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terça-feira, 25 de março de 2025

Cobertura de Show: Atreyu – 20/03/2025 – Carioca Club/SP

 Atreyu em São Paulo: Um show que valeu 25 anos de espera (com suor e donuts!)

Se você estava no Carioca Club na última quinta-feira, 20 de março, sabe que o Atreyu não veio ao Brasil apenas para tocar — veio para fazer história. E, cá entre nós, eles fizeram isso com direito a suor escorrendo “rego abaixo”, donuts voando pelo ar, e uma energia que deixou claro: o metalcore ainda tem muito fôlego (e fãs apaixonados).

A noite começou com um “pré-show” inusitado. Enquanto o público ainda chegava, Brandon Saller, o vocalista que parece ter sido feito para liderar multidões, subiu ao palco e anunciou que, como não havia banda de abertura, a equipe técnica da banda faria um “esquenta” com alguns covers. E não foram covers qualquer: Pantera e Metallica deram o tom, com um fã sortudo cantando “Sad But True” no palco. Para fechar com chave de ouro, Brandon mandou um “I Believe In A Thing Called Love”, do The Darkness, porque, claro, por que não?

Às 21h, com o Carioca Club ainda longe de lotar (culpa da quinta-feira e da agenda cheia de shows em março), o Atreyu entrou no palco ao som de “Sandstorm”, do Darude. Sim, aquela música que todo mundo já ouviu em algum meme ou festa aleatória. E, de repente, o clima de “Summer Eletrohits” deu lugar a um tsunami de metalcore com “Drowning”. A galera já estava cantando no topo dos pulmões, e a energia só aumentou com “Becoming the Bull”, um clássico que fez todo mundo reviver os anos 2000, quando a gente ainda usava MySpace e achava que emo hair era o ápice da moda.

Brandon, que parece ter sido abençoado por algum deus do rock com carisma infinito, não perdeu tempo. Em “The Time Is Now”, ele desceu para a pista, cantou no meio da galera, deu uma passadinha no bar para tomar um drink (sim, isso aconteceu) e ainda voltou para o palco como se nada tivesse acontecido. O cara é um show à parte.

Um dos momentos mais nostálgicos da noite foi quando Brandon reassumiu seu antigo posto na bateria para “Bleeding Mascara”, enquanto o baixista Marc “Porter” assumiu os vocais. A troca de papéis foi tão natural que deu até vontade de pedir bis só para ver mais dessa dinâmica. E falando em nostalgia, o cover de “Like a Stone”, do Audioslave, foi um dos pontos altos da noite. Simples, emocionante e com um ar de despedida, a música fez todo mundo cantar junto, mesmo que com um nó na garganta.

Mas não pense que o show foi só emoção e lágrimas (de suor, claro). O Atreyu mostrou que sabe brincar com o público. Brandon tentou aprender a falar “filha da p***” em português (e quase conseguiu), Travis Miguel mostrou que seu português está afiado (ou pelo menos suficiente para elogiar a galera), e ainda teve parabéns para uma fã aniversariante, que subiu no palco para tirar foto com a banda. Ah, e não podemos esquecer dos donuts que foram arremessados para a plateia — porque, aparentemente, metalcore e donuts são uma combinação perfeita.

O setlist foi uma viagem no tempo, com clássicos como “Ex’s and Oh’s”, “The Crimson” (minha favorita) e “Lip Gloss and Black”, que fechou o encore com chave de ouro. A banda prometeu que não vai demorar 25 anos para voltar ao Brasil, e, depois de um show desses, a gente só pode torcer para que eles cumpram a promessa.

No final das contas, o Atreyu não só fez sua estreia no Brasil, mas também deixou claro por que ainda é uma das bandas mais relevantes do metalcore, que apresentou um dos shows mais divertidos do ano. Com energia, carisma e um setlist que misturou nostalgia e modernidade, eles provaram que, mesmo depois de 25 anos de carreira, ainda sabem como fazer um show inesquecível. E, cá entre nós, a gente já está contando os dias para a volta deles. Atreyu, por favor, não nos façam esperar tanto dessa vez! 



