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sábado, 8 de novembro de 2025

Volúpia: "Déjà Vu", a Chama Não se Apaga

 


A história da Volúpia é daquelas que parecem saídas diretamente dos capítulos esquecidos do metal brasileiro. Formada no Rio Grande do Sul nos anos 80, época em que havia aquela vertente do Hard e Metal com letras em português , e aqui se destacavam o Astaroth e Câmbio Negro, por exemplo.

Porém, devido àquelas dificuldades que todos conhecemos no meio Metal e underground, como a falta de estrutura, apoio, recursos…tudo ainda mais complicado naquela época, a Volúpia acabou sucumbindo ao destino de tantos nomes promissores da cena e entrou em um longo hiato.


Mas a chama não se apagou, ficou aguardando ser alimentada para enfim voltar a arder. Em 2016 a Volúpia retorna reformulada e disposta a registrar o material produzido durante sua história, e claro, voltar aos palcos.

Após alguns singles e vídeo, a banda entrega finalmente seu primeiro full-length, “Deja Vu”, um disco que faz jus à espera e carrega o peso da história com orgulho. O título é certeiro: ouvir o álbum é sentir que o tempo nunca apagou a chama,  apenas a deixou amadurecer.

O debut traz 11 faixas de um Hard/Heavy vigoroso e de refrãos marcantes, com as músicas que foram compostas em épocas distintas, porém soando atuais. As letras trazem temas pessoais, sociais e do cotidiano.


Após a intro instrumental que leva o nome do álbum,  temos a paulada “Rebelião”, com riffs afiados estilo NWOBHM, cozinha pesada, vocal enérgico e uma letra que reflete a insatisfação de quem nunca se conformou. É um começo que vibra como manifesto e anuncia que o Metal feito no sul segue vivo e pulsante.

“Poderes e Forças”, vem na sequência e mantém a adrenalina alta. Com uma letra bem atual, falando sobre os poderes que as “telas” podem exercer sobre as pessoas. Hard vigoroso, com melodias e refrão marcantes. 

“Brilho de Luz” é outro destaque, sendo inclusive escolhida para ser o vídeo de divulgação. Balanceamento muito bem equilibrado de Hard e Metal, trazendo ênfase nas melodias e o acréscimo de teclados de fundo. Cadenciada, melodiosa e pesada é daquele tipo que funciona muito bem ao vivo, inclusive com aqueles trechos típicos que convidam o público a cantar junto.


Destaco também “A Noite”, a qual traz um clima mais sombrio e introspectivo. A canção mistura melodia e peso, evocando o melhor do hard/heavy brasileiro dos anos 80. O refrão, carregado de emoção, e o riff principal, são daqueles que ficam ecoando na cabeça. E tenho que enfatizar o trabalho de guitarras de Luciano, seja no riff marcante e direto, como nos solos e trechos introspectivos e viajantes.

E o Rock/Hard vibrante e de sonoridade alto astral de “Lembranças”, tem nuances do rock gaúcho dos anos 80, mas com mais peso, seguida por “Rolando no Asfalto”, faixa mais acelerada e mais acessível, mostrando que a Volúpia entrega uma diversidade bem legal, transitando pelo Hard, Heavy Metal e Rock Pesado.

“Deja Vu” é um álbum direto e sem exageros, valorizando o som orgânico. Guitarras com timbre quente, refrãos marcantes, baixo pulsante e bateria consistente sustentam um vocal cheio de personalidade. O resultado é um disco honesto, vibrante e com alma, algo cada vez mais raro.  

Texto: Carlos Garcia 
Fotos: Divulgação


Volúpia é:
César "Five" Louis: bateria
Luciano Reis: guitarra
Marco Canto: vocal 
Ricardo Lampert: baixo

Faixas:
Déjà Vu 
Rebelião 
Poderes e Forças 
Brilho de Luz 
Último Entardecer 
Louca Juventude 
A Noite 
Filme Antigo 
Lembranças 
Rolando no Asfalto
Adrenalina 







domingo, 7 de agosto de 2022

FullRage: raiva, técnica e qualidade

Por: Renato Sanson

Uma formação clássica que gera discos clássicos sempre será reverenciada. Exemplos temos aos montes, principalmente de bandas que retornam com essas formações ou incorporam parte dela no line up atual.

Falar do Leviaethan e de sua formação clássica que lançou os antológicos “Smile” (1990) e “Disturbed Mind” (1992) é praticamente uma heresia, pois são obras consolidadas que todo headbanger que se preze tem que conhecer e ter em sua coleção.

Pois bem, essa formação (não contando apenas com o finado guitarrista Alexandre Colleti) resolveu voltar ao estúdio, mas não como Leviaethan, mas sim como FullRage para nos destilar uma dose cavalar de Thrash Metal com seu Debut, “Resurrection Denied” (21).

Em suas lacunas temos o trio clássico: Flavio Soares, Carlos Lots e Danilo Pizzato. Com a adição do baixista e não menos lenda Marcelo Cougo, já que nesse álbum em questão Flavio ficou a cargo somente dos vocais.

E que excelentes linhas vocais “Resurrection Denied” apresentam. Seja pela ferocidade ou pelas melodias das linhas que casam perfeitamente com o instrumental técnico e agressivo da bolacha. Uma curiosidade, Flavio gravou as vozes alguns meses após ter se curado da Covid-19 e mostrou que o pulmão está a todo vapor!

Para embalar as linhas de vozes temos a guitarra de Lots que exala riffs e mais riffs monstruosos, assim como solos virtuosos que se encaixam a proposta e as batidas não menos técnicas e agressivas de Danilo Pizzato, com Cougo segurando a bronca com o grave de seu baixo que soa mais como um trovão de tanto peso.

Thrash Metal no mais alto nível, mas sem soar datado. A produção feita por Renato Osório tira o melhor do quarteto com timbres e peso adequados. Deixando tudo ainda mais grandioso. Méritos também da mixagem e masterização feita por Benhur Lima.

Todo esse cuidado sonoro resplandeceu na parte gráfica e seu layout. Tendo a arte concebida pelo genial Marcelo Vasco. Impactante e atemporal. Embrulhado em um Slipcase envernizado que te permite escolher o logo em duas cores: roxo ou verde.

Um dos melhores álbuns de 2021 com toda a certeza, pois você aperta o play e não para de bangear um só minuto. Que voltem ao estúdio o quanto antes e continuem nos presenteando com essas maravilhas sonoras!


Links:

https://www.facebook.com/fullrageofficial

 

 

 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carniça: evolutivo e despejando a podridão de um país

Resenha por: Renato Sanson 

Após cinco anos de seu último lançamento, eis que os gaúchos da Carniça nos brindam com seu 5° álbum de estúdio o poderoso “A New Medium Ages”. Produzido pela própria banda tendo a mixagem feita no From Hell Studio, por Henrique Fioravanti temos uma produção apurada e atual ainda que a veia old school possa imperar, a Carniça não se limita e nos apresenta um Thrash/Death Metal mais evoluído e não parado no tempo.

As composições soam enérgicas e cheias de estruturas marcantes, principalmente as melodias que se destacam da guitarra de Parahim Neto. Sem contar os riffs animalescos e pesados, que fazem dupla perfeita ao trator chamado Marlo Lustosa na bateria e ao estreante Kaue Muller nos graves, que segura muito bem a bronca. As vocalizações de Mauriano soam mais diversificadas não perdendo a agressividade, dando um toque a mais ao som.

Em termos gerais, a Carniça estabeleceu nesses 31 anos de estrada uma sonoridade bem peculiar é apertar o play e identificar logo de cara de quem se trata e isso é para poucos. Entre os destaques posso citar: “Dogs of War” (brutal), “País Sem Salvação” (com uma letra atemporal e marcante), “A New Medium Ages” (prestem atenção nesses riffs) e “Sexual Perverted” (uma letra soturna em volta de criminosos pervertidos soltos, com a dupla Mauriano e Marlo despejando raiva em seus instrumentos).

Um dos melhores lançamentos do estilo em 2022 e pode-se ser considerado o melhor trabalho da Carniça até o momento, pois os gaúchos não param de evoluir e sempre nos apresentam materiais de extrema qualidade.

Ainda há tempo de mencionar a bela intro que abre os trabalhos -“Intro The Dark”- dando um clima mais que especial a destruição apocalíptica que viria, com teclados muito bem colocados de Ramon Oliveira (Doc Jones) e a bela arte gráfica que permeia o material criada pelo excelente artista Alcides Burns. Um material gráfico de alto nível com uma capa que merecia um vinil!

Sem mais delongas, adquira sua cópia, ouça nas plataformas digitais e aprecie uma das melhores bandas do Metal nacional.

 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Nasty N’ Loaded: honesto e empolgante

Resenha por: Renato Sanson


Ao meio de tantas bandas que querem soar técnicas, inovadoras e desprendida de rótulos acabamos tendo diversos Fransksteins. Alguns funcionam, outros nem tanto e muitos são inaudíveis.

Reinventar a roda muitos tentam, mas para que? Manter suas influencias e origens pode não trazer novidades, mas sim músicas de qualidade e muito feeling, e é isso que os gaúchos de Rio Grande da Nasty N’ Loaded nos apresentam.

Sem novidades, regado a muitos riffs pegajosos e uma levada Heavy/Hard apimentada com grandes momentos, o que faz toda a diferença para o seu Debut.

O álbum homônimo lançado em 2020, traz influencias desde os anos 70 e o Punk nervoso desta época, ao Hard mais farofa e enérgico dos anos 80. Tudo misturado com aquela pitada metálica dando o peso e sintonia impar para as composições. Mesmo por se tratar de um lançamento calcado no Hard, não temos as famigeradas e enjoativas baladas obrigatórias do estilo (graças a Odin), deixando o disco mais fluido e agressivo.

A abertura com “All Fired Up” já mostra todos esses elementos e com um riff que gruda na cabeça assim como seu refrão. Se tem algo que podemos dizer da Nasty N’ Loaded é o seu poder de feeling e de criar passagens que grudam em seu cérebro, já que a bolacha como um todo soa marcante que faz você sair cantarolando após algumas audições, como em “She’s On Fire”, “Dreamaker” ou “Free on the Road”.

A tônica aqui é soar sujo, agressivo e rebelde transbordando energia e muita característica, não tendo medo de soar datado e apostando na simplicidade.

Um ponto de melhora fica para a produção, que, soa seca demais e que poderia ser melhor polida o que deixaria a sonoridade mais orgânica e coesa.

