segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Entrevista - Sanctuary: “Eu nunca tinha realmente conversado com o Warrel”

Por: Renato Sanson

 

Algumas bandas atravessam gerações, estilos e mudanças de formação sem perder a essência que as tornou especiais. O Sanctuary é um desses nomes. Com uma história marcada por grandes momentos do Heavy Metal, a banda agora inicia uma nova fase com a chegada de Joseph Michael, seu novo vocalista.

Para conhecer melhor essa nova voz e entender o que podemos esperar desse novo capítulo, conversamos com Joseph sobre sua trajetória, sua entrada no Sanctuary, as expectativas para o futuro, o desafio de assumir os vocais de uma banda com um legado tão importante e, claro, sobre música, influências e os próximos passos do grupo.

Em uma conversa franca e especial, Joseph abre o jogo sobre como foi receber o convite, como tem sido fazer parte dessa história e o que significa vestir a camisa de uma das grandes instituições do Metal.

Confira a entrevista e conheça o homem por trás da nova voz do Sanctuary!

Você assumiu os vocais do Sanctuary depois da era Warrel Dane. Sentiu alguma pressão? Ou encarou isso como uma forma de homenagear o legado dele?

Joseph: Sim. É louco como tudo aconteceu. Eu e o meu guitarrista da outra banda, o Witherfall, estávamos acordados, escrevendo para o nosso segundo disco, quando vimos duas pessoas da banda solo do Warrel, que estavam no Brasil, publicarem que ele havia falecido. Estávamos acordados até muito tarde, acho que eram umas cinco da manhã, e estávamos um pouco bêbados. Não conseguíamos acreditar. 

O Jake tinha tocado em uma banda chamada Iced Earth, e o Sanctuary iria abrir para o Iced Earth. Então, quando recebemos a notícia, ficamos todos meio decepcionados, porque íamos àquele show, íamos conhecer o pessoal, ficar no ônibus com eles e tudo mais. 

Eu nunca tinha realmente conversado com o Warrel. Só tinha me encontrado com ele uma vez e estava muito ansioso para conhecer aqueles caras, ficar com eles no ônibus e coisas assim. Quando o Warrel faleceu, pensamos que o Sanctuary tinha acabado. Eles tinham outra banda que iria entrar naquela turnê, mas o baterista dessa banda acabou se machucando. 

Então, o John Schaffer mandou uma mensagem para o Lenny, dizendo: 'cara, eu sei que você vai perder muito dinheiro se não fizer essa turnê, e nós realmente precisamos que vocês deem um jeito nisso. Talvez encontrem um vocalista'. Eles procuraram, procuraram e procuraram, mas não encontraram ninguém. Finalmente, ele perguntou ao Jake se eu faria isso. E, sim, foi uma grande honra, porque o Warrel era um dos meus cantores favoritos quando eu estava crescendo.

 A pressão, na verdade, não era tanto 'será que consigo alcançar essa extensão vocal?' ou 'será que consigo cantar essas músicas?'. O problema era que eu tinha que aprender todo aquele material em cerca de um mês e meio. Foi muito em cima da hora, muito perto de quando a turnê iria acontecer. Eu sabia que alguns fãs ficariam ali, um pouco céticos, mas acho que acabou sendo muito mais uma celebração do que qualquer outra coisa. Naquela primeira turnê, todas as noites eram como: 'OK, essa é pelo Warrel. Vamos fazer essa turnê, e todo mundo vai participar, celebrar e lembrar do Warrel'.

Fantástico, acabou sendo uma mudança repentina, mas você conseguiu manter o legado vivo. Falando sobre o novo single do Sanctuary, como tem sido a recepção?

Joseph: Tem sido ótima desde o começo. Foi por isso que decidimos continuar. Estávamos no meio do processo de composição de um disco quando a Covid chegou, e o Sanctuary não é uma daquelas bandas em que você pode simplesmente fazer tudo pela internet ou algo assim. Aqueles caras são da velha escola e precisam estar tocando na mesma sala. É assim que eles trabalham e desenvolvem as partes das músicas. 

