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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cobertura de Show: Left to Die – 09/09/2026 – Burning House/SP

O supergrupo Left To Die, liderado pelos ex-integrantes do Death Rick Rozz e Terry Butler, retornou à capital paulista para revisitar os primeiros anos de um dos nomes mais importantes da história do death metal. Em primeira mão no Brasil, a banda apresentou o álbum "Initium Mortis", de 2026, trabalho que reúne regravações em tributo à fase embrionária do Death e do Mantas. Ao lado de Cemitério e Flagelador, responsáveis pelas apresentações de abertura, o grupo protagonizou uma noite dedicada à música pesada, conectando diferentes gerações do metal extremo diante de um excelente público que lotou a Burning House no último dia 9.

Responsável por abrir a noite, o Cemitério entrou no palco sem precisar de muito tempo para estabelecer sua atmosfera de horror e metal extremo. Com Hugo Golon nos vocais e baixo, Douglas Gatuso na guitarra e Guilherme Fructuoso na bateria, o trio paulistano apresentou seu death/thrash metal de inspiração cinematográfica em uma sequência que começou com "Massacre no Texas" e passou por "Tara Diabólica", "Oãxiac Odèz", "O Dia de Satã" e "A Sentinela dos Malditos", mantendo a agressividade e o peso característicos da banda. A temática de filmes de terror continuou em "Sexta-feira 13", "Holocausto Canibal", "Natal Sangrento", "A Volta dos Mortos Vivos" e "A Vingança de Cropsy", enquanto "Quadrilha de Sádicos" mostrou novamente a facilidade com que o grupo transforma seus refrões em momentos de participação dos fãs. O público acompanhou e cantou as músicas, deixando claro que aquelas composições já são conhecidas do underground paulista. A escolha de "Damien", versão para o clássico do Taurus, acrescentou uma conexão especial com a história do metal brasileiro, antes de "Pague para Entrar, Reze para Sair" fechar o set. O resultado foi que o Cemitério ocupou seu espaço com personalidade própria, unindo death metal old school, referências ao cinema de horror e letras em português em uma apresentação que encontrou um público pronta para cantar cada verso.

Em seguida, O Flageladör mostrou por que se tornou uma das referências do speed/thrash metal brasileiro, apostando em uma apresentação direta, veloz e sem qualquer pudor. Com Armando Exekutor nos vocais e guitarra, Alan Magno no baixo, Junior Bzrra na guitarra e Vinícius Talamonte na bateria, a banda atravessou seu repertório como uma máquina de riffs, passando por "Ultimatum/Flageladör", "Perseguir e Exterminar", "Cruzada ao Lado de Satã" e "Expresso para o Inferno", sem dar espaço para a pista respirar. O público não apenas acompanhou a apresentação, mas cantou praticamente todas as músicas, transformando "A Noite do Ceifador", "Carnificina", "Unidos pelo Metal" e "Forjado em Aço e Fogo" em momentos de intensa participação. A sequência final, com "Assalto da Motosserra", "Obcecado por Sangue", "Queimando nas Chamas do Heavy Metal", "Máxima Voltagem", "Nas Minhas Veias Corre Fogo" e "Ao Vivo no Inferno", consolidou o caráter de celebração underground da apresentação, com a banda mantendo a velocidade e o peso até o último riff.

Era chegada a hora dos anfitriões. Formado por músicos diretamente ligados aos primeiros anos do Death, o Left To Die reúne Rick Rozz e Terry Butler, integrantes da formação clássica responsável pelos registros Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988), fundamentais no início da carreira de Chuck Schuldiner. Além de Matt Harvey, nos vocais e guitarra, e Vinicius Talamonte, do Flagelador, que assumiu a bateria nesta apresentação, a formação contou com a substituição de Gus Rios, que sofreu um descolamento de retina durante a turnê. Mesmo diante da mudança de última hora, o que se viu no palco foi uma performance intensa, pesada e fiel à sonoridade que ajudou a estabelecer os alicerces do death metal.

A atmosfera já começou pesada antes mesmo da primeira música, quando a sonoridade sombria de "E5150", do Black Sabbath, serviu como introdução para o que viria a seguir. A abertura com "Infernal Death" proporcionou uma verdadeira explosão, fazendo as primeiras rodas se abrirem imediatamente na pista. "Mutilation" manteve a pressão, enquanto "Leprosy" trouxe um dos primeiros momentos de interação com o público. "É muito bom estar de volta", declarou Matt Harvey, antes de perguntar se os fãs conheciam quem estava na bateria. A resposta veio em forma de gritos para Vinicius Talamonte. Em seguida, Harvey pediu aplausos para Rick Rozz, apresentado como "o cara que escreveu a bíblia do Death Metal". O guitarrista foi recebido calorosamente pelos fãs.

"Primitive Ways" manteve a pancadaria e ganhou uma dedicatória especial, já que aquele era o último show da banda no Brasil. Matt aproveitou o momento para dedicar a música às bandas brasileiras Cemitério e Flagelador. Na sequência, o Left To Die deixou de lado momentaneamente o repertório do Death para revisitar "Legion of Doom", do Mantas, projeto que antecedeu a formação do Death e que faz parte do álbum Initium Mortis, de 2026. A viagem pelas raízes da banda continuou com "Scream Bloody Gore", introduzida por uma provocação de Matt Harvey: "Vocês se lembram do nome do primeiro disco do Death?". A pergunta foi rapidamente respondida pela explosão dos fãs diante de um dos maiores clássicos daquela primeira fase.