Fotos: Gustavo Diakov (Sonoridade Underground)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Overload



Atreyu – setlist:

Drowning

Becoming the Bull

Right Side of the Bed

Save Us

The Time is Now

When Two Are One

(i)

Bleeding Mascara

Gone

Ex’s and Oh’s

Like a Stone (Audioslave cover)

Battles Drums

Falling Down

The Crimson

Blow

Encore

Lip Gloss and Black

sábado, 15 de março de 2025

ATREYU: A JORNADA DE UMA DAS MAIORES BANDAS DO METALCORE - O INÍCIO, O AUGE, A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL

Por Guilmer Costa da Silva

O Atreyu é uma das bandas mais icônicas e influentes do metalcore, gênero que combina a agressividade do metal com a intensidade emocional do hardcore. Desde sua formação em 1998, na Califórnia, o Atreyu ajudou a moldar o cenário do metal moderno, influenciando uma geração de bandas como Bring Me The Horizon, A Day to Remember e Asking Alexandria. Com uma carreira repleta de altos e baixos, experimentações sonoras e um retorno triunfante, o Atreyu se consolidou como uma das bandas mais importantes do gênero. Vamos mergulhar na história dessa formação lendária, desde seus primórdios até os dias atuais.


O INÍCIO: OS PRIMEIROS PASSOS E A DEFINIÇÃO DO SOM - Visions E Suicide Notes and Butterfly Kisses 

Tudo começou em 1998, em Orange County, Califórnia, quando o vocalista Alex Varkatzas, o guitarrista Dan Jacobs, o baixista Marc McKnight, o baterista Brandon Saller e o guitarrista Travis Miguel se uniram para formar o Atreyu. Inspirados por bandas como Metallica, Pantera e The Misfits, eles buscaram criar um som que misturasse a agressividade do metal com a energia crua do hardcore.

Seu primeiro álbum, Suicide Notes and Butterfly Kisses (2002), lançado pela Victory Records, foi um marco inicial para o metalcore. Com faixas como "Ain't Love Grand" e "Lip Gloss and Black", o álbum trouxe uma combinação única de vocais guturais, melodias cativantes e letras emocionalmente carregadas. A dualidade entre os vocais agressivos de Alex e os vocais limpos de Brandon Saller se tornou uma das marcas registradas da banda.

Curiosidade: O nome "Atreyu" foi inspirado no personagem de A História Sem Fim, um clássico da literatura e do cinema. A escolha reflete a conexão da banda com temas de fantasia e superação, que permeiam suas letras.


O AUGE: A CONSOLIDAÇÃO NO METALCORE - The Curse E A Death-Grip on Yesterday


Com o lançamento de The Curse (2004), o Atreyu alcançou o sucesso mainstream. O álbum trouxe hits como "Right Side of the Bed" e "The Crimson", que se tornaram hinos do metalcore. A combinação de riffs pesados, solos melódicos e letras introspectivas conquistou fãs ao redor do mundo. O videoclipe de "The Crimson" foi amplamente exibido na MTV, ajudando a banda a ganhar visibilidade.

Em 2006, veio A Death-Grip on Yesterday, outro marco na carreira da banda. Com faixas como "Ex's and Oh's" e "Creature", o álbum mostrou uma evolução sonora, com uma produção mais polida e uma abordagem mais melódica. "Ex's and Oh's" se tornou um dos maiores sucessos do Atreyu, sendo tocada incessantemente em rádios e programas de TV.

Curiosidade: O Atreyu foi uma das primeiras bandas do metalcore a incorporar elementos visuais e estéticos mais elaborados em seus shows, como pirotecnia e iluminação dramática, elevando a experiência ao vivo do gênero.



O APOGEU: A DOMINAÇÃO DO MAINSTREAM - Lead Sails Paper Anchor E Congregation of the Damned


Em 2007, o Atreyu lançou Lead Sails Paper Anchor, um álbum que marcou uma guinada mais acessível e experimental. Com influências de rock clássico e metal alternativo, o disco trouxe faixas como "Becoming the Bull" e "Falling Down", que alcançaram grande sucesso comercial. A banda explorou novos territórios sonoros, incorporando elementos de rock sinfônico e até mesmo country, o que dividiu a opinião dos fãs, mas ampliou seu público.

Em 2009, veio Congregation of the Damned, que retomou um som mais pesado, sem abrir mão da abordagem melódica. Com músicas como "Storm to Pass" e "Gallows", o álbum consolidou o Atreyu como uma das bandas mais versáteis do metal moderno. No entanto, após anos de turnês intensas e mudanças no cenário musical, a banda decidiu fazer uma pausa em 2011.



A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL - Long Live E In Our Wake


Após um hiato de dois anos, o Atreyu anunciou seu retorno em 2014, para a alegria dos fãs. Em 2015, lançaram Long Live, um álbum que marcou o renascimento da banda. Com faixas como "Do You Know Who You Are?" e "So Others May Live", o disco mostrou que o Atreyu ainda tinha muito a oferecer, mantendo sua essência enquanto explorava novas sonoridades.

