Mostrando postagens com marcador Monsters of Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monsters of Rock. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cobertura de Show: Monsters Of Rock – 04/04/2026 – Allianz Parque/SP

Realizado no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 04 de abril, o Monsters of Rock chegou à sua nona edição reafirmando seu status como um dos principais festivais do gênero no país. Com um line-up diverso que mesclou nomes clássicos e novas promessas, incluindo Guns N' Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler, o evento foi conduzido com carisma pelos mestres de cerimônia Eddie Trunk e Walcir Chalas, que ajudaram a manter a energia do público entre as apresentações. Em um dia marcado por grandes performances, estrutura de alto nível e uma verdadeira celebração do rock em suas diferentes vertentes, o festival mais uma vez transformou a capital paulista em ponto de encontro obrigatório para fãs de música pesada.

Abrir um festival do porte do Monsters of Rock nunca é uma tarefa simples, ainda mais quando o público chega aos poucos, sem necessariamente conhecer quem está no palco. Foi nesse cenário que a jovem banda britânica Jayler assumiu a responsabilidade de dar início ao dia e fez isso com segurança e personalidade, transformando um horário ingrato em uma oportunidade de converter curiosos em fãs. A banda, liderada pelo carismático James Bartholomew, deu início com “Down Below” e seguiu com “The Getaway” e “No Woman”. A faixa “Riverboat Queen” explodiu com um solo de gaita visceral, que Bartholomew executou enquanto corria pelo palco. Rolou também uma versão blues de “I Believe to My Soul”, de Ray Charles. O encerramento com “Over The Mountain” e “The Rinsk” manteve a aura setentista do som deles e agradou aos presentes. Ao final, uma coisa fica evidente: a semelhança com o Led Zeppelin, tanto no som quanto no visual. Para quem gosta de algo no estilo dos veteranos do Led Zeppelin, é um prato cheio e bem-feito, mas longe de superar seus mestres.

A segunda atração foi a banda Dirty Honey, entregando uma performance robusta e cheia de atitude. Abrindo com a energia de “Won’t Take Me Alive”, a banda rapidamente cativou o público, seguindo com “California Dreamin’” e “Heartbreaker”, que demonstraram a coesão do quarteto. Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi durante “Don’t Put Out the Fire”, quando o carismático vocalista Marc LaBelle desceu ao pit, interagindo diretamente com os fãs e elevando a conexão entre banda e público. A performance continuou com a intensidade de “Another Last Time” e “Lights Out”, que prepararam o terreno para o solo de guitarra de John Notto. Encerrando o show com “When I’m Gone” e “Rolling 7s”, o Dirty Honey deixou uma boa impressão, provando que seu hard rock clássico e sem frescuras é adequado para qualquer público.

A apresentação de Yngwie Malmsteen foi uma verdadeira aula de virtuosismo, desmontando qualquer narrativa de que o guitarrista estaria em baixa. Muito pelo contrário: Malmsteen mostrou-se em ótima forma física e técnica, esbanjando precisão e velocidade. Acompanhado por Nick Marino (teclados e vocal), Emi Martinez (baixo) e o excelente baterista Kevin Klingeschmid, o guitarrista sueco abriu a apresentação com a explosiva “Rising Force”, seguiu com “Top Down, Foot Down” e “No Rest for the Wicked”, não dando trégua: passou por “Soldier”, “Into Valhalla”, “Baroque & Roll”, “Relentless Fury” e a sequência épica “Now Your Ships Are Burned / Caprice no. 24”. O público, em sua maioria fãs de Guns N’ Roses, reagiu de forma um pouco morna no início, mas quem foi para ver shredding puro saiu impressionado com a entrega total do mestre.

O set ainda reservou momentos de puro fogo com “Wolves at Your Door”, o medley sensacional “Paganini 4th / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody”, “Fire and Ice”, “Evil Eye” e uma versão de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, cantada pelo próprio guitarrista. Passando por “Trilogy Suite Op. 5”, “Overture” e “Badinerie”, reforçou suas influências clássicas enquanto parecia brincar com seu instrumento. A reta final com “Black Star” e “I’ll See the Light Tonight” encerrou a apresentação com chave de ouro, deixando claro que, apesar de qualquer percepção externa, Malmsteen continua sendo uma lenda no mundo do metal neoclássico, entregando tudo o que se espera de um verdadeiro virtuose.