A partir de "Death by Metal", outra composição do período do Mantas, a pista da Burning House pareceu entrar em estado de completo caos. As rodas ficaram ainda mais intensas, transformando o espaço em um verdadeiro pandemônio. "Corpse Grinder" chegou com sua violência sonora, e "Left to Die" foi acompanhada em alto e bom som pelo público, que cantou o refrão com a banda. Antes de "Zombie Ritual", Matt Harvey voltou a provocar os fãs: "São Paulo, vocês detonam! Ouvi vocês cantando a última, então essa quero ouvir mais alto ainda". O pedido foi atendido prontamente, com o público reproduzindo as melodias iniciais da guitarra e agitando intensamente ao som de mais um clássico absoluto.

No encore, "Pull the Plug" elevou novamente a temperatura da Burning House. "O espírito do Chuck Schuldiner ainda está vivo em São Paulo?", perguntou Matt, provocando uma resposta imediata dos fãs, que passaram a gritar o nome de Chuck em homenagem ao fundador do Death. Para encerrar a apresentação, "Evil Dead" completou uma noite dedicada às raízes mais primitivas e agressivas da banda. Mais do que simplesmente reproduzir músicas de um período histórico, o Left To Die proporcionou ao público a oportunidade de ouvir ao vivo uma sonoridade que ajudou a moldar o death metal em seus primeiros anos. Com Rick Rozz e Terry Butler representando diretamente aquela história, Matt Harvey conduzindo a apresentação e Vinicius Talamonte assumindo a bateria em uma situação inesperada, o grupo entregou uma celebração visceral da fase inicial do Death, deixando a Burning House tomada pela energia de um público que conhece e reverencia cada detalhe dessa história. 

Texto: Marcelo Gomes

Fotos: André Tavares


Realização: Caveira Velha Produções


Cemitério – setlist

Massacre no Texas

Tara diabólica

Oãxiac Odèz

O dia de satã

A sentinela dos malditos

Sexta-feira 13

Holocausto canibal

Natal sangrento

A volta dos mortos vivos

A vingança de Cropsy

Quadrilha de sádicos

Damien (Taurus)

Pague para entrar, reze para sair 


Flageladör – setlist

Ultimatum/Flageladör

Perseguir e Exterminar

Cruzada ao Lado de Satã

Expresso para o Inferno

A Noite do Ceifador

Carnificina

Unidos pelo Metal

Forjado em Aço e Fogo

Conjuração

Assalto da Motosserra

Obcecado por sangue

Queimando nas chamas do Heavy Metal

Maxima voltagem

Nas minhas veias corre fogo

Ao vivo no inferno


Left to Die – setlist

Infernal Death

Mutilation

Leprosy

Primitive Ways

Legion of Doom

Scream Bloody Gore

Death by Metal

Corpse Grinder

Left to Die

Zombie Ritual

Bis

Pull the Plug

Evil Dead

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Cobertura de Show: Death To All – 21/01/2026 – Tork N' Roll/CWB

Death To All transforma Curitiba em Altar do Death Metal e emociona fãs em noite histórica.

Em plena noite de quarta-feira, dia 21 de janeiro de 2026, o Death To All inicia com competência e emoção, o primeiro grande show do ano em Curitiba. Foram meses de expectativa para apreciar de perto este projeto, que tem por finalidade manter a obra do Death viva e também homenagear nosso grande Chuck Schuldiner. E é claro, fazer a alegria dos fãs mais uma vez. A vinda da banda ao Brasil, ficou a cargo da produtora Overload. 

O local escolhido foi o Tork N’ Roll, casa de shows que atualmente recebe a maioria dos eventos de médio porte, nacionais e internacionais. Por tratar-se de um dia de semana, acredito eu, não houve banda de abertura, sendo que a casa abriu as portas ao público às 19:30 e o show da banda Death to All estava marcado para às 21:00hs.

Entretanto, o local já começou a ficar movimentado por volta das 20 hs, pois haviam fãs de outras cidades do Brasil e também aqueles que preferiram fazer o happy hour no próprio Tork. Inclusive, a casa dispõe de uma variedade de comidas e bebidas, na realidade, uma praça de alimentação completa, além de camarote com sofás e área de jogos. Sendo assim a espera pelos músicos foi um momento de confraternização entre todos que estavam no local. É impressionante a capacidade do público de metal mais extremo em fazer amizades e curtir a emoção em coletividade.

Mas vamos ao que importa, pontualmente às 21:00hs, sobem ao palco: Max Phelps, responsável pelos vocais e guitarras, o grande Gene Hoglan na bateria, o carismático Steve DiGiorgio no baixo e o feroz Bobby Koelble na guitarra. Lembrando que Max Phelps é o único membro que não teve passagem pelo Death, mas em compensação possui um talento digno de executar os clássicos da época de Chuck. Diria que os músicos deste projeto/banda estão em uma sintonia digna do mainstream.

