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terça-feira, 7 de julho de 2026

Black Label Society: O Peso da Despedida (Also In English)

MNRK Heavy (Imp.)

Por Michelle F. Santana (@mii.santanna)

Raras são as bandas que conseguem cruzar quase trinta anos de estrada, preservando uma assinatura musical tão autêntica quanto o Black Label Society. Criado em 1998 pelo guitarrista, cantor e compositor Zakk Wylde, o projeto moldou sua discografia ao redor de acordes gigantescos, groove metal, nuances de doom, southern rock, blues e, prioritariamente, a herança do Black Sabbath. Ladeado por Dario Lorina, John DeServio e Jeff Fabb, Wylde apresenta em Engines of Demolition um registro que resume perfeitamente os elementos que transformaram o conjunto em um pilar do heavy metal moderno, mas injeta um teor sentimental incomum em seu histórico. Editado em março de 2026, o álbum surge também como o trabalho inaugural de estúdio após a partida de Ozzy Osbourne, mentor e parceiro de longa data do líder da banda, um acontecimento que molda profundamente o clima da obra.

Logo nos primeiros instantes, fica claro que a produção técnica prioriza o impacto sonoro sem sacrificar a definição do áudio. As guitarras se apresentam encorpadas, as frequências baixas ganham enorme destaque e cada componente encontra seu devido posicionamento na mixagem. O produto final é um disco vigoroso, natural e dotado de grande vivacidade, hábil em mesclar momentos avassaladores a trechos melancólicos sem romper a unidade do projeto. O trabalho de estúdio exalta os traços estilísticos do Black Label Society, retendo o aspecto rústico tradicional do quarteto ao mesmo tempo em que joga luz sobre sutilezas instrumentais que ornamentam cada composição.

A faixa de abertura, "Name in Blood", dita o rumo do trabalho sem rodeios. Funciona como uma verdadeira declaração de princípios do Black Label Society: riffs demolidores, cadência envolvente e um refrão marcante que a consolida como um dos pontos altos do catálogo. A fusão de groove, agressividade e linhas melódicas potentes qualifica a música como uma forte candidata a integrar a lista de hinos atemporais da banda.

Em seguida, "The Hand of Tomorrows Grave" adota uma perspectiva mais obscura e reflexiva. As guitarras transitam entre o peso bruto e harmonias nostálgicas, enquanto Wylde exibe um canto carregado de sentimento, acentuando o ambiente denso que domina boa parte das canções.

A faceta mais terna desabrocha em "Better Days & Wiser Times", uma das composições lentas mais inspiradas da produção recente do conjunto. Bebendo das fontes do blues e do rock sulista, a canção atesta o talento de Wylde para edificar melodias comoventes sem apelar para o sentimentalismo barato. Trata-se de uma pausa necessária que enriquece a dinâmica do álbum.

Por sua vez, "Broken and Blind" resgata a rispidez habitual do grupo. Acordes cortantes, percussão massiva e uma rítmica contagiante fazem desta faixa um prato cheio para os entusiastas do lado mais extremo do Black Label Society. Novamente, a virtuosidade de Wylde surge sob medida: suas intervenções individuais impressionam pelo senso musical, evitando o exibicionismo técnico vazio.

Contudo, qualquer análise sobre Engines of Demolition seria incompleta sem focar em "Ozzy's Song", o encerramento da jornada. Estruturada no início apenas sob piano e violão, a peça ganha corpo gradualmente até desaguar em um solo tocante, servindo como uma despedida poética para Ozzy Osbourne. A entrega vocal de Wylde expõe uma fragilidade real, tornando a música um dos tributos mais honestos já feitos ao eterno Príncipe das Trevas. Longe de ser apenas uma homenagem, a faixa discute a perda de forma ampla, permitindo a conexão imediata de qualquer ouvinte com seu tema.

No aspecto técnico, Engines of Demolition comprova os motivos que mantêm Zakk Wylde no topo do escalão dos guitarristas mais admirados do metal. Suas criações seguem inconfundíveis, os solos fundem precisão e paixão, enquanto a seção rítmica capitaneada por John DeServio e Jeff Fabb entrega um alicerce robusto e massivo. A atuação de Dario Lorina agrega novas camadas harmônicas, sofisticando os arranjos sem desvirtuar o espírito da banda.

À frente do microfone, Wylde exibe o que talvez seja uma de suas marcas vocais mais expressivas em anos. Seu timbre permanece áspero e potente, mas ganha um amadurecimento cênico perceptível, em especial nos momentos mais intimistas.

Frente a registros como Order of the Black, Catacombs of the Black Vatican e Doom Crew Inc., Engines of Demolition funciona como uma antologia refinada de todas as eras do Black Label Society. O disco mescla a agressividade dos primeiros tempos, o polimento das criações recentes e uma carga afetiva sem precedentes. O objetivo não é reconstruir os pilares do grupo, mas lapidá-los de forma formidável, provando que ainda existe muito vigor em sua conhecida fórmula. Parte expressiva da crítica especializada e dos entusiastas já o classifica como o principal petardo do grupo em muito tempo, motivado exatamente pelo equilíbrio entre solidez, peso e sensibilidade.

Engines of Demolition entrega com precisão tudo o que se busca em um grande registro do Black Label Society: guitarras colossais, solos marcantes, refrões que colam na mente e um vigor emocional raramente visto na história do conjunto. É uma obra que honra o próprio passado ao mesmo tempo em que extrai novos propósitos por meio da saudade, do companheirismo e da exaltação ao legado de Ozzy Osbourne. Para os seguidores de Zakk Wylde, configura-se como um item obrigatório; para o cenário do heavy metal atual, firma-se como um dos grandes marcos de 2026.

