sábado, 17 de outubro de 2026

Entrevista - Phantom Star: A Ascensão do Heavy Metal Cósmico

 


Por: Caco Garcia
Fotos: Divulgação e Arquivo da banda

Formada em 2024 em Curitiba (PR), a Phantom Star surgiu já com uma proposta bem definida, e trazendo músicos experientes e que já mantinham contato e amizade, e tudo isso proporcionou em uma personalidade e coesão naturais, refletida no elogiado álbum de estreia, lançado em 20/06/2026.

Conversamos com o vocalista Matheus Luciano, que nos contou mais sobre a ótima repercussão do trabalho da Phantom Star, detalhes sobre o álbum e perspectivas e expectativas daqui em diante. Confira!



RtM: O Phantom Star nasceu em 2024, mas reúne músicos com uma longa trajetória no Metal. De que forma essa experiência coletiva permitiu que a banda já surgisse com uma identidade tão sólida logo no álbum de estreia?
Matheus Luciano: A Phantom Star já nasceu com um norte muito bem definido. Desde as primeiras reuniões, tínhamos absoluta clareza do som que quer tínhamos fazer e dos objetivos que almejávamos alcançar como músicos de Heavy Metal. Não houve tempo perdido procurando uma direção; a proposta era consciente desde o primeiro ensaio.

Somado a isso, o fator humano fez toda a diferença: somos grandes amigos há muitos anos. Essa fraternidade e o respeito mútuo criam uma sintonia natural que vai muito além da técnica. Quando você junta uma visão artística alinhada com anos de amizade e cumplicidade, o entrosamento no estúdio e nos palcos acontece de forma quase instintiva. 

Essa química entre os integrantes foi o combustível para que a banda já surgisse com a solidez e a maturidade de um grupo de longa data.


RtM: O debut apresenta um Heavy Metal que vocês mesmos definem por elementos épicos, cósmicos e cinematográficos. Como surgiu esse conceito e qual foi o ponto de partida para construir essa identidade?
ML: Esse conceito nasceu de forma extremamente natural a partir da fusão das nossas paixões não apenas na música, mas também no campo da literatura, do cinema e das artes de forma ampla. Sempre fomos fascinados por bandas que não se limitam ao som, mas que trazem uma dimensão teatral e conceitual — seja na estética, na postura de palco ou na própria construção dramática das composições.

Para nós, o Heavy Metal sempre foi uma arte imersiva. Unir o peso dos riffs a uma narrativa épica e a uma identidade visual marcante, foi uma evolução orgânica desse gosto compartilhado. Queríamos que o ouvinte sentisse essa teatralidade desde o primeiro segundo: na atmosfera dos teclados, nas trocas de andamento, nas letras e até na arte do disco. É essa riqueza de referências artísticas que dá ao Phantom Star essa aura dramática, cósmica e cinematográfica.


RtM: É possível perceber influências de bandas como Virgin Steele, King Diamond, Savatage, Queensrÿche e Crimson Glory, mas o resultado soa bastante autoral. Como vocês foram lapidando e equilibrando a homenagem às referências e a busca por uma sonoridade própria?
ML: Ficamos profundamente honrados com a citação de alguns dos nossos maiores ídolos e influências diretas. Acredito que o grande segredo para equilibrar a homenagem com a originalidade está na forma como cada integrante filtra suas referências para se expressar de maneira autêntica.
Sabemos exatamente o território onde pisamos — o universo do Heavy Metal clássico e tradicional —, então nunca precisamos nos prender a regras rígidas ou nos preocupar em seguir fórmulas prontas para "provar" que somos metal. 

A prioridade sempre foi usar essa bagagem para construir arranjos sinceros e com a nossa própria assinatura, sem a intenção de soar como uma cópia datada ou como bandas que apenas repetem o passado.
Tratamos essas influências como um alicerce, e não como uma limitação. 


RtM: As letras transitam por temas como Inquisição, mitologia, fantasia e outras narrativas. O que mais inspira o processo de composição: livros, filmes, história, RPG, literatura fantástica?
ML: Consumimos muito dessas mídias no nosso dia a dia. Livros, jogos, RPG, histórias em quadrinhos, literatura fantástica e cinema sempre fizeram parte da nossa rotina e acabam fluindo de forma natural para dentro do processo de composição. São fontes muito ricas para criarmos histórias, metáforas e cenários que casam bem com o peso da música.

Ao mesmo tempo, não vivemos isolados numa bolha de fantasia. Questões do cotidiano, vivências pessoais e visões sobre o mundo ao nosso redor — inclusive aspectos sociais e políticos — também entram na equação. Afinal, como músicos independentes no Brasil, é inevitável ser impactado pela realidade em que vivemos.

Usar temas como a Inquisição ou narrativas fantásticas costuma ser a nossa forma de falar sobre coisas bem atuais, como o fanatismo e a busca por liberdade. No fim das contas, a inspiração vem de tudo o que a gente lê, joga, assiste e vive.


RtM:A interpretação vocal chama bastante atenção pelo caráter teatral, enquanto os teclados reforçam toda a atmosfera cinematográfica das músicas. Desde o início vocês já tinham essa preocupação em fazer cada canção soar como uma pequena trilha sonora?
ML: Com certeza. A minha interpretação do busca trazer um peso dramático único, porque tento não apenas cantar,  mas realmente interpretar e dar vida a cada narrativa, o que imprime uma personalidade muito forte às composições.

A entrada dos teclados, inclusive, aconteceu um tempo depois na formação da banda, justamente para reforçar essa intenção. Sentíamos que precisávamos de um elemento que amplificasse essa atmosfera de "contador de histórias" que tanto gostamos no Heavy Metal. O teclado veio para preencher esse espaço, criando as camadas, a tensão e aquele clima cinematográfico que faz com que cada música funcione como uma forma de trazer o ouvinte para dentro da letra.



RtM: A arte visual do Phantom Star também impressiona, desde a pintura da capa até a identidade nos materiais promocionais. O quanto o conceito visual é importante para complementar a experiência musical da banda?
ML: Para nós, a arte visual é simplesmente indispensável. Quando pensamos em grandes referências do Heavy Metal, do Rock Clássico e do Rock Progressivo — com o Iron Maiden sendo talvez o exemplo mais óbvio e brilhante disso —, percebemos que o conceito visual sempre foi um dos pilares fundamentais para construir a identidade de uma banda.

Sempre enxergamos a capa, as ilustrações e todo o material promocional como uma extensão direta da nossa música, e não apenas como uma "embalagem". Uma arte marcante prepara o ouvinte para a atmosfera do disco antes mesmo do primeiro riff.