Na sequência, o Halestorm subiu ao palco e rapidamente mudou o clima do festival. Liderado pela vocalista e guitarrista Lzzy Hale, o que se viu foi uma força da natureza em ação. Lzzy se entrega de corpo e alma a cada nota, correndo pelo palco, interagindo com o público e usando sua voz, que simplesmente beira o absurdo: potente, versátil e cheia de atitude. Para quem não conhecia a banda, saiu do show absolutamente maravilhado. O set começou forte com “Fallen Star”, “Mz. Hyde”, “I Miss the Misery”, “Love Bites (So Do I)” e “Watch Out!”. No entanto, o ponto alto veio com a sequência de “Like a Woman Can”, “I Get Off” e “Familiar Taste of Poison”. A diversidade das músicas proporcionou uma dinâmica envolvente, na qual Lzzy pôde mostrar todo seu talento com seu potente vocal, ora agressivo, ora delicado, em meio a belas melodias que colocaram o Allianz Parque literalmente aos seus pés. Com o jogo ganho, tocaram a pesada “Rain Your Blood on Me”, culminando em um solo de bateria de Arejay Hale, que arriscou ritmos brasileiros e depois usou baquetas gigantes que mais pareciam cabos de vassoura, chegando até a arrancar algumas risadas do público. Encerraram com “Wicked Ways” e “I Gave You Everything”, não deixando pedra sobre pedra e o público sedento por mais.

É engraçado que, antes do show, algumas pessoas da mídia especializada comentavam que Lzzy era exagerada ou que sua voz poderia irritar; depois da apresentação, todos mudaram completamente de ideia. O Halestorm não apenas conquistou novos fãs, mas também solidificou sua reputação como uma das bandas mais empolgantes e autênticas da atualidade, com Lzzy Hale roubando a cena, incendiando o público e transformando a apresentação em um dos momentos mais marcantes do festival.

Com tudo isso, o Extreme subiu ao palco com uma difícil tarefa e, para ajudar, sob uma forte chuva que fez muita gente correr para se abrigar no estádio. Mas, felizmente, o temporal durou poucos minutos e o show continuou com tudo. Arrisco dizer que o Extreme foi a banda que tocou mais pesado no festival, desmistificando a ideia de que sua carreira se resume à balada “More Than Words”. O vocalista Gary Cherone demonstrou ser um performer nato, enquanto o guitarrista Nuno Bettencourt provou que seu virtuosismo está no mesmo patamar de Malmsteen.

Abriram com “It ('s a Monster)” e “Decadence Dance”, já mostrando que o peso viria forte, e logo entraram em “#Rebel” e “Play With Me” (com a intro de “We Will Rock You”, do Queen). Apesar de o som do P.A. ter caído por alguns segundos, ficou evidente que o grupo vai muito além do rótulo de banda de baladas. O ritmo seguiu intenso com “Am I Ever Gonna Change” e “Thicker Than Blood”, revelando composições pesadas e virtuosas que colocam o Extreme no lugar de destaque que merece.

Mesmo as instrumentais “Flight of the Wounded Bumblebee” e “Midnight Express” empolgaram e serviram para mostrar a técnica de Nuno. E, como não poderia faltar, a balada e hit “More Than Words” fez o estádio vir abaixo, com todos cantando. Despediram-se com o groove contagiante de “Get the Funk Out” e o peso de “Rise”, acabando com qualquer estigma que a banda pudesse ter. Com uma performance intensa, técnica e cheia de personalidade, a banda conseguiu equilibrar peso, groove e virtuosismo, deixando claro que não apenas honra seu legado, mas também segue renovada e pronta para conquistar novas gerações.

Era hora do Lynyrd Skynyrd, e o clima já anunciava que não seria um show qualquer. Havia um consenso claro entre o público: a banda é uma verdadeira instituição do southern rock americano e merecia todo o respeito. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando iniciaram com “Workin’ for MCA” e “What’s Your Name”, os fãs deram uma recepção calorosa. A sequência seguiu com clássicos como “That Smell”, “I Need You”, “Gimme Back My Bullets”, “Saturday Night Special” e “Down South Jukin’”, mostrando a banda em ótima forma, entregando o som característico de guitarras gêmeas, groove pesado e atitude que define o Lynyrd Skynyrd há décadas.

