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domingo, 24 de maio de 2026

Lalu: O Prog Como Experiência Cinematográfica (Also In English)

Frontiers Records (Imp.)

Por Flavio Borges 

Celebrando duas décadas de trajetória, Lalu retorna com A Mythmaker’s Demise, um álbum que reafirma a relevância artística do projeto liderado por Vivien Lalu dentro do progressive rock contemporâneo. Unindo sofisticação técnica, forte carga emocional e uma abordagem de produção orgânica e refinada, o trabalho resgata conexões importantes da história da banda — incluindo os retornos de Martin LeMar (Nachtgeschrei, Mekong Delta), Simon Phillips (Toto, MSG, Asia, The Who, Protocol) e do parceiro de longa data Joop Wolters — além da participação especial de Jens Johansson (Yngwie Malmsteen, Stratovarius, Rainbow). Ao mesmo tempo, o disco propõe uma reflexão sobre o impacto da inteligência artificial na imaginação humana, tema que permeia suas atmosferas densas e cinematográficas. O resultado é uma obra ambiciosa, sofisticada e profundamente enraizada na essência clássica do progressive rock, mas sem soar presa ao passado.

Toda a complexidade esperada de um álbum progressivo já se manifesta logo na abertura com “Tears Of The Muse”. Como toda grande composição do gênero, a faixa vive da imprevisibilidade: mudanças constantes de dinâmica, construções harmônicas elaboradas e texturas de teclado que parecem atravessar décadas da história do prog. A interpretação vocal assume contornos quase teatrais, enquanto cada instrumento encontra espaço para brilhar sem comprometer a fluidez da música. O mais impressionante, porém, é como Lalu evita transformar virtuosismo em exibicionismo vazio. Tudo soa cuidadosamente pensado, equilibrado e musicalmente relevante.

Na sequência, “EKO” adiciona uma camada mais moderna à identidade do álbum, especialmente através dos efeitos vocais que dominam sua introdução. O baixo surge em absoluto destaque, profundamente conectado à bateria em uma cozinha dinâmica e precisa, criando a base perfeita para que a guitarra explore melodias e intervenções técnicas com elegância. Conforme a faixa evolui, os vocais limpos assumem protagonismo em linhas melódicas extremamente bem construídas. O magnífico solo de baixo que antecede a seção mais explosiva da música funciona como uma síntese perfeita da proposta do disco: técnica refinada colocada a serviço da composição.

“I Am The One” amplia ainda mais o espectro sonoro do trabalho. Seu início enigmático conduz o ouvinte por diferentes camadas de texturas e climas, sustentadas por uma interpretação vocal impecável tanto em melodia quanto em timbre. Há um cuidado raro na escolha dos arranjos, fazendo com que mesmo os momentos mais intrincados permaneçam acessíveis e envolventes. A produção merece destaque especial: cada instrumento ocupa exatamente o espaço necessário, permitindo que a riqueza dos detalhes nunca comprometa a clareza sonora. O coral que encerra a faixa é simplesmente monumental.

A primeira instrumental do álbum, “Mayacama”, revela uma das facetas mais sofisticadas da banda. Introduzida por um piano delicado, a composição rapidamente se transforma em um caleidoscópio de sensações. A guitarra alterna entre solos e conduções harmônicas com naturalidade impressionante, enquanto baixo e bateria sustentam uma base precisa, orgânica e pulsante. Os teclados — tanto acústicos quanto eletrônicos — ampliam a dimensão cinematográfica da faixa. O título pode remeter ao conceito de “Maya”, palavra sânscrita associada à ilusão e ao encantamento, ideia perfeitamente traduzida pela atmosfera quase hipnótica da música.

“Prince With The Swift Warning”, primeiro single do álbum, talvez seja a síntese mais clara da proposta artística de A Mythmaker’s Demise. A faixa aborda temas extremamente atuais — migração, exílio e sobrevivência — sem perder o caráter épico e progressivo. Musicalmente, é um exercício de equilíbrio entre sofisticação técnica e impacto emocional. Mais uma vez, todos os músicos encontram seus momentos de destaque sem comprometer a coesão da composição. Os solos são executados com extremo bom gosto, enquanto as linhas vocais reforçam o caráter dramático da narrativa.

Com uma introdução minimalista baseada em piano, baixo e voz, “Learning To Fly” conduz o álbum para um território ainda mais teatral. Há algo de musical da Broadway em sua construção dramática, mas reinterpretado através da linguagem do progressive rock clássico. As mudanças de clima funcionam quase como transições de cena, permitindo que a música evolua de maneira visual e emocional. É uma faixa que estimula a imaginação do ouvinte e demonstra como Lalu compreende o aspecto narrativo do gênero.

“A Drop Of Water” funciona como uma breve pausa contemplativa em meio à grandiosidade do disco. Com menos de dois minutos, a faixa assume caráter quase de vinheta, mas consegue criar uma atmosfera extremamente sensorial. O delicado trabalho de guitarra acústica, acompanhado por teclados e percussões sutis, faz com que o ouvinte praticamente “sinta” o movimento da água sugerido pelo título.

