Fotos: Divulgação
sábado, 8 de novembro de 2025
Volúpia: "Déjà Vu", a Chama Não se Apaga
Fotos: Divulgação
domingo, 7 de agosto de 2022
FullRage: raiva, técnica e qualidade
Por: Renato Sanson
Uma formação clássica que gera discos clássicos sempre será reverenciada. Exemplos temos aos montes, principalmente de bandas que retornam com essas formações ou incorporam parte dela no line up atual.
Falar do Leviaethan e de sua formação clássica que lançou os antológicos “Smile” (1990) e “Disturbed Mind” (1992) é praticamente uma heresia, pois são obras consolidadas que todo headbanger que se preze tem que conhecer e ter em sua coleção.
Pois bem, essa formação (não contando apenas com o finado guitarrista Alexandre Colleti) resolveu voltar ao estúdio, mas não como Leviaethan, mas sim como FullRage para nos destilar uma dose cavalar de Thrash Metal com seu Debut, “Resurrection Denied” (21).
Em suas lacunas temos o trio clássico: Flavio Soares, Carlos Lots e Danilo Pizzato. Com a adição do baixista e não menos lenda Marcelo Cougo, já que nesse álbum em questão Flavio ficou a cargo somente dos vocais.
E que excelentes linhas vocais “Resurrection Denied” apresentam. Seja pela ferocidade ou pelas melodias das linhas que casam perfeitamente com o instrumental técnico e agressivo da bolacha. Uma curiosidade, Flavio gravou as vozes alguns meses após ter se curado da Covid-19 e mostrou que o pulmão está a todo vapor!
Para embalar as linhas de vozes temos a guitarra de Lots que exala riffs e mais riffs monstruosos, assim como solos virtuosos que se encaixam a proposta e as batidas não menos técnicas e agressivas de Danilo Pizzato, com Cougo segurando a bronca com o grave de seu baixo que soa mais como um trovão de tanto peso.
Thrash Metal no mais alto nível, mas sem soar datado. A produção feita por Renato Osório tira o melhor do quarteto com timbres e peso adequados. Deixando tudo ainda mais grandioso. Méritos também da mixagem e masterização feita por Benhur Lima.
Todo esse cuidado sonoro
resplandeceu na parte gráfica e seu layout. Tendo a arte concebida pelo genial
Marcelo Vasco. Impactante e atemporal. Embrulhado em um Slipcase envernizado
que te permite escolher o logo em duas cores: roxo ou verde.
Um dos melhores álbuns de 2021 com toda a certeza, pois você aperta o play e não para de bangear um só minuto. Que voltem ao estúdio o quanto antes e continuem nos presenteando com essas maravilhas sonoras!
Links:
https://www.facebook.com/fullrageofficial
quinta-feira, 16 de junho de 2022
Carniça: evolutivo e despejando a podridão de um país
Resenha por: Renato Sanson
Após cinco anos de seu último lançamento, eis que os gaúchos da Carniça nos brindam com seu 5° álbum de estúdio o poderoso “A New Medium Ages”. Produzido pela própria banda tendo a mixagem feita no From Hell Studio, por Henrique Fioravanti temos uma produção apurada e atual ainda que a veia old school possa imperar, a Carniça não se limita e nos apresenta um Thrash/Death Metal mais evoluído e não parado no tempo.
As composições soam enérgicas e cheias de estruturas marcantes, principalmente as melodias que se destacam da guitarra de Parahim Neto. Sem contar os riffs animalescos e pesados, que fazem dupla perfeita ao trator chamado Marlo Lustosa na bateria e ao estreante Kaue Muller nos graves, que segura muito bem a bronca. As vocalizações de Mauriano soam mais diversificadas não perdendo a agressividade, dando um toque a mais ao som.
