domingo, 24 de abril de 2016

Gamma Ray: Comemorando 25 Anos de História Com Relançamentos Especiais


Quando do seu rompimento com o Helloween em 1988, Kai Hansen causou um choque no meio metálico, pois a saída de uma das peças importantes da banda, a qual era também um dos fundadores e também fazia papel de vocalista nos primeiro trabalhos, e ainda após o estrondoso sucesso com os "Keeper of the Seven Keys", deixou muitas dúvidas,m e até hoje isso é motivo de indagações, embora agora exista já um relacionamento bom de Hansen com o Helloween.

Em 1990 Hansen lança o álbum estreia de sua nova cria, o Gamma Ray, e "Heading For Tomorrow"  dá início a uma história. Inicialmente o projeto era de ser um álbum solo, e inclusive nessa estreia, somente duas músicas não foram escritas pelo guitarrista. No intuito de concentrar-se mais nas guitarras e composições, Kai chamou Ralf Scheepers (Tyran' Pace) para ser a voz do Gamma Ray.

Hoje é bem claro, pela longevidade do Gamma Ray, que a decisão de Kai Hansen foi acertada, pois é só olhar o caminho que cada banda seguiu, com o Helloween experimentando outras sonoridades nos álbuns que sucederam os "Keeper...", e Kai procurando manter-se fiel ao estilo que criaram, o Melodic Power Metal, e "Heading for Tomorrow" traz a continuação que o guitarrista e compositor entendia como natural a seguir, mantendo sua convicção e mostrando as suas claras influências do Metal mais clássico e Hard Rock.


Talvez o grande problema inicial do Gamma Ray, foi essa questão de buscar sua identidade como banda, e não somente como projeto solo de Kai, e depois da boa estreia encontrou alguns altos e baixos, até se consolidar como um nome forte, principalmente com "Land of Free", mas isso é outra história, e o que se celebra aqui é o aniversário de 25 anos da estreia do Gamma Ray, que vai relançar sua discografia em edições especiais, e só poderia abrir as festividades com o seu primeiro full lenght,  "Heading For Tomorrow", em versão remasterizada a partir do original (Em 2002 o álbum também foi relançado com nova masterização), com uma capa nova seguindo uma estética "renovada" e mais trabalhada da original, e também diversos atrativos para os fãs, como versões demo de várias músicas com Kai nos vocais, e outras não tão atrativas mas legais para os fãs de carteirinha, como versões karaokê.

Em "Heading For Tomorrow" então temos os vocais altos de Scheepers, as melodias, as músicas velozes e os bumbos duplos idem, muitos dos elementos da ex-banda de Kai. Conforme falei acima, o álbum tem várias das influências de Kai, muitas coisas bem da época, soando até datadas, tendo uma diversidade que deixa mesmo aquela cara de projeto solo ou side project. Por exemplo, temos "Lust For Life", um Power Metal melódico e veloz, que lembrava seu trabalho na antiga banda, e também já era muito do que o Gamma Ray iria se tornar, assim como "Space Eater", que foi também vídeo de divulgação, Power Metal mais cadenciado e pesado, e "Hold Your Ground", que remete também imediatamente ao Helloween, veloz, melódica e com coros e refrãos grudentos.

Capa original

E além das faixas tipicamente Melodic Power Metal, temos o Hard Rock bem "comercial" de "Heaven Can Wait", com sua base simples e melodia fácil; a balada com flertes de AOR "The Silence", com piano e vocais que até remetem ao Rock Clássico do Queen, por exemplo; "Free Time" é outro Hard/ Rock and Roll simples e de melodias de fácil assimilação; em "Money", temos mais evidente aquele toque de bom humor, que já aparecia no Helloween, e Kai desde este primeiro álbum manteve no seu Gamma Ray.

A faixa título "Heading for Tomorrow" escancara a influência de Judas Priest, com aqueles riffs que lembram bastante "Victim of Changes", e, claro, as influências do Metal Clássico, em um andamento meio tempo, riffs marcantes, vocais altos, coros e refrãos, os teclados ao fundo auxiliam o ar épico, e falando em "Victim of Changes", temos também uma parte mais "viajante" e progressiva lá pelo meio da música (diria que tinha aí também muito de Scorpions dos anos 70), para depois ganhar novamente peso, velocidade, além de destacar sempre o trabalho de Kai, seja nas melodias, riffs e solos! Resumindo...Épica!

EP "Heaven Can Wait" está entre os bônus da edição de 25 anos
Fechando o álbum, uma versão muito boa de "Look at Yourself", do Uriah Heep, próxima à original, mas mais "Power Metal", e ainda "Mr Outlaw", que saiu como bônus na versão japonesa na época, Melodic Power tradicional, com bumbos e bases velozes, e o lado B do single "Heaven Can Wait", trazendo "Sail On" e "Lonesome Stranger".

