “Far Off Grace” and “The Ghost Xperiment” with carefully selected covers from Metallica and Styx, AcCult II builds a compelling bridge between progressive metal and classic rock sensibilities. Featuring a guest appearance by John Helliwell (Supertramp), the record highlights the band’s ability to reshape their identity without losing its core essence.

Opening track “Far Off Grace” immediately sets the tone. Built on a restrained and gradual arrangement, the near absence of percussion for most of the song allows Andy Kuntz’s expressive vocals to take center stage, while Stephan Lill’s acoustic work unfolds with elegance, culminating in a subtle yet powerful climax.

“Holes in the Sky” shifts gears with a more dynamic and rhythm-driven approach. The stronger percussive presence pushes the track forward, while intricate acoustic guitar work and a well-crafted solo underline the band’s technical finesse. Alessandro Del Vecchio’s piano adds an extra layer of refinement, enriching the overall texture.

One of the album’s most anticipated moments, “The Ghost Xperiment”, successfully translates its original complexity into an acoustic setting. The drums establish a strong presence early on, while the piano guides the arrangement toward a chorus supported by lush vocal harmonies. The addition of string arrangements enhances the depth, resulting in one of the album’s most fully realized performances.

The first cover, Styx’s “Boat on the River”, is handled with remarkable sensitivity. The interplay between cello, accordion, and acoustic guitar creates a rich and organic soundscape, allowing the band to reinterpret the track without losing its melodic identity.

“Healing Tree” introduces a shift in mood, leaning into a more atmospheric and textural direction. The inclusion of uncredited female vocals adds an intriguing dimension to Kuntz’s performance, resulting in one of the album’s most accessible yet nuanced tracks.

On “Postcard to God”, Vanden Plas embraces a more traditional acoustic framework. Piano, acoustic guitars, and upright bass form a warm foundation, complemented by subtle string details. Kuntz delivers one of his strongest vocal performances here, while the solo evokes a classical acoustic tone, with brief touches of synthesized elements adding contrast.

Taking on Metallica’s “Nothing Else Matters” is no small task, yet Vanden Plas approach it with confidence and restraint. Beginning as a sparse piano-and-vocal arrangement, the track gradually evolves, incorporating orchestral layers and a more interpretative vocal delivery that diverges from the original. The result is a respectful yet distinctive reimagining that fits seamlessly within the album’s concept.

Closing track “You Fly” encapsulates the essence of AcCult II. With its shifting dynamics, intricate arrangements, and memorable vocal lines, it brings progressive elements into the acoustic realm with ease. John Helliwell’s saxophone contribution adds a unique tonal color, providing a fitting and elegant conclusion.

More than a commemorative release, AcCult II stands as a testament to Vanden Plas’ enduring creativity. By revisiting their catalogue through a refined acoustic lens, the band not only honors their legacy but also reinforces their relevance within the progressive music landscape.

Jannik S. Wagner

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cobertura de Show: Extreme + Halestorm – 08/04/2026 – Live Curitiba/CWB

Extreme e Halestorm: Rock, Resiliência e Emoção na Live Curitiba

A experiência Hard Rock do Extreme e a energia Rock N'Roll do Halestorm se colidiram nesta quarta-feira, dia 8 de abril, na Live Curitiba. As duas bandas foram algumas das principais atrações do Festival Monsters of Rock em São Paulo no final de semana anterior. O evento na capital curitibana foi realizado pela produtora Like Entretenimento.

Finalmente vamos ao que interessa: a noite estrelada de quarta, parece até perseguição, mas a maioria dos shows acontece sempre em meios de semana aqui em Curitiba. Provavelmente é culpa da logística que precisa desdobrar-se em mil para levar os equipamentos até as várias cidades e, invariavelmente, culminando aos finais de semana em São Paulo, onde obviamente o público é maior. Tudo parcialmente perdoado, afinal, sempre somos privilegiados em receber os melhores eventos, e o corpo que lute para trabalhar no dia seguinte. Afinal, isto é Rock N' Roll!

