Mostrando postagens com marcador Europe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Europe. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Europe: Quatro Décadas Sem Olhar Para Trás (Also In English)

Silver Lining (Imp.)

Por Flavio Borges 

Quatro décadas depois de The Final Countdown, o Europe poderia simplesmente viver de seu passado. E ninguém poderia culpá-lo por isso. Em vez disso, a banda escolhe olhar para o presente, colocando peso, ambição e uma inquietação quase inesperada em um álbum que talvez seja uma das demonstrações mais claras de sua vitalidade nos últimos anos.

É preciso coragem para desafiar o próprio legado. Poucas bandas carregam um hino tão monumental quanto “The Final Countdown” — e menos ainda conseguem sobreviver por quatro décadas sem se tornarem prisioneiras dele. O Europe poderia facilmente passar o resto da carreira celebrando suas glórias. Em vez disso, prefere continuar avançando.

É desse confronto entre passado e presente que nasce Come This Madness. Joey Tempest e companhia olham para um mundo cada vez mais turbulento e respondem com peso, tensão e, acima de tudo, personalidade. Produzido por Tom Dalgety e gravado em Estocolmo, o álbum conta com participações de Tobias Forge (Ghost) e Mikael Åkerfeldt (Opeth), além da experiência de Mike Fraser na mixagem. Mais do que reunir nomes importantes, entretanto, essa equipe ajuda a construir uma sonoridade que permite ao Europe soar atual sem apagar aquilo que o transformou em uma das bandas fundamentais do hard rock europeu.

E a intenção fica clara logo nos primeiros segundos. “One on One” não é apenas a abertura de Come This Madness; é uma declaração de princípios. O riff pesado, o baixo pulsante e a bateria de Ian Haugland empurram a música para frente, colocando a banda em uma posição mais agressiva do que aquela normalmente associada à sua imagem mais conhecida. Os teclados de Mic Michaeli continuam presentes, assim como a melodia característica e a voz inconfundível de Joey Tempest, mas tudo aparece revestido por uma produção mais encorpada e contemporânea. É como se o Europe dissesse, antes mesmo de o álbum começar de fato: não estamos aqui para repetir “The Final Countdown”.

Se “One on One” funciona como um cartão de visitas, “The Cult of Ignorance” elimina qualquer dúvida sobre as intenções do grupo. Mais pesada e carregada de tensão, a faixa amplia a atmosfera estabelecida pela abertura e mostra uma banda confortável em explorar seu lado mais contundente. John Norum assume as guitarras com a autoridade de quem não precisa provar absolutamente nada, enquanto Michaeli acrescenta camadas e profundidade sem suavizar o impacto. Tempest, por sua vez, entrega a letra com uma combinação de indignação e controle que reforça a sensação de urgência.

É aqui que Come This Madness começa a revelar algo além de sua força musical. “The Cult of Ignorance” transforma a inquietação sonora em comentário sobre o presente, abordando ignorância, intolerância e as tensões de uma sociedade cada vez mais polarizada. Não é uma banda veterana tentando parecer jovem ou agressiva; é uma banda usando a experiência acumulada para falar sobre um mundo que mudou radicalmente desde os anos 1980. A sequência das duas primeiras faixas é reveladora: primeiro o Europe reafirma que ainda sabe soar poderoso; em seguida, demonstra que ainda tem algo a dizer.

Mas Come This Madness não vive apenas de peso e tensão. O Europe continua sendo, antes de tudo, uma banda de canções — e é justamente quando as guitarras cedem espaço para melodias mais elaboradas que sua experiência se torna ainda mais evidente. A banda conhece o valor de um bom refrão, sabe construir tensão antes de liberá-la e entende que uma grande composição não precisa necessariamente de velocidade para causar impacto.

Esse equilíbrio entre contundência e melodia é uma das grandes virtudes do álbum. O Europe não precisa escolher entre ser pesado ou acessível. Transita entre esses dois universos com naturalidade, preservando sua identidade enquanto amplia suas possibilidades. Joey Tempest continua sendo um dos grandes intérpretes do hard rock europeu, mas sua performance aqui parece menos preocupada em demonstrar alcance e mais interessada em transmitir emoção e significado. Há maturidade em sua voz — não apenas técnica, mas também interpretativa.

Grande parte da personalidade do álbum está na interação entre John Norum e Mic Michaeli. Norum continua sendo um guitarrista que entende que um grande solo precisa estar a serviço da música, e não o contrário. Seus riffs dão ao disco boa parte de sua musculatura, enquanto os solos aparecem nos momentos certos, acrescentando tensão e emoção sem cair no exibicionismo. Michaeli, por outro lado, é quase um personagem invisível por trás da arquitetura do álbum. Seus teclados não estão ali simplesmente para reproduzir o Europe dos anos 1980; criam ambientes, acrescentam peso e ampliam a dimensão épica de determinadas passagens.

É justamente essa combinação que impede Come This Madness de se transformar em um simples exercício de hard rock tradicional. Há ecos evidentes das referências que sempre fizeram parte do DNA da banda — do hard rock britânico dos anos 1970 ao metal melódico europeu —, mas o Europe absorve essas influências sem parecer preso a nenhuma delas. O resultado é familiar, mas não acomodado; clássico, mas definitivamente não retrô.

Essa maturidade também aparece quando o grupo reduz a velocidade. Come This Madness não precisa permanecer permanentemente no modo “ataque”. Há espaço para atmosferas mais introspectivas e arranjos delicados, permitindo que o contraste entre força e vulnerabilidade se torne parte da dinâmica do álbum. É nesse terreno que o Europe demonstra que sua evolução ao longo das últimas décadas não foi apenas uma mudança de sonoridade, mas também de perspectiva.

A faixa-título leva essa proposta ainda mais longe. “Come This Madness” é uma das composições mais ambiciosas do disco, construída sobre mudanças de dinâmica e diferentes atmosferas. A música cresce, recua e volta a ganhar força, funcionando quase como uma síntese das intenções do álbum. Se existe um ponto menos convincente, está justamente em um de seus momentos de maior contenção: o trecho mais lento interrompe um pouco o fluxo antes que a composição retome sua intensidade. É uma escolha ousada, embora talvez pudesse ser ligeiramente mais enxuta.

Ainda assim, a ambição compensa. O Europe não está interessado em entregar apenas mais uma coleção de faixas eficientes. Existe uma tentativa clara de construir um álbum com identidade própria, no qual produção, arranjos, letras e performances caminham na mesma direção.

“Scandinavian Eyes” reforça essa impressão ao incorporar uma dimensão mais atmosférica e contemplativa. 

A presença de Tobias Forge e Mikael Åkerfeldt nos vocais de apoio acrescenta uma camada simbólica particularmente interessante: dois artistas de gerações diferentes do rock sueco contribuindo para o trabalho de uma banda que ajudou a colocar o país definitivamente no mapa do hard rock internacional. O mérito, porém, está em como essas participações são incorporadas ao universo do Europe sem transformar os convidados em simples chamariz.

No conjunto, Come This Madness soa como o trabalho de uma banda que já não precisa provar que pertence à história. E talvez seja justamente por isso que consiga tocar com tanta liberdade. O Europe não tenta recuperar a juventude perdida, tampouco reproduzir uma fórmula que funcionou há 40 anos. Sua maior conquista aqui é outra: usar a experiência como ferramenta criativa, e não como justificativa para repetir o passado.

Isso não significa que o álbum seja uma ruptura radical. Quem acompanha a trajetória do Europe sabe que elementos do classic rock, do hard rock setentista e de suas próprias raízes continuam presentes. Algumas escolhas poderiam ser mais ousadas e nem todas as composições alcançam o mesmo nível de inspiração. Mas exigir uma reinvenção completa seria perder justamente aquilo que torna o disco interessante.

Come This Madness funciona porque entende a diferença entre identidade e repetição.

Quarenta anos depois de “The Final Countdown”, a pergunta mais importante já não é se o Europe consegue escrever outra música como aquela. Não consegue — e não precisa. O que importa é saber se ainda existe criatividade por trás do nome, se esses músicos ainda têm algo a dizer e se a banda ainda consegue entrar em estúdio com vontade de desafiar a própria zona de conforto.

A resposta está nas guitarras de Norum, nos teclados de Michaeli, na voz de Tempest, na bateria de Haugland, no baixo de Levén e, principalmente, na maneira como esses músicos transformam experiência em energia.

Come This Madness não é uma tentativa de voltar ao passado. É o Europe aceitando seu legado, colocando-o de lado por alguns instantes e perguntando o que ainda pode fazer com tudo o que aprendeu ao longo dessas quatro décadas.

E talvez essa seja a maneira mais apropriada de celebrar 40 anos de The Final Countdown: não olhando para trás, mas mostrando que a contagem regressiva ainda não terminou.

Andy Ford

***ENGLISH VERSION***

Four decades after The Final Countdown, Europe could simply live off its past. And no one could really blame them for doing so. Instead, the band chooses to look forward, bringing weight, ambition and an almost unexpected sense of restlessness to an album that may well be one of the clearest demonstrations of their vitality in recent years.

It takes courage to challenge your own legacy. Few bands carry a song as monumental as “The Final Countdown” — and even fewer manage to survive four decades without becoming prisoners of it. Europe could easily spend the rest of their career celebrating their glory days. Instead, they choose to keep moving forward.

It is from this confrontation between past and present that Come This Madness emerges. Joey Tempest and company look at an increasingly turbulent world and respond with weight, tension and, above all, personality. Produced by Tom Dalgety and recorded in Stockholm, the album features guest appearances from Tobias Forge (Ghost) and Mikael Åkerfeldt (Opeth), with Mike Fraser handling the mix. More than simply bringing together a collection of big names, however, this team helps create a sound that allows Europe to feel contemporary without erasing what made them one of the defining bands of European hard rock.

And the intention becomes clear within the first few seconds. “One on One” is not merely the opening track of Come This Madness; it is a statement of intent. The heavy riff, pulsing bass and Ian Haugland’s driving drums push the song forward, placing the band in a more aggressive territory than the image most commonly associated with them. Mic Michaeli’s keyboards are still there, as are the characteristic melodies and Joey Tempest’s unmistakable voice, but everything is wrapped in a fuller, more contemporary production. It is as if Europe is saying, before the album has even properly begun: we are not here to repeat “The Final Countdown”.

If “One on One” works as a calling card, “The Cult of Ignorance” leaves no doubt about the band’s intentions. Heavier and charged with tension, the track expands on the atmosphere established by the opener and shows a band entirely comfortable exploring its more forceful side. John Norum handles the guitars with the authority of a player who has nothing left to prove, while Michaeli adds layers and depth without taking away any of the impact. Tempest, meanwhile, delivers the lyrics with a combination of indignation and restraint that reinforces the sense of urgency.

This is where Come This Madness begins to reveal something beyond its musical strength. “The Cult of Ignorance” turns its musical unease into a comment on the present, addressing ignorance, intolerance and the tensions of an increasingly polarised society. This is not a veteran band trying to sound young or aggressive; it is a band using the experience it has accumulated to speak about a world that has changed dramatically since the 1980s. The sequence of the first two tracks is revealing: first, Europe reminds us that they still know how to sound powerful; then they show that they still have something to say.

But Come This Madness does not live on weight and tension alone. Europe remains, above all, a band built around songs — and it is precisely when the guitars make room for more elaborate melodies that their experience becomes even more apparent. They understand the value of a good chorus, know how to build tension before releasing it, and recognise that a great song does not necessarily need speed to make an impact.

That balance between punch and melody is one of the album’s greatest strengths. Europe does not have to choose between being heavy and accessible. They move naturally between the two worlds, preserving their identity while expanding their possibilities. Joey Tempest remains one of the great voices in European hard rock, but his performance here seems less concerned with demonstrating his range and more interested in conveying emotion and meaning. There is maturity in his voice — not merely technical maturity, but interpretive maturity as well.

Much of the album’s personality comes from the interplay between John Norum and Mic Michaeli. Norum remains a guitarist who understands that a great solo has to serve the song, not the other way around. His riffs provide much of the album’s muscle, while his solos arrive at the right moments, adding tension and emotion without slipping into unnecessary showmanship. Michaeli, meanwhile, is almost an invisible character behind the album’s architecture. His keyboards are not simply there to recreate Europe’s 1980s sound; they create atmosphere, add weight and broaden the epic dimension of certain passages.

It is precisely this combination that prevents Come This Madness from becoming just another exercise in traditional hard rock. There are clear echoes of the influences that have always been part of the band’s DNA — from 1970s British hard rock to European melodic metal — but Europe absorbs those influences without sounding trapped by any of them. The result is familiar, but never complacent; classic, but definitely not retro.

That maturity also becomes apparent when the band slows things down. Come This Madness does not need to remain permanently in attack mode. There is room for more introspective atmospheres and delicate arrangements, allowing the contrast between strength and vulnerability to become part of the album’s dynamics. It is in these moments that Europe demonstrates that its evolution over the past few decades has not simply been about changing its sound, but also about changing its perspective.

The title track takes that idea even further.  “Come This Madness” is one of the album’s most ambitious compositions, built around shifts in dynamics and contrasting atmospheres. The song grows, pulls back and then gathers strength again, almost functioning as a summary of the album’s intentions. If there is a less convincing moment, it comes precisely during one of its most restrained passages: the slower section slightly interrupts the flow before the song regains its intensity. It is an ambitious choice, although perhaps one that could have been trimmed a little.

Still, the ambition pays off. Europe is not interested in delivering just another collection of efficient songs. There is a clear attempt to build an album with an identity of its own, one in which production, arrangements, lyrics and performances all move in the same direction.

“Scandinavian Eyes” reinforces that impression by introducing a more atmospheric and contemplative dimension. 

The presence of Tobias Forge and Mikael Åkerfeldt on backing vocals adds an especially interesting symbolic layer: two artists from different generations of Swedish rock contributing to the work of a band that helped put Sweden firmly on the international hard rock map. The real achievement, however, lies in the way those appearances are incorporated into Europe’s universe without turning the guests into mere promotional attractions.

Taken as a whole, Come This Madness sounds like the work of a band that no longer needs to prove that it belongs in history. And perhaps that is precisely why they are able to play with such freedom. Europe is not trying to reclaim lost youth, nor are they attempting to reproduce a formula that worked 40 years ago. Their greatest achievement here is something else: using experience as a creative tool rather than as an excuse to repeat the past.

That does not mean the album represents a radical departure. Anyone familiar with Europe’s career knows that elements of classic rock, 1970s hard rock and the band’s own roots remain firmly in place. Some choices could have been bolder, and not every composition reaches the same level of inspiration. But demanding a complete reinvention would miss precisely what makes the record interesting.

Come This Madness works because it understands the difference between identity and repetition.

Forty years after “The Final Countdown”, the most important question is no longer whether Europe can write another song like it. They cannot — and they do not need to. What matters is whether there is still creativity behind the name, whether these musicians still have something to say, and whether the band can still walk into a studio with the desire to challenge its own comfort zone.

The answer is in Norum’s guitars, Michaeli’s keyboards, Tempest’s voice, Haugland’s drums, Levén’s bass and, above all, in the way these musicians turn experience into energy.

Come This Madness is not an attempt to return to the past. It is Europe accepting its legacy, setting it aside for a moment and asking what it can still do with everything it has learned over the past four decades.

And perhaps that is the most appropriate way to celebrate 40 years of The Final Countdown: not by looking back, but by showing that the countdown is not over yet.

Andy Ford 


terça-feira, 29 de abril de 2025

Cobertura de Show: Monsters Of Rock – 19/04/2025 – Allianz Parque/SP

No dia 19 de abril, sábado, o Allianz Parque recebeu mais uma edição do Monsters Of Rock, festival considerado um dos maiores quando o assunto é Rock e Heavy Metal no Brasil. Ao longo de seus 30 anos de história, o evento já trouxe nomes de peso como Kiss, Black Sabbath, Slayer, Suicidal Tendencies e Ratt, além de representantes nacionais consagrados como Angra, Viper e Raimundos.

Mantendo a tradição e fazendo jus ao nome, a edição comemorativa de três décadas reuniu gigantes do Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal e Prog Metal, com um line-up formado por Scorpions, Judas Priest, Europe, Savatage, Queensrÿche, Opeth e Stratovarius. Cada banda fez a alegria dos milhares que lotaram a arena com shows impecáveis, som de altíssima qualidade e uma pontualidade britânica que surpreendeu até os mais céticos.


Stratovarius

Quem se incumbiu de iniciar os trabalhos do dia foram os finlandeses do Stratovarius. Considerado um dos nomes mais respeitados do Power Metal – o ou Metal Melódico, como os brasileiros costumam dizer –, a banda conseguiu arrastar um bom público logo cedo. Nada surpreendente, já que o grupo possui uma legião de fãs no Brasil.

Depois de dois anos sem pisar no país, dava pra perceber que a maioria estava ansiosa para ver Timo Kotipelto – que continua dispensando comentários – e companhia, prontos para entregar os clássicos que marcaram o final da década de 90, como “Forever Free”, “World on Fire”, “Paradise” (a mais festejada desse começo de set) e “Eternity”, que fizeram os falantes vibrarem.

Além dos hits do passado, o repertório incluiu músicas do mais recente trabalho, entre elas “World on Fire” e a faixa-título “Survive”, que ao vivo ganharam ainda mais peso, mostrando que a atual formação – com Matias Kupiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Rolf Pilve (bateria) e Jens Johansson (teclados) – está entrosada e encaixa perfeitamente no momento atual da banda. Os melhores momentos ficaram para o final, com a execução de “Black Diamond” e “Hunting High and Low”, antecedida por “Unbreakable”, na qual Timo pediu que todos cantassem o refrão com força, e foi exatamente o que aconteceu.

Um show excelente, que mostrou por que o Stratovarius segue sendo um dos pilares do gênero.




Opeth

Na sequência, os suecos do Opeth subiram ao palco com seu som dinâmico e cheio de nuances, flertando principalmente com o Death Metal e o Progressivo No entanto, entre as sete bandas escaladas, foi a que mais destoou das demais, o que rendeu até comentários bem-humorados de amigos próximos, como “o Oasis do Heavy Metal”. Nesse momento, muitos aproveitaram para se alimentar e recarregar as energias para as atrações seguintes.

Apesar das controvérsias, o público não deixou de reconhecer o empenho e a entrega da banda no palco. O vocalista e guitarrista Mikael Åkerfeldt, com um humor inigualável, chegou a notar a distração de parte da plateia em alguns momentos, brincando e se desculpando pelas músicas serem muito longas. Ainda assim, deixou claro o quanto estava feliz por dividir o palco com tantas lendas.

O setlist, enxuto e com apenas sete músicas, trouxe duas faixas do novo trabalho, The Last Will and Testament, lançado no ano passado: “§1”, que abriu o show, e “§3”, não empolgaram tanto quanto as famosas “Master’s Apprentices”, “In My Time of Need” e “Deliverance”, esta última considerada, segundo Mikael, o maior hit da carreira da banda. 

No fim das contas, foi um show primoroso em técnica, que talvez, por seu estilo mais introspectivo, não tenha empolgado tanto quanto os demais. Isso, no entanto, está longe de significar que foi uma apresentação ruim, muito pelo contrário.






Queensrÿche

Na opinião deste que vos escreve, os shows seguintes foram os grandes destaques do festival, não apenas pela saudade que essas bandas deixaram durante os anos longe dos palcos brasileiros, mas principalmente por mostrarem, com maestria, como se faz um verdadeiro espetaculo: resgatando o legado, a essência e o melhor de suas respectivas carreiras.

Com quatro décadas na ativa, os americanos de Seattle, Queensrÿche, estrearam sua atual formação no Brasil após 12 anos desde a última passagem pelo país. Naquela ocasião, a banda enfrentava situações lamentáveis, incluindo uma suposta agressão entre os antigos membros. Agora, com uma nova formação consolidada há 10 anos – contando com o competente Todd La Torre nos vocais – , o grupo vive um momento muito diferente do turbulento cenário da década passada.

O setlist reuniu músicas do primeiro e homônimo disco, The Warning, Rage for Order, Operation: Mindcrime e Empire, considerados os trabalhos mais importantes da carreira. Os destaques ficaram por conta das faixas da fase inicial da banda, como “Queen of the Reich” e “Warning”, que se juntaram às clássicas “Operation: Mindcrime”, “Walk the Shadows” e “I Don’t Believe in Love”, levando os fãs à euforia a cada execução.

Todd La Torre atraiu a atenção de todos não apenas pelo seu talento vocal – substituindo à altura o lendário Geoff Tate –, mas também por sua presença de palco magnética e carisma. Ele demonstrou estar visivelmente feliz por ver a banda de volta ao Brasil depois de tanto tempo e agradeceu pela receptividade calorosa do público.

Os demais integrantes também receberam seus merecidos aplausos. Casey Grillo deu uma nova dinâmica à bateria da banda. Já os veteranos Eddie Jackson (baixo) e Michael Wilton entregou riffs e solos afiados ao lado de Mike Stone, mantendo vivo o legado do Queensrÿche desde os primórdios.

O show do Queensrÿche se resume a três adjetivos: pesado, energético e animal, onde tem que ter no currículo de qualquer fã de Heavy Metal que se prece. Muitos esperavam, para o final, a execução de “Silent Lucidity” e “Jet City Woman”, mas a ausência dessas faixas não desanimou o público, que ainda teve o privilégio de ouvir obras-primas como “Empire”, “Screaming in Digital” e “Eyes of a Stranger”.





Savatage

A quarta atração da tarde deixou o público empolgado desde o momento do anúncio: Savatage. Após dez anos afastados dos palcos e atendendo a incansáveis pedidos dos fãs, a banda escolheu o Brasil como ponto de partida para essa tão aguardada volta. Muitos dos presentes vestiam camisetas da banda, o que só reforça a ansiedade e a devoção dos fãs por esse retorno histórico.

A única baixa desse retorno foi a ausência do vocalista e pianista Jon Oliva, que não pôde estar presente devido a problemas de saúde. No mais, a formação seguiu praticamente a mesma de sempre, com Zack Stevens (vocal), Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Jeff Plate (bateria), além de dois tecladistas cuja identidade não consegui confirmar até o fechamento deste texto.

O repertório foi um verdadeiro greatest hits, com direito a algumas surpresas, como a inclusão de “The Ocean” e “Welcome”, acompanhadas de “Jesus Saves” – que caiu muito bem com o clima pascoal – , e “The Wake of Magellan”, que não era tocada ao vivo há bastante tempo. Já nesse início, o público se entregou completamente, criando uma conexão imediata com a banda, que mostrou não ter perdido a força. Em “Handful Of Rain” contou com a presença de uma leve garoa para combinar com o clima da música. 

Caso fosse possível, a banda teria passado todo o tempo do show executando seus maiores clássicos. No entanto, por se tratar de um festival e haver um tempo estipulado para cada apresentação, o grupo precisou selecionar cuidadosamente o repertório. Entre os destaques, estiveram as icônicas “Gutter Ballet” e “Edge of Thorns”, acompanhadas por momentos de interação com Zak jogando bolas de futebol para a plateia e até a invasão de uma fã no palco. Contudo, foi durante a execução da balada “Believe” que o momento mais emocionante da tarde se deu: um vídeo com Jon Oliva cantando e tocando piano foi exibido, acompanhado de imagens de seu irmão, o saudoso Criss Oliva – falecido em 1993. Criss também foi homenageado pouco antes do início do show, com sua guitarra sendo mostrada nos telões, coberta por rosas. O encerramento ficou por conta de “Sirens” e “Hall of the Mountain King”, deixando no ar a expectativa por um retorno em breve. 





Europe 

A participação do Europe no festival foi um verdadeiro presente para os fãs de Hard Rock. Com quatro décadas de estrada, os suecos mostraram que, mesmo com o passar dos anos, continua relevante e poderosa ao vivo. Desde o começo com “On Broken Wings”, seguida de “Rock The Night” – primeiro hit do começo da noite – ficou claro que o grupo estava ali para entregar um show memorável.

O setlist trouxe uma boa seleção de tudo que a banda fez nos anos 80 e nos últimos anos desde que retornou a ativa em 2003, incluindo “Walk the Earth”, a rápida e pesada “Scream of Anger” e “Sign of the Times”, mas foi na clássica “Carrie” que o público entrou êxtase com um mar de celulares acessos e um coro cheio de emoção. Um público de todas as idades, emocionado, cantando esse hino atemporal – ver e sentir milhares de pessoas conectadas pelo mesmo sentimento foi surreal. Perceber que, mesmo depois de décadas, as bandas que fizeram nossos pais e avós vibrarem ainda despertam o mesmo entusiasmo na geração atual, trazendo uma sensação nostálgica e poderosa de que o rock, além de vivo, continua pulsando com força.

Com uma performance segura e carismática, o vocalista Joey Tempest conduziu o público com maestria, interagindo com os fãs e mostrando toda sua energia e domínio de palco. Os músicos demonstraram entrosamento e técnica, com destaque para os solos de guitarra de John Norum e os teclados marcantes de Mic Michaeli.