No CD bônus, aqueles extras que falamos, com vários atrativos interessantes aos fãs, e para quem vai adquirir e conhecer agora, como faixas ao vivo, versões demo com Kai nos vocais e as versões karaokê.


"Heading for Tomorrow" tem toda uma importância histórica para o Melodic Power Metal, além de também ser muito importante para as carreiras de Kai Hansen e Ralf Scheepers, já que este tornou-se mais conhecido a partir do trabalho com o Gamma Ray, e mesmo que algumas faixas possam soar datadas, é Power Metal e Heavy Metal melódico cativante e de qualidade, e que de quebra traz pelo menos um par de clássicos do estilo, além de trazer muitas nuances que serviriam de base para outras bandas do estilo.

Um item comemorativo aos antigos fãs e uma boa "descoberta" aos mais novos, um presente para esses e demais fãs, não só do estilo, pois traz uma diversidade que, com o tempo, ficou ainda mais interessante. E quem adquirir vai levar ainda vários bônus bem legais. É curtir e ir aguardando as próximas edições comemorativas de 25 anos da banda. Vale lembrar que a Shinigami disponibilizou a versão completa deste primeiro lançamento em edição nacional, presentaço!

Texto: Carlos Garcia

Informações:
Banda: Gamma Ray
Álbum: "Heading For Tomorrow - 25º Anniversary Edition"
Estilo: Power Metal, Melodic Heavy Metal
País: Alemanha
Selo: Ear Music - Shinigami Records
Site Oficial

Adquira o álbum na Shinigami






Track List:

CD1
1.-  Welcome 
2.-  Lust For Life 
3.-  Heaven Can Wait
4.-  Space Eater
5.-  Money
6.-  The Silence
7.-  Hold Your Ground
8.-  Free Time 
9.-  Heading For Tomorrow
10.- Look At Yourself 
11.- Mr. Outlaw (Japanese Bonus Track)
12.- Sail On (B-Side from “Heaven Can Wait” EP) 
13.- Lonesome Stranger (B-Side from “Heaven Can Wait” EP)


CD2
1.-  Who Do You Think You Are
2.-  Heaven Can Wait (Demo)
3.-  Money (Demo – Kai on vocals)
4.-  Sail on (Demo – Kai on vocals)
5-  Heading For Tomorrow (Live)
6.-  Space Eater (Live)
7.-  The Silence (Demo – Kai on vocals)
8.-  Mr. Outlaw (Instrumental Version)
9.-  Heaven Can Wait (Demo – Kai on vocals)
10.- Heading For Tomorrow (Karaoke Version)
11.- Space Eater (Karaoke Version)
12.- Lonesome Stranger (Demo)






terça-feira, 19 de abril de 2016

Uganga: Mantendo a Engrenagem em Movimento



Com mais de 20 anos de carreira dentro da música, os mineiros do Uganga possuem uma certeza: tem valido a pena! pois estão aí, há mais de duas décadas depois do início da banda fazendo música e o principal, ainda curtindo tudo o que envolve o processo. Prova disso é o álbum "Opressor", lançado em 2014 e festejado como o melhor trabalho do grupo. 
(Read the English version)


Para falar um pouco dessa marca de duas décadas no Metal, das tours e intercâmbios na Europa, do álbum "Opressor", além de outros assuntos, conversamos com Manu "Joker" Henriques e Marco Henriques, e o resultado vocês conferem abaixo:

RtM: Passados mais de 20 anos de carreira, fazendo um balanço desse tempo, vocês acreditam que a banda alcançou a maioria dos seus objetivos, dentro da expectativa de quando vocês iniciaram o seu trabalho? O que a banda almeja para o futuro?
Manu “Joker” Henriques: Falando por mim, creio que estarmos aqui, mais de 20 anos depois do início da banda, fazendo música e curtindo isso, é prova que tem valido a pena. Ver várias pessoas citando o Uganga como algo relevante na cena nacional nos deixa muito felizes, mas não nos acomoda. Se já alcançamos todos nossos objetivos? Com certeza não, mas estamos motivados a seguir nessa caminhada, pois ela tem se mostrado muito válida. Lançamos quatro álbuns de estúdio, um ao vivo gravado na Alemanha, passamos por várias regiões do Brasil assim como rodamos muitos quilômetros em solo Europeu nas duas tours que realizamos por lá. Fizemos inúmeros amigos, tocamos ao lado de ídolos que nos motivaram a ter uma banda e temos recebido uma resposta forte tanto do público quanto da crítica. Isso tudo não tem preço cara! Enquanto essa energia nos levar adiante, continuaremos dando nosso melhor e fazendo o que mais gostamos que é tocar rock pesado.
Marco Henriques: Como o Manu falou, são mais de 20 anos tocando som próprio. Só isso já um super motivo de orgulho e realização, mas sempre estamos querendo mais, buscando evoluir e crescer mais com a banda. Com certeza já conquistamos vários objetivos que tínhamos com o Uganga, mas esse processo sempre está se renovando, sempre estamos buscando evoluir dentro da nossa música, e isso é muito importante pra que a engrenagem continue em movimento.