No mais, musicalmente honesto e empolgante.

 

Links:

https://www.instagram.com/nastynloaded/

https://www.facebook.com/nastynloaded/

https://www.youtube.com/channel/UCAZSUavCdXXtZ7P2ec9OSMw

 

Formação:

Miro Cheyenne (vocal)

Barba Negra (guitarra)

Leandro Sabbath (bateria)

Maikão (baixo)


Tracklist:

01 All Fired Up

02 Devil’s Blonde

03 Free on the Road

04 Ball and Chain

05 Stay Wild

06 She’s on Fire

07 Nasty N’ Loaded

08 Dreamaker

09 I Play with your Desire

10 Cold Kiss

 

 

 

 

segunda-feira, 22 de março de 2021

Dark New Farm: Você escuta “Farm News” e a única coisa que vem à cabeça é: METAL

Resenha por: Renato Sanson

O intuito era o Nu Metal, mas os catarinenses da Dark New Farm foram além e se deram conta disso já nos primeiros ensaios, apresentando uma musicalidade Metal com diversas influencias, mas não pense naquele emaranhado de notas ou estilos sobrepostos nas composições. Você escuta “Farm News” (19) e a única coisa que vem à cabeça é: METAL. Simples assim, influencias de Thrash, Death e até New Metal são perceptíveis, mas não deixa de ser um excelente disco de Heavy Metal!

O peso e agressividade são latentes, e o que casa muito bem com a banda é o quanto são homogêneos, não há demonstração de técnica individual ou mirabolismos sonoros, a simplicidade é o carro chefe, mas de uma forma que podemos dizer única, pois você os escuta e percebe a identidade própria da Dark New Farm.

Entenda o que estou falando ao ouvir “Madre” um começo mais old school com um riff bem marcante e vocais urrados sinistros, para ter uma quebra de tempo com vocais mais rasgados (a lá Mille Petrozza do Kreator), com um interlúdio de teclado belíssimo em sua parte final antes do peso e violência retornar aos nossos ouvidos. Mas tudo isso de uma forma simples e funcional, não deixando o ouvinte confuso, pequenas nuances alternativas que seguem a mesma linha, mostrando muita criatividade.

A produção do EP é excelente, pesada, limpa e com os instrumentos bem na cara, sem falhas. Se entrelaçando com uma arte bem-humorada que te deixa curioso para apertar o play.

As letras de “Farm News” também se destacam e trazem fortes críticas a nossa sociedade hipócrita, como em “L.O.V.E.” e sua crítica a homofobia.

Além do inglês e das variações vocais que transitam entre linhas distintas, a banda também agrega a língua pátria e o espanhol, dando maiores possibilidades para sua sonoridade.

Como são três línguas a proposta da banda, quem sabe um pequeno cuidado com a dicção (não vamos ser hipócritas, não é? Pois quantas bandas alemãs, suecas e italianas você escuta com dicção duvidosa?), mas nada que interfira no resultado final deste belo material.

As “imperfeições” fazem parte justamente para não serem perfeitas, mas apenas lapidadas. E isso me anima em muito na Dark New Farm, porque os caras já chegaram com o pé na porta e mostrando ao que vieram, imagina agora quando irem se lapidando com o tempo!

 

Formação:

Harley (vocal)

Maykon (bateria)

Sol (guitarra)

Vinicius (baixo)

 

Links:

https://www.facebook.com/DarkNewFarm

https://www.youtube.com/channel/UC9YrqvQAMZ44Wa6X7qXlytA

https://www.instagram.com/DarkNewFarm/

 

 

domingo, 24 de janeiro de 2021

Living Metal: mais Judas que o próprio Judas

 

Resenha por: Renato Sanson

Se muitos ainda se prendem aos anos 80 não gostando da certa modernização do Heavy Metal é porque verdade seja dita: energia, riffs “cantados” e muito feeling é o que nos chamam a atenção no glorioso e eterno Metal!

Com esta batida e o lema: “Hail the true Metal and Fuck all the Posers” nasceu em meados de 2018 a banda paulista Living Metal, capitaneada pelo guitarrista Rafael Romanelli (Zumbis do Espaço) para no mesmo ano nos brindar com o EP homônimo e trazendo muito Heavy Tradicional e os clichês que tanto amamos do estilo.

Aqui não há espaço para modernidades ou inovações, mas sim, um belo tributo ao verdadeiro Metal oitentista, soando tão ou até mais que o próprio Judas Priest ou Manowar (hahaha ouça e comprove!).

A abertura com “Are You Ready For Metal?” climatiza para o que iremos nos deparar, e o que vem a seguir poderia ser muito bem a trilha sonora da devastação de qualquer batalha do grande Conan, pois “Living For Metal” deixa o cheiro do aço da espada exalado ao final da mesma, com seus riffs pegajosos e suas belas dobradinhas de guitarras, sem contar o refrão no melhor estilo Manowar.

Mas o título desta matéria não é à toa, já que os caras conseguem ser mais true que o próprio Judas em seu começo de carreira, é ouvir “Fire On Two Wheels” e “Back To The 80'S” e ter em mente o gelo seco e jaquetas com tachinhas, já que a cada riff, melodia e refrão jogado aos céus, é um novo patch que você sente vontade de colocar em seu colete, deixando aquela sensação incontrolável de ir a algum show com todos os seus apetrechos.