Cada canção foi recebida com entusiasmo pelo público. Antes do ápice, a banda ainda despojou “Ready or Not” e “Superstitious”, que teve um pequeno de trecho de “No Woman No Cry” do Bob Marley. Como era de se esperar, “The Final Countdown”, antecedida por “Cheroke”, transformou o Allianz Parque em um mar de vozes, encerrando o show de forma emocionante e com a certeza de que eles vão retornar, conforme dize Joey antes de deixar o palco.






Judas Priest

O Judas Priest, uma das maiores bandas de Heavy Metal da história, entregou mais do que um show, mas sim uma verdadeira aula. Desde 1991 que a banda visita o Brasil, e o que vimos nessa última passagem é mais uma lembrança histórica que ficara guardada na memória dos fãs brasileiros, principalmente dos paulistanos.

A formação atual traz o inconfundível Rob Halford nos vocais, Ritchie Faulkner e Andy Sneap nas guitarras, Ian Hill no baixo e Scott Travis na bateria. E a verdade é que eles já entraram com o jogo ganho. A conexão com o público, a entrega no palco e o peso do som mostraram que o Priest está mais vivo do que nunca.

Halford, com suas barbas brancas e marcas do tempo, provou que idade é apenas um número. Ele continua cantando como nunca, e sua presença de palco é simplesmente hipnotizante. Já a dupla de guitarristas mostrou que o peso de substituir K.K. Downing e Glenn Tipton é grande, mas Faulkner e Sneap fazem jus ao legado.

O repertório foi de tirar o fôlego. A abertura com "Panic Attack", do mais recente álbum Invincible Shield, já mostrou o que viria pela frente. Mas foi na sequência oitentista com "You’ve Got Another Thing Comin’", "Rapid Fire", "Breaking the Law", "Riding on the Wind", "Love Bites" e "Devil’s Child" – recebidas com gritos e punhos erguidos – que tudo explodiu. 

A chuva resolveu dar o ar da graça quando veio "Crown of Horns". Alguns se assustaram, outros nem ligaram, mas o que importa é que o show continuou firme. São Pedro só deu uma trégua em "Turbo Lover", que é minha favorita do Judas e, ao vivo, soa ainda mais grandiosa. Já "Victim of Changes" trouxe um momento especial: uma homenagem emocionante ao guitarrista Glenn Tipton, afastado dos palcos devido ao Parkinson. E o fechamento da primeira parte veio com a explosiva "Painkiller", que com a introdução arrebatadora de Scott Travis, levou todos ao delírio.

Mas não parou por aí. O bis veio com tudo: "Electric Eye", precedida pela clássica intro "The Hellion", abriu os trabalhos. Na sequência, "Hell Bent for Leather" marcou a entrada triunfal de Halford montado em uma Harley-Davidson, e o grand finale veio com "Living After Midnight", encerrando a noite de forma festiva, com um coro uníssono da plateia.






Scorpions

Encerrando o Monsters of Rock, o Scorpions transformou o Allianz Parque numa verdadeira celebração, vide o vídeo retrospectivo no começo relembrando os 60 anos de estrada de um dos maiores nomes do Hard Rock mundial. “Coming Home” tomou conta do palco e dos corações, abrindo o set com intensidade. “Gas in the Tank”, a única do mais recente álbum Rock Believer, veio logo depois, mostrando que o gás da banda está longe de acabar. “The Zoo” trouxe aquele peso característico, com solos estendidos e clima denso. 

Klaus Meine não tem mais o mesmo alcance vocal de décadas atrás, mas compensa com uma entrega sólida e um domínio de palco que só o tempo proporciona. Quem roubou a cena instrumentalmente foi a dupla de guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs com uma performance afiadíssima: riffs certeiros, solos bem desenhados e muita presença. Mikkey Dee brilhou com um solo de bateria pesado, relembrando seu legado com o Motörhead e mostrando que se encaixou perfeitamente na engrenagem do Scorpions. 

O set foi estrategicamente construído para equilibrar hits incontestáveis com momentos de surpresa. Um dos mais celebrados foi o medley matador reunindo “Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy’s Coming / Catch Your Train”, uma verdadeira viagem à fase setentista que incendiou os fãs das antigas.

A sequência emocional veio logo depois de “Bad Boys Running Wild” com “Send Me an Angel” e “Wind of Change”. O estádio inteiro virou um coral iluminado, num dos momentos mais bonitos da noite. A partir daí, foi só pancada: “Loving You Sunday Morning”, que retornou ao set após anos, “Tease Me Please Me” e “Big City Nights” foram executadas com precisão e empolgação, mantendo o público em transe.

“Still Loving You” trouxe um ar de romantismo, preparando o terreno para um dos clímax visuais da noite: “Blackout”, que veio acompanhada pela aparição de um enorme escorpião inflável atrás do palco, arrancou arrepios. Para fechar, “Rock You Like a Hurricane” veio como uma tempestade, colocando um ponto de exclamação numa noite histórica, ou melhor, dia histórico. 

