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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Cobertura de Show: Kadavar – 21/03/2026 – Carioca Club/SP

A banda Kadavar retornou ao Brasil para um show exclusivo no Carioca Club, em São Paulo. Promovendo o último trabalho, I Just Want To Be A Sound (2025), o evento marcou o retorno dos alemães após uma espera de oito anos e contou com dois nomes de peso da cena nacional, Hammerhead Blues e Espectro, que transformaram as apresentações em um portal direto aos anos 70.

A responsabilidade de abrir a noite coube ao Hammerhead Blues, e a banda paulistana cumpriu a tarefa com maestria. Com seu blues rock carregado de peso e psicodelia, o trio formado por Otavio Cintra (vocal e baixo), Luiz Cardim (guitarra) e Willian Paiva (bateria) entregou um setlist coeso e envolvente. Desde a abertura com "Hero", a banda demonstrou um entrosamento incrível, com riffs marcantes e uma cozinha que comandava o ritmo. Faixas como "Roger’s Cannabis Confusion" e "Black Abyss" solidificaram a atmosfera psicodélica, enquanto "Traveller", "Age of Void" e "Around The Sun" mostraram a versatilidade do grupo em construir climas que transitam entre o arrastado e o energético, deixando claro que o grupo sabe entregar uma boa performance ao vivo.

Na sequência, o Espectro elevou a intensidade com uma pegada mais sombria e agressiva. A banda, conhecida por seu doom/stoner metal com letras em português, trouxe uma intensidade visceral ao palco. O line up com Reinaldo Zonta (vocal), João Wegher (guitarra), Luan Bremer (guitarra), Felipe Rippervert (baixo) e Karina D’Alessandre (bateria) trouxe um setlist que incluiu "The Ritual", "Twist the Knife" e "Death Dealing", foi uma sucessão de riffs arrastados, vocais agressivos e uma atmosfera que beirava a um ritual. A performance de "Wicked Life", "1000 Nights" e "Lost in the Aether" demonstrou a capacidade do Espectro de criar um ambiente sonoro denso e hipnótico, com passagens que alternavam momentos de pura fúria com outros de contemplação sombria, deixando o público completamente imerso em sua música.

Era hora e o Kadavar tomou o palco alguns minutos antes do previsto e, logo que iniciaram a apresentação com “Goddess of Dawn”, transformou o Carioca Club em uma catedral do rock psicodélico dos anos 70. O quarteto alemão, com sua formação minimalista e presença magnética, entregou uma performance impecável, cheia de energia vintage e riffs que pareciam saídos de um vinil antigo, assim como seus figurinos setentistas. "Lies" e "Doomsday Machine" seguiram com a mesma intensidade, com o som massivo e cru que é a marca registrada do Kadavar, fazendo o público vibrar desde as primeiras notas.

A performance dos alemães é um testemunho da força do rock old school e da autenticidade. Christoph "Lupus" Lindemann na guitarra e vocal, Simon "Dragon" Bouteloup no baixo, Christoph "Tiger" Bartelt na bateria e Jascha Kreft na guitarra formam uma máquina sonora impecável. O som era colossal, com o timbre da guitarra de Lupus preenchendo cada canto do ambiente junto com Jascha Kreft, o baixo de Dragon pulsando com um groove hipnótico e a bateria de Tiger ditando o ritmo com precisão e potência avassaladoras. A banda não precisa de grandes artifícios de palco; sua presença é magnética, e a música fala por si.

“Last Living Dinosaur” e “Black Sun” aprofundaram a atmosfera setentista que define o Kadavar. Os riffs soavam pesados sem perder a fluidez, enquanto a banda explorava bem as dinâmicas das músicas. “The Old Man” manteve o ritmo frenético, daqueles que fazem o público balançar a cabeça quase automaticamente. Com uma dinâmica diferente, “Explosions in the Sky” expôs uma aura à la Beatles, meio psicodélica, para dar uma aliviada em meio a tantos riffs. Mas durou pouco: logo mandaram “Total Annihilation”, a música mais rápida da banda e talvez uma das mais pesadas do catálogo deles, que não deixou ninguém parado.

A reta final do set principal foi sensacional, com "Scar on My Guitar" e "Purple Sage" demonstrando a maestria da banda em criar riffs memoráveis junto a atmosferas densas em meio a uma psicodelia alucinante. O ápice veio com "Die Baby Die", que encerrou essa parte com uma explosão de energia, deixando o público sedento por mais. Os aplausos e gritos de "Kadavar! Kadavar!" tomaram conta do Carioca Club, clamando pelo retorno do quarteto.

O encerramento foi épico. “Regeneration” trouxe uma sonoridade mais moderna sem perder a identidade da banda. “Come Back Life” veio com uma carga emocional forte, e o grand finale com “All Our Thoughts” fechou a noite de forma perfeita, deixando o ar carregado de fumaça, suor e satisfação. Em suma, as apresentações foram um triunfo para o rock pesado. Desde as performances sólidas e envolventes de Hammerhead Blues e Espectro, que aqueceram o público com suas respectivas doses de groove e peso, até a apresentação magistral do Kadavar, que entregou um espetáculo de rock setentista com uma energia contagiante. Durante o show, o Kadavar se permitiu alongar as músicas, brincar com texturas e criar momentos imersivos e imprevisíveis. Diante de tudo isso, pode-se dizer que foi uma experiência completa, que celebrou a força e a vitalidade do gênero, deixando a certeza de que o bom e velho rock and roll está mais vivo do que nunca. 


Texto: Marcelo Gomes 


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agência Sob Controle



Hammerhead Blues – setlist:

Hero
Roger’s Cannabis Confusion
Black Abyss
Traveller
Age of Void
Around The Sun

Espectro – setlist:

The Ritual
Twist the Knife
Death Dealing
Wicked Life
1000 Nights
Lost in the Aether

Kadavar – setlist:

Goddess of Dawn

Lies

Doomsday Machine

Last Living Dinosaur

Black Sun

The Old Man

Explosions in the Sky

Total Annihilation

Scar on My Guitar

Purple Sage

Die Baby Die

Regeneration

Come Back Life

All Our Thoughts

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Cobertura de Show: Siena Root – 02/12/2025 – La Iglesia/SP

O cenário underground da música psicodélica e stoner rock ganhou mais um capítulo inesquecível quando o La Iglesia, em São Paulo, recebeu a banda sueca Siena Root. Dois dias após sua apresentação como abertura para a banda japonesa Boris, eles fizeram sua estreia como atração principal na capital paulista. 

Antes de os nórdicos subirem ao palco, o protagonismo ficou por conta da banda brasileira Hammerhead Blues, um trio que tem se destacado no cenário nacional por sua mistura pesada de riffs psicodélicos e grooves marcantes. 

Formado por Otavio Cintra no baixo e nos vocais, Luiz Cardim na guitarra e William Paiva na bateria, o Hammerhead Blues entregou uma performance que serviu não só como aquecimento para o show principal, mas como um resgate de uma era especial da música. 

No setlist de oito faixas, o grupo mergulhou o público em uma viagem desde os primeiros acordes de “Hero / Roger's Cannabis Confusion”, uma abertura dupla que misturou riffs pesados e linhas de baixo groovy, com Otavio Cintra demonstrando um vocal expressivo e envolvente que comandou a noite. 

As canções “Age of Void” e “Traveller” seguiram em uma progressão crescente, destacando o trabalho preciso de Luiz Cardim na guitarra, cujos solos psicodélicos evocaram viagens, enquanto William Paiva mantinha o ritmo firme na bateria, criando uma base sólida que reverberou pelas paredes do La Iglesia. 


Destaques como “Windmill's Kiss” e “Moontale” trouxeram momentos alucinantes e jams que destacaram sua química no palco. Já “Around The Sun”, “Drifter” e o encerramento com “Thrill of The Moonrise” elevaram a intensidade, transformando o show em um momento inesquecível que deixou o público eufórico e ansioso pelo que viria a seguir com Siena Root.

Foi uma apresentação cheia de energia e impactante; a banda entregou tudo e ficou clara sua fome de palco, o que reforçou a qualidade do Hammerhead Blues.