Extreme e Halestorm foram recebidos na Live Curitiba, que há algum tempo vem perdendo espaço para outras casas noturnas mais focadas no gênero rock. Mas há alguns anos já recebeu desde Bruce Dickinson até Sepultura, portanto seu tamanho estava à altura dos convidados. Entretanto, ao chegar ao local, percebi certo descaso no quesito da praça de alimentação externa, um pouco mais simples do que em outros tempos, mas tudo bem, nada que abale o público mais novo. Mas o caso, neste dia, é que o público era composto em sua maioria de pessoas mais velhas que, atualmente, pelos valores cobrados pelos ingressos, esperam uma experiência mais premium. Mas havia petiscos e bebidas geladas, o que bastou (ou não, talvez!?).

O show do Halestorm estava previsto para às 20h30, horário cumprido à risca. Mas antes de seguir ao show, importa falar que o local não atingiu boa lotação, fato comprovado pela interdição da área superior da casa, deixando somente a pista dividida desigualmente em premium e normal, e os camarotes especiais superiores, geralmente reservados por grandes grupos que optam por mais conforto.

E pontualmente sobem ao palco a carismática Lzzy Hale, juntamente com os músicos Arejay Hale, Joe Hottinger e Josh Smith, todos visivelmente animadíssimos, sem se importar com a casa "meio" cheia. Pois em quesito de show de rock, "uma coisa não tem nada a ver com a outra": os fãs que ali estavam ocuparam todo o recinto aos gritos, incentivos, choros, emoções à flor da pele, roupas a caráter, e a cada término de música a banda era ovacionada sem parar.

As três primeiras músicas, sempre dedicadas aos cliques, foram executadas à perfeição: "Fallen Star", "I Miss the Misery" e o hit "Love Bites (So Do I)", com uma interpretação forte e com Hale mostrando toda a sua potência vocal e presença de palco. A banda é um pacote completo, além de técnica, se preocupa com todo o visual: cores, luzes e movimentação de palco, para que a experiência do público seja perfeita.

Para alegria geral, tudo ocorreu sem desânimo, graças à interação constante dos músicos e das fofíssimas capivaras de pelúcia espalhadas pelo palco e em formato de chaveiro nos integrantes e em seus instrumentos. Para quem não sabe, Curitiba tem orgulho em exibir suas capivaras soltas em parques e em forma de souvenirs pela cidade, tornando os nativos um pouco mais simpáticos. (Novamente, não me julguem: Sou 100% curitibana).

Ressaltando o destaque da noite para a canção "Like a Woman Can", onde toda a temática da música e o ativismo de Lzzy culminaram em uma homenagem e exaltação à força das mulheres que lá estavam. Momento de total engajamento da plateia. Em resumo, foi um show de pouco menos de uma hora e meia, mas que cumpriu o que prometeu. Público animado, sem espaços vazios no galpão. Para os amantes de guitarras, foi um desfile de modelos, as quais a vocalista trocava frequentemente, para o deleite de todos. Destaque para a belíssima Gibson cor chumbo com reflexos brilhantes, que ofuscou o local!

Um pouco antes das 21h30, houve o tempo de pausa para troca de equipamentos e adequação do palco para a chegada do tão aguardado Extreme, com horário previsto para às 22 horas. Além da famosa pausa para lanches, toalete e bebidas, percebeu-se uma mudança no público presente. Explico: o público mais novo foi dando espaço a uma faixa etária um pouco mais avançada, salvo os fãs na grade, que não arredaram o pé por nada. Com o decorrer do tempo, apareciam casais, famílias,  todos claramente espectadores da era dourada do Extreme. Inclusive, me incluo neste grupo, pois tive meu pôster de Gary e Nuno no quarto durante a adolescência, e nem em meus melhores pensamentos, na época, imaginaria estar aqui hoje. Uma honra, mas nem por isso os panos quentes serão passados ou algo indigesto jogado para debaixo do tapete. Afinal, não estamos aqui para isso.

