sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Resenha: Deathspit - Chaos of Doom

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.0/10.0

Death/Thrash Metal com Groove?! Como assim?! Pois é, difícil de entender?! Talvez, mas essa galera mineira da DEATHSPIT faz questão de, não só além de explicar, demonstrar que pode funcionar muito bem a ponto de entrar no coração do banger mais xiita! Sabe como eu posso afirmar isso?! Porque eu sou um destes xiitas do Metal e "Chaos of Doom", seu álbum de estreia se tornou o meu mais novo vício, juntamente com os novo álbuns do Sorcerer e Soen.

Eu sinceramente não sei aonde a Eternal Hatred records encontra essas bandas obscuras, para traze-las até o nosso campo de visão. Talvez por estarmos mais habituados em acompanhar o que sai fora do país, excelentes grupos como este acabam se concentrando no gueto mais escuro no submundo da cena. Corrigindo isso, chegou ate mim este belo CD, que já está pleno e belo na minha prateleira. Cara, como "Chaos of Doom" é legal! 

Apesar das "modernices", que eu particularmente deixaria de lado, quando o trio se atém aos riffs e bases old school, acerta em todos! "Warfare Noises” e “Inequality” possuem todos estes elementos que citei, mas quando descambam para partes mais tradicionais do estilo, deixam qualquer concorrente no chinelo! A DEATHSPIT só poderia ter saído de Minas Gerais! Parece que no DNA deste povo, já está incutido o "saber fazer música extrema de qualidade"!

"Chaos of Doom" foi lançado em 2023, mas infelizmente apenas agora, em fevereiro de 2024 pude ter tempo de digeri-lo! Demorei sim, mas antes tarde do que nunca, ainda mais para álbuns que merecem a nossa total atenção! Torço para que a DEATHSPIT continue firme, nesta árdua batalha que é manter atuante uma banda underground no Brasil! Indispensável!

Resenha: King of Salem - Sovereign

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.5/10.0

Seja você de qual religião for, é impossível passar incólume por esta arte de capa, composta pelo brasileiro Rômulo Dias, para ilustrar o debut da KING OF SALEM, "Sovereign". Além do artista gráfico, estes mexicanos vieram recrutar o cantor Lean Van Ranna, também brasileiro, para unificar de vez estes dois países, que tem raízes muito parecidas! Mas será que esta união, na prática, funcionou? É o que vamos conferir no decorrer deste texto.

O estilo da KING OF SALEM é o Prog Metal com algumas pitadas de Power aqui e ali. Para que você, caso não a conheça ainda, fique voando, estes mexicanos seguem a risca a fase mais pesada e interessante do Symphony X, inclusive o próprio Lean confere linhas melodiosas repletas de drives, que muito se assemelham ao fantástico Russel Allen. A produção é apenas mediana, nada que comprometa, mas também nada que salte aos ouvidos. 

Contudo, a masterização ajudou bastante para conceder brilho necessário para que músicas como Follow You” e “Before End” pudessem tem a força e impacto que ambas possuem! As letras aqui, de cunho cristão, podem até afastar alguns, não foi o meu caso, mas se a intenção é pregar para todos, que assim continuem porque tudo aqui foi muito bem escrito!

"Sovereign" me agradou e estes caras da KING OF SALEM vem construindo uma carreira muito sólida não apenas no México, mas principalmente no Brasil, Europa e Ásia! Segundo a sua gravadora brasileira, a MS Metal, a banda está prestes a lançar por aqui o seu novo álbum, contando com um novo line up, que inclui um novo vocalista. 

Estou curioso e ansioso para saber quais serão os próximos passos desta moçada! E que venham nos visitar, pois serão muito bem recebidos por todos nós, brasileiros!

Resenha: Listen - Manifesto

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.0/10.0

A minha praia é e sempre será o Metal, mas não me fecho para coisas novas. Trocando em miúdos, não me considero um cara mala, que já sai torcendo o nariz antes mesmo de dar uma chance para qualquer que seja a banda. Caso não agisse desta forma, não teria como ter apreciado este "Manifesto", novo EP da banda de Alternative Rock LISTEN! Som interessante, bem diferente do que estou habituado a escutar no meu dia a dia, e adoro quando isso acontece! O fato de cair no meu colo, discos inusitados!