RtM: A faixa-título "Phantom Star" parece sintetizar tudo aquilo que a banda representa musicalmente. Vocês também a enxergam como a música que melhor traduz a essência do grupo?
ML: Sim, com certeza. Pelo fato de carregar o próprio nome da banda, ela foi concebida para ser uma verdadeira declaração de intenções e síntese do nosso trabalho do ponto de vista mais épico.

A faixa-título traduz muito bem a temática conceitual e, principalmente, a identidade visual que buscávamos trazer para este primeiro disco. Musicalmente, ela entrega o equilíbrio perfeito do nosso som: consegue passear pelas nuances mais progressivas, atmosféricas e trabalhadas, sem jamais abrir mão do peso e da energia do Heavy Metal tradicional.



RtM: “I’Am the Storm” e “Witch Hunt” vejo que têm sido duas que se destacam na preferência do público. 
ML: "I'm the Storm" e "Witch Hunt" realmente se tornaram pilares fundamentais pra gente e acreditamos que a escolha dela como single foi bem acertada! 


RtM: Bom, gostaria que vocês comentassem um pouco mais sobre essas duas faixas, as inspirações e como foram sendo lapidadas até a versão final. 
ML: "I'm the Storm" Além de um riff bem marcante e muita melodia, ela carrega uma mensagem de soberania e resgate do orgulho dos nossos povos originários. É uma crítica forte à destruição e ao desrespeito à nossa nação. 

A ideia da letra já existia bem antes de certos acontecimentos políticos inacreditáveis que vimos recentemente no país; não foi planejado lançá-la neste momento específico, mas o contexto atual e o cenário eleitoral acabaram tornando a mensagem ainda mais viva e urgente.

Um fato marcante foi que o Lucas Shred entrou nos teclados logo após o lançamento dessa faixa, o que permitiu retrabalhar as dinâmicas e camadas dela ao vivo com o teclado bem atmosférico que ficou incrível.


RtM: Realmente, parece que ela foi pensada para esse momento atual. Muito interessante essa perspectiva. E a "Witch Hunt"?

ML: A "Witch Hunt" explora um lado mais sombrio, usando a temática histórica da caça às bruxas como uma metáfora clara para o fanatismo, a perseguição e a intolerância. Buscamos trazer essa discussão diretamente para a atualidade, traçando um paralelo urgente com a triste realidade do feminicídio e da violência contra a mulher — casos em que mulheres seguem sendo perseguidas, julgadas e silenciadas, muitas vezes pela simples forma de se vestir ou de se posicionar.

Musicalmente, ela tem um andamento mais cadenciado, solos longos de guitarra e interpretações vocais muito dramáticas e teatrais, bebendo direto da fonte de mestres como King Diamond e Mercyful Fate. A lapidação no estúdio foi extremamente rápida, fluindo com contribuições e ideias de todos os integrantes. Ela funciona tão bem e transmite uma energia tão forte que se tornou, naturalmente, a faixa de abertura dos nossos shows.


RtM: Complementando esse tópico, essas faixas que acabam ganhando um destaque maior com o público, vocês utilizam como parâmetro para, talvez, direcionamentos futuros? E é algo interessante que muitas vezes as bandas apostam que essa ou aquela música seria melhor recebida, e muitas vezes isso não acontece, e surgem alguns destaques inesperados. 
ML: Com certeza. A resposta do público é sempre um termômetro valioso, mas acreditamos que o direcionamento para composições futuras deve vir de forma natural.

O caso de "Phantom Star" é o exemplo perfeito disso: por ser uma faixa longa, técnica e cheia de trocas de andamento, não imaginávamos que ela ganharia um apelo ao vivo tão imediato e se tornaria um dos grandes destaques do disco entre os fãs. Esse tipo de surpresa é incrível porque mostra que o ouvinte de Heavy Metal valoriza a complexidade e a profundidade quando elas são entregues com verdade.

Enxergamos este álbum de estreia como uma sólida raiz que acabamos de plantar. Ele estabeleceu as fundações do som da Phantom Star. Para o próximo trabalho, a ideia não é simplesmente "copiar a fórmula" das faixas mais ouvidas, mas sim pegar toda essa recepção positiva e maturidade acumulada para aprofundar e expandir essas ideias com ainda mais peso, refinamento e identidade.




RtM: Lançar um debut tão consistente naturalmente, e que vem tendo ótima recepção, cria expectativa para o futuro. Existe alguma direção que vocês gostariam de explorar nos próximos trabalhos ou ainda há muito desse universo criado no primeiro álbum a ser desenvolvido?
ML: A resposta do público ao nosso álbum de estreia nos dá uma energia incrível para dar os próximos passos. Sentimos que acendemos uma chama importante, mas ainda há um universo inteiro dessa essência inicial a ser explorado e expandido.


Um dos nossos grandes objetivos e sonhos desde o início é criar um álbum 100% conceitual — e isso pode estar muito mais próximo de acontecer do que vocês imaginam. Temos como referências máximas obras-primas do gênero como Abigail (King Diamond), Operation: Mindcrime (Queensrÿche) e Seventh Son of a Seventh Son (Iron Maiden).

Queremos que essa evolução venha de forma orgânica, mas o foco é claro: o próximo capítulo do Phantom Star será desenhado para entregar uma história verdadeiramente cativante, sombria e aterrorizante, onde a música e a narrativa se fundem de forma transcedental.


RtM: O álbum também despertou interesse de selos do exterior, com lançamentos em vinil e K7. Falem-nos mais a respeito desses lançamentos e se há possibilidades e contatos do continente Europeu ou outros mercados.
ML: Ficamos extremamente felizes com essa repercussão. O Brasil vive hoje um momento fantástico para o Heavy Metal tradicional, fruto do trabalho consistente de bandas que admiramos muito, como Trovão, Creatures, Hellway Train, Electric Poison, Facing Fear, Blades of Steel e outras. Toda essa cena forte faz com que o mercado europeu e internacional olhe para o metal feito aqui com muito respeito e atenção.

A distribuição da Classic Metal é excelente fora do país e tem sido fundamental para fazer nossa música chegar a novos territórios. Conseguimos fechar uma parceria com o selo norte-americano Frequency Junction para uma edição extremamente limitada em vinil, e também com o selo boliviano Maniac Forces para uma versão belíssima em fita cassete.


