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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cobertura de Show: Left to Die – 09/09/2026 – Burning House/SP

O supergrupo Left To Die, liderado pelos ex-integrantes do Death Rick Rozz e Terry Butler, retornou à capital paulista para revisitar os primeiros anos de um dos nomes mais importantes da história do death metal. Em primeira mão no Brasil, a banda apresentou o álbum "Initium Mortis", de 2026, trabalho que reúne regravações em tributo à fase embrionária do Death e do Mantas. Ao lado de Cemitério e Flagelador, responsáveis pelas apresentações de abertura, o grupo protagonizou uma noite dedicada à música pesada, conectando diferentes gerações do metal extremo diante de um excelente público que lotou a Burning House no último dia 9.

Responsável por abrir a noite, o Cemitério entrou no palco sem precisar de muito tempo para estabelecer sua atmosfera de horror e metal extremo. Com Hugo Golon nos vocais e baixo, Douglas Gatuso na guitarra e Guilherme Fructuoso na bateria, o trio paulistano apresentou seu death/thrash metal de inspiração cinematográfica em uma sequência que começou com "Massacre no Texas" e passou por "Tara Diabólica", "Oãxiac Odèz", "O Dia de Satã" e "A Sentinela dos Malditos", mantendo a agressividade e o peso característicos da banda. A temática de filmes de terror continuou em "Sexta-feira 13", "Holocausto Canibal", "Natal Sangrento", "A Volta dos Mortos Vivos" e "A Vingança de Cropsy", enquanto "Quadrilha de Sádicos" mostrou novamente a facilidade com que o grupo transforma seus refrões em momentos de participação dos fãs. O público acompanhou e cantou as músicas, deixando claro que aquelas composições já são conhecidas do underground paulista. A escolha de "Damien", versão para o clássico do Taurus, acrescentou uma conexão especial com a história do metal brasileiro, antes de "Pague para Entrar, Reze para Sair" fechar o set. O resultado foi que o Cemitério ocupou seu espaço com personalidade própria, unindo death metal old school, referências ao cinema de horror e letras em português em uma apresentação que encontrou um público pronta para cantar cada verso.

Em seguida, O Flageladör mostrou por que se tornou uma das referências do speed/thrash metal brasileiro, apostando em uma apresentação direta, veloz e sem qualquer pudor. Com Armando Exekutor nos vocais e guitarra, Alan Magno no baixo, Junior Bzrra na guitarra e Vinícius Talamonte na bateria, a banda atravessou seu repertório como uma máquina de riffs, passando por "Ultimatum/Flageladör", "Perseguir e Exterminar", "Cruzada ao Lado de Satã" e "Expresso para o Inferno", sem dar espaço para a pista respirar. O público não apenas acompanhou a apresentação, mas cantou praticamente todas as músicas, transformando "A Noite do Ceifador", "Carnificina", "Unidos pelo Metal" e "Forjado em Aço e Fogo" em momentos de intensa participação. A sequência final, com "Assalto da Motosserra", "Obcecado por Sangue", "Queimando nas Chamas do Heavy Metal", "Máxima Voltagem", "Nas Minhas Veias Corre Fogo" e "Ao Vivo no Inferno", consolidou o caráter de celebração underground da apresentação, com a banda mantendo a velocidade e o peso até o último riff.

Era chegada a hora dos anfitriões. Formado por músicos diretamente ligados aos primeiros anos do Death, o Left To Die reúne Rick Rozz e Terry Butler, integrantes da formação clássica responsável pelos registros Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988), fundamentais no início da carreira de Chuck Schuldiner. Além de Matt Harvey, nos vocais e guitarra, e Vinicius Talamonte, do Flagelador, que assumiu a bateria nesta apresentação, a formação contou com a substituição de Gus Rios, que sofreu um descolamento de retina durante a turnê. Mesmo diante da mudança de última hora, o que se viu no palco foi uma performance intensa, pesada e fiel à sonoridade que ajudou a estabelecer os alicerces do death metal.

