Mostrando postagens com marcador Sonata Arctica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonata Arctica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cobertura de Show: Sonata Arctica – 03/10/2026 – Audio/SP

Sonata Arctica e Noturnall transformam sábado paulistano em celebração à vida e à música ao vivo

São Paulo teve um daqueles sábados em que cruzar a cidade para ir a um show significou muito mais do que simplesmente assistir a uma banda no palco. No último dia 3, o Espaço Audio recebeu Noturnall e Sonata Arctica em uma noite que reuniu peso, experiência, virtuosismo e, principalmente, uma conexão muito particular entre músicos e público. Em meio à reta final de um fim de semana marcado pela expectativa das eleições, quase três mil pessoas escolheram ocupar a casa para celebrar aquilo que só um show consegue proporcionar: estar presente, dividir o mesmo espaço e viver a música em tempo real./


Noturnall: técnica, experiência e sangue no olho

A missão de abrir a noite ficou com o Noturnall, que apresentou um set coeso e musicalmente muito bem amarrado. A trajetória individual dos integrantes é perceptível e aparece tanto na execução quanto nos arranjos, mas a apresentação não se apoiou só no currículo ou na capacidade técnica dos músicos. Havia uma banda funcionando como unidade, com peso, precisão e segurança suficientes para sustentar uma abertura diante de um público que ainda aguardava a atração principal.

No centro dessa dinâmica esteve Thiago Bianchi. O vocalista assumiu naturalmente a função de conduzir a apresentação, estabelecendo uma comunicação direta com a plateia e mantendo a intensidade do show do início ao fim. O resultado foi uma apresentação que soube equilibrar a complexidade musical do Noturnall com uma postura de palco acessível e espontânea. No encerramento, Bianchi deixou o palco e se jogou no meio do público, levando para a pista a mesma energia que havia construído durante o set. Foi uma escolha que resumiu bem a proposta da banda naquela noite.

Sonata Arctica: 30 anos de história compartilhada

Quando o Sonata Arctica entrou em cena, a resposta foi imediata. O Espaço Audio estava tomado por um público que conhecia aquelas músicas como parte da discografia de uma das principais bandas do power metal finlandês, e principalmente, como trilha sonora de diferentes momentos de suas próprias vidas. A celebração dos 30 anos de carreira ganhou, portanto, um significado que ultrapassava a marca comemorativa da turnê. Era também uma oportunidade de reencontro entre a banda, seus fãs e memórias construídas ao longo de décadas.

“I Have a Right”, “Black Sheep” e “Paid in Full” colocaram a apresentação em movimento desde os primeiros minutos, enquanto “Last Drop Falls” e “Tallulah” ampliaram o repertório emocional da noite. A sequência ainda passou por “8th Commandment”, “Closer to an Animal”, “Letter to Dana” e “White Pearl, Black Oceans...”, mostrando a capacidade do Sonata Arctica de transitar entre diferentes momentos de sua carreira sem perder a identidade. A banda não precisou transformar o aniversário em uma retrospectiva protocolar. O próprio repertório foi suficiente para evidenciar o caminho percorrido ao longo dessas três décadas.

Tony Kakko foi um dos grandes responsáveis pela atmosfera criada no palco. Muito à vontade, o vocalista conversou, brincou e interagiu constantemente com a plateia, diminuindo qualquer distância entre o palco e quem estava na pista. Ao seu lado, Elias Viljanen, Pasi Kauppinen, Henrik Klingenberg e Tommy Portimo sustentaram a apresentação com precisão e entrosamento, formando uma base sólida para que as músicas ganhassem força ao vivo. “Shy” preparou o terreno para “FullMoon”, que se tornou um dos momentos mais catárticos da noite, antes de a banda retornar para o bis com “The Last Amazing Grays”, “Don’t Say a Word” e a tradicional “Vodka”, encerrando a apresentação em clima de celebração.

Na minha visão, o que marcou a noite foi a dimensão coletiva daquele encontro. Desde os primeiros acordes, o público cantou, respondeu às interações de Kakko e acompanhou praticamente todas as músicas. Ver o Audio cheio de pessoas genuinamente felizes por estar ali trouxe uma dimensão diferente para a apresentação. Em uma época em que boa parte do consumo musical acontece individualmente, por meio de fones, telas e algoritmos que determinam o que chega até nós, havia algo particularmente significativo em ver tantas pessoas escolhendo sair de casa para compartilhar a mesma experiência.

Essa percepção ganhou ainda mais força quando Kakko falou sobre a importância de continuar consumindo música ao vivo. O vocalista lembrou que apresentações como aquela só são possíveis porque existe um público disposto a comprar ingressos, frequentar casas de shows e manter esse circuito funcionando. O comentário poderia parecer simples, mas ganhou peso naquele contexto. O show só existia porque havia músicos dispostos a estar no palco e pessoas dispostas a estar diante dele, mantendo viva uma relação que nenhuma plataforma digital consegue reproduzir completamente.

Às vésperas das eleições, o Espaço Audio acabou funcionando como um intervalo do ruído que tomava conta do lado de fora, mas sem representar uma fuga da realidade. Era um espaço de encontro, convivência e expressão através da arte. No fim, Noturnall e Sonata Arctica entregaram propostas diferentes, mas complementares: de um lado, uma banda brasileira mostrando força, experiência e excelência musical; do outro, uma formação com três décadas de história reafirmando sua capacidade de reunir gerações em torno de suas canções.





