domingo, 26 de setembro de 2021

Burning Witches: O Círculo Trabalhou Bem na Pandemia

 


A banda suíça Burning Witches,  não muito tempo depois desde o lançamento de “Dance with the Devil”, lançado em março de 2020, já apresenta seu novo álbum, “The Witch of the North”, somando quatro álbum no período de 5 anos. 

“Winter’s Wrath” é uma curta introdução com violão enquanto um coral canta, mas não se apegue à atmosfera tranquila, pois rapidamente você será martelado com a faixa título “The Witch of the North”. Os riffs das guitarras de Romana Kalkuhl e Larissa Ernst (que entrou na vaga  de Sonia Anubis) são como uma celebração aos heróis do heavy metal dos anos 80. 

Aumentando o ritmo e a fúria dos instrumentais seguimos com “Tainted Ritual”. “We Stand as One”, é um verdadeiro hino, pesado, animado e com Laura Guldemond mostrando todo seu poder vocal. 

A faixa seguinte, “Fight of the Walkyries”, tem um início mais tranquilo, mas mais uma vez não se iluda, você logo será contagiado pela fúria nos rosnados de Laura. 

A absurda “The Circle of the Five”, é uma das melhoras faixas do álbum. A balada “Lady of the Woods” irá te tirar do transe da música anterior. E em seguida prepara-se para a veloz e cativante “Thrall”, que claramente tem todos os elementos de metal clássico e combinados com mais vocais viscerais de Laura que roubam a cena nessa música.

“Omen” é um rápido intervalo, mas acho que não dá tempo nem do pescoço descansar, porque em seguida a poderosa “Nine Worlds” e seus riffs habilidosos e um refrão cativante farão você colocar o som no último volume. 

Em seguida, temos a impactante “For Eternity” que passa muito longe da monotonia. Faltando pouco para o álbum acabar, ainda dá tempo de se surpreender com o desempenho da banda em “Dragon’s Dream” e seu refrão divertido. Essa é uma das faixas que eu faixas que eu facilmente ouviria repetidas vezes. 

“Eternal Frost” é um breve intervalo instrumental que nos prepara para a já tradicional versão, desta vez a escolhida foi “Hall of the Mountain King”, do Savatage, que encerra o disco com chave de ouro.

Sinceramente eu não esperava que fosse gostar tanto desse álbum, mas foi difícil não me sentir contagiada com a energia da banda. Considerando que já estamos no meio do ano, me arrisco dizer que “The Witch of the North” estará no meu top 10 álbuns de 2021.

Texto: Raquel de Avelar 
Edição: Carlos Garcia
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o Álbum na Shinigami

Tracklist:
1.Winter s Wrath
2. The Witch Of the North
3. Tainted Ritual
4. We Stand As One
5. Flight Of The Valkyries
6. The Circle Of Five
7. Lady Of The Woods
8. Thrall
9. Omen
10. Nine Worlds
11. For Eternity
12. Dragon s Dream
13. Eternal Frost
14. Hall Of The Mountain King




 
 

sábado, 11 de setembro de 2021

Entrevista - Saeko Kitamae: De Volta e Encarando o Futuro

 


Saeko Kitamae é uma daquelas artistas que podemos chamar de guerreira, e que faz música com o coração. Nada foi simples, desde que iniciou a busca pelo seu sonho de ter uma banda de Metal, inicialmente com bandas e projetos na cena japonesa, e em seguida partiu para a Alemanha. (English Version)

Em 2002, enquanto estava nas ruas de Hamburgo distribuindo flyers em busca de músicos para formar uma banda, chamou a atenção de Lars Ratz (Metalium), que ficou impressionado com a atitude daquela jovem. A partir daí surgiu um grande parceria, com Lars produzindo os primeiros álbuns.  O debut teve boa repercussão, inclusive com Saeko indo tocar no Wacken.

Mas devido a vários percalços, logo após o lançamento do segundo álbum, "Life" (2006), Saeko teve de retornar ao Japão e interromper as atividades.

Mas a guerreira não se deu por vencida, e em 2020 era hora de retornar, e com auxílio de uma campanha de crowdfunding, gravou um novo disco. Início de 2021 a cantora teve mais um baque, a morte do grande amigo Lars Ratz em um acidente.  Era hora de reunir ainda mais forças e focar no novo trabalho, "Holy Are We Alone", lançado mês passado pelo selo Pride & Joy.

Conversamos com Saeko, que de coração aberto nos contou sobre sua carreira, as vitórias, as decepções, e claro, sobre o novo álbum, que traz uma conexão com os anteriores, e tem um belo conceito. Confira!


RtM: Você está na cena Metal há muito tempo, enfrentando altos e baixos e até se afastando dos palcos e estúdios, mas sempre ganhando força e voltando. Conte-nos mais sobre esse retorno e sobre esse novo álbum, que também contou com uma campanha de crowdfunding.
Saeko: Em primeiro lugar, obrigada por ainda se lembrar de mim depois de tantos anos. Talvez eu possa explicar mais tarde como as respostas a outras perguntas sobre o que aconteceu e como foi o sofrimento daqueles anos para mim, mas por enquanto, estou muito feliz por ter voltado com um ótimo álbum. Esse retorno foi possível graças aos patrocinadores da campanha de crowdfunding e a jornalistas solidários como você. Além disso, os grandes músicos que confiaram em mim e me ajudaram sem garantia (Guido Benedetti, Michael Ehré, Alessandro Sala e V. Santura). Sou muito grata a todas essas pessoas.


RtM: E por que você ficou tanto tempo sem lançar nada novo? Depois de realizar sonhos de tocar em um festival como o Wacken, recebendo uma boa resposta da crítica e do público com seus álbuns anteriores, você acabou suspendendo as atividades.
Saeko: Para resumir, algumas coisas aconteceram nos negócios na Alemanha e eu não consegui descobrir sozinho naquela época (2006), então não havia outra maneira a não ser interromper minha atividade musical. Quando parei minha atividade musical, minha autorização de residência expirou (eu só podia ficar na Alemanha com a condição de trabalhar para uma produtora / gravadora alemã). Então eu tive que voar de volta para o Japão. Mas no Japão, nenhum advogado japonês sabia como me resgatar do que aconteceu fora do Japão. Então, além da música, questões burocráticas e jurídicas ... Muitos obstáculos estavam por vir.



RtM: Puxa vida, tantas coisas burocráticas. E então?
Saeko: Já que todos os advogados japoneses jogaram fora meus assuntos, eu estudei e analisei por mim mesmo. Levei mais de 10 anos para descobrir os motivos e resolver os problemas. De qualquer forma, estou feliz por finalmente ter voltado, pelo menos. Aliás, a batalha mais difícil que tive dessa vez (2019) também foi com o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.
Tive de entregar muitas cartas, certificados e um grande plano de negócios para convencê-los a obter uma autorização de residência. É compreensível, no entanto. Se um estrangeiro visitar a imigração e disser: "Eu quero ficar na Alemanha para fazer heavy metal" ... presumo que a maioria dos funcionários diria "wtf", hahaha. De qualquer forma, estou na linha de partida agora e vamos ver como as coisas vão evoluir. A vida me ensinou uma lição. Agora vou enfrentar o futuro.