Na sequência, o Siena Root entrou no palco já em clima de festa. A atual formação, com Zubaida Solid (vocais e teclados), Johan Borgström (guitarra), Sam Riffer (baixo) e Love Forsberg (bateria), entregou o melhor rock psicodélico e stoner, contagiando o público e estabelecendo uma conexão imediata com os fãs. 

Desde a abertura com “We (Over the Mountains)”, já ficava claro que a banda sueca estava em plena forma, trazendo seu rock vintage carregado de groove e feeling. Não foi diferente em faixas como “Tales of Independence”, “Organic Intelligence” e “There and Back Again”, que ganharam versões cheias de nuances, mostrando tanto a força instrumental quanto o entrosamento impecável entre os integrantes.

Passeando pelo seu catálogo, foi a vez de “Dusty Roads”, uma bela balada que trouxe paz e contemplação em meio à viagem quase lisérgica que os suecos proporcionavam. Durou pouco.

“Into The Woods” chegou com muita psicodelia e improvisos, fazendo a cabeça da galera. E tinha para todos os gostos: “Keeper of the Flame” e “Above the Trees” carregavam aquela vibe mais bluesy, criando uma dinâmica perfeita para a apresentação.

E o que dizer da trinca que veio a seguir? “Wishing for More”, “Time Will Tell” e “Coming Home” não deixaram pedra sobre pedra na parte mais pesada do show, trazendo à tona toda a sua influência do hard rock setentista e não deixando ninguém parado. 

O clímax veio com “Imaginary Borders” e “Root Rock Pioneers”. Esta última contou com a apresentação dos integrantes e encerrou de maneira apoteótica o show, com um duelo de teclado e guitarra ao estilo de “Lazy”, do Deep Purple.

A reação fervorosa do público, que pedia mais e mais, foi a prova do sucesso da apresentação, demonstrando o quanto a música do Siena Root ressoa com o público brasileiro. A retribuição da banda à recepção calorosa foi um dos pontos altos da noite. 

Visivelmente emocionados com o carinho e a energia trocada, os suecos decidiram estender a apresentação, presenteando os fãs com duas músicas extras que não estavam no setlist. A primeira foi “Outlander”, já conhecida pelos fãs mais dedicados e recebida com euforia. Contudo, foi a surpresa final, “Waiting for the Sun”, tocada sem aviso prévio, que selou a apresentação como lendária. 

São momentos assim que fazem uma apresentação deixar de ser apenas excelente para se tornar de fato espetacular, tudo acontecendo ali, em tempo real, diante de seus olhos. 

Em suma, o show do Siena Root foi uma aula de performance ao vivo, em que a excelência musical se uniu a uma entrega genuína com a audiência. A banda sueca mostrou ser uma força vital no cenário do rock contemporâneo, proporcionando um espetáculo que equilibra virtuosismo e alma. 

A felicidade evidente dos músicos, que se traduziu em um bis estendido, deixou claro o agradecimento sincero pela noite memorável proporcionada pelos fãs brasileiros.



Texto: Marcelo Gomes


Edição/Revisão: Gabriel Arruda 

Realização: Abraxas



Hammerhead Blues – setlist:

Hero / Roger's Cannabis Confusion
Age of Void
Traveller
Windmill´s Kiss
Moontale
Around Th Sun
Drifter
Thrill of The Moonrise

Siena Root – setlist: 

We (Over the Mountains)
Tales of Independence
Organic Intelligence
There and Back Again
Dusty Roads
Into the Woods
Keeper of the Flame
Above the Trees
Wishing for More
Time Will Tell
Coming Home
Imaginary Borders
Root Rock Pioneers

Bis

Outlander
Waiting for the Sun 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Resenha: Blues Pills – Birthday (2024)

Por Carol Pen

Throwdown Entertainment / BMG (Imp.)

Blues Pills navega sob a mais crua essência do blues rock psicodélico pesado diante das notórias influencias musicais sessentistas, setentistas e oitentistas que o quarteto – atualmente formado pelos suecos Elin Larsson (vocal), André Kvarnström (bateria), Kristoffer Schander (baixo) e o norte-americano Zach Anderson (guitarra) – carregam. 