Vale a pena também, ovacionar o público presente no local, eram sangue, suor e lágrimas. Inclusive podia se ouvir de tempos em tempos os gritos “Death” “Meu Deus, do c*”, ”Não acredito nisso, é demais!!”, era emoção demais, desconhecidos se abraçando. Para logo na sequência, se colidirem nas rodas de mosh, mas não era violência, e sim, alegria, exaltação. De certo, a bebida alcoólica, consumida um pouco além da conta, também teve seu papel para as exacerbadas demonstrações de afeição.

Agora, falando dos momentos iniciais do show, os primeiros acordes já soaram extremos, com “Infernal Death”, do primeiro álbum do Death, seguido por “Living Monstrosity” e “Defensive Personalities” e “Altering the Future” do álbum Spiritual Healing, do qual o nome da turnê faz referência. Contudo, a resposta enérgica do público, veio com “Zombie Ritual” também do álbum de 1987, Scream Bloody Gore, e também na execução apaixonada de “Spiritual Healing”. Em resumo, não tinham músicas mornas, todas eram executadas à perfeição e em alto volume. 

Quanto à disposição de palco, a proximidade entre os músicos era pequena, o que contribuiu para uma boa visão do público, bem como para a alegria dos fotógrafos presentes no local. Que convém mencionar, tiveram as cinco primeiras músicas disponibilizadas pela produção, para fotos do pit (local entre o público e o palco, onde geralmente tem uma grade de proteção e os seguranças).

Dentre as vezes em que o baixista Steve DiGiorgio (que inclusive encontrava-se com os pés descalços) conversa com o público, uma em especial tocou o coração de todos os fãs, por volta do meio da apresentação ele lembrou a camaradagem e a importância daquelas músicas que estavam sendo executadas para homenagear o legado do lendário Chuck Schuldiner. E a resposta da platéia não poderia ser diferente, vozes em uníssono proferindo o nome “Chuck” sem parar. Definitivamente um dos momentos mais emocionantes da apresentação. 

A segunda parte do show foi dedicada aos principais petardos do álbum Symbolic de 1995, com muitos moshs, pessoas tirando as camisetas, em partes por conta do calor que fazia no local, mas também para acenarem com elas em movimentos circulares no ar. A partir daí, rolaram vários clássicos como a própria “Symbolic”, “Empty Words” “Sacred Serenity” e ainda a peculiar “Zero Tolerance”, uma surpresa para muitos.

Tiveram ainda fatos marcantes, como uma pessoa vestida com um traje de banana no meio do mosh, captando a atenção de todos. Inclusive da própria banda, que não poupou elogios aos esforços e a criatividade do público brasileiro. Haviam homens e mulheres de todas as idades, e também desde aquele fã raiz até os recém iniciados no culto ao Death. E a noite foi realmente uma adoração ao Death Metal, com um final bem emocionante, trazendo as canções “Spirit Crusher” e “Pull the Plug”. 

Um pouco antes do final, como já é de costume, alguns já se adiantaram para garantir seu carro de aplicativo a tempo, pois invariavelmente depois de um evento concorrido, as ruas estreitas em torno do Tork lotam fácil. Por outro lado, tiveram aqueles que continuaram no local até os últimos instantes para apreciar aquela sensação de felicidade plena, que nos toma por completo após um espetáculo desse nível. 

Nossos agradecimentos a todos que tornaram possível esta inesquecível experiência.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Overload Brasil



Death to All – setlist:
 
Infernal Death

Living Monstrosity

Defensive Personalities

Lack of Comprehension

Altering the Future

Zombie Ritual

Within the Mind

The Philosopher

Spiritual Healing

Symbolic

Zero Tolerance

Empty Words

Sacred Serenity

1,000 Eyes

Without Judgement

Crystal Mountain

Misanthrope

Perennial Quest

Spirit Crusher

Pull the Plug
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Death To All: Uma Experiência Única para Reviver os clássicos Spiritual Healing e Symbolic

Divulgação

Por Paula Butter

O legado de Death To All volta ao Brasil em 2026 para celebrar duas eras fundamentais do death metal: Spiritual Healing e Symbolic. A responsável pela turnê  “Symbolic Healing Tour 2026” no Brasil fica a cargo da Overload.

É inegável a importância do Death para o gênero Death Metal ganhar status de mainstream. Muito da popularidade da banda se deve ao seu criativo e carismático vocalista Chuck Schuldiner, que nos deixou cedo em 13 de dezembro de 2001, em virtude de um tumor cerebral. Mas, desde seu início em 1983 até seu fim em 1998, a banda contou em sua formação com vários músicos que contribuíram para o sucesso contínuo do grupo. Inclusive, temos vários ex-integrantes em bandas atuais de peso e já consolidadas no meio do Metal Extremo mundial.

Divulgação

Anos após a era de ouro criativa do Death, que alguns (Me incluo nesse time) possuem até em fita K7, o projeto composto por alguns ex-integrantes do Death, batizado de Death To All, vem ao Brasil para celebrar duas eras fundamentais do Death Metal: Spiritual Healing e Symbolic. Com ex-integrantes do Death no palco, a turnê entrega execução impecável, peso, técnica e respeito absoluto à obra de Chuck Schuldiner. 

A força do Death To All reside principalmente na credibilidade e na trajetória de seus integrantes, três dos músicos do projeto fizeram parte da banda original em momentos decisivos de sua evolução, enquanto o vocalista e guitarrista Max Phelps foi escolhido por sua maturidade técnica e musical, capaz de sustentar esse repertório com respeito e personalidade.