RtM: Quais são suas expectativas para essa nova fase com a banda?
Saeko: Antes do COVID, meus planos eram: 1. fazer o álbum, 2. encontrar uma agência de booking e 3. sair em turnê. Mesmo assim, o COVID mudou meu plano ... está normalizando aos poucos, mas ainda não encontrei uma agência de booking. No momento, estamos planejando fazer mais alguns vídeos com letras, enquanto procuramos uma agência. É uma época estranha, mas adoro fazer shows ao vivo. 

Na verdade, quero tocar no Brasil um dia, pois recebo muitas mensagens de fãs do Brasil. Enfim, nada é possível sozinho, mas muitas coisas se tornaram possíveis junto com pessoas que apoiam a mim e ao meu sonho. Então, espero que isso se torne realidade novamente. De qualquer forma, se houver alguma boa agência de shows lendo esta entrevista, entre em contato comigo.



RtM: Conte-nos sobre o conceito desse novo álbum, o lançamento diz que também teria uma conexão com os dois primeiros álbuns.
Saeko: Sim. Claro, o conceito tem conexões com esses dois álbuns, já que estou sempre escrevendo sobre o mesmo tema, a verdade eterna de nossos espíritos. Na verdade, liricamente, há várias histórias profundas acontecendo simultaneamente, mas esta entrevista é muito curta para explicar tudo.
Ainda assim, posso apontar algumas dicas interessantes aqui. Por exemplo, meu primeiro álbum (2004) foi intitulado "Above Heaven Below Heaven". Combinado com o título do próximo álbum, torna-se "Acima do céu, abaixo do céu, Holy Are We Alone".

Pessoas não asiáticas podem não reconhecer, mas alguém da Ásia certamente notará que esta é uma alteração da famosa frase de Bhudda: "Acima do Céu Abaixo do Céu, Santo Sou Eu Só". Além disso, os ouvintes que ouviram meu segundo álbum "Life" perceberão que a abertura do próximo álbum é uma alteração do final do segundo álbum, que acabou prevendo minha morte e renascimento:
"Não chore, logo te encontrarei de novo, lembre-se de mim ...". E o próximo álbum começa: "Chegou a hora, eu voltarei, Para te encontrar de novo"


RtM: Muito bom! Eu percebi a conexão na introdução do novo álbum. E muito bom que você está de volta.
SaekoEssa abertura sugere que a história continua. Mas também é a voz do SAEKO para os fãs de longa data, você sabe, para dizer que o SAEKO está finalmente de volta para você. 
De qualquer forma, o primeiro, segundo e o próximo, este terceiro, são feitos inspirados no mesmo tema.
O 1º álbum foi METAPHYSICAL, que descreveu a verdade eterna no OUTRO MUNDO. O segundo álbum foi PHYSICAL, que descreveu a verdade pessoal NESTE MUNDO, com base na minha vida real. E o novo álbum revela como esses dois mundos diferentes formam o universo juntos.



RtM: "Holy Are We Alone" traz letras em sete línguas, e também elementos da cultura japonesa, uma peculiaridade na sonoridade da banda, que até recebeu elogios em álbuns anteriores por apresentar uma identidade muito própria. Conte-nos mais sobre essas particularidades.
Saeko: Eu tenho minha filosofia: quando eu crio qualquer coisa - seja escrevendo letras ou compondo -, eu o faço com a mente vazia. Pode parecer muito oriental, mas é como uma meditação zen. Então, se há algo que você sentiu diferente do som anterior, é o resultado da minha criação e não o que eu fiz intencionalmente. Também contei essa minha filosofia para o Guido Benedetti (g), que me ajudou a compor, antes de trabalhar com ele. Então, ele disse que também é sua filosofia. Então, eu acho que nós dois tivemos sucesso em criar música, vindo do fundo de nossos corações. E acredito que tal atitude é exatamente o que dá uma identidade especial à música.



RtM: E que "surpresas" o público deve encontrar neste novo álbum?
Saeko: Que "surpresas" o público deve esperar? Hmmm, pergunta difícil, pois não pretendia surpreender ninguém, como disse acima. Mas eu mesmo me surpreendi com canções como "Índia: Farewell To You I", em que você ouve os cantos do Bhuddihism em sânscrito, e "Germany: Rebellion Mission", em que você me ouve cantando Mozart "Queen Of The Night Aria".



RtM: O primeiro single, "Russia: Heroes", foi lançado como primeiro single, gostaria que você nos contasse um pouco mais sobre essa música e sua bela letra.
Saeko: Como eu disse antes, várias histórias acontecem simultaneamente no álbum.
O conceito é que o personagem principal reencarna nos corpos de muitas pessoas ao redor do mundo, Japão, Rússia, Brasil, Índia, Alemanha ...

Mas eu queria tornar a letra o mais real possível. Então entrevistei uma pessoa desses países sobre sua vida. Com base em suas histórias de vida, escrevi as letras. Aliás, os olhos dos entrevistados também estão no encarte.

Para "Russia: Heroes", entrevistei um russo, que teve que faltar ao jardim de infância e aos primeiros anos do ensino fundamental devido a sua saúde debilitada.
Na entrevista, perguntei a ele quem era seu herói. Então, ele respondeu: "Eu considero quase qualquer pessoa que realmente realizou algo importante para si, mesmo que seja uma coisa muito pequena, um herói. Este mundo é complexo, a vida é difícil, mas eles conseguiram! Tenho orgulho deles." Essa resposta comoveu meu coração e tornou-se o refrão.


RtM: Eu sei que é difícil escolher, mas quais novas músicas você acredita que irão agradar mais aos ouvintes e por quê?
Saeko: Sim, isso é sempre difícil. Amo todas as músicas, é claro, e não consigo escolher nenhuma. No entanto, dependendo do seu gosto musical, certas canções podem agradar mais do que outras. Se você ama o power metal em geral, provavelmente vai adorar o primeiro single "Russia: Heroes". Se você ama algo mais progressivo, provavelmente vai adorar "India: Farewell To You I". Se você adora sentimentos de rock, provavelmente vai adorar "UK: Never Say Never". O ponto forte do álbum é que todas as músicas soam muito diferentes. É cheio de variedade, mas há uma sensação consistente de SAEKO ao mesmo tempo. Então, creio que você vai gostar de todos elas, afinal.



RtM: Conte-nos um pouco sobre o período com o Fairy Mirror, uma época em que você conseguiu ter uma visibilidade no cenário do Metal Japonês, mas acabou tendo que interromper as atividades.
Saeko: Oh, você quer dizer antes de 2001? Formei uma banda chamada Insania em 1997, que mudou seu nome para Fairy Mirror em 1999. Naquela época, quase nenhum selo japonês se interessava por bandas de metal japonesas, então toda a cena doméstica era chamada de 'underground', mas havia muitas boas bandas, e essas boas bandas estavam trabalhando juntas para dar suporte a toda a cena. Então, muitos músicos de metal japoneses se conheciam bem. Por exemplo, o primeiro baterista do Galneryus, Toshihiro "Tossan" Yui, estava tocando no Fairy Mirror em algum momento.
Eu também fui uma vocalista convidada no Manipulated Slaves, com quem cantei quando abriram a primeira turnê japonesa do Arch Enemy. Houve também uma compilação com Fairy Mirror, Onmyo-za (antes de ficarem grandes) e algumas outras bandas também.



RtM: E você teve bons resultados ou boas ofertas?
Saeko: Recebi ofertas de gravadoras, mas as me pediram para cantar e tocar de forma diferente para vender: Por exemplo, "por favor, cante como Tarja (Nightwish)" etc. Quase todo mundo me pressionou a fazer isso para ter sucesso, mas eu disse NÃO, o que foi o fim do meu tempo de Fairy Mirror em suma.

Enfim, fui para a Alemanha e voltei em 2006. Depois que voltei para o Japão, esses amigos músicos de metal de longa data me disseram para cantar novamente. Mesmo assim, por mais ou menos 4 anos, continuei rejeitando, pois meus problemas jurídicos não foram resolvidos e eu estava sem esperança de retomar a música na mesma escala. Lembro que na verdade não conseguia cantar, quando tentava as lágrimas rolavam.

Fairy Mirror, no Japão


RtM: E então?
Saeko: Ainda assim, em 2013, o Manipulated Slaves quase me forçou a sair em turnê como convidada com eles, colocando o anúncio em revistas japonesas. Depois disso, um projeto beneficente de heavy metal totalmente japonês, Metal Bless Japan, bem como bandas como Seventh Son e Rachel Mother Goose me convidou para participar de seus álbuns e shows.
Além disso, o cantor do Head Phones President me disse para não desistir tantas vezes. Sem eles, eu não estaria aqui agora. Não vou esquecer sua bondade.


RtM: E a opção por vir para a Alemanha? É mais difícil para um músico de metal no Japão alcançar seus objetivos? Conte-nos sobre a diferença de ter uma banda no Japão e na Europa.
Saeko: Não posso explicar todas as coisas complicadas nesta entrevista, mas publiquei um ensaio em japonês aqui, por exemplo:
https://note.com/saeko_metal/n/nc20e394c160d
Eu sei que você não sabe ler japonês, mas você pode imaginar que há uma razão muito profunda por trás disso. De qualquer forma, a indústria musical japonesa funciona de maneira completamente diferente dos países europeus. Não digo o que é melhor ou pior. Alguns músicos podem trabalhar melhor na indústria japonesa e outros na indústria não japonesa.

De qualquer forma, uma musicista como eu nunca pode trabalhar bem na estrutura da indústria musical japonesa. A mesma coisa vale para o mundo acadêmico. O tipo de pesquisador que será altamente avaliado na Europa geralmente não tem chance no Japão. O que a sociedade japonesa espera é quase o oposto do europeu. Não posso explicar mais do que isso nesta curta entrevista.

Flyer que Saeko saiu distribuindo nas ruas em Hamburgo, 2002, procurando companheiros para formar uma banda


RtM: As coisas começaram a acontecer quando você conseguiu o contato do Lars Ratz (Metalium), que acabou produzindo e, eu acho, tocando também no seu primeiro álbum com a banda Saeko, "Above Heaven - Below Heaven". Conte-nos um pouco sobre esse período, que acho que foi muito bom para vocês e apontava para um futuro promissor.
Saeko: Ele significou muito para mim, mas ele não tocou no meu álbum (o baixista do Fairy Mirror tocou o baixo no primeiro e no segundo álbum). Mas gostei de seus coros masculinos, gravados nos dois álbuns.

Você sabe como as coisas começaram com ele em 2003? Eu estava distribuindo panfletos, "Vocalista Buscando Juntar-se a Banda de Heavy Metal", sozinha na rua de Hamburgo. A maioria das pessoas talvez tenha considerado apenas uma piada, mas Lars levou a sério, e ele entendeu o quanto a música heavy metal significava para mim.
E ele me apresentou a Michael Ehre, V. Santura e tantas pessoas incríveis. Sem ele, esses 2 álbuns simplesmente não existiriam. Realmente, ele significava muito para mim.

Saeko e Lars Ratz

RtM: Um ótimo músico, tão triste que faleceu.
Saeko: Ele faleceu por acidente em abril deste ano. Quase um mês antes de sua morte, ele, eu e V. Santura conversamos novamente, para tê-lo como convidado em meu próximo álbum, para cantar alguns corais masculinos novamente. Ele ficou feliz em ouvir minha volta e gravou os backings. Foi muito divertido que eu estivesse pensando em pedir a ele para gravar meus vocais novamente no futuro. Porque ele era o melhor para mim como produtor vocal. 

Então, logo depois disso, ele partiu deste mundo. Fiquei chocada, pois provavelmente fui eu quem gravou sua última apresentação. Você entende o que isso significa? Eu senti que era o destino.
De qualquer forma, ele e eu fizemos ótimas músicas juntos. Lars e eu éramos idealistas livres, apaixonados e ousados. Tenho certeza que o encontrarei novamente na minha próxima vida. É estranho que eu tenha tanta certeza.



RtM: E o álbum "Life"? Algumas coisas não estavam indo como você esperava? Fale um pouco sobre esse álbum também.
Saeko: Não foram bem, e eu tive que voar de volta para o Japão, como expliquei acima. Além disso, usei todo o meu dinheiro e foi muito difícil para mim sobreviver no dia seguinte. Se bem me lembro, comecei a dar entrevistas de emprego um mês depois do lançamento, pois realmente tinha que sobreviver de qualquer maneira. Sem dinheiro para amanhã em mãos, eu estava muito deprimida, então recebi mensagens de fãs da América do Sul, dizendo "Por favor, venha tocar no meu país". Eu estava tipo, "Sim, eu gostaria! Mas não tenho dinheiro para isso!"


RtM: E sobre os planos após o lançamento de "Holy Are We Alone"? Assim que possível, já existem contatos para shows?
Saeko: Espero montar alguns shows, então preciso encontrar uma boa agência de booking para me ajudar. Infelizmente, não posso configurar todas essas coisas sozinha. Mas, claro, não quero terminar só lançando um álbum, como da última vez. Então, por favor, me deseje sorte em encontrar uma boa agência desta vez e fazer isso.



RtM: Obrigado pela entrevista, esperamos que o novo álbum tenha uma ótima recepção, qualidade sabemos que tem!
Saeko: Muito obrigada de minha parte também. Pessoas como você apoiando minha música. Realmente, eu agradeço.

Interview - Saeko Kitamae : Facing the Future

Saeko Kitamae is one of those artists we can call a warrior who makes music with her heart. Since starting the search for her dream of having a metal band, initially with bands and projects in the Japanese scene, and then left for Germany. (versão em português)

In 2002, while she was on the streets of Hamburg distributing flyers looking for musicians to form a band, caught the attention of Lars Ratz (Metalium), who was impressed by the attitude of that young woman. From there, a great partnership emerged, with Lars producing the first albums. The debut had good repercussion, including with Saeko going to play at Wacken.

But due to several setbacks, shortly after the release of the second album, "Life" (2006), Saeko had to return to Japan and discontinue activities.

But the warrior did not give up, and in 2020 it was time to return, and with the help of a crowdfunding campaign, she recorded a new album. Early 2021 the singer had another hit, the death of great friend Lars Ratz in an accident. It was time to gather even more strength and focus on the new work, "Holy Are We Alone", released last month on the Pride & Joy label.

We have talked to Saeko, who open-heartedly told us about his career, the victories, the disappointments, and of course the new album, which brings a connection with the previous ones, and has a beautiful concept. Check out!


RtM: You've been in the Metal scene for a long time, facing ups and downs and even moving away from the stages and studios, but always gathering strength and coming back. Tell us more about this comeback and about this new album, which also featured a crowdfunding campaign.
Saeko: First of all, thank you for still remembering me after so many years. Maybe I can later explain as the answers to other questions about what happened and how suffering those years were for me, but for now, I'm very happy that I was able to come back with a great album. This comeback was possible thanks to backers of the crowdfunding campaign and to supportive journalists like you.

