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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Evanescence: Metal Moderno Sem Perder a Essência (Also In English)

BMG (Nac./Imp.)
Por Michelle F. Santana

O Evanescence, banda americana formada em 1995, lança seu sexto álbum de estúdio, "Sanctuary", cinco anos após "The Bitter Truth" (2021). Cercado de expectativa por parte dos fãs, o trabalho já dava sinais do que estava por vir através dos singles "Afterlife" e "Fight Like a Girl", que antecipavam uma sonoridade mais pesada, moderna e ambiciosa.

Liderada pela multi-instrumentista e compositora Amy Lee, uma das vozes mais marcantes do rock e do metal das últimas décadas, a banda construiu uma identidade única ao longo da carreira. Misturando peso, melancolia, elementos orquestrais e uma forte carga emocional, o Evanescence marcou gerações com músicas que abordam perda, dor, obsessão, desilusões e superação, sempre conduzidas pela interpretação intensa e cinematográfica de sua vocalista.

Canções como "Bring Me to Life", "My Immortal", "Call Me When You're Sober" e "Lithium" ajudaram a transformar os álbuns Fallen (2003) e The Open Door (2006) em marcos de uma geração. Mais de duas décadas depois, "Sanctuary" mostra uma banda que não busca repetir o passado, mas expandir sua identidade. O álbum parece ter amadurecido junto com seu público: as feridas ainda estão presentes, mas agora são encaradas com mais força, consciência e resiliência.

As letras seguem a linha de empoderamento apresentada em "The Bitter Truth", mas aqui assumem uma postura ainda mais madura e individual. Musicalmente, a banda incorpora elementos do metal moderno e do metalcore de forma natural, sem abrir mão das características que sempre definiram seu som. O resultado é um trabalho que equilibra inovação e familiaridade com notável segurança.

Mais do que um álbum sobre força individual, "Sanctuary" também reflete inquietações muito atuais. Em diferentes momentos, as composições abordam questões relacionadas à identidade, ao pertencimento e à busca por conexões genuínas em uma era marcada pelo excesso de informação e pela superficialidade das relações digitais. 

Nesse contexto, o título do álbum ganha um significado ainda mais profundo: o santuário não surge como uma fuga da realidade, mas como um espaço de acolhimento, verdade e resistência diante de um mundo cada vez mais caótico.

"Beautiful Lie" abre o álbum deixando claro que o Evanescence não pretende revisitar fórmulas antigas. Elementos eletrônicos introduzem a faixa antes que ela cresça gradualmente em intensidade. Quando Amy Lee canta "I don't belong to you", a música já estabelece o tom de independência e força que atravessa grande parte do disco. 

Os riffs ganham peso ao longo da composição, enquanto a interpretação vocal adiciona profundidade emocional a uma faixa que figura entre os momentos mais fortes do álbum.

"Who Will You Follow" aprofunda a proposta contemporânea do trabalho. Acompanhada por um videoclipe visualmente impressionante, a música apresenta uma crítica à perda de identidade na era digital. Mesmo dialogando com temas atuais, a banda mantém intacta sua essência, equilibrando modernidade e identidade própria sem soar artificial.

Já "Afterlife", que ganhou destaque ao integrar a adaptação animada de Devil May Cry, é uma das faixas mais impactantes do álbum. Sua combinação de peso, melodia e intensidade emocional funciona perfeitamente tanto dentro do contexto do disco quanto de forma isolada. A letra aborda a capacidade de transformar sofrimento em força, enquanto os riffs marcantes e a interpretação poderosa de Amy Lee ajudam a explicar o sucesso da canção entre os fãs.

A faixa-título, "Sanctuary", representa um dos momentos mais atmosféricos do álbum. Sua introdução densa remete, em alguns momentos, à aura sombria presente em Origin (2000), trabalho que permanece cultuado por muitos fãs. Os arranjos cinematográficos ganham ainda mais destaque graças à produção de Jordan Fish, cuja experiência em construções grandiosas adiciona camadas e profundidade à composição.

Em "Calm Down", a banda demonstra disposição para experimentar. Os elementos eletrônicos assumem papel central, dialogando com guitarras pesadas e criando uma atmosfera urbana e contemporânea. Mesmo explorando novas texturas sonoras, a faixa mantém o equilíbrio entre delicadeza e intensidade que sempre caracterizou o Evanescence.

"Forever Without You" surge como um momento de respiro em meio ao peso do álbum. Conduzida pelo piano de Amy Lee, a música funciona como uma balada melancólica e acolhedora, transportando o ouvinte para um espaço de introspecção. Aqui, o peso não está nas guitarras, mas na vulnerabilidade emocional. É mais uma demonstração da habilidade da banda em construir baladas memoráveis sem cair na excessiva sentimentalidade.

O encerramento fica por conta de "Wide Open Heart", que começa de forma minimalista antes de crescer gradualmente até alcançar um refrão intenso e emocionante. Com arranjos refinados e uma atmosfera grandiosa, a faixa sintetiza a proposta do álbum e oferece um desfecho à altura da jornada construída ao longo de suas músicas.

"Sanctuary" vai além de um simples retorno: representa uma nova etapa na trajetória do Evanescence. A banda absorve influências do metal moderno, experimenta novas texturas e amplia sua identidade sonora sem abrir mão daquilo que a tornou relevante desde o início. O resultado é um álbum pesado, emocional e ambicioso, que honra seu passado enquanto aponta para o futuro.

Se "Fallen" (2003) representou a voz de uma geração marcada por conflitos, inseguranças e descobertas, "Sanctuary" soa como a expressão de quem atravessou essas tempestades e encontrou força para seguir em frente. Para os fãs que cresceram ouvindo o Evanescence, o álbum carrega uma sensação familiar e, ao mesmo tempo, renovadora. É o som de uma banda que não ficou presa ao passado, mas também não abandonou aquilo que a tornou especial. Um trabalho que honra sua história, abraça o presente e encontra novas formas de seguir em frente.



