quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Entrevista: Motores Malditos - Capturando a Essência Setentista

 

- Olá Dênis. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do Single “Blood on Satan’s Claw”.

Eu que agradeço a gentileza do convite!


- Como você pode descrever o trabalho na composição deste tipo de sonoridade?

O single nasceu a partir de um riff que criei com a intenção de capturar a essência sonora dos anos 70, especialmente inspirado pelo Black Sabbath. A partir dessa base, foi incorporando outras influências, que vão do black metal a elementos percussivos, criando uma mistura única que reflete a diversidade das minhas referências musicais.


- Precisei de várias tentativas para conseguir captar melhor as ideias. Você tem recebido esse tipo de feedback de mais pessoas ?

Sim! A letra da música funciona como o roteiro de um filme de terror que existe na minha cabeça, e o terror é a minha segunda grande paixão. Talvez essa complexidade faça parte da experiência, misturando música e narrativa de forma mais imersiva.


- Existem planos para o relançamento de “Blood on Satan’s Claw” através da MS Metal Records, atual gravadora de vocês?

Sim! Recentemente, voltamos ao estúdio para produzir um álbum completo, e acredito que esse trabalho trará muitos frutos, tanto para a agência quanto para a banda. Estamos empolgados com o que está por vir e mal podemos esperar para compartilhar esse novo capítulo com nossos fãs.


- O fato de trabalharem com o inglês não pode vir a atrapalhar vocês no mercado nacional?

Sim e não. O Sepultura, que é a maior banda de rock do Brasil, canta em inglês e ainda assim conquistou um enorme público, tanto aqui quanto lá fora. Além disso, uma das novidades do nosso próximo álbum será uma música em português, o que nos permitirá explorar ainda mais a conexão com o mercado nacional.


- E como tem sido a recepção do público e da imprensa especializada?

Muito positiva! Este ano, tivemos a oportunidade de tocar em três estados fora de Minas Gerais, e a recepção foi incrível. Além disso, o single tem gerado um ótimo retorno na mídia, com destaque entre blogs, jornalistas e outros canais especializados. Estamos muito felizes com a resposta do público e da crítica!


-  Fale-nos sobre a arte do material? Qual a intenção dela e como ela se conecta com o título?

A arte da capa foi criada por Cristiano Suarez, um ilustrador brasileiro reconhecido por seu trabalho com bandas de rock, especialmente nos estilos punk rock, heavy metal e stoner rock. Ele já colaborou com grupos como Dead Kennedys, Ratos de Porão e Pennywise.

A intenção por trás da capa é remeter aos pôsteres de filmes de terror dos anos 70, especialmente do subgênero exploitation, que se destacava por sua estética provocativa e intensa. Essa abordagem conecta-se diretamente ao título "Blood on Satan’s Claw", evocando a atmosfera sombria e transgressora típica dessas produções cinematográficas.


- “Blood on Satan’s Claw” foi todo produzido pela banda, confere? Foi satisfatório seguirem por este caminho?

Na verdade, a produção foi feita por mim, Denis Palhares, baixista e vocalista da banda. Foi uma experiência muito satisfatória, pois tive total controle criativo sobre cada detalhe do single. A única exceção foi o solo, que optei por deixar para o guitarrista criar de forma espontânea durante a gravação, trazendo uma energia única ao resultado final.


- Imagino que já estejam trabalhando em um novo full lenght. Se sim, como está se dando o processo e como ele está soando?

Sim, estamos trabalhando em um novo álbum completo! Recentemente, voltamos ao estúdio para dar início à produção, e o processo tem sido muito fluido e empolgante. 

Estou liderando a maior parte da criação, desde os riffs até os conceitos líricos, trazendo influências que vão do rock setentista ao doom moderno, inspirado por bandas como Monolord, Kal-El, Electric Wizard e Conan. 

Além disso, teremos novidades, como uma música em português, que será um diferencial para conectar ainda mais com o público nacional. No geral, o som está mais maduro, diversificado e com uma pegada ainda mais visceral. Estamos ansiosos para compartilhar esse trabalho!


Motores Malditos Instagram



- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao MOTORES MALDITOS... 

Muito obrigado! Ficamos felizes demais pelo reconhecimento. Stay True!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Madball – 09/12/2024 – Espaço Usine/SP

É, senhoras, senhores e outros, estamos tendo tantos shows rolando pela cidade de São Paulo, a cidade que nunca dorme, que os donos do Fabrique Club até reviveram a saudosa Clash Club, que havia fechado há alguns anos já, em meados de 2017, 2018. Localizada no bairros da Barra Funda, a casa, enquanto ainda tinha seu nome antigo, já foi a sede de altos shows, Korpiklaani, Obituary, Deicide, Dark Tranquility, Suicidal Tendencies, Brujeria, Municipal Waste, H2O, Fear Factory, Destruction, Nile, 36 Crazyfists, The Dillinger Escape Plan e até o Architects passou pelas paredes da Rua Barra Funda 973. Como já foi dito, a casa ficou fechada por um bom tempo, mas em junho deste ano, a chama da esperança se reacendeu, e a casa reabriu com um novo nome, Espaço Usine, bastante parecido com a casa dos mesmos donos, na mesma rua, o Espaço Fabrique.