Em termos gerais, a Carniça estabeleceu nesses 31 anos de estrada uma sonoridade bem peculiar é apertar o play e identificar logo de cara de quem se trata e isso é para poucos. Entre os destaques posso citar: “Dogs of War” (brutal), “País Sem Salvação” (com uma letra atemporal e marcante), “A New Medium Ages” (prestem atenção nesses riffs) e “Sexual Perverted” (uma letra soturna em volta de criminosos pervertidos soltos, com a dupla Mauriano e Marlo despejando raiva em seus instrumentos).
Um dos melhores lançamentos do estilo em 2022 e pode-se ser considerado o melhor trabalho da Carniça até o momento, pois os gaúchos não param de evoluir e sempre nos apresentam materiais de extrema qualidade.
Ainda há tempo de mencionar a bela intro que abre os trabalhos -“Intro The Dark”- dando um clima mais que especial a destruição apocalíptica que viria, com teclados muito bem colocados de Ramon Oliveira (Doc Jones) e a bela arte gráfica que permeia o material criada pelo excelente artista Alcides Burns. Um material gráfico de alto nível com uma capa que merecia um vinil!
Sem mais delongas, adquira sua cópia, ouça nas plataformas digitais e aprecie uma das melhores bandas do Metal nacional.
quarta-feira, 2 de junho de 2021
Nasty N’ Loaded: honesto e empolgante
Resenha por: Renato Sanson
Ao meio de tantas bandas que querem soar técnicas, inovadoras e desprendida de rótulos acabamos tendo diversos Fransksteins. Alguns funcionam, outros nem tanto e muitos são inaudíveis.
Reinventar a roda muitos tentam, mas para que? Manter suas influencias e origens pode não trazer novidades, mas sim músicas de qualidade e muito feeling, e é isso que os gaúchos de Rio Grande da Nasty N’ Loaded nos apresentam.
Sem novidades, regado a muitos riffs pegajosos e uma levada Heavy/Hard apimentada com grandes momentos, o que faz toda a diferença para o seu Debut.
O álbum homônimo lançado em 2020, traz influencias desde os anos 70 e o Punk nervoso desta época, ao Hard mais farofa e enérgico dos anos 80. Tudo misturado com aquela pitada metálica dando o peso e sintonia impar para as composições. Mesmo por se tratar de um lançamento calcado no Hard, não temos as famigeradas e enjoativas baladas obrigatórias do estilo (graças a Odin), deixando o disco mais fluido e agressivo.
A abertura com “All Fired Up” já mostra todos esses elementos e com um riff que gruda na cabeça assim como seu refrão. Se tem algo que podemos dizer da Nasty N’ Loaded é o seu poder de feeling e de criar passagens que grudam em seu cérebro, já que a bolacha como um todo soa marcante que faz você sair cantarolando após algumas audições, como em “She’s On Fire”, “Dreamaker” ou “Free on the Road”.
A tônica aqui é soar sujo, agressivo e rebelde transbordando energia e muita característica, não tendo medo de soar datado e apostando na simplicidade.
Um ponto de melhora fica para a produção, que, soa seca demais e que poderia ser melhor polida o que deixaria a sonoridade mais orgânica e coesa.
No mais, musicalmente honesto e empolgante.
Links:
https://www.instagram.com/nastynloaded/
https://www.facebook.com/nastynloaded/
https://www.youtube.com/channel/UCAZSUavCdXXtZ7P2ec9OSMw
Formação:
Miro Cheyenne (vocal)
Barba Negra (guitarra)
Leandro Sabbath (bateria)
Maikão (baixo)
Tracklist:
01 All Fired Up
02 Devil’s Blonde
03 Free on the Road
04 Ball and Chain
05 Stay Wild
06 She’s on Fire
07 Nasty N’ Loaded
08 Dreamaker
09 I Play with your Desire
10 Cold Kiss
segunda-feira, 22 de março de 2021
Dark New Farm: Você escuta “Farm News” e a única coisa que vem à cabeça é: METAL
Resenha por: Renato Sanson
O intuito era o Nu Metal, mas os
catarinenses da Dark New Farm foram além e se deram conta disso já nos
primeiros ensaios, apresentando uma musicalidade Metal com diversas
influencias, mas não pense naquele emaranhado de notas ou estilos sobrepostos nas
composições. Você escuta “Farm News” (19) e a única coisa que vem à cabeça é:
METAL. Simples assim, influencias de Thrash, Death e até New Metal são perceptíveis,
mas não deixa de ser um excelente disco de Heavy Metal!