Mas nem só de Judas vivem, “Hail! The True Metal (Will Never Die)” vem no melhor estilo Manowar e soa como uma batalha insana e sangrenta entre bárbaros. Vale citar as belas linhas vocais de Pedro Zupo soando agressivo, mas com ótimas melodias adicionais deixando o trabalho em si ainda mais referenciado e característico.

A produção do EP ficou a cargo do produtor Rafael Augusto Lopes que soube usar muito bem todos os timbres deixando a sonoridade datada e extremamente cativante, como se você estivesse entrado em uma máquina do tempo e retornado ao passado dourado do Heavy Metal.

Em sua gravação “Living Metal” contou com a adição do baterista Amilcar Cristófaro (Torture Squad) e Fernanda Lira (Crypta) nas vozes femininas adicionais, sendo que o baixo também ficou a cargo de Rafael.

Se você é um saudosista do Heavy oitentista e sente saudade de todo aquele clima e áurea magica, aqui está a sua banda, pois é impossível ouvir e não sair cantarolando as melodias e os refrões com os punhos erguidos a Odin. Escute sem moderação e viva ao Heavy Metal old school!  


Tracklist:

1. Are You Ready For Metal?

2. Living For Metal

3. Fire On Two Wheels

4. Back To The 80'S

5. Hail! The True Metal (Will Never Die)

6. Rocka Rolla (Judas Priest cover)

 

Formação que gravou o EP:

Rafael Romanelli – guitarra/baixo

Pedro Zupo – vocal

Amilcar Cristófaro – bateria

 Fernanda Lira – voz feminina adicional


Formação atual:

Pedro Zupo – vocal

Rafael Romanelli – guitarra

Jonas – guitarra

João Ribeiro– baixo       

Jean Praeli – bateria


Links:

https://www.youtube.com/watch?v=BxRZuNK1WV4&ab_channel=LivingMetal-Band

https://www.facebook.com/LivingMetalOfficial

https://www.instagram.com/livingmetal_official/

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

Lalssu: enigmático, profundo e desafiador

Resenha por: Renato Sanson

A complexidade e variações não se dão apenas nos estilos menos extremos, se não de certa forma, não teríamos bandas como os noruegueses do Enslaved ou os cariocas do As Dramatic Homage. Onde expressam todo o lado progressivo e Avant-Garde ao meio do caos sonoro.

Vindo nessa vertente, temos o projeto Lalssu do multi-instrumentista paulistano Fernando Iser (Malecidction 666), que em 2020 lançou o seu segundo disco o fabuloso “The Elements”.

Tendo como base o Black Metal influenciado pela escola grega “The Elements” vem carregado de ótimas melodias, variações complexas e um conceito lírico desafiador. Já que o álbum em si, trata de uma reestruturação pessoal, através dos elementos da natureza e o poder de se reinventar.

Como temos composições maiores que o normal as alternâncias são constantes, desde vocais limpos a coros que estão presentes, mas sem perder sua característica trazendo muito feeling e momentos super marcantes. Os riffs soam intrincados e casam perfeitamente com essa dose progressiva e Avant-Garde das lacunas de cada composição, deixando o material único.

Não pense que as transmutações em si o transformam em algo cansativo, muito pelo contrário, soa autentico e viciante, quando você se dá por conta já ouviu a bolacha várias vezes e com aquele gosto de surpresa a cada ouvida, pois os elementos presentes nas composições são descobertos a cada nova audição.

Em meio a tanta qualidade não podemos deixar de mencionar a bela arte do álbum e o capricho de seu Digipack luxuoso. A produção soa milimetricamente equilibrada, limpa, mas suja ao mesmo tempo e com muito peso, não destoando dos momentos mais melodiosos.

Posso descrever “The Elements” como o melhor disco nacional de Heavy Metal de 2020. Se você dúvida, escute e tire suas próprias conclusões!

 

Tracklist:

01 Etherial

02 The Betrayer From the Ocean (Feat. Yasmin Fachinelli from Márva)

03 Volcanic Echoes (Feat. Luis Carlos Lousada from Vulcano)

04 Dancing with the Devil (Feat. Wagner Neves from Necrosound)

05 Sands of Time

06 Enlil

Bônus:

Artemis (Kawir)

The Stallion (Bathory)

 

https://www.youtube.com/user/FernandoIser/videos

 

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Bestial: bestialmente empolgante

Resenha por: Renato Sanson

Existem bandas em nosso underground que quando mencionadas sempre geram uma certa comoção e respeito, mesmo que não sigam tão ativas, mas sempre são lembradas e reverenciadas.

Com os gaúchos do Bestial não é diferente, ainda que se mantivessem extremamente ativos no começo dos anos 2000, algumas pausas geraram incertezas, até que em 2015 o novo trabalho tomou forma e nos traz o amargo e poderoso “Hellfuckdominium XXI” (3° trabalho até o momento).

Se distanciando do Black Metal lá no começo da carreira e apostando mais no Death Metal, o que caiu muito bem para a estética sonora, lembrando em alguns momentos o saudoso Angelcorpse.