A ansiedade tomava conta da plateia que, em um passe de mágica, mudou de um público enérgico para rostos ansiosos e tensos, como se soubessem de algo que não chegou ao conhecimento geral. Especulações não faltavam: algumas a respeito da quantidade de público, um pequeno atraso na montagem do palco, rostos aflitos estampados na equipe técnica. Confesso que, a não ser pelo atraso no início do show, achei tudo normal. Afinal, tratava-se do Extreme, os caras estiveram aqui no Brasil no extinto Hollywood Rock de 1992, por favor! Excesso de zelo faz parte do processo.

Após momentos tensos, sobem ao palco, com energia e sorrisos sobrando, os músicos do Extreme com seus instrumentos em punho e visual de videoclipe da MTV. Gary Cherone é um showman sem discussões, o mesmo vale para o guitarrista Nuno Bettencourt. Também em destaque: o baterista Kevin Figueiredo e o simpático baixista Pat Badger, que durante todo o show demonstrou uma serenidade surreal. Início de setlist explosivo, plateia antenada: "Decadence Dance", "Rest in Peace", "Am I Ever Gonna Change" , tudo em frenesi, capitaneado por Gary.

Após os primeiros 40 minutos de show, a plateia começou a esfriar, talvez devido ao cansaço. Afinal, muitos já estavam ali há pelo menos 3 horas, senão mais. Foi o momento perfeito para Gary entoar o refrão de "We Will Rock You", do Queen, para tirar alguns do transe, ou do sono mesmo. Para aqueles que não deixaram a fadiga vencer, até aquele momento o espetáculo estava à altura.

Mas como perfeição só existe na ficção, por volta das 22h45 o som começou a incomodar os ouvidos, percebendo-se um problema técnico relativamente comum. Entretanto, os minutos foram passando, uma microfonia nas guitarras de Nuno ficou mais evidente e desestabilizou um pouco a banda. Afinal, eles queriam fazer o seu melhor. Ainda foram feitas algumas tentativas de continuar com as músicas, mas por volta das 23 horas uma pausa para reorganização e solução dos problemas se fez necessária. Neste momento, o público poderia ter sido mais empático com os músicos, que estavam tentando contornar a situação com piadas desajeitadas, improvisos que não saíam certos, olhares entre Nuno e Gary pedindo socorro mutuamente.

Passados os desconfortos, podemos reconhecer os anos de estrada do Extreme, que não chegou onde está por acaso! Os músicos de repente crescem diante da plateia e fazem do problema parte do espetáculo. Em grande parte pela opção do guitarrista Nuno de assumir para si a difícil arte de lidar com o público sem roteiro e sem papas na língua, com algumas frases que escaparam sem querer: "Ai, Jesus!" e "O som não presta, como vamos tocar?", seguidas de vários pedidos de desculpas ao público. Logo, uma bateria improvisada vem à frente com Kevin Figueiredo (em pé) dando o tom e mostrando que quem sabe o que faz brilha; Gary, mais tranquilo, com microfone em riste; Pat Badger inabalável com seu baixo; e guitarras acústicas preparadas para um Nuno mais calmo. Pronto! O espetáculo voltou com tudo, e ainda com o tempero da resiliência humana. A canção "Hole Hearted" foi uma obra-prima: se o show terminasse ali, a missão estava cumprida.

Por fim, dedico este parágrafo a todos os músicos deste planeta que, apesar das dificuldades, tentam dar sua melhor versão ao público. Trata-se de respeito ao próximo. Vale a pena detalhar: Durante a execução da menina dos olhos da banda, "Midnight Express",  que traz toda a técnica guitarrística de Nuno Bettencourt aos holofotes, a microfonia e os problemas surgem, não dando mais para esconder a frustração. Ele tenta novamente, mostrando habilidade extrema, mas insuficiente diante do problema de som. Levanta, conversa com os técnicos, desabafa, insiste, e digo aqui: foi muito angustiante presenciar aquilo. Alguns tentavam palmas para levantar o astral, mas a maioria permaneceu simplesmente observando o sofrimento alheio. Por um milagre ou competência técnica da equipe, o problema é resolvido: o músico fala com o que lhe resta de orgulho: "Vamos começar novamente? Fingir que nada disso aconteceu e que foi apenas um ensaio?" E lá vai nosso insistente herói para uma execução perfeita e emocionante de "Midnight Express". E, pasmem: a plateia esqueceu que tinha celular. Não se viam telas ao alto, somente pessoas boquiabertas presenciando arte sendo executada. Momento raro hoje em dia! Após o transe, alguns resolveram filmar, mas a lição que ficou foi que precisamos dar mais crédito aos artistas. Este show foi uma demonstração de humildade e perseverança de músicos que merecem nosso total respeito. Confesso que já vi artistas jogarem a toalha e abandonarem o palco por bem menos.

