quarta-feira, 1 de abril de 2026

Adna Melan: A Doçura Angelical da Nova Revelação do Gothic Rock Brasileiro

 

Por Denis A. Lacerda

Nota: 09.0/10.0

O novo single “Lie”, da cantora ADNA MELAN, desponta como um dos lançamentos mais relevantes do Gothic Rock brasileiro nos últimos anos, reafirmando o potencial da artista em sua carreira solo. Com uma abordagem estética fiel às raízes do gênero, a faixa evidencia maturidade artística e um direcionamento sonoro consistente dentro de uma cena que carece de novos artistas.

A interpretação vocal de ADNA MELAN é, sem dúvida, um dos principais trunfos da composição. Sua voz, avaliada pelo nosso portal como doce como um anjo, contrasta de forma marcante com a carga emocional da música, transmitindo sensações de dor e angústia com precisão. Essa dualidade entre suavidade e melancolia reforça a identidade da musicista e amplia o impacto da faixa junto ao ouvinte.

“Lie” se apresenta de forma enxuta e direta, sem a pretensão de reinventar estruturas já consolidadas do Gothic Rock. A opção por permanecer estritamente dentro dos limites do gênero se mostra acertada, especialmente por valorizar a atmosfera sombria e introspectiva que caracteriza a proposta artística de ADNA MELAN.

Em termos de produção, o single entrega um resultado funcional, ainda que sem grandes destaques técnicos. A sonoridade cumpre seu papel, mas aponta para a necessidade de aprimoramentos em futuros lançamentos, sobretudo considerando a expectativa natural em torno de um álbum completo. Há espaço para evolução, especialmente no refinamento de camadas sonoras e na valorização da dinâmica instrumental.

Diante desse cenário, “Lie” consolida ADNA MELAN como um nome promissor dentro do Gothic Rock nacional, ao mesmo tempo em que desperta expectativa por um trabalho no formato de álbum. A recepção positiva do single reforça o interesse por um álbum completo, que poderá ampliar ainda mais o alcance e a relevância da artista no cenário alternativo brasileiro.

John Corabi: Conforto e Nostalgia em "New Day"

Frontiers Records (Imp.)

Por Paula Butter 

O veterano John Corabi vem com tudo neste debut solo, em audição antecipada, cortesia da Gravadora Frontiers, fui surpreendida com omelhor álbum de conforto que ouvi este ano. Já nas primeiras faixas, o ímpeto de pegar a estrada e seguir para lugar nenhum com o volume máximo é irresistível. Aquele "mojo" do Rock com uma pitada de blues que nos desperta toda a nostalgia de um tempo que já não volta mais (Será?).

E não é para menos, se levarmos em consideração os nomes responsáveis pela produção do álbum, só a nata do rock mainstream. Dentre eles, está o produtor americano Marti Frederiksen, que já trabalhou com Aerosmith, Ozzy Osbourne e Gavin Rossdale, e nesta parceria contribui também comvocais de apoio, guitarras, piano e percussão. Também temos Richard Fortus (Guns N' Roses) na guitarra solo; Paul Taylor (Winger, Steve Perry) no piano, órgão e clavinete, e Charlie Starr do fantástico Blackberry Smoke com solos de guitarra. Ou seja, não tem como errar o alvo.

Já nas primeiras faixas, "New Day" e "That Memory", uma exuberância de guitarras clássicas, refrões grudentos, daqueles que adoramos, batidas no compasso, baixo perfeito e o mais importante: Aquele Rock raiz cantado com alma e empolgação. Na sequência, uma pausa nos pensamentos fugazes, para dar lugar às introspectivas "Faith, Hope And Love" e "When I Was Young", onde temos o lado bluseiro cheio de melodias de John Corabi. Belíssimas canções, inclusive "When I Was Young" poderia facilmente figurar em alguma trilha sonora cinematográfica de Cameron Crowe (responsável pelos sucessos "Quase Famosos" e "Jerry Maguire").

Apesar de um álbum competente e bem produzido, as canções são bem genéricas, com uma passagem ou outra que chamam mais a atenção. É uma obra nostálgica, como o próprio músico já adiantou, que nos traz "conforto" em momentos onde tudo vira caos. Simplesmente é a alma de John sendo compartilhada conosco, sem muita pretensão. Ainda temos algumas já conhecidas, como "Così Bella" de 2021 e "Your Own Worst Enemy" de 2022, para dar o toque final nesta obra que mostra a competência e talento de quem fez e faz parte da história do rock, e nem sempre esteve nos holofotes.

Por fim, destaque para a última canção "Everyday People" pelo ritmo e a ótima letra, que conseguiu fechar bem a obra, destilando um tom de homenagem aos rockeiros de plantão. Um disco para se ter na prateleira, na playlist de viagens e nos momentos em que precisamos "voltar às raízes".

Jeff Fasano