O clima ficou ainda mais emocionante quando tocaram “Tuesday’s Gone”, dedicada a Gary Rossington, trazendo um momento de homenagem e respeito, preparando o terreno para um dos pontos mais marcantes da noite: “Simple Man”. Com a bandeira do Brasil projetada no telão e o céu iluminado por um mar de celulares, a canção provocou uma reação intensa do público, com muitos fãs visivelmente emocionados, alguns às lágrimas enquanto cantavam esse hino. A banda seguiu com “Gimme Three Steps” e o cover de J.J. Cale, “Call Me the Breeze”, mantendo o público totalmente envolvido. O ápice chegou com o mega hit “Sweet Home Alabama”, que teve uma breve introdução de “Red, White & Blue”. Nessa hora, ninguém ficou parado. Cheguei até a ver um segurança dançando e curtindo o momento, em uma cena que sintetiza perfeitamente o poder da música, e tudo fez sentido.

Para encerrar, a banda voltou para o encore com a épica “Free Bird”, dedicada aos integrantes que já se foram. A homenagem foi especialmente comovente: imagens de Ronnie Van Zant foram projetadas no telão enquanto a banda tocava, permitindo que o público ouvisse mais uma vez a voz do lendário vocalista junto com a formação atual. Foi uma despedida emocionante, respeitosa e grandiosa, deixando claro porque o Lynyrd Skynyrd continua sendo reverenciado como uma das maiores bandas da história do rock. 

O Guns N’ Roses encerrou com autoridade a edição de 2026 do Monsters of Rock no Allianz Parque. Apenas seis meses após um show histórico no mesmo palco, que registrou o maior público da arena, a banda voltou como headliner do festival e entregou uma apresentação energética, dinâmica e cheia de surpresas. O setlist sofreu mudanças em relação à passagem anterior, tornando a apresentação mais especial para os fãs brasileiros que lotaram o festival. Axl Rose, Slash e Duff McKagan mostraram que o fogo do Guns ainda queima forte no palco.

A abertura com a explosiva “Welcome to the Jungle” já incendiou o público, seguida por “Slither” (do Velvet Revolver) e os clássicos “It’s So Easy”, “Live and Let Die” e “Mr. Brownstone”. A menos óbvia “Bad Obsession” agradou os fãs mais atentos, e então veio “Rocket Queen”, resgatando os bons momentos de Appetite for Destruction. Músicas como “Perhaps”, “Dead Horse”, “Double Talkin’ Jive”, “Nothin’”, “You Could Be Mine” e “Civil War” mostraram como a banda estava soando coesa e pesada. Como todos sabem, a voz do Axl hoje não é mais a mesma, mas é interessante como a percepção no show é bem diferente. Você não tem a sensação de que é a voz do Mickey, como muitos dizem por aí.

Um dos momentos mais marcantes foi a homenagem ao saudoso Ozzy Osbourne, com a faixa “Junior’s Eyes”, do Black Sabbath. Foi uma grata surpresa, e Axl comentou sobre a importância da música no início de sua carreira. Já “Knockin’ on Heaven’s Door”, de Bob Dylan, veio com uma introdução de “Only Women Bleed”, do Alice Cooper, e teve seu refrão cantado em dueto pelo estádio todo. Outro destaque foi “New Rose”, do The Damned, com Duff assumindo os vocais e trazendo uma pegada mais punk para o show.

Do material mais recente, tocaram “Atlas”, que deixou o clima morno, mas logo veio o solo do homem da cartola, que, como sempre, foi um espetáculo à parte, levantando o público e reafirmando seu status de ícone. O clímax veio com “Sweet Child o’ Mine”, aquele mega hit que até quem não gosta de Guns conhece. O estádio veio abaixo, mas não parou por aí. A sequência com “Estranged” e “Bad Apples”, tocada pela primeira vez desde 1991, foi um presente para fãs de longa data, e a monumental “November Rain” levou os fãs à loucura.