Claro que o Black Metal ainda existe em sua musicalidade, mas não tão aguçado e abrindo espaço também para o Thrash, onde o casamento de estilos se mostra homogêneo e extremamente brutal e doentio.

A produção do EP ficou a cargo do já renomado Fábio Lentino e a qualidade é mais que latente. Os timbres muito bem encaixados e claros, mas sem perder o peso e agressividade.

Em termos de agressividade não teria como não mencionar a capa deste trabalho, vindo em um Digipack de luxo envernizado, mostrando toda a agonia e repudio que o Bestial expressa em suas letras contra os dogmas e religiões, impactante e sinistra!

Já se passaram cinco anos deste trabalho, que soa autentico e extremamente atual. São apenas quatro faixas (sem contar a intro) e que nos deixa com aquela sensação de, que, queremos mais, pois esse novo Bestial se consolidará ainda mais no underground nacional se manter essa pegada absurda.

 

Tracklist:

1. Bestial Introduction (intro)

2. Atomic Blazing Ejaculation

3. Lascivious Possessor

4. Rising Vengeance Flag

5. Warm and Swollen Raw Leather

 

Formação:

A. Chuckill (Vocal/Baixo)

V. Alex (Guitarra)

Ed. Storm (Guitarra)

Daniel (Bateria)


Links:

https://www.facebook.com/BESTIALOFFICIAL

https://www.youtube.com/channel/UCzdUTrGbqgbPXKN-Z2-pzkQ

 

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dune Hill: [...]um lançamento que você ficará semanas escutando e apreciando cada detalhe

Resenha por: Renato Sanson


Se em “White Sands” (14) o Dune Hill apostava forte em um Hard Rock bem melodioso, em “Song of Seikilos” (19 – segundo álbum da carreira) a tônica é bem diferente, pois o que temos aqui é uma sonoridade moderna, pesada e ousada.

A começar pelo conceito do disco, que traz como tema o amor entre duas mulheres que tentam sobreviver a enxurrada de preconceitos e críticas ao decorrer de várias épocas, expressado minuciosamente na bela arte de capa criada pelo artista Rodrigo Basto Didier.

Mas de nada disso adiantaria se a musicalidade não fosse grandiosa, e é aí que os recifenses ganham o ouvinte, pois após a bela intro que leva o nome da bolacha recitando lindamente um poema grego antigo, temos uma inundação de riffs, peso e melodias desafiadoras.

Por ser um trabalho conceitual as faixas variam as suas emoções, como em “Set Your Free” que vem para arrancar o seu pescoço ou a monstruosa e enigmática “The Mirror”, que conta a participação do eterno maestro Andre Matos.

A produção realizada por Antônio Araújo (Korzus) tirou o melhor da banda e deixou suas lacunas fortes e cheias de vida. Claro que esse exímio guitarrista – assim como produtor – não poderia ficar de fora desse grande lançamento, participando da belíssima “The Last Night”.

O Dune Hill nos apresenta um novo patamar e um lançamento que você ficará semanas escutando e apreciando cada detalhe.

 

Links:

https://open.spotify.com/artist/4TsPCSpEOGDTDwkJBpnK1Q

https://www.instagram.com/dunehilloficial/?hl=pt-br


Tracklist:

01 Song Of Seikilos

02 Dune Hill

03 Set You Free

04 Addiction

05 God’s Delivering

06 Absalom’s Blues

07 South

08 The Mirror (feat André Matos)

09 Eldorado

10 The Last Night (feat Antônio Araújo)

11 Hypnos And Thanatos

12 Ending Dawn

13 Queen’s Road


Formação:

Leonardo Trevas – vocal

Otto Notaro – bateria

Pedro Maia – baixo

Felipe Calado – guitarra

André Pontes – guitarra

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Brutal Morticínio: uma aula de história em formato extremo

Resenha por: Renato Sanson

A ideia do Black Metal cantado em português e retratando uma realidade histórica pouco difundida, traz esse diferencial necessário liricamente, indo na contramão e deixando o excesso de blasfêmias e xingamentos de lado e sim focando nas conquistas europeias em cima do povo sul-americano, onde muita tortura, escravidão e mortes ocorreram sem limites.

Esse é o Brutal Morticínio, que nos apresenta em seu segundo lançamento – Os Obsessores Espíritos das Florestas Austrais (14) – uma continuidade muito bem esmerada de seu Debut (“Despertar dos Chacais... Outono dos Povos – 11), apresentando uma temática lírica em volta do povo sul-americano dizimado pelos europeus com uma sonoridade ríspida, mas que aqui ganha novos elementos.

Se em outrora o Brutal Morticínio investia em um Black Metal mais atmosférico e técnico, aqui temos boas doses de melodias soturnas se entrelaçando com o Depressive Black Metal, e com boas nuances da obscuridade do Heavy Metal tradicional, transbordando muito feeling e momentos marcantes.

A produção mais apurada também engrandece sua sonoridade com muito peso e os instrumentos individualmente soando como navalhas cortantes em prol do som extremo.

Um álbum que infelizmente foi muito pouco comentado na época de seu lançamento, porém não deixa de ser mais um marco para a cena gaúcha e underground, pois os gaúchos de Novo Hamburgo mostraram novamente que é possível fazer um som autentico e diferenciado, nos dando ainda de brinde uma bela aula de história em suas letras.