O peso e agressividade são latentes, e o que casa muito bem com a banda é o quanto são homogêneos, não há demonstração de técnica individual ou mirabolismos sonoros, a simplicidade é o carro chefe, mas de uma forma que podemos dizer única, pois você os escuta e percebe a identidade própria da Dark New Farm.
Entenda o que estou falando ao ouvir “Madre” um começo mais old school com um riff bem marcante e vocais urrados sinistros, para ter uma quebra de tempo com vocais mais rasgados (a lá Mille Petrozza do Kreator), com um interlúdio de teclado belíssimo em sua parte final antes do peso e violência retornar aos nossos ouvidos. Mas tudo isso de uma forma simples e funcional, não deixando o ouvinte confuso, pequenas nuances alternativas que seguem a mesma linha, mostrando muita criatividade.
A produção do EP é excelente, pesada, limpa e com os instrumentos bem na cara, sem falhas. Se entrelaçando com uma arte bem-humorada que te deixa curioso para apertar o play.
As letras de “Farm News” também se destacam e trazem fortes críticas a nossa sociedade hipócrita, como em “L.O.V.E.” e sua crítica a homofobia.
Além do inglês e das variações vocais que transitam entre linhas distintas, a banda também agrega a língua pátria e o espanhol, dando maiores possibilidades para sua sonoridade.
Como são três línguas a proposta da banda, quem sabe um pequeno cuidado com a dicção (não vamos ser hipócritas, não é? Pois quantas bandas alemãs, suecas e italianas você escuta com dicção duvidosa?), mas nada que interfira no resultado final deste belo material.
As “imperfeições” fazem parte justamente para não serem perfeitas, mas apenas lapidadas. E isso me anima em muito na Dark New Farm, porque os caras já chegaram com o pé na porta e mostrando ao que vieram, imagina agora quando irem se lapidando com o tempo!
Formação:
Harley (vocal)
Maykon (bateria)
Sol (guitarra)
Vinicius (baixo)
Links:
https://www.facebook.com/DarkNewFarm
https://www.youtube.com/channel/UC9YrqvQAMZ44Wa6X7qXlytA
https://www.instagram.com/DarkNewFarm/
domingo, 24 de janeiro de 2021
Living Metal: mais Judas que o próprio Judas
Resenha por: Renato Sanson
Se muitos ainda se prendem aos anos 80 não gostando da certa modernização do Heavy Metal é porque verdade seja dita: energia, riffs “cantados” e muito feeling é o que nos chamam a atenção no glorioso e eterno Metal!
Com esta batida e o lema: “Hail the true Metal and Fuck all the Posers” nasceu em meados de 2018 a banda paulista Living Metal, capitaneada pelo guitarrista Rafael Romanelli (Zumbis do Espaço) para no mesmo ano nos brindar com o EP homônimo e trazendo muito Heavy Tradicional e os clichês que tanto amamos do estilo.
Aqui não há espaço para modernidades ou inovações, mas sim, um belo tributo ao verdadeiro Metal oitentista, soando tão ou até mais que o próprio Judas Priest ou Manowar (hahaha ouça e comprove!).
A abertura com “Are You Ready For Metal?” climatiza para o que iremos nos deparar, e o que vem a seguir poderia ser muito bem a trilha sonora da devastação de qualquer batalha do grande Conan, pois “Living For Metal” deixa o cheiro do aço da espada exalado ao final da mesma, com seus riffs pegajosos e suas belas dobradinhas de guitarras, sem contar o refrão no melhor estilo Manowar.
Mas o título desta matéria não é à toa, já que os caras conseguem ser mais true que o próprio Judas em seu começo de carreira, é ouvir “Fire On Two Wheels” e “Back To The 80'S” e ter em mente o gelo seco e jaquetas com tachinhas, já que a cada riff, melodia e refrão jogado aos céus, é um novo patch que você sente vontade de colocar em seu colete, deixando aquela sensação incontrolável de ir a algum show com todos os seus apetrechos.
Mas nem só de Judas vivem, “Hail! The True Metal (Will Never Die)” vem no melhor estilo Manowar e soa como uma batalha insana e sangrenta entre bárbaros. Vale citar as belas linhas vocais de Pedro Zupo soando agressivo, mas com ótimas melodias adicionais deixando o trabalho em si ainda mais referenciado e característico.
A produção do EP ficou a cargo do produtor Rafael Augusto Lopes que soube usar muito bem todos os timbres deixando a sonoridade datada e extremamente cativante, como se você estivesse entrado em uma máquina do tempo e retornado ao passado dourado do Heavy Metal.
Em sua gravação “Living Metal” contou com a adição do baterista Amilcar Cristófaro (Torture Squad) e Fernanda Lira (Crypta) nas vozes femininas adicionais, sendo que o baixo também ficou a cargo de Rafael.
Se você é um saudosista do Heavy
oitentista e sente saudade de todo aquele clima e áurea magica, aqui está a sua
banda, pois é impossível ouvir e não sair cantarolando as melodias e os refrões
com os punhos erguidos a Odin. Escute sem moderação e viva ao Heavy Metal old
school!
Tracklist:
1. Are You Ready For Metal?
2. Living For Metal
3. Fire On Two Wheels
4. Back To The 80'S
5. Hail! The True Metal (Will Never Die)
6. Rocka Rolla (Judas Priest cover)
Formação que gravou o EP:
Rafael Romanelli – guitarra/baixo
Pedro Zupo – vocal
Amilcar Cristófaro – bateria
Fernanda Lira – voz feminina adicional
Formação atual:
Pedro Zupo – vocal
Rafael Romanelli – guitarra
Jonas – guitarra
João Ribeiro– baixo
Jean Praeli – bateria
Links:
https://www.youtube.com/watch?v=BxRZuNK1WV4&ab_channel=LivingMetal-Band
https://www.facebook.com/LivingMetalOfficial
https://www.instagram.com/livingmetal_official/
domingo, 17 de janeiro de 2021
Lalssu: enigmático, profundo e desafiador
Resenha por: Renato Sanson
A complexidade e variações não se
dão apenas nos estilos menos extremos, se não de certa forma, não teríamos
bandas como os noruegueses do Enslaved ou os cariocas do As Dramatic Homage.
Onde expressam todo o lado progressivo e Avant-Garde ao meio do caos sonoro.
Vindo nessa vertente, temos o projeto Lalssu do multi-instrumentista paulistano Fernando Iser (Malecidction 666), que em 2020 lançou o seu segundo disco o fabuloso “The Elements”.
Tendo como base o Black Metal influenciado pela escola grega “The Elements” vem carregado de ótimas melodias, variações complexas e um conceito lírico desafiador. Já que o álbum em si, trata de uma reestruturação pessoal, através dos elementos da natureza e o poder de se reinventar.
Como temos composições maiores que o normal as alternâncias são constantes, desde vocais limpos a coros que estão presentes, mas sem perder sua característica trazendo muito feeling e momentos super marcantes. Os riffs soam intrincados e casam perfeitamente com essa dose progressiva e Avant-Garde das lacunas de cada composição, deixando o material único.
Não pense que as transmutações em si o transformam em algo cansativo, muito pelo contrário, soa autentico e viciante, quando você se dá por conta já ouviu a bolacha várias vezes e com aquele gosto de surpresa a cada ouvida, pois os elementos presentes nas composições são descobertos a cada nova audição.