Efeitos eletrônicos difusos introduzem “Fhloston Paradise”, uma das faixas mais atmosféricas e modernas do álbum. Os vocais processados contrastam com passagens limpas, enquanto a instrumentação combina bateria seca, timbres clássicos de Hammond e uma guitarra base marcante. A referência ao resort espacial fictício do filme The Fifth Element, dirigido por Luc Besson, reforça o caráter futurista e cinematográfico da composição. Mais uma vez, o álbum impressiona pela maturidade das escolhas melódicas e pela inteligência dos arranjos.

“Cordal Weaves” representa o momento em que o álbum mergulha mais profundamente no progressive rock clássico. A influência de Genesis é perceptível em diferentes passagens, especialmente nas construções harmônicas e no protagonismo do baixo. A interação entre bateria e baixo é absolutamente brilhante, formando uma base sólida para que guitarras e teclados alternem momentos de protagonismo. As linhas vocais transitam com naturalidade entre momentos mais agressivos e outros contemplativos. O solo de baixo que conduz a reta final da faixa é particularmente memorável.

Encerrando o álbum, “Midnight Ink” oferece um desfecho elegante e emocionalmente carregado. Construída sobre piano, baixo e camadas sutis de teclado, a faixa assume contornos de uma verdadeira balada progressiva. A interpretação vocal é extremamente sensível, enquanto os arranjos sinfônicos ampliam gradualmente sua carga dramática. A combinação entre piano e cello adiciona profundidade emocional ao encerramento, criando uma conclusão melancólica e cinematográfica para o disco.

A Mythmaker’s Demise é, sem dúvida, um álbum profundamente progressivo, mas surpreendentemente acessível. Mesmo em seus momentos mais complexos, o disco jamais se torna excessivamente hermético ou cansativo. O grande mérito de Lalu está justamente em transformar virtuosismo em narrativa, técnica em emoção e sofisticação em experiência sensorial. Com composições meticulosamente elaboradas, interpretações vocais acima da média e uma produção impecável, o grupo entrega não apenas um dos melhores álbuns progressivos do ano, mas uma obra capaz de dialogar com diferentes gerações de ouvintes do gênero.

***ENGLISH VERSION***

Celebrating two decades of existence, Lalu return with A Mythmaker’s Demise, an album that once again confirms the artistic relevance of the project led by Vivien Lalu within contemporary progressive rock. Combining technical sophistication, strong emotional depth, and an organic yet refined production approach, the record reconnects with important chapters of the band’s history — including the returns of Martin LeMar (Nachtgeschrei, Mekong Delta), Simon Phillips (Toto, MSG, Asia, The Who, Protocol) — while also featuring a special guest appearance by Jens Johansson (Yngwie Malmsteen, Stratovarius, Rainbow). At the same time, the album reflects on the impact of artificial intelligence on human imagination, a theme that permeates its dense and cinematic atmospheres. The result is an ambitious, sophisticated work deeply rooted in the classic essence of progressive rock without ever sounding trapped in the past.

All the complexity expected from a progressive rock album is immediately evident in the opening track, “Tears Of The Muse”. Like every great composition within the genre, the song thrives on unpredictability: constant shifts in dynamics, elaborate harmonic structures, and keyboard textures that seem to travel through decades of prog history. The vocal performance takes on almost theatrical contours, while every instrument is given room to shine without compromising the flow of the composition. Most impressive, however, is the way Lalu avoids turning virtuosity into empty self-indulgence. Everything feels carefully crafted, balanced, and musically purposeful.

Next comes “EKO”, which adds a more modern layer to the album’s identity, especially through the vocal effects dominating its introduction. The bass takes center stage, deeply intertwined with the drums in a dynamic and precise rhythm section that lays the perfect foundation for the guitar to explore melodies and technical passages with elegance. As the track unfolds, clean vocals emerge with beautifully constructed melodic lines. The magnificent bass solo preceding the song’s most explosive section perfectly encapsulates the album’s artistic vision: refined technique placed entirely at the service of the composition.

“I Am The One” expands the album’s sonic palette even further. Its enigmatic opening guides the listener through multiple layers of textures and moods, all sustained by an impeccable vocal performance both melodically and tonally. There is a rare level of care in the arrangements, ensuring that even the most intricate moments remain engaging and accessible. The production deserves special praise as well: every instrument occupies precisely the right space, allowing the richness of the details to flourish without sacrificing sonic clarity. The choir-driven finale is simply monumental.

The album’s first instrumental piece, “Mayacama”, reveals one of the band’s most sophisticated facets. Introduced by delicate piano lines, the composition quickly evolves into a kaleidoscope of sensations. The guitar effortlessly alternates between solos and harmonic support, while bass and drums sustain a precise, organic, and pulsating foundation. Both acoustic and electronic keyboards further expand the track’s cinematic dimension. The title may allude to the concept of “Maya”, the Sanskrit word associated with illusion and enchantment — an idea perfectly embodied by the song’s almost hypnotic atmosphere.

