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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Entrevista - Apokalyptic Raids : Resistência e Foco no que Importa

 

Por: Fernanda Luísa e Renato Sanson
Fotos: Divulgação 
Edição/revisão: Caco Garcia 

Poucas bandas do underground brasileiro construíram uma trajetória tão consistente e fiel às próprias convicções quanto o Apokalyptic Raids. Formado em 1998 por Leon Manssur "Necromaniac", o trio transformou décadas de dedicação ao metal extremo em uma discografia cultuada mundialmente, inúmeras turnês pelo Brasil, América do Sul e Europa, além de uma sólida parceria com o selo Hell Music. 

Mantendo-se sempre distante de modismos e guiado por uma visão artística própria, o Apokalyptic Raids consolidou seu nome como uma das principais referências do metal underground nacional. 

Nesta entrevista, conversamos com Leon Manssur sobre a história da banda, sua filosofia, os desafios de permanecer independente, os rumos do metal extremo e muito mais. Confira.




RtM: O Apokalyptic Raids se tornou uma referência cult dentro do underground extremo brasileiro. Na sua visão, o que manteve a banda viva e relevante ao longo dos anos, mesmo distante dos grandes circuitos comerciais?
Leon Manssur: Já houve tempo em que eu achava importante ocupar mais esses espaços no “meio Metal”. Eu era mais inocente e achava que teríamos igualdade de condições com as “bandas-empresa”, com vantagem em autenticidade. 

Mostrar como se faz, sem ceder ao comercialismo, hoje representado pelas bandas cheias de mídia training e instagrams profissionais. 

Mas isso foi uma ilusão. Hoje em dia eu me importo cada vez menos com a opinião dos outros, seja do pseudo mainstream metálico, seja dos caciques dos pequenos poderes do underground. Quem gostar, gostou. Faço o que faço há bastante tempo pra já ter afastado os interesseiros, os deslumbrados, os falsos em geral.


RtM: Muito da identidade sonora do Apokalyptic Raids carrega a essência obscura e primitiva do Hellhammer. Como nasceu essa conexão com a banda e de que forma ela moldou tua visão artística e pessoal dentro do metal extremo?
LM: Há mais de 40 anos é minha banda favorita. O mix perfeito de peso, sujeira, pouca técnica, gravação suja mas cuidadosa, composições perturbadoras e perfeitas... Como se fosse o Black Sabbath de 1972 tocando o repertório do Mötorhead... É só isso e tudo isso. Portanto eu apenas tinha e tenho a intenção de recriar esse estilo. Nem mais, nem menos.


RtM: O underground brasileiro sempre sobreviveu mais pela paixão do que pela estrutura. Como você enxerga a cena atualmente em comparação aos anos 80 e 90, principalmente em relação à autenticidade e ao comprometimento das bandas?
LM:As qualidades e defeitos do ser humano são bem previsíveis. Da até sono. Se tirar a tecnologia, esta sim, que mudou muito, são os mesmos garotos iludidos, os mesmos pseudo-produtores malandros frustrados querendo faturar em cima, o mesmo amadorismo, e no meio disso um ou outro que se salvam. Todos os anos muitos entram no nosso meio, mas poucos irão aguentar permanecer com consistência após 10, 20 anos. Nem sempre é claro quem é quem.


RtM: Vivemos uma era dominada por streaming, redes sociais e consumo rápido de música. Em sua opinião, essas tendências digitais fortaleceram o underground ou acabaram tirando parte da essência e do culto que existia antigamente?
LM: Ganha-se algumas coisas, perde-se outras. Por um lado, qualquer desqualificado tem acesso material que não deveria, podendo usar algumas das melhores bandas do passado pra piadocas, memes, falas equivocadas. Por outro lado, tem material antigo bom online pra quem sabe o que procurar. 

O que faz a diferença é o conhecimento de cada um. Nem tudo é "internetável". Facilmente encontro nos meus arquivos material que não existe online. E aos poucos vai sendo disponibilizado em espaços virtuais marginais, fora do circuito das redes sociais da moda. 

Quem não viveu, quem não conhece, não saberá encontrar, nem saberá que precisa, até um dia aparecer em um selo de raridades. Há muito movimento no subterrâneo do subterrâneo. A maioria da geração atual viu tudo, tem toda a informação disponível, mas não sabe o que fazer com isso, não tem vivência.


RtM: O Apokalyptic Raids possui uma identidade muito fiel às raízes do metal extremo. Existe espaço para evolução sonora sem perder a essência, ou certas características devem permanecer intocáveis?
LM: Evolução pra trás! (Risos) A modernidade chegou ao Metal nos anos 90, já ficou velha e não importou em nada na minha opinião. Nos nossos álbuns mais recentes existem sim algumas composições “arriscadas”, apontando pros anos 70, outras pro Heavy tradicional... Que acaba estando no contexto do Black Death Speed Metal do Hellhammer. 

É bom não ter um estilo definido pelos padrões atuais. Por um lado, você é um “animal estranho”, que as gerações modernas não conseguem decodificar, e por outro lado você acaba ficando independente disso. Veja, Heavy tradicional e 70s está no contexto. Então tem espaço pra isso. Tudo depende de conseguirmos atingir esse tipo de som com classe e dentro do contexto. Ouçam e me digam se deu certo.


RtM: Olhando para tua trajetória dentro do metal underground nacional, qual legado o Apokalyptic Raids deixa para as novas gerações de músicos e fãs da música extrema?
LM: Não sei, é difícil julgar. Talvez eu seja só desimportante. Talvez alguém encontre algo relevante. Eu sou só um cara aí que curte uns sons aí. Igual à minha trajetória tem vários. A História que se encarregue dos julgamentos, eu estou ocupado tentando fazer algo que me satisfaça (risos)


RtM: Falando em turnês e lançamentos, o AR sempre se mantém ativo e representando o Brasil fora do país. Como é ser mais reconhecido mais lá fora do que no próprio país? Pergunto isso, pois é notável a devoção dos fãs gringos e que em minha opinião era para ser aqui também. Além, de a maioria dos lançamentos da banda saírem por gravadoras internacionais. Mostrando realmente que nossa cena é falha com quem trabalha de verdade. 
LM: Não sei se somos mais reconhecidos lá que aqui. Talvez sim. O Metal tem ciclos de público, idade, estilos. Uma década de vacas gordas, outra de vacas magras. Como já vi vários desses ciclos, me impressiono menos hoje. Mas sim, sou agradecido por algumas demonstrações de algumas pessoas que importam daqui e de fora. 

A distribuição no exterior é uma necessidade. Somos um país quebrado, um salário mínimo compra uns 7 LPs. Então é impossível contar apenas com público local pra esgotar um título. Mas foi pra conhecer o mundo que o Ozzy entrou no Sabbath, não é mesmo?

Não posso reclamar, não. Fizemos 20 shows na Europa em novembro de 2025 e deu mais gente que das vezes anteriores, show lotado em segunda feira, merchandise esgotado faltando 3 shows pro fim da tour. Então, apesar de tudo, me considero privilegiado por ainda ter um bando de doidos (no bom sentido) que comparece aos nossos shows. Talvez não sejamos animais tão estranhos assim.


RtM: Quais são suas as impressões sobre a questão da IA  na música?
LM: Acredita que eu mal uso AI pra p*** nenhuma? Tem gente que está viciado nisso, não pensam mais, nem nas coisas que precisam ser pensadas. Pra minha atividade, particularmente, não tem muita utilidade. Pra fazer um resumo ou elaborar algumas buscas, talvez. Mas a AI precisa ser alimentada, treinada. E eu gosto de trabalhar nas coisas que costumam alimentar e treinar a AI. 

Então pra mim é só mais uma ferramenta, para quem e quando for a ocasião de usar. Não é uma panaceia universal. Na música em particular, é claro que mal conseguimos distinguir algo criado por humanos de algo feito por máquinas. Exceto por aqueles fatores que eu citei que são não-internetáveis. Não dá pra enlatar um show ao vivo, por mais que se transmita um festival pro mundo todo hoje. Estar lá sempre será diferente. 


RtM: Leon, você foi de certa forma o incentivador e influência de muitas bandas e músicos não só do Rio de Janeiro assim como de todo o mundo. Isso te faz ter que ter um cuidado maior ao se expressar publicamente ou você se mantém liberto ao seu modo de pensar perante ao mundo em geral, e não somente ao nosso meio metal?
LM: Sobre ser influenciador, ocorre com o tempo. Você vai colando com quem tem idéias parecidas. O estilo é muito esparso, é um daqui, outro da Alemanha, outro do Japão... E esparso no tempo também. Então quem vem depois acaba se espelhando em quem veio antes, como eu mesmo já fiz. Com maior ou menor grau de atraso e ruído.

É claro que tenho senso de responsabilidade ao me expressar publicamente. Palavras tem consequências, e quando se é uma pessoa pública, essas consequências são amplificadas para o bem ou para o mal, sem que se planeje exatamente. Então já houve e há ocasiões em que precisamos modular o discurso, mesmo correndo riscos, pra não produzir efeitos contrários e indesejáveis.

A palavra “liberto” é um grande problema hoje. Eu sou um libertário, sempre fui desde que me entendo por gente. Mas aqui preciso parar e notar que não, eu não posso dizer tudo que eu penso hoje em dia, incluindo coisas que eu sempre disse antes. E isso é um enorme problema. Estamos na era do cancelamento, né. 

É muito autoritarismo, muitas vezes de quem menos se espera. A pergunta na minha cabeça nesses últimos 5 ou 6 anos é: “tocar com quem, tocar pra quem?” Uma pergunta para a qual eu ainda não tenho uma resposta não-trivial.

Então, sinto muito, mas minha melhor resposta à sua indagação sobre modo de pensar neste momento é a pior possível: um silêncio ensurdecedor.


RtM: Você tem como formação acadêmica em física e é Doutor nessa área porém hoje não está atuando no meio acadêmico. Qual foi o motivo pelo qual você decidiu que deveria seguir outro caminho? 
LM: Eu fui fazer física porque achava bonito, e ainda acho, e por ter gosto pela abstração. Isso no Brasil é um tipo de suicídio a prestação. No início dos anos 2000, nada de concurso, pagamento pingado, perspectiva de carreira nômade, então por motivos pessoais resolvi engavetar o diploma e cuidar mais da família. 

Me reorganizei, até vivi da música por alguns anos, o que coincidentemente estava pegando tração entre 2003 e 2008, com muitos lançamentos em LP. 

Eu fazia produções e masterizações para alguns selos. Depois a vida foi complicando mais, mas comecei com a Hell Music informalmente por volta de 2009 e acelerei lançamentos do selo a partir de 2015.


RtM: A educação no Brasil ainda tem uma saída ao seu ver? Se sim qual ou quais seriam?
Basicamente não (risos) Somos uma sociedade da desconfiança. Veja os países europeus ou os USA por exemplo. Eles foram fundados por uma determinada sociedade com determinados valores. Bem longe de serem perfeitos, mas tem uma estrutura que se formou e se depurou ao longo de centenas e centenas de anos. Visão de mundo, filosofia, instituições, formando pessoas que formam mais pessoas. Você pode criticar, querer reformar, mas você não pode ignorar. Outras culturas copiam. 

Compare com casos de sucesso na Ásia por exemplo, com bases em outros sistemas de valores. Você copia o que funciona, descarta o que não funciona. 

No Brasil, você desconfia do próximo, porque é provável que ele te ferre, e é assim aqui. E o próximo pode ser bem próximo, pode ser da família. Ou seja, é cada um por si. Em que século dessa evolução as pessoas irão parar de querer passar a perna umas nas outras e resolver cooperar, isso eu não sei. Mas eu sei que é só depois desse ponto que a educação tem qualquer chance. Mesmo não tendo p**** nenhuma, tem que querer primeiro. 

No momento, somos pouco mais que um bando de primatas se matando uns aos outros a socos. Como fazer pra se comunicar nesse cenário? Não tenho uma resposta. É nesse estágio que estamos. O mal e a ignorância são indistinguíveis, e tomaram proporções muito grandes, continentais.


RtM: Muitas bandas com o mesmo tempo de estrada que hoje vocês tem, ficaram pelo caminho. Que fatores você acredita que tenha tido para conseguir manter o Apokalyptic Raids vivo?
LM: Autismo, TOC, hiper foco em Hellhammer... (Risos) Sabe a parte da resistência à mudanças? É isso aí. Alguns amigos ao longo do caminho, e a ideia fixa. E um pouco de sorte.


RtM: Se tudo hoje continuar da mesma forma como se encontra no meio underground você acredita que a evolução em termos de estrutura e qualidade das casas de eventos e equipamentos melhorou ou melhorará?
LM: Sinceramente, depois de 3 turnês na Europa, 2 no Brasil, 2 América do Sul? Não.
Porque eu conto nos dedos os eventos que eu fiz aqui que foram no horário. E eu conto nos dedos os eventos que eu fiz na Europa que atrasaram. Só por aí você já vê. O cara lá não tem como se atrasar. Tudo funciona. Tem um letreiro no ponto do ônibus dizendo que o próximo chega em 4 minutos. Passa 4 minutos, o ônibus chega. Então você consegue fazer tudo que planeja, consegue planejar. 

Aqui não tem transporte, e a rua tem buraco, e o cara do som atrasou porque ontem teve evento, ele tem que dobrar pra poder sobreviver, o ampli tá ferrado e não tem outro, tudo custa mais caro, a remuneração é 10 vezes menor, empreender custa muito caro, contratar é impossível, produtividade estagnada há 50 anos por cultura arcaica, os estímulos tem o efeito contrário ao objetivo alegado... Passa por aquele assunto da educação. Pra acontecer minimamente, você teria que reformar o ser humano, e isso não está acontecendo. Espero não estar sendo excessivamente pessimista! 


RtM: Leon, obrigado por dedicar um tempo para nos responder e expor suas opiniões, fica o espaço para sua mensagem final.
LM: Obrigado pela entrevista! Estamos trabalhando em um álbum novo, fiquem ligados!

contact@apokalypticraids.com
https://www.apokalypticraids.com/
www.apokalypticraids.bandcamp.com
www.hellmusicrecords.bandcamp.com


domingo, 31 de março de 2019

Ataque ao Fígado V: os portões do inferno se abrem novamente



Era chegado a hora do primeiro show da banda mais old school do Brasil em solo gaúcho, os cariocas do Apokalyptic Raids desembarcam no RS para o Festival “Ataque ao Fígado V” que aconteceu na cidade de São Leopoldo na Embaixada do Rock.


Mas o dia 16/03 não ficou marcado só pela vinda do Apokalyptic Raids, pois tínhamos ainda o show de 35 anos de estrada do Leviaethan e grandes bandas de abertura para enaltecer ainda mais a qualidade do nosso querido underground.

Devido a questões de deslocamento não conseguimos acompanhar os dois primeiros shows da noite, com as bandas Sömbriö e Atomic Roar.


Ao chegar ao local os gaúchos do Leviaethan já se preparavam para sua destruição sonora, e não demora muito para o couro comer sem limites com seu Thrash Metal visceral, apresentando as composições clássicas dos seus dois primeiros álbuns (“Smile” e “Disturbed Mind”) e presenteando os fãs com uma composição inédita. São 35 anos de história que dispensam comentários e apresentações, sempre é bom ver os dinossauros do Metal em forma e mostrando que ainda tem muita lenha para queimar.




Em seguida era chegada a estreia do Apokalyptic Raids no Rio Grande do Sul, trazendo a tour de seu novo álbum, “The Pentagram”, e o que presenciamos foi um show animal, mostrando o porquê de serem uma das bandas mais respeitadas do underground nacional. Uma banda coesa e muito precisa ao vivo, em um setlist que passou por toda sua discografia, mas privilegiando seu novo trabalho, que mantém a mesma qualidade old school e insana dos anteriores. Agitando os presentes tendo mosh, rodas e muita “bateção” de cabeça, não dando espaço para respirar. Um show antológico de uma banda antológica, que voltem o quanto antes!


Algo que gostaria de ressaltar é o pouco público que compareceu nesta edição do “Ataque ao Fígado”, infelizmente uma constante em qualquer evento underground da atualidade, onde os ditos “headbangers” não comparecem e deixam de presenciar shows fantásticos, seja dos grandes ou das bandas novas que surgem e mantêm a chama do som pesado acesa.


Fechando a noite tivemos os gaúchos da Evilcult e o seu Speed/Black Metal no meu melhor estilo Sarcófago e Hellhammer. Mesmo madrugada a dentro seus admiradores ficaram até o final, e proporcionaram mais moshs e rodas insanas, enquanto a Evilcult despeja seu culto maligno de forma empolgante e agressiva, não deixando ninguém parado. Um show que passou dos 40 minutos tendo a participação de Leon Manssur e com os bangers clamando por mais um som ao final da apresentação. Mais um sangue novo na cena, e que mostra que vieram para incendiar e manter o underground ainda mais vivo.



Os portões do inferno se fecham novamente em São Hell e fica o nosso agradecimento a produção do “Ataque ao Fígado”, que nada contra a maré e nos brinda com excelentes bandas de diversas partes do país enaltecendo o Metal old school.


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Resenha de Show: Sim! Mantas e Demolition Estão de Volta! (M:Pire of Evil - SP, 15/11)


Quando anunciaram que os ingleses do M:Pire of Evil viriam ao Brasil, confesso que gerou um misto de emoção e ao mesmo tempo frustração, pois sabia que não viriam a Porto Alegre/RS, porém era impossível controlar a emoção, já que não seria apenas mais uma apresentação, mas sim o show da nova banda de Mantas e Demolition Man (ambos ex-Venom), que viriam para turnê de divulgação de seu primeiro disco como M:Pire of Evil, o excelente "Hell to the Holy".

Bom, as datas iam sendo anunciadas e com Porto Alegre de fora, já não tinha mais esperanças, até que graças ao esforço da Avengers Produções é anunciado o show em São Paulo, e sem pensar duas vezes decidi ir pra lá, pois não podia perder de ver dois ídolos da minha adolescência, Mantas e Demolition, juntos novamente!

Passagens compradas e credenciamento liberado pela Avengers, era hora de conter a emoção, pois não seria apenas mais uma viagem, mas sim viajar com amigos que são fanáticos por Venom e fãs incondicionais de Mantas e Demolition.

Pois bem, o show foi no feriado do dia 15/11 (sexta-feira), e chegamos a capital paulista por volta das 10h da manhã, onde teríamos muito chão para andar até a hora do show. Chegando em frente a casa de shows, Fofinho Rock Bar, já era notável uma boa movimentação de headbangers no local. Para quem não sabe, o Fofinho Rock Bar é casa de shows e bar ao mesmo tempo, de um lado temos a casa e do outro lado o bar, onde os bangers fazem a clássica concentração.

Da direita para esquerda: BPest Feto (Guitarrista - Feto), Renato Sanson (nosso redator) e Jaguaru (Vocal - Feto)
Além do M:Pire of Evil, também teríamos os shows das bandas Apokalyptic Raids, Amazarak, Metallic Crucifixion e Nightmare, que seriam responsáveis por aquecer o público antes da atração principal. A casa estava marcada pra abrir as 22h, porém ouve um longo atraso e foi aberta somente a meia-noite, mas nada que estragasse o humor e euforia dos presentes. A primeira banda a subir ao palco foi a paulista Metallic Crucifixion, que mesmo ainda com pouco público na casa, fez um show avassalador, fazendo um som na linha Sarcófago e Sepultura (antigo), Metal old school de primeira, que fez todos baterem cabeça com tamanha empolgação.