Divulgação

***ENGLISH VERSION***

Few bands have managed to endure for nearly three decades while preserving such a distinctive musical identity as Black Label Society. Founded in 1998 by guitarist, vocalist, and songwriter Zakk Wylde, the band has built its discography around colossal riffs, groove metal, touches of doom, southern rock, blues, and, above all, the enduring legacy of Black Sabbath. Joined by Dario Lorina, John DeServio, and Jeff Fabb, Wylde delivers Engines of Demolition, an album that perfectly encapsulates everything that has made Black Label Society a cornerstone of modern heavy metal while introducing an uncommon emotional depth to the band's catalog. Released in March 2026, it also stands as the group first studio album following the passing of Ozzy Osbourne, Wylde longtime mentor and musical brother—an event that profoundly shapes the album's atmosphere.

From the opening moments, it becomes evident that the production prioritizes sheer sonic impact without sacrificing clarity. The guitars are massive and full-bodied, the low end is thunderous, and every instrument occupies its own space in the mix. The result is a powerful yet organic record that seamlessly balances crushing heaviness with moments of heartfelt melancholy without ever losing its cohesion. The production embraces Black Label Society's trademark sound, preserving the band's raw edge while highlighting subtle instrumental nuances that enrich every composition.

The opening track, "Name in Blood" immediately sets the tone. It serves as a bold statement of intent: crushing riffs, an irresistible groove, and a memorable chorus that firmly establishes it as one of the album's standout moments. Its blend of groove, aggression, and soaring melodies makes it a strong contender to join the band's timeless anthems.

Next comes "The Hand of Tomorrows Grave" which embraces a darker and more introspective approach. The guitars shift effortlessly between crushing heaviness and mournful harmonies, while Wylde delivers one of his most emotionally charged vocal performances, reinforcing the somber atmosphere that permeates much of the record.

The album's softer side emerges with "Better Days & Wiser Times" one of the finest ballads Black Label Society has written in recent years. Rooted in blues and southern rock influences, the song showcases Wylde's remarkable ability to craft deeply moving melodies without slipping into sentimentality. It offers a welcome moment of reflection while enhancing the album's dynamic flow.

Meanwhile, "Broken and Blind" brings back the band's signature intensity. Razor-sharp riffs, thunderous drumming, and an irresistible groove make it a highlight for fans of Black Label Society's heavier side. Once again, Wylde's guitar work strikes the perfect balance between virtuosity and musicality, delivering technically brilliant solos that always serve the song rather than becoming mere displays of skill.

However, no discussion of Engines of Demolition would be complete without "Ozzy's Song" the album's deeply emotional closing track. Beginning with little more than piano and acoustic guitar, the composition gradually builds into an unforgettable guitar solo, serving as a heartfelt farewell to Ozzy Osbourne. Wylde vocal performance is remarkably vulnerable, making this one of the most sincere tributes ever dedicated to the Prince of Darkness. More than just a tribute, the song explores grief in a universal way, allowing listeners to connect with its message on a profoundly personal level.

From a technical standpoint, Engines of Demolition reaffirms why Zakk Wylde remains one of heavy metal's most respected guitarists. His unmistakable riffs remain as powerful as ever, while his solos combine technical precision with genuine emotion. The rhythm section, anchored by John DeServio and Jeff Fabb, provides a massive and unwavering foundation, while Dario Lorina adds fresh harmonic textures that enrich the arrangements without compromising the band's unmistakable identity.

Behind the microphone, Wylde delivers what may well be his most expressive vocal performance in years. His signature gritty voice retains all of its power but reveals a newfound emotional maturity, particularly during the album's more intimate moments.

Compared to albums such as Order of the Black, Catacombs of the Black Vatican, and Doom Crew Inc., Engines of Demolition feels like the definitive culmination of every era of Black Label Society. It combines the raw aggression of the band's early years, the refined songwriting of its more recent releases, and an unprecedented emotional resonance. Rather than reinventing the band's formula, the album perfects it, proving that there is still plenty of creative fire left within Black Label Society's signature sound. It stands as one of the band's strongest and most emotionally compelling releases in years.

Engines of Demolition delivers everything one could hope for from a great Black Label Society album: colossal riffs, unforgettable guitar solos, instantly memorable choruses, and an emotional weight rarely heard in the band's history. It is a record that honors its own legacy while discovering new meaning through loss, brotherhood, and the enduring spirit of Ozzy Osbourne. For longtime fans of Zakk Wylde, it is an essential listen; for the modern heavy metal landscape, it firmly establishes itself as one of 2026's defining releases.

Divulgação 


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 25/04/2026 – Memorial da América Latina/SP

[ATUALIZADO]

O Brasil sempre teve uma forte tradição em grandes festivais de rock. Desde 1985, o Rock in Rio –ainda ativo – ajudou a impulsionar eventos como Hollywood Rock e Monsters of Rock. Esses festivais abriram caminho para outros, como Lollapalooza Brasil e Best of Blues and Rock, consolidando o país como um dos principais polos de eventos musicais da América Latina.

Apesar da relevância desses festivais e da presença constante de grandes atrações (ainda que nem todas agradem a todos os públicos), existia uma lacuna quanto a um festival totalmente dedicado ao heavy metal. Em sua quarta edição, o Bangers Open Air destacou-se novamente nos dias 25 e 26 de abril, oferecendo mais de 12 horas de música pesada, com bandas nacionais e internacionais distribuídas em quatro palcos bem estruturados, com excelente qualidade de som.

Novamente realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o festival, como nas três edições anteriores, proporcionou não só espetáculos memoráveis, mas também o reencontro de amigos, a formação de novas amizades e a realização de negócios que fortalecem cada vez mais a cena e abrem novos capítulos para o futuro que nos aguarda. Um exemplo disso foi a presença de Thomas Jensen, criador do Wacken Open Air, maior festival de metal do planeta, e que esteve presente nos dois dias circulando a todo momento pelo recinto.