RtM: Isso é muito bom! Um retorno muito expressivo dessa estreia.
ML: Sim, e além do retorno direto que estamos tendo da Europa pelo nosso Bandcamp, precisamos destacar o papel do canal NWOTHM Full Albums. Eles são gigantes na tarefa de colocar o Heavy Metal clássico em uma vitrine mundial, e temos muito a agradecer ao Anderson e à equipe dele por esse suporte. No fim das contas, é um movimento muito rico e pulsante, e vemos um potencial enorme para o crescimento dessa cena tanto no exterior quanto no Brasil. 


RtM: Fiquei sabendo de uma fonte aí que vocês irão participar de um curta metragem de horror, com músicas na trilha e também atuando. Muito legal! O que vocês podem nos contar já sobre esse projeto? 
ML: Sim, é verdade! Fomos convidados por um coletivo de cinema da PUC e acho que, no momento em que nos chamaram, eles nem imaginavam o quanto o nosso som e todo o nosso conceito visual tinham a ver com a história do filme. Deu um casamento perfeito!

Alguns integrantes atuaram diretamente no curta, e foi uma experiência absurdamente divertida — e exaustiva também, porque gravar cinema exige uma dedicação gigante —, mas valeu cada segundo. Além de atuar, também seremos responsáveis pela trilha sonora do filme, com composições nossas embalando as cenas além da trilha mesmo feita especialmente pro filme que está sendo composta.

É um projeto que une o Heavy Metal e o cinema de horror. As gravações foram incríveis e em breve vamos soltar mais novidades e detalhes sobre o lançamento!


RtM: Bom, muito obrigado pela entrevista, e finalizando, para quem ainda não conhece o Phantom Star, qual é a principal mensagem que você gostaria que o público levasse após ouvir o álbum completo pela primeira vez?
ML: Gostaria que o público sentisse que o Heavy Metal continua vibrante, sincero e cheio de energia para contar histórias marcantes. Mais do que apenas ouvir uma sequência de faixas, nossa intenção é que a audição completa seja uma jornada imersiva — que transporte a pessoa para dentro do nosso universo, faça pensar sobre temas do nosso mundo real e desperte aquela chama do Metal que nos apaixona desde sempre.


Phantom Star é:
• Matheus Luciano – Vocais 
• Lucas Licheski – Guitarra
• Maurício “The Fox” – Guitarra
• Ricke Nunes – Baixo 
• Maurício “Muh” Vastrinche – Bateria
• Lucas Shred – Teclados e backing vocals









Interview - Phantom Star: The Rise of the Cosmic Heavy Metal

 

By: Caco Garcia

Versão em Português 

Formed in 2024 in Curitiba (PR - Brazil), Phantom Star emerged with a well-defined proposal, bringing together experienced musicians who already had contact and friendships, and all this resulted in a natural personality and cohesion, reflected in the acclaimed debut album, released on June 20, 2026.

We talked with Matheus Luciano (vocals), who told us more about the great reception of Phantom Star's work, details about the album, and perspectives and expectations going forward. Check it out!


RtM: Phantom Star was born in 2024, but brings together musicians with a long history in Metal. How did this collective experience allow the band to emerge with such a solid identity right from the debut album?

Matheus Luciano: Phantom Star was born with a very well-defined direction. From the first meetings, we had absolute clarity about the sound we wanted to make and the goals we aimed to achieve as Heavy Metal musicians. There was no time wasted looking for a direction; the proposal was conscious from the first rehearsal. 

Added to that, the human factor made all the difference: we've been great friends for many years. This brotherhood and mutual respect create a natural harmony that goes far beyond technique. When you combine an artistic vision aligned with years of friendship and complicity, the synergy in the studio and on stage happens almost instinctively.

This chemistry between the members was the fuel that allowed the band to emerge with the solidity and maturity of a long-established group.


RtM: The debut presents a Heavy Metal that  yourselves define by epic, cosmic, and cinematic elements. How did this concept emerge, and what was the starting point for building this identity?

ML: This concept was born extremely naturally from the fusion of our passions not only in music, but also in the field of literature, cinema, and the arts in general. We've always been fascinated by bands that don't just focus on sound, but bring a theatrical and conceptual dimension—whether in aesthetics, stage presence, or the dramatic construction of their compositions.

For us, Heavy Metal has always been an immersive art. Combining the weight of the riffs with an epic narrative and a striking visual identity was an organic evolution of this shared taste. We wanted the listener to feel this theatricality from the very first second: in the atmosphere of the keyboards, the tempo changes, the lyrics, and even the album art. It's this richness of artistic references that gives Phantom Star its dramatic, cosmic, and cinematic aura.

RtM: It's possible to perceive influences from bands like Virgin Steele, King Diamond, Savatage, Queensrÿche, and Crimson Glory, but the result sounds quite original. How did you refine and balance the homage to these references with the search for your own sound?

ML: We are deeply honored by the mention of some of our greatest idols and direct influences. I believe the great secret to balancing homage with originality lies in how each member filters their references to express themselves authentically.

We know exactly the territory we're treading on — the universe of classic and traditional Heavy Metal — so we never need to adhere to rigid rules or worry about following ready-made formulas to "prove" that we are metal.

The priority has always been to use this baggage to build sincere arrangements with our own signature, without the intention of sounding like a dated copy or like bands that only repeat the past.

We treat these influences as a foundation, not as a limitation.


RtM: The lyrics touch on themes such as the Inquisition, mythology, fantasy, and other narratives. What else inspires the songwriting process: books, films, history, RPGs, fantasy literature?

ML: We consume a lot of these media in our daily lives. Books, games, RPGs, comic books, fantasy literature, and cinema have always been part of our routine and end up flowing naturally into the songwriting process. These are very rich sources for creating stories, metaphors, and scenarios that blend well with the weight of the music.

At the same time, we don't live isolated in a fantasy bubble. Everyday issues, personal experiences, and views on the world around us—including social and political aspects—also enter the equation. After all, as independent musicians in Brazil, it's inevitable to be impacted by the reality in which we live.

Using themes like the Inquisition or fantastical narratives is usually our way of talking about very current things, like fanaticism and the search for freedom. In the end, inspiration comes from everything we read, play, watch, and experience.

RtM: The vocal interpretation is quite striking due to its theatrical character, while the keyboards reinforce the entire cinematic atmosphere of the songs. From the beginning, did you have this concern about making each song sound like a small soundtrack?

ML: Absolutely. My interpretation aims to bring a unique dramatic weight, because I try not only to sing, but to truly interpret and bring each narrative to life, which imprints a very strong personality on the compositions.