Como de praxe, as bandas de abertura sofrem com o "clássico" som que é disponibilizado a elas, e não seria diferente nesta noite, o som ora soava embolado ou alto demais, mas passando por cima disso, ainda pudemos ouvir e ver a Metallic Crucifixon encerrar sua apresentação com um excelente cover de Sodom, "Blasphemer".

Metallic Crucifixion
Algo que menciono, como critica construtiva, é a iluminação da casa, que poderia ser um pouco melhor, pois dificultou com que as fotos ficassem com uma melhor qualidade, e até mesmo os shows, que dependendo da iluminação ficava em uma penumbra.

Seguindo o baile, era hora da banda Nightmare, e era notável a influência de Motorhead no som do grupo, fazendo aquele Metal que mistura o Rock and Roll com muita sujeira e distorção. Ainda com poucos presentes o Nightmare fez um bom show, mas ainda é preciso mais vivência de palco e quem sabe deixar a influência de Motorhead de lado, até para não cair no ostracismo.

Nightmare
Então era hora da primeira banda de Black Metal da noite, a paulistana Amazarak, que tocou para uma casa mais cheia e com muitos presentes acompanhando sua apresentação. Black Metal ríspido e crú, corpse paint e todos os apetrechos do estilo, fazendo um excelente show, e empolgando bastante os presentes.


Amazarak
Após uma rápida mudança de palco, eis que os cariocas do Apokalyptic Raids tem a árdua tarefa de fazer o show antes do M:Pire of Evil, e sem muitas frescuras a banda mostra a força de seu Death/Black Metal old school influenciado por Celtic Frost e Hellhammer, e faixas como "Evil", "Ready to Go (To Hell)", "Tyrant", "Emperor" e "Apokalyptic Raids" fizeram a festa dos presentes, com a casa mais cheia e com a grande maioria cantando esses hinos do underground.

Apokalyptic Raids
O que chamou atenção foi que o Apokalyptic Raids tocou uma faixa atrás da outra, e ao final do show (com pedido dos presentes de "mais um, mais um") notei que faltaram duas músicas, a introdução "Mankind Defeated" e "Massacra", devido ao tempo e ao horário (já era passado das 2 da manhã), infelizmente o show foi corrido e teve que ser cortado.

Então o grande momento se aproximava, e era hora dos mestres invadirem São Paulo, infelizmente o público não era tão grande (algo em torno de 150 pessoas), mas a euforia fez com que a casa se tornasse um verdadeiro caldeirão, e sem muito papo as lendas entram e cena, com Mantas comandando a galera, e logo de cara tivemos "Demode" e "Die Hard" que levaram os presentes a loucura, rodas e mais rodas e moshpits descontrolados!


Apresentando o material do M:Pire of Evil veio na sequência "Wake Up Dead", e vale dizer com todas a letras, Demolition e Mantas são verdadeiros show mans! Demolition é carismático, com presença de palco única e toca muito em seu baixo; Mantas, o criador dos riffs mais importantes e influentes do Metal extremo, presença de palco animalesca e agitando muito, e sem esquecer o novato Marc "JXN" Jackson, sentando o braço na bateria.

E para deixar todos sem fôlego, uma sequência matadora de clássicos do Venom: "Don't Burn The Witch", "Blackened Are The Priests", "Carnivorous" e "Temple of Ice". Não tem o que dizer de algo desse nível, simplesmente mágico, inesquecível e perfeito!

Da fase M:Pire of Evil tivemos "Hell to the Holy" e "Metal Messiah", onde Demolition apontou para Mantas e o chamou de "Messiah" do Metal. Dos clássicos mais antigos do Venom tivemos "Welcome to Hell", "Black Metal" (um dos momentos mais empolgantes do show) e "Witching Hour".


E após o "final fake", tome mais clássicos, começando por "Countness Bathory" com todos os presentes cantando junto, "Leave Me In Hell" onde gerou rodas e mais rodas (sem contar os moshs insanos) e a mais que clássica e obrigatória "In League With Satan", com todos cantando ao comando de Demolition e Mantas, transformando a casa em um inferno!