O encerramento com a eletrizante “Nightrain” e a apoteótica “Paradise City” foi incrível, com o Allianz Parque cantando junto e pulando. O retorno em poucos meses mostrou que a banda não se apresenta para cumprir tabela e reforçou seu status como uma das maiores bandas de rock da história. Para os fãs paulistanos, foi mais uma prova de que, mesmo com o tempo passando, Axl, Slash e companhia ainda sabem como transformar uma apresentação em uma experiência inesquecível.

A nona edição do Monsters of Rock mostrou mais uma vez sua força ao reunir nomes de diferentes vertentes e gerações, entregando uma experiência rica e dinâmica para o público. De apresentações tecnicamente impecáveis, como a de Yngwie Malmsteen, passando pela energia avassaladora do Halestorm, até a afirmação pesada e virtuosa do Extreme, o festival evidenciou que o rock segue vivo. Os veteranos do Lynyrd Skynyrd  e Guns N Roses são mais do que nostalgia e ainda despertam a paixão que dos fãs. O sangue novo do Jayler e Dirty Honey mantiveram a chama viva do estilo em um dia que certamente ficará marcado na memória de quem esteve presente.


Texto: Marcelo Gomes

Fotos: Ricardo Matsukawa (exceto Guns N' Roses)

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Mercury Concerts



Jayler – setlist:

Down Below

The Getaway

No Woman

Riverboat Queen

Lovemaker

I Believe To My Soul [Ray Charles]

Need Your Love

Over The Mountain

The Rinsk 


Dirty Honey – setlist:

Won't Take Me Alive

California Dreamin'

Heartbreaker

The Wire

Don't Put Out the Fire 

 Another Last Time

Lights Out

Guitar Solo

When I'm Gone

Rolling 7s 

Yngwie Malmsteen – setlist:

Rising Force

Top Down, Foot Down

No Rest For The Wicked

Soldier

Into Valhala

Baroque & Roll

Relentless Fury

Now Your Ships Are Burned / Caprice no. 24

Wolves At Your Door

Paganini 4Th / Adagio / Far Beyond The Sun / Bohemian Rhapsody

Fire And Ice

Evil Eye

Smoke On The Water

Trilogy Suite Op 5 / solo / Overture

Badinerie

Black Star

I´ll See The Light Tonight 


Halestorm – setlist:

Fallen Star

Mz. Hyde

I Miss the Misery

Love Bites (So Do I)

WATCH OUT!

Like a Woman Can

I Get Off

Familiar Taste of Poison

Rain Your Blood on Me

Freak Like Me

Wicked Ways

I Gave You Everything 


Extreme – setlist: 

('s a Monster)

Decadence Dance

#REBEL

Play With Me 

 Am I Ever Gonna Change

THICKER THAN BLOOD

Hole Hearted

Flight of the Wounded Bumblebee 

Midnight Express

More Than Words

Get the Funk Out

RISE

Lynyrd Skynyrd – setlist: 

Workin' for MCA

What's Your Name

That Smell

I Need You

Gimme Back My Bullets

Saturday Night Special

Down South Jukin'

Still Unbroken

The Needle and the Spoon

Tuesday's Gone

Simple Man 

Gimme Three Steps

Call Me the Breeze (J.J. Cale cover)

Sweet Home Alabama 

Free Bird 

Guns N Roses – setlist: 

Welcome to the Jungle

Slither (Velvet Revolver)

It's So Easy

Live and Let Die

Mr. Brownstone

Bad Obsession

Rocket Queen 

Perhaps

Dead Horse

Double Talkin' Jive

Nothin'

You Could Be Mine

Civil War

Junior's Eyes (Black Sabbath)

Knockin' on Heaven's Door (Bob Dylan)

New Rose (The Damned)

Atlas

Sweet Child o' Mine

Estranged

Bad Apples 

November Rain

Nightrain

Paradise City

terça-feira, 29 de abril de 2025

Cobertura de Show: Monsters Of Rock – 19/04/2025 – Allianz Parque/SP

No dia 19 de abril, sábado, o Allianz Parque recebeu mais uma edição do Monsters Of Rock, festival considerado um dos maiores quando o assunto é Rock e Heavy Metal no Brasil. Ao longo de seus 30 anos de história, o evento já trouxe nomes de peso como Kiss, Black Sabbath, Slayer, Suicidal Tendencies e Ratt, além de representantes nacionais consagrados como Angra, Viper e Raimundos.