RtM: O Uganga é uma banda que buscou e busca divulgar de várias maneiras seu trabalho, inclusive tendo duas tours pela Europa. Gostaria que vocês nos contassem um pouco a respeito dessas duas passagens pelo velho mundo, os frutos e resultados colhidos, e também uma comparação com as condições que lá encontraram, com a realidade das bandas aqui no Brasil.
Manu: Fomos na primeira vez em 2010 e rodamos 13.000 km. Foi uma tour de muito trabalho e aprendizado, mas com um resultado totalmente satisfatório, gravamos nosso álbum ao vivo na Alemanha, lançamos o “Vol.03...” na Europa pela Metal Soldiers de Portugal e criamos uma base de fãs que vem se fortalecendo desde então. Em 2013 voltamos para promover o álbum ao vivo, dessa vez numa tour conjunta com nossos irmãos do Terrordome (Polônia) e os resultados foram ainda melhores, apesar de termos rodado menos, 6.000 km. Com essa segunda tour fechamos parceria com a Defense Records da Polônia que vai lançar o “Opressor” lá esse ano e creio que em 2017 façamos nosso terceiro giro por lá pra divulgar não só esse lançamento como o próximo, que até lá já estará finalizado.

 
"Sempre estamos buscando evoluir dentro da nossa música, e isso é muito importante pra que a engrenagem continue em movimento."

RtM: Vocês também lançaram um álbum ao vivo, "Eurocaos Ao Vivo" (Sapólio Radio), conte-nos como surgiu a oportunidade e como foi o planejamento para esse álbum. E ter gravações de diversos shows foi algo planejado no início, ao invés de captar e concentrar a produção em apenas um dos shows?
Marco: Na verdade, tirando o medley de Sarcófago e Sepultura (que foi gravado em Portugal) e as faixas bônus, o show foi todo gravado no mesmo dia, na Alemanha, no Festival Razorblade. A oportunidade surgiu através do nosso manager, Eliton Tomasi, que já conhecia o pessoal da organização do evento e conseguiu combinar com um técnico local de fazer a captação.  Esse show aconteceu em nossa primeira tour na Europa, em 2010. Dos 18 shows que fizemos, com certeza esse foi o mais legal e a captação ficou excelente, a banda estava com sangue nos olhos e fez um show foda. Então, tudo conspirou a favor de lançarmos esse material. O resultado mostrou bem como a banda estava ao vivo na época. Acabou sendo um lançamento que trouxe um retorno até maior que esperávamos, e preparou bem o terreno para que viéssemos com o novo disco “Opressor”.


RtM: Um dos frutos dos intercâmbios na Europa foram os shows com o Terrordome (Polônia), fale pra gente um pouco mas dessa parceria, inclusive dos shows que os poloneses fizeram com vocês no Brasil recentemente. Vem mais frutos dessa parceria pela frente?
Marco: Durante o planejamento da nossa segunda turnê europeia rolou esse contato com o Terrordome, houve uma interação legal e decidimos fazer a tour juntos. E felizmente todos se deram muito bem. Os caras viraram grandes amigos, pessoas que mantemos contato semanalmente até hoje, e o fato de eles terem levado todo o backline fez toda a diferença. Chegar em todos os shows sabendo exatamente como seria a bateria foi um sonho (risos). A tour em geral foi foda, sem nenhum problema, tudo correu muito bem e desde então tínhamos esse plano de eles virem pro Brasil. E no começo do ano os caras vieram. Foi demais poder retribuir a hospitalidade que tivemos por lá.
Os caras (do Terrordome) se divertiram demais aqui, fizeram vários shows legais, foram na cachoeira, se apaixonaram pelas brasileiras, foram assaltados (risos). Ou seja, voltaram pra casa cheios de histórias. E com certeza vem mais coisas por aí dessa parceria.


RtM: Vocês também tiveram a oportunidade de tocar com o Exodus aqui no Brasil, sei que vocês também são fãs. Fale um pouco sobre esses shows e essa oportunidade.
Manu: Na verdade foi um único show em Curitiba no Music Hall e foi muito foda! Como você mesmo disse, o Exodus é referência pra todos na banda e ter a chance de tocar no mesmo evento que eles foi algo único em nossa trajetória, mais um marco a ser celebrado. Tivemos todas as condições de fazer um show legal, tocamos por 40 minutos e a recepção do público foi excelente, mais do que esperávamos devo confessar, pois era nossa primeira vez na cidade e no sul do país como um todo.