***ENGLISH VERSION***

Evanescence, the American band formed in 1995, returns with its sixth studio album, "Sanctuary", five years after "The Bitter Truth" (2021). Surrounded by high expectations from fans, the record had already hinted at what was to come through the singles "Afterlife" and "Fight Like a Girl", both of which previewed a heavier, more modern, and ambitious sound.

Led by multi-instrumentalist and songwriter Amy Lee, one of the most distinctive voices in rock and metal over the past two decades, Evanescence has built a unique identity throughout its career. Combining heaviness, melancholy, orchestral elements, and deep emotional intensity, the band has left its mark on generations of listeners with songs that explore loss, pain, obsession, heartbreak, and resilience, all carried by Lee's powerful and cinematic performances.

Songs such as "Bring Me to Life," "My Immortal," "Call Me When You're Sober," and "Lithium" helped turn Fallen (2003) and The Open Door (2006) into defining albums of a generation. More than twenty years later, "Sanctuary" presents a band that is not interested in repeating the past, but rather expanding its identity. The album seems to have matured alongside its audience: the wounds are still there, but they are now faced with greater strength, awareness, and resilience.

Lyrically, the album continues the themes of empowerment introduced in The Bitter Truth, but approaches them from a more mature and personal perspective. Musically, Evanescence incorporates elements of modern metal and metalcore with remarkable ease, without sacrificing the qualities that have always defined its sound. The result is an album that balances innovation and familiarity with impressive confidence.

More than an album about personal strength, Sanctuary also reflects some of today's most pressing concerns. Throughout the record, the songs touch on themes of identity, belonging, and the search for genuine human connection in an era shaped by information overload and increasingly superficial digital interactions. In this context, the album's title takes on an even deeper meaning: sanctuary is not portrayed as an escape from reality, but as a place of truth, comfort, and resistance in an increasingly chaotic world.

"Beautiful Lie" opens the album by making it clear that Evanescence has no intention of revisiting old formulas. Electronic elements introduce the track before it gradually builds in intensity. When Amy Lee sings, "I don't belong to you," the song immediately establishes the themes of independence and empowerment that run throughout much of the album. The riffs grow heavier as the composition unfolds, while Lee's vocal performance adds emotional depth to what stands as one of the strongest moments on the record.

"Who Will You Follow" further develops the album's contemporary approach. Accompanied by a visually striking music video, the song offers a critique of identity loss in the digital age. Even while engaging with modern themes, Evanescence remains true to its essence, successfully balancing innovation and authenticity without ever sounding forced.

"Afterlife," which gained widespread attention through its connection to the animated adaptation of Devil May Cry, is one of the album's most impactful tracks. Its combination of heaviness, melody, and emotional intensity works perfectly both within the context of the album and as a standalone single. The lyrics explore the ability to transform suffering into strength, while the memorable riffs and Amy Lee's commanding performance help explain why the song resonated so strongly with listeners.

The title track, "Sanctuary," delivers one of the album's most atmospheric moments. Its dense opening occasionally recalls the dark aura of Origin (2000), a release that remains beloved among longtime fans. The cinematic arrangements are elevated by the production work of Jordan Fish, whose experience crafting large-scale soundscapes adds depth, texture, and grandeur to the composition.

On "Calm Down," the band demonstrates a willingness to experiment. Electronic elements take center stage, interacting with heavy guitars to create a contemporary and urban atmosphere. Despite exploring new sonic territory, the track maintains the balance between delicacy and intensity that has always been central to Evanescence's identity.

"Forever Without You" serves as a moment of reflection amid the album's heavier passages. Guided by Amy Lee's piano, the song unfolds as a melancholic and comforting ballad, drawing listeners into a deeply introspective space. Here, the weight comes not from the guitars but from emotional vulnerability. It is another reminder of the band's ability to craft memorable ballads without falling into excessive sentimentality.

The album closes with "Wide Open Heart," which begins in a minimalist fashion before gradually building toward a powerful and emotionally charged chorus. With refined arrangements and a sense of grandeur, the track perfectly encapsulates the album's overall vision while providing a fitting conclusion to the journey that precedes it.

"Sanctuary" is more than a simple comeback; it represents a new chapter in Evanescence's career. The band embraces modern metal influences, experiments with new textures, and expands its sonic identity without abandoning the qualities that made it relevant in the first place. The result is a heavy, emotional, and ambitious album that honors its past while confidently looking toward the future.

If Fallen (2003) was the voice of a generation navigating conflict, insecurity, and self-discovery, Sanctuary feels like the voice of those who have weathered those storms and emerged stronger on the other side. For the fans who grew up with Evanescence, the album feels both familiar and refreshingly new. It is the sound of a band that has refused to become trapped by its past while never losing sight of what made it special. A record that honors its legacy, embraces the present, and finds new ways to move forward.

Divulgação



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Avenged Sevenfold – 28/01/2026 – Pedreira P. Lemisnki/CWB

Avenged Sevenfold e Mr. Bungle protagonizam noite inesquecível na capital paranaense

Primeiro grande show do ano em Curitiba, e ninguém menos do que a banda americana Avenged Sevenfold, e ainda com abertura de Mr. Bungle. O evento movimentou a capital, tanto no aumento dos movimentos em bares da região, hotéis, transporte público e de aplicativo.  Inclusive houveram bloqueios de algumas ruas ao redor da Pedreira Paulo Leminski, onde a equipe técnica já preparava a estrutura no dia anterior. Afinal, não era qualquer palco que abrigaria as famosas bandas neste dia 28 de janeiro de 2026.

O público lotou a Pedreira Paulo Leminski para assistir a tão esperada apresentação da banda, tanto que a organização precisou de muita competência para garantir a segurança no acesso ao local. Sendo que haviam duas filas, uma para o ingresso de Pista Normal e outra para o acesso à Pista Premium, vendida com um valor um pouco maior. A produção não deu moleza e estava verificando documentos e carteirinhas que dão direito à meia entrada. E por incrível que pareça, a fila para a pista premium estava muito mais longa do que a da pista normal, fato curioso em eventos como este. Inclusive o fato foi motivo de frustração de muitos, que reclamaram do calor e demora para a liberação da entrada, alguns dos fãs ainda relataram que ficaram quase duas horas na fila, após a abertura oficial dos portões.