Desde então, alguns shows e eventos diversos já aconteceram por lá, Dawn Penn, Horace Andy, mas nada de música pesada, que era um dos grandes focos da casa em tempos passados. Acabou que esta falta de peso durou pouco, pois no finalzinho de outubro a Venus Concerts anunciou que as lendas do NYHC viriam para o Brasil com um show único, celebrando 30 anos do icônico “Set it Off”. A jornada até o dia do show não foi fácil, anunciaram o Paura como banda de abertura (no Chile também, com direito até a um show solo), trocaram a data do dia 5/12 ao dia 9/12, segundona, trocaram o local para o Fabrique, voltaram para o Usine. Mesmo assim, chegando naquela segunda, depois de mais um final de semana recheado de shows, parecia estar tudo de pé para o que seria o último show do ano para vários fãs.

Ao que tudo indicava, o lineup contaria apenas com o Paura e os nova-iorquinos, porém, na manhã do show, a produção anunciou que a Abulia, veteranos da cena hardcore de São José dos Campos, estaria iniciando os serviços. Independente, parece que a divulgação não foi muito eficaz, boa parte dos que chegavam na casa ficavam com cara de confusos, e alguns amigos meus até chegaram em mim e perguntaram: “mas não era só o Paura?” Complicado seria uma palavra muito boa para descrever as circunstâncias desse show, já que não só o espaço estava praticamente vazio quando subiram no palco, não devia ter mais de 35 pessoas na hora, que deve ser uma sensação completamente desmotivadora para qualquer banda, como o som embolado também não ajudou muito.

Apesar de todos os pesares, a banda estava esbanjando uma energia boa, estavam claramente animados de poder estar lá, abrindo para lendas do hardcore como o Madball. Basicamente, tiraram leite de pedra. Pegaram uma situação completamente desfavorável e fizeram um show curto, mas eficaz. Ficou claro que foram colocados lá como “gambiarra”, provavelmente por conta das complicações que ocorreram com as outras bandas no Chile, mas, deu certo. Um dos dois vocalistas terminou o show mandando a real: “Obrigado a aqueles que chegaram cedo, sei que é tentador ficar lá fora enchendo a cara”.

Por conta de complicações envolvendo a polícia em aeroportos chilenos, o show do Paura foi fortemente comprometido. Os integrantes da banda chegaram a comentar que estavam há mais de 36 horas sem nem comer nem dormir, e enquanto montavam o palco, estavam visivelmente cansados, abatidos. Ao som dos sinos e das sirenes de “Karmic Punishment”, subiram no palco, e a energia virou na hora. Tudo que o público estava infelizmente morno durante a apresentação da Abulia, parece que acordaram com o Paura. Quem já viu qualquer show deles, qualquer gravação sequer, sabe bem como é o caos que eles conseguem proporcionar com toda performance. De novo, o som deixou a primeira música completamente inaudível. O vocal de Fabio Prandini sumia, e ironicamente, o baixo estava estourando de tão alto, que até ocasionou reclamações da própria banda.

De todo modo, seguiram o baile, não deixaram a peteca cair, e emendaram pedrada atrás de pedrada, “Urban Decay”, “Reverse the Flow”, “Truth Hits Hard”. Durante a “Urban”, o vocalista até se abaixou e deu o microfone na mão de um dos fãs que estava na grade para cantar o refrão. Outra marca registrada dos shows mais recentes do Paura é a presença do carismático Marcelo Losito, o “Velho Punk”, pai de Tony Losito, baterista. A energia dele, que está sempre na grade, animadíssimo, dando uma grande força aos companheiros do seu filho é certamente sempre bem-vinda, e ele é uma prova viva da união e receptividade da cena do hardcore.


Deram sequência com a brutal “No Hard Feelings!? Fuck You!”, e àquela altura, a roda não era mais singela como no começo do show, era que nem o Selton Mello em 2010, um liquidificador humano, um vórtice da desordem. Prandini não escondeu a situação: “Desculpa gente, o tempo é curto, a gente se fodeu na mão da polícia do Chile, estamos a 36 horas sem comer, 36 horas sem dormir, mas é hardcore é pra se foder mesmo”. Ecoaram mais sirenes, abrindo as portas para uma linha de baixo furiosa de Paulo Demutti, agora já equalizada um pouco melhor, “The City is Ours”. Com a energia lá em cima, empregaram uma última trinca para concluir a noite, “Level of Maturity”, “The Privilege” e “History Bleeds”. O vocalista desceu do palco com um “boa noite, São Paulo, desculpa qualquer coisa”, mas é óbvio que as falhas do show não tinham nada a ver com a banda.

Independente do atraso de quase 30 minutos que havia acumulado até então, a energia do público seguia absurda, antecipando os headliners. Quando subiram, por volta das 21:30, começaram com ambos os pés na porta, logo “Set if Off” de primeira. A energia do vocalista, Freddy Cricien, refletia exatamente o sentimento do público, êxtase, uma felicidade pura. Desde os primeiros acordes, virou aquele padrão de show de hardcore, com uma parede quase impenetrável de pessoas sendo formadas ao redor do moshpit (que já consumia grande parte da pista do Usine) e o palco parecia mais uma pista de decolagem do que palco, a cada 10 segundos que passavam, era alguém novo voando. 