A atmosfera já começou pesada antes mesmo da primeira música, quando a sonoridade sombria de "E5150", do Black Sabbath, serviu como introdução para o que viria a seguir. A abertura com "Infernal Death" proporcionou uma verdadeira explosão, fazendo as primeiras rodas se abrirem imediatamente na pista. "Mutilation" manteve a pressão, enquanto "Leprosy" trouxe um dos primeiros momentos de interação com o público. "É muito bom estar de volta", declarou Matt Harvey, antes de perguntar se os fãs conheciam quem estava na bateria. A resposta veio em forma de gritos para Vinicius Talamonte. Em seguida, Harvey pediu aplausos para Rick Rozz, apresentado como "o cara que escreveu a bíblia do Death Metal". O guitarrista foi recebido calorosamente pelos fãs.

"Primitive Ways" manteve a pancadaria e ganhou uma dedicatória especial, já que aquele era o último show da banda no Brasil. Matt aproveitou o momento para dedicar a música às bandas brasileiras Cemitério e Flagelador. Na sequência, o Left To Die deixou de lado momentaneamente o repertório do Death para revisitar "Legion of Doom", do Mantas, projeto que antecedeu a formação do Death e que faz parte do álbum Initium Mortis, de 2026. A viagem pelas raízes da banda continuou com "Scream Bloody Gore", introduzida por uma provocação de Matt Harvey: "Vocês se lembram do nome do primeiro disco do Death?". A pergunta foi rapidamente respondida pela explosão dos fãs diante de um dos maiores clássicos daquela primeira fase.

A partir de "Death by Metal", outra composição do período do Mantas, a pista da Burning House pareceu entrar em estado de completo caos. As rodas ficaram ainda mais intensas, transformando o espaço em um verdadeiro pandemônio. "Corpse Grinder" chegou com sua violência sonora, e "Left to Die" foi acompanhada em alto e bom som pelo público, que cantou o refrão com a banda. Antes de "Zombie Ritual", Matt Harvey voltou a provocar os fãs: "São Paulo, vocês detonam! Ouvi vocês cantando a última, então essa quero ouvir mais alto ainda". O pedido foi atendido prontamente, com o público reproduzindo as melodias iniciais da guitarra e agitando intensamente ao som de mais um clássico absoluto.

No encore, "Pull the Plug" elevou novamente a temperatura da Burning House. "O espírito do Chuck Schuldiner ainda está vivo em São Paulo?", perguntou Matt, provocando uma resposta imediata dos fãs, que passaram a gritar o nome de Chuck em homenagem ao fundador do Death. Para encerrar a apresentação, "Evil Dead" completou uma noite dedicada às raízes mais primitivas e agressivas da banda. Mais do que simplesmente reproduzir músicas de um período histórico, o Left To Die proporcionou ao público a oportunidade de ouvir ao vivo uma sonoridade que ajudou a moldar o death metal em seus primeiros anos. Com Rick Rozz e Terry Butler representando diretamente aquela história, Matt Harvey conduzindo a apresentação e Vinicius Talamonte assumindo a bateria em uma situação inesperada, o grupo entregou uma celebração visceral da fase inicial do Death, deixando a Burning House tomada pela energia de um público que conhece e reverencia cada detalhe dessa história. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: André Tavares


Realização: Caveira Velha Produções


Cemitério – setlist

Massacre no Texas

Tara diabólica

Oãxiac Odèz

O dia de satã

A sentinela dos malditos

Sexta-feira 13

Holocausto canibal

Natal sangrento

A volta dos mortos vivos

A vingança de Cropsy

Quadrilha de sádicos

Damien (Taurus)

Pague para entrar, reze para sair 


Flageladör – setlist

Ultimatum/Flageladör

Perseguir e Exterminar

Cruzada ao Lado de Satã

Expresso para o Inferno

A Noite do Ceifador

Carnificina

Unidos pelo Metal

Forjado em Aço e Fogo

Conjuração

Assalto da Motosserra

Obcecado por sangue

Queimando nas chamas do Heavy Metal

Maxima voltagem

Nas minhas veias corre fogo

Ao vivo no inferno


Left to Die – setlist

Infernal Death

Mutilation

Leprosy

Primitive Ways

Legion of Doom

Scream Bloody Gore

Death by Metal

Corpse Grinder

Left to Die

Zombie Ritual

Bis

Pull the Plug

Evil Dead

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Left To Die – 12/01/2025 – Fabrique Club/SP

Left to Die Mantém legado de Chuck Schuldiner vivo em início de ano destruidor na Fabrique Club 

Quarteto formado por ex-membros do Death e dois integrantes influenciados pela banda encerrou sua passagem pelo Brasil em um verdadeiro um tributo à banda e ao guitarrista fundador, falecido em 2001 

A Fabrique Club iniciou o ano de 2025 com uma apresentação que já pode entrar no rol das melhores tanto em seu simbolismo, objetivo e sonoridade, quanto pelo impacto causado ao público presente. Trata-se do Left to Die, quarteto que faz um tributo à banda estadunidense de Death Metal Death e que visa manter o legado de Chuck Schuldiner (1967-2001) vivo.