Entretanto, ao adentrar em solo já histórico, de shows na capital paranaense, tudo transformou-se em alegria. Ótima organização, muito banheiros espalhados pelo local, com equipe de limpeza sempre a postos, funcionários com sinalização para sanar eventuais dúvidas, bombeiros civis, postos de acolhimento, distribuição gratuíta de copos de água. Além, dos postos de vendas de bebidas alcoólicas e não alcoólicas e snacks.

A banda americana de rock alternativo Mr. Bungle subiu ao palco pontualmente às 18:30hs, e trouxe surpresas. Para quem não sabe, Mike Patton, líder do projeto, foi frontman do Faith No More, responsável por muitos hits dos anos 90. Mas deixando o passado de lado um pouco, a surpresa foi a participação de Andreas Kisser nas guitarras, que substituiu Scott Ian (Anthrax) na apresentação. Quando ficaram sabendo da notícia, primeiro pelas redes sociais, depois rolou um burburinho na pista e a confirmação com o próprio entrando em cena, foi uma alegria só. Afinal, não é todo dia que se vê tantos ícones da música em um mesmo palco. De longe foi a atração de abertura mais inusitada de todos os tempos. E realmente agitou todo mundo, ganharam aplausos de atração principal. 

Destaque para o setlist enxuto mas eficiente, com a execução de “Refuse/Resist” do Sepultura, seguido da platéia gritando, além de “Hypocrites” com o famoso “Speak Portuguese or Die”, as ótimas “Sudden Death”, “Hopeless Devoted to You”. E para finalizar, o cover “All by Myself” muito bem executado na voz de Patton e nas guitarras nervosas de Kisser, e claro, algumas alterações nas letras, para apimentar a coisa toda. Uma obra prima. 

Claro, boa parte do público estava aflita e ansiosa, para que o show do Avenged Sevenfold começasse logo, mas para os mais velhos, o evento estava indo de vento em polpa!

Novamente, falando da organização e cuidado dos técnicos para que a banda subisse ao palco com tudo certo, nem a chuva que ameaçou cair, atrapalhou a preparação do palco. E quando finalmente as luzes se apagaram e os fotógrafos se dirigiram ao pit, a certeza do início acalmou os ânimos.

Pontualmente às 20:15hs, a banda californiana formada pelo vocalista M. Shadows, Zacky Vengeance, Synyster Gates ambos nas guitarras, Johnny Christ no baixo e Brooks Wackerman na bateria, surgem ao palco, para o delírio e aglomeração do front row. E foi com “Game Over” do álbum Life Is But a Dream… que o espetáculo começou, quando também os raios do sol deram lugar à sombra da noite, que pairou sobre a Pedreira, deixando a natureza exuberante e as luzes do Avenged Sevenfold darem seu show à parte.

É certo que a discografia da banda é vasta, consequentemente, sempre acaba ficando de fora alguma música do coração dos fãs de plantão, mas no geral conseguiram agradar à todos. Tanto aqueles que estão seguindo a banda durante sua turnê pela América Latina, quanto aqueles que estavam vendo os músicos pela primeira vez, e também aqueles que gostam de conhecer bandas diferentes, para sair da mesmice. Inclusive este último grupo não se decepcionou,  a cada música executada, a vontade de cantar e pular era maior, e também a admiração pela simpatia de M. Shadows e companhia.

A execução da famosa “Afterlife” foi precedida de muita euforia e participação do público. Os telões estavam bem colocados, com ótimas capturas de imagens, então quem estava mais distante não teve problemas em acompanhar com detalhes a apresentação. Lembrando que o complexo que envolve a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame, é extenso, sendo assim, com lotação máxima, teve gente que ficou bem longe do palco. Mas a paisagem, o lago e a natureza compensaram com a exuberante vista que a distância proporcionou. Inclusive, permaneci junto ao palco grande parte da apresentação, mas em determinados momentos, me afastava para ter ideia da magnitude do evento, da sinergia do público, banda e natureza. Confesso que desde meu primeiro show no local, em meados de 1994, sinto que é o lugar perfeito para apreciar uma boa música e se conectar com o universo. Muito sentimental, mas tudo verdade!

Momentos inusitados fazem parte, e neste dia não foi diferente, em um determinado momento, alguém da plateia entrega um envelope ao vocalista, que prontamente diz tratar-se de uma “revelação/chá de bebê”. Com o envelope em mãos, ele continua o suspense, para finalmente revelar em plenos pulmões “It´s a *fu.ing boy”, e na sequência dos aplausos do público, anuncia a próxima música: “This song goes to the new one” “Hail To the King”! Uma emocionante homenagem ao bebê que está para nascer. A partir deste ponto, a banda já estava se sentindo em casa, com muita interação por parte de todos os músicos. Foi realmente gratificante estar lá.” Inclusive, para os olhares mais atentos, não era raro trazerem alguns fãs da área PCD para perto do palco, em um revezamento que fez toda a diferença, afinal tinham muitas pessoas que viajaram horas para estar lá. 

E quando você acha que já viu de tudo, eis que surgem gritos da platéia entoando “Seize the Day” insistentemente, e para surpresa geral, foram atendidos, de improviso claro, mas foi o suficiente para a banda ganhar milhares de corações tupiniquins. A noite não tinha como ser mais perfeita, depois de tantos anos de espera, finalmente uma apresentação digna de ficar para a história de Curitiba, uma das cidades mais Rock N´Roll 's do Brasil (Desculpem, o curitibano não resiste!).