Muitas pessoas aqui no Brasil não valorizam as bandas de abertura e ficam na porta fazendo hora até a atração principal, mas o público de Curitiba mostrou que está fora dessa atitude blasé ridícula. Antes de pisarmos no palco a casa já estava lotada com a galera colada na grade! Pessoas cantando trechos das músicas, com camisas da banda e nos procurando depois pra trocar uma ideia e comprar material, isso com certeza nos faz querer voltar a capital do Paraná o quanto antes! E sobre o Exodus, os caras e toda equipe foram muito legais com a gente, o Zetro até assistiu parte do nosso show do lado do palco! Tivemos a oportunidade de conversar com eles depois do show e comprovar que são antes de tudo pessoas humildes e pé no chão, muito mais que muitos babacas que nem saíram da garagem direito e já “se acham” (risos).



RtM: O mais recente álbum da banda, "Opressor" (2014), recebeu menções e elogios em diversos veículos especializados, figurando em várias listas de melhores daquele ano também. Analisando o disco agora passado um tempo da composição, lançamento e resultados até agora, você acredita que seria o melhor e talvez mais maduro álbum do Uganga? Qual a importância dele na história da banda?
Marco: Definitivamente, em minha opinião, é o melhor e mais maduro álbum da banda. Acho que no “Vol. 3: Caos Carma Conceito” nós conseguimos firmar a nossa sonoridade, criar a identidade própria do Uganga.  Já no “Opressor” essa sonoridade foi lapidada e consolidada. Acho que a banda em geral alcançou seu ponto alto nesse álbum, e os integrantes, individualmente, também mostraram uma evolução musical muito grande.
Manu: Não tenho dúvidas que “Opressor” é o melhor trabalho do Uganga, ao menos até aqui. Ele nos levou alguns degraus acima e agora estamos trabalhando pesado para superá-lo no próximo lançamento.


RtM: Continuando sobre "Opressor", gostaria que você comentasse a respeito do tema da música, e também o porque da escolha dela para faixa título?
Manu: Acho que essa faixa sintetiza muito bem a temática do álbum que engloba várias questões referentes ao mundo atual, tanto positivas como negativas. A ideia do Opressor é uma entidade criada pelas falhas, pelos erros que nós seres humanos estamos cometendo há séculos com nosso planeta e com nós mesmos. Um totem erguido em função dos nossos vacilos, em função da maneira como tratamos o mundo. Ego, ódio, guerras, inveja, vícios, religiões, mentiras, está tudo lá formando essa figura simbólica inspirada na divindade hindu Kali, a deusa da destruição.
Adaptamos essa ideia, junto ao Betinho que fez a arte, pros dias atuais e pra nossa visão de mundo.

Escolhi o nome do álbum antes de escrever a letra, passei a ideia pros caras e todos gostaram. Não é um trabalho conceitual, mas as letras se amarram de alguma maneira ao tema da faixa título.


" O álbum 'Opressor' nos levou alguns degraus acima, e agora estamos trabalhando pesado para superá-lo."
RtM: O Uganga também utiliza muitos elementos brasileiros, e samples nas composições, como incursões a ritmos típicos e letras que abordam temas bem brasileiros, como alguns problemas sociais, por exemplo na "Moleque de Pedra" e umbanda em "Aos pés da Grande Árvore". Gostaria que você falasse um pouco a respeito desses elementos que compõem a personalidade da sonoridade do Uganga.
Manu: Sobre elementos e ritmos típicos brasileiros, acho que vem mais nos samples e interlúdios do que nas composições propriamente ditas, já que trabalhamos com o básico: voz, guitarras, baixo e bateria. Somos antes de tudo uma banda que funde heavy metal e hardcore/punk à nossa maneira, mas temos sim alguns elementos fora desse universo que usamos aqui e ali em algumas composições, não somente coisas da música brasileira. O dub jamaicano, por exemplo, sempre foi outra influência diluída em nossa música, assim como batidas vindas da África e algo do rap oldschool nos vocais. No final esses pequenos detalhes acabam sendo mais um diferencial em nossa personalidade, assim como letras que fogem dos padrões do metal, como as que você citou.