Sem contar os EPs e álbuns ao vivo, quatro são os que compõe a discografia da banda: o álbum de estreia hardzão autointitulado “Blues Pills” (2014), o psicodélico “Lady In Gold” (2016), “Holy Moly!” (2020) em peso maior, e o recente “Birthday” (2024).

2 de agosto de 2024 é a data que fica marcada na história da cena rock and roll atual, com o lançamento do quarto álbum de estúdio. Conta com onze faixas, de duração 38 minutos e 54 segundos, que tiveram a produção feita por Freddy Alexander.

Ao lado A do novo álbum dos Pills encontramos as faixas “Birthday’, “Don’t You Love It”, “Bad Choices”, “Top Of The Sky”, “Like A Drug” e “Piggyback Ride”.

A faixa-título “Birthday” foi a primeira a ser disponibilizada nas plataformas (8 de março), e abre os trabalhos do álbum. Ela entrega uma ótima mixagem de fortes e marcantes linhas de baixo, bateria e guitarra com a voz poderosa de Elin. A letra foi composta pela banda após terem saído para comemorar, durante uma turnê no México, o aniversário da vocalista e a mesma ter sido desrespeitada por um garçom. Assim explica-se a origem do primeiro verso da faixa: “I’m gonna ruin someone’s birthday”.

“Don’t You Love It” é uma pílula sonora para o ouvinte se soltar e aproveitar os aspectos positivos da vida apesar dos pesares. Também lançada como single, no dia 19 de abril, foi o segundo a sair nas plataformas de streaming e, em edição especial para o Record Store Day 2024, em vinil de 12 polegadas (30cm) juntamente da faixa-título “Birthday”. 

“Bad Choices” é um dos pontos altos do disco e remete bastante a performance vocal da Amy Winehouse. Contém viradas interessantes que envolvem uma variedade nas batidas dos versos ao refrão. Como o próprio título já entrega, a letra da música aborda as escolhas ruins que fazemos, assunto que surgiu durante o momento em que a banda conversava e compunha.

Não podia faltar uma balada poderosa em que Elin Larsson faria uma entrega vocal de arrepiar. “Top Of The Sky” combina cada instrumento em destaque, principalmente as batidas lentas e marcadas da bateria, e faz reflexão aos dias atuais onde a tecnologia predomina sob os limites da humanidade. Foi lançada como single no dia 31 de maio, sendo o terceiro e penúltimo antes do lançamento álbum. “Like A Drug” conta com um groovy ao decorrer da música que cria uma atmosfera bluesística.

“Piggyback Ride” encerra o lado A do álbum com uma energia selvagem e livre. O último single lançado pelos Pills que colaborou para criarmos uma ideia da sonoridade que eles entregariam neste álbum novo. Nessa faixa, a voz de Elin tem o tom abaixado para que ela soasse como um porco e a letra remete a suas reflexões sobre os porcos selvagens que andam por sua vizinhança.

Ao trocar o lado A (que entregou muito) para o lado B é possível encontrar as faixas “Holding Me Back”, “Somebody Better”, “Shadows”, “I Don’t Wanna Get Back On That Horse Again” e “What Has This Life Done To You”. 

“Holding Me Back” inicia o lado B do álbum com uma energia pop punk rock, proeminentemente no refrão. A faixa seguinte, “Somebody Better”, integra viradas fortes com o vocal poderoso. O álbum é concluído com três músicas mais lentas e emotivas: “Shadows”, “I Don’t Wanna Get Back On That Horse Again” e “What Has This Life Done To You”. Destaque para a faixa que encerra o álbum, que é uma balada introspectiva muito tocante.

Considerando a história do Blue Pills que foram de tocadas em bares sujos e lotados para tocadas em festivais grandes, como o Wacken Open Air, a banda evoluiu muito na sonoridade através da personificação de tudo aquilo que carregam como referências e da energia em uma sonoridade única por si só, autentica e moderna que facilmente agrada todos os gostos, falando em gerações. 

A solidificação do som dos Pills neste novo álbum é essencial, tendo em vista que a banda sofreu muitas críticas dos fãs em relação a mudança do som de suas músicas de álbum em álbum. Mas isso só prova que eles estavam experimentando as sonoridades para obter um som característico deles, coisa que bandas renomadas como Led Zeppelin e Black Sabbath fizeram, e se deixaram ser livres.

“Birthday” simboliza a captura da essência mais pura da banda em sua performance cheia de energia, atitude e poder. É um álbum que define a carreira dos Pills pelas letras de atmosfera emocionante e reflexiva, influencia clara pela gravidez de Elin durante a criação do álbum, junto do trabalho impecável que a banda fez nas composições e processos de mixagem juntos.

O álbum novo do Blue Pills está disponível tanto em mídia física (CDs e vinis) quanto nas plataformas de streaming. Para promover sua divulgação a banda está em turnê pela Europa. E quem sabe o Brasil entra na lista de turnê para o ano que vem?


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Scorpion Child: Aura "Setentista" Com Propriedade



Desta nova safra de grupos que fazem uma sonoridade totalmente inspirada pelos grupos "setentistas", os norte americanos do Scorpion Child é uma das que mais apresentam qualidade e honestidade no que fazem, pois geralmente quando um estilo está mais em voga, surgem algumas dezenas de "aproveitadores", e cabe ao público saber selecionar.

Praticamente uma resposta às bandas europeias do estilo, principalmente as vindas da Suécia, os norte americanos estão na estrada desde 2006, e lançaram este primeiro full-lenght pela Nuclear Blast, em 2013, e agora disponibilizado aqui pela Shinigami Records (já estão no segundo álbum, "Acid Roulette", lançado em junho deste ano).

Confesso que pela quantidade de grupos que surgiram fazendo esse som mais "setentista", seja numa linha mais Stoner, ou Classic Rock, eu não havia prestado a devida atenção a esta banda, e surpreendeu-me positivamente. Com uma linha mais próxima a sonoridade do Led Zeppelin, a qual acredito ser a melhor referência a fazer a respeito do som do Scorpion Child, além de alguns grupos como Kingdom Come, The Black Crowes e Bad Lands. Vale ressaltar a excelente produção, a cargo do indicado ao grammy Chris "Frenchie" Smith, guitarrista do Young Heart Attack, e que trabalhou com nomes como Slayer, Steve Hackett, The Darkness, The Dead Love e The Answer.


Com levadas bluesy, Hard, Classic Rock e Psicodelismo, esses americanos de Austin, Texas, liderados pelo vocalista e fundador Aryn Jonathan Black, e sua voz perfeita para o estilo, empolga e convence com sua proposta, que apesar de já sofrer várias mudanças de line-up, segue firme e soa bem autêntica.

O som "vintage" vitaminado pelos recursos atuais, possui bastante punch, não soando "plástico", e o grupo desce a mão legal, com sua mistura Hard/Classic Rock e maliciosamente bluesy. A abertura "Kings Highway" escancara aquele ar "Zeppeliniano", em uma levada mais cadenciada e com bastante groove e algo de psicodélico; "Polygon Eyes" inicia elétrica, com riffs carregados de flanger, com uma pegada e peso que beira o Metal. Outras que destilam essa aura "Zeppeliniana" são "Liquor" e "Red Blood" (The River Flows), destaques do álbum, ao lado das duas que o abrem.


O grupo passeia com propriedade por essa sonoridade "vintage", sempre com muito feeling, punch e melodia, além de não economizar em "porradas" mais diretas, como "Paradigm", faixas que trazem muitas nuances Blues e Psicodélicas, como na faixa "Salvation Slave", e seus temas viajantes na guitarra, e também baladonas com essa veia bluesy, como a já citada "Red Blood" e a ótima "Antioch", mais um dos destaques em um álbum de excelente nível.

Música nova com a pegada e a alma dos 70's, o Scorpion Child o faz com propriedade e autenticidade, em canções cativantes e carregadas de feeling. Sem dúvidas um dos melhores nomes dentre essa nova safra de grupos que seguem essa pegada "vintage", além de ser provavelmente uma ótima banda pra se ver ao vivo.
Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Scorpion Child
Álbum: Scorpion Child
País: EUA
Estilo: Hard/Classic Rock
Produção: Chris "Frenchie" Smith
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records


Site Oficial


Track List:

1. Kings Highway

2. Polygon Of Eyes

3. The Secret Spot

4. Salvation Slave

5. Liquor

6. Antioch

7. In The Arms Of Ecstasy

8. Paradigm

9. Red Blood (The River Flows)

Faixa Escondida

10.Keep Goin' 




terça-feira, 3 de maio de 2016

Silver Mammoth: O Antigo Ainda Sendo Atual



Apreensivos por tantas coisas novas que surgem em pleno século atual, a aquelas pessoas que nunca deixam de prolificar as sua raízes dentro do Rock, mostrando sinais de que o gênero não mudou nada, continuando atual (como sempre), não deixando de inovar em certas coisas. E para entender que o tradicional Hard Rock setentista, carregando também algumas peças do Classic Rock, eis que surge Silver Mammoth, quarteto paulistano que acaba de lançar “Mindlomania”.

Para quem é fã, principalmente de Deep Purple e Uriah Heep, “Mindlomania” é um prato cheio para o fã que se mantém fiel às influências setentistas. E nele há de tudo o que se possa imaginar em se tratando de pegada clássica dentro do Rock, abrangendo riffs de guitarras pesados, arranjos cristalinos de hammond um trabalho vocal diversificado, transitando também a ambientes psicodélicos, sem deixar de se esquivar de momentos mais viajantes, o que é habitual pra quem teve o prazer de viver aquela época.


A produção, assinada por Marcelo Izzo e Rafael Agostini, e a mixagem/masterização, que ficou a cargo do Hugo “agogô” Silva, traz uma sonoridade limpa e moderna no seu devido ponto. Afinal, os músicos passam o clima ‘ao vivo’ a cada momento do disco, traçando em nossas mentes como era gravar um disco na década de 70, que era justamente dessa forma. A capa enverga tons diversificados, caracterizado pelo charme psicodélico da banda. E mais uma vez o artista João Duarte caprichou com sua habilidade, explicitando o que o quarteto passa através da arte.

Aqui tudo é feito com amor e carinho, havendo a preocupação da banda em presentear os ouvintes, tanto da antiga e nova geração,com músicas acessíveis sem que elas soem forçadas, não precisando de exageros técnicos para mostrar os quão bons e capazes são o Marcelo Izzo (vocal), Marcelo Izzo Jr. (guitarra e backing vocals), Chakal (baixo) e Vinnie Rabello (bateria), não se esquecendo do Rafael Agostino, que fez um trabalho brilhante no Hammond, Moog, Mellatron e Piano. Em suma, a banda fez o disco da maneira que o estilo pede, e “Mindlomania” entra como um dos principais registros atuais de Rock Clássico do Brasil.

Dentre os destaques, começamos logo pela primeira faixa, “Bewitched”, que chega ditando regras com o peso das guitarras e da parte rítmica (prestem atenção na bateria), preenchidas por belas melodias vocais e ótimos arranjos de hammond; a faixa-titulo, “Mindlomania”, é destacada pelas variações vocais, que ora chega lembrar o Dan McCafferty, do Nazareth, na hora que chegam os refrãos vibrantes, que são cadenciados pelo peso das guitarras; “The Time Has Come” vem num andamento mais meio tempo, seguindo uma pegada mais orgânica e intimista, conduzidos por guitarras harmonizadas e pelo ‘feeling’            vindo do hammond.


Pra deixar o clima mais divertido, “Liars” traz o lado Rock ‘n’ Roll do quarteto de forma abrasiva, e apesar de ser simples e direta, traz arranjos inteligíveis e técnicos. E a parte rítmica é surpreendente, principalmente do baixo; no mesmo terreno, “Madman Doc” reserva momentos de pura festa já numa pega mais clássica do Rock ‘n’ Roll, sendo perfeita pra tocar em qualquer ‘baile’. E o trabalho de piano deixou a música ainda mais cintilante.

Após um instrumental cheio de psicodelismo com a “The Gave, The Hole, The Escape”, “Sadness” arrasta o quarteirão com riffs robustos, não deixando sumir o esmorecer das melodias. Os arranjos vocais se sobressaem novamente, e intercalam o mais melódico ao agressivo; “Shining Star” é uma balada atmosférica, bem no estilo Black Sabbath, tendo somente melodias acústicas e instrumentos de percussão como base; “Wild Wolf” mostra um inicio gracioso, mas que depois cresce com os riffs ganchudos, que vão progredindo durante a parte rítmica; “Shock Therapy” aborda passagens diversificadas, tanto que é a faixa mais longa do disco, existindo um dinamismo cheio de classe dos músicos, que mais uma vez capricharam nos arranjos de guitarra e teclado.

Durante esses 4 anos de atividades, o Silver Mammoth crava, de vez, o seu nome na história do Hard Rock e Classic Rock nacional, tendo muita lenha pra queimar lançando ótimos discos no futuro.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Silver Mammoth
Álbum: Mindlomania
Ano: 2015
Estilo: Hard Rock/Classic Rock
Gravadora: Ms Metal Records/Voice Music
Assessoria: Ms Metal Agency



Formação
Marcelo Izzo (vocal)
Marcelo Izzo Jr. (guitarra)
Chakal (baixo)
Vinnie Rabello (bateria)

Track-List
01. Bewitched
02. Mindlomania
03. The Time Has Come
04. Liars
05. MadmanDoc
06. The Cave, The Hole, The Escape
07. Sadness
08. Shining Star
09. Wild Wolf
10. ShockTherapy

Contatos


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Cobertura de Show - Mars Red Sky: Trazendo o Clima anos 60 de Volta! (27/05/15 - Signos Pub, Porto Alegre/RS)


E no dia 27/05 (quarta-feira) a capital gaúcha recebia pela segunda vez os franceses do Mars Red Sky, que voltaram para mais uma tour pelo país que totalizaram cinco shows.

Claro que Porto Alegre não poderia ficar de fora, sendo o primeiro show da tour nacional, onde se apresentaram no Signos Pub.

Para aquecer a noite psicodélica tivemos duas ótimas bandas de abertura, Cattarse da própria capital com seu Stoner Rock de primeira, e a banda que acompanha o Mars Red Sky na turnê, o duo mineiro Muñoz e seu Rock/Sotner/Blues.

A primeira a subir no palco foram os mineiros do Muñoz, com o trabalho de aquecer o pessoal já que se tratava de uma típica noite chuvosa e fria da capital.

Muñoz
Com um público ainda restrito (com o pessoal chegando ao local), o Muñoz deu conta do recado, e agradou aos poucos presentes que puderam ver sua bela apresentação. Mostrando muita energia e sintonia. Uma pena a casa não estar um pouco mais cheia, mas certamente passaram sua mensagem e ganharam mais alguns fãs.

Cattarse
Em seguida era hora dos porto-alegrenses do Cattarse entrarem em cena com seu Stoner Rock sujo e porque não pesado. Agitaram o público e esquentaram ainda mais a noite, mostrando muita precisão em sua sonoridade e já com diversos fãs espalhados pela plateia. O trio mostrou grande competência e surpreendeu positivamente quem não os conhecia.

Após uma troca rápida de palco, era hora dos headliners da noite, o trio francês Mars Red Sky, que estava divulgando seu mais recente trabalho “Stranded in Arcadia” (2014).

Com a casa um pouco mais cheia (um pouco mais de 100 pessoas), todos aguardavam ansiosamente, e o trio não decepcionou, mostrando seu Psychedelic Stoner Rock variado e intenso, agradando até os mais saudosistas.


A simpatia do trio impressionava, assim como o feeling que esbanjavam em cada composição, mostrando ser uma banda que merece uma atenção maior do público, pois competência e talento os franceses tem de sobra, com composições fortes e marcantes, e com muitos presentes cantando suas músicas.

Certamente o Mars Red Sky fez a alegria dos fãs de um bom Rock Psicodélico e Stoner, trazendo a aura dos anos 60 de volta, nem que seja por apenas uma hora, mas valeu cada minuto.


Uma grande banda que merece uma atenção maior por parte da mídia e de muitos que se dizem fãs de Stoner e Psicodélico.


Cobertura por: Horácio Rodrigues
Fotos: Marlon Scopel
Revisão/edição: Renato Sanson