O show seguiu a todo vapor, com conversas intercaladas, inclusive, em um momento um dos músicos foi “picado por uma abelha" e o vocalista sorriu e perguntou se seria possível continuar (em tom de brincadeira) e em meio a risadas em geral, o show prosseguiu! Foram vários clássicos da banda, para enfim culminar na execução da música “Nightmare”, em meio a promessa de que a banda iria voltar! E acredito piamente que vão cumprir o prometido, afinal, não é qualquer show que inunda de calor humano a Pedreira Paulo Leminski (N.T.: dias após o show, a banda anunciou que retornará ao Brasil em setembro para se apresentar no Rock in Rio). Um detalhe aqui para a iniciativa do fã clube oficial, onde foi feita a distribuição gratuita de fitas azuis para colocar no celular e projetar a lanterna em forma de luz azul durante esta música em particular. De uma forma geral deu certo, mas poderiam ser em um número maior, entretanto toda iniciativa sem fins lucrativos é sempre bem vinda, parabéns aos envolvidos pela ação!

Enfim, é chegado o momento melancólico: O término do espetáculo e a volta à realidade, e diga-se de passagem, para casa. A logística para a saída do público neste local, ainda é complicada, devido ao fluxo de pessoas e saídas reduzidas, tornando comum, o tempo mínimo de 30 minutos para se chegar ao lado de fora, a não ser que você saia antes da última música, situação impensável naquela noite de quarta feira. Mais um show para ficar na história da cidade!


Experiências pós-show

Bem, aqui vai o relato de alguém que foi sem carro ou carona para o show (Mesmo já sabendo dos problemas, resolvi arriscar, para dar um depoimento real, afinal o que seria do jornalismo sem expor a realidade da maioria dos headbangers). 

Atentando aqui, que a produção do show fez de tudo para que não houvesse nenhum transtorno para o público, inclusive sinalizando as saídas, avisando onde os fãs poderiam chamar os táxis e aplicativos de transporte, e também informando o local onde a Prefeitura de Curitiba disponibilizou transporte gratuito até o centro da cidade. Portanto, a logística do evento está de parabéns, pois é a primeira vez que vejo tal preocupação. A questão está mais no local do show, bem afastado dos centro da cidade, e também na ganância do ser humano, a tal da lei da oferta e procura. 

No bairro em questão há muitas residências que disponibilizam estacionamento com valores aceitáveis (Em torno de 60 a 100 reais por todo o período do show), além de banheiros com valores módicos (média de 5 reais). Os estacionamentos comerciais, localizados mais perto do show cobram em torno de 100 a 150 reais o período, um valor até aceitável, visto que você pode dividir o prejuízo entre os ocupantes do veículo. Para quem nunca foi ao local, trata-se de um bairro nobre, mas com muitas ruas arborizadas e desertas em certo horário noturno. 

Continuando o relato emocionante em mais um parágrafo, a pessoa que vos escreve pretendia pegar o transporte gratuito da prefeitura, com toda a segurança policial ao redor, mas durante o show, me senti compelida a ajudar algumas pessoas de fora, que pretendiam chegar aos seus respectivos hotéis (localizados na região central). E nos deparamos com “motoristas de aplicativos” (não sei se era o caso, e nunca vou saber) oferecendo a corrida a 100 reais em média, no caso de mais pessoas era necessário negociar. E quando você acessava o aplicativo “famoso”, ninguém aceitava a corrida (Pasmem!!!!). 

Conclusão, as duas garotas de fora da cidade ficaram mais de uma hora e meia do término do show para voltar para o hotel, e devem ter pago uma pequena fortuna. Eu e uma grande amiga fomos de ônibus gratuito para o centro da cidade. Tudo certo, ônibus limpo, de qualidade, fãs respeitando uns aos outros, uma maravilha! Mas qual o problema? Mesmo tendo experiências em shows, eu e minha amiga encontramos certa dificuldade para o retorno, mas tudo certo! Só fico imaginando a infinidade de pessoas, mulheres, homens, adolescentes de fora que sofreram para retornarem aos seus hotéis e ainda confiaram em homens com placas dizendo “transporte” sem saber a realidade. Fica a dica para os próximos eventos na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba!




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: 30ebr


Mr. Bungle – setlist 

Tuyo

Anarchy Up Your Anus

Bungle Grind

I'm Not in Love

Eracist

Raping Your Mind

Retrovertigo

Refuse/Resist

Hypocrites / Habla español o muere

Sudden Death

Hopelessly Devoted to You

My Ass Is on Fire

All by Myself


Avenged Sevenfold – setlist 

Game Over

Chapter Four

Afterlife

Hail to the King

We Love You

Buried Alive

The Stage

Seize the Day

So Far Away

Bat Country

Nobody

Nightmare

Not Ready to Die

Unholy Confessions

Save Me

Cosmic

A Little Piece of Heaven

sábado, 31 de janeiro de 2026

Alter Bridge: Maturidade Musical Sem Reivenção

Napalm Records (Imp.)

Por Paula Butter

Os floridenses do Alter Bridge começam o ano de 2026 com o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, no dia 9 de janeiro pela gravadora Napalm Records.

Neste novo disco homônimo, o Alter Bridge vem novamente consolidando sua maturidade musical no mainstream. Com mais de duas décadas de estrada e mesma formação original, um feito e tanto nos dias de hoje, eles conseguem apresentar um trabalho de qualidade e constância. 

Alter Bridge inicia com ”Silent Divine”, escolha assertiva, como primeira faixa e também para o videoclipe. Ela traz a cozinha da banda a todo vapor, Mark Tremonti com riffs afiadíssimos, o baterista Scott Phillips dando sua contribuição, seguido do baixo de Brian Marshall, e na sequência, a voz inconfundível de Myles Kennedy, receita correta.

Seguimos com “Rue The Day”, um pouco mais sombria e com peso, mas em contraponto com uma letra que acalenta a rotina cansada da humanidade, com refrão de incentivo “Breathe it in, breathe it out … It's up to you, stand your ground”. Então, quando tiver um dia estressante, aumente o volume desta poderosa canção!

Já “Power Down” é uma das músicas mais pesadas, com variações rítmicas e vocal bem presente e com mais melodia para dar um contrapeso, harmonicamente muito bem feita. Inclusive em algumas passagens o som mais “sujo” no melhor sentido. 

A quarta canção intitulada “Trust In Me”, vem ainda com mais melodia e letras sobre confiança. Já “Tested and Able” vem com pegada rítmica forte, abusando das guitarras e do baixo, deixando a bateria em segundo plano. O vocal de Miles vem limpo e com refrão bem no estilo “chiclete”, que amamos, mas sem aquela vibe adolescente, ainda bem!

Cabe começar um parágrafo para “What Lies Within”, música que flerta com o Heavy Metal, mostrando a maturidade musical da banda, dando um tom mais sério ao álbum e elevando o patamar das composições para o lado mais obscuro dos sentimentos humanos, sempre com indagações não sanadas. 

Enfim, chegamos à balada do disco, “Hang By A Thread”, nada de excepcional, mas bem construída com tons acústicos e fácil de ouvir. A nona faixa “Scales Are Falling” vem com jeito de balada, mas carrega mais identidade e peso em seu corpo. Além disso, neste ponto, as letras carregam o ápice do desespero de nossa humanidade, ponto forte para a composição. 

Passando para “Playing Aces”, um suspiro, bem Rock N´Roll e despretensiosa. A penúltima do álbum “What Are You Waiting For” traz um instrumental que vai crescendo na medida dos vocais, um tom motivacional para mostrar que nem tudo é melancolia. 

Para finalizar, “Slave To Master” bem propícia para o fechar a obra, como o título já entrega, o tema das letras pode ser resumido em controle, submissão e libertação. Também apresenta longos e trabalhados solos, que mostram a qualidade da produção e finalização. Somente no final, temos a conclusão de todo o conceitual de Alter Bridge.

Como conclusão geral, pode se dizer que a cada lançamento a banda prova sua qualidade e maturidade, brilha em alguns momentos, e em outros mantém o tom característico de seu som, sem muita reinvenção. É a música pura e simples, que agrada a todos os gostos, é como “voltar para casa” em meio a tantas mudanças. 

Em tempo, a banda Alter Bridge irá abrir os shows do Iron Maiden no Brasil, que acontecem no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro de 2026.

Divulgação

Tracklist: 

Silent Divide

Rue The Day

Power Down

Trust In Me

Disregarded

Tested And Able

What Lies Within

Hang By A Thread

Scales Are Falling

Playing Aces

What Are You Waiting For

Slave To Master



sábado, 15 de março de 2025

ATREYU: A JORNADA DE UMA DAS MAIORES BANDAS DO METALCORE - O INÍCIO, O AUGE, A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL

Por Guilmer Costa da Silva

O Atreyu é uma das bandas mais icônicas e influentes do metalcore, gênero que combina a agressividade do metal com a intensidade emocional do hardcore. Desde sua formação em 1998, na Califórnia, o Atreyu ajudou a moldar o cenário do metal moderno, influenciando uma geração de bandas como Bring Me The Horizon, A Day to Remember e Asking Alexandria. Com uma carreira repleta de altos e baixos, experimentações sonoras e um retorno triunfante, o Atreyu se consolidou como uma das bandas mais importantes do gênero. Vamos mergulhar na história dessa formação lendária, desde seus primórdios até os dias atuais.


O INÍCIO: OS PRIMEIROS PASSOS E A DEFINIÇÃO DO SOM - Visions E Suicide Notes and Butterfly Kisses 

Tudo começou em 1998, em Orange County, Califórnia, quando o vocalista Alex Varkatzas, o guitarrista Dan Jacobs, o baixista Marc McKnight, o baterista Brandon Saller e o guitarrista Travis Miguel se uniram para formar o Atreyu. Inspirados por bandas como Metallica, Pantera e The Misfits, eles buscaram criar um som que misturasse a agressividade do metal com a energia crua do hardcore.

Seu primeiro álbum, Suicide Notes and Butterfly Kisses (2002), lançado pela Victory Records, foi um marco inicial para o metalcore. Com faixas como "Ain't Love Grand" e "Lip Gloss and Black", o álbum trouxe uma combinação única de vocais guturais, melodias cativantes e letras emocionalmente carregadas. A dualidade entre os vocais agressivos de Alex e os vocais limpos de Brandon Saller se tornou uma das marcas registradas da banda.

Curiosidade: O nome "Atreyu" foi inspirado no personagem de A História Sem Fim, um clássico da literatura e do cinema. A escolha reflete a conexão da banda com temas de fantasia e superação, que permeiam suas letras.


O AUGE: A CONSOLIDAÇÃO NO METALCORE - The Curse E A Death-Grip on Yesterday


Com o lançamento de The Curse (2004), o Atreyu alcançou o sucesso mainstream. O álbum trouxe hits como "Right Side of the Bed" e "The Crimson", que se tornaram hinos do metalcore. A combinação de riffs pesados, solos melódicos e letras introspectivas conquistou fãs ao redor do mundo. O videoclipe de "The Crimson" foi amplamente exibido na MTV, ajudando a banda a ganhar visibilidade.

Em 2006, veio A Death-Grip on Yesterday, outro marco na carreira da banda. Com faixas como "Ex's and Oh's" e "Creature", o álbum mostrou uma evolução sonora, com uma produção mais polida e uma abordagem mais melódica. "Ex's and Oh's" se tornou um dos maiores sucessos do Atreyu, sendo tocada incessantemente em rádios e programas de TV.

Curiosidade: O Atreyu foi uma das primeiras bandas do metalcore a incorporar elementos visuais e estéticos mais elaborados em seus shows, como pirotecnia e iluminação dramática, elevando a experiência ao vivo do gênero.



O APOGEU: A DOMINAÇÃO DO MAINSTREAM - Lead Sails Paper Anchor E Congregation of the Damned


Em 2007, o Atreyu lançou Lead Sails Paper Anchor, um álbum que marcou uma guinada mais acessível e experimental. Com influências de rock clássico e metal alternativo, o disco trouxe faixas como "Becoming the Bull" e "Falling Down", que alcançaram grande sucesso comercial. A banda explorou novos territórios sonoros, incorporando elementos de rock sinfônico e até mesmo country, o que dividiu a opinião dos fãs, mas ampliou seu público.