 

Links:

https://www.facebook.com/BrutalMorticinio

 

Formação:

Tormento (vocal/guitarra)

Mielikki (baixo)

André Rodrigues (bateria)

 

TRACK LIST:

1. Intro

2. Não Darei A Outra Face

3. Para O Eterno Sofrimento De Cuauthemoc

4. Evocando Os Espíritos Obsessores Das Florestas Austrais

5. Vingança Ancentral

6. Anacrônico Tempo, Obsolescência Da História

Bonus Tracks:

7. Densas Névoas Das Profundezas

8. Estúpido E Podre Homem Branco Cristão

 

sábado, 5 de setembro de 2020

Malediction 666: Não se limitando somente a rispidez do estilo

Resenha por: Renato Sanson

Estando na ativa desde o final dos anos 90, o duo extremo do Malediction 666 vem brindando o necro underground com o seu Black Metal agressivo e muito bem trabalhado. Não se limitando somente a rispidez do estilo, mas apresentando boas doses de melodia que deixam suas composições marcantes.

Em 2019 os paulistanos lançaram o seu segundo disco oficial, “We, Demons”, com uma produção apuradíssima deixando todos os detalhes sonoramente bem equilibrados e muito peso, lembrando um pouco a fase mais atual do Varathron.

Falando nos gregos a de se mencionar a participação especial do saudoso Stephan Necroabyssious na faixa “Cursed Penumbra” e do lendário Sakis Tolis (Rotting Christ) na monstruosa “Unmasked Savior”.

O que chama muito a atenção na sonoridade do Malediction 666 é a grande diversificação de riffs e sem medo de apostar em ótimos solos, deixando seu Black Metal ainda mais grandioso, bebendo na fonte grega do estilo, mas mantendo suas características próprias.

Assim como os riffs e solos, as linhas vocais soturnas com guturais cavernosos dão aquele toque mais Doom junto as linhas de bateria que se diversificam ao meio do caos sonoro. A arte do trabalho também casa com a musicalidade apresentada, tons em cinza e preto com um layout e capa rico em detalhes.

Atualmente o Malediction 666 está trabalhando em seu novo álbum e agora se estabelece como um quarteto, e certamente teremos mais um grande lançamento assim como “We, Demons”.

 

Formação de “We, Demons”:

Fernando Iser (Vocal, Guitarra, Baixo)

Bruno Mastemas (Bateria)

 

Tracklist:

01 Before Times

02 We, Demons

03 From The Infernal Womb

04 Unmasked Savior

05 Summon The God Inside You

06 Portal

07 Forgotten Rage

08 Cursed Penumbra

09 Hail The Serpent King

10 Look Into The Eyes of Death

 

Links:

https://www.youtube.com/watch?v=HtDdFleBThU&feature=youtu.be

https://www.facebook.com/iser666/?ref=page_internal

 

Formação atual:

Fabio Falco (Baixo)

Fernando Iser (Guitarra/Vocal)

Kevin Bedra (Guitarra/Vocal)

Bruno Mastemas (Bateria)

 

domingo, 19 de julho de 2020

Segregatorum: melodioso, intrincado e soturno


Resenha por: Renato Sanson


O Doom Metal sempre teve aquele “pezinho” no Death Metal e quando misturados, a sinergia entre os estilos se torna latente. Podemos reparar isso nos grandes nomes dessa fusão como: November’s Doom, Paradise Lost e Moonspell.

Os gaúchos de Carlos Barbosa da Segregatorum são adeptos a tal “mistura” e apresentam em seu Debut – “Lemarchand's Dominus” (20) – um ótimo Death/Doom Metal regado a melodias soturnas, peso, passagens intrincadas e cadenciadas.

A influência de Paradise Lost é notável, assim como a dos portugueses do Moonspell, em especial nas linhas vocais, mas as estruturas das composições casam com tais influencias e é possível enxergar nitidamente a personalidade da banda em cada parede composicional.


As variações rítmicas chamam a atenção, a chuva de riffs e melodias são despejadas com muita naturalidade, e as alternâncias entre cadencia e certa fluidez mais ríspida tornam a audição rica em detalhes, não soando cansativa, mas sim diversificada. Porém nada disso seria possível se não tivéssemos uma produção de alto nível e “Lemarchand's Dominus” traz está excelente lapidação em suas lacunas, mas sem soar artificial. Méritos do produtor Ernani Savaris.

A parte gráfica da bolacha também se destaca, a capa em si desenvolvida pelo vocalista Lucas faz menção aos sete pecados capitais e toda forma de imperfeições e falhas humanas, casando perfeitamente com o tema lírico do álbum.

A Segregatorum marcha muito bem em sua estreia e já coloca o seu pelotão de frente pronto para a batalha, quem sabe se distanciando um pouco mais de suas influencias podem com toda a certeza alçar voos maiores.