RtM: E já que falei dessas duas músicas, que estão entre minha preferias do álbum, gostaria que você também comentasse um pouco mais sobre o conteúdo lírico dessas duas músicas em especial.
Manu: “Moleque de Pedra” foi uma letra que escrevi com meu grande amigo Tito, baixista da banda Seu Juvenal, e fala da molecada na rua doida de pedra. As pessoas ficam falando dos zumbis do cinema e se esquecem que infelizmente temos os nossos vagando pelas ruas do Brasil há bastante tempo. O crack é uma epidemia fora de controle e para a maioria das pessoas parece ser algo distante. Isso é lamentável e mostra o quão egoísta o ser humano pode se tornar. Crianças vivendo como lixo nas ruas do Brasil e os políticos filhos da puta fazendo vistas grossas ou optando por “soluções” eleitoreiras. Isso me enoja! “Aos Pés Da Grande Árvore” é uma homenagem ao meu Orixá, Omulú, e a todos os guias que nos ajudam e ensinam, encarnados ou não. Tenho muito respeito por várias correntes espirituais distintas e a umbanda com certeza é uma delas.


RtM: E como foi o processo de composição, produção e gravação de "Opressor"? Vejo que vocês se cobraram bastante nesse álbum, buscando inclusive uma produção excelente em termos de sonoridade. Como foi a escolha do produtor Gustavo Vazques e a contribuição dele para o resultado final?
Manu: Nós ficamos dois anos envolvidos com a pré-produção e composição do álbum para chegar no estúdio com - se não tudo - quase tudo pronto. Antes a gente deixava muita coisa pra definir no estúdio e isso gerava mais debates que efetividade. Desde o “Vol. 03...” estamos focando mais na composição e na pré e os resultados falam por si, a banda, a meu ver, se encontrou dessa maneira. O Gustavo teve um papel muito importante na captação do material assim como em tirar a melhor performance de cada um dos integrantes. O cara é um mestre nisso! A parte de produção propriamente dita ficou nas mãos da banda mesmo e essa função fica mais comigo e com o Ras (baixo). Somos seis pessoas, todos compõem, mas agora temos um processo mais organizado e produtivo para equacionar todas as ideias. Posso dizer que chegamos no Rocklab (estúdio onde “Opressor” foi gravado) com 90% do material definido. Estamos na pré do novo álbum e vamos repetir esse processo.



RtM: Os resultados e elogios alcançados com "Opressor", conforme vocês afirmaram, então põem uma certa pressão para compor o próximo álbum?
Marco: Acho que a pressão interna é sempre maior. Claro que você sempre quer agradar as pessoas que curtem a banda, mas o mais importante é que a banda esteja satisfeita com o resultado. E que acredite que conseguiu crescer e evoluir mais em relação ao trabalho anterior, até porque não faz sentido lançar algo pior do que o que foi feito anteriormente. Já temos algumas composições novas e pelo rumo que as coisas estão tomando acho que vamos conseguir alcançar esse objetivo.
Manu: Com certeza queremos sempre nos superar. O Uganga faz e sempre fez o que acha certo independente de críticas ou elogios externos, mas dentro dessa ótica trabalharemos duro pra ir além de onde estamos.


RtM: E como você vê o papel e importância do Uganga dentro do cenário mineiro, que revelou tantos nomes cultuados aqui e lá fora, como Sarcófago, Overdose, Sepultura, Witchhammer, Chakal e outros? O fato de vocês serem conterrâneos do Sepultura, por exemplo, despertou alguma curiosidade do público lá na Europa?
Manu: Sempre desperta, o metal nacional é muito respeitado no velho mundo graças a essa safra embrionária maravilhosa dos anos 80. Sendo filho dessa cena vejo que estamos dando continuidade a algo que nos orgulha muito. Quando as bandas que você citou começaram, elas buscavam pelo seu som próprio, algo que veio a influenciar inúmeros grupos pelo mundo. Não se tratava de copiar determinados grupos do passado. Uma coisa é ser influenciado, outra é tentar repetir o que já foi feito. No nosso caso é a mesma coisa, não queremos ser cópia de nenhuma delas, apesar de sermos influenciados por várias e sermos amigos de outras tantas. Será que precisamos de mais clones do Sarcófago ou Sepultura por aí? Creio que não.


"Uma coisa é ser influenciado, outra é tentar repetir o que já foi feito."


RtM: E sobre a cena Metal, você acha que é uma utopia desejar viver de Metal aqui no Brasil, ou é possível? Alguns poucos conseguiram, mas a realidade pode mudar e com muito trabalho, e talvez focando em alguns mercados, uma banda aqui pode se auto-financiar e sobreviver do seu trabalho?
Marco: Acho que viver de música em geral é bem difícil. Não acho que é uma utopia, mas também não é algo que eu pessoalmente tenha como meta. É muito comum ver bandas que tem um nome forte, turnês pelo país, tocam nos maiores festivais, e ainda assim os integrantes têm outros empregos, que normalmente são a principal fonte de renda. O Uganga chegou num ponto que consegue se manter. Uma banda tem gastos, e não são poucos. Produção de merchandise, ensaios, divulgação, assessoria de imprensa, equipamento... E felizmente temos conseguido empatar essa conta, através de shows e venda de merchandise. Mas, sinceramente, o que eu quero é tocar bastante, levar o som do Uganga para o máximo de lugares possível e conseguir manter essa engrenagem rodando. Se pra isso tenho que continuar trabalhando no meu bar, ou com minha marca Incêndio, ótimo. O que não quero é parar de tocar.
Manu: Todos temos nossos trabalhos fora da banda, mas ao mesmo tempo , se existe um caminho para poder sobreviver de música, queremos buscá-lo da maneira certa. Assim como nesses trabalhos paralelos, não estamos na música pra brincar.