A apresentação, realizada no último dia 12 de janeiro e organizada pela Open the Road, encerrou a passagem de estreia do grupo no Brasil, em meio à turnê “Scream Bloody Leprosy Over Latin America”, que antes passou por cidades brasileiras como Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Limeira, e continuando por outras cidades da América Latina, como Montevidéu (Uruguai), Comodoro Rivadavia e Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Lima (Peru), Medellín e Bogotá (Colômbia), San José (Costa Rica), Cidade do Panamá (Panamá), San Pedro (Honduras), San Salvador (El Salvador) e pelas cidades mexicanas de Monterrey e Cidade do México.

Com os ex-Death Terry Butler (baixo) e Rick Rozz (guitarra), somados aos membros do Gruesome Gus Ríos (bateria) e Matt Harvey (guitarra e vocal), que têm o Death como inspiração musical, o quarteto deu foco em um setlist de 15 faixas com foco total nos dois primeiros álbuns do Death: “Scream Bloody Gore” (1987) e “Leprosy” (1988). E com uma Fabrique praticamente cheia, a certeza de uma pista caótica, com coros e moshes por parte de um público fanático pelo repertório da lendária banda do saudoso Chuck Schuldiner, foi certeira do início ao fim, a ponto de a décima quinta faixa ser um pedido uníssono do público. A banda por um todo, claro, entregou toda a técnica, sonoridade pesada e intensidade que as músicas pediam, dando a verdadeira premissa de que, de alguma forma, Chuck também estava ali para celebrar e apreciar o que ocorreu.

 

Pré-show confraternal

Chegar na Fabrique em dias (ou noites) de shows grandes é ter a certeza de que haverá um bom movimento de pessoas nos bares do início da Rua Barra Funda, em frente à casa de shows. Desta vez, este movimento foi maior em todos os estabelecimentos, com muitos grupos se encontrando, bebendo ou trocando ideias antes do início da apresentação do Left to Die. Já dentro do local, havia uma quantidade menor que a do lado de fora, sendo três fileiras concentradas na frente do palco e o restante nas laterais da Fabrique, seja na espera, seja para consumir algo no bar da casa de eventos.

 

Scream Bloody Leprosy!

Tudo já parecia pronto para começar, o que causava a tranquilidade geral. Os 30 minutos antes do horário previsto para o show foram os principais na lotação, com a entrada de quem estava nos bares do lado de fora e de quem optou por chegar perto do horário. E dentro deste tempo, os 15 minutos finais foram para uma última passagem de som por parte dos membros da banda, que apareceram aos poucos e conferiram a sonoridade em seus equipamentos; e para os testes de fumaça de gelo seco, soltas duas vezes em grande quantidade.

Com isso, na pontualidade das 19h30, o instrumental de “E5150”, do Black Sabbath, serviu de introdução para o show. Gus Rios (bateria), Rick Rozz (guitarra), Terry Butler (baixo) e Matt Harvey (vocal e guitarra) entraram definitivamente no palco da Fabrique Club para iniciar uma verdadeira experiência de repertório do Death, representado pelo quarteto do Left to Die.

“Leprosy”, faixa que abre e leva o nome do segundo álbum do Death, de 1988, foi escolhida para iniciar o show após a introdução. Não demorou muito para que a roda fosse aberta no meio da pista e, da mesma forma, viesse em uma grande intensidade com um público que ora batia cabeça, ora cantava as letras entoadas por Matt Harvey. Este, inclusive, mostrou a “carta de boas vindas” de sua entrega no palco, com ótimas linhas de guitarra, vocal impecável e ótimas impressões com o público paulistano. Da mesma forma, Rick Rozz também mostrou o que seria sua postura ao longo da maioria do show: concentrado, com foco na técnica das faixas e, em alguns momentos, até de olhos fechados - ou pouco abertos.