Tracklist:
1 - Gli Scultori Di Carni
2 - Lemarchand’s Dominus
3 - We Have Eternity To Know Your Flesh
4 - Hex Ov N’Guize
5 - Purge Ov The Carnal Sins Through Transcendental Tortures
6 - Nemecic Inferi
7 - More Than Eyes Can See
8 - Nourished Wounds (Elysium part 1)
9 - Initium Dolorum
10 - Threnody

Links:


Formação:
Carlos Acosta - Bateria
Cristian Gedoz - Guitarra Solo
Lucas Carbonera - Baixo
Lucas Lazzarotto - Vocais
Luiz Felipe Flores - Guitarra Base

domingo, 12 de julho de 2020

Requiem’s Sathana: obscuro, experimental e brutal


Resenha por: Renato Sanson


O Black Metal em si é visto não apenas como um estilo musical, mas sim como uma filosofia de vida, trazendo o impacto em sua sonoridade ríspida com letras desafiadoras para muitos. Mas engana-se quem pensa que o estilo se limita, e muito já vimos o experimentalismo se aliar ao som negro e pútrido.

A Requiem’s Sathana de Novo Hamburgo do Rio Grande do Sul traz essa proposta, com a faceta do Black Metal, a velocidade do Death e o experimentalismo, com passagens intrincadas e progressivas, o que deixa o Debut autointitulado – lançado neste ano (20) – bem diversificado.

O trio gaúcho se uniu em 2017, porém experiência é o que não falta em suas lacunas já que os músicos são figurinhas carimbadas do underground extremo com passagens por bandas como: Bloodwork e Dyingbreed.

São apenas cinco faixas com o trabalho tendo a duração de um pouco mais de quarenta minutos, o que você já pode imaginar o que terá das composições ao apertar o play, pois esqueça aquele som sujo e muitas vezes tosco do Black Metal old school de meados dos anos 90, mas sim hinos longos e cheios de variações, tendo até mesmo flerte com o Heavy Metal Tradicional, mantendo a estética obscura, mas com diversificações que fazem toda a diferença em sua sonoridade que vai na contramão do estilo.

A produção do álbum é de alto nível e muito cristalina. Não deixando você perder nenhuma alternância entre as músicas, além é claro, do peso na dose certa para a proposta. A parte gráfica com uma arte em preto e branco traz essa obscuridade e intensidade que a Requiem’s Sathana mostra em sua musicalidade, casando perfeitamente com sua estética.

Fãs de Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost e afins, deleitem-se, pois é mais que um prato cheio.

Ótima estreia!


Links:

Formação:
Rex Mendax (baixo)
Rex Guture (vocal)
Rex Inferii (guitarra)

Tracklist:
01 Legion
02 Perfect Silence
03 Now It’s War
04 Mordgier
05 Requiem’s Sathana

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Initiate Decay: apocalipse sonoro em estado bruto


Resenha por: Renato Sanson


O ano era 2016 e quatro grandes nomes do underground extremo gaúcho se reuniram para compor juntos e trazerem à tona o que viria a ser o apocalipse sonoro chamado Initiate Decay.

Em suas lacunas os quatro cavaleiros do apocalipse: Aires Trajano (bateria – ex-In Torment e Mental Horror), Diego Araújo (guitarra/vocal – ex-Revogar), Alexandre Graessler (guitarra – In Torment) e Tiago Vargas (baixo/vocal – Carcinosi). Com um time desses já pode ter a ideia do Death Metal brutal, lapidado e insano que se moldaria.

Então em 2018 nascia o EP “Awaken the Extinction” produzido no estúdio Hurricane em Porto Alegre e trazendo três composições poderosas e dignas do currículo apresentado por seus músicos.

Com uma produção esmerada no peso a abertura com “Spreading latente hatred” mostra que o grupo não veio para brincadeiras velocidade, técnica e momentos mais cadenciados de puro peso e variações. Assim como em “Proliferation of Manipulated Perception” e a faixa que leva o nome do lançamento, mostrando ótimas dobras de vocais e estruturas de guitarras monstruosas, com o baixo seguindo insanamente as marretadas da bateria que alternam muito bem entre velocidade, cadencia e técnica apurada.

Em outras palavras: um super grupo de quem entende de Metal Extermo, com profusões técnicas e bem trabalhadas.

Agora é esperar pelo Debut, pois a certeza de qualidade é garantida!

Formação:
Aires Trajano (bateria)
Diego Araújo (guitarra/vocal)
Alexandre Graessler (guitarra)
Tiago Vargas (baixo/vocal)

Tracklist:
01 Spreading latente hatred
02 Proliferation of Manipulated Perception
03 Awaken the Extinction

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domingo, 14 de junho de 2020

Noldor: Death Metal Melódico técnico e apocalíptico


Resenha por: Renato Sanson


Sempre é bom se deparar com novas bandas surgindo do underground, e também é ótimo nos depararmos com bandas que já estão a um certo tempo na estrada destilando seu veneno metálico, como é o caso do Noldor de São Paulo, capitaneado pelo multi-instrumentista Patrick Marçal.

O Noldor chega em 2020 com seu 5° álbum de estúdio o interessante e diversificado “Banned from Light”, apostando no Death Metal Melódico, mas com estruturas altamente técnicas e agressivas.

Os riffs são extremamente empolgantes e as melodias surgem no momento certo, com vociferações screams/guturais insanas! As inclusões de alguns vocais líricos femininos surgem e dão um certo tom de dramaticidade as composições, o que deixa a musicalidade mais intensa.

A produção do trabalho é muito bem-feita, produzido e masterizado por Patrick em seu home-studio, deixando os instrumentos e variações climáticas (entre vocais líricos e teclados) na medida certa, sem destoar e apostando muito no peso.