“Prince With The Swift Warning”, the album’s first single, is perhaps the clearest representation of A Mythmaker’s Demise’s artistic vision. The track addresses highly contemporary themes — migration, exile, and survival — without sacrificing its epic and progressive character. Musically, it is an exercise in balancing technical sophistication with emotional impact. Once again, every musician finds their moment to shine without compromising the cohesion of the composition. The solos are executed with remarkable taste, while the vocal lines reinforce the dramatic nature of the narrative.

Built around a minimalist introduction featuring piano, bass, and voice, “Learning To Fly” takes the album into even more theatrical territory. There is something distinctly Broadway-like in its dramatic construction, though filtered through the language of classic progressive rock. The shifting moods function almost like scene transitions, allowing the song to evolve in both visual and emotional terms. It is a track that stimulates the listener’s imagination while demonstrating Lalu’s deep understanding of the narrative dimension of the genre.

“A Drop Of Water” serves as a brief contemplative pause amidst the album’s grandeur. At less than two minutes long, the piece functions almost like an interlude, yet still manages to create an intensely sensory atmosphere. The delicate acoustic guitar work, accompanied by subtle keyboards and percussion, makes the listener practically “feel” the movement of the water suggested by the title.

Diffuse electronic effects introduce “Fhloston Paradise”, one of the album’s most atmospheric and modern tracks. Processed vocals contrast with cleaner passages, while the instrumentation combines dry-sounding drums, classic Hammond textures, and a striking rhythm guitar. The reference to the fictional space resort from the film The Fifth Element, directed by Luc Besson, reinforces the futuristic and cinematic character of the composition. Once again, the album impresses through the maturity of its melodic choices and the intelligence of its arrangements.

“Cordal Weaves” marks the moment when the album dives deepest into classic progressive rock territory. The influence of Genesis is noticeable throughout several passages, particularly in the harmonic structures and the prominence of the bass. The interaction between bass and drums is absolutely brilliant, forming a solid foundation upon which guitars and keyboards alternate moments of prominence. The vocal lines transition naturally between more aggressive passages and contemplative moments. The bass solo leading into the track’s final section is especially memorable.

Closing the album, “Midnight Ink” delivers an elegant and emotionally charged conclusion. Built around piano, bass, and subtle keyboard layers, the track takes the form of a genuine progressive ballad. The vocal performance is deeply sensitive, while the symphonic arrangements gradually intensify its dramatic weight. The interplay between piano and cello adds emotional depth to the finale, creating a melancholic and cinematic ending for the album.

A Mythmaker’s Demise is undoubtedly a deeply progressive album, yet surprisingly accessible. Even at its most complex moments, the record never becomes overly hermetic or exhausting. Lalu’s greatest achievement lies precisely in transforming virtuosity into narrative, technique into emotion, and sophistication into a sensory experience. With meticulously crafted compositions, outstanding vocal performances, and flawless production, the band delivers not only one of the finest progressive rock albums of the year, but also a work capable of resonating with different generations of listeners within the genre.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Cobertura de Show: Weather Systems – 08/02/2026 – Carioca Club/SP

No último domingo, 8 de fevereiro de 2026, o Carioca Club, em São Paulo, viveu uma noite de forte carga emocional e musical com a apresentação do Weather Systems, projeto liderado por Daniel “Danny” Cavanagh — figura seminal do rock progressivo e ex-membro fundador do Anathema. O nome do projeto, inclusive, remete a um dos álbuns mais celebrados da agora extinta banda inglesa.

A expectativa era grande em torno do que Danny apresentaria. Ainda que prometesse revisitar clássicos do Anathema, tratava-se de um novo capítulo artístico sob outra identidade.

O show funcionou essencialmente como uma revisitação sensível à trajetória do Anathema, cuja sonoridade melancólica, atmosférica e emocional marcou gerações ao longo das últimas décadas. Cavanagh conduziu a noite com um repertório que mesclou clássicos da antiga banda com faixas do álbum de estreia do Weather Systems, ainda pouco conhecido pela maioria do público presente.

Apesar de o Carioca Club não ter atingido lotação máxima, a plateia era formada majoritariamente por fãs dedicados, criando um clima íntimo e atento. O silêncio respeitoso nos momentos contemplativos e a força dos coros nas passagens emotivas tornaram-se marcas evidentes da apresentação.

Com um pequeno atraso, Daniel subiu ao palco sozinho, empunhando apenas o celular, ao som de “All Eyes on Me”, de Bo Burnham. Cantando o refrão, pegou a guitarra e iniciou o espetáculo com a poderosa “Deep”, do Anathema — imediatamente entoada em coro, com alguns fãs visivelmente emocionados.

Cavanagh estava acompanhado por músicos competentes que em nada ficaram a dever à antiga banda: os portugueses André Marinho (baixo) e Soraia Silva (vocais), além do ex-companheiro de Anathema Daniel Cardoso (bateria). Ao fim da primeira música, Danny comentou, com bom humor, que a comunicação com o público seria feita principalmente pelos colegas portugueses, já que seu português era “péssimo”. Coube à simpática Soraia abrir oficialmente a noite com um caloroso “Boa noite, São Paulo!”.