Em “Born Dead”, não somente o ritmo no palco se tornou mais rápido com as linhas intensas e de pedal duplo de Gus Rios, como o caos da pista se tornou mais expansivo, numa roda maior e mais agitada - até mesmo eu, que estava na parte da frente, mas colado no mosh, sofri ao tentar gravar algo via celular -. Alguém tentou subir sozinho no palco para um dive stage, porém só com a ajuda de outras pessoas ele conseguiu - e foi o único do show todo a fazer isso -, derrubando até mesmo o tripé de Matt, que reagiu com uma risada e um balanço de cabeça que indicava não acreditar no que acontecia ali. Mas ele não ficou bravo, claro, pois o próprio fã arrumou antes de pular de volta para a galera. Após muitas ovações do público, somadas a gritos em nome da banda, a sina do álbum “Leprosy” seguiu com a terceira faixa do álbum, “Forgotten Past”. Tanto Harvey quanto Rozz fizeram ótimas linhas em geral com suas guitarras, destacando seus solos técnicos e com distorções absurdas. 

O ânimo do público era imparável até mesmo após o final das faixas. Os gritos incessantes de “Left to Die” levaram até mesmo Gus Rios a “orquestrá-los” com sua bateria, de modo que tivesse um final para Matt discursar. E assim aconteceu, com o frontman do projeto a dar algumas palavras de boas-vindas e destacando o que foi aquele show: “Hoje é uma festa como nos anos 80”, disse Matt Harvey.

A pancadaria sonora logo voltou com “Infernal Death”, primeira faixa da noite a representar o disco “Scream Bloody Gore” e que também é a primeira música do álbum de 1987. Os primeiros acordes foram suficientes para aumentar e avolumar ainda mais a grande roda do meio da pista da Fabrique Club, que antes de “explodir”, acompanhou os gritos de “Die”, cantados pelo vocalista e guitarrista da banda. Na transição para a parte agitada, não havia alguém inerte, pois ou cantava, ou bangueava, ou batia cabeça no mosh aberto.

Para o início de “Sacrificial”, o público fez questão de unir o coro no ritmo das guitarras para os primeiros segundos de faixa. Os ritmos mais lentos foram alvo dos gritos de hey, tal qual as partes mais aceleradas foram o alvo do retorno do mosh. Já em “Open Casket”, que retomou o repertório de “Leprosy” e foi anunciada pelos gritos coordenados de Matt, a mesma roda se misturou entre correr em círculos e bate-cabeças no começo, assim como a técnica dos guitarristas do Left to Die voltaram à tona.

Uma pequena pausa foi usada para a apresentação dos membros do grupo. Todos foram muito ovacionados e voltaram a tocar com “Primitive Ways”, faixa com ótima condução da banda por um todo, a destacar a continuidade do potencial vocal de Matt e seus solos de guitarra alternados com Rick Rozz. As sinceras ovações do público, ao final da faixa, ainda tiveram o acompanhamento rítmico de Gus Ríos e um agradecimento recíproco de Matt: “Fuck Yeah, Alright!” - “É isso aí, muito bem!”, em tradução livre.

“Choke on It” fechou outra trinca de “Leprosy” da melhor forma: com mais insanidade do público. O início mais lento da faixa foi o momento para a roda se organizar e, após a transição para a continuação rápida da faixa e do poderoso grito de Matt, a insanidade de faixas anteriores retornou com tudo. Era possível ver ainda mais a técnica dos músicos durante toda a faixa, a destacar novamente os solos de guitarra da dupla Matt e Rick. Na finalização deste som, o frontman do Left to Die fez questão de tocar com a guitarra no alto, apontando para o público.

O retorno às faixas de “Scream Bloody Gore” veio com a poderosa “Torn to Pieces”, seguida da potente “Regurgitated Guts”, momento em que Matt Harvey chamou o público para outro circle pit na pista. Não deu muito tempo para que o andar em círculos da galera mais animada virasse outro bate-cabeça fervoroso, inspirado no peso da faixa e no potencial vocal do frontman do Left to Die.

A dinâmica de heys feita pela banda ocorreu logo após a faixa anterior e foi prenúncio para “Left to Die”, faixa do disco “Leprosy” que leva o nome da banda tributo e que foi amplamente comemorada a partir do riff mais agudo de Rick Rozz, seguida de um coro do público que dividiu os volumes com Matt. O mosh, claro, voltou a ficar insano na Fabrique, como se os fãs fossem imunes ao cansaço.  Matt, claro, agradeceu e muito a galera, que gritou o nome da banda, após a faixa em questão. Além do semblante feliz, o vocalista e guitarrista bateu no peito e aplaudiu por um tempo considerável.