Não tem explicação e nem emoção que diga, o que é você ver dois ídolos de perto, fazendo um setlist matador e um show absolutamente perfeito, sem contar o carisma e humildade de todos ao atender os fãs, tirando fotos, distribuindo autógrafos e etc.


Um show que ficará na história, e que mostra que o Venom não é só Cronos. Sim! Mantas e Demolition voltaram com força total!

Texto/edição: Renato Sanson
Fotos: Gelydus Feto, Jaguaru, Luana Brito Fidalgo e Road to Metal
Revisão: Eduardo Cadore

terça-feira, 5 de novembro de 2013

M-Pire of Evil: Desembarcando Pela Primeira Vez no Brasil


E a Avengers Produções traz pela primeira vez ao Brasil direto do Reino Unido M-Pire of Evil, a nova banda dos ex-Venom, Mantas e Demolition Man. Além de apresentarem as músicas de sua nova banda, Mantas e Demolition estão preparando um set mais do que especial, contando com todos os clássicos de sua antiga banda Venom, o que matará a ansiedade de muitos, pois teremos clássicos tocados de todas as épocas!

Para dar suporte a este show que será histórico, teremos as bandas Apokalyptic Raids, Amazarak, Metallic Crucifixion e Nightmare fazendo a abertura do evento, transformando o que seria apenas um show, em um excelente festival do mais puro Metal old school.

As lendas Mantas e Demolition Man juntos pela primeira vez no Brasil

O show será no dia 15/11 no Fofinho Rock Bar em São Paulo e terá cobertura exclusiva do Road to Metal!

Então você de São Paulo ou região não pode ficar de fora, ingresso barato, grandes bandas e produção de primeira, vamos lotar e manter o nosso underground vivo!

Texto/edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação


Informações sobre o show:

Avenger Produções apresenta:

M-PIRE OF EVIL (Reino Unido)

Bandas de abertura:

Apokalyptic Raids (RJ)
Amazarak (SP)
Metallic Crucifixion (SP)
Nightmare (SP)


Local: Fofinho Rock Bar
Endereço: Celso Garcia, 2728, Belenzinho - SP.
Info sobre o local: Próximo ao Metro Belém


Entrada: 1 LOTE: R$30,00 – 2 LOTE: R$40,00 – PORTA: R$50,00

Vendas Online: https://ticketbrasil.com.br/show/mpireofevil-sp/

Pontos de Vendas – Consultar demais pontos de venda: 
Hole - Galeria do Rock
Av. São João, 439 - 1º andar loja 275 - São Paulo - SP
Horário: Segunda à sábado das 10h às 19h.
Formas de pagamento:
Dinheiro, Débito e Crédito à vista nos cartões Visa, MasterCard, American Express, Diners Club Internacional, Elo.

Metal Music - Santo André
Rua Dona Elisa Fláquer, 184 - Centro - Santo André - SP
Horário: Segunda à sexta das 10h às 18h30, sábado das 10h às 17h30.
Formas de pagamento:
Dinheiro, Débito e Crédito à vista nos cartões Visa, MasterCard, American Express, Diners Club Internacional, Elo.

Age Of Dreams - São Bernardo 
Av. Marechal Deodoro, 1754 - 2º Andar loja 33/36 - Centro - São Bernardo do Campo - SP
Horário: Segunda à sábado das 9h às 19h.
Formas de pagamento:
Somente dinheiro

CadaQual 
Rua Augusta, 2171 - Jardim Paulista - São Paulo - SP
Horário: Segunda à sábado das 11h às 20h.
Formas de pagamento:
Dinheiro, Débito e Crédito à vista nos cartões Visa, MasterCard, American Express, Diners Club Internacional, Elo.


Horário: 21:00 até o ultimo chamado do Bar.


Info sobre evento: Tel: (11) 4472-6619 
E-mail: avengerproducoes@yahoo.com.br