São 9 faixas que mantem a homogeneidade em temas líricos abordados sobre distúrbios e problemas psíquicos, onde cada composição apresenta o seu clima individual, mas se entrelaçando como um todo no decorrer da audição.

Poderia dizer que o Noldor é uma grata surpresa do nosso underground, mas uma banda com 5 álbuns de estúdio já mostra mais que experiência e que merece maior reconhecimento por toda sua qualidade apresentada. Confira sem medo e surpreenda-se!


Links:

Streamings:

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Barbarity: a brutalidade da bárbarie e da não-vida



Para além dos gostos pessoais por podreiras (eu me incluo), seria clichê afirmar que a brutalidade é primal ao analisar o Brutal Death Metal qualitativamente. Justamente estou aqui tentando mostrar algum critério e penso que os clichês trabalham em extremos, aprimorando ou execrando o objeto. No caso de Barbarity temos o primeiro caso, de longe a banda se eleva dentro do estilo, é abissal a sua habilidade com a agressividade.

Os blast beats são muito bem colocados, os riffs são assassinos e o vocal é enfurecedor. No Brutal Death Metal é muito fina a variação do repertório sonoro nas músicas, é fácil uma banda soar mais do mesmo ou fazer com que você não lembre nenhuma música deles mesmo após ouvir várias vezes seu CD, isso não é demérito ao meu ver, – inclusive gosto, me sinto num loop eterno de destruição sem fim – mas não teria como não ser um mérito o som se sobressair e te marcar.

Barbarity não se esqueceu da variação necessária para uma referência ao peso extremo do som, há paradas e reduções dos andamentos, sem perder a brutalidade. Aí está a finesse dos Russos. Não estou falando que Brutal Death tem que ter progressividade, ao contrário, me parece que a banda tem mérito justamente porque percebeu que “menos é mais”, sem queimar riffs os caras te deram um prato cheio de barbaridade em Debut “Keeper of Oblivion” (2018).


Destaque para a faixa “Desfigured and Burnt”. É difícil encontrar uma banda com linhas de baixo tão enraizadas e guitarras tão ferozes em forma crua e integrada. Você sente que a música foi construída pelo baixo e que tudo parte deste peso inicial, ao ouvir você sabe que a banda funciona como um coletivo, o som é justamente o oposto daqueles sons super performáticos onde parece que cada instrumento foi para um lado e a música foi para a casa do baralho.

Outro som incrível é “When Heaven Turns Into Hell”, aqui você toma um coice de mula na fonte! A música é uma pedrada do começo ao fim, o espírito eslavo se deflagra aqui de forma devastadora nesse som, as dinâmicas lembram os momentos mais Death Metal do Sepultura com uma pitada BRUTAL. Os caras não pouparam nada.

Resenha por: Nicolas Quadros


Formação:
Roman – Vocals
Stephatred – Guitars
Bonif – Bass
Thanatoly – Drums


Tracklist:
1. Slave for the State    
2. Die in Bloodshed
3. Keeper of Oblivion
4. Suicide Is Not Weakness
5. Disfigured and Burnt
6. When Heaven Turns into Hell              
7. Under a Tombstone
8. VI
9. My Lonely Grave

Links:
barbarity.bandcamp.com

Instagram: @barbarityband

sábado, 16 de maio de 2020

Perpetual Fate: buscando sua identidade em um estilo já saturado



Estando na ativa desde 2015 os italianos de Padua lançaram em 2018 seu Debut, sob a tutela de “Cordis”, trazendo um bom Metal Alternativo com ótimas doses melódicas e apostando em uma abordagem moderna e mais sofisticada.  (English Version)

A emoção nas composições é algo a se destacar, seja pela bela voz da vocalista Maria Grazia, que soa doce e suave, ou também pela abordagem lírica que vai mais pelo lado emocional, trazendo sua visão introspectiva dos sentimentos, que casam perfeitamente com as belas climatizações de teclados e guitarras muito bem impostas, com doses de melodias e riffs intrincados.

A produção é cristalina e extremamente lapidada soando com menos peso, tendo uma abordagem mais soft, porém não perdendo a característica do Metal em si, mas que se tivesse mais peso o som certamente soaria mais imponente.

Mesmo tendo um estilo definido as composições variam bastante, como em “Mark Any Youth” que soa abusivamente (no bom sentido é claro) técnica e variada, fazendo um ótimo contraponto com “Cannibal” e sua emoção latente em cada nota. “The Land” também se destaca pelo seu lado mais épico e pelas participações dos vocalistas Michele Guaitoli (Visions of Atlantis) e Marco Pastorino (Temperance), assim como os refrões que grudam a primeira ouvida trazendo muita energia e drama.

Uma bela estreia onde mostram muita personalidade e não soando como mais do mesmo em um estilo já saturado e batido.

Resenha: Renato Sanson

Formação:
Maria Grazia (vocals)
Gianluca (guitar)
Massimiliano (guitar)
Diego (bass)
Marco (bateria)

Tracklist:
01 Rabbit Hole
02 Enslavement
03 Smothered
04 The Path (I See You)
05 Cannibal
06 Mark Any Youth
07 Rainfall
08 The Land (feat. Michele Guaitoli and Marco Pastorino)
09 Eternal Destiny
10 When They Cry
11 A Word Between You & Me

Links: