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sábado, 7 de janeiro de 2017

Alírio Netto: Mostrando Seu Talento e Outras Faces


A quantidade de grandes vocalistas que despontam aqui no Brasil é quase um fenômeno, e ano após ano, grandes revelações dão as caras com inovações e talento, mostrando domínio e conhecimento da técnica vocal. E é difícil, nos dias de hoje, apontar quem é o melhor vocalista de Heavy Metal aqui no Brasil, pois cada um mostra versatilidade e maneira de cantar de acordo com a personalidade do artista, e também na qual o mesmo se sente confortável. Recebendo elogios não só pelo seu timbre de voz, mas também pelas atuações no teatro brasileiro (musicais como Jesus Cristo Superstar e We Will Rock You), um dos grandes destaques nos últimos anos é Alírio Netto, que acaba de lançar seu primeiro disco solo, “João de Deus”.

Não alcançando a meta esperada pela campanha que foi feita por crowdfunding, o disco chega, enfim, pela TRM Records, um dos primeiros lançamentos da mais nova gravadora de Heavy Metal do país, mas neste disco, em especial, não há sombras de Heavy Metal. Quem acompanhou o passo a passo das novidades deste trabalho, pôde notar que o Alírio quis experimentar coisas novas, entre elas as músicas serem cantadas em português, deixando de lado as suas influências que teve com o Khallice e o Age Of Artemis, aventurando-se num caminho mais contemporâneo, experimentando nuances que flertam do Pop à música brasileira, tornando-se acessível para todos, e também para o ouvinte de Heavy Metal que possua cabeça aberta.

A produção foi de Edu Falaschi (ex-Angra e Almah), parceria que já dura desde o primeiro trabalho do Age Of Artemis, tendo a participação do mesmo em algumas composições e arranjos também. E a sonoridade é bem cristalina, soando atual e transparente, com ótima mixagem e masterização pelo Tito Falaschi, que também executa o instrumental em quase todas as músicas, exceto o baixo, gravado pelo Felipe Andreoli (Angra). A ilustração é marcada pelo Danilo Facchini, encabeçado pela foto da Priscila Tessarani, abreviando a atmosfera transmitida pelo álbum, ou seja, algo bem intimista e com simplicidade.

Ouvindo o disco atentamente, percebemos o real motivo do por que o Alírio Netto é uma das melhores vozes do Brasil atualmente, possuindo uma timbragem de voz que se encaixa em qualquer território musical, mostrando que é capaz de ser dinâmico e integro. E o vocalista teve ao seu lado um time de peso, que além de contar com as colaborações de Edu Falaschi, Tito Falaschi e Felipe Andreoli, teve também as participações do guitarrista Marcelo Barbosa (Almah/Angra), o pianista Tiago Mineiro e do saxofonista Milton Guedes.

Principiando o primeiro destaque, “Viver (One Love)” prioriza os arranjos mais limpos e melodias folclóricas, possuindo um refrão cativante cantado em inglês; a faixa-título, “João de Deus”, dá mais atenção ao instrumental cheio de ritmo, arcando elementos mais Pop e até do progressivo, evidenciando os riffs limpos e o solo instigante do Marcelo Barbosa; A balada “De Sol a Sol” é daquelas de colocar no ‘repeat’, e já toca o coração com melodias sensíveis e singelas, terminando com um emocionante solo; “Tantas Coisas” mesclam caminhos mais Rock N’ Roll e clássico, dentro de uma linguagem mais presente, diluindo harmonia e força na voz do Alírio, chegando a surpreender quando prolífica o refrão; “Retrato” emite linhas mais dramáticas, ficando evidente nos pianos de Tiago Mineiro. E Alírio dá um show de interpretação, exibindo o seu lado mais teatral através da música.


“Segredos” é bastante conhecida, só que como “Take Me Home”, presente no álbum “Overcoming Limits”, do Age Of Artemis, ganhando uma versão mais sintética e cantada em português, além de requintadas sessões acústicas. “Nada Mais Importa” tem seu jeitão ‘main-stream’, que empolga com a mistura de Pop Rock, MPB e Soul Music, deixando a música ainda mais pra cima com o saxofone do grande Milton Guedes. De bônus, “Your Smile”, única faixa em inglês, com um certo compasso de música folclórica brasileira, esmerada pela viola caipira e alguns instrumentos percussivos, perfeita pra ouvir num dia calmo à natureza.