“Zombie Ritual” foi outra das faixas clássicas do Death em que não se via quase ninguém sem cantar, seja o coro lírico que acompanhou o riff inicial dos guitarristas e baixista, seja pela letra poderosa, que acompanhou um instrumental rápido e potente durante todo o restante da música em questão. Foi nessa música, inclusive, que Matt sofreu com um problema na bandoleira de sua guitarra: alguma parte se rompeu e o fez tocar o instrumento na mesma pose que um violão, apoiando nos joelhos e adaptando o microfone e recusando a ajuda de Rick Rozz para ajustar. Nada que ofuscasse a magia da faixa por um todo e que, claro, a manteve contínua, sem interrupções.

Toda a catarse ocorrida principalmente no início e final do primeiro bloco não foi o suficiente para o público da Fabrique Club. Isso porque, após a saída momentânea do quarteto, o público gritou, incessante e novamente, pelo nome da banda, somado a pedidos de faixas que não foram tocadas até aquele momento. No retorno, Gus Ríos fez questão de fazer um pequeno teste solo do seu kit e, logo depois, os demais membros do Left to Die voltaram ao palco.

Chegou, então, o momento mais técnico - por parte da banda - e mais bizarro - em termos ambientais - da noite: o Left to Die tocou a clássica “Scream Bloody Gore”, que fecha o álbum de mesmo nome, em meio a muita fumaça de gelo seco e… um balão de camisinha enchido por alguém da plateia e que foi o terror do público mais à frente do palco - incluindo Matt Harvey, que chegou a dar um chute no tal balão para que ele não chegasse no palco. A técnica da banda, com muitos dos elementos citados anteriormente, veio numa carga maior nesta faixa.

Matt fez questão de saudar o público e perguntar quem eram os “fãs old school de death metal e do Death”. A resposta altamente positiva veio com outra pergunta impactante: “Vocês sentem que Chuck Schuldiner está vivo aqui?”. Foi o suficiente para mais um coro altíssimo, desta vez em nome do saudoso guitarrista e que se converteu numa apreciação direta à técnica dos presentes no palco. Assim, “Pull the Plug” veio como a “última” faixa, num tom mais lento ao show. “Última”, entre aspas, porque os fãs de Death não deixaram a banda sair sem antes tocar uma das principais faixas do “Scream Bloody Gore”...

… e tratava-se, claro, de “Evil Dead”, cantada e apreciada por todos ali presentes e que deu o melhor gran finale possível para a noite, com toda a velocidade, técnica e habilidade dos quatro membros que, com maestria, seguem mantendo o legado de Chuck Schuldiner mais vivo do que nunca e de uma forma extremamente respeitosa. Era realmente como se, em algum lugar da Fabrique Club, ele estivesse, seja para coordenar a banda, seja para coordenar um público que, de algum modo, preencheu o vazio de nunca ter visto um show do Death em solo brasileiro.


Texto: Tiago Pereira

Fotos: Carlos Pupo (Headbangers News)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta / Open The Road

Mídia Press: Lex Metalis Assessoria 


Left To Die – setlist: 

E5150/Leprosy

Born Dead

Forgotten Past

Infernal Death

Sacrificial

Open Casket

Primitive Ways

Choke on It

Torn to Pieces

Regurgitated Guts

Left to Die

Zombie Ritual

Encore

Scream Bloody Gore

Pull the Plug

Evil Dead (faixa pedida pelo público após a faixa anterior)

sábado, 18 de janeiro de 2025

Cobertura de Show: Left To Die – 08/01/2025 – Gravador Pub/POA-RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Vinny Vanoni

O show do Left To Die não foi apenas mais um show, mas em caráter especial para minha pessoa, já que, foi o primeiro show de Metal da minha filha! Algo inimaginável e uma emoção e tanto!

Não poderia começar melhor, com um time estelar de músicos saudando o nosso gênio Chuck Schuldiner.

A ideia do Left To Die é justamente homenagear os primeiros anos da banda Death, mais precisamente os lançamentos iniciais: “Scream Bloody Gore” (87) e “Leprosy” (88). Os embriões do que viria a se tornar o Death Metal.

