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domingo, 10 de maio de 2026

Draconian: O culto à melancolia

Napalm Records (Imp.)

Por Michelle F. Santana

O Draconian é uma banda de Gothic Doom Metal formada na Suécia em 1994, que definitivamente sabe transformar poesia em sonoridade densa e melancólica.

Não foi diferente em In Somnolent Ruin, oitavo trabalho da banda, lançado quase seis anos após o aclamado Under a Godless Veil (2020). O álbum chega em um momento importante da trajetória do Draconian: o primeiro registro após o retorno de Lisa Johansson, que deixou a banda em 2011 por motivos pessoais e retornou em 2022, substituindo Heike Langhans.

A comparação com Under a Godless Veil é inevitável. O álbum anterior consolidou ainda mais a estética melancólica e contemplativa que se tornou marca registrada do Draconian. Entretanto, In Somnolent Ruin aprofunda essa identidade com uma abordagem mais introspectiva, filosófica e emocionalmente austera. Embora o disco não busque reinventar a fórmula da banda, encontra força justamente na maturidade com que aprofunda sua própria essência.

As letras de Anders Jacobsson caminham para um olhar quase platônico no sentido filosófico e contemplativo. O álbum aborda emoções como entorpecimento, alienação, o “desenraizamento” do mundo moderno, a dor e a angústia da desilusão, sentimentos tão inerentes ao ser humano, apresentados aqui de maneira extremamente poética.

O disco contém nove faixas. A abertura, “I Welcome Thy Arrow”, inicia de forma minimalista e soturna, conduzida pela voz etérea de Lisa Johansson, antes de explodir no peso característico do gothic doom metal e no gutural esmagador de Anders Jacobsson. A letra contempla a relação entre caça e caçador, impotência e sofrimento, tratando a dor quase como instrumento de despertar. A faixa estabelece com precisão a identidade emocional e sonora que o álbum pretende desenvolver.

“Anima”, que conta com a participação de Daniel Änghede (ex-Crippled Black Phoenix), é uma das músicas mais melancólicas do álbum. A faixa começa com a voz limpa de Daniel, que logo se funde à de Lisa, criando uma atmosfera íntima, obscura e quase cinematográfica. Os três vocais constroem uma experiência emocional profunda, enquanto a música aborda aceitação, fragmentação psicológica e integração da própria escuridão.

Já “Cold Heavens” surge como uma das faixas mais dinâmicas e pesadas do trabalho. Anders apresenta um vocal ainda mais visceral, enquanto Lisa explode no refrão com a carga emocional necessária para sustentar a proposta da música. A faixa fala sobre vida, morte e o desespero de existir em um mundo frio, paralisante e sem perspectiva.

Destaque também para “Misanthrope River”, faixa que ganhou videoclipe e se inicia com a frase: “Estou muito sozinho neste mundo, mas não sozinho o suficiente para consagrar a hora”, de Rainer M. Rilke, poeta conhecido por sua intensidade lírica e reflexões existenciais. Assim como a obra de Rilke, a música mergulha em sentimentos de isolamento e desconexão diante do mundo moderno. O próprio título sugere rejeição ao comportamento humano, enquanto versos como “De onde nada é o que parece / Eu nunca pedi por isso” reforçam o desencanto diante da superficialidade e do vazio existencial contemporâneo.

Para encerrar o álbum, “Lethe” surge como uma conclusão quase ritualística. Inspirada no “Rio do Esquecimento” da mitologia grega , passagem para o submundo, a faixa apresenta referências gnósticas e espirituais profundas. “Um arconte espera pelo rio”, figura associada ao aprisionamento da alma no mundo material, aguardando a ruína inevitável. O eu lírico então se entrega a essa presença assombrada sem resistência. Musicalmente, a composição encerra o álbum de forma grandiosa, com andamento arrastado, teclados épicos e uma construção sonora contemplativa que conduz o ouvinte delicadamente ao fim dessa jornada melancólica, reforçando a identidade gnóstica da banda.

A sonoridade de In Somnolent Ruin é impecável e certamente agradará aos amantes do doom gothic metal tradicional. As guitarras de Under a Godless Veil eram mais densas e cadenciadas, focadas em uma atmosfera sufocante e obscura. Em In Somnolent Ruin, a banda adota uma abordagem mais paciente e contemplativa, sem abandonar o peso característico do doom metal. Johan Ericson e Niklas Nord também conseguem presentear o ouvinte com solos mais destacados e emocionais, tornando a experiência sonora ainda mais impactante.

É inegável a química vocal entre Lisa Johansson e Anders Jacobsson. Lisa traz um vocal limpo, lúcido e espectral, que dialoga perfeitamente com a proposta do álbum, contrastando de maneira coesa com o gutural profundo e sombrio de Anders.

O Draconian continua demonstrando enorme habilidade em construir monumentos sonoros a partir da melancolia, equilibrando peso extremo com temas sensíveis e emocionalmente complexos. Definitivamente, não é uma banda que abre espaço para superficialidades.

In Somnolent Ruin é um álbum introspectivo e maduro, de produção quase cinematográfica, etérea e hipnótica, capaz de transportar o ouvinte para paisagens gélidas e dias melancólicos de forma profundamente poética. Para quem se permitir vivê-lo, trata-se de um mergulho em águas profundas do próprio eu, pois In Somnolent Ruin não busca escapar da escuridão, ele aprende a habitá-la.

Therés Stephansdotter Björk


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Draconian e a Perfeita Fusão Entre o Desespero e a Melancolia

Suécos são os principais representantes do Doom/Gothic Metal
Quando o Theatre of Tragedy lançou o álbum clássico “Velvet Darkness They Fear”, mal sabia que estava criando um divisor de águas para a cena o Doom Gothic Metal, pois a fórmula dos vocais líricos intercalando com guturais se tornou extremamente saturada e copiada por todas as bandas que vieram depois, sendo que muitas delas esqueciam do fator principal, o talento.
É claro que existem exceções, e agora com o fim do TOT o posto de reis do Doom Gothic, por justiça, cabe ao Draconian que com o seu novo lançamento “A Rose for the Apocalypse”, consegue a façanha de adicionar mais peso ao seu som e explorando novas sonoridades conseguindo criar um álbum profundo, escuro e desesperador, como todo bom Doom Metal deve ser.
Novo disco destaca o peso e a melancolia em belas canções
Formada na Suécia, em maio de 1994, primeiramente com o nome de Kerberos, a proposta inicial era muito diferente já que abrangia o Death Melódico, cuja busca por originalidade foi moldando o som levando a banda para direções do Doom, fato esse que se realçou com a entrada do vocalista Anders Jacobsson e da bela vocalista Lisa Johansson.
E são eles que roubam a cena nesse trabalho, começando pela parte lírica que foi escrita pelo próprio Jacobsson que define em suas letras toda a destruição causada pela irracionalidade do ser humano, sendo que a única saída seria a sua total extinção, exatamente por isso o apocalipse merece ser cultuado.
É nesse cenário que a sonoridade se constrói e arrisco dizer que esse é o melhor álbum do Draconian fazendo frente ao poderoso “Turning Season Within” de 2008, sendo um álbum que agradara todos os headbangers, pois a faixas como “The Age Drowning", onde os vocais Death comem soltos e o contraste com a voz feminina não se torna manjado e dá um clima todo especial para a música, e olha que essa é só a abertura.
”The Last Hour Acient Sunlight” apresenta sonoridades com violinos lembrando o trabalho do My Dying Bride. Não deixe de ouvir também “Phantom Dissonance” que apresenta grandes variações ao longo de toda a música e o peso melancólico de “Elysian Night” e “End of the Rope”.
O Draconian mais uma vez conseguiu se superar e, o mais importante, mantendo-se fiel ao seu estilo e aos seus fãs que foram presenteados com mais uma obra prima, melancólica sim, mas muito bela.

Texto: Harley
Revisão/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Draconian
Álbum: A Rose For the Apocalypse
Ano: 2011
País: Suécia
Tipo: Doom Metal/Gothic Metal
Selo: Napalm Records


Formação
Anders Jacobsson (Vocal)
Lisa Johansson (Vocal)
Johan Ericson (Guitarra)
Daniel Arvidsson (Guitarra)
Fredrik Johansson (Baixo)
Jerry Torstensson (Bateria)

Tracklist
1. The Drowning Age
2. The Last Hour of Ancient Sunlight
3. End of the Rope
4. Elysian Night
5. Deadlight
6. Dead World Assembly
7. A Phantom Dissonance
8. The Quiet Storm
9. The Death of Hours
10. Wall of Sighs (Bonus Track)

Acesse:


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