Que “João De Deus” seja ouvido, e se perpetue, e seja nos palcos ou no teatro, alavanque a carreira desse grande vocalista, o qual prova que é capaz de despontar em qualquer praça pela sua voz, que inclusive chamou a atenção de mídias e artistas fora do circuíto Metal.
Tenham a cabeça aberta, e podem ouvir numa boa!

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação (Priscila Tessarani)

Ficha Técnica
Banda: Alírio Netto
Álbum: João De Deus
Ano: 2016
Estilo: Pop Rock
Gravadora: TRM Records
Assessoria de Imprensa: TRM Press


Track-List
01. Viver (One Love)
02. João De Deus
03. De Sol a Sol
04. O Palhaço
05. Tantas Coisas
06. Retrato
07. Segredos
08. Nada Mais Importa
09. YourSmile (BonusTrack)

Contatos

sábado, 21 de novembro de 2015

Def Leppard: Buscando Resgatar os Bons Tempos




O Def Leppard é uma banda a qual conquistou muitas marcas consideráveis, em termos de visibilidade e vendas, tendo um reconhecimento em nível mundial. A carreira marcada por muito trabalho e sucesso, também sofreu com tragédias como o acidente do baterista Rick Allen no final de 84, onde acabou perdendo um braço (a banda iria apresentar-se no Rock In Rio no ano seguinte, e acabou sendo substituída pelo Whitesnake), e depois a morte de Steve Clark, em 1991, vítima de complicações devido seus problemas com o álcool, um grande choque para a banda, e também uma grande perda em termos musicais, pois Clark era o lado mais da pegada da dupla de guitarras do Leppard, e ainda, mais recentemente, Vivian Campbell (que entrou na banda para assumir as guitarras ao lado de Phil Collen), anunciou a sua luta contra o câncer. É, a vida de astros não é só fama e sucesso, também são humanos.

Bom, mas voltando ao presente, o Def Leppard acaba de lançar seu novo álbum, simplesmente intitulado "Def Leppard", e depois do sucesso estrondoso dos seus primeiros anos, principalmente a partir do álbum "Pyromania", fechando uma trinca com "Hysteria" e "Adrenalize" (dois álbuns que marcam de vez o estilo da banda, mixando o Hard com Pop e AOR, além de efeitos eletrônicos, sendo que "Hysteria" também marca a volta da banda, após o acidente de Rick Allen, que teve de reaprender a tocar praticamente, adaptando um kit de batera eletrônica), a banda seguiu lançando álbuns, tendo alguns altos e baixos, mas ainda colecionando alguns bons hits, porém ainda continuavam devendo um trabalho que fosse novamente uma unanimidade entre os fãs.

"Def Leppard" busca resgatar os bons momentos, trazendo o som que caracterizou a banda, ou seja o Hard flertando com o Pop e com altas doses de melodia e refrãos pegajosos. Para toda com tantos anos de estrada, sempre há aquele desafio de manter-se relevante e soar atualizado, e enquanto muitas bandas não conseguiram passar com sucesso esse processo, outras muitas lograram êxito, e o Leppard, ao meu ver, está há um bom tempo num meio termo, não chega a decepcionar por completo, mas também não consegue empolgar e trazer um álbum acima do mediano.


Pois bem, este novo álbum, após sete anos em material fresco, traz uma melhora considerável e alguns momentos muitos bons, e encontramos nele a sonoridade característica que a banda iniciou em "Pyromania" e consolidou em "Hysteria" e "Adrenalize", e, embora muitos fãs aguardassem um "Pyromania II", o álbum, embora traga sim momentos que lembrem o álbum do hit "Photograph", fica mais na região dos dois seguintes, mas também traz à tona suas influências do Classic Rock, com resultados bem animadores.

A banda peca em alguns momentos, principalmente onde acabou apostando em algumas coisas que não funcionam mais atualmente, e soam datadas, como a abertura com "Let's Go", que tem uma levada parecida com "Let's Get Rocked", além de ser um pouco morna também, e acredito que a melhor escolha teria sido abrir o álbum com "Dangerous", essa sim, bem mais dinâmica, num estilo mais Hard e com aqueles refrãos que todo mundo identifica que é o Leppard, com aqueles vocais harmonizados, e lembra aquela linha "Photograph", um dos destaques imediatos e dá uma animada bem legal depois da abertura morna.