Na sequência, Daniel explicou que revisitaria diversos momentos da carreira do Anathema — músicas que ele próprio compôs —, mas antes apresentaria canções do novo projeto. Vieram então “Still Lake”, “Synaesthesia” e “Do Angels Sing Like Rain?”, confirmando que o show não seria apenas um retrato nostálgico, mas uma continuação viva de seu legado artístico.

A partir daí, a nostalgia tomou conta. Clássicos aguardados como “Springfield” e “One Last Goodbye” emocionaram profundamente. Esta última foi dedicada à mãe do músico e a todos que sentem falta de alguém, momento em que Daniel, visivelmente comovido, encerrou com um tocante “I love you, Mom”.

Com formação enxuta e apoio pontual de bases pré-gravadas, a banda demonstrou grande sintonia. Soraia Silva destacou-se especialmente nos duetos e nas passagens mais delicadas. “A Simple Mistake” e “Closer” ampliaram a comoção coletiva, enquanto “Ocean Without a Shore”, do Weather Systems, trouxe breve respiro antes de um dos ápices da noite.

Em “Flying”, um dos maiores clássicos do Anathema, o público cantou em uníssono, reforçando a intensa conexão emocional entre palco e plateia. Não houve a tradicional pausa para bis — desnecessária diante da comunhão já estabelecida.

Daniel então anunciou a execução da trilogia “Untouchable” (Partes 1, 2 e 3), sendo a terceira oriunda do novo projeto. Era um dos momentos mais aguardados da noite. A delicadeza das canções tomou conta do ambiente: abraços, lágrimas e vozes unidas traduziram o impacto emocional. Em gesto espontâneo, Soraia desceu do palco e cantou no meio do público, abraçando fãs — um instante raro, daqueles que apenas a música é capaz de proporcionar.

Na sequência, veio a surpresa: um cover de “Wherever I May Roam”, do Metallica, com André Marinho assumindo os vocais e incorporando com precisão a postura de James Hetfield. O timbre de guitarra de Danny, próximo ao do Black Album, evidenciou a versatilidade do grupo.

O encerramento trouxe “A Natural Disaster” e “Fragile Dreams”, talvez o maior hino do Anathema, fechando a apresentação com intensidade máxima.

Após agradecer ao público e prometer retorno a São Paulo no próximo ano, Daniel sentou-se à beira do palco para autografar discos e cumprimentar fãs que estavam próximos à grade.

Em síntese, a noite de 8 de fevereiro de 2026 transcendeu o formato convencional de show. Foi um encontro emocional entre artista e público devoto, além de uma celebração de legado. A passagem do Weather Systems por São Paulo reafirmou a força da música que ajudou a moldar o rock atmosférico moderno — não apenas como memória nostálgica, mas como continuidade viva, capaz de dialogar tanto com quem cresceu ao som do Anathema quanto com novas gerações que descobrem essas canções sob novas formas.


Texto: Anderson Bellini

Fotos: Pri Secco 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Caveira Velha Produções


Weather Systems – setlist:

Deep

Still Lake

Synaesthesia

Do Angels Sing Like Rain?

Springfield

One Last Goodbye

Closer

A Simple Mistake

Ocean Without a Shore

Flying

Untouchable, Part 1

Untouchable, Part 2

Untouchable Part 3

Wherever I May Roam (Metallica cover)

A Natural Disaster

Fragile Dreams

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Siena Root – 02/12/2025 – La Iglesia/SP

O cenário underground da música psicodélica e stoner rock ganhou mais um capítulo inesquecível quando o La Iglesia, em São Paulo, recebeu a banda sueca Siena Root. Dois dias após sua apresentação como abertura para a banda japonesa Boris, eles fizeram sua estreia como atração principal na capital paulista. 

Antes de os nórdicos subirem ao palco, o protagonismo ficou por conta da banda brasileira Hammerhead Blues, um trio que tem se destacado no cenário nacional por sua mistura pesada de riffs psicodélicos e grooves marcantes. 

Formado por Otavio Cintra no baixo e nos vocais, Luiz Cardim na guitarra e William Paiva na bateria, o Hammerhead Blues entregou uma performance que serviu não só como aquecimento para o show principal, mas como um resgate de uma era especial da música. 

No setlist de oito faixas, o grupo mergulhou o público em uma viagem desde os primeiros acordes de “Hero / Roger's Cannabis Confusion”, uma abertura dupla que misturou riffs pesados e linhas de baixo groovy, com Otavio Cintra demonstrando um vocal expressivo e envolvente que comandou a noite. 

As canções “Age of Void” e “Traveller” seguiram em uma progressão crescente, destacando o trabalho preciso de Luiz Cardim na guitarra, cujos solos psicodélicos evocaram viagens, enquanto William Paiva mantinha o ritmo firme na bateria, criando uma base sólida que reverberou pelas paredes do La Iglesia. 


Destaques como “Windmill's Kiss” e “Moontale” trouxeram momentos alucinantes e jams que destacaram sua química no palco. Já “Around The Sun”, “Drifter” e o encerramento com “Thrill of The Moonrise” elevaram a intensidade, transformando o show em um momento inesquecível que deixou o público eufórico e ansioso pelo que viria a seguir com Siena Root.