Also, the great musicians who trusted me and helped me with no guarantee (Guido Benedetti, Michael Ehré, Alessandro Sala and V. Santura). I'm very thankful to all of these people.


RtM: And why did you go so long without releasing anything new? After realizing dreams like playing at a festival like Wacken, receiving a good response from critics and audiences with your previous albums, you ended up suspending activities.
Saeko: To make it short, a few things happened businesswise in Germany and I couldn't figure it out myself in those days (2006), so there was no way but to stop my music activity. When I stopped my music activity, my residence permit expired (I was allowed to stay in Germany only on the condition that I work for a German production/label). So I had to fly back to Japan. But in Japan, no Japanese lawyer knew how to rescue me from what happened outside of Japan. So, besides music, bureaucratic and legal matters ... Many hurdles were there to get over. 


RtM: Oh, So many bureaucratic things. And then?
Saeko: Since all Japanese lawyers threw away my matters, I studied and analysed by myself. It took me more than 10 years to figure out the reasons and to solve the matters. Anyway, I'm happy that I finally made a comeback at least. By the way, the hardest battle I had this time (2019) was also with the German Foreign Department. 

I had to turn in so many letters, certificates, and a thick business plan to convince them to get a residence permit. It's understandable, though. If a foreigner visits the immigration and says, "I wanna stay in Germany to make heavy metal" ... I assume most officials would be like "wtf", haha. Anyway, I'm at the starting line now, and let's see how things will develop. Life taught me a lesson. Now I´m gonna face the future.



RtM: What are your expectations for this new phase with the band?
Saeko: Before COVID, my plan was 1. make the album, 2. find a booking agency and 3. go on tour. Yet, COVID changed my plan ... it's opening up again, but I haven't found a booking agency yet. For the moment, we're planning to make some more lyric videos, while looking for a booking agency. It's a strange time, but I love playing live shows. I actually wanna play in Brazil one day, as I get lots of fan messages from Brazil.

Anyway, nothing is possible by myself, but many things became possible together with people who support me and my dream. So, I hope to make it come true again. Anyway, if there's any good booking agency reading this interview, please contact me.


RtM: Tell us about the concept of this new album, the release says it would also have a connection with the first two albums.
Saeko: Yes. Of course, the concept has connections with these two albums as I'm always writing about the same theme, the eternal truth of our spirits. In fact, lyrically, there are several deep stories going on simultaneously, but this interview is too short to explain everything.
Still, I can point out a few interesting hints here. For example, my 1st album (2004) was titled "Above Heaven Below Heaven". Combined with the title of the coming album, it becomes "Above Heaven Below Heaven, Holy Are We Alone". 

Non-Asian people may not recognise, but someone from Asia will surely notice that this is an alteration of the famous phrase by Bhudda: "Above Heaven Below Heaven, Holy Am I Alone". Also, listeners who heard my 2nd album "Life" will notice that the opening of the coming album is an alteration of the ending of the 2nd album, which finished predicting my death and rebirth:
"Don't cry, soon I will meet you again, please remember me ...". And the coming album starts: "Now the time has come, I'll be back, To meet you again"
This opening suggests the story is continuing. But it's also the voice of SAEKO to long-time fans, you know, to say SAEKO is finally back to you.



RtM: Very nice! I have noticed the connection on the intro of the new album
Saeko: Anyway, 1st, 2nd, and the coming 3rd albums are made on the same theme.
The 1st album was METAPHYSICAL, which described the eternal truth in the OTHER WORLD. The 2nd album was PHYSICAL, which described the
personal truth in THIS WORLD, based on my real life. ... and the new album reveals how these two different worlds make the universe together.



RtM: "Holy Are We Alone" brings lyrics in several languages, and also elements of Japanese culture, some differences in the sound of the band, which even received praise on previous albums for presenting a very own identity. Tell us more about these differences.
Saeko: I have my philosophy: When I create anything--either writing lyrics or composing--, I do so from the empty mind. It may sound very Eastern, but it's like a Zen meditation. So, if there is anything you felt different from the earlier sound, it is the result of my creation and not what I did intentionally.

I also told this philosophy of mine to Guido Benedetti (g), who helped me compose, before working with him. Then, he said it's also his philosophy. So, I think we both succeeded in creating music, coming from the deepest of our hearts. And I believe such an attitude is exactly what gives a special identity to music.



RtM: And what "surprises" the public should find in this new album?
Saeko: What "surprises" should the public expect? Hmmm, a difficult question, for I didn't intend to surprise anyone, as I said above. But I myself got surprised by songs like "India: Farewell To You I", in which you hear the Bhuddihism chants in Sanskrit, and "Germany: Rebellion Mission", in which you hear me singing Mozart "Queen Of The Night Aria".


RtM: The first single, "Russia: Heroes", was released few days ago, I would like you to tell us a little more about this song and its beautiful lyrics.
Saeko: As I said earlier, several stories go on simultaneously in the coming album.
The album concept is that the main character reincarnates in the bodies of many people around the world, Japan, Russia, Brazil, India, Germany ...
But I wanted to make the lyrics as real as possible. So I interviewed one person from these countries about his/her life. Based on their life stories, I wrote the lyrics. By the way, the interviewees' eyes are also in the booklet.

For "Russia: Heroes", I interviewed a Russian guy, who had to skip his kindergarten and first few years of elementary school due to his weak health.
In the interview, I asked him who his hero was. Then, he answered, "I consider almost anyone who really accomplished something important for themselves, even if it’s a really tiny thing, a hero. This world is complex, life is hard, yet they did it! I’m proud of them." This answer moved my heart, and it became the choir.



RtM: I know it's hard to choose, but which new songs do you believe will appeal the most to listeners and why?
Saeko: Yeah, this is always difficult. I love all the songs, of course, and I can't choose one.
However, depending on your taste of music, certain songs might appeal more than the others. If you love powermetal in general, you'll probably love the first single "Russia: Heroes". If you love something more progressive, you'll probably love "India: Farewell To You I". If you love more rockin' feelings, you'll probably love "UK: Never Say Never". The strong point of the album is that all songs sound very different. It's full of variety, but there's a consistent SAEKO feeling at the same time. So, you'll enjoy them all, after all.



RtM: Tell us a little about the period with Fairy Mirror, a time when you got to have a visibility in the Japanese Metal scene, but ended up having to stop activities.
Saeko: Oh, you mean before 2001? I formed a band called Insania in 1997, which changed its name to Fairy Mirror in 1999. Back then, almost no Japanese labels got interested in Japanese metal bands, so the whole domestic scene was so-called 'underground', but there were many good bands, and those good bands were working together to support the whole scene. So, many Japanese metal musicians knew each other well. For example, the very first drummer of Galneryus, Toshihiro "Tossan" Yui, was playing in Fairy Mirror at some point. 

I was also a guest singer of Manipulated Slaves, with whom I sang as an opening act of Arch Enemy's first Japanese tour. There was also a compilation album with Fairy Mirror, Onmyo-za (before they got big) and a few other bands as well.


RtM: And had you some good results or good offers?
Saeko: Anyway, then I got record deal offers, but the labels asked me to play differently to sell: For example, "please sing like Tarja (Nightwish)" etc. Almost everyone pushed me to do so to be successful, but I said NO, which was the end of my Fairy Mirror time in short.
Anyway, then I went to Germany and came back in 2006. After I came back to Japan, these longtime metal musician-friends told me to sing again. Yet, for 4 years or so, I kept on rejecting, as my legal problems were not solved, and I was feeling hopeless about resuming music at the same scale. I remember I actually couldn't sing as tears came down when I tried to sing.