Em meio a tanta qualidade não podemos deixar de mencionar a bela arte do álbum e o capricho de seu Digipack luxuoso. A produção soa milimetricamente equilibrada, limpa, mas suja ao mesmo tempo e com muito peso, não destoando dos momentos mais melodiosos.
Posso descrever “The Elements” como o melhor disco nacional de Heavy Metal de 2020. Se você dúvida, escute e tire suas próprias conclusões!
Tracklist:
01 Etherial
02 The Betrayer From the Ocean (Feat. Yasmin
Fachinelli from Márva)
03 Volcanic Echoes (Feat. Luis Carlos
Lousada from Vulcano)
04 Dancing with the Devil (Feat. Wagner Neves
from Necrosound)
05 Sands of Time
06 Enlil
Bônus:
Artemis (Kawir)
The Stallion (Bathory)
https://www.youtube.com/user/FernandoIser/videos
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
Bestial: bestialmente empolgante
Resenha por: Renato Sanson
Existem bandas em nosso underground que quando mencionadas sempre geram uma certa comoção e respeito, mesmo que não sigam tão ativas, mas sempre são lembradas e reverenciadas.
Com os gaúchos do Bestial não é diferente, ainda que se mantivessem extremamente ativos no começo dos anos 2000, algumas pausas geraram incertezas, até que em 2015 o novo trabalho tomou forma e nos traz o amargo e poderoso “Hellfuckdominium XXI” (3° trabalho até o momento).
Se distanciando do Black Metal lá no começo da carreira e apostando mais no Death Metal, o que caiu muito bem para a estética sonora, lembrando em alguns momentos o saudoso Angelcorpse.
Claro que o Black Metal ainda existe em sua musicalidade, mas não tão aguçado e abrindo espaço também para o Thrash, onde o casamento de estilos se mostra homogêneo e extremamente brutal e doentio.
A produção do EP ficou a cargo do já renomado Fábio Lentino e a qualidade é mais que latente. Os timbres muito bem encaixados e claros, mas sem perder o peso e agressividade.
Em termos de agressividade não teria como não mencionar a capa deste trabalho, vindo em um Digipack de luxo envernizado, mostrando toda a agonia e repudio que o Bestial expressa em suas letras contra os dogmas e religiões, impactante e sinistra!
Já se passaram cinco anos deste trabalho, que soa autentico e extremamente atual. São apenas quatro faixas (sem contar a intro) e que nos deixa com aquela sensação de, que, queremos mais, pois esse novo Bestial se consolidará ainda mais no underground nacional se manter essa pegada absurda.
Tracklist:
1. Bestial Introduction (intro)
2. Atomic Blazing Ejaculation
3. Lascivious Possessor
4. Rising Vengeance Flag
5. Warm and Swollen Raw Leather
Formação:
A. Chuckill (Vocal/Baixo)
V. Alex (Guitarra)
Ed. Storm (Guitarra)
Daniel (Bateria)
Links:
https://www.facebook.com/BESTIALOFFICIAL
https://www.youtube.com/channel/UCzdUTrGbqgbPXKN-Z2-pzkQ
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
Dune Hill: [...]um lançamento que você ficará semanas escutando e apreciando cada detalhe
Resenha por: Renato Sanson
A começar pelo conceito do disco, que traz como tema o amor entre duas mulheres que tentam sobreviver a enxurrada de preconceitos e críticas ao decorrer de várias épocas, expressado minuciosamente na bela arte de capa criada pelo artista Rodrigo Basto Didier.
Mas de nada disso adiantaria se a musicalidade não fosse grandiosa, e é aí que os recifenses ganham o ouvinte, pois após a bela intro que leva o nome da bolacha recitando lindamente um poema grego antigo, temos uma inundação de riffs, peso e melodias desafiadoras.
Por ser um trabalho conceitual as faixas variam as suas emoções, como em “Set Your Free” que vem para arrancar o seu pescoço ou a monstruosa e enigmática “The Mirror”, que conta a participação do eterno maestro Andre Matos.
A produção realizada por Antônio Araújo (Korzus) tirou o melhor da banda e deixou suas lacunas fortes e cheias de vida. Claro que esse exímio guitarrista – assim como produtor – não poderia ficar de fora desse grande lançamento, participando da belíssima “The Last Night”.
O Dune Hill nos apresenta um novo patamar e um lançamento que você ficará semanas escutando e apreciando cada detalhe.
Links:
https://open.spotify.com/artist/4TsPCSpEOGDTDwkJBpnK1Q
https://www.instagram.com/dunehilloficial/?hl=pt-br
Tracklist:
01 Song Of Seikilos
02 Dune Hill
03 Set You Free
04 Addiction
05 God’s Delivering
06 Absalom’s Blues
07 South
08 The Mirror (feat André Matos)
09 Eldorado
10 The Last Night (feat Antônio Araújo)
11 Hypnos And Thanatos
12 Ending Dawn
13 Queen’s Road
Formação:
Leonardo Trevas – vocal
Otto Notaro – bateria
Pedro Maia – baixo
Felipe Calado – guitarra
André Pontes – guitarra
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Brutal Morticínio: uma aula de história em formato extremo
Resenha por: Renato Sanson
A ideia do Black Metal cantado em português e retratando uma realidade histórica pouco difundida, traz esse diferencial necessário liricamente, indo na contramão e deixando o excesso de blasfêmias e xingamentos de lado e sim focando nas conquistas europeias em cima do povo sul-americano, onde muita tortura, escravidão e mortes ocorreram sem limites.
Esse é o Brutal Morticínio, que nos apresenta em seu segundo lançamento – Os Obsessores Espíritos das Florestas Austrais (14) – uma continuidade muito bem esmerada de seu Debut (“Despertar dos Chacais... Outono dos Povos – 11), apresentando uma temática lírica em volta do povo sul-americano dizimado pelos europeus com uma sonoridade ríspida, mas que aqui ganha novos elementos.
Se em outrora o Brutal Morticínio investia em um Black Metal mais atmosférico e técnico, aqui temos boas doses de melodias soturnas se entrelaçando com o Depressive Black Metal, e com boas nuances da obscuridade do Heavy Metal tradicional, transbordando muito feeling e momentos marcantes.
A produção mais apurada também engrandece sua sonoridade com muito peso e os instrumentos individualmente soando como navalhas cortantes em prol do som extremo.
Um álbum que infelizmente foi muito pouco comentado na época de seu lançamento, porém não deixa de ser mais um marco para a cena gaúcha e underground, pois os gaúchos de Novo Hamburgo mostraram novamente que é possível fazer um som autentico e diferenciado, nos dando ainda de brinde uma bela aula de história em suas letras.
Links:
https://www.facebook.com/BrutalMorticinio
Formação:
Tormento (vocal/guitarra)
Mielikki (baixo)
André Rodrigues (bateria)
TRACK LIST:
1. Intro
2. Não Darei A Outra Face
3. Para O Eterno Sofrimento De
Cuauthemoc
4. Evocando Os Espíritos
Obsessores Das Florestas Austrais
5. Vingança Ancentral
6. Anacrônico Tempo,
Obsolescência Da História
Bonus Tracks:
7. Densas Névoas Das Profundezas
8. Estúpido E Podre Homem Branco
Cristão
sábado, 5 de setembro de 2020
Malediction 666: Não se limitando somente a rispidez do estilo
Resenha por: Renato Sanson
Estando na ativa desde o final dos anos 90, o duo extremo do Malediction 666 vem brindando o necro underground com o seu Black Metal agressivo e muito bem trabalhado. Não se limitando somente a rispidez do estilo, mas apresentando boas doses de melodia que deixam suas composições marcantes.