RtM: Pessoal, obrigado mesmo! Fica o espaço final para vocês enviarem seu recado, mensagem aos fãs, etc.
Marco: Valeu pelo espaço! Agradecemos de coração a oportunidade.

Manu: Logo sai o Opressor em vinil aqui no Brasil pelo selo Sapólio Radio, e na Europa em cd pela Defense Records. Um pouco mais a frente tem o novo trabalho e enquanto isso nos vemos na estrada. Paz a todos!



 

Entrevista: Carlos Garcia

Fotos: Divulgação

Assessoria de Imprensa: Som do Darma



Mais Informações:

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"Ego, ódio, guerras, inveja, vícios, religiões, mentiras, está tudo lá formando essa figura simbólica inspirada na divindade hindu Kali, a deusa da destruição. Adaptamos essa ideia, junto ao Betinho que fez a arte, pros dias atuais e pra nossa visão de mundo."

Interview - Uganga: Keeping the Gear on Movin




With more than 20 year career in the music, Uganga, a band from the traditional circuit of Minas Gerais, wich give us seminal bands like Sepultura, Sarcófago, Chakal and others,  have a certainty: it has been worth it! since there are, more than two decades after the onset of the band making music and main still enjoying all that involves the process. Proof of this is the album "Opressor", released in 2014 and hailed as the best work of the group. (Versão em Português)

To speak a little of this mark of two decades in Metal, the tours here in Brazil and in Europe, the album "Opressor", and other issues, we have talked with Manu "Joker" Henriques and Marco Henriques, and the result you'll see below

RtM: More than 20 years of career, looking back to all this years, do you believe that the band has achieved most of its objectives, in the expectation of when you began your work? What the band aims for the future?
Manu "Joker" Henriques: Speaking for myself, I believe that we are here more than 20 years after the beginning of the band, making music and enjoying it, it is proof that it has been worth it. See several people citing Uganga as something relevant on the national scene makes us very happy, but not in the seats. If we have reached all our goals? Certainly not, but we are motivated to follow this journey because it has proven very valid. Released four studio albums, a recorded live in Germany, we passed several regions of Brazil as we drove many kilometers on European soil in the two tours we do there. We made many friends, played alongside idols to what motivated us to have a band and we have received a strong response from both, the public and critics. This all does not have price! While this energy to take us forward, we will continue giving our best and doing what we like most, that is playing heavy rock.
Marco Henriques: As Manu said, are over 20 years of playing. That alone is a super source of pride and accomplishment, but we are always wanting more, seeking to evolve and grow with the band. Surely already achieved several goals that we had with the Uganga, but this process is always renewing itself, we are always looking to evolve within our music and it is very important to the gear keep moving.


RtM: The Uganga is a band that sought and seeks to disseminate in various ways their work, including having two tours in Europe. I would like you tell us a little about these two passages through old world, the fruits harvested and results, and also a comparison with the conditions found there, with the reality of bands here in Brazil.
Manu: We were the first time in 2010 and ran 13,000 kilometers. It was a tour of hard work and learning, but with a totally satisfactory result, we recorded our live album in Germany, launched the album "Vol.03 ..." in Europe by Metal Soldiers of Portugal and created a fan base that has been strengthening since then. In 2013 we returned to promote the live album, this time a joint tour with our brothers of Terrordome (Poland) and the results were even better, although we rotated least 6000 km. With this second tour close partnership with the Defense Records from Poland, who will launch the album "Opressor" there this year, and I believe that in 2017 we do our third working there to disclose not only this release as the next, that there is already finalized.

"We are always looking to evolve within our music and it is very important to the gear keep moving."
RtM: You also released a live album, "Eurocaos Live" (Sapólio Radio Label), tell us how the opportunity arose and how it was planning for this album. And have recordings of many shows was something planned at the beginning, instead of capturing and concentrating production in one of the shows?
Marco: In fact, taking the medley with Sarcófago and Sepultura's songs (which was recorded in Portugal) and the bonus tracks, the show was all recorded on the same day, Germany, Razorblade Festival. The opportunity came through our manager, Eliton Tomasi, who already knew the staff of the organization of the event and managed to combine with a local technician to capture. This show happened on our first tour in Europe in 2010. Of the 18 shows we did, surely this was the coolest and the uptake was great, the band was blood in his eyes and made a fucking show. So everything conspired in favor of launch this material. The result showed as well as the band was live at the time. It ended up being a release that brought an even greater return we expected, and well set the stage for us to come with the new album, "Opressor".