Para essa missão nada fácil o projeto conta com os lideres Rick Rozz que gravou as guitarras de “Leprosy” e esteve com Chuck nos anos iniciais do Death quando ainda se chamava Mantas e Terry Butler que apesar de não ter gravado os dois primeiros álbuns, esteve com o Death em diversas oportunidades ao vivo entre 87 e 90. 

Mas deixou também sua contribuição em estúdio gravado algumas faixas do álbum “Spiritual Healing” (90).

Para o trabalho árduo de fazer o papel de Chuck nos shows foi recrutado o monstro Matt Harvey do Exhumed e o baterista Gus Rios ex-Malevolent Creation.


Human Plague mostra a força do Metal Extremo Gaúcho 

Mas para o aquece desta noite épica e brutal, tivemos os gaúchos de Santa Maria da Human Plague. 

Destilando seu Death Metal brutal e técnico. Ainda que o público estive meio tímido, já se encontrava uma galera de peso dentro do Gravador Pub e puderam prestigiar este grande nome do Metal extremo nacional.

Pois o que nos foi apresentado, foi algo de gente grande e com doses cavalares de peso e violência. Com o som bem equalizado e potente. Esse é um dos grandes trunfos do Gravador Pub, por ter uma aparelhagem própria de alto nível.

Algo que gostei bastante também foi à banda ter levado o seu merchan para venda e anunciar em palco para apoiarem e consumirem material físico. 

Além do Debut álbum também tinha uma variedade interessante de camisetas. Algo cada vez mais raro hoje em dia, mas o material físico não morrera se depender de nós aficionados!

A banda também está já com novo álbum pronto para ser lançado este ano. Aguardemos.


Left to Die despeja chuva de clássicos do Metal Extremo 

Passado das 21h30min a casa já se encontrava lotada e todos estavam à espera do massacre sonoro que viria e não demora muito para os músicos irem entrando e fazendo pequenos ajustes no som, deixando todos eufóricos para em seguida as luzes baixarem, a intro ecoar nos PA’s e a chuva de riffs iniciar com “Leprosy”, seguida de “Born Dead” e “Infernal Death”.

Uma trinca matadora e uma banda coesa e extremamente bem entrosada e é impossível não dizer que Matt é o destaque, além de cuidar dos vocais e se aproximar o máximo possível do que Chuck fazia nessa época, é também um guitarrista notável e assumindo o problema que é replicar os solos doentios e técnicos da lenda.

Seguindo a destruição com poucas palavras, mas muito carisma envolvido a enxurrada “Sacrificial”, “Forgotten Past” e “Open Casket” geram rodas e mais rodas e aí começa a chuva de moshs! De fato o pessoal não se conteve e o clima era anos 80 no talo, Death Metal old school do mais alto gabarito.

O show seguiu com um set tocando na integra o clássico “Leprosy”, com a adição de mais seis musicas do Debut. Sendo uma delas após o clássico “final fake” e muito pedida pelos fãs: “Evil Dead”, levando a casa abaixo!

Claro que os clássicos imortais “Zombie Ritual” e “Pull the Plug” foram cantados a plenos pulmões e a energia era de estarmos em algum beco da Florida curtindo o melhor que o Metal já produziu.

Além de Matt, vale a menção ao carismático Rick Rozz segurando a base com todo o peso e seus riffs intrincados, Terry sendo o motor da cozinha e não desperdiçando uma nota e Gus massacrando o seu kit por cada musica. Músicos excelentes em um desempenho avassalador.

Antes do encerramento Matt saúda o Death Metal old school, agradece Porto Alegre por tanta energia e enaltece o legado de Schuldiner se não fosse o mesmo nada daquilo seria possível ou existiria. Levando a galera a gritar em uníssono “Chuck, Chuck, Chuck...”.

Por fim, uma noite épica e destruidora e fazendo nós fãs carentes da banda Death termos a oportunidade de vermos um pouquinho de como seria se Chuck ainda estivesse vivo.

Os músicos ao final recolhendo seus equipamentos, desceram do palco, distribuíram autógrafos e tiraram muitas fotos com os fãs. Mais perfeito impossível!

Fica o nosso agradecimento a MAD Produtora por mais um excelente show e uma ótima produção. Que venham os próximos...