Por fim, depois de tanta sofrência, chega a execução da clássica "More Than Words" com um toque especial de comemoração, olhares aliviados e público satisfeito.

Vida longa ao Rock N' Roll! 

Vida longa ao Halestorm! 

Vida longa ao Extreme!




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Like Entretenimento


Halestorm – setlist:

Fallen Star

I Miss the Misery

Love Bites (So Do I)

Mz. Hyde

Like a Woman Can

I Get Off

Familiar Taste of Poison

Rain Your Blood on Me

Drum Solo

Freak Like Me

Wicked Ways

I Gave You Everything


Extreme – setlist:

It ('s a Monster)

Decadence Dance

Rebel

Rest in Peace

Am I Ever Gonna Change

Thicker Than Blood

Play With Me

Other Side of the Rainbow

Hole Hearted

Midnight Express

More Than Words

Cupid's Dead

Banshee

Flight of the Wounded Bumblebee

Get the Funk Out

Rise

Trechos de covers (Queen/Led Zeppelin)

Cobertura de Show: VOLA – 11/03/2026 – Hangar 110/SP

A segunda passagem do VOLA pelo Brasil confirmou aquilo que já era esperado desde sua estreia no país: o quarteto deixou de ser uma promessa cult do prog moderno para se tornar uma realidade sólida e cada vez mais relevante. Na noite de 11 de março, o Hangar 110 teve casa cheia, com um público que parecia já entender perfeitamente a proposta sonora da banda é densa, atmosférica e, ao mesmo tempo, acessível. A expectativa de uma imersão sonora no universo único do Vola, que mescla peso, melodia e complexidade progressiva, foi plenamente cumprida, entregando uma performance impecável.

Com uma precisão cirúrgica e uma presença de palco magnética, o Vola, composto por Asger Mygind (vocal e guitarra), Nicolai Mogensen (baixo), Martin Werner (teclados) e Adam Janzi (bateria), demonstrou uma química entre os integrantes que ficou nítida no palco. Eles tocam de forma orgânica, sem excessos de virtuosismo gratuito, mas com uma coesão que elevou o nível de cada música.

O setlist foi uma aula de equilíbrio entre álbuns recentes e clássicos do repertório, começando forte com “I Don’t Know How We Got Here”, que já colocou o público em transe com seus riffs hipnóticos e a voz cativante de Asger. Em seguida, vieram “We Will Not Disband” e “Stone Leader Falling Down”, mantendo o clima denso e cinematográfico. Faixas como “These Black Claws”, “Ruby Pool” e “Alien Shivers” explodiram em momentos de pura catarse, com as linhas de baixo pulsantes de Nicolai e os teclados de Martin criando paisagens sonoras que pareciam flutuar sobre o peso das guitarras.

Um dos pontos altos foi “Cannibal”, tocada com participação especial de Marcos Hunger, que adicionou um tempero extra de intensidade e fez o chão do Hangar tremer com seus guturais, criando um contraste interessante com o vocal de Asger. Após esse momento memorável, a banda seguiu com a épica “24 Light-Years” e a aclamada “Applause of a Distant Crowd”, que solidificaram a atmosfera de êxtase e conexão entre a banda e seus fãs, mostrando que a música do Vola transcende barreiras e idiomas.