Foi uma apresentação cheia de energia e impactante; a banda entregou tudo e ficou clara sua fome de palco, o que reforçou a qualidade do Hammerhead Blues.

Na sequência, o Siena Root entrou no palco já em clima de festa. A atual formação, com Zubaida Solid (vocais e teclados), Johan Borgström (guitarra), Sam Riffer (baixo) e Love Forsberg (bateria), entregou o melhor rock psicodélico e stoner, contagiando o público e estabelecendo uma conexão imediata com os fãs. 

Desde a abertura com “We (Over the Mountains)”, já ficava claro que a banda sueca estava em plena forma, trazendo seu rock vintage carregado de groove e feeling. Não foi diferente em faixas como “Tales of Independence”, “Organic Intelligence” e “There and Back Again”, que ganharam versões cheias de nuances, mostrando tanto a força instrumental quanto o entrosamento impecável entre os integrantes.

Passeando pelo seu catálogo, foi a vez de “Dusty Roads”, uma bela balada que trouxe paz e contemplação em meio à viagem quase lisérgica que os suecos proporcionavam. Durou pouco.

“Into The Woods” chegou com muita psicodelia e improvisos, fazendo a cabeça da galera. E tinha para todos os gostos: “Keeper of the Flame” e “Above the Trees” carregavam aquela vibe mais bluesy, criando uma dinâmica perfeita para a apresentação.

E o que dizer da trinca que veio a seguir? “Wishing for More”, “Time Will Tell” e “Coming Home” não deixaram pedra sobre pedra na parte mais pesada do show, trazendo à tona toda a sua influência do hard rock setentista e não deixando ninguém parado. 

O clímax veio com “Imaginary Borders” e “Root Rock Pioneers”. Esta última contou com a apresentação dos integrantes e encerrou de maneira apoteótica o show, com um duelo de teclado e guitarra ao estilo de “Lazy”, do Deep Purple.

A reação fervorosa do público, que pedia mais e mais, foi a prova do sucesso da apresentação, demonstrando o quanto a música do Siena Root ressoa com o público brasileiro. A retribuição da banda à recepção calorosa foi um dos pontos altos da noite. 

Visivelmente emocionados com o carinho e a energia trocada, os suecos decidiram estender a apresentação, presenteando os fãs com duas músicas extras que não estavam no setlist. A primeira foi “Outlander”, já conhecida pelos fãs mais dedicados e recebida com euforia. Contudo, foi a surpresa final, “Waiting for the Sun”, tocada sem aviso prévio, que selou a apresentação como lendária. 

São momentos assim que fazem uma apresentação deixar de ser apenas excelente para se tornar de fato espetacular, tudo acontecendo ali, em tempo real, diante de seus olhos. 

Em suma, o show do Siena Root foi uma aula de performance ao vivo, em que a excelência musical se uniu a uma entrega genuína com a audiência. A banda sueca mostrou ser uma força vital no cenário do rock contemporâneo, proporcionando um espetáculo que equilibra virtuosismo e alma. 

A felicidade evidente dos músicos, que se traduziu em um bis estendido, deixou claro o agradecimento sincero pela noite memorável proporcionada pelos fãs brasileiros.



Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 

Realização: Abraxas



Hammerhead Blues – setlist:

Hero / Roger's Cannabis Confusion
Age of Void
Traveller
Windmill´s Kiss
Moontale
Around Th Sun
Drifter
Thrill of The Moonrise

Siena Root – setlist: 

We (Over the Mountains)
Tales of Independence
Organic Intelligence
There and Back Again
Dusty Roads
Into the Woods
Keeper of the Flame
Above the Trees
Wishing for More
Time Will Tell
Coming Home
Imaginary Borders
Root Rock Pioneers

Bis

Outlander
Waiting for the Sun 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Cobertura de Show: The Aristocrats – 22/08/2025 – Carioca Club/SP

 The Aristocrats retorna ao Brasil com técnica e humor no Carioca Club

Na sexta-feira, 22 de agosto, o Carioca Club, em Pinheiros, recebeu a volta do The Aristocrats ao Brasil após quase dez anos de ausência. O trio formado por Guthrie Govan (guitarra), Bryan Beller (baixo) e Marco Minnemann (bateria) trouxe a The Duck Tour para São Paulo em uma noite que mesclou virtuosismo, improviso, histórias curiosas e muito carisma no palco. A produção foi assinada pela Sellout Tour.

O público compareceu em peso. A casa estava cheia, embora não lotada, e a presença de tantos fãs evidenciou a força de uma banda instrumental que, mesmo fora do circuito mais conhecido, conquistou uma base fiel no país.

O repertório privilegiou o novo álbum Duck, lançado em 2024, com faixas como Hey, Where’s My Drink Package?, Aristoclub e Sittin’ With a Duck on a Bay. Também houve espaço para músicas do trabalho anterior, You Know What...? (2019), e para composições já consagradas, como Get It Like That e Desert Tornado.