Groove, letras fortes em português e o peso do Metal aliado ao direcionamento fincado na música alternativa! Estes ingredientes jogados numa bacia com água benta, dá um caldo bastante digestivo, mesmo com ingredientes tão díspares. Mas o que ajuda nesta equação é a qualidade latente dos compositores da LISTEN, que devem consumir assiduamente outros artistas que tenham este tipo de conduta criativa. "Pulmões", por exemplo, é uma das músicas mais legais e inovadoras que escutei tem bastante tempo e, ao mesmo tempo, ela é muito simples, de assimilação rápida! Quem disse que complexidade é sinônimo de qualidade? Não mesmo, tá!?

A arte da capa é qualquer coisa, não gostei dos tons em preto e vermelho, me passando até dificuldade de entender o que tinha nela. Já a produção é muito competente, deixando tudo audível, com clareza cristalina. Acredito que a LISTEN, neste "Manifesto" optou por fazer os mais diversos testes, inclusive, testes de estética visual, para que o debut álbum que se aproxima tenha um conteúdo mais maturado! Se este foi o objetivo, estão de parabéns pela estratégia.

Com o seu full lenght prometido para 2024, com a competente equipe da MS Metal por trás, acredito que tudo vá dar liga! Só não sei ao certo em qual cenário a LISTEN será inserida após o lançamento, contudo, esteja onde estiver, despercebidos estes caras não não passar! Não tem nem como!

Resenha: Connecting Pieces - Your Soul Dies First

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.0/10.0

"Your Soul Dies First" era o disco que eu precisava ouvir neste mês de fevereiro. A CONNCETING PIECES chega ao seu mais novo trabalho, elevando o seu Hard Rock ao extremo, com mais inserções de elementos oriundos do Metal mais moderno. A mescla deu muito certo, isso é inegável, o que fica evidente em pouco tempo de contato com o material. Infelizmente a análise foi feita com a versão digital, mas em breve nos foi prometida a versão física em CD.

Sob a liderança do experiente baterista Vinnie Kuhlmann, que já integrou a saudosa Tiger Cult, a banda destila muito peso nas suas bases, que se contrapõem com riffs melodiosos da escola AOR e um vocalista que assume todos os riscos, para deixar músicas como "Tomorrow is Too Late", "Live my Life Away", "Spank Wire" e "The Lure of the Animal" com uma cara muito própria.

Thiago Cicilini é, sem sombra de dúvidas um excelente vocalista, que já atuou em bandas como Primacy e Kavla, portanto estrada para justificar seu alto nível é plenamente justificável. Excelente aquisição para o time, e espero que este elenco seja mantido por muito tempo.

A arte da capa do material meio que despista o estilo que o grupo adota nas suas músicas, então, qualquer fã menos avisado poderá achar facilmente que está diante de um disco de Metal Extremo. Se isso pode frustrar os desinformados, a mim apenas ressaltou o quanto a CONNECTING PIECES se esforçou para se destacar em meio ao cenário inflado que temos atualmente. A faixa título é a mais longa e encerra o álbum, no melhor clima de suspense e horror slasher, com referência explícita à franquia de filmes "Jogos Mortais". Ótima sacada!

Não é pra menos que a MS Metal Records contratou esses caras, porque tudo aqui soa muito único! Como sabemos que é difícil este tipo de afirmativa se traduzir, nada mais justo do que priorizar quem se destaca, e a CONNECTING PIECES é uma banda que merece ser acompanhada com uma lupa em mãos!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Resenha: Warfield - Master Executor

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.5/10.0

A mente criativa do compositor, líder e guitarrista da WARFIELD, Ivan Caregnato, é algo que precisa ser reconhecida. O cara estava trabalhando por muitos anos neste segundo álbum da sua banda e não deixou a gravadora lançar até que estivesse cem por cento do seu agrado para aprovação. Sim, foram muitos anos, alguns até duvidavam mesmo que "Master Executor" sairia, mas estamos aqui com ele em mãos, com um belo CD físico! Padrão internacional, podem acreditar nisso!

"Master Executor"é essencialmente um álbum de Heavy Metal, porém as influências que Ivan carrega consigo do Thrash, ficam latentes aqui e ali. Porém, como já mencionado, o disco segue a linha estrutural mais tradicional possível do Heavy Metal. Com relação ao seu debut, tudo aqui é amplificado, soando melhor, funcionando melhor, até porque o time que acompanha Ivan é também muito melhor. 

O vocalista Gustavo Rafaeli é estupendo, com um timbre agradável e por saber usá-lo da maneira mais inteligente possível. O que quero dizer, no bom e claro português, é que o cara sabe cantar e não apenas tenta ser aquilo que não seria!

O álbum é longo e quase chega a uma hora de duração, o que pode afastar o atual público, mas comigo deu muito certo, pois consumo música como se deve, dando atenção a ela integralmente! "Seabiscuit: The Racehorse", "Man on the Ground" e "Missing Children" caíram no meu gosto logo de cara! Como ouvi o álbum todo por diversas vezes, acabei me apegando muito ao seu lado b! Não que o lado não tenha o seu impacto, mas eu acabei curtindo mais as canções que ficaram mais para o final da bolacha!

Com uma bela arte de capa assinada por Carlos Fides (Edu Falaschi, Noturnall, Evergrey), uma ótima produção e composições classe A, a WARFIELD nos demonstra que o preciosismo do seu criado tem motivo de sobra para existir. Se a atual turnê deles passar por São Paulo, certamente estarei presente, até para que autografem o meu CD. Belíssimo trabalho, feito por quem já está na luta por muitos anos!






Resenha: Aske - Vol. II

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 08.5/10.0

Quando você ouve um álbum, e que sente que por trás dele tem estudo, pesquisa, embasamento filosófico, a coisa toda ganha uma conotação inimaginável! Portanto, eis que lhes apresento o "Vol. II" do duo ASKE, que chega com mensagens culturais embasadas na Quimbanda, para disseminar da melhor maneira possível, o seu Death/Black Metal. Mencionei que os caras são "Death/Black", porque rotulá-los apenas como Black Metal, não seria nada justo.

"Once..." de 2015 já havia sido muito bem recebido, mas "Vol. II" é uma clara evolução dentro do processo de composição do grupo! Ele soa melhor em todos os aspectos! A produção é mais caprichada, as linhas mais agressivas se contrapondo com melodias frias formam a base para que a sonoridade da ASKE funcione e agrade ao mais chato dos fãs do estilo. Alguns podem até torcer o nariz para as referências Death Metal que encontrei aqui, mas até estes seres das profundezas mais chatos, se tiverem apenas um pouco de boa vontade, vão abraçar integralmente este artefato maligno!

A banda faz uso do inglês predominantemente, mas deixou espaço para algumas músicas serem entoadas em nosso idioma, o português. "Represente Satanas" e "A Bruxa e o Cardeal" são excelentes, duas faixas fundamentais, mas para o meu gosto particular, não tenho como deixar de mencionar "No Soul to Sell", "The Origins of Satan" e "Pazuzu (Lost into a Valley of Rot)". Eu sou meio que averso ao português, mesmo que eu tenha vivido a era de ouro do Metal brasileiro nos anos oitenta. A fonética me incomoda um pouco, mas repito, isso sou eu sendo cabeça dura!

O ASKE vem recebendo um baita suporte da Sangue Frio Produções e Eternal Hatred Records, o que prova que a união faz mesmo a força. Não por acaso, o nome destes caras está quase que diariamente na minha timeline, então algo de muito correto está sendo desenvolvido. Que sigam por este caminho de trevas e destruição, pois os seguidores de satã tenderão a agradecer por isto!