A sequência que veio a seguir manteve o nível de excelência, com a banda entregando performances arrebatadoras de “Stray the Skies”, “Inside Your Fur” e a avassaladora “Bleed Out”. Cada música foi executada com uma paixão e uma precisão que beiravam a perfeição, com os arranjos complexos ganhando ainda mais vida no palco. A sinergia entre os músicos e a interação com o público criaram um espetáculo verdadeiramente imersivo, em que a energia pulsante do Hangar 110 refletia a intensidade sonora que emanava do palco.

Após uma breve saída e sob gritos de “Olê, olê, olá, Vola”, os dinamarqueses retornaram para o tão aguardado bis, entregando mais duas pérolas de seu repertório: “Tray” e “Straight Lines”. Essas escolhas finais serviram como um encerramento perfeito para uma noite inesquecível, deixando a plateia com a sensação de ter presenciado algo grandioso. 

O show do VOLA no em São Paulo reafirmou a força da banda ao vivo, e consolidou de vez sua conexão com o público brasileiro. Em uma apresentação tecnicamente impecável e emocionalmente envolvente, o grupo demonstrou que sua música vai além de rótulos, criando uma experiência sensorial que permanece ecoando mesmo após o último acorde. Se esta segunda visita já mostrou tamanha maturidade e entrega, o futuro da banda por aqui promete ser ainda mais grandioso.


Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload Brasil



VOLA – setlist:

I Don’t Know How We Got Here

We Will Not Disband

Stone Leader Falling Down

These Black Claws

Ruby Pool

Alien Shivers

Your Mind Is a Helpless Dreamer

Head Mounted Sideways

Cannibal 

24 Light-Years

Applause of a Distant Crowd

Stray the Skies

Inside Your Fur

Bleed Out

Tray

Straight Lines 

Myrath: Entre Espelhos e Fórmulas

earMUSIC (Imp.)

Por Rosano Matiussi 

Salve, pessoal do Road to Metal. Eu sou o Rosano e essa é a minha primeira review aqui pro site. 

O álbum da vez é o Wilderness of Mirrors dos tunisianos do Myrath, lançado no dia 27 de março de 2026. O nome já me remeteu ao álbum “Vigil in a Wilderness of Mirrors” do Fish, primeiro vocalista dos gigantes do NeoProg, Marillion, mas isso é discussão para outro texto. 

Confesso a vocês que o Myrath nunca foi uma banda que me chamou muita atenção, então esse foi o álbum que eu dei mais atenção até agora. Talvez esse som que remete à uma atmosfera meio “Oriente Médio” não seja particularmente do meu gosto, mas longe de ser ruim ou mal-feito. 

O disco abre com The Funeral, uma faixa bem felizinha que poderia muito bem tocar num casamento (irônico, por tratar-se de uma música que chama-se THE FUNERAL). A produção do álbum já chega na cara, gostei bastante dos timbres usados e dos arranjos. Tudo soa bem no lugar. Agora, uma opinião impopular que pode até irritar alguns dos fãs da banda, mas isso é um tema que vai ser bem recorrente: Tudo é certinho demais, sabe? Eu acho que, em alguns momentos, falta aquele edge que deixa o disco um pouco mais sombrio. Falta um pouco de experimentação. 

Após a abertura, vem Until The End, que novamente traz, logo no começo, essa vibe bem Oriente Médio, que é a proposta do som. Essa música é mais interessante, tem um Hook bem legal e pegajoso, com um feat. Da Elize Ryd, que já passou pelo Amaranthe. É uma faixa cheia de energia e com um ritmo bem dinâmico. 

Breathing Near the Roar vem em sequência. Já é uma faixa que usa alguns clichês do gênero com mais frequência. Essa música poderia estar em algum disco do DGM ou do Circus Maximus. Felizinha demais pro meu palato, todavia, é bem executada como todo resto do disco. As linhas de baixo são bem interessantes e o timbre metálico ajuda a carregar a faixa.

Les Enfant Dus Soleil abre com um coral que, aparentemente, é cantado por crianças. O coral acompanha a melodia inicial do vocalista Zaher Zorgati que fez um trampo impecável no disco. A proposta da intro é bem legal e chama bastante atenção, desaguando posteriormente numa levada meio disco que foi bem inesperada. Eles apostaram bastante nos refrões pegajosos nesse disco, mais uma faixa com um Hook que gruda bem forte.