RtM: One of the goal with the tours in Europe were the shows with Terrordome (Poland), talk to us a little more about this partnership, including the shows that the Poles did with you in Brazil recently. It comes more fruits of this partnership ahead?
Marco: During the planning of our second European tour rolled this contact with the Terrordome, there was a nice interaction and we decided to do the tour together. And luckily they all did very well. The guys became great friends, people who keep in touch weekly until today, and the fact that they have taken all the backline made all the difference. Get all shows knowing exactly how would the drum kit was a dream (laughs). The tour in general was fuckin great, no problem, everything went very well and since then we had this plan they came to Brazil. And earlier this year the guys came. It was awesome to be able to reciprocate the hospitality that we had there. The guys had fun too here, made several legal shows, were at the waterfall, fell in love with the Brazilian girls, were knocked off (laughs). That is, they returned home full of stories. And certainly comes more things around the partnership.


RtM: You also had the opportunity to play with Exodus in Brazil, I know you are also fans. Tell us about these shows and this opportunity.
Manu: It was actually a single show in Curitiba at the Music Hall, and was very cool! As you said, Exodus is a reference for everyone in the band, and have a chance to play in the same event that they was something unique in our history, a milestone to be celebrated. We had all the conditions to make a cool show, played for 40 minutes and public reception was excellent, more than we expected I must admit, it was our first time in the city and in the South as a whole.

Many people in Brazil do not value the opening bands, and are at the door making time, waiting for the main attraction, but the audience of Curitiba showed that is out of this ridiculous blasé attitude. Before we step on stage the house was already crowded with guys totally wasted! People singing the songs, wering band's shirts and looking after to exchange an idea and buy material, it certainly makes us want to return to the capital of Paraná as soon as possible! What about the Exodus, the guys and all staff were very nice to us, Zetro even watched part of our show beside the stage! We had the opportunity to talk with them after the show, and they prove that they are above all humble and people standing on the ground, much more than many assholes that not left the garage yet  and think themselves are stars (laughs).


RtM: The latest album, "Opressor" (2014), received mentions and very good compliments in various specialized vehicles, appearing in several lists of the "best album of the year". Analyzing the album past now a time after the release and results so far, do you believe would be the best and perhaps most mature Uganga's album? What is its importance in the history of the band?
Marco: Definitely, in my opinion, is the best and most mature album. I think the "Vol 3: Caos, Carma, Conceito" ("Vol. 3: Chaos Karma Concept") we can establish our sound, creating the identity of Uganga. In the album "Opressor" this sound was polished and consolidated. I think the band in general reached its high point on this album, and members individually also showed a big musical evolution.
Manu: I have no doubt that "Opressor" is the best work of Uganga, at least so far. It took us a few steps up and now we are working hard to overcome it in the next release. 

RtM: Continuing on "Opressor", I would like you to comment on the music theme, and also because of her choice for the title track?
Manu: I think this band synthesizes very well the theme of the album that includes several issues regarding the current world, both things, the positive and negative. The idea in Opressor is an entity created by the failures, the mistakes that we humans are committing for centuries with our planet and ourselves. A totem erected on the basis of our vacillation, depending on how we treat the world. Ego, hatred, war, jealousy, addictions, religions, lies, everything is there to form this symbolic figure inspired by the Hindu deity Kali, the goddess of destruction. We adapted this idea to nowadays and to our world view. I chose the album name before writing the lyrics, I spent the idea to the guys and everyone enjoyed it. There is not a conceptual work, but the lyrics are tied in some way to the theme of the title track.

"I have no doubt that "Opressor" is the best work of Uganga, at least so far. It took us a few steps up and now we are working hard to overcome it in the next release. "

RtM: The Uganga also uses many Brazilian elements and samples in the compositions, and lyrics with Brazilian themes, as some social problems, for example in "Moleque de Pedra" and Umbanda in "Aos Pés da Grande Árvore" I would like you to talk a little about those elements that make up the personality of Uganga's sonority.
Manu: About elements and typical Brazilian rhythms, I think it comes more in samples and interludes than the actual compositions, as we work with the basics: voice, guitars, bass and drums. We are first of all a band that fuses heavy metal and hardcore / punk in our way, but we do have some elements out of this universe that we use here and there in some compositions, not only things of Brazilian music. The Jamaican dub, for example, has always been another diluted influence in our music as well as welcoming beats of Africa and something oldschool rap vocals. In the end these small details end up being more a difference in our personality as well as letters fleeing metal patterns, as you mentioned.


