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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Cobertura de Show: Cro-Mags – 08/10/2025 – Burning House/SP

Cro-Mags incendeia o Burning House e transforma São Paulo em templo do hardcore

Na quarta-feira, 8 de outubro de 2025, o Burning House em São Paulo se tornou o epicentro do hardcore mundial. A lendária banda Cro-Mags subiu ao palco em uma apresentação histórica, crua, intensa e absolutamente arrebatadora, daquelas que fazem o público sair com a garganta rouca, o corpo suado e a alma em chamas.

A noite começou em alto nível com a apresentação de Paura, banda veterana que há anos carrega a bandeira do hardcore nacional com autenticidade e peso. O set foi uma explosão de energia e abriu as rodas de mosh logo nos primeiros acordes, aquecendo a plateia para o que viria a seguir.

*Raíssa Corrêa (Raro Zine)

Entre os fãs, a presença ilustre de Supla adicionou ainda mais brilho ao evento, quando subiu ao palco para apresentar o Cro-Mags. Seu carisma e atitude elevaram a expectativa para o que estava por vir, unindo gerações em um mesmo frenesi sonoro.

Monise Bianchi

Liderados pelo icônico Harley Flanagan nos vocais, os nova-iorquinos incendiaram o Burning House com um setlist que revisitou décadas de clássicos, incluindo “We Gotta Know”, “Show You No Mercy”, “Apocalypse Now”, “No One’s Victim”, “Hard Times”, “My Life”, “World Peace”, “Days of Confusion” e “These Streets”, entre outros. Cada música era recebida como um hino, com coros poderosos e mosh pits incansáveis.

Monise Bianchi

O clima dentro da casa era quase físico, calor humano e energia concentrada transformaram o espaço em um forno pulsante. Enquanto lá fora a quarta-feira gélida de São Paulo lembrava que o mundo seguia em seu ritmo frio e urbano, dentro do Burning House, riffs e vocais criaram uma sensação térmica de 45 graus, suor, adrenalina e emoção em estado bruto, como se cada acorde fosse capaz de derreter o concreto da cidade.

Monise Bianchi

A performance foi impecável, riffs cortantes como navalhas, bateria esmagadora e o vocal rasgado de Flanagan guiando a multidão como um maestro de caos controlado. Os fãs, imersos nesse ritual sonoro, colidiram nos mosh pits, gritaram e cantaram cada verso, formando uma comunhão que transcendeu o simples formato de show.

Monise Bianchi

No fim, restaram gargantas roucas, corpos exaustos e corações em chamas, mas também a certeza de terem testemunhado algo maior do que música, uma experiência quase mística, intensa e inesquecível, onde o hardcore mostrou toda sua força, energia e relevância, décadas após ter surgido.

Monise Bianchi

Com casa lotada e uma atmosfera incandescente, a apresentação reafirmou por que o Cro-Mags segue sendo um nome sagrado no hardcore mundial.

Monise Bianchi

Texto e Fotos: Monise Bianchi (*exceto onde indicado)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Xaninho Discos / Caveira Velha Produção / Solid Music Entertainment 

Press: Tedesco Comunicação & Mídia


Cro-Mags – setlist:

We Gotta Know

My Life

Crush the Demoniac

Malfunction

Show You No Mercy

World Peace

Hard Times

The Only One

Down but Not Out

Apocalypse Now

Then and Now

These Streets

No One's Victim

domingo, 13 de outubro de 2024

Cobertura de Show: Living Colour – 12/10/2024 – Tokio Marine Hall/SP

Poucas bandas têm um som tão característico e tão impactante quanto os nova-iorquinos do Living Colour e sua mescla flamejante de rock, punk, soul e funk. Atualmente composta por Vernon Reid na guitarra, Corey Glover no vocal, Will Calhoun na bateria e Doug Wimbish no baixo, o quarteto realizou sua décima passagem pela capital paulista com um show eletrizante no Tokio Marine Hall, uma das maiores casas de show da “cidade da garoa”, com capacidade para aproximadamente 4 mil pessoas. A gira atual não passaria só por terras tupiniquins, mas também pelo Chile e pela Argentina, ambos “queridinhos da banda”, contando com 4 e 8 visitas, respectivamente. Aquele sábado, feriado, prometia ser mais uma apresentação histórica, recheada de clássicos.

Chegando no Tokio, o bairro inteiro estava apagado, escuridão para todos os lados, menos a própria casa, que estava completamente acesa. Sair na rua - completamente apagada - no final do show, que estava previsto para COMEÇAR às 22:00 seria algo complicado, mas aí é uma história à parte. Mesmo assim, já havia uma quantia decente de pessoas na parte de fora da casa, esperando para ver o Living Colour ao vivo e à cores. Lá dentro, era aquele esquema típico dos shows da Toplink, estande de merchan no saguão (que curiosamente contava com exemplares do disco acústico do Angra) e um pequeno palco perto da entrada da pista, com alguns equipamentos para outra banda assumir e tocar alguns covers no final dos shows.

Por volta das 20:40, subiu ao palco o Black Pantera, acompanhados por palavras do Mano Brown pelo PA. Para quem ainda não conhece, são um power trio mineiro composto pelos irmãos Charles e Chaene Gama (guitarra/voz, baixo respectivamente) e o baterista Rodrigo Pancho. Foram uma escolha certeira para abrir para o Living, visto que a influência dos nova-iorquinos no som do Black Pantera é palpável, fora o fato de ter uma noite em uma das maiores casas de show de São Paulo só com músicos negros. Quem já foi em algum show deles, sabe bem como é, um show objetivo, direto, com uma energia incrível, mas também recheado de interação com os fãs. 

Desde o meio do ano, seguem com a turnê de seu quarto álbum, “Perpétuo”, e foi ele o foco do repertório. Das 13 músicas, só não foram do último disco as já clássicas “Padrão é o Caralho” e “Fogo nos Racistas” e as enérgicas “Dreadpool Zero”, “Boto pra Fuder” e “Recolução é o Caos”, que começou com Chaene tocando a introdução de “Anesthesia (Pulling Teeth)” no baixo. Das do disco novo, vale destacar “Provérbios”, que começou a noite com tudo, a linda “Tradução”, dedicada às mães presentes e “Fudeu”, que foi prefaciada por “September”, aquela, do Earth, Wind and Fire pelo sistema de PA. 

No geral, mostraram porque são uma das bandas nacionais que mais crescem nos últimos tempos; não só fizeram um show muito bom, direto ao ponto, mas também esbanjaram uma presença de palco absurda, interagindo bastante com os fãs e se divertidndo visivelmente, tocando com um sorriso no rosto, pulando, batendo cabeça.

Os headliners assumiram a casa um pouco atrasados, mas nem tanto, às 22:10, ao som da marcha imperial do Star Wars. Começaram com “Leave it Alone”, destaque de seu terceiro álbum, “Stain” (1993). Não se passaram nem 2 minutos, já dava para sentir a energia incrível que tomava o Tokio Marine Hall. Som incrível, galera animada, banda tão animada quanto, evidentemente felizes no palco. Tem tanta banda que toca parecendo que precisa bater ponto e ir embora, cumprir tabela, mas o Living Colour com certeza não é uma delas.

Seguiram com a volta para o passado, tocando “Desperate People”, de seu primeiro trabalho, “Vivid” e novamente destacaram “Stain” com a dobradinha de “Ignorance is Bliss” e “Bi”, que começou com uma troca de “everybody” entre Glover e os fãs. Foi só o Will Calhoun começar aquela introdução no cowbell que a galera já sabia o que ia rolar, “Ausländer”, mais um petardo diferenciado, banhado de efeitos, do “Stain”. “Never Satisfied” fechou a sequência de “Stain”, abrindo as portas para “Funny Vibe”, de “Vivid”, que mostrou claramente as habilidades incríveis da banda. Calhoun é um relógio na bateria, Doug Wimbish, que teve seu primeiro show com a banda aqui na capital paulista, no Hollywood Rock, toca as linhas de baixo complexas como se fossem músicas de punk e Vernon Reid e Cory Glover nem se fala, um Deus da guitarra com um estilo próprio e um vocalista que mesmo beirando os 60, ainda chega nos mesmos agudos que chegava no auge dos anos 90.

“Sacred Ground”, lado B de “Collideøscope” (2003) deu sequência à festa, que contava com um Tokio Marine Hall quase cheio. A groovadíssima “Open Letter (To A Landlord)” veio à seguir, esfregando na nossa cara o fato de que Cory Glover, aos 59, canta melhor do que muito jovem por aí. Depois dessa performance incrível, até os proprietários de imóveis que estavam presentes começaram a viver de aluguel. Glover descreveu o baterista como a nona, décima e décima-primeira maravilha do mundo, e o solo de bateria que eles fez realmente explicou o porquê.

“Flying” terminou com um pedido de aplausos para o Vernon Reid. Quando o público parou, Glover mostrou seu carisma e disse, “dont stop, dont stop”, brincando com o público. O vocalista passou a tocha para Doug Wimbish, que além de baixista da banda, também gravou diversos artistas no começo da cena do hip-hop nova-iorquino, oferecendo uma pequena medley com músicas da época, White Lines (Don’t Don’t Do It), do Grandmaster Flash e Melle Mel, “Apache”, da The Sugarhill Gang e “The Message”, de Grandmaster Flash e o Furious Five.

A folia continuou, agora de volta ao rock, com “Glamour Boys”, cantada junto pelo público. Mostrando toda sua versatilidade, foram da quase pop “Love Rears Its Ugly Head” para “Time’s Up”, rápida e objetiva, com cheiro de Bad Brains com uma facilidade absurda. Ambas foram recebidas calorosamente pelos fãs, que cantaram “Love Rears” junto, a plenos pulmões e ficaram vidrados pelos solos de derreter o rosto que Vernon Reid fez em “Time’s”.

Com o show já chegando ao fim, tocaram aquela música, a famigerada, a icônica, a mais pedida (não a do Raimundos), “Cult of Personality”. Foi só a introdução começar, que um mar de celulares foi ao ar, e justificavelmente, foi um momento digno de ser registrado. Quem nunca viu isso acontecer ao vivo ainda não viveu direito. Ouvir “Cult of Personality” ao vivo deveria ser obrigatório por lei. Pensa numa música boa, pensa numa energia incrível, pensa numa banda que replica o instrumental perfeitamente, pensa num público envolvido. Foi isso que rolou naquele sábado.

Antes de irem embora, falaram que viram o Black Pantera na passagem de som e acharam incrível, então queriam dedicar um último som a eles. Para fechar a noite, foi escolhida a “Type”, faixa enérgica, pé na porta, sem massagem, vinda também do “Time’s Up”, de 1990. Fecharam o show com chave de ouro, com uma energia ímpar.

No geral, mostraram porque são um dos maiores. Repertório muito sólido, som perfeito, presença de palco absurda, banda de abertura acertadíssima, público envolvido. A única reclamação que pode ser feita realmente é o horário. Não tem necessidade de fazer algo tão tarde assim, especialmente com a cidade toda apagada, tornando a saída um perigo. Bom, deixando isso de lado, o show em si foi incrível, inacreditavelmente bom. Produção e banda estão de parabéns! Baron, já pode trazer eles ano que vem de novo…


Texto: Daniel Agapito 

Fotos: Belmilson Santos 


Realização: Top Link Music


Black Pantera - setlist:

Provérbios 

Padrão é o Caralho

Dreadpool Zero

Boom!

Perpétuo 

Fogo nos Racistas

Tradução

Fudeu

Black Book Club

Sem Anistia

Candeia

Revolução é o Caos

Boto pra Fuder


Living Colour - setlist:

Leave it Alone

Desperate People

Ignorance is Bliss

Bi

Ausländer

Never Satisfied

Funny Vibe

Sacred Ground

Open Letter (to a Landlord)

Solo de Bateria

Flying

White Lines (Don’t Don’t Do It) / Apache / The Message

Glamour Boys

Love Rears Its Ugly Head

Time’s Up

Cult of Personality

Type