Still the Dawn Will Come abre com um riff que remete a o que algumas bandas de Metal Moderno estão fazendo. Curiosamente, me lembrou até algumas coisas do Caligula’s Horse. Uma pena que o riff morre nos primeiros segundos da música. Algo que me incomodou um pouco nesse disco é a falta de guitarra mais na cara. Parece que o guitarrista Malek Ben Arbia se escondeu um pouco atrás dos arranjos de teclado. Entendo que é isso pode ocorrer em bandas que têm uma presença bem forte de teclado, mas isso não impede de causar um certo grau de frustração, porque, nos momentos em que a guitarra tá bem na cara, o som tem bastante vida. 

The Clown começa com um riff que provavelmente todas as bandas de metal já fizeram na vida em algum momento. Algumas coisas nessa faixa não clicaram comigo. O Refrão passa um pouco do ponto com a tentativa de criar um hook pegajoso. Sabe quando você come aquele pudim doce demais? Essa faixa me deu essa sensação. Até o solo que fecha a faixa é bem sem graça. Pra ser honesto, os leads desse álbum deixam bastante a desejar. 

Soul of the Soul é a mandatória Power Ballad do álbum. Agora, tenho que ser muito sincero, eu já não sou fã de Power Ballads. Ela tem que ser MUITO boa pra funcionar pra mim, e definitivamente não é o caso dessa faixa. Um pianinho bem brega acompanha uma linha de vocal que poderia encerrar qualquer comédia romântica B-Side gravada nos anos 90. Tudo nessa faixa grita “forçação de barra”. Só de ter que escutar essa faixa repetidamente pra fazer essa review já me deixou deprimido. A faixa não vai pra lugar nenhum e acaba meio que do nada. Terrível. 

Edge of the Night já é uma track mais interessante, com uns ritmos bem diferentes. Algo que poderia ter sido explorado mais nesse disco. A vibe tunisiana nessa faixa tem uma atmosfera bem natural, é legal. Eu consigo escutar o que pareça uma Kalimba acompanhando o riff do verso. É uma faixa divertida. O som de batera desse disco tá animal, isso não posso negar. O som de bumbo tá afiado o suficiente pra cortar pela mix, mas ainda tem o grave que sustenta o som e não dá aquela impressão de artificialidade que tá tão comum nas produções de metal moderno da atualidade. 

A próxima track Echoes of the Fallen vem com um riff muito legal com, o que me parece, o uso de uma escala bizantina. Faltou mais isso no disco, músicas que abrem com um riff forte e com muita identidade. Os vocais aqui me lembraram bastante do que o Kamelot fazia no começo dos anos 2000, com o Roy Khan, à época. É uma faixa que possui bons momentos, provavelmente o trampo mais legal de guitarra do disco inteiro. Talvez a harmonia usada no refrão tenha jogado no seguro demais, mas tirando isso, é uma faixa legal. 

Through the Season é a saideira. Começa com uma bela melodia do que me parece ser um instrumento de sopro, depois desaguando com uma cama de strings digna de trilha sonora de cinema, acompanhada de um violão que dá uma atmosfera bem interessante. As linhas de teclado de Kévin Codfert ganharam bastante destaque no disco, no geral. Os arranjos são o ponto forte do álbum no geral, apesar de sentir que alguns momentos acaba caindo um pouco no brega. 

O disco, no geral, é bem competente no que se propõe. Os músicos são impecáveis e o álbum tem seus momentos altos, como também tem seus momentos baixos. Quando peguei esse disco para ouvir, confesso que um pouco do meu preconceito com esse tipo de Prog Metal (certinho demais) fez eu pensar que eu ia odiar cada segundo do disco, mas confesso que me surpreendi. 

O álbum definitivamente tem umas coisas legais, a produção tá bem interessante e tudo soa muito no lugar. Definitivamente, pra quem curte essa linha do Prog mais limpinho, vai gostar bastante do álbum! Vale dar uma conferida.

Nota Final: 7/10

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