Realização: Honorsounds



Noturnall – setlist:

Try Harder

No Turn at All

Reset the Game

Sugar Pill

Shadows

Shallow Grave

Scream! For!! Me!!!

Nocturnal Human Side


Sonata Arctica – setlist:

I Have a Right

Black Sheep

Paid in Full

Last Drop Falls

Tallulah

8th Commandment

Closer to an Animal

Letter to Dana

White Pearl, Black Oceans...

Shy

FullMoon

Bis

The Last Amazing Grays

Don't Say a Word

Vodka

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Mikko Karmila — The Man Behind the Sound That Took Finnish Metal to the World

By Flavio Borges

There are musicians who become part of history because they wrote the songs. Others because they walked onto a stage and turned their presence into the soundtrack of a generation. And then there are those who work far from the spotlight, yet whose contribution can be heard on hundreds of records.

Mikko Karmila belonged to that rare last category.

Producer, recording engineer and, above all, one of the most respected mixing engineers in the history of European heavy metal, Karmila died on September 9, 2026, at the age of 62. Born in Lohja, Finland, in 1964, he spent more than four decades behind recording consoles and left his mark — directly or indirectly — on more than 300 albums.

For those unfamiliar with his name, it is enough to look at some of the records that helped turn Finnish metal into an international phenomenon: Nightwish, Stratovarius, Children of Bodom, Amorphis, Sonata Arctica, Lordi, Waltari, Sentenced, Tarot, Norther, Charon, Kotiteollisuus and Stone, among many others.

Karmila was not necessarily credited as producer on all of these albums. On some, he worked as an engineer; on others, as a mixer, producer, or in several roles at once. But his work was crucial in making that music reach listeners with the power, clarity and definition that would become hallmarks of an entire generation.

The Beginning of a Story That Would Help Change Finnish Metal

Karmila's story began long before Finland became a heavy metal powerhouse.

As a young man, he made rudimentary recordings of his own band on cassette tapes. His fascination with the recording process eventually became a profession, leading him to work with bands emerging from Finland's underground scene.

One of the first major chapters of his career was written alongside Stone, a band that played a fundamental role in the development of Finnish thrash metal.

It was the beginning of a relationship that would later be repeated with many of the country's most important bands: Karmila entered the studio not simply to document what a band was playing, but to help determine how that music should sound on record.

By 1991, his work had already received national recognition. Karmila was named Producer of the Year at the Emma Awards, one of Finland's most important music industry honors.

From that point forward, his career would become increasingly intertwined with the evolution of Finnish heavy music.

Finnvox and the Construction of an Identity

A large part of that story took place at Finnvox Studios in Helsinki, where Karmila became a central figure.

For decades, the studio served as a meeting point for musicians, producers and engineers responsible for some of the most important records in Finnish heavy music.

It was in this environment that an expression often associated with Karmila's work began to emerge: the idea of a distinctive "Finnish sound."

It was never a rigid formula.

Karmila did not make every band sound the same. Quite the opposite. His challenge was to preserve the identity of each group while making sure that guitars, drums, vocals, keyboards and arrangements had enough impact and definition to stand alongside the biggest international productions.

This became particularly important at a time when Finnish heavy metal was beginning to move beyond the country's borders.

And Karmila was right at the center of that transformation.

An Entire Generation Passed Through the Same Room

One of the most fascinating aspects of Karmila's career is that he did not work exclusively with established bands. In many cases, he encountered musicians while they were still developing their identities.

His career therefore became intertwined with the evolution of an entire generation.

Bands that had started out playing small clubs and rehearsing in modest rooms arrived at the studio with ambitions that often exceeded their resources. Someone had to transform their energy, musicianship and songwriting into something capable of surviving the most demanding test of all: the record.

Karmila understood that recording was not simply a photograph of a band playing. It was an interpretation.

A producer and engineer had to decide how much weight a guitar should carry, where the drums should sit, how a vocal should cut through a wall of guitars, and how far a production could be pushed without destroying the musicians' personality.

That technical knowledge, combined with an almost instinctive understanding of heavy music, became one of the defining characteristics of his work.

And it helps explain why so many musicians returned to him years later.

Stratovarius, Nightwish, Children of Bodom: Three Roads to the World

Few professionals were as closely involved in the international rise of Finnish metal as Karmila.

With Stratovarius, his involvement extended across different periods of the band's career, beginning with Dreamspace and continuing through some of its most important releases. Episode, Visions, Destiny and Infinite helped establish a new reference point for European power metal — melodic, fast, grandiose and technically precise.

Karmila worked as producer, engineer and mixer at different stages of that journey.

With Nightwish, his relationship was even more extensive. Karmila mixed Oceanborn, the band's 1998 album that introduced a still-developing group to a much wider international audience.

From there, his collaboration accompanied Nightwish's transformation into one of the biggest metal bands on the planet.

And then there was Children of Bodom.