The addition of keyboards, in fact, happened some time later in the band's formation, precisely to reinforce this intention. We felt we needed an element that would amplify this "storyteller" atmosphere that we love so much in Heavy Metal. The keyboard came to fill that space, creating the layers, the tension, and that cinematic atmosphere that makes each song function as a way to bring the listener into the lyrics.


RtM: The visual art of Phantom Star is also impressive, from the cover art to the identity in the promotional materials. How important is the visual concept to complement the band's musical experience?

ML: For us, visual art is simply indispensable. When we think of great references in Heavy Metal, Classic Rock, and Progressive Rock—with Iron Maiden perhaps being the most obvious and brilliant example—we realize that the visual concept has always been one of the fundamental pillars in building a band's identity.

We've always seen the cover art, illustrations, and all promotional material as a direct extension of our music, and not just as "packaging." Striking artwork prepares the listener for the album's atmosphere even before the first riff.


RtM: The title track "Phantom Star" seems to synthesize everything the band represents musically. Do you also see it as the song that best translates the essence of the group?

ML: Yes, definitely. Because it carries the band's own name, it was conceived to be a true declaration of intent and a synthesis of our work from the most epic point of view.

The title track translates very well the conceptual theme and, above all, the visual identity that we sought to bring to this first album. Musically, it delivers the perfect balance of our sound: it manages to navigate the most progressive, atmospheric, and elaborate nuances without ever abandoning the weight and energy of traditional Heavy Metal.

RtM: “I’Am the Storm” and “Witch Hunt” have been two that stand out in the public's preference.

ML: “I’m the Storm” and “Witch Hunt” have truly become fundamental pillars for us, and we believe that choosing them as singles was a very good decision!


RtM: Well, I'd like you to comment a little more on these two tracks, the inspirations, and how they were refined until the final version.

ML: “I’m the Storm,” besides a very catchy riff and a lot of melody, carries a message of sovereignty and the recovery of pride in our native peoples. It's a strong critique of the destruction and disrespect towards our nation.

The idea for the lyrics already existed well before certain unbelievable political events that we've seen recently in the country; It wasn't planned to release it at this specific moment, but the current context and the electoral scenario ended up making the message even more vivid and urgent.

A striking fact was that Lucas Shred joined on keyboards shortly after the release of this track, which allowed us to rework its dynamics and layers live with the very atmospheric keyboard that turned out incredible.


RtM: It really seems like it was conceived for this current moment. That's a very interesting perspective. And "Witch Hunt"?

ML: "Witch Hunt" explores a darker side, using the historical theme of witch hunts as a clear metaphor for fanaticism, persecution, and intolerance. We sought to bring this discussion directly to the present day, drawing an urgent parallel with the sad reality of femicide and violence against women—cases in which women continue to be persecuted, judged, and silenced, often simply for the way they dress or position themselves.

Musically, it has a more measured pace, long guitar solos, and very dramatic and theatrical vocal interpretations, drawing directly from masters like King Diamond and Mercyful Fate. The polishing in the studio was extremely quick, flowing with contributions and ideas from all the members. It works so well and transmits such a strong energy that it naturally became the opening track for our shows.


RtM: Complementing this topic, do you use these tracks that end up gaining more prominence with the public as a parameter for, perhaps, future directions? And it's interesting that many times bands bet that this or that song would be better received, and often that doesn't happen, and some unexpected highlights emerge.

ML: Absolutely. The audience's response is always a valuable barometer, but we believe that the direction for future compositions should come naturally.

The case of "Phantom Star" is the perfect example of this: being a long, technical track full of tempo changes, we didn't imagine it would gain such appeal.

The live performance was so immediate and became one of the album's highlights among fans. This kind of surprise is incredible because it shows that Heavy Metal listeners value complexity and depth when they are delivered with authenticity.

We see this debut album as a solid root that we have just planted. It established the foundations of Phantom Star's sound. For the next work, the idea is not simply to "copy the formula" of the most listened-to tracks, but rather to take all this positive reception and accumulated maturity to deepen and expand these ideas with even more weight, refinement, and identity.


RtM: Releasing such a naturally consistent debut, which has been receiving such a great reception, creates expectations for the future. Is there any direction you would like to explore in future works, or is there still much of this universe created in the first album to be developed?

ML: The public's response to our debut album gives us incredible energy to take the next steps. We feel that we have lit an important flame, but there is still a whole universe of this initial essence to be explored and expanded.
One of our biggest goals and dreams from the beginning is to create a 100% conceptual album — and that may be much closer to happening than you imagine. 

Our main references are masterpieces of the genre such as Abigail (King Diamond), Operation: Mindcrime (Queensrÿche) and Seventh Son of a Seventh Son (Iron Maiden).

We want this evolution to happen organically, but the focus is clear: the next chapter of Phantom Star will be designed to deliver a truly captivating, dark and terrifying story, where music and narrative merge in a transcendental way.


RtM: The album has also sparked interest from labels abroad, with releases on vinyl and cassette. Tell us more about these releases and if there are possibilities and contacts from the European continent or other markets.

ML
: We are extremely happy with this response. Brazil is currently experiencing a fantastic moment for traditional Heavy Metal, thanks to the consistent work of bands we greatly admire, such as Trovão, Creatures, Hellway Train, Electric Poison, Facing Fear, Blades of Steel, and others. This strong scene is causing the European and international markets to look at metal made here with great respect and attention.

Classic Metal's distribution is excellent outside the country and has been fundamental in getting our music to new territories. We managed to close a partnership with the North American label Frequency Junction for an extremely limited vinyl edition, and also with the Bolivian label Maniac Forces for a beautiful cassette tape version.


RtM: That's great! A very significant return from this debut.

ML
: Yes, and in addition to the direct feedback we're getting from Europe through our Bandcamp, we need to highlight the role of the NWOTHM Full Albums channel. They are giants in the task of showcasing classic Heavy Metal on a global stage, and we have a lot to thank Anderson and his team for this support. Ultimately, it's a very rich and vibrant movement, and we see enormous potential for the growth of this scene both abroad and in Brazil.


RtM: I heard from a source that you'll be participating in a horror short film, with music on the soundtrack and also acting. That's really cool! What can you tell us about this project?

ML
: Yes, it's true! We were invited by a film collective from PUC and I think that, at the moment they called us, they didn't even imagine how much our sound and our entire visual concept had to do with the film's story. It was a perfect match!

Some members acted directly in the short film, and it was an incredibly fun experience — and exhausting too, because filming requires a huge amount of dedication — but it was worth every second. In addition to acting, we will also be responsible for the film's soundtrack, with our compositions accompanying the scenes in addition to the soundtrack itself, which is being composed especially for the film.