Quando a Covid chegou, não havia voos, não havia dinheiro, porque não havia turnês. Então, isso realmente atrapalhou tudo. Agora que estamos começando a voltar para a estrada e fazer shows, temos dinheiro para terminar o disco. E acabamos de assinar com uma excelente gravadora, então isso não é mais um problema. Vamos voltar ao estúdio daqui a alguns meses para terminar o álbum.

 

Uma curiosidade: você é parente do Ronnie James Dio?

Joseph: Sou, sim. Sim, ele é meu primo.

Incrível! (risos)

Joseph: (risos) É, eu nunca cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Só conversei um pouco com ele pelo telefone. Mas, recentemente, fui ao evento Bowling for Ronnie e fiquei um tempo com a Wendy Dio. Então, ainda mantenho um pouco de contato com aquele círculo de pessoas.

Sobre o retorno do Sanctuary, a banda voltou com o mesmo espírito de antes ou com uma nova visão para o futuro?

Joseph: Sim, eu diria que está um pouco mais moderno. É um pouco mais moderno do que Refuge Denied (1987), Into the Mirror Black (1989) ou qualquer outro disco daquela época. O Lenny está em uma fase em que quer que o som seja um pouco mais sombrio e pesado, meio na linha de The Year the Sun Died (2014). Eles já estavam caminhando nessa direção. 

Mas, com o meu alcance vocal, acabamos trazendo um pouco mais daquela sonoridade old school de volta. É meio que isso: quando você quer levar uma banda como essa para o futuro, precisa fazer as duas coisas. É preciso manter aquelas características, atingir aquelas notas, chegar aos agudos e ter aquela dose de loucura, mas, ao mesmo tempo, a produção é muito mais a de uma banda moderna atualmente.

 

Quando você começou sua jornada como vocalista? Foi muito jovem? Aproveitando o gancho, e suas influencias vocais, quem são?

Joseph: Ah, quando eu era adolescente. Originalmente, eu era guitarrista e não conseguia encontrar um vocalista de que eu gostasse. Então, acabei aprendendo a cantar. Foi assim que aconteceu (risos).

Eu, definitivamente, tenho um pouco de influência do Warrel, do Dio... No heavy metal, gosto muito do Geoff Tate, do King Diamond, do Sebastian Bach e até do Zak Stevens, do Savatage. Tenho uma variedade grande de influências. 

Também ouço algumas coisas de teatro musical, como o Colm Wilkinson, que é um cantor irlandês. Artistas como a Tori Amos também me influenciaram. Até o Bon Jovi. Há muitas coisas que o Bon Jovi fazia que, se você ouvir com atenção, vai pensar: “Ah, eu reconheço isso. Eu reconheço isso”.

Bom, para encerrar já que o nosso tempo é curto vou te colocar na fogueira (risos): quais são os seus cinco álbuns de Heavy Metal favoritos?

Joseph: (risos) Essa é fácil! Conspiracy, do King Diamond (1989); Awake, do Dream Theater (1994) — esse é o melhor do Dream Theater, na minha opinião. Eu diria Operation: Mindcrime, do Queensrÿche (1988); The Number of the Beast, do Iron Maiden (1982). As pessoas vão me odiar por isso, mas eu tenho que escolher... É uma disputa entre Rust in Peace (Megadeth) e The Black Album (Metallica). Para mim, é um desses dois. É difícil escolher apenas cinco, porque existem muitas bandas das quais eu poderia colocar três discos no meu Top 5. 

Poderia colocar, por exemplo, três álbuns do King Diamond ou três do Savatage. Eu nem coloquei um deles na lista, mas Edge of Thorns (1993) também é um disco excelente. Mas, se tiver que escolher cinco, eu coloco The Black Album (1991) acima de Rust in Peace (1990), apesar de eu adorar a maneira como o Marty Friedman toca. É mais pela sonoridade, pela produção e pelas músicas.

Ok, eu prefiro Black Album (risos).

Joseph: (risos) Algumas pessoas não gostam desse disco. Do Warrel, eu adoro o Refuge Denied (1987), mas também tem o This Godless Endeavor (2005), do Nevermore. Esse também é um excelente disco de metal. São discos sensacionais!

Eu amo Rust in Peace (1990), mas Black Album (1991) é um modo diferente de enxergar o Heavy Metal.

Joseph: É realmente incrível.


Sanctuary Site Oficial 

Nenhum comentário: