segunda-feira, 6 de abril de 2026
Entrevista - Robert Lowe: "A Música Precisa Te Levar em uma Jornada."
segunda-feira, 30 de março de 2026
Cobertura de Show: Moonspell – 22/03/2026 – Carioca Club/SP
Em um fim de semana repleto de shows em São Paulo, o Carioca Club se transformou em território português para uma celebração histórica: os 30 anos do álbum Wolfheart, do Moonspell, marco fundamental do gothic metal mundial. Para tornar a experiência ainda mais especial, a noite foi brindada com uma dobradinha lusitana, tendo a banda Sinistro como convidada de honra, que fez sua estreia no Brasil diante de uma alcateia brasileira fervorosa.
A abertura da noite ficou por conta dos conterrâneos do Sinistro, que abriram os trabalhos com uma performance pesada, atmosférica e visceral, típica do sludge/doom que fazem. O setlist, que incluiu “Ruas Desertas”, “Partida”, “Abismo”, “O Equivocado”, “Relíquia” e “Templo das Lágrimas”, imergiu o público em uma sonoridade que transitava entre o doom metal e o rock gótico, com Patrícia Andrade hipnotizando com seus vocais poderosos e melancólicos. A atmosfera sombria e os riffs arrastados prepararam perfeitamente o terreno para o headliner, conquistando o público que já chegava animado e provando que o underground português segue forte.
Pontualmente às 20h, os lendários Moonspell adentraram o palco, recebidos por uma ovação estrondosa. Com Fernando Ribeiro (vocais), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclados e guitarra), Aires Pereira (baixo) e Hugo Ribeiro (bateria), a banda portuguesa veio celebrar os 30 anos do icônico álbum Wolfheart. Fernando Ribeiro, com sua presença carismática, abriu a noite com um caloroso “Boa noite, Brasil, somos o Moonspell e estamos aqui para celebrar os 30 anos do Wolfheart”, antes de mergulhar de cabeça em “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, transportando a todos para a atmosfera sombria e mística do álbum que definiu uma era para o gothic metal.
Em seguida, executaram a envolvente “Love Crimes”, na qual os vocais líricos da convidada Eduarda Miss Blue, da banda Glasya, entrelaçaram-se de forma sublime com a voz gutural e expressiva de Fernando, criando um contraste vocal que adicionou uma camada extra de profundidade à performance. Na sequência, a banda entregou a densidade de “…of Dream and Drama (Midnight Ride)”, consolidando a imersão no universo de Wolfheart e mostrando a maestria dos músicos em recriar a atmosfera original do disco com uma energia renovada.
Fernando Ribeiro fez uma pausa para interagir com a plateia, expressando a honra de estar no Brasil em uma noite 100% portuguesa. Ele ressaltou que, apesar de ser domingo e de muitos terem compromissos no dia seguinte, a banda faria um setlist longo e completo, diferente da última vez em que tiveram que cortar músicas devido ao horário. Essa promessa foi recebida com entusiasmo, e a banda seguiu com a sombria “Tenebrarum Oratorium (Andamento I)”, mantendo a intensidade e a conexão com o público.
A diversidade musical do álbum foi explorada com a belíssima “Lua d’Inverno”, um momento instrumental que destacou o talento de Pedro Paixão nos teclados e Ricardo Amorim na guitarra, criando uma paisagem sonora hipnotizante. A seguir, “Trebaruna” trouxe à tona os ritmos e a melodia portuguesa, com a plateia acompanhando com palmas, criando um momento de intercâmbio cultural. Fernando então compartilhou uma curiosidade sobre “Ataegina”, explicando que a faixa havia sido inicialmente excluída do álbum pela gravadora por ter um “clima muito festivo”, que destoava do restante do material. No entanto, o sucesso estrondoso da música nos shows levou à sua inclusão em uma reedição do disco, uma prova da força e do apelo que a canção sempre teve junto aos fãs.
A atmosfera mística e sedutora retornou com “Vampiria”, uma das joias do álbum, que manteve a plateia em transe. Em “An Erotic Alchemy”, Eduarda Miss Blue voltou a brilhar, com seus vocais líricos ganhando destaque em um dueto bem à frente do palco, adicionando uma dimensão teatral à performance. O clímax da noite, no entanto, estava por vir. Antes de chamar o convidado especial, Fernando Ribeiro fez uma emocionante homenagem ao Brasil, afirmando que o país “criou o death metal” e relembrou sua admiração por bandas como The Mist, Sarcófago, Holocausto e, claro, Sepultura, destacando Jairo Guedz como um de seus integrantes favoritos. A casa veio abaixo com a entrada de Jairo, e, juntos, entregaram uma versão poderosa de “Alma Mater”, cantada em uníssono do início ao fim por uma plateia extasiada.
A surpresa da noite não parou por aí. A banda apresentou uma versão “dark” e arrepiante de “Lanterna dos Afogados”, clássico dos Paralamas do Sucesso. Essa releitura inusitada e brilhante demonstrou a versatilidade e a ousadia do Moonspell. A energia continuou alta com a execução de “Opium”, mantendo a plateia conectada e vibrante. O show seguiu com a energia contagiante de “Awake!”, seguida pela intensidade de “In Tremor Dei”. A banda não se limitou ao Wolfheart, presenteando os fãs com faixas de outros álbuns, como “Extinct”, “Scorpion Flower” e “Everything Invaded”, mostrando a diversidade de sua discografia e a evolução de sua sonoridade ao longo dos anos. Cada música foi executada com precisão e paixão, reafirmando o status do Moonspell como uma das maiores bandas de metal gótico do mundo.
Para encerrar a noite de quase duas horas de show, o Moonspell se despediu com a icônica “Full Moon Madness”, um hino que toca a alma de sua “alcateia”. Fernando Ribeiro aproveitou o momento para agradecer novamente a Jairo Guedz e a todas as bandas brasileiras que serviram de inspiração para o Moonspell, reforçando a profunda conexão e admiração mútua entre as cenas musicais dos dois países. O público, caloroso e receptivo do início ao fim, demonstrou que a fidelidade à banda portuguesa permanece inabalável, celebrando não apenas um álbum, mas uma trajetória de três décadas de música e paixão.
quarta-feira, 18 de março de 2026
Um Katatonia Reformado Se Apresenta em São Paulo em Aparição Única no Brasil
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| Terhi Ylimäinen |
Por Bruno França
Show fará parte da turnê do novo disco "Nightmares As Extensions of the Waking State"
No próximo sábado (dia 21 de março), os suecos do KATATONIA irão se apresentar em São Paulo capital, mantendo a tradição de marcarem presença regularmente em território nacional.
Tendo a última passagem acontecido em novembro de 2024 no Carioca Club, a apresentação desta vez ocorrerá dentro do Cine Jóia, com a abertura da FALCHI (banda liderada pela guitarrista Jéssica Falchi, ex-CRYPTA), promovendo o seu 1º lançamento, o EP "Solace".
"Nightmares As Extensions of the Waking State" foi lançado em Junho do ano passado e é o décimo quarto álbum de estúdio de um dos maiores nomes do Rock/Metal Gótico e Alternativo existente.
Esta vinda compreende uma característica marcante do KATATONIA: a mudança na formação com a saída de Anders "Blakkheim" Nyström, membro cofundador junto com Jonas Renkse.
Com exatos trinta e cinco anos de existência sob a liderança de Jonas, o KATATONIA mantém a sua importância dentro do espectro da música melancólica e do Metal com uma carreira que pode ser resumida por um único termo: experimentação. Sua trajetória passeia desde o Doom com elementos de Death Metal que permeiam os dois primeiros álbuns ("Dance of December Souls" e "Brave Murder Day") e os dois primeiros EP ("For Funerals To Come" e "Sounds of Decay") até o Rock melancólico/gótico com elementos progressivos estabelecidos desde "Discouraged Ones" até os dias de hoje, o que estabeleceu a sua identidade diante da cena mundial.
O KATATONIA é atualmente formado por Jonas Renkse (vocal), Nico Elgstrand (guitarra), Sebastian Svalland (guitarra), Niklas Sandin (baixo) e Daniel Moilanen (bateria).
Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Fastix.
SERVIÇO | KATATONIA EM SÃO PAULO
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Cobertura de Show: Tiamat – 15/12/2025 – Carioca Club/SP
A noite de segunda-feira (15), no Carioca Club, marcou um retorno muito aguardado para os fãs brasileiros do Tiamat. Após 16 longos anos de ausência, a lendária banda sueca de doom/gothic metal escolheu São Paulo para encerrar sua turnê latino-americana, em um evento que, apesar da data pouco convencional, transformou-se em uma noite inesquecível. A expectativa era grande e, mesmo com a desvantagem de um show em plena segunda-feira, que naturalmente impactou a presença do público, aqueles que compareceram demonstraram uma paixão e devoção que valiam por uma multidão.
O início da apresentação teve um pequeno atraso de 15 minutos, mas o que poderia ser um inconveniente rapidamente se transformou em um momento memorável para os presentes. De cima do palco, o carismático vocalista Johan Edlund aproveitou a espera para autografar álbuns, camisetas e outros itens que os fãs estendiam em sua direção. Esse gesto inesperado agradou profundamente os fãs mais ardorosos, que fizeram questão de prestigiar a banda, criando uma atmosfera de cumplicidade e gratidão mútua. A felicidade estava estampada em cada rosto e, a cada autógrafo, a certeza de que seria uma noite especial se consolidava.
Especialmente notável foi a postura da banda. Longe de se abalar com o número de presentes, o Tiamat entregou uma performance impecável, como se estivesse tocando para um estádio lotado. A experiência de décadas e a paixão pela música transbordavam de cada integrante, transformando o Carioca Club no lugar perfeito para se vivenciar aquele momento. Os riffs melancólicos, os vocais profundos e a atmosfera densa, marcas registradas do Tiamat, preencheram o ambiente, e a banda conectou-se de forma intensa com cada fã que fez questão de testemunhar esse momento histórico. A resposta calorosa transformou o show quase em um encontro entre velhos conhecidos, algo que a banda pareceu valorizar a cada música.
O setlist, uma verdadeira viagem pela discografia da banda, começou com a força de “Church of Tiamat”, estabelecendo o tom sombrio e envolvente da noite. Clássicos absolutos como “In a Dream”, “Clouds” e a icônica “The Sleeping Beauty” foram recebidos com entusiasmo, transportando os fãs de volta às raízes do som que os conquistou. A precisão instrumental e a entrega emocional em cada nota provaram que o Tiamat não apenas retornou, mas o fez em sua melhor forma, revivendo a magia de seus álbuns mais aclamados.
A jornada musical continuou com uma seleção que contemplou diferentes fases da carreira, passando por “Divided”, “Will They Come?”, “Cain” e a hipnotizante “Love in Chains”. Faixas como “Phantasma De Luxe”, “Brighter Than the Sun” e, especialmente, “Wildhoney” e “Whatever That Hurts”, esta última considerada um hino por muitos, levaram o público a cantar em coro, ecoando anos de espera. A banda soube dosar a melancolia com momentos de pura intensidade, mantendo os fãs imersos em sua sonoridade única.
Para encerrar a noite e a turnê, o Tiamat brindou o público com uma sequência poderosa que incluiu “The Ar”, “Do You Dream of Me?”, “Visionaire”, “Cold Seed”, “Wings of Heaven”, “Vote for Love” e “25th Floor”, culminando com a épica “Gaia”. Cada música foi uma celebração da longevidade e da relevância da banda, provando que o tempo apenas solidificou seu legado. Foi uma despedida à altura: um show que, apesar das circunstâncias, tornou-se um testemunho da lealdade dos fãs brasileiros e da maestria de uma banda que, mesmo após tanto tempo, ainda tem muito a oferecer. O Carioca Club foi palco de um retorno tardio, porém honesto e intenso, que comprovou que a conexão entre o Tiamat e o Brasil segue viva, mesmo depois de 16 anos de espera.
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Cobertura de Show: Stoned Jesus – 25/10/2025 – Jai Club/SP
Stoned Jesus celebra 15 anos de banda com show impecável em São Paulo
Evento, que contou com abertura dos brasileiros do Pesta, fez parte da turnê latino-americana e marcou o retorno da banda ucraniana à capital paulista após oito anos
Oito anos se passaram desde a última vinda do Stoned Jesus, banda ucraniana de Stoner Metal e Doom Metal, ao Brasil. Desta vez, a apresentação em São Paulo, realizada no último dia 25 de outubro na Jai Club, localizada na Zona Sul, fez parte da “Latin American Tour 2025”, turnê que celebra os 15 anos de banda e, ao mesmo tempo, divulga o mais recente álbum do trio, “Songs to Sun”, lançado em 19 de setembro deste ano. A apresentação contou com a abertura da banda belo-horizontina Pesta e foi produzida pela Solid Music Entertainment e a Caveira Velha Produções.
A turnê em questão abrangeu, além de São Paulo, outras cinco cidades brasileiras: Rio de Janeiro (21), Porto Alegre (22), Florianópolis (23), Curitiba (24) e Belo Horizonte (26). A extensão se deu com Buenos Aires, na Argentina (28), Santiago, no Chile (29), e Cidade do México, no México (31). São Paulo, que foi a quinta da turnê, contou com uma Jai Club cheia desde a banda de abertura e que, no show principal, lotou a pista praticamente por um todo, deixando pouquíssimos espaços de circulação.
O Pesta, também em ritmo de divulgação de lançamento recente, o álbum “The Craft of Pain” (outubro de 2025), fez uma apresentação impactante, com quatro faixas consolidadas de seu repertório geral e duas do disco novo, sendo uma delas a estreante ao vivo. O quarteto foi amplamente elogiado pelo público, que viu um show impactante e muito bem executado pelos músicos por um todo.
Já o Stoned Jesus, que desta vez veio como atração principal, fez uma terceira passagem pela capital paulista digna de headliner, com um repertório de 11 músicas com todas as fases dos 15 anos de carreira da banda. Yurii Kononov, baterista que entrou no lugar de Dmitry Zinchenko em 2024, foi a novidade e teve impacto positivo ao vivo, dominando as faixas tanto nos ritmos mais lentos quanto nos mais intensos, parecendo um baterista de Heavy Metal e de Jazz ao mesmo tempo e em momentos distintos por conta da forma que toca no palco. Da mesma forma, o peso do baixo de Andrew, que também entrou para o Stoned Jesus em 2024, no lugar de Sid, foi notável em diversas faixas e ambientações
Por último e não menos importante, o frontman Igor Sidorenko foi impecável em todos os momentos e funções possíveis: do vocal aos riffs e solos de guitarra, dos alertas engraçados para ajustes instrumentais às interações com os fãs na pista. Foi por conta dele que a galera ecoou coros líricos e das letras das músicas e, no melhor dos momentos, gerou um mosh pit no meio de uma Jai Club lotada, garantindo a diversão ainda maior de boa parte dos que participaram da roda. O susto que tomou na última música, “Electric Mistress”, ou certas exigências de som, iluminação e do pedido contra fumaças em geral, de nada mudou seu comportamento no palco, que garantiu, junto com os demais, uma noite memorável na capital paulista.
Pesta
A banda mineira de Stoner Metal e Doom Metal Pesta fez seu retorno a São Paulo após sete meses, quando abriram para o Pentagram junto com o Weedevil. O grupo, que se apresentou em quarteto, teve como fator novo o lançamento do terceiro álbum de estúdio, “The Craft of Pain” (2025), contando com duas das faixas - uma delas tocada ao vivo pela primeira vez - entre as seis tocadas na noite.
Thiago Cruz (vocal), Marcos Resende (guitarra), Anderson Vaca (baixo) e Flávio Freitas (bateria) começaram pontualmente e, com uma Jai bem ocupada, começaram o show com “Moloch’s Children”, do álbum “Faith Bathed in Blood” (2019), e a estreia de “Mirror Maze”, do novo álbum - e que conta com participação do guitarrista Scott "Wino" Weinrich na versão de estúdio -, ao vivo. Enquanto a primeira teve um ritmo mais lento e sombrio, a segunda puxou um Stoned Metal mais agitado.
“Black Death”, do disco de estreia “Bring Out Your Dead” (2016), veio na sequência e agitou o público, seja pelo início marcado pela sequência de repetições do riff com três fortes batidas da bateria (que aumentaram na terceira vez), seja pelo ritmo envolvente no restante da faixa, com Thiago Cruz focando em um bom vocal lírico ao longo da faixa. A dobradinha do primeiro álbum se formou com “Words of a madman”, marcado por um bom refrão e a cadência suave e impactante dos músicos que foi o suficiente para puxar não só a atenção do público, como os primeiros balanços de cabeça da noite.
O show prosseguiu após um pequeno discurso de agradecimento de Thiago, que reforçou o prazer que ele e a banda têm ao tocar em São Paulo. “Shadows of a Desire”, single do álbum mais recente do Pesta, veio com a mesma pegada sombria da sonoridade, com ritmo calmo ao longo da faixa e com uma aceleração de ritmo nos minutos finais, contando com bom solo de Marcos Resende.
O guitarrista do Pesta também trouxe ótimas distorções da guitarra após o riff da última faixa da noite, “Witches’ Sabbath”, assim como outro bom solo dentro da faixa que apresentou um exemplo primordial da inspiração vocal e sonora em bandas de Doom Metal dos anos 1970 e 80. Foi com o poderio desta música, na reta final, que uma espécie de Jam aconteceu para finalizar o show e sacramentar uma abertura que trouxe os sinceros aplausos de um público que, seja pela primeira vez ou além da segunda, apreciou e se impactou positivamente com um grande nome do Doom e do Stoner Metal nacional atual.
Stoned Jesus
A rápida configuração dos instrumentos do trio ucraniano deu a eles um tempo maior para a passagem de som no palco. Isso se deu principalmente pela adaptação que, aparentemente, foi feita no kit de bateria de Flávio Freitas, trazendo algumas adições de pratos que se adaptassem à sonoridade do Stoned Jesus.
Cada acorde testado era comemorado por um fã diferente na pista da Jai Club que, cada vez mais cheia, tinha poucos espaços de circulação que não fossem no corredor que direcionava aos banheiros. Fãs arriscaram alguma interação com a banda, com gritos esporádicos de “Jesus Chapado” ou elogios com palavrões (“f*da pra c*ralho!”, “Do c*ralho” e afins) aos testes da banda. A situação resultou em uma resposta mais que engraçada do vocalista Igor Sidorenko, que respondeu um deles: “Don't use that kind of language, or i’m gona ‘kick your c*zinho’” - “Não use esse tipo de linguagem, ou eu vou chutar o seu c*zinho”, em tradução livre.
Os testes seguiram até 20h30, contando até mesmo com trechos de músicas da banda mais extensos. Às 20h32, o show começou de fato, com os acordes calmos e simples de “Bright Like the Morning”, faixa do disco “Seven Thunders Roar”, que abriu o setlist de 11 faixas da turnê. Junto a Igor Sidorenko (vocal, guitarra), também estavam Andrew Rodin (vocal, baixo) e Yurii Kononov (bateria), que começaram a tocar aos poucos dentro da faixa e, numa questão de 2 minutos, entrelaçaram com o vocalista e guitarrista o ritmo introdutório da faixa, após pedidos de aumento do volume do microfone. E quando a música em questão foi para seu ritmo mais intenso, o público acompanhou fortemente com coros que ecoaram principalmente nos refrões da faixa.
O tom brincalhão de Igor reapareceu na música seguinte, "Porcelain”, que começou sob linhas de baixo de Andrew. No caso, um fã mais exaltado da parte da frente comemorou por mais tempo que os demais e o frontman do Stoned Jesus fingiu uma irritação e gesticulou tanto para que ele ficasse quieto, quanto apontando para o companheiro de banda para que o fã escutasse os acordes que ecoaram a Jai Club. A graça, claro, se converteu em risos rápidos das pessoas na pista, que francamente admiraram a progressão instrumental do trio. Yurii Kononov, como em diversos outros momentos do show, mostrou calma e precisão em suas linhas, principalmente com os pratos, o que ajudava no ambiente misterioso da primeira parte da música. Da mesma forma, nos momentos mais intensos, soube dosar pratos e caixas de forma primorosa.
“Shadowland” foi a primeira das duas faixas do mais recente álbum do Stoned Jesus, “Songs to Sun”, a tocar no setlist. Parte dos presentes na Jai Club começaram a balançar as cabeças desde o início da faixa e se envolveram no misto envolvente entre os riffs de Igor e o ritmo de Yurii, ora acompanhando a guitarra, ora com viradas poderosas e porradas nos pratos para a faixa.
