terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Sonata Arctica – 03/10/2026 – Audio/SP

Sonata Arctica e Noturnall transformam sábado paulistano em celebração à vida e à música ao vivo

São Paulo teve um daqueles sábados em que cruzar a cidade para ir a um show significou muito mais do que simplesmente assistir a uma banda no palco. No último dia 3, o Espaço Audio recebeu Noturnall e Sonata Arctica em uma noite que reuniu peso, experiência, virtuosismo e, principalmente, uma conexão muito particular entre músicos e público. Em meio à reta final de um fim de semana marcado pela expectativa das eleições, quase três mil pessoas escolheram ocupar a casa para celebrar aquilo que só um show consegue proporcionar: estar presente, dividir o mesmo espaço e viver a música em tempo real./


Noturnall: técnica, experiência e sangue no olho

A missão de abrir a noite ficou com o Noturnall, que apresentou um set coeso e musicalmente muito bem amarrado. A trajetória individual dos integrantes é perceptível e aparece tanto na execução quanto nos arranjos, mas a apresentação não se apoiou só no currículo ou na capacidade técnica dos músicos. Havia uma banda funcionando como unidade, com peso, precisão e segurança suficientes para sustentar uma abertura diante de um público que ainda aguardava a atração principal.

No centro dessa dinâmica esteve Thiago Bianchi. O vocalista assumiu naturalmente a função de conduzir a apresentação, estabelecendo uma comunicação direta com a plateia e mantendo a intensidade do show do início ao fim. O resultado foi uma apresentação que soube equilibrar a complexidade musical do Noturnall com uma postura de palco acessível e espontânea. No encerramento, Bianchi deixou o palco e se jogou no meio do público, levando para a pista a mesma energia que havia construído durante o set. Foi uma escolha que resumiu bem a proposta da banda naquela noite.

Sonata Arctica: 30 anos de história compartilhada

Quando o Sonata Arctica entrou em cena, a resposta foi imediata. O Espaço Audio estava tomado por um público que conhecia aquelas músicas como parte da discografia de uma das principais bandas do power metal finlandês, e principalmente, como trilha sonora de diferentes momentos de suas próprias vidas. A celebração dos 30 anos de carreira ganhou, portanto, um significado que ultrapassava a marca comemorativa da turnê. Era também uma oportunidade de reencontro entre a banda, seus fãs e memórias construídas ao longo de décadas.

“I Have a Right”, “Black Sheep” e “Paid in Full” colocaram a apresentação em movimento desde os primeiros minutos, enquanto “Last Drop Falls” e “Tallulah” ampliaram o repertório emocional da noite. A sequência ainda passou por “8th Commandment”, “Closer to an Animal”, “Letter to Dana” e “White Pearl, Black Oceans...”, mostrando a capacidade do Sonata Arctica de transitar entre diferentes momentos de sua carreira sem perder a identidade. A banda não precisou transformar o aniversário em uma retrospectiva protocolar. O próprio repertório foi suficiente para evidenciar o caminho percorrido ao longo dessas três décadas.

Tony Kakko foi um dos grandes responsáveis pela atmosfera criada no palco. Muito à vontade, o vocalista conversou, brincou e interagiu constantemente com a plateia, diminuindo qualquer distância entre o palco e quem estava na pista. Ao seu lado, Elias Viljanen, Pasi Kauppinen, Henrik Klingenberg e Tommy Portimo sustentaram a apresentação com precisão e entrosamento, formando uma base sólida para que as músicas ganhassem força ao vivo. “Shy” preparou o terreno para “FullMoon”, que se tornou um dos momentos mais catárticos da noite, antes de a banda retornar para o bis com “The Last Amazing Grays”, “Don’t Say a Word” e a tradicional “Vodka”, encerrando a apresentação em clima de celebração.

Na minha visão, o que marcou a noite foi a dimensão coletiva daquele encontro. Desde os primeiros acordes, o público cantou, respondeu às interações de Kakko e acompanhou praticamente todas as músicas. Ver o Audio cheio de pessoas genuinamente felizes por estar ali trouxe uma dimensão diferente para a apresentação. Em uma época em que boa parte do consumo musical acontece individualmente, por meio de fones, telas e algoritmos que determinam o que chega até nós, havia algo particularmente significativo em ver tantas pessoas escolhendo sair de casa para compartilhar a mesma experiência.

Essa percepção ganhou ainda mais força quando Kakko falou sobre a importância de continuar consumindo música ao vivo. O vocalista lembrou que apresentações como aquela só são possíveis porque existe um público disposto a comprar ingressos, frequentar casas de shows e manter esse circuito funcionando. O comentário poderia parecer simples, mas ganhou peso naquele contexto. O show só existia porque havia músicos dispostos a estar no palco e pessoas dispostas a estar diante dele, mantendo viva uma relação que nenhuma plataforma digital consegue reproduzir completamente.

Às vésperas das eleições, o Espaço Audio acabou funcionando como um intervalo do ruído que tomava conta do lado de fora, mas sem representar uma fuga da realidade. Era um espaço de encontro, convivência e expressão através da arte. No fim, Noturnall e Sonata Arctica entregaram propostas diferentes, mas complementares: de um lado, uma banda brasileira mostrando força, experiência e excelência musical; do outro, uma formação com três décadas de história reafirmando sua capacidade de reunir gerações em torno de suas canções.





Realização: Honorsounds



Noturnall – setlist:

Try Harder

No Turn at All

Reset the Game

Sugar Pill

Shadows

Shallow Grave

Scream! For!! Me!!!

Nocturnal Human Side


Sonata Arctica – setlist:

I Have a Right

Black Sheep

Paid in Full

Last Drop Falls

Tallulah

8th Commandment

Closer to an Animal

Letter to Dana

White Pearl, Black Oceans...

Shy

FullMoon

Bis

The Last Amazing Grays

Don't Say a Word

Vodka

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