quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Beyond The Black: Quebrando o Silêncio Em Um Mundo Fragmentado

Shinigami Records (Nac.) / Nuclear Blast (Imp.)

Por Paula Butter

Mais um lançamento de peso para este início de ano. Estamos falando da banda alemã Beyond The Black, que chega em 2026 com seu sexto álbum de estúdio, Break The Silence.

Inicialmente, convém dizer que se trata de uma obra bastante conceitual, com várias nuances ao longo das faixas. Conforme a própria banda divulgou, Break The Silence possui raízes no metal melódico e influências étnicas, explorando temas como comunicação, força interior, resiliência e a necessidade urgente de reconexão em um mundo dividido. Novamente vemos o caos mundial como parte de uma obra musical, mas esta, em particular, foge do óbvio, pois nos apresenta o caos apenas como uma peça de um quebra-cabeça, em que cada parte vai se encaixando ao longo da audição.

A primeira faixa, “Rising High”, já mostra uma mistura de sons e riffs enérgicos, com pausas características na melodia, para um retorno dos vocais em força total, trazendo uma mensagem clara de superação e renascimento. Logo na sequência, chega a faixa-título, “Break The Silence”, que entrega exatamente o que promete: elementos bem característicos do metal sinfônico, com os vocais poderosos de Jennifer Haben, que reforçam a identidade da banda e comprovam tratar-se de uma canção atemporal.

Com “The Art Of Being Alone”, que conta com a participação do grupo Lord Of The Lost, também em ascensão no mainstream, o tom se torna mais sério. O início é belíssimo, quase onírico, porém carregado de melancolia. A junção musical das duas bandas alcança um alto nível, agradando tanto aos fãs quanto àqueles que ainda não conheciam o trabalho do Beyond The Black. Inclusive, esta foi uma das faixas escolhidas como single e ganhou videoclipe de divulgação do novo álbum.

Após essa pancada espiritual, chega “Let There Be Rain”, com a belíssima participação do grupo vocal feminino The Mystery of the Bulgarian Voices. O folk tradicional da Bulgária torna a música bastante peculiar, sem que ela perca peso ou melodia. A faixa funciona como um respiro para o ouvinte, deixando o disco ainda mais interessante e adicionando um novo elemento cultural à construção de Break The Silence. Além disso, evidencia como a música pode quebrar barreiras ao unir estilos distintos de forma assertiva.

Até este ponto, já é possível perceber que o disco representa um marco na carreira da banda. Apesar do ótimo antecessor, que ampliou significativamente o público do Beyond The Black e levou o nome do grupo a grandes festivais mundiais, este novo lançamento consegue superá-lo. Em tempo, dentre tantas diversidades, surge “Raven”, uma das minhas faixas favoritas do álbum. Além das participações especiais de diversos artistas, nesta música em particular, a banda resgata momentaneamente suas raízes, lembrando-nos de que, apesar das mudanças, o conforto ainda habita o âmago de sua essência.

Na sequência, temos mais uma peça importante: “The Flood”, que incorpora elementos industriais ao som da banda, transmitindo uma sensação de imperfeição e indiferença. Para equilibrar as forças, surge “Can You Hear Me”, um pedido carregado de emoção e um nó na garganta, com a excelente participação vocal da cantora Asami, da banda japonesa Lovebites. A união de sua voz com a de Haben resulta em uma faixa intensa, repleta de sentimentos à flor da pele, reforçando mais uma vez o contraponto cultural presente no álbum.

Quase ao final do disco, vale uma licença poética para comentar a oitava faixa, “(La vie est un) Cinéma”, que em português significa “(A vida é um) cinema”. Trata-se de uma verdadeira pérola, tanto na letra quanto no instrumental. Não é de hoje que o francês exerce forte apelo quando bem inserido na música pesada, e aqui o resultado é um deleite para os ouvidos. A canção carrega uma mensagem poderosa de união e entrega pessoal, que se manifesta em momentos cruciais, tanto na vida quanto nos filmes. A penúltima faixa, “Hologram”, é muito boa, embora não se destaque tanto quanto as demais.

Por fim, o álbum se encerra com “Weltschmerz”, termo alemão que, segundo o Dicionário Cambridge, expressa uma tristeza profunda e um desalento em relação ao mundo, sendo frequentemente citado como exemplo de sentimentos complexos sem tradução direta para o inglês. A proposta musical aqui se aproxima do metal sinfônico, mas incorpora elementos sonoros e instrumentais que remetem a uma atmosfera digna de “Senhor dos Anéis”, fazendo o ouvinte sentir parte da melancolia à qual o termo se refere. Um encerramento bastante assertivo.

Assim, vale sair da zona de conforto e apreciar Break The Silence, novo álbum do Beyond The Black, com lançamento marcado para o dia 9 de janeiro de 2026. Tudo indica que este trabalho tem grande potencial para figurar entre os melhores lançamentos do ano.

Heilemania

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