@xchicanox / @igormirandasite

Na bateria, Gene Hoglan, um dos nomes mais reverenciados do metal extremo mundial. Conhecido como “The Atomic Clock” pela precisão quase mecânica de sua execução, ele integrou o Death em duas de suas fases mais icônicas, participando de Individual Thought Patterns (1993) e Symbolic (1995). Fora do Death, Hoglan construiu uma carreira lendária com bandas como Dark Angel, Testament, Strapping Young Lad e Dethklok, consolidando-se como referência absoluta no gênero.

@bel.santosfotografia

No baixo, Steve DiGiorgio esteve presente em Human (1991) e Individual Thought Patterns (1993), ele foi um dos principais responsáveis pela sonoridade mais técnica, fluida e progressiva que marcou o Death nos anos 1990. Além disso, DiGiorgio integrou o Control Denied, último projeto concebido por Chuck Schuldiner, reforçando sua ligação direta e profunda com a visão artística do líder do Death.

@xchicanox / @igormirandasite

Na guitarra, Bobby Koelble representa a fase mais refinada e melódica da banda. Responsável pelas guitarras de Symbolic (1995), álbum frequentemente citado como o ápice criativo do Death, Koelble também trouxe uma abordagem sofisticada, com forte senso harmônico e influência de sua formação acadêmica em música. Sua forma de tocar contribuiu decisivamente para o caráter progressivo e emocional desse disco. No Death To All, ele desempenha um papel essencial ao preservar a estrutura, os arranjos e a identidade das composições originais.

@xchicanox / @igormirandasite

Finalmente, assumindo a tarefa mais sensível do projeto, Max Phelps, responsável pelos vocais e guitarras, função intimamente associada à figura de Chuck Schuldiner. Integrante da banda Exist e colaborador do Cynic em apresentações ao vivo, Phelps foi escolhido não por tentar imitar Chuck, mas justamente pelo oposto: sua capacidade de interpretar o material com fidelidade, técnica e sensibilidade. Ele mantém a essência das músicas, respeitando suas nuances e complexidades, sem recorrer a caricaturas ou tentativas de substituição simbólica.

@xchicanox / @igormirandasite

Essa combinação de músicos resulta em um projeto que vai além de um simples tributo. O Death To All se sustenta como uma celebração legítima do legado de Chuck Schuldiner, unindo experiência histórica, excelência técnica e profundo compromisso artístico com uma das discografias mais importantes do metal extremo.

Informações:

A turnê Death To All “Symbolic Healing Tour 2026” passará pelo Brasil em Janeiro de 2026 com datas em Porto Alegre, no Bar Opinião (20/01), Curitiba, no Tork N’ Roll (21/01), Limeira, no Mirage (23/01), São Paulo (24/01) e Belo Horizonte (25/01). Os ingressos estão à venda em plataformas como Sympla e Clube do Ingresso. 

20/01 – Porto Alegre, Bar Opinião –https://bileto.sympla.com.br/event/111427

21/01 – Curitiba, Tork N' Roll –https://www.clubedoingresso.com/evento/deathtoall-curitiba

23/01 – Limeira, Mirage –https://www.circleofinfinityproducoes.com/deathtoall/

24/01 – São Paulo, Carioca Club –https://www.clubedoingresso.com/evento/deathtoall-saopaulo

25/01 – Belo Horizonte, Mister Rock – https://www.clubedoingresso.com/evento/deathtoall-belohorizonte

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Cobertura de Show: Left To Die – 12/01/2025 – Fabrique Club/SP

Left to Die Mantém legado de Chuck Schuldiner vivo em início de ano destruidor na Fabrique Club 

Quarteto formado por ex-membros do Death e dois integrantes influenciados pela banda encerrou sua passagem pelo Brasil em um verdadeiro um tributo à banda e ao guitarrista fundador, falecido em 2001 

A Fabrique Club iniciou o ano de 2025 com uma apresentação que já pode entrar no rol das melhores tanto em seu simbolismo, objetivo e sonoridade, quanto pelo impacto causado ao público presente. Trata-se do Left to Die, quarteto que faz um tributo à banda estadunidense de Death Metal Death e que visa manter o legado de Chuck Schuldiner (1967-2001) vivo.

A apresentação, realizada no último dia 12 de janeiro e organizada pela Open the Road, encerrou a passagem de estreia do grupo no Brasil, em meio à turnê “Scream Bloody Leprosy Over Latin America”, que antes passou por cidades brasileiras como Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Limeira, e continuando por outras cidades da América Latina, como Montevidéu (Uruguai), Comodoro Rivadavia e Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Lima (Peru), Medellín e Bogotá (Colômbia), San José (Costa Rica), Cidade do Panamá (Panamá), San Pedro (Honduras), San Salvador (El Salvador) e pelas cidades mexicanas de Monterrey e Cidade do México.

Com os ex-Death Terry Butler (baixo) e Rick Rozz (guitarra), somados aos membros do Gruesome Gus Ríos (bateria) e Matt Harvey (guitarra e vocal), que têm o Death como inspiração musical, o quarteto deu foco em um setlist de 15 faixas com foco total nos dois primeiros álbuns do Death: “Scream Bloody Gore” (1987) e “Leprosy” (1988). E com uma Fabrique praticamente cheia, a certeza de uma pista caótica, com coros e moshes por parte de um público fanático pelo repertório da lendária banda do saudoso Chuck Schuldiner, foi certeira do início ao fim, a ponto de a décima quinta faixa ser um pedido uníssono do público. A banda por um todo, claro, entregou toda a técnica, sonoridade pesada e intensidade que as músicas pediam, dando a verdadeira premissa de que, de alguma forma, Chuck também estava ali para celebrar e apreciar o que ocorreu.

 

Pré-show confraternal

Chegar na Fabrique em dias (ou noites) de shows grandes é ter a certeza de que haverá um bom movimento de pessoas nos bares do início da Rua Barra Funda, em frente à casa de shows. Desta vez, este movimento foi maior em todos os estabelecimentos, com muitos grupos se encontrando, bebendo ou trocando ideias antes do início da apresentação do Left to Die. Já dentro do local, havia uma quantidade menor que a do lado de fora, sendo três fileiras concentradas na frente do palco e o restante nas laterais da Fabrique, seja na espera, seja para consumir algo no bar da casa de eventos.

 

Scream Bloody Leprosy!

Tudo já parecia pronto para começar, o que causava a tranquilidade geral. Os 30 minutos antes do horário previsto para o show foram os principais na lotação, com a entrada de quem estava nos bares do lado de fora e de quem optou por chegar perto do horário. E dentro deste tempo, os 15 minutos finais foram para uma última passagem de som por parte dos membros da banda, que apareceram aos poucos e conferiram a sonoridade em seus equipamentos; e para os testes de fumaça de gelo seco, soltas duas vezes em grande quantidade.

Com isso, na pontualidade das 19h30, o instrumental de “E5150”, do Black Sabbath, serviu de introdução para o show. Gus Rios (bateria), Rick Rozz (guitarra), Terry Butler (baixo) e Matt Harvey (vocal e guitarra) entraram definitivamente no palco da Fabrique Club para iniciar uma verdadeira experiência de repertório do Death, representado pelo quarteto do Left to Die.

“Leprosy”, faixa que abre e leva o nome do segundo álbum do Death, de 1988, foi escolhida para iniciar o show após a introdução. Não demorou muito para que a roda fosse aberta no meio da pista e, da mesma forma, viesse em uma grande intensidade com um público que ora batia cabeça, ora cantava as letras entoadas por Matt Harvey. Este, inclusive, mostrou a “carta de boas vindas” de sua entrega no palco, com ótimas linhas de guitarra, vocal impecável e ótimas impressões com o público paulistano. Da mesma forma, Rick Rozz também mostrou o que seria sua postura ao longo da maioria do show: concentrado, com foco na técnica das faixas e, em alguns momentos, até de olhos fechados - ou pouco abertos.

Em “Born Dead”, não somente o ritmo no palco se tornou mais rápido com as linhas intensas e de pedal duplo de Gus Rios, como o caos da pista se tornou mais expansivo, numa roda maior e mais agitada - até mesmo eu, que estava na parte da frente, mas colado no mosh, sofri ao tentar gravar algo via celular -. Alguém tentou subir sozinho no palco para um dive stage, porém só com a ajuda de outras pessoas ele conseguiu - e foi o único do show todo a fazer isso -, derrubando até mesmo o tripé de Matt, que reagiu com uma risada e um balanço de cabeça que indicava não acreditar no que acontecia ali. Mas ele não ficou bravo, claro, pois o próprio fã arrumou antes de pular de volta para a galera. Após muitas ovações do público, somadas a gritos em nome da banda, a sina do álbum “Leprosy” seguiu com a terceira faixa do álbum, “Forgotten Past”. Tanto Harvey quanto Rozz fizeram ótimas linhas em geral com suas guitarras, destacando seus solos técnicos e com distorções absurdas. 

O ânimo do público era imparável até mesmo após o final das faixas. Os gritos incessantes de “Left to Die” levaram até mesmo Gus Rios a “orquestrá-los” com sua bateria, de modo que tivesse um final para Matt discursar. E assim aconteceu, com o frontman do projeto a dar algumas palavras de boas-vindas e destacando o que foi aquele show: “Hoje é uma festa como nos anos 80”, disse Matt Harvey.

A pancadaria sonora logo voltou com “Infernal Death”, primeira faixa da noite a representar o disco “Scream Bloody Gore” e que também é a primeira música do álbum de 1987. Os primeiros acordes foram suficientes para aumentar e avolumar ainda mais a grande roda do meio da pista da Fabrique Club, que antes de “explodir”, acompanhou os gritos de “Die”, cantados pelo vocalista e guitarrista da banda. Na transição para a parte agitada, não havia alguém inerte, pois ou cantava, ou bangueava, ou batia cabeça no mosh aberto.

Para o início de “Sacrificial”, o público fez questão de unir o coro no ritmo das guitarras para os primeiros segundos de faixa. Os ritmos mais lentos foram alvo dos gritos de hey, tal qual as partes mais aceleradas foram o alvo do retorno do mosh. Já em “Open Casket”, que retomou o repertório de “Leprosy” e foi anunciada pelos gritos coordenados de Matt, a mesma roda se misturou entre correr em círculos e bate-cabeças no começo, assim como a técnica dos guitarristas do Left to Die voltaram à tona.