O primeiro “bloco” do show foi dedicado exclusivamente a faixas do disco sendo celebrado, “Smell the Bacon”, “Lockdown”, “It’s Time” e “C.T.Y.C.” foram a sequência inicial, com “Never Had It” jogada ali no meio também. A relação do Madball com setlists sempre foi algo interessante de se observar, e é algo que foi deixado bem claro durante esse show; ter setlist eles até têm, mas ele é muito mais uma mera sugestão do que um roteiro absoluto do show. Acabaram seguindo parte da sequência que estava escrita à mão, de canetão, ao lado do baterista, e creio eu que todas as músicas que lá estavam foram tocadas, mas em relação à ordem, era quando a banda queria, que, querendo ou não, adicionou uma boa camada de dinamismo e uma “ilusão de escolha” dos fãs.

Se tem uma coisa que as bandas de hardcore fazem bem é exatamente esse reconhecimento dos fãs, e aquela segunda-feira não foi exceção. Freddie constantemente agradecia a energia e a presença de todos em plena segundona, falando algumas vezes da “magia do público de São Paulo”. Bom, dizer que ele gosta do Brasil é chover no molhado, dado que ele mesmo estava vestindo uma camiseta da veterana Questions. Nesse começo do show, também foi quando aconteceu o primeiro de muitos crowdsurfs do supracitado Velho Punk, que foi levado nos braços da multidão do palco ao fundo da casa, estampando um sorriso de orelha à orelha. Algumas músicas depois, foi evidenciada novamente a fluidez do setlist, quando o vocalista perguntou se os fãs queriam ouvir alguma coisa do “Set it Off” ou algo diferente. Vista a reação do público, ele foi com “Across Your Face”, do “Droppin’ Many Suckers”. Ele também perguntou quem estava vendo a banda pela primeira vez, e disse que tem um respeito absurdo por quem ainda não tinha os visto.

Antes da “Can’t Stop, Won’t Stop” começar, foi jogada mais uma reflexão ao público, “deveria falar em inglês ou em espanhol?” Verdadeiramente, não faria muita diferença, já que o público estava tão sincronizado com a banda que ninguém nem precisava falar nada para a conexão se manter. Acabou que pelo resto do show, um “spanglish” muito bem falado foi o meio de comunicação primário. No dia anterior, tocaram no histórico Teatro Cariola, em Santiago, local que tem capacidade para mais ou menos 1.500 pessoas, e a banda reconheceu a diferença entre os locais: “Em Santiago a gente tinha grade, era separado, mas hoje não. Usem esse palco como se fosse seu, mas se cuidem e cuidem dos outros. Pulem pelas paredes, mas se cuidem. É sobre isso que são as músicas, união. Foda se a política. Aqui é hardcore.” 

Acabou que os fãs usaram muito bem o palco, com a faixa depois de “Look My Way” definindo isso perfeitamente. Durante a música, apareceu no palco uma fã vestindo uma camiseta da seleção argentina, e Freddie cedeu seu microfone à ela, que cantou a música com uma energia que beirava algo visceral. Não sei dizer exatamente quem era, se ela era vocalista de alguma banda, qual a relação dela com o Madball, mas posso dizer com certeza que a participação dela foi um dos pontos altos da noite. “Spit On Your Grave”, já voltou ao padrão estabelecido anteriormente, todo mundo cantava junto, mas não no palco, que era praticamente uma plataforma de trampolim, sem os trampolins. “Heavenhell” fez o palco do Usine parecer a estação da Sé em horário de pico.

Antes da “Doc Marten Stomp”, mais uma galera subiu no palco para cantar junto, inclusive aquela mesma fã. A interação com os fãs durou a noite inteira, com pequenas trocas como: “From the old to the new. When I say New York you say hardcore.” Uma das últimas músicas a serem tocadas foi “It’s My Life”, originalmente do The Animals, mas que também foi popularizada no meio do hardcore pelo Agnostic Front, e agora é marca registrada do Madball. As últimas duas foram “Born Strong” e “100%”, essa última cantada em espanhol, e as duas com aquela mesma fã no palco, e antes de se despedir, Freddie disse: “Da próxima, tocaremos no sábado.” Também soltou algumas informações do que vem por aí, dizendo que o “Madball vai lançar um disco novo já já. Comprem. Nem isso, só escutem, é isso que importa. Thank you São Paulo. Mucho amor.” Em um tom bem calmo, continuou: “Alguém perdeu as chaves aqui, vou deixar aqui atrás.Somos pessoas decentes”. Como sempre, falaram aquela que não podia faltar: “Obrigado, we are Madball and we’ll see you next year, until the next time”.



Texto: Daniel Agapito

Fotos: Mazzei

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Venus Concerts



Abulia - setlist:

SJC HC

Antifa

Vaso Ruim

Morte Lenta

Te Deito no Soco

Mente a Milhão

Malditos


Paura - setlist:

Karmic Punishment

Urban Decay

Reverse the Flow

Truth Hits Hard

No Hard Feelings?! Fuck You!

The City is Ours

Level of Maturity

The Privilege

History Bleeds


Madball - setlist:

(as seguintes músicas estão na ordem em que foram colocadas no setlist que estava no palco, mas não refletem a ordem do show. Não consegui pegar todas em ordem, mas as que consegui, estão aqui)

Set it Off

Smell the Bacon

Lockdown

Never Had It

It’s Time

C.T.Y.C.

Across Your Face

Face to Face

Spit on Your Grave

Down by Law

Get Out

New York City

Can’t Stop Won’t Stop

Hold it Down

For My Enemies

Doc Marten Stomp

Rev Up

Nuestra Familia

It’s My Life

HeavenHell

Pride (Times are Changing)

100%

*Look My Way

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Dream Theater – 15/12/2024 – Vibra/SP

DREAM THEATER COMEMORA 40 ANOS DE CARREIRA COM SHOW EMOCIONANTE E NOSTÁLGICO EM SÃO PAULO

Esse que vos escreve tem uma longa história com a banda. Desses 40 anos de existência, acompanhei pelo menos 30, desde 1993, quando a banda tinha acabado de lançar o magnífico "Images & Words”, estreando o seu então novo vocalista, James LaBrie. 

Nessa época via como um “sonho distante” assistir um show da banda em terras tupiniquins, pois a banda era muito pouco conhecida por aqui. Foi que, em 1997, esse sonho se tornou realidade e a banda foi anunciada para 3 shows no Brasil: 2 em Santo Andre/SP (grande São Paulo) e 1 no Rio de Janeiro. Nessa época a banda estava excursionando com a tour do disco Awake, inclusive o backdrop nos shows era com a arte do disco. A banda estava prestes a lançar o criticado e injustiçado Falling To Infinity, inclusive tocaram algumas músicas no show em sua versão DEMO.  Depois disso, a banda retornou ao Brasil em 1998 para um show no Philips Monsters Of Rock ao lado de Slayer, Manowar, Megadeth, Savatage entre outros. 

Infelizmente a banda teve um hiato de 7 anos de shows pela América do Sul, retornando somente no ano de 2005 na tour do disco Octavarium. Ai sim, o Brasil virou rota obrigatória para a banda nas demais tours. Todas as vezes pude estar presente, acompanhei toda a trajetória, evolução e mudanças na banda, como a maior delas a saída de um de seus mentores e fundadores: o baterista Mike Portnoy. Com toda certeza senti muita falta dele nos discos e shows que acompanhei com seu substituto, o também excelente baterista Mike Mangini.

Mangini é um excelente baterista, mas não encaixou como Portnoy na química da banda. Foram 12 anos que os fãs (me incluo nisso) aclamavam para a volta do seu baterista original.  Foi então que no meio de 2024 foi anunciado a volta para uma tour mundial comemorativa de 40 anos da banda e um novo álbum de inéditas. Claro que essa tour não poderia deixar de passar pelo Brasil e logo foram anunciadas 5 datas: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. 

Estive presente no show em São Paulo – dia 15/12 (domingo) – para celebrar essa volta do "Portina" (como os fãs mais calorosos o chamam) nas baquetas do Dream Theater. Como de praxe, a trilha sonora que tocava antes que o show começasse foi escolhida a dedo pela banda para que o público "entrasse no clima". 

Quando a “Rooster”, do Alice In Chains, começou a tocar num volume mais alto do que as demais, já dava para perceber que o início do show já estava próximo. Só não me perguntem o por que dessa escolha pela banda. Imediatamente, ao final dela, inicia a música tema do filme "Psicose" de Bernard Herrmann, e as luzes se apagam seguindo da intro de "Metropolis Pt1: The Miracle and The Sleeper". 

Realmente souberam como começar a festa, pois o público entrou em êxtase coletivo. Ao ver Mike Portnoy ao lado de seus companheiros de banda novamente trazendo de volta a alma para o Dream Theater, não faltou vontade de gritar: É SOBRE ISSO QUE ESTOU FALANDO, CARA! Com um kit de bateria enorme, praticamente 2 baterias juntas, Mike estava nitidamente feliz em estar de volta a São Paulo, cidade onde já se apresentou inúmeras vez com e sem o Dream Theater. 

Para acompanhar "o pacote" seguiram com a continuação da história contada da primeira parte de Metropolis, e atacaram de "Overture 1928" e "Strange Déjà Vu". Uma sequência para nenhum fã de carteirinha botar defeito.

Uma pausa para respirar e o vocalista, James LaBrie, cumprimenta o público: "Sejam bem-vindos a tour de comemoração do aniversário de 40 anos do Dream Theater." Aproveitando, anuncia a volta de Mike Portnoy, que foi aplaudido com entusiasmo e ovacionado por todos presentes em uma única voz: PORTNOY! PORTNOY! PORTNOY! Ai para não deixar toda empolgação cair, LaBrie convida todos a voltar um pouco no tempo para o disco "Awake", de 1995, e chama “The Mirror”. 

Mais uma vez souberam como começar uma festa como poucos. E por falar no vocalista, que ultimamente tem sido muito criticado pela sua performance vocal, realmente ele estava desempenhando muito bem o seu papel aquela noite, chegando nas notas altas e muito bem colocado nas partes lentas de várias músicas, como "Panic Attack", "Barstool Warrior" e a linda balada "Hollow Years", que sucederam o show. Essa última foi tocada na sua versão DEMO de 1996, com letras adicionais e maiores solos de guitarra e teclados, para o delírio de inúmeros instrumentistas presentes na plateia. 

O show seguiu com "Constant Motion” e “As I Am”, uma verdadeira aula de técnica, caso você toque algum instrumento. 

Final do primeiro Ato. Sim, foi assim que eles dividiram, como num concerto: Ato I e Ato II. 

Um pequeno intervalo para que público possa ir ao banheiro e talvez pegar uma bebida, e logo se inicia o segundo Ato. Uma introdução orquestral contemplando temas de todos os álbuns do Dream Theater, seguida do "novo Dream Theater” com o novo single “Night Terror”, recém lançado e mostrando a nova fase da banda com a volta do Portnoy também nas composições. 

A nostalgia tomou conta do público quando a introdução de "Under a Glass Moon” foi iniciada. Fãs mais fervorosos "cantavam” em uníssono a harmonia que abre a música, acompanhando as guitarras de John Petrucci e os teclados de  Jordan Rudness.

Outro momento que podíamos ver a colocação perfeita do vocal do LaBrie foi na maravilhosa "This is the Life". Música da fase Mangini na banda, que o Portnoy tocou brilhantemente e ainda fez todos os backings vocals. Achei extremamente humilde da parte do baterista tocar músicas de fases que ele não fazia parte da banda, assim como ele fez com a "Barstool Warrior", do albúm "Distance Over Time".

Depois de ter apresentado no Ato anterior o seu momento técnico, a banda entrou num momento “viagem”: "Vacant", a instrumental “Stream of Consciousness” e a ÉPICA "Octavarium”. Essa última nos faz sentir num show do Pink Floyd por seus climas atmosféricos de teclado e guitarra. Realmente uma viagem musical. Nessa música pude ver que realmente o LaBrie estava numa de suas melhores performances nessa tour, pois cantar essa música depois de mais de 2 horas de show não é pra qualquer um. Tiro meu chapéu para você, James. 

Em clima apoteótico com o final da faixa título do oitavo disco de estúdio da banda, eles se despedem do público pela primeira vez. 

Então que começa no telão um vídeo retirado do clássico "O Magico de Oz”, onde termina com a Dorothy falando: "There's No Place Like Home". Eis que inicia a poderosa "Home” do álbum Scenes From A Memory, de 1999. Ver o público inteiro pulando, cantando e lavando a alma depois de quase 3 horas de show realmente mostra a força do Dream Theater no Brasil. 

Para acalmar um pouco o público e preparar para "os finalmentes" veio a genial e reflexiva “The Spirit Carries on”, com o Vibra São Paulo inteiro com as luzes dos seus celulares acesas que tirou elogios da banda: “Que bonito, São Paulo", falou no microfone James LaBrie. 

Sem muita enrolação, John Petrucci inicia a introdução do sucesso “Pull Me Under”, primeiro grande hit da banda do disco “Images & Words", de 1993. Assim se encerrou a festa.

Resumindo: todos saindo do local com um sorriso no rosto, satisfeitos e com a sensação da banda ter feito valer a pena ao salgado preço que foi cobrado pelos ingressos. Mais de 3 horas de show, apanhado de toda a carreira da banda, um set list coeso e muito bem estruturado, James LaBrie numa grande performance e uma aula de boa MÚSICA AO VIVO DE VERDADE, sem playbacks e qualquer tipo falcatrua tecnológica muito utilizada em apresentação nos dias de hoje. 

Bem-vindo de volta Mike Portnoy e vida longa aos gigantes do PROG METAL chamado DREAM THEATER.

Que festa, que celebração!





Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Liberation MC



Dream Theater – setlist:

Act I

Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper

Act I: Scene Two: I. Overture 1928

Act I: Scene Two: II. Strange Déjà Vu

The Mirror

Panic Attack

Barstool Warrior

Hollow Years

Constant Motion

As I Am


Act II

Night Terror

Under a Glass Moon

This Is the Life

Vacant

Stream of Consciousness

Octavarium

Bis

Act II: Scene Six: Home

Act II: Scene Eight: The Spirit Carries On

Pull Me Under

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Entrevista: Killing in a Bad Moon - Metal Alternativo e Produção "Raiz"

 

- Olá Nilo. Obrigado pela sua gentileza em nos atender. Parabéns pelo lançamento do álbum “Killing in a Bad Moon”, está excelente o material.

Muito Obrigado!


- Como você pode descrever o trabalho na composição deste tipo de sonoridade?

Nosso trabalho é muito colaborativo. A banda tem essa característica de que qualquer ideia que é trazida por qualquer integrante é bem recebida e tentamos fazer dessa ideia uma música. As arestas são lapidadas em ensaios que são gravados e quando a gente está satisfeito com a música a gente faz um take caprichado tocado ao vivo na mesma tomada, sem interromper a gravação nem nada. 

Das 10 músicas do álbum, 9 são esses takes ao vivo dos instrumentos, só a voz que foi gravada separada por conta de vazamento dos instrumentos no mic da voz, mas a gente gravou a voz logo em seguida, com o sangue quente ainda. Deste álbum “Roots of our souls” é diferente, mas é só porque ela tem um instrumento único, que é uma viola caipira com uma afinação alternativa, então no fim podemos dizer que todo o álbum foi gravado dessa maneira. Não tem nada mais raiz que isso.

Além disso somos músicos moldados em diferentes bandas, hoje juntos somamos histórias e estilos distintos formando uma mistura com ingredientes do Metal Alternativo, Metal Moderno, Stoner e Punk Rock, com uma profunda raiz nas dinâmicas do Alt-rock dos anos 90. 

Shades Before Dawn, Holy Death, Boi Mamão, Sugar Kane, MaTeMa, Water Rats, Resist Control, DjAllen, Squalidus foram ou são bandas que participamos e tivemos forte influência na cena underground curitibana e brasileira, algumas com forte atividade até hoje.


- Eu escutei o álbum diversas vezes e, só após várias tentativas, consegui captar realmente a essência e diversidade de suas ideias. 

Nossas músicas não são repetições de uma mesma ideia e não existe um estilo em que a gente possa ser encaixado com facilidade. Nós não somos aquele tipo de banda que atira para todo lado para ver onde pega, mas com certeza trabalhamos dentro de um espectro que é composto tanto pelas influências que cada um traz para a banda, quanto pelas diferentes nuances de sentimentos humanos que tentamos expressar através da música.

O feedback que a gente tem sempre é “faz tempo que não se ouve músicas assim”, que no caso entendemos por músicas com começo, meio e fim diferentes um do outro e que traduzem algum sentimento real.

O mundo está cheio de bandas repetindo fórmulas que deram certo, mas que se perderam no xerox do xerox, vemos com maus olhos essa coisa “formulaica” e pasteurizada que domina o cenário musical atual, o mundo já foi melhor em oferecer coisas diferentes e surpreendentes. 

Penso também que essa mudança depende de a gente buscar coisas novas em lugares diferentes, reclamam que o tiktok e o instagram estão infestados de gente fútil, mas ninguém sai de lá. Bora sair da internet e ir em um show, quem sabe não se encontra uma pérola rara e apresenta ela para o mundo.


- Existem planos para o relançamento de “Killing in a Bad Moon” através da MS Metal Records, atual gravadora de vocês?

Nossa parceria com a MS ainda é recente e estamos vendo os primeiros resultados. Com eles estamos tendo a oportunidade de chegar a novos públicos. A mídia CD infelizmente não tem um “revival” que o vinil está tendo, mas gostaríamos de ter a prensagem do disco tanto em CD quanto em vinil.


- O fato de trabalharem com o inglês é buscando o mercado externo? Isso não pode vir a atrapalhar vocês no mercado nacional?

Esperamos que não!! Aqui o Metal, Metal Alternativo, Metal Moderno etc. são estilos bem “nichados”, mesmo existindo muitos apaixonados. 

Acreditamos que o inglês combina melhor no nosso estilo, mas não descartamos um dia utilizar o português ou o espanhol em ideia(s), e sabemos que o inglês facilitará a abertura de outras portas internacionalmente.


- Como estão rolando os shows em suporte ao disco? A aceitação está sendo positiva?

Os shows têm sido esporádicos, mas sempre bem recebidos. Nós tratamos os shows com o mesmo profissionalismo que dedicamos ao álbum. Temos projeção de vídeos e tocamos ao vivo em sincronia com esses vídeos. Buscamos sempre promover o show em um lugar que comporte essa produção, que nem é muito grande, mas para nós é indispensável para a experiência.


- Quem assinou a capa do CD? Qual a intenção dela e como ela se conecta com o título?

Jaime Silveira (jaimesilveira.com), um artista aqui de cwb que faz design gráfico pro Brasil e pro mundo... é um artista de muita sensibilidade e viu uma energia, calor e mistério no nosso som.

Fale-nos sobre a produção de  “Killing in a Bad Moon” ?

Foi feita dessa maneira: todos tocavam juntos no estúdio da banda, gravando sem parar e separando os takes depois. Todos da banda têm experiência em estúdio e alguns já trabalharam com mixagem e masterização, então a gente acaba fazendo tudo sozinho para chegar mais fácil ao resultado que a gente imaginou sem ter que passar por processos externos.

Um dia ainda vamos trabalhar com algum camarada fodão tipo o Butch Vig, o Andy Walace ou Michael Beinhorn, mas até lá estamos nos virando bem.


- Vocês estão trabalhando em um novo full lenght? Se sim, como está se dando o processo e como ele está soando?

Seguimos gravando, soltando singles e preparando seus respectivos vídeos, pois acreditamos que os vídeos são tão importantes quanto as músicas; também seguimos preparando o nosso 2º álbum, que já está no processo.  


- Novamente parabéns pelo trabalho e vida longa ao KILLING IN A BAD MOON... 

Muito obrigado pela conversa e oportunidade, esperamos ter mais dessas em breve. Temos uma mensagem para propagar e a música certa para infectar as pessoas com essa mensagem.  - Grande abraço!


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domingo, 15 de dezembro de 2024

Cobertura de Show: Iron Maiden – 07/12/2024 – Allianz Parque/SP

No último dia 7 de dezembro de 2024, os fãs de Iron Maiden ao redor do mundo sentiram uma pontada de inveja dos brasileiros. Isso deve-se ao fato de que o show realizado nesse dia, no Allianz Parque em São Paulo, marcou a despedida do baterista Nicko McBrain, que anunciou a sua aposentadoria dos palcos na manhã daquele dia. 

Para muitos, era uma coisa que ia acontecer brevemente, tendo em conta o estado de saúde – que já não está tão robusta – e a idade avançada do mesmo. Apesar dos cuidados, Nicko se viu obrigado a tomar essa triste decisão.

Além da despedida, o dia também marcou o último ato da The Future Past Tour. A expectativa para chegada dessa turnê no Brasil foi grande, os ingressos esgotados tanto para a noite de sábado quanto para a noite anterior foi um bom exemplo disso, pois talvez seria umas das únicas oportunidades de ver alguns clássicos do Somewhere In Time (1986) ao vivo. 

Sob uma intensa garoa, os dinamarqueses do Volbeat encarregaram-se de fazer as honras de abertura. E não fizeram feio! O show foi uma grande realização para quem conhece a banda, que não pisava em solo brasileiro desde 2018, quando se apresentaram no Lollapalooza daquele ano. Apesar de já terem uma longa carreira e oito álbuns lançados, a banda ainda é relativamente desconhecida entre nós.

A formação, que já passou por algumas alterações, conta hoje com o baterista Jon Larsen, o baixista Kaspar Boye Larsen e o novo guitarrista Flemming C. Lund, que vem ocupando o lugar do experiente Rob Caggiano. 

Cada um teve o seu merecido destaque, demostrando segurança e entrosamento em cima do palco, mas foi o vocalista, guitarrista e fundador Michael Poulsen (vestindo uma t-shirt dos Cavalera em homenagem aos irmãos Max e Iggor) quem mais chamou atenção por conta do seu carisma e pela habilidade de cantar e tocar riffs poderosos de forma excepcional, rendendo comparações com James Hetfield, do Metallica.

O set-list trouxe músicas de quase todos os álbuns, com exceção de Rewind, Replay, Rebound (2019). O começo com “The Devil’s Bleeding Crown”, “Lola Montez” e “Sad Man’s Tongue” (com um breve trechinho de “Creeping Death”) deixaram muitos surpresos com a qualidade musical do grupo, que combina Hard Rock, Heavy Metal e Rockabilly. 

Em seguida teve “Black Rose” e “Wait a Minute My Girl”, que botaram alguns que estavam na pista para dançar, enquanto “Dead But Rising” – substituída por “Shotgun Blues”, tocada na noite anterior –, “Fallen” e “Seal the Deal” espantaram qualquer ameaça de chuva com toda a sua intensidade. 

“The Devil Rages On”, com uma pegada que remete ao surf-rock, resgatou o clima festivo das anteriores. Quase no final, “For Evigt” botou as milhares de pessoas para iluminar o Allianz Parque com as luzes dos celulares, acendidas a pedido de Michael. 

O termino veio de forma digna com a clássica “Still Counting”, nos dando a esperança de que está nova passagem de uma das melhores bandas da atualidade conquistou mais fãs brasileiros. 


Faltando poucos minutos para o começo do show do Maiden, a pista premium, onde este repórter se encontrava, tornava-se cada vez mais apinhada. Os poucos espaços disponíveis surgiram apenas por volta das 20h50, quando “Doctor, Doctor”, do UFO, aqueceu a multidão para receber o septeto.

O efetivo início com “Caught Somewhere In Time”, precedida pela trilha “Blade Runner (End Titles)”, colocou a arena abaixo com as suas partes virtuosas de guitarra e o refrão apoteótico, que foram entoados em coro. 

Em seguida, a magnífica “Stranger in Strange Land” – trazendo a primeira aparição do mascote Eddie – manteve a energia nas alturas com um toque nostálgico, pois a sensação de vê-la ao vivo era como se estivéssemos assistindo ao videoclipe oficial dela sempre quando Bruce Dickinson jogava seu pedestal para o ar e o Adrian Smith brandindo sua guitarra. 

Após essa viagem no tempo, a banda passou a focar em temas mais recentes com uma seleção do álbum Senjutsu, começando por “The Writing on the Wall”, que rapidamente conquistou os fãs e encaixou-se perfeitamente ao vivo. 

Antes de executá-la, Bruce expressou toda a sua gratidão por Nicko, que estava visivelmente emocionando e fez questão de se levantar do seu kit de bateria para receber o carinho dos fãs.

Ainda do álbum Senjutsu, “The Day Of Future Past” e “The Time Machine” foram animadamente recepcionadas durante um determinado momento com todos pulando junto com o Steve e o Janick. 

Ambas tiveram performances ainda melhores ao vivo, especialmente “Death Of The Celts”, que trouxe um acréscimo a essa sequência Senjutisiana de forma atmosférica e sendo precedida pela emblemática “The Prisoner”, que não era tocada ao vivo há bastante tempo e que foi celebrada por todos assim que a clássica narrativa de McGoohan e o ritmo da bateria – completadas com os riffs de guitarra – se apoderaram.

A nostalgia se fez presente novamente com “Can I Play With Madness” e “Heaven Can I Wait”, sendo que esta última teve novamente a presença do Eddie cyborg para um confronto de tiros com o Bruce. Estes dois clássicos, que não costumam estar tão frequentemente nos shows da Donzela, fizeram a festa dos fãs, que não hesitaram em canta-las. 

“Alexander The Great”, que nunca tinha sido interpretada ao vivo, fez a alegria desses mesmos fãs, que há décadas ansiavam pela sua inclusão numa turnê. Os olhares estavam tão fixos no palco que muitos até esqueceram de tirar o celular no bolso para registrar algum momento desta verdadeira obra-prima. Realmente, a espera, persistência e encheção de saco valeram a pena. 

Antes de concluir o primeiro bloco, as icónicas “Fear Of The Dark” e “Iron Maiden” foram apresentadas, sendo que estas nunca deixam de estar presentes no set-list da banda. Independentemente de serem amadas ou odiadas, ambas proporcionam um momento de ligação intensa entre o público e os músicos, especialmente na parte melódica, quando o famoso ‘oh, oh, oh’ é ecoado. 

Na canção que dá nome à banda, uma cenografia especial foi criada. Eddie, mais uma vez, apareceu com uma representação de Samurai em formato inflável e móvel, marcando a sua última aparição da noite. Não foi possível não recordar do saudoso Paul Di'Anno, que faleceu no passado dia 21 de outubro, enquanto se tocava este que foi um dos primeiros sucessos da Donzela.

Após a saidinha fake, o septeto voltou para as três últimas da noite. “Hell On Earth”, mais uma nova e a favorita deste repórter do Senjutsu, abriu o bis de maneira épica, com destaque para as labaredas de fogo que saiam das laterais ao redor do Nicko. 

A interação entre Bruce e o público durante as melodias iniciais foi eletrizante, com todos acenando as mãos como se estivessem limpando janelas. “The Trooper” e “Wasted Years” encerraram a noite de forma emblemática, sendo excelentes escolhas para as últimas batidas ao vivo de Nicko ao lado do Iron Maiden.

O final reuniu todos os membros à frente do palco para uma foto. Afinal, ali estava se encerrando uma trajetória de 42 anos de um dos melhores bateristas da história, que recebeu abraços de cada um antes deixa-lo a vontade com o público para jogar baquetas e peles de bateria. 

Habitualmente, o público exalta a banda com gritos de ‘Maiden, Maiden’, mas nesse dia específico, as ovações foram substituídas por ‘Nicko, Nicko’, uma vez que, como Bruce mencionou durante os momentos finais, aquela noite era inteiramente dele.

Relativamente aos músicos, cada um teve o seu momento especial. Embora haja um brilho especial no Bruce Dickinson – pela sua impressionante presença de palco e voz inigualável – e Steve Harris por manter a banda sempre nos trilhos, mas todos os demais elementos contribuem com sabedoria para que o espetáculo do Iron Maiden continue a ser uma experiência inovadora e singular. 

Mesmo enfrentando algumas limitações e uma diminuição no ritmo, Nicko mostrou-se um verdadeiro guerreiro e deu o melhor de si. O trio de guitarristas – Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers – que para mim são os responsáves por orquestrar todo o show, continua soberba. 

Em suma, foi mais uma passagem memorável tanto em termos de produção quanto em seleção do repertório. Para a próxima tour, a novidade será a presença de Simon Dawson na bateria. 

Mas independentemente de quem esteja na banda ou não, os fãs continuarão apoiando massivamente, pois sempre digo que o Iron Maiden possui não apenas fãs, e sim uma verdadeira torcida organizada capaz de unir pessoas de diferentes gerações. 

Up The Irons!


Texto: Gabriel Arruda 

Fotos: Stephan Solon (Move Concerts)


Realização: Move Concerts

Mídia Press: Midiorama


Volbeat – setlist: 

The Devil's Bleeding Crown

Lola Montez

Sad Man's Tongue

A Warrior's Call

Black Rose

Wait a Minute My Girl

Dead but Rising

Fallen

Seal the Deal

The Devil Rages On

For Evigt

Still Counting


Iron Maiden – setlist: 

Caught Somewhere in Time

Stranger in a Strange Land

The Writing on the Wall

Days of Future Past

The Time Machine

The Prisoner

Death of the Celts

Can I Play With Madness

Heaven Can Wait

Alexander the Great

Fear of the Dark

Iron Maiden

Bis

Hell on Earth

The Trooper

Wasted Years