Em 2018, veio In Our Wake, outro álbum aclamado pela crítica e pelos fãs. Com músicas como "The Time Is Now" e "Super Hero", o disco trouxe uma abordagem mais madura e emocional, refletindo as experiências pessoais dos integrantes. A turnê de In Our Wake consolidou o retorno do Atreyu ao topo, com shows lotados e performances energéticas.



A SAÍDA DE ALEX VARKATZAS: UMA MUDANÇA DE CAPÍTULO


A saída de Alex Varkatzas, vocalista e um dos fundadores do Atreyu, em setembro de 2020, marcou um momento significativo na história da banda. Alex foi uma peça fundamental na identidade do Atreyu, contribuindo não apenas com seus vocais guturais característicos, mas também com suas letras emocionalmente carregadas e profundamente pessoais. Sua presença no palco e sua conexão com os fãs eram inegáveis, o que tornou sua saída um choque para muitos.

Em um comunicado oficial, Alex explicou que sua decisão de deixar a banda foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e profissionais. Ele mencionou que, após mais de duas décadas de turnês intensas, gravações e dedicação quase integral ao Atreyu, sentiu a necessidade de priorizar sua saúde mental, sua família e outros projetos pessoais. Alex também destacou que sua paixão pela música e pela arte permanecia intacta, mas que ele precisava de um novo rumo para expressar sua criatividade.

Por outro lado, os membros restantes do Atreyu respeitaram a decisão de Alex e expressaram gratidão por sua contribuição ao longo dos anos. Em entrevistas, Brandon Saller, que assumiu os vocais principais após a saída de Alex, mencionou que a mudança foi desafiadora, mas também uma oportunidade para a banda se reinventar. Ele ressaltou que o Atreyu sempre foi uma entidade em evolução, e a saída de Alex foi mais um capítulo nessa jornada.

Curiosidade: Apesar da saída, Alex e os membros do Atreyu mantiveram um relacionamento amigável. Em várias ocasiões, Alex expressou apoio à banda e ao álbum Baptize (2021), o primeiro sem sua participação. Ele também continuou envolvido em projetos musicais e artísticos, explorando novas formas de expressão criativa.

A saída de Alex Varkatzas representou o fim de uma era, mas também o início de uma nova fase para o Atreyu. A banda provou que, mesmo sem um de seus pilares originais, poderia continuar evoluindo e mantendo sua relevância no cenário do metalcore. Para os fãs, Alex sempre será lembrado como uma voz icônica que ajudou a definir o som e a identidade do Atreyu durante seus anos mais influentes.



O QUE ESPERAR DO FUTURO?

O Atreyu continua ativo, com uma formação que inclui Brandon Saller (vocais e bateria), Dan Jacobs (guitarra), Travis Miguel (guitarra), Marc McKnight (baixo) e Kyle Rosa (bateria). A banda segue tocando em festivais e turnês ao redor do mundo, levando sua música a novas gerações de fãs.

Com mais de duas décadas de carreira, o Atreyu é uma das bandas mais importantes do metalcore. Sua influência é sentida em todas as gerações do gênero, e sua música continua a inspirar milhões de fãs. Enquanto estiverem no palco, o espírito do Atreyu viverá, provando que o metalcore é, de fato, eterno.

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SOBRE O SHOW

Os californianos do Atreyu finalmente desembarcam no Brasil para um show único e imperdível! A banda, que mescla metalcore e hard rock, se apresenta no Carioca Club, em São Paulo, no dia 20 de março de 2025.

A turnê “25 Years in the Making” celebra os 25 anos de estrada do grupo e também marcará sua estreia em países como Argentina, México, Colômbia e Chile.

Com uma carreira sólida, o Atreyu já passou pelos maiores festivais do mundo, dividiu palco com nomes como Slipknot, Avenged Sevenfold e Linkin Park, e continua inovando sem medo de soar pesado demais ou acessível demais.

O último álbum da banda, “The Beautiful Dark of Life”, foi lançado de maneira inovadora em três EPs antes de ser reunido em um disco completo.

Agora, os fãs brasileiros terão a chance de conferir essa potência sonora ao vivo.

Serviço:
Data: 20 de Março de 2025 (quinta-feira)
Abertura da casa: 19h
Local: Carioca Club Pinheiros
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros – São Paulo, SP
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/atreyu-sp
Classificação: 18 anos