Uma pequena pausa foi usada para a apresentação dos membros do grupo. Todos foram muito ovacionados e voltaram a tocar com “Primitive Ways”, faixa com ótima condução da banda por um todo, a destacar a continuidade do potencial vocal de Matt e seus solos de guitarra alternados com Rick Rozz. As sinceras ovações do público, ao final da faixa, ainda tiveram o acompanhamento rítmico de Gus Ríos e um agradecimento recíproco de Matt: “Fuck Yeah, Alright!” - “É isso aí, muito bem!”, em tradução livre.

“Choke on It” fechou outra trinca de “Leprosy” da melhor forma: com mais insanidade do público. O início mais lento da faixa foi o momento para a roda se organizar e, após a transição para a continuação rápida da faixa e do poderoso grito de Matt, a insanidade de faixas anteriores retornou com tudo. Era possível ver ainda mais a técnica dos músicos durante toda a faixa, a destacar novamente os solos de guitarra da dupla Matt e Rick. Na finalização deste som, o frontman do Left to Die fez questão de tocar com a guitarra no alto, apontando para o público.

O retorno às faixas de “Scream Bloody Gore” veio com a poderosa “Torn to Pieces”, seguida da potente “Regurgitated Guts”, momento em que Matt Harvey chamou o público para outro circle pit na pista. Não deu muito tempo para que o andar em círculos da galera mais animada virasse outro bate-cabeça fervoroso, inspirado no peso da faixa e no potencial vocal do frontman do Left to Die.

A dinâmica de heys feita pela banda ocorreu logo após a faixa anterior e foi prenúncio para “Left to Die”, faixa do disco “Leprosy” que leva o nome da banda tributo e que foi amplamente comemorada a partir do riff mais agudo de Rick Rozz, seguida de um coro do público que dividiu os volumes com Matt. O mosh, claro, voltou a ficar insano na Fabrique, como se os fãs fossem imunes ao cansaço.  Matt, claro, agradeceu e muito a galera, que gritou o nome da banda, após a faixa em questão. Além do semblante feliz, o vocalista e guitarrista bateu no peito e aplaudiu por um tempo considerável.

“Zombie Ritual” foi outra das faixas clássicas do Death em que não se via quase ninguém sem cantar, seja o coro lírico que acompanhou o riff inicial dos guitarristas e baixista, seja pela letra poderosa, que acompanhou um instrumental rápido e potente durante todo o restante da música em questão. Foi nessa música, inclusive, que Matt sofreu com um problema na bandoleira de sua guitarra: alguma parte se rompeu e o fez tocar o instrumento na mesma pose que um violão, apoiando nos joelhos e adaptando o microfone e recusando a ajuda de Rick Rozz para ajustar. Nada que ofuscasse a magia da faixa por um todo e que, claro, a manteve contínua, sem interrupções.

Toda a catarse ocorrida principalmente no início e final do primeiro bloco não foi o suficiente para o público da Fabrique Club. Isso porque, após a saída momentânea do quarteto, o público gritou, incessante e novamente, pelo nome da banda, somado a pedidos de faixas que não foram tocadas até aquele momento. No retorno, Gus Ríos fez questão de fazer um pequeno teste solo do seu kit e, logo depois, os demais membros do Left to Die voltaram ao palco.

Chegou, então, o momento mais técnico - por parte da banda - e mais bizarro - em termos ambientais - da noite: o Left to Die tocou a clássica “Scream Bloody Gore”, que fecha o álbum de mesmo nome, em meio a muita fumaça de gelo seco e… um balão de camisinha enchido por alguém da plateia e que foi o terror do público mais à frente do palco - incluindo Matt Harvey, que chegou a dar um chute no tal balão para que ele não chegasse no palco. A técnica da banda, com muitos dos elementos citados anteriormente, veio numa carga maior nesta faixa.

Matt fez questão de saudar o público e perguntar quem eram os “fãs old school de death metal e do Death”. A resposta altamente positiva veio com outra pergunta impactante: “Vocês sentem que Chuck Schuldiner está vivo aqui?”. Foi o suficiente para mais um coro altíssimo, desta vez em nome do saudoso guitarrista e que se converteu numa apreciação direta à técnica dos presentes no palco. Assim, “Pull the Plug” veio como a “última” faixa, num tom mais lento ao show. “Última”, entre aspas, porque os fãs de Death não deixaram a banda sair sem antes tocar uma das principais faixas do “Scream Bloody Gore”...

… e tratava-se, claro, de “Evil Dead”, cantada e apreciada por todos ali presentes e que deu o melhor gran finale possível para a noite, com toda a velocidade, técnica e habilidade dos quatro membros que, com maestria, seguem mantendo o legado de Chuck Schuldiner mais vivo do que nunca e de uma forma extremamente respeitosa. Era realmente como se, em algum lugar da Fabrique Club, ele estivesse, seja para coordenar a banda, seja para coordenar um público que, de algum modo, preencheu o vazio de nunca ter visto um show do Death em solo brasileiro.