If Stratovarius helped consolidate Finnish power metal and Nightwish expanded the boundaries of symphonic metal, Children of Bodom represented a new possibility: speed, aggression, virtuosity and keyboard melodies existing within a musical language that refused to fit comfortably into a single category.

Karmila mixed Hatebreeder, Follow the Reaper and Hate Crew Deathroll, and later took on production and engineering duties on albums including Are You Dead Yet?, Blooddrunk, Halo of Blood, I Worship Chaos and Hexed.

The result was one of the most recognizable sounds in European metal at the dawn of the 21st century.

Far More Than Power Metal

It would nevertheless be a mistake to reduce Karmila to melodic metal.

His discography crossed virtually every territory of Finnish heavy music.

He worked with Amorphis, following the band's transformation from its death metal roots into a sophisticated combination of metal, progressive rock and elements drawn from 

Finnish musical tradition.

He worked with Waltari, a band known for challenging stylistic boundaries and blending metal, alternative rock, electronic music and experimental elements.

He was also connected to Tarot, Sentenced, Norther, Charon, Impaled Nazarene, Kalmah, 

Eternal Tears of Sorrow, Lullacry, To/Die/For and Peer Günt, among many others.

And he maintained a long-standing relationship with Kotiteollisuus, becoming something of a trusted man behind the console for the band.

Then there was Lordi, the masked hard rock phenomenon that won the Eurovision Song Contest in 2006, with Karmila involved in several stages of the band's recording career.

This diversity may be the best way to understand his importance:

Karmila did not create a single sound. He helped shape an entire musical landscape.

When the World Started Knocking on the Door

As Finnish metal gained international recognition, Karmila's work began crossing the country's borders as well.

He became involved with important names in German metal, including Avantasia, Edguy and Masterplan.

He worked on Tobias Sammet's first Avantasia releases, The Metal Opera and The Metal Opera Part II, helping shape the sound of a project that brought together some of the most prominent vocalists and musicians in European heavy metal.

His international credits also included artists and bands from other countries, among them the Argentine project Beto Vázquez Infinity, Italy's Novembre, and numerous other European acts.

His influence eventually reached even farther.

In Japan, Karmila became the mixing engineer for Lovebites, one of the most prominent power metal bands to emerge from the country in the past decade.

The band deliberately sought out the experience of the Finnish production school that had helped define the classic European melodic metal sound.

Karmila and mastering engineer Mika Jussila, also closely associated with Finnvox, became an important part of Lovebites' sonic identity.

There is something almost poetic about that.

A professional who had helped define the sound of one generation of Finnish bands was, decades later, being sought out by a new generation of musicians on the other side of the world precisely because they wanted that sound.

The Karmila–Jussila Partnership and the Finnvox School

Perhaps no professional relationship better illustrates the scope of Karmila's work than his partnership with Mika Jussila.

While Karmila often shaped the mix — the stage at which all the elements of a recording must find their place — Jussila handled mastering, the final process through which an album is prepared for release.

Together, they became something of a calling card for Finnish heavy music.

Their work helped establish standards of clarity, power and definition that became associated with heavy music produced in Finland.

But the most interesting part is that this "school" was not born from a manifesto or a deliberate attempt to create a recognizable brand.

It was born from the work itself.

Record after record.

Band after band.

Year after year.

By the time the world realized that something extraordinary was happening in Finnish heavy music, Karmila and Jussila had already spent years making sure that it sounded as good as it possibly could.

The Producer Who Never Needed to Outshine the Band

There is something particularly human about Karmila's career.

He was never a figure built for the spotlight. His territory was the recording room, the mixing console, the studio monitors and the long hours spent trying to find the balance between what a band played and what the listener would ultimately hear.

That position behind the scenes may explain why his name remains far less familiar to the general public than those of the musicians he worked with.

But the record industry is also built by people like him.

A great engineer can make a drum kit sound bigger. He can separate two guitars that originally occupy the same sonic space. He can make a vocal cut through a wall of guitars. 

He can turn a good recording into a memorable album.

And, perhaps most importantly, he can understand when not to interfere.

That was one of the qualities that made Karmila so sought after.

His signature was not necessarily about making everything sound like Mikko Karmila. It was about discovering how that particular band needed to sound.

More Than 300 Records and a Career That Spanned Generations

Throughout his career, Karmila maintained a personal archive of his work. The list eventually surpassed 300 albums, often with him performing more than one role on the same project.

The number itself is impressive, but perhaps it is not the best way to measure his legacy.

What matters more is the names on that list.

Stone, Stratovarius, Nightwish, Amorphis, Children of Bodom, Sonata Arctica, Sentenced, Waltari, Tarot, Lordi, Kotiteollisuus, Avantasia, Edguy, Masterplan, Lovebites.

They represent different generations, different styles and different countries.

Some helped create modern Finnish metal. Others brought European power metal to a new generation. Some helped reshape extreme metal. Others simply turned to Karmila because they knew he understood how to make a heavy band sound powerful, clear and larger than life.

The Man Behind the Music

Perhaps the best way to explain Mikko Karmila's importance is to imagine what might have happened if, between the late 1990s and early 2000s, all those records had reached the market with less powerful productions.

It is impossible to know.

But we do know that Karmila was there when a generation of Finnish musicians began transforming ideas, riffs and melodies developed in rehearsal rooms into records capable of crossing borders.