Com um line-up de respeito, estrutura impecável e público apaixonado, o Monsters of Rock de 2025 entrou para a história como uma edição emblemática. Mais do que uma simples reunião de grandes bandas, foi uma celebração de gerações, estilos e memórias. Na hora de ir embora, ficou a certeza de que, enquanto houver fãs de Rock, Heavy Metal e seus variados gêneros, o Monsters seguirá mais vivo do que nunca.








Texto: Gabriel Arruda


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Mercury Concerts



Stratovarius – setlist: 

Forever Free

Eagleheart

World on Fire

Speed of Light

Paradise

Survive

Eternity

Black Diamond

Unbreakable

Hunting High and Low


Opeth – setlist: 

§1

Master's Apprentices

§3

In My Time of Need

Ghost of Perdition

Sorceress

Deliverance


Queensrÿche – setlist:

Queen of the Reich

Operation: Mindcrime

Walk in the Shadows

I Don't Believe in Love

Warning

The Needle Lies

The Mission

Nightrider

Take Hold of the Flame

Empire

Screaming in Digital

Eyes of a Stranger


Savatage – setlist:

The Ocean

Welcome

Jesus Saves

The Wake of Magellan

Dead Winter Dead

Handful of Rain

Chance

Gutter Ballet

Edge of Thorns

Believe

Sirens

Hall of the Mountain King


Europe – setlist:

On Broken Wings

Rock the Night

Walk the Earth

Scream of Anger

Sign of the Times

Hold Your Head Up

Carrie

Prelude

Last Look at Eden

Ready or Not

Superstitious

Cherokee

The Final Countdown


Judas Priest – setlist:

Panic Attack

You've Got Another Thing Comin'

Rapid Fire

Breaking the Law

Riding on the Wind

Love Bites

Devil's Child

Crown of Horns

Sinner

Turbo Lover

Invincible Shield

Victim of Changes

The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (Fleetwood Mac cover) 

Painkiller

Bis

The Hellion

Electric Eye

Hell Bent for Leather

Living After Midnight


Scorpions – setlist:

Coming Home

Gas in the Tank

Make It Real

The Zoo

Coast to Coast

Top of the Bill / Steamrock Fever / Speedy's Coming / Catch Your Train

Bad Boys Running Wild

Send Me an Angel

Wind of Change

Loving You Sunday Morning

I'm Leaving You

New Vision

Tease Me Please Me

Big City Nights

Still Loving You

Bis

Blackout

Rock You Like a Hurricane

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Europe: Nada de Ser Uma Cópia de Si Mesmo


Estamos cansados de ver o que acontece com algumas bandas que ficam fazendo músicas requentadas, ou repetindo fórmulas, soando forçado, seja por falta de inspiração, preguiça, ou simples desinteresse em fazer algo novo, simplesmente jogando um produto com seu nome para obter algum retorno comercial, ou cumprir contrato, mas, felizmente, temos o outro lado, que busca inovação, tem o prazer de criar música, de tentar se superar e se reinventar, não ficar datado.

O Europe, que nos anos 80 teve álbuns que alcançaram grande sucesso, principalmente o mega hit "The Final Countdown", do álbum homônimo, e até hoje serve de influência para várias bandas novas de Hard Rock (aliás, a Suécia continua produzindo várias excelentes bandas de Hard, e muitas soando como se tivessem saído dos anos 80), porém, quando do seu retorno no final de 2003, lançando em seguida, em 2004, o álbum "Start From The Dark", os suécos não trataram de se repetir ou apostar em fazer um novo hit nos moldes de "The Final Countdown", o que talvez seria bem mais vantajoso comercialmente, mas mostraram um som moderno e pesado, revigorado e nada reciclado.



A partir daí, já lançou mais 2 álbuns de estúdio ("Secret Society", de 2006, e "Last Look At Eden", de 2009), além de DVDs e o ao vivo e semi-acústico "Almost Unplugged", revisitando seus clássicos, e mostrando suas influências setentistas e blueseiras, e agora lança um terceiro, este excelente "Bag Of Bones", que traz ainda mais à tona essas raízes.

As mais evidentes são as setentistas, e pode-se ouvir e sentir a veia Led Zeppelin, UFO e Whistesnake pulsando, tudo regado a Blues (que também é uma influência latente nas três bandas clássicas citadas).

Isto já é sentido nos primeiros acordes e riffs de "Riches To Rags" e na maravilhosa "Not Supposed To Sing The Blues", que mostra claramente as influências da banda e sua intenção quanto a sonoridade que buscou, tendo até uns sons orientais ("Kashmir", do Zeppelin veio logo na cabeça). A faixa título, "Bag Of Bones", também é uma que logo se destaca, início bluesy, com direito a slides e destacando a interpretação de Joey, sendo que logo a canção ganha mais peso e possui um refrão pra lá de grudento. Muito Zeppelin aqui também! Só pra citar mais um destaque neste maravilhoso álbum, "Bring It All Home", é uma baladona inspirada e emocional, fechando magistralmente o álbum.


A produção ficou a cargo do "The Caveman", como é conhecido Kevin Shirley (Iron Maiden, Dream Theater, Black Country Communion), e também tiveram a contribuição do guitarrista Joe Bonamassa, o que abrilhantou ainda mais o trabalho.