Entre uma execução impecável e outra, a banda manteve constante diálogo com o público. Bryan Beller contou, por exemplo, a história por trás de The Ballad of Bonnie and Clyde. Após o fim de uma turnê pela América do Sul, teve instrumentos roubados nos Estados Unidos. Embora a polícia tenha prendido os responsáveis, nada foi recuperado, e dessa experiência nasceu a faixa. O público reagiu com vaias aos “bandidos” e risos diante do bom humor do baixista, que transformou uma perda em memória compartilhada.

O momento mais arrebatador da noite veio com o solo de bateria de Marco Minnemann, que emocionou ao misturar técnica, força e musicalidade, chegando a inserir a icônica 20th Century Fox Fanfare em meio à sua performance.

O The Aristocrats é reconhecido por seu ecletismo. Do rock progressivo ao jazz fusion, passando por pitadas de heavy metal e referências ao humor de Frank Zappa, o trio costura estilos de maneira natural, sem esforço aparente. A mistura, que poderia soar cerebral em outras mãos, ganha leveza e se apresenta como pura diversão.

Formada em 2011, a banda nasceu quase por acaso em uma jam session durante a NAMM Show, em Anaheim. De lá para cá, construiu uma discografia que reflete a soma das influências individuais dos três músicos, que já dividiram palco com nomes como Steve Vai, Joe Satriani, King Crimson e Steven Wilson. Ainda assim, suas composições são sempre apresentadas como “músicas dos Aristocrats”, com identidade própria e espaços abertos para improvisos.

Comparado à última passagem por São Paulo, quase dez anos atrás, o retorno mostrou um público maior e mais engajado. Quem saiu de casa em plena sexta-feira encontrou um espetáculo de altíssimo nível, divertido e inspirador. A noite transcendeu o virtuosismo, revelando a música em sua expressão mais livre e inventiva.




Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Sellout Tour 



The Aristocrats – setlist:

Swan's Splashdown (Perrey & Kingsley cover) 

Hey, Where’s My Drink Package?

Aristoclub

Sgt. Rockhopper

Sittin’ With a Duck on a Bay

Spanish Eddie

The Ballad of Bonnie and Clyde

Flatlands

Here Come the Builders

This Is Not Scrotum

Get It Like That

Desert Tornado

domingo, 24 de outubro de 2021

Uriah Heep: Registro Histórico, Enérgico e Orgânico no Sweden Rock 2009

 


São mais de 50 anos desta instituição do Classic Rock/Prog Rock Uriah Heep, que segue lançando material inédito de qualidade, além de muitos lançamentos especiais, como Box Sets e Live Albums como este ótimo "Official Bootleg: Live AtSweden Rock 2009".

O show no festival foi durante a tour de "Awake the Sleeper", e trazia ainda o grande Trevor Bolder no baixo, falecido em 2013. 

O som está muito bom, orgânico, capturando e transmitindo toda a energia da apresentação, um bootleg oficial justamente por ter um som muito bom, apesar da apresentação não ter sido programada para ser gravada e lançada oficialmente, e isso contribuiu para a espontaneidade do show.

Dentre as faixas presentes, estão vários dos clássicos obrigatórios nas apresentações da banda, como "Stealin'", "Easy Livin'", "Gypsy" e "July Morning".

Do álbum da época, o "Wake the Sleeper", duas faixas, "Ghost of the Oceans" e "Angels Walk With You" e   ambas soam muito bem ao lado dos clássicos, mostrando a força desses gigantes.

Os momentos de maior destaque dentro de um set maravilhoso, são as versões para "July Morning" e "Look at Yourself", que sempre dão espaço para a banda fazer versões mais longas e improvisos. Altas doses de musicalidade, com Bernie Shaw soando excelente, alcançando notas altas com naturalidade. 

Mick Box e seu estilo todo próprio, seu feeling e personalidade (provavelmente ainda um dos mais injustiçados guitarristas do Heavy/Rock), e Lanzon, sempre incrível ao Hammond. E ainda, a cozinha impecável com o saudoso Trevor e a pegada revigorante de Russel Gilbrook. Que banda!

Vale registrar também a sempre interativa "Lady in Black", que faz o público participar efusivamente de seu refrão. 

Ótimo registro ao vivo, orgânico, empolgante, mostrando toda a classe e categoria de um dos gigantes da história do Heavy Rock, e que merecia muito, mas muito mais reconhecimento. 

Texto: Carlos Garcia

Banda: Uriah Heep
Álbum: "Official Bootleg Live At Sweden Rock 2009"
País: Inglaterra
Estilo: Classic Rock, Hard Rock, Prog Rock
Selo: earMusic/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Tracklist
1. Sunrise
2. Stealin
3. Gypsy
4. Look At Yourself
5. Ghost Of The Ocean
6. Angels Walk With You
7. July Morning
8. Easy Living
9. Lady In Black



domingo, 21 de abril de 2019

Marillion: Ícone do Rock Progressivo em Show Cinematográfico



Os ingleses do Marillion, provavelmente o maior expoente do chamado neo-progressivo, começaram suas atividades em 1979, tendo em sua discografia 18 álbuns de estúdio e algumas dezenas mais de títulos ao vivo. Sim, os caras produzem muito material da espécie, inclusive possuem um festival próprio, o Marillion Day, onde apresentam alguns espetáculos bem especiais, tocando álbuns na íntegra, e com a participação dos fãs, que votam no que gostariam de assistir.