Fairy Mirror


RtM: And Then?
Saeko: Yet, in 2013, Manipulated Slaves almost forced me to go on tour as a guest with them, putting the notice on Japanese magazines. After that, an all-Japan heavy metal benefit project, Metal Bless Japan, as well as bands like Seventh Son and Rachel Mother Goose invited me to guest in their albums and gigs.
Also, the singer of Head Phones President told me not to give up so many times. Without them, I wouldn't be here now. I won't forget their kindness.



RtM: What about choosing to come to Germany? Is it harder for a metal musician in Japan to reach their goals? Tell us about the difference of having a band in Japan and Europe.
Saeko: I can't explain all complicated things in this interview, but I published an essay in Japanese here, for example:
https://note.com/saeko_metal/n/nc20e394c160d
I know you can't read Japanese, but you may be able to imagine there's some very deep reason behind it.
Anyway, the Japanese music industry functions completely differently from the European countries. I don't say which is better or worse. Some musicians can work better in the Japanese industry and some in the non-Japanese industry.

Anyway, a musician like me can never work well in the Japanese music industry structure. The same thing is true for the academic world. The kind of researchers who will get highly evaluated in Europe can usually have no chance in Japan. What the Japanese society expects is almost the opposite to that of Europe. I can't explain more than that in this short interview.



RtM: Things started to happen when you got the contact from Lars Ratz (Metalium), who ended up producing and, i think, also playing on your first album with the band Saeko, " Above Heaven - Below Heaven". Tell us a little about this period, which I think was a very good time for you and pointed to a promising future.
Saeko: He meant a lot to me, but he didn't play in my album (the bassist of Fairy Mirror played the bass for the 1st and 2nd albums). But I liked his male choirs, recorded in both albums.
Do you know how things started with him back in 2003? I was handing out flyers, "Vocalist Seeking to Join Heavy Metal Band", alone on the street in Hamburg. Most people perhaps took it just a joke, but Lars took it seriously, and he understood how much heavy metal music meant to me. 
And he introduced me to Michael Ehre, V. Santura and so many great people. Without him, those 2 albums didn't simply exist. Really, he meant a lot to me.


RtM: A great musician, so sad he passed away.
Saeko: He passed away by accident in April this year. Just about a month before his death, he, I and V.Santura talked again, to have him as a guest in my coming album, to sing some male choirs again. He was happy to hear my coming back and recorded his choirs. 

It was quite fun that I was even thinking of asking him to record my vocals in the future again. Coz he's the best for me as a vocal producer. Then, just after that, he departed this world. I felt shocked, for I'm probably the one who recorded his last performance. Do you understand what it means? I felt a kind of destiny.
Anyway, he and I made great music together. We were free, passionate and bold idealists. I'm sure I'll meet him again in my next life. It's strange that I feel so sure.



RtM: What about the "Life" album? Some things again weren't going as you expected? Tell us a little about this album too.
Saeko: No, it's just because I had to fly back to Japan as I explained above. Also, I used up all my money, and it was really hard for me to survive the next day. If I remember correctly, I started to have job interviews one month after the release, for I really had to survive anyhow. With no money for tomorrow at hand, I was very depressed, then I got fan messages from South America, saying "Please come to play in my country". I was like, "Yes, I would like to! But I have no money for that!"



RtM: What about plans after the release of "Holy Are We Alone"? As soon as possible, are there already contacts for concerts?
Saeko: I hope to set up some shows, so I need to find a good booking agency to help me. Unfortunately, I cannot set up all these things by myself. But, of course, I don't wanna finish just releasing an album, like the last time. So, please wish me luck to find a good agency this time and make it.


RtM: Thanks for the interview, we hope the new album has a great reception, quality for what we know it has!
Saeko: Thank you very much from me, too. People like you are supporting my music. Really, I appreciate it.


Interview by Carlos Garcia






quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Iron Maiden: Estratégia Certeira




Os ingleses do Iron Maiden são uma das poucas bandas que restam capazes de encher um estádio, e que o lançamento de um álbum novo é um verdadeiro evento, para alegria dos fãs e claro, dos lojistas, pois é sucesso de venda garantida.

Com "Senjutsu", 17° álbum da banda, não foi diferente. Gravado em 2019, durante uma pausa da turnê "Legacy of the Beast" e mantido em segredo, causou uma grande surpresa aos fãs quando dia 19 de julho houve o anúncio do lançamento, precedido dias antes pelo lançamento do single e vídeo "The Writen on the Wall", o que já causou alvoroço.

Bom, praticamente ninguém fica indiferente quando uma banda desse porte lança trabalho novo, e nós não tinhamos como não tecer nossos comentários e impressões. Confira a seguir.


"Tornar-se a maior banda de Heavy Metal do mundo, passar mais de 40 anos e ainda ser motivo para discussões só mostra a grandiosidade destas lendas."


"Senjutsu" por Renato Sanson

O 17° álbum de estúdio da Donzela de Ferro nos pegou de certo modo de surpresa, mas também sabíamos que em algum momento de 2021 ou 2022 um novo material estaria disponível. Eis que chega ao mundo “Senjutsu” carregado de expectativas e dúvidas do que poderíamos esperar. Teríamos o “novo” Iron Maiden dos últimos anos progressivo e complexo ou quem sabe alguma volta as origens e algo mais dinâmico e melodioso de outrora?

Pois bem, ao liberar o Tracklist e o primeiro Single – “The Writing On The Wall” – as dúvidas (ou nem tanto hehehe) foram sanadas e tínhamos em mãos a vertente mais progressiva possível, mas com melodias instigantes que até mesmo os que torcem o nariz para este direcionamento ficaram curiosos em ouvir o trabalho completo. O plano de Marketing deste álbum foi incrível, pois conseguiram deixar a comunidade Headbanger comentando a todo o instante sobre “Senjutsu”.

Claro, temos que ser realistas, pois este pode ser o último trabalho dos ingleses então gerou bastante comoção e até para quem não acompanha a banda de “Brave New World” (00) para cá, queria ter o disco em sua prateleira.

Não estou aqui para falar minha opinião musical sobre o álbum, até porque seria injusto comigo mesmo já que o Iron Maiden é a banda da minha vida, a trilha sonora de todos os momentos, mas sim expressar o quanto “Senjutsu” mexeu comigo emocionalmente. A temática milenar também me chamou muito a atenção e as letras com certo tom de despedida que se entrelaçam ao instrumental característico, mas obscuro e denso como não ouvíamos desde “The X Factor” (95).

É complicado pensar em um mundo sem Iron Maiden, onde os gigantes estão tombando e poucas reformulações estamos tendo. Mesmo que gere o ame ou odeie (e nos últimos anos o Maiden tem passado por esses sentimentos a cada novo álbum) a instituição do Heavy Metal mundial mexe como você, mexe com seus brios nem que seja para criticar, mas lá está você esbravejando ou elogiando os caras!

Missão cumprida! Tornar-se a maior banda de Heavy Metal do mundo e se passar mais de 40 anos e ainda ser motivo para discussões só mostra a grandiosidade e comprometimento com o estilo dessas lendas. “Senjutsu” pode encerrar uma história grandiosa e o que nos resta é aproveitar cada segundo desta obra e das demais lançadas pela Donzela.

🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘🤘

"Daqueles discos que crescem a cada audição e mostra que de decadência o Maiden provavelmente jamais sofrerá."


"Senjutsu" por Carlos Garcia

"Senjutsu" é o 17° álbum  e o segundo duplo de estúdio dos ingleses, e seu esperado anúncio foi cercado de uma excelente estratégia de marketing. Em 15 de julho foi liberado um single e vídeo de animação para a faixa "The Writing on the Wall", onde várias referências da carreira do Maiden aparecem. Logo após, no dia 19 do mesmo mês, anunciaram o novo álbum,  e desde então iniciaram os debates e expectativas do que esperar.

Chegou a hora e praticamente ninguém no meio Heavy Metal conseguiu ficar indiferente a   "Senjutsu" (que traduzindo seria Estratégia ou Táticas). A capa, depois de muito tempo (se a memória não me trai), novamente traz o Eddie em um tema oriental, vestido de samurai, pois a última vez que o mascote empunhou uma katana foi no "Maiden Japan"(1981). 

"Senjutsu" recebeu reações diversas, na maioria positivas, notas altas da imprensa especializada, alguns apontando já como um novo clássico, outros classificando como um bom trabalho, e em menor escala aqueles que acharam um  álbum "mais do mesmo" e até longo de mais e repetitivo em algumas músicas.

Claro, quem espera ainda um disco na linha de um "The Number of the Beast", " Powerslave" ou "Seventh Son...", não vai nunca ficar satisfeito, e isso não vai acontecer. A banda sempre foi fazendo álbuns diferentes, experimentando.



Discos como "Somewhere in Time" e "Seventh Son of a Seventh Son" receberam críticas desfavoráveis, devido as mudanças na sonoridade e uso de teclados e sintetizadores, mas com o passar do tempo foram melhor compreendidos. 

O Maiden atual, trilha por caminhos às vezes mais progressivos, com faixas mais lentas, mais reflexivas e mais longas. Isso vem desde o retorno de Adrian Smith e Bruce Dickinson no "Brave New World". Assim como seu antecessor, "Book of Souls" (2015), "Senjutsu" traz faixas com mais minutos de duração, mais climáticas e até sombrias. 

Muitas marcas registradas da banda estarão sempte ali, como as tradicionais linhas vocais de Dickinson, os andamentos cavalgados, o baixo sempre destacado de Steve Harris, a alternância de riffs, solos e melodias do trio de guitarras, e vale destaque extra para a pegada e excelente gravação da bateria de Nicko Mcbrain, com seu kit soando pesado e orgânico, uma lição de como se deve tocar e soar uma bateria "real". 

Falando um pouco das faixas, destaco a pesada e densa faixa título, e que abre o disco; "Stratego", que vem numa linha mais acelerada e com as tradicionais bases cavalgadas; "The Writing on the Wall", mais climática, com introdução acústica e nuances do Southern Rock; "Days of Future Past", tem uma veia mais Hard pesadão e riff marcante, sendo uma das mais curtas.


"Lost in a Lost World", flerta com o progressivo 70's (Jethro Tull, Wishbone Ash), com seu início acústico, teclado de fundo e efeitos na voz de Bruce, para depois mudar de pegada, transitando por andamentos bem típicos do Maiden. A parte final, do disco 2, é a parte com músicas mais longas, onde destaco a épica e sombria "Darkest Hour", com seu tema sobre a segunda guerra, destacando os solos melodiosos e melancólicos.

Enfim, é um bom álbum, com seus bons momentos, pode até pecar em alguns trechos que soam repetitivos, há músicas longas, portanto recomenda-se ser digerido com calma, ouvido várias vezes. Daqueles discos que crescem a cada audição e mostra que de decadência o Maiden provavelmente jamais sofrerá. 


www.ironmaiden.com





quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Entrevista - Anadom: Escrevendo uma Nova História


                                                   English Version
Figura experiente e conhecida na cena Metal, principalmente pela sua história com o Orquídea Negra - considerada a primeira banda de Heavy Metal do estado de Santa Catarina - Robson Anadom lançou recentemente seu primeiro voo solo: "....and a New Story Begins..."

Antigo sonho do baixista e multi-instrumentista, o trabalho solo começou a finalmente tomar forma no ano passado, contando inclusive com campanha de crowdfunding para amparar os custos.

O resultado já pode ser conferido nas plataformas digitais, e principalmente com o material físico, que foi lançado em uma caprichada edição digipack, contendo uma bela concepção gráfica, onde cada música, todas instrumentais, recebeu um texto e arte inspirados nelas.

Conversamos com Robson e praticamente dissecamos a obra, com o músico nos contando sobre a dedicação, as gravações, inspirações, citações e outros detalhes. Confira!
 


RtM: Antes de mais nada, parabéns pelo álbum, e creio que todo artista, em algum momento tem o desejo de mostrar suas influências, que de alguma maneira não encaixem em sua banda, e reflita seu lado mais pessoal.
AnadomIsso é uma grande realidade. O artista que diz não ter o sonho de lançar um trabalho só seu, mostrando todas  suas influências e principalmente, exteriorizando   seus sentimentos e o lado mais pessoal em  forma de música, não me parece ser muito sincero consigo mesmo, isso é inerente ao ser humano, querer mostrar o “algo a  mais” sem interferências externas, apenas o “eu interior”, ou então não tem  coragem para admitir essa vontade.


RtM: E como foi surgindo a ideia desse primeiro solo?
Anadom: Essa vontade que surgiu ainda na metade da  década de 90, quando comecei a criar minhas próprias músicas, sabendo que seriam só minhas. Cheguei a pintar até uma camiseta apenas com o nome “Anadom” e um desenho de gosto duvidoso, e dizia que aquela seria a capa do meu primeiro disco (ainda bem que não usei aquele desenho hahahahahaha) era muito tosco.
Com a chegada da pandemia, tudo veio a tona, um turbilhão de emoções, dúvidas, sentimentos e medos, ingredientes perfeitos para todo artista criar. Assim, as músicas foram nascendo, cada uma ao seu tempo.


RtM: E como foi esse início de produção e criação do repertório?
Anadom: Como já tinha algumas ideias feitas, foram sendo aperfeiçoadas, pois eram apenas riffs, mas a maioria das músicas foram criadas a partir de junho e em setembro quando tinha cerca de quatro ou cinco músicas prontas,  eu vi que poderia realizar este grande sonho e compus as demais músicas para completar o álbum.

Fiz todo o planejamento, para conciliar o trabalho com férias que eu pegaria para poder entrar em estúdio e em janeiro comecei as gravações oficiais, finalizando todo o trabalho de gravação, mixagem e masterização em maio.

 
RtM: E sobre título? "...and a New Story Begins..." , fale-nos sobre os significados e o conceito geral do álbum.
Anadom: O título já diz tudo, o início de uma nova história que estou escrevendo com este lançamento, pois certamente, será o primeiro de muitos. Não podemos ficar estagnados, temos que fazer algo a mais, mostrar que o mundo precisa de música.

Percebi com este álbum que demorei demais para fazer isso, mas acredito que tudo acontece quando tem realmente  que acontecer,  se foi agora era pra ser agora. E veio num momento delicado pelo qual o mundo está passando, é um reinício para todos nós. Quando essa pandemia acabar, tudo estará diferente, é uma nova história começando, não só para mim mas para todas as pessoas do mundo.

 

RtM: A capa também traz uma ideia desse conceito geral.
Anadom: O álbum traz esse conceito de reinício, reinvenção. Ao vermos a capa, a menina assustada, atrás da cortina vendo uma grande explosão, um grande reset mundial. Até mesmo os girassóis estão de costas para o sol, mostrando que “as coisas não estavam indo muito bem” estava tudo errado e algo precisava acontecer para tentar reverter essa situação.

Como a fala na abertura do álbum diz: o mundo não estava indo bem e as pessoas que viviam nele estavam perdidas e doentes, isso resume todo o sentimento do disco. Precisamos fazer algo, é o lugar onde vivemos, não pode ser ruim, tem que ser um lugar confortável e feliz, sem guerras, sem desavenças, sem maldades.


RtM: Uma qualidade muito  forte no álbum, é que, apesar de instrumental, não é música que agradará somente um nicho, pois elas praticamente "conversam" com o ouvinte, como se na sua mente, enquanto compunha as músicas você imaginava versos e refrãos.
Anadom: Você descreveu perfeitamente o que eu pensei quando estava fazendo as músicas. Em algumas delas, as melodias foram criadas primeiramente na minha cabeça, e depois passadas para os instrumentos. Já  outras, nasciam enquanto tocava e criava algo que me soava bem ao ouvido, e a partir dali criava o restante da música.

Conforme eu ia criando, já ia gravando para  ouvir e ver o que poderia fazer para enriquecer a música, montando o que seriam as estrofes, refrãos etc.
Algumas delas certamente eu criei imaginando uma linha vocal que depois foi substituída por frases de guitarra. 


RtM: E você chegou a cogitar ter algumasmúsicas com vocais no álbum?
Anadom: A ideia de ao menos 3 músicas era ter voz, mas depois eu percebi que seria interessante fazer algo assim, diferente, e gostei muito da ideia. Quem sabe no próximo eu decida usar as mesmas músicas, com voz para ver como ficará.

 

RtM: Uma ideia muito legal foram textos e ilustrações que cada música recebeu, de modo que o ouvinte, além da parte sonora, também terá esses outros detalhes para imaginar o sentimento que você quis passar. Conte-nos mais a respeito dessa ideia.
Anadom: Esse crédito é todo do grande amigo Neto Santos. Após acompanhar todo o processo de composição das músicas, sugerindo nomes, ideias para elas, ele resolveu fazer uma arte para cada música, e depois escrever as histórias, chamando também alguns amigos para participarem, de forma que tudo fosse lincado, música, arte e história.

Assim, a pessoa ao pegar o CD em mãos, poderá ouvir as músicas, ver as artes criadas por ele e ler as histórias, entendendo do que se trata. Pois acredito que tudo ficará muito claro, a minha intenção colocada em cada uma das composições seja entendida pelo ouvinte.

Neto conseguiu captar isso durante o processo de composição, pois íamos conversando sobre a música e dessa  forma ficou mais fácil para ele criar a arte.

 

RtM: Falando um pouco mais sobre a parte gráfica, temos que destacar o belo trabalho desenvolvido, onde você, conforme já destacou antes, teve o Neto Santos na direção geral das artes. Nos fale um pouco a respeito da arte geral e da bela capa.
Anadom: Exatamente. Essa parte merece um destaque muito especial, pois expressar através da arte o que tenta se passar com uma música, não é algo muito fácil, e o Neto foi certeiro em todas as artes criadas. Conseguiu com maestria demonstrar isso, fechando com chave de ouro a arte da capa do disco, que é a cereja do bolo. Uma das mais belas capas que eu já vi nos últimos tempos, que nos mostra de forma inocente (uma criança) assustada com a realidade do mundo, retratada ali com uma grande explosão, mal sabendo ela que o que está por vir não será nada agradável.
 

RtM: Agora especificamente sobre as músicas, temos temas suaves e melodiosos mesclados a momentos bem Heavy Metal e Power Metal.  
Anadom: Eu quis colocar nas músicas todas as minhas influências, todo o tipo de música que eu gosto de ouvir, por isso existe toda essa mescla de estilos. Esse é o lado bom de fazer um trabalho solo, pois certamente numa banda isso não seria possível.



RtM: "Wake Up to the World", por exemplo, tem guitarras dobradas e linhas de baixo que remetem ao Heavy Metal clássico, lembrando muito o Maiden.
Anadom: Wake up to the World, é uma música pra cima, empolgante, e como o título diz: Acorde para o mundo! Reaja, faça algo para mudar essa realidade. Essa foi a primeira música que mostrei ao Neto e ele já nos primeiros segundos  viu que ali tinha potencial. Ela era um pouco diferente, mas o principal que é o riff inicial e a frase de guitarra já estavam presentes ali. Acrescentei apenas uma segunda parte que é como se fosse um refrão, parte essa criada enquanto tomava banho e veio essa melodia na minha cabeça.

Já o baixo dela era completamente diferente. Na versão demo ele é bem simples. Essa versão final foi criada um dia antes de gravar, o que me deixou muito satisfeito, pois essa música pedia uma linha melhor de baixo, mais empolgante.


 
RtM: E com nuances mais suaves e melódicas, temos "Águas de Inverno", que traz um clima de balada, calmaria e belas melodias.
Anadom: Águas de Inverno já é uma música mais instrospectiva, melodiosa. Enquanto o Neto e eu  conversávamos sobre peixes, aquarismo, lagos, eu disse que tinha feito um laguinho em frente a casa da minha mãe, que era frequentemente visitado por   um sapinho que gostava muito de ficar ali, curtindo a água aquecida, principalmente no inverno. Então ele sugeriu que fizesse uma música sobre isso, algo diferente do que eu vinha fazendo, e numa tarde compus e já gravei, colocando nela todo o sentimento de amor pelos seres vivos.

 

RtM: Um título bem curioso é "The Amazing Jango's Death", que tem uma levada Power Metal 80's, com andamento veloz, algo meio Helloween. Fale-nos sobre a inspiração e sobre esse título dela.
Anadom: Esse é sem dúvidas um dos meus estilos favoritos. A inspiração dessa música veio de alguns anos já. Após tocar num festival com a Orquídea Negra, o Neto disse: "Cara 'Jango Live´s' (música instrumental presente no nosso segundo trabalho) precisa ter uma continuação, uma parte dois". E isso eu já pensava também, mas tinha ficado no esquecimento, pois o tempo vai passando e  outras coisas vão sendo feitas.

Durante o processo de composição do ...and a New Story Begins, esse assunto veio à tona e foi o momento perfeito. Por isso, que a música traz também algumas referências à original, para lembrar da primeira e fazer com quem não conhece, possa vir a conhecê-la.



RtM: Nossa! Eu não tinha lembrado dela. Legal a ideia da continuação, e referências a primeira parte.
Anadom: Como na primeira é celebrada a vida do Jango, agora é a despedida dele deste plano, por isso o nome A incrível morte de Jango.

O duelo é interpretado pelo solo de teclado (executado pelo Daniel Dante Finardi)  e a morte vem a seguir, com o solo de guitarra, que tenta passar toda a emoção e sofrimento do Jango após ser atingido pelo seu algoz. Mas em seguida volta a ser uma música alegre, demostrando a satisfação dos que ficaram.
 

RtM: "Dreams Are Not Untouchable", além do título inspirador e positivo, tem uma pegada bem Progressiva.
Anadom: "Dreams..." é sem dúvidas uma das minhas músicas preferidas, foi a penúltima a ser composta. A frase inicial dela teria sido usada no meio da  música "People Call me Insane" (presente no álbum Blood of the Gods da Orquídea Negra), mas acabou ficando de fora. Então resolvi usá-la agora criando o restante da música a partir dela.