Em mais um belo trabalho, Joey Tempest e John Norum, mostram mais uma vez que não precisam se repetir, e que podem soar modernos sem perder as raízes, belo exemplo para muita gente. Grande acerto  da banda e já candidato a um dos melhores lançamentos de 2012.

Texto e Edição: Carlos Garcia
Revisão: Vincet Furnier

Ficha Técnica
Banda: Europe
Álbum: Bag Of Bones
Ano: 2012
País: Suécia
Estilo: Hard/Classic Rock
Selo:Sony/JVC

Formação
Joey Tempest: Vocals
John Norum: Guitars
John Levén: Bass
Mic Michaeli: Keyboards
Ian Haugland: Drums


Tracklist:
01 – Riches To Rags
02 – Not Supposed To Sing the Blues
03 – Firebox
04 – Bag Of Bones
05 – Requiem
06 – My Woman My Friend
07 – Demon Head
08 – Drink And A Smile
09 – Doghouse
10 – Mercy You Mercy Me
11 – Bring It All Home
(Bônus Japão: Beautiful Disaster)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mantendo o Legado de Dio Vivo



Há figuras importantíssimas dentro do Heavy Metal que, quando partem dessa para uma melhor, deixam um vazio jamais preenchido, sendo o exemplo eterno para todas as gerações que se seguirem. Para essas pessoas, nada poderá substituí-las, mas pelo menos há formas de manter seu nome vivo.

Ronnie James Dio (Elf, Rainbow, Black Sabbath, Dio, Heaven and Hell) foi, provavelmente a perda mais significativa na história do Metal, devido às décadas de dedicação para dar aos fãs do mundo todo o melhor que o Heavy Metal pode oferecer.
            
Passado um ano de sua morte (vítima de câncer, faleceu em 2010), os músicos remanescentes da sua banda solo decidiram que não era hora de parar definitivamente e que, para além de homenagens póstumas ao baixinho, essa figura e seus fãs mereceriam uma turnê completa de “despedida”, contando com vários dos maiores nomes do Heavy Metal executando clássicos das bandas principais por onde Dio passou.
            

É dessa forma que Craig Goldy (guitarra), Simon Wright (bateria, que também tocou no AC/DC, UFO, entre outras), Scott Warren (teclados) e Rudy Sarzo (baixo), “abençoados” pela viúva Wendy Dio (que mostrou-se desgostosa com vários artistas que, segundo ela, se promoveram com a morte do esposo, como Manowar e Jorn Lande), chamaram como vocalistas fixos desse projeto Toby Jepson (vocalista das bandas Gun, Little Angels) e Tim Owens (Judas Priest, Iced Earth, Malmsteen, Charred Walls of the Damned) que, na responsabilidade imensa, levam as letras de Dio em inúmeros shows pela Europa e Estados Unidos.

Nos shows, a banda executa os maiores clássicos de Dio, como “Holy Diver”, “Cacth the Rainbow”, “Heaven and Hell”, “Rainbow in the Dark”, etc., com Toby e Owens revezando-se nos vocais, ora um cantando, ora outro, ou ainda em duetos, como na bela “Stargazers”, apresentada fenomenalmente no Graspop Metal Meeting 2011, na Bélgica.

Grandes nomes já passaram pelo palco tocando junto com os ex-integrantes da banda de Dio, entre eles a Rainha do metal Doro Pesch (Warlock, Doro), grande amiga de Dio, que chegou a  substituir Tim Owens em algumas datas na Espanha e Itália, Chris Caffery, guitarrista do Savatage, James Lomenzo, no baixo (ex-Megadeth, Black Label Society), entre outros, que abrilhantaram essa homenagem.
Toby Jepson (esq.) e Craig Goldy (guitarra) mantendo o legado da banda Dio vivo
            
Como o próprio Simon Wright falou em entrevistas, Dio Disciples não é uma banda cover, nem um tributo apenas a Dio, pois ali estão 4 dos cinco integrantes da banda Dio e, dessa forma, eles querem continuar o legado da banda e, claro, dos trabalhos mais significativos de Dio.
            
Vale ressaltar que a banda se envolve em várias atividades para arrecadação de verbas ao fundo de apoio às vítimas de câncer que foi criado por Wendy Dio em homenagem ao vocalista, que não conseguiu resistir às investidas da doença. Isso prova que, para além de levantar os punhos em riste com os famosos horns ups (trazido ao Metal por Dio e o símbolo mais conhecido do estilo), também há espaço para ajudar as pessoas que necessitam.
            
Para finalizar, fica aqui a notícia comemorada por muitos fãs de Dio e dos músicos que fazem parte do Disciples: a banda se apresentará no Metal Open Air, aqui no Brasil, na cidade de São Luís do Maranhão, em abril deste ano (data do show a confirmar) e, quem sabe, role outras apresentações pelo Brasil, para alegria dos órfãos dessa divina voz e pessoa que fora Ronnie James Dio, agora muito bem representado pelos seus colegas de banda e dois grandes vocalistas.

Stay on the Road

Texto: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Acesse abaixo e conheça mais sobre o Dio Disciples



Assista a apresentação completa do grupo no Graspop Metal Meeting 2011



Veja Doro Pesch cantando “Rainbow in the Dark”