Em 2019 os paulistanos lançaram o seu segundo disco oficial, “We, Demons”, com uma produção apuradíssima deixando todos os detalhes sonoramente bem equilibrados e muito peso, lembrando um pouco a fase mais atual do Varathron.
Falando nos gregos a de se mencionar a participação especial do saudoso Stephan Necroabyssious na faixa “Cursed Penumbra” e do lendário Sakis Tolis (Rotting Christ) na monstruosa “Unmasked Savior”.
O que chama muito a atenção na sonoridade do Malediction 666 é a grande diversificação de riffs e sem medo de apostar em ótimos solos, deixando seu Black Metal ainda mais grandioso, bebendo na fonte grega do estilo, mas mantendo suas características próprias.
Assim como os riffs e solos, as linhas vocais soturnas com guturais cavernosos dão aquele toque mais Doom junto as linhas de bateria que se diversificam ao meio do caos sonoro. A arte do trabalho também casa com a musicalidade apresentada, tons em cinza e preto com um layout e capa rico em detalhes.
Atualmente o Malediction 666 está trabalhando em seu novo álbum e agora se estabelece como um quarteto, e certamente teremos mais um grande lançamento assim como “We, Demons”.
Formação de “We, Demons”:
Fernando Iser (Vocal, Guitarra,
Baixo)
Bruno Mastemas (Bateria)
Tracklist:
01 Before Times
02 We, Demons
03 From The Infernal Womb
04 Unmasked Savior
05 Summon The God Inside You
06 Portal
07 Forgotten Rage
08 Cursed Penumbra
09 Hail The Serpent King
10 Look Into The Eyes of Death
Links:
https://www.youtube.com/watch?v=HtDdFleBThU&feature=youtu.be
https://www.facebook.com/iser666/?ref=page_internal
Formação atual:
Fabio Falco (Baixo)
Fernando Iser (Guitarra/Vocal)
Kevin Bedra (Guitarra/Vocal)
Bruno Mastemas (Bateria)
domingo, 19 de julho de 2020
Segregatorum: melodioso, intrincado e soturno
As variações rítmicas chamam a atenção, a chuva de riffs e melodias são despejadas com muita naturalidade, e as alternâncias entre cadencia e certa fluidez mais ríspida tornam a audição rica em detalhes, não soando cansativa, mas sim diversificada. Porém nada disso seria possível se não tivéssemos uma produção de alto nível e “Lemarchand's Dominus” traz está excelente lapidação em suas lacunas, mas sem soar artificial. Méritos do produtor Ernani Savaris.
domingo, 12 de julho de 2020
Requiem’s Sathana: obscuro, experimental e brutal
Ótima estreia!
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Initiate Decay: apocalipse sonoro em estado bruto
domingo, 14 de junho de 2020
Noldor: Death Metal Melódico técnico e apocalíptico
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Barbarity: a brutalidade da bárbarie e da não-vida
Os blast beats são muito bem colocados, os riffs são assassinos e o vocal é enfurecedor. No Brutal Death Metal é muito fina a variação do repertório sonoro nas músicas, é fácil uma banda soar mais do mesmo ou fazer com que você não lembre nenhuma música deles mesmo após ouvir várias vezes seu CD, isso não é demérito ao meu ver, – inclusive gosto, me sinto num loop eterno de destruição sem fim – mas não teria como não ser um mérito o som se sobressair e te marcar.
Barbarity não se esqueceu da variação necessária para uma referência ao peso extremo do som, há paradas e reduções dos andamentos, sem perder a brutalidade. Aí está a finesse dos Russos. Não estou falando que Brutal Death tem que ter progressividade, ao contrário, me parece que a banda tem mérito justamente porque percebeu que “menos é mais”, sem queimar riffs os caras te deram um prato cheio de barbaridade em Debut “Keeper of Oblivion” (2018).
sábado, 16 de maio de 2020
Perpetual Fate: buscando sua identidade em um estilo já saturado
Resenha: Renato Sanson





