It's a project that unites Heavy Metal and horror cinema. The recordings were incredible, and we'll be releasing more news and details about the launch soon!


RtM: Well, thank you very much for the interview, and finally, for those who don't yet know Phantom Star, what is the main message you would like the audience to take away after listening to the entire album for the first time?

ML: I would like the audience to feel that Heavy Metal continues to be vibrant, sincere, and full of energy to tell memorable stories. More than just listening to a sequence of tracks, our intention is that the complete listening experience be an immersive journey—that transports the person into our universe, makes them think about themes of our real world, and awakens that flame of Metal that has always captivated us.

Phantom Star are:
• Matheus Luciano – Vocals
• Lucas Licheski – Guitar
• Maurício “The Fox” – Guitar
• Ricke Nunes – Bass
• Maurício “Muh” Vastrinche – Drums
• Lucas Shred – Keyboards & backing vocals







Cobertura de Show: Saturnus – 06/10/2026 – Burning House/SP

A estreia do Saturnus no Brasil finalmente se concretizou na terça-feira, 6 de outubro, quando a banda dinamarquesa subiu ao palco da Burning House, em São Paulo, para uma apresentação que fez valer a longa espera. Mesmo com um público modesto, reflexo de uma noite de meio de semana, a recepção foi bastante animada, e o grupo correspondeu com uma performance intensa, repleta de nuances e passagens emocionais. Mais do que um show de metal, o que se viu foi uma experiência musical imersiva, capaz de transformar a casa em um grande teatro, no qual cada composição conduzia o público por diferentes paisagens sonoras.

A apresentação começou com “The Storm Within”, seguida por “Empty Handed”, estabelecendo desde os primeiros minutos a identidade do death/doom metal melódico do grupo. O som estava excelente, permitindo que todos os detalhes dos arranjos fossem apreciados, das guitarras carregadas de melancolia às linhas de baixo e bateria que sustentavam a atmosfera densa. Os teclados de Mika Filborne acrescentavam profundidade às composições, enquanto as guitarras de Indee Rehal-Sagoo e Julio Fernandez alternavam peso e delicadeza. Em vez de apostar apenas na agressividade, o Saturnus demonstrou como o silêncio, a cadência e a construção gradual das melodias podem ser tão impactantes quanto os momentos mais pesados.

Antes de “Softly on the Path You Fade”, o vocalista Thomas A.G. Jensen demonstrou toda a felicidade por finalmente estar no Brasil. Ele comentou que a situação parecia surreal, considerando a distância percorrida até o outro lado do mundo, e brincou com o cansaço, a falta de sono e a confusão provocada pela viagem, embora todos ainda tivessem discernimento para seguir o caminho até o fim. A sinceridade da fala aproximou o músico dos presentes e tornou o momento ainda mais especial. Na sequência, “Pretend” veio acompanhada de agradecimentos e de uma interação descontraída: quando alguém da plateia pediu mais uma hora de apresentação, o simpático vocalista respondeu que poderia tocar até mais, arrancando reações bem-humoradas. Durante o trecho instrumental de “Inflame Thy Heart”, Jensen chegou a deixar o palco para recuperar o fôlego, enquanto os demais músicos mantinham a música em movimento.

O repertório prosseguiu com “A Father's Providence” e “Embraced by Darkness”, esta última precedida por uma situação divertida. Um fã começou a gritar “Saturnal”, provocando risadas, até que Jensen corrigiu o nome da banda em alto e bom som: “Saturnus!”. A descontração, porém, não diminuía a intensidade da apresentação. Em “Breathe New Life” e “Forest of Insomnia”, as belas melodias surgiram em meio à melancolia característica da banda, criando alguns dos momentos mais envolventes da noite. A execução cuidadosa e a excelente qualidade sonora favoreciam a percepção de cada camada instrumental, enquanto a banda explorava as mudanças de andamento e os contrastes entre passagens delicadas e trechos mais densos. Era como acompanhar uma narrativa que se desenvolvia lentamente, sem perder a força dramática.

A reta final trouxe “All Alone”, “I Long” e “Christ Goodbye”, encerrando uma apresentação que privilegiou a atmosfera e a imersão do início ao fim. Jensen, visivelmente satisfeito com a recepção brasileira, fez questão de agradecer ao público e afirmou que a passagem pelo país representava a realização de um sonho. Também elogiou o Brasil e manifestou o desejo de retornar com um novo trabalho.

A estreia brasileira do Saturnus deixou a impressão de uma banda que compreende plenamente a própria linguagem musical e sabe transformá-la em uma experiência ao vivo. A quantidade de pessoas presentes não foi o fator determinante: quem compareceu encontrou uma apresentação executada com dedicação, sonoridade impecável e uma sucessão de climas que manteve a atenção do começo ao fim. Entre a melancolia das melodias, o peso das guitarras e a simpatia de Jensen, a Burning House ganhou a dimensão de um grande teatro, no qual cada música parecia ocupar seu próprio cenário. A despedida, marcada pela gratidão e pela promessa de um possível retorno, encerrou uma noite especial para os fãs brasileiros do death/doom metal.

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: André Tavares


Realização: Caveira Velha Produções


Saturnus – setlist

The Storm Within

Empty Handed

Softly on the Path You FadePretend

Inflame Thy Heart

A Father's Providence

Embraced by Darkness

Breathe New Life

Forest of Insomnia

All Alone

I Long

Christ Goodbye


Cobertura de Show: Old Man's Child – 26/09/2026 – Burning House/SP

O black metal norueguês do Old Man’s Child finalmente se encontrou com o público brasileiro em uma noite marcada por intensidade, peso e uma boa dose de nostalgia. A estreia aconteceu na Burning House, em São Paulo, no último dia 26/09, fazendo parte da turnê Return To The Throne Latin America. Formado em 1993, em Oslo, por Thomas Rune Andersen, o lendário Galder, a partir das cinzas do projeto thrash/death Requiem, a banda se consolidou como um grande expoente da segunda onda do black metal, misturando melodias memoráveis, atmosferas sombrias e uma dose generosa de virtuosismo. 

Depois de sete álbuns clássicos (de Born of the Flickering, de 1996, até Slaves of the World, de 2009) e longos anos de hiato enquanto Galder brilhava no Dimmu Borgir, o retorno foi anunciado com força total após sua saída da banda, em 2024. A noite ainda contou com a abertura da banda brasileira Evoked.

Responsáveis por abrir a noite, os pernambucanos do Evoked mostraram sua força dentro da cena nacional de black metal. Formado em Recife, em 1997, a banda passou por um hiato entre 2000 e 2019 e atualmente conta com Sorcerer Do’Urden (Diego Do’Urden) nos vocais, guitarra e teclados, HellishKiller no baixo e Apophis na bateria. 

Vestidos com corpsepaint e uma imponente armadura, o trio apresentou na íntegra seu único álbum de estúdio, “Warfare of the Gods”, lançado em 2025 e composto por 11 faixas originalmente concebidas por Sorcerer Do’Urden entre 1997 e 1999. Com uma performance intensa, pesada e carregada das atmosferas sombrias que caracterizam o trabalho, o Evoked conseguiu chamar a atenção dos presentes com uma performance consistente, mostrando que o black metal brasileiro não deve nada a ninguém.

Assim que as luzes se apagaram e Galder (vocais e guitarra), Cyrus (guitarra), Elvorn (baixo) e Tjodalv (bateria) subiram ao palco, a passagem sem volta para o obscuro se iniciou com “Towards Eternity”. Galder parecia possuído; durante as partes instrumentais, ele não parava: ia de um canto a outro, gesticulava, se conectava visualmente com o público e transformava cada solo em um momento de interação. A química com o público brasileiro foi imediata, e o carisma do frontman só aumentou a cada música. 

Antes de “King of the Dark Ages”, ele gritou: “Obrigado Brasil, vocês são maravilhosos, as melhores pessoas do mundo!”, e o público respondeu cantando a melodia do meio da música em uníssono. Em seguida, veio “Doommaker”, precedida pela declaração sincera: “Vocês destroem, eu não estava esperando tudo isso”. A recepção calorosa cresceu em “Hominis Nocturna”, uma das mais comemoradas da noite, e, antes de “Born of the Flickering”, a banda inteira foi ovacionada.

O setlist percorreu praticamente toda a discografia com inteligência e peso. “The Soul Receiver” e “Twilight Damnation” mantiveram o nível altíssimo; nesta última, Galder foi ovacionado e retribuiu gritando: “Brasil, Brasil, Brasil!”. “God of Impiety” e, especialmente, “Soul Possessed” marcaram a virada para o caos: a partir daí, as rodas começaram e rolou até crowd surfing. 

O clima de celebração continuou em “The Dream Ghost”, quando Galder brincou: “Hoje é sábado e então amanhã não tem que trabalhar, então vamos curtir”. “Unholy Vivid Innocence” manteve a intensidade até o grandioso fechamento com “The Millennium King”. Antes dessa última, o líder da banda agradeceu de coração e declarou que “sem o público eles não são nada” e que “definitivamente voltarão quando lançarem o disco novo”.

A performance do Old Man’s Child foi espetacular do início ao fim. A banda soou precisa, pesada e conectada, enquanto Galder se mostrou um showman completo: técnico, carismático e genuinamente feliz de estar no Brasil. Foi o retorno de um rei ao trono que nunca deixou de ser seu. Depois de mais de três décadas de história e de um longo intervalo sem material inédito, os noruegueses encerraram sua passagem pelo Brasil deixando a sensação de que não apenas revisitaram seu passado, mas reacenderam um projeto que ainda pretende escrever novos capítulos. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant'Anna


Realização: Caveira Velha Produções 


Old Man's Child – setlist:

Towards Eternity

 King of the Dark Ages

 Doommaker

 Hominis Nocturna

 Born of the Flickering

 The Soul Receiver

 Twilight Damnation

 God of Impiety

 Soul Possessed

 The Dream Ghost

 Unholy Vivid Innocence

 The Millennium King

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Jaded Heart: Mantendo a Força (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Após mais de quatro anos, o Jaded Heart retorna com Toxic, um álbum que reafirma a força da banda no cenário europeu do hard rock melódico. Com riffs pesados, vocais poderosos e refrões feitos para grudar na memória, o grupo aposta em uma fórmula que equilibra o apelo melódico do hard rock com a energia do metal clássico. Entre os destaques está uma nova versão acústica de “Remembering”, originalmente lançada em Guilty By Design (2016), que acrescenta uma dimensão mais intimista ao repertório.

A formação atual reflete diferentes momentos da trajetória do Jaded Heart. O baixista Michael Müller é o único integrante remanescente da formação original, ao lado do vocalista Johan Fahlberg, do guitarrista Peter Östros e do baterista Bodo Stricker. Embora a configuração tenha mudado ao longo dos anos, a banda preserva os elementos que consolidaram sua identidade: melodias fortes, guitarras encorpadas e uma abordagem que transita com naturalidade entre o hard rock e o heavy metal.

A abertura com “We Come Alive” traduz bem a proposta do álbum. Vibrante e direta, a faixa combina guitarras gêmeas que remetem à tradição do Judas Priest com um refrão imediatamente cativante. É uma introdução que demonstra a disposição da banda em apostar na força das composições, sem recorrer a excessos ou virtuosismos desnecessários. O mérito está na execução coletiva, com cada instrumento ocupando seu devido espaço e contribuindo para um resultado coeso.

“One By One”, primeiro single do disco, mantém essa linha, mas acrescenta um pouco mais de cadência. O baixo ganha presença nos momentos que antecedem o crescimento dramático da música, preparando o terreno para mais um refrão construído para permanecer na cabeça do ouvinte. Na sequência, “Hell Driver” completa uma trinca inicial bastante eficiente. Com uma estrutura que dialoga com a faixa anterior e uma pegada hard ’n’ heavy, a música reforça o equilíbrio entre o hard rock melódico e as influências do metal tradicional. São três faixas que estabelecem rapidamente a identidade de Toxic e convidam o ouvinte a seguir adiante.

A faixa-título inaugura um momento mais cadenciado e pesado, sustentado por riffs de guitarra expressivos. Os vocais de apoio, mais próximos da tradição do hard rock, ampliam o impacto melódico e conduzem a música a outro refrão marcante. As mudanças de andamento ajudam a construir a dinâmica da composição, mas o grande destaque está na passagem que antecede o solo: uma seção trabalhada com cuidado, que eleva a dramaticidade e confere à faixa um caráter quase épico.

“Black Angel” mantém essa atmosfera grandiosa, mas sem simplesmente repetir a fórmula. A energia aparece desde os primeiros instantes, enquanto a interpretação de Johan Fahlberg assume papel central na construção da música. Seu desempenho vocal acrescenta personalidade e intensidade à composição, evidenciando uma das principais qualidades do álbum. Ao final dessa primeira sequência, fica clara a capacidade do Jaded Heart de reunir canções distintas em torno de uma identidade sonora consistente, sem comprometer a fluidez do conjunto.

Na segunda metade, “Dogs of War” desloca o foco para o heavy metal tradicional. Mais rápida e pesada, a faixa apresenta um solo de abertura que antecipa sua orientação musical, enquanto a bateria de Bodo Stricker imprime força e precisão à execução. O refrão segue uma abordagem mais direta, sem grandes ornamentações, mas perfeitamente adequada à proposta. Aqui, a banda demonstra que sabe privilegiar o impacto e a objetividade quando a composição exige.

“Shadows Awaken” recupera o clima hard ’n’ heavy, desta vez com uma condução mais cadenciada e um refrão particularmente elaborado. Os vocais de apoio desempenham papel fundamental na construção melódica, ampliando a voz principal e criando momentos que se aproximam de um coro. Os teclados, presentes também em outras passagens do disco, acrescentam camadas e aumentam a dramaticidade do arranjo. O resultado é uma das composições que melhor sintetizam a capacidade do Jaded Heart de combinar peso, melodia e grandiosidade.

A nova versão acústica de “Remembering” oferece uma pausa bem-vinda depois de uma sequência marcada por guitarras pesadas e refrões grandiosos. Originalmente lançada em Guilty By Design, a música ganha outra atmosfera, permitindo que os detalhes do arranjo ocupem o primeiro plano. Os timbres acústicos de guitarra e baixo, a percussão orgânica e o trabalho cuidadoso dos vocais principais e de apoio revelam nuances que contrastam com a intensidade predominante no restante do álbum. Mais do que um simples interlúdio, a releitura funciona como uma demonstração da versatilidade dos músicos.

“Face the Day” retoma o hard rock em uma abordagem mais cadenciada, com o baixo assumindo papel importante na sustentação da base e a guitarra acrescentando contornos melódicos ao redor dos vocais. Os backing vocals voltam a ser um dos trunfos da composição, reforçando a melodia principal e conferindo ao refrão uma dimensão quase coral. É mais um exemplo da habilidade da banda para construir canções acessíveis sem abrir mão de uma instrumentação robusta.

De acordo com a tracklist oficial da Frontiers Records, “Broken Glass Sunrise” encerra o álbum. Curta e instrumental, a faixa recupera a tradição dos instrumentais de guitarra do hard rock e do metal clássico, colocando a execução dos músicos em evidência. Em vez de concluir o disco com outro refrão grandioso, o Jaded Heart opta por um desfecho que privilegia a abordagem instrumental e deixa uma última impressão da competência técnica do quarteto.

Há ainda uma observação sobre “Born in Fire”. A faixa aparece no material de repertório enviado pela própria gravadora, embora não conste na tracklist oficial consultada. Musicalmente, segue uma direção mais cadenciada, com a base pesada do metal contrastando com um refrão de orientação claramente hard rock. É uma composição que deve agradar aos admiradores da banda, mas sua condição de faixa bônus e seu eventual lançamento oficial permanecem sem confirmação.

Com Toxic, o Jaded Heart entrega um trabalho consistente, que valoriza os pontos fortes de sua identidade sem depender de grandes reinvenções. A alternância entre passagens mais próximas do hard rock melódico e momentos de maior peso, somada à eficiência dos refrões e à coesão instrumental, mantém o álbum interessante ao longo de sua execução. A banda sabe quando apostar na contundência e quando abrir espaço para a melodia, enquanto a interpretação de Johan Fahlberg e os arranjos vocais reforçam a personalidade das composições.

O resultado é um disco que reafirma o Jaded Heart como um nome relevante do hard ’n’ heavy europeu. Sem complicar aquilo que faz bem, o grupo reúne experiência, energia e boas canções em um álbum que tem potencial para figurar entre os destaques do gênero em 2027. Para quem acompanha a trajetória da banda ou simplesmente aprecia hard rock melódico com guitarras pesadas e refrões marcantes, Toxic é um retorno que merece atenção.

***ENGLISH VERSION***

After more than four years, Jaded Heart return with Toxic, an album that reaffirms the band’s standing in the European melodic hard rock scene. Packed with muscular riffs, powerful vocals and choruses designed to stick, the record strikes a balance between hard rock’s melodic appeal and the punch of classic heavy metal. Among its highlights is a new acoustic version of Remembering, originally featured on 2016’s Guilty By Design, which brings a more intimate dimension to the album.

The current lineup reflects different chapters in Jaded Heart’s history. Bassist Michael Müller is the sole remaining member of the original lineup, joined by vocalist Johan Fahlberg, guitarist Peter Östros and drummer Bodo Stricker. Although the band’s personnel has evolved over the years, its defining ingredients remain intact: strong melodies, muscular guitars and a sound that moves naturally between hard rock and heavy metal.

The album gets off to a flying start with We Come Alive, a vibrant, no-nonsense opener that sets the tone for what follows. Its twin-guitar attack recalls the tradition of Judas Priest, while an immediately engaging chorus gives the song plenty of melodic appeal. It is an effective introduction that demonstrates the band’s commitment to strong songwriting without unnecessary flourishes or displays of virtuosity. The real strength lies in the collective performance, with each instrument finding its place and contributing to a cohesive whole.

One By One, the album’s lead single, follows a similar path but introduces a slightly more measured pace. The bass comes further to the fore in the passages leading into the song’s dramatic build-up, setting the stage for another chorus built to linger long after the music stops. Hell Driver completes a highly effective opening trio. Driven by a hard ’n’ heavy approach and a structure that echoes its predecessor, the track reinforces the album’s balance between melodic hard rock and traditional metal. These first three songs establish Toxic’s identity with little fuss and make a compelling case for hearing what comes next.

The title track opens with a heavier, more deliberate groove, built around some fine guitar riffs. The backing vocals lean towards classic hard rock, adding melodic depth and paving the way for another memorable chorus. Changes in pace give the song a welcome sense of movement, but the real highlight is the extended passage leading into the solo. Carefully constructed and rich in drama, it elevates the track and lends it an almost epic quality.

Black Angel sustains that grand atmosphere without simply repeating the same formula. The energy is evident from the opening moments, while Johan Fahlberg’s vocal performance becomes a focal point. His delivery brings character and intensity to the song, underlining one of the album’s greatest strengths. By the end of this first run of tracks, Jaded Heart have demonstrated their ability to bring distinct compositions together under a consistent musical identity without sacrificing the album’s momentum.

The second half opens with Dogs of War, which shifts the emphasis towards traditional heavy metal. Faster and heavier, the track announces its intentions with an opening guitar solo, while Bodo Stricker’s drumming adds power and precision. The chorus takes a more direct approach, avoiding unnecessary embellishments while delivering exactly what the song demands. Here, the band shows that it knows when to prioritize sheer impact and keep things straightforward.

Shadows Awaken returns to a hard ’n’ heavy setting, this time with a more measured groove and a particularly elaborate chorus. The backing vocals play a crucial role, reinforcing the lead melody and creating moments that verge on a full-blown vocal ensemble. Keyboards, which also feature elsewhere on the record, add extra layers and heighten the drama of the arrangement. The result is one of the tracks that best captures Jaded Heart’s ability to combine heaviness, melody and grandeur.

The acoustic reworking of Remembering provides a welcome breather after a succession of tracks driven by heavy guitars and big choruses. Originally released on Guilty By Design, the song takes on a different atmosphere, allowing the finer details of the arrangement to come to the fore. The acoustic guitar and bass tones, organic percussion and carefully arranged lead and backing vocals reveal nuances that contrast with the intensity dominating the rest of the album. More than a simple interlude, the reworking showcases the musicians’ versatility.

Face the Day brings the focus back to hard rock, adopting a more measured approach in which the bass plays a prominent role in anchoring the groove, while the guitar adds melodic flourishes around the vocal lines. The backing vocals are once again a major asset, reinforcing the central melody and giving the chorus an almost anthemic, choir-like quality. It is another example of the band’s knack for writing accessible songs without compromising on muscular instrumentation.

According to Frontiers Records’ official track listing, Broken Glass Sunrise closes the album. Short and instrumental, the track draws on the tradition of guitar-led hard rock and classic metal instrumentals, putting the musicians’ playing firmly in the spotlight. Rather than ending with another grand chorus, Jaded Heart opt for an instrumental finale that highlights the quartet’s technical ability and leaves the listener with one last reminder of its musical credentials.

One further point concerns Born in Fire. The track appears on the track list supplied by the record label, although it is absent from the official album listing consulted. Musically, it follows a more measured path, contrasting a heavy metal foundation with a distinctly hard rock chorus. It should appeal to the band’s fans, but its status as a bonus track and the possibility of an official release remain unconfirmed.

With Toxic, Jaded Heart deliver a consistent record that plays to the band’s strengths without relying on a radical reinvention. The shifts between melodic hard rock and heavier passages, coupled with efficient choruses and tight ensemble playing, keep the album engaging throughout. The band knows when to turn up the aggression and when to give the melodies room to breathe, while Johan Fahlberg’s vocals and the carefully crafted vocal arrangements reinforce the songs’ character.

The result is an album that reaffirms Jaded Heart’s position as a notable force in European hard ’n’ heavy. By keeping things straightforward and focusing on what it does best, the band brings experience, energy and strong songwriting together in a record that could well rank among the genre’s highlights of 2027. For longtime followers and anyone with a taste for melodic hard rock, heavy guitars and memorable choruses, Toxic is a return worth hearing.

Tobias Steining

Graveyard: Peso e Atitude à Moda Antiga

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Graveyard gira a chave e entrega seu melhor álbum em “Fever”

Por Paula Butter - @paulabutter.rocks

A banda sueca Graveyard presenteou nossos ouvidos com seu novo álbum Fever nesta sexta-feira, dia 9 de outubro de 2026, pela Nuclear Blast. Após três anos desde o lançamento de Six, os músicos de Gotemburgo finalmente vieram com uma obra audaciosa, forte e que chega para impor seu lugar no rock pesado com muito blues, emoção e técnica. Afinal, nada é por acaso.

A banda declarou que este sétimo álbum era possivelmente seu melhor até agora e, após ouvir as nove faixas de Fever, é preciso concordar sem ressalvas. Nos dois primeiros singles lançados antecipadamente, já se podia sentir uma mudança sutil no som da banda, que antes estava um pouco tímida, introspectiva. E não era para menos: o álbum Six trouxe muita qualidade musical, mas foi uma composição pós-pandemia, portanto mais melancólica.

Agora, parece que o Graveyard girou a chave e trouxe mais peso, mais blues, mais sons crus, orgânicos; inclusive, o processo de gravação foi bem intimista. O resultado disso é uma obra que vale a pena colocar na íntegra em sua playlist, principalmente se você é fã daquele rock pesado, ainda com as raízes do blues que pairavam nos anos 70.

A primeira faixa, “Back From The Grave”, já diz tudo: com um blues pesado bem setentista, cheio de “mojo”, dá o recado para o que vem a seguir: “Tongue Tied”, um rock n’ roll de primeira qualidade, com aquele “som de vinil”, solo ritmado, bateria em forma e os vocais rasgados de Joakim Nilsson nos momentos certos e, literalmente, “Blow away”!

Na sequência, a ácida e adorável “A Better Cut (Note To Self)”, que nos brinda com um refrão digno de cantarolar o dia todo. Inclusive, deixo-a como destaque, juntamente com a surpresa “A Means To An End”: que perfeição, digna do videoclipe que foi lançado há algumas semanas.

Contamos também com a mais tímida “Time To Tell” e com o peso e a agressividade de “Year Of The Horse”. O recado está escancarado nas letras e refrões: música feita com vontade e garra, para não sobrarem dúvidas de que o Graveyard veio para ficar. Neste ponto da audição, você já se encontra bem mais motivado para encarar o dia e até arrisca cantar junto, sensações espontâneas que nem todos os álbuns proporcionam. Apesar de o álbum contar com muitas passagens instrumentais (e é sabido que muita gente torce o nariz para isso), elas passam com um ritmo que te prende.

A banda fecha com maestria, com “Room Tempered” e a inusitada balada bluseira “Dead Note”. Por fim, todas as músicas são dignas de uma trilha sonora atemporal, sempre com um passo no presente e na evolução do som, mas soando como se estivéssemos em tempos passados. Destaque para a arte da capa de Fever, que conta com muita psicodelia e criatividade. É interessante também assistir ao “GRAVEYARD - Making of Fever”, disponível no YouTube oficial da banda, em que eles mostram em detalhes a produção do álbum e todos os equipamentos utilizados, alguns bem “old school”, sempre deixando o talento humano em primeiro lugar. 

Um recado final para aqueles que não tiveram a oportunidade de ver estes músicos ao vivo: curtam as músicas e, na primeira oportunidade, agarrem seus ingressos!

Divulgação 


Graveyard - Fever - Tracklist:

01 Back From The Grave

02 Tongue Tied

03 A Better Cut (Note To Self)

04 Year Of The Horse

05 A Means To An End

06 Time To Tell

07 Don’t Shoot!

08 Room Tempered

09 Dead Note