Em seguida, “Thessalia”, única faixa do álbum “Pilgrims” (2018), veio em seguida com uma proposta semelhante de início calmo, baseado na condução de Yurii e Andrew, porém rapidamente transitado para um ritmo mais agitado após o grito de “São Paulo, are You ready?”, ao estilo Korn, puxado por Igor e incrementado com a guitarra potente. Foi o suficiente para tirar alguns fãs do chão, que arriscaram pulos no mínimo espaço que tinham, assim como fez com que outros voltassem a balançar a cabeça com intensidade ao longo da faixa. Já “Thoughts and Prayers” veio na sequência, antecedida de um discurso de Igor em relação à guerra entre a Ucrânia, país de origem do trio, e a Rússia, e sobre como buscam arrecadações para os afetados no país do Leste Europeu. A faixa, referente ao álbum de 2023 “Father Light”, é justamente um clamor por esperança e resolução, ao mesmo tempo que uma crítica ao contexto de guerra, com ritmo que tem uma pequena pegada Blues Rock sem comprometer com a base Stoner e Doom da banda e que, na Jai Club, contou com coros líricos do público em determinados momentos e um ótimo solo por parte do guitarrista e vocalista do Stoned Jesus.
Igor também fez alguns alertas sobre a fumaça na Jai, por conta de possíveis pessoas que estavam fumando no local e quanto a como aquilo poderia prejudicá-lo. O pedido foi atendido e, aparentemente, foi um ponto que ajudou o vocalista e guitarrista a ficar mais à vontade durante o restante da apresentação, que prosseguiu com “Silkworm Confessions”, do álbum “The Harvest” (2015), numa das performances mais enérgicas da noite, encabeçada por um riff e ritmos potentes ao longo da faixa, mudanças de ritmo periódicas e uma tonalidade vocal “à la Ozzy” de Igor, que também colocou um chapéu de um fã pela primeira vez na noite. Ele também protagonizou uma regência lírica com as vozes do público, assim como teve, perto da reta final da música, um solo rápido e bem “palhetado” durante sua execução.
“Black Woods” foi amplamente comemorada após as primeiras notas tocadas por Igor Sidorenko. O músico chegou a tirar seus óculos - e não os colocou mais - para a faixa em questão. Quando o instrumental completo veio, múltiplas cabeças balançaram por toda a pista da Jai Club por todos os minutos do riff inicial e além dele. O líder do Stoned Jesus fez um solo poderoso no meio da faixa e conduziu muito bem a faixa, que só mudou de ambientação e ritmo nos três minutos finais, contando com os gritos de hey do público a pedido de Igor e, no final, com o poderio do pedal duplo e dos pratos de Yurii para um encerramento apoteótico. Ou o início do caos na Jai Club.
E este caos se deu justamente porque a faixa seguinte foi “Here Come the Robots”, outra do disco “The Harvest”, com ritmo agitado e contagiante o suficiente para diversas camadas de agitação da banda e do público presente no show: a comemoração generalizada a partir do riff, os pulos na sequência, o coro que ocorreu durante toda a letra e, principalmente, o mosh pit pedido por Sidorenko no meio para o final da faixa, executado por boa parte do público que estava entre a frente e o meio, além dos que também se deslocaram do fundo para o bate-cabeça. Teve espaço para isso? Teve, porém, comprometendo o corredor do canto da pista e, talvez, as leis da impenetrabilidade. De todo modo, o momento foi único e marcou o grande ápice da noite.
Os ânimos do público e da banda logo deram espaço para o silêncio pedido pelo frontman do Stoned Jesus e a calmaria dos acordes iniciais da também comemorada “I’m the Mountain”. Além destas linhas e do instrumental pesado ao longo da parte inicial, houve outro coro do público em cima da letra da música, com os primeiros versos ecoados sem o suporte do vocalista e com a ênfase nos versos que tinham o nome da música em destaque. Junto a isso, as variações de ritmo ao longo dos pouco mais de 13 minutos de música, contaram muito com a condução de Yurii Kononov e Andrew que, seja nos momentos mais calmos, seja nos mais intensos, foram grandes destaques junto aos solos e acordes gerais de Igor, de modo que a banda foi amplamente ovacionada ao final.
A pequena pausa que a banda deu, em direção ao camarim, foi rápida a ponto de os três integrantes voltarem após dois minutos, rumo ao bis. Os gritos do público ecoavam na Jai Club, com tentativas de puxar um coro em nome da banda e outros elogios. De todo modo, Igor, Yurii e Andrew logo iniciaram “Low” que, apesar de ter uma temática sensível e melancólica na letra, trouxe um ritmo de Stoner Metal poderoso e conciso o suficiente para levantar o público novamente. A faixa também teve um “momento Black Metal”, onde toda a sonoridade do trecho lembrava músicas do subgênero do Heavy Metal, com blast beats, e palhetadas rápidas, somadas a um grito estridente de Igor. O retorno para o ritmo Stoner se deu com uma boa condução de pedais de Yurii, nem muito rápidos, nem muito lentos, até os momentos finais da faixa.
“Electric Mistress” fechou a noite com mais um riff impactante, somado com um último “Are You ready?” conjunto de Igor e Andrew, desaguando em uma sonoridade contagiante da banda. Os versos do refrão, todos iniciados com o nome da faixa em questão, foram gritados pelo público. E essa dinâmica foi ainda mais explorada por Igor Sidorenko em dois momentos distintos da faixa, mais “parados”, em que ele contou até cinco antes de o público, em coro conjunto e intenso, gritar “Electric Mistress” e ele complementar com o restante dos versos. Tudo foi muito bem dinamizado e, quando voltou para o instrumental geral da banda na segunda vez, Sudorenko ainda tomou um susto por algo que aconteceu na parte da frente do palco - e que não deu para ver, precisamente, se envolveu apenas o equipamento e os pedais, ou se pode ter sido algo em relação a um fã das primeiras fileiras -, todavia se recompôs para um final com sonoridade explosiva e digna de um encerramento apoteótico.
As quase uma hora e 20 minutos de show do Stoned Jesus passaram muito rápido, mesmo com músicas que tinham mais de dez minutos. E isso tudo graças a um conjunto de fatores já citados que tornaram a apresentação memorável para os que esperaram tanto tempo pela volta da banda ao solo brasileiro: sonoridade impecável - mesmo com os mínimos problemas rapidamente corrigidos, sob a condução de Igor Sudorenko -, uma banda que executou todas as músicas de forma primorosa, o cuidado com os detalhes de cada membro e um público que, seja para cantar, aplaudir ou para moshar, entreteu e foi entretido da melhor forma junto ao trio. Foi uma apresentação digna de headliner de evento e que, com certeza, deixou o desejo por mais do Stoned Jesus em breve.
Pesta – setlist:
Moloch’s Children
Mirror Maze
Black Death
Words of a Madman
Shadows of a Desire
Witches’ Sabbath
Stoned Jesus – setlist:
Bright Like the Morning
Porcelain
Shadowland
Thessalia
Thoughts and Prayers
Silkworm Confessions
Black Woods
Here Comes the Robots
I'm the Mountain
Bis
Low
Electric Mistress
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Pesta: “The Inquisitor, Pt. I” Prepara o Terreno para o Novo Álbum
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| Arte por Ars Moriendee |
quinta-feira, 3 de abril de 2025
Cobertura de Show: Pentagram – 30/03/2025 – Fabrique Club/SP
Noite de culto e peso: Pentagram no Fabrique
O domingo, 30 de março de 2025, foi uma data histórica para os fãs de Stoner e Doom Metal em São Paulo. O Fabrique recebeu uma verdadeira celebração do gênero, com as nacionais Pesta (@pestadoom) e Weedevil (@weedevildoom) preparando o terreno para a aguardada apresentação do lendário Pentagram. Com casa cheia e um público em êxtase, a noite foi um mergulho profundo em riffs hipnóticos, atmosferas densas e a essência da música pesada em sua forma mais pura.
Uma lenda viva retorna ao Brasil
O Pentagram não é apenas uma banda — é um pilar do Doom Metal. Na ativa desde 1971, o grupo norte-americano influenciou gerações e escreveu seu nome na história da música pesada. Em março de 2025, eles retornaram ao Brasil para dois shows marcantes, um em Curitiba (29/03) e outro em São Paulo (30/03), ambos organizados pela Powerline Music & Books. A passagem pelo país integrou uma extensa turnê latino-americana realizada pela Dreamers Entertainment e Extremy Retained Booking, com paradas no México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina.