Em 2009, veio Congregation of the Damned, que retomou um som mais pesado, sem abrir mão da abordagem melódica. Com músicas como "Storm to Pass" e "Gallows", o álbum consolidou o Atreyu como uma das bandas mais versáteis do metal moderno. No entanto, após anos de turnês intensas e mudanças no cenário musical, a banda decidiu fazer uma pausa em 2011.



A PAUSA E O RETORNO TRIUNFAL - Long Live E In Our Wake


Após um hiato de dois anos, o Atreyu anunciou seu retorno em 2014, para a alegria dos fãs. Em 2015, lançaram Long Live, um álbum que marcou o renascimento da banda. Com faixas como "Do You Know Who You Are?" e "So Others May Live", o disco mostrou que o Atreyu ainda tinha muito a oferecer, mantendo sua essência enquanto explorava novas sonoridades.

Em 2018, veio In Our Wake, outro álbum aclamado pela crítica e pelos fãs. Com músicas como "The Time Is Now" e "Super Hero", o disco trouxe uma abordagem mais madura e emocional, refletindo as experiências pessoais dos integrantes. A turnê de In Our Wake consolidou o retorno do Atreyu ao topo, com shows lotados e performances energéticas.



A SAÍDA DE ALEX VARKATZAS: UMA MUDANÇA DE CAPÍTULO


A saída de Alex Varkatzas, vocalista e um dos fundadores do Atreyu, em setembro de 2020, marcou um momento significativo na história da banda. Alex foi uma peça fundamental na identidade do Atreyu, contribuindo não apenas com seus vocais guturais característicos, mas também com suas letras emocionalmente carregadas e profundamente pessoais. Sua presença no palco e sua conexão com os fãs eram inegáveis, o que tornou sua saída um choque para muitos.

Em um comunicado oficial, Alex explicou que sua decisão de deixar a banda foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e profissionais. Ele mencionou que, após mais de duas décadas de turnês intensas, gravações e dedicação quase integral ao Atreyu, sentiu a necessidade de priorizar sua saúde mental, sua família e outros projetos pessoais. Alex também destacou que sua paixão pela música e pela arte permanecia intacta, mas que ele precisava de um novo rumo para expressar sua criatividade.

Por outro lado, os membros restantes do Atreyu respeitaram a decisão de Alex e expressaram gratidão por sua contribuição ao longo dos anos. Em entrevistas, Brandon Saller, que assumiu os vocais principais após a saída de Alex, mencionou que a mudança foi desafiadora, mas também uma oportunidade para a banda se reinventar. Ele ressaltou que o Atreyu sempre foi uma entidade em evolução, e a saída de Alex foi mais um capítulo nessa jornada.

Curiosidade: Apesar da saída, Alex e os membros do Atreyu mantiveram um relacionamento amigável. Em várias ocasiões, Alex expressou apoio à banda e ao álbum Baptize (2021), o primeiro sem sua participação. Ele também continuou envolvido em projetos musicais e artísticos, explorando novas formas de expressão criativa.

A saída de Alex Varkatzas representou o fim de uma era, mas também o início de uma nova fase para o Atreyu. A banda provou que, mesmo sem um de seus pilares originais, poderia continuar evoluindo e mantendo sua relevância no cenário do metalcore. Para os fãs, Alex sempre será lembrado como uma voz icônica que ajudou a definir o som e a identidade do Atreyu durante seus anos mais influentes.



O QUE ESPERAR DO FUTURO?

O Atreyu continua ativo, com uma formação que inclui Brandon Saller (vocais e bateria), Dan Jacobs (guitarra), Travis Miguel (guitarra), Marc McKnight (baixo) e Kyle Rosa (bateria). A banda segue tocando em festivais e turnês ao redor do mundo, levando sua música a novas gerações de fãs.

Com mais de duas décadas de carreira, o Atreyu é uma das bandas mais importantes do metalcore. Sua influência é sentida em todas as gerações do gênero, e sua música continua a inspirar milhões de fãs. Enquanto estiverem no palco, o espírito do Atreyu viverá, provando que o metalcore é, de fato, eterno.

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SOBRE O SHOW

Os californianos do Atreyu finalmente desembarcam no Brasil para um show único e imperdível! A banda, que mescla metalcore e hard rock, se apresenta no Carioca Club, em São Paulo, no dia 20 de março de 2025.

A turnê “25 Years in the Making” celebra os 25 anos de estrada do grupo e também marcará sua estreia em países como Argentina, México, Colômbia e Chile.

Com uma carreira sólida, o Atreyu já passou pelos maiores festivais do mundo, dividiu palco com nomes como Slipknot, Avenged Sevenfold e Linkin Park, e continua inovando sem medo de soar pesado demais ou acessível demais.

O último álbum da banda, “The Beautiful Dark of Life”, foi lançado de maneira inovadora em três EPs antes de ser reunido em um disco completo.

Agora, os fãs brasileiros terão a chance de conferir essa potência sonora ao vivo.

Serviço:
Data: 20 de Março de 2025 (quinta-feira)
Abertura da casa: 19h
Local: Carioca Club Pinheiros
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros – São Paulo, SP
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/atreyu-sp
Classificação: 18 anos

quarta-feira, 5 de março de 2025

Lacuna Coil: Progredindo Sem Esquecer Suas Origens


Por Eduardo Okubo Junior

O Lacuna Coil é uma banda que, ao longo de 10 álbuns, sempre teve o seu som em evolução. Esse constante realinhamento da sua sonoridade divide a carreira dos italianos em três eras distintas: a primeira, uma banda cheia de melancolia, com arranjos lentos e polidos e flertando com o gótico, que culminou no clássico terceiro álbum, Comalies. 