A estrutura e o aspecto visual foram mantidos, com leves ajustes que aprimoraram o que já era bom, além da presença do forte calor, que já se tornou garantida em todas as edições. 


ENTRE FILAS QUILOMÉTRICAS E SOMBRAS SETENTISTAS, LUCIFER HIPNOTIZA NO SUN STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

O primeiro dia, 25, apresentou variações entre os subgêneros. Diferente das outras vezes, em que eu sempre me dirigia aos palcos Hot ou Ice, desta vez a minha primeira parada foi o Sun Stage, que nesta edição inaugurou uma área VIP, onde o lado oculto da Alemanha me chamava. Só por essas palavras, já dá para saber que estamos falando do Lucifer, banda que vem obtendo uma ascensão muito forte nos últimos anos.

Nesta terceira passagem pelo país, a banda, que agora conta com nova formação, conseguiu dar uma leve esfriada no calor com seu som amedrontador, mas que também tem um lado mais intenso graças à influência do hard rock setentista. Johanna Sadonis, vocalista e líder da banda, mostrou-se mais comunicativa e empática do que na última vez – e, ao que parece, o divórcio com Nick Anderson, ex-baterista da banda, fez bem a ela.

Infelizmente, muitos não não conseguiram entrar no Memorial para vê-los, pois a fila para entrar era quilométrica, ocasionando atraso e diversas reclamações. Quem entrou, teve a sorte de curtir " Riding Reaper", " At The Mortuary " e " California Son", além de um cover de "Goin’ Blind", do Kiss, e da já clássica " Fallen Angel", do último álbum, que encerrou a apresentação, sem exageros, magistral.


EVERGREY LEVA RIFFS MATADORES E EMOÇÃO AO HOT STAGE

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Rumo aos palcos principais, ainda deu tempo de pegar um pouco dos momentos finais do Korzus, que vive uma nova fase com a entrada dos guitarristas Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Di Falchi (ex-Crypta) – esta última, inclusive, nem era nascida quando a banda foi fundada, em 1983. Vale também um parabéns à organização: pela primeira vez, uma banda brasileira abriu um dos palcos principais, e não poderia ser outra senão uma tão importante quanto o Korzus, que em breve lançará novo álbum, depois de doze anos.

Sem muita demora, foi a vez de conferir, no Hot, os suecos do Evergrey. A expectativa era grande para vê-los, já que, na primeira edição – ainda sob o nome de Summer Breeze Brasil –, a banda havia tocado apenas para o público que comprou o ingresso com acesso à área VIP, onde atualmente fica o palco Waves Stage. Dessa vez, o grupo pôde mostrar um pouco de suas ótimas composições para um público mais amplo.

Apesar de serem rotulados como prog metal, vejo que o quinteto fura a bolha e quebra protocolos do estilo, geralmente marcado pela alta complexidade. Não que o grupo de Gotemburgo não seja, pois quem é fã sabe bem que a banda experimenta de tudo um pouco, indo do death metal ao hard rock e até mesmo flertando um pouco com o pop.

A princípio, achei que o público não daria muita atenção, mas logo na abertura com Falling From the Sun – uma escolha perfeita para iniciar o show – essa impressão caiu por terra. O set ainda contou com as clássicas Call Out the Dark e King of Errors, que agradaram aos presentes e fizeram a felicidade dos fãs, já que ambas são consideradas verdadeiros hinos. O que se viu foi um grupo com sangue nos olhos, despejando riffs matadores e linhas vocais melódicas conduzidas pelo competente Tom S. Englund.


A ESTREIA TRIUNFAL DO FEUERSCHWANZ NO BRASIL

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Ainda à tarde, o Ice trouxe uma estreia em terras brasileiras e uma grata surpresa, algo que já é de praxe em todas as edições do festival. Escalado inicialmente para tocar no Sun Stage, mas, devido ao cancelamento do Fear Factory às vésperas do evento, o Feuerschwanz – sim, é meio difícil de pronunciar o nome – mostrou, sem desmerecer as outras bandas, que realmente não era uma banda para o palco Sun.

Com visual viking e um som que mistura folk com power metal, os alemães não demoraram a conquistar o público, que se divertiu durante as doze músicas apresentadas. A maior parte do repertório veio dos trabalhos mais recentes, Knightclub e Fegefeuer, mas ainda houve espaço para um inusitado cover de Dragostea Din Tei, que aqui no Brasil ficou famosa na versão do Latino, e que ajudou a tornar o show ainda mais divertido.

Merecem destaque também os músicos, especialmente a violista Johanna von der Vögelweide, que não parava um segundo no palco; os vocalistas Hauptmann Feuerschwanz e Prinz R. Hodenherz, que demonstraram excelente entrosamento vocal; e as simpáticas Mieze Myu e Mieze Musch-Musch, que realizaram um ótimo trabalho de performance.

Fica a torcida para que eles voltem o mais breve possível, pois, pelo tempo em que estão na ativa – desde 2004 –, já mereciam uma vinda ao Brasil. A despedida foi ao som de “Gangnam Style”, do cantor coreano PSY, encerrando o show com uma dose de humor. 


ENTRE O PESO E A PRECISÃO, JINJER TRANSFORMA O CALOR DO BANGERS OPEN AIR 2026 EM INTENSIDADE PURA!

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

O show do Jinjer carregava um peso especial e a banda fez jus à expectativa. Às 15h20 em ponto, em plena tarde, sob um sol de quase 30 °C incidindo diretamente sobre o palco, o grupo subiu a um dos palcos principais, Hot Stage do Bangers Open Air e entregou uma performance tão técnica quanto visceral. Formada em 2009, na Ucrânia, a banda se consolidou no metal moderno com uma sonoridade que mescla metalcore, groove e elementos progressivos. Parte da turnê do álbum “Duél” (2025), o setlist foi majoritariamente focado nas faixas mais recentes, mas soube equilibrar bem com clássicos que funcionam ao vivo como poucos: “Vortex”, “Disclosure”, “Teacher, Teacher!” e “I Speak Astronomy”.