"Man Enough", mostra a conhecida admiração da banda pelo Queen, numa levada bem no estilo "Another one Bites to Dust", com a linha de baixo bem destacada e funkeada, faixa legal, mas com uma letra esquisita: "Are you man enough to be my girl?", fica a critério de cada um interpretar!
"We Belong" é uma balada de respeito bem agradável, coisa que eles sempre fizeram muito bem, flertando com o AOR e Pop, mas não tão açucarada como "Love Bites", por exemplo; "Invincible" tem uma pegada bem Hard no riff principal, acompanhado por melodias bem marcantes e levada agradável, assim como o refrão.

"Sea of Love" traz aquele ar de Hard Rock mais "festivo", enquanto que "Energized" tem um andamento mid-tempo, apresenta efeitos eletrônicos, e o flerte com o Pop Rock, na linha de "Hysteria"; "All Time High" é outra mais Hard, simples e em um andamento mais acelerado; "Battle of my Own" é um dos melhores momentos, trazendo à tona as características setentistas, e outra das inspirações da banda, o Led Zeppelin, com guitarras acústicas, orquestrações e um "q" meio psicodélico, pena ser curta.

 
"Broken 'N' Brokenhearted" é outro Hard competente e dinâmico, numa linha bem Hard 80's; "Forever Young" também é outro Hard, soando mais legal que a anterior, e tem uma levada mais radiofônica, naquela linha do Hard Norte Americano estilo Bon Jovi; "Last Dance" é uma balada acústica, com uma levada meio Country, meio melancólica, que ficou bem interessante; "Wings of an Angel" é outra que se destaca, acima da média, traz mais peso, guitarras num estilo meio "moody" e os coros hamonizados que são marca registrada do Leppard.


"Blind Faith", também é muito boa, e ao lado da faixa anterior fecham muito bem o álbum, com vocais cheios de feeling, meio bluesy, iniciando acústica e com orquestrações, para ganhar mais dinamismo e peso no refrão. Tem muito de Led e Beatles nesta canção, e aí você se pergunta o porque deles não terem feito mais canções nesse estilo, evidenciando mais as suas influências dos anos 60 e 70, e deixando um pouco de lado alguns Hards/Pop mais mornos e descartáveis que estão no álbum.




Um álbum que traz bons momentos, principalmente quando a banda se envereda pelas suas influências do Classic Rock, naqueles Hards estilo do "Pyromania", e também nos melhores momentos da fase mais "radiofônica" com "Hysteria", fato é que podemos sentir que a banda ainda tem lenha para queimar, e se "Def Leppard" ainda não foi o álbum que os fãs esperavam, já traz muitas notícias boas, com mais pontos positivos do que negativos, e momentos muito bons como em "Dangerous", "We Belong", "Battle of My Own", Wings of an Angel" e "Blind Faith", ofuscam as faixas mais mornas e descartáveis.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Def Leppard
Álbum: "Def Leppard" (2015)
País: Inglaterra
Estilo: Hard
Selo: Licenciado para o Brasil para Shinigami Records

Acesse os canais oficiais da banda:
Site Oficial
Youtube
Facebook
Spotify

Quer ganhar um presentão? O Natal está chegando, então a gente vai sortear dia 15 de dezembro uma cópia de "Def Leppard" e ainda uma camiseta do Road. No link de divulgação da promoção na nossa fanpage você, além de curtir as páginas da Shinigami e do Road no FB, escreva a palavra secreta "PyroHysteria" nos comentários do post da promoção na nossa fanpage! Boa sorte and Let's get Rocked!


Line-Up:


Joe Elliot (vocais)
Phil Collen (guitarra)
Vivian Campbell (guitarra)
Rick Savage (baixo)
Rick Allen (bateria)



Track-List


01 - Let's Go - 5:01
02 - Dangerous - 3:26
03 - Man Enough - 3:54
04 - We Belong - 5:06
05 - Invincible - 3:46
06 - Sea Of Love - 4:04
07 - Energized - 3:23
08 - All Time High - 4:19
09 - Battle Of My Own - 2:42
10 - Broke 'n' Brokenhearted - 3:17
11 - Forever Young - 2:21
12 - Last Dance - 3:09
13 - Wings Of An Angel - 4:23
14 - Blind Faith - 5:33