O mais recente lançamento é “All One Tonight” (DVD/Blu-Ray e CD Duplo), gravado no grandioso teatro Royal Albert Hall, em Londres. Neste show o grupo apresentou na íntegra o seu último álbum de estúdio, “F.E.A.R” (2016), na primeira parte, e na segunda parte, clássicos de outros discos acompanhados do quarteto de cordas In Praise of Folly, além de alguns outros convidados especiais.


Referi-me a esta apresentação como “cinematográfica” porque a produção visual e sonora é realmente incrível, com uma qualidade estupenda. Os efeitos de luzes e som perfeitos e límpidos, e juntos a grandiosidade do teatro, fazem deste trabalho um registro obrigatório para os fãs do grupo e do estilo.

Músicas mais recentes, como “El Dorado” e “White Paper”, esta em uma especialmente emocionante execução por parte da banda (ambas do álbum “F.E.A.R”), envoltas nesta cuidadosa produção, soam ainda melhores do que a gravação em estúdio. Canções já consagradas como “Afraid of Sunlight”, "The Space" e “Easter”, onde a banda teve o acompanhamento do quarteto de cordas, tiveram seus arranjos originais abrilhantados.


É de emocionar a entrega que os músicos demonstram em sua performance, fazendo do trabalho uma experiência prazerosa. É, super-produção pode ser comprada, mas esse tal feeling não, e estes já veteranos pioneiros do Neo Progressive mostram que possuem de sobra, atravessando novamente um ótimo momento. A escolha do título foi perfeita, "All One Tonight", pois banda e plateia transformaram-se em uma unidade nesta apresentação carregada de emoção.


Entre arranjos complexos, passagens melodiosas e marcantes, trechos orquestrados e quase etéreos, temos uma excelente dimensão da qualidade da música produzida pelos ingleses durante essas 4 décadas de carreira, e “All One Tonight” é para ouvir, ver e sentir, sendo altamente recomendada a aquisição do pacote completo com o DVD e CD duplo. O disco está disponível no Brasil via Shinigami Records. 

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Marillion
Álbum: "All One Tonight"
Estilo: Rock Progressivo, Neo Progressivo
País: Inglaterra
Selo: earMusic/Shinigami Records

Line-up:
Steve Hogarth: Vocais
Steve Rothery: Guitarras
Pete Trewavas: Baixo
Mark Kelly: Teclados
Ian Mosley: Bateria


Tracklist:
= F.E.A.R" Live =
El Dorado
Living In F E A R
The Leavers
White Paper
The New Kings
Tomorrow‘s New Country
= All One Tonight – Featuring In Praise Of Folly & Special Guests =
The Space
Afraid Of Sunlight
The Great Escape
Easter
Go!
Man Of A Thousand Faces
Waiting To Happen
Neverland
The Leavers: V. One Tonight


       

       

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Killepsia: procurando o trilho correto

Resenha: Renato Sanson


As nuances progressivas são bem-vindas quando impostas com cuidado, até mesmo para não cair em um mar sem volta ou em repetições técnicas enjoativas.

O quarteto porto-alegrense Killepsia soltou no mercado em 2017 seu primeiro EP autointitulado, que traz essa mescla progressiva com outros elementos que vão além do Rock, mas sim tento misturas de MPB e Jazz.

A faixa que abre os trabalhos, “Role Model”, mostra uma perspectiva diferente, pois além de ser cantada em inglês (a única do trabalho) mostra boa variação e elementos interessantes, o que no decorrer do trabalho acaba não acontecendo, tendo um emaranhado de influencias e variações que lembram momentos de bandas como Yes e Fates Warning, mas nada que fique marcado na sua cabeça, assim como sua parte lírica e também pelas linhas vocais que não encaixam com a proposta.

A produção é satisfatória e para uma estreia está em bom nível. O que falta é um pouco mais de identidade e saber dosar esse trilho chamado Prog Metal ou Rock Progressivo.

Links:

Formação:
Ian Ge Eff - Vocais, baixo
Vicente Telles - Vocais, guitarras
Giuseppe Oppelt - Guitarras
Rafael Severo – Bateria

Tracklist:
1. Role Model
2. Bordado
3. Império
4. Incertezas

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Savatage: Relançamentos e Novo Trabalho de Jon Oliva



Já que reiteradas vezes Jon Oliva afirmou que é impossível uma volta do Savatage, apesar de lá no fundo os fãs ainda nutrirem esperança (quem sabe alguns shows em festivais para um derradeiro vídeo? algo que essa grande banda e os fãs mereciam), resta, por hora, comemorar a boa música que o mestre Oliva e também alguns outros membros da "família Savatage" continuam produzindo.

Recentemente, após o baque da morte de seu amigo e companheiro de Jon Oliva's Pain, Matt Laporte, Oliva confessou ter ficado um pouco confuso quanto ao futuro da banda, e algumas semanas depois, em conversas com Dan Fasciano, sobre o que ele desejava fazer, Dan sugeriu que fossem ao seu estúdio, onde mostrou toneladas de canções inacabadas, e Jon Oliva achou isso interessante, pois ele também possuia muito material a concluir e partir daí começou a ser montado o que viria se tornar "Raise the Curtain".