Pioneiros do proto-doom, o Pentagram solidificou seu legado com o álbum “Day of Reckoning” (1987), que definiu o gênero com hinos pesados e uma sonoridade que remete diretamente à era de ouro do Black Sabbath. Décadas depois, sua trajetória foi resgatada pelo documentário “Last Days Here” (2011), apresentando a banda para uma nova geração de fãs.
Junto ao lendário Bobby Liebling nos vocais, a formação atual conta com Victor Griffin na guitarra, Greg Turley no baixo e Pete Campbell na bateria.
Uma noite inesquecível em São Paulo
Desde os primeiros minutos da noite, a energia no Fabrique era elétrica. A primeira banda a subir ao palco foi a mineira Pesta, trazendo toda a força do Doom Metal de Belo Horizonte. O setlist percorreu seus dois álbuns de estúdio, alternando entre o peso arrastado e o groove do Stoner Rock. O destaque ficou para a performance magnética do vocalista, Thiago Cruz, que além da voz marcante, cativou o público com gestos teatrais e uma conexão intensa com a plateia. O som estava perfeitamente ajustado, garantindo que cada riff ressoasse com impacto máximo.
Setlist – Pesta:
Anthropophagic
Hand of God
Witches' Sabbath
Black Death
Words of a Madman
Em seguida, a paulistana Weedevil elevou ainda mais a temperatura. Com um set focado no recém-lançado “Profane Smoke Ritual” (2024), a banda apresentou uma fusão poderosa de Doom, ocultismo e psicodelia. O show foi um verdadeiro ritual sonoro, carregado de atmosfera e intensidade. Nem mesmo um contratempo técnico — a quebra da caixa da bateria durante a execução da faixa-título — conseguiu diminuir a energia do grupo ou do público, que respondeu com entusiasmo e fez da apresentação um momento memorável.
Setlist – Weedevil:
Serpent's Gaze
Chronic Abyss of Bane
Underwater
Veil of Enchanted Shadows
Profane Smoke Ritual — (Delayed because Flavio broke his snare)
Necrotic Elegy
Serenade of Baphomet
Hi I’m Lucifer!
Quando o relógio passou das 21h, a expectativa atingiu seu auge. Sob aplausos ensurdecedores, o Pentagram finalmente entrou em cena. Recentemente, Bobby Liebling virou meme na internet, o que trouxe uma curiosidade extra: como isso influenciaria a recepção da banda no Brasil? A resposta veio rapidamente — a plateia estava ali por respeito ao legado da banda, e não apenas pelo fenômeno virtual.
A apresentação começou com “Live Again”, e desde o primeiro acorde ficou claro que aquele seria um momento especial. Apesar da idade e de uma trajetória repleta de desafios, Liebling continua um frontman magnético, entregando cada música com paixão e intensidade. Suas expressões e gestos característicos deram ainda mais autenticidade ao show, e sua interação com o público foi constante.
O setlist trouxe uma seleção impecável, misturando faixas mais recentes com clássicos absolutos. “The Ghoul”, “Sign of the Wolf (Pentagram)” e “Review Your Choices” incendiaram o público, reafirmando o status da banda como uma das mais icônicas do Doom Metal. No encore, “Forever My Queen” e “20 Buck Spin” fecharam a noite com chave de ouro, reafirmando porque o Pentagram é uma lenda viva.
Além da música, um dos pontos altos foi o reencontro entre fãs e músicos, unidos pelo amor ao Doom Metal. O Fabrique se transformou em um verdadeiro templo do gênero, onde diferentes gerações se encontraram para compartilhar essa devoção. No fim da noite, uma certeza pairava no ar: todos que estiveram ali participaram de algo único e inesquecível.
Texto: Patricia Araújo
Fotos: Roberto Sant'Anna
Edição/Revisão: Gabriel Arruda
Realização: Agencia Powerline
Press: Tedesco Comunicação & Mídia
Setlist – Pentagram:
Live Again
Starlady
The Ghoul
I Spoke to Death
When the Screams Come
Sign of the Wolf (Pentagram)
Might Just Wanna Be Your Fool
Solve the Puzzle
Review Your Choices
Thundercrest
Walk the Sociopath
Encore
Forever My Queen
20 Buck Spin






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