Mantendo a tradição e fazendo jus ao nome, a edição comemorativa de três décadas reuniu gigantes do Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal e Prog Metal, com um line-up formado por Scorpions, Judas Priest, Europe, Savatage, Queensrÿche, Opeth e Stratovarius. Cada banda fez a alegria dos milhares que lotaram a arena com shows impecáveis, som de altíssima qualidade e uma pontualidade britânica que surpreendeu até os mais céticos.


Stratovarius

Quem se incumbiu de iniciar os trabalhos do dia foram os finlandeses do Stratovarius. Considerado um dos nomes mais respeitados do Power Metal – o ou Metal Melódico, como os brasileiros costumam dizer –, a banda conseguiu arrastar um bom público logo cedo. Nada surpreendente, já que o grupo possui uma legião de fãs no Brasil.

Depois de dois anos sem pisar no país, dava pra perceber que a maioria estava ansiosa para ver Timo Kotipelto – que continua dispensando comentários – e companhia, prontos para entregar os clássicos que marcaram o final da década de 90, como “Forever Free”, “World on Fire”, “Paradise” (a mais festejada desse começo de set) e “Eternity”, que fizeram os falantes vibrarem.

Além dos hits do passado, o repertório incluiu músicas do mais recente trabalho, entre elas “World on Fire” e a faixa-título “Survive”, que ao vivo ganharam ainda mais peso, mostrando que a atual formação – com Matias Kupiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Rolf Pilve (bateria) e Jens Johansson (teclados) – está entrosada e encaixa perfeitamente no momento atual da banda. Os melhores momentos ficaram para o final, com a execução de “Black Diamond” e “Hunting High and Low”, antecedida por “Unbreakable”, na qual Timo pediu que todos cantassem o refrão com força, e foi exatamente o que aconteceu.

Um show excelente, que mostrou por que o Stratovarius segue sendo um dos pilares do gênero.




Opeth

Na sequência, os suecos do Opeth subiram ao palco com seu som dinâmico e cheio de nuances, flertando principalmente com o Death Metal e o Progressivo No entanto, entre as sete bandas escaladas, foi a que mais destoou das demais, o que rendeu até comentários bem-humorados de amigos próximos, como “o Oasis do Heavy Metal”. Nesse momento, muitos aproveitaram para se alimentar e recarregar as energias para as atrações seguintes.

Apesar das controvérsias, o público não deixou de reconhecer o empenho e a entrega da banda no palco. O vocalista e guitarrista Mikael Åkerfeldt, com um humor inigualável, chegou a notar a distração de parte da plateia em alguns momentos, brincando e se desculpando pelas músicas serem muito longas. Ainda assim, deixou claro o quanto estava feliz por dividir o palco com tantas lendas.

O setlist, enxuto e com apenas sete músicas, trouxe duas faixas do novo trabalho, The Last Will and Testament, lançado no ano passado: “§1”, que abriu o show, e “§3”, não empolgaram tanto quanto as famosas “Master’s Apprentices”, “In My Time of Need” e “Deliverance”, esta última considerada, segundo Mikael, o maior hit da carreira da banda. 

No fim das contas, foi um show primoroso em técnica, que talvez, por seu estilo mais introspectivo, não tenha empolgado tanto quanto os demais. Isso, no entanto, está longe de significar que foi uma apresentação ruim, muito pelo contrário.






Queensrÿche

Na opinião deste que vos escreve, os shows seguintes foram os grandes destaques do festival, não apenas pela saudade que essas bandas deixaram durante os anos longe dos palcos brasileiros, mas principalmente por mostrarem, com maestria, como se faz um verdadeiro espetaculo: resgatando o legado, a essência e o melhor de suas respectivas carreiras.

Com quatro décadas na ativa, os americanos de Seattle, Queensrÿche, estrearam sua atual formação no Brasil após 12 anos desde a última passagem pelo país. Naquela ocasião, a banda enfrentava situações lamentáveis, incluindo uma suposta agressão entre os antigos membros. Agora, com uma nova formação consolidada há 10 anos – contando com o competente Todd La Torre nos vocais – , o grupo vive um momento muito diferente do turbulento cenário da década passada.

O setlist reuniu músicas do primeiro e homônimo disco, The Warning, Rage for Order, Operation: Mindcrime e Empire, considerados os trabalhos mais importantes da carreira. Os destaques ficaram por conta das faixas da fase inicial da banda, como “Queen of the Reich” e “Warning”, que se juntaram às clássicas “Operation: Mindcrime”, “Walk the Shadows” e “I Don’t Believe in Love”, levando os fãs à euforia a cada execução.

Todd La Torre atraiu a atenção de todos não apenas pelo seu talento vocal – substituindo à altura o lendário Geoff Tate –, mas também por sua presença de palco magnética e carisma. Ele demonstrou estar visivelmente feliz por ver a banda de volta ao Brasil depois de tanto tempo e agradeceu pela receptividade calorosa do público.

Os demais integrantes também receberam seus merecidos aplausos. Casey Grillo deu uma nova dinâmica à bateria da banda. Já os veteranos Eddie Jackson (baixo) e Michael Wilton entregou riffs e solos afiados ao lado de Mike Stone, mantendo vivo o legado do Queensrÿche desde os primórdios.

O show do Queensrÿche se resume a três adjetivos: pesado, energético e animal, onde tem que ter no currículo de qualquer fã de Heavy Metal que se prece. Muitos esperavam, para o final, a execução de “Silent Lucidity” e “Jet City Woman”, mas a ausência dessas faixas não desanimou o público, que ainda teve o privilégio de ouvir obras-primas como “Empire”, “Screaming in Digital” e “Eyes of a Stranger”.





Savatage

A quarta atração da tarde deixou o público empolgado desde o momento do anúncio: Savatage. Após dez anos afastados dos palcos e atendendo a incansáveis pedidos dos fãs, a banda escolheu o Brasil como ponto de partida para essa tão aguardada volta. Muitos dos presentes vestiam camisetas da banda, o que só reforça a ansiedade e a devoção dos fãs por esse retorno histórico.

A única baixa desse retorno foi a ausência do vocalista e pianista Jon Oliva, que não pôde estar presente devido a problemas de saúde. No mais, a formação seguiu praticamente a mesma de sempre, com Zack Stevens (vocal), Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Jeff Plate (bateria), além de dois tecladistas cuja identidade não consegui confirmar até o fechamento deste texto.

O repertório foi um verdadeiro greatest hits, com direito a algumas surpresas, como a inclusão de “The Ocean” e “Welcome”, acompanhadas de “Jesus Saves” – que caiu muito bem com o clima pascoal – , e “The Wake of Magellan”, que não era tocada ao vivo há bastante tempo. Já nesse início, o público se entregou completamente, criando uma conexão imediata com a banda, que mostrou não ter perdido a força. Em “Handful Of Rain” contou com a presença de uma leve garoa para combinar com o clima da música. 

Caso fosse possível, a banda teria passado todo o tempo do show executando seus maiores clássicos. No entanto, por se tratar de um festival e haver um tempo estipulado para cada apresentação, o grupo precisou selecionar cuidadosamente o repertório. Entre os destaques, estiveram as icônicas “Gutter Ballet” e “Edge of Thorns”, acompanhadas por momentos de interação com Zak jogando bolas de futebol para a plateia e até a invasão de uma fã no palco. Contudo, foi durante a execução da balada “Believe” que o momento mais emocionante da tarde se deu: um vídeo com Jon Oliva cantando e tocando piano foi exibido, acompanhado de imagens de seu irmão, o saudoso Criss Oliva – falecido em 1993. Criss também foi homenageado pouco antes do início do show, com sua guitarra sendo mostrada nos telões, coberta por rosas. O encerramento ficou por conta de “Sirens” e “Hall of the Mountain King”, deixando no ar a expectativa por um retorno em breve. 





Europe 

A participação do Europe no festival foi um verdadeiro presente para os fãs de Hard Rock. Com quatro décadas de estrada, os suecos mostraram que, mesmo com o passar dos anos, continua relevante e poderosa ao vivo. Desde o começo com “On Broken Wings”, seguida de “Rock The Night” – primeiro hit do começo da noite – ficou claro que o grupo estava ali para entregar um show memorável.

O setlist trouxe uma boa seleção de tudo que a banda fez nos anos 80 e nos últimos anos desde que retornou a ativa em 2003, incluindo “Walk the Earth”, a rápida e pesada “Scream of Anger” e “Sign of the Times”, mas foi na clássica “Carrie” que o público entrou êxtase com um mar de celulares acessos e um coro cheio de emoção. Um público de todas as idades, emocionado, cantando esse hino atemporal – ver e sentir milhares de pessoas conectadas pelo mesmo sentimento foi surreal. Perceber que, mesmo depois de décadas, as bandas que fizeram nossos pais e avós vibrarem ainda despertam o mesmo entusiasmo na geração atual, trazendo uma sensação nostálgica e poderosa de que o rock, além de vivo, continua pulsando com força.

Com uma performance segura e carismática, o vocalista Joey Tempest conduziu o público com maestria, interagindo com os fãs e mostrando toda sua energia e domínio de palco. Os músicos demonstraram entrosamento e técnica, com destaque para os solos de guitarra de John Norum e os teclados marcantes de Mic Michaeli.

Cada canção foi recebida com entusiasmo pelo público. Antes do ápice, a banda ainda despojou “Ready or Not” e “Superstitious”, que teve um pequeno de trecho de “No Woman No Cry” do Bob Marley. Como era de se esperar, “The Final Countdown”, antecedida por “Cheroke”, transformou o Allianz Parque em um mar de vozes, encerrando o show de forma emocionante e com a certeza de que eles vão retornar, conforme dize Joey antes de deixar o palco.






Judas Priest

O Judas Priest, uma das maiores bandas de Heavy Metal da história, entregou mais do que um show, mas sim uma verdadeira aula. Desde 1991 que a banda visita o Brasil, e o que vimos nessa última passagem é mais uma lembrança histórica que ficara guardada na memória dos fãs brasileiros, principalmente dos paulistanos.

A formação atual traz o inconfundível Rob Halford nos vocais, Ritchie Faulkner e Andy Sneap nas guitarras, Ian Hill no baixo e Scott Travis na bateria. E a verdade é que eles já entraram com o jogo ganho. A conexão com o público, a entrega no palco e o peso do som mostraram que o Priest está mais vivo do que nunca.

Halford, com suas barbas brancas e marcas do tempo, provou que idade é apenas um número. Ele continua cantando como nunca, e sua presença de palco é simplesmente hipnotizante. Já a dupla de guitarristas mostrou que o peso de substituir K.K. Downing e Glenn Tipton é grande, mas Faulkner e Sneap fazem jus ao legado.

O repertório foi de tirar o fôlego. A abertura com "Panic Attack", do mais recente álbum Invincible Shield, já mostrou o que viria pela frente. Mas foi na sequência oitentista com "You’ve Got Another Thing Comin’", "Rapid Fire", "Breaking the Law", "Riding on the Wind", "Love Bites" e "Devil’s Child" – recebidas com gritos e punhos erguidos – que tudo explodiu. 

A chuva resolveu dar o ar da graça quando veio "Crown of Horns". Alguns se assustaram, outros nem ligaram, mas o que importa é que o show continuou firme. São Pedro só deu uma trégua em "Turbo Lover", que é minha favorita do Judas e, ao vivo, soa ainda mais grandiosa. Já "Victim of Changes" trouxe um momento especial: uma homenagem emocionante ao guitarrista Glenn Tipton, afastado dos palcos devido ao Parkinson. E o fechamento da primeira parte veio com a explosiva "Painkiller", que com a introdução arrebatadora de Scott Travis, levou todos ao delírio.

Mas não parou por aí. O bis veio com tudo: "Electric Eye", precedida pela clássica intro "The Hellion", abriu os trabalhos. Na sequência, "Hell Bent for Leather" marcou a entrada triunfal de Halford montado em uma Harley-Davidson, e o grand finale veio com "Living After Midnight", encerrando a noite de forma festiva, com um coro uníssono da plateia.






Scorpions

Encerrando o Monsters of Rock, o Scorpions transformou o Allianz Parque numa verdadeira celebração, vide o vídeo retrospectivo no começo relembrando os 60 anos de estrada de um dos maiores nomes do Hard Rock mundial. “Coming Home” tomou conta do palco e dos corações, abrindo o set com intensidade. “Gas in the Tank”, a única do mais recente álbum Rock Believer, veio logo depois, mostrando que o gás da banda está longe de acabar. “The Zoo” trouxe aquele peso característico, com solos estendidos e clima denso. 

Klaus Meine não tem mais o mesmo alcance vocal de décadas atrás, mas compensa com uma entrega sólida e um domínio de palco que só o tempo proporciona. Quem roubou a cena instrumentalmente foi a dupla de guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs com uma performance afiadíssima: riffs certeiros, solos bem desenhados e muita presença. Mikkey Dee brilhou com um solo de bateria pesado, relembrando seu legado com o Motörhead e mostrando que se encaixou perfeitamente na engrenagem do Scorpions. 

O set foi estrategicamente construído para equilibrar hits incontestáveis com momentos de surpresa. Um dos mais celebrados foi o medley matador reunindo “Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train”, uma verdadeira viagem à fase setentista que incendiou os fãs das antigas.

A sequência emocional veio logo depois de “Bad Boys Running Wild” com “Send Me an Angel” e “Wind of Change”. O estádio inteiro virou um coral iluminado, num dos momentos mais bonitos da noite. A partir daí, foi só pancada: “Loving You Sunday Morning”, que retornou ao set após anos, “Tease Me Please Me” e “Big City Nights” foram executadas com precisão e empolgação, mantendo o público em transe.

“Still Loving You” trouxe um ar de romantismo, preparando o terreno para um dos clímax visuais da noite: “Blackout”, que veio acompanhada pela aparição de um enorme escorpião inflável atrás do palco, arrancou arrepios. Para fechar, “Rock You Like a Hurricane” veio como uma tempestade, colocando um ponto de exclamação numa noite histórica, ou melhor, dia histórico. 

Com um line-up de respeito, estrutura impecável e público apaixonado, o Monsters of Rock de 2025 entrou para a história como uma edição emblemática. Mais do que uma simples reunião de grandes bandas, foi uma celebração de gerações, estilos e memórias. Na hora de ir embora, ficou a certeza de que, enquanto houver fãs de Rock, Heavy Metal e seus variados gêneros, o Monsters seguirá mais vivo do que nunca.








Texto: Gabriel Arruda


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Stratovarius – setlist: 

Forever Free

Eagleheart

World on Fire

Speed of Light

Paradise

Survive

Eternity

Black Diamond

Unbreakable

Hunting High and Low


Opeth – setlist: 

§1

Master's Apprentices

§3

In My Time of Need

Ghost of Perdition

Sorceress

Deliverance


Queensrÿche – setlist:

Queen of the Reich

Operation: Mindcrime

Walk in the Shadows

I Don't Believe in Love

Warning

The Needle Lies

The Mission

Nightrider

Take Hold of the Flame

Empire

Screaming in Digital

Eyes of a Stranger


Savatage – setlist:

The Ocean

Welcome

Jesus Saves

The Wake of Magellan

Dead Winter Dead

Handful of Rain

Chance

Gutter Ballet

Edge of Thorns

Believe

Sirens

Hall of the Mountain King


Europe – setlist:

On Broken Wings

Rock the Night

Walk the Earth

Scream of Anger

Sign of the Times

Hold Your Head Up

Carrie

Prelude

Last Look at Eden

Ready or Not

Superstitious

Cherokee

The Final Countdown


Judas Priest – setlist:

Panic Attack

You've Got Another Thing Comin'

Rapid Fire

Breaking the Law

Riding on the Wind

Love Bites

Devil's Child

Crown of Horns

Sinner

Turbo Lover

Invincible Shield

Victim of Changes

The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (Fleetwood Mac cover) 

Painkiller

Bis

The Hellion

Electric Eye

Hell Bent for Leather

Living After Midnight


Scorpions – setlist:

Coming Home

Gas in the Tank

Make It Real

The Zoo

Coast to Coast

Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy's Coming / Catch Your Train

Bad Boys Running Wild

Send Me an Angel

Wind of Change

Loving You Sunday Morning

I'm Leaving You

New Vision

Tease Me Please Me

Big City Nights

Still Loving You

Bis

Blackout

Rock You Like a Hurricane