Com o Karmacode , o Lacuna Coil modernizou sua música inspirado nas bandas novas (New/Nu Metal) que tomaram de assalto meados dos anos 2000 (Korn, Meshuggah) e deixando um pouco de lado sua personalidade meio Doom/Gótica. Essa fase do meio durou por quase uma década, até o mais sombrio Broken Crown Halo . 

Dessa fase atual, com um som mais fresco e energético, chegou ao seu auge com o incrível Black Anima , atingindo o equilíbrio entre o Groove da fase do meio e o peso gótico e melodia de suas origens. O Sleepless Empire logo é uma continuação evolutiva do seu antecessor, mais pesado, com flertes ao passado (eu imaginava essa possibilidade com a gravação do Comalies XX) e se voltando para o futuro da banda.

Todas as 11 músicas do novo álbum funcionam incrivelmente bem juntas, como um conjunto coeso. Recomendo ouvi-lo a primeira vez de cabo a rabo, engrandece a experiência sonora."The Siege" mantém uma tradição da banda, abrindo sempre com uma ótima música, e aqui já podemos perceber um dos destaques das novas composições: o rosnado gutural de Andrea Ferro é denso, feroz, brilha... Ou melhor, amedronta! Quando contrastado com a linda voz melódica de Cristina Scabbia, temos uma receita que é única e perfeita no Metal, é quase sobrenatural.

"Gravity", "Oxygen" e "Scarecrow" são extremamente pesadas, a primeira mais melódica, com uma introdução que é puro Lacuna Coil do Velho Testamento, um dos pontos altos dessa jornada; a segunda é um show de interpretação de Andrea e Cristina, e os riffs são gigantescos. E aqui tem que se destacar o trabalho do Marco Coti Zelati, que assumiu as guitarras além das habituais funções como baixista, compositor e produtor; a terceira é pesada, hipnótica e seus teclados criam uma atmosfera sombria.

Aí temos "I Wish You Were Dead", divertida, animada e... dançante! É Glam Rock, é puro Ghost para mim. E no bom sentido, até porque adoro a banda do Tobias Forge. São menos de três minutos delicioso, e tem um vídeo musical que desde já é um clássico. Ah, as dancinhas, as dancinhas, veremos o que acontece nos shows que irão acontecer no Brasil, começando no dia 15 de março em São Paulo no Carioca Club e passando por Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, nos dias 16, 18 e 19 de março respectivamente.

E temos as participações de Randy Blythe, do Lamb Of God, e Ash Costello, do New Years Day, respectivamente em "Hosting The Shadow" e "In The Mean Time", mas são músicas do Lacuna, e a primeira realmente é melhor que a segunda e me dá uma vontade imensa de algum dia vê-los juntos no palco performando essa paulada.

"In Nomine Patris", "Sleepless Empire" e "Sleep Paralysis" são visitas ao passado da banda nos anos 2000, num ótimo album não são as melhores composições, mas novamente, dentro da temática do album, funcionam bem.

E fechando esse novo trabalho temos "Never Dawn", que já havia sido lançada a algum tempo, um belo fechamento.

Sleepless Empire é um passo para o futuro, com um olho no passado. E deixa a banda no lugar exato que precisa estar em 2025. Longa Vida Lacuna Coil.






domingo, 13 de outubro de 2024

Cobertura de Show: Living Colour – 12/10/2024 – Tokio Marine Hall/SP

Poucas bandas têm um som tão característico e tão impactante quanto os nova-iorquinos do Living Colour e sua mescla flamejante de rock, punk, soul e funk. Atualmente composta por Vernon Reid na guitarra, Corey Glover no vocal, Will Calhoun na bateria e Doug Wimbish no baixo, o quarteto realizou sua décima passagem pela capital paulista com um show eletrizante no Tokio Marine Hall, uma das maiores casas de show da “cidade da garoa”, com capacidade para aproximadamente 4 mil pessoas. A gira atual não passaria só por terras tupiniquins, mas também pelo Chile e pela Argentina, ambos “queridinhos da banda”, contando com 4 e 8 visitas, respectivamente. Aquele sábado, feriado, prometia ser mais uma apresentação histórica, recheada de clássicos.

Chegando no Tokio, o bairro inteiro estava apagado, escuridão para todos os lados, menos a própria casa, que estava completamente acesa. Sair na rua - completamente apagada - no final do show, que estava previsto para COMEÇAR às 22:00 seria algo complicado, mas aí é uma história à parte. Mesmo assim, já havia uma quantia decente de pessoas na parte de fora da casa, esperando para ver o Living Colour ao vivo e à cores. Lá dentro, era aquele esquema típico dos shows da Toplink, estande de merchan no saguão (que curiosamente contava com exemplares do disco acústico do Angra) e um pequeno palco perto da entrada da pista, com alguns equipamentos para outra banda assumir e tocar alguns covers no final dos shows.

Por volta das 20:40, subiu ao palco o Black Pantera, acompanhados por palavras do Mano Brown pelo PA. Para quem ainda não conhece, são um power trio mineiro composto pelos irmãos Charles e Chaene Gama (guitarra/voz, baixo respectivamente) e o baterista Rodrigo Pancho. Foram uma escolha certeira para abrir para o Living, visto que a influência dos nova-iorquinos no som do Black Pantera é palpável, fora o fato de ter uma noite em uma das maiores casas de show de São Paulo só com músicos negros. Quem já foi em algum show deles, sabe bem como é, um show objetivo, direto, com uma energia incrível, mas também recheado de interação com os fãs. 

Desde o meio do ano, seguem com a turnê de seu quarto álbum, “Perpétuo”, e foi ele o foco do repertório. Das 13 músicas, só não foram do último disco as já clássicas “Padrão é o Caralho” e “Fogo nos Racistas” e as enérgicas “Dreadpool Zero”, “Boto pra Fuder” e “Recolução é o Caos”, que começou com Chaene tocando a introdução de “Anesthesia (Pulling Teeth)” no baixo. Das do disco novo, vale destacar “Provérbios”, que começou a noite com tudo, a linda “Tradução”, dedicada às mães presentes e “Fudeu”, que foi prefaciada por “September”, aquela, do Earth, Wind and Fire pelo sistema de PA. 