Texto: Tiago Pereira

Fotos: Carlos Pupo (Headbangers News)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Estética Torta / Open The Road

Mídia Press: Lex Metalis Assessoria 


Left To Die – setlist: 

E5150/Leprosy

Born Dead

Forgotten Past

Infernal Death

Sacrificial

Open Casket

Primitive Ways

Choke on It

Torn to Pieces

Regurgitated Guts

Left to Die

Zombie Ritual

Encore

Scream Bloody Gore

Pull the Plug

Evil Dead (faixa pedida pelo público após a faixa anterior)

sábado, 18 de janeiro de 2025

Cobertura de Show: Left To Die – 08/01/2025 – Gravador Pub/POA-RS

Por: Renato Sanson

Fotos: Vinny Vanoni

O show do Left To Die não foi apenas mais um show, mas em caráter especial para minha pessoa, já que, foi o primeiro show de Metal da minha filha! Algo inimaginável e uma emoção e tanto!

Não poderia começar melhor, com um time estelar de músicos saudando o nosso gênio Chuck Schuldiner.

A ideia do Left To Die é justamente homenagear os primeiros anos da banda Death, mais precisamente os lançamentos iniciais: “Scream Bloody Gore” (87) e “Leprosy” (88). Os embriões do que viria a se tornar o Death Metal.

Para essa missão nada fácil o projeto conta com os lideres Rick Rozz que gravou as guitarras de “Leprosy” e esteve com Chuck nos anos iniciais do Death quando ainda se chamava Mantas e Terry Butler que apesar de não ter gravado os dois primeiros álbuns, esteve com o Death em diversas oportunidades ao vivo entre 87 e 90. 

Mas deixou também sua contribuição em estúdio gravado algumas faixas do álbum “Spiritual Healing” (90).

Para o trabalho árduo de fazer o papel de Chuck nos shows foi recrutado o monstro Matt Harvey do Exhumed e o baterista Gus Rios ex-Malevolent Creation.


Human Plague mostra a força do Metal Extremo Gaúcho 

Mas para o aquece desta noite épica e brutal, tivemos os gaúchos de Santa Maria da Human Plague. 

Destilando seu Death Metal brutal e técnico. Ainda que o público estive meio tímido, já se encontrava uma galera de peso dentro do Gravador Pub e puderam prestigiar este grande nome do Metal extremo nacional.

Pois o que nos foi apresentado, foi algo de gente grande e com doses cavalares de peso e violência. Com o som bem equalizado e potente. Esse é um dos grandes trunfos do Gravador Pub, por ter uma aparelhagem própria de alto nível.

Algo que gostei bastante também foi à banda ter levado o seu merchan para venda e anunciar em palco para apoiarem e consumirem material físico. 

Além do Debut álbum também tinha uma variedade interessante de camisetas. Algo cada vez mais raro hoje em dia, mas o material físico não morrera se depender de nós aficionados!

A banda também está já com novo álbum pronto para ser lançado este ano. Aguardemos.


Left to Die despeja chuva de clássicos do Metal Extremo 

Passado das 21h30min a casa já se encontrava lotada e todos estavam à espera do massacre sonoro que viria e não demora muito para os músicos irem entrando e fazendo pequenos ajustes no som, deixando todos eufóricos para em seguida as luzes baixarem, a intro ecoar nos PA’s e a chuva de riffs iniciar com “Leprosy”, seguida de “Born Dead” e “Infernal Death”.

Uma trinca matadora e uma banda coesa e extremamente bem entrosada e é impossível não dizer que Matt é o destaque, além de cuidar dos vocais e se aproximar o máximo possível do que Chuck fazia nessa época, é também um guitarrista notável e assumindo o problema que é replicar os solos doentios e técnicos da lenda.

Seguindo a destruição com poucas palavras, mas muito carisma envolvido a enxurrada “Sacrificial”, “Forgotten Past” e “Open Casket” geram rodas e mais rodas e aí começa a chuva de moshs! De fato o pessoal não se conteve e o clima era anos 80 no talo, Death Metal old school do mais alto gabarito.

O show seguiu com um set tocando na integra o clássico “Leprosy”, com a adição de mais seis musicas do Debut. Sendo uma delas após o clássico “final fake” e muito pedida pelos fãs: “Evil Dead”, levando a casa abaixo!

Claro que os clássicos imortais “Zombie Ritual” e “Pull the Plug” foram cantados a plenos pulmões e a energia era de estarmos em algum beco da Florida curtindo o melhor que o Metal já produziu.

Além de Matt, vale a menção ao carismático Rick Rozz segurando a base com todo o peso e seus riffs intrincados, Terry sendo o motor da cozinha e não desperdiçando uma nota e Gus massacrando o seu kit por cada musica. Músicos excelentes em um desempenho avassalador.

Antes do encerramento Matt saúda o Death Metal old school, agradece Porto Alegre por tanta energia e enaltece o legado de Schuldiner se não fosse o mesmo nada daquilo seria possível ou existiria. Levando a galera a gritar em uníssono “Chuck, Chuck, Chuck...”.

Por fim, uma noite épica e destruidora e fazendo nós fãs carentes da banda Death termos a oportunidade de vermos um pouquinho de como seria se Chuck ainda estivesse vivo.

Os músicos ao final recolhendo seus equipamentos, desceram do palco, distribuíram autógrafos e tiraram muitas fotos com os fãs. Mais perfeito impossível!

Fica o nosso agradecimento a MAD Produtora por mais um excelente show e uma ótima produção. Que venham os próximos...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Clássicos: “Individual Thought Patterns” A Evolução da Obra de Schuldiner

Lendário disco da banda Death é relançado


No dia 13 de dezembro de 2011 completou-se uma década que ficamos órfãos de toda a genialidade de Chuck  Schuldiner. Difícil dizer a importância de sua banda o Death para toda a cena Metal mundial, mas basta saber que hoje 99% dos grupos de Death Metal pagam tributo a esse verdadeiro mestre.

Ouvindo a discografia da banda é possível ver que ela foi, na realidade, passando por um processo de evolução, sendo o álbum “Leprosy” de 1988  o  início do amadurecimento do grupo, pois as bases do Death Metal tradicional continuavam todas ali, mas eram associadas ao senso de melodia do Heavy Metal principalmente do NWBOHM.

Mas em minha opinião o ápice do processo criativo veio com “Individual Thought Patterns” (1993).

Mas o que torna esse álbum tão especial? Primeiramente o time formado para a gravação desse CD, pois ao lado de Chuck você tinha nas guitarras Andy La Rocque (King Diamond), que hoje é um consagrado produtor musical, já a cozinha da banda é simplesmente um dream team com o baixista Steve DiGiorgio (atualmente no Charred Walls of the Damned, junto com outro ex-Death) já conhecido na cena por ser membro do Sadus e Gene Hoglan do Dark Angel na bateria.

5º disco da banda é mais uma obra-prima com o toque de Chuck Schuldiner

O que poderia ser uma verdadeira guerra de egos na realidade criou um dos melhores álbuns do Death e quiçá do Metal extremo. A evolução esta presente até mesmo na parte lírica que deixa para trás o gore simples de álbuns como “Scream Blood Gore” de 87  e investe em criticas ácidas a sociedade que mesmo hoje possui um grande impacto, veja a letra de “ The Philosopher” e comprove.

Complexidade é a palavra chave desse trabalho. Difícil apontar destaques em uma obra prima, mas não tem como não se impressionar com as quebras de ritmo em “In Human Form”. O fato de dois músicos DiGiorgio e Gene Hoglan terem vindo de duas bandas de  Thrash Metal influenciou muito esse trabalho enriquecendo ainda mais a sonoridade do Death como, por exemplo, em “Trapped I A Coner” onde os dedilhados são típicos da Bay Area.

Death no início dos anos 90

Algumas músicas ganharam um espaço no coração dos fãs, entre elas podemos citar a faixa titulo desse que é o quinto trabalho da banda que possui uma das melhores composições de  Schuldiner e, é claro, “ The Philosopher” que consegue a proeza de definir todas as características da banda em apenas uma só composição. O duelo de guitarras no final da faixa é de tirar o fôlego e essa musica ganhou um vídeo clipe conhecidíssimo por aqui na época que a MTV prestava.

Sem dúvidas esse foi um divisor de águas na carreira da banda e principalmente para seu  mentor, os seus álbuns sucessores “Symbolic” de 95 e “The Sound of Perseverance” de 98 e até mesmo seu projeto paralelo Control Denied são uma evolução natural de “Individual Thought Patterns”.

Chuck Schuldiner não conseguiu derrotar o câncer e morreu há exatos 10 anos

Prova cabal disso é que esse trabalho ganhou uma nova edição extremamente luxuosa com uma remixagem feita por Alan Douches (para quem não conhece ele é o cara que fez a produção dos últimos discos do Nile), além de  ser um CD triplo onde estão como bônus um show gravado na Alemanha e uma faixa inédita até então “The Exorcist”, além de materiais provenientes de jams entre Chuck e Gene com uma química que dá gosto de ouvir.

Clássico é um adjetivo muito pequeno para definir esse álbum da mesma forma que gênio é pouco para definir a importância de  Schuldiner, mais que um músico, mas um ídolo de uma geração.

Texto: Harley
Revisão/Edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Death
Álbum: Individual Thought Patterns
Ano: 1993
País: EUA
Tipo: Death Metal/Prog Metal

Formação
Chuck  Schuldiner (Guitarra e Vocal)
Andy La Rocque (Guitarras)
Steve DiGiorgio (Baixo)
Gene Hoglan (Bateria)

Confira o track list completo dessa nova edição

Disco 1
01. Overactive Imagination
02. In Human Form
03. Jealousy
04. Trapped In A Corner
05. Nothing Is Everything
06. Mentally Blind
07. Individual Thought Patterns
08. Destiny
09. Out Of Touch
10.
The Philosopher


Disco 2: Ao Vivo na Alemanha – 13 de abril de 1993
01. Leprosy
02. Suicide Machine
03. Living Monstrosity
04. Overactive Imagination
05. Flattening Of Emotions
06. Within The Mind
07. In Human Form
08. Lack Of Comprehension
09. Trapped In A Corner
10.
Zombie Ritual


Sobra de estúdio de “Individual Thought Patterns”
11. The Exorcist

Disco 3
Demos – Chuck & Gene – Dezembro de 1992
01. Overactive Imagination
02. In Human Form
03. The Philosopher
04. Trapped In A Corner
05. Individual Thought Patterns
06. Jealousy
07. Nothing Is Everything
08. Destiny
09. Mentally Blind
10. Out Of Touch



Fita de Riffs do Chuck – 1992
11. In Human Form
12. The Philosopher
13. Trapped in a Corner



Assista ao vídeo "The Philosopher"




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