Jon conta que chegaram a produzir cerca de 60 músicas num curto período, e sabia que esse álbum seria diferente. Além, de ser especial por conter a última composição ainda não lançada de seu irmão e companheiro de Savatage, Criss Oliva (falecido em 1993, vítima de acidente de carro), o álbum traz muitas influências de Jon, como o Rock Progressivo dos anos 70, e, claro, da música que produziu no Savatage e no Jon Oliva's Pain.

O álbum foi produzido por Tom Morris (Iced Earth, Sepultura, Demons and Wizards, Trans-Siberian Orchestra, Savatage, Cannibal Corpse, etc), no renomado Morrisound Studios, em Tampa, e possui 11 faixas e mais uma bônus track, e tem tudo para agradar aos fãs de Jon e do Savatage.


Já quanto a cultuada e amada banda criada por Oliva e Criss, o Savatage, a earMUSIC encerra o ciclo de relançamentos do icônco grupo americano, com esse, que talvez seja seu maior clássico, "Streets: A Rock Opera", um álbum revolucionário, onde a banda, em conjunto com seu eterno parceiro Paul O'neill, chegaram no balanço perfeito, da sonoridade já ensaiada em "Gutter Ballet", com essa versão trazendo muitos presentes aos fãs que sempre acompanharam o grande "Sava", trazendo as versões com as narrações, originalmente destinadas apenas para a versão Brodway. A data de lançamento está marcada para 27 de setembro

Além de faixas inéditas de áudio, essa edição trará DVD com vídeos restaurados a partir das fitas originais, além de um encarte com texto escrito por Jon Oliva, relatando fatos dessa época.

Vale destacar a faixa "Larry Elbows", que não saiu na versão original do álbum devido aos prazos para finalização e lançamento do trabalho, e agora está finalmente disponível aos fãs.
Além dessa faixa inédita, das narrações e dos vídeos, os fãs encontrarão uma versão acústica instrumental de "Voyage", faixas ao vivo e a versão para piano de "Sleep".


Dois belos lançamentos para preencher, pelo menos um pouquinho, a lacuna deixada pelo Savatage no coração dos fãs.

Uma pena que a banda não tenha alcançado à época, um sucesso comercial maior que a sustentasse e desse suporte suficiente aos músicos, algo que os trabalhos atuais dos integrantes, como suas bandas solo ou com o Trans-Siberian Orchestra, principalmente, tornaram possíveis. Difícil conseguir entender ou explicar o porque da banda não ter conseguido continuar. Bom, a esperança é a última que morre, e essa bem sucedida iniciativa dos relançamentos, quem sabe possa ajudar.

Texto/Edição: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Outros Recomendados:
-Savatage: Still the Orchestra Plays (Coletânea dupla, contendo DVD do show no Japão, durante a tour do "Handful of Rain", antes disponível só em VHS)
-Trans-Siberian Orchestra: Night Castle (Mais recente trabalho do grupo, que conta com vários músicos que fizeram parte da família Savatage, seja nas gravações dos álbuns, ou nos shows ao vivo)

Abaixo, as faixas do relançamento de "Streets":

CD "Streets: A Rock Opera: Narrated Version"

01. Streets
02. Narration To "Jesus"
03. Jesus Saves (Original Version)
04. Narration To "Tonight He Grins Again"
05. Tonight He Grins Again
06. Narration To "Strange Reality"
07. Strange Reality
08. Narration To "A Little Too Far"
09. A Little Too Far
10. Narration To "You're Alive"
11. You're Alive
12. Narration To "Sammy And Tex"
13. Sammy And Tex
14. Narration To "St. Patrick's"
15. St. Patrick's
16. Narration To "Can You Hear Me Now"
17. Can You Hear Me Now
18. Narration To "New York City Don't Mean Nothing"
19. New York City Don't Mean Nothing
20. Narration To "Ghost In The Ruins"
21. Ghost In The Ruins
22. Narration To "If I Go Away"
23. If I Go Away
24. Narration To "Agony And Ecstasy"
25. Agony And Ecstasy
26. Narration To "Heal My Soul"
27. Heal My Soul
28. Narration To "Somewhere In Time
29. Somewhere In Time
30. Believe

Bonus Track

31. Larry Elbows (previously unreleased)


DVD The Video Collection

01. Hall Of The Mountain King
02. 24 Hrs. Ago
03. Gutter Ballet
04. When The Crowds Are Gone
05. Jesus Saves
06. Edge Of Thorns
07. Sleep
08. Handful Of Rain
09. One Child

Bonus Audio Tracks

01. Sleep (piano version)
02. Stare Into The Sun (Live In Japan)
03. Conversation Piece (Live In Japan)
04. Voyage (Al Pitrelli acoustic instrumental)
05. Shotgun Innocence

06. Forever After


Savatage Site Oficial
Jon Oliva Site Oficial
Chris Caffery
Trans-Siberian Orchestra
Circle II Circle