A sintonia entre os integrantes é evidente, mas a presença de palco fica a cargo de Tatiana Shmayluk, que sustenta esse protagonismo com naturalidade. Vestida com um vestido rosa e corset vermelho, sua estética delicada e romântica,  contrasta diretamente com o peso do som e talvez seja justamente aí que mora parte do impacto. Alternando vocais limpos e guturais com impressionante controle, ela mantém interação constante com o público: dança, manda corações e conduz a plateia com segurança. Em um momento leve, brinca antes de “Pieces” ao dizer que se tratava de uma música inédita, arrancando risos e preparando o terreno para um coro potente de um público já completamente envolvido.

Enquanto isso, os demais integrantes seguem mais contidos, com visual simples, mas longe de passarem despercebidos, especialmente o baixista Eugene Kostyuk, que sustenta presença firme em cada linha. Ao final, ainda há espaço para um gesto direto e humano de Tatiana: “thank you for being so strong in the sun” (“obrigada por serem fortes sob o sol”). E foi exatamente isso que o show exigiu: resistência em meio ao calor intenso, entrega e conexão.

Em cerca de uma hora, a apresentação passou rápido e deixou um gostinho claro de quero mais. Mais do que técnica, o Jinjer entregou uma experiência que permanece daquelas que ficam no corpo e na memória.


KILLSWITCH ENGAGE TRANSFORMA O BANGERS OPEN AIR EM CAMPO DE GUERRA!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Assim como o Jinjer, que não poupou brutalidade no palco Ice, o Killswitch Engage seguiu na mesma linha e, mais uma vez, não decepcionou, entregando um show ainda melhor do que o da segunda edição de 2024. Um grande número de fãs prestigiou um repertório matador, que incluiu pedradas como Fixation on the Darkness, In Due Time, The End of Heartache e My Curse – esta última, o maior hit da banda e um dos hinos do metalcore.

Também impressiona a adrenalina dos músicos. O guitarrista Adam Dutkiewicz surgiu como se estivesse pronto para uma maratona: o visual – camiseta regata, bermuda dry-fit, faixa rosa na cabeça e a bandeira do Brasil como capa –  explicava bem isso. Já Jesse Leach é aquele vocalista com “sangue nos olhos”, que canta como se estivesse encarando cada pessoa da plateia. Essa atitude, que também demonstra carinho, ficou evidente em My Last Serenade, quando ele desceu do palco para sentir de perto a vibração de quem estava na grade do lounge, antes de encerrar com o cover de Holy Diver, do Dio.

PESO, REPRESENTATIVIDADE E CONEXÃO: CRYPTA REAFIRMA SUA FORÇA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Marcos Hermes

No Sun Stage do Bangers Open Air, às 17h20 em ponto, a Crypta entregou um show que reforça porque é uma das bandas mais respeitadas do death metal nacional e cada vez mais reconhecida fora do Brasil. Com uma atmosfera densa, mas ao mesmo tempo acolhedora, o público chamou atenção pela diversidade: crianças, idosos, mulheres e homens dividindo espaço em um ambiente de respeito e troca genuína. Mesmo com bandas maiores tocando simultaneamente, como Black Label Society no palco principal, a Crypta reuniu uma audiência expressiva e engajada. O setlist focou no álbum Shades of Sorrow (2023), mas também abriu espaço para momentos marcantes com faixas como “Death Arcana” e “Under the Black Wings”, do Echoes of the SouL (2021), garantindo conexão imediata com os fãs.

No palco, Fernanda Lira conduz tudo com segurança e presença. Seu vocal se mantém impecável ao vivo, enquanto o baixo é executado com naturalidade e peso, acompanhado de expressões faciais performática, as famosas caretas que já se tornaram sua marca registrada. A banda, agora com a guitarrista solo Victoria Villareal, mostra coesão e entrega. 

O mosh refletia exatamente o espírito da plateia: intenso, mas respeitoso, com pessoas se ajudando e participando juntas, independentemente de idade ou gênero. Caminhando para o final da apresentação, Fernanda perguntou ao público se ainda dava tempo para uma “mais uma rápida”. A resposta veio imediata, em coro, e assim a banda iniciou um de seus grandes sucessos, “Starvation”, do álbum Echoes of the Soul (2021), levando a plateia a um dos momentos mais intensos do show. Ao final, Fernanda agradeceu diversas vezes ao público, destacando a importância de fortalecer o metal nacional e reconhecendo quem escolheu estar ali. Mais do que um bom show, a Crypta reafirma seu papel em uma cena ainda marcada por barreiras  e preconceitos, provando, na prática, que qualidade e representatividade feminina caminham lado a lado.


ZAKK WYLDE TRANSFORMA O FESTIVAL EM TERRITÓRIO DO BLACK LABEL SOCIETY

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Quem ficou entre os palcos Hot e Ice presenciou shows de tirar o fôlego – era preciso preparo físico para aguentar as pauladas que vieram pela frente. Encerrando a dobradinha americana iniciada pelo Killswitch Engage, o Black Label Society reuniu não só fãs de Zakk Wylde, líder da banda, mas também artistas que tocaram naquele dia e no seguinte, como integrantes do Lucifer, Rafael Bittencourt (Angra), Jimmy London (Matanza Ritual) e Paulo Xisto Jr. (Sepultura), em uma das apresentações mais aguardadas do dia. Já era hora de a banda tocar para um público mais amplo no Brasil, já que a única vez que isso aconteceu foi em sua primeira visita ao país, em 2008, ao lado de Korn e do saudoso Ozzy Osbourne, no então Palestra Itália (hoje Allianz Parque).

Quando se fala em Black Label Society, é inevitável pensar em Zakk Wylde. Sua presença, como esperado, foi reverenciada – assim como cada riff e solo que saía de sua guitarra estilizada, para o delírio de muitos que estavam vestidos coletes com o tradicional crânio do logo da banda.

Infelizmente, não foi possível contemplar grandes momentos de todos os álbuns da discografia. Ficou a expectativa – minha e dos fãs – de que a abertura fosse com New Religion, do ótimo Shot to Hell (2006). Ainda assim, Funeral Bell, do The Blessed Hellride (2003), abriu os trabalhos. Name in Blood, Destroy & Conquer, A Love Unreal e Heart of Darkness destacaram os lançamentos mais recentes da banda – bons trabalhos, embora muitos sentissem falta de algo do 1919 Eternal (2002), considerado um de seus melhores disco.

Por ter sido guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk prestou sua primeira homenagem ao Madman com uma versão mais estendida e repleta de fritação de No More Tears. O clima seguiu emocionante com a clássica In This River, executada ao piano – uma declaração de amor ao seu melhor amigo, Dimebag Darrell (ex-Pantera), que também passou a homenagear seu irmão, Vinnie Paul, após sua morte em 2018. Nada mais justo do que exibir a imagem dos dois no telão durante a música.

The Blessed Hellride apareceu em uma versão mais pesada do que a de estúdio, que tem uma pegada mais limpa. Set You Free, do ótimo Doom Crew Inc. (2021), levantou o público e preparou o terreno para a dobradinha do álbum Mafia (2004), favorito dos fãs, com Fire It Up e Suicide Messiah.

Já na reta final, o telão exibiu a imagem do eterno Ozzy Osbourne, falecido em julho do ano passado. Só isso já indicava que a próxima seria “Ozzy’s Song”, presente no recém-lançado Engines of Demolition (2026). Muitos ainda não a conheciam, o que resultou em reações emocionadas. O encerramento veio com a clássica Stillborn, consolidando o Black Label Society como um dos grandes destaques do dia.


ENTRE MARES, MITOS E EMOÇÃO: SEVEN SPIRES CRIA UM REFÚGIO INTIMISTA

Texto: Michelle F. Santana

Fotos: Edu Lawless

Às 18h40 do primeiro dia de Bangers Open Air, o Seven Spires subiu ao palco Waves e transformou o espaço em algo raro dentro de um festival: um ambiente íntimo, quase teatral, onde cada nota parecia contar uma história. Formada em 2013, em Boston, a banda construiu sua identidade misturando metal sinfônico, power metal e elementos do metal extremo, criando narrativas densas e cinematográficas . A abertura com “Songs Upon Wine-Stained Tongues” já mergulhou o público nesse universo, evocando paisagens que lembram aventuras marítimas e fantasias épicas,  uma trilha sonora que facilmente dialoga com o imaginário de quem cresceu assistindo histórias como Piratas do Caribe. Desde os primeiros minutos, os fãs estavam completamente imersos, acompanhando cada passagem com entusiasmo e emoção visível.

No centro de tudo, Adrienne Cowan se impôs como uma força magnética, dona de uma versatilidade impressionante, ela transitou entre voz limpa, lírico e gutural com precisão e sentimento, reforçando porque é considerada uma das vozes mais promissoras do metal atual. Atualmente, Adrienne também realiza um trabalho elogiado ao lado de Tobias Sammet no Avantasia e de Roy Khan, ex-Kamelot, algo que reforça ainda mais a dimensão do seu talento e presença dentro do metal atual. Já o guitarrista Jack Kosto surge como um verdadeiro espetáculo à parte, entregando solos marcantes e técnica impressionante, elevando ainda mais a intensidade da apresentação.


Adrienne tem uma performance que carrega elementos do teatro musical, criando a sensação de uma personagem mítica, quase uma "sereia", conduzindo o público por essa jornada. A conexão era imediata: entre interações carinhosas e constantes elogios à plateia (“You’re amazing!”), Adrienne demonstrava uma entrega genuína que se refletia no público, visivelmente emocionado. O baixista Peter de Reyna também reforçou essa proximidade, lembrando que a presença da banda ali era resultado direto do apoio dos fãs brasileiros.

Com um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, incluindo faixas de Solveig (2017), Emerald Seas (2020), Gods of Debauchery (2021) e A Fortress Called Home (2024). O show equilibrou técnica, narrativa e emoção. Músicas como “Almosttown”, “Every Crest”, “Succumb” e “Love’s Souvenir”. Antes de cantar “Architect of Creation” Adrienne diz que a próxima canção seria aquela do clipe em que ela é crucificada em meio a uma nevasca, uma das músicas mais pesadas do último álbum, deixando o público ainda mais entusiasmado.

A banda reforça a sua força criativa, marcada por composições longas, ricas e carregadas de significado. Mais do que uma apresentação, o Seven Spires entregou uma experiência sensorial e emocional, daquelas que não dependem do tamanho do palco para serem grandiosas. Ao final, ficou a sensação de ter testemunhado algo especial: um show encantador, intenso e profundamente envolvente, que conquistou até quem ainda não conhecia a banda. Pelo que apresentaram no palco e pela resposta do público, o Seven Spires aponta para um futuro extremamente promissor, daqueles que inevitavelmente levam a banda a ocupar palcos maiores e posições de destaque em grandes festivais, porque potencial, definitivamente, não falta. Como bons contadores de histórias ou "piratas", eles não apenas passaram pelo festival: roubaram corações e deixaram um inevitável gosto de quero mais.


O ICE EM "IN FLAMES"

Texto: Erick Azevedo 

Fotos: Edu Lawless 

No último sábado, 25/04, São Paulo viveu uma noite de pura intensidade com o show do In Flames. Vindos diretamente da Suécia, os pioneiros do melodic death metal, seguem como um dos nomes mais respeitados do gênero e deixaram claro que sua conexão com o público brasileiro continua mais forte do que nunca.