No geral, mostraram porque são uma das bandas nacionais que mais crescem nos últimos tempos; não só fizeram um show muito bom, direto ao ponto, mas também esbanjaram uma presença de palco absurda, interagindo bastante com os fãs e se divertidndo visivelmente, tocando com um sorriso no rosto, pulando, batendo cabeça.

Os headliners assumiram a casa um pouco atrasados, mas nem tanto, às 22:10, ao som da marcha imperial do Star Wars. Começaram com “Leave it Alone”, destaque de seu terceiro álbum, “Stain” (1993). Não se passaram nem 2 minutos, já dava para sentir a energia incrível que tomava o Tokio Marine Hall. Som incrível, galera animada, banda tão animada quanto, evidentemente felizes no palco. Tem tanta banda que toca parecendo que precisa bater ponto e ir embora, cumprir tabela, mas o Living Colour com certeza não é uma delas.

Seguiram com a volta para o passado, tocando “Desperate People”, de seu primeiro trabalho, “Vivid” e novamente destacaram “Stain” com a dobradinha de “Ignorance is Bliss” e “Bi”, que começou com uma troca de “everybody” entre Glover e os fãs. Foi só o Will Calhoun começar aquela introdução no cowbell que a galera já sabia o que ia rolar, “Ausländer”, mais um petardo diferenciado, banhado de efeitos, do “Stain”. “Never Satisfied” fechou a sequência de “Stain”, abrindo as portas para “Funny Vibe”, de “Vivid”, que mostrou claramente as habilidades incríveis da banda. Calhoun é um relógio na bateria, Doug Wimbish, que teve seu primeiro show com a banda aqui na capital paulista, no Hollywood Rock, toca as linhas de baixo complexas como se fossem músicas de punk e Vernon Reid e Cory Glover nem se fala, um Deus da guitarra com um estilo próprio e um vocalista que mesmo beirando os 60, ainda chega nos mesmos agudos que chegava no auge dos anos 90.

“Sacred Ground”, lado B de “Collideøscope” (2003) deu sequência à festa, que contava com um Tokio Marine Hall quase cheio. A groovadíssima “Open Letter (To A Landlord)” veio à seguir, esfregando na nossa cara o fato de que Cory Glover, aos 59, canta melhor do que muito jovem por aí. Depois dessa performance incrível, até os proprietários de imóveis que estavam presentes começaram a viver de aluguel. Glover descreveu o baterista como a nona, décima e décima-primeira maravilha do mundo, e o solo de bateria que eles fez realmente explicou o porquê.

“Flying” terminou com um pedido de aplausos para o Vernon Reid. Quando o público parou, Glover mostrou seu carisma e disse, “dont stop, dont stop”, brincando com o público. O vocalista passou a tocha para Doug Wimbish, que além de baixista da banda, também gravou diversos artistas no começo da cena do hip-hop nova-iorquino, oferecendo uma pequena medley com músicas da época, White Lines (Don’t Don’t Do It), do Grandmaster Flash e Melle Mel, “Apache”, da The Sugarhill Gang e “The Message”, de Grandmaster Flash e o Furious Five.

A folia continuou, agora de volta ao rock, com “Glamour Boys”, cantada junto pelo público. Mostrando toda sua versatilidade, foram da quase pop “Love Rears Its Ugly Head” para “Time’s Up”, rápida e objetiva, com cheiro de Bad Brains com uma facilidade absurda. Ambas foram recebidas calorosamente pelos fãs, que cantaram “Love Rears” junto, a plenos pulmões e ficaram vidrados pelos solos de derreter o rosto que Vernon Reid fez em “Time’s”.

Com o show já chegando ao fim, tocaram aquela música, a famigerada, a icônica, a mais pedida (não a do Raimundos), “Cult of Personality”. Foi só a introdução começar, que um mar de celulares foi ao ar, e justificavelmente, foi um momento digno de ser registrado. Quem nunca viu isso acontecer ao vivo ainda não viveu direito. Ouvir “Cult of Personality” ao vivo deveria ser obrigatório por lei. Pensa numa música boa, pensa numa energia incrível, pensa numa banda que replica o instrumental perfeitamente, pensa num público envolvido. Foi isso que rolou naquele sábado.

Antes de irem embora, falaram que viram o Black Pantera na passagem de som e acharam incrível, então queriam dedicar um último som a eles. Para fechar a noite, foi escolhida a “Type”, faixa enérgica, pé na porta, sem massagem, vinda também do “Time’s Up”, de 1990. Fecharam o show com chave de ouro, com uma energia ímpar.

No geral, mostraram porque são um dos maiores. Repertório muito sólido, som perfeito, presença de palco absurda, banda de abertura acertadíssima, público envolvido. A única reclamação que pode ser feita realmente é o horário. Não tem necessidade de fazer algo tão tarde assim, especialmente com a cidade toda apagada, tornando a saída um perigo. Bom, deixando isso de lado, o show em si foi incrível, inacreditavelmente bom. Produção e banda estão de parabéns! Baron, já pode trazer eles ano que vem de novo…


Texto: Daniel Agapito 

Fotos: Belmilson Santos 


Realização: Top Link Music


Black Pantera - setlist:

Provérbios 

Padrão é o Caralho

Dreadpool Zero

Boom!

Perpétuo 

Fogo nos Racistas

Tradução

Fudeu

Black Book Club

Sem Anistia

Candeia

Revolução é o Caos

Boto pra Fuder


Living Colour - setlist:

Leave it Alone

Desperate People

Ignorance is Bliss

Bi

Ausländer

Never Satisfied

Funny Vibe

Sacred Ground

Open Letter (to a Landlord)

Solo de Bateria

Flying

White Lines (Don’t Don’t Do It) / Apache / The Message

Glamour Boys

Love Rears Its Ugly Head

Time’s Up

Cult of Personality

Type