The musicians wrote the songs.

The musicians walked onto the stage.

The musicians won the audience.

But Karmila helped make sure that what happened inside a rehearsal room could be heard anywhere in the world.

That is the greatness of professionals like him.

Mikko Karmila was not a rock star.

He never needed to be.

His work is somewhere else: in the records.

And when the history of Finnish heavy metal is told decades from now, his name should appear not merely in the credits, but among the professionals who helped make possible what today seems almost inevitable:

Finland becoming one of the world's great powers in heavy music.

Karmila died at 62, but his work continues to be heard every day by millions of listeners.

Perhaps that is the finest legacy a music professional can leave behind.

As long as these records keep playing, Mikko Karmila will keep working.

Mikko Karmila — O homem por trás do som que levou o metal finlandês ao mundo (Also In English)

Por Flavio Borges

Há músicos que entram para a história porque escreveram canções. Outros, porque subiram aos palcos e transformaram sua presença em parte da memória de uma geração. E há aqueles que trabalham longe dos holofotes, mas cuja contribuição pode ser ouvida em centenas de discos. Mikko Karmila pertence a essa última e rara categoria.

Produtor, engenheiro de gravação e, sobretudo, um dos mais respeitados engenheiros de mixagem da história do heavy metal europeu, Karmila morreu em 9 de setembro de 2026, aos 62 anos. Nascido em Lohja, na Finlândia, em 1964, ele passou mais de quatro décadas atrás das mesas de gravação e deixou sua assinatura — direta ou indiretamente — em mais de 300 álbuns.

Para quem não conhece seu nome, basta olhar para alguns dos discos que ajudaram a transformar o metal finlandês em um fenômeno internacional: Nightwish, Stratovarius, Children of Bodom, Amorphis, Sonata Arctica, Lordi, Waltari, Sentenced, Tarot, Norther, Charon, Kotiteollisuus e Stone, entre muitos outros. Karmila não estava necessariamente creditado como produtor em todos esses trabalhos — em alguns foi engenheiro, em outros mixer, produtor ou acumulou várias funções —, mas seu trabalho foi decisivo para que aquela música chegasse ao público com a força e a definição que se tornariam características de uma geração inteira.

O começo de uma história que ajudaria a mudar o metal finlandês

A história de Karmila começou muito antes de a Finlândia se tornar uma potência do heavy metal. Ainda jovem, ele fazia gravações rudimentares de sua própria banda em fitas cassete. O interesse pelo processo de gravação acabou falando mais alto, e ele passou a trabalhar profissionalmente com grupos da cena finlandesa.

Um de seus primeiros grandes capítulos foi escrito ao lado do Stone, banda fundamental para o desenvolvimento do thrash metal na Finlândia. Era o começo de uma relação que posteriormente se repetiria com algumas das principais bandas do país: Karmila entrava no estúdio não apenas para registrar uma banda, mas para ajudá-la a descobrir como aquela música deveria soar em um disco.

Em 1991, seu trabalho já havia alcançado reconhecimento nacional: Karmila recebeu o prêmio de Produtor do Ano no Emma Awards, uma das principais premiações da música finlandesa.

A partir daí, sua trajetória se confundiria cada vez mais com a própria evolução do rock pesado finlandês.

Finnvox e a construção de uma identidade

Grande parte dessa história passa pelo Finnvox Studios, em Helsinque, onde Karmila se tornou uma figura central. Durante décadas, o estúdio foi uma espécie de ponto de encontro para músicos, produtores e engenheiros responsáveis por alguns dos discos mais importantes da música pesada finlandesa.

É nesse contexto que surge uma expressão frequentemente associada ao trabalho de Karmila: o chamado "som finlandês".

Não se tratava de uma fórmula rígida. Karmila não fazia todas as bandas soarem iguais. Pelo contrário. O desafio estava justamente em preservar a personalidade de cada grupo e, ao mesmo tempo, fazer com que guitarras, bateria, vocais, teclados e arranjos tivessem impacto e definição suficientes para competir com as grandes produções internacionais.

Foi uma tarefa especialmente importante em uma época em que o heavy metal finlandês estava deixando de ser um fenômeno essencialmente doméstico.

E Karmila estava no centro dessa transformação.

Uma geração inteira passou pela mesma sala

Existe uma característica particularmente fascinante na carreira de Karmila: ele não trabalhou apenas com grandes bandas já estabelecidas. Em muitos casos, encontrou músicos quando eles ainda estavam construindo sua identidade.

Isso significa que seu trabalho acompanhou a evolução de uma geração inteira.

Bandas que começaram em pequenos clubes e salas de ensaio chegaram ao estúdio com ambições muito maiores do que sua estrutura permitia. Era necessário transformar energia, técnica e composição em algo que pudesse sobreviver ao teste mais difícil de todos: o disco.

Karmila sabia que uma gravação não era simplesmente uma fotografia de uma banda tocando. Era uma interpretação.

O produtor e o engenheiro precisavam decidir quanto peso uma guitarra deveria ter, onde a bateria deveria ocupar espaço, como um vocal deveria atravessar a mixagem e até onde seria possível levar uma produção sem eliminar a personalidade dos músicos.

Esse conhecimento técnico, aliado a uma compreensão quase intuitiva da música pesada, tornou-se uma das marcas de seu trabalho.

E explica por que tantos músicos voltaram a procurá-lo anos depois.

Stratovarius, Nightwish, Children of Bodom: três caminhos para o mundo

Poucos profissionais estiveram tão presentes na internacionalização do metal finlandês quanto Karmila.

Com o Stratovarius, sua participação atravessou diferentes fases da carreira da banda, começando em Dreamspace e passando por alguns de seus trabalhos mais importantes. Episode, Visions, Destiny e Infinite ajudaram a estabelecer uma nova referência para o power metal europeu — melódico, veloz, grandioso e tecnicamente impecável.

Karmila foi produtor, engenheiro e mixer em diferentes momentos dessa trajetória.

Com o Nightwish, sua relação foi ainda mais longa. Karmila mixou Oceanborn, álbum de 1998 que apresentou uma banda ainda em formação a um público internacional muito maior. A partir daí, sua colaboração acompanhou a transformação do grupo de Tuomas Holopainen em uma das maiores bandas de metal do planeta.

E então veio o Children of Bodom.

Se o Stratovarius ajudou a consolidar o power metal finlandês e o Nightwish ampliou as fronteiras do metal sinfônico, o Children of Bodom representou uma nova possibilidade: velocidade, agressividade, virtuosismo e melodias de teclado convivendo dentro de uma linguagem que não cabia confortavelmente em uma única classificação.

Karmila mixou Hatebreeder, Follow the Reaper e Hate Crew Deathroll, e posteriormente assumiu também funções de produção e engenharia em trabalhos como Are You Dead Yet?, Blooddrunk, Halo of Blood, I Worship Chaos e Hexed.

O resultado foi um dos sons mais reconhecíveis do metal europeu do início do século XXI.

Muito além do power metal

Seria, entretanto, um erro reduzir Karmila ao metal melódico.

Sua discografia atravessa praticamente todos os territórios da música pesada finlandesa. Trabalhou com o Amorphis, acompanhando a transformação da banda desde suas raízes death metal até sua sofisticada combinação de metal, rock progressivo e elementos da tradição musical finlandesa.

Trabalhou com o Waltari, grupo conhecido por desafiar fronteiras estilísticas e misturar metal, rock alternativo, música eletrônica e elementos experimentais.

Também esteve ligado a Tarot, Sentenced, Norther, Charon, Impaled Nazarene, Kalmah, Eternal Tears of Sorrow, Lullacry, To/Die/For, Peer Günt, Don Huonot, Popeda e manteve uma longa relação com o Kotiteollisuus, banda da qual se tornou uma espécie de homem de confiança no estúdio.

E há ainda o Lordi, vencedor do Eurovision de 2006, com quem Karmila trabalhou em diferentes momentos.

Essa diversidade talvez seja uma das melhores maneiras de entender sua importância: Karmila não construiu um único som; ajudou a construir uma paisagem inteira.

Quando o mundo começou a bater à porta

À medida que o metal finlandês ganhou projeção internacional, o trabalho de Karmila também ultrapassou as fronteiras do país.

Ele esteve envolvido com importantes nomes do metal alemão, incluindo Avantasia, Edguy e Masterplan. Participou dos primeiros trabalhos do projeto de Tobias Sammet, The Metal Opera e The Metal Opera Part II, ajudando a definir o som de um projeto que reunia alguns dos principais vocalistas e músicos do heavy metal europeu.

Também trabalhou com artistas e bandas de outros países, entre eles o projeto argentino Beto Vázquez Infinity, o italiano Novembre e diversos grupos europeus.

Sua influência chegou ainda mais longe.

No Japão, tornou-se o responsável pela mixagem dos trabalhos do Lovebites, uma das mais importantes bandas japonesas de power metal surgidas na última década. O grupo buscou justamente na Finlândia a experiência que havia ajudado a construir o som clássico do metal melódico europeu.

Karmila e o engenheiro de mastering Mika Jussila, também ligado ao Finnvox, tornaram-se parte fundamental da identidade sonora da banda.

É uma ironia interessante: um profissional que ajudou a definir o som de uma geração de bandas finlandesas acabou sendo procurado décadas depois por uma nova geração de músicos do outro lado do mundo que queria justamente aquele som.

A dupla Karmila–Jussila e a “escola Finnvox”

Talvez nenhum outro relacionamento profissional ajude tanto a explicar a dimensão de seu trabalho quanto sua parceria com Mika Jussila.

Enquanto Karmila frequentemente construía a mixagem — o momento em que todos os elementos de uma gravação precisam encontrar seu lugar —, Jussila assumia o mastering, a etapa final que preparava o álbum para chegar ao público.

A combinação dos dois se tornou uma espécie de cartão de visitas da produção pesada finlandesa.

O resultado ajudou a estabelecer padrões de clareza, potência e definição que passaram a ser associados à música pesada produzida na Finlândia.

Mas o mais interessante é que essa "escola" não nasceu de um manifesto estético ou de uma tentativa deliberada de criar uma marca.

Ela nasceu do trabalho.

Disco após disco. Banda após banda. Ano após ano.

Quando o mundo percebeu que havia algo especial acontecendo na música pesada finlandesa, Karmila e Jussila já estavam há muito tempo trabalhando para que aquilo soasse da melhor maneira possível.

O produtor que não queria aparecer mais do que a banda

Existe algo de particularmente humano na trajetória de Karmila.

Ele nunca foi uma figura construída para os holofotes. Seu território era a sala de gravação, a mesa de mixagem, os monitores de estúdio e as longas horas tentando encontrar o equilíbrio entre o que uma banda tocava e aquilo que o ouvinte finalmente escutaria.

Essa posição de bastidor talvez explique por que seu nome é muito menos conhecido pelo grande público do que os dos músicos com quem trabalhou.

Mas a indústria fonográfica é feita também dessas pessoas.

Um grande engenheiro pode fazer uma bateria parecer maior. Pode separar duas guitarras que originalmente ocupam o mesmo espaço. Pode fazer um vocal atravessar uma parede de guitarras. Pode transformar uma boa gravação em um disco memorável.

E pode, sobretudo, entender quando não deve interferir.

Essa era uma das características que fizeram de Karmila um profissional tão procurado. Sua assinatura não estava necessariamente em fazer tudo soar como Mikko Karmila, mas em descobrir como aquela determinada banda deveria soar.

Mais de 300 discos e uma carreira que atravessou gerações

Ao longo da carreira, Karmila manteve um arquivo pessoal de seus trabalhos. A lista ultrapassava 300 álbuns, muitas vezes com mais de uma função exercida no mesmo projeto.

Esse número impressiona, mas talvez não seja a melhor maneira de medir seu legado.

Mais importante é observar os nomes que aparecem nessa lista.

Stone, Stratovarius, Nightwish, Amorphis, Children of Bodom, Sonata Arctica, Sentenced, Waltari, Tarot, Lordi, Kotiteollisuus, Avantasia, Edguy, Masterplan, Lovebites.

São bandas que representam diferentes gerações, diferentes estilos e diferentes países.

Algumas ajudaram a criar o metal finlandês moderno. Outras levaram o power metal europeu a uma nova geração. Algumas ajudaram a renovar o metal extremo. Outras simplesmente procuraram em Karmila a experiência de alguém que sabia como fazer uma banda pesada soar grande.

O homem por trás da música

Talvez a melhor maneira de explicar a importância de Mikko Karmila seja imaginar o que aconteceria se, entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, todos aqueles discos tivessem chegado ao mercado com produções menos impactantes.

É impossível saber.

Mas é possível afirmar que Karmila estava lá quando uma geração de músicos finlandeses passou a transformar ideias, riffs e melodias criadas em salas de ensaio em discos capazes de atravessar fronteiras.

Os músicos escreveram as músicas.

Os músicos subiram ao palco.

Os músicos conquistaram o público.

Mas Karmila ajudou a fazer com que aquilo que acontecia dentro de uma sala de ensaio pudesse ser ouvido em qualquer lugar do mundo.

Essa é a grandeza de profissionais como ele.

Mikko Karmila não foi uma estrela do rock. Não precisou ser.

Sua obra está em outro lugar: nos discos.

E quando a história do heavy metal finlandês for contada daqui a algumas décadas, seu nome deverá aparecer não apenas nos créditos, mas entre os profissionais que ajudaram a tornar possível aquilo que hoje parece quase natural: a Finlândia como uma das grandes potências mundiais da música pesada.

Karmila morreu aos 62 anos, mas seu trabalho continua sendo ouvido diariamente por milhões de pessoas. Talvez esse seja o destino mais bonito que um profissional de música possa desejar.

Enquanto esses discos continuarem tocando, Mikko Karmila continuará trabalhando.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Cobertura de Show: Bangers Open Air – 03/05/2025 – Memorial da América Latina/SP

Após um bom aquecimento, o sábado prometia atrações imperdíveis. Dessa forma, o segundo dia do festival teve um foco maior nas bandas de metal, ao contrário do dia anterior, que priorizou o Hard Rock. Para os admiradores de power metal, foi um dia e tanto, já que a maioria das bandas pertencia a esse subgênero.

Os outros dois palcos, o Sun Stage e o Waves Stage – este último retornando ao espaço interno do Memorial e dedicado às bandas nacionais – também foram abertos. 

Começando pelas primeiras atrações no Sun Stage, conferi os brasileiros do Viper, que este ano celebram 40 anos de carreira. Mesmo após a perda de um de seus fundadores, Pit Passarell, a banda segue firme a sua trajetória, entregando ótimas performances com seus clássicos e faixas do mais recente álbum Timeless, e foi justamente com a faixa-título que Leandro Caçoilo (vocais), Felipe Machado e Kiko Shred (guitarras), Daniel Matos (baixo e irmão do saudoso Andre Matos) e Guilherme Martin (bateria) agitaram o público logo cedo. Como de costume, não faltaram homenagens aos eternos Andre Matos e o citado Pit Passarell, especialmente em “The Spreading Soul” e “Rebel Maniac”, respectivamente.

Ao mesmo tempo em que o Viper se apresentava no Sun Stage, as suíças do Burning Witches incendiavam o Ice Stage com seu Heavy Metal tradicional. Com uma formação consolidada e tendo a vocalista Laura Guldemond como centro das atenções – uma das melhores da atualidade em se tratando de front-woman do gênero –, a banda fez todos os presentes baterem cabeça nas faixas “Wings of Steel”, “Hexenhammer” e “The Dark Tower”, além de “The Spell of the Skill”, a única faixa inédita do set, que deve integrar o próximo álbum.

Burning Witches – setlist:

Unleash the Beast

Dance With the Devil

Maiden of Steel

Nine Worlds

Wings of Steel

Hexenhammer

The Spell of the Skull

The Dark Tower

Lucid Nightmare

Burning Witches





Como eu disse no início, o dia acabou sendo mais voltado ao Metal, mas o H.E.A.T foi a exceção. Considerada por muitos a melhor banda de Hard Rock da atualidade, os suecos já haviam deixado sua marca na primeira edição do festival, quando foram apontados como um dos melhores shows daquele ano. 

Recentemente, a banda lançou seu novo álbum, Welcome to the Future, e foi com a faixa de abertura desse trabalho, “Disaster”, que o show começou com força total. Mas, claro, sem deixar de lado os clássicos da carreira, como “Dangerous Ground”, “Hollywood” e “Back to the Rhythm”.

Apesar da recepção calorosa, da banda tinindo no palco e de um repertório impecável, alguns sinais de preocupação surgiram durante "Rise" e "Beg Beg Beg". O guitarrista Dave Dalone precisou se ausentar do palco por conta da temperatura alta que fazia a tarde na capital, mas isso não comprometeu o nível da apresentação, que foi explosiva e superando a primeira em que fizeram em solo brasileiro. Kenny Leckremo, que a cada dia se mostra um vocalista ainda mais impressionante, não parou de agitar por um segundo sequer.

H.E.A.T – setlist:

Disaster

Emergency

Dangerous Ground

Hollywood

Rise

Beg Beg Beg

Back to the Rhythm

Bad Time for Love

1000 Miles

One by One

Living on the Run





Uma das coisas mais legais em um festival é poder escolher quais bandas assistir. O Municipal Waste é uma excelente banda de Thrash Metal, com músicas bem legais e divertidas. No entanto, como tenho uma paixão pelas bandas suecas, fui atraído a ver o pessoal do Dynazty. E olha, que show. Eles me impressionaram da primeira à última música.

A banda mudou bastante nos últimos anos; os dois primeiros discos têm uma pegada mais voltada ao Hard Rock, enquanto ao vivo, eles entregaram uma performance avassaladora! O vocalista Nils Molin tem uma presença de palco absurda, e a dupla de guitarristas - Rob Love Magnusson e Mike Lavér – foi fantástica, com riffs e solos certeiros. Ou seja, não tenho do que reclamar. Foi uma grande surpresa e considero esse um dos melhores shows do festival.

Dynazty – setlist: 

In the Arms of a Devil

Game of Faces

Natural Born Killer

The Grey

Waterfall

Yours

Call of the Night

Presence of Mind

The Human Paradox

Heartless Madness





Depois disso, resolvi andar pelo festival, observando as feiras, o merchandising e vendo se cruzava com algum artista. Enquanto fazia isso, o Sonata Arctica se apresentava no Hot Stage. Optei por não assistir ao Sonata Arctica por não ter tanta familiaridade com seu trabalho. Ainda assim, reconheço o valor deles dentro do Power Metal. Acabei vendo mais o final do show e percebi que havia muita gente os recepcionando, o que só comprova a admiração dos brasileiros pelos finlandeses, que com certeza fizeram uma ótima apresentação, como das outras vezes em que vieram ao Brasil.

Sonata Arctica – setlist: 

First in Line

Dark Empath

I Have a Right

San Sebastian

Replica

My Land

FullMoon

Wolf & Raven

Don't Say a Word

Vodka





Outra banda que me atraiu foi o Kamelot. Há um bom tempo eles vivem uma nova fase da carreira com o vocalista Tommy Karevik, que está na banda desde 2012 e interpretou com maestria clássicos como “Rule the World”, “When the Lights Are Down” e “Forever”, sem deixar nada a dever ao lendário Roy Khan.

O repertório também contou com faixas mais recentes, como “Veil of Elysium”, que abriu o show de forma arrebatadora, e “New Babylon”, ambas com a participação marcante da cantora Melissa Bonny. Outro ponto alto da apresentação foi o solo de bateria, que incluiu um trecho de “Tom Sawyer”, do Rush.

Kamelot – setlist: 

Veil of Elysium

Rule the World

Insomnia

When the Lights Are Down

New Babylon

Karma

March of Mephisto

Forever

One More Flag in the Ground

Liar Liar (Wasteland Monarchy)





Faltando poucos minutos para o fim do show do Kamelot, já havia muita gente apostas no palco vizinho aguardando a chegada do Saxon. Lenda da N.W.O.B.H.M, o Saxon é uma daquelas bandas que nunca faz um show ruim. Ao lado do Iron Maiden e do Judas Priest, eles formam a trinca de ferro do Heavy Metal britânico. E, quanto mais velhos ficam, menos incansáveis parecem.