Contando com a participação do Deny Bonfante (excelente guitarrista catarinense) em dois solos, essa música tenta expressar o sentimento de que os sonhos realmente podem ser tocados, nada é impossível quando se tem vontade.
Uma clara referência à música "Touch Your Dream" (presente no segundo disco da Orquídea Negra), pode ser encontrada no decorrer da música, por isso a confirmação através do nome.



RtM: A "Da Costa ao Oeste" traz várias mudanças de andamentos, destacando os trechos acústicos, com uma pegada folk, e os sons da natureza.
Anadom: Da Costa ao Oeste é uma grande representação da amizade. Laços criados entre pessoas, estejam elas no norte, sul, leste ou oeste, mas que têm algo em comum, principalmente o amor pela música. Como diz o Neto: “artes da costa e canções do oeste”.

A parte acústica no início da música represente a costa catarinense, com um lance um pouco lusitano, sons do mar e gaivotas. A viagem no decorrer é o caminho  até chegar aqui na serra onde o cenário muda, representado pelas nossas aves (Quero Quero e Curucacas), e a parte acústica  foi uma participação especial do excelente grupo Quarteto Coração de Potro. Com os arranjos feitos pelo Kiko Goulart, acentuando bem a característica serrana.

 
RtM: Não poderia deixar de pedir pra você comentar uma das minhas favoritas, a "Living on a Fairy Tale". Além das belas melodias, identifiquei-me com o título.
Anadom: Mais uma das minhas preferidas (na verdade, todas elas são) pois eu gosto de todas, mas sou suspeito para dar minha opinião.
Essa música nasceu no auge do inverno e pandemia no ano passado, mais precisamente em junho no dia 13, eu mandei um áudio para o Neto mostrando um trecho do que viria a ser a música.

Era apenas aquela introdução, mas dali tinha certeza que nasceria uma grande canção. Comecei a trabalhar nela então, até finalizar e o nome foi dado por último.
Após a finalização percebi que ela tinha um lance de conto de fadas, o que fica ainda mais claro com a parte do piano ao meio, que foi criada separadamente para ser outra música, mas percebi que encaixaria muito bem ali, e funcionou. Essa música traz uma grande paz cada vez que a ouço.

 

RtM: Outra que me chamou logo a atenção na primeira audição foi "The Myth Behind the Waterfall Cave", que traz várias mudanças de climas, iniciando de forma suave, alternando trechos mais pesados e "misteriosos" com outros melodiosos e "pra frente", tendo também arranjos de sax. Conte-nos mais sobre ela.
Anadom: Essa música trata sobre a Alegoria da Caverna,  de Platão, por isso no início ela vem com aquele peso, demonstrando a existência de uma caverna onde prisioneiros vivem desde a infância. Com as mãos amarradas em uma parede, eles podem avistar somente as sombras que são projetadas na parede situada à frente.

As sombras são ocasionadas por uma fogueira, em cima de um tapume, situada na parte traseira da parede em que os homens estão presos. Homens passam ante a fogueira, fazem gestos e passam objetos, formando sombras que, de maneira distorcida, são todo o conhecimento que os prisioneiros têm do mundo. Aquela parede da caverna, aquelas sobras e os ecos dos sons que as pessoas de cima produziam era o mundo restrito dos prisioneiros.


Repentinamente, um dos prisioneiros foi liberto. Andando pela caverna, ele percebe que havia pessoas e uma fogueira projetando as sombras que ele julgava ser a totalidade do mundo.

Ao encontrar a saída da caverna, ele tem um susto ao deparar-se com o mundo exterior (parte mais animada da música). A luz solar ofusca a sua visão e ele sente-se desamparado, desconfortável, deslocado.

Aos poucos, sua visão acostuma-se com a luz e ele começa a perceber a infinidade do mundo e da natureza que existe fora da caverna. Ele percebe que aquelas sombras, que ele julgava ser a realidade, na verdade são cópias imperfeitas de uma pequena parcela da realidade.

O prisioneiro liberto poderia fazer duas coisas: retornar para a caverna e libertar os seus companheiros ou viver a sua liberdade. Uma possível consequência da primeira possibilidade seria os ataques que sofreria de seus companheiros, que o julgariam como louco, mas poderia ser uma atitude necessária, por ser a coisa mais justa a se fazer.

E foi o que ele fez. Por isso a música retorna ao início, com o solo de sax. Desde o começo quando gravei a versão demo desta música, já imaginava um sax na parte final.

 

RtM: E sobre "People From the Otherside", que traz bastante peso, e tem na intro vozes sussurando "Help me...Help me..."?
Anadom: Essa traz o início de uma sequência: People From the Otherside, Emancipation of the Soul e Returning to Myself. É o momento mais pesado de todo o trabalho. Tentei transmitir com ela a existência de um outro mundo, onde pessoas podem estar presas após a morte e pedindo por ajuda. Almas perdidas que não estão entendendo o que está acontecendo sentindo-se perturbadas.

 

RtM: Poderíamos comentar uma a uma, mas acho que deu pra darmos uma ideia geral e alguns detalhes do trabalho, mas pra fechar, comente o encerramento com "Requiém",  com seu ar melancólico e tocante, e ao final tem uma frase, que certamente é uma homenagem.
Anadom: Essa foi composta num momento de extrema tristeza. A ideia da homenagem veio no dia da passagem de um grande amigo, com quem toquei por um bom tempo e era um dos meus ídolos na música catarinense, o saudoso poeta Daniel Lucena do grupo Expresso Rural. 

Pensei em acrescentar uma frase de guitarra, referente à música “Certos Amigos” em alguma das minhas composições, como uma breve homenagem, foi aí que o Neto sugeriu fazer uma faixa só pra ela. Resolvi usar as mesmas notas da Prelude e I Saw the Future, e acrescentar essa guitarra. A frase acrescentada ao final foi ideia do Daniel Dante Finardi, que fez um lindo arranjo  para fechar com chave de ouro esse disco.
 

RtM: E as novidades sobre o Orquídea Negra? Vocês estão preparando novas músicas? E o documentário sobre a banda?
Anadom: Com a banda estamos no momento trabalhando em mais uma música que estará presente no tributo aos anos 80, da Secret Service Records que lançou nosso último trabalho na Europa,  e também participamos nos tributos ao Motorhead com "I ain’t a Nice Guy", Black Sabbath com "Heaven and Hell" e Iron Maiden com "Prodigal Son". 

Temos ainda as duas últimas gravadas mais recentemente, "Fly Away" que já está nas plataformas digitais e "Sacrifice" que ainda não entrou, mas em breve será divulgada (essa contando com as vozes do André Graebin e Felipe Holmack). E o documentário sobre a história do Orquídea está sendo finalizado e deverá ir ao ar até fim do ano.

 

RtM: Robson, obrigado pela entrevista, fica os espaço para sua mensagem final.
Anadom: Gostaria de agradecer a você Caco e ao Road to Metal pela oportunidade que me foi dada de poder falar um pouco mais sobre esse trabalho, falando sobre alguns detalhes que muitas vezes as pessoas não ficam sabendo como acontecem e que vêm a engradecer toda obra. Aproveito também para pedir a todos que acompanham o site para conhecerem esse trabalho que foi feito com muito amor e carinho.


Entrevista: Caco Garcia