Com pontualidade, a apresentação começou às 19:15 com “Pinball Map”, abrindo o show de forma intensa e imediatamente levando o público ao delírio. A partir daí, o Ice Stage do Bangers Open Air 2026, colocando o festival literalmente "In Flames": moshs intensos tomaram conta da pista, sinalizadores acesos coloriram o ambiente e milhares de vozes em coro criaram uma atmosfera envolvente do início ao fim.


A presença de palco de Anders Fridén foi incrível, carismático e totalmente conectado com o público, o vocalista conduziu o show com maestria, alternando momentos de intensidade com interações cheias de energia. A qualidade do som e o peso das músicas contribuíram para uma experiência incrível, que conquistam até quem ainda não é fã.


O momento mais triste foi o anúncio do fim, mas valeu a pena cada minuto. Em uma hora de show, a banda sueca trouxe nostalgia e atualidade, com um setlist mesclando sucessos arrepiantes. (Menção honrosa para "Only For The Weak", "Cloud Connected", "Deliver Us", "I Am Above", "In The Dark" e "Take This Life"). Nessas, o público representou muito com um coro impressionante. 


A entrega superou todas as expectativas: muita energia, qualidade audiovisual impecável e um final triunfal. Deixaram aquele "gostinho de quero mais". Foi um show simplesmente incrível, mas não poderíamos esperar menos vindo do In Flames.

A VOZ DO POVO CONSAGRA O ARCH ENEMY COMO HEADLINER PERFEITO!

Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Sabe aquele clichê “a voz do povo é a voz de Deus” Isso cai perfeitamente para o headliner de sábado.

Quando foi anunciada a quarta edição do festival, no final do ano passado, o nome confirmado era o Twisted Sister, que retornaria aos palcos após nove anos. Muita gente – inclusive este que vos escreve – comprou ingresso só para ver Dee Snider, Jay Jay French e Eddie Ojeda. Porém, devido a problemas de saúde de Dee, esse sonho foi por água abaixo.

A solução? Apostar na banda mais pedida pelo público: Arch Enemy. E a escolha não poderia ter sido melhor.

Uma das maiores bandas de melodic death metal entregou um show devastador no fim do dia, com excelente produção de palco, pirotecnia e uma performance extremamente afiada – uma verdadeira locomotiva. Michael Amott e Joey Concepcion dispararam riffs e solos matadores, enquanto Sharlee D'Angelo e Daniel Erlandsson seguraram uma base pesada e precisa.

Mas o centro das atenções foi mesmo Lauren Hart, que em poucos meses já mostra ser uma escolha certeira para dar continuidade ao legado da banda. Isso ficou evidente em músicas como “Yesterday Is Dead and Gone”, “The World Is Yours” e “Ravenous”, que já incendiaram o público com rodas e sinalizadores – algo que não se via desde o show do Anthrax na segunda edição.

O repertório foi um verdadeiro passeio pela carreira dos suecos, com destaque para a fase de Alissa White-Gluz em faixas como “War Eternal”, “Dream Stealer”, “Blood Dynasty” e “The Eagle Flies Alone”, sem deixar de olhar para o presente e o futuro com “To the Last Breath”, música que recentemente gerou polêmica por suposta semelhança com “Falling Dreams”, de Kiko Loureiro.

Uma surpresa foi a inclusão de “No Gods, No Masters”, do álbum Khaos Legions (2011), último com Angela Gossow nos vocais. Clássicos como “I Am Legend/Out for Blood”, “Dead Bury Their Dead” e “Nemesis” reforçaram a força dessa fase, mostrando como essas músicas também funcionam muito bem com a voz de Lauren. O encerramento com “Fields of Desolation” foi uma escolha certeira, resgatando os primórdios da banda na era de Johan Liiva.

O carinho do público brasileiro foi algo fora do normal, e a banda retribuiu com a mensagem “tamo junto, Brasil” no telão, em verde e amarelo. Um show para ficar na história e fazer valer todo o esforço.

O primeiro dia terminou exatamente como eu imaginava: grande presença de público, ingressos praticamente esgotados e atrações dos mais variados estilos dentro da música pesada, contemplando fãs de thrash, prog e sonoridades mais modernas. Infelizmente, não foi possível assistir a tudo ,algo praticamente impossível diante da magnitude do festival, mas essa diversidade é extremamente válida, pois mostra que o evento consegue atender aos mais diferentes gostos sem qualquer tipo de desrespeito entre públicos e estilos. No geral, todos saíram satisfeitos com esse início e com energia de sobra para o dia seguinte, que prometia ainda mais emoção.


Realização: Bangers Open Air

Press: Agência Taga


Lucifer – setlist:

Anubis

Crucifix (I Burn for You)

Riding Reaper

Lucifer

Wild Hearses

At the Mortuary

Slow Dance in a Crypt

The Dead Don't Speak

California Son

Bring Me His Head

Goin' Blind (KISS cover)

Fallen Angel


Evergrey – setlist:

Falling From the Sun

Where August Mourn

Weightless

The World Is on Fire

Eternal Nocturnal

Call Out the Dark

King of Errors

Architects of the New Weave

Leaving the Emptiness

OXYGEN!