RtM: And since I spoke of these two songs, which are among my favorites, would you also comment a bit more on the lyrical content of these two songs in particular.
Manu: "Moleque de Pedra"  (Kid of Stone) was a lyric that I wrote togheter with my good friend Tito, bassist of the band Seu Juvenal, and speaks of this kids crazy with crack stone. People are talking about the movie zombies and forget that unfortunately we have our wandering the streets of Brazil for a long time. Crack and cocaine are an epidemic out of control and to most people seems to be something distant. This is unfortunate and shows how selfish man can become. Children living as garbage in the streets of Brazil and the political motherfuckers turning a blind eye or opting for "solutions" electioneering. That disgusts me! "At Feet Of The Great Tree" is a tribute to my Orisha, Omulu, and all the guides that help us and teach, incarnated or not. I have much respect for a number of different spiritual ways and Umbanda is certainly one of them. 

RtM: How did the writing process, production and recording of "Opressor"? I see that you had a hard work on this album, including seeking excellence in terms of sound. How was the choice of the producer Gustavo Vazques and his contribution to the final result?
Manu: We were two years involved in pre-production and album up to get in the studio with - if not all - almost all set. Before we left a lot to set the studio and it generated more debates effectiveness. From the "Vol. 03 ... " We are focusing more on composition and pre-production, and the results speak for themselves, the band, in my opinion, was found your better way to work. Gustavo had a very important role in the capture of the material as well as get the best performance of each member. The guy is a master at it! The production is on the hands of the band and this function is more with me and Ras (bass). We are six people, all make up, but now we have a more organized and productive process to equate all ideas. I can say that we arrived at Rocklab (studio where "Opressor" was recorded) with 90% of defined material. We're in pre-production of the new album and we will repeat this process.


RtM: The results achieved and praise with "Opressor" put some kind of pressure to make the next album?
Marco: I think that the internal pressure is always greater. Of course you always want to please people who like the band, but the most important is that the band is satisfied with the result. And I believe that managed to grow and evolve more in the previous work, because it makes no sense to release something worse than what was done previously. We have some new compositions and the way things are taking I think we will be able to achieve this goal.

Manu: Certainly whenever we want to overcome. The Uganga does and has always done what feels right independent of external criticism or praise, but within that optical hard work to go beyond where we are.

RtM: And how do you see the role and importance of Uganga within the scenario in Minas Gerais, which revealed many revered names here and other countries, as Sarcófago, Overdose, Sepultura, Witchhammer, Chakal and others? The fact that you are fellow of Sepultura, for example, aroused some curiosity there in Europe?
Manu: Always. The brazilian Metal is well respected in the old world thanks to this wonderful harvest from 80s. Being the son of the scene, I see that we are the continuing of something that makes us very proud. When the bands you mentioned started, they were looking for their own sound, something that came to influence many groups around the world. It was not copy certain groups of the past. One thing is to be influenced, another is trying to repeat what has already been done. In our case it is the same thing, we do not want to be a copy of any of them, despite being influenced by various and be friends with many others. Do we need more clones of Sarcófago or Sepultura around? I do not think so.

 "One thing is to be influenced, another is trying to repeat what has already been done"
RtM: What about the Metal scene, do you think that is utopian to want to live of metal in Brazil, or is it possible? A few succeeded, but the reality can change and with hard work, and perhaps focusing on some markets, a band here can be self-financing and survive only with your job?
Marco: I think live music in general is very difficult. I do not think it is a utopia, but it's not something I personally have a goal. It is very common to see bands that have a strong name, touring the country, touch the biggest festivals, and yet the members have other jobs, which are usually the main source of income. The Uganga reached a point that can keep. A band has spent, and there are few. merchandise production, testing, promotion, press office, equipment ... and we have fortunately been able to draw this account through shows and selling merchandise. But honestly, what I want is to play well, take the sound of Uganga to many places as possible and be able to keep this running gear. If for that I have to keep working on my bar, or with my fire brand, great. What we do not want is to stop playing.

Manu: We all have our jobs out of the band, but at the same time if there is a way to survive music, we want to search it on the right way. As these parallel works, we are not in music to play.


RtM: Guys, thank you! It is the ultimate space for you to send your message, a message to fans. Marco: Thanks for the space! Thank you by heart for the opportunity.
Manu: We are releasing the "Opressor" vinyl in Brazil by Sapólio Radio label, and in Europe on CD by the Defense Records. A little further on is the new job and meanwhile we see on the road. Peace for all!


Interview: Carlos Garcia


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"The idea in Opressor is an entity created by the failures, the mistakes that we humans are committing for centuries with our planet and ourselves."