Do Hell, Fire and Damnation, disco mais recente da banda, apenas duas músicas foram executadas: a faixa-título e Madame Guillotine. Mas, em todos os shows - mesmo quando estão promovendo um novo lançamento – eles nunca deixam de tocar os clássicos. E não tinha uma pessoa sequer que não cantasse, levantasse os punhos ou batesse cabeça com obras-primas como “Power and the Glory”, “Motorcycle Man”, “Heavy Metal Thunder”, “Strong Arm of the Law” e tantas outras. 

Saxon – setlist:

Hell, Fire and Damnation

Power and the Glory

Motorcycle Man

Madame Guillotine

Heavy Metal Thunder

Strong Arm of the Law

1066

And the Bands Played On

Denim and Leather

747 (Strangers in the Night)

Wheels of Steel

Crusader

Princess of the Night




Outra apresentação muito aguardada do dia foi a do Dark Angel, uma das principais bandas de Thrash Metal da história. Mesmo que não tenha a mesma visibilidade das bandas do chamado Big 4 americano, o grupo ainda continua tendo fãs que acompanham. Um de seus integrantes mais notáveis é o baterista Gene Hoglan, que dispensa apresentações e é uma verdadeira referência no estilo.

Apesar do desfalque do guitarrista Eric Meyer, a banda incendiou o público com rodas e moshes ao som de músicas como “Never to Rise Again”, “Darkness Descends”, “The Burning of Sodom” e “Extinction Level Event”, esta última dedicada a Jim Durkin.

Antes tarde do que nunca, deu tempo de conferir a apresentação do Powerwolf, uma banda que vem se destacando bastante no cenário atual do Power Metal. Apesar de já ter rodado o mundo a fora, muita gente ainda considera o grupo como "novo". Por um lado, isso é bom, pois acaba despertando a curiosidade de quem ainda não conhece muito bem, como foi o meu caso.

Pelo pouco que eu assisti deles ao vivo, já deu pra ver que não é uma banda qualquer. Claro, apesar de ser classificada como uma banda de Power Metal, eles fogem bastante dos estereótipos do gênero. O som é bem mais pesado, e a abordagem das letras também é diferente do que a gente costuma ver nas bandas clássicas. Eles apostam em temas mais religiosos e coisas semelhantes, o que dá um diferencial.

A produção do palco é outro ponto que me surpreendeu, sendo a melhor cenografia desta edição. Só de olhar, já dá pra entender todo o contexto lírico da banda. E o visual também chama atenção, com todos os integrantes com o rosto pintado. Aliás, falando nisso, desde cedo já dava pra ver gente caracterizada igual aos membros da banda, o que já mostra o impacto deles no público. O show foi um verdadeiro sucesso.

Powerwolf – setlist:

Bless ’em With the Blade

Incense & Iron

Army of the Night

Sinners of the Seven Seas

Amen & Attack

Dancing With the Dead

Armata Strigoi

Sainted by the Storm

Heretic Hunters

Fire and Forgive

Werewolves of Armenia

Demons Are a Girl's Best Friend

Blood for Blood (Faoladh)

Sanctified With Dynamite

We Drink Your Blood





Por fim, os suecos do Sabaton encerraram o segundo dia de festival de forma apoteótica. Muitos chegaram a comparar a banda com a atração anterior, contudo, não é bem o caso. O Sabaton aposta numa sonoridade mais tradicional dentro do Heavy Metal, com riffs marcantes e refrões feitos para o público cantar junto, e foi exatamente isso que aconteceu desde o início com "Ghost Division", música que abriu a apresentação da banda sueca e conhecida por abordar temas sobre guerra nas suas letras.

Nos shows em seu país natal, eles costumam apresentar uma grande estrutura de palco, mas aqui no Brasil essa montagem completa não foi possível. Apesar disso, mesmo com uma produção mais enxuta, a banda investiu em diversos efeitos especiais, como pirotecnia, explosões, fumaça e outros elementos visuais. O repertório passou praticamente por toda a trajetória da banda, que está na ativa desde 1999.

Entre as músicas mais aguardadas estavam “The Last Stand”, “Carolus Rex” (cantada em sueco) e “Smoking Snakes”, que homenageia três soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Um dos momentos mais engraçados da noite foi antes de tocarem “Resist and Bite”, quando o vocalista Joakim Brodén apareceu no palco com uma guitarra da Hello Kitty, tocando o riff de “Master of Puppets”, do Metallica.






Sinceramente, estava bem cético em relação ao segundo dia do festival, já que não tinha muitas atrações dentro do meu perfil musical, que é mais voltado para o Heavy Metal tradicional, Thrash Metal e o Hard Rock. Mas acabei me surpreendendo e despertando a curiosidade de conhecer bandas que eu não costumava ouvir tanto. No fim, foi um dia bastante agradável e enriquecedor para o meu background. Um sábado realmente proveitoso, sem sombra de dúvida!


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Consulado do Rock

Press: Agência Taga


Sabaton – setlist:

Ghost Division

The Last Stand

The Red Baron

Bismarck

Stormtroopers

Carolus Rex

Night Witches

The Attack of the Dead Men

Fields of Verdun

The Art of War

Resist and Bite

Soldier of Heaven

Christmas Truce

Smoking Snakes

Primo Victoria

Swedish Pagans

To Hell and Back