Feuerschwanz – setlist:

Drunken Dragon

Memento Mori

Untot im Drachenboot

Knightclub

Bastard von Asgard

Name der Rose

Ultima Nocte

Testament

Berzerkermode

Dragostea din tei (O‐Zone cover) 

Valhalla

Das Elfte Gebot


Killswitch Engage – setlist:

Fixation on the Darkness

In Due Time

The End of Heartache

Aftermath

Rose of Sharyn

This Is Absolution

Broken Glass

Hate by Design

Forever Aligned

The Signal Fire

I Believe

The Arms of Sorrow

Strength of the Mind

This Fire

My Curse

My Last Serenade

Holy Diver (Dio Cover)


Crÿpta – setlist:

Death Arcana

Lullaby for the Forsaken

Poisonous Apathy

The Outsider

I Resign

Stronghold

Under the Black Wings

Dark Clouds

The Other Side of Anger

Trial of Traitors

Dark Night of the Soul

Starvation

Lord of Ruins

From the Ashes


Black Label Society – setlist:

Funeral Bell

Name in Blood

Destroy & Conquer

A Love Unreal

Heart of Darkness

No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

In This River

The Blessed Hellride

Set You Free

Fire It Up

Suicide Messiah

Ozzy’s Song

Stillborn


Seven Spires – setlist:

Songs Upon Wine-Stained Tongues

Almosttown

No Words Exchanged

Oceans of Time

Unmapped Darkness

Succumb

Shadow on an Endless Sea

Portrait of Us

Architect of Creation

Love's Souvenir


Arch Enemy– setlist:

Yesterday Is Dead and Gone

The World Is Yours

Ravenous

War Eternal

Dream Stealer

To the Last Breath

Blood Dynasty

My Apocalypse

Bury Me an Angel

The Eagle Flies Alone

No Gods, No Masters

I Am Legend/Out for Blood

Dead Bury Their Dead

Snow Bound

Nemesis

Fields of Desolation

terça-feira, 9 de abril de 2019

Cobertura de Show (30/03/19 - Porto Alegre/RS) - Black Label Society: São as águas de março fechando o verão”...



Pois mal o poeta sabia que, em 2019, quem fecharia o verão Porto Alegrense seria a horda fiel que segue o Lord Berzeker Zakk Wylde. Então eis que, no dia 30 de março de 2019, através das mãos da Liberation + Opinião Produtora, a Black Label Society desembarcou na capital do Rio Grande do Sul, para fazer o Bar Opinião ferver novamente.

A noite começou embalada pela gaúcha Rebel Machine. Nunca é uma tarefa fácil fazer o “Warm Up” para um colosso que está por vir. A conterrânea, composta por Marcelo Pereira (vocal), Murilo Bittencourt (guitarra), Marcel Bittencourt (baixo) e Chantós Mariani (bateria) pisou no palco exatamente às 19 horas e teve uma complicada missão para resolver, mas o cozimento de palco mostrou o real motivo da banda estar lá naquela noite. Na “Don't Tell me I'm Wrong”, a presença do baixo preencheu qualquer espaço vazio que houvesse no Opinião. “Down the Road” arrancou fists in the air da galera e trouxe à tona o espirito da banda: rebeldia sem conformismo.

Após Chantós disparar um coeso solo de bateria, rolaram os agradecimentos da noite (nós é que devemos agradecer, por vocês. Obrigado!). E com lenha máxima na fornalha a Rebel Machine, orgulhosamente, botou todo mundo pra banguear. Vocativos de indignação e protestos, além de uma porrada sonora no crânio, foram os ingredientes básicos que a banda utilizou para aquecer a noite. De alma lavada, a Rebel Machine batizou o palco e se retirou, humilde e cordialmente, ao som de palmas, para que os reis da noite pudessem assumir.

 “Square One” e a “Full Throttle” estarão no segundo álbum, que deve ganhar vida em maio de 2019.

Setlist:
-Don't Tell me I'm Wrong
-Down the Road
-Square One (novo single)
-Run Away
-Full Throttle
-Life is Fuckin'Good


Se a Black Label Society fosse um lutador de Boxe, eu arriscaria dizer que ela entrou no ringue (Bar Opinião) trocando rápido “jogo de pés” e desferiu um Jab de direita certeiro, que quase acertou a multidão em cheio. Digo “quase” pois, quando Zakk assume o vocal do primeiro som da noite, a “Genocide Junkies” já havia sido reconhecida pela galera, que acompanhou uníssona. “Foi por pouco!”.

O mais interessante é que antes da banda entrar no palco, a turba foi recepcionada por um “medley” (apelidado de Whole Lotta Sabbath) que se inteirou por fragmentos, sobrepostos dos hinos: Heaven and Hell + Wholla Lota Love + War Pigs. Conseguem imaginar? Pois é, deveriam estar lá para ver os arrepios que o medley arrancou da galera.

Desse ponto em diante foi uma sequência sonora que fez valer cada centavo do ingresso, desde “Funerall Bell” até “Suicide Messiah” (quando o roadie assume o megafone no refrão).


Um dos destaques da noite, que não pode deixar de ser notado é o agigantamento de Zakk Wylde. Primeiro como guitarrista, pois é sonoramente claro o quanto ele está melhor a cada performance. Segundo como Frontman. Apesar de poucas falas, apesar de poucos gestos, a cada interação com o público ele conseguia arrancar o máximo de expressão da galera. Frequentou a “velha escola” e sabe muito bem o que fazer quando o “PA” é acionado.

Entre trocas de guitarras, outro detalhe impressionante percebido foi a coesão da banda. A BLS atualmente se move e se comporta como um organismo complexo sonoro perfeito, sem margem para suspiros ou erros. Não é apenas mais um show, é um espetáculo de precisão cirúrgica.

Outro momento que merece atenção é a sequência de três sons do novo disco: “Trampled Down Below”, “All That Once Shined” e (prefaciada por um majestoso solo) “Room of nightmares”.

Uma noite marcada por detalhes importantes, como por exemplo a importância que Dario Lorina assumiu dentro do BLS. Além de excelente multi-instrumentista, Dario demonstra total sintonia com o espírito da banda. Acredito que a Black Label atingiu o ápice do entrosamento com a formação atual (e assumo responsabilidade da afirmação).


“Spoke in the wheel”, tradicional no setlist, ganha nova roupagem com Laila (Eric Clapton), no teclado, ao finalzinho (de arrepiar). Logo após, rolou o momento “alicate de pressão cardíaco”: “In This River”, momento sempre muito esperado da noite. É a hora em que Zakk declara seu amor ao velho amigo Dimebag († 2004).

O que poucos sabiam ou esperavam, é que aconteceria uma segunda homenagem naquele momento: surge a imagem do Vinnie Paul († 2018) estampada em uma segunda bandeira, na outra extremidade do palco. Haviam dois fortes abraços perdidos, soltos, pelo palco. Foi complicado segurar a emoção nesse instante.

Após muita euforia, muita energia, o hino final é anunciado e contextualizado pelo gelo seco subindo: “Stillborn”. E assim, Zakk Wylde, no comando da banda, vestindo seu charmoso tradicional Kilt Xadrez, se despede da capital Gaúcha ao majestoso som de “New York, New York”. A pergunta que ecoou no ar: Para que tanto Glamour? (risos).

Alguns sentimentos e percepções não estão descritas nessa resenha, mas aí já se tratam de particularidades dos que estiveram presente no show. Aqui, a intenção é ilustrar um pouco do que foi visto e ouvido. Quando a BLS vier novamente (e virão), não perca a chance de assistir na melhor casa de shows que Porto Alegre tem hoje – Bar Opinião.

Pois muito bem, Black Label Society deixou mais uma marca na alma dos que estiveram no Bar Opinião, na noite do dia 30 de março de 2019.

Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Glauco Malta
Edição/revisão: Renato Sanson 

Black Label Society é:
Zakk Wylde – Vocal, guitarra e teclado
John DeServio – Baixo
Jeff Fabb – Bateria
Dario Lorina – Guitarra

Setlist:
*Whole Lotta Sabbath
Genocide Junkies
Funeral Bell
Suffering Overdue
Bleed for Me
Heart of Darkness
Suicide Messiah
Trampled Down Below
All That Once Shined
Room of Nightmares
Bridge to Cross
Spoke in the Wheel
(Zakk Wylde teclado)
In This River
(Zakk Wylde teclado)
The Blessed Hellride
A Love Unreal
Fire It Up
Concrete Jungle
(Zakk e Dario num duelo de Riffs)
Stillborn
New York, New York (Frank Sinatra)



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Resenha de Show: Black Label Society em Porto Alegre (14/08/11)


Black Label Society tocando pela primeira vez na capital gaúcha

Nem mesmo a chuva que teimava em cair no domingo 14 de agosto desanimou o público que esperava ansiosamente pra ver uma das bandas de Metal mais importantes da atualidade, o Black Label Society, do grande guitarrista Zakk Wylde.

Zakk Wylde é um dos grandes guitarristas do Metal (ex-Ozzy Osbourne)

Os portões do bar Opinião foram abertos por volta das 20 horas, uma hora depois a banda porto alegrense Draco subiu no palco para o show de abertura, e não decepcionaram, com uma pegada forte animaram o público que cantava junto as músicas próprias da banda. Foi meia hora de show, que aqueceu os que ali estavam.

Prontamente após a Draco deixar o palco, a equipe do BLS começa a arrumá-lo, e pontualmente às 22 horas, depois de uma introdução com “New Religion”, Black Label Society entra e a banda de Zakk Wylde deixa todos alucinados com a ótima “Crazy Horse”, do novo álbum “Order of the Black” (2010).

Zakk Wylde com um cocar indígena americano, levanta o público com toda sua técnica com a guitarra.

Em seguida foi a vez de “Funeral Bell”,seguida de “Bleed For Me” e “Demise of Sanity”.

Zakk só fazia pausas para tomar cerveja, e já emendava outra música sem piedade ao público que ia ao delírio. “Overlord” e “Parade of the Dead” foram as seguintes.

Zakk por diversas vezes levantava sua guitarra como um troféu, sendo ovacionado pelo público que não parava de pular.

E o show ia seguindo, com uma força impressionante de toda a banda, que parecia não cansar, tocaram “Born To Lose” antecedendo “Darkest Days”, bonita canção do novo álbum, com Zakk no piano.

Em seguida, foi a vez da grande “Fire It Up”, ovacionada e cantada por todos, depois Zakk, sozinho no palco, destrói sua guitarra, num solo improvisado de mais ou menos 10 minutos, mostrando que é mesmo um dos melhores guitarristas da atualidade.

Sem pausas e com o resto da banda de volta ao palco, emendaram “Godspeed Hellbound”, “The Blessed Hellride”, e um dos momentos mais marcantes da noite, “Suicide Messiah”, que quase levou o Opinião a baixo.

O Black Label Society encerra o show com chave de ouro, com as ótimas “Concrete Jungle” e “Stillborn”.

Os integrantes da banda mostravam para o público uma bandeira do Brasil, com o símbolo do BLS no meio. Zakk batia no peito como um louco, e o público gritava seu nome.

O show foi um pouco curto, mais ou menos 1 hora e meia, mas foi ótimo, não ficou devendo em nada. Valeu muito a pena aguentar a chuva e o frio.

Zakk e sua banda mostram uma força incomum nos dias de hoje, eles simplesmente mostram a verdadeira energia headbanger!


Texto: Mateus Fiuzza

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Daniela Hentges


Formação

Zakk Wylde (Vocais, Guitarra)

Nick Catanese (Guitarra)

John DeServio (Baixo)

Mike Froedge (Bateria)


Set List

1 – New Religion

2 – Crazy Horse

3 – Funeral Bell

4 – Bleed for Me

5 – Demise of Sanity

6 – Overlord

7 – Parade of the Dead

8 – Born To Lose

9 – Darkest Days

10 – Fire It Up

11 – Godspeed Hellbound

12 – The Blessed Hellrise

13 – Suicide Messiah

14 – Concrete Jungle

15 - Stillborn